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FOLHA DE LONDRINA, 15 de
maio de 2009 | Economia
Economia informal cresce em meio à crise,
aponta estudo
Setor não necessita de crédito
para continuar o seu movimento
Rio de Janeiro- A chamada economia ''subterrânea'' - produção
de bens e serviços não reportada ao governo -, que mede o mercado
informal e os movimentos ilegais entre os formais, cresceu ainda mais durante
os primeiros impactos da crise econômica no país, no último
trimestre do ano passado.
Naquele período, essa
economia teve expansão de 13,6% dentro do Produto Interno Bruto
(PIB), impulsionada pela falta de crédito no mercado formal, que
pode ter levado as empresas a recorrerem a atividades não-declaradas
ao governo.
Nos três trimestres anteriores,
a expansão da economia subterrânea dentro da economia total
não havia sido superior a dois dígitos. Segundo o Instituto
Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco), a economia formal representa
de 20% a 30% do PIB. O levantamento da FGV não detalha valores
dessas participações.
''A gente percebe é que
a parada de crédito deu uma pancada muito forte na economia formal,
mas os dados não mostram a economia subterrânea sendo afetado
por ela. É até natural, visto que, como é subterrânea,
não necessita do crédito para continuar o seu movimento'',
afirmou o pesquisador Fernando de Holanda Barbosa, do Ibre (Instituto
Brasileiro de Economia), da FGV (Fundação Getúlio
Vargas).
De dezembro de 2007 a dezembro
de 2008, a economia subterrânea teve expansão de 27,1% no
PIB, a maior da série iniciada em 2003. Esse movimento foi influenciado
também pelo aumento da atividade econômica durante boa parte
do ano passado, que acabou impulsionando a economia ilegal.
''As economias crescem em paralelo,
uma alimenta a outra. Renda gerada na economia subterrânea é gasto
na economia formal, e renda gerada na economia formal também é gasto
na economia subterrânea'', explicou.
Outros fatores, no entanto, também
determinam o índice da FGV, como o nível da carga tributária
do país, a percepção da corrupção
junto a empresários e o nível das exportações,
que segundo Barbosa, é um bom medidor das irregularidades, pela
grande burocratização.
''As variáveis todas combinadas,
com exceção da exportação, implicaram nesse
aumento. O nível de atividade contribuiu porque o desemprego estava
caindo e a carga tributária mais uma vez foi o fator com maior
contribuição. E a corrupção também'',
observou.
Os dados da pesquisa mostram
que até setembro, o nível de atividade econômica
era o principal fator que impulsionava a economia subterrânea.
Depois da crise, a influência da carga tributária levou
mais gente ao campo da economia ilegal.
''Isso é um sintoma de
que alguma coisa está estranha com a economia brasileira. Deve
ter alguma coisa empurrando as empresas para a economia subterrânea,
ao invés de ir para a formal. A principal variável que
a gente vê é a carga tributária, ela explica grande
parte desse aumento'', comentou Barbosa.
Cirilo Junior
Folhapress
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Folha
de S.Paulo, 15 de maio de 2009
INDÚSTRIA
Setor abre 19 mil vagas em abril, e Fiesp diz
que o pior já passou
YGOR SALLES
DA FOLHA ONLINE
A indústria de transformação
do Estado de São Paulo abriu 19 mil vagas em abril e encerrou
o mês com avanço de 0,8% no nível de emprego
ante março, nos dados sem ajuste sazonal, segundo levantamento
da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo). Trata-se do segundo mês de alta nessa
base de comparação.
Apesar da criação de postos de trabalho, o índice de emprego
com ajuste sazonal, que elimina características específicas de
cada período, teve no mês passado a sua sétima queda seguida,
de 1,09%. Em relação a abril de 2008, a queda no nível
de emprego foi de 6,76%.
Na avaliação da Fiesp, porém, o ritmo de retração
nessa comparação já se amenizou.
Para o diretor do Depecon (Departamento de Pesquisas Econômicas) da Fiesp,
Paulo Francini, a indústria deve interromper a tendência já a
partir de maio. "No mês passado já tínhamos visto
uma atenuação da perda [de vagas]. Abril nos deu a mesma impressão",
disse Francini. "A força maior [de queda] já passou, e agora,
se tiver mais alguma baixa, será residual. Pode até cair de novo
em maio, mas acreditamos em estabilidade."
Em abril, dos 22 setores analisados, cinco mais contrataram do que demitiram.
O que mais abriu vagas foi o de fabricação de coque, produtos
derivados de petróleo e biocombustíveis (15 %). A maior queda
foi no segmento de produtos de madeira (-4,3%).
O Sensor Fiesp, que mede expectativas futuras de empresários, foi otimista,
a 53,2 pontos, na primeira quinzena de maio.
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O ESTADO DO PARANÁ,
15 de maio de 2009 | Economia
Confiança da indústria é a
melhor desde setembro
Agência Estado
A confiança dos empresários da indústria paulista voltou
a subir na primeira quinzena de maio, atingindo o melhor resultado desde setembro
do ano passado. A pesquisa Sensor, realizada pela Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), atingiu 53,2 pontos
nos 15 primeiros dias deste mês, ante 51,4 pontos na segunda quinzena
de abril. Foi o melhor resultado da pesquisa desde o mês de setembro
de 2008, quando o sensor atingiu 54,8 pontos.
Na pesquisa, 50 pontos indicam
equilíbrio, resultados abaixo desse nível, pessimismo,
e resultado superiores, otimismo.
Dos itens que compõem
o sensor, quatro melhoraram e apenas um recuou. A percepção
dos empresários para o mercado subiu de 57,7 pontos na segunda
quinzena de abril para 58,4 pontos na primeira quinzena de maio. A
avaliação de vendas subiu de 54,4 pontos para 60,4 pontos
no mesmo período, rompendo o nível dos 60 pontos, que
não era atingido por nenhum dos itens desde setembro de 2008.
O item estoques permanece com o pior resultado, mas teve forte recuperação
em relação à última pesquisa, quando estava
com 39,8 pontos, passando para 44 pontos. O emprego subiu de 51,2 pontos
para 52,3 pontos, enquanto o investimento, recuou de 53,9 pontos para
50,9 pontos.
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Gazeta Mercantil, 15 de maio
de 2009
Trabalho terceirizado será regulamentado
em um mês, diz Mabel
A alteração do texto agradou CNI, que defendia a alteração
do projeto. Segundo pesquisa da entidade realizada entre 1.443 empresas sobre
terceirização, 54% delas utilizam serviços de terceiros.
Relator do PL 4.302/98 garante que projeto poderá ser votado dentro
de um mês
O deputado federal Sandro Mabel
(PR/GO) garantiu, nesta quarta-feira (14), que o Projeto de Lei 4.302,
que disciplina o trabalho terceirizado no Brasil, será aprovado
dentro de um mês. Segundo Mabel, será retirada do texto
a obrigatoriedade da responsabilidade solidária, mecanismo que
permite ao empregado acionar a empresa contratada e a contratante em
caso de reclamações trabalhistas.
A alteração do
texto agradou à Confederação Nacional da Indústria
(CNI), que defendia a alteração do projeto. Segundo pesquisa
da entidade realizada junto a 1.443 empresas sobre terceirização,
54% delas utilizam serviços de terceiros.
Regulação
de terceirizados sai em um mês
Dentro de um mês estará aprovado o projeto de Lei que disciplina
o trabalho terceirizado no Brasil. A garantia é do deputado federal
Sandro Mabel (PR/GO), relator do texto que trata do tema durante tramitação
na Comissão de Trabalho da Câmara.
Trata-se do Projeto de Lei 4.302,
o qual circula pelo Congresso desde 1998. O texto segue para o trâmite
final. Mabel garantiu que será possível retirar do texto
a obrigação da responsabilidade solidária, na qual
em caso de reclamações trabalhistas, o empregado escolhe
acionar a contratada ou a empresa contratante do serviço, indistintamente.
Isso afasta um temor da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), que alega que a responsabilidade
solidária inviabilizaria a terceirização. Segundo
Mabel, ficará valendo o critério da responsabilidade subsidiária,
pelo qual o emprego aciona em conjunto a contratada e a contratante,
mas com a execução iniciando pela empresa contratada (com
que efetivamente o trabalhador mantinha vínculo).
MTE:
sem proposta
Mabel lamenta que o trâmite do PL 4.302 tenha avançado sem que
tenha havido paralelo avanço sobre outra proposta de regulamentação
do trabalho terceirizado que começou a ser elaborada no ano passado
sob coordenação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Em novembro passado, minuta do
texto foi apresentada e recebeu 102 mensagens com sugestões de
mudanças e de inclusões na redação. Na quarta
o MTE foi consultado sobre o assunto pela Gazeta Mercantil, mas informou
apenas que o texto está em trâmite interno e que não
há prazo para que seja encaminhado à Presidência
da República, de onde partiria para o Congresso como proposta
do Executivo.
Embora admitindo que os conceitos
propostos pelo MTE eram mais avançados, Mabel disse que não
há mais tempo para a terceirização ficar sem marco
regulatório. Se a proposta do Executivo não chegar, a ideia é aprovar
o texto que já está pronto, mas estabelecendo a mudança
de critério da responsabilidade solidária pela responsabilidade
subsidiária.
Ontem a CNI apresentou pesquisa
realizada com 1.443 empresas sobre a utilização de serviços
terceirizados pela indústria brasileira, com consultas realizadas
entre 30 de setembro e 20 de outubro do ano passado.
Serviços
terceirizados
O estudo mostra que 54% das empresas industriais utilizam serviços terceirizados.
Segundo Emerson Casali, gerente-executivo da Confederação, 14%
do total dos trabalhadores da indústria são terceirizados.
Ele afirmou que o sistema não é mais
difundido por conta da insegurança jurídica, uma vez que
o marco referencial mais forte é a Súmula 331 do Tribunal
Superior do Trabalho (TST), de 1995. O estudo mostra que 91% das empresas
buscaram a terceirização para reduzir custos, embora 58%
dos consultados tenham respondido que encontraram qualidade menor que
a esperada.
Segundo a CNI, o "vácuo
legal" permite interpretações divergentes sobre o
trabalho terceirizado na Justiça, o que inibe o acesso a esse
método de contratação de serviços. A CNI
alega que a falta de regulamentação gera efeitos como a
redução da competitividade das empresas e inibem a oferta
de emprego.
O diretor técnico do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese),
Clemente Ganz Lúcio, avalia que atualmente trabalho terceirizado é sinônimo
de trabalho precário e que a regulamentação do segmento
ajudaria a melhorar essa condição.
"O que temos é um
escândalo, com a terceirização sendo usada como intermediação
de mão-de-obra", disse Lúcio. Ele defende que uma
regulação é importante para dar segurança
jurídica não apenas para as empresas, mas para os trabalhadores.
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Vermelho, 15 de maio de 2009
Centrais e sindicatos se unem contra
a Emenda 3
Em nota pública divulgada nesta quarta-feira (13), centrais, confederações,
associações e sindicatos reforçaram a campanha “pela
manutenção do veto à Emenda 3”. No texto, as entidades “alertam
a sociedade e, de forma especial os trabalhadores, para a gravidade do tema,
ao tempo em que expressam publicamente a certeza e confiança de que
o Congresso Nacional manterá o veto presidencial, num ato de respeito à legislação
trabalhista, tributária e constitucional e à valorização
dos trabalhadores brasileiros”.
Confira abaixo a íntegra da nota.
Pela
manutenção do veto à Emenda 3
Nota pública
O Congresso Nacional está prestes a apreciar o veto presidencial à Emenda
3, incluída no projeto de lei que criou a Receita Federal do Brasil.
A emenda, proposta pelo Senado, foi rejeitada pelo presidente Lula em 2007
após forte campanha do movimento sindical.
A emenda propõe condicionar a atuação fiscalizadora do
Ministério do Trabalho e Emprego e da Receita Federal do Brasil quando
constatada relação de trabalho fraudulenta ao prévio exame
da situação pela Justiça Federal e do Trabalho. Caso aprovada,
essa norma retirará do trabalhador o direito de ser protegido pelo Estado
contra práticas de contratação precarizantes, disfarçadas
de trabalho autônomo, eventual ou sem vínculo de emprego, além
de inviabilizar o combate ao trabalho escravo.
Os prejuízos dessa medida são imensuráveis para a classe
trabalhadora. O primeiro efeito prático será a suspensão
de toda legislação que protege o empregado. Isso porque todo
o ato praticado entre empregador e empregado terá validade jurídica,
mesmo que for contrário aos princípios básicos do direito
trabalhista. A medida prevê o afastamento de qualquer agente estatal,
deixando a possível sanção apenas após provimento
judicial que venha reconhecer o trabalhador como empregado.
Na prática, todo e qualquer empregador poderá trocar empregados
por autônomos e ter o direito de não sofrer qualquer ação
administrativa do Estado brasileiro. Assim, não haverá como exigir
pagamento de férias, FGTS, 13º salário, horas extras, aposentadoria,
licença-maternidade, cumprimento de normas de segurança e saúde,
entre outros direitos previstos pela lei. Décadas de legislação
produzida pelo próprio Congresso Nacional para efeito de regulação
dos fenômenos trabalhistas, prevenção de fraude e em favor
do equilíbrio social poderão ter sua eficácia comprometida.
A aprovação da medida também ferirá os compromissos
internacionais assinados pelo País, especialmente em relação
ao conjunto de convenções firmadas perante a Organização
Internacional do Trabalho (OIT), deixando o Brasil em situação
delicada.
Igualmente, viola frontalmente o princípio da separação
dos poderes, na medida em que vincula, previamente, a atividade de fiscalização
do Poder Executivo ao Poder Judiciário. O dispositivo também
fere o artigo 7º, inciso II da Lei Complementar 95, que dispõe
sobre a elaboração das leis, e também o artigo 59, Parágrafo Único,
da Constituição Federal, pois não guarda afinidade, pertinência
ou conexão com o projeto em que foi incluída, o de criação
da Receita Federal do Brasil.
Pelas razões apresentadas o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais
do Trabalho (Sinait), a Associação Nacional dos Magistrados Trabalhistas
(Anamatra), a Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho
(ANPT), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a Associação
Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), o Sindicato
Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco Sindical),
a Federação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal
do Brasil (Fenafisp), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central
Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), a Central Sindical de Profissionais
(CSP), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a Coordenação
Nacional de Lutas (Conlutas), a Força Sindical, a Nova Central Sindical
de Trabalhadores (NCST), União Geral dos Trabalhadores (UGT) e a Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) alertam a sociedade e,
de forma especial os trabalhadores, para a gravidade do tema, ao tempo em que
expressam publicamente a certeza e confiança de que o Congresso Nacional
manterá o veto presidencial, num ato de respeito à legislação
trabalhista, tributária e constitucional e à valorização
dos trabalhadores brasileiros.
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Folha de S.Paulo, 15 de maio de 2009
Mantega admite crescimento zero
em 2009
Governo trabalha com previsão de alta
de 2%, parâmetro utilizado para projetar arrecadação
e liberar gastos públicos | Consultorias veem recessão
técnica com dados do 1º tri; para Lula, economia vive
recuperação "extraordinária" e sairá rapidamente
da crise
DA REPORTAGEM LOCAL
DA AGÊNCIA FOLHA, EM FLORIANÓPOLIS
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu
ontem pela primeira vez que a economia brasileira pode ter crescimento
zero em 2009.
Depois de ponderar que "já saímos do fundo do poço" e
que "o ano é de muita volatilidade", dificultando previsões,
Mantega afirmou: "O primeiro trimestre foi péssimo. O segundo será de
retomada, com o PIB acelerando. Não muito, mas vai subir. O terceiro
vem ainda mais forte, e o quarto fechamos com uma alta muito boa. Acredito
que fechamos o ano em torno de 0 a 2% positivos".
O governo vinha mantendo o discurso de crescimento mesmo com os efeitos da
crise internacional, que no Brasil atingiu com mais força a indústria,
apesar de a maioria dos analistas de mercado e de órgãos internacionais
prever retração.
O mercado financeiro estima retração de 0,44% no PIB, enquanto
o FMI prevê queda de 1,3%, e a Cepal (Comissão Econômica
para a América Latina e o Caribe), de 1%.
Oficialmente, o governo ainda trabalha com previsão de alta de 2% do
PIB, que serve como parâmetro para projeções da arrecadação
e de contingenciamento de recursos públicos.
No início da semana, o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) afirmou
que o governo pode rever sua meta de crescimento. A meta do governo está acima
até da previsão de alta de 1,2% do Banco Central.
Para Mantega, mesmo que o país tenha crescimento zero neste ano, ainda
será uma exceção. "Temos de lembrar que a maioria
dos países vai fechar com 4% negativos", disse.
Para o ministro, o ritmo de recuperação vai depender ainda do
efeito das medidas de estímulo adotadas. Mantega disse que o crescimento
de 0,3% na vendas do varejo em março indica que "talvez a retração
que houve nos meses anteriores tenha terminado". O ministro disse que
consultou diversas redes varejistas e que acredita que o setor se recuperou.
Para a consultoria LCA, a redução do PIB do primeiro trimestre
deve chegar a 1,5% em relação ao último trimestre de 2008.
Será a segunda retração seguida, o que configura recessão
técnica. Na opinião do economista-chefe da LCA, Bráulio
Borges, a maior dúvida hoje decorre da retomada ainda lenta da atividade
industrial. Para o ano, a consultoria prevê crescimento de 0,7% no PIB.
Na avaliação da MB Associados, o PIB deve ter recuado 1,3% no
primeiro trimestre em relação ao período anterior. "Provavelmente
o segundo trimestre não deve ter um resultado tão ruim. Mas temos
que lembrar que a crise ainda não acabou", disse o economista Sergio
Vale. No ano, a MB vê expansão de 0,5%.
Lula
Em Florianópolis, onde participou de encontro internacional do setor
de turismo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que "o
pior da crise já aconteceu no Brasil". Para ele, desde março
a economia vem dando sinais de recuperação.
" Não é o momento ainda de termos otimismo, mas acredito que
o Brasil vai sair mais rápido dessa crise." Lula classificou a recuperação
da economia de "extraordinária". Disse ainda que medidas governamentais,
como a desoneração em alguns setores, contribuíram para
a retomada da expansão.
(TONI SCIARRETTA e DIMITRI DO VALLE)
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Vermelho, 15 de maio de 2009
Governistas condenam "terrorismo
da oposição" sobre poupança
O líder do Governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS),
disse nesta quarta-feira (13) que, apesar do terrorismo da oposição,
somente os poupadores que têm aplicado acima de R$ 50 mil terão
uma pequena redução nos ganhos por meio da tributação
do imposto de renda.
" O governo Lula usa critérios e respeita os cidadãos. A oposição
fez terrorismo, divulgou mentiras, ao afirmar que o atual governo iria confiscar
a poupança dos brasileiros. É um ato irresponsável sobre
um assunto dessa importância", disse o líder. Ele participou
de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro
da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meireles
para se informar sobre as medidas.
Segundo Fontana, as declarações
mentirosas e irresponsáveis da oposição podem ter
prejudicado pessoas que eventualmente migraram para outro investimento
e perdido dinheiro.
Para Fontana, a oposição "dá um
tiro no pé" também ao criticar as novas regras para
a poupança. "O governo teve coragem para fazer algo necessário.
E a oposição, o que propõe? Qual é a sugestão
da oposição para a poupança, já que, felizmente,
temos uma gradativa redução da taxa Selic?", questionou.
O presidente do PT, deputado
Ricardo Berzoini (PT-SP), que também participou da reunião
do Conselho Político da Coalizão, disse que o objetivo
da medida é evitar que a caderneta de poupança se torne
instrumento para especulação financeira. "Politicamente,
está claro para todos que foi feita uma política falsa
e divulgação de mentiras sobre a posição
do governo e, agora, com explicitação das medidas certamente
a tranqüilidade fica restabelecida. E todos os poupadores, especialmente
os pequenos poupadores até R$ 50 mil, ficam assegurados sem mudança
nenhuma".
Os pobres ricos do PPS, PSDB e DEM
Em nota divulgada para a imprensa,
a oposição de direita (PPS, DEM e PSDB) diz que as medidas
anunciadas pelo governo vão afetar "o pobre, o aposentado,
o trabalhador" e condena a "uma tributação permanente
na poupança, que guarda o fruto do trabalho do povo. Talvez o
convívio secular das lideranças destes partidos com a elite
do país tenha tirado deles a noção do que seja a
pobreza e o povo.
Os números falam por
si: São 89.980.718 o total das cadernetas de poupança no
Brasil. Desse total, nada muda para os 80.580.797 poupadores. O saldo
nas cadernetas deles vai de R$100 a 5.000. Nada muda tampouco para outros
6.578.444 poupadores que têm de R$5.000,01 a R$20.000. E nada muda
para os outros 1.926.621 com saldo nas cadernetas de R$20.000,01 a R$50.000.
Ou seja para 89.085.862 poupadores nada muda.
A poupança de 600.894
cadernetas, com saldo de R$50.000,01 a R$100.000 poderá sofrer
alguma tributação dependendo do juros da Selic (a Folha
fez uma simulação de como seria se a mudança entrasse
em vigor hoje e para estas cadernetas o imposto devido será de
R$33).
A partir de saldos acima de
R$100.000, a proposta do governo federal implicará no pagamento
de imposto significativo. São 280.019 cadernetas com saldo de
R$100.000,01 a R$500.000. São também os 10.121 poupadores
com saldo de R$500.000,01 a 1.000.000 e as 3.822 cadernetas acima de
R$1.000.000.
São esses 3.822 poupadores,
que podem se dar ao luxo de deixar somas milionárias na popupança,
que a oposição PPS, PSDB e DEM denomina "o pobre,
o aposentado, o trabalhador"?
Segundo uma simulação
da Folha de S. Paulo, os que têm um saldo de R$200.000 pagariam
hoje R$495 de IR e os pouquíssimos com saldo de R$2.000.000 (3.822
pessoas) pagariam um imposto de R$ 6.435. Um valor insignificante para
um país que tem uma das maiores desigualdades de renda do mundo.
Da
redação,
com agências
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Vermelho, 15 de maio de 2009
Apenas 3,8 mil têm mais de
R$ 1 milhão na caderneta
Embora representem apenas 0,99% das cadernetas existentes no país, as
894,8 mil contas com saldo superior a R$ 50 mil representam 40,8% de todos
os depósitos das cadernetas, o equivalente a R$ 110,5 bilhões.
Os dados referentes a dezembro de 2008 divulgados pelo Ministério da
Fazenda e pelo Banco Central.
Dessas, conforme os dados apresentados,
as cadernetas com saldo entre R$ 50 mil e R$ 100 mil somam 600 mil contas
e correspondem a 0,66% do total. Nessa categoria, estão depositados
15,1% de todo o dinheiro da poupança, ou R$ 40,8 bilhões.
Com saldo entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão, estão 290 mil
cadernetas, ou 0,33% das contas existentes.
Esse grupo de poupadores mantinha,
em dezembro de 2008, R$ 54,6 bilhões nas contas ou 20,2% dos depósitos.
O seleto grupo de poupadores com mais de R$ 1 milhão na conta é formado
por 3.822 contas. Esse grupo representa 0,01% de todas as cadernetas
existentes. O grupo detém R$ 14,9 bilhões, equivalente
a 5,5% de todos os depósitos. O valor médio poupado pelo
grupo com o maior saldo é de R$ 3,9 milhões. Já no
grupo com os saldos mais baixos - até R$ 100 em conta - a média é de
apenas R$ 13,60.
Nesse grupo, estão depositados
R$ 688 milhões em 50,5 milhões de contas. O secretário
extraordinário para Reformas Econômico-fiscais, Bernard
Appy, explicou que não existe uma linha de corte fixa, em reais,
para a isenção de Imposto de Renda (IR) para as pessoas
que tiverem como única renda os rendimentos da poupança.
A linha de corte é variável, de acordo com o nível
dos juros básicos (Selic). Depois de citar R$ 1 milhão
como teto, apontou R$ 850 mil como a linha de corte.
Pressa
No 11º Seminário
anual de metas para a Inflação, promovido pelo Banco Central
(BC), o professor José Márcio Camargo, da Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) disse que as
mudanças anunciadas representam “uma medida adequada” no
cenário atual, de queda nas taxas de juros adotadas no país,
mas não resolvem a longo prazo a migração de grandes
investidores para a poupança. Para ele, será preciso que
o governo defina mais para a frente uma política definitiva, que
garanta à poupança rendimentos que acompanhem o movimento
do mercado financeiro, como a implementação de taxas de
juros flutuantes para remunerar os poupadores.
“Não foi agora,
mas em algum momento vai ter que ser . O preço político é alto,
mas vai ter que ser adotado por algum governo que esteja disposto a pagar
por ele”, analisou. Mantega, afirmou “que não há pressa” para
que o governo envie ao Congresso a proposta de tributação
para cadernetas de poupança. “O aumento do imposto de renda
para aplicações de poupança acima de R$ 50 mil só entrará em
vigor no próximo ano. Então, estamos tranqüilos”,
disse.
Com agências
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Folha de S.Paulo, 15 de maio
de 2009
Centrais sindicais reivindicam do
governo concessão de rádio e TV
Demanda surge após autorização
de concessões para fundação ligada a sindicato
ELVIRA LOBATO
DA SUCURSAL DO RIO
FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL
Ao autorizar a concessão
de duas TVs e duas rádios educativas a uma fundação
ligada ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o presidente Lula
abriu caminho para que outros sindicatos e centrais sindicais reivindiquem
igual tratamento.
"É uma felicidade incomensurável. Lula demonstrou mais uma
vez que é o nosso paizão. Daqui a pouco, todo o movimento sindical
vai ter sua emissora de televisão", disse o vice-presidente da Central
Geral dos Trabalhadores do Brasil, Ubiraci dantas de Oliveira.
O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical,
diz que a entidade nunca pleiteou TVs ou rádios, mas que agora pensa
no assunto. "O mundo sindical nunca teve seus meios. Vamos analisar os
Estados e ver onde podemos pleitear."
A Folha revelou ontem que a Fundação Sociedade Comunicação,
Cultura e Trabalho, que tem o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC como
principal mantenedor, obteve do governo concessões de TV educativa em
Mogi das Cruzes e São Caetano do Sul e autorização para
explorar rádios educativas em São Vicente e Mogi das Cruzes.
Segundo o deputado Márcio França (PSB-SP), que foi o relator
do projeto de concessão da rádio de São Vicente, na Câmara
se sabe que as emissoras são vistas como concessões para a CUT
(Central Única dos Trabalhadores). Sendo assim, ele diz ser natural
que agora outras centrais reivindiquem o mesmo tratamento.
O presidente da Nova Central, José Calixo Ramos, disse que a iniciativa
abre margem para outras entidades sindicais, "mas é algo que deve
ser avaliado com muito critério, pois manter uma TV exige estrutura
quase empresarial".
Atenágoras Lopes, da Conlutas (ligada ao PSTU), vê "um aspecto
de democratização". "Mas o governo poderia ter feito
muito mais. Persegue-se, por exemplo, rádios comunitárias." Sérgio
Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, disse ontem
que estudos técnicos estão em andamento para a implementação
dos canais. "É uma proposta de longo prazo, 30, 40 anos. As grandes
redes de TV também nasceram pequenininhas."
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Agência Diap, 15 de
maio de 2009
Franzin: livro destaca importância
da imprensa sindical na prática
O jornalista João Franzin lançará em Brasília,
em 2 de junho, o livro “Imprensa Sindical – Comunicação
que organiza”.
A publicação trata
a imprensa sindical na prática, mostrando o papel estratégico
dessa mídia no fortalecimento do sindicalismo e na organização
da classe trabalhadora.
Além da CNTC, o lançamento
tem apoio do Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST), Confederação
Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), Federação
dos Empregados no Comércio do estado de São Paulo (Fecomerciários),
Sindicato dos Comerciários de São Paulo, DIAP, União
Brasileira de Escritores (UBE) e TV Aberta São Paulo.
Apresentador do Câmera
Aberta Sindical, primeiro programa da televisão brasileira dedicado
ao mundo do trabalho, na TV Aberta São Paulo, Franzin destaca
que o livro é um roteiro prático sobre a imprensa dos trabalhadores.
“A imprensa sindical não
só forma uma considerável rede de comunicação
dos trabalhadores, como expressa um ponto de vista contrário à cobertura
feita pela grande mídia”, enfatiza o autor.
“Imprensa Sindical – Comunicação
que organiza” tem prefácio do jornalista e ex-deputado Audálio
Dantas.
O lançamento ocorrerá no
auditório da Confederação Nacional dos Trabalhadores
no Comércio (CNTC), às 19 horas.
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Gazeta do Povo, 15 de maio
de 2009
Seguro obrigatório
Tabela do DPVAT coloca preço em
partes do corpo
Indenizações por acidentes
de trânsito serão pagas com base na nova tabela. Objetivo é reduzir
custos com ações judiciais
As indenizações
pagas por invalidez permanente nos acidentes de trânsito pelo Seguro
Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores
de Via Terrestre (DPVAT) agora têm uma tabela com valor para cada
parte do corpo humano. Os valores são porcentagens do pagamento
máximo de R$ 13,5 mil: R$ 1.350 (10%), R$ 3.375 (25%), R$ 6.750
(50%), R$ 9.450 (70%) e R$ 13.500 (100%). Como exemplo, a perda de um
membro superior (braço ou mão) vale R$ 9.450, a surdez
R$ 6.750 e um dedo R$ 1.350 (veja infográfico).
As novas regras foram aprovadas
quarta-feira pelo Senado. Elas já estão em vigor desde
o dia 16 de dezembro, com a edição da Medida Provisória
451/2008, mas, para alterar de vez a lei do DPVAT, o texto aprovado precisa
da sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Márcio Norton,
diretor de relações institucionais da Seguradora Líder,
que administra o grupo de seguradoras responsáveis pelo DPVAT,
a adoção de uma tabela própria vai reduzir os custos
das seguradoras. Ela vai substituir os valores usados hoje, com base
em tabelas de seguro de acidentes pessoais, acidentes de trabalho e a
classificação internacional de doenças. “A
omissão era suplementada por outras tabelas – isso causava
muita dificuldade. Era uma complicação para os médicos,
com conceitos muito subjetivos. Elas davam margem para interpretações
diferentes. Isso aumentou muito o número de ações
judiciais”, diz.
Norton afirma que a nova tabela é melhor
para o segurado. “Ela aumentou alguns porcentuais e acrescentou
outros danos. O número de indenizações pagas vai
aumentar, mas o ganho é evitar as despesas com as ações
judiciais”, avalia. Antes das mudanças, o teto de R$ 13,5
mil havia virado regra com as ações judiciais, gerando
outras despesas para as seguradoras, como perícias, custas e honorários
nas perdas de ações.
Para se ter ideia da situação,
as indenizações por invalidez em acidentes de trânsito
saltaram de R$ 3 milhões em 2003 para R$ 150 milhões em
2007, pulando de 50 mil para os atuais cerca de 250 mil processos em
pouco tempo. A informação é da Superintendência
de Seguros Privados (Susep).
Novidades
O DPVAT vai indenizar agora a
perda do baço com R$ 1.350 e a perda residual de um membro, também
com R$ 1.350. Neste caso, o perito poderá determinar indenização
para o encurtamento de uma perna a partir de um centímetro, o
que não era possível antes. Já para a invalidez
parcial, a mudança prevê redução proporcional
correspondente a 75%, 50% e 25% dos valores da tabela do DPVAT para perdas
de repercussão intensa, média e leve, respectivamente.
Segundo Márcio Norton,
as novas regras vão garantir sobrevida ao DPVAT e os valores de
indenização podem aumentar no futuro. “Ele é um
seguro social e o seu pagamento independe de culpa” – basta
ter o dano oriundo de um acidente de trânsito. “À medida
em que as fraudes diminuírem e os acidentes caírem, o valor
dos benefícios pode aumentar”, diz.
Com as mudanças, os hospitais
que têm convênio com o Sistema Único de Saúde
(SUS) não vão mais receber a quantia de R$ 2,7 mil por
serviços médicos e hospitalares, e o Instituto Médico-Legal
(IML) passa a ter prazo de 90 dias para elaborar os laudos por invalidez – antes
não havia tempo estabelecido.
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FOLHA DE LONDRINA, 15 de maio de 2009 | Cidades
Seu Direito: Vínculo Empregatício
Se uma empresa está se desvinculando do nome e CNPJ e abrindo outra
firma com nome e CNPJ diferentes, como fica a situação dos funcionários?
Para o Direito do Trabalho, o
que impera é a Primazia da Realidade, ou seja, no presente caso,
mesmo que uma empresa mude o nome ou o CNPJ, o que vai interessar é o
seu empreendimento, devendo ser verificado se permanecerá o mesmo
conjunto societário, se será desenvolvida a mesma atividade,
etc, enfim, se realmente atuará em total distinção
em relação à empresa anterior.
Em caso de sucessão de
empresas, poderá haver uma simples transferência de empregados,
mediante observação constante nos documentos relacionados
ao funcionário, mormente em sua CTPS e, neste caso, a nova empresa
assumirá todos riscos decorrentes do contrato de trabalho.
Caso a intenção
da nova empresa seja de se dissociar da antiga, e não mantendo
qualquer relação de continuidade com esta, deverá ser
feita a rescisão contratual de todos os funcionários, sem
qualquer recontratação imediata, sob pena de se caracterizar
a nulidade desta rescisão, sendo, assim, considerada a unicidade
contratual.
Por certo, na forma dos artigos
9 e 10 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), serão
nulos os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar
a aplicação dos preceitos contidos na legislação
trabalhista e, ainda, qualquer alteração na estrutura jurídica
da empresa não poderá afetar os direitos adquiridos por
seus empregados.
Portanto, caso constatado algum
tipo de fraude nestas alterações, o ato de demissão
deverá ser considerado nulo.
Meire Palla – advogada trabalhista
(Londrina)
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Agência Diap, 15 de
maio de 2009
Presença de juiz em fiscalização
pode facilitar condenações
Por Maurício Hashizume,
no Repórter Brasil
Na avaliação do
procurador regional dos Direitos do Cidadão do Mato Grosso, Gustavo
Nogami, a dificuldade em renovar provas em juízo tem sido entrave
para condenações crimnais de infratores que exploram mão-de-obra
escrava
Para produzir provas em juízo
e facilitar a punição criminal de escravagistas, o Ministério
Público Federal do Mato Grosso (MPF-MT) tem uma sugestão
prática: viabilizar a presença de juízes em fiscalizações
de trabalho escravo.
Na avaliação do
titular da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC)
do MPF-MT, Gustavo Nogami, a dificuldade em renovar as provas em juízo
tem sido um entrave para a condenação de fazendeiros flagrados
na prática do crime.
Ele lembra que a maioria das
provas coletadas nas operações fiscalizatórias capitaneadas
pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em geral com participação
do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia
Federal (PF), são de caráter testemunhal.
Os agentes envolvidos - trabalhadores,
fazendeiros, "gatos" (aliciadores), etc. - se dispersam geograficamente
após os flagrantes e dificilmente permanecem nas cercanias dos
locais de infração. Ou seja, fica muito complicado assegurar
uma nova convocação da Justiça para que as provas
colhidas no ato sejam submetidas ao necessário contraditório.
"Na hora de se renovar a
prova em juízo, ninguém acha ninguém. Todos voltam
para seus lugares de origem", reforça Gustavo. Muitos juízes
federais, conta, não aceitam condenar sem que essa etapa seja
cumprida.
A coleta direta de provas com
a presença do juiz é possível, segundo Gustavo,
graças a alterações recentes no Código de
Processo Penal. Bastaria pedir uma medida cautelar antecipadamente com
uma solicitação para que o juiz acompanhe a fiscalização
de trabalho escravo.
Além do MTE, do MPT e
da PF, também participariam da blitz um representante do MPF e
um juiz federal, com o propósito de garantir in loco as provas
em juízo. "Existe essa possibilidade e podemos tentar. Não
tenho conhecimento de que isso já tenha sido feito, mas certamente
ajudaria nessa questão das provas em juízo".
Uma das providências essenciais
para viabilizar a presença de juízes em fiscalizações
seria uma maior coordenação entre as instituições
na preparação das operações de fiscalização,
que precisariam ser organizadas com maior antecedência.
"Para fazer o pedido de
cautelar [que poderia desencadear a superação da dificuldade
de renovar as provas em juízo, parte do sistema processual penal
e garantia existente na lei], é preciso planejar", emenda
Gustavo. "Nossa idéia é mudar esse cenário
de impunidade".
Gustavo conta que a sugestão
- que ainda será submetida aos juízes federais do Mato
Grosso - faz parte de um roteiro amplo de recomendações
que o MPF-MT elaborou para tentar desobstruir os processos criminais
contra exploradores de trabalho escravo.
"Ainda não sabemos
como o Judiciário vai reagir. Mas queremos aproveitar essa janela
de oportunidade", continua. Ele pretende realizar uma série
de conversas com representantes das outras instituições
envolvidas para discutir esse roteiro.
"Dia
T"
Paralelamente, o MPF-MT, que faz parte da Comissão Estadual pela Erradicação
do Trabalho Escravo (Coetrae), protocolou um total de 30 ações
criminais na Justiça, referentes ao crime de escravidão, envolvendo
um total de 60 pessoas. A iniciativa foi batizada pelos procuradores de "Dia
T contra o Trabalho Escravo", em alusão às comemorações
do Dia do Trabalho.
"Coloquei a necessidade
de analisar o conjunto dos processos de trabalho escravo. E todos foram
receptivos", rememora o procurador dos Direitos do Cidadão. "Apenas
coordenei o trabalho dos colegas de Cuiabá, Sinop e Cáceres.
Nenhum outro tema conseguiu mobilizar um esforço como esse".
Ele afirma compartilhar do descontentamento
com a posição do Mato Grosso como um dos líderes
no ranking de incidência de casos de escravidão. Também
ativo em outros fóruns como na Agenda do Trabalho Decente, o MPF-MT
chegou até a redigir e divulgar uma carta de repúdio ao
trabalho escravo. "Isso mostra o engajamento da instituição
na repressão ao crime".
Além de medidas práticas
como a sugerida pelo MPF-MT, a lista de explicações para
as raríssimas condenações criminais por trabalho
escravo no Brasil - a despeito da iniciativa provavelmente única
e isolada da Vara Federal de Marabá (PA), que condenou 27 fazendeiros,
em março deste ano, por crimes relacionados ao trabalho escravo
de uma só vez - é extensa.
Para dar conta de todas elas,
seriam necessárias desde abrangentes dissertações
sociológicas a políticas públicas eficientes e mudanças
estruturais no meio rural. A sensibilização de agentes
do Judiciário, por meio de iniciativas como o curso promovido
pela Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), constitui também
mais um passo para a punição criminal de escravistas.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
15/05/2009
Vazamento de apuração de assédio
sexual não obriga empresa a indenização
A Ford Comércio e Serviços
Ltda. não terá que indenizar um ex-empregado demitido,
sem justa causa, depois de ser investigado por assédio sexual.
Esse entendimento, do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região
(DF), foi mantido com a rejeição do agravo de instrumento
do ex-funcionário pela Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
O empregado contou, na Justiça,
que foi contratado pela Ford em janeiro de 1995 e demitido, sem justa
causa, em julho de 2001. Poucos meses antes da dispensa, foi acusado
de assédio sexual por uma colega. A empresa, então, abriu
sindicância para apurar os fatos e concluiu pela inexistência
do assédio. O trabalhador pediu indenização por
danos morais, porque foi dispensado após a acusação
e teria sido vítima de constrangimentos no local de trabalho.
Ele acusou a empresa de promover os depoimentos da sindicância
no serviço e de ter permitido o vazamento do caso para outros
funcionários. Segundo o empregado, a empresa deveria ter garantido
o sigilo da investigação.
Na 14ª Vara do Trabalho
de Brasília, a Ford foi condenada a pagar indenização
no valor de 50 vezes a maior remuneração recebida pelo
empregado. O juiz entendeu que o procedimento de sindicância foi
abusivo e manchou a imagem do profissional na sociedade. Já o
Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (DF) entendeu
que a sindicância não causou ato ilícito para justificar
a indenização. Para o TRT, a empresa tomou as precauções
para manter o sigilo da apuração dos fatos e não
pode ser responsabilizada por comentários surgidos no ambiente
de trabalho.
No TST, o trabalhador insistiu
no direito à indenização por danos morais, uma vez
que a empresa teria conduzido o processo investigatório de forma
inapropriada, causando-lhe inúmeros constrangimentos. O relator
do caso no Tribunal, ministro Márcio Eurico Amaro, entendeu que
os fatos descritos no processo não demonstraram ofensa à Constituição
(artigo 5º, inciso X), como alega o empregado. Esse dispositivo
garante o direito à indenização a pessoas vítimas
de desrespeito à honra e à vida privada. O ministro ainda
destacou que seria necessário reexaminar fatos e provas já analisados
pelo Regional – o que não é possível no TST.
A matéria provocou discussões
na Turma. A ministra Dora Costa manifestou dúvidas quanto à interpretação
dada aos fatos pelo TRT. Mas ela também observou que “as
testemunhas deixaram claro que a empresa não teve culpa da divulgação”.
E completou: “na vida prática, a gente sabe que as pessoas
vão falar, mas a empresa não divulgou o fato”.
A presidente da Oitava
Turma, ministra Maria Cristina Peduzzi, observou que o vazamento nessas
situações é inevitável, e que a empresa
tomou as medidas necessárias para conduzir a sindicância.
Assim, por unanimidade, os ministros decidiram negar provimento ao
agravo de instrumento do empregado. Com isso, ficou a mantida a decisão
do TRT de negar o pedido de indenização por danos morais.
(AIRR – 799/2003-014-10-41.0)
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15/05/2009
IR sobre honorários advocatícios
deve ser retido pela fonte pagadora
O Órgão Especial
do Tribunal Superior do Trabalho acolheu recurso interposto pelo Departamento
Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran/ES) e autorizou
a revisão dos cálculos de precatório para que seja
descontado o imposto de renda incidente sobre os honorários advocatícios.
O Órgão Especial seguiu o voto do relator, ministro Vantuil
Abdala.
O processo teve início
na década de 90, na Vara do Trabalho de Vitória (ES), movido
por um trabalhador contratado pelo Detran/ES como braçal, mas
que exercia função de motorista do caminhão utilizado
para produzir e manter a sinalização das pistas. A execução
da sentença, favorável ao trabalhador, foi determinada
por meio de precatório. O Detran interpôs então o
agravo regimental alegando a necessidade de retenção do
imposto de renda na fonte em relação aos honorários
advocatícios. “Os honorários não têm
natureza jurídica diversa das parcelas devidas aos credores trabalhistas”,
sustentou a autarquia. “Constituem rendimentos e, portanto, sujeitam-se à incidência
do imposto de renda e, consequentemente, à retenção
na fonte de que trata o artigo 46 da Lei nº 8541/1992 (que dispõe
sobre o imposto de renda) quando pagos em cumprimento a decisão
judicial.”
Com a pretensão
negada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região
(ES), o Detran recorreu então ao TST. No julgamento pelo Órgão
Especial do recurso ordinário em agravo regimental, o ministro
Vantuil Abdala observou que o artigo 46 da Lei nº 8.541/1992 determina
que “o imposto de renda incidente sobre os rendimentos pagos
em cumprimento de decisão judicial será retido na fonte
pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento,
no momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível
para o beneficiário”. O parágrafo primeiro dispensa
a soma dos rendimentos pagos no mês, para aplicação
da alíquota correspondente, nos casos de honorários advocatícios
(inciso II). “Este inciso não excepcionou a regra geral
disposta no caput do artigo, apenas dispensou a soma dos rendimentos
do mês para a aplicação da alíquota”,
explicou o relator. ( ROAG 2354/1990-003-17-00.0)
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