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Agência Diap, 14 de
maio de 2009
Congresso: em votação
simbólica, Emenda 3 é retirada de pauta
A Emenda propõe condicionar a atuação fiscalizadora do
Ministério do Trabalho e da Receita Federal quando constatada relação
de trabalho fraudulenta ao prévio exame da situação pela
Justiça Federal e do Trabalho. Essa norma retira do trabalhador o
direito de ser protegido pelo Estado
Em razão de ampla articulação
comandada pelo líder do Governo no Congresso, deputado Gilmar
Machado (PT/MG), foi retirado de pauta da sessão do Congresso
o veto à Emenda 3.
É relevante ainda destacar
que o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT/SP) trabalhou pela retirada
de pauta do veto.
A retirada de pauta da Emenda
3 foi importante, pois sua iminente apreciação pelas duas
casas legislativas corria o risco de derrubar o veto.
Na semana passada, em artigo
do diretor de Documentação do DIAP, Antônio Augusto
de Queiroz, ele alertou ao movimento sindical para a necessidade de ampla
articulação pela manutenção do veto.
Da mesma forma, várias
entidades sindicais - centrais, confederações, federações
e sindicatos - divulgaram nota pública pela manutenção
do veto à Emenda 3.
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TERRA, 14 de maio de 2009
Emprego na construção civil registra alta de 0,87% em março
Mesmo com a crise econômica
que atingiu diversos setores da economia, o número de emprego
na construção civil cresceu 0,87% em março deste
ano, segundo pesquisa realizada pelo Sindicato da Indústria da
Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP)
e pela Fundação Getulio Vargas (FGV Projetos), com base
nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do
Ministério do Trabalho e Emprego.
De acordo com o estudo, cerca
de 18 mil brasileiros tiveram suas carteiras assinadas na área
da cosntrução civil. Com o resultado, cerca de 36 mil novas
vagas formais foram abertas no setor, no primeiro trimestre de 2009,
o que significa uma elevação de 1,76%, em comparação
a dezembro do ano passado.
Segundo o diretor de Economia
do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, os resultados precisam ser vistos com
cautela e não como um processo de recuperação da
crise econômica. Para ele, o emprego até pode continuar
crescendo por mais alguns meses, mas só se manterá se,
no segundo semestre, os juros baixarem mais e se houver uma recuperação
dos investimentos.
A região Centro-Oeste
foi a que registrou a maior alta proporcional no emprego na construção
civil. Foram empregados mais 2.139 trabalhadores no setor, alta de
1,37% sobre fevereiro. Em seguida, veio a região Sudeste, com
alta de 1,2%. A redução ocorreu apenas no Norte, que
demitiu 1.495 trabalhadores e houve uma queda de 1,57%.
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PINIWEB, 14 de maio de 2009
Financiamento de R$ 1 bilhão
do BNDES para a construção civil ainda não pode
ser acessado
Banco afirma que não há data
prevista para a liberação da linha de crédito
anunciada junto com o lançamento do pacote habitacional
Por Ana Paula Rocha
A linha BNDES Construção
Civil, anunciada em março pelo Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social como forma de apoio ao plano habitacional "Minha
Casa, Minha Vida", ainda não está disponível
para as empresas do setor.
Segundo porta-vozes do BNDES
e da Caixa Econômica Federal, que será o agente repassador
dos financiamentos, a linha ainda não está em operação
porque os bancos estão ajustando alguns detalhes. Nenhum dos bancos
informou a data prevista para o funcionamento do programa.
A linha de crédito
possui, inicialmente, recursos de R$ 1 bilhão, que podem ser
estendidos a R$ 5 bilhões, e deve financiar projetos que visem
melhorar a qualidade dos materiais de construção e a
industrialização dos componentes. A linha ainda possui
dois subprogramas (BNDES Construção Industrializada e
BNDES Qualidade Construção), que também vão
promover investimentos em ampliação da capacidade de
produção das empresas fornecedoras, principalmente das
que fabricam materiais industrializados para edificações;
incentivar o aumento do patamar de qualidade das construtoras; e estimular
a produção de micro, pequenas e médias empresas.
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de maio de 2009 | Economia
Programa habitacional do governo ainda
não decolou
Agência Estado
Hoje faz um mês que a Caixa Econômica Federal passou a oferecer
aos Estados e municípios o termo de adesão ao programa habitacional
do governo federal "Minha Casa, Minha Vida", lançado pelo
governo no fim de março e inicializado em meados de abril.
Até a quinta-feira da
semana passada (dia 7), quando foi apresentado o último balanço,
a Caixa havia recebido 268 propostas para a construção
de empreendimentos imobiliários. Desse total, 156 eram projetos
para a faixa de renda familiar de até três salários
mínimos. Mas apenas 10 contratos foram assinados até agora
- ou 3,7% de todos os projetos oferecidos pelas construtoras. Ao todo,
eles representam 1.730 unidades habitacionais. Dos empreendimentos aprovados
pela Caixa, só dois se enquadravam na faixa de renda familiar
de até três mínimos. Ou seja, apenas 1,3% do total
de propostas apresentadas para atender a menor faixa de renda foi contemplado
pelo banco. A direção da Caixa foi procurada e não
quis comentar o assunto.
Para Mauricio Linn Bianchi,
vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção
Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon) e presidente da construtora
BKO, o que preocupa não é o resultado apresentado pela
Caixa até agora, mas o futuro, quando a oferta de projetos será bem
maior. "O banco vai precisar de planejamento para fazer a roda
girar. Sem isso, e com a atual estrutura, a Caixa não terá condições
de analisar todas as propostas das empresas" avalia. Ainda segundo
Bianchi, "poderá haver um afunilamento. Só um mutirão
técnico dará rapidez ao processo".
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FOLHA DE LONDRINA, 14 de maio
de 2009 | Política
Lula pede menos ganância a trabalhadores
Para presidente, é necessário
valorizar conquistas salariais do passado
São Paulo - O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva disse na noite de anteontem, em São
Bernardo do Campo (Grande São Paulo), que os trabalhadores podem
querer mais, sem esquecer das conquistas em relação aos
salários e ao trabalho das mulheres. O evento, comemoração
dos 50 anos do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, também
se transformou em um ato de apoio à ministra Dilma Rousseff com
direito a coro com o nome da chefe da Casa Civil, acompanhado por palmas.
''Muitas vezes somos muito gananciosos
e esquecemos as vírgulas que conquistamos'', disse Lula em referência
aos ganhos salariais e à força do trabalho feminino. ''É importante
querer sempre um pouco a mais, mas não esquecer o que já conquistamos,
pra não cair no esquecimento'', disse.
''Não há possibilidade
de um homem sozinho chegar onde eu cheguei. Eu tenho clareza que não
fosse a peãozada deste país, o movimento popular, não
chegaria onde cheguei. (...) Quando o Obama falou Lula você é o
cara, ele deveria dizer, metalúrgicos, vocês são
os caras'', disse.
O presidente Lula participou
das comemorações dos 50 anos do Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC, origem de sua atividade política, acompanhado por sua
mulher, Marisa Letícia, e a ministra Dilma Rousseff. Também
estavam na cerimônia o prefeito de São Bernardo, Luis Marinho,
o deputado federal Vicente Paula da Silva, o Vicentinho, e o presidente
do PT, Ricardo Berzoini (SP).
O evento teve início com
um vídeo de 32 minutos, resgatando a história do sindicalismo
no Brasil, e mais especificamente, da entidade do ABC. Lula figurou as
duas primeiras aparições do material, com uma declaração
em comício na década de 80 e, logo após, com o primeiro
discurso já presidente do Brasil.
Além de celebração
dos 50 anos do sindicato, a cerimônia foi também um momento
de apoio à ''luta'' da ministra Dilma, ainda que o ex-presidente
do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Paulo Vital, tenha dito
que ''o presidente Lula precisa se relançar''. ''Seu governo precisa
continuar. Nós temos muito orgulho de você'', acrescentou
Sérgio Nobre, atual presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC, que destacou a ''importância da ministra Dilma na continuidade
deste projeto''.
Em seu pronunciamento, Dilma
relembrou dificuldades dos trabalhadores no período da ditadura
e o ''compromisso do governo Lula de fazer o país crescer, para
os trabalhadores, para as pessoas pobres''.
Deise de Oliveira
Folhapress
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Folha
de S.Paulo, 14 de maio de 2009
Lula concede TVs e rádios a sindicato
do ABC
Sindicato dos Metalúrgicos, onde o presidente
começou sua vida pública, recebeu duas concessões
de televisão e duas de rádio | O próprio Lula fez
o anúncio de uma TV na comemoração dos 50 anos do
sindicato, que é o único até agora a ser beneficiado
com emissoras
FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL
ELVIRA LOBATO
DA SUCURSAL DO RIO
O Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez sua
carreira sindical e se projetou para o mundo político, recebeu
do governo federal duas concessões de TV educativa e duas
de rádios educativas no Estado de São Paulo. É o único
sindicato, até agora, favorecido com concessão de radiodifusão.
O próprio presidente anunciou a autorização de uma TV
de São Caetano do Sul, anteontem, na comemoração dos 50
anos do sindicato, sendo aplaudido por 500 pessoas.
As concessões foram dadas em nome da Fundação Sociedade
Comunicação, Cultura e Trabalho, cujo principal mantenedor é justamente
o sindicato. A legislação não permite a obtenção
de outorgas por sindicatos. As concessões de educativas são gratuitas
e distribuídas sem processo de licitação.
As emissoras de TV são para Mogi das Cruzes e São Caetano. As
outorgas de rádios FM educativas são para as cidades de São
Vicente, no litoral paulista, e Mogi das Cruzes. O presidente do sindicato,
Sérgio Nobre, disse que o presidente Lula ""fez justiça
ao movimento sindical", já que universidades e igrejas têm
meios de comunicação.
A primeira concessão recebida pelo sindicato foi a TV de Mogi das Cruzes.
O presidente Lula a concedeu (por 15 anos, renováveis) por meio de decreto,
em 2005. O processo passou pela Câmara e pelo Senado. Foi aprovado em
agosto de 2007.
Em seguida, veio a autorização da rádio educativa de São
Vicente. No caso das emissoras de rádio, a autorização
(por dez anos, renováveis) foi dada por portaria do ministro das Comunicações,
Hélio Costa, em julho de 2007. O processo ainda tramita na Câmara
e terá que passar pelo Senado.
A terceira outorga foi da rádio de Mogi das Cruzes, autorizada por portaria
do ministro Hélio Costa em 27 de abril último. Por fim, Lula
assinou o decreto publicado ontem, autorizando a concessão da TV em
São Caetano. A tramitação dos processos no Congresso Nacional
pode demorar vários anos.
Indagado sobre a razão de ter duas emissoras geradoras (que podem produzir
sua própria programação) de TV na Grande São Paulo,
Nobre disse que o sinal da emissora de Mogi das Cruzes não chegaria
ao ABC paulista, que é a área de interesse do sindicato. Por
isso, segundo ele, o sindicato pleiteou uma segunda emissora.
Parcerias
Nobre não soube informar qual será o investimento necessário
para manter duas rádios e duas televisões. ""Sei que é um
projeto muito caro", afirmou. O sindicalista disse que os cálculos
estão sendo feitos por uma equipe técnica e que tem intenção
de propor parceria a outros sindicatos para partilhar os investimentos e a
programação.
Apesar de a concessão de Mogi estar aprovada há quase dois anos
pelo Senado, a emissora ainda não está no ar. Sérgio Nobre
queixou-se do excesso de procedimentos técnicos.
A iniciativa do governo de conceder emissoras educativas a fundações
ligadas ao sindicato dos metalúrgicos surpreendeu o setor de radiodifusão.
O presidente da Abepec (Associação Brasileira das Emissoras Públicas
Educativas), Antônio Achillis, disse que não tinha conhecimento
da iniciativa.
"" Recebi com surpresa, porque o próprio presidente Lula convocou
a realização da Conferência Nacional de Comunicação,
para o final do ano, que vai rediscutir os critérios das concessões",
afirmou Achillis.
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Folha
de S.Paulo, 14 de maio de 2009
Sindicato diz que rádio e TV
são direitos
DA REPORTAGEM LOCAL
DA SUCURSAL DO RIO
O Sindicato dos Metalúrgicos diz que
Lula fez justiça ao atender o setor.
"" Achamos que o movimento sindical, pela contribuição
que dá à democracia, merece ter emissoras de televisão.
A grande imprensa ignora o mundo do trabalho, por isso, reivindicamos ter nosso
próprio meio de comunicação", disse Sérgio Nobre,
presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
Já o presidente da Fundação Sociedade Comunicação,
Cultura e Trabalho não quis se manifestar.
O sindicato diz que vem pleiteando concessão de rádio e de TV
desde que Antônio Carlos Magalhães era ministro das Comunicações
do governo José Sarney (1985-1990).
O Ministério das Comunicações defendeu a aprovação
das concessões, mas afirmou que as outorgas ainda precisam ser analisadas
e aprovadas pelo Congresso Nacional.
Um executivo do ministério, que examinou os processos, disse que a fundação
preenche os requisitos determinados pela legislação e que o exame
foi ""demorado e criterioso".
Indagado sobre a razão de o governo conceder duas concessões
para emissoras geradoras a uma mesma fundação, o executivo, que
não quis ser identificado, disse que elas estão dentro do limite
permitido pela legislação.
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Gazeta do Povo, 14 de maio
de 2009
Tributação
Governo vai cobrar IR de poupança
com mais de R$ 50 mil
Medida ajuda o BC a continuar cortando os
juros, mas complica a aplicação mais popular do país
O governo federal pretende cobrar
Imposto de Renda dos rendimentos da caderneta de poupança a partir
de janeiro de 2010. A tributação, que tem como objetivo
impedir que grandes investidores migrem para esse tipo de aplicação,
incidirá somente sobre depósitos acima de R$ 50 mil. Até que
a nova regra entre em vigor, o governo reduzirá o IR dos fundos
de investimento – que hoje varia de 15% a 22,5% e deve passar a
ter uma alíquota única de 15%.
Segundo o Ministério da
Fazenda, menos de 1% dos poupadores do país têm saldo acima
de R$ 50 mil na caderneta de poupança. A incidência do IR
será somente sobre o valor que ultrapassar esse limite – assim,
uma aplicação de R$ 70 mil pagará imposto sobre
R$ 20 mil. Hoje, os rendimentos da poupança estão isentos
e a alteração precisa ser aprovada pelo Congresso. Os dados
referentes a dezembro de 2008 revelam que 894,8 mil contas têm
saldo superior a R$ 50 mil. Apesar do pequeno número, esse conjunto
de poupadores tem 40,8% de todos os depósitos das cadernetas,
o equivalente a R$ 110,5 bilhões.
O sistema de tributação
da poupança apresentado ontem é complexo porque está ligado à variação
da taxa básica de juros, a Selic. O imposto começaria a
ser cobrado sempre que a Selic cair abaixo de 10,5% ao ano – hoje
ela está em 10,25% ao ano. O tributo aumentaria até chegar à alíquota
máxima de 27,5%, no caso de a Selic ficar abaixo de 7,25% ao ano.
O pagamento do imposto será feito, para a grande maioria dos poupadores,
na declaração anual do IR. Somente cadernetas com rendimento
tributável mensal acima do limite de isenção, projetado
para ficar em R$ 1.499,15 no ano que vem, pagariam o tributo na fonte.
De acordo com o ministro da Fazenda,
Guido Mantega, as mudanças têm como objetivo evitar uma
migração de recursos dos fundos para a poupança – a
caderneta, que tem juros fixados em lei de 0,5% ao mês, tende a
ficar mais rentável do que boa parte dos fundos, cujos rendimentos
estão ligados à Selic. Para o governo, isso poderia causar
problemas na rolagem de sua dívida.
“Na medida em que comece
a haver uma migração para a poupança, haveria um
problema especulativo e começaria a faltar recursos no mercado
para empréstimos normais’’, disse o presidente do
BC, Henrique Meirelles, que participou com Mantega do anúncio
das medidas.
Para a economista Ana Paula Cherobim,
professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), as medidas
apresentadas pelo governo acabam por ora com o risco de migração
em massa de investimentos dos fundos para a poupança. “Não
haverá vantagem para o grande investidor. E para quem poupa, não
haverá razão de tirar o dinheiro da caderneta”, afirma.
Críticas
A mudança na tributação
da poupança é criticada por economistas que apontam para
opções que não alterariam esse investimento. “O
governo quer mudar um modelo que funciona bem em função
de uma situação momentânea. É verdade que
a migração dos fundos será evitada, mas a um custo
para quem confia na poupança como forma de guardar dinheiro”,
afirma Nelson Luiz Paula de Oliveira, vice-presidente do Instituto Brasileiro
de Executivos de Finanças (Ibef-PR). Na opinião de Oliveira,
a Fazenda poderia simplesmente manter a desoneração dos
fundos de investimento após janeiro de 2010.
O economista Manuel Enriquez
Garcia, professor da FEA/USP e vice-presidente do Conselho Estadual de
Economia de São Paulo (Corecon-SP), destaca que a complexidade
do modelo de tributação divulgado ontem não se encaixa
no perfil da caderneta. “A metodologia é confusa, cheia
de redutores e gatilhos. As pessoas investem na poupança porque
ela é simples. Mesmo quem conhece bem tributos vai ter dificuldade”,
afirma. Além disso, Garcia critica o limite de R$ 50 mil escolhido
pela Fazenda. “Há muitas contas acima disso, de aposentados
que pouparam a vida toda, ou de depósitos judiciais que esperam
a liberação, como em casos de inventários”,
completa.
Na opinião de Garcia,
o governo deveria ter anunciado apenas a redução da tributação
sobre os fundos, que ocorreria de qualquer forma, esperando o fim do
ano para ver ser seria mesmo necessário mexer na caderneta. “E
também poderia pressionar os bancos para baixar as taxas de administração. É claro
que eles têm um custo, mas taxas de 4% sobre o patrimônio
são herança de um período inflacionário.”
Para Jackson Sandrini, professor
da área de finanças da UFPR, o governo corre o risco de,
além de ver uma reação popular contrária às
mudanças, ter de em pouco tempo anunciar novas medidas. “As
taxas de administração dos fundos continuam altas. Não
fiquei convencido de que a tributação será suficiente
para resolver o problema”, afirma. A sugestão de Sandrini é que
a poupança volte a ser uma aplicação com correção
trimestral, em vez de mensal.
Novas
regras vão dificultar declaração
A tributação da caderneta de poupança deve causar muita
dor de cabeça em quem for declarar o Imposto de Renda em 2011, referente
ao ano de 2010. As pessoas com saldo acima de R$ 50 mil terão de declarar
os rendimentos da caderneta separados mês a mês. Cada período
terá um redutor próprio, ligado à Selic de dois meses
antes de o rendimento ser depositado – quanto menor a taxa de juros,
menor o redutor e maior o imposto.
O programa do IR fará a
conta do imposto devido em cada mês. Além disso, o contribuinte
tem de levar em conta que a poupança passa a fazer parte de sua
renda tributável, usada para estabelecer o limite entre quem declara
ou não o IR. Segundo a Fazenda, pessoas com renda acima de R$
17.989,90 em 2010 terão de fazer a declaração. (GO)
Imposto
de fundo cairá para manter atratividade
Medida mais aguardada pelos investidores, o ministro Guido Mantega não
detalhou como ficará o Imposto de Renda sobre o rendimento de aplicações
em fundos de investimentos, CDBs, títulos públicos e outras aplicações
ligadas à taxa de juros. Mantega disse apenas que o governo reduzirá para
15% o imposto, que hoje varia de 15% a 22,5%.
A medida valerá apenas
neste ano e poderá ser adotada antes da próxima reunião
do BC, que define os juros, marcada para junho. A mudança, no
entanto, terá que ser aprovada pelo Congresso. A alteração é necessária
para que os fundos não continuem rendendo menos que a caderneta
de poupança. “Caso a Selic caia abaixo de 10,25% ao ano,
vamos reduzir a tributação do IR. Os aplicadores perdem
rendimento com a queda da Selic e nós atenuamos isso com uma redução
no imposto”, disse Mantega.
Para o governo, a redução
no imposto não beneficiará os bancos, que poderiam manter
a cobrança de taxas de administração elevadas. “A
melhor maneira de pressionar a redução nas taxas é com
a queda da Selic. Os bancos vão ter que baixar as taxas de administração
ou vão perder clientes”, afirmou Mantega.

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Agência Diap, 14 de maio
de 2009
Mudanças nas cadernetas só devem
atingir 1% dos poupadores
As novas regras da caderneta
de poupança deixarão isentos os rendimentos de até R$
250 por mês. Esse valor corresponde ao rendimento mensal calculado
em cima de uma caderneta de poupança com saldo de R$ 50 mil.
Na prática, isso significa
que nenhum aplicador que tenha menos de R$ 50 mil terá que pagar
imposto sobre as cadernetas.
Existem atualmente 89,9 milhões
de contas de poupança no país, totalizando depósitos
de R$ 270 bilhões.
No entanto, apenas 3.822 têm
saldo superior a R$ 1 milhão. As cadernetas entre R$ 50 mil e
R$ 600 são cerca de 601 mil.
A retenção do imposto
será por CPF (Cadastro de Pessoa Física), para dificultar
a abertura de várias contas pelo correntista em diferentes bancos.
No caso de várias cadernetas,
ou se os dependentes também tiveram contas, será considerada
a soma de todos os rendimentos em poupança para a tributação.
A retenção na fonte
será feita com base na tabela do Imposto Renda (IR). Na declaração
anual do IR, o poupador terá que incluir o valor do rendimento
para cada mês em que houver ganho que deixe o saldo da caderneta
acima de R$ 50 mil.
As mudanças, que entrarão
em vigor em 2010, se forem aprovadas pelo Congresso Nacional, só atingirão
1% dos poupadores, já que 99% das pessoas têm aplicações
entre R$ 100 e R$ 50 mil.
Pela regra proposta, toda vez
que a taxa básica de juros (Selic) ficar abaixo de 10,50% haverá uma
tributação progressiva para quem tem mais de R$ 50 mil.
A tributação valerá para
o período de rendimento iniciado em janeiro do próximo
ano, ou seja, poderá haver recolhimento de imposto na fonte para
os rendimentos obtidos a partir de fevereiro.
Para uma taxa Selic de 8,5% ao
ano, uma pessoa que só aplicar na caderneta só será tributada
se o saldo da poupança for superior a R$ 986 mil. Já um
aplicador que tenha renda mensal de R$ 1 mil deverá ser tributado
se o saldo da poupança estiver acima de R$ 486 mil.
Segundo informações
divulgadas pelo Ministério da Fazenda, um exemplo de incidência
do imposto seria o caso de um poupador ter R$ 200 mil na aplicação
para uma taxa Selic de 8% ao ano.
A alíquota do Imposto
de Renda incidente nesse caso seria, então, de 27,5%. Como o rendimento
mensal seria de R$ 1 mil (5%), o rendimento líquido (após
o pagamento do imposto) seria de R$ 876.
De acordo com o Ministério
da Fazenda, se houver redução da taxa básica de
juros neste ano que estimule a migração de outros investimentos
para a poupança, o Governo poderá reduzir temporariamente
a alíquota do Imposto de Renda das demais aplicações.
Por exemplo, uma redução
das alíquotas de 22,5%, 20% e 17,5% para 15% teria um custo de
cerca de R$ 2 bilhões ao ano. (Fonte: Agência Brasil)
Clique aqui e
veja a proposta de mudanças na poupança no site do Ministério
da Fazenda.
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Gazeta do Povo, 14 de maio
de 2009
Política monetária
Decisão abre espaço para
Selic a 9% em dezembro
São Paulo - A decisão do governo de tributar depósitos
da caderneta de poupança acima de R$ 50 mil a partir de 2010 abre espaço
para que a taxa básica de juros da economia nacional, a Selic, continue
em queda e possa atingir a marca de 9% até dezembro, prevê o economista-chefe
da LCA, Braulio Borges. Segundo ele, esta queda permitiria um recuo dos juros
reais em um ponto porcentual, além de colaborar para aumentar o Produto
Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas produzidas) em 0,5 ponto porcentual
no horizonte de 12 meses. Para Borges, a redução terá também
impacto positivo no mercado de trabalho, pois deve levar a taxa de desemprego,
atualmente em torno de 9,5%, para 8,5% em meados do próximo ano.
O próprio ministro da
Fazenda, Guido Mantega, ao anunciar o projeto, disse que a Selic pode
cair para 7,25% no médio e longo prazos. “Essa mudança
abre espaço para reduções substanciais nas taxas
de juros no Brasil”, confirmou o presidente do Banco Central (BC),
Henrique Meirelles, ressaltando, porém, que não estava
antecipando nenhuma decisão do Comitê de Política
Monetária (Copom), responsável pela fixação
da taxa básica. Nenhum dos dois firmou prazo para que a Selic
chegue a esse nível.
Borges, da LCA, é cético
em relação à projeção oficial. Para
o economista, é pouco provável que a Selic fique abaixo
de 9% nos próximos trimestres. Ele explica que as previsões
para a taxa de inflação, o risco país e o juro pago
pelos títulos do Tesouro dos Estados Unidos são alguns
componentes que impediriam cortes muito agressivos no futuro próximo. “Acredito
que o Banco Central será mais cuidadoso a partir de agora com
a queda dos juros, pois deve fazer cortes menores que devem se prolongar
até o final do ano”, comentou.
Em entrevista para explicar
os detalhes técnicos da proposta, o secretário extraordinário
para reformas econômico-fiscais, Bernard Appy, afirmou que as
novas regras para poupança permitem que o país tenha
uma Selic abaixo de 7%. Mas, ao ser confrontado com o número
apresentado por Mantega, ele respondeu: “É isso. Está tudo
perto. 7,25% com certeza dá.”
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Gazeta do Povo, 14 de maio
de 2009
Opinião
A caderneta e o beisebol
Já parou para pensar em por que o futebol é mais popular do que
o beisebol e o futebol americano? Pessoalmente, eu tenho minha teoria, e a
simplicidade é a chave. Para jogar futebol, você precisa de uma
bola e só. O resto – a marcação do campo, o gol,
etc – cai no território do improviso.
Com os outros esportes a questão
fica mais complicada. Precisa ter tacos, luvas, equipamentos de proteção,
aquele gol em forma de “Y”. Ou seja, é preciso ter
uma série de recursos adicionais, que se tornam um obstáculo à prática.
Esse obstáculo, como sabem
bem os adeptos brasileiros dessas modalidades, só é vencido
com muito esforço. Quem gosta do esporte topa esses sacrifícios
em nome da diversão que antecipa. Mas vá convencer o vizinho
a continuar jogando beisebol depois da primeira bolada...
A caderneta de poupança é o
futebol das aplicações financeiras. Tem regras simples,
está disponível em qualquer instituição,
não precisa de muito dinheiro para investir. Ou seja, não
impõe barreiras à entrada de novos poupadores. Por isso
funciona bem e é tão popular.
Mas as mudanças que o
ministro Mantega anunciou ontem complicam um bocado o negócio.
Na prática, o investidor não sabe de quanto será a
tributação da poupança, porque ela pode aumentar
se a Selic diminuir. Enquanto isso, o IR sobre os fundos de renda fixa
cai – mas só até o fim deste ano. E o pior é que
o problema não se resolve. Em algum momento será necessário
retomar toda essa conversa.
Para continuar com as analogias
esportivas, tão ao gosto do presidente Lula, o risco é que
a manobra se revele um verdadeiro gol contra.
Oposição
diz que derrubará proposta
A oposição vai se mobilizar para derrubar o projeto de lei que
determina a tributação das aplicações nas cadernetas
de poupança acima de R$ 50 mil a partir de 2010. Em nota, DEM, PSDB
e PPS argumentam que o governo “quebrou a confiança” que
os brasileiros depositaram no investimento. “Se depender da nossa vontade,
não vai passar nada. As medidas são contraditórias. A
oposição vai mostrar que o governo tirou da poupança o
instrumento confiável que tinha”, disse o líder do PSDB
na Câmara, José Aníbal. Para o deputado Raul Jungmann (PPS-PE),
o objetivo do governo é ampliar o universo tributado da poupança
em longo prazo. “Isso mostra que o governo Lula optou por prejudicar
o pobre, o trabalhador. Quem poupou R$ 50 mil fez isso por economia, não
porque é rico”, afirmou.
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Agência Diap, 14 de maio
de 2009
Brasil concentra mais de 1/3 dos
analfabetos da AL, diz organização
Dados da Campanha Latino-Americana
pelo Direito à Educação (Clade) indicam que em todo
o mundo vivem 800 milhões de adultos não alfabetizados.
Desse total, 35 milhões estão em nações latino-americanas.
O Brasil - que é o país
mais populoso da região - também concentra mais de um terço
da população analfabeta da América Latina, 14 milhões
de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler e escrever, de
acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad)
2007, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o levantantamento da
Clade, divulgado em 2007, no grupo de países da América
Latina e do Caribe, Cuba apresenta a menor taxa de analfabetismo: o problema
atinge 0,2% da população. Já na Guatemala, que tem
os piores indicadores, o problema afeta quase um terço (30,9%)
das pessoas com mais de 15 anos.
Nesse ranking, o Brasil ocupa
a 14ª posição, em um total de 19 países. De
acordo com dados da Clade, com um percentual de 11,4% de analfabetos
entre a população com mais de 15 anos de idade, a média
brasileira fica atrás, por exemplo, dos índices do México
(9,10%), Equador (9%), Panamá (8,10%) e da Colômbia (7%).
A Clade é uma rede de organizações da sociedade
civil que atua em defesa do direito ao ensino público gratuito
e de qualidade.
Segundo a Pnad, o índice
de analfabetismo entre os brasileiros com mais de 15 anos é de
10%. Para o educador peruano e consultor internacional José Rivero,
uma das explicações para a persistência do problema,
tanto na América Latina quanto no Brasil, são as grandes
desigualdades sociais da região.
"O Brasil é a primeira
potência em matéria econômica, mas tem questões
de pobreza que são incompatíveis com essa qualidade. Essa
bipolaridade tem possibilitado a existência de uma camada muito
grande de analfabetos", analisa.
Rivero acredita que a redução
do analfabetismo só ocorrerá quando houver menos injustiça
social. E o enfrentamento desse problema, segundo ele, é papel
do Estado e da sociedade civil.
Recentemente, os presidentes
Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia, declararam
que os dois países estão livres do analfabetismo. Para
isso, utilizaram a metodologia do programa cubano de alfabetização
Yo, sí Puedo, criado pelo Governo de Fidel Castro. O método
usa programas de rádio e de televisão para alfabetizar
jovens e adultos.
"Há mais esperanças
na medida em que há mais consciência de que não se
pode seguir como era antes. Há programas muito interessantes,
mas é preciso que [os países] se organizem sabendo quanto
custa alfabetizar. Não basta o político dizer que precisa
alfabetizar, é preciso saber o preço", alerta.
O relator especial da Organização
das Nações Unidas (ONU) para Educação, Vernor
Muñoz, cita as ações da Venezuela e da Bolívia
como "exemplos de opções concretas". Para ele,
o Brasil tem um "compromisso enorme", mas as conquistas ainda
não refletem esse esforço.
José Rivero teme que a
campanha de alfabetização encampada pelos países
latino-americanos possa ser afetada pela crise financeira internacional.
"Essa crise está afetando
a América Latina, que vai ficar mais pobre. Nesse sentido, não
há como prever quando o problema realmente vai acabar. Às
vezes nos esquecemos de que não pode existir um bom futuro em
matéria de alfabetização se a escola pública
não for fortalecida, ela é a grande alfabetizadora. E para
isso é preciso dinheiro", afirma. (Fonte: Agência Brasil)
Veja o ranking do analfabetismo
nos países da América Latina e do Caribe.
Taxas de analfabetismo
entre pessoas com 15 anos ou mais:
1. Cuba (0,2%)
2. Uruguai (1,9%)
3. Aruba (2,7%)
4. Argentina (2,8%)
5. Chile (4,3%)
6. Costa Rica (5,1%)
7. Venezuela (7,0%)
8. Colômbia (7,2%)
9. Panamá (8,1%)
10. Equador (9,0%)
11. México (9,1%)
12. Paraguai (9,8%)
13. Suriname (10,4%)
14. Brasil (11,4%)
15. Peru (12,3%)
16. Bolívia (13,3%)
17. Honduras (20,0%)
18. Nicarágua (23,3%)
19. Guatemala (30,9%)
Fonte:
Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação
(Situação Educativa da América Latina e Caribe
2007 / Unesco e Panorama Educativo 2005 Caminhando rumo às Metas
/ Projeto Regional de Indicadores Educativos - Cúpula das Américas)
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Agência Brasil, 14 de
maio de 2009
Escravizados deixam de receber US$
20 bi por ano, denuncia OIT
Os trabalhadores do mundo que
estão em situação análoga à escravidão
deixam de receber mais de US$ 20 bilhões por ano. A informação é do
relatório O Custo da Coerção, da Organização
Internacional do Trabalho (OIT).
Os trabalhadores do mundo que
estão em situação análoga à escravidão
deixam de receber mais de US$ 20 bilhões por ano.
A informação é do
relatório O Custo da Coerção, divulgado nesta terça-feira
(12), pela Organização Internacional do Trabalho (OIT),
e é referente ao que os trabalhadores nessas condições
deixam de receber somado aos valores que eles desembolsam para conseguir
trabalhar.
"É uma estimativa,
considerando, por exemplo, que o trabalhador receba 80% do salário
mínimo e nenhum direito trabalhista. Então soma-se o valor
que ele deixa de receber, mais o que ele paga, por exemplo, para o 'gato'
levá-lo para o local de trabalho.
No fim, o valor pode ser muito
maior, porque o trabalhador não recebe nenhum centavo", explicou
a diretora do escritório da OIT no Brasil, Laís Abramo.
Segundo ela, os números
desconsideram os trabalhos forçados para fins de exploração
sexual, o que também faria os números subirem muito. No último
relatório sobre o tema, lançado pela OIT em 2005, a conta
era feita com base em uma estimativa sobre o lucro dos empresários
que exploravam o trabalho forçado. À época o valor
total era de US$ 32 bilhões, sendo que US$ 24 bilhões eram
só com a exploração sexual.
Para a OIT, o Brasil é um
exemplo para o mundo de boas políticas de combate ao trabalho
escravo. "O objetivo do relatório não é fazer
uma classificação de países, mas no caso de combate
ao trabalho forçado o Brasil é uma referência mundial.
Nós podemos dizer que é o país que mais tem avançado
no combate ao trabalho forçado no mundo", afirmou Laís.
O reconhecimento é feito
mesmo sem dados sobre quantos trabalhadores escravos existem no país.
Durante a apresentação do relatório, a secretária
de inspeção do Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE), Ruth Vilela, explicou que o país abdicou de fazer estimativas
sobre a quantidade desses trabalhadores porque elas eram muito imprecisas,
uma vez que as estatísticas comuns não conseguem captar
dados sobre essa atividade ilegal.
"Já houve uma estimativa
de que existiam 25 mil trabalhadores em situação análoga à escravidão
no Brasil, mas de 1995 a 2009 nós já fizemos 33.405 libertações.
Nós não temos como saber se são 50 mil, 100 mil
trabalhadores forçados", explicou Ruth.
Uma das provas de que o ministério
tem avançado no combate ao trabalho escravo, na opinião
de Ruth, é o aumento no número de grupos de fiscalização.
Até 1995 existia apenas um grupo móvel de fiscalização
que cuidava só da região da Amazônia Legal. Atualmente,
existem oito grupos que atuam em todo o país.
A lista suja do trabalho escravo,
que inclui empresários e pessoas que se utilizam desse tipo de
mão de obra, e o projeto de lei que tramita no Congresso Nacional
para desapropriar as fazendas dos proprietários que forem condenados
por esse crime também foram apontadas no relatório da OIT
como ações que devem ser copiadas do Brasil pelo mundo.
O grande problema do país,
entretanto, está na condenação e punição
de empregadores. Até o ano passado, haviam apenas três sentenças
condenatórias contra empregadores rurais por causa de trabalho
escravo que resultaram em prisões. Nos casos de outras fazendas
onde também houve liberação de escravos, os proprietários
foram condenados a penas alternativas.
Segundo a diretora da OIT no
Brasil, o problema era um entrave jurídico em função
de dúvidas sobre se esses processos deveriam ser julgados pela
Justiça estadual ou federal. Resolvido o problema, só este
ano já foram julgados e condenados 27 empregadores.
Para o presidente da ONG Repórter
Brasil, Leonardo Sakamoto, os problemas vão além da Justiça. "O
trabalho escravo é mantido por um tripé: impunidade, ganância
e pobreza", explicou o jornalista e cientista político.
Segundo ele, "a lentidão
com que é realizado o programa de reforma agrária é um
dos gargalos para o combate ao trabalho forçado", além
de problemas no modelo de desenvolvimento adotado pelo Brasil, que prioriza
a lucratividade no campo em detrimento de direitos sociais dos trabalhadores
dessas regiões.
"É um modelo predatório.
E quando eu digo predatório eu quero dizer que come a Amazônia,
como a gente da Amazônia, come a terra da Amazônia e passa
por cima de direitos sociais", afirmou.
Sakamoto chamou a atenção
ainda para um aumento recente da violência no campo, que, de acordo
com ele, seria uma espécie de reação às políticas
de proteção dos direitos sociais de trabalhadores rurais
e uma tentativa de "manter terreno" por parte de setores do
agronegócio e da política do país.
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Vermelho, 14 de maio de 2009
PCdoB ganha ação no
Supremo que repõe direito do trabalhador
A decisão, após
9 anos e meio, ainda é uma liminar, mas já surte os efeitos
do pedido principal. Para Guimarães, liminar recebeu votos da
maioria, decisão que deve ser mantida no julgamento do mérito
da ação. Ele afirma que a decisão repercute no País,
porque havia reclamação generalizada
A partir de agora, o trabalhador
despedido já pode entrar com ação na Justiça
do Trabalho contra o patrão sem precisar ir primeiro à comissão
de conciliação prévia.
O PCdoB ganhou ação
no Supremo Tribunal Federal (STF) contra lei do Governo FHC que obrigava
o trabalhador a buscar acordo antes na comissão de conciliação
prévia, criada pelo Governo tucano para arbitrar conflitos entre
empregados e patrões.
O Supremo julgou, na tarde desta
quarta-feira (13), Ação Direta de Inconstitucionalidade
(Adin) de 2000, que deu ganho ao PCdoB.
O advogado Paulo Guimarães,
do PCdoB, explicou que o Supremo entendeu que o cerceamento de acesso à Justiça é inconstitucional.
As comissões continuam existindo, mas o empregado só vai
recorrer à elas por livre opção.
A decisão, após
nove anos e meio, ainda é uma liminar, mas já surte os
efeitos do pedido principal. Para Guimarães, a liminar recebeu
votos da maioria, decisão que deve ser mantida no julgamento do
mérito da ação. Ele afirma que a decisão
repercute no país todo, porque havia reclamação
generalizada.
A Lei de FHC, implantada em janeiro
de 2000, gerou a ação logo em fevereiro e o PCdoB recebeu
apoio do PSB, PDT e PT. Na ocasião, os comunistas alegaram que
a lei impedia que o trabalhador tivesse acesso direto à Justiça
do Trabalho, obrigando-o, antes, a se submeter à decisão
da comissão de conciliação prévia.
Acelerar
justiça
Para o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB),
Wagner Gomes, a decisão repõe um direito do trabalhador que é o
de procurar na Justiça os seus direitos e compensação
para suas perdas.
Para o líder trabalhista,
a luta agora deve ser para que a Justiça acelere as decisões
para não prejudicar os trabalhadores.
Ele alega que, além da
obrigatoriedade da medida, a comissão de conciliação
prévia - composta por representantes dos sindicatos patronal e
dos trabalhadores - não atuava com isenção.
O trabalhador era pressionado
para fazer acordo em desvantagem, com o benefício de que receberiam
logo, explica Wagner Gomes, parabenizando o PCdoB e demais partidos
por ajudar na recuperação desse direito dos trabalhadores.
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Agência Diap, 14 de maio
de 2009
Fundações estatais:
pressão sindical retira projeto da pauta da Câmara
Em reuniões que ocorreram
entre terça e quarta, dirigentes sindicais, com participação
de deputados conseguiram retirar de pauta projeto que regulamenta terceirização
em algumas áreas da Administração Publica. Proposta
será debatida na Câmara com a sociedade
O projeto de lei complementar
(PLP) 92/07, que cria as fundações estatais, deverá ser
debatido com dirigentes sindicais e representantes da sociedade organizada
antes de ser votado no plenário da Câmara dos Deputados.
Esta foi a decisão do
presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB/BA), em razão da
pressão sindical articulada por várias entidades de servidores
públicos de múltiplos segmentos do funcionalismo.
Em reuniões que ocorreram
entre terça e quarta-feira (13), dirigentes sindicais, com a participação
de deputados conseguiram retirar de pauta o projeto que regulamenta uma
espécie de terceirização em algumas áreas
da Administração Publica.
Em princípio, a decisão
entre os dirigentes sindicais é que o projeto ficará fora
da pauta por 60 dias. A decisão pode não ser respeitada
pelo presidente da Casa, que vem tentado há alguns dias votar
a matéria no plenário.
Entre os presentes na reunião,
o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Francisco Batista
Júnior, alertou que o projeto fere a Constituição.
Foi unânime, na reunião, a decisão de que o assunto
deve ser debatido com as entidades sindicais e com a sociedade, antes
de ir a votos na Câmara.
O alerta foi feito na 13ª Conferência
Nacional de Saúde, em 2007 que, rejeitou a possibilidade de criação
das fundações estatais no serviço público,
em especial na área da saúde.
Para a presidente da Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS), Maria Aparecida
Faria, a retirada do projeto de pauta, mesmo que temporariamente, já é uma
vitória.
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FOLHA DE LONDRINA, 14 de
maio de 2009 | Economia
Doméstica é o 'sustentáculo'
da classe média
Fortalecimento desta camada da população,
com a inserção da mulher no mercado de trabalho, aumenta
vagas para empregadas
Curitiba - O fortalecimento da classe média e a inserção
cada vez maior da mulher no mercado de trabalho são os principais fatores
que têm contribuído para o crescimento da categoria das empregadas
domésticas. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílio (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) o número de trabalhadores domésticos no Brasil saltou
de 5,942 milhões em 2001 para 6,731 milhões em 2007, o que significa
um crescimento de 13,27%. No Paraná, a categoria passou de 334.564 trabalhadores
para 398.329, representando um aumento de 17,27%.
Para o economista do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese),
Sandro Silva, o aumento do número desses trabalhadores está relacionado à retomada
do crescimento da economia e à recuperação da renda,
principalmente, da classe média. ''A trabalhadora doméstica é o
sustentáculo da classe média. Permite que a mulher saia
para o mercado de trabalho com alguém que cuide dos filhos e da
casa'', disse a presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras
Domésticas, Creuza Maria Oliveira.
A presidente do Sindicato das
Empregadas Domésticas do Paraná (Sindidom), Caroline Michelisa,
contou que, mesmo com a crise financeira, no último ano houve
crescimento do número de trabalhadores na área. Isso porque
o salário da doméstica é melhor que de outras categorias,
o que faz as pessoas deixarem outras áreas para ingressarem no
serviço doméstico. Ela destacou que um auxiliar administrativo
ganha R$ 20,00 a mais que uma doméstica.
Segundo ela, a idade das empregadas é muito
variada, vai de 17 anos até 65. Grande parte não tem nem
o ensino fundamental. Caroline disse que o que leva muitas delas a trabalharem
no setor é a necessidade, a não exigência de escolaridade
e de cursos. ''Muitas vezes, essas profissionais são responsáveis
pela renda principal da casa'', disse.
A empresária e jornalista
Luciane Maria Marcuria Kraemer tem quatro filhos e administra uma loja.
Em casa, ela conta com a ajuda da empregada Eluisa Moraes, 41 anos, que
ela chama de ''secretária do lar'' e da babá Zilene Ferreira
de Souza, 44 anos.
Luciane conta que Eluisa trabalhou
três anos para ela, pediu para sair e voltou depois de três
meses. ''A Eluisa voltou pela paixão que ela tem pela minha família
e pelas crianças'', destacou. Segundo ela, hoje a empregada tem
que ser polivalente, cuidar da casa, ajudar as crianças a fazerem
a lição, cozinhar e levar os filhos em atividades extracurriculares.
''A confiança (na profissional) é tudo'', afirmou.
A babá Zilene Ferreira
de Souza, 44 anos, cuidou do filho mais velho de Luciane, João
Caetano, hoje com 4 anos. ''Eu saio de casa totalmente descansada porque
tenho duas pessoas preciosas'', disse. A empresária tem os trigêmeos
Valentina, Maria Luisa e Leonardo. Agora, Zilene está há quatro
meses na casa de Luciane.
Eluisa afirmou gostar do trabalho
na casa de Luciane porque a família confia nela e aprova o serviço.
Ela está na atividade há mais de 20 anos e gosta do que
faz. ''Desde quando a Luciane ficou grávida, eu estava aqui. Eu
acompanhei tudo isso. A gente cuida (das crianças) como se fosse
mãe'', contou.
Zilene já foi cozinheira
industrial e conta que gosta de cozinhar e cuidar de criança.
Ela trabalha há 20 anos como babá e começou com
16 anos. ''Eu amo fazer o meu trabalho, adoro essas crianças,
só não levo jeito para limpeza'', brinca.
Andréa Bertoldi
Equipe da FOLHA
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FOLHA DE LONDRINA, 14 de
maio de 2009 | Economia
Direitos trabalhistas geram dúvidas
Curitiba - As empregadas domésticas e diaristas têm vários
direitos trabalhistas. Por este motivo, o empregador precisa estar atento para
não sofrer uma ação judicial mais tarde. A presidente
do Sindicato das Empregadas Domésticas do Paraná (Sindidom),
Caroline Michelisa, disse que a diarista que vai a partir de um dia na semana
na mesma casa, tem direito ao INSS, que deve ser 12% para o empregador e 8%
descontado da empregada. O FGTS é opcional.
A diarista ainda tem direito
ao pagamento do transporte, à alimentação no local,
férias e 13º salário proporcionais, tudo com registro
em carteira de trabalho. A empregada mensalista tem os mesmos direitos.
Caroline disse que a empregada
tem o dever de entregar a carteira para registrar e cumprir o horário
de trabalho. Ela aconselha o empregador a fazer um contrato de trabalho
com todas as obrigações que devem ser cumpridas pela trabalhadora.
No Paraná, as empregadas
domésticas devem receber o piso regional de R$ 610,12. Segundo
ela, para os empregadores que já pagavam mais que o piso regional,
o reajuste de 14% que entrou em vigor a partir deste mês, pode
ser negociado com a empregada. Ela alerta que, quem pagar o salário
mínimo nacional no Estado, depois terá que pagar a diferença.
O presidente do Sindicato dos
Empregadores Domésticos do Paraná, Bernardino Roberto de
Carvalho, disse que o pagamento das diaristas é uma matéria
muito polêmica e que há controvérsias a respeito
dos direitos trabalhistas. Ele aconselha a registrar essas profissionais
como empregadas domésticas diaristas. No contrato de trabalho
deve constar o horário e as atividades que vai desempenhar. ''Existem
ações com ganho de causa para diarista que trabalhava uma
vez por semana'', conta. Ele disse que o pagamento do transporte e da
alimentação depende do acordo que é feito.
O Paraná deve ter a primeira
convenção coletiva de domésticas. Os sindicatos
que representam empregadores e empregados domésticos do Estado
assinaram no início de maio um protocolo de intenções
para estabelecer uma convenção coletiva de trabalho. O
documento será o primeiro do País a estabelecer as regras
do contrato de trabalho para a categoria.
Carvalho acredita que a
convenção vai beneficiar tanto empregadas quanto patrões.
Ele prevê que a convenção deverá aumentar
o número de registros em carteira. No entanto, o documento não
trará novos direitos às empregadas. Não vai ser
acrescentado nada em termos de conquistas trabalhistas além
do que já está previsto em lei. (A.B.)
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FOLHA DE LONDRINA, 14 de
maio de 2009 | Geral
Sindicato lança campanha contra
assédio moral
São Paulo - Para combater o assédio moral nas empresas, o Sindicato
dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região elaborou cartilhas,
panfletos e adesivos que mostram como identificar e se defender desse tipo
de assédio. A intenção da campanha é conscientizar
os cerca de 120 mil bancários da região sobre o problema.
A preocupação dos
bancários em relação ao assédio moral se
baseia principalmente no que o secretário de saúde do sindicato,
Walcir Trevitale, definiu como metas exageradas. Segundo ele, os bancos
almejam resultados quase impossíveis de serem alcançados
o que acaba colocando os trabalhadores sob forte pressão.
A crise financeira mundial e
as recentes fusões de instituições financeiras são
fatores que podem aumentar a busca por resultados e o temor da perda
do emprego. De acordo com Trevitale, esses são alguns dos motivos
que levaram o sindicato a colocar o assunto em discussão.
Ele ressaltou que os bancários
tem um elevado número de casos de pessoas que adoecem por excesso
de pressão. É comum o afastamento por transtornos mentais,
como depressão, stress e síndrome do pânico, destacou.
Outro objetivo da campanha é evitar
a banalização do assunto, fazendo com que qualquer desentendimento
seja chamado de assédio. Trevitale destacou que o assédio
moral tem características específicas e nunca é um
fato isolado, mas práticas propositais e repetidas de hostilidade,
ridicularização ou humilhação direcionadas
a um pessoa ou a um grupo.
Folhapress
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
14/05/2009
TST mantém decisão que obriga
Unibanco a reintegrar portadora de deficiência
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho rejeitou ontem (13) recurso do Unibanco – União
de Bancos Brasileiros S.A. contra decisão que determinou a recomposição
da relação de trabalho de uma bancária portadora
de lesão por esforço repetitivo. “A dispensa imotivada
do trabalhador reabilitado ou deficiente físico habilitado depende,
sempre, da prévia contratação de substituto em condição
semelhante”, afirmou a relatora, ministra Rosa Maria Weber.
A reintegração
foi decidida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
(RJ), com fundamento na Lei nº 8.213/1991. A lei não assegura
a estabilidade, mas limita o poder do empregador de demitir ao estabelecer
a obrigação de prévia constatação
de outro empregado em condição semelhante e define percentuais
de acordo com o número de trabalhadores da empresa. A doença
ocupacional foi constatada em 1997 e, na ocasião, o médico
que a examinou emitiu comunicação de acidente de trabalho
(CAT) e o INSS reconheceu o nexo causal entre o trabalho e a doença,
concedendo à trabalhadora o auxílio-doença acidentário.
Ao fim do afastamento, de quase dois anos, o INSS a considerou reabilitada
e ela retornou ao trabalho para atividades com restrições
a movimentos repetitivos. Em 2002, a bancária foi demitida, menos
de 90 dias depois de novo exame periódico que confirmou a doença.
Ao recorrer ao TST, o Unibanco
alegou que a Lei nº 8.213/1991 não prevê a estabilidade
no emprego do portador de LER e é inconstitucional ao limitar
o chamado poder potestativo do empregador de rescindir unilateralmente
o contrato de trabalho. A ministra Rosa Weber, porém, afastou
as alegações e manteve a condenação. “Independentemente
de uma tomada de posição favorável ou contrária à liberalização
do mercado de trabalho, é preciso reconhecer que os ganhos de
eficiência não podem, sozinhos, garantir equidade distributiva
das oportunidades criadas”, afirmou. A ministra citou o Nobel de
Economia Amartya Sen, que afirma que “os abrangentes poderes do
mecanismo de mercado têm de ser suplementados com a criação
de oportunidades sociais básicas para a equidade e a justiça
social”.
Para a relatora, a situação
exige “o tratamento desigual dos desiguais”, pois a efetiva
igualdade de oportunidade e de tratamento para portadores de deficiência
e reabilitados requer atuação positiva do legislador, “superando
qualquer concepção meramente formal de igualdade, de modo
a eliminar os obstáculos, sejam físicos, econômicos,
sociais ou culturais, que impedem a sua concretização”.
( RR 164/2003-028-01-00.8)
(Carmem Feijó)
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14/05/2009
Oitava Turma nega adicional de risco a portuários
de terminal privativo
O adicional que remunera os trabalhadores
portuários pelos riscos relativos à insalubridade, periculosidade
e outros porventura existentes, no valor de 40% sobre o valor do salário-hora
ordinário do período diurno, não alcança
os empregados de terminais de uso privado, como é o caso do Porto
de Praia Mole, que faz parte do complexo marítimo de Tubarão
(ES) e é operado pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). A decisão é da
Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em voto relatado pela
ministra Maria Cristina Peduzzi, que rejeitou recurso de dois técnicos
aposentados que trabalharam por mais de 20 anos na Vale, diretamente
na área do porto.
O benefício foi concedido
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (ES), que
acolheu recurso ordinário dos técnicos - que exerceram
as funções de eletricista e operador de carregador de navios
-, sob argumento de que o adicional é um direito do empregado
que trabalha em área de porto, independentemente do regime de
exploração do terminal (se público ou privado).
Mas, para a ministra Cristina Peduzzi, como o terminal portuário
de uso privativo é submetido às regras de direito privado,
não há incidência dos dispositivos da Lei nº 4.869/1965,
que estabelece o regime de trabalho nos portos organizados. O recurso
da Vale foi acolhido.
Para demonstrar o equívoco
da decisão regional, a ministra Cristina Peduzzi recorreu à chamada “Lei
de Modernização dos Portos” (Lei nº 8.630/1993),
que dispõe sobre o novo regime jurídico de exploração
por portos organizados e das instalações portuárias.
A lei define instalação portuária de uso privativo
como aquela “explorada por pessoa jurídica de direito público
ou privado, dentro ou fora da área do porto, utilizada na movimentação
e ou armazenagem de mercadorias destinadas ou provenientes de transporte
aquaviário”. Ainda de acordo com esta lei mais recente,
a instalação portuária de uso privativo rege-se
pelas normas de direito privado, sem participação ou responsabilidade
do poder público. ( RR 1420/1999-005-17-00.6)
(Virginia Pardal)
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14/05/2009
Ferroban é responsabilizada por débitos
trabalhistas de terceirizado
A empresa Ferrovias Bandeirantes
S.A. – Ferroban foi responsabilizada pela Sexta Turma do Tribunal
Superior do Trabalho pelo pagamento de débitos trabalhistas a
um armador contratado por meio da empresa Gerência Recursos Humanos
e Serviços Temporários Ltda. A Sexta Turma julgou tratar-se
de situação clara de responsabilidade subsidiária,
por considerar ter ocorrido terceirização em torno da atividade
estrutural da Ferroban. Com entendimento diverso, a Justiça do
Trabalho de São Paulo concluíra que a Ferroban não
devia ser responsabilizada.
A Ferroban firmou contrato com
a FC Construções Comércio e Serviços Técnicos
Ltda. para a execução de obras e serviços para recuperação,
reforço e capacitação de obras de arte - pontilhões
(pequenas pontes) - no trecho de Itirapina e Boa Vista Velha (SP), incluindo
recuperação e substituição de estruturas
metálicas. Segundo apurou a Vara do Trabalho de Limeira (SP),
o trabalhador foi contratado pela Gerência Recursos Humanos para
prestação de serviços à FC, “em relação
jurídica distante da Ferroban”.
O empregado foi admitido para
trabalhar como armador (profissional que prepara a confecção
de armações e estruturas de concreto e de corpos de prova,
corta e dobra ferragens de lajes, monta e aplica armações
de fundações, pilares e vigas e molda corpos de prova)
em 11/02/99, para prestação de serviço temporário,
pelo prazo de 90 dias. Na inicial, ele alegou ter prestado serviço
até 12/05 – um dia depois de esgotado o prazo determinado – e,
assim o contrato passaria a ser por prazo indeterminado. A empresa, porém,
anotou em sua carteira a data de rescisão como sendo 11/05. O
trabalhador, então, ajuizou ação para obter retificação
da carteira de trabalho, declaração de que o contrato já vigia
por prazo indeterminado, horas extras, aviso prévio e multa de
40% sobre o FGTS, entre outros itens.
A Vara de Limeira considerou
a Ferroban dona da obra, por contratar a FC para execução
de obra específica e preço determinado, e excluiu-a do
confronto. Quanto à Gerência e à FC, a Vara tratou-as
como grupo econômico, pois a empresa de serviços temporários
fornece mão-de-obra à FC, construtora. Condenou, então,
as duas, solidariamente, ao pagamento de saldo salarial dobrado, aviso
prévio e FGTS mais 40%. O trabalhador recorreu ao Tribunal Regional
do Trabalho da 15ª Região (Campinas/SP), pedindo a responsabilização
da Ferroban, mas o acórdão regional manteve o entendimento
da sentença.
Para o ministro Maurício
Godinho Delgado, relator do recurso de revista, a não-responsabilização
da tomadora de serviços só seria possível em casos
de contratação “comprovadamente eventual e esporádica,
em que se pactuasse obra específica ou prestação
enfocada”. A Sexta Turma reformou, então, o entendimento
regional, pois considerou que o contrato entre a Ferroban e a FC não
foi de empreitada, “pelo menos no que se refere à acepção
dada na esfera trabalhista, já que os serviços contratados
ligam-se diretamente à consecução dos objetivos
primordiais da Ferroban (atividade-fim)”. ( RR-2258/1999-014-15-00.5)
(Lourdes Tavares)
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