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AGÊNCIA DIAP, 23 de
abril de 2009
Câmara aprova MP que reajusta
salário mínimo de R$ 416 para R$ 465
O aumento corresponde a um ganho de 12,04% e beneficia cerca de
25 milhões
de trabalhadores. A Casa aprovou também a MP 455 que trata do transporte
e merenda escolar. Ambas as MPs vão ao exame do Senado
O plenário aprovou, nesta
quarta-feira (22), a Medida Provisória 456/09, que aumenta o salário
mínimo de R$ 415 para R$ 465, com efeitos desde o dia 1º de
fevereiro. O valor diário passa a ser de R$ 15,50 e o valor por
hora de R$ 2,11. Para virar lei, a MP será precisa ser votada
ainda pelo Senado.
O aumento equivale a um ganho
nominal de 12,04%, que representa a soma da inflação medida
pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) desde
março de 2008 (6,64%) com um aumento real igual à variação
do PIB de 2007 (5,4%).
A MP foi relatada pelo deputado
Wladimir Costa (PMDB/PA), que recomendou a aprovação do
texto original do Poder Executivo. Ele rejeitou as sete emendas apresentadas,
várias das quais propunham valores ainda maiores para o mínimo.
Segundo o Governo, o aumento
do salário mínimo deve beneficiar cerca de 25 milhões
de trabalhadores formais e informais e 17,8 milhões de pessoas
que recebem benefícios da Previdência. No total, o mínimo
abrange cerca de 43 milhões de brasileiros.
Impacto
na Previdência
O novo mínimo eleva as despesas da Previdência em R$ 7,9 bilhões.
As regras de reajuste do salário seguidas pelo Governo constam do Projeto
de Lei 1/07, do Executivo, que está em discussão na Câmara,
que corresponde a um protocolo de intenções assinado com as centrais
sindicais em 2006.
O projeto estabelece, para o
cálculo do reajuste do mínimo, a inflação
mais a variação do PIB de dois anos anteriores até 2011.
A Câmara ainda não votou o substitutivo do Senado ao projeto
porque não há acordo em relação ao texto.
Os senadores propuseram estender
essa mesma regra a todos os benefícios da Previdência, o
que multiplicaria as despesas.
Merenda
escolar
A Casa aprovou, ainda, a MP 455/09, que inclui os alunos do ensino médio
e da educação infantil no programa de transporte escolar e os
do ensino médio no programa federal de merenda.
A MP permite o repasse direto
de recursos às escolas por 180 dias se as transferências
a estados ou municípios forem suspensas devido a irregularidades.
A matéria precisa ser votada agora pelo Senado.
Senado
A pauta da Casa está travada por dois projetos de lei de conversão
(PLVs), que não foram votados esta semana. PLV é o resultado
de uma medida provisória que foi alterada.
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AGÊNCIA DIAP, 23 de abril de 2009
Salários da crise: centrais
combatem oportunismo dos patrões
A ordem das centrais sindicais é fazer
pressão para não deixar a crise econômica prejudicar
as negociações salariais deste ano. Até o momento,
o desaquecimento da economia não interferiu apenas no nível
de emprego no país. Os salários também correm
o risco de serem diretamente afetados.
Os patrões alegam que a crise aparece
como barreira para os trabalhadores obterem não só ganhos
reais como também recuperarem o poder de compra perdido com a
inflação. As centrais reagem e já falam em paralisações
pontuais e até greves para pressionar os empregadores.
É assim que o Sindicato
dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo
pretende fazer com que os empresários façam propostas com
aumento real neste ano. A data da primeira parada nas obras da capital é dia
27.
"A nossa data-base é dia
1º de Maio, e, até agora, só se falou de crise. No
ano passado, a convenção coletiva estava fechada no início
de abril. Este ano talvez até greve por tempo indeterminado seja
necessário", diz o presidente da entidade, Antonio de Sousa
Ramalho.
Segundo o dirigente, a crise
afetou o setor em novembro e dezembro do ano passado - mas há.
desde fevereiro. uma retomada nas obras e reaquecimento das vendas de
novos imóveis. "Ainda temos o projeto do Governo para a construção
de imóveis populares. A expectativa é de fechar o ano com
200 mil novos empregos", diz.
Para a Força Sindical,
o resultado da negociação da área de construção
civil será um termômetro da resistência do setor patronal
para conceder reajustes acima da inflação e avançar
em ganhos sociais, como plano de saúde e cesta básica.
"O setor de alimentação,
por exemplo, está com sérios problemas para negociar. Houve
muita demissão e ainda está mal. Talvez tenhamos que esperar
outros acordos, como da construção civil, para tentar ir
no embalo", afirma o presidente da Força, Paulo Pereira da
Silva. "Mas não vamos aceitar acordos sem ganho real. Ser
for preciso, teremos mais greves do que os anos anteriores".
Na Central Única dos Trabalhadores
(CUT), as pressões também devem aumentar. "Vamos buscar
estabilidade no emprego e aumento real. União entre os trabalhadores
e solidariedade de outras categorias será importante nessa situação. É pressionar
para garantir avanços", afirma Artur Henrique, presidente
da CUT.
O caso
dos químicos
Outra categoria que está fechando acordo é a dos químicos
do segmento farmacêutico, que tem data-base dia 1º de abril. A classe
conseguiu uma proposta de aumento real menor do que no ano passado, mas deve
compensar com outros avanços. É o que diz Geraldo Melhorine,
coordenador da Federação dos Trabalhadores do Ramo Químico
da CUT do Estado de São Paulo (Fetquim).
"No ano passado houve um
ganho maior acima da inflação (6,5% de aumento, sendo 0,95%
de ganho real). Este ano o pacote já foi melhor, com 5,2% de reajuste
(0,80% de aumento acima da inflação), além de tíquete
mínimo de R$ 45 e abono de R$ 500, que será pago em agosto",
afirma Melhorine. "Também teremos todo o setor com jornada
de 40 horas semanais a partir de setembro." Segundo o sindicalista,
as cláusulas sociais foram a alternativa para não deixar
de avançar nas conquistas da categoria.
Para o coordenador de Relações
Sindicais do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos
Socioeconômicos (Dieese), José Silvestre Prado de Oliveira,
o cenário mais adverso prejudica as reivindicações
de ganho real. "A inflação mais baixa é um
dos poucos fatores positivos nesse momento para a negociação".
Na opinião de Arnaldo
M. Nogueira, especialista em relações sindicais, as entidades "terão
de priorizar na negociação a manutenção do
emprego. Mas os sindicatos precisarão ser mais criativos para
contornar a crise na mesa de negociação. A Participação
nos Lucros ou Resultados (PLR) é uma opção que pode
compensar o ganho real menor neste ano. As negociações
também podem ser retomadas após seis meses para avaliar
melhor a situação da economia".
Sobre os efeitos da crise
no sindicalismo, Nogueira afirma que "ela pode ser positiva, pois
pode ser uma oportunidade de as entidades recuperarem sua legitimidade
com a capacidade de mobilização dos trabalhadores. Para
isso, os sindicatos terão de mostrar trabalho também
para reverter a insatisfação de suas bases com as demissões".
(Fonte: Vermelho, com Jornal da Tarde)
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O ESTADO DO PARANÁ,
23 de abril de 2009 | Economia
Centrais pedem nova ampliação
do seguro-desemprego
Agência Estado
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, pediu hoje aos representantes
das centrais sindicais um novo estudo para saber quais os setores que estão
em dificuldades devido à crise financeira internacional. O grupo de
sindicalistas, liderado pelo presidente da Força Sindical, deputado
Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), pediu a ampliação das parcelas
do seguro-desemprego.
Pela legislação
atual, o seguro-desemprego é pago de três a cinco parcelas,
dependendo do tempo de trabalho registrado em carteira. Desde o final
de março, no entanto, já está valendo a ampliação
em mais duas parcelas do seguro-desemprego para alguns setores, entre
eles, o metalúrgico. O grupo que esteve hoje com o ministro pediu
a ampliação para doze do número de parcelas e argumentou
que, segundo estudos do Dieese, em média, as pessoas demoram 36
semanas para conseguir uma nova recolocação no mercado
de trabalho.
De acordo com Paulo Pereira da
Silva, o ministro pediu que o estudo seja entregue até o dia 15
de maio, quando acontecerá uma nova reunião do Conselho
Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat).
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FOLHA DE SÃO PAULO,
23 de abril de 2009 | Dinheiro
Desemprego no mundo deve continuar
crescendo até o final do próximo ano
DO ENVIADO A WASHINGTON
O FMI prevê que a economia
mundial tem chances de voltar a se recuperar lentamente a partir de 2010,
mas que o desemprego continuará crescendo durante todo o ano que
vem, só se estabilizando pouco antes do início de 2011.
Para o economista-chefe do Fundo, o francês Olivier Blanchard, a taxa
de desemprego nos EUA, maior economia do mundo e centro da atual crise, deverá atingir
10% antes de começar a cair novamente.
Hoje, o desemprego nos EUA está em 8,5% -são 13,2 milhões
de desempregados em uma População Economicamente Ativa de 155
milhões. Se a projeção de Blanchard estiver correta, haverá mais
2,3 milhões de demitidos até o final do ano. Em março,
as demissões nos EUA somaram 663 mil.
" As evidências históricas indicam que a recuperação
desta vez será mais lenta do que o normal, o que levará a um decréscimo
também lento no desemprego ao longo do tempo", afirmou Blanchard.
Segundo as projeções do Fundo, a economia mundial deverá encolher
1,3% neste ano (a primeira retração desde a Segunda Guerra Mundial)
e crescer 1,9% em 2010. Como comparação, o mundo cresceu 3,2%
e 5,2%, respectivamente, em 2008 e 2007.
O chamado G3 (EUA, com contração de 2,8%; zona do euro, -4,2%;
e Japão, -6,2%) puxará o mundo para baixo, enquanto China (6,5%)
e Índia (4,5%) darão alguma sustentação. No ano
que vem, prevê o Fundo, o G3 pode ter um desempenho entre zero e 0,5%,
mas outras economias devem se acelerar um pouco mais.
Blanchard estima que no primeiro trimestre de 2009 a economia mundial tenha
se desacelerado 6%, repetindo a queda "sem precedentes" do último
trimestre do ano passado, quando a crise mundial estourou com toda a sua força.
As projeções do FMI indicam que apenas os EUA sofrerão
deflação neste ano e no próximo, de -0,9% e -0,1%. Mas
a subida de preços nas economias avançadas deve se manter pouco
acima de zero em 2009 e 2010.
A deflação traz riscos enormes, pois desincentiva tanto a produção
quanto o consumo -empresas e consumidores ficam na espera de que os preços
caiam ainda mais antes de investir ou comprar um bem.
Na entrevista ontem na sede do FMI, Blanchard foi extremamente cuidadoso com
suas palavras iniciais e respostas posteriores, sublinhando sempre que a maioria
dos países tem adotado as "políticas corretas" para
enfrentar a crise.
" O mundo está sendo puxado por duas forças opostas, para
baixo e para cima. Hoje, a primeira é dominante. Com o tempo, e com as
politicas corretas, ela perderá sua força."
Mais à frente, acrescentou: "O setor bancário está ainda
em meio a um processo de acomodação, apertando exigências
para a concessão de financiamentos. Quanto mais isso durar, mais longa
e profunda será a recessão. E, quanto mais longa a recessão,
pior ficará a saúde do sistema bancário. Juntas, essas
duas dinâmicas criam o risco de um círculo vicioso, que pode levar
a um resultado muito pior em comparação ao que estamos prevendo".
(FCZ)
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AGÊNCIA DIAP, 23 de
abril de 2009
CUT e UGT sugerem na Câmara
medidas para preservar empregos
Uma política de valorização do salário mínimo,
a extensão do seguro-desemprego aos trabalhadores rurais e terceirizados
e a ratificação da Convenção 158, da OIT, que trata
da demissão sem justa causa foram sugestões apresentadas pela
Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pela União Geral dos
Trabalhadores (UGT) como medidas contra a crise econômica na área
de emprego.
As medidas foram sugeridas pelo
presidente da CUT, Artur Henrique Santos, e pelo representante da UGT,
Antonio Maria Cortizo, durante audiência promovida pela Comissão
Especial da Crise Financeira - Área de Serviços e Empregos.
Redução
da jornada
Artur Henrique defendeu a redução da jornada de trabalho, com
carga horária de 40 horas, como forma de criação de novos
postos de trabalho.
O presidente da CUT também
defendeu que as empresas beneficiadas por incentivos fiscais se comprometam
a não demitir empregados por um determinado tempo.
Ele afirmou que alguns setores,
como o dos bancos, se aproveitaram da crise para demitir sem justa causa,
embora não tenham sido afetados pela crise. Ele citou como exemplo
o caso do banco Santander.
Horas
extras
Já Antônio Maria Cortizo defendeu a limitação das
horas extras como forma de criação de novas vagas.
Ele assinalou que a UGT, assim
como a Força Sindical e a CUT, defende a ampliação
da faixa de renda com direito a isenção do Imposto de Renda,
como forma de se aumentar a renda dos trabalhadores, o consumo e a produção
no País.
O deputado Paulo Rubem Santiago
(PDT/PE), que participou do debate, defendeu mudanças na estrutura
de gastos e investimentos do Governo Federal. Ele lembrou que, nos últimos
10 anos, o Governo manteve os indices de superávit primário,
em prejuízo dos investimentos.
Para ele, os reajustes para adequar
a economia à crise devem se concentrar no setor financeiro, que
tem lucrado com títulos do Governo e altas taxas de juros há muitos
anos.
Sobre as sugestões dos
sindicalistas, ele considera as mudanças urgentes, pois a participação
dos trabalhadores na renda nacional já foi de 50 % do PIB e hoje
está abaixo dos 38%.
"Nós corremos sérios
riscos de ver essa participação ser ainda mais diminuída".
O relator da comissão
especial, deputado Vicentinho (PT/SP), afirmou que deve acatar algumas
das sugestões apresentadas pelas lideranças sindicais,
como a redução da jornada de trabalho e das horas extras
e o compromisso de empresas beneficiárias de incentivos fiscais
de suspender demissões.
Vicentinho também
concorda que algumas das demissões efetuadas nos últimos
meses não têm relação direta com a crise
financeira internacional. (Fonte: Agência Câmara)
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FOLHA DE SÃO PAULO,
23 de abril de 2009 | Brasil
Congresso restringe cota de viagens,
mas não reduz gasto
Regras aprovadas pelo Senado e prometidas
pela Câmara anistiam excessos feitos até agora | Medidas
proíbem emissão de passagens para parentes e viagens
ao exterior sem autorização e determinam a divulgação
na internet
MARIA CLARA CABRAL
ADRIANO CEOLIN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Acuados por uma sucessão
de escândalos nos últimos dois meses, o Senado aprovou ontem
e a Câmara prometeu adotar medidas que proíbem a emissão
de passagens aéreas para parentes e terceiros e que determinam
o fim de viagens para o exterior e a divulgação na internet
dos bilhetes usados.
Anunciadas como "moralizadoras", as medidas não têm
funcionalidade definida. Não preveem corte de gastos e ainda concedem
uma anistia para os excessos cometidos até agora.
Enquanto a Câmara fez apenas promessas, o Senado saiu na frente ao aprovar
em plenário um ato disciplinando a concessão de passagens. Mas
a medida do Senado é ambígua ao não mencionar a proibição
de viagens internacionais. Segundo a assessoria da presidência da Casa, "se
não está mencionado, está proibido".
Como a regra anterior também não tratava do tema e os senadores
viajavam, a Folha quis saber se haveria punição para desvios
passados. Não houve resposta.
O primeiro-vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), tentou explicar: "A
cota só vale para passagens no território nacional. (...) Para
viajar ao exterior, o senador terá de pedir autorização
para a Mesa Diretora". Não disse qual será o critério
para as viagens.
Já na Câmara, de acordo com o anúncio do presidente Michel
Temer (PMDB-SP), viagem internacional com a cota aérea da Casa também
só será possível mediante prévia aprovação
e tendo como justificativa evento ligado ao mandato.
Os deputados poderão emitir passagens apenas para assessores indicados
previamente, desde que haja autorização da Terceira Secretaria
e fique claro que as viagens têm relação com a atividade
congressual. O Senado adotou a mesma regra.
As duas Casas decidiram acabar com o acúmulo de crédito aéreo.
Na Câmara, porém, ainda não foi definido qual será a
frequência da devolução do excedente -se todo mês,
semestre ou ano. Já no Senado a verba não poderá ser acumulada
de um ano para o outro.
Sobre divulgar os gastos com passagens na internet, no Senado há um
prazo de 90 dias depois do mês no qual o bilhete foi emitido. Na Câmara,
não há definição. Também não está claro
se senadores e deputados avançarão na publicação
do uso de demais verbas, como o auxílio-moradia e cota postal.
Por ora, deputados e senadores decidiram adiar o aumento em seus salários
de R$ 16,5 mil para R$ 24,5 mil. Esse reajuste será debatido nas próximas
semanas se houver consenso a respeito da boa repercussão das medidas
de ontem.
Deputados e senadores venderam ontem a ideia de transparência total nas
contas do Congresso, mas as medidas anunciadas -e as já adotadas desde
fevereiro- ainda são incompletas. A partir deste mês, por exemplo,
deveriam estar disponíveis as prestações de contas de
todos os congressistas na internet. Cada um tem direito a até R$ 15
mil por mês a título de verba indenizatória.
Na prática, os números disponíveis da prestação
de contas são esparsos. Essa falta de transparência ocorre porque
os deputados podem acumular todas as suas notas fiscais de um ano e apresentar
as contas até o dia 31 de dezembro do ano seguinte, segundo informação
da presidência da Câmara.
No caso das novas normas prometidas pela Câmara para passagens aéreas,
não há prazo para a entrada em vigor. Tudo precisa ser aprovado
pela cúpula da Casa. Não está claro se os dados a serem
divulgados vão de fato incluir o usuário, os trechos voados,
a data das viagens e os preços. No Senado, o ato também é vago
a respeito.
Todas essas medidas foram anunciadas uma semana depois de uma série
de escândalos, iniciada com o deputado Fábio Faria (PMN-RN), que
usou sua cota para pagar viagens de artistas que foram ao seu camarote em evento
em Natal (RN). Depois dele, diversos deputados admitiram ter usado passagens
com familiares para viagens particulares.
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CONGRESSO EM FOCO, 23 de
abril de 2009
Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa batem
boca no STF
Mário Coelho
O clima esquentou entre os ministros
do Supremo Tribunal Federal (STF) durante a sessão plenária
desta quarta-feira. Ao discutirem um embargo de declaração
impetrado pela Procuradoria Geral da República (PGR), o ministro
Joaquim Barbosa disparou contra o presidente da corte, Gilmar Mendes.
No momento mais quente da briga, Barbosa afirmou que Mendes "está na
mídia destruindo a credibilidade do judiciário brasileiro".
O bate-boca começou durante
a discussão de um embargo de declaração a Ação
Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 2791, proposto pelo governo do
Paraná. A lei em questão cria o Sistema de Seguridade Funcional
do Estado do Paraná e transforma o Instituto de Previdência
e Assistência aos Servidores do Estado do Paraná (IPE) no
Paranaprevidência. Foi contestado um trecho da lei que permitia
os serventuários da Justiça não remunerados pelo
estado a serem inscritos no regime próprio de previdência
dos servidores públicos estaduais de cargos efetivos.
Mendes defendia que o Supremo
deveria se pronunciar sobre os efeitos da decisão. Barbosa, entretanto,
foi contra à tese. Nesse momento, começou a troca de farpas
entre os dois membros da mais alta corte de Justiça do país. "A
sua tese deveria ter exposta em pratos limpos", disparou Barbosa. "Ela
foi exposta em pratos limpos, eu não sonego informação.
Vossa excelência me respeite. Isso foi discutido. Vossa excelência
não estava na sessão. Vossa excelência faltou à sessão",
devolveu o presidente do STF.
Percebendo que o clima esquentaria
ainda mais, o ministro Carlos Ayres Britto decidiu pedir vista ao processo,
na expectativa de que o bateboca parasse ali. Entretanto, o ministro
Carlos Alberto Direito pediu para que o plenário analisse outro
processo, de tema similar. Mostrando que não havia superado as
críticas do colega, Gilmar Mendes citou a data que a ADI 2791
foi julgada e voltou a dizer que Barbosa não estava presente à sessão. "Todos
os pressupostos foram explicados à época, nenhuma informação
foi sonegada."
A partir dessa frase, o plenário
do STF testemunhou, por aproximadamente cinco minutos, a briga entre
os dois ministros. Barbosa sentiu a necessidade de rebater, depois da
explicação de Mendes. "Eu não falei em sonegação
de informação, ministro Gilmar. O que eu disse: nós
discutimos, naquele caso anterior, sem nos inteirarmos totalmente das
consequencias da decisão, porque inseria os beneficiários.
Eu acho um absurdo", retrucou Barbosa.
O que até então
era uma discussão acalorada sobre um caso específico, descambou
para as ofensas pessoais. O presidente do Supremo disse que "quem
votou na época sabia [das consequencias]" e que o colega "julgaria
por classe". Seguiu-se então o seguinte diálogo:
Joaquim Barbosa - Não
[não julga por classe], eu sou atento às consequencias
da minha decisão.
Gilmar Mendes - Todos nós somos. Vossa excelência não tem
condições da dar lição de moral.
Joaquim Barbosa - E nem vossa excelência! Vossa excelência está destruindo
a justiça deste país.
(Gilmar Mendes gargalha ao fundo)
Joaquim Barbosa - E vem agora dar lição de moral em mim? Saia à rua
ministro Gilmar, saia à rua.
Carlos Ayres Britto interrompe - ministro Joaquim, nós já superamos
essa discussão com meu pedido de vista.
Joaquim Barbosa - Vossa excelência [Gilmar Mendes] não tem nenhuma
condição...
Gilmar Mendes - Eu estou na rua ministro Joaquim.
Joaquim Barbosa - Vossa excelência não está não.
Vossa excelência está na mídia destruindo a credibilidade
do Judiciário brasileiro. Quando vossa excelência se dirige a
mim, não está falando com os seus capangas no Mato Grosso, ministro
Gilmar.
Ayres Britto voltou a interromper
a discussão dos dois. A ele, juntou-se o ministro Marco Aurélio
Mello, que sugeriu encerrar a sessão naquele momento. Marco Aurélio
comentou que esse tipo de bateboca não traz nenhum benefício
para o Supremo. Barbosa, antes do encerramento, ainda procurou se defender. "Fiz
uma intervenção regular, normal. A reação
brutal, como sempre, veio de vossa excelência [Gilmar Mendes]." O
presidente da corte respondeu: "Vossa excelência disse que
eu faltei aos fatos, o que não é verdade".
A sessão acabou sendo
encerrada naquele momento. Mendes, então, convocou todos os ministros
para uma reunião dentro do seu gabinete. Barbosa saiu sem conversar
com a imprensa. Até o momento, a assessoria de imprensa do STF
não se pronunciou sobre o assunto. Por conta do bateboca, a plenária
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deveria iniciar às 19h,
começou somente às 20h30. Na composição da
corte eleitoral, estão três ministros do Supremo.
Esta foi a segunda briga pública
entre Barbosa e Mendes. Em setembro de 2007, os dois discutirram quando
o hoje presidente do STF propôs votar novamente, com a presença
de todos os 11 ministros que integram o Supremo, uma questão decidida
em uma ocasião anterior, quando um dos ministros não estava. "Ministro
Gilmar, me perdoe a palavra, mas isso é 'jeitinho'. Nós
temos que acabar com isso”, disse Barbosa na ocasião. Em
resposta, Mendes disse que não iria responder à provocação. "Vossa
Excelência não pode pensar que pode dar lição
de moral aqui”, retrucou Mendes, em 2007.
Alguns minutos após
a discussão, o video já estava registrado no You Tube.
Além do meio virtual, telejornais e programas de rádio
de diversos veículos de comunicação já exibem
imagens e audio com as principais bravatas dos ministros. Em poucas
horas, o vídeo já tinha mais de 300 exibições
no You Tube e 26 comentários, a maioria elogiando Joaquim Barbosa
e criticando Gilmar Mendes.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
23 de abril de 2009 | Cotidiano
Senado aprova fim de taxa de inscrição
em prova de federal
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os alunos que tiverem cursado
o ensino médio em escola pública não precisarão
mais pagar taxa de inscrição para o vestibular de universidades
federais, afirma projeto de lei aprovado ontem pela CCJ (Comissão
de Constituição e Justiça) do Senado.
Seriam beneficiados, também, estudantes com renda familiar de até dois
salários mínimos. O texto não especifica, porém,
como esse rendimento seria comprovado.
A proposta, de autoria do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), tem caráter
terminativo, ou seja, segue para a Câmara sem ter que passar pelo plenário
do Senado.
Para entrar em vigor, além de passar pelo crivo dos deputados, precisa
ser sancionada pelo presidente Lula.
A cobrança de taxas de vestibular varia de acordo com cada universidade,
mas a maioria delas já oferece algum tipo de isenção segundo
critérios socioeconômicos.
Na Unifesp, foram cobrados R$ 100 no ano passado. Na UFABC, R$ 90 para os que
optaram pela prova tradicional e nada para aqueles que se inscreveram somente
com a nota do Enem. Ambas as universidades, como outras, têm critérios
de isenção.
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GAZETA DO POVO, 23 de abril
de 2009 | Mundo
Argentina
Cristina quer ajuda de Lula para promover
trabalhadores
Buenos Aires - O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva desembarcou em Buenos Aires no início
da noite de ontem para uma visita que dura até quinta-feira. Durante
esse período, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, deve
pedir sua ajuda para promover a participação da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) na próxima Cúpula do G20
(grupo de países mais ricos e principais emergentes).
Cristina explicará a Lula
que a preservação dos empregos em seu país é a
principal estratégia de seu governo na crise mundial. Esse será o
argumento central para defender as barreiras comerciais impostas nos últimos
meses e que afeta mais de 10% da pauta exportadora do Brasil.
“Pedirei a Lula que me
acompanhe para que na próxima reunião do G20, em setembro,
participem formalmente, com voz ativa, os trabalhadores e os empresários,
para discutir os caminhos para se sair da crise”, anunciou na última
terça-feira, à imprensa local, após encerrar um
seminário da OIT em Buenos Aires.
O discurso dos funcionários
de seu governo está afinado em torno da defesa das barreiras como
arma de preservação de emprego e um dos principais assuntos
da agenda dos dois presidentes está relacionado aos problemas
comerciais.
Queda
Ao contrário da visita
que Cristina fez a São Paulo, há cerca de um mês,
quando a crise no comércio bilateral foi um tema proibido para
não gerar mais suscetibilidades entre os empresários durante
sua estada a convite da Federação das Indústrias
de São Paulo (Fiesp), a presença de Lula em solo argentino
será usada para discutir a queda de 50% do fluxo comercial entre
os dois sócios.
“Foram preparados relatórios
detalhados de cada um dos setores com problemas, os quais serão
entregues aos dois presidentes amanhã”, disse o subsecretário
de Integração Econômica do Ministério de Relações
Exteriores da Argentina, Eduardo Sigal.
Segundo ele, “o que é preciso
averiguar nos números é se o retrocesso foi produto da
crise internacional ou de desvio de comércio” (se o Brasil
ou a Argentina, ou ambos, deram lugar à importação
de produtos de terceiros países).
Para o principal negociador argentino,
o secretário de Relações Econômicas Internacionais,
Alfredo Chiaradía, o problema “é que o comércio
mundial retrocedeu e é natural que o bilateral, neste contexto,
também o faça”.
Os detalhes dessas discussões,
no entanto, não serão parte da conversa de Cristina e
Lula. As negociações continuarão nas mãos
dos técnicos e dos setores empresariais de ambos os países,
que já realizaram duas reuniões para tentar negociar
um limite para os volumes exportados do Brasil para a Argentina dos
produtos considerados sensíveis. Um novo encontro empresarial
foi marcado para o fim deste mês, em Buenos Aires.
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O ESTADO DO PARANÁ,
23 de abril de 2009 | Política
Curitiba testa novo tipo de conciliação
Cintia Végas
A partir de maio, um novo processo de conciliação de benefícios
por incapacidade ou doença ao início das ações
começa a ser testado no Paraná. Ontem, o assunto foi um dos temas
discutidos em audiência pública pela Coordenadoria dos Juizados
Especiais Federais da 4.ª Região (Cojef), em Curitiba.
“Ações envolvendo
a Previdência Social costumam ser maioria nos juizados especiais
da 4.ª Região (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande
do Sul). Na capital, estaremos testando a conciliação no
qual a solução para causas de doença pode ser imediata”,
disse o desembargador e coordenador do Cojef, Néfi Cordeiro.
Ao passar por perícia
no INSS (Instituto Nacional de Seguro Social) e ter o benefício
negado, muita gente procura os juizados especiais (no Paraná,
são setenta). Atualmente, as ações costumam começar
e terminar em um prazo médio de seis meses. Com o novo processo,
a idéia é que elas durem um mês.
“A ideia é que,
em Curitiba, as pessoas venham à Justiça sozinhas, sem
necessidade de advogados, e sejam submetidas a uma perícia imediata
com médico indicado pelo juiz. Se comprovar o problema de saúde,
tentamos acordo com o INSS e que a pessoa comece a receber o benefício
quase imediatamente”, explicou.
Um processo semelhante
ao que será testado na capital já faz sucesso em Florianópolis
(SC) e deverá ser levado ao Rio Grande do Sul. Para Néfi,
ações que envolvem casos de doença não
podem demorar, as pessoas precisam do benefício do INSS para
necessidades básicas.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
23/04/2009
Laboratório Aché é condenado
por não permitir que seus empregados estudassem
A Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho manteve, por unanimidade de votos, a condenação
imposta à Aché Laboratórios Farmacêuticos
S/A de pagamento de indenização por danos morais a um ex-gerente
da filial no Espírito Santo, no valor de R$ 50 mil, em razão
da conduta imposta pela empresa de proibir seus empregados de estudar
para que se dedicassem exclusivamente ao conhecimento de princípios
ativos, propriedades e indicações dos medicamentos que
divulgavam junto à classe médica. A política vigorou
na empresa até 2001, quando houve mudança na gerência
dos laboratórios no Brasil.
O relator do recurso, ministro
Guilherme Caputo Bastos, manteve a condenação definida
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ), destacando
tratar-se de “caso peculiaríssimo”, ao qual foi aplicado
corretamente dispositivo do Código Civil (artigo 186) que prevê a
reparação de danos causados a terceiro por aquele que,
por ação ou omissão involuntária, negligência
ou imprudência, comete ato ilícito. O TRT/RJ foi taxativo
ao afirmar que a conduta imposta pela Aché a todos os seus empregados,
inclusive ao ator da ação trabalhista em questão,
consistente na proibição de estudar para que se dedicassem
ao “estudo dos produtos que fabricava” justificava a sentença
da 20ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro.
O ministro Ives Gandra Martins
Filho, presidente da Sétima Turma, afirmou que o empregador pode
estabelecer o horário de trabalho e exigir do empregado que se
comporte da maneira desejada durante este período, mas qualquer
exigência relativa à atividade do trabalhador após
a jornada extrapola o exercício desse poder. “Ao impedir
que o empregado estude ou faça qualquer coisa fora do horário
de trabalho, e exigir que ele só se concentre na atividade laboral
de modo a evitar que tenha a cabeça em outro lugar, fica caracterizado
o constrangimento que impede o progresso decorrente da busca do conhecimento”,
afirmou Ives Gandra Filho, acrescentando que, devido a seu ineditismo,
o caso constará de seu mapeamento de situações que
caracterizam dano moral ao trabalhador.
Entenda o caso
Segundo o ex-gerente, que trabalhou
na Aché de 1982 a 2001, a empresa nunca permitiu que a proibição
fosse veiculada de “forma clara e transparente” entre seus
funcionários, mas a “norma mascarada” era de conhecimento
geral. O gerente afirma que se submeteu à proibição
por dois motivos: em razão do próprio volume de serviço,
que o impedia de ter outras atividades, e também porque abraçou
a proposta de “vestir a camisa”, expressão comumente
usada pela empresa para incentivar seus “homens de venda”.
Até que foi surpreendido com a demissão sem justa causa
sob o argumento de que “seu perfil se tornara incompatível
com as necessidades da empresa”.
A prova documental juntada aos
autos pela defesa do ex-gerente para comprovar a proibição
foi a “Revista Integração”, editada pela Aché em
maio de 2001, sob o título “Tempo de crescer: você está convidado
a construir a nova história da Aché”. Na seção
intitulada “Encontros”, foram publicados diversos depoimentos
de empregados com efusivas saudações à nova fase
da Aché, com referências explícitas à proibição
que chegava ao fim. “Sou um dos rebeldes da fase antiga. Comecei
MBA no ano passado mesmo sem poder. Até então a gente não
podia fazer faculdade, imagine MBA. Fazia escondido”, dizia um
dos depoimentos. Outro afirmava: “É bom poder falar abertamente
sobre um tabu. Antes parecia que a empresa era uma máquina, cujas
engrenagens funcionavam direitinho, mas a gente não escutava o
seu coração bater. A gente sabia que, mais cedo ou mais
tarde, as mudanças viriam”. Testemunhas ouvidas nos autos
repetiram a informação.
No recurso ao TST, a defesa da
Aché sustentou que caberia ao autor da ação trabalhista
fazer prova da suposta prática e do nexo de causalidade entre
o ato ilícito praticado pela empresa e o dano sofrido, o que não
teria ocorrido. Mas tanto a sentença da 20ª Vara do Trabalho
do Rio de Janeiro quanto o acórdão do TRT/RJ constataram,
com base na prova testemunhal produzida, que os empregados do laboratório
eram proibidos de estudar e que somente em 2001, com a renovação
ocorrida na empresa, houve tal possibilidade. Para o TRT/RJ, em se tratando
de uma empresa de grande porte, o lema de que “a faculdade dos
empregados era a Aché” fere o princípio da razoabilidade,
já que quanto mais preparados fossem os empregados, melhor seria
o nível de produtividade a ser alcançado . (RR 1707/2002-020-01-00.2)
(Virginia Pardal)
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23/04/2009
TST rejeita recurso do Bradesco contra
condenação por dispensa discriminatória
Condenado por assédio
moral e pela dispensa discriminatória de um gerente de agência
devido a sua orientação sexual, o Banco Bradesco S/A teve
seu recurso de revista rejeitado pela Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho. A condenação foi definida pela Justiça
do Trabalho da 5ª Região: R$ 200 mil por danos moral e material
e pagamento em dobro do salário do empregado (cerca de R$ 5 mil
mensais, à época da demissão), desde a despedida
até o trânsito em julgado da decisão. O relator da
matéria no TST, ministro José Simpliciano Fernandes, votou
pelo não-conhecimento do recurso em todos os temas relativos à condenação,
uma vez que o banco não conseguiu demonstrar as divergências
jurisprudenciais e as violações de dispositivos legais
necessárias ao seu exame.
O autor da ação
trabalhou por quase 20 anos no banco. Ele foi admitido em abril de 1985
pelo Banco do Estado da Bahia, sucedido em 2001 pelo Bradesco. Desde
dezembro de 1996, foi gerente-geral de agências em Salvador (BA)
até ser demitido por justa causa em fevereiro de 2004. Na reclamação
trabalhista, pediu a reintegração ao emprego ou a correspondente
indenização (pela dispensa “discriminatória,
danosa e kafkiana”, segundo seu advogado) e também reparação
pelos danos morais e materiais decorrentes do assédio ocorrido
no curso da relação de emprego.
Em sua defesa, o Bradesco rejeitou
a alegação de discriminação por orientação
sexual, argumentando que o gerente trabalhou 19 anos na empresa e atingiu
o posto mais elevado no âmbito das agências, o de gerente-geral.
O motivo da justa causa teria sido o descumprimento de normas da sua
política de crédito e a liberação de recursos “de
forma incorreta, sem a devida análise, provocando irregularidades
operacionais deveras relevantes”, com “operações
acima da capacidade de pagamento dos tomadores”.
Na inicial da reclamação,
o bancário relata diversos episódios para demonstrar a
perseguição por parte do superintendente regional do Bradesco.
O costume de decorar as agências com bolas coloridas no lançamento
de novos produtos era classificado como “atitude de afeminado”.
Em outra ocasião, o gerente alegou ter sido duramente ofendido
pelo supervisor por ter encontrado o banheiro masculino fechado e, após
pedir licença às colegas, ter utilizado o feminino. As
testemunhas que prestaram depoimentos à 24ª Vara do Trabalho
de Salvador (BA) confirmaram que o gerente era querido pelos colegas,
respeitado pelos subordinados e reconhecido por sua capacidade profissional
(que chegou a lhe valer prêmios). Mas era alvo de assédio
moral por parte do superior hierárquico que, de acordo com a sentença,
referia-se frequentemente a ele, na presença de subordinados e
até de pessoas estranhas, para depreciá-lo, "chamando-o
de homossexual de modo mais chulo e rasteiro por atitudes ínfimas”.
A juíza de primeiro grau
considerou que o banco não conseguiu provar os motivos da justa
causa e condenou-o ao pagamento de indenização por danos
moral e material no valor de R$ 916 mil. Por entender inviável
a readmissão do empregado, converteu-a no pagamento em dobro dos
salários desde o afastamento até o trânsito em julgado
da ação, com base na Lei nº 9.029/1995, que proíbe
a discriminação na relação de emprego e impede
a despedida discriminatória, concedendo ao empregado o direito
de optar entre a readmissão ou o recebimento em dobro do período
de afastamento. No julgamento de recurso ordinário, o Tribunal
Regional do Trabalho da 5ª Região (BA) reduziu o valor do
dano moral para R$ 200 mil, mas manteve o pagamento em dobro dos salários
até o trânsito em julgado da ação.
O limite daquilo que a lei define
como “período de afastamento” foi objeto de discussão
no julgamento do recurso de revista pela Segunda Turma do TST. O Bradesco
sustentou que o período deveria se limitar à data da sentença,
e que a decisão do TRT/BA era contrária à Súmula
nº 28 do TST (a contrariedade a súmula é um dos pressupostos
para o acolhimento do recurso). O relator, ministro José Simpliciano,
porém, observou que a Súmula nº 28 trata de salários
devidos durante afastamento de empregado submetido a inquérito
judicial para apuração de falta grave, o que não
tem nenhuma relação com o caso em questão.
“Na despedida discriminatória,
admitido o prazo de 30 dias entre a rescisão e a sentença,
o que receberia o empregado se convertida a reintegração
em indenização? Apenas 60 dias de salário”,
afirmou o relator. “E como os direitos dos incisos I (a readmissão)
e II (a indenização) do artigo 4º da Lei nº 9029/1995
devem se equivaler, será razoável afirmar-se que o direito à restauração
plena do contrato de trabalho tenha equivalência econômica
tão inexpressiva? Por certo que não.” Afastada a
violação de súmula, o relator rejeitou também
a divergência jurisprudencial quanto ao valor da indenização
por danos moral e material. As decisões supostamente divergentes
trazidas pelo Bradesco tratavam de outras situações discriminatórias
(cor da pele, estética e intimidade). “O recurso de revista é admitido
quando se visa a pacificar teses sobre idêntica situação”,
frisou o relator, lembrando que, por isso, a análise do valor
de indenizações raramente pode ser analisada pelo TST,
pois restringe-se às hipóteses em que haja perfeita identidade
entre os fatos e disparidade incontestável entre os valores.
O ministro Renato de Lacerda
Paiva juntou voto convergente ao do relator. O presidente da Segunda
Turma, ministro Vantuil Abdala, ficou vencido quanto à fixação
do período de pagamento em dobro dos salários. No seu entendimento,
a indenização deve cobrir apenas o intervalo entre a demissão
e a data da decisão que primeiro reconheceu o direito, não
se estendendo até o trânsito em julgado. (RR 1019/2004-024-05-00.8)
(Carmem Feijó)
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23/04/2009
JT só julga ações
de servidor público relativas a período celetista
A competência da Justiça
do Trabalho para julgar casos envolvendo servidor público está limitada
ao período em que ele era regido pela Consolidação
das Leis do Trabalho, ou seja, antes da mudança para o regime
estatutário (Lei nº 8.112/90). Segundo decisão da
Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, a execução
da sentença também deve abranger apenas o tempo celetista.
Esse entendimento do TST foi
uma resposta ao recurso de revista da União Federal, contrário
aos valores definidos em ação trabalhista a serem pagos
pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul a seus servidores. A União
alegou que os funcionários celetistas foram admitidos antes de
junho de 1986, e a condenação se referiu a fato de fevereiro
de 1989, mas com efeitos a contar depois da Lei nº 8.112/90 – o
que seria inconstitucional.
Nem a 6ª Vara do Trabalho
de Porto Alegre nem o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(RS) limitaram a execução da sentença ao período
que antecedeu à entrada em vigor do regime estatutário
(dezembro de 1990). No TST, a União questionou a competência
da Justiça do Trabalho para analisar a
questão e os limites da coisa julgada.
O relator do processo, ministro
Lelio Bentes, destacou que a Justiça do Trabalho é competente
para julgar pedidos de direitos e vantagens previstos na legislação
trabalhista no período anterior à Lei nº 8.112/90 – mesmo
que a ação tenha sido ajuizada depois da entrada em vigor
da lei. Essa idéia já está consolidada na jurisprudência
do Tribunal. No entanto, o ministro lembrou que, nessas circunstâncias,
a execução da sentença também fica limitada
ao período celetista. Por essas razões, o relator sugeriu
dar provimento ao recurso de revista da União para limitar a competência
da JT e a execução da sentença ao período
de vigência do regime celetista, decisão seguida pelos demais
ministros da Primeira Turma. (RR 69857/2002-900-04-00.6)
(Lilian Fonseca)
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