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O ESTADO DO PARANÁ,
12 de maio de 2009 | Economia
Emprego na construção
cresce pelo terceiro mês seguido
Agência Estado
O emprego na construção civil brasileira cresceu 0,87% em março
ante fevereiro, com a abertura de 18.341 novas vagas formais, segundo a pesquisa
mensal do Sindicato da Indústria da Construção Civil do
Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e da FGV Projetos, com base nos dados
do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério
do Trabalho. Foi o terceiro mês consecutivo de expansão. Em fevereiro,
houve crescimento de 0,2% e, em janeiro, aumento de 0,68%. Em nota, o diretor
de Economia do Sinduscon-SP, Eduardo Zaidan, informou que os resultados não
significam recuperação da crise econômica, mas a construção
dos empreendimentos lançados e das obras públicas contratadas
antes da piora do cenário macroeconômico.
As contratações
de obras foram reduzidas desde setembro de 2008. Já houve retomada
nas contratações, mas em ritmo menor do que antes da crise.
Na avaliação de Zaidan, o emprego pode crescer ainda durante
alguns meses, mas a expansão só será mantida no
segundo semestre "se os juros baixarem mais, se houver uma recuperação
dos investimentos, se o programa 'Minha Casa, Minha Vida' tomar velocidade
e se a arrecadação crescer permitindo que as contratações
de obras públicas se intensifiquem nos níveis da União,
dos Estados e dos municípios".
O setor empregava, no fim de
março, 2.121.690 trabalhadores. No primeiro trimestre, foram criadas
36.733 vagas formais, com expansão de 1,76% ante dezembro de 2008.
Em 12 meses, foram contratados 173.115 trabalhadores, com crescimento
de 8,88%.
No Estado de São
Paulo, a construção civil contratou 6.710 trabalhadores
com carteira assinada em março, com aumento de 1,12% ante fevereiro.
O total de empregados formais na construção paulista
era de 608,4 mil no fim do mês, com crescimento de 9,93% em 12
meses e de 2,7% ante dezembro de 2008. Na cidade de São Paulo,
foram contratados em março 3.455 trabalhadores, o que representa
expansão de 1,19%. No final de março, havia 293,6 mil
empregados na construção na capital, 11% a mais que em
março de 2008.
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12 de maio de 2009 | Economia
Empresas mudam perfil do trabalhador
desejado
Leonardo Coleto
A crise alterou o perfil dos trabalhadores contratados nas 245 Agências
do Trabalhador do Paraná. É o que aponta uma pesquisa feita pela
Secretaria de Estado, Trabalho, Emprego e Promoção Social (SETP),
que constatou, entre os meses de outubro de 2008 e abril de 2009, uma redução
de até 8% nas vagas preenchidas por candidatos com menor escolaridade.
De acordo com a pesquisa, a maioria
das 82.846 vagas disponíveis nos últimos sete meses foi
conquistada por trabalhadores que concluíram o ensino médio.
Foram 25.626 vagas empregadas, 31% das ofertadas pela agência.
“Ter o ensino médio
completo está se tornando essencial. Ao obter um nível
maior, a qualificação dentro da empresa torna-se mais fácil”,
diz a coordenadora de Intermediação da SETP, Ângela
Carstens.
Os candidatos com ensino médio
incompleto responderam por 17,10% das contratações (14.164
vagas) e aqueles que terminaram o ensino fundamental preencheram 11.859
dos postos de trabalho abertos.
“Assim como em outras épocas,
estar qualificado é essencial. Saber informática e outros
idiomas, por exemplo, só aumentam as chances de conseguir uma
vaga”, completa Carstens.
Somados, os trabalhadores que não sabem ler e escrever, que fizeram
apenas o pré-primário e não concluíram o primeiro
grau do ensino fundamental, conquistaram 22.441 das vagas nos últimos
sete meses.
Quanto à idade dos empregados,
a pesquisa aponta que a crise não trouxe mudanças na idade
dos contratados pelo sistema. A maioria - 26.845 pessoas - tem entre
19 e 24 anos, seguindo uma tendência histórica. Em seguida,
aparecem os candidatos com 25 a 30 anos, com 18.351 contratados.
Mulheres
A pesquisa apontou ainda, um
crescimento de 32,1% na participação das mulheres no mercado
de trabalho. Em sete meses, as mulheres conquistaram 31.208 oportunidades
disponíveis pelo sistema público de empregos no Estado.
Ainda assim, os candidatos homens preencheram 51.638 vagas e responderam
por 62,33% das contratações.
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Um em cada quatro empregados no comércio é jovem
Agência Estado
Um em cada quatro brasileiros empregados no comércio tem idade entre
16 e 24 anos, apontou hoje o 3º Boletim Trabalho no Comércio, organizado
pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese) com dados do Sistema Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). Tido
como porta de entrada para o mercado de trabalho, uma vez que não requer
grande experiência profissional e tem baixa remuneração,
o comércio tinha no ano passado 25% da mão de obra formada por
funcionários jovens.
A pesquisa organizada pelo Dieese
apurou dados do Sistema PED nas principais capitais e mostrou que o salário
mensal dos jovens varia entre R$ 429 no Recife e R$ 653 em São
Paulo. A remuneração chega a representar 34,6% da renda
familiar. O salário dos jovens nesse setor chega perto de 70%
do recebido por adultos com 25 anos ou mais. A desigualdade, neste ponto, é mais
acentuada no Distrito Federal, onde os ganhos dos jovens correspondem
em média a 53,5% do recebido pelos mais velhos, e mais discreta
em Recife, onde a proporção chega a 67,6%.
O levantamento também
aponta que, de maneira geral, a forma mais comum de ocupação
de jovens no comércio é a contratação formal,
com carteira de trabalho assinada. A parcela de jovens contratados
variou no ano passado entre 74,3% dos empregados no setor, em Belo
Horizonte, e 50,8%, em Recife. Os assalariados sem carteira assinada
ou autônomos chegam a representar 30,9% dos jovens contratados
em Recife e 26,7% em Salvador.
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12 de maio de 2009 | Economia
Salário no setor público
sobe mais que no privado
Agência Estado
Os trabalhadores do setor privado estão perdendo a corrida para os funcionários
públicos em termos de rendimentos. De dezembro de 2002 a fevereiro de
2009, o crescimento dos salários do setor privado, com e sem carteira,
foi de apenas 8,7% em termos reais, isto é, descontada a inflação
de 43,3% no período. O aumento real da remuneração média
dos servidores na ativa do Executivo Federal, no mesmo período, foi
8,5 vezes maior do que a do setor privado, atingindo 74,2%. O aumento real
da remuneração na ativa do Legislativo chegou a 28,5%, e o do
Judiciário foi de 79,3%.
Com isso, a diferença
entre o rendimento médio do setor privado e do público,
que já era grande, cresceu ainda mais. Em dezembro de 2002, a
remuneração média do servidor federal na ativa do
Executivo, de R$ 2.680 (valor da época), era 3,6 vezes maior do
que o rendimento médio de R$ 740,90 do setor privado. Em fevereiro
de 2009, a ganho mensal médio no Executivo federal pulou para
R$ 6.691, ou 5,8 vezes maior do que o rendimento médio do setor
privado, de R$ 1.154.
No mesmo período, no
caso do Legislativo, que teve remuneração mensal média
de R$ 12,5 mil em fevereiro de 2009, o rendimento saltou de 9,2 para
10,9 vezes o do setor privado. Já no Judiciário, com remuneração
média mensal de R$ 16,8 mil em fevereiro, o salto foi de 8,8 para
14,6 vezes.
Esse levantamento foi feito pelo
economista político Alexandre Marinis, da Mosaico Consultoria.
Ele usou médias salariais de 12 meses da Pesquisa Mensal de Emprego
(PME), para o setor privado, e o mesmo indicador do Boletim Estatístico
do Ministério do Planejamento para os funcionários públicos.
Neste caso, ele utilizou a tabela de "Despesa Média com Servidores
Federais da União por Poder". Além dos aumentos salariais,
a aposentadoria de servidores de baixo rendimento e a contratação
de funcionários de alta remuneração aumenta a média
no setor público.
Tanto no dado que Marinis
tomou da PME quanto no do Boletim Estatístico, trata-se da média
do rendimento bruto total por trabalhador, incluindo gratificações,
adicionais, horas extras, etc. No caso da PME, o dado refere-se à população
de seis grandes regiões metropolitanas: São Paulo, Rio,
Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e Recife.
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12 de maio de 2009 | Economia
Crise econômica afeta menos
a classes mais pobres
Agência Estado
A crise abateu de formas distintas os brasileiros. Ao que parece, a população
de menor poder aquisitivo foi a que menos sofreu. É o que dizem consumidores
da base da pirâmide e empresários, segundo uma pesquisa do instituto
LatinPanel. Entre os entrevistados, 30% da classe C afirmam que a crise afetou
sua situação econômica, 28% se sentem abalados na classe
A e 26% nas D e E.
A conclusão do estudo,
segundo Ana Fioratti, diretora da LatinPanel, é que as classes
D e E podem estar se configurando como a nova classe emergente. Desde
2007 é a faixa de consumidores que mais contribuiu para o crescimento
da base de faturamento do varejo. Além disso, é a parte
da população com menor comprometimento das finanças
com dívidas.
As classes D e E correspondem
a 42% da população brasileira e 34% dos consumidores. No
Norte e no Nordeste, a participação chega a 61% da população
e 52% do consumo. "Elas ganharam poder de compra. Para este ano,
com a queda do valor da cesta básica, a previsão é que
a tendência de aumento do consumo se mantenha. A conjuntura para
esses consumidores é positiva", avalia Ana.
Desde 1º de fevereiro, o
salário mínimo, reajustado em 6,4%, vale R$ 465. O aumento
implica, segundo cálculos de especialistas, uma injeção
de R$ 21 bilhões na economia. De acordo com o Ministério
da Previdência Social, a alta do valor beneficia 25 milhões
de trabalhadores formais e informais. Só entre aposentados e pensionistas,
são 17,8 milhões de brasileiros.
O reajuste pode elevar
em até 0,2% o Produto Interno Bruto (PIB) do País. Presidente
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio
Pochmann diz: "Dificilmente outras categorias terão o mesmo
volume de benefícios que as classes D e E, que contaram com
o aumento do mínimo."
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Folha de S.Paulo, 12 de maio
de 2009
Demissões desafiam sindicato
do ABC aos 50
Entidade de metalúrgicos que já foi
presidida por Lula completa meio século e enfrenta corte de
mil vagas por mês no setor devido à crise | Para antigas
lideranças, além de lidar com efeitos da crise na região,
sindicato precisa atrair trabalhador e torná-lo mais participativo
CLAUDIA ROLLI
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
O Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC, que já esteve sob o comando do presidente Lula entre 1975
e 1981, completa hoje 50 anos com um desafio: recuperar e manter empregos
na região. Com os efeitos da crise financeira mundial, foram fechadas
no ABC quase 8.000 vagas entre setembro de 2008 e março deste
ano.
As quatro cidades representadas pelo sindicato (São Bernardo do Campo,
Diadema, Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires) empregavam em setembro
cerca de 105 mil metalúrgicos. Em março, eram 97 mil.
" A crise levou parte dos empregos que havíamos recuperado durante
o governo Lula. Em 2003, havia 77,4 mil metalúrgicos na base. E superamos
a marca de 100 mil em 2008, antes de as empresas iniciarem as demissões
por conta da crise. Por isso o sindicato está preocupado em discutir medidas
que permitam a manutenção dos empregos", diz Sérgio
Nobre, presidente do sindicato.
Autopeças e empresas exportadoras são as mais prejudicadas. "Se
não houver medidas que permitam ampliar vendas e crédito para
o setor, o emprego pode continuar em queda."
A tendência é a de que mais vagas sejam fechadas no ABC até junho,
segundo avalia Fausto Augusto, coordenador da subseção do Dieese
no sindicato. "Em média são cerca de mil fechadas por mês.
Esse processo de queda deve se manter até o próximo mês.
Ações como a redução do IPI, por exemplo, devem
ter impacto positivo no emprego a partir do segundo semestre." A previsão é chegar
a junho com 95 mil empregados -mesmo nível de 2007.
A exemplo do que ocorreu em 1992, com a criação da câmara
setorial automotiva, que permitiu o surgimento dos carros populares, o incremento
da produção e a garantia do emprego no ABC, o sindicato quer
agora discutir medidas regionais para buscar saídas para a crise. "Essa é uma
categoria exigente, participativa, que lê e se informa. Não tem
medo da crise. Está preparada para discutir alternativas", diz
Nobre.
Para Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese, o sindicato
do ABC é um dos mais preparados do país. "Foi o primeiro
a fazer mobilização para reposição salarial na
ditadura, em 1978 e 1979, que resultou até no seu fechamento. Também
se diferencia por contribuir para a sociedade, seja com a criação
da CUT ou do PT."
Assim como o ABC passou por transformações nas últimas
décadas -a participação relativa da indústria caiu,
e subiu o peso do comércio e dos serviços no total de empregos
da região-, mudaram a forma de produzir, o interior das fábricas
e o perfil do trabalhador.
Em 1976, 66% dos trabalhadores eram não qualificados (ajudantes) e semiqualificados
(montadores). Hoje, 27,6% dos operários das montadoras têm curso
superior completo. Os operários com segundo grau completo eram 9,27%
em 1985 e passaram para 36,8%.
" Mesmo os trabalhadores altamente qualificados (ferramenteiros) ainda tinham
características de operários. Hoje muitos dos novos empregados
mais qualificados veem o trabalho em uma montadora como uma entre outras possibilidades",
diz o professor Jefferson José da Conceição, secretário
municipal de São Bernardo.
José Arcanjo de Araújo, o "Zé Preto", que ajudou
a formar a primeira comissão de fábrica da Ford (1981) e participou
de uma das greves mais violentas (a dos "Golas Vermelhas", em 1990,
com carros e instalações da empresa danificados), diz que o maior
desafio dos dirigentes é trazer o trabalhador "para dentro" do
sindicato.
Para Jair Meneguelli, que presidiu o sindicato entre 1981 e 1987, "ou
o movimento sindical se moderniza e se liberta do imposto sindical, que garante
arrecadação compulsória aos sindicatos, ou vai acabar".
No ABC, o sindicato devolve há anos a seus sócios o valor arrecadado
com o imposto sindical.
" A forma de atuação e a preocupação em viabilizar
novos negócios, discutir investimentos e modernizar fábricas entraram
na agenda do sindicato", diz Nilton Júnior, diretor da Volks. "Ele
percebeu a necessidade de ser mais flexível."
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Gazeta
Esportiva, 12 de maio de 2009
Ritmo de fusões e aquisições
volta ao momento pré-euforia
Levantamento da consultoria PricewaterhouseCoopers destaca que, entre os meses
de janeiro e abril, foram anunciadas 164 operações de fusão
e aquisição no mercado local. O número é 25% inferior às
219 do mesmo período do ano anterior, mas 8% maior que as 152 operações
anunciadas no mesmo período comparativo de 2006.
As transações nos quatro primeiros meses de 2009 foram impulsionadas
pelo setor financeiro, que representou 11% do número dos negócios,
seguido pelos setores de TI (10%), transportes/ logística (7%), serviços
públicos (7%), mineração (6%), alimentos (6%), construção
(5%) e química e petroquímica (que inclui farmacêutico) com
5% das transações anunciadas. Um dos ativos financeiros mais cobiçados
são corretoras que operam com home broker — sistema que permite
a compra e venda de ações pela internet.
O setor financeiro deve continuar sendo um dos principais responsáveis
por movimentar o mercado também por meio de operações entre
bancos médios e seguradoras. Outro fator que anima os intermediários
das transações para o segundo semestre é a certeza de que
há diversos negócios sendo levados à frente, cujo fechamento
pode acontecer a qualquer momento.
São casos públicos, como a transação entre as gigantes
do ramo de alimentos Sadia e Perdigão e da rede de eletroeletrônicos
Ponto Frio, colocada à venda há menos de dois meses. Mesmo diante
das indefinições trazidas pela crise, empresas brasileiras com
necessidade de expansão global destacam-se entre possíveis compradoras
de ativos no exterior. Relatório divulgado pelo The Boston Consulting
Group, (BCG) aponta 14, entre as quais Natura, Petrobras, Vale e Embraer.
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Gazeta do Povo, 12 de maio
de 2009
Poupança
Cresce pressão para alterar IR sobre
fundos
São Paulo - É mais provável o governo reduzir o Imposto
de Renda (IR) dos fundos de investimento do que mexer na rentabilidade da caderneta
de poupança, afirmou ontem uma fonte com acesso ao Palácio do
Planalto. Segundo essa pessoa, que pediu para não ser identificada,
a questão deve ser definida antes da próxima reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias
9 e 10 de junho. “Se o governo não alterar a rentabilidade dos
fundos, o BC tende a não reduzir a Selic com a atual intensidade”,
afirmou. Na avaliação da fonte, é cada vez maior a pressão
do BC para que o governo retire logo os obstáculos institucionais que
dificultariam a condução da política monetária.
Mudar a rentabilidade da poupança, no entanto, embute um custo político
mais alto.
Os partidos de oposição
também não deverão se opor à ideia de diminuir
a tributação sobre as aplicações de renda
fixa. “Será difícil alguém da oposição
ser contra uma proposta que baixa imposto para essas aplicações”,
avalia o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia.
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Notícias do Tribunal Superior do Trabalho
12/05/2009
Oitava Turma confirma prevalência
de férias da CLT sobre a Convenção 132 da OIT
A Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho,
em voto relatado pela ministra Dora Maria da Costa, confirmou decisão
regional que negou pedido do Sindicato dos Bancários de Florianópolis
(SC) para que os feriados que ocorram no período de férias
sejam desconsiderados. A regra consta da Convenção 132
da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estabeleceu
que a duração das férias não deverá,
em caso algum, ser inferior a três semanas, a cada ano de serviço.
Ocorre que a CLT traz norma mais benéfica aos trabalhadores, ou
seja, férias de 30 dias corridos, por isso prevalece sobre a norma
internacional.
O Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região
(SC) manteve a sentença que negou a pretensão sindical,
lembrando que, quando a Convenção 132 da OIT foi elaborada,
no Brasil o período de férias era de 20 dias úteis
(de acordo com o Decreto-Lei nº 1.031, de 1969), por isso a aplicação
da norma internacional realmente apresentava maior benefício aos
trabalhadores brasileiros naquela época. Mas, durante o intervalo
necessário para que o instrumento internacional passasse a vigorar
nos planos internacional e nacional, a legislação brasileira
foi alterada, passando a prever o período de 30 dias corridos
para o gozo de férias.
Segundo o TRT/SC, na ação, o sindicato
fez uma interpretação equivocada do instrumento internacional.
Isso porque, no âmbito da Convenção 132, que garante
um período mínimo para a duração das férias
de 21 dias (três semanas), faz sentido excluir os feriados que
porventura ocorram, sob pena de haver diminuição desse
período e de o instituto não cumprir o seu objetivo de
propiciar ao trabalhador o descanso anual. O Tribunal Regional observou
que, para que a Convenção 132 da OIT fosse norma mais favorável
ao trabalhador brasileiro, seria necessário que houvesse mais
de nove feriados num mês, o que não ocorre no calendário
nacional. ( RR 155/2002-031-12-00.9)
(Virginia Pardal)
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12/05/2009
RBS terá de pagar adicional a
jornalista que acumulou funções
Uma ex-jornalista da TV RBS de
Florianópolis (SC) ganhou na Justiça o direito ao pagamento
de adicional de salário por haver exercido as funções
acumuladas de pauteira e editora do jornal Bom Dia Santa Catarina. A
questão foi decidida na Terceira Turma do Tribunal Superior do
Trabalho ao julgar recuso da empresa contra a determinação
do Tribunal Regional da 12ª Região, que manteve o benefício
com base na interpretação analógica da Lei nº 6.615/1978,
que regulamenta a profissão de radialista. Decisão semelhante
já foi adotada anteriormente em outro recurso contra a mesma empresa.
Em 2004, a jornalista alegou
na Justiça Trabalhista de Florianópolis que, depois de
quatro anos de trabalho, foi despedida sem justa causa e com desligamento
imediato. Nesse período, desempenhou por quase dois anos as funções
acumuladas de editora do Jornal Bom Dia Santa Catarina e de pauteira
(atividade que, entre outras, coordena a elaboração das
reportagens que vão ao ar), sem receber as verbas correspondentes.
Em decorrência do estresse provocado pelo acúmulo de tarefas
e de condições inadequadas de trabalho, disse que voltou
a sentir as dores de uma fibromialgia que até então estava
controlada. Ficou afastada em tratamento médico por 15 dias.
O juiz condenou a empresa a pagar
adicional de 40% sobre os salários do período, a título
de compensação financeira pelo exercício acumulado
de funções, com reflexos em aviso prévio, férias,
abono de 1/3, gratificações natalinas e FGTS, com 40%.
A RBS não concordou e, após recorrer, sem sucesso, ao TRT/SC,
entrou com recurso no TST sustentando ilegalidade na aplicação
analógica da Lei nº 6.615/1978, pois entende que o acúmulo
de funções explicitados na lei cabe somente aos radialistas.
Mas os ministros da Terceira
Turma julgaram unanimemente em sentido contrário a essa sustentação.
A relatora, ministra Rosa Maria Weber, lembrou que, em outra ocasião,
a Turma já havia julgado recurso de outro empregado contra a RBS,
no sentido de que é possível a aplicação
analógica, ao jornalista, da legislação que regulamenta
a atividade de radialista, no que se refere ao pagamento do acréscimo
salarial decorrente do acúmulo de funções. ( RR-3542-2004-034-12-00.8)
(Mário Correia)
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12/05/2009
Encarregado de vendas ganha sobreaviso por
uso de celular
Um encarregado de vendas da SPAIPA
S.A. Indústria Brasileira de Bebidas, de Londrina (PR), conseguiu
na Justiça do Trabalho o direito a receber adicional de sobreaviso
por ser acionado, por celular, para atender chamados fora de seu horário
de expediente. A condenação foi mantida pela Quinta Turma
do Tribunal Superior do Trabalho, que rejeitou recurso de revista da
empresa. Embora a jurisprudência do TST seja no sentido de rejeitar
o adicional nessas circunstâncias, o relator, ministro Emmanoel
Pereira, considerou que, no caso julgado, ficou claro que a empresa obrigava
o encarregado a permanecer com o celular ligado no período noturno
e nos fins de semana, no aguardo de chamados para soluções
de problemas no âmbito da empresa.
Na inicial da reclamação trabalhista, o encarregado informou
que “era compelido a usar o celular, permanecendo à disposição
do empregador nos horários que não estava efetivamente trabalhando”.
O pedido do adicional de sobreaviso foi rejeitado pela 5ª Vara do Trabalho
de Londrina (PR): o juiz considerou não haver prova de que o trabalhador
fosse obrigado a permanecer em casa, à disposição do empregador,
aguardando chamada de retorno ao serviço.
Este entendimento, porém,
foi reformado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região. “De
fato, o uso do BIP acarreta cerceamento da liberdade do empregado para
usufruir, como quiser, das horas destinadas ao repouso”, afirmou
o TRT. “A expectativa que se cria com a possibilidade de um chamado
influi, sem dúvida, pois, embora seja viável o deslocamento
do trabalhador, não se exclui a obrigatoriedade de permanecer
acessível e disponível para o trabalho. O repouso, portanto,
não é completo.”
O Regional baseou-se nos relatos
de testemunhas, reproduzidos no acórdão, que demonstraram
o uso do BIP em horários noturnos. Um dos depoentes afirmou que
o encarregado era constantemente contatado para resolver problemas que
ocorriam durante as rotas de entrega e distribuição, como
erros na emissão de notas fiscais, devolução de
mercadorias, concessão de descontos a clientes, etc. Esses contatos
ocorriam inclusive no período noturno, já que havia serviços
de entrega e distribuição à noite.
Em seu voto, o ministro Emmanoel
Pereira considerou que o quadro revelado pelo TRT/PR era diverso daquele
previsto na Orientação Jurisprudencial nº 49 da SDI-1.
A OJ 49 diz que o uso de BIP, por si só, não caracteriza
o regime de sobreaviso, “uma vez que o empregado não permanece
em sua residência aguardando, a qualquer momento, convocação
para o serviço”. O ministro Emmanoel, porém, ressaltou
que, se há o uso associado à limitação de
ir e vir do trabalhador, a situação ganha outros contornos. “É essa
peculiaridade que está descrita pelo Regional, que afirma que
o trabalhador tinha a liberdade de ir e vir limitada ‘no que concerne
a distância e dificuldade de acesso dos eventuais locais que pretenda
visitar ou frequentar, ou, simplesmente, estar’. Como se observa,
o caso dos autos é diverso da proposição constante
da OJ 49”, concluiu. (RR 37791/2002-900-09-00.8)
(Carmem Feijó)
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