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Vermelho,
2 de maio de 2009
1º de Maio Unificado soma 200
mil vozes contra a crise em SP
Com shows, homenagens e ato político, o 1º de Maio Unificado
em São Paulo levou cerca de 200 mil pessoas à Avenida São
João, nesta sexta-feira (1º), Dia Internacional do Trabalhador.
O êxito da manifestação valorizou ainda mais a parceira
de três centrais sindicais — que, em decisão inédita,
optaram por fazer uma comemoração conjunta na capital paulista.
Avenida São João cheia: ''mensagem de otimismo''
O nome e as logomarcas das entidades apareciam com destaque
em faixas, balões, bandeiras e cartazes. Tanto CTB (Central
dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) quanto UGT (União
Geral dos Trabalhadores) como NCST (Nova Central Sindical de
Trabalhadores) levaram em peso suas lideranças, bases
e simpatizantes.
“Hoje é um dia de festa, mas também é dia
de luta”, ressaltou o presidente da CTB, Wagner Gomes.
O 1º de Maio, conforme ele lembrou, tem origem no assassinato
de 12 operários que faziam uma greve, em 1886, na cidade
americana de Chicago. “A redução da jornada
de trabalho era a principal reivindicação daqueles
trabalhadores — uma causa justa pela qual lutamos até os
dias de hoje.”
Quase cem anos depois do Massacre de Chicago, outro operário
se tornou um mártir dos trabalhadores ao lutar por mais
direitos e pela democracia. Foi o metalúrgico e líder
sindical Santo Dias da Silva (1942-1979), assassinado há 30
anos pelo regime militar brasileiro e homenageado agora, no
1º de Maio Unificado.
Uma carta da viúva de Santo Dias foi lida ao público
por Wagner Gomes. “Se Santo Dias estivesse vivo, certamente
ele estaria aqui no meio de nós”, comentou o presidente
da CTB. “Ele sabia que a luta não pode parar.
Nossa luta aconteceu ontem, acontece hoje e vai acontecer todos
os dias.”
Homenagem a Senna
José Calixto Ramos, presidente da Nova Central, também
saudou “os trabalhadores que perderam a vida em nome
da classe trabalhadora do mundo inteiro”. É o
caso do ex-piloto Ayrton Senna — “um trabalhador
do automobilismo”, tricampeão da Fórmula
1 e ídolo nacional. Senna morreu exatamente no Dia do
Trabalhador de 1994, aos 34 anos. Quinze anos depois, sua irmã,
Viviane Senna, recebeu das mãos de Calixto uma placa
em tributo à memória do esportista.
“Agradeço às três centrais e às
tantas pessoas que amaram o Ayrton. Como vocês, ele também
lutava para fazer do Brasil um país mais justo”,
declarou Viviane, presidente o Instituto Ayrton Senna, parceiro
das três centrais no evento. Desde 22 de abril, está em
cartaz na Galeria Prestes Maia a exposição Vitória — parte
integrante da programação do 1º de Maio
Unificado. A mostra põe em exibição objetos
que pertenceram a Senna, como troféus, capacetes, macacões
e até uma Lotus de 1987.
Senna e Santo Dias foram também citados pelo presidente
da UGT, Ricardo Patah. Se o piloto, nas palavras do sindicalista,
foi “exemplo de coragem, dignidade e superação
das adversidades”, o líder operário precisa
ser lembrado porque “deu a vida para que pudéssemos
usar a palavra hoje”.
Patah, a exemplo dos presidentes da CTB e da Nova Central,
reafirmou a importância da unidade dos trabalhadores
para enfrentar a crise. “Queremos passar uma mensagem
de otimismo”, disse o líder da UGT, pouco antes
de o Hino Nacional ser executado.
Os convidados
Ainda sobre a crise, o presidente do PCdoB, Renato Rabelo,
conclamou “trabalhadores, mulheres, jovens e aposentados” a
se unirem “em torno das centrais e dos sindicatos”.
Segundo Renato, “aqueles que faliram querem a empurrar
a crise para cima de nós agora. Mas não aceitaremos
desemprego nem diminuição de salário.
Pelo palco do 1º de Maio Unificado, próximo à Praça
Júlio Mesquita, também passaram o ministro do
Trabalho, Carlos Lupi, o prefeito paulistano, Gilberto Kassab
(DEM), os deputados federais Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Ciro Gomes
(PSB-CE) e Roberto Santiago (PV-SP), além de outros
parlamentares, como os vereadores Jamil Murad (PCdoB) e Cláudio
Prado (PDT), ambos de São Paulo.
Na opinião de Aldo, “o 1º de Maio é uma
comemoração que deve visar a um país mais
forte e independente, um Brasil democrata, um Brasil que nos
dê futuro”. Para Ciro Gomes, “é necessário,
neste momento de crise, reforçar ainda mais a união
do povo — nas associações de moradores,
nos grêmios e nas entidades estudantis, nos sindicatos
e nas centrais”.
Lupi recomendou aos trabalhadores que se neguem “a participar
de qualquer tipo de negociação que reduza seus
salários”. O ministro aproveitou também
a comemoração para entregar às centrais
o certificado de reconhecimento jurídico. CTB, UGT e
Nova Central cumpriram o requisito mínimo para serem
legalizadas — ter, cada uma, pelo menos 5% dos trabalhadores
brasileiros sindicalizados.
No primeiro Dia do Trabalhador realizado sob o peso da crise,
houve apresentações musicais de sobra para entreter
o público. Daniel, Leci Brandão, Alexandre Pires,
Grupo Revelação e a dupla Victor & Leo foram
algumas das atrações. As centrais sindicais,
vivas, unidas e legalizadas, fizeram bonito.
De São Paulo,
André Cintra
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Folha de S.Paulo, 2 de
maio de 2009
Lula diz que há "hipocrisia" em
crítica a congressistas
Presidente afirma que repassou suas
passagens para sindicalistas quando esteve na Casa
Segundo ele, imprensa dá dimensão
desproporcional ao episódio e trata como novidade
assunto tão velho quanto a descoberta do país
JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu ontem
em defesa do Congresso no episódio sobre a farra de
passagens aéreas. Em discurso durante evento no Rio
de Janeiro, Lula disse ser "hipocrisia" a discussão
sobre o salário na Câmara. " Estou vendo
agora a hipocrisia do salário na Câmara. Parece
um escândalo: faça um levantamento da história
da Câmara e veja se algum dia foi diferente? Sempre
foi assim, não sei por que as pessoas não têm
coragem de assumir as coisas como elas são",
disse ele.
Após a solenidade, o presidente reiterou a defesa do Congresso
ao afirmar que a imprensa dá um tratamento desproporcional ao
caso. Na avaliação do petista, a imprensa trata como
novidade um assunto que é mais velho do que "a descoberta
do Brasil". Lula admitiu até que, quando foi deputado,
usou a cota de seu gabinete para levar sindicalistas de diversas centrais
para Brasília. Ele foi eleito deputado federal por São
Paulo em 1986.
" Não acho correto, mas não acho um crime um deputado dar
uma passagem para um dirigente sindical ir a Brasília. Eu, quando era
deputado, muitas vezes convoquei dirigentes da CUT, dirigentes de outras centrais
para se reunirem com passagem do meu gabinete. Graças a Deus, nunca levei
nenhum filho meu para viajar para a Europa com passagem."
Durante o discurso, Lula fez elogios ao Congresso e disse que ele tem
ajudado muito o governo. "Sou capaz de deixar o governo sem mágoa",
disse. Nos últimos meses, o Congresso tem sido alvo de uma série
de denúncias relacionadas não só ao uso indevido
de passagens por familiares como também ao uso de verbas públicas
para pagar empregadas domésticas e fretar jatinhos.
Após os escândalos, a Câmara resolveu adotar medidas
de restrição ao uso de passagens aéreas, mas anistiou
irregularidades passadas. Elas agora só poderão ser emitidas
em nome do deputado ou de assessor credenciado, mediante autorização
da Mesa Diretora.
Foram extintas as cotas suplementares de passagens a que tinham direito
membros da Mesa e líderes partidários. Não há mais
acúmulo de créditos, o que não for usado em um
ano retorna para a Câmara.
"Cretinice" do Senado
Apesar dos comentários favoráveis, diante de uma plateia
de médicos, funcionários e pacientes da rede Sarah de
hospitais, Lula voltou a criticar a decisão do Senado de derrubar,
em 2007, a CPMF (imposto do cheque). Para Lula, a posição
foi uma "cretinice ideológica e política",
que prejudicou o país e o projeto do PAC da Saúde.
" Todo mundo sabe que nós ainda temos no Brasil 17 Estados que não
investem os 12% previstos na Constituição na saúde. Alguns
investem 6%, e todo mundo sabe que tratamento de qualidade custa caro",
afirmou.
O presidente ressaltou que o episódio sobre o uso de passagens
está sendo noticiado há semanas e que o país deveria
priorizar discussões apontadas por ele como mais relevantes,
como a reforma política e a reforma tributária. "Sabe
o que me deixa angustiado? Nós temos que discutir temas importantes
para este país", afirmou.
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Folha
de S.Paulo, 2 de maio de 2009
Ciro diz que abordar doença
de Dilma eleitoralmente é "cretino e desumano"
DA REPORTAGEM LOCAL
O deputado federal Ciro Gomes (PSB), segundo colocado na mais
recente pesquisa Datafolha para a sucessão do presidente
Lula, afirmou ontem, em São Paulo, que é "cretino" abordar
eleitoralmente o câncer da ministra da Casa Civil, Dilma
Rousseff, o nome mais cotado entre os petistas para 2010.
"É preciso [tratar do assunto] com muito respeito humano antes de
qualquer pragmatismo político. (...) A ministra Dilma teve uma doença
que pode acometer a qualquer um de nós. Esse é um dos tipos de
câncer de maior taxa de êxito na sua cura. (...) Para mim, é cretino,
acho cretino, desumano, cruel, se especular sobre um assunto desse tipo na política."
Ciro participou da festa do 1º de Maio da Força Sindical. "Em
agosto, Dilma estará pronta, firme e forte para qualquer tarefa",
afirmou ele. Sobre o escândalo das passagens aéreas no Congresso,
Ciro reafirmou que não utilizou o privilégio. "Qualquer
distorção em um país de gente sofrida como o Brasil é intolerável.
O que me preocupa é a generalização que destrói
a respeitabilidade institucional", disse.
Paulo Pereira da Silva, o deputado Paulinho (PDT), presidente da Força
Sindical, criticou o presidente da Câmara, Michel Temer (PDMB-SP)." Eu
acho que o erro foi do Michel Temer [presidente da Câmara] em não
ter esclarecido isso [antes de o caso estourar]. Se está errado,
tem que mudar isso hoje", disse.
De acordo com Paulinho, no entanto, as mudanças definidas nesta
semana no Congresso são louváveis. "Agora, eu acho
que mudou de forma correta e voltou ao que era antes, uma passagem para
ir e voltar do Estado [de origem do deputado], e acho que isso é o
mais correto."
Com a Folha Online
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Folha de S.Paulo, 2 de
maio de 2009
Festa do 1º de Maio poupa
críticas ao governo Lula
Com discursos amenos, centrais apoiam
medidas do Planalto no combate à crise
Segundo a PM, evento da Força
reuniu 1,5 milhão de pessoas na zona norte de SP,
UGT levou 200 mil ao centro, e CUT, 100 mil à zona
sul
DA REPORTAGEM LOCAL
Com o desemprego em alta e um cenário de crise
econômica, as centrais sindicais pouparam as críticas
ao governo federal nas comemorações do Dia
do Trabalho. A data foi marcada por protestos no mundo
inteiro. No Brasil, foi comemorada com shows e sorteio
de carros.
Nos eventos da Força Sindical, da CUT e da UGT (que unificou
a comemoração deste ano com a CTB e a Nova Central),
os discursos foram amenos e as reivindicações, genéricas.
" Aprendemos, ao longo da vida, que não se bate naquele com quem
se está negociando, senão fechamos as portas", disse Paulo
Pereira da Silva, presidente da Força, na festa na praça Campo
de Bagatelle (zona norte de São Paulo). Pelo local, passou 1,5 milhão
de pessoas, segundo a Polícia Militar.
No palco da Força, os sindicalistas pediram nova prorrogação
da redução do IPI para carros e incentivos fiscais para
setores afetados pela crise -como os de carnes e máquinas. " Estamos
criticando os juros e a lentidão do governo em tomar ações
no que se refere a determinadas cadeias produtivas que demitiram",
afirmou Paulinho. Mas o sindicalista também reconheceu acertos
no governo Lula para enfrentar a crise. " Fizemos pressão
para garantia de emprego quando houvesse redução de impostos
para as empresas, e isso ele fez."
Críticas mais duras foram dirigidas às empresas que demitiram.
E foram feitas pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi. "Não
adianta algumas empresas tentarem se aproveitar da crise para ganhar
dinheiro. Falo da demissão no setor automobilístico,
e acho que a Embraer se precipitou [nas demissões], pois agora
já está vendendo mais aviões."
A ministra da Casa Civil, Dilma Rouseff, não compareceu à festa
da Força, como havia sido anunciado, porque acompanhou evento
do pré-sal no Rio. Uma carta escrita por ela foi lida durante
o evento em SP. Na festa da CUT na Cidade Dutra (zona sul), por onde
passaram 100 mil pessoas, segundo a PM. Sebastião Cardozo, presidente
estadual da central, afirmou que "as medidas do governo estão
indo no sentido correto" e "têm atendido uma série
de reivindicações dos trabalhadores". Segundo ele,
a central não abrirá mão de pleitos como redução
da jornada e aumentos reais. Nem deixará de criticar lentidão
na reforma agrária e no corte dos juros. "Saímos
de uma agenda negativa para os trabalhadores, que vinha antes do governo
Lula, para outra positiva, de geração de vagas e valorização
do salário mínimo", disse Cardozo.
Crédito
Na festa da UGT, que reuniu 200 mil pessoas na avenida São João,
segundo a PM, as principais reivindicações foram o aumento
do crédito às pequenas empresas, cortes de juros e redução
do "spread" [diferença entre a taxa de captação
dos bancos e a cobrada de clientes].
" Concordamos com a política de redução de IPI para
preservar o emprego. Mas esse estímulo beneficia a indústria. Representamos
os trabalhadores do comércio e dos serviços. Para eles, é o
crédito que faz diferença", disse Ricardo Patah, presidente
da UGT.
Nos 26 minutos de ato político, os discursos foram amenos. Somente
um dirigente criticou duramente empresas que demitem. Wagner Gomes,
presidente da CTB, afirmou que as reivindicações são
feitas diariamente pelas centrais ao governo e que o objetivo da festa
era homenagear o trabalhador.
" O 1º de Maio perdeu o seu caráter de luta, de reflexão
sobre as condições de trabalho e se transformou em um exercício
midiático, com sorteios de carros", disse Ricardo Antunes, da Unicamp.
Para Wilson Amorim, professor da FIA (Fundação Instituto de Administração), "as
centrais estão cumprindo o papel delas e optaram, para comemorar o 1º de
Maio, pela dobradinha entretenimento e discursos políticos".
(DENYSE GODOY, VERENA FORNETTI,
JULIO WIZIACK e FATIMA FERNANDES)
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Folha
de S.Paulo, 2 de maio de 2009
FRANÇA: "G8 SINDICAL" LEVA
160 MIL ÀS RUAS DE PARIS
As oito maiores agremiações trabalhistas
da França se uniram pela primeira vez no chamado "G8
sindical". O 1º de Maio foi marcado por mais de 300
protestos pacíficos no país. Em Paris, o "G8" diz
ter reunido 160 mil manifestantes contra o governo e contra "empresários
que se aproveitam da crise" para demitir. Os lemas eram "mais
emprego justo" e "a crise são eles; a solução
somos nós". O desemprego na França é de
8,8%.
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Folha de S.Paulo, 2 de
maio de 2009
Nem qualificação
dá chance de emprego para mais jovens
Cursos rápidos, custeados pelas
famílias, não dão diferencial e frustram
expectativas
Na faixa de 16 aos 24 anos desemprego é de
21,1%, segundo o IBGE; taxa geral ficou em 9% em março
nas regiões metropolitanas
ELVIRA LOBATO
DA SUCURSAL DO RIO
Basta circular por bairros de classe média baixa
da região metropolitana do Rio de Janeiro para constatar
um dos mais cruéis efeitos da crise econômica:
o aumento do desemprego entre jovens. Ociosos, eles passam
o dia sentados em grupo nas praças e nas calçadas.
O cenário confirma a pesquisa divulgada pelo IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística), na semana passada, que
apontou taxa de desemprego de 21,1%, na faixa etária dos 16
aos 24 anos, em março.
A Folha ouviu dezenas de rapazes e moças na zona oeste do Rio
e nos municípios de Duque de Caxias e Belford Roxo, na Baixada
Fluminense, e constatou o esforço das famílias para custear
a qualificação técnica dos filhos e a decepção
com os cursos rápidos, que não abrem portas no mercado
de trabalho.
"" Há seis meses procuro emprego. Qualquer um. Na semana passada,
fui atrás de um anúncio falso. Eu teria que convencer alguém
na rua a comprar um eletrodoméstico que não existia para conseguir
a vaga. Só me aparecem arapucas", diz Rúbio Catrinck, 19,
morador de Belford Roxo. Estudante do supletivo do ensino médio, Catrinck
fez cursos de informática básica e de manutenção
de computadores.
O estudante universitário Victor Jacinto da Silva, 22, também
de Belford Roxo, está desempregado há dois meses. Depois
de trabalhar como copeiro, auxiliar e vendedor, procura emprego dentro
de sua área de estudo: gestão da tecnologia da informação.
Filho de pai taxista e de mãe doméstica, atribui ao fato
de morar a 50 km do centro do Rio parte do desinteresse por seu currículo.
Ele pesquisa as ofertas de emprego e envia o currículo pela
internet, mas, até agora, não teve, segundo diz, ""nenhum
feedback". ""Levo duas horas para chegar ao centro do
Rio, e a passagem custa R$ 4,50. Quem vai me contratar podendo escolher
um candidato mais perto?", afirma.
O ponto de encontro dos jovens desempregados do bairro São Vicente,
em Belford Roxo, é a avenida Boulevard. Todos os dias, por volta
das 15h, eles se juntam para bater papo.
"" A gente corre atrás de emprego, e ele corre da gente",
disse Jony Cardoso, 19. Ele parou de estudar, trabalhou como ajudante de caminhão
e está sem emprego há um ano.
"" Nosso programa é ficar sentado no meio-fio, olhando os carros
passarem. No fim da tarde, jogamos futebol. Depois, voltamos para a rua e continuamos
a conversar até a madrugada", disse Wilber Santos da Silva, 18, que
já fez ""bicos" como auxiliar de pedreiro.
Petróleo e gás
Trabalhar na produção de petróleo e gás é o
emprego idealizado pela maioria dos ouvidos no bairro de Padre Miguel
(zona oeste do Rio) e no município de Duque de Caxias. A Petrobras,
que contrata apenas via concurso público, é a empregadora
dos sonhos.
Júlio Martins, Jorge Luiz Silva, William Oliveira e Wellington
Benício, com idades entre 18 e 32 anos, têm segundo grau
completo e frequentam cursos particulares de qualificação.
Eles passam a maior parte do tempo com outros desempregados na praça
Silvinha Teles, no conjunto habitacional Dom Jaime Câmara, em
Padre Miguel (zona oeste), que tem 180 prédios e 7.500 apartamentos.
Os mais velhos, Wellington e William, fazem curso técnico e
declararam abertamente que sobrevivem da agiotagem. Depois de terem
sido demitidos, passaram a emprestar o dinheiro da indenização,
a juros de 30% ao mês, a outros desempregados ou subempregados. É mais
frequente encontrar rapazes desempregados pelas ruas do que de moças.
Mães solteiras, Rafaela Gonçalves, 24, Juliane dos Santos,
19, e Natasha Teichart, 17, moram no conjunto Jaime Câmara e
estão à procura de emprego. A exemplo dos homens, fizeram
cursos técnicos rápidos para as áreas de telemarketing,
computação e vendas. As famílias se mobilizam
para pagar as mensalidades. Tios e avós se cotizam para pagar
os cursos.
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Última Instância, 2 de maio
de 2009
Direitos trabalhistas
STF tem mais de 20 mil processos
sobre Diretos Trabalhistas
Tramitam no Supremo Tribunal Federal 20.189 processos que tratam do Direito
do Trabalho e de temas referentes à legislação processual
civil e do trabalho. Os temas mais comuns são os que tratam de
precatórios alimentares, aposentadoria, verbas rescisórias,
multa de 40% do FGTS, vencimentos, insalubridade e acidente do trabalho.
O Dia do trabalhador está relacionado à Justiça
e aos direitos dos mesmos. Em 1º de maio de 1886, ocorreu uma
grande manifestação de trabalhadores em Chicago, nos
Estados Unidos. Trabalhadores protestavam contra as condições
desumanas de trabalho e a enorme carga horária à qual
eram submetidos, de 13 horas diárias. Eles reivindicavam a redução
da jornada de trabalho para oito horas diárias. A greve paralisou
os Estados Unidos.
No dia 3 de maio, houve vários confrontos dos manifestantes
com a polícia. No dia seguinte, esses confrontos se intensificaram,
resultando na morte de diversos manifestantes. Os protestos realizados
pelos trabalhadores ficaram conhecidos como a “Revolta de Haymarket”.
Apesar de terem conseguido que o Congresso norte-americano aprovasse
a jornada de trabalho de oito horas diárias, o “Labor
Day”, como é chamado nos Estados Unidos, é comemorado
na primeira segunda-feira de setembro.
Três anos mais tarde, a segunda reunião da Internacional
Socialista, realizada em Paris, decidiu convocar anualmente uma manifestação
com o objetivo de lutar pelas oito horas de trabalho diário.
A data escolhida foi 1º de maio, como homenagem às lutas
sindicais de Chicago.
Só em 23 de abril de 1919 que o Senado francês ratificou
a jornada de trabalho de oito horas e proclamou o dia 1° de maio
como feriado nacional. Outros países adotaram a data comemorativa
nos anos seguintes. No Brasil, a data foi consolidada em 1925, no governo
de Artur Bernardes.
Até o início da Era Vargas, o Brasil possuía
poucas agremiações de trabalhadores, já que a
industrialização do país ainda engatinhava. O
movimento operário, até então, era caracterizado
por forte influência do anarquismo e comunismo, que conferia à celebração
do 1º de maio um tom de protesto e crítica às estruturas
sócio-econômicas do país. Com a chegada de Vargas à presidência,
a ideia foi gradativamente dissolvida e os trabalhadores urbanos passaram
a ser influenciados pelo que ficou conhecido como trabalhismo.
O Dia do Trabalho ganhou uma conotação mais festiva,
com a substituição dos piquetes e passeatas, por festas
populares, shows, desfiles e celebrações similares em
homenagem ao trabalhador. Também foi nesse período que
se popularizou a data como o dia em que os governos anunciam o aumento
anual do salário-mínimo e outras medidas em benefício
aos trabalhadores. Com informações da Assessoria de Imprensa
do Supremo Tribunal Federal.
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Folha de S.Paulo, 2 de
maio de 2009
DIA DO TRABALHO
Negociação
entre empresa e trabalhador é melhor saída
diante da crise
Mariana Ghirello
Em tempos de crise econômica mundial, com o aumento nos casos de
falências e demissões é inevitável que também
haja um crescimento do número de processos na Justiça do
Trabalho.
Mas a negociação para a solução de
conflitos entre empresas e trabalhadores pode ser um bom caminho
para diminuir o aumento da demanda processual, evitando a hipótese
de colapso, levantada pelo novo presidente do TST (Tribunal Superior
do Trabalho), ministro Milton de Moura França.
A desembargadora do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São
Paulo, Marta Casedei Momezzo concorda com o presidente do TST. “O
aumento do desemprego sugere uma situação de demissões
com direitos trabalhistas sonegados. Com isso, é inegável
o aumento das demandas trabalhistas”, disse, ressaltando porém,
que existem outras formas para a solução desses conflitos.
PDV
As indústrias quando são obrigadas a enxugar a folha
de pagamento utilizam o PDV (Plano de Demissão Voluntária)
como instrumento de negociação com o trabalhador. Porém, é a
empresa que define os benefícios que os ex-empregados irão
ter.
Momezzo ressalta que o PDV é regulado por lei, e a normatização
deverá observar princípios constitucionais. Segundo
a desembargadora, a empresa não pode obrigar ninguém
a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de
lei. Assim, deve-se respeitar a livre manifestação
da vontade, sendo vedada a coação.
E ainda, não pode prever cláusulas discriminatórias
de qualquer espécie, sem distinção de qualquer
natureza, seja de gênero, raça, crença religiosa
ou convicção filosófica ou política;
opção sexual; gravidez; incapacidade laborativa; deficiência
física ou mental, etc., completa a desembargadora.
A magistrada explica que, ainda que o trabalhador aceite as condições
do PDV no primeiro momento, se posteriormente se sentir lesado, “pode
ajuizar reclamação trabalhista visando a satisfação
de quaisquer direitos ou diferenças que entender devidas”.
Este entendimento está de acordo com a OJ (Orientação
Jurisprudencial) 207 editada pelo TST.
Marta Momezzo afirma que a OJ 207 faz com que a empresa entenda
sua função na sociedade e ainda preserva a dignidade
da pessoa humana, “o empregador não pode se desfazer
do trabalhador como se fosse mera mercadoria” completa.
Acordos Extrajudiciais
Marta acredita que deve haver uma negociação entre empregador
e empregado, porém, antes da questão ficar sob a tutela
do judiciário. Ela sugere ainda uma modificação
no modelo de negociação atual, algumas “amarras” fazem
com que a negociação fique muito distante da realidade
da empresa.
A lei assegura que o sindicato esteja ciente da realidade financeira
da empresa, ela defende a representação no local de
trabalho para que essas negociações sejam mais justas. “A
melhor saída é encontrar, dentro de nosso ordenamento,
caminhos que já nos levam a uma mudança no perfil da
negociação coletiva”. Para ela os sindicatos
deveriam fazer o uso de clausulas previstas na Constituição
Federal, o principio da boa-fé e o direito de informação.
Mudança de paradigmas
O cenário econômico mudou, dessa forma, a figura do Estado
nas relações com empresas e trabalhadores também
se modificaram. “Vigorava o intervencionismo estatal, os sindicatos
não precisavam fazer nada, o Estado concedia tudo” explica
Marta.
De acordo com a magistrada, a Constituição Federal
assegura um Estado democrático de Direito, que pressupõe
a convivência com uma pluralidade de idéias e interesses, “os
direitos individuais não podem ser exercidos egoisticamente” ressalta.
A mudança se dá na nova função do Estado, “exercer
as funções de fiscalização, incentivo
e planejamento, assumindo a atividade econômica em caráter
subsidiário, em caso de segurança nacional ou relevante
interesse coletivo” completa.
Ela ressalta a atuação do MPT (Ministério Público
do Trabalho) na mediação dos conflitos, “num
momento de crise que afeta as relações de trabalho
a negociação coletiva surge como melhor instrumento
para pacificação dos conflitos” sugere.
Novo papel
O advogado da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Lafaiete
Pereira Biet explica que quando existe uma demissão em massa,
foge da questão individual, assim exige uma conversa da empresa
com a entidade sindical.
Biet ressalta que para a negociação ser justa depende
da organização que o sindicato possui, porque se não
existe o diálogo “a empresa age de forma arbitraria”.
Mas ele acredita que existe um avanço, visto que a própria
Constituição prevê a proteção do
trabalhador quando há uma demissão em massa.
O advogado concorda que houve um aumento significativo no número
de processos, e que o PDV é muito utilizado pela empresa que
não quer se desgastar, ela cria vantagens provisórias
para os trabalhadores que pedirem demissão.
Para ele o PDV possui dois aspectos interessantes, ele pode ser
atrativo para o trabalhador que já queria sair da empresa,
por outro lado “é algo imposto pela empresa, é um
pacote fechado”completa.
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