 |
Agência Diap, 27 de
maio de 2009
Jornada de trabalho: proposta pode
ser votada em junho na CE
O primeiro desdobramento da reunião das centrais sindicais com o presidente
da Câmara, Michel Temer (PMDB/SP), é o agendamento da PEC 231/95,
que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais, para votação
na comissão especial.
O deputado Paulo Pereira da Silva
(PDT/SP) informou à assessoria do DIAP, que a proposta será votada
no colegiado no dia 30 de junho, às 14h, no auditório Nereu
Ramos da Câmara.
A idéia das centrais sindicais é transformar
esse dia num ato político também. Por essa razão,
a sessão do colegiado especial será realizada em auditório
com mais capacidade de público.
Na reunião com Temer,
a principal proposta das centrais foi exatamente para votar a PEC 231
na comissão de mérito.
Na verdade, já passou
da hora de votar a matéria no colegiado. Como já foi dito
não há mais a quem convencer sobre a conveniência
e importância para a classe trabalhadora de reduzir a jornada de
trabalho.
Na semana passada, a comissão
realizou audiência com a participação de representantes
do Dieese e Ipea, e eles defenderam a diminuição da carga
de trabalho para alavancar o números de empregos formais no País.
Nesta terça-feira (26),
foi a vez dos representantes patronais opinarem, mais uma vez, sobre
o tema. E, claro, foram contra a redução da jornada, pois
afirmam que "a medida vai elevar os custos de produção
para atender à demanda".
Como se vê, esse 'debate'
já está decidido.
Os patrões e seus representantes
são contra mesmo. Não há acordo. Os trabalhadores
querem a redução como uma das medidas para amenizar a crise
do desemprego no País e não há como conciliar com
os setores que são contrários.
A 'pauta
trabalhista' é composta por sete itens, e a proposta de
redução da jornada é a primeira da lista.
|
Agência Câmara,
27 de maio de 2009
Empresários criticam proposta
de redução da jornada de trabalho
Representantes das confederações nacionais da Indústria
(CNI) e do Comércio (CNC) criticaram nesta terça-feira (26),
em audiência pública na Câmara, a Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 231/95, que reduz a carga de trabalho de 44 para 40 horas semanais e
aumenta o valor da hora extra de 50% do valor normal para 75%.
O representante da CNC, Alaim
Macgregor, afirmou que a PEC não contribuirá para diminuir
a taxa de desemprego no País.
Segundo ele, se a redução
da jornada for aprovada será necessário reestruturar os
negócios, o que provocará queda no número de postos
de trabalho.
Macgregor defendeu a desoneração
das folhas de pagamentos como forma de criação de empregos.
Ele disse ainda que não
se combate o desemprego com "utopias" e advertiu que os aumentos
de preços provocados pela diminuição da jornada
serão repassados aos consumidores.
Dagoberto Godoy, representante
da CNI, acrescentou que a medida vai elevar os custos de produção
para atender à demanda.
Godoy lembrou que o mercado mundial é competitivo;
de acordo com ele, países como China e Índia oneram menos
as empresas e têm maior jornada de trabalho que o Brasil.
Patrões
O relator da matéria, deputado Vicentinho (PT/SP), criticou o ponto
de vista dos empresários:
"Eles são patrões
e nunca vão concordar com nada. Se não existissem as lutas
dos sindicatos para melhorar as condições de vida, ainda
haveria o trabalho análogo ao escravo".
E completou: "Então,
nada mais normal do que o posicionamento deles; como relator eu precisava
ouvi-los, com paciência, para depois apresentar meu parecer".
De acordo com Vicentinho, a redução
da jornada vai gerar empregos e, com isso, fortalecer o mercado interno.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
27 de maio de 2009 | Economia
Governo revê saldos de financiamento
habitacional
Joyce Carvalho
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, no mês passado,
a lei n.º 11.922/2009, que permite a renegociação do saldo
devedor dos contratos de financiamento de imóveis que não possuíam
a cobertura do Fundo de Compensação das Variações
Salariais (FCVS), extinto na década de 1990.
Nesta situação,
os mutuários terminam de pagar o financiamento, mas ficam com
um saldo residual a quitar muito grande, muitas vezes superior ao valor
do próprio imóvel.
“A lei veio dar uma força
maior nas negociações, o que a gente já vem fazendo.
Isto pode ajudar a acabar o pesadelo e realizar o sonho da casa própria”,
afirma o presidente da Associação Nacional dos Mutuários
no Paraná (ANM-PR), Luiz Alberto Copetti.
Ele conta um caso de um mutuário
que teve o financiamento encerrado em abril deste ano, após vinte
anos de pagamentos. O banco ligou para o mutuário e informou que
ele ainda possui uma dívida de R$ 440 mil reais.
“O imóvel custa
R$ 150 mil. Após uma conversa com o banco, a dívida caiu
para R$ 180 mil. Como o banco, em apenas uma ligação, dá esse
perdão na dívida? Algo está errado. Mesmo vendendo
o imóvel ele não quita o que deve. E, pelos nossos cálculos,
o resíduo dele seria de R$ 36 mil”, comenta Copetti.
O desequilibrio acontece em
contratos antigos, que antes eram reajustados conforme o aumento salarial.
Com a extinção do FCVS (que assumia este residual), a inflação
elevada e a estagnação dos salários, o saldo devedor
gerou uma enorme preocupação nos mutuários.
“Acontecia a amortização
negativa”, explica o presidente da AMN-PR. Muitos mutuários
estão entrando na Justiça para resolver o problema do saldo
residual. De acordo com ele, a jurisprudência confirma que a cláusula
do contrato que atribui ao mutuário a responsabilidade pelo saldo
residual existente ao término do financiamento é abusiva
e deve ser declarada nula, conforme o artigo 51 do Código de Defesa
do Consumidor.
Copetti pede para que as pessoas
que tenham financiamento fiquem alerta quanto a isto e procurem seus
direitos. Nos contratos mais recentes, não existe mais o saldo
residual.
Podem acontecer ajustes para
que a amortização ocorra no período do financiamento
do imóvel, sem que o mutuário fique devendo no final. “Pelo
menos é essa a promessa, porque ainda não vivenciamos o
final destes contratos”, esclarece Copetti. Mais informações
no site www.anm.com.br ou pelo telefone (41) 3077-5504.
|
Folha de S.Paulo, 27 de maio
de 2009
Planalto deve adiar projeto sobre poupança
Sem consenso na equipe econômica, texto
só deve chegar ao Congresso no 2º semestre; governo também
quer evitar "efeito CPI" | Governo avalia que proposta
prevendo cobrança de IR de aplicação de mais
de R$ 50 mil corre risco de ser afetada pela disputa política
com oposição
VALDO CRUZ
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A guerra política deflagrada
pela criação da CPI da Petrobras e a falta de consenso
na equipe econômica deve levar o governo a adiar o envio ao Congresso
do projeto que vai taxar as aplicações acima de R$ 50 mil
na caderneta de poupança.
Embora a cobrança de IR (Imposto de Renda) sobre os rendimentos da poupança
tenha sido anunciada no último dia 13, o governo ainda não tem
pronto o texto com a proposta. A ideia é começar a cobrança
em janeiro de 2010 por meio do recolhimento mensal na fonte, mas não
houve acordo sobre como isso será feito.
Agora, a tendência é que o texto chegue ao Legislativo apenas
no segundo semestre, quando o clima pode estar menos desfavorável. Segundo
a Folha apurou, a área econômica e os articuladores políticos
do governo avaliam que a tramitação da proposta correria risco
se fosse enviada em meio às turbulências políticas criadas
depois da CPI da Petrobras, dando mais munição à oposição
na sua guerra ao Executivo.
A cobrança de imposto sobre as aplicações da caderneta é um
tema politicamente sensível e o governo teme os ataques feitos pela
oposição, que já criticou a proposta. A palavra final
caberá ao presidente Lula, mas tudo indica que o envio será mesmo
adiado. Um auxiliar do presidente destacava ontem que o governo tem até o
final do ano para aprovar a taxação das cadernetas e que agora
o tema ficaria "contaminado" pela disputa no Congresso.
Se o Congresso não aprovar a criação do imposto, a cobrança
não poderá ser feita em 2010. A legislação exige
que novos impostos ou a elevação de alíquotas seja aprovada
no ano anterior ao início da arrecadação.
Mas a prometida redução no IR dos fundos de investimentos de
22,5% para 15% poderá ser feita a qualquer momento, sem necessidade
de aprovação prévia dos deputados e senadores.
O novo cronograma é um recuo em relação ao anúncio
oficial das mudanças na caderneta há duas semanas, quando o ministro
Guido Mantega (Fazenda) afirmou que projeto não demoraria a ir ao Congresso.
Pela ideia original do governo, o rendimento obtido nas cadernetas com saldo
acima de R$ 50 mil seria taxado na declaração do IR entregue
em 2011. A tributação, no entanto, dependerá da taxa de
juros em vigor no momento. Quanto mais baixa a taxa de juros, maior será o
imposto devido.
Os bancos deverão informar a seus clientes o rendimento mensal de cada
caderneta. Esse dado será informado na declaração do IR
e o programa da Receita Federal fará os cálculos.
Além disso, Mantega anunciou que o imposto sobre os fundos de investimentos
será reduzido somente neste ano, enquanto a tributação
da poupança não começa.
A cobrança foi a fórmula encontrada pelo governo para enfrentar
o problema criado com a queda nas taxas de juros. Como a caderneta rende 6,17%
ao ano, com juros definidos em lei, a redução na taxa do Banco
Central, a Selic, faz com que as outras aplicações passem a render
menos do que a caderneta.
Essa diferença de taxas estimula a migração de dinheiro
dos fundos de investimento para a poupança. Pelos cálculos do
governo, fundos que hoje cobram taxa de administração acima de
2% ao ano já estão pagando menos que a caderneta.
Se essa troca ocorre, pode haver dificuldades de vender títulos da dívida
pública, além de distorções no mercado imobiliário,
já que os recursos da poupança são usados para emprestar
a mutuários.
Lula preferiu tributar a poupança a mudar o seu rendimento. Na avaliação
do presidente, uma mudança no rendimento da caderneta poderia ser usada
pela oposição -que, por meio do PPS, tentava associar a alteração
ao confisco feito no governo Collor.
|
Folha de S.Paulo, 27 de maio
de 2009
Fundos propõem mudança
tributária ao governo
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
Diante da pressão para
reduzir taxas de administração e elevar a rentabilidade
para se manter competitiva em relação à poupança,
a indústria de fundos de investimento encaminhou ao governo um
estudo propondo medidas para simplificar a sua tributação.
Segundo a Anbid (Associação dos Bancos de Investimento), as alterações
teriam impacto "quase zero" na arrecadação do governo,
mas permitiriam aos fundos manterem-se competitivos e ainda viabilizariam a
captação de recursos hoje necessários para financiar empresas
e a economia.
Uma das propostas é tornar anual o come-cotas, o mecanismo semestral
de recolhimento de Imposto de Renda na fonte que encolhe o volume aplicado
pelo cotista nos fundos. Também defendem a isenção de
Imposto de Renda para os investidores estrangeiros nos fundos -hoje, a isenção é para
aplicação direta em títulos públicos ou só para
os fundos que tenham 98% de títulos.
A indústria defende ainda o fim do prazo de carência de um ano
para fundos recém-abertos terem direito à tributação
escalonada, que vai de 15% a 22,5%.
" Quando a gente fala em aprimorar a tributação, sempre fica
aquela coisa de que a Anbid quer isenção. Não é isso.
A gente defende que a tributação seja a mais neutra possível.
Isso evita que o investidor vá buscar na tributação o principal
fator para fazer o seu investimento, e não na relação entre
risco e retorno", disse Marcelo Giufrida, presidente da Anbid.
Quase duas semanas depois de o governo anunciar a tributação
na poupança, os gestores de fundos continuam sem saber como será o
benefício tributário temporário que terão para
não perder investidores para a poupança. À época,
o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a anunciar que os fundos teriam
alíquota de 15% de IR -hoje, chega a 22,5%. A indústria aguarda
um desfecho antes da próxima reunião do Copom, em junho.
O governo, por sua vez, espera que os fundos baixem custos e taxas de administração
antes de regulamentar a redução nos impostos. A Anbid sustenta
que vem reduzindo as taxas de administração -diz que elas caíram
30% desde 2000- e que os novos fundos chegam ao mercado com custos ainda menores.
Para a associação, mais do que os juros menores, a redução
das taxas acontece por conta do ganho de escala.
" Talvez o governo não esteja seguro sobre até que nível
as taxas de juros podem ir e tampouco sobre as mudanças que eles podem
fazer. Me parece que a decisão da poupança está mais cristalizada.
Acredito que eles estão avaliando como o investidor reage", disse
Giufrida.
Para o presidente da Anbid, "é fato" que a poupança
até R$ 50 mil ficou mais interessante do que vários fundos com
taxas de administração elevada, mas essa competição
deve estimular a indústria a oferecer produtos mais sofisticados.
" Nos demais segmentos, a competição [continua]. No ano passado,
tivemos a competição com os CDBs. O gestor [terá de] correr
mais [risco], ficar mais competente, mais criativo e atraente para o investidor."
Segundo Luis Stuhlberger, gestor da Hedging Griffo/Crédit Suisse, a
mudança na poupança afeta uma parcela importante da classe média
brasileira. Ele lembra que, embora pequeno, o percentual de 0,7% dos investidores
com R$ 50 mil a R$ 100 mil da poupança representa R$ 40 bilhões
em recursos. Para Stuhlberger, trazer esse investidor para os fundos é hoje
um desafio.
|
FOLHA DE LONDRINA, 27 de
maio de 2009 | Opnião
A proposta de reduzir imunidade parlamentar
A salvaguarda foi instituída para
garantir livre exercício da função pública,
mas houve abuso constante do privilégio
Quando tragédias envolvem gente de mais projeção, propostas
de solução de irregularidades ganham intensidade, e são
muitos os casos em que isso resulta proveitoso. Melhor seria se não
houvesse necessidade de prejudicar ou enlutar famílias para corrigir
as tantas distorções e abusos, mas infelizmente é também
pela dor que males políticos e sociais às vezes são corrigidos,
e alguns inocentes pagam caro essa conta.
Agora a família de uma
das vítimas do acidente provocado pelo deputado Fernando Carli
Filho propõe um movimento popular visando a modificação
da lei que trata da imunidade parlamentar e retire o privilégio
de um deputado ou senador (e outros graduados homens públicos)
não serem presos, mesmo em flagrante delito. Essa salvaguarda
foi instituída para garantir o livre exercício da função
pública por tais cidadãos, mas isso perde a razão
de ser quando eles passam a abusar desse favorecimento por muitas formas
de desmando, desrespeito e corrupção.
O que deveria ser apenas uma
garantia do livre desempenho do cargo converteu-se numa capa protetora
de muitas irregularidades. Então, se um benefício foi concedido,
pode ser retirado, e não apenas em razão de um delito como
o cometido pelo deputado paranaense - que resultou em duas mortes - mas
sempre que houver um ato ilícito que enquadre um cidadão,
aí incluídos parlamentares e outros que exerçam
cargos mais graduados. A imunidade, no caso de tais representantes, de
chefes de executivos e membros do sistema judicial, deve servir somente
para a livre prática do ir e vir, do livre decidir, do livre fazer
e do livre falar, quando no cumprimento da lei e da conveniência
do munus público. Mas no Brasil o privilégio de safar-se
por conta daquele instituto de (quase) impunidade levou a casos frequentes
de abusos, motivados pela má formação de muitos
homens públicos e pelo estímulo que a imunidade lhes dá.
A indagação que fica no ar é como modificar essa
ordem de coisas se os encarregados disso são os próprios
protegidos por tal blindagem. Só mesmo um forte movimento popular,
destes capazes de revolver céus e terra. Em momento de exaustão
isto pode acontecer. Há notáveis registros disso na história
da humanidade.
Em certa época do regime
ditatorial o Congresso Nacional foi fechado, demonstrando que - mesmo
que ditaduras sejam abominadas - os parlamentares não são
intocáveis. Nem de longe imaginar-se que as instituições
sejam violentadas, mas deve haver o pressuposto de que seus integrantes
se portem dignamente. Do contrário, não podem ser diferenciados
dos demais cidadãos e deles deve ser retirado o protecionismo
das imunidades. Chega uma hora em que corrigir falhas do sistema democrático
se converte em questão de segurança nacional.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
27 de maio de 2009 | Política
Lula recebe na Bahia pedido de plebiscito
sobre 3º mandato
Agência Estado
Depois de ouvir gritos de "olê, olê, olê, olá,
Lula, Lula" no Teatro Castro Alves, em Salvador, onde comemorou ontem à noite
o Dia da África, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouviu
um pedido do peemedebista e ex-presidente da Câmara Legislativa de Tupã,
cidade do interior de São Paulo, quando chegava no hotel onde está hospedado
na capital baiana. "Presidente, plebiscito, terceiro mandato". Lula,
que estava bem próximo a ele, riu e apontou para onde estavam os jornalistas
e respondeu: "Tem de falar isso para a imprensa".
Em seguida, abordado pelos
jornalistas para explicar o que queria dizer para o peemedebista, o
presidente se esquivou de fazer qualquer comentário. As discussões
sobre esticar a permanência de Lula na chefia do Poder Executivo
foram ressuscitadas após o anúncio do tratamento para
combate de um câncer linfático da pré-candidata
do PT à sucessão presidencial, a ministra-chefe da Casa
Civil, Dilma Rousseff.
|
FOLHA DE LONDRINA, 27 de
maio de 2009 | Opnião
Terceiro Setor - Voluntariado exige
mão de obra qualificada
Consultor afirma que profissionalização
garante sobrevivência às ONGs que devem ser encaradas
como negócios; Boa vontade não basta
O terceiro setor é um segmento que vem crescendo significativamente
no Brasil. As Organizações Não Governamentais (ONGs) somam
cerca de 20 mil em todo o país, sendo a grande concentração
em pequenos e médios centros urbanos.
De acordo com o Ministério
de Combate à Fome e Desenvolvimento, em 2015 o território
brasileiro vai contar com aproximadamente 60 mil ONGs. Onde o Estado
não tem condição de atuar, cria-se uma instituição
de terceiro setor.
Fernando Rodrigues de Carvalho,
consultor em gestão estratégica de negócios e sustentabilidade,
do Rio Grande do Sul, esteve em Londrina para palestra na PUCPR e afirma
que o Brasil é o país onde o voluntariado mais cresceu
nos últimos anos. Ainda assim, o número é bastante
inferior se comparado a outras nações.
''Nós ainda temos que
crescer muito'', assegura Carvalho, revelando que os países desenvolvidos
têm em média 10% da população ativa vinculada
a alguma ONG enquanto no Brasil o índice é de 1,6%. Segundo
ele, o terceiro setor é um mercado de trabalho promissor.
Qual a importância
da profissionalização do terceiro setor?
Não basta ter boa vontade, é preciso saber administrar.
O terceiro setor necessita de mão de obra qualificada para gerir
o capital. A gestão do terceiro setor precisa deixar de ser uma
matéria de especialização e se tornar uma graduação.
Algumas universidades já estão fazendo ensaios para isso.
No entanto, os gestores desse segmento têm dificuldade de se capacitar.
O que a profissionalização
pode garantir às ONGs?
Sobrevivência. Hoje existem algumas fundações
e entidades beneficentes que são geridas por famílias.
São pessoas de boa vontade que se propõem a fazer filantropia
e o bem comum. No entanto, essas pessoas não têm o intelecto
para fazer o planejamento estratégico, o plano de sustentabilidade
e manter a estrutura como um negócio. O terceiro setor é um
negócio. A diferença está no lucro que ele apura
ser revertido para ele mesmo. O fato de não ter fins lucrativos
não significa que o negócio precisa falir. Pelo contrário.
Eu preciso gerar sustentabilidade.
E quem deve qualificar
os voluntários?
As instituições de ensino devem oferecer cursos
de qualificação. Também pode haver incentivo para
a qualificação do voluntário. Uma ONG deve receber
verba pública para qualificar o seu participante. No mundo, 30%
do financiamento de uma ONG é feito pelo Estado. No Brasil esse
número não chega a 15%. Ou seja, o Estado brasileiro ainda é ausente
na contribuição do terceiro setor.
Atualmente há profissionalismo
no terceiro setor?
Hoje nós temos a Oscip (Organização da
Sociedade Civil de Interesse Público), que permite que seus dirigentes
sejam remunerados e se tornem funcionários. Dessa forma, pessoas
qualificadas são realmente empregadas. O voluntariado sempre vai
existir, mas há necessidade de uma gestão de recursos para
que a ONG não desapareça. Com a Oscip é possível
fazer parcerias com o Estado, contratar pessoas capacitadas e gerir a
ONG com sustentabilidade. O Estado quer fazer parceria com uma Oscip,
pois o custo operacional é mais barato. Se contratar uma empresa
qualquer vai ter custo com impostos e, além disso, a Oscip presta
serviço de utilidade pública.
Existem muitas Ongs que
não têm mais voluntários e sim funcionários?
Diria que as contratações são muito relativas.
As ONGs têm funcionários em funções burocráticas,
como recepcionista, telefonista e faxineira. Nas funções
técnicas a ONG não pode remunerar o profissional, a não
ser que seja uma pessoa qualificada. A ONG não pode contratar
um gerente e um diretor com remuneração, por exemplo.
O papel da ONG e o perfil
dos voluntários está mudando?
Sim. Acho que nos últimos cinco anos nós evoluímos
mais do que nos últimos 30. Mas no Brasil as ONGs ainda têm
um longo caminho. É um mercado de trabalho que vai crescer muito.
Como o senhor avalia
as fraudes que envolvem o terceiro setor?
Se você é entidade filantrópica precisa
cumprir metas. Na saúde, por exemplo, é preciso atender
60% dos pacientes pelo SUS. Já as escolas são obrigadas
a aplicar 20% de suas receitas em bolsas gratuitas. Muitas entidades
beneficentes não cumpriam esses requisitos e continuavam com o
certificado de entidade beneficente de assistência social. Hoje
o governo está tentando combater a falcatrua e diversificar.
Paula Costa Bonini
Reportagem Local
|
O ESTADO DO PARANÁ, 27 de maio de 2009
| Cidades
Liminar amplia período de
licença-maternidade
Redação
O Sindicato dos Trabalhadores e Servidores em Serviços Públicos
da Saúde Pública e Previdência do Estado do Paraná (Sindisaúde)
obteve, na última segunda-feira, uma liminar favorável que amplia
o período de licença-maternidade de 120 para 180 dias. O juiz
Douglas Peres concedeu esse direito diante do princípio da isonomia,
pois servidoras do judiciário estadual podem desfrutar desse benefício.
|
Agência Diap, 27 de
maio de 2009
Trabalho aprova direito de o sindicato
mover ação civil pública
Pelo projeto, do deputado Efraim Filho (DEM/PB), as convenções
e acordos coletivos celebrados pelos sindicatos, para tutela aos direitos trabalhistas,
terão força de título executivo extrajudicial, para execução
coletiva na Justiça do Trabalho. A matéria será apreciada
ainda pela CCJ
A Comissão de Trabalho
da Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira
(20), o direito de as entidades sindicais utilizarem a ação
civil pública para reparar danos e prejuízos ocorridos
nas relações de trabalho.
"A Justiça do Trabalho
está sobrecarregada de ações individuais idênticas
e nada mais prático do que estimular as chamadas ações
coletivas e lhes garantir efetividade", afirmou o relator do PL
2.422/07, deputado Mauro Nazif (PSB/RO).
Pelo projeto, de autoria do deputado
Efraim Filho (DEM/PB), as convenções e acordos coletivos
celebrados pelos sindicatos, para tutela aos direitos trabalhistas, terão
força de título executivo extrajudicial, para execução
coletiva na Justiça do Trabalho.
O relator explicou que o projeto
não trará grandes modificações processuais
porque os tribunais já assimilaram essa prática por meio
da jurisprudência e da doutrina, mas vai deixar explícito
o uso dos instrumentos recursais de má-fé.
A proposta, que tramita em caráter
conclusivo, será analisada também pela Comissão
de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes
de ira a votos no plenário. (Com Agência Câmara)
Clique aqui e
veja o parecer aprovado na Comissão de Trabalho.
|
Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
27/05/2009
Viplan e Lotáxi pagarão indenização
por agressão a trabalhador
A Lotáxi – Transportes
Urbanos Ltda. e a Viplan – Viação Planalto Ltda.,
ambas de Brasília (DF), foram condenadas solidariamente ao pagamento
de indenizações por danos moral e material a um empregado
agredido por um preposto das empresas quando se recusou a cumprir ordem
de seu chefe e iniciou uma discussão. A Sétima Turma do
Tribunal Superior do Trabalho manteve a decisão do Tribunal Regional
do Trabalho da 10ª Região (DF/TO), ao rejeitar agravo de
instrumento das empregadoras.
A indenização estabelecida
inicialmente é de R$ 20 mil por danos morais e R$365,27 de pensão
por 34,9 anos, por danos materiais. As empresas vêm recorrendo
da sentença, sem sucesso. A possibilidade de “culpa recíproca”,
uma das alegações da Lotáxi, foi afastada pelo TRT,
que julgou a reação do preposto desproporcional e extremamente
violenta. Outro argumento da Lotáxi refutado pelo Regional é o
de que, entre as suas atribuições como empregadora, “não
está evitar brigas físicas pessoais entre funcionários”.
Quanto a esse aspecto, o TRT ressaltou que a agressão ocorreu
no ambiente de trabalho e por superior hierárquico.
Ao descumprir ordem para que
retornasse ao trabalho por uma rota não estabelecida previamente,
o trabalhador deu início a uma discussão. A resposta do
preposto foi a aplicação de golpes, com uma barra metálica,
na cabeça, tronco e membros do subordinado, causando-lhe danos
irreversíveis, como lesões no cérebro e no braço
esquerdo. A agressão teve como resultado a incapacidade definitiva
da vítima para o trabalho .
Para o ministro Ives Gandra Martins
Filho, relator dos dois agravos de instrumento, ao contrário do
que a Lotáxi pretendia fazer crer, “a empresa, efetivamente,
responde pelos atos danosos praticados pelo seu preposto, pois a empregadora é a
responsável direta pela qualidade das relações e
do ambiente de trabalho, cabendo a ela adotar medidas compatíveis
com os direitos da personalidade constitucionalmente protegidos”.
A Viplan, por sua vez, pretendia
reformar a decisão regional com as alegações, entre
outras, de que o dano moral não tinha sido demonstrado, que a
quantia fixada seria absurda e levaria ao enriquecimento do trabalhador
e que a pensão mensal até os 75 anos do autor ultrapassava “o
limite médio da vida de um homem comum”, segundo ela, de
65 anos. Para a Sétima Turma, a empresa não demonstrou
condições para que fosse dado provimento ao agravo de instrumento,
com a consequente admissibilidade do recurso de revista, pois o relator
não constatou violação constitucional nem divergência
jurisprudencial nos julgados apresentados pela Viplan.
De acordo com o ministro
Ives Gandra, diante dos fatos descritos pelo Regional, ficou efetivamente
caracterizada a culpa da empresa. Ele ressaltou que, pela “extensão
dos danos sofridos” pelo trabalhador, “não é possível
constatar que a decisão regional, ao manter a condenação
ao pagamento de pensão mensal e de indenização
por danos morais, tenha fugido aos padrões da proporcionalidade
e da razoabilidade”. (AIRR –1033/2005-001-10-40.6 e AIRR –1033/2005-001-10-41.9
)
|
27/05/2009
TST mantém dano moral por anotação
em carteira de decisão judicial
Terceira
Turma do Tribunal Superior do Trabalho confirmou, por unanimidade de
votos, a condenação imposta à Gibraltar Corretora
de Seguros Ltda., de Belo Horizonte (MG), de pagar indenização
por dano moral no valor de R$ 5 mil por ter registrado na carteira
de trabalho de um corretor a informação de que foi acionada
na Justiça do Trabalho por ele. Após sentença
transitada em julgado que determinou a anotação do contrato
de trabalho em carteira, a corretora cumpriu a ordem judicial e, na
parte destinada às anotações gerais, escreveu
que a obrigação decorria de sentença da 35ª Vara
do Trabalho de Belo Horizonte.
Segundo o relator do recurso,
juiz convocado Douglas Alencar Rodrigues, a conduta afronta dispositivo
da CLT, configura abus,o de acordo com o Código Civil, e demanda
reparação. “Muito embora a busca do Poder Judiciário
represente o meio adotado pelas sociedades civilizadas para a solução
de litígios entre seus membros, não se pode cerrar os olhos
para o preconceito ainda presente em segmentos do setor empresarial contra
trabalhadores que exercem o direito constitucional de ação”,
afirmou Douglas Rodrigues em seu voto.
O relator lembrou que a conduta
empresarial de pesquisar antecedentes judiciais de trabalhadores antes
de contratá-los levou o ex-presidente do TST, ministro Francisco
Fausto, a determinar, no âmbito da Justiça do Trabalho,
a suspensão da consulta de processos por meio do nome do trabalhador
nos sites de todos os tribunais trabalhistas. A consulta só pode
ser feita pelo nome ou razão social de empregadores ou de advogados.
O mesmo procedimento foi adotado em relação às notícias
sobre as decisões, elaboradas pelas assessorias de comunicação
social, em que o nome da parte trabalhadora também é omitido.
No recurso ao TST, a defesa da
corretora sustentou, sem sucesso, que não cometeu nenhum ato desabonador,
que sua conduta não foi ilegal nem antijurídica. Além
disso, a empresa informou que o corretor tinha duas carteiras de trabalho,
e a anotação foi efetuada na mais antiga. Por fim, alegou
que não houve dano material, pois o corretor já estava
em outro emprego quando a anotação foi feita. O Tribunal
Regional do Trabalho da 3ª Região (MG) considerou que o dano
moral independe da existência de prejuízo material, sendo
plenamente admissível o deferimento de indenização
pelo prejuízo moral puro.
A condenação foi
imposta porque competia ao empregador cumprir a decisão judicial
nos limites da condenação, anotando na carteira do trabalhador
apenas as datas de início e término do contrato de trabalho,
a função e o salário (R$ 2.300,00), tal como foi
determinado pela sentença, sem justificar a causa da anotação.
A empresa fez constar na página 19 da carteira a seguinte informação: “Anotações
efetivadas em razão de sentença proferida pela 35ª VT/BH
- ref. proc.0356/04 – fulano de tal x Gilbraltar Corretora”.
O artigo 29 da CLT prevê especificamente
as anotações que devem ser feitas pelo empregador na carteira
de trabalho, e um de seus parágrafos veda ao empregador “efetuar
anotações desabonadoras à conduta do empregado em
sua Carteira de Trabalho e Previdência Social”. Por isso,
segundo o TRT/MG, a atitude da empresa configura ilicitude que enseja
o pagamento de danos morais, uma vez que tal fato pode acarretar ao trabalhador
dificuldades na obtenção de um novo emprego, ou até mesmo
inviabilidade de contratação. (RR 743/2007-114-03-00.9)
|