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O Outro Lado da Notícia,
3 de maio de 2009
Trabalhadores não devem aceitar
negociação com redução de salário
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi que "os trabalhadores devem
se recusar a participar de qualquer tipo de negociação
que reduza seus salários".
Ele falou ao participar da festa do Dia do
Trabalhador, promovida pela União Geral dos Trabalhadores (UGT),
pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e pela
Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST).
O ministro disse ainda estar confiante de que
o Brasil vai encerrar 2009 com saldo positivo na criação
de vagas formais de emprego.
Segundo Lupi, os números do Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de abril irão superar
a criação de empregos registrada em março, quando
houve geração de 34,8 mil vagas.
O ministro atribuiu a crença no crescimento
dos postos de trabalho à recuperação da economia,
principalmente nos setores de construção civil, comércio
e serviços.
"O mercado interno é forte. Em
abril, vai haver um crescimento de emprego ainda maior que em março",
disse Lupi.
"O ano de 2009 vai acabar com saldo positivo",
afirmou.
O ministro voltou a criticar o "oportunismo" de
empresários que usam o momento de crise econômica para
demitir. Ele citou como exemplo de "precipitação" a
indústria automobilística e a Embraer, mas ponderou que
existe essa distorção em vários outros setores
da economia.
"Não adianta alguns quererem se
aproveitar da crise para ganhar dinheiro", criticou.
"O Brasil está cansado de espertos",
disparou.
Sobre novas medidas no sentido de ampliar o
número de parcelas do seguro-desemprego para mais setores além
dos que foram contemplados em março, Lupi afirmou que terá respostas
sobre esse pedido das centrais sindicais na segunda quinzena de maio.
A festa, organizada pelas três centrais
sindicais, homenageou o piloto de Fórmula 1, Ayrton Senna, morto
há 15 anos, no dia 1º de maio.
De acordo com o presidente da UGT, Ricardo
Patah, a temática foi escolhida pelo "peso simbólico" de
Senna.
"Porque ele era um homem que, além
de vencedor, tinha uma qualidade de superar a adversidade".
Segundo Patah, estiveram presentes cerca de
300 mil pessoas à festa, realizada na Avenida São João,
centro da capital paulista.
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Agência Estado,
3 de maio de 2009
Carlos Lupi anuncia ampliação
do pagamento do seguro-desemprego
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse que apresentará "nos
próximos dez dias" a proposta para ampliação
do período de pagamento do seguro-desemprego a alguns setores,
os mais atingidos pela crise econômica, ao Conselho Deliberativo
do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat).
De acordo com Lupi, o seguro desemprego que
hoje é pago ao trabalhador de três a cinco meses poderá ser
ampliado para de cinco a sete meses, mas "poucos setores" terão
necessidade disso.
O ministro explicou que estão sendo
realizados estudos com os dados até março para ver quais
setores serão beneficiados. Ele citou entre os setores cujos
trabalhadores poderão ter aumento do período de pagamento
do seguro desemprego os de frigoríficos e máquinas agrícolas.
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Agência Brasil,
3 de maio de 2009
Dieese avalia que crise mundial
pode levar à valorização do trabalho
Se, em curto prazo, os efeitos da crise financeira mundial podem atrapalhar
a luta trabalhista no Brasil, no médio e longo prazos, as reflexões
que partem da crise podem produzir efeitos positivos para os trabalhadores.
A avaliação é do economista
Sérgio Mendonça, coordenador da Pesquisa de Emprego e
Desemprego (PED) realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Um efeito considerado por Mendonça é a
valorização da atividade produtiva, em detrimento da
atividade meramente financeira.
"O trabalho voltou a ter voz depois que
tudo ruiu. O desmonte dessa parafernália financeira que o mundo
estava vivendo abre uma agenda, no mínimo, interessante sobre
a inclusão, o acesso ao emprego e a novas políticas fiscais
e tributárias com o objetivo de taxar mais os mais ricos e de
distribuir renda".
Nesse sentido, Mendonça avalia que este
1º de Maio deve ensejar uma perspectiva de empregos mais decentes,
a depender da capacidade de mobilização dos trabalhadores.
"O mundo vinha em uma toada na qual a
dimensão financeira das atividades econômicas é que
dava o tom. Com toda essa crise, com a desvalorização
dos ativos, a tendência é dar a dimensão produtiva
um valor que estava relativamente menor nos últimos 20 anos.
Isso carrega consigo a possibilidade de maior geração
de emprego", explicou.
Mendonça disse ainda que não
vê espaço para flexibilização de leis trabalhistas
em um contexto de crise como o atual. No entanto, ele reconhece que,
na prática, o mercado acaba fazendo isso, com muitas empresas
atuando na ilegalidade em relação a contratações.
"Não se altera a legislação
em momentos de crise. A finalidade dos governos de todo o mundo agora é tirar
o país da recessão com políticas expansionistas.
O governo tem que continuar intervindo para evitar um desaquecimento
mais forte".
E segue: "Não há, na minha
opinião, nenhum clima para um movimento de flexibilização
de leis trabalhistas. Na vida real, na prática, o mercado faz
isso, contratando pessoas sem carteira assinada e colocando a culpa
na crise", destacou.
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Agência Senado,
3 de maio de 2009
Paulo Paim apresenta pauta
de proposições para o movimento sindical
" (...) Creio que está na hora de o movimento sindical brasileiro
colocar o bloco na rua, exigir a aprovação de projetos que tramitam
aqui no Congresso Nacional e que vão na linha da ação contra
o desemprego, contra as falhas na educação, contra a criminalidade"
O senador Paulo Paim (PT/RS) analisou alguns
projetos que considera fundamentais para a melhoria da renda e das
condições de trabalho dos brasileiros. Na sua opinião,
essas matérias, em curso no Legislativo, deveriam obter um apoio
mais firme e constante das entidades sindicais no Parlamento.
"O dia 1º de maio merece ser celebrado,
não só com reflexões e festas, mas, sobretudo,
com ações concretas. Creio que está na hora de
o movimento sindical brasileiro colocar o bloco na rua, exigir a aprovação
de projetos que tramitam aqui no Congresso Nacional e que vão
na linha da ação contra o desemprego, contra as falhas
na educação, contra a criminalidade".
E continuou: "Enfim, projetos que buscam
resgatar a dignidade dos trabalhadores e dos aposentados e pensionistas",
disse o parlamentar.
Entre esses projetos, ele mencionou a Proposta
de Emenda Constitucional (PEC) 231/95, que apresentou em parceria com
o senador Inácio Arruda (PCdoB/CE), que reduz a jornada de trabalho
de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial.
Na opinião do senador, uma das formas
de combater a crise e o desemprego é justamente reduzindo a
jornada.
Estudos do Departamento Intersindical de Estudos
Estatísticos e Sócio-Econômicos (Dieese) citados
pelo senador indicam que a redução de jornada geraria
de imediato cerca de 3 milhões de postos de trabalho. Se reduzida,
depois, uma hora por ano, até o limite de 36 horas, poderiam
ser gerados cerca de 7 milhões de empregos.
"É claro que a criação
de novos postos e a redução de jornada de trabalho
devem vir acompanhadas de medidas como o fim das horas extras",
ponderou o senador, acrescentando que a diminuição
da jornada só representaria uma vitória se fosse fruto
de um grande entendimento entre empregados, empregadores e governo.
Paim lembrou ainda outras matérias de sua autoria, como o Projeto
de Lei do Senado (PLS) 58/03, que atualiza o valor das aposentadorias
e pensões pagas pelo INSS, garantindo aos aposentados a mesma
quantidade de salários mínimos a que tinham direito na
data em que requereram; a PEC 50/06, que acaba com o voto secreto;
o PLS 296/03, que extingue o fator previdenciário; e a PEC 24/05,
que cria o Fundo Nacional do Ensino Técnico Profissionalizante
(Fundep).
O PLS 58 está em discussão na Câmara. Trata-se
agora do PL 4.434/08 aprovado no dia 29 de abril na Comissão
de Seguridade Social e Família. O PL 296 também está em
discussão na Câmara (PL 3.299/08).
"Com a aprovação da PEC 50, nós injetaremos
no mercado cerca de R$ 8 bilhões por ano na área do ensino
técnico. Se a reativação da economia mundial for
tão lenta como se prevê, no Brasil o aumento da taxa de
desemprego provocada pela crise vai afetar principalmente a população
mais jovem", justificou Paim.
O senador tratou também, em seu discurso, dos 90 anos da Organização
Internacional do Trabalho (OIT); do acerto da política de recuperação
do salário mínimo aprovada pelo Congresso; e da luta
dos trabalhadores rurais do Sul para reivindicar uma série de
medidas destinadas a amenizar os efeitos da seca no Rio Grande do Sul,
Santa Catarina e Paraná.
Com o propósito de contribuir com este debate, DIAP preparou
uma agenda de poposições para os servidores, os trabalhadopres
da iniciativa privada e também para as entidades sindicais.
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Jornal Extra, 3 de
maio de 2009
Trabalhador poderá aplicar
mais no Fundo de Investimento do FGTS
O ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, informou que está em estudo a ampliação
da margem da parcela que os trabalhadores poderão
utilizar no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FI-FGTS), de 10% para até 30%.
O projeto do ministério permitirá que cada trabalhador
se torne um cotista do fundo FI-FGTS, recebendo uma remuneração
de, pelo menos, 6% ao ano, mais TR (Taxa Referencial).
Se deixar o dinheiro parado no FGTS, o rendimento será de 3%
ao ano mais TR, que, em abril, rendeu 0,04%.
"O projeto será definido pelo Conselho Curador do FGTS
em sua próxima reunião (no dia 19), e vai ser apresentado
ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o fim do
mês", explicou Lupi.
Atualmente, o fundo de investimento usa até 10% das reservas
do FGTS para financiar obras. Contudo, ainda não é permitido
ao trabalhador investir diretamente nele.
Para isso, é necessária a autorização
do presidente por medida provisória ou projeto de lei, explicou
o secretário executivo do conselho curador, Paulo Furtado.
"Não serão todos os trabalhadores que poderão
investir 30%. Quem tem mais dinheiro guardado terá uma margem
menor, e quem possui um saldo menor poderá investir até 30%",
disse Furtado.
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O Outro Lado da Notícia,
3 de maio de 2009
Trabalhador ganha site para
acompanhar movimentação do FGTS
O trabalhador brasileiro ganhou uma nova ferramenta para auxiliá-lo
no acesso e na fiscalização dos dados do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS).
O Ministério do Trabalho e Emprego e
a Caixa Econômica Federal lançaram o endereço eletrônico
do FGTS (www.fgts.gov.br).
O ministro Carlos Lupi, que preside o
Conselho Curador do FGTS, ressaltou, em entrevista à Agência
Brasil, que a iniciativa é importante para o trabalhador acompanhar
a movimentação de sua conta. Por meio do site,
ele poderá verificar o rendimento e o saldo do seu FGTS. "Saber,
por exemplo, como está sendo aplicado o dinheiro do fundo,
em que obras, em que estado".
O empregador também terá noção de como
anda a sua empresa e se ela está em dia com as contribuições.
"Essa página dá transparência total a todo
tipo de atuação dos recursos do FGTS com seu agente operador,
que é a Caixa Econômica Federal", afirmou Lupi.
O vice-presidente de Fundos e Loteria da Caixa, Wellington Moreira
Franco, reiterou que o site do FGTS é importante para a sociedade
em geral, porque "você poderá saber sobre a arrecadação,
sobre o volume de saques, sobre o funcionamento da conta do trabalhador,
além das obras que estão sendo financiadas nas áreas
de habitação e saneamento pelo Fundo de Garantia".
"Enfim, são informações preciosas para administrar
a conta do trabalhador, para fiscalizar o pagamento que é feito
pelo empregador", disse.
O ministro do Trabalho manifestou a expectativa de que a arrecadação
do FGTS vai aumentar este ano.
"Nós já passamos pelo pior momento (da crise).
Abril já reagiu bem e, em maio, reagirá melhor ainda.
Eu tenho certeza de que, neste ano, o FGTS terá uma grande elevação
no aporte de recursos", disse.
Lupi não tem, entretanto, nenhuma estimativa.
Explicou que a arrecadação do fundo depende do número
de trabalhadores empregados.
"O FGTS trabalha muito vinculado à empregabilidade. Crescendo
a empregabilidade, cresce o FGTS. Como já está crescendo
a empregabilidade, vai crescer, com certeza, o FGTS", afirmou.
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Congresso em Foco,
3 de maio de 2009
As mudanças na caderneta
de poupança
Osvaldo Martins Rizzo*
O capitalismo -regime econômico hegemônico do lucro concentrador
de riqueza- vive uma nova crise, desta feita com proporções
gigantescas, dolorosas e globais.
Desencadeada pelo desmanche de complexas operações de
securitização de papeis de derivativos de créditos
montadas para buscar o lucro pelos intermediários (executivos
dos grandes bancos de investimentos muito bem pagos e movidos a estimulantes
químicos ilegais), a crise fez com que a “corrente da
felicidade” dos modernos alquimistas financeiros evaporasse no
ar, causando enormes perdas patrimoniais aos investidores, e empurrando
o mundo para uma recessão.
Para ilustrar: como jogadores compulsivos viciados em carteado, os
altos dirigentes do fenecido banco Bear Stearns buscaram o lucro apostando
pesado em bônus privados de alto risco e perderam. Estimado em
cerca de 10% do total das reservas brasileiras, o estoque de liquidez
da quase centenária instituição bancária
sumiu em menos de 48 horas, mostrando ser insuficiente para conter
a corrida aos caixas do banco que ceifou milhares de empregos.
O aspecto cruel dessa crise é que ninguém escapará de
pagar uma parte do prejuízo.
Em países historicamente endividados que necessitam de poupança
privada para neutralizar seu déficit nominal crônico,
ocorrerá um importante aumento do estoque da dívida pública
com o posterior retorno do medo dos poupadores de levar um calote do
governo.
Tentando estimular o cadente nível de atividade das economias,
os governos reduzem a taxa básica de juros e injetam dinheiro
público nos mercados, beneficiando alguns eleitos. No futuro,
o cidadão comum empobrecerá ao ter de entregar parte
de seus bens para o setor público, pagando essa conta com tributos
maiores e inflação mais alta.
Sozinha, a China pouco poderá fazer para manter elevado o ritmo
do comércio mundial.
Afetado pelo contexto da crise, o crescimento médio do PIB
brasileiro corre o risco de voltar à mediocridade registrada
nas últimas décadas com o declínio dos lucros
corporativos. Esse cenário desagrada ao grande capital que pressiona
o governo buscando o lucro através de mais renúncias
fiscais e da flexibilização da legislação
para diminuir o custo com o trabalho.
Por sua parte, ante a perspectiva de queda da taxa básica de
juros, os rentistas começaram a sentir a incômoda redução
dos seus ganhos mensais provenientes do lucro das aplicações
financeiras em fundos mútuos, lastreados em papeis emitidos
pelo governo para rolar a dívida pública, sem a amortizar.
Acostumada a receber do governo, durante décadas, a sua generosa
mesada mensal, a confraria financeira encurrala o governo obrigando-o
a mudar as regras de funcionamento da caderneta de poupança
para que continue perdendo dos fundos de investimentos em lucratividade.
A “ciranda financeira” tem que continuar mesmo que para
isso o pequeno poupador e o mutuário da casa própria
venham a ser prejudicados.
Somente com a cobrança da taxa de administração
desses fundos, os intermediários das operações
(os bancos) lucram mais de um bilhão de reais por mês,
valor que cairia com a massiva migração de aplicações
para a caderneta de poupança se as normas atuais fossem mantidas,
e que contribui significativamente para garantir os ganhos dos acionistas
majoritários e dos altos executivos com os milionários
prêmios pela superação das metas estabelecidas
para os lucros.
Uma das mudanças sugeridas atrela o rendimento da caderneta
de poupança aos juros de mercado, o que implicaria na alta dos
encargos do financiamento da casa própria sempre que o Banco
Central aumentasse a taxa básica de juros, prejudicando o mutuário.
Também não importa se as mudanças nas regras
revivam na enleada memória do pequeno poupador a dolorosa experiência
do confisco do Plano Collor desestimulando as novas gerações
a poupar, pois a práxis do grande capital é cruel e manda
que o resto da sociedade sempre perca para que ele nunca deixe de lucrar.
*Osvaldo Martins Rizzo – Engenheiro e ex-Conselheiro
do BNDES
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Gazeta do Povo, 3
de maio de 2009
Avaliação
Enem. Uma disputa (in)justa?
O Ministério da Educação
quer que o novo exame alavanque mudanças na educação
básica e torne mais democrático o ingresso
no ensino superior. Especialistas defendem alterações
mais profundas na qualidade do ensino básico
O Ministério da Educação
(MEC) quer que o novo formato do Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) seja o primeiro passo em direção a uma reforma
do sistema educacional. O vestibular, utilizado há cerca de
40 anos como forma de acesso ao ensino superior, sairia do foco dos
estudantes. A ideia é primar por conteúdos ricos em
raciocínio e análise. Na visão do ministério,
os atuais vestibulares priorizam a memorização. Na
nova versão proposta, muitas lacunas ainda estão bem
abertas. Entre as principais, a indefinição por parte
das universidades sobre a adesão ou não ao novo sistema.
O MEC ainda não tem uma lista com os nomes das instituições
que já declararam que vão aderir ao novo Enem ainda
neste ano.
No Paraná, a Universidade Tecnológica Federal (UTFPR)
anunciou que vai utilizar o sistema de seleção unificado
do novo Enem, em 3 e 4 de outubro, para o processo seletivo de 2010.
Já o Conselho Universitário da Universidade Federal do
Paraná (UFPR) adiou a decisão sobre o assunto para 19
de maio. Na terça-feira as instituições particulares
debatem a adesão ao novo Enem na Associação Brasileira
de Mantenedoras do Ensino Superior. Na próxima quarta-feira
ocorre uma audiência pública, em Brasília, sobre
o assunto. O novo Enem também entrou na pauta da Comissão
de Educação, Cultura e Esportes do Senado, que deve realizar
outra audiência pública sobre o tema.
Além das dúvidas que deixam qualquer estudante do terceiro
ano do ensino médio à beira de um ataque de nervos, educadores
e especialistas divergem sobre a intenção que motivou
a mudança: de democratizar o acesso ao ensino superior e melhorar
a qualidade do ensino básico. Na opinião do reitor da
UTFPR, Carlos Eduardo Cantarelli, uma das principais vantagens para
o aluno é a possibilidade de tentar vagas em cinco cursos de
cinco universidades no país inteiro, sem necessidade de deslocamento. “Evidentemente
que não se sabe toda a logística. Mas é um impasse
do primeiro momento. Dá um desconforto quando se quebra algo
que vinha sendo feito há tantos anos da mesma forma”,
diz.
Já o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), ex-ministro da Educação,
avalia que a intenção de mexer no vestibular e melhorar
o Enem é boa. “Mas o governo ainda está dando um
jeitinho e não está interessado em melhorar a qualidade
da educação básica. E isso só ocorre com
uma grande revolução na educação. A minha
proposta é a federalização das escolas, que os
professores sejam pagos pelo governo federal”, diz. Ele cita
um programa que existe na Universidade de Brasília, onde os
estudantes são avaliados no fim de cada ano do ensino médio
e, se forem bem avaliados, não precisam passar pelo vestibular,
entram direto na universidade. O senador é autor de um projeto
semelhante a ser adotado em todo o país, que tramita no Senado.
Processo justo?
Outra preocupação por parte dos educadores é se
os estudantes de escolas públicas, portadores de deficiências
e aqueles que abandonaram os estudos e concluíram o ensino médio
na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) teriam
as mesmas condições de ingresso que os demais. Os resultados
do desempenho dos alunos no Enem divulgados nos últimos três
anos pelo MEC mostram alunos de escolas particulares sempre com as
maiores notas. As estaduais ficam com a menores.
Na edição de 2008, uma escola estadual de Curitiba,
a Alcindo Fanaya Júnior, exclusiva para surdos, figurou na lista
entre as piores do país. A nota, 26, aparentemente baixa, foi
comemorada pela direção, já que os alunos fazem
as provas sem qualquer tipo de interpretação específica
para a deficiência que possuem. E o desempenho foi melhor do
que em 2007 (leia mais sobre essa situação na edição
de amanhã).
Na proposta do MEC, as universidades podem manter as suas políticas
de cotas afirmativas, inclusive beneficiar os estudantes de escolas
públicas. O sistema de cotas, que iniciou na UFPR em 2004, garantiu
o acesso de 35% de alunos negros e oriundos de escolas públicas
no último ano. De acordo com o diretor do programa de televisão
Eureka, direcionado a estudantes que estão concluindo o ensino
médio, Marlus Geronasso, professor de Redação
e Literatura, a solução seria uma mudança completa
na educação básica. “O ensino médio
tem uma evasão espetacular. Se não se muda lá atrás,
várias situações vão surgindo no caminho
e resulta no fracasso do ensino médio público. Se não
fossem as cotas, o universo de alunos de escolas públicas que
passam no vestibular seria de chorar”, diz.
Na opinião do senador Flávio Arns (PT-PR), presidente
da Comissão de Educação e Cultura do Senado, esses
critérios têm de ser reavaliados pelo MEC. “Certos
cuidados devem ser tomados. O Enem mede todas as escolas. Não
valoriza, por exemplo, a escola com deficiência, nem a escola
pública que atende alunos carentes. O debate sobre o acesso
ao ensino superior é positivo porque o vestibular contamina
toda a educação básica”, diz.
A superintendente da Secretaria Estadual de Educação,
Alayde Digiovanni, ressalta que nenhuma vantagem foi pensada pelo MEC
para os alunos que cursam o EJA. Ela ressalta que o Paraná é contra
a proposta apresentada aos secretários estaduais, numa reunião
do Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Educação
(Consed) sobre a utilização do Enem para certificar e
garantir o acesso desses alunos à universidade. “É um
equívoco. A minha preocupação é que o Enem
está sendo colocado para muitas frentes”, diz.
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Gazeta do Povo, 3
de maio de 2009
Finanças
Poupança muda, mas sem
trauma
O governo federal vai divulgar em
breve alterações na aplicação
mais popular do país para evitar que ela seja usada
por grandes investidores
O porquinho anda pra lá de assustado.
Mas não é da gripe suína que estamos falando,
e sim da mais popular e antiga modalidade de investimento no Brasil:
a caderneta de poupança. Com a queda na taxa de juros do país – e
a consequente perda de rentabilidade dos fundos de renda fixa –,
a poupança ganhou atenções de tudo quanto é lado:
em bancos, fundos de investimento, partidos políticos e no
governo só se fala nela. Mas, certamente, ninguém
está tão preocupado quanto os 74 milhões de
poupadores que temem pelo seu pé-de-meia.
Para eles, a ordem é não entrar em pânico. Ninguém
precisa correr ao banco, sacar suas economias e colocá-las debaixo
do colchão. Embora o governo se veja obrigado a alterar as regras
do investimento, sabe do risco político envolvido – especialmente
levando-se em conta um dos grandes traumas da história recente
do país, o confisco do Plano Collor, em 1990. E a própria
propaganda oportunista de alguns partidos políticos tem mostrado
esse risco.
“ Em princípio, os pequenos poupadores não devem
ter sua remuneração alterada. Os grandes poupadores é que
devem se preocupar”, diz o professor de Economia Antonio Colangelo
Luz, da Trevisan Escola de Negócios. “O tipo de preocupação
que tivemos no passado não é preciso agora”, completa
Gustav Gorski, diretor da corretora Geração Futuro.
Já a preocupação do governo tem fundamento: os
juros básicos no Brasil caíram para seu menor patamar
da história na semana passada (10,25% ao ano) e derrubaram,
a reboque, a rentabilidade dos fundos de renda fixa. E a poupança,
que tem seu rendimento garantido em lei (6% ao ano mais a Taxa Referencial – TR),
acabou ficando mais interessante do que aqueles fundos. Acontece que
cada modalidade de investimento tem propósitos diferentes: enquanto
a caderneta tem o objetivo de servir ao pequeno poupador e seus recursos
são destinados exclusivamente para o crédito habitacional,
o dinheiro investido nos fundos é usado pelos bancos para emprestar
a pessoas e empresas. Além do mais, os fundos de renda fixa
são os principais compradores de títulos do governo federal.
Com a poupança rendendo mais, há o risco de uma debandada
de recursos dos fundos para a caderneta. “Se os fundos migrarem
para a caderneta, haverá um inchaço do crédito
imobiliário e um desprovimento de recursos para o crédito
ao consumidor, capital de giro e títulos do governo”,
diz o professor de finanças do curso de administração
da FEA/USP Keyler Carvalho Rocha. “Se houver uma migração
muito forte para o sistema habitacional, o governo perde demanda por
seus títulos e os bancos param de ganhar dinheiro”, explica
Rocha.
Taxas
O governo ainda sofre a pressão dos bancos, que cobram pela
administração dos fundos – o problema da rentabilidade
baixa em relação à poupança, aliás,
poderia ser parcialmente resolvido com o barateamento dessas taxas. “Dá para
ver um volume enorme de cotistas que pagam absurdamente caro pela remuneração
desses fundos. Mas, do ponto de vista de gestão, a renda fixa é bem
simples. Não há nada que justifique taxas tão
altas”, diz Gorski, da Geração Futuro. Por isso
mesmo, neste momento os especialistas recomendam que o investidor de
renda fixa brigue por taxas mais baixas. Elas chegam a ser nulas para
quem tem grandes quantias aplicadas, mas passam de 5% para o pequeno
investidor.
Outra dica, para quem dispõe de mais recursos, é buscar
aplicações como os CDBs, que não cobram taxas
de administração e anda possibilitam um desconto no Imposto
de Renda pago sobre o rendimento, dependendo do tempo em que o dinheiro
ficar aplicado. E sobram ainda possibilidades como o Tesouro Direto,
modalidade em que é possível comprar títulos do
governo pela internet.
História
Investimento vem do tempo do
Império
O surgimento da caderneta de poupança está intimamente
ligado à criação da Caixa Econômica Federal.
O banco foi aberto com a missão principal de recolher os depósitos
dos brasileiros. A associação pode ser percebida em trechos
do decreto que criou a “Caixa Econômica da Corte”,
em 12 de janeiro de 1861. No Artigo 1º, o então Imperador
Dom Pedro II afirmava: “A Caixa Econômica estabelecida
na cidade do Rio de Janeiro (...) tem por fim receber, a juro de 6%,
as pequenas economias das classes menos abastadas e de assegurar, sob
garantia do Governo Imperial, a fiel restituição do que
pertencer a cada contribuinte, quando este o reclamar (...)”.
Em 1872, outro decreto permitiu que a Caixa recebesse depósitos
de escravos, desde que seus senhores o autorizassem.
Nesses 148 anos, a caderneta passou por diversas alterações
até o ano de 1964. A Lei nº 4.380, de 21 de agosto daquele
ano, instituiu a correção monetária. Ou seja,
além dos 6% (0,5% ao mês), os valores depositados em cadernetas
passaram a ser atualizados pela correção monetária,
conforme porcentual definido pelo Banco Central. Esse sistema de correção
vigorou até o Plano Real, em 1994.
Atualmente, os valores depositados na poupança são remunerados
mensalmente a juros de 0,5%, aplicados sobre os valores atualizados
pela Taxa Referencial (TR). (FL)
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Folha de S.Paulo,
3 de maio de 2009
Doação para PT,
PSDB, DEM e PMDB subiu 997% em 2008
Em ano eleitoral, financiador usou
brecha na lei para doar indiretamente a candidatos
Arrecadação das 4 principais siglas
aumentou 77,4% em relação a 2006; bancos, construtoras
e empresas de lixo lideram contribuições
FERNANDA ODILLA
RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A arrecadação dos quatro
principais partidos políticos do Brasil explodiu em 2008 com
doações recebidas de empresas que exacerbaram, no ano
passado, o mecanismo usado para ocultar a identificação
dos reais financiadores dos candidatos a cargos públicos.
De acordo com a prestação de contas entregue na quinta-feira
ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e obtida pela Folha, PT, PSDB,
DEM e PMDB arrecadaram R$ 240,5 milhões em 2008, ano das eleições
municipais, sendo que 57% desse total veio de doações.
O valor das contribuições recebidas pelos quatro partidos é 997%
maior do que o que foi destinado a eles em 2007, ano em que não
houve eleições; e 77,4% acima do que arrecadaram em 2006,
ano das eleições para presidente, governador, Congresso
e Assembleias Legislativas (em valores já corrigidos pela inflação
do período).
Os recursos recebidos pelos partidos em 2008 foram em quase sua totalidade
direcionadas aos candidatos que concorreram naquele ano a prefeito e
a vereador. Essa forma de doação indireta, que é legal, é usada
pelas empresas para que seus nomes não sejam vinculados a esse
ou aquele político.
Na prestação de contas dos partidos, não é possível
saber qual candidato exatamente foi beneficiado pelo recurso doado por
determinada empresa. Construtoras, bancos e empresas de coleta e tratamento
de lixo aparecem na lista dos maiores colaboradores das legendas.
As principais doadoras dos quatro partidos foram as construtoras Queiroz
Galvão e Andrade Gutierrez, que colaboraram com R$ 8,7 milhões
cada uma. Os valores são referentes a dois CNPJs (Cadastro Nacional
de Pessoa Jurídica) listados em nome das companhias nas prestações
de contas dos partidos, ou seja, não inclui eventuais outros CNPJs
ou doações de empresas controladas ou associadas.
Ao consultar os dois CNPJs na prestação de contas dos candidatos
de 2008, verifica-se que as doações diretas foram inferiores
ao valor destinado aos partidos. Só o CNPJ da Queiroz Galvão
apresenta registro de doação: R$ 20 mil a Luiz Marinho
(PT), que venceu a disputa pela Prefeitura de São Bernardo do
Campo, e R$ 2,7 milhões a comitês eleitorais.
O maior indicativo de que as doações aos partidos são
destinadas quase que exclusivamente às eleições
reside nos números arrecadados em 2007, quando não houve
disputa eleitoral. DEM e PMDB, por exemplo, declararam ter recebido zero
de doações. Já as doações de PT e
PSDB não fazem sombra ao que receberam no ano eleitoral de 2008
-550% e 1.062% a mais do que em 2007, respectivamente.
Dos quatro grandes partidos, quem mais arrecadou doações
foi o PT (R$ 61,1 milhões), situação que repete
o verificado nos últimos anos. Ainda assim, foi o único
dos quatro que fechou no vermelho, acumulando um déficit de quase
R$ 1 milhão no ano passado. Os CNPJs que aparecem como os maiores
doadores do partido são os da Vale Manganês (empresa do
grupo Vale) e da construtora Andrade Gutierrez, com R$ 5,7 milhões
cada uma.
Em seguida, aparece o PSDB, com R$ 37,2 milhões arrecadados em
doações, sendo que os principais CNPJs doadores aos tucanos
são os das construtoras Andrade Gutierrez (R$ 3,7 milhões)
e Camargo Corrêa (R$ 2,5 milhões). O DEM recebeu R$ 32 milhões
em doações e o PMDB, R$ R$ 7,9 milhões. Em relação às
duas legendas, as maiores doações estão registradas
em nome de um CNPJ da construtora Queiroz Galvão.
Representantes dos partidos admitem ter recebido recursos de empresas
que, para não atrelar o próprio nome ao candidato, optaram
pelo repasse indireto, via legenda.
Distribuição
O presidente do PT, Ricardo Berzoini, afirma que muitos doadores indicaram
os nomes de "candidatos que gostariam de ajudar". Mas o petista
ressalva que o critério de distribuição foi exclusivo
do partido. No DEM, 80% das doações tiveram destino pré-definido,
segundo o tesoureiro da sigla Saulo Queiroz. "Sejamos honestos,
o modelo atual protege o doador que não quer se expor ou se indispor
com os candidatos", afirma Queiroz.
No PMDB não foi diferente. O deputado federal Eunício Oliveira
(PMDB-CE), que controla a tesouraria peemedebista, também admite
que a sigla repassou parte das doações seguindo orientação
dos colaboradores. "Quando o doador não indicou o candidato,
o partido selecionou quem receberia os recursos", disse.
Nem todo o dinheiro arrecadado pelo PSDB foi usado nas campanhas. O partido
repassou aos candidatos R$ 20 milhões, ou 53% do total de doações.
O restante foi usado para quitar as dívidas do partido.
Apesar de ter fechado as contas de 2008 no azul, o PSDB ainda deve cerca
de R$ 6 milhões a fornecedores. "A arrecadação
foi abaixo da esperada. A gente acreditava que seria possível
quitar toda a dívida", disse Eduardo Jorge, vice-presidente
executivo do PSDB.
Só PMN e o PCO não apresentaram a prestação
de contas ao TSE e serão intimados a entregar, em 20 dias, os
comprovantes de receita e despesas referentes ao ano de 2008. Caso contrário,
terão suspensos os repasses do Fundo Partidário.
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Folha de S.Paulo,
3 de maio de 2009
Plano habitacional empolga
baixa renda
Inscrições para concorrer
a imóvel por meio do programa Minha Casa, Minha Vida
já superam oferta em alguns Estados
Meta do governo federal é viabilizar a construção
de 400 mil moradias para famílias com renda mensal de até três
salários mínimos
DA AGÊNCIA FOLHA, EM RECIFE, PORTO ALEGRE
E CURITIBA DA REDAÇÃO
O programa habitacional do governo Lula,
que subsidiará moradias populares a serem entregues em pleno
ano eleitoral, foi um sucesso imediato de público em vários
Estados, impulsionado pelo déficit de 6,5 milhões
de imóveis na faixa de renda familiar até três
salários mínimos (hoje, R$ 1.395).
Menos de um mês após a abertura das inscrições,
o número de cadastrados no programa Minha Casa, Minha Vida já superou
o de moradias a serem construídas em alguns Estados. Há filas
nos locais de inscrição, mas não há prazo
definido para a entrega das casas.
A euforia e a expectativa geradas pelo programa, que prevê a construção
de 400 mil imóveis para essa faixa salarial, já preocupam
políticos, que temem os efeitos das exclusões na seleção
dos inscritos e a possível demora nas obras. Em Pernambuco, onde
deverão ser construídas 17.882 unidades habitacionais,
45 mil pessoas haviam se cadastrado até quinta. No Estado, que
tem déficit habitacional de cerca de 400 mil moradias, somente
um projeto, de construção de 432 casas em Olinda, está pronto
para ser concluído em um ano.
Em reunião com o secretário estadual das Cidades, Humberto
Costa, prefeitos manifestaram preocupação. "O Minha
Casa, Minha Vida gerou uma expectativa muito grande na população",
disse o prefeito de Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral (PTB). "Temos
de deixar bem claro que, depois das inscrições, ainda haverá um
processo de seleção."
Em Porto Alegre, a procura também já superou a oferta.
Mais de 13 mil pessoas enfrentaram a fila do programa federal, mas a
projeção da prefeitura é que apenas 8.000 moradias
sejam construídas em 36 meses. A prefeitura alega que esse número
de casas será suficiente para atender a demanda de inscritos,
depois que forem eliminadas do cadastro as duplicidades, as pessoas que
já têm casa própria e as que não se enquadram
nos requisitos.
As moradias que deverão ser construídas não vão
zerar o déficit de 65 mil unidades da capital gaúcha. Nos últimos
quatro anos, 4.000 casas foram construídas e outras 2.500 estão
sendo erguidas em outros programas de habitação. O custo
das casas populares é alto em Porto Alegre. A falta de terrenos
e a legislação que obriga os conjuntos habitacionais a
terem asfalto, luz, água e esgoto elevam o preço para R$
42 mil.
Segundo um especialista em habitação ouvido pela reportagem,
o custo médio de uma casa popular no interior do Rio Grande do
Sul é de R$ 20 mil. A Secretaria da Habitação teme
que o programa não deslanche por falta de interesse das construtoras
em cidades com menos de 50 mil habitantes.
Em Curitiba, as inscrições para a aquisição
da casa própria coordenadas pela Cohab aumentaram 63% desde o
anúncio do programa. Em 20 dias, houve cerca de 2.000 novas, mas
a prefeitura, em acordo com a Caixa Econômica Federal, utilizará o
cadastro geral da Cohab, criado há 20 anos, com 56 mil inscritos.
A capital paranaense terá 4.800 casas do programa. O convênio
para a construção das primeiras 96 foi assinado na semana
passada, com entrega prevista em 15 meses.
Para Paulo Ziulkoski, presidente da Confederação Nacional
de Municípios, a adesão de 12 capitais e outras 218 cidades
ao Minha Casa, Minha Vida "é mais uma manifestação
política do que uma coisa real", pois "é um protocolo
de intenções". Sobre o ônus político
para os prefeitos com o aumento das inscrições para concorrer
a um imóvel popular, ele mostra preocupação e diz
que "o morador não sabe se o município dele está enquadrado
ou não [no programa], ele quer a casa".
A prefeitura da maior cidade do país assinou um termo de adesão
com a Caixa na quinta-feira passada. Apesar de o prefeito de São
Paulo, Gilberto Kassab (DEM), afirmar que não tem "nenhuma
preocupação" com o possível ônus político,
a Cohab do município tem 658 mil cadastros feitos pela internet,
dos quais 30% apenas em abril. No Minha Casa, Minha Vida, a meta para
todo o Estado é construir 73.598 moradias para famílias
com renda de até três salários mínimos.
O prefeito disse ainda que "a adesão formaliza a participação
no sentido de identificar terrenos que possam ser cedidos ao programa",
mas não especificou quantos nem quais. O Estado de São
Paulo, que assinou um termo no mesmo dia, também não informou
quais áreas serão doadas, pois ainda está fazendo
o levantamento, segundo o secretário da Habitação,
Lair Krähenbühl. (FÁBIO GUIBU,
GRACILIANO ROCHA, DIMITRI DO VALLE e TATIANA RESENDE)
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