 |
FOLHA DE SÃO PAULO,
13 de maio de 2009 | Dinheiro
Emprego na indústria tem pior
desempenho em 8 anos
Queda de 5% em relação a março
do ano passado é o maior tombo desde 2001 | Para o IBGE, movimento
de queda é generalizado, pois atingiu todos os indicadores,
as regiões e quase todos os setores
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Combalido pela crise, o mercado
de trabalho na indústria registrou, em março, o pior desempenho
em oito anos: o nível de emprego no setor caiu 5% em relação
a março de 2008, o maior tombo desde o início da série
do IBGE, em 2001.
Já em relação a fevereiro, a ocupação teve
retração de 0,6% na taxa com ajuste sazonal, o sexto resultado
negativo seguido nessa base de comparação. Em queda desde outubro,
o indicador registra perda acumulada de 5,8%.
Até mesmo o rendimento no setor, que se mantinha em alta graças à inflação
mais baixa, não resistiu: a folha de pagamento recuou 2,2% na comparação
com março de 2008, a primeira taxa negativa desde o começo da
crise. Ante fevereiro, houve queda de 2,3%.
Segundo André Macedo, economista do IBGE, os efeitos da crise ainda
afetam o mercado de trabalho industrial. "O movimento de queda é generalizado,
atingindo todos os indicadores, as regiões e quase todos os setores.
Esse movimento acompanha o menor dinamismo da produção da indústria."
Pelos dados do IBGE, foram fechados postos de trabalho em 14 dos 18 ramos industriais
pesquisados e em todos os 14 locais -com destaque para São Paulo, maior
parque fabril do país, com perda de 4% em relação a março
de 2008.
Para Macedo, a tendência de "suave recuperação" apontada
pelos dados de produção de março não se refletiu
em melhora do mercado de trabalho industrial. Naquele mês, a indústria
cresceu 0,7% ante fevereiro, num sinal, diz o IBGE, de "reação
gradual" do setor.
O único sinal positivo, diz Macedo, é o fato de a ocupação
ter caído menos em março do que em meses anteriores -tanto em
janeiro como em fevereiro, o recuo havia sido de 1,4% na taxa com ajuste sazonal.
É , porém, insuficiente para prever a recuperação
do emprego industrial no curto prazo. Os próprios números da pesquisa
não trazem alento, já que o total de horas pagas pelo setor caiu
0,9% em relação a fevereiro e 5,6% ante março de 2008. O
indicador é antecedente ao emprego, ou seja, quando crescem as horas trabalhadas é sinal
de contratações no futuro.
"Fundo" ficou para
trás
" Não há sinalização de resultados positivos
mais à frente, se olharmos as horas pagas como um indicador antecedente.
A indústria ainda mantinha estoques no final do primeiro trimestre e não
precisou lançar mão de horas extras."
Já para Fábio Romão, economista da LCA, o emprego fabril
tende a melhorar em abril, embalado sazonalmente pelo início do processamento
da safra de cana-de-açúcar -que emprega especialmente na indústria
paulista.
O economista estima que o setor tenha aberto quase 34 mil vagas, segundo projeção
feita com base nos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados)
-que em março registrou o fechamento de 35 mil postos de trabalho formais
na indústria.
" A queda do emprego começou a estancar, depois de um ajuste muito
rápido e intenso. O fundo do poço ficou no primeiro trimestre." A
indústria voltou a contratar, diz, ainda que de modo "muito lento".
Para o Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), o crescimento
do emprego em relação a fevereiro mostra que "a queda perdeu
ritmo em março", o que é "um bom sinal". "Não
significa que, no curto prazo, os problemas do emprego industrial estejam resolvidos.
Os ajustes podem continuar", diz o instituto.
|
AGÊNCIA DIAP, 13 de
maio de 2009
Emenda 3: veto será retirado
de pauta por meio de requerimento
Agência DIAP
Senadores e deputados reúnem-se, nesta quarta (13), a partir das 9h,
no plenário da Câmara, para exame de 206 vetos presidenciais a
dispositivos de 30 propostas aprovadas pelas duas casas legislativas. A Emenda
3 será retirada por meio de requerimento do deputado Gilmar Machado
(PT/MG)
A sessão do Congresso
Nacional está confirmada para esta quarta-feira (13). Nessa sessão
serão apreciados os vetos presidenciais mais polêmicos,
conforme acorde dos líderes na semana passada.
A Emenda 3 é o 24º item
da pauta será retirado por meio de requerimento, que será apresentado
pelo vice-líder do Governo no Congresso, deputado Gilmar Machado
(PT/MG).
Na sessão que vota os
vetos não há defesa de propostas. Os microfones não
são abetos para debates contra ou a favor das matérias
pautadas.
O processo de votação,
em caso de vetos parciais, consiste na apreciação de cada
um dos itens vetados separadamente.
Para facilitar, geralmente é feita
uma cédula contendo cada um dos vetos parciais e as opções
de voto para deputados e senadores, que serão colhidos também
separadamente: sim, não e abstenção.
O voto sim mantém o veto
e o voto não derruba o veto.
Se na Câmara o veto não
alcançar 257 votos contrário, ou seja, se não for
derrubado na Câmara, não serão apurados os votos
do Senado, já que a rejeição do veto exige o voto
contrário da maioria absoluta das duas Casas.
O veto derrubado entra em vigor
na data de sua promulgação.
*Matéria atualizada,
com mudança de título, às 17h52
|
GAZETA DO POVO, 13 de maio
de 2009 | Economia
Imóveis
Pacote do governo dá fôlego
a Feirão da Caixa
Banco espera um aumento de 35% nas vendas
em relação ao evento do ano passado. Sindicato da construção
civil acredita que 1,5 mil negócios possam ser fechados entre
sexta e domingo
Publicado em 13/05/2009 | Guido Orgis
O mercado imobiliário deve dar uma demonstração de otimismo
neste fim de semana, durante a quinta edição do Feirão
Caixa da Casa Própria. Segundo empresários do setor, a expectativa
causada pelo programa Minha Casa, Minha Vida, aliada a uma boa oferta de imóveis,
deve levar a um aumento de 35% nas vendas da feira em relação
ao ano passado. A Caixa espera que 40 mil pessoas visitem os estandes entre
sexta-feira e domingo, no Marumby Expo Center, em Curitiba.
Hamilton Pinheiro Franck, presidente
do Sinduscon, sindicato que representa o setor da construção,
calcula que devem ser fechados 1,5 mil negócios, totalizando R$
120 milhões – em 2008, foram R$ 88 milhões. “O
interesse provocado pelo programa federal de habitação
vai incentivar a procura pelo evento. A maioria dos expositores está se
preparando para oferecer imóveis mais populares”, diz.
O feirão não tem apenas imóveis populares – entre
as 4 mil unidades novas e 7 mil usadas, há opções em todas
as categorias de preço. E com a vantagem de que todos os bens expostos
são financiados pela Caixa Econômica Federal. “Teremos 400
funcionários da Caixa para tirar dúvidas e encaminhar a papelada.
Quem for para fechar negócio sai com a documentação pronta
para contratar o financiamento em uma agência”, explica Gueber
Roberto Laux, gerente regional da Caixa em Curitiba.
O gerente da Caixa aconselha
que os interessados procurem no site do banco na internet (www.caixa.gov.br)
a ferramenta de simulação de financiamentos para terem
uma ideia de sua capacidade de compra. Também será possível
olhar a lista de imóveis em oferta em um encarte da Caixa que
circulará com a Gazeta do Povo de amanhã. “Às
vezes as pessoas não têm ideia do seu poder de compra real.
São muitas variáveis que influenciam o valor a ser financiado
e as taxas de juros”, explica. Durante a feira, a Caixa terá 14
terminais fazendo simulações.
Oferta
O Minha Casa, Minha Vida deve
ser o grande chamariz do feirão deste ano. O programa, que traz
subsídios para famílias de baixa renda, ainda está decolando
e provoca dúvidas entre quem quer comprar uma casa nova. “Esse
projeto ajuda a resolver um gargalo no setor. Havia uma demanda grande
de famílias com renda de até dez mínimos, mas os
prazos e valores das parcelas não eram adequados”, destaca
Luiz Carlos Borges da Silva, presidente do Secovi, sindicato do setor
imobiliário. “Como o programa é recente, talvez a
oferta ainda não seja a ideal. Mas é a oportunidade para
as pessoas entenderem como funciona.”
A FMM Engenharia apresentará três
empreendimentos na feira, um deles dentro da faixa do programa. O condomínio
com apartamentos de dois quartos fica no Pinheirinho, tem 60 unidades,
sendo que 45 já foram vendidas. “Queremos encerrar as vendas
desse projeto e da segunda fase de um condomínio em São
José dos Pinhais com apartamentos na faixa de R$ 110 mil”,
conta o proprietário da empresa, Fernando Mehl Mathias. A FMM
também vai lançar na feira a terceira fase desse mesmo
empreendimento, com 112 unidades.
Outra construtora que está apostando
no público do programa federal é a Andrade Ribeiro. Ela
tentará vender na feira 20 unidades que restam de um condomínio
em Araucária com preço unitário de R$ 56 mil e apresentará dois
projetos, um com 260 apartamentos no bairro Santa Cândida, em Curitiba,
e outro com 160 unidades em Araucária – todos com valores
abaixo do limite de R$ 100 mil. “É possível oferecer
produtos nessa faixa de preço com boa qualidade, área de
lazer e segurança”, afirma Erlon Ribeiro, diretor comercial
da construtora.
A mineira MRV, especializada
em projetos de baixo custo, vai oferecer 400 unidades durante a feira.
O gerente executivo de vendas em Curitiba, Marcelo Alves, explica que
a maioria das unidades tem preço entre R$ 90 mil e R$ 120 mil. “Mesmo
as unidades fora do Minha Casa, Minha Vida têm condições
interessantes. Temos uma parceria com a Caixa que facilita o financiamento”,
conta. “Acho que haverá muita gente tirando dúvidas
sobre o pacote da habitação. A procura nos nossos pontos
de venda triplicou após o anúncio do programa.”
Serviço:
O Feirão Caixa da Casa
Própria estará aberto das 10 h às 21 h de sexta-feira
e sábado, dias 15 e 16 de maio, e das 10 h às 18 h de domingo,
dia 17.
Check
list
Veja os documentos necessários para pedir financiamento na Caixa
# Documentos de identidade e
CPF.
# Comprovante de residência.
# Os três últimos
comprovantes de renda.
# Para renda informal, são
necessários extratos bancários dos últimos três
meses e fatura do cartão de crédito.
# Na sequência, serão
pedidos outros documentos, como certidão de casamento, cópia
do cartão do PIS e declaração do Imposto de Renda.
Linhas
A Caixa trabalha com três modalidades principais de crédito
Minha Casa
O programa financia imóveis
novos com valores de até R$ 100 mil (para cidades com mais de
500 mil habitantes). É direcionado a famílias com renda
de até dez salários mínimos (R$ 4.650) e tem taxas
de juros nominais de 5% a 8,16% ao ano. O prazo mínimo é de
120 meses e o máximo, de 360 meses.
Poupança
As linhas que usam recursos da
poupança têm duas modalidades. Uma está dentro do
Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e é direcionada
a imóveis de até R$ 500 mil, com taxas de juros pós
ou pré-fixadas que hoje vão de 9,4% a 12,3% ao ano (efetivas).
Fora do SFH, a linha é para compras acima de R$ 500 mil, com taxas
pós-fixadas.
FGTS
Pessoas com contas do FGTS têm
acesso a uma linha para compra de imóveis de até R$ 500
mil e valor financiado de até R$ 450 mil. As taxas de juros nominais
vão de 8,6% a 9% ao ano. A conta do fundo precisa estar ativa
por no mínimo três anos – as inativas precisam ter
saldo de 10% do valor do imóvel.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
13 de maio de 2009 | Economia
Programa de habitação
gera dúvidas entre construtoras
Agência Estado
O programa habitacional do governo federal "Minha Casa, Minha Vida",
lançado no fim de março e iniciado em meados de abril, ainda
provoca dúvidas entre as construtoras que esperam encontrar na baixa
renda uma oportunidade de aumentar suas receitas. Ontem, ocorreu em São
Paulo um encontro entre o vice-presidente da Caixa Econômica Federal,
Jorge Hereda, o superintendente do banco em São Paulo, Válter
Nunes, e representantes de empresas de construção civil. A reunião
foi organizada pela Votorantim Cimentos. Mais de 30 construtoras participaram,
entre elas, Gafisa, Afinco, Norcon, Tecnum e BKO.
Segundo Válter Nunes,
os representantes das construtoras querem, principalmente, ter uma ideia
de qual é a expectativa do banco em relação à oferta
de imóveis e à procura. "O programa já anima
o setor. Um dos construtores que participaram do encontro contou que
no plantão de vendas do fim de semana do Dia das Mães,
que costuma ser o mais fraco do ano, houve 800 visitas e 255 contratos
fechados em um dos seus empreendimentos." Nunes está animado
com o programa federal e aposta que a Caixa vai bater o recorde de orçamento
para habitação em 2009. No primeiro quadrimestre, a instituição
já destinou R$ 10 bilhões para moradia em todo o País,
e a dotação para este ano é de R$ 27 bilhões.
Para se ter uma ideia da ordem de grandeza, lembra o superintendente
paulista, em 2003 a dotação foi de R$ 5 bilhões,
metade do que foi desembolsado nos primeiros quatro meses deste ano.
Se a demanda for maior
que a oferta, a direção da Caixa tem a opção
de recorrer ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) ou fazer captações de poupança pela própria
tesouraria. Apesar de alguns empresários da construção
reclamarem do alto preço dos terrenos nas capitais, o superintendente
da Caixa acredita que não haverá falta de áreas
para a execução dos projetos do Minha Casa. "O programa
vai deslanchar. As construtoras estão preparando e adequando
seus projetos para apresentar à Caixa", garante.
|
GAZETA DO POVO, 13 de maio
de 2009 | Economia
Trabalho
Moveleiros querem isenção
de IPI para manter trabalhadores
Publicado em 13/05/2009 | Maurício
Borges, correspondente em Apucarana
Arapongas - Os empresários do setor moveleiro estão se mobilizando
para conseguir uma isenção temporária do Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI), a exemplo do que já foi concedido às
indústrias automobilística e de eletrodomésticos e à construção
civil. A reivindicação foi encaminhada ontem, durante uma audiência
entre representantes do polo fabricante de móveis de Arapongas (Norte
do Paraná) e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.
“Esse benefício é de
suma importância, neste momento, para a manutenção
dos postos de trabalho em meio a essa crise financeira mundial sem precedentes”,
sustenta o presidente do Sindicato das Indústrias Moveleiras de
Arapongas (Sima), Valdecir Tudino. No encontro, foram apresentadas outras
solicitações, incluindo a padronização das
alíquotas do IPI. Os empresários lembraram ao ministro
que, em maio de 2008, o deputado federal Renato Molling (PP-RS) propôs
uma lei que deixaria todas as alíquotas de móveis em 5%.
Hoje existem várias faixas de tributação, que vão
de 5% a 10%. “A lei foi aprovada no Congresso, mas o presidente
Lula vetou a redução de algumas alíquotas, afetando
o setor moveleiro, principalmente o segmento de estofados e móveis
tubulares, que continua com 10% de alíquota de IPI”, assinalou
Tudino.
Para enfrentar o cenário
atual, em que a crise econômica afeta a produção
e gera desemprego no setor, o Sima pede a isenção do IPI
sobre os móveis por um prazo mínimo de seis meses. Além
disso, os moveleiros de Arapongas (segundo maior polo do país)
querem que a medida seja estendida para toda a cadeia de fornecedores,
como os fabricantes de painéis de madeira. “Isso seria indispensável
para evitar um outro problema, com a criação de um crédito
tributário para a indústria de móveis”, diz
o presidente do Sima.
Segundo Tudino, Bernardo teria
se sensibilizado com as reivindicações, tendo em vista
a necessidade de manutenção e geração de
empregos no setor. “Citamos como exemplo o fato de que o polo já manteve,
há alguns anos, 3 mil postos de trabalho na área de estofados
e hoje oferta apenas 1.130 vagas. Com a redução do IPI
para 5%, muitos postos de trabalho poderão ser reativados.”
Linha especial
Outro pedido apresentado ao ministro é a
inclusão dos móveis em financiamentos da casa própria,
através do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). “Ao
financiar a casa própria, o mutuário depara-se com uma
residência ainda por mobiliar. A medida atenderia a uma necessidade
dessas pessoas e poderia contribuir para a criação de novos
postos de trabalho”, justificou o secretário executivo do
Sima, Silvio Luiz Pinetti.
Os moveleiros também
dizem que as restrições ao abatimento dos créditos
de PIS, Cofins e IPI pelas empresas que optam pelo regime de tributação
do lucro por estimativa prejudicam os exportadores, pois eles só têm
direito à compensação no próximo ano fiscal. “Neste
momento de crise financeira e de falta de crédito no mercado,
o capital de giro das empresas é vital”, argumenta Pinetti.
|
FOLHA DE SÃO PAULO,
13 de maio de 2009 | Brasil
Base articula 3º mandato de Lula,
diz Jarbas
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O senador Jarbas Vasconcelos
(PMDB-PE) acusou ontem a base aliada governista de estar se articulando
para aprovar no Congresso Nacional uma proposta que permitiria ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva concorrer ao terceiro mandato no próximo
ano.
De acordo com ele, "o bode foi colocado na sala por causa do estado de
saúde da ministra Dilma".
Candidata do presidente à sua sucessão, Dilma Rousseff (Casa
Civil) anunciou que está em tratamento contra um câncer no sistema
linfático.
" Diante das dúvidas sobre as condições reais da ministra,
a chamada base governista se apressou em retomar a bandeira golpista de um terceiro
mandato", discursou.
Jarbas considerou "bizarro" o fato de essa discussão se dar
no âmbito do Poder Legislativo.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) afirmou ontem que o presidente Lula não
tem essa intenção.
Já o senador João Pedro (PT-AM) defendeu que essa discussão
deve ser incluída na reforma política.
|
FOLHA DE SÃO PAULO,
13 de maio de 2009 | Brasil
Festa de sindicato vira ato de apoio
a Dilma
Apesar de homenagens à ministra, sindicalista
causou constrangimentos ao defender 3º mandato para Lula, convidado
de honra | Ministra, durante discurso, citou o nome de muitos dos
presentes ao evento e falou da importância do sindicato na
luta contra a ditadura
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL
O Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC transformou ontem à noite, em São Bernardo do Campo
(SP), sua festa de aniversário em um evento de "apoio e solidariedade" à ministra
Dilma Rousseff (Casa Civil), que luta contra um câncer e é pré-candidata
do PT a presidente na eleição de 2010.
Não faltou, no entanto, uma defesa explícita de um terceiro mandato
para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que constrangeu a ministra
e uma parte da plateia.
Lula chegou à comemoração dos 50 anos da entidade, que
ele presidiu de 1975 a 1981, acompanhado da primeira-dama, Marisa Letícia,
e da ministra da Casa Civil. No ápice da homenagem a Dilma, a plateia
saudou a petista incluindo seu nome no jingle da campanha de Lula em 1989: "Olê,
olê, olê, olá/Dilma, Dilma lá". Também
explodiram gritos de "2010, se Deus quiser" e "está eleita".
Terceiro
mandato
Um dos componentes da mesa, Paulo Vidal, antecessor de Lula no comando do sindicato
até 1975, entretanto, passou ao largo da homenagem e, ao discursar,
defendeu um terceiro mandato para o petista.
" Imaginar pura e simplesmente que politicamente seria importante cumprir
as normas constitucionais e tirar o Lula da Presidência, eu acho que todos
nós temos que repensar isso", afirmou ele, que, logo em seguida se
desculpou: "A companheira Dilma que me perdoe".
A plateia não se manifestou, e Lula fechou a cara. Mais tarde, o presidente
chamou o sindicalista para uma conversa reservada, que terminou com uma troca
de afagos e sorrisos. Antes disso, ao ser apresentada oficialmente, Dilma foi
saudada com entusiasmo pelas 500 pessoas que lotavam o salão principal
do sindicato, ofuscando a entrada do próprio Lula.
Ditadura
Em seguida, após a exibição de um vídeo que contou
parte da história do sindicado com ênfase no período da
ditadura (1964-1985), Dilma foi presenteada com um buquê de flores.
Houve mais aplausos e gritos de "tá eleita!". A ministra agradeceu
apenas com sorrisos.
O presidente do sindicato, Sérgio Nobre, retomou o tema da luta contra
o câncer. Disse que Dilma era uma guerreira e que da sua vitória
dependia a continuidade do processo histórico iniciado no sindicato
e levado até o poder por Lula.
" Um guerreiro reconhece o outro quando o vê. A gente sabe que você é guerreira
e estamos juntos na sua luta para superar todos os problemas porque a continuidade
dessa história depende muito de você", disse ele.
Em seu discurso, que durou cerca de 15 minutos, a chefe da Casa Civil não
comentou a homenagem. Pausadamente, citou o nome de muitos dos presentes e
se concentrou na importância do sindicato no combate à ditadura.
" O vídeo foi muito forte, ele mostra a história do nosso
país e a gente tem sempre que saber de onde nós viemos. E nós
viemos de um conjunto de lutas que o Brasil viveu. No ABC, as forças democráticas
começaram a devorar a ditadura", afirmou Dilma, que atuou em organizações
de esquerda e foi presa pelos militares. A partir de 1978, o Sindicato do ABC
promoveu as maiores greves no país desde o golpe de 1964.
Em seu discurso, Lula exaltou o passado de militante da ministra. Segundo ele,
Dilma era "uma menina de 20 anos" quando foi presa e torturada por "acreditar
em utopias".
|
AGÊNCIA DIAP, 13 de
maio de 2009
Agenda Política: sessão
do Congresso aprecia vetos hoje pela manhã
Agência DIAP
Ainda esta semana, até domingo (17), uma série de eventos importantes
estão agendados para ocorrer.
Veja nesta agenda as principais atividades
no Congresso - Câmara e Senado - e ainda no Executivo.
Quarta-feira (13)
- A Frente Parlamentar dos Advogados realiza, nesta quarta-feira (13), café da
manhã para debater assuntos de interesse dos advogados. Em destaque,
a PEC 351/09, que estabelece novas regras para o pagamento de precatórios.
A proposta já foi aprovada no Senado. O evento começa às
8h30 no restaurante do 10º andar, do Anexo IV, da Câmara dos Deputados.
- A Revista 'Princípios',
publicação teórica do PCdoB, terá lançamento
na Câmara. O evento acontece às 17h, no salão nobre
da Casa, onde estarão reunidas lideranças políticas,
autoridades do governo federal, parlamentares, intelectuais e jornalistas.
- No Palácio do Itamaraty,
Lula participa de ato sobre a abertura dos arquivos da ditadura. Depois,
tem reunião sobre plano estratégico de recursos hídricos
da bacia dos rios Tocantins e Araguaia.
- O presidente do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho,
deve participar de audiência pública requerida por comissões
da Câmara dos Deputados.
- O ministro de Relações
Exteriores, Celso Amorim, é convidado a participar de audiência
pública na Comissão de Relações Exteriores
da Câmara dos Deputados. Ele deve debater temas que vão
da Cúpula das Américas até a disputa diplomática
Brasil-Estados Unidos em torno do garoto Sean Richard Goldman.
- A Câmara tenta votar
projeto de lei que institui o cadastro positivo.
- A Comissão de Desenvolvimento
Econômico realiza audiência pública com o presidente
da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, para
discutir a política brasileira de exploração de
petróleo.
- A Comissão Mista de
Orçamento pode votar PL 4/09 do Congresso, que concede crédito
especial de R$ 6 bilhões ao Ministério das Cidades para
a implementação do programa "Minha Casa, Minha Vida" e
para a regularização fundiária de assentamentos
em áreas urbanas.
- O Conselho de Ética
da Câmara ouve o depoimento do deputado Edmar Moreira (sem partido-MG)
para explicar as suspeitas de má utilização da verba
indenizatória da Casa. Moreira é acusado de usar parte
da verba mensal de R$ 15 mil para o pagamento de serviços de segurança
em empresas da sua família.
- O Supremo Tribunal Federal
julga Adin que questiona o artigo 1° da Lei 9.958/00. A ação
sustenta que o artigo restringe o direito do cidadão à apreciação
do Poder Judiciário de lesão ou ameaça a direito
decorrente da relação de emprego.
- A Agência Nacional de
Energia Elétrica (Aneel ) promove audiência pública
para discutir regras para o uso da internet pela rede elétrica.
Quinta-feira (14)
- Em Santa Catarina, Lula inaugura sub-estação de energia elétrica
de Joinville e de ligação com a linha de transmissão vinda
de Curitiba. Em seguida, parte para Florianópolis, onde deve ter encontro
com membros do turismo.
- O ministro da Justiça,
Tarso Genro, e o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer
(PMDB/SP), participam de seminário na Comissão de Legislação
Participativa da Câmara sobre segurança pública.
- A Comissão de Fiscalização
Financeira e Controle da Câmara realiza audiência pública
com o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, sobre denúncias de supostas
irregularidades no pagamento de saldo remanescente da conta-petróleo
pela União a usineiros de açúcar.
- O Banco Central realiza nesta
quinta e sexta-feira o 11º Seminário Anual de Metas para
a Inflação.
- O IBGE divulga o resultado
das vendas no varejo em março.
Sexta-feira (15)
- Lula viaja para a Arábia Saudita.
- Divulgação do
IGP-10 de maio.
Sábado (16)
- O presidente Lula chega à Arábia Saudita. À noite vai
ao jantar oficial oferecido pelo rei Abdullah bin Abdul Aziz Al-Saud. Em seguida
tem reunião ampliada com o rei, seguida de cerimônia de assinatura
de atos e reunião privada.
Domingo (17)
- Lula participa de café da manhã com lideranças econômicas
sauditas, promovido pela Saudi-Arabia General Investment Authority. Mais tarde,
almoça com empresários brasileiros e sauditas. À noite,
parte para Pequim.
|
GAZETA DO POVO, 13 de maio
de 2009 | Vida & Cidadania
Direitos humanos
A escravidão dos nossos dias
Abolida há 121 anos do Brasil, a escravidão
hoje se dá principalmente nos campos e minas de carvão,
onde 25 mil pessoas são exploradas
Publicado em 13/05/2009 | Mauri König
Há 121 anos o Brasil abolia a escravatura, sem, contudo, que ela deixasse
de existir. A escravidão contemporânea existe e se apresenta de
maneira mais sutil, sobretudo na pecuária, agricultura e minas de carvão.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima em 25 mil
os brasileiros em condições análogas à escravidão
no país. Os dados reais, no entanto, indicam que essa projeção
pode estar subestimada. Só nos últimos 14 anos, o Grupo Móvel
de Fiscalização do Ministério do Trabalho resgatou 33.253
pessoas que estavam privadas da liberdade e submetidas a serviços forçados.
Os 23.677 autos de infração resultaram em R$ 48 milhões
em multas.
No caso brasileiro, o trabalho
escravo tem sido encontrado principalmente na pecuária (80%) e
na agricultura (17%). De acordo com a OIT, nas áreas rurais as
pessoas são submetidas a condições degradantes de
trabalho, impossibilitadas de sair da propriedade devido ao isolamento
geográfico, a dívidas fraudulentas e ao controle de guardas
armados. Em geral, são impedidos de sair por meio da coerção
física até pagarem suas dívidas forçadas – quando
o patrão cobra indevidamente por comida e alojamento. No ano passado,
Goiás liderou o ranking nacional, com 867 trabalhadores resgatados.
O Paraná foi o décimo entre os 22 estados onde houve fiscalizações
em fazendas suspeitas de manter trabalho escravo.
Pela estimativa da OIT, a maioria das
25 mil pessoas mantidas sob condições análogas à escravidão
no Brasil está sobretudo nos estados do Pará e Mato Grosso,
e muitas vezes a prática está ligada à degradação
do meio ambiente. No capítulo dedicado ao país em seu
relatório global, a organização compara a floresta
amazônica a um ímã capaz de atrair mão-de-obra
escrava. Para a OIT, a pouca oferta de emprego, as condições
de isolamento geográfico e a ausência do estado e de instituições
de proteção fizeram desta região um solo fértil
para o tráfico e a exploração de trabalhadores.
Seja na Amazônia ou em qualquer outra parte do país, o
aliciamento se dá com falsas promessas.
Recrutados para trabalhar numa
plantação, pequenos agricultores são enredados nas
artimanhas do patrão. Recebem um adiantamento em dinheiro e concordam
em pagar a dívida trabalhando. O logro começa quando se
veem obrigados a comprar comida e outros bens no armazém da fazenda,
com preços inflacionados. Isolados, sem ter a quem recorrer, endividam-se
cada vez mais, e começa a escravidão por dívida.
Esse tipo de trabalho forçado se alimenta da pobreza e do desconhecimento
das vítimas, que perpetuam a prática.
Segundo a OIT, outro tipo de
trabalho forçado em expansão está relacionado ao
tráfico de pessoas. Ele ocorre quando um jovem é seduzido
pela oferta de trabalho num restaurante, clube noturno ou casa de família
em outra cidade ou país. Concorda em viajar clandestinamente,
pagando caro pela viagem e com o compromisso de pagar a dívida
com o trabalho futuro. Mas ao chegar, o recrutador toma o passaporte
e o dinheiro e o submetem a um subemprego ou no mercado da prostituição.
Esse tipo de exploração envolve também crianças
e adolescentes.
A grande
senzala
Os escravos brasileiros são parte da grande senzala global. São
12,3 milhões as vítimas do trabalho forçado no mundo,
segundo a OIT. Não se trata de uma chaga exclusiva do Terceiro Mundo,
e nos países ricos eles são mais rentáveis. Enquanto na Ásia
e Pacífico os rendimentos com a atividade forçada de 9,5 milhões
de pessoas chegam US$ 9,7 bilhões, os 360 mil escravos da Europa e dos
Estados Unidos rendem US$ 15,5 bilhões aos exploradores. Na América
Latina e Caribe são 1,3 milhão de pessoas submetidas à escravidão,
com rendimentos de US$ 1,3 bilhão. Mulheres e meninas respondem por
56% da mão-de-obra forçada. Elas também são maioria
(98%) na exploração sexual comercial.

|
GAZETA DO POVO, 13 de maio
de 2009 | Vida & Cidadania
Direitos humanos
Patrões não vão
para a cadeia, diz OIT
Publicado em 13/05/2009 | Agência Estado
Genebra - Apesar de todos os programas adotados pelo governo brasileiro, o
país ainda não consegue colocar quase ninguém na cadeia
por submeter trabalhadores a um regime de escravidão. A crítica é da
Organização Internacional do Trabalho (OIT) que, em um levantamento
divulgado ontem, estima que a escravidão “rouba” US$ 20
bilhões de trabalhadores no mundo por ano em salários e pagamentos.
Na América Latina, o salário “roubado” é de
US$ 3,6 bilhões. Até hoje, apenas uma pessoa no Brasil
foi para a cadeia por crimes relacionados à escravidão.
A OIT admite que o país vem adotando multas altas para punir os
empresários, mas alerta que isso ainda não é suficiente. “Se
o Brasil quiser lidar com esse problema, precisa ir além de uma
resposta por meio da Justiça Trabalhista. O que deve ocorrer é que
a Justiça criminal precisa ser acionada para dar uma resposta”,
afirmou Roger Plant, diretor do Departamento de Combate ao Trabalho Escravo
na OIT.
Crise e escravidão
No total, a estimativa é de
que 12,3 milhões de pessoas são vítimas do trabalho
escravo no mundo. A Ásia é a primeira, com 9,4 milhões
de vítimas. A América Latina vem em segundo lugar, com
1,3 milhão. 200 mil deles seriam vitimas de tráfico de
seres humanos.
O alerta da OIT é de que,
diante da crise econômica, há uma preocupação
de que esse número possa aumentar. “Infelizmente, o número
de vítimas aumenta, não diminui”, afirmou Plant.
A OIT destaca que o Brasil vem
fazendo esforços para lidar com o problema, liberando milhares
de pessoas e promovendo campanhas. O principal mecanismo de combate ao
problema tem sido a imposição de multas e a obrigação
de que empresários e fazendeiros paguem os salários aos
trabalhadores. Algumas das multas somam milhões de dólares.
Mas a OIT quer mais. A entidade aponta que, em 2006, centenas de operações
do Ministério do Trabalho liberaram 3,2 mil pessoas. Em 2007,
foram 6 mil pessoas liberadas, contra 2,2 mil nos seis primeiros meses
de 2008. Desde 1995, mais de 30 mil trabalhadores já foram retirados
da situação de escravidão no Brasil.
A ONU enviará em
junho uma missão para investigar a questão do trabalho
escravo no Brasil e o setor do etanol estará no centro da atenção
da entidade.
|
FOLHA DE LONDRINA, 13 de
maio de 2009 | Geral
Brasil levará décadas
para erradicar o analfabetismo
País tem hoje 14 milhões de
analfabetos; contingente representa 10% da população
com mais de 15 anos
São Paulo- Se o ritmo de redução
da população analfabeta permanecer o mesmo dos últimos
anos, o Brasil ainda levará algumas décadas para se livrar
de um problema que hoje atinge um em cada dez brasileiros: o analfabetismo.
No ano 2000, na Conferência Mundial de Educação,
em Dacar (Senegal), o Brasil assinou junto com 128 países um
pacto para melhorar a qualidade do ensino. Entre as metas estabelecidas,
está reduzir pela metade a taxa de analfabetismo no país
até 2015, chegando ao percentual de 6,7%. As informações
são da Agência Brasil.
A Pnad (Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios) de 2007 do IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística), revela que 14 milhões de analfabetos
vivem hoje no país. O contingente representa 10% da população
com mais de 15 anos. Se em 15 anos o percentual de pessoas que não
sabem ler e escrever caiu de 17,2%, em 1992, para 9,9%, em 2007, nos últimos
anos o ritmo de queda está praticamente estagnado. De 2005 para
2006, a redução foi de 0,7% e de 2006 para 2007, de 0,4%.
Para a Unesco (Organização
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência
e a Cultura), responsável por monitorar o compromisso Educação
para Todos, firmado durante a Conferência Mundial de Educação,
vai ser muito difícil o Brasil atingir a meta esperada para 2015.
''Isso exigiria um esforço muito maior do que o que está sendo
feito. A gente espera que o Brasil consiga atingir a meta, mas acho que
isso ainda vai permanecer no reino dos desafios'', diz o especialista
em educação de jovens e adultos da Unesco, Timothy Ireland.
A principal estratégia
do MEC (Ministério da Educação) para reduzir o problema é o
programa Brasil Alfabetizado, que dá apoio técnico e financeiro
para que municípios e estados criem turmas de jovens e adultos.
A meta é atender 2,2 milhões de pessoas em 2009.
''O programa é muito complexo
de implementar, não é simples. Isso porque você precisa
mobilizar o analfabeto, criar condições de formar o alfabetizador. É um
público difícil e as razões para isso estão
na história que ele traz. Em geral, o analfabeto tem muito pouca
confiança na sua capacidade de aprender'', afirma o secretário
de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade
do MEC, André Lázaro.
Na opinião de especialistas,
o analfabetismo também potencializa e multiplica situações
de exclusão, além de submeter as pessoas a constrangimentos
e a situações de preconceito.
Além de alfabetizar aqueles
que não tiveram acesso ao ensino, para encerrar o ciclo do analfabetismo é preciso
trabalhar também na outra ponta: garantir a qualidade da educação
para que a escola não produza novos analfabetos.
Folhapress
|
AGÊNCIA CUT, 13 de
maio de 2009
Luta histórica
Supremo acata mandado em favor de
aposentadoria especial para sindicalizados
Escrito por Condsef
O ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou mandado de
injunção apresentado pela Condsef (Confederação
dos Trabalhadores no Serviço Público Federal) que reivindicava
o direito à contagem especial de tempo para aposentadoria de servidores
que trabalham em condições especiais. O pedido para assegurar
esse direito não regulamentado por normas da Constituição
Federal foi feito em agosto do ano passado pela Condsef em conjunto com suas
filiadas. A princípio, a decisão do Supremo é reservada
apenas aos servidores sindicalizados que trabalham expostos a riscos e agentes
nocivos à saúde. Os servidores que não forem filiados às
entidades que conseguiram este ganho de causa devem mover ações
próprias para alcançar o mesmo direito. Para a Condsef, incentivar
a filiação é sempre importante não só para
assegurar uma série de direitos como para fortalecer a luta coletiva
em busca de reivindicações com reajustes de salários,
benefícios, planos de carreiras e outras justas demandas.
A Condsef e suas filiadas têm
realizado um importante trabalho movendo ações em favor
dos servidores públicos, sindicalizados ou não. Entretanto,
quando uma causa é ganha, costuma ser norma que apenas sindicalizados
façam jus àquele direito. Ainda que a luta para o reconhecimento
de direitos como aposentadoria especial, questões ligadas à planos
de saúde, reconhecimento da paridade, planos negados por governos
passados, entre outras ações sempre movidas em favor dos
servidores, seja estendido a todos, a filiação é importante
para o conjunto dos servidores que unidos se tornam mais fortes.
Fique ligado - Vale lembrar que
os efeitos da decisão não valerão apenas para servidores
que pretendem se aposentar. A decisão do Supremo também
serve de base para processos de revisão de aposentadorias proporcionais
já concedidas; para a concessão de abono de permanência
(suspensão do pagamento de contribuições sociais)
aos servidores que, mesmo podendo se aposentar, optaram por permanecer
em atividade, e a concessão da antiga vantagem do artigo 192,
da Lei nº 8.112/1990, a servidores que, somado este novo tempo de
serviço, teriam completado as condições para a aposentadoria
antes de outubro de 1996. É importante que o servidor fique ligado
em sua situação para requerer o seu direito reconhecido
pelo STF.
A decisão beneficiará milhares
de servidores públicos que trabalham em condições
insalubres e perigosas. Por atingir um número grande de trabalhadores,
as assessorias jurídicas da Condsef e suas filiadas vão
se reunir na próxima semana. O objetivo é discutir a forma
como as entidades vão garantir que o julgamento do STF seja cumprido
na prática. As situações de cada servidor deverão
ser observadas. A Condsef também vai procurar a Secretaria de
Recursos Humanos do Ministério do Planejamento onde vai solicitar
a publicação de um ato administrativo. Isso para orientar
os setores de RH sobre o cumprimento da decisão do Supremo. Todas
as informações desse encontro e desdobramentos do tema
serão publicadas em nosso site.
Luta histórica -
Há vinte anos não há legislação
que regulamente, no setor público, condições de
aposentadoria de profissões que exigem contato com fatores de
insalubridade e periculosidade. A aposentadoria especial no serviço
público está na Constituição, mas como
não existe regulamentação, os pedidos de aposentadoria
em condições especiais sempre acabavam negados pela União.
Após a decisão do Supremo, muitos processos já foram
julgados em favor dos servidores. Essa luta é histórica
e a decisão do STF marca mais um importante ponto em favor da
categoria.
|
Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
13/05/2009
Empregados de conselhos profissionais não
têm estabilidade
Empregados dos conselhos profissionais – federais
e regionais – podem ser dispensados sem motivação,
pois não possuem estabilidade no emprego. Com este fundamento,
a Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou provimento
a agravo de instrumento de uma bibliotecária do Rio Grande do
Sul. O relator, ministro Pedro Paulo Manus, observou em seu voto que
os conselhos que fiscalizam o exercício profissional têm
autonomia administrativa e financeira e são considerados autarquias
atípicas e, assim, a seus funcionários não se aplicam
as regras destinadas aos servidores públicos.
Demitida em janeiro de 2004 do
Conselho Regional de Biblioteconomia da 10ª Região (RS),
após mais de sete anos de serviços prestados à autarquia,
a trabalhadora pleiteou, na 20ª Vara do Trabalho de Porto Alegre
(RS), a reintegração ao emprego, alegando a estabilidade
prevista no artigo 41 da Constituição Federal, apesar de
não ter prestado concurso público. A Vara julgou improcedente
o pedido e o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS)
manteve a sentença, esclarecendo que os conselhos de fiscalização
profissional, apesar de criados por lei, “não prestam serviço
público típico”, pois suas atividades são
voltadas “ao atendimento de interesses de categoria específica”.
Não teriam, assim, o status de verdadeira autarquia. Para o TRT/RS,
por não se sujeitarem ao controle administrativo ou financeiro
do Estado, os conselhos “sequer equiparam-se às empresas
públicas e sociedades de economia mista”.
No agravo de instrumento que
visava a destrancar recurso barrado no TRT, a trabalhadora afirmou que
a decisão estaria seria contrária à Constituição
Federal e à Súmula nº 390 do TST. O ministro Pedro
Paulo Manus, porém, afastou essas alegações. Em
sua fundamentação, ele afirmou que os conselhos regionais
e federais, embora denominados entidades autárquicas, “têm
por objeto a fiscalização das atividades dos profissionais
a eles vinculados e, portanto, não se inserem no âmbito
da administração pública direta nem indireta, não
podendo ser considerados autarquias strictu sensu, mas, sim, autarquias
atípicas”. Acompanhando o voto do relator, a Sétima
Turma negou provimento ao agravo de instrumento. ( AIRR-274/2004-020-04-40.8)
(Lourdes Tavares)
|
13/05/2009
Carrefour é isentado de dano
moral por revista diária em empregada
O Carrefour Comércio e
Indústria Ltda. foi inocentado da acusação de dano
moral por realizar revistas em uma ex-empregada que reclamou que a vistoria
diária à saída do trabalho lhe causava constrangimentos.
Ao analisar o recurso da comerciária na Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, a relatora, ministra Rosa Maria Weber Candiota
Rosa, verificou que o Tribunal Regional da 9ª Região (PR)
demonstrou que não houve situações “vexatórias,
humilhantes ou abusivas”, e que decisão em sentido contrário
somente seria possível mediante a revisão das provas, o
que não é permitido na instância superior.
Dispensada sem justa causa em
2004, após onze anos de trabalho, a comerciária entrou
na Justiça contra a empresa para pedir, entre outras verbas trabalhistas,
indenização por danos morais, alegando que se sentia ofendida
moralmente com as revistas diárias feitas pelo serviço
de segurança da firma. O juiz foi favorável à sua
queixa e condenou a empresa a pagar-lhe indenização por
danos morais no valor de R$ 4 mil, manifestando que atualmente existem
equipamentos de segurança e vigilância “mais eficazes
e menos vexatórios” que a revista pessoal.
Ao analisar o recurso do Carrefour,
o TRT/PR não viu a agressão moral reconhecida na sentença
e retirou a indenização da condenação. A
comerciária recorreu ao TST, mas a relatora manteve a decisão,
esclarecendo que o acórdão regional registrou claramente
que o fato de a empresa realizar revista nos seus empregados, por si
só, não configura dano moral. “A forma como essas
revistas eram efetuadas é que pode vir a causar constrangimento
a ponto de ensejar indenização por dano moral”, esclareceu. “No
caso, tratava-se de situação comum a todos os empregados,
onde o fiscal não tinha contato físico com os pertences
vistoriados, nem eles eram despejados no balcão à sua frente.” A
Turma foi unânime ao rejeitar o recurso da empregada. ( RR-11830-2005-007-09-00.0)
(Mário Correia, com colaboração
de Dirceu Arcoverde)
|
13/05/2009
Ação de cobrança
de advogado contra cliente é julgada pela Justiça Comum
A relação entre
um advogado e seu cliente é uma relação de consumo,
e não de trabalho. Por isso, as ações de cobrança
de honorários advocatícios devem ser ajuizadas na Justiça
Comum (estadual), e não na Trabalhista. O entendimento foi aplicado
pela primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em voto relatado
pelo ministro Walmir Oliveira da Costa, que rejeitou agravo apresentado
por dois advogados de Goiás contra decisão regional que
declarou a incompetência da Justiça do Trabalho para analisar
e julgar o litígio, remetendo os autos à Justiça
Comum.
Os dois advogados contestaram
o entendimento regional com base na ampliação da competência
da Justiça do Trabalho introduzida pela Reforma do Judiciário
(Emenda Constitucional nº 45/2004), mas o argumento foi rejeitado. “A
competência da Justiça do Trabalho, ampliada pela EC 45/2004,
abrange as ações oriundas da relação de trabalho
e as controvérsias dela decorrentes. A ação de cobrança
de honorários advocatícios ajuizada por profissional liberal
contra cliente decorre de relação de consumo regulada pelo
Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), tipo
de prestação de serviços autônomo em que o
fornecedor mantém o poder de direção sobre a própria
atividade, não se inserindo, portanto, na competência material
da Justiça do Trabalho equacionar o conflito”, afirmou o
relator.
O ministro Walmir Oliveira da
Costa ressaltou que a controvérsia sobre se a ação
de cobrança de honorários advocatícios se insere
no conceito de relação de trabalho ou se tem caráter
de consumo já foi esclarecida pelo Superior Tribunal de Justiça
(STJ), a quem cabe, de acordo com a Constituição federal,
julgar conflitos de competência. Segundo a Súmula nº 363
do STJ, compete à Justiça Estadual (comum) processar e
julgar ações de cobrança ajuizada por profissionais
liberais contra clientes. O entendimento do STJ é o de que, nas
ações de cobrança de honorários em função
de contrato de prestação de serviços por profissional
autônomo (no caso em questão, um advogado) discute-se obrigação
contratual de direito civil, não havendo pedido de reconhecimento
de relação de emprego ou de pagamento de verbas rescisórias.
Além disso, o profissional liberal não está subordinado
ao seu cliente, e com ele não estabelece vínculo empregatício.
( AIRR 95/2006-005-18-40.3)
(Virginia Pardal)
|