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FST, 16 de maio de 2009
FST diz a Lupi que é contrário à forma
de constituição do Caat
A coordenação
nacional do Fórum Sindical dos Trabalhadores
(FST) e dirigentes das confederações e centrais
que o integram aprovaram posição contrária à Portaria
694, de 30 de abril de 2009, do Ministério do Trabalho
e Emprego, que cria o Comitê de Acompanhamento de Assuntos
Trabalhistas (Caat).
A decisão foi enviada por correspondência
ao ministro Carlos Lupi, com solicitação
de audiência para discutir mudança na Portaria,
segundo o PL 4.554/04, apresentado pelo então deputado
Sergio Miranda (PDT/MG) com base em sugestões do
FST, que estabelece a câmara bipartite.
Inicialmente, a coordenação do FST avalia
que a medida retoma a MP 294 numa versão mais avassaladora;
que mais uma vez o MTE tenta fazer a reforma sindical sem
mexer na Constituição Federal; impõe
a quebra de isonomia, pois considera somente as confederações
patronais e centrais de trabalhadores, anulando o Sistema
Confederativo definido na Constituição de
1988, e defende explicitamente a pluralidade sindical e
a Convenção 87 da OIT.
Segundo a Portaria, o colegiado, de composição
tripartite, vai funcionar sob a coordenação
do ministro da Pasta e terá a finalidade de natureza
consultiva para promover o entendimento entre trabalhadores,
empregadores e Governo Federal, nos assuntos relativos à competência
do Ministério, prevista no inciso XXI do artigo
27 da Lei 10.683/03 e artigo 1º do Anexo I do Decreto
5.063/04.
Os representantes dos trabalhadores serão indicados
pelas centrais sindicais que atenderem aos requisitos de
representatividade, conforme disposto no artigo 3º da
Lei 11.648/08, que reconhece formalmente a existência
e atuação das centrais. Já os representantes
dos empregadores serão indicados pelas confederações
com cadastro ativo no MTE.
Compete ao Caat opinar, quando provocado pelo ministro
do Trabalho e Emprego ou pela maioria dos seus componentes,
quanto aos assuntos afetos à competência do
MTE, especialmente sobre, elaboração de propostas
legislativas concernentes aos assuntos relacionados a matéria
trabalhista; proposições em discussão
no Congresso Nacional com conteúdo relacionado a
matéria trabalhista; diretrizes de políticas
públicas, programas e ações governamentais,
no âmbito das atribuições do MTE; estabelecimento
de critérios para a coleta, organização
e divulgação de dados referentes às
atividades do MTE; ações e procedimentos
relacionados à organização sindical;
e outros assuntos que lhe sejam submetidos pelo ministro
do Trabalho.
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Agência Brasil, 16
de maio de 2009
Ipea
mostra que economia ainda deixa setor produtivo "apreensivo"
O setor produtivo continua apreensivo em relação à economia
brasileira. É o que mostra o indicador Sensor Econômico
do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea),
que registrou no mês de abril 5,74 pontos em abril.
O indicador avalia mensalmente as expectativas do setor
produtivo em quatro categorias: contas nacionais, parâmetros
econômicos, desempenho das empresas e aspecto social.
O indicador varia de -100 a 100. A pesquisa é feita
com 115 entidades, que representam 80% do Produto Interno
Bruto (PIB). Essa foi a quarta vez que o Sensor Econômico
ficou no limite da apreensão, caracterizado quando
o resultado está no intervalo entre -20 e 20.
O diretor da divisão de Estudos Setoriais do Ipea,
Marcio Wohlers, disse que, apesar do setor produtivo confirmar
o indicativo de apreensão mais uma vez em abril, é possível
concluir que as entidades vêm mostrando um pouco
mais de confiança na economia, já que, em
março, o indicador ficou menor, em 4,57.
"Há uma percepção de melhoria
da situação econômica em geral. Com
relação ao PIB, em particular, os setores
da economia estão fazendo projeções
considerando uma queda", afirmou.
Wohlers disse, ainda, que a melhora do índice em
abril se deu porque as entidades têm a percepção
de que os indicadores da economia não devem piorar
nos próximos meses. Já para o assessor técnico
da presidência do Ipea, Ricardo Amorim, a melhora
pode ser explicada pelo fato de a confiança do setor
produtivo na economia estar ligada a uma compreensão
da crise financeira internacional.
"Claramente, os empresários têm percebido
que o crédito não vai ser tão ruim
assim, a demanda não está caindo como eles
imaginavam e a margem de lucro não está caindo
como eles acreditavam", avalia Amorim.
Entre os setores pesquisados, o que tem os piores índices
de confiança é o da agropecuária.
O índice do setor é negativo para três
categorias, menos parâmetros econômicos, que
ficou em 32,5 em abril. Nas outras categorias, o índice
foi de 10 pontos negativos (contas nacionais), 2,5 negativos
(desempenho das empresas do setor) e 18,8 negativos (aspectos
sociais).
Segundo Amorim, a questão climática afetou
as expectativas do setor. "A agricultura está muito
insegura este ano e, para piorar a situação,
foi constatado, no último questionário, o
problema climático. Ela [a agricultura] vinha numa
curva de confiança, mas foi afetada pelo clima".
O setor entidades de trabalhadores é o que tem
as melhores expectativas em relação à maioria
das expectativas, com exceção para aspectos
sociais, que apresentou 8,3 pontos negativos. "Eles
estão confiantes no desempenho das empresas. Acreditam
que a demanda não vai cair, que as empresas não
devem reduzir a massa salarial", observou Amorim.
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O Estado de São
Paulo, 16 de maio de 2009
Oposição “não
sabe mais o que fazer” e “mente descaradamente”
Um dia depois de o Governo
anunciar o projeto para tributação de parte
das cadernetas de poupança, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva mostrou que não gostou de ver a medida
comparada ao confisco feito pelo ex-presidente Fernando Collor.
Ele disse ontem que o mesmo grupo da oposição
que o critica apoiou Collor no passado. "É importante
lembrar que essa parte da oposição que critica
estava com Collor em 1989".
Lula acusou os adversários de mentirem "descaradamente".
"Eu ouvi alguns discursos da oposição
e não sei como é que as pessoas descaradamente
mentem para a opinião pública, achando que
a opinião pública não tem inteligência
para perceber o desplante das acusações",
disse, após participar, à noite, da abertura
da 9ª Conferência Global sobre Viagens e Turismo,
em Florianópolis.
Para o presidente, a oposição "não
sabe mais o que fazer". E prosseguiu: "Tenho
muita pena de um País que tem uma oposição
que perdeu o discurso e aí começa a falar
coisas que nem eles acreditam".
O centro da polêmica é a proposta que Governo
divulgou anteontem, prevendo a cobrança de Imposto
de Renda dos depósitos em poupança acima
de R$ 50 mil a partir de 2010.
"Nós não mexemos na poupança.
99% dos poupadores ficarão como estavam. O que nós
não podemos, por responsabilidade, é permitir
que a poupança vire um fundo de investimento".
O presidente mandou um recado aos grandes investidores
que começavam a ver na poupança uma opção
mais atraente.
"O que nós queremos é que essas pessoas
invistam no setor produtivo, que comprem um apartamento,
um carro, uma casa, que comprem ações".
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O Estado de São
Paulo, 16 de maio de 2009
Países preparam-se
para lançar um “novo PIB”
Após anos de críticas à forma usada para medir o
Produto Interno Bruto (PIB), organismos internacionais devem receber
no próximo mês um relatório com sugestões
para mudar os parâmetros de cálculo do desempenho econômico
dos países.
Em época de crise financeira e desaceleração da
economia no mundo, a proposta é elaborar um indicador que, além
de somar a atividade econômica, considere as condições
de vida da população e índices relacionados a sustentabilidade
e preservação de recursos naturais.
"
A crise colocou em xeque muitos conceitos, entre eles o de
que crescimento econômico se traduz em bem-estar",
avalia Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos. Uma
das ideias de revisão do PIB está em andamento
desde meados do ano passado. O presidente da França,
Nicolas Sarkozy, encomendou a um grupo de 27 renomados especialistas,
entre eles os ganhadores do prêmio Nobel de Economia
Joseph Stiglitz (2001) e Amartya Sen (1998), uma reforma
da métrica.
Matemáticos, estatísticos, economistas ambientais
e estudiosos da pobreza reforçam o time, que ficou
conhecido como Comissão Stiglitz-Sen. A comissão
trabalha em três frentes. Uma delas busca atualizar
o PIB padrão, de modo que a medida se torne mais
abrangente e mais relevante para os formuladores de políticas
públicas. Outra tenta incorporar novas medidas de
sustentabilidade ambiental aos dados e, assim, mensurar
o impacto da economia sobre os ecossistemas.
Por último, o grupo trabalha na criação
de novos indicadores para avaliar qualidade de vida e bem-estar.
As críticas ao PIB remontam à década
de 1960 e, pela primeira vez desde o pós-guerra,
ganha força a proposta de medir o progresso econômico
em novas bases. O relatório que está sendo
preparado deve ser entregue à Organização
das Nações Unidas (ONU) e outros organismos
internacionais, como a Organização para Cooperação
e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Banco Mundial
e Fundo Monetário Internacional (FMI).
Movimento anti-PIB
"Vai ser uma nova forma de fazer a contabilidade
das nações, que permitirá que os resultados
do desempenho econômico sejam medidos de uma maneira
melhor que a atual. O PIB que conhecemos é precário",
afirma José Eli da Veiga, professor da Faculdade
de Economia e Administração da Universidade
de São Paulo (FEA-USP) e autor do livro Desenvolvimento
Sustentável - O Desafio do Século XXI. As
críticas ao PIB como medida do crescimento econômico
existem desde que ele passou a ser amplamente utilizado
pelos países, no Pós-Guerra.
Um de seus formuladores, o economista Simon Kuznets, chegou
a admitir as limitações da métrica
na década de 1970. Em 2004, um encontro internacional
de estatísticos organizado pela OCDE lançou
as bases para que o movimento anti-PIB, hoje conhecido
como Beyound GDP (Além do PIB, em inglês)
se disseminasse pelo mundo e culminasse no pedido de Sarkozy
aos economistas. "A discussão é irreversível
e palpável porque é preciso encontrar instrumentos
mais eficientes para medir o progresso e o nível
de bem-estar dos países, que levem em consideração
temas urgentes como saúde, pobreza, mudanças
climáticas e a dilapidação dos recursos
naturais", avalia Young, do Instituto Ethos.
A economista americana Hazel Henderson levantou críticas
ao modelo do PIB há pelo menos 20 anos. Segundo
ela, o critério da riqueza per capita disfarça
as desigualdades vigentes — pois a métrica
do PIB apenas soma o resultado da atividade econômica
sem levar em conta as chamadas externalidades — os
custos social e ambiental envolvidos na produção
da riqueza por um país.
Novos parâmetros
Um exemplo claro do que fala Henderson é o caso
das grandes catástrofes e desastres ambientais:
hoje, eles acabam sendo positivos para o crescimento do
PIB, porque a reconstrução das regiões
afetadas por tais eventos extremos movimenta o setor de
serviços e, consequentemente, gera empregos.
Outro exemplo é a natureza do negócio. Uma
mineradora pode contribuir para o PIB com a extração
de minério, mesmo às custas da degradação
dos recursos naturais, o que pode comprometer para sempre
uma cidade e as pessoas que vivem ali. Além disso,
o PIB só contabiliza o fluxo de mercadorias, e não
os estoques de bens já produzidos.
Além da França, o Reino Unido também
reforçou o coro sobre a necessidade de uma nova
métrica. No entanto, ainda deve levar algum tempo
para que esses novos parâmetros sejam assimilados
e adotados como padrão. "É muito difícil
prever. A ONU terá de assumir a elaboração
dos indicadores. A expectativa é de que o relatório
da Comissão Stiglitz-Sen desencadeie um processo
nas organizações internacionais", explica
Veiga.
A informação é da
Agência Estado
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Gazeta do Povo, 16 de maio
de 2009
Ensino superior
31 federais adotam novo
Enem em 2009
A nota do exame será usada
por 18 das universidades como fase única do vestibular
deste ano
O Ministério da Educação (MEC) informou
nesta sexta-feira (15) que pelo menos 31 das 55 universidades
federais vão aderir ao novo Exame Nacional do Ensino
Médio (Enem) em substituição total
ou parcial ao vestibular. O número representa 56%
da rede federal de ensino superior. As informações
são da Agência Brasil.
Os estudantes que quiserem disputar uma vaga em uma dessas
instituições deverão participar da
edição 2009. As inscrições
para o exame estão previstas para começar
dia 15 de junho. O ministério apresentou quatro
opções de adesão às instituições.
Elas poderão usar o Enem como prova única;
como uma primeira fase, ficando a segunda à cargo
da instituição; combinando a nota do Enem à do
vestibular tradicional ou para seleção de
estudantes para vagas remanescentes.
Das 31 universidades que optaram pela adesão em
2009, 18 vão usar o Enem como fase única,
seja para um porcentual reservado das vagas ou para o total
de ingressos. Cinco instituições vão
usar a nota como primeira fase. Vinte universidades ainda
estão em processo de discussão sobre a mudança.
A Universidade de Brasília (UnB), a Universidade
Federal de Uberlândia (UFU) e a Universidade Federal
do Pampa decidiram que vão aderir ao exame para
os processos seletivos a partir de 2010.
Segundo o MEC, as quatro novas universidades federais
que aguardam aprovação do Congresso Nacional
para serem criadas também adotarão o Enem
como processo seletivo. As provas do novo Enem estão
marcadas para 3 e 4 de outubro. A matriz da prova já está disponível
para consulta no site do MEC.
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Gazeta do Povo, 16 de maio
de 2009
Legislativo
Deputados podem ter
verba de R$ 30 mil
Valor é a soma de salário,
despesa indenizatória e demais benefícios a
que os parlamentares têm direito
A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados vai se reunir
na próxima segunda-feira para discutir a unificação
das verbas parlamentares, que propõe uma cota de
R$ 25 mil a R$ 30 mil para deputados. O valor é a
soma de salário, verba indenizatória e demais
benefícios a que os deputados têm direito.
Segundo fontes, a ideia foi proposta em reunião
quinta-feira à noite, pela comissão criada
após o escândalo da farra das passagens. O
presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), esteve presente,
mas ainda não “bateu o martelo” sobre
a proposta que será levada para análise de
outros líderes partidários.
Atualmente, além do salário de R$ 16,5 mil,
os deputados contam com a verba indenizatória de
R$ 15 mil, as cotas postais e telefônicas de R$ 4,2
mil e a passagens aéreas de acordo com seus respectivos
estados. Com a cota única, a verba pode superar,
inclusive, o salário dos ministros do Supremo Tribunal
Federal (STF), hoje de R$ 24.500. Os deputados também
têm direito a R$ 60 mil para despesas com contratações
de funcionários, a chamada verba de gabinete.
O grupo foi criado no dia 29 de abril para apresentar
sugestões de reforma administrativa para disciplinar
pagamentos aos quais os deputados têm direito como
verba indenizatória, cotas de correio, telefônica
e de impressos e o auxílio-moradia.
No mês passado, vários deputados e senadores
foram alvo das denúncias desde o início do
mês. O caso mais comum é o do parlamentar
que dá sua cota de passagem a parentes e amigos.
A Câmara encerrou a discussão sobre a ‘farra
das passagens’, com um ato administrativo que tornou
as regras mais rígidas.
Detalhes
A comissão é coordenada pelo primeiro-secretário
da Casa, deputado Rafael Guerra (PSDB-MG), que, segundo
a sua assessoria, só dará mais detalhes sobre
o projeto após a sua aprovação. Além
de Guerra, compõem a comissão os deputados
Marco Maia (PT-RS), Antônio Carlos Magalhães
Neto (DEM-BA), Inocêncio Oliveira (PR-PE), Odair
Cunha (PT-MG) e Nelson Marquezelli (PTB-SP) e pelos servidores
Sérgio Sampaio, Rômulo de Souza Mesquita,
Evandro Lopes Costa e Marcos Vasconcellos.
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Folha de S.Paulo, 16 de
maio de 2009
IR na poupança
pune quem ganha menos
Alta da carga tributária
será desproporcional porque imposto incidirá sobre
a soma da renda do contribuinte com o ganho da caderneta
Tributarista diz que governo errou na
técnica usada, pois ideal seria criar uma tabela
progressiva apenas para taxar ganhos na poupança
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
A proposta do governo de cobrar Imposto de Renda sobre
os rendimentos de 895 mil cadernetas de poupança
com saldos acima de R$ 50 mil vai agravar ainda mais uma
já grave distorção do sistema tributário
nacional: os que ganham menos acabarão pagando,
proporcionalmente, mais do que os que ganham mais.
Pela proposta do governo, uma parte do ganho obtido com a poupança
será tributada na hora de o contribuinte fazer a declaração,
em março e abril de cada ano -quem tem depósito acima
de R$ 1,5 milhão já terá de pagar uma parte do
imposto todos os meses; o acerto final será feito na declaração.
Se a taxação entrar em vigor em janeiro de 2010, como
deseja o governo, na hora de fazer a declaração do Imposto
de Renda de 2011 o contribuinte/poupador terá de somar o ganho
da caderneta com sua renda anual, obtida do trabalho assalariado, de
aposentadoria, de aluguel ou de atividade como autônomo.
Mesmo que só 1% dos poupadores sejam afetados pela proposta
do governo -o presidente Lula disse que não vai mexer em "99%
das contas"-, os que tiverem de pagar IR vão fazê-lo
de forma desproporcional ao prestar contas à Receita. Essa distorção,
ou regressividade, ocorrerá porque o governo decidiu jogar o
ganho da poupança para ser tributado com a renda anual do contribuinte. "Admitindo
que o governo esteja correto ao propor a taxação, ele
errou na técnica a ser usada", afirma a advogada tributarista
Elisabeth Libertuci, do escritório Libertuci Advogados Associados.
Qual seria a melhor forma de tributar o ganho da poupança? Diante
da pergunta, ela é enfática: "A tributação
não poderia ocorrer na declaração. Teria de ser
criada uma tabela progressiva exclusivamente para tributar os ganhos
com a poupança. Feito isso, bastaria ao contribuinte lançar
o valor pago como rendimento tributado exclusivamente na fonte. Dessa
forma, seria mantida a progressividade do imposto" -ou seja, quem
ganha mais paga mais.
Cálculos feitos pela advogada revelam uma tributação
extremamente regressiva (veja tabela na pág. B3) para contribuintes
com poupanças iguais (R$ 200 mil), mas rendas diferentes. Com
poupança desse valor, o ganho seria de R$ 12.804,84 no ano.
Considerando a taxa Selic de 9%, R$ 2.700 seriam tributados na declaração.
Um contribuinte que ganhar R$ 30 mil em 2010 pagaria R$ 450,76 de imposto
sem a taxação proposta pelo governo. Se ele tiver de
somar os R$ 2.700 à renda, terá de pagar R$ 612,76. Resultado:
sua carga tributária na declaração sobe 35,94%.
Outro contribuinte com o mesmo valor na poupança e renda anual
de R$ 200 mil pagaria R$ 43.024,45 pela regra atual. Se tiver de tributar
os mesmos R$ 2.700 na declaração, pagará R$ 43.766,95,
ou seja, apenas 1,73% a mais.
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Consultor Jurídico,
16 de maio de 2009
Contribuição
ao INSS
TRF-2 condena sindicalista
por sonegação
A 1ª Turma Especializada
do Tribunal Regional Federal da 2ª Região condenou,
de forma unânime, o ex-presidente do Sindicato dos
Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Estado do
Espírito Santo (Sindirodoviários), Francisco
Forrechi, por sonegação de contribuição
previdenciária. O réu deverá prestar
três anos e nove meses de serviços à comunidade
e pagar 33 salários mínimos de multa.
Forrechi é acusado de não efetuar a escrituração
contábil da entidade, além de omitir segurados
e suas remunerações das informações
prestadas ao INSS, nos períodos de janeiro de 2001
a julho de 2003 e de outubro a dezembro de 2003.
A decisão do tribunal se deu em resposta à apelação
criminal apresentada pelo Ministério Público
Federal, que também pretendia a condenação,
pelo mesmo crime, do sucessor de Forrechi, o também
ex-presidente do Sindirodoviários, Edson da Fonseca
Bastos. Segundo o MPF, haveria provas de que Bastos, “com
o fim de suprimir contribuição previdenciária,
utilizou-se de manobra fraudulenta com intenção
de prejudicar o fisco entre março de 2004 e maio
de 2005”.
Francisco Forrechi apelou ao TRF-2, pleiteando a reforma
da sentença proferida pelo juízo da 2ª Vara
Federal Criminal de Vitória (ES) que o condenou,
sob a alegação de que não haveria
provas suficientes para a punição. Após
a análise do Processo Administrativo Criminal, o
relator do caso no TRF-2, desembargador Marcello Granado,
entendeu estar devidamente comprovada a materialidade e
a autoria do crime de sonegação de contribuição
previdenciária. Para Granado, a fragilidade da tese
defensiva de Forrechi se evidencia com a simples análise
dos recibos que constam no processo. “De fato, comparando
a relação dos membros da diretoria do sindicato
com os mencionados recibos, vê-se que, das cerca
de 60 quitações, apenas seis se referem a
reembolsos de diretores”, ressaltou.
Já Edson Bastos, em sua defesa, alegou que, ao
assumir o Sindirodoviários, “deparou-se com
uma entidade esfacelada, resultado de um desgastante processo
envolvendo a diretoria anterior”. Ainda segundo o
sindicalista, “houve extravio de documentação
contábil, retirada das memórias dos computadores,
destruição de arquivos, e que sequer havia
móveis na sede sindical”, disse. Após
analisar os autos, o desembargador entendeu que “cotejando
os elementos de convicção produzidos, observa-se
que a tese defensiva de Bastos é extremamente plausível,
posto que, diante do verdadeiro caos que assolou o sindicato,
fruto da administração anterior, há dúvida
razoável no sentido de que a apresentação
de livros contábeis ao fisco no momento oportuno
restou inviabilizada por circunstâncias alheias à vontade
do apelado”, explicou. Com informações
da assessoria de imprensa do Tribunal Regional Federal
da 2ª Região.
2006.50.01.009229-6
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