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O ESTADO DO PARANÁ,
05 de maio de 2009 | Economia
São Paulo concentrou a criação
de empregos formais em março
Agência Estado
Quase a totalidade dos postos formais criados em março foi gerada no
Estado de São Paulo, de acordo com o Observatório do Emprego
e do Trabalho, divulgado hoje (4) pela Secretaria Estadual do Emprego e Relações
do Trabalho. O levantamento mostra que 98% do saldo de vagas registrado no
Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), ou 34.231 das 34.828
em todo o País, concentrou-se no Estado.
O estudo, elaborado em parceria
com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas
(Fipe), aponta que os empregos com carteira assinada gerados no mês
de março estão fortemente relacionados à sazonalidade
do período e se concentram nas áreas de agronegócio,
educação e construção civil.
As regiões administrativas
que apresentaram o maior número de empregos criados foram Araçatuba,
com 11.733 postos, e São José do Rio Preto, com 10.030
vagas. As duas cidades, onde a presença de usinas de açúcar
e álcool é marcante, foram responsáveis por 64%
dos novos empregos gerados no Estado. Entre os ramos de atividade, os
que mais geraram emprego em março foram agricultura e pecuária
(13.612 vagas), construção (6.127) e educação
(5.654).
Já a indústria
da transformação, uma das mais afetadas pela crise financeira
mundial, criou 3.431 vagas, mas acumulou saldo negativo de 43.782 postos
perdidos nos três primeiros meses do ano. O comércio perdeu
6.806 postos de trabalho no mês de março.
"As vagas criadas
em março respondem a movimentos sazonais, ou seja, não
significam a retomada do crescimento no Estado de São Paulo",
afirmou o coordenador da pesquisa pela Fipe, Hélio Zylberstajn.
Segundo ele, a recuperação do emprego ainda não
ocorreu nos setores mais afetados desde o início da crise, como
a indústria da transformação e mais recentemente
o comércio. "Emprego precisa de PIB (Produto Interno Bruto)
e as previsões para o PIB este ano são terríveis",
destacou.
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O ESTADO DO PARANÁ,
05 de maio de 2009 | Economia
Pesquisa mostra onde estão oportunidades
de trabalho
Newton Almeida
De acordo com o Mapa de Oportunidades de Emprego em Curitiba, o cargo de faxineiro
foi o que mais gerou vagas na capital, durante os três primeiros meses
do ano.
Neste período, foram criadas
934 novas vagas para a função, quase o dobro do número
de vagas para assistente administrativo (530), que se destacou na segunda
colocação do mesmo levantamento. Na sequência, o
cargo de servente de obras foi o terceiro que mais gerou oportunidades
em Curitiba, com 461 novas vagas.
Segundo a economista do Departamento
Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), Lenina Formaggi, a oferta de vagas na capital acompanhou o
movimento da economia local, que vem se recuperando das “marolas” da
crise na economia global.
Segundo ela, o número
de cargos de faxineiro e assistente administrativo, que são os
setores que mais geram empregos na capital, cresceu em função
dessa recuperação.
De acordo com Lenina, a função
de faxineiro apresentou o maior número de ofertas justamente por
ser um dos cargos mais sensíveis às oscilações
da economia.
“Como para esse cargo
não são exigidas maiores qualificações, é um
dos apresentam uma maior rotatividade, já que estes trabalhadores,
da mesma facilidade em que são facilmente demitidos durante a
crise, são recontratados quando a economia se aquece”, afirma.
Segundo a economista, o mesmo
acontece com o cargo de servente de obras. Esta função,
entretanto, não chegou a registrar grandes perdas, já que,
mesmo com a crise, o setor da construção civil há doze
meses segue numa crescente.
Na comparação da
geração de empregos no primeiro trimestre do ano passado
com o mesmo período de 2009, dentre as 20 ocupações,
o destaque também vale para os cargos de trabalhadores de serviços
de manutenção de edifícios e logradouros e de embaladores
(a mão), que passaram de um saldo negativo de empregos no período
para 221 e 163 vagas respectivamente neste ano.
O período também
foi bom para vendedores em domicílio, que tiveram aumento de 615,79%
no número de vagas (de 19 para 136). O número de oportunidades
para operadores de caixa aumentou 279,03% (de 62 para 235), e para faxineiros
272%.
Na classificação
por salário médio de entrada, a maior remuneração
foi alcançada por analistas de desenvolvimento de sistemas (R$
2.344,70), seguido por assistente administrativo (R$ 938,12). O Mapa
de Oportunidades de Emprego é feito pelo Observatório do
Trabalho, da Secretaria Municipal do Trabalho, com o subsídio
de informações do Dieese.
Sugestões devem
ser enviadas para economia@oestadodoparana.com.br
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BEM PARANÁ, 05 de
maio de 2009 | Economia
Desemprego
Economista prevê aumento no País
Trabalhadores desempregados deve aumentar
até o final do ano
O número de trabalhadores desempregados deve aumentar até o final
do ano e superar os dois dígitos porcentuais. O movimento também
será acompanhado da redução da renda dos trabalhadores.
A previsão é do professor José Márcio Camargo,
da PUC Rio, e economista da consultora Opus Gestão de Recursos.
Camargo projeta que o desemprego
subirá por causa da crise. Os sintomas são efetivamente
que a taxa de desemprego deve aumentar ao longo dos próximos meses.
A minha avaliação é que a taxa de desemprego deve
atingir a 11% da força de trabalho. Segundo o economista, existe
um aumento persistente da taxa de desemprego que já esteve em
7,6% em dezembro de 2008 e chegou a 9% em março.
Segundo ele, a desaceleração
da economia e da geração de empregos começou a
ser notada entre setembro e outubro do ano passado quando os registros
do Ministério do Trabalho Cadastro Geral de Emprego e Desemprego
(Caged) já indicavam a baixa do saldo positivo de vagas criadas.
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AEN, 5 de maio de 2009
Requião sanciona piso regional
e reafirma defesa dos trabalhadores
O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB) sancionou, na última
sexta-feira (1º), na Festa do Trabalhador, o projeto de lei que fixa o
novo piso regional do estado - o maior do País - em seis faixas salariais
entre 605,52 e R$ 629,65.
"O trabalhador ganhando
mais, compra mais, mexe com o comércio, com a indústria
e no fim a geração de empregos se restabelece na recriação
do círculo virtuoso da economia. Este aumento é muito bom
para todo o Paraná", disse Requião no encontro que
reuniu mais de 60 mil pessoas na Praça Nossa Senhora da Salete,
no Centro Cívico de Curitiba.
Segundo projeções
do Dieese, o novo piso regional atende 468 mil trabalhadores formais
e representa um potencial de impacto de R$ 754,4 milhões na economia
do estado.
"O governo tem que jogar
a favor de quem trabalha, a favor do salário, das reivindicações
que dão garantia de tranquilidade as famílias dos trabalhadores
que são as famílias que levam para frente este país",
disse.
Requião fez questão
de reafirmar a atuação do governo do Paraná na defesa
dos trabalhadores.
"Não converso com
empresários sem ter ao lado um sindicato dos trabalhadores, os
que mobilizam a nossa economia com a sua força de trabalho. A
crise atual é do capital, surge nos EUA e é conseqüência
da irresponsabilidade e da ganância do capital e os trabalhadores
não podem sofrer com isto", disse.
O presidente da Força
Sindical e também do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba,
Sérgio Butka, disse que o piso regional paranaense é um
grande motivador dos trabalhadores, tanto para os que já têm
convenção coletiva de trabalho, como para os que não
têm convenção.
"Isto faz com que a gente
sinta firmeza na busca de uma melhoria do poder aquisitivo do salário.
O piso foi implantado há três anos e nesse período
recuperamos as perdas salariais em relação aos Estados
do Sul. Éramos o Estado que tinha as maiores perdas salariais
e hoje já estamos equiparados ao Rio Grande do Sul e Santa Catarina",
disse Butka.
O sindicalista destacou que mesmo
em tempos de crises, o aumento do piso regional não provoca desemprego,
como dizem setores da oposição.
"O piso não tira
emprego de maneira nenhuma, mas baliza, faz com que as empresas não
explorem a mão de obra. Desde que foi implantado o piso só melhorou
o poder aquisitivo dos trabalhadores", disse.
"Pode ser que a crise mundial
tire o emprego, mas o piso tem que ser o referencial, porque quanto mais
o trabalhador tem poder aquisitivo, mais ele vai consumir e mais emprego
vai gerar", completou.
O vice-governador Orlando Pessuti
destacou que no Paraná o primeiro compromisso do governo do Estado é com
classe trabalhadora.
"É o compromisso
que assumimos desde o dia 1º de janeiro de 2003. É a força
do governo comprometido com os trabalhadores, com os mais humildes, com
os mais pobres, com um salário cada vez maior", afirmou.
Ele disse que o salário
mínimo do Paraná é um exemplo para o país
e mostra o quanto é possível resgatar o poder aquisitivo
dos trabalhadores.
"Os Estados devem fazer
como estamos fazendo no Paraná, dando o melhor salário
para o trabalhador e melhor renda para os menos favorecidos", completou.
O secretário estadual
do Trabalho, Nelson Garcia, disse que o salário mínimo
regional soma-se às políticas de incentivo fiscais do Governo,
fazendo do Paraná o Estado que mais gera empregos no país.
"Enquanto muitos Estados
estão passando dificuldades, o Governo do Paraná tem ações
como o mínimo regional, isenção de impostos, qualificação
de mão de obra", disse.
O aumento do salário mínimo,
segundo Garcia, é o melhor mecanismo para combater a crise.
"É a melhor inclusão
social. O trabalhador não quer esmola, quer trabalho para comprar
os alimentos e os remédios sem precisar pedir nada para ninguém. É esse
o direito que o governo está dando ao cidadão paranaense".
Participaram da assinatura
da sanção do novo salário mínimo os secretários
Rafael Iatauro (Casa Civil) e Valter Bianchini (Agricultura); os presidentes
do Lactec (Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento), Luiz Malucelli
Neto e da Paraná Esporte, Ricardo Gomyde; o diretor geral do
Detran/PR, David Antonio Pancotti, e os deputados Bete Pavin (PMDB),
Caíto Quintana (PMDB) e Cleiton Kielse (PMDB).
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Agência Diap, 5 de
maio de 2009
Brasil ratifica Convenção
102 da OIT: normas mínimas de Seguridade
O Brasil ratificou a Convenção 102 da OIT relativa à fixação
de normas mínimas de seguridade social, tornando-se o 44º país
a adotar esta convenção.
O Decreto Legislativo 269/08,
que ratifica os 87 artigos da Convenção foi publicado na
edição do Diário Oficial da União (DOU) de
19 de Setembro de 2008.
No texto da convenção
constam disposições referentes ao tratamento mínimo
adequado que deve ser dado a doenças mórbidas de qualquer
origem, gravidez e parto.
Aborda também a concessão
de auxílio-doença, de benefício de velhice e afastamento
por acidente de trabalho; benefício familiar (para manutenção
dos filhos); auxílio-maternidade; benefício por invalidez
e benefício de sobreviventes, em decorrência do falecimento
do segurado, entre outras.
De acordo com o Ministério
da Previdência Social a ratificação da convenção
102 representa "um comprometimento social do Brasil com padrões
mínimos de prestação de serviços previdenciários
reconhecidos como necessários pela comunidade internacional".
Decreto Legislativo 269/08,
que aprovado o texto da Convenção 102 da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), relativa à fixação
de normas mínimas de seguridade social, adotada em Genebra,
em 28 de junho de 1952.
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O
ESTADO DO PARANÁ, 05 de maio de 2009 | Economia
Saúde do empregado é motivo
de preocupação
Joyce Carvalho
Os hábitos de vida de um
trabalhador podem influenciar diretamente no rendimento dele no ambiente
corporativo. O fato de não cuidar da saúde, não
fazer atividade física, não comer direito, fumar e beber
cria um estilo de vida que pode diminuir a produtividade no emprego.
Mais do que afetar a produção, os hábitos ruins
mostram que não dá mais para as empresas pensarem no
funcionário apenas no local de trabalho. O que ele faz nas horas
de folga pode prejudicá-lo em diversos sentidos.
O Serviço Social da Indústria
(Sesi) realizou uma pesquisa em todo o País que aponta o estilo
de vida de quem trabalha na indústria. A entidade ouviu 355.858
empregados de 2.463 empresas. Somente no Paraná participaram
34.453 trabalhadores. Os resultados deram origem ao Diagnóstico
de Saúde e Estilo de Vida do Trabalhador da Indústria.
"A pesquisa mostra que
o trabalhador não se cuida. Cada vez mais a saúde ocupacional
está ligada à saúde geral. As doenças
crônicas também afetam e prejudicam a produtividade",
afirma Carmen Luiza Weber de Camargo, gerente de segurança
e saúde no trabalho do Sesi/PR. De acordo com ela, cada vez
mais o empresariado demonstra preocupação com a saúde
do trabalhador, e não apenas a saúde ocupacional.
Mudar para hábitos
saudáveis não é necessário apenas para
incrementar a produtividade da pessoa. Uma melhor qualidade de vida
eleva a autoestima. "Podemos agir no que pode modificar o hábito
daquela pessoa. Algumas características são hereditárias,
mas podem ser melhoradas", explica Priscila Vieira dos Santos,
enfermeira do trabalho do Sesi/PR. Ela afirma que a informação
e a educação são aspectos importantíssimos
para gerar comportamento, atitude e prática. "Não é com
apenas uma ação que vai resolver", lembra.
Um aspecto importante para
a mudança de estilo de vida é a alimentação.
A nutricionista Renata Rocha Reffo, também do Sesi/PR, esclarece
que um prato saudável é composto 50% por folhas e vegetais,
25% de proteína e o restante de carboidratos.
"Nos refeitórios
das empresas, a gente vê o oposto. Isto preocupa muito. As
fibras vegetais garantem saciedade, ajudam na prevenção
do câncer intestinal, diminuem a absorção do
colesterol e reduzem a velocidade que o açúcar chega
no sangue", revela. O Sesi oferece palestras que ensinam a alimentação
correta, mas nem sempre as empresas estão abertas para isto. "Informações
em cartazes colocados nos refeitórios com dicas também
ajudam", considera.
Junto com a alimentação,
vem a necessidade da prática regular de atividade física
e o lazer. "Já existem caminhadas dentro das empresas.
Muitas vezes, o funcionário leva este hábito para casa
e influencia a família", conta Débora Desirrê de
Lara, coordenadora de esporte e lazer do Sesi/PR, que lembra a importância
da ginástica laboral.
O Sesi oferece diversos programas
em todas estas áreas que podem ajudar empresas e trabalhadores
a mudar o estilo de vida. Quem tiver interesse precisa contatar o
Sesi mais próximo.
Vícios
elevam cinco vezes os riscos de acidentes
As drogas, o álcool e suas consequências podem trazer problemas
para o trabalhador, empresa e coletividade no ambiente de trabalho. Estes vícios,
além de afetar a produtividade, causam desajustes sociais e deixam o
funcionário mais vulnerável à acidentes relacionados ao
trabalho.
Estima-se que 15% do total
de trabalhadores, em todo o País, sejam consumidores de drogas.
A produtividade destas pessoas
cai em 30% e elas estão expostas aos riscos cinco vezes mais
do que o trabalhador que não tem este tipo de problema. As
faltas chegam a 30 dias por ano, em média. Os dados foram
repassados pelo engenheiro de segurança e auditor fiscal do
trabalho, Sérgio Silveira de Barros. "As drogas podem
destruir a carreira de um trabalhador. Talvez as empresas não
estejam preparadas para lidar com esta situação",
indica.
Barros explica que o funcionário
com alcoolismo pode ser demitido por justa causa, segundo a legislação.
As empresas estão amparadas legalmente, mas já existe
a consciência de que o alcoolismo é uma doença,
segundo o auditor. "As pequenas empresas não têm
suporte e nem pessoal para fazer um encaminhamento e um acompanhamento.
Nas médias e grandes, isto já é possível",
conta. A legislação que trata da demissão por
justa causa não cita outras drogas, até porque foi
formulada em 1943. Mas ela pode ocorrer nos casos de muitas faltas;
de "corpo mole"; ameaças vindas do trabalhador;
violência; furto.
"E estes são
fatores relacionados ao uso de drogas e que indiretamente podem
provocar a demissão", ressalta. Segundo Barros, o caminho
mais curto para a empresa "resolver" o problema é com
a demissão. Mas hoje já existem iniciativas de empresas
que ajudam o trabalhador a retomar o caminho diante do problema,
seja ele qual for. "Mas ainda depende muito da sensibilidade
do empresário", esclarece o auditor.

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Zero
Hora, 5 de maio de 2009
A locomotiva da “classe C”
Embora a crise econômica mundial tenha obrigado o Brasil a dar uma freada
na economia, desde o fim do ano passado, o consumo das famílias brasileiras
pode crescer pelo menos 1,6% neste ano, na comparação com 2008.
E a principal responsável por esse desempenho positivo deve ser a “classe
C”, com participação de 30,1% da bolada de R$ 1,863 trilhão
que a população brasileira vai gastar em 2009, aponta a pesquisa
IPC-Target.
Cada vez mais, o Brasil está se tornando um país da ‘classe
C’. Por décadas, essas pessoas não podiam comprar muitos
bens, e é essa demanda reprimida que vem sustentando o consumo”,
diz Luiz Alberto Marinho, da BrandWorks, consultoria especializada em marketing
do varejo. Com 22,6 milhões de domicílios cuja renda média
mensal varia entre R$ 950 e R$ 1,4 mil, a “classe C” é a única
que deverá aumentar, em 2,8 pontos percentuais, sua fatia no bolo dos
gastos.
Devem perder espaço as “classes” A e B — embora a B
continue a responder pelo maior volume de dinheiro destinado ao consumo. A participação
das faixas de renda D e E deve se manter nos mesmos níveis, conforme indica
o IPC-Target Brasil em Foco 2009, elaborado pela Target Marketing indicando o
potencial do consumo nacional e dos municípios.
Para Marcos Pazzini, diretor da Target Marketing e responsável pelo estudo,
o maior poder de compra da “classe C” indica não só a
importância crescente dessa parcela da população como mostra
uma tendência para onde deve caminhar o consumo.
“ Quem quiser vender para essas famílias precisa entender as suas
exigências em marcas, embalagens, sabores e, também, que eles querem
qualidade”, diz Pazzini.
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O ESTADO DO PARANÁ,
05 de maio de 2009 | Economia
Gasto com construção
nos EUA sobe pela 1ª vez em seis meses
Agência Estado
Os gastos totais com construção civil nos Estados Unidos subiram
0,3% em março, para a taxa anual sazonalmente ajustada de US$ 969,7
bilhões, informou hoje o Departamento do Comércio norte-americano,
superando a previsão dos economistas de queda de 1,3%. É o primeiro
aumento nos gastos desde setembro do ano passado, ou em seis meses. Na comparação
com março de 2008, os gastos caíram 11%. Para fevereiro, os gastos
foram revisados para queda de 1%, de retração de 0,9% informada
anteriormente.
Os gastos com construção
residencial caíram 4,1% em março, para US$ 265,85 bilhões,
queda inferior à registrada em fevereiro, de 5,6%, segundo dado
revisado. Em relação a março do ano passado, os
gastos com construção residencial cederam 33,3%.
Os gastos com construção
fora do setor residencial subiram 2% em março em relação
a fevereiro, uma vez que os investimentos para a construção
de instalações educacionais e de energia elétrica
aumentaram e os investimentos para construção de escritórios
permaneceram estáveis. Os gastos do setor privado caíram
0,1% em março, para US$ 661 bilhões, enquanto os gastos
do setor público cresceram 1,1% em março, para US$ 308,7
bilhões.
Vendas
O indicador de vendas pendentes
de imóveis residenciais nos EUA subiu 3,2% em março, para
84,6, de 82 em fevereiro, informou hoje a Associação Nacional
de Corretores de Imóveis (NAR, na sigla em inglês). Analistas
privados esperavam que as vendas subissem 1%.
Porém, o economista-chefe
da associação, Lawrence Yun, disse que ainda é muito
cedo para declarar uma recuperação no setor imobiliário. "Este
aumento pode ser um indicador antecedente de que os compradores em busca
do primeiro imóvel estão respondendo às condições
mais favoráveis de compra e ao crédito tributário
de US$ 8 mil, que aumenta o poder de compra ainda mais em regiões
onde programas especiais permitem que os compradores usem o crédito
como pagamento de entrada", afirmou Yun, em comunicado. "Precisamos
de vários meses de crescimento sustentado para demonstrar uma
recuperação no setor imobiliário."
Em sua projeção
mensal para a indústria, a associação espera que
as vendas de moradias existentes nos EUA atinjam 4,97 milhões
este ano e 5,28 milhões em 2010, de 4,91 milhões de unidades
em 2008. As informações são da Dow Jones.
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BEM PARANÁ, 05 de
maio de 2009 | Economia
Material de construção
Caixa aumenta limite de renda e prazos
de compra
Banco esperar que os consumidores antecipem
reformas
A Caixa Econômica Federal aumentou o limite de renda e os prazos para
pagamento dos empréstimos para compra de material de construção.
A mudança atende a uma determinação do Conselho Curador
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Com a recente medida
governamental que reduziu de 3% a 5% o Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI) de 30 itens de materiais de construção, o banco diz esperar
que os consumidores antecipem reformas e construções.
No Construcard FGTS, o limite
de renda familiar subiu de R$ 1.900 para R$ 4.900 nas regiões
metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal
e em municípios com mais de 500 mil habitantes, entre as quais
Curitiba. Nas demais cidades, o valor passou para R$ 3.900. Desde março
passado, a linha deixou de exigir a garantia de fiança e aval
e ampliou de 96 para 120 meses o prazo de amortização.
O valor máximo de financiamento é de R$ 25 mil e a taxa de juros
varia entre 5% e 8,16% ao ano, de acordo com a renda do tomador do empréstimo.
Também é possível incluir 15% dos custos de mão-de-obra
no valor financiado.
Recursos da poupança — A
Caixa também ampliou o prazo de pagamento da linha que financia
materiais de construção com recursos da poupança.
O prazo passou de 42 para 60 meses.
Nesta modalidade, o cliente tem entre dois e seis meses de carência para
fazer as compras, período em que paga apenas os juros sobre o valor
utilizado. A dívida só começa a ser amortizada após
esta fase. Juntas, as etapas de compra e amortização, antes fixadas
em até 42 meses, foram alteradas para 60 meses, de acordo com a escolha
do cliente.
O valor máximo de financiamento
varia conforme a capacidade de pagamento aprovada para o tomador do empréstimo.
A taxa de juros mensal é de 1,59% a.m.+ TR.
Carta de Crédito FGTS — Além
do Construcard, a Conselho Curador do FGTS já alterou ainda
as modalidades de reforma de imóveis. O limite de financiamento
passou de R$ 70 mil para R$ 80 mil.
A renda familiar foi ampliada
de R$ 3.000 para R$ 4.900 nas regiões metropolitanas de São
Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e em municípios com
mais de 500 mil habitantes. Para as demais cidades do País,
a soma do rendimento familiar deve chegar, no máximo, a R$ 3.900.
O prazo de amortização é de até 30 anos e as taxas
de juros variam de 5% e 8,16% ao ano, de acordo com a renda do tomador do empréstimo.
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Agência Brasil, 5 de
maio de 2009
Analistas melhoram projeção
para economia brasileira; PIB de 3,5%
Os analistas de mercado melhoraram a projeção para o desempenho
da economia neste ano. A projeção para a queda do Produto Interno
Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país,
passou de 0,39% para 0,30%. Há duas semanas, a expectativa para esse
indicador vem melhorando.
Para 2010, é mantida a
estimativa de crescimento do PIB de 3,5% há nove semanas.
As informações
constam do boletim Focus, publicação semanal do Banco Central,
elaborada com base em projeções de analistas do mercado
financeiro para os principais indicadores da economia.
Para a produção
industrial, os analistas também melhoram a estimativa de retração
neste ano, de 4% para 3,84%. Para 2010, a projeção de crescimento
de 4% é mantida há 11 semanas.
A expectativa para a relação
entre dívida líquida do setor público e PIB passou
de 37,17% para 37,45% neste ano, e foi mantida em 36,50% em 2010. Quanto
menor esse relação, maior é a confiança do
investidor estrangeiro de que o país é capaz de honrar
seus compromissos.
Para o déficit em conta
corrente (todas as operações do Brasil com o exterior),
a estimativa passou de US$ 19,5 bilhões para US$ 19 bilhões
neste ano. Em 2010, a previsão teve redução de US$
23,55 bilhões para US$ 22,5 bilhões.
A estimativa dos analistas para
o superávit comercial (saldo positivo de exportações
menos importações) subiu de US$ 16 bilhões para
US$17 bilhões este ano e foi mantida em US$ 15 bilhões,
em 2010.
A projeção para
a entrada de investimento estrangeiro direto no país (caracterizado
pelo interesse duradouro do investimento do empreendimento) permanece
em U$S 22 bilhões neste ano e em US$ 25 bilhões em 2010.
A expectativa para a taxa
de câmbio passou de R$ 2,25 para R$ 2,20 ao final de 2009 e de
R$ 2,27 para R$ 2,25 em 2010.
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Monitor Mercantil, 5 de maio
de 2009
Economista propõe título
com a mesma remuneração da poupança
Em vez de reduzir a remuneração da poupança, o economista
José Carlos de Assis defende a criação de um título
público ''com a mesma remuneração e prerrogativas da caderneta''.
Ao comentar a passagem de um
ano da classificação do Brasil como grau de investimento
pelas agências de risco, que não trouxe os investimentos
prometidos, ele discordou que o Banco Central (BC) tenha aproveitado
a mudança de patamar para alongar o prazo da dívida interna
de maneira sustentável.
''A dívida pública
brasileira é à vista. Toda vez que há uma crise,
ela é monetizada. Para tornar sério o mercado brasileiro
de títulos, o ideal seria descolar a taxa básica de juros
(Selic) dos títulos públicos e só dar liquidez a
esses papéis no mercado privado. É assim no mundo todo'',
frisou.
Para o economista, o grau de
investimento foi a forma encontrada para manter o controle, pelas agências
de risco, sobre as contas públicas dos países endividados,
depois da saída do Fundo Monetário Internacional (FMI).
''O FMI estava até sem
função, pois os países começaram a se tornar
superavitários. As agências só avaliam o que elas
consideram risco: as políticas macroeconômicas. Não
podemos perder de vista que isso é um charlatanismo brutal, a
partir de critérios discricionários'', diz.
Para Assis, o grau de investimento
não trouxe sequer o capital especulativo para o país.
''O Brasil já vinha recebendo muito capital especulativo, que
estava se expandindo para os países periféricos. Aqui,
ele foi puxado pela alta rentabilidade dos títulos públicos,
que não cobra sequer impostos para os estrangeiros'', resumiu.
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Folha de S.Paulo, 5 de maio
de 2009
Construtoras criticam valor em plano
para baixa renda
Governo abre possibilidade de majoração
em SP
TATIANA RESENDE
DA REDAÇÃO
Engrossando o discurso do governo
do Estado e da Prefeitura de São Paulo, as construtoras também
avaliam que o valor-teto para moradias do programa federal Minha Casa,
Minha Vida direcionadas a famílias com renda de até três
salários mínimos (R$ 1.395) não desperta o interesse
do setor.
Para Sérgio Watanabe, presidente do SindusCon (Sindicato da Indústria
da Construção) do Estado, se não houver doação
de terreno na capital, "não vou dizer que nenhuma [casa], mas muito
pouco" será construído. O limite fixado é de R$ 52
mil (apartamentos) e R$ 48 mil (casas) nas regiões metropolitanas de
São Paulo e em Jundiaí, São José dos Campos e Jacareí.
" Mesmo que o construtor consiga adequar o valor do terreno no zero a três
[salários mínimos], pela lógica econômica, ele vai
fazer para acima de três porque tem possibilidade de ter um lucro maior
do que só a construção", afirmou. Para ele, "agora é obrigação,
não só do setor, mas de toda a sociedade, pressionar os entes políticos".
Outra possibilidade para esse público é financiar o imóvel
pela Caixa Econômica Federal, e não depender da escolha de Estados
e municípios, de acordo com os critérios de cada ente. Essa faixa
de renda agora conseguiria arcar com as parcelas, avalia Watanabe, por causa
do subsídio de R$ 23 mil do governo federal. Mas, nesse caso, o mutuário
precisa ter o nome "limpo", o que não é obrigatório
para quem vai pagar "simbolicamente" 10% da renda se for escolhido
após o cadastro.
O presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção),
Paulo Safady Simão, ressaltou que a insatisfação com os
limites para essa faixa de renda não é geral. "Certamente
haverá algumas localidades em que vai ser mais difícil, mas há muita
capital que está feliz com os preços", disse em evento do
SindusCon-SP.
Segundo a secretária nacional de Habitação do Ministério
das Cidades, Inês Magalhães, os tetos foram definidos conforme
o valor dos terrenos nos dois últimos anos. "Neste momento, não
vamos rever o preço, mas, certamente, se ele [o programa] não
rodar, vamos ter que fazer algum mecanismo", afirmou, abrindo a possibilidade
de majoração, o que já havia sido descartado pelo vice-presidente
de Governo da Caixa, Jorge Hereda. "Não há programa que
não tenha ajuste."
Inês declarou ainda que os projetos já licitados e que, portanto,
já têm recursos garantidos não serão aceitos. "Uma
das diretrizes do programa é que tenhamos mais investimentos e não
trocar os previstos com os recursos de outro "funding" com os do
Minha Casa, Minha Vida." Exceções só serão
feitas "dentro de alguma situação específica".
O governo do Estado informou que tem 20 mil unidades que poderiam ser incorporadas
ao programa, mas parte delas (o número não foi divulgado) já foi
licitada. Já a Secretaria Municipal de Habitação contabilizou
que tem seis terrenos para doar, sem detalhar localização ou
tamanho.
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Folha de S.Paulo, 5 de maio
de 2009
Pagamento para deficientes e idosos
supera o Bolsa Família
Programa do governo federal desembolsou R$
13,8 bilhões em 2008, quase 0,5% do PIB | Ritmo de crescimento
dos desembolsos é superior ao do aumento da população
idosa do país; TCU avalia que programa é bem focalizado
ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO
Enquanto o Bolsa Família
prioriza as atenções da sociedade, um outro programa de
transferência de renda, o BPC (Benefício de Prestação
Continuada), cresce aceleradamente e seus gastos já representam
0,48% do PIB em 2008. Em 2001, representavam 0,21%.
O benefício consiste no pagamento de um salário mínimo
a idosos e deficientes com renda per capita familiar inferior a um quarto de
salário mínimo. Em 2008, o governo gastou com o programa R$ 13,8
bilhões -mais do que os R$ 10,6 bilhões do Bolsa Família-
para atender 1,5 milhão de deficientes e 1,4 milhão de idosos.
O maior crescimento do programa tem acontecido pelo aumento de idosos beneficiados
-de 469 mil em 2001 para 1,4 milhão em 2008-, um crescimento bastante
superior ao da população idosa, que aumentou 30% de 2001 até 2007.
Para a economista Sonia Rocha, que analisou esses dados e publicou um estudo
comparando o BPC ao Bolsa Família, o crescimento na concessão
dos benefícios em um ritmo superior ao demográfico sugere que é preciso
controlar melhor os critérios de elegibilidade do programa.
Uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) reforça essa
impressão. Apesar de considerar que o programa é bem focalizado
-a maioria dos beneficiados são pessoas realmente pobres, o que tem
impacto significativo na redução da pobreza dessas famílias-,
o TCU estima que ao menos 10% receberam irregularmente o benefício (leia
texto abaixo).
Um cruzamento no cadastro do BPC com o de proprietários de automóveis,
por exemplo, identificou que 104 mil eram donos de carros.
Há também 14 mil com imóveis rurais, 1.400 sócios
de empresas e 7,7 mil deficientes com emprego formal (o programa é pago
apenas a deficientes incapacitados para o trabalho).
Revisões
O tribunal sugere ao Ministério do Desenvolvimento Social -gestor do
programa- que aperfeiçoe os mecanismos de identificação
de erros e fraudes e que faça mais revisões.
Até 2007, segundo o relatório do TCU, 5,7 milhões de revisões
deveriam ter sido feitas, mas apenas 1,8 milhão de benefícios
foram selecionados para serem revistos.
Além do aperfeiçoamento dos mecanismos de controle do benefício,
a economista Sonia Rocha chama a atenção para outro detalhe:
por se tratar de um benefício constitucional, o governo tem pouca margem
de manobra para controlar os gastos, diferentemente do que faz, por exemplo,
com o Bolsa Família, cujo valor do benefício pode ser aumentado
ou diminuído com mais facilidade.
No caso do BPC, no entanto, a cada aumento do salário mínimo,
crescem os gastos com o programa.
Além disso, a economista lembra que, em muitos casos, o benefício é concedido
por via judicial, e não por requisição direta da pessoa
ao INSS.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, 1 milhão de beneficiários
foram incluídos no programa nos últimos três anos. Desses,
87 mil (aproximadamente 9% do total) ganharam o benefício por determinação
da Justiça.
Especificamente no ano passado, 15% dos deficientes que entraram no programa
o fizeram pela via judicial. Entre idosos, o percentual é menor: 3%
receberam o BPC após recorrer ao Judiciário. Analisando ano a
ano, o aumento nas concessões judiciais foi de 24.189 em 2006 para 32.197
em 2008.
De acordo com o ministério, contribuem para esse aumento a vigência
de liminares em ações civis públicas, a ampliação
de unidades da Justiça Federal nos Estados e iniciativas do Judiciário
de percorrer o interior em procedimentos como o da Justiça itinerante.
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Agência Diap, 5 de
maio de 2009
Meneguelli: leis trabalhistas e
sindicais são “herança de Mussolini”
Para ele, a primeira medida dessa reforma deveria ser a extinção
do imposto sindical, "um dos maiores males do sindicalismo". Trata-se
de valor debitado anualmente dos trabalhadores e repassados para entidades
do movimento sindical registradas no Ministério do Trabalho
Jair Meneguelli, que sucedeu
Lula à frente do Sindicato dos Metalúrgicos e da CUT, hoje
preside o Conselho Nacional do Sesi.
Em entrevista ao jornal O Povo,
ele diz que as leis trabalhistas e sindicais são "herança
de Mussolini", que permitem a proliferação de sindicatos
sem representatividade.
Para Meneguelli, a primeira medida
dessa reforma deveria ser a extinção do imposto sindical, "um
dos maiores males do sindicalismo", valor debitado anualmente dos
trabalhadores e repassados para todos os sindicatos registrados no Ministério
do Trabalho. (Fonte: blog O outro lado da notícia)
Leia, a seguir, os principais
trechos da entrevista:
O Povo - O senhor deixou
de ser sindicalista, onde teve forte atuação por muito
tempo, para agora trabalhar ao lado do empresariado. Como é passar
de um lado, o das reclamações, para o outro, o que ouve
as reclamações?
Jair Meneguelli - Na verdade eu não sei se tem tanto essa mudança
de lado. Como sindicalista, nós tínhamos uma função,
representávamos uma categoria, depois como presidente da CUT, representando
várias categorias em todo o país, tinha uma função.
Claro que, quando eu comecei, era um momento muito difícil, comecei
num momento histórico muito duro no Brasil, nós estávamos
sob a égide da ditadura militar ainda, então era muito difícil,
não se tinha muita prática de negociação entre
patrões e empregados, e nós precisamos, naquele momento, vencer
essa primeira etapa, possibilitar que os representantes dos trabalhadores pudessem
levar aos empresários as reivindicações, as necessidades
dos trabalhadores. Claro que era um momento difícil, você tinha
que fazer greve, porque a gente fazia às vezes greve pra ser ouvido.
Eu costumava dizer que os patrões
só conseguem ouvir a gente com as máquinas paradas. Ou
seja, não se tinha uma prática de negociação
no Brasil como se tinha em países mais avançados. Mas eu
acho que a grande foi ser um grande negociador. Embora as pessoas me
vissem e achavam que eu tinha a cara carrancuda, que eu não sorria.
Eu não sorria quando ia dar uma entrevista porque eu não
achava nada engraçado falar do salário mínimo. Mas
depois que as pessoas me conheciam passavam a confiar em mim, sabiam
que nós podíamos, não precisava nem assinar, quer
dizer, a gente fazia uma negociação era no fio do bigode,
defendia aquilo que a gente tinha negociado e tinha acordado. Então
eu passei por toda uma etapa dessa luta, dessa negociação,
na busca pela democracia, e acho que foi uma etapa que eu ajudei a construir.
Hoje, por exemplo, não há necessidade de você fazer
uma greve pra poder apresentar as suas reivindicações,
hoje você negocia com o Estado, você negocia com os empresários,
você negocia com o presidente da República, então
acho que o movimento sindical conquistou o seu espaço.
E agora, claro que acho que muita
gente estranhou, eu também estranhei, assumi um cargo de presidente
do Conselho Nacional do Sesi, conselho este que é formado por
27 presidentes de federações da indústria de cada
Estado. Eu não sabia como eles iam agir comigo, eles não
sabiam como eu ia agir com eles, havia uma desconfiança até de
que eu tinha sido indicado pelo Lula pra acabar com o Sistema S, e não
era nada disso, eu sou originário do Sistema S, o Lula é originário
do Sistema S, o Vicentinho é originário do Sistema S, nós
jamais íamos cuspir no prato em que comemos. Mas, graças
a Deus, consegui vencer essa incerteza do que cada um ia fazer. E eu
posso dizer que a minha grande paixão hoje é esse projeto "Vira
Vida". Não sei se vou sossegar, mas eu vou ficar um pouquinho
mais calmo quando eu conseguir implantar o "Vira Vida". Eu
imaginei isso num passeio aqui pela Praia do Futuro, junto da minha esposa,
e vi ali, naquele dia me senti na Itália, porque na barraca em
que eu estava só tinha italiano e tinha ali uma moça com
um vestido branco e que se encarregava de agenciar as meninas pra distribuir
essas meninas nas barracas dos italianos, como se tivesse distribuindo
uma mercadoria.
OP - Isso faz tempo?
Meneguelli - Isso faz um ano e meio. E confesso que me indignei. Algo absolutamente
exposto, sem nenhum cuidado de disfarçar, de esconder, absolutamente
exposto, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo, às 11h,
fui lá pra tomar uma cerveja e almoçar. Então eu pensei,
não sou candidato a Deus, não. Eu não vou acabar com
isso, mas eu vou trabalhar para dar uma oportunidade para aquelas meninas
que quiserem seguir outro caminho. Eu sei da sexualidade, eu sei de um monte
de coisas, mas se tiver que fazer alguma coisa, faça por prazer.
E quando nós começamos
a conversar com essas crianças, e aí eu voltei pra praia
em outra oportunidade e fui conversar com as meninas que ali estavam,
e quando você começa a conversar, começa a conhecer,
começa a ter exemplos das vidas dessas meninas, desses jovens,
do que sofreram, o que sofrem. Elas são fruto de um sofrimento,
são frutos da violência, desde criança. Depois disso
montamos o projeto piloto em quatro Estados, com 400 jovens, 100 em Fortaleza,
100 em Natal, 100 em Recife, 100 em Belém e está dando
certo, está dando certo. Aliás, são os melhores
alunos das nossas unidades. Tem dessas jovens que até já prestaram
vestibular.
OP - Não falta
um pouco dessa visão mais global da formação nas
políticas de assistência desenvolvidas pelo governo? Só é possível
fazer esse tipo de política numa instituição privada?
Meneguelli - Eu acho que não, nós queremos que este programa
se transforme numa política pública, aliás, ele já vai
se transformar agora este ano em programa oficial nacional do Sistema S. Em
negociação com o governador daqui, ele já garantiu que
quantos mais jovens tiverem nesta mesma situação daqui pra frente,
o governo é que vai dar essa ajuda de custo. Mas não basta o
governo, não basta a entidade privada, o que eu estou fazendo é tentando
reunir todo mundo, porque acho que tem de ser uma obrigação da
sociedade.
OP - Mas alguém
tem de tomar a iniciativa...
Meneguelli - Alguém tem de tomar a iniciativa de arregimentar, de ir
buscar, de conversar com os agentes públicos e privados, e isso nós
estamos conseguindo nesse programa. Cada um dá uma coisa, um dá um
emprego, outro dá dois empregos, a prefeitura dá creche para
os filhos desses jovens, é fácil, se todo mundo ajudar, a gente
tem um programa que tem começo, meio e fim. E fica barato. Nós
estamos dando uma bolsa de R$ 500 por mês, até porque preciso
também garantir a sustentabilidade deles enquanto estão no curso,
porque senão é difícil, voltam para o que faziam, pras
praias, com essa bolsa de R$ 500, cada jovem desse, pra você reintegra-lo à sociedade,
custa R$ 1.000 por mês. Para o Estado brasileiro manter um preso por
mês custa R$ 1.600.
OP - Mas parece que há uma
certa dificuldade do governo de articular a sociedade para esse tipo
de ação mais ampla, não sei se a própria
burocracia...
Meneguelli - É verdade. Mas eu tenho uma vantagem nesse trabalho, eu
posso trabalhar tranqüilo com os empresários e com os políticos
aqui de Fortaleza porque certamente eu não sou candidato aqui. Então,
eu não vou ser candidato em Recife, eu não vou ser candidato
nem em São Paulo, minha terra, mas muito menos aqui. Então talvez
não tenham um pouco essa desconfiança de que você está fazendo
alguma coisa pra ter um ganho político lá na frente, isso tem
muito no mundo político, o mundo político é assim, eu
já fui deputado, eu sei o que é isso. Às vezes você não
aprova determinado projeto político porque você é oposição
e o governo da situação... Então, nesse mundo empresarial,
quando você começa uma coisa, por exemplo o Sistema S é uma
coisa que tem continuidade, entra governo, sai governo, é algo com continuidade,
então é isso o que precisa ter, e nesse programa também
tem que ter continuidade.
OP - O sr. teve uma trajetória
parecida com a do Lula, e para a oposição, quando ele
chegou ao poder, mudou. O senhor, que conviveu com ele, percebeu isso
também, houve essa mudança?
Meneguelli - Claro que mudou, nós todos mudamos. O Lula mudou, eu mudei,
todos nós mudamos. O muro de Berlim caiu, então o mundo mudou.
Nós conquistamos o que nós queríamos conquistar, o Estado
democrático, nós lutamos pra conquistar um Estado democrático,
hoje o Lula não representa mais os metalúrgicos de São
Bernardo do Campo, as reivindicações dos metalúrgicos
de São Bernardo do Campo, hoje o Lula como presidente representa o país,
não é mais uma categoria. O cargo é muito mais difícil,
porque uma coisa é você pedir, outra coisa é você dar.
Pra pedir você não tem limite, e pra dar você tem limite,
lamentavelmente você tem limite. Mas claro que mudou, claro que as pessoas
mudam, e que ótimo que mudam.
OP - Dentro dessa visão
de que ele mudou, o acusam de agora defender os banqueiros, no lugar
dos trabalhadores.
Meneguelli - Não, veja, não é nem defender os banqueiros.
Eu me recordo perfeitamente bem, quando éramos nós éramos
sindicalistas, nós defendíamos um salário mínimo
que era calculado pelo Dieese, e nós defendíamos mas nós
não parávamos pra ver se aquilo era possível, aumentar
o salário mínimo com uma caneta, se não precisava perceber
o que estava acontecendo, que a economia precisava crescer para o salário
crescer. É aquilo que eu disse, pra pedir não tem limite. Quando
você está governando, você tem os limites, você tem
os limites porque você não pode mais pensar só no salário,
mas tem a inflação, tem o emprego, tem a política, os
empresários, os banqueiros. E ajudar banqueiros hoje nessa crise não é ajudar
aquele homem banqueiro, é ajudar instituição para que
não se agrave a crise e não se tenha mais ainda desemprego.
OP - Com a ascensão
do Lula ao poder, muitos do movimento sindical também ascenderam
e hoje ocupam cargos como o sr. Com isso, o discurso do movimento sindical
perdeu força?
Meneguelli - São momentos absolutamente diferentes. No meu tempo e do
Lula, nós, às vezes, íamos buscar uma negociação
na porta de uma empresa e nós tínhamos que sair correndo porque
o empresário mandava o segurança dar tiro. Se bem que o tiro
era pro ar, mas como eu não estava vendo o tiro, então eu tinha
que correr, eu sei lá se ia pra um lado ou pra baixo. Então você não
tinha direito de negociar. Hoje os sindicalistas se reúnem com os governadores,
com os senadores, com os líderes de partidos, com o presidente da República,
com os ministros, hoje todo mundo pode negociar. Porque hoje a gente está vivendo
uma outra época. Hoje o movimento sindical tem que ser mais preparado,
tem que entender o que está acontecendo no mundo, tem que entender o
que é a globalização, tem que entender o que é chegar
um produto da China aqui e substituir o seu trabalho. Se você olhar por
exemplo na França, na Itália, na Alemanha, você vê notícias
de greve a todo momento? Não, porque eles já tiveram esse momento
e estão em outro estágio, e nós estamos chegando nesse
estágio também, um estágio de diálogo, de resolver
tudo na mesa de negociação.
OP - Num momento de crise
como o que estamos vivendo, há a necessidade de se abrir um
pouco, na mesa de negociações, para a possibilidade de
flexibilizar as leis trabalhistas, para se repensar os direitos conquistados
em nome de garantir empregos?
Meneguelli - Eu acho que talvez esse momento passe e a gente não aproveite
a oportunidade de dar uma lapidada nesse diamante chamado movimento sindical.
Ele precisa de mais uma lapidada. Eu acho que nós estamos perdendo a
oportunidade de acabar com o imposto sindical, nós estamos perdendo
a oportunidade de discutir essas reformas sindicais e trabalhistas. Nós
tínhamos medo dessa palavra flexibilização, mas tem que
ter uma certa flexibilização, às vezes nós temos
que dar os anéis para não perder os dedos, mas a lei engessa
essa coisa, quer dizer, você tem uma tal de CLT que nenhum trabalhador,
se não tiver um advogado junto, consegue compreender, nós precisávamos
fazer um Código Nacional de Trabalho simples, onde você pudesse
fazer uma negociação coletiva. A contratação hoje é individual, é sujeito
a sujeito, e nós precisamos avançar para a contratação
coletiva. Aí não é uma discussão para CLT, não é uma
discussão para parlamento, é uma discussão entre trabalhadores
e empresários, de quem conhece o chão da fábrica, de quem
sabe as necessidades, mas eu estou com medo que a gente vai atravessar esse
momento e não vai conseguir essa transformação.
OP - Para essas mudanças
serem possíveis, teriam de partir também dos movimentos
sindicais, o que parecem não ter esse interesse.
Meneguelli - Porque, é gozado, se você perceber todos esses anos
o movimento sindical, se você verificar a documentação
dos sindicatos, nos anais de todos os congressos sindicais, você vai
lá ver um dos principais tópicos é "vamos acabar
com o imposto sindical", "é preciso acabar com o imposto sindical",
sempre, sempre. Só que nos momentos onde realmente ia ser debatida a
queda do imposto sindical, todo mundo recua. Todas as centrais, todos os sindicatos,
empresários e trabalhadores recuaram. Esse é, na minha opinião,
um dos maiores males do movimento sindical.
Porque o dirigente sindical não
precisa sair ali do seu escritoriozinho dentro do sindicato pra ir pra
porta de fábrica convencer os trabalhadores que os trabalhadores
têm que sustentar financeiramente o seu órgão representativo,
porque já tem a garantia que chega todo ano, não precisa
fazer absolutamente nada. Ele não precisa sequer ter sócio
no sindicato, quanto menos sócio, menos trabalho ele tem. E a
cada mês você tem 80 novos pedidos de formação
de sindicatos no Ministério do Trabalho, todo mês tem uma
média de 80 novos pedidos de formação de novos sindicatos.
Nós estamos caminhando pro fim, estamos fazendo um sindicato em
cada esquina, está virando uma profissão ser sindicalista
no Brasil. Então, é preciso acabar com o imposto sindical, é preciso
fazer uma transformação nessa lei sindical.
OP - Quais os pontos
de engessamento da CLT?
Meneguelli - A CLT diz tudo o que você tem que fazer, você quase
não tem nada pra negociar, as condições de trabalho, sabe,
está tudo escrito, e mal escrito, já está bastante velha
essa CLT, um texto escrito a partir da Carta del Lavoro de Mussolini. Não
dá mais, nós vamos pra 2010 e nós temos uma lei que é cópia
da Carta del Lavoro de Mussolini. Então tem que mudar.
OP - Mas os trabalhadores
não correriam o risco de perder direitos?
Meneguelli - Não, pelo contrário, não acabou o movimento
sindical nem acabaram as conquistas dos trabalhadores na Itália, na
França, na Alemanha, Portugal, onde não existe mais imposto sindical.
OP - Mas há o
medo de que se torne uma China, onde os trabalhadores têm direitos
reduzidos.
Meneguelli - Lá é outro regime, que vai se transformar também.
Agora aqui não volta atrás, ninguém mais aceita militares
no poder, aqui não volta atrás, a democracia já está sedimentada
no Brasil e vai se sedimentar na América Latina.
OP - O Sistema S foi
concebido a partir das idéias de Roberto Simonsen, que tinha
uma perspectiva de planejamento e desenvolvimento baseado na indústria,
em que o Estado deveria incentivar a produção industrial
para, esta sim, alavancar o desenvolvimento do país, pensamento
que vai de encontro às lutas dos movimentos sociais e sindicais,
que reivindicam atenção à pequena produção,
ao empreendedorismo, à reforma agrária. O sr. acredita
ser ainda esse o caminho do desenvolvimento nacional?
Meneguelli - O Senai há 65 anos está aí cumprindo um papel
que o Estado não conseguiu cumprir. E a indústria, para se desenvolver,
não podia esperar o Estado, a indústria não pensa de 4
em 4 anos, a indústria pensa de 10 anos para a frente, de 20 anos para
a frente, então não podia esperar o Estado, ela foi obrigada
a formar profissionais para ela mesma indústria, e eu tenho dito o seguinte,
o governo devia se espelhar nesse exemplo e pensar estratégia daqui
para 10 anos, e discutir com todos os órgãos, o Ministério
da Educação, com indústria, com comércio, como é que
nós podemos pensar uma estratégia para o Brasil, não mais
uma estratégia da indústria nem do comércio.
Lamentavelmente a gente ficou
muito tempo parado no Brasil, não se investiu em educação,
o filho do médico ia ser médico, o filho do engenheiro
ia ser engenheiro, e o filho do pobre ia ser pobre, era essa a regra
na sociedade, da elite. Então, nós temos que transformar
isso definitivamente, nós temos que dar oportunidade para todos,
para que todos possam virar engenheiro, para que todos possam virar médico.
OP - Para sucessão
presidencial do próximo ano, ainda em plena crise, como o senhor
acha que a Dilma, a mais cotada até agora para ser a candidata
do presidente Lula, pelo PT, deve se posicionar, já que o maior
adversário dela, possivelmente a oposição vai
buscar vincular o governo aos efeitos da crise.
Meneguelli - Veja, se você olhar no cenário macro, você percebe
muita, mas muita mudança do governo Lula pro governo FHC? Não.
Não vai acontecer isso com a Dilma também, não vai acontecer
isso.
OP - Mas o governo Lula,
pelo menos no discurso, sempre tenta se diferenciar do governo FHC,
mesmo em termos macro.
Meneguelli - Não estou dizendo que é igualzinho, igualzinho ao
governo FHC. Mas é muito pouco provável que você tenha
muita coisa pra mudar. Qual a grande diferença do governo Lula? No atendimento
ao social, que não fizeram no governo do FHC. Isso é absolutamente
notável. Agora, a não ser que se mude a economia mundial, você pode
fazer uma grande transformação, porque se não mudar a
economia mundial, ninguém vai conseguir individualmente em seu país
ou em seu Estado construir grandes modificações. Hoje a eleição
vai se dar se você confia ou não confia. Em quem você confia
e em quem você não confia. E eu acho que no Lula o povo confia.
Ele deu motivos para que o povo confie nele, ele fez coisas para que o povo
confie nele. E eu tenho certeza absoluta que ele fará o seu sucessor.
OP - Pelo que o senhor
conhece do Lula, acha que ele fica parado ou vai continuar a atuar
na política nacional, depois que deixar a Presidência?
Meneguelli - Não acredito que ele pare, não. Pelo que eu conheço
dele, e eu estou aqui por causa dele, eu existo no movimento por causa dele,
ele não vai parar. A forma que ele vai encontrar, eu não sei,
mas... E ele vai voltar. Ele vai voltar.
OP - Para a Presidência?
Meneguelli - Vai, ele vai voltar. Ah, vai, ah, vai.
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O ESTADO DO PARANÁ,
05 de maio de 2009 | Política
Projeto propõe fim de efeito
cascata em salários
Agência Estado
Na esteira da discussão sobre a reestruturação dos gastos
da Câmara, uma proposta que desvincula os salários dos deputados
federais, dos estaduais e dos vereadores pode facilitar reajustes futuros e
dividir o desgaste político das despesas com as Assembleia Legislativas
e as Câmaras Municipais.
A proposta retoma a ideia dos
constituintes de 1988, que atribuiu aos parlamentares a fixação
do salário para o mandato seguinte. Ou seja, os deputados reajustam
o valor do salário para os que vão sucedê-los.
"Atualmente, tudo é de
responsabilidade do deputado federal. Com a desvinculação,
cada um terá de se responsabilizar com o seu eleitorado. Não
poderão mais aumentar o seu salário com a desculpa que
foram os deputados federais que decidiram", afirmou o deputado Arnaldo
Madeira (PSDB-SP), um dos autores da emenda apresentada nesta semana. "Cada
assembleia e cada câmara terá a sua própria repercussão
junto à opinião pública."
Madeira ressaltou que é contra
o aumento salarial dos deputados, mas admite que sua proposta auxiliará na
tese do reajuste, com o fim do efeito cascata e do impacto imediato nas
contas dos Estados e dos municípios. "Vão usar, mas,
se isso acontecer, não tem problema. Vamos ser contra o aumento
de salário", disse Madeira.
A proposta de emenda foi
elaborada pelo grupo de 18 deputados do PSDB que não segue a
orientação do líder da bancada, José Aníbal
(SP). O grupo é intitulado de Movimento Unidade, Democracia
e Ética (Mude). "Cabe à população
fiscalizar a conduta de seus representantes ao ponto de rechaçar,
mediante a reprovação nas urnas ou o esvaziamento do
apoio popular e do suporte político, qualquer aumento remuneratório
além do moralmente aceito", diz a justificativa da emenda.
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Folha de S.Paulo, 5 de maio
de 2009
Articulação para 2010
faz balançar aliança PSDB-DEM
Bancada tucana reclama para Serra de investida
da sigla aliada em seus redutos em SP | PSDB resiste a acordo com
aliado, alegando que só DEM se beneficia; partido discute
a adoção do voto em lista para eleição
de deputados
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
A um ano e meio das eleições,
já está chegando ao fim a lua de mel PSDB-DEM. A bancada
do PSDB na Câmara se queixou ontem ao governador José Serra
(PSDB) do apetite democrata no Estado de São Paulo.
Sob orientação do prefeito Gilberto Kassab, o DEM trabalha para
dobrar o número de deputados federais: de 5 para 10. Investirá em
12 candidatos.
" Tentaremos eleger de 8 a 12 deputados", disse o secretário
Rodrigo Garcia (DEM).
DEM e PSDB tradicionalmente se unem nas eleições para deputados.
Mas o PSDB de São Paulo resiste à composição, sob
o argumento de que monta uma chapa inteira da qual os democratas se beneficiam
concentrando esforços num time forte. O problema deverá se reproduzir
pelo país em 2010.
Coordenador da bancada paulista, Fernando Chucre foi o porta-voz da preocupação
ontem, na reunião de duas horas, no Palácio dos Bandeirantes. "Muita
gente da bancada fica incomodada, com medo de perder espaço", admitiu
o deputado Ricardo Tripoli (PSDB).
Reforma
política
Serra incentivou a bancada a atuar pela reforma política. Segundo deputados,
ele disse que seria simpático defender a bandeira, em meio à crise
enfrentada pelo Congresso.
Ainda segundo participantes, Serra disse que, na impossibilidade do distrital
misto, não vê problemas na adoção do voto em lista
para eleição de deputados, como propõem PT e PMDB. Ele
se declarou, no entanto, contra o financiamento público, alegando que,
além de impopular, a regra não impediria doações
ilegais.
O governador concordou que é preciso evitar que, fragilizado, o Congresso
aprove medidas populares do governo, cuja conta fique para o sucessor.
Serra se mostrou apreensivo com a frustração de projeção
de receita do Estado em R$ 1,3 bilhão no quadrimestre. Quanto à composição
de chapa, disse que é preciso esperar o desfecho da reforma política
em negociação no Congresso, mas defendeu a aliança com
o DEM.
Dizendo que seria difícil apresentar uma chapa sozinho, o presidente
do PSDB, Mendes Thame, ficou encarregado de compor um mapa com aliados.
Os tucanos reclamam da investida do DEM em seus redutos. Um caso apontado como
emblemático é a importação de Saulo Queiroz (DEM),
ex-deputado por Mato Grosso do Sul.
Nascido em São Paulo, Queiroz concorrerá a deputado federal com
apoio da prefeita de Ribeirão Preto, reduto do tucano Duarte Nogueira.
Antigo parceiro de Edson Aparecido, o ex-prefeito José Alcides Faneco é hoje
subprefeito de Jaçanã/Tremembé e deverá desfazer
a dobradinha.
A bancada federal repete uma reclamação dos vereadores do PSDB,
queixosos da perda de espaço na Prefeitura de São Paulo. Kassab
fez alterações em 21 das 31 subprefeituras, muitas delas ocupadas
por tucanos até semana passada.
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Gazeta do Povo, 5 de maio
de 2009
Tributos
IR sobre férias será devolvido
após retificação
Brasília - A Receita Federal divulgou as regras para os trabalhadores
receberem de volta o Imposto de Renda pago sobre a venda de férias.
Para terem acesso à essa restituição, os contribuintes
deverão fazer uma declaração retificadora. O valor dos
desembolsos deve chegar a R$ 2 bilhões, de acordo com o órgão
federal. Os documentos começam a ser recebidos hoje, após publicação
das regras no Diário Oficial da União.
A polêmica sobre a cobrança
do IR sobre férias se estendeu até o começo deste
ano, quando a Receita publicou uma “solução de divergência” sobre
a questão. Ficou definido que o trabalhador tem o direito de vender
para a empresa 10 dos seus 30 dias de férias sem pagar IR sobre
esse valor. Como a questão era polêmica, e a Receita não
aceitava essa tese até 2006, algumas empresas faziam o recolhimento
do IR nesses casos; outras, não.
Para ter o dinheiro de volta,
o trabalhador terá de retificar as suas declarações
do IR nos anos em que vendeu suas férias (leia mais no quadro
ao lado). Essa regra só vale para as declarações
dos últimos cinco anos, de 2005 (ano-base 2004) até 2008
(ano-base 2007). Quem quiser reaver o IR para períodos anteriores
terá de recorrer à Justiça.
As empresas que fizeram o recolhimento
do IR a mais não são obrigadas a entregar uma nova Declaração
de Imposto Retido na Fonte (Dirf) para a Receita. Mas o órgão
informou que a retificação desse documento irá ajudar
a apressar as restituições.
Declarações
Neste ano, a Receita Federal
recebeu o número recorde de 25,565 milhões de declarações
do Imposto de Renda da Pessoa Física até a meia-noite da última
quinta-feira, quando acabou o prazo para entrega. Trata-se da primeira
vez em que o número superou as expectativas da Receita, que esperava
receber 25 milhões. No ano passado, foram entregues 24,3 milhões
de declarações no prazo, além de 1 milhão
com atraso.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
05/05/2009
Funcionário da Petrobras exposto
a substâncias tóxicas receberá indenização
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho manteve decisão que condenou a Petrobrás
a pagamento de danos morais a ex-funcionário que trabalhava exposto
a substâncias tóxicas e desenvolveu leucopenia (diminuição
dos glóbulos brancos). Durante cerca de dez anos, ele exerceu
a função de mecânico, realizando atividades de ajustagem
e retífica de motores, em local fechado, de ventilação
deficiente, ao lado de uma unidade de processamento de gás e nafta.
Depois de ser demitido em fevereiro
de 1999, o mecânico ajuizou ação trabalhista na 5ª Vara
do Trabalho de Salvador (BA), requerendo indenização por
danos morais e físicos por ter adquirido a doença em decorrência
da constante exposição a agentes tóxicos, como benzeno,
querosene, óleo diesel e nafta (principal produto usado na limpeza
de equipamentos, máquinas e ferramentas). Após o exame
pré-admissional, seu histórico de hemogramas indicou decréscimo
na quantidade de leucócitos, que permaneciam abaixo do indicado.
O quadro foi diagnosticado como leucopenia. Os leucócitos, ou
glóbulos brancos, são as células responsáveis
pela defesa do organismo. O trabalhador destacou que, na época,
a empresa não possuía controle sobre a exposição
e a manipulação da nafta. Por ser volátil, a inalação
da substância era constante, inclusive por seções
vizinhas, ocasionando dores de cabeça, irritabilidade dos olhos,
mucosas nasais e pele.
Depois obter vitória na
primeira instância, a empresa recorreu ao Tribunal Regional do
Trabalho da 5ª Região (BA), que a isentou da indenização
por entender que não estaria comprovada a existência de
doença profissional incapacitante, seu nexo causal com a atividade
do empregado e a culpa do empregador. Inconformado, o trabalhador recorreu
ao TST. Por unanimidade, a Terceira Turma restabeleceu a sentença
de primeiro grau que determinou o pagamento de danos morais e materiais.
O juiz convocado Douglas Alencar, relator do processo, observou em seu
voto que o quadro fático apresentado pelo Regional demonstrou
exaustivamente os elementos essenciais à responsabilidade civil
extracontratual a que se refere o artigo 186 do Código Civil,
além do descumprimento de lei que obriga à segurança
no trabalho.
“Tem-se como irrecusável
a conclusão de que a doença ocupacional decorreu do não-cumprimento
do dever legal (previsto no parágrafo 1º do artigo 19 da
Lei nº 8.213/91) de adoção e efetiva implantação
de medidas individuais e coletivas de proteção e segurança
do trabalhador”, afirmou o relator. “O empregador tem o dever
de fornecer condições favoráveis para o exercício
do trabalho e zelar pela saúde de seus funcionários, o
que não ocorreu no caso concreto, em que a empresa, ciente do
diagnóstico de leucopenia decorrente dos agentes mielotóxicos,
não emitiu a Comunicação de Acidente de Trabalho
(CAT), impedindo o encaminhamento do Reclamante ao INSS a fim de que
fosse tratado, reabilitado ou aposentado”, ressaltou o juiz em
seu voto. ( RR-1489/1999-021-05-00.4)
(Alexandre Caxito)
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05/05/2009
Prova dividida: Oitava Turma nega aplicação
do princípio in dubio pro misero
A Oitava Turma do Tribunal Superior
do Trabalho rejeitou recurso de um bancário de Goiás que
cobra na Justiça, entre outros itens, o pagamento de horas extras
pelo período em que trabalhou no Banco Bradesco S/A. Ele afirmou
que cumpria jornada superior à registrada no cartão de
ponto, mas não conseguiu comprovar a alegação. As
testemunhas ouvidas pela Justiça do Trabalho, indicadas pelo trabalhador
e pelo banco, fizeram afirmações contraditórias
a respeito dos registros da real jornada trabalhada, o que levou o Tribunal
Regional do Trabalho da 18ª Região (GO) a excluir da sentença
condenatória o pagamento de horas extras, em razão da ocorrência
de “prova dividida”.
No recurso ao TST - que teve
como relatora a ministra Dora Maria da Costa -, a defesa do bancário
questionou o entendimento regional de que a prova testemunhal estivesse
dividida ou empatada, alegando que ele cumpriu a incumbência de
provar o que alegou. O bancário também sustentou que, ainda
que os testemunhos estivessem mesmo divididos, as dúvidas deveriam
ser decididas em seu favor, de acordo com o princípio “in
dubio pro misero”, segundo o qual, na dúvida, a Justiça
deve contemplar a parte mais fraca. Na legislação trabalhista,
a aplicação do princípio visa a compensar a inferioridade
econômica do trabalhador, em razão da clássica desigualdade
entre patrão e empregado.
No recurso em questão,
a ministra relatora entendeu correta a não-aplicação
do benefício pelo TRT/GO, ao considerar que, em caso de prova
dividida, decide-se contra quem tem o encargo de produzir a prova e não
o faz. “A regra de distribuição do ônus da
prova é a de que cabe ao autor a prova do fato constitutivo de
seu direito e, ao réu, a da existência do fato impeditivo,
modificativo ou extintivo desse direito”, explicou. “Ademais,
a prova das alegações incumbe à parte que as fizer.
Em tal contexto, o princípio do in dubio pro misero não
pode ser aplicado no presente caso, pois, ao alegar a invalidade dos
registros de ponto, porque não era permitido o registro da real
jornada trabalhada, o reclamante efetivamente atraiu para si o ônus
da prova”, conclui a ministra Dora Maria da Costa, sendo seguida
pelos demais ministros da Oitava Turma do TST. ( RR 1168/2003-008-18-00.6)
(Virginia Pardal)
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05/05/2009
Pagamento de férias somente
depois da volta ao trabalho é feito em dobro
Uma professora dispensada pela
Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) receberá em dobro
o valor das férias que, durante cinco anos, foram pagas somente
após seu retorno ao trabalho. A decisão da Quarta Turma
do Tribunal Superior do Trabalho restabelece sentença da 1ª Vara
do Trabalho de Tubarão (SC), que havia deferido o pedido, com
o acréscimo de um terço. O pagamento em dobro das férias
gozadas no prazo legal, mas pagas após o prazo previsto em lei,
tem sido uma tese bastante adotada no TST.
A CLT estabelece, em seu artigo
145, que o pagamento da remuneração das férias será efetuado
até dois dias antes do início do respectivo período.
Já o artigo 137 determina que as férias concedidas após
o prazo devido devem ser pagas em dobro. O entendimento aplicado pela
Quarta Turma é a combinação dos dois artigos, com
a aplicação analógica do artigo 137. Neste sentido,
segundo destacou o ministro Barros Levenhagen, relator do recurso de
revista da professora, têm decidido a Seção Especializada
em Dissídios Individuais 1 (SDI-1) e algumas Turmas do TST.
Em um dos julgamentos da SDI-1,
a ministra Rosa Maria Weber analisou que, aplicando-se analogicamente
o disposto no artigo 137 da CLT, as férias recebidas com atraso
devem ser pagas em dobro, porque sua finalidade seria frustrada. “Por
ser mais abrangente do que o simples repouso físico, as férias
devem propiciar ao empregado desenvolver atividades voltadas ao seu equilíbrio
físico, emocional e mental, que dependem de disponibilidade econômica”,
explicou.
O ministro Barros Levenhagen
entende também que, se o pagamento é adiado para a época
do retorno ao trabalho, há um “desvirtuamento da finalidade
das férias de proporcionar ao empregado um período de descanso
e lazer, para a recuperação de suas energias após
doze meses trabalhados, direito, aliás, garantido constitucionalmente”.
A Quarta Turma seguiu, assim, o entendimento do relator e reformou o
acórdão regional, que excluía esse tema da condenação.
( RR-320/2007-006-12-00.7)
(Lourdes Tavares)
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