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Agência Câmara,
6 de maio de 2009
Relator recebe apoio para redução
da jornada de 44 para 40 horas
"Estou convencido de que a introdução de novas tecnologias
no processo produtivo não pode favorecer apenas os grupos econômicos,
mas fundamentalmente o que é mais importante em todo o sistema, que é o
ser humano", reforçou o ministro do TST Maurício Godinho
Delgado
O ministro do TST Maurício
Godinho Delgado defendeu em audiência pública a redução
da jornada de trabalho para combater os efeitos da crise econômica
mundial.
O deputado Vicentinho (PT/SP),
relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
231/95, que prevê a redução da jornada de trabalho
de 44 para 40 horas semanais, antecipou nesta terça-feira que
vai propor a aprovação da medida.
"A mudança vai gerar
dois milhões de empregos. Será um salto de qualidade extraordinário",
disse.
"Estou convencido de que
a introdução de novas tecnologias no processo produtivo
não pode favorecer apenas os grupos econômicos, mas fundamentalmente
o que é mais importante em todo o sistema, que é o ser
humano", reforçou, ao final de audiência pública
promovida pela comissão especial que analisa a proposta.
Vicentinho salientou que há uma
concentração de acidentes de trabalho ao final da jornada
ou durante expediente extraordinário. Portanto, segundo ele, encurtar
o período em que o profissional fica à disposição
da empresa é uma medida que extrapola o aspecto econômico.
Questionamentos
O relator ficou animado com o apoio da maioria dos parlamentares que participaram
da reunião, inclusive da oposição, favoráveis à redução
da jornada.
A deputada Rita Camata (PMDB/ES),
no entanto, disse estar em dúvida se não é melhor
deixar a redução da jornada ser resolvida no âmbito
das negociações coletivas.
"A jornada exaustiva é um
problema, sim. Não podemos nos entusiasmar com isso [a redução]
sem nos preocupar com o custo para as empresas", advertiu.
Para a deputada, a geração
de empregos, que a redução da jornada supõe, poderia
advir de outras medidas, como o combate ao trabalho infantil e a respectiva
liberação de postos de trabalho para os adultos, e da restrição às
horas extras, de forma a obrigar que as empresas fizessem novas contratações,
em vez de impor sobrejornada aos empregados.
Horas
extras
A PEC em análise, para coibir que a redução da jornada
seja contornada pelas empresas com a contratação de mais horas
extras, aumenta em 50% o custo da mão-de-obra fora do expediente - o
adicional por horas extraordinárias passa de 50% para 75% sobre o valor
da hora de trabalho normal. "Não seria melhor extinguirmos a hora
extra?", questionou Carlos Sampaio (PSDB/SP).
O ministro do Tribunal Superior
do Trabalho (TST) Maurício Godinho Delgado, ouvido na audiência,
acha que não se deve extinguir as horas extras. "Eu tenho
receio em relação a uma proibição terminativa
na Constituição", disse. "Há determinados
setores empresariais que podem ter necessidade, eventualmente, de estender
a jornada", afirmou.
Favorável à redução
da jornada, o magistrado avalia que um tratamento extremo levaria muitas
empresas a atuar na ilegalidade. "Poderíamos acabar punindo
o trabalhador, porque ele poderia ter de continuar fazendo horas extras
e ainda perder o direito ao adicional", destacou.
Para Godinho Delgado, a solução
definida na PEC para inibir as horas extras é a mais adequada. "Temos
que criar um desincentivo de natureza econômica", avaliou. "Por
que os sindicatos não se comprometem em não permitir horas
extras?", indagou Rita Camata.
Ponderação
O presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça
do Trabalho (Anamatra), Cláudio José Montesso, revelou uma das
razões. "Se acabarmos com as horas extras podemos até apanhar
dos trabalhadores", disse.
Para o magistrado, a necessidade
dos empregados de trabalhar mais para complementar a renda vai tornar
a redução da jornada ineficaz para promover o principal
objetivo do projeto, que é aumentar o tempo livre dos trabalhadores.
O deputado Chico Lopes (PCdoB/CE)
disse na audiência que ele mesmo passou por isso, porque seu salário "era
uma miséria". Para ele, as empresas devem contornar eventuais
elevações de demanda sem recorrer às horas extras.
"Será que não
dá para contratar mais empregados ou deixar o excesso de trabalho
para o outro dia?", perguntou. O parlamentar avalia que a redução
da jornada vai liberar tempo para os trabalhadores se dedicarem aos estudos.
Fernando Nascimento (PT/PE) também não vê razões
para não se reduzir a carga horária.
Novas
audiências
Vicentinho afirma que pode apresentar seu relatório a qualquer momento,
pois já definiu sua posição. A comissão, porém,
ainda tem um prazo de 20 sessões para encerrar os trabalhos. Nesse período,
ainda serão ouvidos outros convidados.
Na terça-feira (12), às
14h30, está prevista audiência pública com o ministro
do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, e com a diretora da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Laís Wendel Abramo.
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O ESTADO DO PARANÁ,
06 de maio de 2009 | Economia
IBGE: produção industrial
cresce 0,7% em março
Agência Estado
A produção industrial brasileira cresceu 0,7% em março
ante fevereiro, na série com ajuste sazonal, informou hoje o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio dentro
do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado,
de queda de 0,80% a alta de 5%, com mediana de +1,20%%. Na comparação
com março do ano passado, a produção caiu 10%. Neste caso,
as projeções variavam de -14% a -5,10%, com mediana de -10%.
No acumulado do primeiro trimestre
deste ano, a produção nacional da indústria acumula
queda de 14,7% ante igual período do ano passado e baixa de 7,9%
ante o quarto trimestre de 2008. Nos últimos 12 meses até março,
a variação acumulada é de queda de 1,9%.
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Gazeta do Povo, 6 de maio
de 2009
Indicadores
Indústria tem retomada ainda tímida
em março
Produção do setor cresceu 0,7%
em relação a fevereiro, mas ficou 10% abaixo do mesmo mês
de 2008
Em março, a indústria
esboçou sinais de recuperação ao elevar em 0,7%
a produção na comparação com fevereiro, tendo
a contribuição dos segmentos de bens intermediários
(0,3%), bens de consumo duráveis (1,7%) e bens de consumo semi
e não duráveis (0,8%). A produção de bens
de capital – máquinas e equipamentos produtivos – foi
a única a cair na comparação mensal (-6,3%), o que
indica cautela nos investimentos produtivos.
No acumulado do primeiro trimestre
do ano, o ritmo industrial mostrou queda de 14,7% em relação
ao mesmo período de 2008. Esse índice reflete a drástica
mudança provocada pela crise, e é a maior retração
desde o primeiro trimestre de 1991. Já a queda acumulada nos dois últimos
trimestres é de 16,7%, a mais elevada desde 1990, no governo Collor.
Ao apresentar os dados, o coordenador
de indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), Silvio Sales, afirmou que há um processo “inequívoco” de
reação da indústria. Ele destacou que a queda da
produção em março em relação a igual
mês do ano passado (-10%), foi inferior ao observado nos meses
anteriores.
Ainda que haja sinais indicando
melhora da produção, não há analista que
arrisque um prazo para a retomada da economia. O professor do departamento
de economia da UFPR, Luciano Nakabashi, diz acreditar que o cenário
aponta, pelo menos, para a estabilidade. “As previsões negativas
no resto do mundo, inclusive nos países mais afetados pela crise,
já estão melhorando. No Brasil, a recuperação
da bolsa é importante”, diz.
“O Brasil está se
recuperando rápido”, diz Nakabashi. Ele compara o desempenho
de agora com outras crises econômicas menores, como do México,
em 1994, que tinham potencial de impacto menor, mas das quais o país
acabou demorando mais para se reerguer. “O Brasil está sofrendo
um impacto negativo menor, se comparado a outros países, e apresentando
uma recuperação mais rápida do que a Rússia,
por exemplo.”
Para o coordenador do departamento
econômico da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep),
Maurílio Schmitt, ainda causa preocupação o indicador
de bens de capital, que mostra a desconfiança do setor produtivo. “A
economia ligada a bens duráveis, como a indústria automobilística,
está respondendo bem a estímulos do governo, mas ainda
não há garantias de médio prazo. Ninguém
sabe como vai ficar o IPI daqui a algumas semanas”, exemplifica.
Por isso, de acordo com
ele, o mercado ainda está nervoso e cheio de incertezas, o que
implica em investimentos cautelosos. “As incertezas ainda pairam
no horizonte.”

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O ESTADO DO PARANÁ,
06 de maio de 2009 | Economia
Para CNI, queda livre da indústria
foi interrompida
Agência Estado
A alta de 0,7% da produção industrial brasileira em março
ante fevereiro mostra que a queda livre experimentada pelo setor no fim do
ano passado e no começo deste ano foi interrompida. A afirmação
foi feita pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), Armando Monteiro Neto, durante audiência pública da comissão
especial da crise mundial da Câmara dos Deputados, ao comentar os dados
divulgados hoje pelo IBGE. "Há sinais tênues de que a atividade
possa estar evoluindo de forma positiva neste segundo trimestre", disse,
segundo nota divulgada pela assessoria da CNI.
Apesar de acreditar no início
da recuperação, o presidente da CNI ressaltou que não
se deve exagerar no otimismo. "No segundo trimestre teremos um desempenho
melhor, mas há uma ponta de preocupação de que voltemos
a ter uma forte queda na produção industrial, que consequentemente
gerará forte queda no PIB industrial", afirmou. Monteiro
Neto ainda lembrou que neste ano o PIB industrial será negativo
na comparação com 2008. Segundo ele, o ano será de
crescimento do PIB próximo de zero e "a indústria
contribuirá de forma negativa, com queda de 2,5% a 3% na produção
industrial". Para o presidente da CNI, os resultados divulgados
hoje pelo IBGE não surpreenderam. "Eles vieram em linha com
os indicadores antecedentes", resumiu.
Iedi
O economista do Instituto de
Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) Rogério Souza
considerou os dados da produção industrial de março "bastante
tímidos". Para ele, não houve qualquer sinal de reação
no setor. "O crescimento ante fevereiro foi tímido e está longe
de uma rota de recuperação, esses pequenos crescimentos
são ajustes, não recuperação, essa reação
só deve ocorrer, esperamos, no segundo semestre", disse.
Para Souza, o recuo nos investimentos
agrava as perspectivas futuras do setor industrial. "Investimento
menor hoje é produção menor amanhã, isso
gera um problema para a economia, temos que ficar de olho neste setor",
afirmou. Segundo o economista do Iedi, os dados industriais confirmam
um desempenho negativo do PIB no primeiro trimestre, com recessão
técnica, nos dados que serão apresentados pelo IBGE no
dia 9 de junho. "O PIB vai ter queda e muito do recuo vai vir do
setor industrial", avalia.
"Lado positivo"
O ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo, afirmou hoje que o resultado da produção industrial
mostra um lado positivo da economia nacional, que é o fato de
ela estar crescendo há três meses seguidos. Sobre a queda
de 14,7% na produção industrial do primeiro trimestre ante
o mesmo período do ano passado, Bernardo reconheceu que o resultado é ruim,
mas foi otimista na avaliação. "Por outro lado, tem
um lado bom de estar crescendo há três meses consecutivos",
afirmou o ministro.
Para Bernardo, a economia brasileira,
após o tombo do final do ano passado em razão da crise
financeira internacional, já está dando sinais claros de
recuperação. "Nós estamos animados que isso
vai continuar em um ritmo mais acelerado", afirmou o ministro, evitando,
no entanto, fazer previsões numéricas sobre o assunto.
Paulo Bernardo participou
nesta tarde de uma solenidade no Banco do Brasil (BB) em que foi assinado
um convênio entre o BB e o Ministério da Previdência
Social para a impressão de extratos previdenciários ao
clientes do banco, por meio de terminais de autoatendimento e internet.
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O ESTADO DO PARANÁ,
06 de maio de 2009 | Economia
Custo da construção paulista
cai 0,12% em abril
Agência Estado
O Custo Unitário Básico (CUB) da construção civil
do Estado de São Paulo caiu 0,12% em abril, na comparação
com março, para R$ 829,35 por metro quadrado. Foi o segundo mês
seguido de queda. Em março, houve retração de 0,10% ante
fevereiro. Calculado pelo Sindicato da Indústria da Construção
Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e pela FGV Projetos, o CUB
reflete a variação dos custos do setor para utilização
nos reajustes dos contratos da construção civil paulista.
Segundo o Sinduscon-SP,
a queda de 0,25% no custo dos materiais de construção
levou à redução do CUB em abril. O custo da mão
de obra e dos salários dos engenheiros permaneceu estável.
Apesar do recuo em março e abril, no primeiro quadrimestre deste
ano o CUB acumula aumento de 0,42% e no período de 12 meses,
alta de 10,25%.
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BEM PARANÁ, 06 de
maio de 2009 | Economia
Programa
Governo aumenta valor do Bolsa Família
Benefício tem limite de renda ampliado
de R$ 120 para R$ 137
O limite de renda mensal por pessoa dos beneficiários do Bolsa Família
foi alterada. O critério que define a condição de pobreza
das famílias passou de R$ 120 para R$ 137, e o de extrema pobreza de
R$ 60 para R$ 69. Com a intenção de garantir o aprimoramento
contínuo do Programa, a ampliação levou em conta o reajuste
no Índice Nacional de Preços ao Consumidor, no período
abril de 2006 a dezembro de 2008.
Com o aumento do valor, o Paraná terá 27,3
mil novas famílias beneficiadas pelo Programa, a partir deste
mês, com a primeira expansão cadastral. A inclusão
dos novos cadastros será gradativa, após a primeira etapa
de maio, outras duas acontecem em agosto e outubro.
Os municípios que apresentaram
maior expansão no número de famílias foram Colombo
(6.149), Foz do Iguaçu (5.890), Cascavel (3.200), Fazenda Rio
Grande (2.555), Piraquara (2.470), Campo Largo (2.129), Cambé (1.259)
e Londrina (1.022).
Para o secretário do Trabalho,
Emprego e Promoção Social, Nelson Garcia, a ação
vai melhorar a condição de vida destas famílias,
aumentando o poder de compra e promovendo o acesso da população
mais carente à educação e saúde. “O
Programa confirma sua eficiência através dos números,
que apontaram que, entre 2004 e 2006, foi responsável por 20%
da redução da desigualdade no país”.
PAGAMENTO – O
coordenador do Bolsa Família na Secretaria, Nircélio Zabbot,
alerta que as novas famílias incluídas receberão
os cartões de pagamento dos benefícios na residência
do endereço fornecido no Cadastro Único. “Se a família
não for encontrada no endereço indicado, os cartões
ficarão disponíveis para o responsável durante 30
dias, na Posta-Restante dos Correios. Se não forem buscados após
este prazo nos Correios, serão devolvidos à agência
mais próxima da Caixa Econômica Federal”.
Segundo Nircélio, enquanto
os cartões não forem localizados e recebidos pelo titular,
os novos beneficiários poderão retirar o benefício
em qualquer Agência da Caixa portando documento de identidade pessoal
com foto e respectivo Número de Identificação Social
(NIS).
CADASTROS – Em
todo país, a inclusão dos novos cadastros será gradativa,
observando-se a aplicação de nova metodologia - Mapas de
Pobreza, para a estimativa de famílias pobres por município.
Em maio, serão incluídas 300 mil; em agosto, 500 mil e
mais 500 mil em outubro. As demais 600 mil famílias serão
incluídas em 2010.
Com o novo método, o MDS
pretende melhorar o foco do Bolsa Família, atendendo a estudos
sobre a instabilidade de renda nas famílias pobres e a tendência
de metropolização de pobreza. O acréscimo irá priorizar
os centros urbanos e principalmente as cidades das regiões metropolitanas.
Em maio serão 3.700 municípios
atingidos, sendo que alguns deles não dispõem de cadastros
habilitados, suficientes para a ampliação do Programa.
No Paraná, as cidades que estão nesta situação
são Arapongas, Castro, Apucarana, Cianorte, Piraquara, Paiçandu,
Umuarama, São Mateus do Sul, Toledo, Rolândia, Cambé,
Fazenda Rio Grande. O Ministério disponibilizará aos gestores
estaduais cópias da teleconferência abordando o assunto,
para que esta situação seja estabilizada.
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Agência Diap, 6 de
maio de 2009
Paim diz que somente com mobilização
trabalhadores poderão assegurar seus direitos
O senador Paim listou algumas das bandeiras que os trabalhadores brasileiros
empunharam na celebração do seu dia: geração de
emprego e renda, redução da jornada de trabalho, sem redução
de salário e mais investimentos em educação, saúde
e segurança
"Só existe uma maneira
de os trabalhadores do nosso País garantirem os seus direitos: é,
com certeza, com o movimento nas ruas e nas praças, exigindo que
sejam mantidos os direitos adquiridos e lutando diariamente por novas
conquistas".
A receita foi transmitida pelo
senador Paulo Paim (PT/RS) ao abrir a série de pronunciamentos
em homenagem ao Dia Internacional do Trabalho.
Na avaliação do
senador, o 1º de Maio deve ser celebrado, mas a data também
deve servir para reflexão, mobilização, luta e resistência.
Paim listou algumas das bandeiras
que os trabalhadores brasileiros empunharam na celebração
do seu dia: geração de emprego e renda, redução
da jornada de trabalho sem redução de salário e
mais investimentos em educação, saúde e segurança.
Paulo Paim acrescentou que os
trabalhadores também se mobilizaram em favor da reforma agrária,
da ratificação da Convenção 158 da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), da redução dos juros e
do 'spread' bancário, pelo fortalecimento da agricultura familiar
e pela aprovação, na Câmara, do fim do fator previdenciário
(PL 3.299/08) e de outros projetos já aprovados no Senado que
valorizam os aposentados.
"Manifestações
nas principais capitais mundiais exigiram mais empregos e a garantia
dos direitos trabalhistas e sociais. A crise financeira também
foi pauta deste 1º de Maio. Pela primeira vez na história,
os oito maiores sindicatos da França se uniram, no chamado G-8
Sindical, para fazerem uma grande manifestação em Paris",
registrou Paulo Paim.
Na Itália, Turquia, Alemanha,
Inglaterra, Áustria e Venezuela, entre outros países, os
trabalhadores demonstraram indignação com a crise financeira,
econômica e imobiliária, destacou Paulo Paim.
Ele lamentou que, mais uma vez,
a classe trabalhadora esteja sendo convocada para pagar a conta, com
o crescimento do desemprego.
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Folha de S.Paulo, 6 de maio
de 2009
Governo e grandes partidos articulam
reforma política
Plano é aprovar até outubro
financiamento público de campanha e voto em lista fechada
| Proposta condensada por Ibsen Pinheiro tem o apoio das maiores
siglas da Câmara e não depende de mudança constitucional
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Sob o patrocínio do governo
federal e com apoio de cinco partidos -além de parte expressiva
do PSDB- a Câmara dos Deputados se mobiliza para aprovar, até outubro,
o financiamento público de campanha e a adoção do
voto em lista fechada já para 2010.
Com autoria atribuída a PT, PMDB, DEM, PPS e PC do B, o texto propõe
a criação de um fundo com recursos equivalentes a R$ 7 por eleitor
para cobrir as despesas do primeiro turno, o que corresponderia a R$ 913.197.656
-tomando por base o eleitorado de dezembro de 2008. Para o segundo turno seriam
reservados R$ 2 por eleitor -ou R$ 260,9 milhões.
A pedido do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do líder
do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), o deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB-RS)
condensou o texto, que prevê ainda a criação do voto em
lista fechada para o Legislativo.
Pela proposta, o eleitor passa a votar numa sigla. Não mais no candidato.
Os congressistas assumem a vaga segundo a votação obtida e a
hierarquia previamente elaborada pelo partido ou pela coligação.
Como não requer mudança constitucional -o voto continuaria proporcional-,
dependerá de maioria simples para aprovação. Segundo Ibsen,
a minuta, à qual a Folha teve acesso, é produto do casamento
entre "relevância e viabilidade". "Sou a favor do voto
distrital misto. Mas exige emenda constitucional. Esse projeto, não.
Dá para votar para as próximas eleições",
disse Ibsen.
Ainda segundo o deputado, o "grau de unidade [em torno do projeto] é tão
avançado" que será apresentado até a semana que vem.
Hoje o tema será objeto de audiência pública na Câmara.
Se aprovado, tem de ser submetido ao Senado e à sanção
presidencial.
Além dos tradicionais adeptos, a proposta começa a conquistar
apoio no PSDB, antes contrário à proposta. Na segunda, em reunião
com a bancada do PSDB no Estado, o governador de São Paulo, José Serra,
incentivou o partido a apoiar mudanças nas regras. "Ele passou
posição de simpatia à ideia", contou o líder
do PSDB na Câmara, José Anibal.
Serra manifestou, no entanto, oposição ao financiamento público:
além de impopular, não coibiria doações ilegais.
De 16 deputados, só Mendes Thame opôs-se à proposta. A
começar pelo líder, os tucanos começam a se render a Ibsen.
Segundo repete o deputado, depois de operações que investigam
as doações de empresas, como a Castelo de Areia, "nenhum
contribuinte vai querer recibo nas próximas eleições".
" Concordo com lista como instrumento de valorização do partido.
O que eu lamento é que não consigamos mover nem um palmo na direção
do voto distrital. O financiamento, preciso analisar", disse Anibal.
" Sou a favor da proposta. Mas precisamos ouvir o partido", disse o
presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). O presidente do DEM, Rodrigo
Maia (RJ), reafirmou ontem apoio à proposta. Assim como o líder
do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP): "O PT é a favor.
Se der para aprovar para 2010, queremos".
Entre os avalistas da proposta também está o ministro da Justiça,
o petista Tarso Genro.
Pelo projeto, 14% dos recursos do fundo serão dados aos partidos com
assento na Câmara, e 85%, de acordo com o desempenho dos partidos na
eleição passada. "Essa proposta beneficia os grandes partidos",
admite Maia. O próprio Ibsen admite que a proposta alimenta o "caciquismo". "Cada
sistema tem seus inconvenientes", afirmou Ibsen, para quem "o financiamento
privado esgotou".
O custo, de R$ 9 por eleitor, é bem inferior ao registrado em 2008 (R$
17 para cada votante).
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Folha de S.Paulo, 6 de maio
de 2009
Lula foi financiado por 1.319 doadores;
Obama, por 3,5 mi
TSE quer regulamentar uso da internet para ampliar
número de pequenas contribuições | Nas eleições
municipais de 2008, cada candidato teve, em média, 2,6 doadores;
Gilberto Kassab foi eleito com o apoio de apenas 109
FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os cerca de 380 mil candidatos
a prefeito e a vereador em 2008 tiveram, em média, 2,6 doadores
cada um. Mesmo quando se observa as três capitais mais relevantes, é diminuto
o número de pessoas dispostas a dar dinheiro para políticos
em campanha.
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), teve 109 doadores no
ano passado. No Rio, Eduardo Paes (PMDB) recebeu dinheiro de 61 fontes. E em
Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB) só conseguiu obter recursos
de 27 financiadores.
Em 2006, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com
1.319 doadores (que fizeram 1.364 contribuições). No mesmo ano,
José Serra (PSDB) foi eleito governador de São Paulo com a ajuda
de somente 55 financiadores.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que o pequeno número de
pessoas dispostas a doar tornou-se marca das campanhas brasileiras.
Em 2006, quando foram eleitos deputados, senadores, governadores e presidente,
o número médio de doadores por candidato foi de 8,6, maior do
que em 2008. Mas o total de candidatos três anos atrás foi de
cerca de 18 mil, muito menor do que o total que concorreu em 2008 nos municípios.
Nos EUA, as campanhas atraem muito mais doadores. Há o exemplo do democrata
Barack Obama, que em 2008 teve perto de 3,5 milhões de financiadores
-dos quais ao menos 2,5 milhões contribuíram com menos de US$
200.
O candidato derrotado, o republicano John McCain, e os outros nomes de sua
sigla que tentaram disputar a Casa Branca, tiveram mais de 1 milhão
de doadores de até US$ 200.
Mesmo antes do uso disseminado da internet, o número de doadores nos
EUA já era alto. Segundo o professor de ciência política
David King, da Universidade Harvard, os concorrentes de todos os partidos à Casa
Branca em 2004 receberam dinheiro de 2,1 milhões de eleitores considerados "pequenos
doadores" -até US$ 200.
Esse número é mais do que o dobro dos doadores para os cerca
de 380 mil candidatos a prefeito e vereador no Brasil em 2008 -quando 946 mil
pessoas ou empresas deram dinheiro.
Para o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, a baixa participação
de eleitores "expressa uma apatia cívica flagrante, que acaba produzindo
um vácuo sempre preenchido pelo poder do ativismo econômico, com
poucos doadores fazendo grandes contribuições".
O cenário é decorrente de um modelo no qual partidos e candidatos
privilegiaram o caminho mais cômodo. No passado, o uso do caixa dois
era generalizado. Tornava-se desnecessário buscar pequenos doadores.
Nos últimos dez anos, o cerco começou a fechar -culminando com
o mensalão, em 2005.
A estratégia dos partidos pós-mensalão foi canalizar doações
diretamente para as agremiações. Dessa forma não fica
claro quem fez a doação.
" A fonte natural de doações deveria ser o corpo de filiados.
Isso não ocorre no Brasil por duas razões principais. Primeiro,
porque há uma descaracterização ideológica e estrutural
dos partidos. Isso faz com que o eleitor não se sinta compelido a contribuir.
Segundo, porque as siglas se acostumaram a receber de 20 ou 30 grandes doadores",
diz Ayres Britto.
O presidente do TSE considera "anomalia" certas empresas doarem para
todos os candidatos. "Mostra que não têm comprometimento
ideológico com ninguém", afirma.
Para tentar ampliar o número de doadores, o TSE está produzindo
resolução que regulamenta o uso da internet. A partir de 2010,
se vingar a ideia, candidatos terão sites em que serão aceitas
pequenas contribuições identificadas com cartões de débito
ou crédito.
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O ESTADO DO PARANÁ,
06 de maio de 2009 | Política
TSE: cancelamento atinge 0,43% do eleitorado
do País
Agência Estado
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que o cancelamento de 551.456
títulos de eleitor de pessoas que não votaram, nem justificaram
a ausência nas três últimas eleições, corresponde
a 0,43% do eleitorado brasileiro, que soma 128.808.358 votantes. O eleitor
que teve o título eleitoral cancelado não poderá se inscrever
em concurso ou prova para cargo ou função pública e nem
tomar posse. Não pode também receber remuneração
de emprego público ou de sociedades de qualquer natureza, mantidas pelo
poder público.
Segundo o TSE, o eleitor com
o título cancelado fica impedido, ainda, de participar de concorrência
pública e de obter empréstimos em autarquias, sociedades
de economia mista, institutos e caixas de Previdência Social, ou
de qualquer estabelecimento de crédito mantido pelo governo. O
cancelamento do título eleitoral impede ainda a obtenção
de passaporte ou carteira de identidade e renovação da
matrícula em estabelecimento de ensino oficial ou fiscalizado
pelo governo.
Em números absolutos,
São Paulo foi o Estado que registrou o maior número de
cancelamento de títulos de eleitor, onde 145.494 pessoas não
regularizaram sua situação no prazo determinado. Mas,
proporcionalmente, o Pará registrou o maior número de
cancelamentos: 1,02% dos votantes. Roraima foi o registrou o menor
número de cancelamentos, em números absolutos, com 1.608
títulos cancelados. Proporcionalmente, Rio Grande do Norte foi
o que registrou o menor número de títulos cancelados:
0,24% do eleitorado.
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O ESTADO DO PARANÁ,
06 de maio de 2009 | Economia
Governo quer ampliar extrato do INSS
a todos os bancos
Agência Estado
O ministro da Previdência Social, José Pimentel, anunciou hoje
que o governo prepara projeto de lei para estender a todos os bancos do País
a possibilidade de fazer convênios com o Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS) para a emissão de extratos previdenciários por
meio dos terminais de autoatendimento e internet. "Mas, para isso, vamos
precisar de uma autorização legislativa por causa do sigilo previdenciário",
afirmou o ministro, após solenidade em que foi assinado o primeiro convênio
deste tipo com o Banco do Brasil (BB).
Pimentel explicou que, pela lei
atual, apenas BB e Caixa Econômica Federal podem prestar este tipo
de serviço aos segurados do INSS porque são cogestores
do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) - sistema
que agrega as informações sobre vínculos empregatícios
e contribuições de todos os contribuintes da Previdência
Social. Segundo ele, para que outras instituições bancárias
possam ter acesso a esse cadastro e informar os extratos, o ministério
trabalha em um projeto de lei que será enviado ao Congresso Nacional.
O convênio assinado hoje
permitirá que os 28 milhões de correntistas do BB possam
retirar nos terminais de autoatendimento ou pelo site do banco na internet
extratos com as informações previdenciárias. De
posse desses dados, os trabalhadores poderão acompanhar o recolhimento
de suas contribuições ao sistema da Previdência e
solicitar correções ou inclusões de dados que estejam
faltando no CNIS. Para correções ou inclusões, os
segurados terão, no entanto, que procurar as agências da
Previdência Social.
Segundo o ministro da Previdência,
a necessidade de ampliação do acesso dos trabalhadores às
informações laborais foi identificada a partir do lançamento,
em janeiro, do programa de concessão de aposentadorias em 30 minutos.
Para que este prazo reduzido possa ser alcançado, os dados do
CNIS devem estar atualizados. "E muitas vezes, os trabalhadores
só se preocupam em verificar os seus dados laborais no CNIS na
hora de pedir a aposentadoria e, se fizerem as atualizações
antecipadamente, podem evitar aborrecimentos", disse Pimentel.
Gratuito
O presidente do Banco do Brasil,
Aldemir Bendine, disse que o serviço de retirada de extrato com
informações previdenciárias será gratuito
aos clientes do banco, mas só será permitida uma impressão
por mês. "Se for pedido um segundo extrato no mês, o
sistema travará", afirmou ele, após a solenidade de
assinatura do convênio entre o banco e o Ministério da Previdência
Social para permitir o serviço. Ainda segundo o presidente do
banco, não haverá custos adicionais para a instituição.
Também o Ministério
da Previdência, segundo o ministro José Pimentel, não
pagará tarifas ao BB pelo serviço aos segurados porque
o convênio foi assinado no âmbito de um acordo que vigora
até o final deste ano entre o governo e os bancos que prestam
serviços ao INSS para que não sejam cobradas tarifas bancárias
pelos serviços previdenciários.
O ministro informou ainda
que, até o final deste ano, o Ministério da Previdência
espera assinar convênio semelhante com a Caixa Econômica
Federal (CEF), mas a retirada do extrato previdenciário nos
terminais da CEF deverá ser permitida a todos os trabalhadores
que têm conta vinculada no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) e dispõem do Cartão Cidadão. Para viabilizar
que as duas informações constem nos extratos dos trabalhadores,
a Caixa e a Dataprev (empresa de apoio tecnológico da previdência)
ainda estão desenvolvendo um sistema.
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O ESTADO DO PARANÁ,
06 de maio de 2009 | Economia
Greve na Caixa Econômica Federal
completa uma semana
Helio Miguel
A greve dos advogados, engenheiros e arquitetos da Caixa Econômica Federal
completou, ontem, uma semana, e ainda não há sinais de acordo
entre banco e funcionários. A adesão, segundo os grevistas, está em
torno de 90% dos profissionais, no Paraná.
Esta semana, gestores das áreas,
que não tinham aderido inicialmente, também começaram
a parar, e os funcionários em serviço não são
suficientes para manter em andamento os principais projetos dos setores.
De acordo com a dirigente do
Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, Sônia
Boz, que também é bancária da Caixa, os grevistas
vêm tentando avançar nas negociações com o
banco, mas elas têm emperrado pois, em alguns pontos, não
contemplam os anseios dos trabalhadores. “Então a greve,
que é nacional, continua forte”, ressalta. Os funcionários,
informa ela, esperam uma nova proposta da Caixa para hoje ou amanhã.
Segundo Boz, os gestores que
não aderiram à greve não são suficientes
para tocar todos os projetos, e o impacto disso, apesar de não
aparecer a curto prazo, pode ser sentido no futuro.
Para o advogado Jayme de Azevedo
Lima, representante da Associação Nacional dos Advogados
da CEF em Curitiba, as propostas do banco têm sido “pífias”,
e os profissionais estão preparados para manter a greve por tempo
indeterminado.
Enquanto isso, projetos importantes,
como os relacionados aos programas de Aceleração do Crescimento
(PAC) e Minha casa, minha vida, do governo federal, que dependem de análises
dos profissionais, continuam travados.
Trabalhos relativos ao Programa
de Integração Social (PIS), Fundo de Garantia por Tempo
de Serviço (FGTS), Financiamento Estudantil (Fies), Bolsa-Família,
penhor e até loterias, também estão com o andamento
prejudicado.
Paraná
Todas as negociações
estão acontecendo em Brasília. No Paraná, a greve
atinge mais de 150 trabalhadores das unidades de Curitiba, Londrina,
Maringá, Umuarama e Cascavel.
O chamado quadro profissional
da Caixa - que nunca tinha entrado em greve - conta com cerca de 1,3
mil engenheiros e arquitetos, 930 advogados e 147 integrantes de outras
especialidades, totalizando quase 2,4 mil profissionais em todo o País.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
06/05/2009
Fábrica de calçados é condenada
por contratação irregular por cooperativa
Centenas de associados de duas
cooperativas cearenses conseguiram, na Justiça do Trabalho, o
reconhecimento de vínculo de emprego com a tomadora de serviços,
a Canindé Calçados Ltda. A Quarta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho rejeitou recursos das cooperativas (Cotril – Cooperativa
de Trabalho Industrial de Canindé Ltda. e Concan – Cooperativa
Produtora de Calçados Canindé Ltda.) e da empresa contra
a condenação para que a empresa se abstivesse de utilizar
mão-de-obra intermediada irregularmente e efetuasse o registro,
como empregados, dos trabalhadores recrutados nas cooperativas, com o
pagamento das obrigações trabalhistas.
Segundo constatou a ministra
Maria de Assis Calsing, relatora do recurso no TST, a partir do que foi
descrito pelo Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região
(CE), não havia trabalho cooperado, e a contratação
implementada pelas cooperativas e pela Canindé tinha “nítido
intuito de mascarar a relação de emprego”. A Vara
do Trabalho de Baturité, (CE) constatou, ao instruir o processo,
que a Canindé tem uma fábrica que nada produz, e que as
duas cooperativas produzem exclusivamente para a empresa.
A situação chegou
ao conhecimento da Justiça do Trabalho por meio de uma ação
civil pública. A Vara de Baturité pôde verificar
que os cooperados receberam treinamento específico para o trabalho
para a Canindé, responsável pela seleção
dos empregados, pelo fornecimento de equipamentos e de matéria-prima
e pela supervisão da fabricação da mercadoria. A
sentença reconheceu a existência do vínculo empregatício
e fixou multa pelo descumprimento das obrigações trabalhistas.
Condenou, ainda, as duas cooperativas a sustar a intermediação
de mão-de-obra para a Canindé.
Ao analisar o recurso ordinário
das três, o TRT/CE acrescentou que a manutenção das
máquinas existentes nas cooperativas, a fixação
de metas de produção e mesmo a vigilância noturna
dos prédios das cooperativas eram feitas pela. Diante de tal quadro,
entendeu que se tratava de “fraude que visa apenas a desonerar
a Canindé Calçados dos encargos legais a que estão
sujeitos os demais empregadores”.
No recurso ao TST, as cooperativas
e a empresa apelaram com a impossibilidade jurídica do pedido
e a ilegitimidade do Ministério Público do Trabalho para
ajuizar a ação. Para a ministra Maria de Assis Calsing,
relatora, os recursos não poderiam ser conhecidos por esses fundamentos – ou
seja, o mérito da questão nem chegou a ser discutido -,
pois não existe impedimento legal e, mais ainda, os direitos individuais
homogêneos constituem uma subespécie de interesses coletivos
e podem, sim, ser defendidos por meio de ação civil pública
do MPT.
A questão mobilizou o
ministro Barros Levenhagen quanto à atuação das
falsas cooperativas e à função social da empresa,
geradora de renda e emprego. O ministro considera que a ação
civil pública é “absolutamente inadequada para a
obtenção de condenação”, por ser uma
ação cominatória, cuja finalidade é somente “dar
uma ordem para que a empresa se abstenha de prosseguir na contratação
irregular”, e não com o objetivo de condenar. No entanto,
o ministro argumentou que o recurso, no caso, só poderia ser conhecido
se cooperativas e empresa tivessem alegado falta de interesse processual
da Ministério Público.(RR-795945/2001.3)
(Lourdes
Tavares)
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06/05/2009
Crise econômica se reflete no
número de processos no interior paulista
O primeiro trimestre de 2009
registrou crescimento de 10,66% na demanda processual da Justiça
do Trabalho da 15ª Região, com sede em Campinas (SP), em
relação ao mesmo período de 2008. De janeiro a março
do ano passado, foram autuados em toda a primeira instância da
15ª Região – que tem jurisdição sobre
599 municípios paulistas – 57.051 processos, contra 63.138
nos três primeiros meses deste ano. Os números, para o TRT
de Campinas, refletem diretamente a variação no ritmo de
dispensas ou contratações no mercado de trabalho.
Em Campinas, o aumento foi de
apenas 1,1% (de 4.917 processos para 4.973, considerados os mesmos períodos).
O dado revela que a cidade sofreu menos do que outras o reflexo dos problemas
na economia mundial no nível de emprego. A crise tem sido mais
cruel em cidades de pequeno e médio porte: Americana, Bragança
Paulista, Mogi Mirim, São Carlos e São João da Boa
Vista, por exemplo, tiveram aumento, respectivamente, de 50%, 70%, 90%,
44% e 75% na demanda. Em Itararé, na divisa com o Paraná,
o recorde: 564% de aumento – de apenas 61 processos para 405. Já Ribeirão
Preto, segunda maior cidade da 15ª Região, registrou variação
bem menor, a exemplo de Campinas: apenas 2,75% (de 2.589 para 2.661).
Os dados fornecidos pelo Serviço
de Estatística e Informações do TRT/Campinas reforçam
constatação feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), que divulgou, na semana passada, levantamento no qual
se constatou o fechamento de mais postos de trabalho, em decorrência
da crise, nas cidades do interior do que nas capitais. Mas, da mesma
forma que a estatística produzida pelo TRT, a pesquisa do Ipea
descobriu que as consequências da crise foram menores em municípios
que, mesmo não sendo capitais, lideram aglomerações
urbanas que já se tornaram ou que se comparam a regiões
metropolitanas, caso de Campinas.
(Fonte: TRT da 15ª Região)
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06/05/2009
Multa por embargos protelatórios
deve ser calculada sobre valor da causa
A multa prevista no Código
de Processo Civil (CPC) para punir as partes que apresenta embargos declaratórios
com o objetivo de retardar o andamento do processo, e não para
esclarecer o julgado, deve ser calculada sobre o valor dado à causa
na inicial da ação trabalhista, e não sobre o valor
da condenação. Embora a base de cálculo esteja claramente
fixada no artigo 538, parágrafo único, do CPC (1% sobre
o valor da causa), o Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região
(Bahia) aplicou à empresa Votorantin Celulose e Papel S/A multa
por apresentação de embargos declaratórios, considerados
protelatórios, correspondente a 1% do valor da condenação.
Em agravo de instrumento para
o Tribunal Superior do Trabalho, no qual contestou a condenação
que lhe foi imposta relativamente ao reconhecimento de vínculo
empregatício em razão de fraude na contratação
de autônomo (representante comercial), a defesa da Votorantim também
questionou a aplicação da multa e sua base de cálculo.
O recurso foi provido somente neste aspecto. Segundo o ministro relator
do processo, Pedro Paulo Manus, a multa foi corretamente aplicada porque
não havia, de fato, qualquer omissão, obscuridade ou contradição
no julgado do TRT/BA que justificasse a interposição dos
embargos, mas a base de cálculo não foi a correta.
“Reconhecido pelo Tribunal
Regional que os embargos declaratórios opostos tinham cunho protelatório,
não obedecendo aos ditames estabelecidos no artigo 553 do CPC,
a aplicação da multa é uma faculdade que o legislador
conferiu ao julgador [juiz ou tribunal], por meio do artigo 538, parágrafo único,
do CPC. Não se verifica, pois, violação à literalidade
do artigo 5º, LV, da Constituição Federal. Todavia,
no que tange à base de cálculo de tal multa, razão
assiste à recorrente: a multa deve ser calculada sobre o valor
da causa”, concluiu Manus. (AIRR 1.788/2003-002-05-40.2)
(Virginia Pardal)
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06/05/2009
JT determina que empresa de ônibus
reserve vagas para deficientes
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho rejeitou recurso da Viação Nossa Senhora
das Neves, de Minas Gerais, mantendo-se assim determinação
da Justiça do Trabalho da 3ª Região (MG) que determinou à empresa
a reserva de todos os postos de trabalho, gradativamente desocupados,
a empregados portadores de deficiência física, mental ou
sensorial até atingir 3% do total de trabalhadores. A cota é prevista
no artigo 393 da Lei nº 8.213/1991.
A decisão ocorreu em ação
civil pública ajuizada pelo Ministério Público do
Trabalho de Minas Gerais. Antes da propositura da ação
civil, instaurou-se inquérito civil público a partir de
denúncia do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários
de Belo Horizonte. O MPT propôs um Termo de Ajustamento de Conduta
(TAC), mas a empresa discordou das condições propostas.
Em novembro de 1996, o sindicato
denunciou à Procuradoria Regional do Trabalho supostas irregularidades
cometidas pela empresa, tanto em relação à CLT quanto
aos instrumentos normativos. O MPT requisitou à Delegacia Regional
do Trabalho/MG a fiscalização da empresa em aspectos como
a jornada de trabalho, intervalos, repouso, recolhimento do FGTS e existência
ou não do chamado “caixa dois”. A procuradora responsável
solicitou a abertura de procedimento investigatório, para melhor
instrução de denúncia nas questões de medicina
e segurança do trabalho, instalações sanitárias
e quanto ao cumprimento do disposto no artigo 393 da Lei nº 8.213/1991.
O MPT ainda notificou a viação para efetivar, nos prazos
legais, a instalação de cabines sanitárias para
os empregados nos pontos finais do ônibus.
Em sua defesa, a empresa juntou
fichas de documentos de empregados que seriam, segundo alegou, portadores
de deficiência visual, entre eles um que usava de lentes de contato,
e ainda declarou possuir 446 empregados. O MPT oficiou a Coordenadoria
de Apoio e Assistência à Pessoa Portadora de Deficiência
(CAAD), que, em parecer técnico, afirmou existir, na lista enviada
pela empresa, somente dois empregados que poderiam ser enquadrados como
portadores de deficiência, segundo os parâmetros da Organização
Mundial de Saúde (OMS).
A Vara do Trabalho de Ribeirão
das Neves (MG) condenou a viação a reservar, dali em diante,
todos os postos de trabalho que viessem a ser abertos ou desocupados
para trabalhadores reabilitados ou habilitados, por orientação
do INSS ou de outra instituição, até o limite de
3%, sob pena de pagar multa de 2000 UFIRs. A sentença foi mantida
pelo TRT/MG, mas a empresa, no recurso ao TST, afirmou que a imposição
afrontava o princípio básico da liberdade de contratar
e o exercício da propriedade da empresa, assegurados no artigo
5º, incisos XIII e XXII da Constituição.
O ministro Alberto Bresciani,
relator do recurso, rejeitou tais alegações e destacou
que os incisos XIII e XXII do artigo 5º da Constituição
Federal devem ser examinados "levando-se em conta os fundamentos
constitucionais da dignidade da pessoa humana, do valor social do trabalho
e da promoção do bem de todos”. (RR-664850/2000.0)
(Lourdes Côrtes)
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