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Gazeta do Povo, 22 de maio
de 2009
IBGE
Crise trava mercado de trabalho
Corte de vagas na indústria contribui
para o desemprego atingir o maior nível do mês de abril
desde 2007
Rio de Janeiro, São Paulo
e Brasília - A crise financeira pode não ter piorado a
situação no mercado de trabalho como um todo, mas o paralisou.
E a indústria, que continua demitindo, impede uma melhoria dos
resultados. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), o índice de desemprego apurado nas seis principais regiões
metropolitanas do país chegou a 8,9%, no maior nível registrado
para o mês desde abril de 2007. Em março, o índice
era de 9% e, em abril do ano passado, 8,5%. “O mercado de trabalho
parou”, disse o gerente da pesquisa mensal de emprego, Cimar Azeredo. “Está dando
conta de manter postos, formalidade e poder de compra, mas não
está evoluindo.”
E, segundo ele, o setor industrial
foi o principal responsável pelo fato de o mercado de trabalho “não
ter evoluído”. A indústria cortou 105 mil vagas em
relação a igual mês do ano passado, com queda de
3% na ocupação industrial no período, no maior recuo
na comparação anual para o setor desde 2002. Na comparação
com março deste ano, a indústria registrou queda de 0,2%
no número de ocupados em abril, com corte de 7 mil vagas de um
mês para o outro.
Mesmo assim, o ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, avalia que a pequena queda de março para abril mostra
um “caminho natural” para fazer com que o nível de
desemprego feche o ano entre 8% e 8,5%. “O Brasil gerará 1
milhão de empregos este ano e a economia surpreenderá a
todos”, afirmou. “Estou ousando ao afirmar essas teses.”
Desalento
O resultado veio abaixo das estimativas
de economistas, que apostavam num índice de 9% a 9,5%. Mas não
há motivo para comemoração, na opinião do
economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Camargo
Rosa. Para ele, o índice teve ligação com o desestímulo
das pessoas sem ocupação para a procura de uma colocação,
num momento em que o noticiário econômico ainda não é dos
mais otimistas em tempos de crise financeira.
“Eu considero que este
resultado leva em conta um aumento no desalento do trabalhador na busca
pelo emprego. Isso faz com que a quantidade de pessoas procurando vagas
seja reduzida no momento da pesquisa”, disse o economista, que
espera uma taxa média de 9,30% em 2009. “Mas isso não
significa necessariamente uma melhora no mercado de trabalho. O trabalhador
simplesmente não consegue encontrar emprego e deixa de procurá-lo
no momento em que as condições estão mais difíceis.”
Renda
O rendimento médio real
dos trabalhadores caiu 0,7% em abril em relação a março
e aumentou 3,2% na comparação com abril de 2008. O número
de ocupados nas seis principais regiões metropolitanas do país
somou 20,91 milhões em abril, com queda de 0,2% ante março
e aumento de 0,2% ante abril de 2008. Ambas as variações
são consideradas como “estabilidade” pelo IBGE. O
número de desocupados (sem trabalho e procurando emprego) totalizou
2,046 milhões, com queda de 1,7% ante março e aumento de
5,0% na comparação com abril do ano passado. Em abril de
2008, a taxa de desemprego foi de 8,5% e em abril de 2009, subiu para
8,9%, a maior taxa para o mês de abril desde 2007.
Lei trabalhista
Mangabeira sugere “revolução”
O ministro-chefe da Secretaria
de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, defendeu ontem
uma “revolução” nas relações
entre trabalho e capital no Brasil. Em palestra no Rio de Janeiro, o
ministro levantou uma série de problemas no mercado de trabalho
brasileiro. Entre os obstáculos destacados estão a grande
penetração do emprego informal na população
economicamente ativa do país; a “precarização” do
mercado de trabalho, com forte participação de trabalhadores
terceirizados e autônomos; e a redução da participação
de salários no Produto Interno Bruto (PIB). Unger contou que entregou
ao presidente Lula uma minuta de projeto de lei para regulamentar de
forma eficaz a participação dos trabalhadores nos lucros
das empresas.

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O ESTADO DO PARANÁ,
22 de maio de 2009 | Economia
Taxa de desemprego fica estável
em abril e registra 8,9%
Agência Brasil
O nível de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas
do Brasil ficou praticamente estável em abril, alcançando taxa
de 8,9%. O resultado indica um leve recuo diante dos 9% verificados no mês
anterior. Em relação ao mesmo período de 2008 (8,5%),
a taxa subiu 0,4 ponto percentual.
Os dados fazem parte da Pesquisa
Mensal de Emprego (PME) divulgada hoje (21) pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento mostra, ainda,
que o rendimento médio do trabalhador caiu 0,7% na comparação
com março, atingindo R$ 1.318,40, mas subiu 3,2% em relação
a abril do ano passado.
O total de desempregados foi
de 2,046 milhões e também apresentou estabilidade tanto
em relação a março (2,082 milhões), como
na comparação com abril de 2008 (1,948 milhão).
O mesmo ocorreu com a população
ocupada, que totalizou 20,913 milhões de trabalhadores. De acordo
com o documento do IBGE, "não houve variação
estatisticamente significativa em relação a março
(20,953 milhões) de 2009 nem a abril de 2008 (20,863 milhões)".
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O ESTADO DO PARANÁ,
22 de maio de 2009 | Economia
Seguro-desemprego extra será pago
a 320.207 demitidos
Agência Estado
O governo triplicou o total de beneficiados que receberão parcelas extras
de seguro-desemprego por terem perdido o trabalho na virada do ano por conta
da crise financeira internacional. Normalmente, o trabalhador recebe de três
a cinco meses de pagamento do seguro, mas com a medida ele passa a receber
de cinco a sete parcelas. Na primeira fase deste programa, anunciada em março,
foram beneficiados 103.707 trabalhadores demitidos em dezembro de 2008. Agora,
no total, serão 320.207 demitidos que receberão mais parcelas,
já que hoje o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, informou a inclusão
de 216,5 mil novos desempregados na lista de beneficiados.
Entre os novos beneficiados,
73.360 perderam o emprego em janeiro e 143.140 foram dispensados em dezembro.
Até então, a extensão do seguro atingia apenas 103.707
trabalhadores demitidos em dezembro. O valor estimado pelo ministério
para o pagamento das parcelas adicionais anunciadas hoje é de
R$ 263,762 milhões. A medida será encaminhada para o Conselho
Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) e a expectativa é de
aprovação já na semana que vem.
Apesar do aumento do benefício,
o ministro informou que dificilmente haverá nova prorrogação
do pagamento de parcelas extras. Isso porque, segundo ele, os dados do
mercado de trabalho medidos pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged), do próprio Ministério do Trabalho, já estão
positivos desde fevereiro. "Em fevereiro, o resultado já foi
positivo e continuará positivo até o final do ano. Esta
será, portanto, a última etapa da concessão extra
do seguro-desemprego."
Alimentação e comércio
Os trabalhadores demitidos pelo
segmento de alimentação e bebidas em dezembro do ano passado
ou em janeiro deste ano serão os mais beneficiados pela ampliação
do pagamento do seguro-desemprego anunciada hoje pelo ministro. Foram
indicados hoje para receber as parcelas extras do benefício mais
216,5 mil trabalhadores que perderam o emprego em 22 setores, dos quais
45.290 são da área de alimentos.
No comércio varejista
- segundo segmento mais beneficiado pela lista apresentada pelo ministério
-, contarão com as parcelas extras 38,3 mil trabalhadores que
prestavam serviços em dezembro ou janeiro, quando foram desligados.
Desses, 3.370 atuavam em Pernambuco; 12.180, no Rio de Janeiro; 16.324,
em Minas Gerais, e 2.520, no Distrito Federal.
Também merece atenção
o setor da indústria metalúrgica, com a extensão
do benefício a 24.927 trabalhadores do setor. Na primeira fase
do projeto, anunciada em março para trabalhadores que perderam
a vaga em dezembro, foram contemplados 13.441 desempregados (a maior
parte deles, um total de 8.263, atuava em São Paulo, e 4.061,
em Minas Gerais).
A partir de agora, a medida vale
ainda para 4.681 trabalhadores que saíram do mercado em dezembro
e para 19.695 que foram desligados em janeiro - com destaque, novamente,
para os que atuam na capital paulista (9.249).
Serão contemplados
ainda com a medida desempregados da agricultura (18.693 trabalhadores),
mecânica (13.468), têxtil (12.622), elétrica (11.372)
e química (10.476), entre outros setores.
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O ESTADO DO PARANÁ,
22 de maio de 2009 | Economia
Crise não piorou, mas estabilizou
emprego
Agência Estado
O gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, disse hoje
que os dados do mercado de trabalho referentes à abril e ao primeiro
quadrimestre deste ano mostram que a "a crise não piorou, mas estabilizou
o mercado de trabalho em relação ao ano passado".
"É um mercado de
trabalho muito parecido com o de 2008, o mercado está se mantendo,
mas não está se desenvolvendo", disse Azeredo, acrescentando
que "o mercado de trabalho parou, está dando conta de manter
postos, formalidade e poder de compra, mas não está evoluindo",
disse.
O gerente da pesquisa mostrou
dados que, segundo ele, confirmam a estabilidade do mercado de trabalho
este ano ante o ano passado. A taxa média de desemprego no primeiro
quadrimestre deste ano ficou em 8,7%, ante 8,5% em igual período
do ano passado, o que, de acordo com Azeredo, mostra que não houve
variação estatisticamente significativa no período.
O nível de ocupação (número de ocupados em
relação a população com 10 anos ou mais de
idade) ficou em 51,7% nos quatro primeiros meses deste ano, também
estável em relação ao mesmo período do ano
passado (51,8%).
Já o aumento de 0,2%
no número de trabalhadores ocupados no mercado de trabalho metropolitano
em abril ante igual mês do ano passado representou a menor alta
apurada pelo IBGE na série da pesquisa mensal de emprego, iniciada
em março de 2002. Além disso, Cimar Azeredo destacou que,
também pela primeira vez na série, a população
ocupada cresceu, no primeiro quadrimestre deste ano, abaixo da população
em idade ativa. "Estamos diante de um mercado de trabalho que não
gera postos. Não houve melhora nem piora, o mercado não
evolui", disse. Segundo ele, caso a população em idade
ativa continue subindo acima da geração de vagas, "a
fila de desemprego vai aumentar".
De acordo com o gerente da pesquisa
de emprego do IBGE, "estamos em um momento de alerta, de atenção
no mercado de trabalho". Para ele, a expectativa agora é sobre
quando haverá inflexão na taxa de desemprego, com geração
de postos. "A grande ansiedade é sobre quando o mercado vai
gerar postos de trabalho", disse. De qualquer modo, segundo Azeredo, "apresentar
dados como esses (de abril) em um momento de crise, de certa forma, é positivo".
Setores
A indústria cortou 105
mil vagas nas seis principais regiões metropolitanas do País
em abril, comparativamente a igual mês do ano passado, segundo
mostra a pesquisa mensal de emprego divulgada hoje pelo IBGE. Houve queda
de 3% na ocupação industrial em abril ante igual mês
do ano passado, o maior recuo na comparação anual para
o setor, na série da pesquisa iniciada em 2002.
Na comparação
com março deste ano, a indústria registrou queda de 0,2%
no número de ocupados em abril, com corte de 7 mil vagas de
um mês para o outro. De acordo com Azeredo, o setor industrial
foi o principal responsável pelo fato de o mercado de trabalho "não
ter evoluído" em abril.
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FOLHA DE LONDRINA, 22 de maio de 2009 | Economia
Queda no rendimento dos trabalhadores
preocupa
Rio de Janeiro - O rendimento
dos trabalhadores e a massa salarial mostraram desaceleração
em abril e os efeitos da perda de ritmo no consumo interno preocupam
analistas. Na média das seis regiões metropolitanas pesquisadas
pelo IBGE, a renda ficou em R$ 1.318,40, com alta de 3,2% ante igual
mês do ano passado, mas queda de 0,7% ante março, o terceiro
recuo consecutivo ante mês anterior.
Para José Márcio
Camargo, da PUC-RJ, os dados da renda estão piorando muito rapidamente,
o que confirma um mercado de trabalho ‘‘fraco’’ e
com possíveis efeitos negativos para o mercado interno nos próximos
meses. Segundo ele, a massa salarial (soma dos ocupados e do rendimento
total) desacelerou de uma alta de 5,9% em 12 meses até março
para 3,4% em abril.
Para Ariadne Vitoriano, da Tendências
Consultoria, os dados em 12 meses da massa salarial ‘‘representa
um bom enfraquecimento da taxa de crescimento em relação
ao mês anterior’’. Segundo ela, ‘‘a desaceleração
da massa de renda, que deve ser uma tendência para o ano, deve
gerar uma pressão de baixa em consumo nos próximos meses’’.
O argumento de Ariadne é que ‘‘com
o ritmo mais fraco da atividade doméstica, os reajustes salariais
deste ano devem ser menores dos que os concedidos no ano passado, quando
a economia estava aquecida’’. A expectativa da Tendências é que
o aumento da massa em 12 meses desacelere progressivamente e feche o
ano com uma variação de 2,5%.
Segundo o IBGE, na comparação
com igual mês de ano anterior, havia sido registrado aumento de
5,0% na renda média real em março, 4,6% em fevereiro e
5,9% em janeiro. O gerente da pesquisa mensal de emprego, Cimar Azeredo,
disse que apesar da perda de ritmo a renda continua subindo porque prossegue
o aumento do trabalho formal, a inflação continua sob controle
e houve reajuste do salário mínimo.
A queda de 0,7% na renda em abril,
ante março, segundo ele, refletiu o aumento, nessa comparação,
no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) médio
nas seis regiões pesquisadas, usado como deflator para o cálculo
da renda real.
Jacqueline Farid
Agência Estado
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O ESTADO DO PARANÁ,
22 de maio de 2009 | Economia
Financiamento habitacional cresce 112%
em 2009
Agência Estado
Os financiamentos imobiliários da Caixa Econômica Federal (CEF)
somaram R$ 11,739 bilhões no acumulado de 2009 até a última
segunda-feira (dia 18), valor 112% maior do que o registrado em igual período
de 2008. Nesse intervalo, foram registrados 248,689 mil contratos, o que representa
uma alta de 120% ante o verificado no período correspondente do ano
passado. Segundo a Caixa, foram 2.703 contratos por dia útil, o correspondente
a média diária de R$ 127 milhões.
A projeção de financiamento
imobiliário da Caixa para este ano, divulgada antes do programa
habitacional do governo federal "Minha Casa, Minha Vida", era
de R$ 27 bilhões. O vice-presidente de governo da Caixa, Jorge
Hereda, afirmou hoje que o total de financiamentos deve ficar acima desse
valor, com o lançamento do programa, mas preferiu não estabelecer
uma nova projeção. Segundo ele, o orçamento da Caixa
será revisto no período de junho e julho. "Vamos fazer
tudo que aparecer. A meta é contratar o máximo possível
dentro do programa (Minha Casa, Minha Vida)", afirmou.
A Caixa recebeu, até a última
terça-feira (dia 19), 391 projetos enquadrados no programa "Minha
Casa, Minha Vida", o que corresponde a 71.496 unidades e a um Valor
Global de Vendas (VGV) de R$ 5,3 bilhões. Segundo a Caixa, o número
de unidades em análise equivale a 7,15% do total previsto no programa.
Das unidades em avaliação,
26.008 são destinadas à faixa de até três
salários mínimos de renda; 23.005 para o segmento de três
a seis salários mínimos e 21 mil unidades para a faixa
de até 10 salários mínimos. São 96 empreendimentos
para o segmento de até três salários mínimos,
167 para a faixa intermediária e 128 para o segmento de maior
renda dentro do programa.
Segundo Hereda, anteriormente
ao programa, o estoque de projetos e de empreendimentos nas incorporadoras
estava mais concentrado na faixa intermediária de renda do que
na faixa mais baixa. "O número de unidades para a faixa de
até três salários mínimos que temos em análise é muito
significativo nesse contexto", afirmou. "Não esperávamos
uma mudança tão rápida no perfil das unidades."
A instituição
realiza, de hoje até o próximo domingo (dia 24), o 5º Feirão
Caixa da Casa Própria, em São Paulo. Dos 110 mil imóveis
oferecidos no feirão, 28,5 mil estão enquadrados no programa.
Conforme a Caixa, até o momento, 18 Estados aderiram ao "Minha
Casa, Minha Vida".
MP
Hereda afirmou também
que a participação de outros bancos como agentes financeiros
do programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida", determinada
ontem pela Câmara dos Deputados na aprovação da Medida
Provisória (MP), é saudável. "Para a velocidade
que o Brasil quer, quanto mais agentes melhor", disse, referindo-se à pressa
do governo na execução do programa.
Ontem, a Câmara dos Deputados
aprovou a MP que cria o programa habitacional "Minha Casa, Minha
Vida", mantendo as linhas básicas do programa e retirando
da Caixa a condição de única operadora dos recursos
do programa.
Hereda afirmou que esse
já era o objetivo do governo desde o anúncio do programa. "Desde
o início, outros bancos poderiam operar o programa. Foi uma
decisão do governo", afirmou. O executivo ressaltou que
a Caixa tem a maior experiência e as melhores condições
para a faixa de renda abrangida no programa. "Vamos fazer o máximo
para o programa dar certo", disse.
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FOLHA DE LONDRINA, 22 de maio
de 2009 | Economia
Caixa recebe 391 projetos do ‘Minha
Casa, Minha Vida’
São Paulo- A Caixa Econômica
Federal (CEF) recebeu, até 19 de maio, 391 projetos enquadrados
no programa ‘‘Minha Casa, Minha Vida’’, o correspondente
a 71.496 unidades habitacionais e a Valor Global de Vendas (VGV) de R$
5,3 bilhões. Segundo a Caixa, o número de unidades em análise
equivale a 7,15% do total previsto no programa.
Das unidades em avaliação,
26.008 são destinadas à faixa de até três
salários mínimos de renda, 23.005 para o segmento de três
a seis salários mínimos e 21 mil unidades para a faixa
de até 10 salários mínimos. São 96 empreendimentos
para o segmento de até três salários mínimos,
167 para a faixa intermediária e 128 para o segmento de seis a
10 salários mínimos.
Segundo a Caixa, 28 empreendimentos
já foram contratados, com VGV de R$ 95,007 milhões e 1.922
unidades. A instituição está realizando desde ontem
até 24 de maio o 5º Feirão da Casa Própria
em São Paulo. Dos 110 mil imóveis oferecidos no feirão,
28,5 mil estão enquadrados no programa. Conforme a Caixa, até o
momento, 18 Estados aderiram ao ‘‘Minha Casa, Minha Vida’’.
Chiara Quintão
Agência Estado
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Agência Câmara,
22 de maio de 2009
Temer recebe 'agenda trabalhista'
das centrais e líderes partidários
Centrais e líderes na
Câmara entregaram, nesta 5ª (21), "pauta trabalhista" ao
presidente da Casa, Michel Temer (PMDB/SP). A agenda é composta
por sete itens: redução da jornada, fator previdenciário,
salário mínimo, trabalho escravo, Convenções
151 e 158 da OIT e terceirização
Em reunião nesta quinta-feira
(21), com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB/SP), as seis
centrais sindicais - CGTB, CTB, CUT, Força Sindical, NCST e UGT
- e os líderes do PCdoB, PDT, PSB, PT, PTB e PV entregaram a "pauta
trabalhista" para discussão e votação na Casa.
A pauta é bastante enxuta
e representa o "consenso de uma agenda" de itens que "podem
ser votados imediatamente" pela Câmara, destacam as centrais
e os líderes no documento entregue a Temer.
Os representantes das centrais
e os líderes destacaram a importância desta agenda para
o País, os trabalhadores e o Congresso Nacional.
A importância para o País,
segundo os signatários, é o fato de as propostas representarem
uma efetiva possibilidade de o Brasil superar a crise com o incremento
do emprego e da renda.
Para os trabalhadores a agenda é relevante,
pois cria as condições para gerar melhores relações
de trabalho, estabilidade e, sobretudo, proteção contra
práticas que colocam em risco o emprego.
E, para o Congresso Nacional,
porque poderá possibilitar ao Poder Legislativo debater as questões
estruturais do País em outro patamar de discussão, já que
a agenda proposta pelas centrais e os líderes trata de assuntos
de relevante alcance social como a política do salário
mínimo e a negociação coletiva para os servidores
públicos, por exemplo.
Importância
do Legislativo
Receptivo, Temer destacou a importância da iniciativa das centrais e
dos líderes partidários e fez um pedido aos líderes sindicais:
que onde pudessem falar, que tratassem da "importância do [Poder]
Legislativo para o País".
Ele afirmou também que
está fazendo um trabalho de "recuperação da
imagem do Legislativo" tão desgastada em razão dos
sucessivos escândalos envolvendo parlamentares e práticas
que comprometem a instituição e a democracia representativa.
Temer sugeriu ainda que os líderes
sindicais procurassem todos os líderes da Câmara para construir
um mínimo de consenso em torno da agenda apresentada à Casa.
De sua parte, disse que vai apresentar a pauta dos trabalhadores na próxima
reunião dos líderes partidários.
Ritmo
de votações
O presidente Temer explicou às lideranças sindicais e partidárias
que procurou colocar na agenda de votações da Câmara as
proposições consensuais até que a Casa pegasse o "ritmo".
Agora, irão entrar na
agenda parlamentar as proposições polêmicas. E para
avançar, Temer pediu aos dirigentes sindicais que ajudassem a
formar uma opinião minimamente consensual sobre essas matérias
polêmicas.
Agenda
dos trabalhadores
A agenda dos trabalhadores foi construída em várias reuniões
entre as centrais, que demandaram ao DIAP que preparasse uma "proposta
enxuta" para construir uma agenda positiva para discussão e votação
no Congresso Nacional.
Dessa agenda, as centrais e os
líderes partidários elencaram por consenso sete proposições
em discussão na Câmara:
Redução
da jornada de trabalho - as centrais querem aprovar a PEC
231/95, na comissão especial, e depois votar o PL 4.653/94,
em plenário. O deputado Vicentinho (PT/SP), que é relator
tanto da PEC quanto do projeto de lei, disse na reunião que
sua opinião "está formada" e a hora que o presidente
Temer quiser votar as matérias ele estará pronto.
Fator previdenciário -
a intenção é votar o substitutivo ao PL 3.299/08,
após acordo das centrais com relator, deputado Pepe Vargas (PT/RS).
O texto está em discussão na Comissão de Finanças
e Tributação e o relator, deputado Pepe Vargas (PT/RS),
disse que seu parecer estará pronto no final do mês de maio.
Salário mínimo -
as centrais e os líderes desejam superar o impasse em torno da
emenda do senador Paulo Paim (PT/RS), que estende aos aposentados e pensionistas
a política do mínimo e votar o projeto, a fim de garantir
para 2010 a continuidade dessa política de valorização
e recuperação do piso nacional.
Trabalho Escravo -
as centrais querem aprovaram a PEC 438/01, em segundo turno. A proposta
retornará ao Senado em razão de mudanças de mérito.
Convenção
151 da OIT - trata da negociação coletiva no
serviço público. A mensagem presidencial 58/08 foi aprovada
nas comissões de Relações Exteriores; Trabalho;
e de Constituição e Justiça e transformada no
PDC 795/08. Aguarda votação em plenário.
Terceirização -
as centrais desejam definir um consenso e a oportunidade de votação
da Mensagem 389/03, do presidente Lula, que pede o arquivamento do PL
4.302/98.
Convenção
158 (demissão imotivada) - as centrais entendem que
o Congresso tem a responsabilidade de construir, com empresários
e trabalhadores, uma legislação que proíba a demissão
imotivada, nos termos da Convenção 158 da OIT.
Clique aqui e
veja a íntegra do documento.
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FOLHA DE LONDRINA, 22 de maio de 2009 | Política
Líderes partidários
rejeitam proposta que prorroga mandato de Lula
Partidos descartam colocar em votação
proposta do deputado Sandro Mabel que permite ao presidente Lula
ficar no poder até 2012
Brasília - Líderes
partidários do governo e da oposição descartaram
ontem colocar em votação proposta do deputado Sandro Mabel
(PR-GO) que permite ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficar
no cargo até 2012. O líder do PT na Câmara, deputado
Candido Vaccarezza (SP), disse que o partido do presidente é contra
qualquer prorrogação de mandato que permita a Lula ficar
mais tempo no poder. ''O PT é radicalmente contra, isso não é constitucional',
afirmou.
O líder do DEM na Câmara,
Ronaldo Caiado (GO), classificou a proposta de Mabel de ''ilegal e imoral''.
O deputado disse estar ''constrangido'' pelo fato de um colega sugerir
publicamente uma espécie de golpe para o presidente Lula permanecer
no poder.
O líder do PMDB na Câmara,
Henrique Eduardo Alves (RN), disse que ''falar em prorrogação
de mandato é palavrão''. ''Eu acho que o povo quer votar,
o Legislativo tem que ter a ratificação do voto popular'',
afirmou.
Para Henrique Fontana (PT-RS),
líder do governo na Câmara, a proposta de Mabel não
tem chance de ser analisada pelo plenário da Casa. ''A nossa candidata à presidência é a
ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Não somos a favor de prorrogação
nem de terceiro mandato'', disse o petista.
O presidente da Câmara,
Michel Temer (PMDB-SP), evitou fazer comentários sobre a proposta
do líder do PR. Mas sinalizou ser contrário à votação
da matéria. ''Eu prefiro não colocar esse assunto. Eu acho
que o poder emana do povo, portanto é difícil essa tese''.
Proposta
Mabel defendeu ontem proposta
de unificação das eleições em 2012, o que
permitiria ao presidente Lula ficar por mais dois anos no poder.
O deputado defende que, ao invés
da realização de eleições majoritárias
em 2010 (para governadores, presidente da República, deputados
e senadores), a disputa seria realizada em 2012 junto com a escolha de
prefeitos e vereadores.
Na prática, se a mudança
fosse aprovada, o presidente Lula ficaria no cargo até 2012 -
assim como os senadores e deputados federais e estaduais. A mudança
seria submetida à população por meio de referendo,
o que poderia viabilizar a alteração constitucional até setembro
deste ano -prazo máximo para mudanças na legislação
eleitoral antes da disputa de 2010.
Segundo Mabel, a economia com
a unificação das eleições seria da ordem
de R$ 10 bilhões ao país.
Na opinião de Vaccarezza,
os parlamentares não podem discutir mudanças que os afetam
diretamente. ''Não tem cabimento o próprio deputado prorrogar
o seu mandato'', afirmou.
Gabriela Guerreiro
Folhapress
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Correio
do Brasil, 22 de maio de 2009
Lula desautoriza PT a negociar terceiro
mandato
O presidente Lula determinou aos seus assessores mais próximos que interfiram
junto ao Partido dos Trabalhadores (PT) para que a proposta de um terceiro mandato,
que voltou a ser ventilada após o anúncio da doença de Dilma,
seja totalmente descartada. O presidente voltou a afirmar, em Pequim, nesta quarta-feira
(20), que não há hipótese de ele se candidatar a um terceiro
mandato presidencial caso sua candidata, a ministra Dilma Rousseff seja obrigada,
por orientações médicas, a se afastar da disputa.
“Eu não discuto essa hipótese. Primeiro porque não
tem terceiro mandato. Segundo, porque a Dilma está bem”, afirmou
Lula.
A ministra Dilma foi transferida de Brasília a São Paulo, na madrugada
da terça-feira (19), quando seguiu para o hospital Sírio-Libanês
para a realização de exames após ter sentido dores em consequência
da reação à sessão de quimioterapia a qual está se
submetendo para o tratamento de um câncer do sistema linfático (linfoma).
Os médicos constataram que ela teve uma inflamação nos músculos
das pernas (miopatia), um efeito colateral que pode ocorrer após o uso
de um tipo de corticoide que integra a terapia contra o linfoma.
O presidente disse ter conversado, por telefone,
com o cardiologista Roberto Kalil, médico pessoal da ministra, e
recebeu a notícia de que ela está bem e se recupera dentro
das expectativas clínicas. “Já tinha passado as dores,
era uma reação à quimioterapia”, disse o presidente.
Ainda assim, diante do quadro de incertezas que
o estado de saúde da ministra apresenta, a possibilidade de um terceiro
mandato de Lula tem sido cogitada no Congresso como uma alternativa a um
possível afastamento de Dilma da corrida eleitoral. Lula, no entanto,
somente poderia se candidatar novamente ao cargo que ocupa caso houvesse
uma emenda à Constituição, o que demandaria os votos
favoráveis de mais de dois terços da Câmara e do Senado.
Lula descarta essa possibilidade: “essa
preocupação não vai existir. A Dilma vai fazer a quimioterapia
dela e está totalmente curada, ou seja, não tem problema”,
acredita.
No caso de Dilma precisar mesmo se retirar da
competição pelo Planalto, segundo fontes no PT, os nomes
que a poderiam substituir são os do ex-ministro Antonio Palocci,
do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e do governador
da Bahia, Jaques Wagner.
Fonte: Correio do Brasil
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O ESTADO DO PARANÁ,
22 de maio de 2009 | Política
Líderes estudam alternativas
para reforma política
Agência Estado
Com a dificuldade de aprovar um projeto de reforma política instituindo
a eleição por meio de uma lista fechada - na qual o eleitor vota
no partido e não no candidato individualmente - os líderes partidários,
em reunião com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP),
estudam alternativas para aprovar algumas modificações ainda
neste ano. Os líderes passaram a manhã em reunião com
Temer na residência oficial da presidência da Casa. Prevaleceu
a ideia de dividir as mudanças políticas e eleitorais por etapa.
Para ser aprovada este ano e
valer para 2010, há a proposta de um modelo misto de financiamento
público de campanha. Além disso, votar temas que deixem
claras as regras eleitorais para evitar que o Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) baixe resoluções durante a campanha que surpreendam
os candidatos.
O ponto de partida será o
projeto elaborado pelo deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), que deverá sofrer
emendas para contemplar todos esses pontos. Basicamente, o projeto
de Ibsen prevê a lista fechada e o financiamento público,
mas enfrenta resistência de grande parte dos partidos. Na reunião,
ficou descartada a proposta defendida pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
de diminuir de um ano para seis meses o prazo de filiação
partidária para permitir a troca de partido.
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O ESTADO DO PARANÁ,
22 de maio de 2009 | Política
Projeto do presidente seria o retorno
em 2014
Agência Estado
O projeto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é o
terceiro mandato, mas reconquistar o poder em 2014 "nos braços
do povo", como costumam dizer os petistas. Mesmo tendo desistido de emprestar
apoio ao fim da reeleição e à ampliação
do mandato para cinco anos, Lula sabe que, se conseguir deixar a herança
no Palácio do Planalto para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff
(PT), em 2010, não haverá nenhum empecilho para sua nova candidatura
lá na frente. Motivo: é ele que dá e sempre deu as cartas
no PT.
Lula está convencido de
que pode emplacar Dilma e vai insistir nesse plano. Só mudará de
ideia se for obrigado pelas circunstâncias. Para o presidente,
o fato de a ministra anunciar o tratamento que faz para combater um câncer
no sistema linfático pode até mesmo humanizá-la.
A solidariedade já aparece em pesquisa encomendada pelo PT, mostrando
o crescimento da mãe do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC), hoje na faixa de 20%.
Até agora Lula deixou
petistas pregarem o terceiro mandato. Desde que a doença de Dilma
veio à tona, porém, começou a trabalhar para esfriar
a polêmica. Há cerca de 20 dias, ele reagiu com gesto ríspido
quando um ministro lhe contou que aliados se movimentavam para reapresentar
a proposta. Depois, mandou dirigentes do PT enquadrarem os teimosos para
não prejudicar a candidatura da ministra. Foi o que integrantes
da bancada do PT fizeram na terça-feira com o deputado Fernando
Marroni (RS), o mais novo porta-voz da ideia.
"Não podemos
ir para uma aventura nem morder a isca dos tucanos", disse o deputado
José Genoino (PT-SP). "Lula sempre foi um político
ponderado, conciliador e sabe que o terceiro mandato racha o País:
se rachou a Venezuela, a Bolívia e agora divide a Colômbia,
por que vamos trazer essa encrenca para cá?"
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
22/05/2009
Primeira Turma exclui condenação
por “horas extras futuras”
Pagar a um monitor horas extras
ainda não trabalhadas. Essa condenação, imposta
pela Justiça do Trabalho da 4ª Região (RS) à Fundação
de Atendimento Sócio-Educativo do Rio Grande do Sul (Fase), foi
excluída pela Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho
ao julgar o recurso de revista da empregadora. Para o ministro Lelio
Bentes Corrêa, “não cabe ao julgador a condenação
ao pagamento de horas extras com fundamento em presunção,
e relativa a período futuro e incerto, uma vez que as horas extras
são verificadas a cada mês, e as condições
de trabalho são suscetíveis de mudança”.
O trabalhador, admitido em 1998
e ainda em pleno contrato com a fundação à época
do ajuizamento da reclamação, conseguiu na 15ª Vara
do Trabalho de Porto Alegre (RS) o reconhecimento do direito a receber
o pagamento de horas extras, não apenas passadas, mas também
futuras, as denominadas “parcelas vincendas”. A empregadora
recorreu da sentença, mas o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(RS) manteve o entendimento da Vara, rejeitando o apelo patronal.
O Regional considerou que, se
a fundação não pagava as horas extras corretamente,
então deveria ser condenada a pagá-las no futuro, pois
eram prestadas com regularidade. “A condenação em
parcelas vincendas é impositiva, uma vez que cabe pressupor que
a atividade permanecerá sendo desenvolvida mediante a mesma exigência
de carga horária. Não tendo a fundação o
cuidado de cumprir corretamente o que foi registrado, é correta
a condenação, e deve ser mantido o comando para o pagamento
oportuno e integral do devido”.
Inconformada, a fundação
apelou ao TST, alegando que não poderia ser condenada a pagar
as horas extras ainda não trabalhadas. Ao analisar o recurso,
o relator concluiu pela inviabilidade da decisão condicional, “vinculada à existência
de fato futuro e incerto, em que não se pode afirmar a existência
de lesão ao direito da parte”. (RR –1178/2002-015-04-00.5)
(Lourdes Tavares)
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22/05/2009
TST afirma competência da JT
em ação de herdeiros de vítima de acidente
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho confirmou que cabe à Justiça do Trabalho
analisar e julgar ações que pleiteiam pagamento de indenização
por danos morais e materiais decorrentes de acidente de trabalho, ainda
que a demanda seja proposta por cônjuge ou familiares do empregado,
em caso de acidente fatal. A decisão foi tomada em recurso envolvendo
a Usina Bom Jesus S/A, situada em Cabo de Santo Agostinho (PE), e três
irmãs de uma cortadora de cana que morreu atropelada por um VW
Kombi, no dia 21/12/2005, ao sair de um ônibus para outro, na BR
408, quando ainda estava escuro. O transporte dos trabalhadores rurais
era fornecido pela usina.
Segundo a relatora, ministra
Rosa Maria Weber, a circunstância de a ação ter sido
ajuizada pelas irmãs da trabalhadora não altera a competência
da Justiça do Trabalho para julgar o litígio porque a causa
de pedir continua sendo um acidente de trabalho. “A qualidade das
partes não modifica a competência atribuída pela
Constituição à Justiça do Trabalho”,
afirmou Rosa Weber em seu voto. Segundo ela, a competência da Justiça
do Trabalho em relação às controvérsias relativas à indenização
por dano moral e patrimonial decorrentes da relação de
trabalho já não comporta mais discussão no TST após
a Emenda Constitucional nº 45/2004 (Reforma do Judiciário).
O Tribunal Regional do Trabalho
da 6ª Região (PE) declarou a incompetência da Justiça
do Trabalho para julgar a ação e anulou todos os atos processuais
praticados até aquele momento. Segundo o TRT/PE, a ação
deveria ser apreciada e julgada pela Justiça Estadual (comum)
em razão de seu caráter civil, já que as irmãs
da vítima buscam indenização pecuniária por
danos materiais e morais causadas a si próprias, surgidos com
a perda de um ente familiar. Por unanimidade de votos, a Terceira Turma
do TST determinou o retorno dos autos ao TRT de Pernambuco para que prossiga
no julgamento do processo como entender de direito.
A ação contra a
usina foi ajuizada na 2ª Vara do Trabalho de Cabo (PE). Desde o
primeiro momento, a defesa da usina questionou a legitimidade das irmãs
para propor a ação, sob o argumento de que a representação
para ações onde o direito decorre de falecimento só pode
ocorrer por meio do espólio. Além disso, elas nem seriam
sucessoras da falecida, segundo a usina. A preliminar de ilegitimidade
foi rejeitada pelo juiz de primeiro grau.
No mérito, a defesa da
usina sustentou que a culpa pelo acidente foi exclusiva da vítima,
que teria atravessado a rodovia sem o devido cuidado. A sentença
isentou a usina de responsabilidade pelo acidente. Houve recurso ao TRT/PE
onde a defesa das irmãs sustentou que a usina foi culpada pelo
acidente porque dificultava o acesso ao segundo ônibus, fazendo
com que os trabalhadores rurais tivessem que atravessar duas pistas da
BR em plena madrugada. Segundo a defesa, após o acidente, a usina
determinou que os dois ônibus ficassem no mesmo lado da rodovia.
(RR 546/2007-172-06-00.4)
(Virginia Pardal)
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22/05/2009
Sindicato vai receber honorários
advocatícios de ação contra empresa
A Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho manteve decisão que condenou a empresa PC Informática,
de Minas Gerais, a pagar honorários advocatícios ao Sindicato
dos Trabalhadores em Empresas de Assessoramento, Pesquisas, Perícias
e Informações no Estado de Minas Gerais – Sintappi/MG.
A empresa perdeu a causa em que o sindicato cobrava judicialmente pagamentos
atrasados de contribuições sindicais.
O descontentamento patronal vem
desde a primeira instância e chegou ao TST por meio de agravo de
instrumento com a pretensão de que o recurso, rejeitado pelo Tribunal
Regional do Trabalho da 3ª Região (MG), viesse a ser julgado.
Mas, de acordo com o relator do agravo, ministro Renato de Lacerda Paiva,
tanto o primeiro grau quanto o Tribunal Regional decidiram acertadamente,
uma vez que o artigo 5º da Instrução Normativa nº 27
do TST enuncia claramente que, “exceto nas lides decorrentes da
relação de emprego, os honorários advocatícios
são devidos pela mera sucumbência”. O relator explicou
que a questão está inserida na nova competência da
justiça do trabalho, estabelecida na Emenda Constitucional 45/2004.
Ao participar dos debates na
sessão de julgamento, o ministro José Simpliciano acrescentou
que o caso não trata de relação de emprego, e que
a IN 27 ,diz que quando a postulação diz respeito a uma
relação que não é de trabalho, são
devidos os honorários advocatícios, de forma que quem sucumbiu
tem de pagar os honorários. A Segunda Turma aprovou por unanimidade
o voto do relator. (AIRR-104-2008-114-03-40.9)
(Mário Correia)
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