 |
Agência Diap, 21 de abril de 2009
A necessidade de atuação
sindical no Congresso Nacional
Existe um movimento no Congresso Nacional para flexibilizar direitos,
caso não haja uma contra-ofensiva do movimento sindical pode ganhar
musculatura, especialmente neste momento de crise. O DIAP elaborou três
levantamentos com projetos de interesse do movimento sindical
O movimento sindical, sem prejuízo da boa interlocução
com o Poder Executivo, deve intensificar sua relação
com o Congresso, onde existe uma ampla agenda de projetos
com reflexos sobre o mundo do trabalho.
A história recente registra algumas investidas contra
os direitos dos trabalhadores, como a aprovação
da Emenda 3, a retirada dos trabalhadores dos conselhos de
contribuintes, a tentativa de supressão das fontes
de financiamento da seguridade social, a pressão para
votação do projeto de FHC sobre terceirização,
entre outras.
Esse movimento para flexibilizar direitos, caso não
haja uma contra-ofensiva do movimento sindical, pode ganhar
musculatura, especialmente neste momento de crise.
Matérias como a que propunha a redução
das contribuições sobre a folha e redução
da despesa do empresário com o FGTS, cuja diferença
para menor seria compensada com recursos do Fundo de Amparo
ao Trabalhador, podem sensibilizar os parlamentares.
O deputado Michel Temer (PMDB/SP), em audiência neste
mês de abril com lideranças sindicais da UGT,
surpreendeu os presentes ao dizer que, desde que assumiu
a Presidência da Câmara, aquela era a primeira
vez que alguém pedia a retirada ou arquivamento do
projeto sobre terceirização.
Todos os pedidos sobre o projeto - e foram muitos - eram
para sua imediata votação.
Este simples episódio relatado pelo presidente da
Câmara ilustra e justifica uma atuação
mais ostensiva no Congresso, seja lutando pela aprovação
de projetos de interesse dos trabalhadores, como o que acaba
com o fator previdenciário, reduz jornada, garante
aumento real até 2023 para o salário mínimo,
proíbe a demissão imotivada e extingue a contribuição
dos inativos, seja rejeitando aqueles prejudiciais ao trabalhador,
como o que trata da terceirização.
Para contribuir com esse trabalho, o DIAP elaborou três
levantamentos com projetos de interesse do movimento sindical,
o primeiro sobre os trabalhadores do setor privado, o segundo
sobre os servidores públicos e o terceiro sobre organização
sindical, publicados no boletim de abril.
(*) Editorial do boletim do Diap
# 226, de abril de 2009
|
Agência Estado, 21
de abril de 2009
Impacto do novo mínimo
na Previdência somará R$ 7 bi em 2010
O secretário da Previdência Social, Helmut Schwarzer disse,
nesta segunda-feira (20), que o reajuste do salário mínimo
previsto para 2010 deverá impactar em R$ 7,2 bilhões as
contas da Previdência Social no próximo ano.
Segundo as projeções da Lei de Diretrizes
Orçamentárias (LDO), divulgada pelo Governo
Federal na semana passada, o salário mínimo
subirá dos atuais R$ 465 para R$ 506,46 no ano que
vem, e começará a valer em 1º de janeiro
de 2010.
Esse reajuste considera a fórmula negociada há quatro
anos entre o Governo e as centrais sindicais, de conceder
ao salário mínimo o equivalente a inflação
do ano anterior, somado ao crescimento econômico de
dois anos anteriores.
Além disso, desde o acerto entre o Governo e as centrais,
o reajuste tem sido antecipado em um mês, a cada ano,
até chegar ao primeiro mês do ano.
Recorde
Schwarzer informou também que a arrecadação da
Previdência Social em março, de R$ 14,209 bilhões,
foi recorde mensal, excluindo as arrecadações dos meses
de dezembro.
Segundo o secretário, dois fatores contribuíram
para esse desempenho: a formalização de 531
mil micro e pequenas empresas, que aderiram ao Simples Nacional
(programa de recolhimento tributário simplificado)
desde o início deste ano.
Segundo ele, houve algumas prorrogações de
prazo para a adesão ao programa, desde janeiro deste
ano, que foi encerrado em março de 2009.
Outro fator foi a estabilidade do mercado formal de trabalho,
em fevereiro, depois de dois meses seguidos de mais demissões
do que contratações. Segundo dados do Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério
do Trabalho e Emprego, em fevereiro houve um saldo positivo
de 9,1 mil empregos.
E esse resultado se refletiu nas contas da Previdência
de março. "A folha salarial é a base mais
estável de incidência de impostos", afirmou
o secretário.
|
Valor Econômico,
21 de abril de 2009
Lula: pequeno poupador será preservado
nas mudanças da poupança
O Governo busca uma maneira de tratar diferentemente os pequenos poupadores,
para não prejudicá-los, nas mudanças que fará nas
regras da caderneta de poupança, revelou o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, pouco antes de deixar as ilhas de Trinidade e Tobago,
onde participou ontem da Cúpula das Américas com outros
33 chefes de Estado da região.
"Não posso dizer o que penso a respeito, porque
poderia gerar especulação", comentou Lula,
que, em seguida, porém, contou o que pensa sobre a
poupança. "Precisamos fazer uma diferenciação
entre o pequeno poupador e alguém que quer fazer da
poupança um investimento".
O Governo teme que, com a queda na taxa básica de
juros, a Selic, os fundos de investimento fiquem menos atrativos
do que a caderneta de poupança, que é isenta
de imposto e garante rendimentos de 0,5% acima da TR (taxa
de referência, calculada com base na taxa média
de juros dos bancos).
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, estuda uma fórmula
de reduzir o rendimento da caderneta para evitar que ela
se torne mais atrativa que as alternativas de investimento;
mas o Governo quer evitar que a mudança provoque uma
fuga dos atuais poupadores, que, como indicou Lula, poderiam
receber tratamento diferente para manter seus ganhos.
"A questão da poupança é delicada
e por isso exige muito trabalho da equipe econômica",
comentou o presidente. "Se não fizer a poupança,
pelo menos, ajustada às taxas básicas de juros
do país, pessoas que têm muito dinheiro em vez
de aplicar em fundos de investimento vão correr para
a poupança", previu Lula. "Poupança é para
cuidar das pessoas mais pobres, para evitar que o dinheiro
das pessoas seja corroído; não é fundo
de investimento".
Lula garantiu que o assunto está "sendo cuidado
com muito carinho", e que o Governo continuará a
discutir a necessidade de "ajustar" a taxa de juros
para garantir o crescimento da economia. "Vamos tomar
cuidado, senão daqui a pouco tem gente tirando R$
50 milhões, US$ 60 milhões e querendo aplicar
na poupança, e você mata a poupança",
argumentou.
Lula evitou, porém, dar certezas sobre o que ser
feito com a caderneta. "Eu não sei", garantiu. "No
momento certo, quando o Guido me apresentar (a solução
para a poupança), imediatamente pedirei ao ele para
apresentar à imprensa".
"Precisamos ter o cuidado porque mais de 85% dos poupadores
têm menos de R$ 5 mil na poupança", comentou
Lula, numa indicação sobre a faixa de saldo
na caderneta que poderá ser alvo de tratamento diferenciado
pelo Governo.
"Não podemos permitir que a poupança
sofra qualquer enfraquecimento, mas também não
podemos permitir que as pessoas que mais necessitam da poupança
criem desconfiança sobre esse instrumento financeiro
tão importante".
|
O Estado de S.Paulo, 21
de abril de 2009
17 ministros devem deixar o
cargo para concorrer às eleições
Dos 35 ministros do governo Lula, 17 devem deixar
o cargo, em abril de 2010, para concorrerem às eleições.
A saída anunciada abre o apetite do PT e do PMDB,
principais partidos da base aliada, mas o presidente Lula
procura conter a debandada e já avisou que a maioria
dos ministros-candidatos será substituída pelos
secretários executivos. A lista inclui a chefe da
Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), que também sairá do
governo seis meses antes da eleição, como manda
a lei, para concorrer à sucessão de Lula.
Sete ministros querem disputar uma cadeira na Câmara e outros cobiçam
os governos de seus Estados. Há, ainda, quem prefira o Senado
ou tenha a Casa como "plano B". Apenas Carlos Minc do Meio
Ambiente, não abre mão de retornar à Assembleia
do Rio.
A corrida, por enquanto, é mais de resistência
do que de velocidade, e Lula já iniciou a operação "segura
ministro" para convencer auxiliares a permanecer no
posto. Motivo: se 17 titulares de pastas deixarem o cargo,
quase metade da equipe terá de ser substituída
a oito meses do fim do mandato.
Não é só: o presidente da Petrobrás,
José Sérgio Gabrielli (PT), sonha em se lançar
ao Senado e o também petista José Eduardo
Dutra, que comanda a BR Distribuidora, será candidato à Câmara
ou à presidência do PT.
Até agora, apenas três ministros indicam
que podem mudar de planos, dependendo do cenário
político: Fernando Haddad, da Educação;
José Pimentel, da Previdência e Altemir Gregolin,
da Pesca.
|
Agência Brasil, 21
de abril de 2009
Previdência tem arrecadação
recorde em março
O secretário de Políticas de Previdência
Social, Helmut Schwarzer, informou hoje (20) que só em
abril ou maio será possível fazer um prognóstico
da tendência da arrecadação. Em março,
a arrecadação registrou resultado recorde histórico
de R$ 14,2 bilhões, com elevação de
10,6% em comparação ao mesmo mês do ano
passado. Por outro lado, as despesas subiram 10,8%, registrando
R$ 17,3 bilhões. O resultado foi um déficit
de R$ 3,13 bilhões, 12,1% maior do que em março
de 2008.
“É sempre prudente aguardar o primeiro quadrimestre
para daí fazer uma projeção para o
restante do ano”, disse. No acumulado do ano, a arrecadação
atingiu R$ 39,4 bilhões, um crescimento de 5,2%
na comparação com o mesmo período
de 2008. Já as despesas com benefícios aumentaram
7,6%, chegando a R$ 51,6 bilhões. No período,
o déficit atingiu R$ 12 bilhões, 16,3% a
mais do que o acumulado de janeiro a março de 2008.
Segundo Helmut Schwarzer, as despesas em março,
comparativamente ao mesmo período do ano passado,
sofreram o impacto do reajuste do salário mínimo
e da correção da inflação nos
benefícios acima do teto, que no ano passado foi
reajustado no mês de abril. Já os meses de
abril e maio de 2009 sofrerão menos com as influências
de “fatores externos”, explicou.
Em relação à arrecadação,
o resultado do mês passado sofreu a influência
das medidas do governo de combate à crise, que prorrogaram
para março o recolhimento do Simples (Regime Especial
Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições
devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte
) dos meses de janeiro e fevereiro.
Helmut Schwarzer informou também que a arrecadação
da Previdência Social tem se mantido estável,
inclusive com crescimento, porque “a folha salarial é muito
mais estável ao longo do ciclo econômico”.
“Particularmente, tenho a sensação
de que a trajetória vai ser positiva. Não
vai ser negativa como foi previsto no final do ano passado
por alguns analistas”, afirmou. Outro fator que deve
ajudar na obtenção de um resultado melhor
nas contas da Previdência Social é que metade
das decisões judiciais já foi paga até agora,
quase R$ 3 bilhões.
“Por outro lado, é importante considerar
que o pagamento de benefícios da Previdência é uma
rede de segurança muito grande, pois ajuda no combate
da crise econômica e mantém o consumo das
famílias elevado”, enfatizou.
Segundo ele, o fato de a Previdência ter mantido
o calendário de reajustes e de não ter postergado
o reajuste do salário mínimo e dos demais
benefícios ajudam a recuperação da
economia em muitos municípios.
Outro bom sinal, segundo Helmut Schwarzer, é o
fato de o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) não ter registrado mais perda de empregos
adicionais. “ Pode ajudar a ter a expectativa de
estabilidade na nossa arrecadação nos próximos
meses”, disse.
|
Congresso em Foco, 21 de
abril de 2009
O recado das ruas para deputados
e senadores
Leitores reagem contra farra
das passagens no Congresso. Em comentários neste site,
cobram respostas e mudanças no comportamento dos parlamentares
Daniela Lima
“Como pode um parlamentar usar dinheiro público
para pagar passagens aéreas para amantes, namoradas
e sogras? Para festa de carnaval fora de época?
Isso é falta de educação com o povo,
que vive amontoado em ônibus e trens lotados, sem
segurança, sem saúde, e, o pior, sem uma
educação de qualidade.”
A afirmação acima é de um dos leitores
do Congresso em Foco, Mário Liberato. Assim como
ele, outras centenas de eleitores reagiram com comentários
críticos às revelações exclusivas
deste site de que parlamentares e outras autoridades promoveram,
com dinheiro público, um tour pelos destinos mais
valorizados do Brasil e do mundo.
Miami, nos Estados Unidos; Milão, na Itália;
Paris, na França; Natal, no estado do Rio Grande
do Norte. Esses foram alguns dos lugares visitados por
deputados, senadores, ministros, seus familiares, assessores
e amigos. Viagens pagas pela Câmara dos Deputados
ou pelo Senado Federal, por meio da cota de passagens aéreas.
Diante de uma sucessão de escândalos, o leitor
cobrou, além de respostas, mudanças. “A
Câmara tem que tomar medidas imediatamente, punindo
os responsáveis por esses desvios. Não pode
legalizar essa rotina. Os dependentes legais (dos parlamentares)
não foram eleitos pelo povo”, protestou o
leitor Hércules Alves.
Os leitores se mostravam indignados mesmo antes de tomarem
conhecimento das viagens da apresentadora de TV Adriane
Galisteu pagas pela Câmara com autorização
do deputado e namorado Fábio Faria (PMN-RN). Pesquisa
do Instituto Datafolha, divulgada em março deste
ano, mostrou que 37% dos eleitores brasileiros rejeitavam
o Congresso Nacional.
O percentual preocupa especialistas, que aconselham: os
números deveriam ser observados com mais cautela
pelos parlamentares. “O percentual da população
descrente na democracia cresce no Brasil. Isso é assustador.
Esses desmandos fazem o parlamento perder a credibilidade,
e suscitam na população o pensamento da volta
de um regime sem o Poder Legislativo”, pondera o
cientista político David Fleisher.
Mudanças efetivas
A onda crescente de denúncias fez com que os dirigentes
do Congresso anunciassem, na última quinta-feira
(16), medidas emergenciais. Na Câmara, foi promovido
um corte de 20% na verba de passagens dos parlamentares
de todos os estados.
A redução nas benesses, no entanto, não
atingiu familiares e assessores dos deputados. A nova norma,
que tinha como missão aumentar a regulamentação,
acabou legalizando o uso da cota parlamentar por cônjuges
e dependentes diretos.
A medida emergencial não aplacou a insatisfação
do eleitorado. Após o anúncio do corte na
verba, o Congresso em Foco revelou a possível existência
de uma rede de comércio ilegal de passagens aéreas
da Câmara. Reportagem do site revelou revelou que
o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes,
e o ministro da corte, Eros Grau, tiveram passagens emitidas
em seus nomes pela cota da Câmara. Mendes comprovou
que pagou as viagens do próprio bolso.
O ministro enviou à redação do site
cópia de extrato do cartão de crédito.
As viagens foram parceladas em cinco vezes. Mendes exigiu
explicações do Congresso. Quis saber como
passagens pagas por ele, foram cobradas também da
Câmara.
Após publicação da reportagem, o
presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), instaurou
sindicância para apurar o caso. No mesmo dia, o leitor
Cássio Roberto Marques enviou ao site o seguinte
questionamento: “Onde é que vamos chegar com
toda essa bandalheira?”
Para o experiente cientista político, Octaciano
Nogueira, a reação dos leitores deve ser
interpretada como um alerta. “Basta observar os comentários
para perceber que o eleitor está cada vez mais crítico.
Que ele faz questão de dizer: ‘esse Congresso
não atende mais às minhas expectativas’”,
analisou o hoje professor da Universidade do Legislativo
(Unilegis).
A constatação do especialista encontra apoio
farto nas páginas deste site, onde o eleitorado
indica que pode cobrar a conta dos parlamentares em 2010. “Nas
próximas eleições para deputados e
senadores não votarei mais em nenhum dos que estão
envolvidos nesse tipo de procedimento, e que representem
o meu estado”, escreveu um leitor que se identificou
como Fred.
Mas há também os que não querem esperar
até lá. “O povo brasileiro não
sabe o poder que tem. Se pressionar, o Congresso pode mudar
muito. Temos de começar”, provocou Luisa Maher
de Pádua.
Se a força do regime democrático está nas
mãos do povo, este se posiciona pela mudança,
se mostra impaciente com o cenário atual. Diante
informações prestadas pela reportagem do
Congresso em Foco de que metade dos 23 líderes da
Câmara utilizou a cota de passagens em viagens internacionais,
o leitor entendeu que as falhas não se prendem a
cores ou tendências partidárias.
“É possível que este modelo político
esteja com os dias contados. Já existem murmúrios
em vários guetos, e em encontros de intelectuais,
que é necessário repensar a política
e o seu modelo no Brasil. E não são os partidos
que vão mudar isso. Esse modelo está tão
podre que até os recém-formados como o PSOL,
logo ingressam nos caminhos do benefício próprio
de seus representantes”, defendeu leitor que se identificou
como Merelim.
E completa: “É um novo modelo de governar
e cuidar dos recursos públicos que vai garantir
a ética e moral na política brasileira. A
crise do sistema financeiro mundial pede mudanças.
Façamo-las, em todos os níveis. Principalmente,
atingindo a corrupção”. O recado está dado.
E vem das ruas.
|
Gazeta do Povo, 21 de abril
de 2009
Auditoria
Senado tem 3.516 terceirizados. É o
dobro do pessoal de carreira
O Senado tem atualmente 3.516 servidores terceirizados,
mais que o dobro de funcionários de carreira na ativa.
E o pior, alguns deles trabalham para mais de uma empresa
contratada pela Casa – uma forma viciada de aumentar
os salários. O número é resultado do
trabalho de uma comissão técnica designada
pelo primeiro-secretário do Senado, Heráclito
Fortes (DEM-PI), para auditar todos os contratos de empresas
com a Casa, que consomem, por ano, nada menos do que R$ 129
milhões do orçamento da instituição.
Nos últimos dias, a análise de apenas 3
dos 34 contratos com empresas que fornecem mão de
obra terceirizada revelou um superfaturamento médio
de 30%. A maior preocupação do Senado em
relação a esses contratos, porém, é em
relação ao preço pago a cada um desses
funcionários. A substituição, no início
deste mês, de apenas três empresas prestadoras
de serviço, que tiveram seus contratos suspensos
no ano passado por suspeita de superfaturamento, garantirá uma
economia anual de R$ 10 milhões para a Casa. Daí a
expectativa de que a auditoria em todos os contratos em
vigor possa assegurar novas reduções de gastos. “Nosso
objetivo número um é assegurar transparência
aos contratos mantidos pelo Senado. O segundo é reduzir
custos”, confirmou Heráclito Fortes.
Superfaturamento
A empresa Plansul, por exemplo, que assumiu no início
de abril o antigo contrato da Ipanema – que mantinha
337 funcionários terceirizados à disposição
da Comunicação Social, entre os quais foram
descobertos pelo menos 36 fantasmas – cobrou quase
R$ 8 milhões a menos para fornecer os mesmos serviços
e o mesmo número de funcionários. E ainda
se comprometeu a conceder um reajuste de 11% a esses funcionários.
O superfaturamento foi apenas um dos problemas identificados
no contrato com a Ipanema. Foi constatado ainda que o contrato
não respeitava a recomendação do TCU
para que a instituição limitasse o pagamento
feito pelo Senado por cada servidor terceirizado a duas
vezes e meio o valor do salário recebido por eles
da empresa, o chamado “fator K”.
Ou seja, se o funcionário recebia um salário
de R$ 1 mil, o Senado deveria pagar à empresa no
máximo R$ 2.500, para cobrir gastos trabalhistas.
Mas, em alguns casos, o Senado chegou a pagar quatro vezes
mais do que o servidor recebia, de fato, da Ipanema. A
suspeita é que essa seja uma prática disseminada
por todos os contratos com empresas terceirizadas.
Nepotismo
Um cruzamento que está sendo preparado pela comissão
técnica designada pela primeira-secretaria terá como
objetivo verificar uma outra irregularidade que se mostrou
corriqueira no Senado: qual é o grau de parentesco
entre esses terceirizados com servidores graduados da Casa
e até mesmo com parlamentares.
A falta de controle sobre os terceirizados vinha permitindo
que alguns diretores do Senado burlassem a súmula
do Supremo Tribunal Federal (STF) que proibiu o nepotismo
no setor público. Pelo menos sete desses parentes
que trabalhavam como terceirizados já foram demitidos
por ordem do senador Heráclito Fortes, embora nenhum
dos quatro diretores envolvidos tenha sido punidos.
|
Folha de S.Paulo, 21 de
abril de 2009
Lei veta, mas sindicatos doam
a políticos
Ao menos 73 entidades patronais ou
de trabalhadores financiaram campanhas de candidatos nas últimas
quatro eleições
Em geral, depois de o TRE detectar a
irregularidade, os candidatos devolveram a doação
ou afirmaram haver erro na prestação de contas
RANIER BRAGON
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As prestações de contas oficiais das quatro últimas
eleições registram doações
feitas a candidatos por pelo menos 73 sindicatos patronais
ou de trabalhadores, o que é proibido pela Lei Eleitoral
(9.504/97). Mesmo sob risco de responderem a processo por
abuso do poder econômico, candidatos de todo o país
receberam um total de R$ 246 mil, de acordo com esses registros.
Na maioria dos casos, os TREs (tribunais regionais eleitorais) detectaram
a irregularidade e cobraram explicações dos políticos,
que, em média, tiveram atitudes similares: ou devolveram o dinheiro
ou argumentaram ter cometido equívoco na prestação
de contas.
Dois casos exemplificam a situação: na prestação
de contas da campanha do atual presidente da Assembleia Legislativa
de São Paulo, Barros Munhoz (PSDB), ele declarou ter arrecadado
R$ 1,35 milhão. No detalhamento, há doação
de R$ 1.000 no nome do Sindicato da Indústria de Café de
São Paulo.
Munhoz argumentou à Justiça Eleitoral que o valor se
refere à compra, por um amigo, de dois ingressos para um jantar
de arrecadação de campanha. "Ele pagou indevidamente
com um cheque do sindicato, mas não tinha nada a ver, era uma
relação pessoal de amizade, de 44 anos. Até pelo
valor insignificante está mais do que evidente de que é uma
falha, e a Justiça julgou corretas as contas", afirmou
Munhoz.
Já o governador Roberto Requião (PMDB-PR) recebeu R$
30 mil (de um total de R$ 3,6 milhões arrecadados em seu nome)
do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Paraná,
na campanha eleitoral de 2002. Detectada a irregularidade pela Justiça
Eleitoral, o dinheiro foi devolvido.
" Fizemos um cheque, escapou. Nós não sabíamos [da
vedação], fizemos a doação, o partido fez o registro
indevido, foi identificado [pelo TRE] na prestação de contas e
o próprio partido devolveu o dinheiro", disse o presidente do Sindicarne-PR,
Péricles Pessoa Salazar.
Mas há casos como o do deputado Rubens Otoni (PT-GO), candidato
a prefeito de Anápolis em 2004, que registra o maior valor recebido
na lista dos 73 sindicatos. Uma das maiores doações de
sua campanha, de R$ 45 mil, está em nome do Sindicato das Indústrias
Farmacêuticas do Estado de Goiás, mas o deputado diz que
desconhece o financiamento.
Técnicos
O Ministério do Trabalho diz haver 12.327 sindicatos ativos
no país. Em comparação, é pequeno o número
daqueles que aparecem na lista de financiamento irregular, mas para
técnicos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) os casos levantam
a suspeita de que um montante muito mais expressivo é doado
de forma escamoteada.
Na terça-feira, a Folha revelou que integrantes do Secovi-SP
(o sindicato do setor imobiliário de São Paulo) negociou
doações eleitorais com candidatos no Estado de São
Paulo. Na prestação de contas oficial, surgiu como a
segunda maior doadora do país, com R$ 6,5 milhões, a
Associação Imobiliária Brasileira, entidade que
não tem receita fixa, associados identificáveis ou sede.
No endereço formal que informou à Receita Federal, funciona
um projeto social do Secovi.
Os técnicos do TSE afirmam que auditores da Justiça Eleitoral
têm como padrão rejeitar contas de candidatos pelo simples
recebimento de doações vedadas. Nos julgamentos, porém,
os magistrados costumam analisar caso a caso e, se há devolução
do dinheiro, chegam a desconsiderar a irregularidade.
" A lei proíbe a doação pelos sindicatos como forma
de evitar o aparelhamento sindical. O sindicato lida com recursos que têm
conotação social, que devem ser usados em benefício daquela
coletividade, não serem desviados para finalidade eleitoral", disse
Marcus Vinicius Furtado Coelho, presidente das comissões de Direito Eleitoral
e Legislação da Ordem dos Advogados do Brasil.
|
Folha de S.Paulo, 21 de abril de 2009
MONTADORAS
GM anuncia demissão
de 1.600 nos EUA
DA REUTERS
A General Motors está demitindo perto de 1.600 funcionários
nos EUA nesta semana. Vence em 1º de junho o prazo para se reestruturar,
sob a fiscalização do governo.
Para cortar custos, a GM planeja reduzir sua força de trabalho
em cerca de 10 mil pessoas, ou 14%. A empresa pretende diminuir 37
mil postos em todo o mundo até o fim do ano.
|
Folha de S.Paulo, 21 de
abril de 2009
Empresas veem perda em ano
de 40 feriados
Firjan estima em até R$ 156
bi o quanto o país deixa de produzir; valor é menor
porque alta do turismo compensa em parte a retração
Neste ano serão 11 feriados nacionais
e 29 estaduais em dias úteis; projeto parado na
Câmara propõe antecipar feriado para segunda-feira
VERENA FORNETTI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Elias de Jesus Gomes, 51, sapateiro há 39 anos,
engraxou só dois pares de sapatos ontem no centro
do Rio de Janeiro, onde conserta e lustra sapatos há dez
anos. Nos dias de movimento normal, ele atende de 10 a
20 clientes. Os taxistas também reclamam da falta
de movimento. Com o ponto facultativo de ontem, o dia de
Tiradentes hoje e o feriado estadual na quinta, dia de
São Jorge, empresas, universidades e repartições
públicas no Rio podem ter um "feriadão
de uma semana".
No país, neste ano serão 11 feriados nacionais em dias úteis,
29 datas comemorativas estaduais em dias da semana e um sem número
de pontos facultativos. Por causa dos dias parados, o país pode
deixar de produzir cerca de R$ 156 bilhões, segundo estimativa
da Firjan (Federação das Indústrias do Estado
do RJ).
O cálculo leva em conta a riqueza produzida em um dia no Brasil
e supõe que as perdas atinjam, no máximo, esse teto.
Embora o limite não seja alcançado porque as atividades
relacionadas ao lazer e ao turismo se mantêm nos feriados, ainda
assim as empresas estimam prejuízo significativo.
" O turismo não compensa a perda porque fica restrito à zona
sul. Embora tenhamos acordo com o sindicato dos trabalhadores para abrir nos
feriados, no centro as lojas e restaurantes fecham as portas. Com as ruas desertas
e o risco de segurança, não vale a pena abrir", diz Aldo Gonçalves,
diretor da Associação Comercial do Rio.
Em São Paulo, a associação comercial também
prevê perdas. Segundo a entidade, a receita do varejo em abril
pode se aproximar da de fevereiro, mês de baixo movimento em
razão do Carnaval e do número menor de dias úteis.
Mesmo indústrias que não param por causa do alto custo
de religar as máquinas ou do desgaste nos equipamentos reclamam.
Lucien Belmonte, presidente da Associação Brasileira
das Indústrias Automáticas de Vidro, afirma que, embora
a produção não pare, as vendas diminuem com feriados
e dias enforcados. "O maior problema que uma indústria
pode ter é produção sem vendas. E em ano de crise
já temos que nadar o dobro contra a correnteza."
Apesar da dificuldade com a crise, Luciana de Sá, diretora de
Desenvolvimento Econômico da Firjan, avalia que os dias parados
não devem atrasar a recuperação da economia. "Esse é um
processo pautado em elementos mais amplos, como redução
de juros."
Projeto de lei
Desde abril de 2007, existe um projeto de lei em tramitação
na Câmara que sugere que os feriados em dias da semana sejam
antecipados para a segunda-feira para que a comemoração
não reduza o ritmo da economia durante a semana. Segundo a proposta,
que há dois anos espera análise da Comissão de
Educação e Cultura da Casa, Natal, Ano Novo, Sexta-feira
Santa, Corpus Christi e Independência do Brasil não seriam
antecipados.
Em 2000, projeto similar foi apresentado, mas foi arquivado em 2003.
A antecipação de feriados já vigorou no país.
Em 1985, foi instituída lei que previa a transferência
de datas, mas foi revogada em 1990. No Rio, há lei estadual
que proíbe a criação de novos feriados.
|
G1, 21 de abril de 2009
Com recursos do FAT, estados terão
crédito mais barato do que empresas
Crédito de R$ 4 bilhões
foi autorizado pelo CMN na última sexta.
Valor é o equivalente a, mais ou menos, um mês de repasses
do FPE.
Alexandro Martello
Do G1, em Brasília
Os estados brasileiros, que conseguiram uma linha de crédito
de até R$ 4 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES), com recursos do Fundo de Amparo ao
Trabalhador (FAT), pagarão juros mais baixos do que aqueles
cobrados pelo banco público da maior parte das empresas brasileiras.
Segundo informações do BNDES, o custo médio
de 70% dos seus empréstimos é de 8,75% ao ano.
O custo ao tomador final do crédito, porém,
fica acima disso, por conta do "spread" cobrado
pelos bancos que operam os recursos. O BNDES informou que
o "spread" médio cobrado pelos bancos, nas
operações com pequenas e médias empresas, é de
3,25% ao ano. Com isso, o custo médio fica em 12%
ao ano.
Para os estados, o BNDES está disponibilizando, com
recursos do FAT, um custo de TJLP (6,25% ao ano) mais 2%
ao ano, ou seja, abaixo do valor cobrado das empresas. Os
bancos podem cobrar mais 1% de "spread" por intermediar
a operação, elevando o custo final, para os
estados, a até 9,25% ao ano.
Questionado pelos jornalistas, o secretário-adjunto
do Tesouro Nacional, Cleber Oliveira, se limitou a informar
que essa é a taxa de juros mais "adequada" nas
operações com os estados. "É uma
linha de desembolso rápido. Os estados terão
de aplicar esses recursos em projetos de infraestrutura e
geração de empregos e de renda", explicou
ele.
A taxa de juros que será cobrada dos estados também
ficou abaixo do anunciado pelo ministro da Fazenda, Guido
Mantega, na última sexta-feira (17), em São
Paulo. Na ocasião, Mantega informou que os juros,
dos empréstimos aos estados, seriam de 11,25% ao ano
- valor atual da taxa Selic definida pelo BC. Com isso, o
governo está subsidiando os estados.
Investimentos
A resolução 3716, do Conselho Monetário
Nacional (CMN), que regulamenta os empréstimos, informa
que eles podem ser feitos somente para "despesas de
capital", ou seja, investimentos, e para pagamento de
dívidas.
Segundo a resolução, os recursos não
podem ser usados para as chamadas "despesas correntes",
como funcionários públicos, e outras para funcionamento
da máquina pública no dia a dia.
Cleber Oliveira confirmou, porém, que os estados
poderão gastar os recursos dos empréstimos
em projetos de investimento que já estão em
andamento. Ou seja, gastos que teriam de ser feitos de qualquer
maneira. A medida, deste modo, abre uma margem para que os
estados aumentem suas despesas correntes.
O secretário-adjunto do Tesouro Nacional informou
ainda que não foram alterados os limittes de endividamento
dos estados. Deste modo, as operações de empréstimos
terão de ser submetidas à instituição
antes de serem aprovadas. "Os estados vão fazer
um pleito e o Tesouro vai avaliar. Eventualmente, podem ter
valores inferiores", disse ele.
Um mês de repasse
Oliveira informou ainda que o valor do empréstimo
autorizado para os estados, de R$ 4 bilhões, equivale
ao montante aproximado de um mês em repasses do Fundo
de Participação dos Estados (FPE). De janeiro
a março, segundo ele, os estados perderam cerca de
R$ 600 milhões em repasses do FPE por conta da queda
da arrecadação - resultado dos reflexos da
crise econômica sobre o nível da produção.
|
ADICIONAL
DE INSALUBRIDADE
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADICIONAL
DE INSALUBRIDADE. VINCULAÇÃO AO SALÁRIO MÍNIMO.
ARTIGO 7º, IV, CB/88. IMPOSSIBILIDADE. FIXAÇÃO
DE OUTRA BASE DE CÁLCULO. OMISSÃO.
1. O entendimento deste Tribunal é no sentido
de que a vinculação do adicional de insalubridade
ao salário mínimo ofende a Constituição
do Brasil [CB/88, artigo 7º, IV]. Precedentes. Súmula
vinculante nº 4/STF.
2. Garantida ao trabalhador a percepção
do adicional, impõe-se a fixação de outra base de
cálculo.
Agravo regimental a que se nega provimento. Remessa dos autos às
instâncias ordinárias com o objetivo de fixar-se outra base
de cálculo para o adicional de insalubridade - AG. REG. NO RECEXTRA
477.587-5 ES - STF - Eros Grau - Ministro Relator. DJU de 06/02/2009 -
(DT – Março/2009 – vol. 176, p. 111).
|