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Gazeta Mercantil, 1º de maio de 2009
Dieese prevê recuperação
do emprego no segundo semestre de 2009
A plena recuperação do mercado de trabalho
vai ocorrer a partir do segundo semestre. A estimativa é do
diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio,
que lançou ontem, em Brasília, o "Anuário
do Sistema Público de Emprego, Trabalho e Renda".
Apesar da perda de 797 empregos entre novembro do ano passado
e janeiro deste ano, Ganz Lúcio destacou que o Brasil
voltou a gerar saldo positivo na oferta de postos de trabalho,
e que o setor volta a decolar a partir da metade do ano. "O
primeiro semestre será difícil", admitiu ele.
O diretor do Dieese destacou que o Brasil continua crescendo,
mas em intensidade menor, enquanto os países ricos estão "queimando
empregos". Ou seja, o mercado de trabalho brasileiro sofreu
com a crise, crescendo mais lentamente, enquanto os países
ricos estão eliminando o estoque antigo de empregos.
As recentes perdas de postos de trabalho levaram o País
aos padrões de 2007 quanto ao nível de desemprego
atingia 15% da População Economicamente Ativa (PEA). "Voltamos à taxa
de desemprego de março de 2008, ou seja, perdemos o que
geramos no ano passado e voltamos à situação
de 2007. Já a Espanha voltou 20 anos."
O melhor momento no mercado de trabalho foi registrado no final
do terceiro trimestre do ano passado, quando o desemprego era
de 13,5%, e a pior situação ocorreu entre 2003
e 2004, com taxa de até 21,5% de desemprego. Conforme
Lúcio, dois terços dos empregos brasileiros estão
voltados para atividades do mercado interno, o que blinda o mercado
de trabalho contra as adversidades externas.
"Por isso a importância dos investimentos internos",
enfatizou o diretor, destacando a importância com a continuidade
das obras do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC) do governo federal como instrumento para manter a economia
aquecida e gerar empregos.
Lúcio lançou junto com o ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, o Anuário do Sistema Público de Emprego,
Trabalho e Renda, com dados consolidados até 2007. O estudo
traz informações sobre o comportamento do mercado
de trabalho, o vínculo empregatício do trabalhador,
idade, nível de formação e de qualificação,
distribuição regional do trabalho, entre outros.
Lupi disse que esse estudo ajudará na elaboração
de políticas públicas de apoio à geração
do emprego. "Dá uma radiografia para que a gente
possa discutir políticas públicas com os Estados
e os municípios, porque essas políticas não
dependem só da União", disse o ministro.
O estudo do Dieese mostra que em 2007 a PEA era de 98,845 milhões
de pessoas. Do total, 44% estava no Sudeste, 26% na região
Nordeste, 16% na região Sul, 7% no Centro-Oeste e 7% no
Norte. Entre os ocupados, 70% ganhavam no máximo três
salários mínimos. Às vésperas do
dia do Trabalho, Lupi admitiu que o trabalhador brasileiro ainda
ganha pouco, mas destacou avanços obtidos no governo Lula.
"De janeiro de 2003 até 1 de maio de 2009, o aumento
real para o salário mínimo foi de mais de 60%.
Todas as categorias tiveram aumento acima da inflação
nos últimos sete anos", disse Lupi, que deve anunciar
amanhã medidas como a ampliação do número
de parcelas do seguro-desemprego para novas categorias de trabalhadores.
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Folha Online, 1º de
maio de 2009
40 horas: CNBB defende redução
da jornada máxima de trabalho
A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) divulgou, nesta
quarta-feira (29), durante a 47ª Assembleia Geral da entidade, realizada
em Indaiatuba (SP), uma mensagem oficial para o Dia Internacional do
Trabalhador - que acontece nesta sexta, dia 1º.
No documento, a entidade afirma que a "queda nos
juros" e a "redução de jornada
de trabalho, sem redução dos salários" estão
entre "as aspirações do povo trabalhador" no
País.
"As aspirações do povo trabalhador,
por meio de suas organizações, indicam caminhos
para a consolidação dos direitos, tais como:
não às demissões, valorização
das aposentadorias, queda nos juros e redução
de jornada de trabalho se redução dos salários",
diz trecho do texto.
Outros pontos citados como "aspirações
do povo" são "a reforma agrária,
fortalecimento da agricultura familiar e agroecológica
e combate ao trabalho escravo e degradante".
No documento, intitulado "Mensagem da CNBB para o
Dia do Trabalhador - 1º de Maio", os bispos dizem
que a atual crise econômica mundial teve origem em
três fatores principais: "sistema neoliberal
globalizado, a falta de ética na economia e na regulamentação
do mercado, gerando corrupção e especulação".
"A crise financeira e econômica é apenas
uma parte da crise mais profunda, que é social,
política, cultural, ambiental, ética e espiritual",
diz outro trecho do texto.
Os bispos da Conferência afirmam ainda que a situação "corre
o risco de ser agravada, caso seja aprovada a Proposta
de Emenda Constitucional sobre a Reforma Tributária,
do modo como está sendo apresentada" atualmente
no Congresso Nacional, em Brasília.
"Ela [a proposta] atingiria o cerne do sistema de
seguridade social e reduziria gravemente a proteção
de mais de 36 milhões de trabalhadores aposentados
e pensionistas", conclui o documento da CNBB.
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O Globo, 1º de maio
de 2009
Com corte de juros,
caderneta amplia vantagem sobre fundos fixos
A redução da taxa básica de juros, Selic, ontem,
de 11,25% para 10,25% ao ano, pelo Banco Central (BC), deve tornar a
caderneta de poupança ainda mais atraente para os investidores.
Isso porque a aplicação passará a
ser ainda mais vantajosa em relação aos fundos
de renda fixa, que compram títulos públicos
atrelados à Selic. Em contrapartida, deve ficar
mais difícil a vida do pequeno investidor que aplica
nos fundos. Para esse público, as taxas de administração
passam de 4% ao ano e corroem boa parte da rentabilidade.
Segundo cálculos do matemático José Dutra
Sobrinho, o rendimento da poupança - garantida até R$
60 mil por CPF e sobre a qual não incide Imposto
de Renda (IR) - deve ficar em torno de 0,58% ao mês.
A rentabilidade é superior à média
de ganho estimada para os fundos com taxa de administração
de 1,5% ao ano ou superior.
Ou seja, para ganhar da poupança, agora será preciso
investir em fundos com taxa de administração
igual a 1% ao ano, ou menor.
Para o cálculo, o matemático considerou
um IR de 20% sobre a rentabilidade dos fundos de renda
fixa, mas a alíquota pode chegar a 22,5% para quem
ficar na aplicação menos de seis meses.
O rendimento da poupança leva em conta a rentabilidade
média de uma carteira de Certificados de Depósitos
Bancários (CDBs) emitidos por vários bancos,
descontada de um redutor, a Taxa Básica Financeira
(TBF), dependendo da Selic vigente.
Crédito será beneficiado por ganho menor
de tesouraria O problema é que os fundos com taxas
de administração menores só estão
disponíveis para investidores com muitos recursos.
Levantamento constatou que a aplicação mínima
média dos fundos que cobram de 0% a 0,50% ao ano é de
R$ 800 mil, resultando num universo de 99 fundos. Já nos
fundos que taxam entre 0,51% e 1%, a aplicação
mínima média é de R$ 85 mil, totalizando
53 fundos, de acordo com dados da Associação
Nacional de Bancos de Investimento (Anbid).
Já no comércio, a queda da Selic "terá um
efeito muito pequeno", segundo cálculos da
Associação Nacional dos Executivos de Finanças,
Administração e Contabilidade (Anefac). Os
juros para pessoas físicas devem cair cerca de 0,07
ponto percentual das taxas mensais.
No comércio, as taxas devem cair de uma média
de 6,18% para 6,11% ao mês. No cartão de crédito,
as taxas devem cair para 10,61% ao mês, e, no cheque
especial, para 7,68% mensais.
Mas, segundo a Anefac, o efeito no crédito será indireto,
já que a Selic mais baixa desestimula as aplicações
de tesouraria (em títulos públicos) dos bancos,
o que deve fazê-los emprestarem mais.
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Vermelho,
1º de maio de 2009
Lula chama de irresponsável
propaganda do PPS sobre poupança
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como irresponsável
a propaganda política do PPS em rádio e TV sobre as mudanças
em estudo para as cadernetas de poupança.
No horário eleitoral, o PPS sugere que o atual governo
fará mudanças na poupança semelhantes
ao confisco de depósitos bancários realizado
pelo governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello na década
de 1990.
"Fico muito preocupado quando as pessoas começam
a brincar com a economia. Teve um partido político que
teve uma atitude insana, mentirosa e de irresponsabilidade
total ao dizer que o governo brasileiro iria mexer na poupança",
disse Lula a jornalistas, sem citar a legenda.
Lula admitiu que a equipe econômica está estudando
alterações na fórmula de remuneração
da poupança.
"O povo brasileiro me conhece, sabe do meu comportamento
e das minhas atitudes e sabe que eu jamais iria tomar qualquer
medida que pudesse prejudicar as pessoas que investem em poupança,
que não é nem investimento. A poupança é apenas
uma garantia de não desvalorização do
dinheiro".
A mudança estudada pelo governo está associada à trajetória
declinante da taxa de juros básica da economia (Selic)
que torna o investimento em títulos públicos
menos interessante para os grandes fundos. Desta forma, grandes
investidores poderiam migrar para as cadernetas de poupança.
PT entrou com representação
no TSE
Na semana passada, a assessoria jurídica do PT encaminhou
um questionamento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre
as inserções do PPS. "Ao manipular informações
com o objetivo de alarmar as pessoas, o PPS age como uma sublegenda
dos neoliberais tucanos e a serviço do governador de
São Paulo, José Serra. O PPS utiliza de forma
indevida o horário partidário no rádio
e televisão para espalhar o pânico" disse
na ocasião o presidente nacional do PT, deputado Ricardo
Berzoini (SP).
Ele também criticou a gestão do ex-senador Roberto
Freire (PE), atual presidente da legenda. Segundo Berzoini,
o PPS está manipulando informações. "A
utilização do horário eleitoral de modo
indevido prejudica uma conquista democrática. É inadmissível
que o PPS utilize o espaço reservado aos partidos como
está fazendo, manipulando informações",
disse o presidente do PT.
Da redação,
com agências
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Gazeta do Povo, 1º de
maio de 2009
Dia do Trabalho
O Brasil tem mesmo muitos feriados?
Todo mundo acha que o país
tem folgas demais ao longo do ano, mas um estudo do Dieese
revela o contrário: o brasileiro trabalha mais que
chineses, japoneses e franceses
Comemorado hoje, o Dia do Trabalho é o quarto feriado
nacional brasileiro deste ano. O país já parou
outras três vezes: 1º de janeiro (Confraternização
Universal), 10 de abril (Sexta-feira Santa) e 21 de abril
(Tiradentes). Todas as paralisações estão
previstas nas leis federais 10.607/02 e 9.093/95 – que
regulam, respectivamente, os feriados nacionais e religiosos.
O Carnaval é uma exceção, não
se enquadra nas leis, porém é comemorado.
Portanto, trata-se de uma espécie de quinto feriado
nacional. Com tantos feriados em menos de cinco meses,
pode-se afirmar que se trabalha pouco no Brasil?
Tomando como base apenas o número de feriados nacionais – desconsiderando
possíveis pausas regionais –, a resposta é não.
Um estudo do Departamento Intersindical de Estatísticas
e Estudos Econômicos (Dieese) analisa a média
de horas anuais efetivamente trabalhadas em países
selecionados no ano de 2002. O brasileiro trabalha em tempo
semelhante ao do americano, cerca de 1,8 mil horas anuais.
Em países europeus, como França, Reino Unido,
Suécia, Noruega, Holanda e Bélgica, o expediente
anual é inferior ao brasileiro.
No Brasil, os feriados são como clubes de futebol:
amados ou odiados. Os empregados se declaram fãs
incondicionais, já que nesses dias eles descansam
ou recebem horas extras se trabalharem. Já patrões
observam as folgas por outra perspectiva, pois geralmente
há aumento de custos. A questão, porém,
não se resume ao conflito entre empregados e empregadores.
O pequeno comerciante comemora o descanso, mas as pausas
causam furos no caixa ao fim do mês. Há também
o profissional que raramente trabalha, caso dos professores,
e o que está na labuta na maior parte das vezes,
como os recepcionistas de hotel.
Histórias
Marcelo Lima, professor nos cursos de Jornalismo e Publicidade
da Universidade Positivo e do Centro Universitário
Curitiba, pertence à desejada classe que raramente
trabalha em feriados. “É um momento para relaxar,
botar as pilhas em dia, dar uma respirada naquele ritmo
alucinado de trabalho”, diz. Mesmo com a necessidade
de corrigir trabalhos e provas em casa, Lima aproveita
o tempo livre para colocar as leituras em dia. “Transforma-se
em um espaço para se atualizar, o que é essencial
para um professor”, diz.
Na contramão de Lima, encontra-se o recepcionista
de hotel Almir Brustolin. Há nove anos no ramo,
Brustolin sabe ser quase impossível ficar em casa
durante os dias de feriado. Para ele, é questão
de costume. “Incomodava no começo, queria
ficar em casa, viajar para aproveitar. Hoje nem espero
mais não trabalhar no feriado”, conta. “Eu
gosto de trabalhar em hotel. Dá para se contentar
com a folga a mais que se ganha na semana”, diz.
Proprietária de papelaria no Batel, Rita de Cássia
Honorato Schneck tem a visão do empregador e do
empregado. “Como pessoa física, quero feriado.
Para a papelaria, contudo, não é interessante
por causa da queda nas vendas, ainda mais se levar em conta
que a maior parte de meus clientes é de empresas”,
opina. Além de não se trabalhar no feriado,
o índice de negócios do comércio cai
em média 30% na véspera. E os três
feriados de abril vão diminuir o faturamento da
papelaria em 15%. “Mesmo prevendo os feriados, o
baixo movimento das vésperas faz com que praticamente
se perca um dia do mês”, explica.
Há casos de operários que raramente atuam
em feriados, mas precisam negociar uma nova folga em caso
de “espaços prolongados”, caso dos bancários.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban)
e o Banco Central definem os dias de trabalho, e as instituições
não podem deixar de operar por sua importância. “Os
bancos não têm essa autonomia”, diz
Sidney Sato, diretor do Sindicato dos Bancários
de Curitiba e Região, que trabalha em um banco privado. “Acontece
a negociação entre funcionários e
gerentes, mas dificilmente uma área inteira ou um
banco inteiro vão deixar de atuar em uma sexta-feira,
se na quinta foi feriado”, afirma.
De acordo com Lima, os feriados são necessários,
porque o perfil do trabalhador está se transformando.
Antigamente, trabalhava-se apenas no emprego. Hoje, o tempo
em casa pode ser usado para trabalhar, checando e-mails
ou outras atividades. “A tecnologia não permite
que o trabalhador se desligue do ambiente de trabalho,
mesmo estando em casa”, diz.
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Gazeta do Povo, 1º de
maio de 2009
Dia do Trabalho
Em Portugal, há 141
dias entre folgas e “pontes”
Lisboa - Se a cultura dos feriados fosse considerada
hereditária, certamente este seria mais um legado
dos colonizadores portugueses ao Brasil. Em terras lusas,
14 dias do ano são reservados a feriados nacionais.
Claro que, além destes, trabalhadores e estudantes
acabam ganhando alguns dias extras de folga nas chamadas “pontes” – o
popular feriado emendado.
Empregadores de Portugal têm do que se queixar em
2009. Afinal, os trabalhadores não terão
de comparecer à labuta em mais de um terço
do ano – 38,6% dos dias. Os portugueses têm
141 dias de descanso neste ano, somando finais de semana,
feriados, pontes e os 22 dias de férias garantidos
pelo Código do Trabalho português.
Para os estudantes de nível básico e secundário,
o número é ainda maior. A folga deste ano
letivo é de 178 dias; quase metade (48,7%) dos 365
dias do ano. Em Portugal, as férias escolares costumam
ter duração aproximada de dois meses no verão
e mais 30 dias de folga divididos durante as festas de
fim de ano e a Semana Santa.
Assim como em outros países, os feriados nacionais
portugueses têm origem religiosa, histórica
ou seguem padrões internacionais, como o Ano Novo
e o Dia do Trabalho. Nação predominantemente
católica, Portugal tem entre suas comemorações
religiosas os dias da padroeira Imaculada Conceição
(8 de dezembro) e da Assunção de Maria (15
de agosto). Já a história de conquistas e
reconquistas do país ibérico faz os portugueses
celebrarem os dias da Liberdade (25 de abril), a Implantação
da República (5 de outubro) e a Restauração
da Independência (1º de dezembro).
Dentre todos esses, um dos feriados mais aguardados deste
ano é o Dia de Portugal, comemorado em 10 de junho,
data em que morreu o escritor e ícone luso Luís
Vaz de Camões. Cai em uma quarta-feira, um dia antes
do Corpo de Deus – como chamam aqui o dia de Corpus
Christi. Então, isto significa que a sexta-feira
vem de “ponte” e o feriadão será de
cinco dias!
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Gazeta
do Povo, 1º de maio de 2009
Dia do Trabalho
Crise é prova de fogo para
centrais
Fortalecidos pela proximidade que mantêm
com o governo Lula, os sindicatos passaram a debater políticas
públicas. Mas retração econômica e demissões
em massa exigem um posicionamento mais firme das entidades

Manifestação pela manutenção
de empregos: poucas conquistas na crise
O movimento sindical tem bons motivos para comemorar neste 1º de
maio. Desde 2003, quando assumiu o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, os sindicatos se aproximaram do governo, enterraram as discussões
sobre a reforma trabalhista e, aproveitando a mesma onda de bonança
que inflou a popularidade presidencial, conseguiram ganhos salariais
consideráveis e aumentaram o número de filiados. Esse fortalecimento,
no entanto, está sendo colocado à prova pela crise econômica – e,
segundo especialistas, há rachaduras na estrutura sindical brasileira
que comprometem o poder conquistado nos últimos anos.
Os avanços do sindicalismo desde 2003 são inquestionáveis
do ponto de vista político. As duas maiores centrais sindicais
do país, a Central Única dos Trabalhadores (CUT)
e a Força Sindical, foram absorvidas pelo governo Lula.
As duas chegaram à Esplanada dos Ministérios – a
CUT é ligada a Luiz Marinho, ex-ministro do Trabalho e
da Previdência, e a Força ao pedetista Carlos Lupi,
atual ministro do Trabalho. Não é segredo que as
duas organizações têm dezenas de cargos na
esfera federal, o que, aliás, é natural para um
governo capitaneado por um ex-sindicalista.
A proximidade com o poder fez com que as centrais se tornassem
parte da formação das políticas públicas.
Elas participaram diretamente das decisões sobre a definição
do salário mínimo, que vem sendo corrigido acima
da inflação, e conseguiram a aprovação
da regulação de suas atividades. Com isso, têm
direito a receber 10% da contribuição sindical
paga pelos trabalhadores com carteira assinada, ou mais de R$
120 milhões por ano. Agora, as centrais correm para filiar
o maior número possível de sindicatos, já que
a divisão do bolo se dará de acordo com a representatividade
de cada uma – a CUT é a maior, com 36,8% dos sindicatos
filiados, seguida pela Força, com 22,3%.
O crescimento econômico forte dos últimos quatro
anos também deu uma força aos sindicatos, que tiveram
mais facilidade para negociar aumentos – os reajustes reais,
acima da inflação, passaram de 18% das categorias
em 2003 para mais de 80% em 2006 e 2007, acomodando-se em 77%
das categorias em 2008, segundo pesquisa do Dieese. O ganho também
foi visto pelo funcionalismo público, que há tempos
não tinha tanta facilidade para conversar com o governo.
Outro efeito do crescimento foi a maior formalização
do trabalho, o que fez aumentar o número de sindicalizados.
Somente de abril a dezembro do ano passado, o número de
trabalhadores ligados a uma entidade sindical passou de 4,2 milhões
para 4,8 milhões, segundo o Ministério do Trabalho.
“O movimento se fortaleceu, sem dúvida. Os sindicatos
têm conseguido conquistas importantes nas negociações
e o reconhecimento das centrais é uma mostra de como as
relações com o governo mudaram”, afirma Roni
Anderson Barbosa, presidente da CUT no Paraná. “Agora
os trabalhadores são recebidos pelo governo e as centrais
têm de se preparar para participar de novos debates.”
Um dos efeitos do reconhecimento das centrais foi a emergência
de concorrentes diante da dupla Força/CUT. A quarta maior
organização do país, a União Geral
dos Trabalhadores (UGT), por exemplo, foi fundada apenas em 2007,
já com consciência de sua força política. “Há a
tendência de mobilizações para melhorar a
participação do trabalho dentro do poder”,
afirma Marcelo Urbaneja, presidente da UGT no Paraná. “Queremos
opinar sobre os grandes temas.”
A proximidade com o poder, apesar de trazer prestígio
e cargos públicos, talvez não seja a melhor arma
do movimento sindical em um momento de crise. Isso porque as
críticas contra o governo são permeadas pelo risco
de perder influência. Para o sociólogo Giovanni
Alves, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a
crise exige que os sindicatos assumam claramente o papel de pressionar
o governo por proteção ao trabalho.
“A agenda de melhorias trabalhistas não avança
porque há uma situação de impasse”,
afirma. “O governo não pode proibir demissões,
ao mesmo tempo em que tem uma base importante nos sindicatos. É o
momento de eles usarem o capital político que conquistaram.”
O especialista em relações do trabalho Arnaldo
José Mazzei Nogueira, professor da Universidade de São
Paulo (USP) e da Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo (PUC-SP), vê outra limitação:
apesar do momento favorável, o movimento sindical não
se fortaleceu nas bases. “O modelo sindical brasileiro
foi criado para dividir e atender a demandas por categoria e
por município”, diz.
Hoje, são mais de 8 mil sindicatos ativos no país,
segundo o MTE, o que dificulta a mobilização por
uma agenda consistente. “Os sindicatos não conseguiram
soluções novas para proteger o trabalho durante
a crise, a não ser um pequeno aumento no seguro-desemprego.
Faltam bandeiras mais gerais, que superem as movimentações
isoladas.”
Campanhas salariais de 2009 devem ter negociação
mais difícil
Com a economia andando de lado, os sindicatos terão mais
dificuldade para obter reajustes iguais ou superiores à inflação.
O ano será de negociações duras, em muitos
casos com greves e paralisações. Um exemplo de
queda-de-braço entre patrões e empregados foi a
greve dos trabalhadores do setor de segurança privada
no Paraná, em fevereiro deste ano.
A categoria não cruzava os braços desde 1996,
mas neste ano decidiu parar. “A negociação
foi bem complicada por causa da crise”, diz o presidente
do Sindivigilantes, João Soares. No fim da greve, os seguranças
conseguiram reposição salarial acima da inflação. “Agora
estamos preocupados com as demissões. O número
de homologações no sindicato está maior
do que o normal”, completa. Os funcionários das
transportadoras de valores, outro grupo representado pelo Sindivigilantes,
também fizeram paralisações em fevereiro.
“É um ano complicado. Mesmo setores que só crescem
apresentam a crise como justificativa para não negociar”,
comenta Roni Anderson Barbosa, presidente da CUT-PR. E nem mesmo
os funcionários do setor público estão a
salvo do problema, já que a arrecadação
dos governos depende do desempenho da economia.
Os servidores municipais de Curitiba, por exemplo, pressionam
a prefeitura com um pauta que inclui reajuste real, aumento do
quatro funcional e ampliação do auxílio-alimentação. “A
crise atrapalha no lado político da negociação,
mas a redução na arrecadação não
será tão grande como se diz”, argumenta Irene
Rodrigues dos Santos, presidente do Sismuc, sindicato que representa
os funcionários municipais.
Patrões
Para empregadores, o momento econômico não permite
grandes exigências dos trabalhadores. “Espero que
haja a percepção de que o mais importante agora é garantir
a sobrevivência das empresas e dos empregos”, afirma
Ardisson Akel, presidente da Federação das Associações
Comerciais e Industriais do Paraná (Faciap). “É preciso
manter a competitividade para voltar a crescer quando a crise
passar”, completa Akel, que é empresário
do setor do vestuário e diz temer a perda de mercado para
produtos importados da Ásia.
Amilton Stival, coordenador do conselho temático de relações
do trabalho da Federação das Indústrias
do Paraná (Fiep), afirma que em 2009 será difícil
até mesmo manter o repasse do Índice Nacional de
Preços ao Consumidor (INPC), que geralmente é usado
nas negociações sindicais. “Quando havia
crescimento econômico, os ganhos se transformaram em correção
acima da inflação. A conjuntura agora não
permite isso”, avalia. Stival, no entanto, diz não
acreditar que haverá uma onda de greves por causa da margem
menor das empresas para conceder reajustes.
Na opinião de Stival, a proximidade que os sindicatos
têm com o governo não gerou atritos nos debates
com as organizações patronais. “Mas seria
interessante que agora as centrais e os empregadores fizessem
um pacto para a geração de empregos para aproveitar
essa força política”, diz. Segundo ele, o
governo poderia desonerar a folha de pagamentos, medida que atingiria
todo o setor produtivo e não apenas alguns segmentos,
como ocorre com os descontos no Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI). Ardisson Akel propõe uma medida que pelo menos
reduza os encargos de micro e pequenas empresas para estimular
a formalização da mão-de-obra. (GO)
Programação
Veja o que as principais centrais sindicais prepararam
para comemorar no Dia do Trabalho em Curitiba.
> Força Sindical – realiza
o “1º de Maio Solidário” a partir das
9 horas, na Praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico.
O tema principal é a redução da jornada
de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
> CUT – promove às 9 horas
o “Dia do Trabalhador: A Classe Trabalhadora não
pagará pela Crise!”, evento que terá três
linhas de protestos: crise ambiental, exclusão social,
e a denúncia do capitalismo, com o programa da classe
trabalhadora para superação da crise. Será realizado
na Paróquia São João Batista, rua Baltazar
Carrasco dos Reis, 698, Prado Velho.
> UGT – realiza, em parceria com a
Prefeitura de Paranaguá, a Terceira Grande Festa do Trabalhador.
O evento começa às 9 horas na Praça de Eventos
29 de Julho, no Mercado Municipal de Paranaguá. A programação
contará com um culto ecumênico, sorteio de brindes
e shows.
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Gazeta do Povo, 1º de
maio de 2009
Legislação
Estrutura sindical do país
precisa de reformas
A atual estrutura sindical é uma herança
do governo de Getúlio Vargas e apresenta limitações
que deveriam ter sido corrigidas pela reforma trabalhista.
Hoje, os sindicatos funcionam apenas localmente e detêm
uma espécie de monopólio mantido por contribuições
obrigatórias. A proposta de alteração
discutida no começo do governo Lula dava aos trabalhadores
o direito de escolher o sindicato e acabava com o imposto
sindical. Assim, as organizações teriam de
oferecer serviços e uma representação
efetiva para conquistar seus filiados.
A reforma não avançou porque houve discordância
no próprio movimento sindical. Entidades maiores,
como a CUT, defendiam as mudanças por entender que
apenas os melhores sindicatos sobreviveriam – em
uma seleção típica da economia de
mercado. Organizações menores foram contra,
já que corriam o risco de perder a receita garantida
em lei.
“O modelo sindical atual responde às necessidades
dos trabalhadores. O imposto é necessário
porque é o recurso de que precisamos para organizar
a classe”, defende Marcelo Urbaneja, presidente da
UGT no Paraná. “Há sindicatos de gaveta
no Brasil, que existem só no papel. Queremos que
os trabalhadores tenham o direito de se organizarem livremente”,
contrapõe Roni Anderson Barbosa, presidente da CUT-PR.
Esse impasse na reforma sindical mostra como o governo
Lula vem acomodando interesses diferentes do movimento
sindical. Com o reconhecimento, as centrais passaram a
ter um papel aglutinador que corrige apenas parcialmente
a pouca representatividade da maior parte dos sindicatos
no Brasil. “Sindicatos com pouco poder de barganha
ficam sob a guarida das centrais”, diz o especialista
em relações do trabalho Arnaldo José Mazzei
Nogueira, professor da USP e da PUC-SP. “A lei de
Vargas era perversa porque desarticulou a ação
coletiva. Poucas entidades se sustentariam hoje só pela
mobilização.” A estrutura brasileira,
argumenta, é pouco eficiente para criar uma unidade
ideológica e para reduzir desigualdades regionais.
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Folha de S.Paulo, 1º de
maio de 2009
Governo afrouxa regras
de empréstimo a construtoras
Após reclamação
das empresas, CMN reduz exigências em linha de crédito
da Caixa
Fazenda diz que fiscalização
do uso dos recursos não será reduzida; Caixa
Econômica tem R$ 3 bi disponíveis para esse
tipo de financiamento
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo flexibilizou ontem as regras para a Caixa Econômica
Federal emprestar para as construtoras. Disponível
desde o ano passado, a linha de capital de giro ainda não
teve recursos liberados para nenhuma empresa. Segundo as
construtoras, as garantias exigidas são muito elevadas,
o que torna o empréstimo pouco atrativo.
A principal reclamação das empresas é com a exigência
de garantias equivalentes a 130% do valor a ser emprestado pela Caixa.
Essa condição ainda está em vigor, mas, segundo
o Ministério da Fazenda, será revista pelo banco.
As regras flexibilizadas ontem foram aprovadas pelo CMN (Conselho Monetário
Nacional). O prazo para que o empreendimento imobiliário seja
registrado em cartório, que era 30 de junho, foi extinto. Agora,
as construtoras podem registrar o imóvel a ser financiado a
qualquer momento.
Outro prazo que deixou de existir é para o fim da linha de capital
de giro da Caixa para construtoras. A princípio, os empréstimos
seriam liberados até dezembro, mas agora será estendido
enquanto o banco tiver orçamento disponível.
Uma terceira mudança foi o fim da exigência para que as
construtoras criassem uma empresa exclusivamente para o empreendimento
que será financiado. Essa medida era uma garantia de que a construtora
não tomaria o dinheiro emprestado e, em vez de financiar uma
construção, usasse os recursos, por exemplo, para cobrir
buracos no caixa.
Segundo o coordenador-geral da Secretaria de Política Econômica
do Ministério da Fazenda, Estêves Colnago, a Caixa vai
fiscalizar se a construtora usou o capital de giro no empreendimento.
A Caixa tem R$ 3 bilhões disponíveis para essa linha
de financiamento. Em caso de inadimplência, o Tesouro cobre o
prejuízo em até R$ 1,05 bilhão.
Outras condições do financiamento foram mantidas. O empréstimo
só pode ser liberado para financiar construção
habitacional. Os juros são de 11% ao ano, mais a TR (Taxa Referencial).
O prazo para quitar o empréstimo é de 60 meses.
Risco de crédito
O CMN aprovou também decisão do Banco Central que obriga
as instituições financeiras a criarem uma gerência
ou departamento de análise de risco de crédito. O setor
deverá ter controle maior sobre o crédito do banco e
ter instrumentos para reduzir esses riscos.
Segundo Amaro Gomes, chefe do Departamento de Normas do BC, os bancos
já têm essa estrutura. A norma visa padronizar as gerências
de crédito, estabelecendo níveis mínimos de gestão.
Uma das funções dessa gerência será avaliar
se um executivo recebe incentivos financeiros para tomar decisões
de risco no banco.
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Folha
de S.Paulo, 1º de maio de 2009
Lula diz que jamais tomaria medida
contra poupadores
Presidente critica "spread" e
defende recuo em juro
JANAINA LAGE
SAMANTHA LIMA
DA SUCURSAL DO RIO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem
que "jamais" tomaria qualquer medida que prejudicasse
as pessoas que investem na caderneta de poupança. Segundo
Lula, a alteração na caderneta é um assunto
que a equipe econômica vai discutir "no momento em
que tiver de discutir".
Sem mencionar o PPS, fez críticas ao partido e disse que ele teve
uma atitude "insana, mentirosa e de total irresponsabilidade" ao
afirmar que o governo poderia promover alterações na caderneta.
Um anúncio do PPS afirma que, a exemplo do que fez o governo Collor
(com o confisco da poupança), o governo vai mexer na caderneta.
" O que essas pessoas não entendem é que o povo brasileiro
me conhece, sabe do meu comportamento e das minhas atitudes. E sabe que eu jamais
iria tomar qualquer medida que pudesse prejudicar as pessoas que investem na
poupança." Questionado se a mudança na rentabilidade da poupança
não seria inevitável após a queda da taxa de juros, Lula
afirmou que a redução da Selic é uma reivindicação
da sociedade há anos.
O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a
taxa para 10,25% ao ano. Com juros menores, a rentabilidade da poupança
se torna mais atraente para o investidor quando comparada com a de parte
dos fundos de investimento. " No dia em que a gente tiver o "spread" bancário
[diferença entre a taxa de captação e a repassada
ao cliente] e o juro compatíveis com os países mais desenvolvidos
do mundo, uma pessoa que tem dinheiro, em vez de investir em título,
vai investir ou na Bolsa ou na produção de alguma coisa.
Aí é muito melhor para o país", disse.
O presidente participou ontem de cerimônia da ThyssenKrupp CSA
(Companhia Siderúrgica do Atlântico) em comemoração
do Dia do Trabalho.
Economista
Pela manhã, Lula afirmou, em solenidade na inauguração
de laboratório da UFRJ, que gostaria de ter se tornado "economista
da oposição", que "tem resultado para tudo",
e reclamou da burocracia para obras estruturantes. "Este país
só teve governantes com curso superior. Até os nossos militares
todos que governaram tinham curso superior. (...) Mas acho que, se eu
fosse economista, não sei se eu seria presidente da República",
disse.
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Folha de S.Paulo, 1º de
maio de 2009
Minha Casa, Minha Vida tem
adesão de 11 Estados
TATIANA RESENDE
DA REDAÇÃO
Em vigor desde o último dia 13 como uma das frentes
prioritárias para o governo federal, o programa
habitacional Minha Casa, Minha Vida teve até agora
a adesão de 11 Estados, 12 capitais e outros 218
municípios para construção de moradias
a famílias com renda de até três salários
mínimos (R$ 1.395).
Entre as contrapartidas possíveis de Estados e municípios,
estão a doação de terrenos, a redução
de impostos e a garantia de infraestrutura na área das construções.
A meta do governo federal é entregar 400 mil imóveis
para essa faixa salarial. Ao todo, 268 projetos de obras foram apresentados
ao banco para a construção de 50.648 unidades, com investimento
de R$ 3,6 bilhões, o que corresponde a 5,06% da meta de 1 milhão
de moradias.
Esse total inclui 39.450 imóveis para famílias com renda
entre três e dez salários mínimos (R$ 4.650). Segundo
a Caixa Econômica Federal, as contratações diretas
para pessoas físicas, que estão nessa faixa de renda,
somam até agora R$ 31 milhões em 753 contratos.
Na avaliação do vice-presidente de Governo do banco,
Jorge Hereda, a adesão dos demais Estados e cidades é questão
de tempo. Segundo ele, há mais municípios fazendo o cadastro
das famílias do que os que assinaram o termo. "Mas é óbvio
que, num país desse tamanho, há uns que concordam mais
e uns que concordam menos [com regras do programa]."
Ontem, na assinatura do termo de adesão com o Estado de São
Paulo, Hereda deixou claro que o valor teto para as construções
-de R$ 52 mil na região metropolitana, incluindo o valor do
terreno- não será majorado, um dos pleitos da administração
estadual.
Para acabar a polêmica com o governo federal, o secretário
de Habitação de São Paulo, Lair Krähenbühl,
disse que agora está sendo feita "a calibragem do projeto,
o que é necessário em qualquer projeto". "Habitação
não tem partido político."
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), que também
assinou o termo de adesão ontem, afirmou que vai "começar
a identificar áreas que possam ser cedidas" ao Minha Casa,
Minha Vida. Para ele, o limite também não é suficiente
para a construção das moradias, mas, na sua opinião, "nem
o governo federal pretende que seja numa cidade como São Paulo". "O
importante é que ajuda."
Sobre o tamanho dos imóveis, considerados pequenos pelos padrões
do governo de São Paulo, Hereda ressaltou que as dimensões
serão mantidas, mas nada impede que os entes estaduais ou municipais
garantam o aumento com contrapartida financeira. E acrescentou que,
pela experiência com o PAR (Programa de Arrendamento Residencial),
os mutuários começam a fazer melhorias nas casas logo
após a entrega das chaves.
O vice-presidente da Caixa reiterou que os projetos devem ser apresentados
ao banco pelas construtoras, embora Estados e municípios pleiteiem
que eles também possam fazer isso. Para os projetos que não
foram licitados e, portanto, não houve ainda a escolha da construtora,
foi categórico: "Tem que escolher". Visando pôr
fim à politização do debate, afirmou: "Estamos
vivendo hoje um momento que tem que se comemorar. É a maturidade
de três níveis de governo para fazer as coisas acontecerem".
A procura pelo Minha Casa, Minha Vida levou a um recorde de acessos
no site da Caixa, com a média passando de 283 mil simulações
por dia para 775 mil.
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Folha de S.Paulo, 1º de
maio de 2009
Imposto sindical pode
ser fiscalizado por TCU
Centrais gastaram R$ 62,8
milhões com compra de sede e pagamento de dívidas
e investiram no mercado financeiro
Marinus Marsico, procurador que atua
junto ao tribunal, vai encaminhar representação
para que o uso da verba seja fiscalizado
CLAUDIA ROLLI
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
Os R$ 62,8 milhões que as centrais sindicais receberam
de imposto sindical em 2008 foram gastos com compra de
sede, pagamento de dívidas, viagens e também
aplicados no mercado financeiro. Esse valor, que deve chegar
a R$ 75 milhões neste ano e pode ser gasto como
as centrais determinarem, deveria ser alvo de fiscalização,
segundo o Ministério Público junto ao TCU
(Tribunal de Contas da União).
O procurador Marinus Eduardo de Vries Marsico, que atua junto ao tribunal,
vai encaminhar até o final deste mês representação
ao ministro relator André Luís de Carvalho para pedir
que o TCU investigue como as entidades sindicais gastam essa verba.
O imposto sindical é uma contribuição descontada
de todos trabalhadores com carteira assinada de forma compulsória
e equivale a um dia de salário. Também é recolhido
pelas entidades patronais. Cada empresa paga de acordo com seu capital
social. Em 2008, a arrecadação total desse imposto chegou
a R$ 1,45 bilhão -cerca de R$ 1 bilhão foi para entidades
de trabalhadores. As centrais receberam cerca de 10% do total.
" Essa é uma verba que chama a atenção e deve ser fiscalizada.
O trabalhador é obrigado a pagar. Pela Constituição Federal,
o TCU tem competência para fiscalizá-la", diz Marsico. Os recursos
do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), repassados a centrais e entidades patronais,
e do Sistema S, destinados aos empregadores, já são fiscalizados
pelo TCU.
Na lei que reconheceu as centrais, o artigo que previa que o dinheiro
do imposto sindical fosse fiscalizado pelo TCU foi vetado pelo presidente
Lula. Isso porque esse artigo poderia caracterizar a interferência
do Estado no movimento sindical. " O veto do presidente Lula causou
polêmica, mas não muda nada. Quem dá competência
para o TCU fiscalizar é a Constituição",
afirma o procurador.
Desde o segundo semestre de 2008, Marsico analisa e investiga entre
20 e 30 processos de suposta utilização irregular do
imposto sindical, envolvendo ao menos dez entidades. As seis centrais
sindicais que receberam recursos do imposto sindical informaram que
prestam contas a conselhos fiscais internos, a seus dirigentes e a
entidades associadas. Essa prestação é feita de
forma anual, em alguns casos.
" Não faz parte da cultura do trabalhador pedir informações
sobre receitas e despesas de entidades sindicais. Quando isso ocorre, é um
ato de oposição, não de cidadania", afirma o advogado
Luis Carlos Moro. "Nas assembleias em que participam, trabalhadores e sindicalistas
estão mais preocupados com reajustes de salário."
Para João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical, começa
a surgir nas centrais a preocupação em detalhar o orçamento. "As
centrais atravessam um período de transição: eram
mero somatório de entidades e agora foram reconhecidas legalmente.
Há forte discussão nas centrais sobre o padrão
orçamentário", afirma.
As aplicações dos recursos do imposto sindical devem
ser transparentes, feitas em um portal que possa ser acessado por qualquer
cidadão, com amplo conteúdo, atualização
permanente e interatividade com o usuário, segundo Gil Castello
Branco, consultor de economia da ONG Contas Abertas. "Tudo o que
se aplica ao imposto sindical do lado das centrais deve ser aplicado
ao patronato."
A Abrat (Associação Brasileira dos Advogados Trabalhadores)
concorda. "Todas as entidades que recebem dinheiro de contribuições
obrigatórias têm de ser transparentes na divulgação
das contas", afirma Luiz Salvador, presidente da Abrat. Para CUT,
Força Sindical, UGT, Nova Central, CTB e CGTB, o Estado não
pode interferir no meio sindical, como ocorria antes da Constituição
de 1988, mas elas não são contrárias à transparência
no uso do imposto sindical.
A Anamatra (associação dos juízes trabalhistas)
avalia que as centrais não são obrigadas a prestar contas
ao governo nem ao TCU do uso do dinheiro recebido porque são
entidades privadas e essa verba deve ser usada para financiar suas
atividades. "A fiscalização deve ser feita pelos
trabalhadores, não pelo governo. Nem as empresas que recebem
incentivos fiscais são fiscalizadas", diz Cláudio
Montesso, presidente da Anamatra. Se o Brasil optar por fiscalizar
as entidades sindicais, correrá o risco de ser denunciado à OIT
(Organização Internacional do Trabalho) por prática
antissindical, segundo diz.
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Folha
de S.Paulo, 1º de maio de 2009
entrevista/ Força Sindical
"Pouco se fala do setor
patronal", diz Paulinho
DA REPORTAGEM LOCAL
Para Paulo Pereira da Silva, presidente da Força
Sindical, as entidades que representam os trabalhadores são "cobradas
o tempo inteiro", mas "pouco se fala do setor patronal".
A declaração foi feita após ser questionado
sobre a possibilidade de o TCU fiscalizar a utilização
desses recursos. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
(CR e FF)
FOLHA - O que o sr. acha da proposta de o TCU fiscalizar
o imposto sindical?
PAULO PEREIRA DA SILVA - Legalmente isso
não pode ocorrer. O presidente Lula vetou esse artigo
quando a lei 11.648, que reconheceu as centrais, foi criada.
Se houver qualquer tentativa para que isso ocorra, certamente
vamos trabalhar contra. O fato é que se cobra muito
das entidades que representam os trabalhadores. E pouco se
fala do setor patronal, que, além do imposto sindical,
recebe também bilhões de recursos do Sistema
S.
FOLHA - Como é feita a prestação
de contas da central?
PAULINHO - Todos os valores recebidos são
informados na nossa prestação de contas, feita
para o conselho fiscal. Nós devemos fazer a nossa
assembleia ainda neste ano para detalhar os gastos. E os
escritórios regionais da Força, que recebem
40% do valor total do imposto, também têm de
prestar contas. As regionais que não fazem esse detalhamento
nas contas terão os repasses cortados.
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Folha de S.Paulo, 1º de
maio de 2009
Centrais dizem que não
temem fiscalização nas suas contas
DA REPORTAGEM LOCAL
As centrais sindicais informam que não temem fiscalizações
e algumas estudam publicar seus balanços na internet.
Ricardo Patah, presidente da UGT, diz que, apesar de a lei
não obrigar, a central avalia a publicação
de informações de gastos na internet. "Prestamos
contas de forma transparente nas assembleias. A cada três
meses, fazemos plenária com 180 dirigentes para avaliar
nossas contas", afirma.
José Calixto Ramos, presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores,
afirma que não teme fiscalização do TCU na central. "Trabalho
numa disciplina rígida e legal. Entendo que o TCU pode, sim,
fiscalizar as centrais. Basta que alguém denuncie suspeita de
alguma irregularidade nas contas. O TCU não vai sair investigando
se não tiver denúncia."
Na Nova Central, segundo ele, o dinheiro é gasto de acordo com
deliberação do colegiado. "No caso dos sindicatos,
quem decide é a assembleia geral. Nas federações
e nas confederações, os conselhos de representantes.
No nosso caso, em reunião com as entidades filiadas. Temos um
congresso marcado para o final de maio para aprovar as contas",
diz Ramos.
A CTB informa que presta contas a cada três meses ao conselho
fiscal. "Após essa análise, as contas ficam à disposição
dos sindicatos associados", diz Wagner Gomes, presidente da central. "E
se é para fiscalizar, o TCU deve fiscalizar todos: centrais
e patrões."
Antônio Neto, presidente nacional da CGTB, informa que os R$
2,9 milhões recebidos em 2008 já foram usados em pagamento
de dívidas, manutenção do prédio e publicação
de revista, entre outros. (FF e CR)
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Folha de S.Paulo, 1º de
maio de 2009
entrevista/ CUT
"Imposto tem de
acabar", diz Artur Henrique
DA REPORTAGEM LOCAL
A CUT deve utilizar parte dos R$ 23,6 milhões recebidos
do imposto sindical em 2008 para fazer uma campanha para acabar
com esse imposto. Artur Henrique, presidente da CUT, diz que
esses recursos estão numa conta separada e devem ser
usados para ampliar a base de representação da
central. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
(FF e CR)
FOLHA - A CUT quer o fim do imposto sindical?
ARTUR HENRIQUE - O que foi colocado no
debate sobre o reconhecimento das centrais é que
o imposto sindical valeria até que se desenvolvesse
um projeto de sustentação financeira para
o movimento sindical, que viria com o fim desse imposto
e a criação de uma contribuição
aprovada em assembleia de trabalhadores. Defendemos o fim
do imposto sindical.
FOLHA - Como será utilizado o dinheiro do imposto?
HENRIQUE - Criamos uma conta separada para
essa verba, que será utilizada em três áreas:
formação sindical de dirigentes, comunicação
entre as CUTs estaduais e a central e ampliação
da nossa base de representação.
FOLHA - O TCU deveria fiscalizar o uso da verba desse
imposto?
HENRIQUE - A prestação de
contas deve ser feita aos associados que sustentam a central.
Nós defendemos que não só os trabalhadores
mas também os empresários deveriam ser transparentes
no uso de recursos públicos.
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Última Instância,
1º de maio de 2009
Nova orientação
STJ aprova súmula
sobre desvio de função
A 3ª Seção
do Superior Tribunal de Justiça aprovou nova súmula.
Segundo o verbete, “reconhecido o desvio de função,
o servidor faz jus às diferenças salariais
decorrentes”.
O relator da nova súmula, que recebeu o número
378, foi o ministro Arnaldo Esteves Lima. No caso do STJ,
a súmula não tem efeito vinculante, mas serve
como orientação para as demais instâncias
sobre como a questão vem sendo tratada pelos ministros,
o que pode abreviar a disputa judicial, já que,
quando chegar ao STJ, aquela será a posição
final.
Em um dos precedentes tidos como referência para
a súmula, a 5ª Turma garantiu o direito a uma
ex-servidora do Ministério da Saúde lotada
no Rio Grande do Sul de receber diferenças por desvio
de função. Entre 1988 e 2001, mesmo sendo
titular do cargo de agente administrativo, ela exerceu
função de assistente social. Por isso, pediu
o pagamento das diferenças entre os vencimentos
de ambos.
O relator do recurso, ministro Arnaldo Esteves Lima, destacou
que, sendo comprovado o desvio funcional, em que a servidora
desempenhou atribuições inerentes ao cargo
de assistente social, são devidas as diferenças
remuneratórias por todo o período do desvio,
sob pena de locupletamento ilícito da Administração
Pública.
Especificamente neste caso, a Turma reconheceu que a União
seria parte legítima para responder à ação
proposta pela servidora, ainda que a reivindicação
de pagamento de diferenças fosse relativa a período
em que ela esteve cedida ao governo gaúcho e a município,
por força de convênio celebrado pelo Ministério
da Saúde. Isso porque o vínculo foi mantido
com o pagamento da remuneração da servidora.
*Com informações
da Assessoria de Imprensa do STJ.
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