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FOLHA DE SÃO PAULO,
24 dee abril de 2009 | Dinheiro
Com crise, centrais sindicais vão
economizar na festa do 1º de Maio
Empresas patrocinam shows da UGT
e da Força; CUT fará eventos na periferia
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Com os reflexos da crise financeira
mundial no caixa das empresas e a dificuldade para conseguir patrocínio
das estatais e de empresas privadas, as centrais sindicais tiveram de
reduzir em até 20% o orçamento das festas que serão
realizadas neste ano para comemorar o Primeiro de Maio.
A Força Sindical afirma que deverá gastar de R$ 2 milhões
a R$ 2,2 milhões com o custo do megashow que acontecerá na praça
Campo de Bagatelle (zona norte), além de sortear 20 carros Celta zero
km na festa. Em 2008, a central sorteou dez carros e cinco apartamentos. Gastou
R$ 2,5 milhões.
Ayrton Senna
A UGT (União Geral dos Trabalhadores) unificou as comemorações
deste ano com a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e
a Nova Central Sindical. Estima gastar R$ 1,3 milhão no evento, que
será na avenida São João (região central), com
uma exposição em homenagem ao piloto Ayrton Senna. Em 2008, a
central gastou R$ 1,5 milhão.
" As estatais reduziram, em média, de 15% a 20% as cotas de patrocínio.
Empresas privadas que compravam cotas de R$ 300 mil neste ano pagaram R$ 100
mil. E aquelas que em anos anteriores nos patrocinaram, como a Gerdau, neste
não toparam pagar", diz Paulo Pereira da Silva, presidente da Força.
A CUT decidiu não buscar patrocínio para os eventos que ocorrerão
na periferia da cidade. "O evento será custeado por sindicatos
e pela central. Optamos por fazer uma comemoração mais reflexiva,
sem shows", afirma Daniel Reis, diretor da CUT-SP. A decisão foi
tomada em uma plenária da central.
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FOLHA DE LONDRINA, 24 de
abril de 2009 | Economia
Mercado de trabalho de empregadas
domésticas cresce no Brasil
Fortalecimento da classe média está gerando
uma explosão no número dessas trabalhadoras; pesquisa
aponta que a classe quase duplicou em menos de dez anos
Genebra - Na última década, a estabilidade econômica e
o crescimento no Brasil gerou uma alta na venda de fogões, TVs, carros
e viagens. Mas uma pesquisa agora revela que o fortalecimento da classe média
está gerando uma explosão no número de empregadas domésticas.
Dados divulgado pela Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas
apontam que a classe quase duplicou em menos de dez anos.
Segundo a Federação,
o número de empregadas domésticas hoje no País chegaria
a 9,1 milhões. Em 2001, esse número era de 5 milhões.
80% desses trabalhadores são negros. 94% são mulheres.
Segundo a consultora Wania Sant'Anna,
a explosão da classe de domésticas ocorreu paradoxalmente
com a melhoria da situação da classe média, que
passou a ter um poder aquisitivo suficiente para se permitir uma empregada
em casa para lavar ou cozinhar. O problema, segundo ela, é que
os salários estão entre os mais baixos entre todas as categorias.
Os indicadores coletados por
Wania, que hoje trabalha na Comissão de Diversidade da Petrobras,
apontam que o salário médio de uma doméstica não
passa de 1,2 salários mínimos. Em alguns estados, a renda é maior.
Mas, mesmo assim, não supera a marca de 2,5 salários mínimos.
A presidente da Federação
das Trabalhadoras Domésticas, Creuza Maria Oliveira, ontem apresentou
a situação da classe em uma conferência da ONU sobre
discriminação em Genebra. ''Não temos todos os direitos
das demais trabalhadoras no Brasil, ainda que a classe das domésticas
representem 10% de todas as trabalhadoras do País. Somos, de longe,
a maior classe de trabalhadoras no Brasil'', disse a presidente da federação.
De acordo com Creuza, reuniões
com o Ministério do Trabalho não estão dando resultados
na tentativa de garantir melhor proteção social à categoria,
nem na garantia de uma carta sindical à classe. ''O governo sempre
fala que nos ajudará. Mas isso nunca passou de uma promessa '',
completou.
Jamil Chade
Agência Estado
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FOLHA DE LONDRINA, 24 de
abril de 2009 | Economia
Reflexos da crise podem ser sentidos
no 2º semestre
Os reflexos da crise econômica mundial poderão ser sentidos a
partir do segundo semestre. Na avaliação de José Carlos
Loureiro Neto, diretor do Serviço Central de Proteção
ao Crédito da Associação Comercial, Industrial e Empresarial
de Ponta Grossa (Acipg), está sendo realizada na cidade uma campanha
de conscientização com os consumidores para que as compras sejam
feitas com cautela. Neste período o município registrou aumento
de vendas neste primeiro trimestre, assim como crescimento da inadimplência.
''A crise atingiu mais os setores
que trabalham com exportações. Por enquanto os trabalhadores
ainda podem contar com seguro-desemprego, rescisão e multa. Agora
se até julho e agosto a situação não se reverter
vamos sentir a crise'', afirma Loureiro Neto. Segundo ele, o leve aumento
nas vendas, assim como da inadimplência, já era esperado.
''O começo do ano traz muitos encargos, como impostos e compra
de material escolar. Por isso estamos fazendo campanhas para que os consumidores
não deixem de comprar e de pagar'', diz.
Expectativa
Pesquisa realizada pela
Federação do Comércio do Paraná (Sistema
Fecomércio) aponta para uma queda nas expectativas positivas
dos empresários. Entre novembro e dezembro do ano passado, 58,62%
dos entrevistados disseram esperar boas vendas neste primeiro semestre.
Na segunda quinzena de janeiro o levantamento foi feito novamente e
apenas 28,57% dos empresários disseram acreditar em boas vendas
para o período. Entre os motivos para a queda do otimismo também
foram citados fatores alheios à crise econômica como queda
da produção agrícola, aumento dos estoques, comprometimento
do orçamento com as despesas típicas de início
de ano e alta taxa de juros. (F.M.)
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FOLHA DE LONDRINA, 24 de
abril de 2009 | Economia
CNI: índice de confiança
cresce, mas ainda é pessimista
Agência Estado
O empresário industrial continua pessimista em relação
aos negócios e à economia, segundo o Índice de Confiança
do Empresário Industrial (Icei) de abril da Confederação
Nacional da Indústria (CNI). O documento ainda não foi divulgado
na íntegra, mas a assessoria de imprensa da entidade informou que o
Icei ficou abaixo de 50 pontos - o que denota falta de confiança dos
empresários -, mas melhorou em relação à pesquisa
de janeiro.
O índice de abril alcançou
49,4 pontos, o que significa um crescimento de 2 pontos na comparação
com janeiro de 2009 e uma queda de 12,6 pontos na comparação
com abril do ano passado. Segundo a CNI, somente os empresários
de grande porte registraram confiança em abril, atingindo 51,8
pontos. As pequenas empresas registraram o menor valor desde julho de
2002: 46,8 pontos, 2,7 pontos a menos que em janeiro. O índice
de confiança das médias empresas ficou em 48,8 pontos.
Para a CNI, a perspectiva das pequenas e médias empresas sinaliza
que deverá ser mantida a tendência de desaceleração
da atividade industrial.
A pesquisa foi realizada entre
os dias 1º e 23 deste mês com 1.259 empresas. Dessas, 187
são de grande porte; 366, de médio porte; e 706, de pequeno
porte. O indicador varia de zero a 100 pontos, sendo que abaixo de 50
pontos indica falta de confiança.
A CNI informou também
que 19 dos 27 setores da indústria de transformação
pesquisados apresentam índices abaixo de 50 pontos. Entre os setores
com menor confiança, destacam-se álcool e madeira. Apesar
de se manterem abaixo de 50 pontos, os setores de veículos automotores,
papel e celulose e máquinas e materiais elétricos registraram
melhora na confiança.
Segundo a CNI, a melhora do Icei
em abril deve-se às perspectivas mais positivas dos empresários
para os próximos seis meses. O aumento do indicador só não
foi maior devido à piora no sentimento em relação à situação
atual dos negócios. O indicador de condições atuais
recuou de 36,0 para 33,2 pontos, atingindo o menor valor em 10 anos.
A deterioração na situação atual é percebida
com maior intensidade em relação à economia brasileira,
que registrou 27 pontos.
O índice de expectativas,
por outro lado, registrou crescimento de 4,5 pontos na comparação
com janeiro, atingindo 57,6 pontos. Mas ainda situa-se 7,6 pontos abaixo
do valor apurado em abril do ano passado. O empresário industrial
voltou a registrar otimismo (índice de 52,3 pontos) em relação à economia
brasileira nos próximos seis meses (52,3 pontos) e aumentou
o otimismo em relação à sua empresa (60 pontos).
Os índices, no entanto, continuam 8 e 7,8 pontos abaixo dos
de abril de 2008.
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O ESTADO DO PARANÁ,
24 de abril de 2009 | Economia
Comer fora de casa está mais
caro
Mara Andrich
Os preços de muitos restaurantes por quilo de Curitiba têm aumentado
nos últimos meses. Em alguns locais o acréscimo foi de centavos,
mas em outros chega a R$ 1, por exemplo.
Nem o período de safra
registrado nos primeiros meses do ano, tão pouco a redução
no ICMS de 18% para 12% (desde primeiro de abril) influenciaram os preços
do setor por enquanto. Centavos ou R$ 1 parecem pouco, mas se colocar
na ponta do lápis são valores fazem a diferença
no final do mês.
Apesar disso, Curitiba ainda
está com vantagem quando o assunto é refeição
por quilo: uma pesquisa realizada entre os meses de janeiro e fevereiro
deste ano pela Associação das Empresas de Refeição
e Alimentação Convênio Para o Trabalhador (Assert)
apontou que a capital paranaense possui o quarto preço mais barato
neste tipo de refeição no país.
Os proprietários de restaurante
se defendem: o aumento nos preços de alimentos - principalmente
carnes e alguns vegetais - e energia elétrica, por exemplo, contribuem
para o acréscimo nos preços.
A administradora do restaurante
Santa Gulla, no Juvevê, Paula Ivanki, diz que não dá para
deixar de repassar as perdas ao consumidor. No local, o preço
do quilo passou de R$ 19,90 para R$ 20,90.
“Aumentou tudo nos últimos
meses, principalmente a carne e o nosso aluguel”, alegou. Alguns
empresários estão tentando “segurar” o máximo
que podem para não perder clientela. No Villa Sabor, localizado
no Bom Retiro, por exemplo, o preço do quilo é o mesmo
há um ano: R$ 27,90 nas segundas, quartas e sextas-feiras.
Outro restaurante mais popular,
o Mr. Bimbo, no Bacacheri, que servia buffet livre por R$ 6,50 há cerca
de dois meses, agora já cobra R$ 6,90. “Muitas vezes não
podemos repassar o preço para o consumidor pois aí o movimento
cai. Mas desta vez, como muitos produtos demoraram para baixar, como
a carne, por exemplo, não teve jeito”, comentou.
O presidente da Associação
Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) confirma o que os administradores
de restaurantes informaram, mas lembra que outros diversos itens, e não
só os alimentos, devem ser levados em consideração
na hora de analisar o aumento.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
24 de abril de 2009 | Dinheiro
Crédito a empresas volta a nível
pré-crise
Juros e volumes concedidos de capital de
giro estão perto dos vistos antes do agravamento da crise,
mas "spread" sobe | Empresários afirmam que não
viram melhora nas condições de financiamento das companhias;
bancos temem inadimplência alta
TONI SCIARRETTA
DENYSE GODOY
DA REPORTAGEM LOCAL
Depois de praticamente secar,
o crédito para empresas começa a funcionar com taxas e
volumes próximos aos vistos em agosto e setembro, antes do agravamento
da crise. Mas os "spreads" [diferença entre a taxa de
captação dos bancos e a cobrada do cliente], seguem elevados,
diz o Banco Central.
Principal fonte de financiamento operacional das empresas, as novas concessões
para capital de giro aumentaram 62,5% em março em relação
a fevereiro e atingiram R$ 21,836 bilhões -próximo dos R$ 22,02
bilhões de setembro. Na comparação com março de
2008, houve aumento de 47,1%.
Os juros médios do capital de giro recuaram de 36% ao ano para 33,9%,
de fevereiro para março. A taxa já retornou ao patamar de agosto
e setembro, respectivamente, de 33% e 33,6%. O "spread" caiu de 24,9
pontos para 23,8 pontos, acima dos 18,6 pontos de agosto e dos 19,1 pontos
de setembro.
Para Fabio Barbosa, presidente do Santander e da Febraban, a retomada do crédito
em março se deve a questões sazonais (março é sempre
melhor que fevereiro) e de melhora na economia. "Estamos vendo a continuidade
de um processo; não houve uma ruptura no Brasil, mas uma desaceleração
no ritmo de crescimento. A economia, de fato, dá uma retomada em março.
E isso leva as empresas a buscarem capital de giro para atender os clientes",
disse.
Para Barbosa, a maior preocupação é com a inadimplência,
que, no caso do capital de giro, subiu de 1,89% para 2,22%, a maior desde maio
de 2007. Por isso, os "spreads" estão altos, diz Barbosa.
" Esse estrangulamento de liquidez que tivemos em outubro, com o fechamento
das linhas de comércio exterior, dos mercados de capitais, e a retirada
dos bancos pequenos e médios, pouco a pouco, vêm sendo corrigido.
Só falta o mercado de capitais voltar a funcionar", disse Norberto
Barbedo, vice-presidente do Bradesco.
Para Silvio de Carvalho, diretor-executivo do Itaú Unibanco, os números
do BC mostram uma evolução pequena no crédito para empresas.
Carvalho lembra que as grandes empresas, que voltaram a se financiar no país,
chegam com risco e taxas menores. "Como as grandes empresas estão
mais presentes, elas têm um nível de juros menor do que as médias. É um
pouco esse o efeito que também vemos nos "spreads"."
Os empresários, entretanto, dizem que ainda não sentiram a melhora
no mercado de crédito detectada pelo BC. "Não está normal
a situação no país", resume Júlio Gomes de
Almeida, consultor do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial)
e ex-secretário de Política Econômica do Ministério
da Fazenda.
Almeida afirma que cada segmento enfrenta uma dificuldade diferente. Para as
grandes companhias, nunca faltou financiamento. "No caso das pessoas jurídicas,
o ritmo de queda das taxas é menor. O "spread" subiu demais
devido a uma cautela excessiva com a possibilidade de alta da inadimplência,
o que não ocorreu."
Já para as micro, pequenas e médias empresas, a dificuldade é ter
acesso ao crédito. "Nem temos recebido reclamações
sobre o custo, porque sequer tem crédito", diz Marcel Solimeo,
economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo. "Os
bancos aumentaram a seletividade dos clientes, deixando de fora os menores."
O varejo é o setor quem mais tem sofrido com a escassez de crédito,
segundo especialistas. O setor tem renegociado com fornecedores e diminuído
os prazos e limites de financiamento ao consumidor.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
24 de abril de 2009 | Dinheiro
Codefat é ampliado, mas presidência
segue rotativa
Governo recua de fixar ministro à frente
do conselho
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo ampliou o número
de assentos do Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador)
-colegiado responsável pela gestão de um patrimônio
de R$ 180 bilhões-, mas recuou na proposta de acabar com a presidência
rotativa do órgão.
Decreto publicado no "Diário Oficial" da União de ontem
elevou de 12 para 18 o total de integrantes que compõem o conselho.
A ampliação foi feita para acomodar as mudanças ocorridas
no mundo sindical desde o ano passado, com a aprovação da lei
que reconhece as centrais sindicais e com a fusão e a criação
de novas entidades.
A nova composição do Codefat vinha sendo discutida pelo governo
havia meses, mas enfrentava resistências por conta da intenção
do ministro Carlos Lupi (Trabalho) de acabar com a presidência rotativa.
Lupi queria garantir exclusividade ao ministro do Trabalho, mas entre os conselheiros
havia o temor de que isso representasse a criação de superpoderes
para o ministro.
" Ainda defendo essa ideia, mas o presidente Lula avaliou a questão
e disse que isso poderia causar problemas ao FAT no futuro, dependendo do governo
e do ministro. Ele não quer entrar para a história como o presidente
que fez isso", declarou Lupi à Folha.
" Essa foi uma decisão do presidente, que tem todo o direito de fazer
mudanças", disse o atual presidente do Codefat, Luiz Fernando Emediato,
da Força Sindical -central aliada ao PDT de Lupi. Com a presidência
rotativa, as bancadas que integram o Codefat (compostas por trabalhadores, empresários
e pelo governo federal) revezam-se no comando do órgão a cada dois
anos.
Na nova composição, houve o acréscimo de dois conselheiros
por bancada. Representam agora os trabalhadores: CUT (Central Única
dos Trabalhadores), Força Sindical, UGT (União Geral de Trabalhadores),
NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores), CTB (Central dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil) e CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil).
A representação dos empresários ficou com as confederações
da indústria (CNI), do comércio (CNC), da agricultura (CNA),
do sistema financeiro (Consif), de serviços (CNS) e de turismo (CNTur).
O governo também tem seis representantes. Em agosto, haverá nova
eleição para presidente, e a tendência é que a cadeira
passe para a Confederação Nacional da Agricultura.
FGTS
O decreto também ampliou o número de integrantes do Conselho
Deliberativo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que tem
o ministro do Trabalho como presidente.
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AGÊNCIA PARÁ DE
NOTÍCIAS, 24 de abril de 2009
Pará: Governo debate medidas
anti-crise na construção civil
Da Redação
Agência Pará
O Governo do Pará vai
se reunir na próxima sexta-feira (24) com empresários,
trabalhadores e instituições de fomento para debater estratégias
para superar a crise no ramo da construção civil, que no último
mês levou o Pará à perda de quase 2.500 postos de
trabalho. A reunião integra as atividades do Fórum Paraense
de Competitividade (FPC), cujo objetivo maior é identificar, de
maneira conjunta, os gargalos e soluções para economia.
De acordo com dados do Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho
e Emprego (MTE), em março, o Pará amargou um saldo negativo
de 5.643 empregos, uma queda relativa de 1,03%. Maior parte deles puxados
pelo ramo da construção civil, que apresentou queda de
5,06%. Na avaliação do presidente do Sindicato da Indústria
da Construção do Estado do Pará (Sinduscon-PA),
Manoel Santos, parte desta queda reflete a sazonalidade do setor, que,
no período chuvoso, tende a diminuir substancialmente o número
de obras.
Ele explica que o Sinduscon
ainda está fechando a análise sobre estes dados, mas já é possível
apontar também a queda no ritmo das obras na iniciativa privada,
por conta da crise econômica mundial, como outro fator que vem
contribuindo decisivamente para o aumento do desemprego na área. "Apesar
dos investimentos em obras públicas, que vêm ajudando o
setor, a iniciativa privada desacelerou o ritmo das construções,
principalmente das grandes obras, e isso vem se refletindo nas demissões",
afirmou Santos.
Outro entrave - o aumento elevado
dos custos de produção da construção civil,
o CUB, que foi de quase 13% no Pará - também deve ser colocado
na mesa de discussão. Para se ter uma idéia, este custo,
puxado principalmente pelo aumento no preço do cimento, é quase
2% maior que a média nacional.
Para reverter estes índices,
durante a reunião do grupo de trabalho do FPC, não apenas
o governo e o setor produtivo, como também os representantes de
instituições de fomento, como BNDES, Banpará e Banco
do Brasil, vão discutir estratégias para alavancar a construção
civil no Pará. "A expectativa é de que juntos possamos
pensar em ações imediatas para induzir a geração
de emprego e renda no Estado", afirmou o diretor de Desenvolvimento
Econômico da Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência
e Tecnologia (Sedect), Ivan Costa.
Ele explica que o setor da construção
civil - até por conta da importância e seu reflexo imediato
na dinâmica econômica do Estado - tem sido um dos mais contemplados
nas políticas de governo, não só estadual como federal.
A Caixa Econômica Federal, por exemplo, está aportando no
Pará cerca de R$ 1,5 bilhão em investimentos de infraestrutura
social e urbana, dentre elas o saneamento integrado da Bacia do Tucunduba
e a urbanização de comunidades como Fé em Deus,
Pantanal/Mangueirão, Pratinha, Estrada Nova e Riacho Doce, localizadas
em Belém, além dos programas habitacionais do governo,
que devem impactar na construção de um milhão de
unidades habitacionais em todo o Brasil.
O governo Ana Júlia também
confirmou a manutenção do cronograma de mais de 800 obras
em todo o Estado, o que também vai ajudar positivamente a impulsionar
o crescimento do setor.
Texto: Ascom - Sedect
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CGN/ CASCAVEL, 24 de abril de 2009
Informalidade na construção
civil aumenta
Caged indica que houve redução
de 7,78 % nos empregos com carteira assinada no setor.
Publicado em 22 de Abril de 2009, às
17h13min | Theives Andrade | Fonte: CGN
Dados divulgados pelo Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicam que na construção
civil o índice de demissões aumentou 7,78 % no mês
de março.
Mas, enquanto os dados nacionais apontam para uma redução no
número de vagas, em Cascavel o cenário é um pouco diferente.
Segundo o sindicato, emprego não falta por aqui. “As vagas existem,
o emprego está ai, não temos ninguém procurando trabalho,
ao contrário, temos empregadores ofertando vagas. Várias empresas
têm solicitado indicações no sindicato e quando aparece
alguém já encaminhamos imediatamente”, explica o presidente
do sindicato, Oracildes Tavares.
O que ajuda a entender o paradoxo é a postura de muitas empresas frente
ao trabalhador da construção civil, ocorre que o número
de empregos não caiu, a redução foi na oferta de vagas
formais, ou seja, neste setor, trabalho não é sinônimo
de carteira assinada. “O emprego formal é que está reduzindo,
a fiscalização do Ministério do Trabalho, do Ministério
Público e do próprio sindicato não está sendo eficaz
a ponto de fazer com que todos registrem seus empregados. Os empregadores acabam
dispensando os formais e buscam na informalidade uma saída para pagar
menos impostos, isso não está ocorrendo somente em Cascavel,
mas em todo Brasil”, salienta.
As projeções, no entanto, são positivas. Os projetos habitacionais,
como o “Minha Casa, Minha Vida”, prometem aquecer o mercado formal
e gerar mais de duas mil vagas em todo o país. Em Cascavel a expectativa é positiva.
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AGÊNCIA DIAP, 24 de
abril de 2009
Denúncias no Congresso podem
ser didáticas para eleitor, opinam
A sucessão de escândalos que atinge o Congresso Nacional intensifica
a descrença na instituição. Apesar da proliferação
de denúncias, a crise de confiança pode ser didática para
o cidadão.
Para intelectuais e analistas
ouvidos pela Reuters, o cidadão tanto pode tirar proveito e escolher
com mais critério seus representantes quanto preferir chegar ao
limite de um sistema centralizado e pretensamente moralizador.
O professor de Ética e
Filosofia da Unicamp, Roberto Romano, acredita que o conceito de fé pública é o
principal atingido pela prática negativa dos parlamentares. Ele
explica que só com o uso da fé pública o cidadão
aceita o arbítrio de um juiz, o dinheiro de um país, e
até a demarcação da faixa de pedestres nas vias
públicas.
"O índice da fé pública
está diminuindo perigosamente. Nesses momentos, aparece o desejo
do totalitarismo. O cidadão quer que alguém ponha ordem
no país", acredita o professor. "Todos os (movimentos)
que têm desconfiança no Parlamento, sejam de direita ou
de esquerda, querem um sistema centralizado", reforçou.
Patrimonialismo
Ecoando outros analistas, Romano afirma que o cerne do comportamento negativo
dos congressistas está na apropriação de instituições
que pertencem à sociedade. É este patrimonialismo que faz com
que deputados façam uso da verba de passagens aéreas para levar
parentes, amigos e namorados em viagens pelo Brasil e ao exterior.
Levantamento realizado pelo site
Congresso em Foco mostra que em quase dois anos os deputados utilizaram
a cota de passagens da Câmara para fazer 1.885 viagens internacionais,
ou 89,8 viagens internacionais por mês. As verbas, no entanto,
são destinadas a vôos entre Brasília e os estados
de origem.
O Senado aprovou regras que restringem
a emissão de passagens aéreas, enquanto a Câmara
anunciou medidas semelhantes que pretende colocar em prática.
Mexendo
nos privilégios
A reação do veterano senador Epitácio Cafeteira (PTB/MA) às
novas regras é reveladora. Após saber das medidas, ele ironizou: "Daqui
a pouco, estamos recebendo vale-transporte". Como se pode ver, essas práticas
estão internalizadas e, portanto, são aceitas como normais.
Declarações do
deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM/BA), corregedor da
Câmara, também estarreceram analistas. Para ele, que teria
usado passagens da Câmara para viajar com a mulher a Paris, "está na
hora de a Casa ter coragem de se defender... Acho que a imprensa quer
fechar o Congresso".
Sem surpresa com os escândalos
da vez, o cientista político da UnB, David Fleischer, pontua que
a má fama do Congresso é antiga.
"A credibilidade do Congresso
sempre andou muito baixa. Não é de hoje que existe uma
crise de descrédito", afirmou. Para ele, "o Congresso
está tentando limpar sua barra com as novas medidas".
Crise
na representação
O deputado Chico Alencar (PSol/RJ) chama isso de crise do sistema representativo.
Nesse sentido, a crise que se abate no Congresso pode ser pedagógica
e mostrar ao eleitor, que em última instância ele é co-responsável,
pois é quem elege os representantes do povo.
Pesquisa realizada pelo instituto
Datafolha em março indica que para 37% dos brasileiros a atuação
do Congresso tem sido ruim ou péssima.
O índice subiu seis pontos
percentuais em relação ao levantamento de novembro, quando
era de 31%. Para 39%, o trabalho dos parlamentares é regular e
apenas 16% consideram o desempenho do Congresso ótimo ou bom.
Apesar do resultado, o sociólogo Mauro Paulino, diretor-geral
do Datafolha, se diz otimista em relação ao comportamento
do eleitor frente à série de denúncias e não
vê clima para regimes totalitários, ao contrário
do comentário de Roberto Romano.
"Acompanhei a redemocratização.
Hoje o País não elegeria um presidente que tivesse dúvidas
de sua integridade. A cultura política melhorou com as Diretas,
com o impeachment do (ex-presidente) Fernando Collor, a eleição
a cada dois anos. Tudo isso é muito educativo, amplia a conscientização
política", opinou.
Ainda assim, Paulino vê "um
longo caminho pela frente" para os políticos e os eleitores. (Com
Reuters)
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FOLHA DE SÃO PAULO,
24 de abril de 2009 | Brasil
Sob pressão, Temer recua, e
plenário vai decidir cota aérea
Restrição do uso das passagens
antes seria decidida apenas pela Mesa Diretora | Deputados criticam
a ideia de proibir que familiares possam usufruir de bilhetes aéreos;
a votação deverá ocorrer na próxima terça
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Diante da pressão dos
colegas, o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP),
anunciou que vai passar ao plenário a responsabilidade de decidir
sobre a restrição do uso da cota de passagens aéreas.
Um projeto de resolução sobre o assunto deve ser colocado
em votação já na próxima terça-feira.
A mudança de posição aconteceu após uma série
de críticas de deputados de todos os partidos. No dia anterior, Temer
havia anunciado medidas que entrariam em vigor por meio de um ato da Mesa Diretora
-que não precisa passar por votação no plenário,
mas ele mudou de ideia. "Vocês viram que deu confusão. O
Senado fez por projeto de resolução. Se não fizermos,
fica ruim. É melhor para dar legitimidade", disse.
A principal crítica dos deputados foi feita em cima do anúncio
de que familiares de congressistas não poderiam mais usar a cota aérea. "Ao
proibir-se as passagens para os cônjuges, pretende-se que essa seja uma
Casa de celibatários", afirmou o deputado Marcondes Gadelha (PSB-PB).
Com o projeto sendo votado pelo plenário, qualquer mudança pode
ser feita por meio de emendas. A opinião de alguns líderes partidários é que
ao menos a parte que restringe a passagem para parentes deve ser flexibilizada. "Não
posso mais trazer minha filha para dormir comigo? Eu acho que o plenário
derruba a resolução parcialmente", disse o líder
do PTB, Jovair Arantes (GO).
No projeto de resolução devem constar ainda todos os pontos já anunciados
por Temer, como a redução de 20% do valor das cotas, a extinção
anual das sobras de créditos e a divulgação na internet
dos gastos com as passagens. Além disso, pelo texto, viagens internacionais
e de assessores só poderão ser feitas se tiverem relação
com o mandato e mediante prévia autorização do terceiro-secretário,
outro ponto que foi fortemente criticado. "Sempre que criam um pai para
ficar avaliando é um problema", disse Beto Albuquerque (PSB-RS).
Outro alvo de críticas foi o próprio Temer, que, dizem alguns
deputados, toma atitudes segundo o noticiário. "Ele parece uma
biruta de aeroporto, vai e volta nas suas decisões", afirmou Ciro
Nogueira (PP-PI).
As demais medidas de transparência anunciadas anteontem, como a divulgação
das cotas postal e telefônica, devem ficar para depois. No início
da semana que vem, Temer quer anunciar a criação de uma comissão
para avaliar uma reestruturação administrativa. Além da
transparência, a comissão será responsável por estudar
um aumento salarial e mais cortes nas verbas. Para o projeto de resolução
sobre as passagens entrar na pauta, um requerimento tem de ser aprovado por
maioria absoluta -ao menos 257 deputados. Depois, o texto, assim como possíveis
emendas, precisa ser aprovado pela maioria dos presentes.
Caso Galisteu
Ontem, o deputado Fábio Faria (PMN-RN) saiu de uma reunião com
Temer dizendo entender que estava "absolvido". Faria emitiu bilhetes
aéreos de sua cota para artistas irem a seu camarote em Natal e para
a ex-namorada, a apresentadora Adriane Galisteu.
" Ontem [anteontem] o presidente disse que atos passados podiam ser esquecidos
e o meu caso se enquadra nisso", disse. A assessoria de Temer informou que
o presidente ainda não decidiu se enviará o caso para a corregedoria
da Casa.
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AGÊNCIA DIAP, 24 de abril de 2009
Em audiência, dirigentes
defendem ratificação das convenções
da OIT
Representantes da CUT e UGT defenderam, na última
quarta-feira (22), a ratificação das convenções
151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT)
como forma de manter os empregos nesse período de crise econômica.
A Convenção 151 se refere à organização
sindical e ao processo de negociação dos trabalhadores
do serviço público e a Convenção 158 protege
os trabalhadores do setor privado contra demissões imotivadas.
Os dirigentes sindicais participaram
de audiência pública na comissão especial que analisa
os efeitos da crise nos serviços e empregos.
O presidente da CUT, Artur Henrique,
defendeu também a redução da jornada de trabalho
de 44 para 40 horas semanais.
"Essa medida gera emprego,
melhora as relações de trabalho e reduz os riscos de acidente",
justificou.
Artur defendeu ainda que essa
redução deve acontecer sem a diminuição salarial.
A proposta da redução
da jornada, sem redução salarial, tem o apoio do relator
da comissão especial, deputado Vicentinho (PT/SP).
"Neste momento de crise é fundamental
não haver redução salarial. O Brasil foi um dos últimos
países a enfrentar os efeitos da crise porque a política
econômica implantada pelo governo Lula melhorou o poder de compra
do trabalhador".
E continua: "Quando
a crise começou lá fora o nosso mercado interno ainda
estava aquecido", explicou Vicentinho. Ele acrescentou que seremos
também os primeiros a sair da crise por causa do poder de consumo
dos brasileiros. (Fonte: Agência Informes)
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GAZETA DO POVO, 24 de abril
de 2009 | Vida & Cidadania
Trabalho escravo
Trabalhadores bebiam água
suja em área de exploração de madeira
Uma operação conjunta
do Ministério Público do Trabalho (MPT), do Ministério
do Trabalho e da Força Verde localizou 21 trabalhadores em condições
degradantes em duas fazendas de São João do Triunfo, nos
Campos Gerais. Uma poça com folhas e larvas que servia de fonte
de água para beber, carne exposta em um varal e espumas sujas
usadas como colchão foi o cenário encontrado pelos fiscais.
Além disso, vários dos empregados não tinham registro
em carteira ou qualquer formalização do contrato de trabalho.
Eles passavam a semana em um barraco de chão batido, onde todos
dormiam amontoados. “Não havia instalações
para as necessidades fisiológicas. Os empregados tinham de ir
para o mato”, conta Luercy Lino Lopes, procurador do MPT.
A operação ocorreu
em uma área de exploração de madeira de reflorestamento,
na região de Vitirinópolis, a 12 quilômetros de São
João do Triunfo. Os trabalhadores cortavam toras sem equipamentos
de proteção. Os fiscais descobriram também que eram
praticados descontos ilegais no salário, já que os funcionários
estariam pagando por refeições, pelo uso de ferramentas
e até pelo combustível das motosserras. Em princípio,
o MPT não irá indiciar os proprietários das áreas – apenas
os empreiteiros, que compraram a madeira em pé e colocaram os
peões para trabalhar. Um adolescente de 17 anos estava entre os
trabalhadores. O valor das multas ainda será definido. A Força
Verde também encontrou oito pinheiros araucária cortados
e aplicou multa de R$ 4 mil.
As empreiteiras firmaram acordo
com o Ministério Público e regularizaram a relação
trabalhista com os funcionários. Pagaram R$ 1 mil de indenização
por dano moral a cada um e mais os valores referentes aos direitos trabalhistas.
E juntas destinaram R$ 15 mil, como compensação por dano
moral coletivo, que deve ser enviado para a Associação
de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) da cidade.
Sem reclamação
Sérgio Prsczjbxcim conta
que trabalhava há cinco meses na fazenda e que dormia em casa,
sem precisar depender das instalações do alojamento. Ele
diz que recebia os salários em dia e que levava comida. “Ninguém
reclamava não”, conta. Há um ano, o trabalhador já havia
sido localizado em outra operação de combate ao trabalho
escravo em Balsa Nova, na região de Curitiba. “Como estão
acostumados a trabalhar nessas condições, os trabalhadores
acham normal o que encontramos. É uma questão cultural”,
diz o procurador.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
23/04/2009
Presidente do TST recebe sindicalistas e
sugere acordo nacional
O presidente do Tribunal Superior
do Trabalho, ministro Milton de Moura França, recebeu hoje (23)
lideranças do Sindicato dos Metalúrgicos de São
José dos Campos e Região, do Fórum Nacional dos
Trabalhadores e da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas).
Os temas centrais da conversa foram a crise econômica e as demissões,
especialmente as da Embraer. “O problema é de âmbito
nacional, e por isso é necessário buscar soluções
também em âmbito nacional”, disse o ministro. “O
momento é propício para que as lideranças sindicais
sensibilizem o Executivo e o Legislativo para a importância de
um acordo nacional.”
O ministro Moura França
manifestou, mais uma vez, sua preocupação com as notícias
de dispensas de grande número de trabalhadores em vários
ramos de atividade e afirmou que a situação é gravíssima. “Sofri
tanto quanto os trabalhadores ao fazer o despacho no caso da Embraer,
mas infelizmente não posso fazer milagres”, explicou. “Não
posso, como magistrado, decidir contra a legislação ou
com base apenas em princípios. Poderia até admitir que
as demissões sejam injustas, mas não são ilegais.”
Defensor de soluções
negociadas para impasses nas relações de trabalho, o presidente
do TST exortou os dirigentes a buscar saídas legislativas para
o problema das dispensas coletivas. “Os senhores têm força
para negociar, e devem usá-la”, assinalou. “A questão
não é só dos metalúrgicos, a crise respinga
em diversas outras categorias profissionais, e o campo de atuação
do TST é restrito. O foro adequado para a negociação é o
Congresso Nacional e o Executivo.”
O advogado do Sindicato dos Metalúrgicos
disse ao presidente do TST que interpôs agravo contra o despacho
que concedeu efeito suspensivo à decisão do Tribunal Regional
do Trabalho de Campinas que estendia os contratos de trabalho dos demitidos
pela Embraer em fevereiro até o dia 13 de março. Este agravo
será examinado pela Seção Especializada em Dissídios
Coletivos (SDC) do TST – que julgará, também, o recurso
ordinário em dissídio coletivo contra a decisão
do TRT de Campinas.
(Carmem Feijó)
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23/04/2009
Souza Cruz poderá manter provadores
de cigarro até decisão final do TST
Está mantida a decisão
cautelar que suspendeu a execução provisória no âmbito
da ação civil pública movida pelo Ministério
Público do Trabalho (MPT) contra a Souza Cruz S/A, e permitiu
que a empresa utilize empregados (provadores) nos testes de qualidade
dos cigarros que produz. A Sétima Turma do Tribunal Superior do
Trabalho confirmou despacho do ministro Pedro Paulo Manus, ao rejeitar
agravo do MPT contra sua decisão individual. Com isso, o trabalho
destes profissionais está mantido até julgamento final
do recurso principal pelo TST. Na ação, o MPT argumenta
que o ato de provar cigarros causa dano irreparável à saúde
do trabalhador.
A defesa da Souza Cruz ajuizou
ação cautelar com pedido de liminar para sustar todos os
atos decorrentes da execução provisória, até o
julgamento final do processo, em especial a “obrigação
de não fazer” consistente na abstenção de
utilizar provadores de cigarro. O ministro Pedro Paulo Manus concedeu
a liminar por considerar plausível o pedido da empresa. O relator
afirmou que sua decisão foi meramente técnica e adstrita à presença
dos requisitos processuais que justificam a concessão da liminar
(plausibilidade do direito e perigo da demora). Não foi discutido
mérito da questão, ou seja, a nocividade à saúde
dos trabalhadores.
Manus afirmou que os prejuízos
decorrentes da demora no julgamento final da demanda são flagrantes
em razão das multas diárias impostas à empresa em
caso de desrespeito à ordem judicial. “A tese adotada foi
a de que, a par da discussão da nocividade à saúde
do trabalhador e dos consumidores de cigarro, o que foge à competência
da Justiça do Trabalho, o fato é que a empresa desenvolve
atividade lícita no País e, nesse contexto, ao ser impedida
de realizar a avaliação da qualidade do bem por ela produzido,
por meio de empregados provadores de cigarros, certamente estará prejudicada
quanto à questão da livre concorrência, na medida
em que as outras empresas do mesmo ramo não foram acionadas pelo
Ministério Público do Trabalho”, afirmou Manus, ao
expor as razões que o levaram a conceder a liminar.
O Tribunal Regional do Trabalho
da 1ª Região (RJ) manteve a sentença dada na ação
civil pública que, acolhendo as alegações do MPT,
aplicou à empresa Souza Cruz as seguintes condenações:
obrigação de não fazer no sentido de abster-se de
utilizar mão-de-obra para a prova dos cigarros, sob pena de multa
diária de R$ 10 mil; obrigação de fazer referente à manutenção
e garantia de assistência médica aos trabalhadores, por
30 anos, sob pena de multa diária de R$ 10 mil; e obrigação
de fazer relativa a tratamento antitabagista aos empregados, sob pena
de multa de diária de R$ 10 mil.
O ministro Manus ressaltou que
a execução provisória do acórdão do
TRT do Rio de Janeiro, sem que o recurso de revista seja julgado no TST,
certamente iria afetar a atividade empresarial, em prejuízo do
princípio da livre concorrência na iniciativa privada. “Tal
conclusão advém do fato de que a empresa não poderá se
valer de todos os meios para o controle de qualidade de sua produção,
o que não ocorrerá com as suas concorrentes, porquanto,
não foram acionadas pelo Ministério Público do Trabalho”,
concluiu o ministro Pedro Paulo Manus. (A-AC 202843/2008-000-00-00.6)
(Virginia Pardal)
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23/04/2009
Pleno do TST cancela Orientação
Jurisprudencial nº 205 da SDI-1
O Pleno do Tribunal Superior
do Trabalho decidiu hoje (23), por unanimidade, cancelar a Orientação
Jurisprudencial nº 205 da Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-1), que trata da competência material da Justiça
do Trabalho para julgar ações relativas ao desvirtuamento
das contratações especiais (temporárias) por entes
públicos. A proposta de cancelamento foi apresentada pela Comissão
de Jurisprudência e Precedentes Normativos do Tribunal.
A OJ 205 admitia a competência
da Justiça do Trabalho “para dirimir dissídio individual
entre trabalhador e entre público se há controvérsia
acerca do vínculo empregatício”, e estabelece que “a
simples presença de lei que disciplina a contratação
por tempo determinado para atender a necessidade temporária de
excepcional interesse público (artigo 37, inciso IX, da Constituição
Federal) não é o bastante para deslocar a competência
da Justiça do Trabalho se se alega desvirtuamento em tal contratação,
mediante prestação de serviços à Administração
para atendimento de necessidade permanente e não para acudir a
situação transitória e emergencial.”
O presidente da Comissão
de Jurisprudência, ministro Vantuil Abdala, explicou que o Supremo
Tribunal Federal, em diversos julgados, já se manifestou em sentido
contrário a essa tese, entendendo pela incompetência da
Justiça do Trabalho para apreciar demanda relativa à contratação
temporária por ente público, inclusive em reclamações
ajuizadas contra decisões do TST.
(Carmem Feijó)
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