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Agência Diap, 18
de abril de 2009
DF: Nova Central Sindical
faz ato em defesa o uso controlado do amianto
Mais de 5 mil trabalhadores se reuniram em manifestação
na última quinta-feira (16), na Esplanada dos Ministérios
em prol da manutenção dos empregos, na área
de manipulação do amianto, na cidade de Minaçu
(GO), onde está localizada a única mina do
País.
Trabalhadores do setor de amianto aproveitaram o Dia Internacional
da União dos Trabalhadores do Amianto para defender
o uso do crisotila, fibra mineral utilizada no Brasil para
a produção de telhas e caixas d'água.
Para o presidente da Nova Central, Jose Calixto Ramos,
o amianto, se manuseado de forma adequada não é prejudicial à saúde.
Calixto destacou ainda que seria um suicida se defendesse
um produto que fizesse mal aos trabalhadores do setor.
A NCST foi uma das organizadoras da manifestação.
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O
Estado de S.Paulo, 18 de abril de 2009
Indústrias suspendem acordos
de redução de jornada e de salários
Melhora na demanda da indústria
automobilística provoca reação em cadeia e
faz empresas retomarem produção
Vinte dos trinta acordos fechados no início deste ano
entre indústrias e sindicatos de trabalhadores ligados à Força
Sindical para a redução da jornada de trabalho
e de salário, a fim de evitar demissões, já foram
suspensos. A informação é do próprio
presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da
Silva (PDT/SP).
A resposta positiva nas vendas de automóveis ao corte
no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do produto provocou
uma reação em cadeia e melhorou o ritmo de atividade
nas fábricas que fornecem peças. Com isso, os trabalhadores
retomaram a produção.
O quadro é semelhante no Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC paulista, ligado à Central Única dos Trabalhadores
(CUT). Segundo o presidente do sindicato, Sérgio Nobre,
dos 44 acordos de redução de jornada e de salários,
oito foram cancelados no início deste mês.
"Setores ligados ao mercado interno estão tendo
recuperação bastante forte. O problema continua
nas empresas exportadoras", diz Nobre. Num primeiro momento,
observa o presidente da CUT, Artur Henrique, a cadeia automobilística
foi a mais afetada. "O que se vê agora é uma
recuperação nas metalúrgicas ligadas às
montadoras e à construção civil", diz
o sindicalista.
Reação
A Valeo, fabricante de faróis e lanternas para a indústria
automobilística, por exemplo, interrompeu na semana passada o
acordo de redução de jornada de trabalho e de 15% nos salários
iniciado em fevereiro e previsto para durar até o dia 30 deste
mês.
A empresa decidiu cancelar a jornada reduzida porque tanto a
demanda das montadoras em março como a programação
de pedidos para este mês aumentaram.
"Dezembro foi trágico. Agora já houve uma
reação, e temos um novo patamar de produção",
afirma Carlos Luiz Gazola, diretor administrativo e financeiro
da Proxyon, que produz peças e conjuntos de aço
e alumínio para a indústria automobilística.
Com a queda de 60% no faturamento em dezembro, a empresa decidiu
reduzir em um dia por semana a jornada de trabalho dos 220 funcionários,
que aceitaram cortar 14% nos salários. Com a melhora nos
pedidos, a companhia suspendeu o acordo antes do fim do prazo
previsto, que era 28 de março.
"O faturamento não voltou ao nível normal
e está 30% abaixo do ano passado", diz o diretor.
De toda forma, pelo volume de pedidos já sinalizado pela
indústria até agosto, a empresa optou por retomar
a produção.
Já a Saint-Globain Sekurit, que produz vidros para veículos,
adotou estratégia diferente. Em dezembro, quando a demanda
pelo produto foi reduzida para um terço, a empresa demitiu
180 temporários.
"Agora, acabamos de contratar 24 trabalhadores" diz
o diretor geral, Manuel Corrêa. Segundo ele, a freada nas
vendas no fim de 2008 foi brusca. Agora, a retomada é forte.
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Congresso em Foco, 18 de
abril de 2009
IR: governo alerta que
faltam mais de 50% das declarações
Renata Camargo
O governo alertou nesta sexta-feira (17) que, a menos
de duas semanas do prazo final de entrega do Imposto de
Renda, menos da metade do total de contribuintes da Receita
Federal – cerca de 10,7 milhões de pessoas – declararam
seu imposto. O prazo de entrega da declaração
se encerra no próximo dia 30 e quem não enviar
os dados dentro do tempo previsto paga multa de R$ 165,74.
A declaração do Imposto de Renda deve ser
feita via internet até a meia noite do dia 30, ou
nas agências bancárias ou dos Correios, seguindo
o horário de funcionamento de cada local. São
obrigadas a declarar as pessoas físicas que receberam
no ano passado acima de R$ 16.473,72.
Os que tiveram rendimentos não-tributáveis
ou isentos de impostos acima de R$ 40 mil em 2008 devem
prestar contas à Receita. Devem declarar ainda sócios
de empresas, pessoas físicas com patrimônio
superior a R$ 80 mil (valor de compra em 31 de dezembro)
e que exerceu atividade rural e recebeu acima de R$ 82,5
mil no ano passado.
Mais informações sobre as declarações
do Imposto de Renda podem ser acessadas na página
da Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br).
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Gazeta do Povo, 18 de abril
de 209
Congresso
Osmar é favorito
para se tornar líder de Lula
Com a posse de Roseana Sarney (PMDB) no Maranhão,
o senador Osmar Dias (PDT) voltou a ser cogitado como nome
mais forte para assumir a liderança do governo no
Congresso Nacional. Sondado inicialmente pelo Palácio
do Planalto às vésperas do carnaval, o pedetista
afirmou ontem que aceitaria o convite, com a contrapartida
de que pudesse trazer mais benefícios ao Paraná.
No entanto, ele procurou não relacionar a escolha
para o cargo com as alianças que serão formadas
nas eleições para governador em 2010.
Ontem, o deputado federal Ricardo Barros (PP), vice-líder
do governo na Câmara Federal, garantiu que a proposta
será refeita ao senador pedetista nas próximas
semanas. Osmar declarou que poderá assumir o cargo,
desde que a função não seja apenas
uma figura decorativa. “Vai depender do presidente
Lula, o poder e a autonomia que eu terei como líder
no Congresso.”
O líder do governo no Congresso, no entanto, tem
poucas tarefas de negociação parlamentar.
O poder de falar em nome do presidente da República
fica quase o tempo todo nas mãos do líder
do governo no Senado – função ocupada
atualmente por Romero Jucá (PMDB-RR).
Alianças
O convite a Osmar Dias deixa a entender que o PT vê no
senador uma opção para a formação
de um palanque estadual forte à candidatura da ministra
Dilma Rousseff na sucessão presidencial.
A chance de Osmar assumir a liderança do governo
no Congresso reforça os recentes sinais de aproximação
com o PT. Apesar de negar constantemente a possibilidade
de rompimento da aliança com o PSDB, firmada em
2006, o senador deixou clara a insatisfação
com os tucanos. “Nenhuma aliança se mantém
com mais de um candidato. Imagine, então, com três,
quatro nomes, como está acontecendo agora”,
afirmou. “Cada um sabe da responsabilidade que assumiu
(para as eleições de 2010). Não preciso
lembrar ninguém disso.”
Por outro lado, Osmar Dias considera precipitadas as conversas
sobre possíveis alianças para o pleito do
ano que vem. “Não sei porque esse assunto
ganhou tamanha proporção já nessa época.
Em 2006, cheguei na convenção do partido
sem saber quem seriam meus aliados.”
Visões diferentes
Ricardo Barros afirmou que o PSDB tem um compromisso com
o senador pedetista. “O PSDB precisa decidir sua
posição, já que vários membros
do partido já estão se colocando como candidatos”,
disse. Para ele, Osmar Dias também precisa escolher
o caminho que pretende seguir para a eleição
de 2010. “Agora, ele terá de tomar uma decisão
definitiva, ao dizer se aceita ou não a liderança
no Congresso.”
Já o senador Alvaro Dias (PSDB) declarou que se
aliar ao PT será um desastre histórico na
carreira política do irmão. “Nossa
história política e nosso plano eleitoral
são totalmente distintos do que defende o PT. Não
creio que ele vá abraçar uma aliança
com os petistas”, declarou. Alvaro Dias afirmou também
que o que torna ele e o irmão aliados não é a
eleição de 2006, mas o passado político
dos dois. Por isso, o tucano defendeu que PDT e PSDB estabeleçam
critérios claros para definir um único candidato
na disputa do ano que vem: ele próprio, Osmar Dias
ou o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB). “Esse
tripé é o palanque mais forte para 2010,
inclusive para fortalecer o PSDB na eleição
para presidente”, disse. “Tenho esperança
de que a aliança seja mantida. Mas, pelo andar da
carruagem, vejo que não acontecerá essa definição.”
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Gazeta do Povo, 18 de abril
de 209
Habitação
Pacote faz disparar
simulações em site da Caixa
Brasília - A presidente da Caixa Econômica
Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, informou ontem que,
desde o lançamento do programa habitacional “Minha
Casa, Minha Vida”, na última segunda-feira,
aumentou a média diária de acessos ao simulador
Caixa – disponível na página eletrônica
do banco. Subiu de 70 mil por dia para 434 mil, com mais
de um milhão de simulações por dia,
em apenas cinco dias. O simulador permite aos interessados
em obter financiamentos habitacionais na Caixa calcular o
valor das prestações, de entrada, prazos ou
juros.
A informação foi dada por Maria Fernanda
durante solenidade de assinatura do termo de adesão
da prefeitura do Rio de Janeiro ao programa “Minha
Casa, Minha Vida”, que ocorreu hoje no Rio. A presidente
da Caixa disse que, antes do lançamento do programa,
a meta da Caixa era aplicar R$ 27,5 bilhões em financiamentos
habitacionais em 2009. Somente no primeiro trimestre, R$
7 bilhões já foram emprestados, o que significa
119% a mais que no mesmo trimestre de 2008.
A Secretaria de Habitação do Rio de Janeiro
projeta a construção de 100 mil moradias
nos próximos quatro anos, com prioridade para as
famílias que ganham até três salários
mínimos. Esse público terá subsídio
integral, menores prazos no licenciamento das obras, isenção
de impostos e de seguro. A estimativa da secretaria é que
o déficit habitacional na cidade é de aproximadamente
350 mil unidades.
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Gazeta do Povo, 18 de abril
de 209
Investimentos
Governo traça
plano para poupança
O primeiro escalão
demonstrou que é certa a alteração nas
regras da caderneta, mas não diz o que vai mudar
É consenso dentro do governo que as regras de funcionamento
da caderneta de poupança vão mudar. Nesta
semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou
em preservar o investimento como uma opção
para a população de baixa renda, enquanto
o ministro da Fazenda, Guido Mantega, avisou que haverá alteração
no rendimento da aplicação. Ontem foi a vez
do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, dizer
que ainda não há prazo para a mudança,
também defendida pela ministra-chefe da Casa Civil,
Dilma Rousseff.
A preocupação do primeiro escalão
do governo é que o rendimento da poupança,
de 0,5% ao mês mais TR, começa a ficar atraente
para investidores que hoje estão em fundos de renda
fixa ou que aplicam em CDB. Isso ocorre porque a taxa básica
de juros (Selic) está em queda, o que reduz a rentabilidade
dos títulos do governo que compõem os fundos,
e pressiona para baixo o ganho dos CDBs.
Imposto de Renda
A ideia é tributar aplicações acima
de um certo valor. O problema é que o imposto só poderia
valer a partir de 2010.
Rendimento
A saída preferida pelo governo é reduzir
a rentabilidade da poupança. Uma opção é mudar
o cálculo da TR, mas isso talvez seja insuficiente,
já que a aplicação tem garantida a
correção de 0,5% ao mês. Um novo porcentual
exigiria uma lei sobre o tema.
Teto
O governo poderia limitar a aplicação por
caderneta. Não ficou claro se haveria teto por CPF
ou por conta, o que abriria a brecha para a abertura de
várias poupanças por pessoa. Há dúvidas
sobre como seria a regra para contas que já estão
acima do teto.
Hoje, a Selic está em 11,25% ao ano e a expectativa no mercado é que
ela caia pelo menos mais dois pontos porcentuais até junho.
Como os fundos cobram taxas de administração que variam
de 1% a 4% e seus rendimentos são tributados pelo Imposto de
Renda, uma taxa básica na faixa de 9% já levaria algumas
aplicações a um rendimento menor do que o da poupança.
Se isso empurrar grandes investidores para a caderneta, é possível
que ocorram dois efeitos temidos pelo governo: uma maior dificuldade
para rolar a dívida pública e uma retração
na oferta de crédito.
Ontem, o presidente do BC, Henrique Meirelles, disse que
ainda não foi batido o martelo no governo sobre
a melhor solução para a poupança. “Vamos
aguardar o que pode ser visualizado como melhor solução
para a estrutura da economia do Brasil e para defender
o interesse dos poupadores e, por outro lado, manter o
equilíbrio do sistema”, disse.
O fato de o governo estar demorando para apresentar uma
proposta consistente não é por acaso. Qualquer
alteração terá obstáculos de
execução. “É algo muito impopular,
principalmente porque o governo passou longe da discussão
sobre as taxas cobradas pelos fundos”, afirma Amilton
Dalledone Filho, professor de Finanças da FAE Centro
Universitário.
As alterações em estudo pelo governo incluem
a cobrança de Imposto de Renda para aplicações
maiores, a criação de um limite para o investimento
em caderneta e a redução da rentabilidade – medida
mais provável segundo as declarações
recentes da equipe econômica. Nesse caso, o governo
terá de encontrar um caminho legal para alterar
o ganho do poupador sem criar uma enxurrada de ações
judiciais.
“A correção da caderneta está em
uma lei de 1991, o que gera um direito adquirido”,
afirma Egon Bockmann Moreira, professor de Direito Econômico
da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Assim,
mudar a regra para quem já aplica, pode gerar uma
contestação judicial. “Pode ser feita
uma regra para novos investimentos. Os bancos, no entanto,
têm defendido a opção do Imposto de
Renda justamente para evitar ações no futuro.” Só que
a legislação de IR exige que o tributo seja
alterado de um ano para o outro – muito tarde para
a pressa do governo.
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Folha de S.Paulo, 18 de
abril de 209
CAMPO MINADO 1
Sindicalista é morto
a tiros em emboscada em cidade do Pará
DA AGÊNCIA FOLHA
Um sindicalista de Tucuruí (460 km de Belém)
foi morto a tiros na noite de anteontem no município.
Segundo a Polícia Civil da cidade, Raimundo Nonato
da Silva foi assassinado por dois homens em uma moto. Até a
noite de ontem ninguém havia sido preso. Equipes policiais
realizavam buscas na região atrás de suspeitos
de participação no crime.
Nonato da Silva, de acordo com informações da Contag
(Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura),
era secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras
Rurais de Tucuruí e já havia sofrido ameaças de
morte.
O governo do Pará, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou
que o sindicalista foi morto com sete tiros, no centro da cidade.
A emboscada ocorreu após ele ter ido a um supermercado. Um dos
homens desceu da moto, caminhou e disparou contra ele. A polícia
investiga se o crime foi encomendado. A polícia tomou o depoimento
de um representante do sindicato e de uma testemunha que passava pelo
local do crime no momento da fuga dos criminosos. A identidade dos
dois não foi revelada.
A Contag solicitou uma reunião de urgência com o ministro
Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) e a presença do ouvidor agrário
nacional, Gercino José da Silva Filho, na região.
Ainda segundo a Contag, o sindicalista atuava havia 28 anos na defesa
dos interesses dos trabalhadores rurais. Atualmente colaborava com
a implantação de projeto de manejo em assentamentos.
" O sindicalista também vinha denunciando madeireiros envolvidos
na retirada ilegal de madeiras, em especial nos projetos de assentamentos",
informou a confederação em nota.
A reportagem não conseguiu entrar em contato com o sindicato
de Tucuruí na noite de ontem.
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Folha de S.Paulo, 18 de
abril de 209
Governo reduz IPI de
eletrodomésticos
Medida atinge geladeiras,
fogões, máquinas de lavar roupa e tanquinhos;
corte de imposto para itens de construção é ampliado
Nova desoneração vai gerar
renúncia fiscal de R$ 261 mi, mas não vai
ser compensada com a elevação de outros tributos,
afirma Mantega
DENYSE GODOY
DA REPORTAGEM LOCAL
Confirmando as expectativas, o governo federal anunciou
ontem a redução do IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados) para quatro eletrodomésticos da
chamada linha branca: geladeiras, fogões, máquinas
de lavar roupa e tanquinhos. Também acrescentou
cinco produtos à lista de materiais de construção
cujo tributo havia sido cortado em março. A renúncia
fiscal será de R$ 173 milhões no primeiro
caso e de R$ 88 milhões no segundo.
A desoneração, em vigor a partir da publicação
do decreto no "Diário Oficial" -que deveria sair até o
final da noite, ontem-, valerá por três meses.
Grandes redes varejistas informaram que já neste final de semana
os consumidores encontrarão os itens mais baratos nas lojas.
Um fogão de quatro bocas, por exemplo, com preço anunciado
de R$ 699 antes do corte do IPI poderá passar a custar R$ 680,
se toda a redução do imposto for repassada ao consumidor
final. As geladeiras terão o impulso extra de um programa que
a administração Luiz Inácio Lula da Silva planeja
criar para estimular a troca de modelos antigos por outros mais modernos
e que usem menos gás poluente.
Com todas as medidas que tem lançado, o governo espera amortecer
os efeitos da crise econômica mundial no país.
Embora as previsões dos especialistas para o crescimento do
Brasil neste ano estejam pessimistas, Guido Mantega, ministro da Fazenda,
disse ontem que o PIB (Produto Interno Bruto) nacional não recuará. "Estamos
sentindo alguma melhora da economia a partir de março. Com a
diminuição do IPI, conseguimos recompor as vendas de
automóveis, e igualmente no segmento de material de construção
os efeitos se fazem sentir. Estamos dando condições para
que as vendas aumentem e os empregos sejam mantidos", afirmou,
em São Paulo, durante a divulgação das medidas
para linha branca.
O ministro acrescentou que o governo estudará alguma forma de
ampliar o acesso ao crédito das financeiras que pertencem às
grandes varejistas que vendem eletrodomésticos.
Na reunião em que o pacote para o setor foi discutido, empresários
como Michael Klein, das Casas Bahia, e Luiza Helena Trajano, do Magazine
Luiza, explicaram que precisam de mais recursos para poder financiar
o consumo. Não foi fechado nenhum tipo de compromisso formal
para que os empresários do setor evitem demissões, mas,
nas palavras de Paulo Pereira da Silva, presidente da Força
Sindical, existe um acordo de cavalheiros com esse objetivo.
" Se percebermos que as indústrias beneficiadas estão fechando
postos de trabalho, iremos ao Planalto pedir a suspensão do pacote",
disse. Pelas contas da central, essa cadeia produtiva emprega cerca de 300 mil
pessoas no país, e 20 mil foram demitidas com a crise. O comércio
responde atualmente por mais 300 mil vagas e nega que tenha reduzido a sua força
de trabalho.
Compensações
Ao contrário do que aconteceu no final do mês passado
-quando, para equilibrar a perda de receita com redução
de impostos, o governo decidiu aumentar a taxação dos
cigarros-, desta vez não haverá elevação
de outros tributos. "Em um primeiro momento, a arrecadação
cairá. No entanto, a alta das vendas deve compensar esse efeito",
destacou Mantega. "O desempenho fiscal do país será o
segundo melhor do G20 [grupo de países ricos e em desenvolvimento]
em 2009."
Estados e municípios, que perderão recursos dos fundos
de participação com as desonerações, serão
ressarcidos. As cidades receberão os R$ 650 milhões diretamente
do orçamento da administração federal, e os Estados,
cujo "prejuízo" varia de R$ 750 bilhões a R$
800 bilhões, poderão contar com uma linha especial de
financiamento de R$ 4 bilhões com juros de 11,25% ao ano. "É muito
importante que deem continuidade aos seus projetos", comentou
Mantega.
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Folha de S.Paulo, 18 de
abril de 2009
Vendas de material de
construção se recuperam
AGNALDO BRITO
DA REPORTAGEM LOCAL
Embora parcial, a desoneração do IPI (Imposto
sobre Produtos Industrializados) sobre 29 grupos de material
de construção mobilizou os consumidores e
em consequência a indústria do país
em abril. Ontem, o governo ampliou o corte do imposto para
mais cinco grupos de produtos: revestimentos cerâmicos,
cadeados, impermeabilizantes, registros de gaveta e telhas
de aço.
A Abramat (Associação Brasileira da Indústria
de Materiais de Construção) confirma que o ritmo da produção
já foi retomado, mesmo sem os números fechados do período. " Ainda
não temos o balanço do mês, mas é inegável,
conforme relata a indústria, uma retomada da produção.
Os números para este mês serão muito positivos",
afirma Melvyn Fox, presidente da Abramat. A redução do
IPI desses cinco itens para zero, anunciada ontem, foi para a indústria
mais um passo para novas desonerações.
Antes de iniciar o ciclo de desonerações em conta-gotas,
a indústria fabricante de material de construção
negociava com o governo uma medida universal que zeraria o IPI do setor
por dois anos. A proposta estava embasada em estudos da Fundação
Getulio Vargas e sustentava a tese de que a medida resultaria em enormes
benefícios econômicos, como a geração de
empregos e o crescimento econômico.
Fox afirma que o governo ainda tem receio de que novas desonerações
possam não surtir o efeito positivo na economia. "Por isso
tem feito desonerações pontuais, mas esperamos ainda
novos anúncios para ampliação do corte de impostos",
afirma. Além de expandir a lista de produtos desonerados, o
setor da construção voltou a criticar o prazo de três
meses para a vigência do benefício fiscal. Empresários
argumentam que o ciclo da construção não tem correlação
com outros, como a compra de automóveis ou eletrodomésticos.
Cerâmica
Ausente da primeira lista de corte do IPI, a inclusão do revestimento
cerâmico no rol dos produtos beneficiados significou alívio
no setor ceramista. A alíquota no setor caiu de 5% para zero.
A parada brusca no fim de 2008 e a indefinição em relação à inclusão
dessa indústria na desoneração fizeram com que
os estoques de cerâmica explodissem.
" Nossos estoques, que tradicionalmente são de 25 a 30 dias, havia
superado os 40 a 45 dias. Agora a situação tende a se normalizar",
disse. O país consome 650 milhões de metros quadrados e produz,
por ano, 713 milhões de m2 do produto.
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