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O ESTADO DO PARANÁ, 07
de maio de 2009 | Economia
Cesta básica sobe
de preço na maioria das capitais
Agência Brasil
O preço da cesta básica subiu no mês de abril, comparado
ao de março, em dez das 17 capitais onde é feita a pesquisa
mensal do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese). Mas, quando é feita análise desde o início
do ano, o número de capitais com preços em queda sobe para
15, inclusive nos locais que lideram as altas verificadas em abril: João
Pessoa (5,32%), seguida por Fortaleza (3,95%) e Belo Horizonte (3,85%).
No acumulado do ano, entretanto, a capital
da Paraíba ainda tem
um custo 8,24% menor do que em igual período do ano passado, com
o valor dos produtos da cesta totalizando R$ 184,02, o terceiro menor
da lista de capitais pesquisadas. Fortaleza tem o quarto menor custo
(R$ 186,28), ou 5,59% inferior aos quatro primeiros meses de 2008. Em
Belo Horizonte, também foi constatado no ano variação
em baixa de 6,82%, porém, o valor é o quarto maior da pesquisa:
R$ 214,55.
A cesta mais cara foi verificada em Porto
alegre (R$ 234,81), mas com uma queda de 1,64% sobre o mês março, seguida por São
Paulo (R$ 225,63) ou 1,68% acima do mês anterior. No acumulado
do ano, a capital gaúcha teve redução de 7.87%,
e a paulista, de 5,79%.
Tanto em relação a março quanto no acumulado do
ano, Aracaju foi a que apresentou a queda mais expressiva com (-15,27%)
e (-2,58%), respectivamente. Para comprar os produtos básicos,
em abril, o consumidor desembolsava em média R$ 163,76. O segundo
menor custo foi constatado em Recife (R$ 176,65), mas com alta de 0,67%
sobre março e queda de 3,79% no ano.
Em 11 capitais, os destaques em relação aos produtos que
mais subiram de preço são: leite, açúcar
e manteiga. Na lista constam ainda elevação do café e
tomate em dez capitais, e a batata foi reajustada para cima em nove localidades.
Pelos cálculos do Dieese, o comprometimento da renda do trabalhador
para aquisição da cesta básica foi reduzido para
R$ 1.972,64, o equivalente a 4,24 vezes o salário mínimo
em vigor (R$465) . Em março, esse valor era de R$ 2.005,57 ou
4,31 vezes.
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BBC Brasil, 7 de maio de
2009
América Latina deverá se
recuperar da crise antes de países ricos, diz FMI
O Fundo Monetário Internacional
(FMI) avalia que os efeitos da crise financeira global sobre a
América Latina são ''amplos e severos'', mas que
a região conseguirá se recuperar da atual turbulência
antes que os países ricos. Essa é uma das principais
conclusões do relatório ''Regional Economic Outlook
- Western Hemisphere'' (Perspectiva Econômica Regional -
Hemisfério Ocidental), divulgado pelo Fundo nesta quarta-feira.
''A mensagem que está partindo da América Latina é a de
que a preparação através da adoção de políticas
rende importante dividendos quando a situação no exterior se
agrava'', afirma o FMI. Segundo o relatório, a América Latina
''acumulou muitas fontes de força e resistência ao longo desta
década'', com seus países tendo ''fortalecido suas situações
fiscais e estruturado suas dívidas públicas, solidificado seus
sistemas financeiros e sua regulamentação, reduzido expectativas
de inflação e construído bases políticas com mais
credibilidade''.
O documento diz que Brasil, Colômbia,
México e Peru são exemplos de países que adotaram
medidas que resgataram a credibilidade de suas políticas econômicas,
o que contribuiu para que eles contivessem os efeitos causados pelo colapso
da instituição financeira americana Lehman Brothers, em
setembro do ano passado. O FMI acrescenta que ''tais preparativos apontam
para uma melhor perspectiva para a América Latina: enquanto os
contágios (da crise financeira) fizeram com que a atividade econômica
contraísse, uma retomada do crescimento é esperada ainda
para 2009, à frente da recuperação das economias
desenvolvidas''.
As perspectivas de crescimento
feitas pelo fundo para a região são bastante similares às
formuladas no relatório anterior do FMI, o ''World Economic Outlook'',
divulgado no último dia 22 de abril, durante a reunião
de primavera do FMI e do Banco Mundial. No documento divulgado nesta
quarta, o Fundo estima que a América Latina e o Caribe deverão
ter retração de 1,5% neste ano, mas que a região
deverá crescer por volta de 1,5% em 2010. No documento divulgado
há poucos dias, o FMI não fez uma previsão para
a América Latina como um todo, mas avaliou que o Produto Interno
Bruto (PIB) da América do Sul mais o México sofreria uma
retração na faixa de 1,6%.
Várias frentes
Ainda que seja um número
negativo, a estimativa para a América Latina é bem mais
amena do que a projetada para os países ricos, que, de acordo
com o FMI, sofrerão contração de 3,8%. De acordo
com o fundo, esse contraste se deve ''à ausência de problemas
bancários sistêmicos na região, que permitiriam à América
Latina retomar o crescimento mais rapidamente do que em regiões
onde ainda há severos problemas no setor financeiro''. O Fundo
reviu para baixo o crescimento americano para este ano, mas manteve a
projeção relativa a 2010 - ambas feitas no ''World Economic
Outlook''.
Segundo o FMI, os Estados Unidos
deverão sofrer neste ano retração de 3%, taxa ainda
inferior ao índice de 2,8% negativo que havia sido projetado no
relatório anterior, e terão crescimento zero em 2010. A
despeito das previsões otimistas envolvendo a América Latina,
o relatório afirma que a região está sendo, no entanto,
atingida por várias frentes. Entre os diversos choques a que a
região está sujeita, o FMI cita ''o declínio das
condições internacionais de financiamento, uma queda da
demanda por exportações provenientes da região,
um severo declínio do comércio, remessas mais fracas e
redução das perspectivas de turismo''.
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Gazeta do Povo, 7 de maio
de 2009
Investimentos
Governo teme que investidor saque dinheiro
da poupança
Brasília - O longo debate sobre as mudanças na rentabilidade
das cadernetas de poupança está acentuando o temor, dentro da
equipe de governo, que os aplicadores fiquem desconfiados e saquem seu dinheiro.
Ontem, após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva na qual não foi batido o martelo sobre o assunto, o ministro
da Fazenda, Guido Mantega, tentou passar uma mensagem tranquilizadora.
“Eu posso garantir a todos
que têm dinheiro na poupança que o governo não tomará nenhuma
medida que possa prejudicar qualquer pessoa. Podem ficar todos tranquilos
porque todos os rendimentos estão mantidos, não haverá nenhum
problema”, disse Mantega.
Os números podem explicar
a ênfase com que o ministro tem tentado acalmar os poupadores mais
nervosos. Em março, a poupança já registrou mais
saques do que depósitos, numa diferença de R$ 846,8 milhões.
Em abril, até o dia 29, as retiradas superavam os depósitos
em R$ 2,323 bilhões.
Da reunião com Lula, participaram
também o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o presidente
do Banco Central, Henrique Meirelles, o diretor de Normas do Banco Central,
Alexandre Tombini, e o secretário extraordinário de Reformas
Econômico-Fiscais do Ministério da Fazenda, Bernard Appy.
Segundo Mantega, não houve decisão.
O governo começou a estudar
mudanças no rendimento da caderneta por causa da queda da taxa
de juros básica, a Selic. Com a redução dos juros,
a poupança passou a ser tão ou mais atraente do que os
fundos de investimento. Por isso, há na equipe econômica
quem ache que o rendimento da caderneta seja um empecilho à queda
mais acentuada da Selic. Se houver uma migração maciça
dos fundos para a poupança, o próprio governo pode ter
dificuldade de rolar sua dívida, pois os fundos são os
principais compradores dos papéis emitidos pelo Tesouro Nacional.
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Folha de S.Paulo, 7 de maio
de 2009
Empresa refinancia, mas não
paga tributos
Mesmo com os seguidos parcelamentos concedidos
pela União desde 2000, contribuintes deixam de honrar compromissos
| Documento entregue pela Receita a parlamentares revela que grande parte
dos que aderem a programas é excluída por inadimplência
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os três programas de parcelamento
de impostos que foram criados desde 2000 garantiram descontos e prazos
camaradas a empresas e a contribuintes em dívida com o fisco,
mas não serviram para que quitassem suas dívidas, objetivo
das medidas. Pelo contrário.
Em documento entregue a parlamentares que debatem um novo programa desse tipo,
obtido pela Folha, a Receita Federal mostra que 85% dos contribuintes que aderiram
ao Refis de 2000, o primeiro e mais mais generoso desses programas, foram excluídos
principalmente por falta de pagamento. Além disso, 151.986 empresas
e pessoas físicas migraram de um parcelamento para outro, aproveitando
os novos benefícios sem quitar a dívida.
Hoje, a Câmara dos Deputados deve votar mais um desses programas, mantendo
a média histórica de novos parcelamentos a cada três anos.
O último havia ocorrido em 2006.
" Podemos constatar que esses programas têm sido prejudiciais para
a administração tributária. São péssimos exemplos
para os contribuintes que cumprem suas obrigações e pagam pontualmente
seus impostos", afirmam os técnicos da Receita em documento distribuído
aos parlamentares.
Procurada, a secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, não
criticou diretamente a proposta no Congresso, mas disse que a criação
recorrente de programas que dão condições favoráveis
a quem não pagou impostos reduz o recolhimento espontâneo feito
por empresas e pessoas físicas.
No Refis, 129 mil empresas aderiram e prometeram pagar uma dívida de
R$ 96 bilhões. Hoje, 109.926 contribuintes já foram excluídos.
O principal motivo é a falta de pagamento, que responde pela saída
de 85,7 mil contribuintes do programa (inadimplência de 78%). O Paes,
também conhecido como Refis 2, já alcança exclusões
de quase metade dos 374 mil contribuintes que aderiram.
A outra distorção apontada pela Receita é a migração
de devedores entre os diversos parcelamentos. Na lei que criou o Refis, havia
a proibição para que as dívidas renegociadas fossem novamente
parceladas. Mas essa vedação caiu nos parcelamentos de 2003 e
de 2006. Isso permitiu que os contribuintes que ficassem inadimplentes se beneficiassem
novamente.
Pelo levantamento da Receita, dos quase 110 mil contribuintes que foram excluídos
do Refis, 74.961 renegociaram suas dívidas nos anos posteriores -percentual
de reincidência de 68%. Do Paes, houve a migração de 77
mil contribuintes para o Paex, ou Refis 3.
" Os optantes pelos diversos programas são recorrentes, somente com
o propósito de postergar o pagamento dos débitos tributários
e não para sanear com vista à regularização fiscal",
diz o documento oficial.
As empresas e pessoas físicas são excluídas dos Refis
1, 2 e 3 depois de três meses de inadimplência ou se deixam de
pagar os impostos devidos mensalmente. Elas perdem os benefícios do
programa e têm suas dívidas recalculadas pelas condições
originais, que incluem juros pela Selic e multa de até 20%. O valor
que eventualmente tenha sido pago nas regras do refinanciamento é abatido
do débito.
Além disso, as empresas que devem impostos ao governo não podem
participar de licitações e não têm acesso a financiamentos
concedidos por bancos públicos.
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FOLHA DE LONDRINA, 07 de
maio de 2009
Lavouras de fumo empregam 68 mil crianças
Ministério Público do Trabalho
busca articulação de sociedade e municípios
para reverter quadro garatindo direito à escola
Curitiba - O Paraná tem 34 mil
famílias trabalhando com a produção de fumo.
Em cada uma destas propriedades existem ao menos duas crianças.
Isso significa que cerca de 68 mil crianças trabalham em lavouras
de fumo e sem rebecer nada por isso. A informação é da
procuradora do Trabalho do Ministério Público do Trabalho,
Margaret Matos de Carvalho. Segundo ela, o período de férias é o
que mais as crianças trabalham. Ela participou esta semana
do Seminário Diversificação na Agricultura Familiar,
que terminou ontem, e debateu as consequências do cultivo do
fumo para a saúde dos agricultores.
''Questionamos o aproveitamento
escolar destas crianças porque elas vão para a escola e
não aprendem'', diz. Além disso, há muita evasão
escolar por parte desses alunos. Segundo ela, o fumo prejudica o sistema
nervoso central e compromete o desenvolvimento cognitivo das crianças
que têm estatura menor do que o normal, são desnutridas
e muitas delas adquirem LER (Lesão por Esforço Repetitivo)
com a atividade de amarrar as folhas. ''Continuamos articulando a sociedade
e os municípios para garantir os direitos das crianças
a creche e escola'', afirma.
As famílias não
conseguem em algumas situações, de acordo com a promotora,
atingir a produtividade exigida pelos fabricantes de fumo e quando isso
acontece estão sujeitas a multas bem onerosas que podem chegar
a até metade do valor da produção anual.
Ela conta que já foram
ajuizadas algumas ações cíveis públicas para
indenizar os produtores e por melhores condições de trabalho.
Margaret lembra que uma empresa chegou a reconhecer o vínculo
empregatício de um produtor por decisão liminar no ano
passado. A maior parte das ações foi iniciada em dezembro
de 2007.
A produtora de fumo e presidente
da Associação de Produtores Serra da Esperança do
município de Rio Azul, Ezilda Dezanoski, 53 anos, afirma que o
trabalho com fumo provoca vários problemas de saúde para
os agricultores como câncer de pulmão, problemas de coluna
e intoxicação pelo uso excessivo de agrotóxicos.
Ela começou a trabalhar
com fumo aos 22 anos e permanece na atividade até hoje. Agora,
iniciou neste ano o plantio de fumo orgânico com 25 mil pés.
Além disso, tenta diversificar a atividade com a plantação
de milho, mandioca, batata doce, feijão, batata, cebola e pecuária
de leite. Ezilda conta que grande parte dos produtores não abandona
a plantação do fumo porque com pouco espaço - cerca
1 alqueire - é possível plantar 40 mil pés. Segundo
ela, os produtores recebem em média R$ 4,50 pelo quilo do fumo.
A atividade é muito insalubre.
Segundo o presidente da Associação Médica do Paraná,
José Fernando Macedo, exalar e aspirar o fumo pode provocar todas
as doenças do tabaco como câncer de pulmão, de laringe
além de doenças circulatórias como o infarto.
Andréa Bertoldi
Equipe da Folha
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Gazeta do Povo, 7 de maio
de 2009
Congresso
Reforma política deve valer apenas
em 2014
Em reunião ontem na Câmara,
deputados não chegaram a um consenso. Financiamento público
de campanhas e voto em lista fechada são pontos mais polêmicos
O financiamento público
de campanha e a votação em lista fechada foram os principais
pontos discutidos ontem durante quase quatro horas de debate na comissão
geral da Câmara Federal. Apesar da longa discussão, as mudanças,
se aprovadas, não devem valer para a eleição do
ano que vem. O presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), disse que
a tendência é que as novas regras sejam aplicadas somente
em 2014.
Na avaliação do
peemedebista, partidos e parlamentares são resistentes em aprovar
mudanças para se aplicar na eleição seguinte. Ele
diz que com o chamado fatiamento da reforma – que trata de forma
isolada os pontos que devem sofrer alteração no sistema
eleitoral – há temas que podem ganhar contornos oficiais
ainda neste ano. Um deles seria o chamado financiamento público
de campanha.
Segundo o líder do DEM
na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), que está liderando as negociações
para aprovação de alguns pontos ainda neste ano, o PSDB
está dividido, o PMDB e PT são 80% a favor do financiamento
público e da lista fechada e o DEM é totalmente a favor.
Pela proposta de lista fechada, o eleitor passa a votar em uma sigla.
Não mais no candidato.
“Temos hoje uma tendência
que é real da aprovação deste tema. Podemos pedir
a tramitação em urgência para votação
dos pareceres em plenário. Os partidos estão desmoralizados.
Há uma fragilidade do sistema eleitoral que, da forma como está,
só produz escândalos. Devido o sistema frágil existe
uma tendência para votação”, disse Caiado.
O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) é contra
a proposta. Ele classificou como uma “tapeação” a
articulação para aprovação de apenas esses
dois pontos – votação em lista fechada e financiamento
público. Miro disse que topa qualquer sistema eleitoral que não
retira o voto direto do povo, como o voto distrital, por exemplo. Segundo
ele, o financiamento público é tese de defesa de quem está sendo
processado por corrupção. “Essa reforma que estão
querendo é uma tapeação. Não pode ser chamada
de reforma política. Existe movimento articulado na Câmara
que irá provocar uma profunda reação popular, que é contrária
a lista, porque perde o direito de escolher seu candidato.”
Os deputados Mendes Thame e Arnaldo
Madeira, ambos do PSDB-SP, também defenderam ontem a implantação
do voto distrital no país, sob o argumento de que esse tipo de
voto aproximará o eleitor de seu representante político,
permitindo o barateamento da eleição e o acompanhamento
do trabalho dos eleitos.
A deputada Luciana Genro (PSOL-RS)
disse também que é preciso acabar com o financiamento privado
de campanhas, para que as eleições não sejam mais “jogadas
de marketing”. Ela destacou que o PSol proíbe seus candidatos
de receber recursos de bancos e de empreiteiras. A maioria dos deputados
que se pronunciou ontem na reunião também apoiou o financiamento
público das campanhas.
Novas propostas
O deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS)
disse que espera apresentar ainda na próxima semana a minuta de
uma nova proposta de reforma englobando os dois pontos mais polêmicos.
Temer disse ontem que vai propor outra fórmula para o financiamento
das campanhas, permitindo que ele seja misto – um fundo estatal
bancaria a maior parte, mas empresas e cidadãos poderiam fazer
doações, dentro de um limite. “Vou sugerir que as
empresas privadas possam contribuir para o fundo estatal. A sociedade
como um todo vai poder contribuir e patrocinar as eleições”,
disse.
Propostas
Veja quais são as sugestões
do Executivo apresentadas à Câmara sobre a reforma política.
Listas fechadas -
Por esse sistema, o eleitor vota em um partido. O preenchimento das vagas
no Congresso é feito seguindo uma lista estabelecida pela sigla.
Financiamento público -
As campanhas eleitorais devem ser financiadas com dinheiro público.
Ficam proibidas doações de pessoas física ou jurídica.
Compra de votos -
Aumentam os casos classificados como compra de votos e as multas.
Mudança de partido -
Fica estabelecida uma “janela” de um mês para a mudança
de partidos pelos parlamentares que estejam exercendo seus mandatos e
pretendam concorrer às próximas eleições.
Quem for expulso do partido perde o mandato.
Coligações -
Nas eleições proporcionais (vereadores, deputados federais
e estaduais) não poderão mais ocorrer coligações.
Ficam permitidas apenas nas disputas para governo, senado e presidência.
Cláusula
de barreira - Só os que partidos que atingirem um índice
eleitoral (com porcentual mínimo de votação
nos estados) poderão ter eleitos deputados federal, estadual
ou distrital.
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O ESTADO DO PARANÁ,
07 de maio de 2009 | Política
Mais de 300 políticos eleitos
tiveram os mandatos cassados
Agência Brasil
Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (6) pelo Movimento de Combate à Corrupção
Eleitoral (MCCE) revelou que, do final de 2008 a março deste ano, 357
prefeitos, vice-prefeitos e vereadores eleitos no ano passado foram cassados
por compra de votos ou uso eleitoral da máquina administrativa.
O levantamento teve como base
dados da Corregedoria Geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foi
analisada a situação de 84,74% das zonas eleitorais do
país.
No Estado do Paraná, ao
todo, foram 25 políticos que tiveram seus mandatos cassados, sendo
que 14 prefeitos e 11 vereadores. O caso de maior repercussão
foi do deputado Antonio Belinati (PP), eleito prefeito de Londrina e
cassado apenas dois dias depois de ter sido eleito.
Entre 119 vereadores cassados
por compra de de votos no período considerado, a maioria (50 casos)
tinha atuação na região Nordeste. Também
já perderam mandato 238 prefeitos e vices eleitos em 2008.
O número de mandatos interrompidos
pode crescer bastante nos próximos meses. A corregedoria do TSE
contabiliza outros quatro mil processos relacionados à corrupção
eleitoral ainda pendentes de conclusão, 3.124 deles referentes à compra
de votos no último pleito.
O aumento de cassações
reflete a aplicação da Lei 9.840, de 1999, originada
de iniciativa popular. O MCCE é formado por 40 entidades da
sociedade civil, movimentos sociais e igrejas.
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FOLHA DE LONDRINA, 07 de
maio de 2009 | Política
CCJ do Senado aprova PEC que reduz
despesas de vereadores
A proposta fixa seis faixas de gastos para
os municípios que têm entre 100 mil e 8 milhões
de habitantes
Brasília - A Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) do Senado aprovou ontem a proposta de emenda constitucional (PEC) que
reduz o limite de gastos das Câmaras de Vereadores de todo o país.
Os senadores reduziram os gastos de acordo com os tamanhos de cada município,
fixando percentuais de gastos para os municípios que têm entre
100 mil habitantes e 8 milhões de pessoas.
O texto segue para votação
no plenário do Senado. Se for modificado, vai ser submetido a
uma nova votação na CCJ. A comissão aprovou voto
em separado do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) que mantém
como parâmetro para os gastos das câmaras municipais o número
de habitantes da cidade.
O relator fixou seis faixas para
a redução dos gastos - que variam de 12,5% para os municípios
até 100 mil habitantes até 60% para aqueles com população
acima de oito milhões de habitantes.
''Para os municípios com
população acima de dois milhões de habitantes, essa
redução chega a 40%, e é até 60% se acima
de oito milhões de habitantes. A nossa proposta visa preservar
as câmaras municipais dos municípios menores, já que
naqueles com população inferior a 100 mil habitantes essa
redução seria menor, de 12,5%'', afirmou Valadares.
O senador disse que, se forem
tomados os dez maiores municípios do país que somam R$
31 bilhões de receita, o limite máximo para as despesas
das câmaras municipais cairia de R$ 1,5 bilhão para R$ 838
milhões anuais.
No final do ano passado, o Congresso
aprovou PEC que aumentou em 7.343 o número de cadeiras de vereadores
em todo o país. Na época, os parlamentares retiraram do
texto o artigo que reduzia os percentuais de repasse das receitas dos
municípios para as câmaras. Com a mudança, as câmaras
municipais continuariam a receber o montante previsto pela Constituição
Federal, sem aumento nos gastos mesmo com a criação dos
novos cargos.
O Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), porém, reduziu em 2004 o número dos vereadores no
país, mas manteve o mesmo percentual de repasses. De 2004 para
cá, as câmaras tiveram os números de vereadores reduzidos,
mas mantiveram a mesma arrecadação - por isso o Congresso
deu início à votação da segunda PEC para
reduzir os gastos das câmaras municipais.
''Aumenta-se o número
de vereadores, mas estamos reduzindo as despesas. A economia será,
no mínimo, de R$ 1,8 bilhão por ano. Existem câmaras
que não vão gastar até o teto, por isso a economia
deve ser ainda maior'', afirmou Valadares.
A primeira PEC não chegou
a ser promulgada porque a Câmara prometeu esperar a aprovação
da segunda proposta antes de colocá-la em vigor.
Pressão
Cerca de cem vereadores acompanharam
a votação na CCJ. Nas últimas semanas, os vereadores
vinham pressionando os senadores para colocar a matéria em votação.
Apesar da redução nos gastos, os vereadores comemoraram
a aprovação da PEC na expectativa que a Câmara promulgue
a proposta que elevou o número de vereadores.
Gabriela Guerreiro
Folhapress
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Gazeta do Povo, 7 de maio
de 2009
Impostos
Devolução do IR sobre férias
vai seguir dois modelos
Brasília - Os contribuintes
que tiveram Imposto de Renda (IR) a pagar entre 2004 e 2008 mas têm
direito a uma restituição pela venda de férias nesse
período terão que apresentar dois documentos à Receita
Federal para receber o dinheiro. Segundo a instrução normativa
(IN) 936, publicada ontem no Diário Oficial da União, essas
pessoas precisam enviar ao Fisco uma declaração retificadora
do IR e também uma declaração pedindo a compensação
do imposto que foi pago a mais.
Já os contribuintes que
tiveram direito a restituição no passado e que apenas aumentaram
o valor da devolução do imposto em função
da venda de férias terão apenas que enviar uma declaração
retificadora do IR.
Na retificadora, os rendimentos
decorrentes da venda dos 10 dias devem ser informados como não
tributáveis. Os programas do IR de 2005, 2006, 2007 e 2008 podem
ser encontrados na página do Fisco na internet (www.receita.fazenda.gov.br).
A declaração de
compensação do que foi pago a mais só pode ser enviada
pela internet. Ela está no programa Pedido de Restituição,
Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação
(Per/Decomp).
Quem vendeu férias em
2004 e apresentou a declaração em 2005 terá que
se apressar em pedir a restituição. O ressarcimento só pode
ser solicitado num prazo de até cinco anos a partir da data da
retenção indevida do IR. Ou seja, para a declaração
de 2005 (ano-base 2004), o prazo termina no fim deste ano.
Os valores devolvidos pela Receita
serão corrigidos pela taxa Selic. Ela será retroativa a
maio do ano de entrega da declaração original. Segundo
a IN, os contribuintes precisam ficar atentos ao modelo de declaração
utilizado (completo ou simplificado). A declaração retificadora
não pode ser diferente do modelo utilizado na declaração
original. Além disso, o documento terá que trazer todos
os dados, além do número do recibo da declaração
original.
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FOLHA DE LONDRINA, 07 de
maio de 2009
Conciliação agiliza processos
trabalhistas
Comissão permite acordos trabalhistas
entre patrões e empregados sem intervenção do
judiciário
Criada em janeiro de 2000, a lei 9958 alterou a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) e possibilitou que empresas e sindicatos instituíssem
a Comissão de Conciliação Prévia, permitindo que
acordos trabalhistas sejam efetuados entre patrões e empregados sem
que a discussão precise ser encaminhada ao judiciário. A lei é bem
vista por advogados, empregados e trabalhadores. Cerca de 70% dos processos
que passam pelas comissões são resolvidos. Nesse sistema, não
existe juiz para mediar os conflitos.
Conforme o advogado trabalhista
Ricardo Cremonezi, ao ser criada, o principal objetivo da lei era exatamente
tirar os acordos trabalhistas de rescisão contratual do julgamento
do poder judiciário porque lá o processo é bastante
demorado. Ele informa que dentro de 10 dias, após o empregado
propor seu pedido na Comissão de Conciliação Prévia,
tem que ser realizada a audiência. Na justiça, proposta
a ação, pode demorar até seis meses, dependendo
da situação, para haver a primeira audiência.
Cremonezi reforça que
a comissão apresenta resultados muito positivos. ''Traz agilidade
e serve para minimizar conflitos entre as partes'', ressalta. Além
disso, ainda ajuda a desafogar o judiciário, ''que poderia prestar
atendimento mais rápido para quem realmente precisasse''. Segundo
ele, que atua defendendo tanto empregados quanto empregadores, entre
60% e 70% dos casos mediados por meio da comissão são resolvidos.
O processo mediado pelas comissões
podem envolver qualquer valor. Varia geralmente de R$ 500 a R$ 5 mil.
''Eu já fechei um acordo de R$ 50 mil'', conta Cremonezi. Hoje,
aponta ele, acontece de muitas empresas, chamadas para conciliação,
nem comparecerem porque preferem enrolar o processo. Dentro das comissões
normalmente são discutidas questões que podem ser comprovadas,
e não discussões de direito. Os casos mediados pelas comissões
que não forem acordados podem ser levados à justiça
posteriormente.
Apesar de ser uma alternativa
positiva, na opinião do advogado, poucos sindicatos instituíram
a Comissão de Conciliação Prévia porque o
processo custa caro. ''Uma comissão é custosa, se mantém
com taxas de serviço e tem sindicato que não consegue se
organizar nesse sentido'', diz o advogado. Os recursos mantenedores vêm
das taxas pagas pelos empregadores, geralmente cerca de 10% do valor
acordado com o empregado nos processos mediados pela comissão.
Em Londrina, segundo ele, do seu conhecimento existem apenas seis categorias
que constituíram a comissão, entre elas a do comércio
e a da construção civil.
A comissão, explica ele,
forma-se no âmbito sindical, é paritária e envolve
representantes dos empregados e dos empregadores. ''Existe na comissão
uma secretaria e dois conciliadores, um de cada parte, que são
fixos'', enfatizou o advogado. O processo, acrescenta, pode variar de
sindicato para sindicato, tem alguns que as pessoas da estrutura fazem
o serviço sem remuneração alguma, mas normalmente
são gratificadas. ''Sou da opinião de que toda categoria
de trabalhadores deveria ter essa comissão'', conclui.
Erika Zanon
Reportagem Local
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Folha de S.Paulo, 7 de maio
de 2009
Diarista por 3 dias não tem
direitos, decide TST
Para a 7ª Turma do Tribunal, patrão
não tem de pagar férias e 13º salário |
Vínculo é reconhecido só quando há a
continuidade na prestação dos serviços; para
advogado, decisão vai além do que estabelece a lei
DO "AGORA"
Domésticas que trabalham
por até três dias por semana na mesma casa, independentemente
do tempo em que mantenham essa rotina, não têm direitos
trabalhistas, como férias e 13º, segundo a 7ª Turma
do Tribunal Superior do Trabalho.
A decisão consolida outras sobre o mesmo tema dentro do próprio
tribunal -reconhecendo o vínculo empregatício apenas quando há continuidade
na prestação dos serviços.
Juízes de instâncias inferiores já decidiram em favor dos
direitos trabalhistas para diaristas que trabalham até três vezes
por semana. Mas, com a decisão superior, esses processos têm menos
chances de ganho, caso os patrões recorram.
No caso do TST, uma dona de casa de Curitiba (PR) teve uma diarista que trabalhava
três vezes por semana e, posteriormente, duas vezes. No total, foram
18 anos de trabalho -o que poderia configurar uma relação de
frequência, um dos argumentos usados pelos tribunais inferiores para
dar ganho de causa à doméstica.
A patroa recorreu ao TST. "O vínculo com o doméstico está condicionado à continuidade
na prestação dos serviços, o que não se aplica
quando o trabalho é feito alguns dias da semana", afirmou o relator
do recurso, ministro Pedro Paulo Manus.
Além
da lei
Para José Venerando da Silveira, advogado do Sindicato das Domésticas
de São Paulo, a recente decisão do TST vai além do limite
da lei, restringindo o direito ao vínculo empregatício em um
caso em que a CLT não restringe.
" Não está escrito em lugar nenhum que o trabalho precisa
ser feito por cinco ou seis dias por semana para que o vínculo seja estabelecido.
A lei só fala em trabalho "de natureza contínua". Ora,
uma função exercida durante 18 anos não é contínua?",
questiona.
Vários
fatores
Para decretar a existência ou não de vínculo empregatício
no trabalho doméstico, a Justiça leva em conta uma série
de fatores, além do número de dias trabalhados por semana.
Segundo a presidente da Associação dos Advogados Trabalhistas
de São Paulo, Ana Amélia Mascarenhas Camargos, se a diarista
vai ao trabalho em dias específicos (segundas, quartas e sextas, por
exemplo), isso reforça a ideia de que o trabalho é habitual (e
não eventual), o que caracterizaria o vínculo.
Do mesmo modo, se o pagamento é feito uma vez por mês, em vez
de diariamente, isso é um indício de que há vínculo,
pois pressupõe que há um acerto entre patrão e empregado
e que o trabalho não é feito por uma diarista, que pode deixar
de ir trabalhar quando quiser.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
07/05/2009
JT rejeita penhora de títulos da
dívida pública em lugar de numerário
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho
indeferiu mandado de segurança do banco HSBC contra decisão
da 19ª Vara do Trabalho de Porto Alegre (RS), que recusou títulos
da dívida pública como bens para garantir uma execução
provisória, no valor de cerca de R$ 400 mil, determinada em ação
movida por uma ex-empregada. O juiz determinou a penhora em numerário,
uma vez que os títulos oferecidos pelo banco não tinham
liquidez imediata e estavam sujeitos a deságio caso fossem resgatados
antecipadamente.
A impossibilidade de se assegurar
o mandado do HSBC decorreu do fato de que, embora haja orientação
jurisprudencial do no sentido da impossibilidade da penhora em dinheiro
de valores relacionados a execução provisória, o
banco entrou, simultaneamente, com embargos à execução
determinada pelo juiz. O fato foi admitido pela própria empresa,
que chegou a juntar provas de que se utilizou dos embargos à execução
para impugnar o ato que deu motivo ao mandado de segurança.
Nos debates da sessão
de julgamento, o ministro Barros Levenhagen apoiou o relator e esclareceu
que o mandado de segurança é uma medida excepcional, e
que a preferência, nesse caso, é do juízo natural. “Se
tivesse usado o mandado de segurança para discutir a impenhorabilidade
em execução em dinheiro, estaria correto; mas, no momento
em que levantou a questão nos embargos de execução,
a questão é do juízo natural. O mandado de segurança
não pode atropelar a decisão do juiz”, afirmou. (ROMS-1129-2008-000-04-00.9)
(Mário Correia)
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07/05/2009
JT não julga ações
que envolvam representação comercial típica
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, em decisão unânime, determinou o retorno à Justiça
Comum de processo movido por representante comercial contra a Martins
Comércio e Serviços de Distribuição S/A.
A Turma seguiu o voto o relator, ministro Alberto Bresciani, e concluiu
pela incompetência da Justiça do Trabalho, por se tratar
de conflito entre pessoas jurídicas, envolvidas em relação
de representação comercial típica, conforme dispõe
o artigo 39 da Lei nº 4.886/1965.
O representante, residente na
cidade de Sorriso (MT), firmou contrato com a Martins em setembro de
1999. O contrato vigorou até dezembro de 2002, quando sucedeu-se
a rescisão verbal por parte da empresa, sem ter havido rescisão
formal. Tal fato o levou a ajuizar a ação trabalhista,
em que pretendeu receber a indenização assegurada pela
legislação em vigor sobre o regime de representação
comercial autônoma.
Segundo a legislação,
a indenização deveria ser calculada à razão
de 1/12 sobre a retribuição recebida por ele nos últimos
cinco anos do vínculo entre as partes. Para isso, o representante
relacionou as comissões até o mês de dezembro de
2002, mas ressaltou a impossibilidade de juntar todas, diante da retenção
indevida dos recibos pela Martins. O valor total pleiteado na Vara do
Trabalho de Sorriso foi de cerca de R$ 4 mil.
Na sentença, o juiz julgou
procedente seu pedido e condenou a empresa a pagar a indenização
referente ao período de vigência do contrato. Em seu recurso
ao TRT da 23ª Região (MS), a empresa questionou a competência
da Justiça do Trabalho, sob o argumento de se tratar de ação
entre pessoas jurídicas.
O Regional manteve a condenação
e fundamentou sua decisão com base no artigo 114 da Constituição
Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional
45/2004, que estendeu a competência material da Justiça
do Trabalho para julgar ações oriundas de diversas relações
de trabalho, como o autônomo, eventual, à pequena empreitada,
ao representante comercial e outros, desde que prestados diretamente
por pessoa física. Ressaltou, também, que antes da EC-45/2004
eram comuns as situações em que o empregado era compelido
pela empresa a abrir uma firma individual e inscrever-se mediante o Conselho
dos Representantes Comerciais, apenas para desvirtuar a relação
de emprego, atuando, na verdade, como empregado.
O relator do processo no TST,
ministro Alberto Bresciani, afirmou em seu voto que o objeto da discussão
não era o reconhecimento de vínculo de emprego ou a nulidade
da contratação entre as partes, mas sim as diferenças
no valor das comissões auferidas, nos termos da lei que regula
as atividades do representante comercial autônomo. Para o ministro,
o artigo 39 da referida lei é expresso ao dispor que, “para
julgamento das controvérsias que surgirem entre representante
e representado, é competente a Justiça Comum e o Foro do
domicílio do representante”.
(Lourdes Côrtes)
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