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GAZETA DO POVO, 27 de abril
de 2009 | Economia
Desemprego
OIT diz que 50 milhões perderão
o trabalho
Washington - Mais 50 milhões
de trabalhadores poderão juntar-se aos desempregados em todo o
mundo, em 2009 e 2010, se a reativação econômica
for tão lenta quanto prevê o Fundo Monetário Internacional
(FMI), disse o diretor-geral da Organização Internacional
do Trabalho (OIT), Juan Somavia. “Estamos certamente a caminho
desse resultado desolador”, afirmou.
A projeção foi
reforçada pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos,
Timothy Geithner, que prevê que o desemprego nos Estados Unidos
ainda vai subir, depois de ter alcançado em março o recorde
em 26 anos, 8,5%. As previsões para o resto do mundo rico não
são melhores e só haverá recuperação
para valer quando o saneamento dos bancos estiver avançado: este
mantra foi repetido incessantemente por ministros, presidentes de bancos
centrais e altos funcionários do Fundo, em reunião encerrada
ontem.
Os bancos ainda estão
cheios de ativos podres – créditos de alto risco – e
a limpeza continua lenta, principalmente nos Estados Unidos. As autoridades
americanas foram pressionadas dentro e fora dos salões do FMI
para apressar o trabalho. Nos Estados Unidos, o esquema proposto pelo
governo do presidente Barack Obama inclui a participação
de investidores privados.
Mesmo na Europa, onde a intervenção
no mercado está mais avançada e os governos já aplicaram
150 bilhões de euros na recapitalização dos bancos,
o setor continua frágil, segundo o comissário da União
Europeia (UE) para assuntos econômicos e monetários, o espanhol
Joaquín Almunia.
A projeção
do FMI de recuperação no mundo rico a partir do próximo
ano tem como pressuposto o início da normalização
dos mercados de crédito. No mundo desenvolvido, a atividade
econômica é muito mais dependente do crédito do
que em países como o Brasil, onde os empréstimos ao setor
privado estão próximos de 40% do PIB. Nos países
avançados essa relação corresponde ao dobro ou
triplo da observada na economia brasileira.
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UOL NOTÍCIAS, 27 de abril de 2009
Trabalhadores da construção
civil de São Paulo iniciam campanha salarial
Marli Moreira
Da Agência Brasil
Em São PauloCom uma passeata pelas
ruas e avenidas da zona sul da capital paulista e uma greve de advertência
de 24 horas, iniciada à 0h desta segunda-feira (27), os trabalhadores
da construção civil do Estado de São Paulo iniciaram
a campanha salarial da categoria, que tem data-base em 1º de
maio.
Só na capital paulista,
estão cadastrados cerca de 300 mil empregados do setor. Em todo
o Estado, há 850 mil trabalhadores. A categoria reivindica aumento
real de salários de 5,5%, além da reposição
da inflação no período dos últimos 12 meses,
vale -refeição no valor de R$ 20 e participação
nos lucros da empresa, entre outras melhorias.
Participam do ato na capital
paulista o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva,
o Paulinho, e pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil de São Paulo (Sintracon-SP), Antonio de Souza Ramalho.
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GAZETA DO POVO, 27 de abril
de 2009 | Economia
Trabalho
PR: Mínimo regional reajustado
chegará a
175 mil pessoas
Aumento de 14,9% no piso salarial paranaense
começa a valer em 1º de maio; faixa mais alta será de
R$ 629
Publicado em 27/04/2009 | Alexandre Costa
Nascimento
Nesta semana, cerca de 175 mil trabalhadores de seis grandes grupos ocupacionais
passam a contar com o reajuste de 14,9% no salário mínimo regional.
O novo piso entra em vigor em 1º de maio e será aplicado em seis
faixas diferentes, variando de R$ 605,52 a R$ 629,65.
Segundo estudo preliminar do
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), o novo salário mínimo paranaense deve colocar
aproximadamente R$ 270 milhões a mais na economia do estado até o
fim de 2009.
O piso regional é válido apenas para trabalhadores formais – com
carteira assinada – de categorias que não têm acordo coletivo
de trabalho ou organização sindical, como açougueiros,
jardineiros, trabalhadores rurais, zeladores e empregadas domésticas.
O benefício, que é até 35,2%
superior ao salário mínimo nacional, passa a valer pelos
dias trabalhados em maio, devendo ser pago até o 5º dia útil
de junho. As faixas de contribuição previdenciária
com o novo mínimo variam de R$ 69,26 a R$ 66,60 para os empregadores
e de R$ 50,37 a R$ 48,44 para os assalariados.
O maior grupo de beneficiados é formado
por empregadas domésticas – representando 45% do total – com
79 mil trabalhadoras contratadas sob regime da CLT. A presidente da Associação
de Apoio às Empregadas Domésticas (Aapezi), Eulália
Ventura, avalia que o reajuste vai garantir o aumento do poder de compra
da categoria.
“A maioria das trabalhadoras
registradas recebe o piso regional, o que é bom. Mas é preciso
ficar de olho, pois algumas patroas arredondam o valor para baixo e a
empregada, com medo de perder o emprego, acaba aceitando”, afirma.
Segundo a presidente, a associação e o sindicato da categoria
orientam as trabalhadoras a exigirem o pagamento integral do mínimo. “Esperamos
que as patroas tenham consciência e repassem o reajuste integral às
trabalhadoras”.
De acordo com levantamento do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Paraná possui
aproximadamente 330 mil empregadas domésticas. Destas, apenas
26,41% trabalham com carteira assinada e poderão ser beneficiadas
pelo reajuste do piso salarial.
A diferença entre o salário
mínimo das domésticas no Paraná e o mínimo
nacional chega a R$ 145. O salário mínimo paranaense para
a categoria, enquadrado na quinta faixa, é de R$ 610,12, enquanto
o piso nacional é de R$ 465.
“O empregador que contrata
uma doméstica, ou qualquer outro trabalhador, de maneira informal
ou desrespeitando a determinação do salário mínimo
regional corre o risco de ser obrigado pela Justiça do Trabalho
a pagar todas as diferenças”, alerta o economista técnico
do Dieese, Sandro Silva.
Descontos
É importante lembrar que a CLT proíbe o empregador de descontar
qualquer quantia do salário do empregado, exceto quando em casos de adiantamento
salarial ou de dispositivos previstos em lei ou em contrato coletivo. Mesmo em
caso de algum dano causado pelo empregado – como a quebra de algum objeto
ou equipamento – o desconto só será legal se tiver sido acordado
previamente, com uma autorização ou documento que comprove, ou
se ficar configurada atitude de má-fé do empregado.

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GAZETA DO POVO, 27 de abril
de 2009 | Economia
Trabalho
Piso estadual influencia negociações
salariais
Além dos 174,3 mil trabalhadores formais não sindicalizados das
categorias diretamente impactadas com o aumento do salário mínimo
regional, outros 273,6 mil devem se beneficiar do reajuste, segundo cálculo
do Dieese. São trabalhadores de categorias com representação
sindical que utilizam o índice de reajuste do mínimo para negociar
a renovação das convenções coletivas.
Os trabalhadores de serviços gerais e atendentes de balcão da
indústria de panificação, por exemplo, obtiveram um reajuste
real de 20% desde a implantação do piso paranaense, em 2006. “O
mínimo regional serviu como instrumento para aumentar o poder de negociação
na data-base. O salário destes trabalhadores conseguiu apresentar um
razoável ganho nos últimos anos”, avalia o presidente da
Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação
do Estado do Paraná (Fitia-PR), Ernane Garcia Ferreira.
Atualmente, o piso de um balconista
de padaria é de R$ 506 – próximo à faixa 5
do mínimo regional, de R$ 527. Já para um auxiliar de limpeza,
o piso é de R$ 499,40. O reajuste do piso estadual coincide com
a data-base da categoria. Com isso, a expectativa do Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias de Panificação é a de forçar
um aumento proporcional.
O diretor do Sindicato dos Empregados
no Comércio de Curitiba (Sindicom), José Milton Camargo,
confirma que a categoria vem conseguindo negociações com
ganho real com base no reajuste do mínimo regional. “Não
existe um parâmetro indexador, mas o mínimo regional serve
como base para o início da negociação”, afirma
o sindicalista. A categoria também tem data-base em maio. (ACN)
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FOLHA DE SÃO PAULO,
27 de abril de 2009 | Dinheiro
Crise impulsiona a renovação
do FMI
Instituição ganha importância
no socorro a países em dificuldade e terá reforço
de caixa de pelo menos US$ 500 bilhões | Nações
emergentes como Brasil, Rússia, Índia e China aproveitam
recessão nos países ricos para exigir mais peso nas
decisões do Fundo
ENVIADO ESPECIAL A WASHINGTON
Em pouco mais de seis meses,
a crise financeira global produziu mudanças no FMI (Fundo Monetário
Internacional) que quase cinco anos de negociações entre
países desenvolvidos e emergentes não haviam conseguido.
Paradoxalmente, a crise também tirou o FMI do "limbo" em que
estava metido. Há um ano, a discussão em Washington era como
o Fundo se financiaria e quantos funcionários demitiria. Agora, o FMI
sai de sua reunião encerrada ontem com a promessa dos países
de reforçar seu caixa em pelo menos mais US$ 500 bilhões.
Por trás dessa "transformação" do FMI está o
fato de que todos os países desenvolvidos, sem exceção,
devem amargar retração ou crescimento zero em 2009. O mundo só não
afundará mais neste ano por conta dos emergentes. E o Fundo conta com
muitos deles para captar recursos e socorrer países-membros em dificuldade.
A estratégia dos países em desenvolvimento agora é acelerar
a consolidação das mudanças, consideradas ainda "precárias
e reversíveis", antes que um cenário econômico mais
favorável volte. O temor é que, passada a crise, as grandes potências
mundiais voltem a emperrar a ambição dos emergentes por mais
peso nas decisões de FMI e Banco Mundial -como vinham fazendo há anos.
O G20 (grupo que representa 85% da economia mundial e onde estão Brasil, Índia
e China) quer se consolidar como fórum permanente, aposentando o G7
(Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá e
Japão).
Para isso, já marcou três novas reuniões neste ano, em
maio, julho e setembro -esta última com a presença dos chefes
de Estado de cada país.
Na prática, o "secretariado" dos países emergentes
que participam no G20 são, quase todos, seus funcionários no
FMI. Por isso, têm tentado avançar em grupo tanto na direção
de consolidar as mudanças no Fundo quanto para estabelecer o G20 como
principal fórum internacional do mundo.
Além de procurar consolidar o G20, os emergentes conseguiram, nos últimos
seis meses, ao menos três avanços de seu interesse e considerados
fundamentais, entre eles:
1) Já está funcionando a Linha de Crédito Flexível,
que permite a países em dificuldade sacar recursos sem as tradicionais
condicionalidades do Fundo -como intromissão na política de juros
ou de despesas públicas. O México já tomou US$ 47 bilhões.
Colômbia (US$ 10 bilhões) e Polônia (US$ 20 bilhões)
são os próximos;
2) Ficou marcada para janeiro de 2011 a data-limite para um acordo sobre a
reforma do sistema de cotas do Fundo, que dará mais poder de voto aos
emergentes. Hoje, alguns países europeus com economias menores têm
mais poder no Fundo do que China e Brasil.
Hoje, a cota do Brasil é de 1,8%. Dos EUA, 17%. Dos europeus juntos,
cerca de 30%;
3) O Fundo concordou com a proposta dos Brics (Brasil, Rússia, Índia
e China) de criar um "bond" (título) que os emergentes comprarão
do FMI para reforçar seu caixa.
Os detalhes desse "bond" estão sendo negociados, mas o diretor-gerente
do FMI, Dominique Strauss-Khan, disse no fim de semana ter "certeza de
que este instrumento será usado".
A estratégia dos Brics é que esse título seja temporário,
pois não querem permitir que o FMI tenha um instrumento que acabe resolvendo
seu problema de caixa. Pois isso poderia adiar a reforma das cotas, que é por
onde tradicionalmente o Fundo levanta dinheiro entre seus 185 sócios.
Ontem, na entrevista de encerramento da reunião, Strauss-Khan reafirmou
a intenção de mudar o peso das cotas, mas frisou que não é só por
meio delas que os países têm voz no Fundo.
" Em 2008, por exemplo, o Brasil teve sua cota aumentada de 1,4% para 1,8%,
o que não muda muito. Mas o país está se transformando em
um grande "player" [participante] da economia mundial graças à liderança
do presidente Lula. Claro que a mudança será importante, mas o
Brasil e outros emergentes não são ouvidos só pelo tamanho
de suas cotas", afirmou Strauss-Khan.
Já o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, afirmou que "já é tempo
de promover a mudança nas cotas para que os países emergentes
sejam melhor representados". (FERNANDO CANZIAN)
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FOLHA DE SÃO PAULO,
27 de abril de 2009 | Brasil
Estados maquiam gasto com pessoal para
cumprir a LRF
Entre artifícios usados estão
exclusão de despesas com pensões e supressão
do IR pago | Diferentes aplicações da lei dificultam
avaliação da real situação financeira
dos governos diante da previsão de queda de arrecadação
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
ANA MARIA DE FREITAS
DA REDAÇÃO
Do Oiapoque ao Chuí. E,
com aval -ou até mesmo por força- de decisões dos
tribunais de contas, pelo menos 21 Estados adotam interpretações
legais que aliviam, no papel, o peso dos gastos com pessoal. Da exclusão
de despesas com aposentados à supressão do Imposto de Renda
pago, artifícios acabam por maquiar o impacto da folha sobre a
arrecadação para a apuração da LRF (Lei de
Responsabilidade Fiscal).
A LRF fixa diferentes tetos de gastos com a folha de pagamento para os três
Poderes. Um governo estadual pode gastar, por exemplo, até 49% do que
arrecada com pessoal.
Superados os limites -aplicáveis ao Judiciário, ao Ministério
Público, às Assembleias e aos TCEs (Tribunais de Contas Estaduais)-
o Estado tem um prazo de até dois quadrimestres para corte de gasto.
Do contrário, perde direito às transferências voluntárias
da União e a empréstimos.
Mas as diferentes aplicações da mesma lei podem dificultar a
avaliação do real comprometimento dos Estados neste ano pré-eleitoral.
Uma delas é a retirada do Imposto de Renda do cálculo de despesa.
Como empregador, o Estado paga ao servidor um salário bruto, do qual
parte é retida para o IR. Só que, como são os Estados
que ficam com o dinheiro, alguns não o computam como gasto nem como
receita.
Em resposta a questionários enviados pela reportagem a governos e TCEs,
Rio Grande do Sul, Paraná, Tocantins, Goiás e Rondônia
informaram que tiram o IR da conta.
Já o Rio Grande do Norte chegou a ser alvo de ação do
procurador-geral junto ao TCE-RN, Carlos Thompson Fernandes, pela adoção
da mesma prática.
Secretário-executivo e titular do Ministério do Planejamento
durante a implantação da LRF, o hoje secretário estadual
Guilherme Dias (ES) explica, com um exemplo hipotético, que a dedução
pode funcionar como artifício para que o Estado declare um comprometimento
menor com pessoal.
Se um Estado arrecada R$ 100 e gasta R$ 65 com pessoal, sendo R$ 10 de IR,
as despesas somam 65%. Mas, se o Estado excluir esses R$ 10, o percentual cairá para
61% (R$ 55 correspondem a 61% de R$ 90).
" Essas manobras são como tirar o sofá da sala, porque a baixa
capacidade de investimento do Estado continua", afirma Guilherme Dias.
Estados como Goiás e Rio Grande do Sul não incluem os gastos
com pensões. E, a exemplo de Rondônia e Tocantins, o TCE-MG exclui
inativos e pensionistas do cálculo, sob o argumento de que "não
podem ser contingenciados [congelados] pelos administradores".
Embora o secretário de Finanças de Minas, Simão Cirineu,
afirme que o Estado declara os gastos com aposentadorias e pensões,
os outros Poderes -inclusive o TCE- estão liberados. Com isso, Minas
-onde até o Executivo chegou à beira do limite prudencial- viu
adiada a ameaça de retenção de repasses ao governo do
Estado.
Mas o próprio Cirineu reconhece que, com a queda de receita, o Estado
está prestes a estourar o teto prudencial (de 46,55%), a partir do qual
reajustes e contratações ficam proibidos. "O gasto com pessoal
vai aumentar. Porque a receita está caindo, mas as despesas com pessoal
não", explica.
Na prestação de contas ao Tesouro, o governo do Amazonas também
não declara gastos com inativos e pensionistas.
Inspirado na Paraíba, o TCE-RN concentra no Executivo os registros de
gastos com aposentadorias de outros Poderes.
E, no Rio de Janeiro, a decisão do governo de engrossar, desde 2008,
os cofres do fundo de previdência com royalties acabou afetando a relação
do pessoal sobre a receita. Como o fundo cobriu os gastos com a aposentadoria
e pensões, o dinheiro -que chegou a R$ 4,3 bilhões no ano passado-
não foi registrado como despesa do Estado com inativos. Mas foi mantido
entre a receita.
" Essa é uma incongruência da lei. Mas, mesmo que se exclua
da base essa receita, o Rio fica bem abaixo dos limites", alega o subsecretária
de Política Fiscal do Rio, George André Palermo, que chegou a fazer
um cálculo, segundo o qual o gasto do Estado com pessoal passaria de 23,91%
a 27,64%.
No Espírito Santo e no Ceará, o registro da "receita cheia" -sem
a declaração de benefícios fiscais concedidos- também
alivia o impacto da despesa sobre a folha.
Além de excluir verbas indenizatórias, como diárias e
auxílio-alimentação, Santa Catarina descarta as despesas
com "locação de mão-de-obra - serviços terceirizados".
Está aí um dos pontos mais controversos. Pela LRF, "os contratos
de terceirização de mão-de-obra que se referem à substituição
de servidores e empregados públicos serão contabilizados como "outras
despesas de pessoal". O manual do Tesouro dispensa os contratos que não
se refiram a atividades fins de Estado.
Com isso, Estados como São Paulo, Piauí, Amapá, Mato Grosso
do Sul, Acre e Roraima não declaram qualquer gasto de mão-de-obra
terceirizada. "Não estamos substituindo servidores por terceirizados",
justifica o secretário de Fazenda do Estado de São Paulo, Mauro
Ricardo Costa.
" Um dos problemas no cumprimento dos limites de despesa com pessoal é a
diversidade de posicionamentos, todos visando sempre a flexibilizar os parâmetros",
disse Thompson.
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GAZETA DO POVO, 27 de abril
de 2009 | Vida Pública
Saúde em risco
Dilma pode antecipar campanha para
2010
Otimista com o tratamento para se curar de
um câncer linfático, ministra cogita sair do governo
mais cedo para se dedicar à eleição do ano que
vem
Pré-candidata do PT à sucessão do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, está tão
otimista em relação ao sucesso do tratamento para combater o
tumor detectado em seu sistema linfático que investe nos planos políticos
e admite até mesmo a possibilidade de antecipar a saída do governo
para se dedicar à campanha.
Em conversas reservadas com amigos,
no fim de semana, Dilma disse que, se tudo correr bem como preveem os
médicos, o ideal será reforçar a maratona eleitoral
a partir de janeiro de 2010, mesmo porque agora ficará difícil
acumular as atividades. Hoje, por exemplo, ela terá agenda cheia
em Manaus, ao lado de Lula. Amanhã, também na capital do
Amazonas, comandará mais uma reunião de balanço
do PAC.
O afastamento antecipado da ministra, porém, não é consenso.
Enquanto alguns avaliam que ela ficará sobrecarregada se tiver de “carregar” as
funções de gerente do governo com a candidatura logo após
passar por um tratamento delicado de saúde, com quimioterapia, outros
acreditam que sua permanência na Casa Civil até o prazo-limite
ainda é a melhor vitrine para a campanha. Pela lei, a ministra deve
deixar o cargo até 3 de abril de 2010, seis meses antes do primeiro
turno da eleição presidencial.
Nos bastidores, auxiliares de
Lula avaliam que a divulgação da doença não
só é importante para pôr fim às especulações
como vai aproximar Dilma da população, “humanizando” a
candidata. O deputado federal Ricardo Barros (PP) é um dos que
acham que diante da indesejável descoberta do câncer, a
ministra pode colher votos. “A notícia (do câncer)
atrapalha um pouco em relação aos compromissos, mas ao
mesmo tempo pode ajudar. A Dilma ainda é pouca conhecida do eleitorado
e por conta dessa exposição mais pessoas vão ficar
conhecendo ela”, disse Barros. Apesar de concordar na questão
da maior exposição da Dilma, o deputado federal do PT,
André Vargas, diz que a doença atrapalha no momento em
que ela tem de deixar seus compromissos como ministra e virtual candidata
para fazer a quimioterapia. “As especulações sobre
a gravidade da doença podem atrapalhar, mas não acredito
que isso (a doença) possa interromper a campanha”, afirmou
o petista.
A divulgação do
problema de saúde da ministra gerou insegurança entre os
aliados do governo. Surpreendidos com a notícia, procuraram adotar
o tom da cautela, mas mostraram-se certos de que, pelo menos neste momento,
as costuras para o palanque de 2010 ficam em compasso de espera. “Tudo
vai depender da evolução do quadro clínico da ministra.
Estamos agora torcendo para que ela se recupere e que isso não
influencie em nada (as negociações e a candidatura de Dilma
para 2010)”, resumiu o presidente da Câmara e uma das principais
lideranças do PMDB, o deputado Michel Temer (SP).
O anúncio da doença
abriu espaço para especulações sobre uma possível
mudança de candidato do PT – o que Lula considerou “abominável”.
O presidente ficou ainda mais contrariado ao saber que a oposição
vislumbra o PT ressuscitando a tese do terceiro mandato para ele, sob
o argumento de que o partido não conta com outros nomes eleitoralmente
fortes. Para o presidente, análises assim são “infundadas
e desrespeitosas”.
Chance
de cura é de 90%
Flávia Alves
Responsáveis por cerca
de 4% de todos os tipos de câncer, os linfomas não-Hodgkin – como
o de Dilma Rousseff – são causados pela proliferação
desordenada das células dos linfonodos, que atuam na defesa do
organismo. Estima-se que ele atinja 69 em 100 mil pessoas com mais de
65 anos. No caso de Dilma, foi encontrado, há um mês, um
nódulo de aproximadamente 2,5 centímetros na axila esquerda.
Segundo os médicos do Hospital Sírio Libanês, que
cuidam do caso, a ministra fará quimioterapia por quatro meses
e as chances de cura são de 90%.
De acordo com o hematologista
e oncologista do Hospital Erasto Gaertner Johnny Camargo, o elevado grau
de cura se deve, principalmente, ao fato de Dilma ter descoberto a doença
ainda na fase inicial. “O tumor de Dilma era do tipo 1A, ou seja,
na fase inicial”, explica. “Partindo das informações
prestadas pelos médicos, é provável que a ministra
esteja em plenas condições de disputar a presidência
em 2010, sem precisar se afastar para o tratamento, já que as
drogas utilizadas atualmente têm bem menos efeitos colaterais do
que há algum tempo.”
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de
abril de 2009 | Política
Deputados têm ajuda de custo
anual de R$ 16,9 mi
Verba eleva para 15 os salários
na Câmara e Senado
Brasília - Originalmente defendida como uma verba extra para pagar as
despesas com transporte e a com a mudança da família do parlamentar
do Estado de origem para Brasília, a Câmara gasta por ano até R$
16,9 milhões com pagamento de ajuda de custo para os 513 deputados.
A verba, igual a um salário do parlamentar - R$ 16.512,09 -, é paga
no início do ano legislativo e, novamente, no final do ano para cada
deputado e cada senador. O recurso seria para cobrir as despesas que o parlamentar
teria em levar sua família para ficar em Brasília durante o período
de trabalho e, no fim do ano, fazer o percurso de volta e garantir a presença
da mulher e filhos no Estado durante o recesso parlamentar.
Apesar do pagamento da ajuda
de custo, deputados reclamam agora do fim da possibilidade de usar a
cota de passagem aérea pelo cônjuge e pelos filhos, que
poderia garantir a presença mais frequente da família em
Brasília. As ajudas de custo elevam para 15 o número de
salários anuais pagos aos deputados e senadores, mas esse total
já chegou a 19. Em janeiro de 2006, a Câmara, presidida
pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), aprovou o fim do pagamento de duas
ajudas de custo quando havia convocação extraordinária
do Congresso durante os meses de recesso parlamentar. O Senado acompanhou
a decisão da Câmara.
Como as convocações
podem ser feitas em julho e janeiro, os deputados e senadores chegavam
a receber até quatro salários a mais por ano. Esse reforço
na conta bancária levava, habitualmente, às convocações
extraordinárias regulares do Congresso durante o recesso. Depois
do fim do pagamento das ajudas, nunca mais houve convocação
extraordinária.
Com o tempo e com o fato de a
grande parte dos deputados manterem suas famílias no Estado, o
pagamento da ajuda de custo passou a ser justificada pelas despesas extras
que, eventualmente, o deputado tenha de fazer, o que provocou também
o apelido de ''auxílio-paletó''. A ajuda de custo integral
era concedida também aos suplentes que assumiam, mesmo por um único
dia, o mandato parlamentar, com o afastamento temporário do titular
da vaga. Esse benefício foi cancelado no início do ano
pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que não
paga mais a ajuda integral quando o suplente assume por menos de um mês.
Denise MadueÀo
Agência Estado
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FOLHA DE SÃO PAULO,
27 de abril de 2009 | Brasil
STF vai julgar regra do TSE para substituição
de cassado
Decisão terá repercussão
sobre ações contra 6 governadores ameaçados
de perder cargo | Tendência é de uma decisão
apertada, pois há ministros incomodados com o fato de derrotados
na urna obterem mandatos pela via judicial
DA REPORTAGEM LOCAL
O STF (Supremo Tribunal Federal)
deve julgar ainda neste semestre a legalidade da interpretação
do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que conduz segundos colocados nas
eleições aos cargos de governadores e prefeitos cassados,
em vez de determinar a realização de novos pleitos para
definir os titulares dos mandatos.
A decisão do STF terá repercussão sobre processos contra
seis governadores ameaçados de cassação pelo TSE. O entendimento
aplicado pela corte já promoveu a substituição dos governadores
da Paraíba -José Maranhão (PMDB) no lugar de Cássio
Cunha Lima (PSDB)- e do Maranhão -Roseana Sarney (PMDB) no posto que
era de Jackson Lago (PDT).
O processo sobre a questão ganhou impulso na última quarta-feira,
quando o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, emitiu
seu parecer na causa, favorável ao entendimento do TSE.
A tendência é de uma decisão apertada no STF sobre o tema,
que envolve a discussão sobre a aplicação do princípio
da maioria, presente na Constituição.
Alguns ministros do STF afirmam estar incomodados com o fato de candidatos
rejeitados nas urnas conseguirem mandatos pela via judicial.
Porém, 3 dos 11 ministros do STF também são integrantes
do TSE e dificilmente irão votar contra a atual interpretação
da corte eleitoral.
O presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, tem a expectativa de que o julgamento
sobre o assunto ocorra ainda neste semestre. Mendes já chegou a conversar
sobre isso com o ministro Ricardo Lewandowski, relator de um dos processos
que envolvem a questão.
Em sabatina da Folha, em março, Mendes afirmou que não poderia
falar sobre os casos em trâmite no STF, mas disse que "a intervenção
da Justiça Eleitoral deveria ser, tanto quanto possível, minimalista
e preventiva, para não alterar o resultado eleitoral, porque muitas
vezes há o abuso do abuso. Muitas vezes temos o processo do primeiro
lugar, que é julgado procedente, e temos também em tramitação
o processo do segundo lugar".
O atual mecanismo de preenchimento de cargos de políticos cassados foi
definido pelo TSE em dezembro, após uma consulta do Tribunal Regional
Eleitoral do Piauí.
O TSE determinou que, após uma cassação, o segundo turno
da eleição deve ser desconsiderado. Para definir o vencedor do
pleito, passa a valer a votação do primeiro turno, que é recalculada
descontando-se os votos do cassado.
A ação em trâmite no STF mais adiantada sobre o assunto é uma
ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) do
PSDB. Segundo a ação, o entendimento do TSE sobre substituição
de cassados, sem novas eleições, viola o princípio constitucional
da maioria presente, por exemplo, no artigo 77 da Constituição.
O artigo refere-se ao pleito para a presidência da República e
prevê que será eleito "o candidato que (...) obtiver a maioria
absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos". Esse
dispositivo legal também determina a realização de segundo
turno, caso nenhum candidato obtenha maioria no primeiro turno.
Segundo a ação, a interpretação do TSE também
desrespeita a vontade popular manifestada nas urnas e permite que candidatos
rejeitados nas eleições cheguem ao poder.
No seu parecer no caso, o procurador-geral afirma que o entendimento do TSE
não viola o princípio da maioria. "Não é a
pura soma de votos que deva significar a escolha democrática de um governante.
Pensado assim, o conceito de maioria teria que ignorar as objeções
que temos, satisfatoriamente justificadas, aos votos arrecadados sob influência
do poder econômico e político."
Para o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, a solução de preencher
os cargos dos cassados a partir da consideração dos votos dos
outros candidatos no primeiro turno concilia o princípio da maioria
com o da legitimidade em eleições limpas. (FLÁVIO FERREIRA)
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VERMELHO, 27 de abril de 2009
| Movimentos
Domésticas querem mudança
na Contituição por direitos iguais
As empregadas domésticas
querem ter direitos trabalhistas iguais a todos os demais brasileiros,
diz a presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras
Domésticas (Fenatrad), Creusa Maria e Oliveira. Por isso, a categoria
luta por uma mudança na Constituição Federal, que
as diferencia em relação aos outros trabalhares.
O Artigo 7º da Constituição
tem um parágrafo único estabelecendo a que têm direito.
Com isso, ficam fora direitos como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) e a multa de 40% sobre seu saldo, em caso de demissão sem
justa causa, salário família, horas extras, adicional noturno,
seguro-desemprego e várias outras conquistas dos trabalhadores.
A mudança desse artigo
faz parte de uma proposta que está sendo elaborada pelo governo,
envolvendo a secretarias especiais de Políticas para Mulheres
e da Igualdade Racial. Mesmo antes de chegar ao Congresso, ela encontra
resistência, de acordo com Creusa. A Fenatrad estima que existam
no Brasil cerca de 8 milhões de trabalhadoras domésticas — a
grande maioria mulheres e negras.
“A resistência vem
dos empregadores. Representantes dessa classe defendem que seja aprovado
a proposta de autoria da ex-deputada Benedita da Silva, que prevê alguns
direitos. Só que, para nós essa proposta, já está ultrapassada”,
argumentou Creusa. “Vários direitos previstos nela já nos
foram dados por meio de decreto. Queremos a mudança na Constituição,
acabando com a discriminação. Só isso nos dará direito
a todas as conquistas trabalhistas.”
“Não queremos conquistar
nossos direitos a conta-gotas. Queremos direitos de forma ampla”,
completou. A proposta que as domésticas rejeitam foi apresentada
por Benedita da Silva em 1988. Nesta segunda-feira (27), comemora-se
o Dia Nacional das Trabalhadoras Domésticas. Creusa lembrou que
a luta organizada das empregadas domésticas já tem mais
de 70 anos no Brasil. “Teve início em 1936, com a criação
da primeira associação, em Santos [SP] por Laudilena dos
Campos Melo."
No entanto, só em 1972 é que
elas conquistaram por lei o direito a 20 dias de férias por ano,
carteira assinada e o direito à Previdência Social. Depois
disso, a Constituição de 1988 garantiu às domésticas
direito ao salário mínimo, ao 13º salário,
aviso prévio e descanso semanal aos domingos. Em 2006, uma lei
deu direito à estabilidade no emprego em caso de gestantes, folgas
nos feriados, aumentou de 20 para 30 dias o período de férias
e impediu o empregador de descontar despesas com alimentação
e moradia do salário das trabalhadoras.
Creusa acredita que não
haverá retração do mercado de trabalho em um cenário
de direitos iguais "Precisamos trabalhar, e o empregador precisa
do nosso trabalho. Todas as vezes que se fala em direitos trabalhistas
das empregadas domésticas se levanta essa discussão como
entrave. Mas não faz sentido. É um mercado que continuará existindo,
porque nosso trabalho é necessário à vida das pessoas.”.
Da Redação, com
informações da Agência Brasil
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de
abril de 2009 | Economia
Funcionários da Caixa ameaçam
parar
Londrina - Arquitetos, engenheiros e advogados da Caixa Econômica Federal
de todo o país ameaçam cruzar os braços a partir de amanhã por
tempo indeterminado. Os funcionários da área técnica reclamam
a instituição de um plano de carreira, cargos e salários
e apontam que os salários que recebem estariam muito abaixo dos práticados
pelo mercado.
Em Londrina, o Sindicato dos
Bancários informou que a paralisação já foi
aprovada em assembléia realizada no último dia 22 de abril.
Hoje a noite, os servidores londrinenses se reunem novamente para definir
se deflagram a greve a partir da 0h00 de amanhã. O movimento pode
interferir, por exemplo, no andamento dos projetos do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) da Habitação.
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de abril de 2009 | Economia
Previdência vai formalizar autônomo
em 30 minutos
São Paulo - A formalização de trabalhadores autônomos
dentro do programa do microempreendedor individual, nova categoria do Simples
Nacional, será feita em 30 minutos nas agências da Previdência
Social.
A lei que criou o microempreendedor
individual entra em vigor no dia 1º de julho. Podem aderir ao programa
os profissionais com renda mensal de até R$ 3.000 (R$ 36 mil por
ano).
Com contribuições
de cerca de R$ 50 por mês - que inclui todos os impostos federais,
estaduais, municipais e a contribuição para a Previdência
Social -, esses trabalhadores terão direito aos benefícios
do INSS, como licença-maternidade, auxílio-doença
e aposentadoria por tempo de serviço.
De acordo com o Ministério
da Previdência Social, o processo de formalização
desses trabalhadores será feito imediatamente pelas agências
do INSS, como já acontece na concessão de aposentadoria
por idade e por tempo de contribuição e do salário-maternidade.
A expectativa é atrair
profissionais como feirantes, camelôs, vendedores ambulantes, manicures,
cabeleireiros e eletricistas. De acordo com dados do Sebrae, mais de
10 milhões de pessoas trabalham hoje na informalidade, sendo 3
milhões apenas no estado de São Paulo.
O trabalhador não vai
precisar fazer contabilidade nem emitir nota fiscal de venda para pessoas
físicas. O microempreendedor poderá ter apenas um empregado.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
27/04/2009
TST mantém validade de desmembramento
de sindicato de professores municipais
A preexistência de sindicato
que representa a categoria geral dos servidores públicos de determinado
município não impede a criação de sindicato
específico dos professores públicos do mesmo município.
Com este fundamento, a Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho
rejeitou recurso do Sindicato dos Servidores Municipais de Olinda (SISMO)
e manteve decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região
(PE) que reconheceu a legitimidade do Sindicato dos Professores da Rede
Municipal de Olinda (SINPMOL) como representante da categoria profissional. “Nosso
ordenamento jurídico contempla a possibilidade de criação
de sindicatos de categoria profissional diferenciada por desmembramento
de categoria”, observou o relator do processo no TST, ministro
Márcio Eurico Vitral Amaro, que não identificou no caso
a violação do princípio constitucional da unicidade
sindical.
A legitimidade do novo sindicato
foi reconhecida pelo TRT/PE em ação declaratória
de definição de base territorial. A disputa foi motivada
pelo desmembramento dos professores num sindicato específico,
diferente do sindicato preexistente, que representa todos os servidores
públicos municipais. Para o Regional, o modelo sindical brasileiro
(disciplinado nos artigos 511 e seguintes da CLT) foi recepcionado pela
Constituição Federal de 1988, que prevê o enquadramento
sindical pela categoria preponderante, mas excetua as categorias diferenciadas
e as profissões liberais.
O Sindicato dos Servidores Públicos
recorreu dessa decisão sustentando que o sindicato único
decorre de lei, e que os professores da rede de ensino, dentro da administração
pública de Olinda, são servidores municipais regidos pelo
mesmo regime jurídico dos demais. O sindicato alegou ainda que
cerca de 80% dos 910 professores municipais são seus filiados “por
livre e legítima opção”, e que sua presidente é,
ela própria, professora.
Ao analisar a argumentação,
o ministro Márcio Eurico Amaro observou que a Constituição
Federal, paradoxalmente, garante a liberdade sindical, desde que respeitada à unicidade
no tocante à base territorial (artigo 8º, inciso II). “O
fato essencial levado em consideração na CLT para a formação
de uma categoria profissional foi o exercício de um mesmo ofício,
pois acreditava-se que todos os que se encontram nessa mesma situação
compartilham de uma solidariedade natural”, explicou em seu voto.
A categoria diferenciada, por sua vez, é formada por empregados “que
exerçam funções diferenciadas por força de
estatuto profissional especial ou em consequência de condições
de vida singulares”.
O ministro destacou que a categoria
diferenciada não afronta a unicidade sindical porque, também
nessa hipótese, só se admite um sindicato por categoria. “Uma
das limitações impostas à categoria diferenciada é a
proibição de desmembramento, exatamente pelo fato de a
lei tratá-la como única.” Partindo da premissa de
que a mesma lógica se aplica ao setor público, o relator
não viu fundamento jurídico para, no caso, restringir a
liberdade sindical. Ao contrário, considerou salutar a criação
de sindicato específico, “porque os professores conhecem
de perto as necessidades e as particularidades que envolvem as reivindicações,
em fase da sua vida singular”. E exemplificou que, no âmbito
federal, a Lei 8.112/1990 não impede a edição de
leis específicas para o Poder Judiciário e a criação
de sindicatos específicos para os servidores do Judiciário. “Não
se olvide que a Constituição Federal (artigo 39, inciso
VI) garantiu aos servidores públicos civis o direito à livre
associação sindical”, concluiu. (RR-373/2007-102-06-00.3)
(Carmem Feijó)
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27/04/2009
Sétima Turma isenta farmácia
de dano moral em acidente com motoboy
A Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, em voto relatado pelo ministro Ives Gandra Martins
Filho, retirou da condenação imposta à empresa Souza,
Gobetti & Cia. Ltda. (cujo nome fantasia é Farmácia
Santa Terezinha) a obrigação ao pagamento de indenização
por danos morais no valor de R$ 10 mil a um entregador (motoboy), em
razão de acidente automobilístico ocorrido em 27/12/2002,
quando fazia uma entrega de remédio no centro de Londrina (PR).
O acidente deformou um dos ombros do motoboy, incapacitando-o para pilotar
motocicletas.
O ministro Ives Gandra Filho
verificou que a condenação foi imposta pelo Tribunal Regional
do Trabalho da 9ª Região (PR) mesmo sem ter havido culpa
da empresa pelo ocorrido. O TRT/PR acolheu recurso do motoboy e determinou
o pagamento da indenização com base na “teoria do
risco”, segundo a qual a empresa deve suportar os riscos sociais
de sua atividade econômica, assumindo a obrigação
de garantir a segurança e a integridade física e psíquica
dos seus empregados e de reparar eventuais danos causados, independentemente
de culpa.
Para o Tribunal Regional, o simples
fato de o motoboy ter sofrido redução de sua capacidade
de trabalho caracterizaria o dano moral, sem contar com o transtorno
que teve de suportar após o acidente de trabalho - como o afastamento
das atividades, a dor física e a realização de consultas
e exames médicos. No recurso ao TST, a defesa da farmácia
questionou o entendimento e obteve sucesso, salientando que a obrigação
de reparar o dano sofrido deve ser imposta apenas quando há dolo
ou culpa, o que não ficou caracterizado no caso. Seu recurso foi
acolhido, nesta parte, por unanimidade de votos.
O ministro Ives Gandra Filho
reconheceu que a atividade desenvolvida pelos motoboys é realmente
perigosa, mas ainda não há lei que garanta a esses profissionais
o pagamento de adicional de periculosidade, como ocorre com trabalhadores
que lidam com explosivos, inflamáveis e energia elétrica.
O relator também verificou que o motoboy foi indenizado, na esfera
civil, pelo motorista que causou o acidente. “Se, por um lado,
a norma civil não alcança a esfera trabalhista, por outro,
nenhuma atividade laboral está infensa a riscos de acidente, mas
a CLT somente admite o adicional de periculosidade para as atividades
de risco acentuado, o que descarta, em princípio, a inovação
da responsabilidade objetiva por risco em relação ao setor
de entrega de produtos em domicílio”, afirmou o relator.
Ives Gandra Filho acrescentou
que, para se apontar a responsabilidade do empregador, é necessária
a comprovação de que tenha havido dolo, imprudência,
negligência ou imperícia, bem como a ocorrência do
dano e a configuração do nexo causal. O TRT/PR baseou a
condenação na responsabilidade objetiva (prevista no Código
Civil, parágrafo único do artigo 927), em razão
do risco inerente à atividade da farmácia, mesmo reconhecendo
que não houve culpa do empregador. Na ação, a defesa
do entregador afirmou que a culpa da farmácia decorria da cobrança
de máxima agilidade feita ao motoboy, que o levava a se expor
aos riscos do trânsito. O entregador fazia em média 15 entregas
por dia com moto própria. Tinha salário fixo e recebia
R$ 0,25 por entrega. Hoje, é guarda de rua. (RR 3.336/2006-019-09-00.3)
(Virginia Pardal)
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27/04/2009
Jornalista de editora ganha horas extras
além da jornada de cinco horas
Jornalista que exerce funções
típicas da profissão tem direito a jornada especial de
cinco horas, independentemente de a empresa dedicar-se a atividade jornalística.
A partir desse entendimento, a Sétima Turma do Tribunal Superior
do Trabalho acolheu recurso de ex-empregada da Editora FTD S.A e reconheceu
o direito à jornalista.
A ex-funcionária trabalhou
cerca de dez anos na FTD S.A, editora de livros didáticos, realizando
atividades de jornalista na assessoria de imprensa, onde executava serviços
técnicos como apuração de informações,
entrevistas, redação, interpretação, correção
e coordenação de matérias para publicação.
A jornada de trabalho era de segunda a sexta-feira, das 7h30 às
14h15, mas se estendia até as 21h, em média três
vezes por semana.
Após ser demitida, em
outubro de 2000, a jornalista ajuizou reclamação trabalhista
na 49ª Vara do Trabalho de São Paulo (SP), pedindo, entre
outras verbas, o pagamento das horas extras excedentes da quinta hora
diária e da vigésima quinta semanal. A jornada especial
para jornalistas profissionais está prevista no artigo 303 da
CLT. A sentença de primeiro grau negou o pedido.
Não satisfeita, a jornalista
entrou com recurso no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(SP), reiterando a pretensão. O TRT/SP rejeitou novamente o pedido,
alegando que o direito à jornada de cinco horas somente seria
devido quando a atividade fosse exercida em empresas jornalísticas,
conforme o Decreto-Lei nº 972/1969, e não em editoras de
livros didáticos, como no caso.
Contudo, no julgamento do recurso
de revista, a Primeira Turma do TST trouxe interpretação
diversa da legislação. O ministro relator, Lelio Bentes
Corrêa, em seu voto, observa que era fato incontroverso que a ex-funcionária
desempenhava funções de jornalista, conforme expressamente
consignado no acórdão do TRT/SP. “Nessas circunstâncias,
não há como recusar à jornalista o direito à jornada
especial estabelecida em lei, ainda que a empresa se dedique a atividade
fim diversa”. O ministro destacou outras decisões do Tribunal
que se orientam no sentido de que o que norteia a as obrigações é a
atividade desenvolvida pelo profissional, sendo irrelevante o ramo da
empresa. A tese foi acolhida por unanimidade pela Primeira Turma, que
determinou o retorno dos autos ao TRT para reexaminar os pedidos. ( RR-91694/2003-900-02-00.0)
(Alexandre Caxito)
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