 |
O ESTADO DO PARANÁ,
28 de maio de 2009 | Economia
Construção civil contratou
18 mil trabalhadores em abril
Agência Estado
O nível de emprego na construção civil brasileira cresceu
0,85% em abril, com a abertura de 18.028 vagas, segundo levantamento do Sindicato
da Indústria da Construção Civil do Estado de São
Paulo (Sinduscon-SP) e da FGV Projetos, divulgado hoje, com base nos dados
do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério
do Trabalho e Emprego. A expansão foi próxima do aumento de 0,87%
registrado em março.
No acumulado do ano até o
mês passado, o nível de emprego no setor cresceu 2,63%,
com a abertura de 54.761 vagas, e, nos últimos 12 meses até em
abril, o emprego no setor registra aumento de 7,67%, o que equivale a
um saldo positivo de 152.501 novas vagas. No fim de abril, o total de
empregados pelo setor de construção civil somava 2,14 milhões.
Em nota, o presidente do Sinduscon-SP,
Sérgio Watanabe, informou que a expansão do emprego é resultado
dos contratos assinados antes do agravamento da crise, em setembro de
2008, e demonstra recuperação parcial da queda ocorrida
em novembro e dezembro do ano passado, quando 109.086 vagas foram fechadas.
São Paulo
No Estado de São Paulo,
houve crescimento de 1,21% no nível de emprego em abril, com a
abertura de 7.344 vagas. O total de empregados na construção
civil paulista era de 616 mil no fim do mês passado.
Na maior parte das regiões
do interior paulista, foram registradas contratações, com
destaque para São José dos Campos (+3,52%), Ribeirão
Preto (+1,35%) e Campinas (+1,1%). Em Santo André, houve demissões
(-0,58%), assim como em Bauru (-0,4%).
Já na cidade de
São Paulo, o crescimento foi de 1,28%, com a criação
de 3.765 empregos com carteira assinada em abril. No fim do mês
passado, havia 297,3 mil empregados no setor da capital paulista, 9,54%
a mais do que em abril do ano passado.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
28 de maio de 2009 | Economia
Seade/Dieese: indústria lidera
demissões na Grande São Paulo
Agência Estado
Depois de um mês de estabilidade, a indústria da região
metropolitana de São Paulo voltou a demitir trabalhadores em abril,
segundo dados divulgados hoje pela Fundação Sistema Estadual
de Análise de Dados (Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O setor liderou as demissões
no mês passado, ao dispensar 57 mil trabalhadores, e já eliminou
166 mil vagas na comparação com abril do ano passado. O nível
de ocupação na indústria caiu 9,5% na comparação
com o mesmo mês do ano passado. "O dado que mais nos assustou foi
o comportamento da indústria em São Paulo, que teve fortes ajustes
em janeiro e fevereiro, parou em março e, infelizmente, teve uma forte
queda novamente em abril", disse o coordenador da pesquisa pela Fundação
Seade, Alexandre Loloian.
A queda de 9,5% do nível
de ocupação na indústria em abril, na comparação
com o mesmo mês de 2008, foi a maior de toda a série da
pesquisa no que se refere ao comportamento da indústria nos meses
de abril. A coleta de dados para o levantamento teve início em
1985. Na comparação com março, o nível de
ocupação da indústria recuou 3,5%. As demissões
do setor no mês de abril foram lideradas pelos segmentos de alimentação
(-8,2% em relação a março), gráfica e papel
(-6%) e metal-mecânica (-5,5%). Somente o segmento químico
e de borracha contratou trabalhadores no período (3,6%).
Loloian lembrou que o saldo positivo
de vagas na indústria em abril, medido pelo Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados (Caged) e pelo indicador da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), só ocorreu
pelo desempenho da indústria sucroalcooleira, concentrada nas
cidades do interior do Estado.
"O problema é que
o eixo da indústria da região metropolitana está sendo
afetado por uma queda em todas as variáveis macroeconômicas:
investimentos, renda, crédito e exportações. Se
essas variáveis não se alterarem de uma forma importante
no curto prazo, a situação será preocupante pela
capacidade de arrasto que a indústria tem em relação
a todos os demais setores", ponderou, referindo aos efeitos sobre
comércio e serviços. "Esperamos que seja uma queda
pontual. A indústria tem esse papel hegemônico de definir
os rumos da economia", disse.
Para os próximos três
meses, o coordenador prevê que a taxa de desemprego na região
metropolitana de São Paulo, que foi de 15% em abril, permaneça
estável. Como dado positivo, ele ressaltou que o setor de construção
civil já está reagindo à manutenção
dos investimentos públicos e aos programas de incentivo à moradia.
Em abril, o nível de ocupação do setor aumentou
11,3% na comparação com março. Em relação
a abril de 2008, o indicador teve crescimento de 18,5%.
Depois de demitir mais
de 100 mil trabalhadores no mês de março, o comércio
dispensou bem menos em abril - cinco mil empregados, queda de 0,4%
na comparação com março. Em relação
a abril de 2008, a queda foi de 7,5%. Já o setor de serviços
contratou 60 mil trabalhadores no mês passado, alta de 1,2% na
comparação com março e de 2,3% em relação
a abril de 2008. "Esse mês de abril deve ser celebrado principalmente
porque a alta do desemprego parou. Se isso vai perdurar, ainda é muito
cedo para dizer", afirmou Loiolan.
|
NCST, 28 de maio de 2009
NCST realiza 2º Congresso com
1.500 delegados de 700 entidades
Representantes de todos os estados
brasileiros confirmaram presença no 2º Congresso Nacional
da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores), que acontece de 27
a 29 de maio.
O evento deve reunir 1.500 delegados,
de mais de 700 entidades de trabalhadores urbanos, rurais e servidores
públicos.
O 2º Congresso da Nova Central
tem como eixo o debate sobre "a crise internacional e seus efeitos
sobre os trabalhadores", tema que será tratado em três
palestras por economistas que abordarão aspectos diferentes da
crise.
Superação
José Calixto Ramos, presidente da Nova Central, avalia que o pior da
crise já passou. "A própria CNI, que representa os industriais,
está falando em retomada na produção em diversos setores
da indústria".
Para Calixto, o Brasil tem tradição
em superar adversidades.
"Já passamos por
tantas crises que nosso povo desenvolveu uma grande capacidade de superação",
ele diz. Para o presidente da NCST, a crise também reposicionou
o Estado frente à economia nacional e mundial.
Manifestações
Além dos grupos de trabalho, para debater os temas do Congresso, o evento
da NCST abrirá dois momentos de tribuna livre.
Calixto explica: "Será o
momento de manifestação dos delegados, abordando temas
do próprio Congresso ou questões específicas de
categorias profissionais ou das regiões".
Autoridades
A organização do 2º Congresso convidou autoridades, ministros,
deputados, senadores, centrais, confederações e representantes
do Judiciário.
Eleição
No dia 29, os delegados votarão a ratificação da reforma
do estatuto da Nova Central e elegerão diretoria executiva, secretarias
nacionais e conselho fiscal.
O local é o CTE da CNTI
(Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria),
no km 9,5 da BR 040, município de Luziânia, próximo
a Brasília. (Fonte: NCST)
|
Vermelho, 28 de maio de 2009
Disputa entre capital e trabalho
no enfrentamento da crise econômica
Para combater os efeitos da crise econômica, os trabalhadores querem
redução da jornada de trabalho e garantia dos empregos, para
fortalecer o mercado interno; os empresários querem desoneração
fiscal, para permitir investimentos e exportações. Nessa disputa
entre capital e trabalho, existe um consenso.
Todos concordam que o mercado
financeiro deve ser regulamentado e fiscalizado pelo Estado. As propostas
e sugestões foram apresentadas na comissão geral realizada,
nesta quarta-feira (27), na Câmara, para discutir a crise econômica.
As sugestões serão
analisadas pelas cinco comissões especiais criadas para debater
o impacto da crise mundial sobre a economia brasileira. O presidente
da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB/SP), anunciou a sessão
como últimas reuniões que vamos fazer porque, depois dela,
as Comissões formularão uma proposta final.
O representante da Central dos
Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Pascoal Carneiro, avalia
que o Brasil, por ser menos dependente do comércio mundial, visto
que ainda tem pequena participação no mercado global, pode
colaborar para a retomada do crescimento. E destaca que isso exige uma
política de fortalecimento do mercado interno.
Para ele, o mercado interno se
fortalecerá com a adoção de medidas que aumentem
o poder de compra do trabalhador. E, para isso, pediu que o Congresso
Nacional se debruce sobre as matérias que avaliam a redução
da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução
de salário e ratificação das Convenções
158 e 151 da OIT, para garantir emprego e negociação nos
serviços públicos.
Ele lembra ainda a importância
de regulamentar o mercado de trabalho, combatendo a terceirização
e todas as formas de precarização das relações
de trabalho.
Ele também apontou a necessidade
de uma reforma agrária, redefinindo os critérios de produtividade,
limitando o tamanho das propriedades e expropriando o latifúndio.
Segundo ele, o modelo de desenvolvimento rural deve privilegiar a agricultura
familiar, importante medida para fazer crescer o País com sustentabilidade.
Discurso
inédito
O deputado Antônio Palocci (PT/SP) inclui um alerta que não fez
parte dos demais discursos. O ex-ministro da Fazenda disse que um novo ciclo
de crescimento econômico deve ter duas preocupações fundamentais.
"Nós temos de fazer,
primeiro, um novo ciclo de crescimento mais regulado, mais equilibrado
e mais responsável do ponto de vista do crédito. Em segundo
lugar, temos de pensar um novo ciclo de crescimento mais responsável
com o planeta, porque as questões relativas ao aquecimento global
começam a ocupar a pauta mundial de maneira importante",
afirmou.
Estudos recentes têm demonstrado
que a atividade econômica precisa considerar a possibilidade de
uma evolução com menos emissão de carbono, lembrou
Palocci, acrescentando que "esse é um tema positivo para
o Brasil, tendo em vista que nosso País tem maior percentual de
energia renovável dentro da sua matriz energética. Portanto, é um
tema que nos favorece, porque nós o trabalhamos ao longo da nossa
história."
Tudo
anotado
O presidente do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, indicado pelo PMDB,
analisou a crise atual como a falha dos Estados Unidos de só administrarem
os bancos comerciais e deixarem solto todo o mercado dos bancos de investimentos. "Com
isso, estabeleceu-se todo esse desequilíbrio, que se estendeu, depois,
mundo afora", avaliou o empresário.
Para ele, a solução,
que não é antimercado, é de que "o comércio
de dinheiro é uma concessão pública, e, como tal,
deve ser controlado e regulamentado", afirmou, contando que "nesses
dias, um empresário, banqueiro estrangeiro, do Canadá,
disse assim: Tem que estar tudo anotado. Esse é um conceito básico."
A favor
da desoneração
O deputado Armando Monteiro Neto (PTB/PE), que participou da reunião
como Presidente da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), defendeu como mudança necessária ao combate à crise
a desoneração dos investimentos e, sem medir palavras, disse
que "essa é uma tributação burra por excelência.
Não há como imaginar que se tribute o investimento. Está na
hora de o Brasil avançar firmemente, promovendo uma ampla desoneração
dos investimentos".
Também defendeu a desoneração
das exportações, acrescentando que "o Brasil também
tributa fortemente o crédito, a chamada cunha fiscal incide fortemente
sobre as margens de intermediação e, diferentemente do
que muitos imaginam, não penaliza a instituição
financeira, e sim o mutuário das operações financeiras,
a empresa e a pessoa física que se utilizam do crédito".
|
Terra Magazine, 28 de maio
de 2009
Pochmann: Devemos gerar 600 mil
empregos, diz presidente do Ipea
Por Marcela Rocha, na Terra Magazine
Em entrevista a Terra Magazine,
Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada, não vê "horizonte neste ano" para aumentar
a rotatividade do emprego. Isto significa que o rendimento do brasileiro
médio vai cair e o comércio será afetado.
O número de 106.205 vagas
novas apurado em abril pelo Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged)
em todo o País foi uma surpresa se comparada aos 34.828 postos
abertos em março. Ao mesmo tempo, em sua pesquisa, Pochmann aponta
o crescimento da rotatividade no trabalho.
A taxa média mensal de
rotatividade com carteira assinada foi de 3,7% para 3,9%, entre outubro
de 2007 e março de 2008. Nesse período de vacas magras,
a rotatividade atingiu 23,4% de aproximadamente 29,4 milhões de
trabalhadores formais do setor privado.
Numa "baixa econômica",
a rotatividade deveia cair, pois "os empregados, diante da dificuldade
de encontrar outro emprego, tendem a fazer tudo para permanecer no posto
e não perder a oportunidade de trabalho". Isto não
está acontecendo, ou seja, explica Pochmann, "as empresas é que
estão aumentando a rotatividade". Pochmann explica, de maneira
simples, sua avaliação:
"O salário médio
está sendo afetado por estarem sendo demitidas pessoas com melhores
remunerações para que sejam contratadas pessoas de menor
remuneração. O desemprego está crescendo na indústria,
onde os salários são menores".
Apesar das negativas, Pochmann
traz boas notícias: "A previsão é de queda
da inflação". Segundo o presidente do Ipea, a inflação
tem subido com a valorização cambial, que não se
deu de forma simultânea à redução do consumo
nem à redução do preço das commodities.
Contudo, destaca que enxerga
uma certa valorização do câmbio e, por isso, acredita "que
o consumo vai expandir, então o contexto geral é de queda
da inflação".
Entre altos e baixos, a perspectiva
de crescimento é mantida tanto entre os mais, ou menos otimistas.
Contudo, "se for registrada queda do Produto Interno Bruto no primeiro
trimestre deste ano, 2009 inteiro estará comprometido, um ano
perdido", lamenta Pochmann.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística), o PIB do primeiro trimestre sairá em
9 de junho. Esperemos.
Leia na íntegra a entrevista
com o presidente do Ipea, Márcio Pochmann:
Terra Magazine - Em que
medida o crescimento de emprego é prejudicado pelo crescimento
da rotatividade?
Márcio Pochmann - Na verdade tem duas modalidades de ajustes a partir
da crise. Uma foi a redução do emprego nos setores indústriais,
vinculados, sobretudo à exportações. No segmento voltado
ao mercado interno, principalmente de serviço, o desemprego não
foi tão alto, mas terminou sendo afetados pela rotatividade. Este segmento,
embora mantenha o número de empregos e possivelmente aumente, trabalha
com salários menores, cada vez mais próximos do piso do salário
mínimo nacional.
Quem sofre?
A massa de rendimento (é o número de empregos com salários
médios). O salário médio está sendo afetado por
estarem sendo demitidas pessoas com melhores remunerações para
que sejam contratadas pessoas de menor remuneração. O desemprego
está crescendo na indústria, onde os salários são
menores.
Quando o senhor avalia
que a rotatividade vai diminuir? Quando voltaremos ao nível
précrise de trabalho e emprego?
Não vejo horizonte neste ano. O crescimento do Brasil não acontecerá como
o previsto, não acontecerá no patamar de 4,5%. O mercado de trabalho
formal, quase 40% do total, já está apresentando sinais de recuperação.
Devemos gerar em torno de 600 mil postos de trabalho, evidentemente que em
função da economia.
O crescimento do emprego
com a rotatividade aumenta o número dos que são empregados
e depois ficam desempregados rapidamente? Aumenta a instabilidade,
a volatividade deste índice?
Exatamente. A rotatividade se dá de forma diferente do ciclo econômico.
Ela se dá, não apenas, por estímulo do empregador, que
reduz o número de pessoas que ganham mais para contratar as que ganham
menos. Também se dá estimulada pelo próprio empregado,
que muitas vezes troca de emprego por um salário maior.
Mas estamos na baixa
do ciclo econômico...
Sim. Por conta desta baixa, a rotatividade deveria cair, porque ela só permanece
promovida pelo empregador. Os empregados, diante da dificuldade de encontrar
outro emprego, tendem a fazer tudo para permanecer no posto e não perder
a oportunidade de trabalho. Em geral, no ciclo econômico de crescimento,
dois terços da rotatividade são promovidos pelo empregador e
um terço pelo empregado. Na baixa do ciclo, esse um terço deveria
cair. Mas isto não está acontecendo.
Por qual motivo?
É uma demonstração clara de que as empresas estão
aumentando a rotatividade.
E é isso que afeta
a massa de rendimento?
Cresce o emprego com salários menores, a massa de rendimento tende a
cair e aí pode conter setores como comércio e serviços
que dependem da massa de rendimentos para sua sustentação, diferentemente
da indústria. Até porque a massa de rendimentos vai para o consumo
e não para a poupança, né?
Com a queda da massa
de rendimentos a inflação tende a cair?
A previsão é de queda. A inflação tem subido com
a valorização cambial, que não se deu de forma simultânea à redução
do consumo nem à redução do preço das commodities.
Agora, vemos uma certa valorização do câmbio e acreditamos
que o consumo vai se expandir, então o contexto geral é de queda
da inflação.
Como o senhor avalia
a perspectiva do crescimento do Brasil em 2009? Coincide com a do Ipea?
O nosso núcleo de previsão trabalha com o patamar de 1,5% a 2,5%
de crescimento. Como estamos num contexto fora de previsibilidade, dada a excessão
forte que ocorreu no último trimestre do ano passado, as previsões
precisam ser revistas a todo momento. Se for registrada queda do PIB no primeiro
trimestre deste ano, 2009 inteiro estará comprometido, um ano perdido.
A intervenção
estatal não deixará impunes, quando a crise passar, os
apontados como causadores da crise?
De maneira geral a intervenção vem sendo feita para salvar o
próprio capitalismo. Se tivesse deixado as grandes seguradoras, bancos
e grandes empresas quebrar, o efeito dominó para o conjunto do setor
econômico do País seria um aprofundamento dramático da
decadência. Embora saibamos que pareça um socialismo rico, socializando
o prejuízo dos segmentos que mais ganharam no ciclo de expansão
da globalização, entende-se que, para o conjunto da atividade
econômica do País, é necessário.
A crise de 1929 seria
a prova disto?
O café era o setor mais dinâmico. O Brasil era o maior produtor
de café, ele havia sido colhido, mas não havia gerado renda,
ou seja, não tinha recurso para, tanto atender os lucros dos fazendeiros,
quanto aos salários dos trabalhadores. O governo do Getúlio Vargas
comprou as sacas, pagou e queimou. Do ponto de vista econômico era necessário
para o País sair o mais rápido da crise. Colocar aquele café para
comercializar não iria adiantar nada porque os trabalhadores não
tinham como consumir. A questão básica é que essas medidas
são anticíclicas, evitam que o ciclo se aprofunde e estabelece
condições mínimas para novos ciclos de expansão.
|
FOLHA DE LONDRINA, 28 de
maio de 2009 | Opinião
A rotatividade de empregados nas empresas
Elevados encargos sociais da folha salarial
e rígida lei do trabalho são lanças pendentes
sobre a cabeça do empregador
De um lado o pesado ônus dos encargos sociais sobre a folha salarial
e a legislação trabalhista (que amedronta o empregador pelo rigor
das punições) e de outro o recurso de despedir trabalhadores
velhos na empresa e com salário alto. Para estes, um drama social, porque
não encontram com facilidade um novo trabalho, até pelo preconceito
da idade, imperante no Brasil. Informação publicada por este
jornal, citando dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, revela
que empresas que não fecharam vagas valeram-se do expediente da rotatividade,
substituindo empregados de remuneração elevada por outros de
menor ganho.
Outro estudo, este do Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada, mostra que sob pressão da
crise financeira tem crescido no Brasil o volume dessas trocas. Menos
mal que ocorre uma substituição ao invés de demissão
pura e simples, mas os trabalhadores atingidos caem na rua da amargura,
como se costuma dizer, pela razão acima apontada.
Diferente de países com
outra perspectiva, onde essa discriminação não existe.
Ao contrário, trabalhadores mais experimentados têm preferência,
pelo desempenho profissional e pela maior eficácia na lida com
certas tarefas e certos equipamentos. Márcio Pochmann, daquele
instituto, diz que a rotatividade é historicamente alta porque
as empresas brasileiras não encontram restrições
a essa prática. E alerta que um trabalhador demitido e que não
encontra outro emprego vai onerar o custo social, porque dependerá do
dinheiro do seguro-desemprego, e é o povo que paga essa conta.
No caso do comércio, o presidente da União Geral dos Trabalhadores
e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patah,
diz que ''mesmo antes da crise empresas comerciais já trocavam
funcionários de uma forma selvagem''. E na indústria os
efeitos psicológicos da crise levaram ao fechamento de quase 700
mil postos de trabalho. Até onde isto foi necessário não
se saberá, mas certamente houve também casos de oportunismo
de mandar gente embora.
O sistema arrecadador oficial
tem grande culpa, porque onera o empregador com o pesado ônus
tributário sobre a folha do pessoal, que se fosse mais brando
incentivaria mais contratações. E a legislação
trabalhista, que favorece muitas sentenças de valor exagerado
e podem gerar até uma falência, é outra espada
pendente sobre a cabeça de quem se aventura em tocar empresa
no Brasil.
|
Agência Diap, 28 de maio
de 2009
Construção civil:
prossegue 5ª feira greve iniciada em Cubatão
Nesta quinta-feira (28), haverá protesto
e mesa-redonda no MTE pela manhã e nova assembléia à noite.
Greve foi aprovada, na última sexta-feira (22), e reafirmada em
assembléia na noite desta terça-feira (26)
Foi deflagrada hoje (27) com
100% de adesão e prossegue, nesta quinta-feira (28), a greve de
aproximadamente 10 mil trabalhadores das empreiteiras da montagem e manutenção
industrial de Cubatão.
Às 6h30 desta quinta-feira
(28), o Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil,
Montagem e Manutenção Industrial (Sintracomos) promove
assembléia nas imediações da Usiminas, antiga cosipa.
A manifestação,
porém, está proibida por liminares de três juízes
da Justiça do Trabalho de Cubatão, obtidas por seis empreiteiras.
O presidente do sindicato, Geraldino
Cruz Nascimento, orientou o departamento jurídico a recorrer,
mas teme ser recebido, junto com os trabalhadores, por tropa da Polícia
Militar.
"De qualquer forma",
adianta o sindicalista, "estaremos lá, em assembléia,
até porque pode surgir alguma contraproposta das empresas, de última
hora, que terá de necessariamente ser votada pelo pessoal".
Logo depois, às 9h30,
a diretoria do sindicato e sua assessoria jurídica estarão
em mesa-redonda convocada pela subgerente do Ministério do Trabalho
e Emprego, Rosângela Mendes Ribeiro da Silva.
Ás 18h30, os trabalhadores
participarão de nova assembléia, na subsede do sindicato,
para avaliar possível contraproposta surgida na mesa-redonda ou
continuar a greve.
O sindicato já tem toda
a documentação preparada para requerer dissídio
coletivo ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT/SP), o que pretende fazer
após a mesa-redonda no MTE, caso não haja acordo.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
28 de maio de 2009 | Economia
BB e Caixa terão R$ 100 milhões
para financiamento de motos
Agência Estado
O Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) autorizou
hoje a criação de uma linha de crédito especial, de R$
100 milhões, para financiar a compra de motocicletas de até 150
cilindradas. A informação foi dada pelo ministro do Trabalho
e Emprego, Carlos Lupi. A linha será destinada apenas a pessoas físicas. "O
tomador do crédito pode ser um trabalhador autônomo, terceirizado
ou formalizado que usa a moto como seu instrumento de trabalho", disse
o ministro.
Lupi afirmou que, por outro lado,
a linha de crédito também proporcionará incremento
de vendas de motocicletas, ajudando na fabricação de novos
veículos, principalmente, pelas indústrias localizadas
na Zona Franca de Manaus. Segundo ele, vários pedidos de incentivos
para dinamizar as vendas nesse setor chegaram até o governo federal.
A nova linha será operada
exclusivamente pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal.
Os juros máximos que poderão ser cobrados nos empréstimos
foram fixados pelo Codefat de acordo com o prazo de financiamento. Para
empréstimos de até 24 meses, a taxa de juros será limitada
em 1% ao mês. No caso de prazo de até 36 meses, o limite
dos juros é de 1,46% ao mês e, no caso de empréstimos
de até 48 meses, a taxa de juros não poderá ultrapassar
1,90% ao mês.
"Esses são
os limites máximos de juros, mas eu pretendo negociar com os
bancos públicos uma redução nessas taxas",
afirmou Lupi. A linha estará disponível após a
publicação no Diário Oficial da União da
resolução do Codefat e também após a regulamentação
interna da linha que será feita por cada um dos bancos.
|
Folha de S.Paulo, 28 de maio
de 2009
Senadores recebem auxílio irregularmente
Mesmo ocupando apartamentos funcionais, 3
congressistas recebem R$ 3.800 de auxílio-moradia por mês
ADRIANO CEOLIN
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Três senadores receberam auxílio-moradia de R$ 3.800 mesmo
morando em apartamentos funcionais do Senado.
O presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), que mora em seu próprio
imóvel, também recebeu o auxílio, mesmo tendo à disposição
a residência oficial e fazendo uso dela.
A Folha teve acesso a uma lista sigilosa de senadores que ganham o auxílio-moradia.
João Pedro (PT-AM), Cícero Lucena (PSDB-PB) e Gilberto Gollner
(DEM-MT) receberam o benefício apesar de morarem em apartamentos funcionais
cedidos pelo Senado, o que não é permitido pela legislação.
Depois de procurados pela reportagem, todos pediram o cancelamento do auxílio.
Anteontem, a Folha revelou que o Senado paga ilegalmente auxílio-moradia
para 42 senadores. O ato que regulamentava o benefício foi revogado
em dezembro de 2002.
Ainda que o instrumento legal valesse, os quatro senadores estariam em situação
irregular, pois somente os congressistas sem imóvel funcional podem
receber o benefício.
O ato revogado, e que deve ser reeditado, definia que o auxílio só seria
pago aos "senadores que não dispuserem de apartamento funcional".
Já a lei 8.112 diz que o benefício será pago se "não
existir imóvel funcional disponível".
Na terça-feira, Sarney respondeu que "nunca" recebeu auxílio-moradia,
benefício pago mensalmente juntamente com o salário do senador.
Mesmo depois de ter sido informado pela Folha de que seu nome constava na lista
dos beneficiários, o senador insistiu nessa versão. Seus assessores
afirmaram que a lista era falsa.
Somente ontem a assessoria de Sarney confirmou que ele recebe o benefício
desde maio de 2007, e admitiu que, mesmo após ele assumir a presidência,
o pagamento foi mantido. A assessoria disse que Sarney não tinha conhecimento
disso e pediu a suspensão do benefício.
Lucena também disse que não tinha conhecimento de que tinha o
auxílio. Ele recebeu o benefício ilegalmente durante um ano e
oito meses -um total de R$ 79.800.
O senador encaminhou ofício à direção da Casa no
qual considera o fato "extremamente grave". Também pediu a
suspensão do pagamento e disse que irá devolver o valor.
O mesmo informou o senador João Pedro. Desde junho do ano passado, ele
ocupa um apartamento funcional. Ainda assim, recebeu R$ 45.600 de auxílio
neste período.
Gollner também se disse surpreso. Por meio de assessoria, ele informou
que "os procedimentos para correção estão sendo adotados
pelo seu gabinete" e que irá devolver o valor se esse for o entendimento
da Casa. Ele ocupa apartamento funcional desde julho de 2008 e recebeu R$ 41.800
de auxílio.
A direção do Senado disse que os pagamentos deveriam ter sido
cancelados quando os senadores receberam imóvel funcional, mas não
foram.
|
MTE, 28 de maio de 2009
Transmissão 'internética'
acelera concessão de seguro-desemprego
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi anunciou, nesta quarta-feira
(27), a informatização do aviso de dispensa sem justa causa e
a criação do Seguro-Desemprego Web Empregador (SDWEB Empregador),
uma página na internet desenvolvida para agilizar a transmissão
de informações de dados do trabalhador dispensado com direito
a receber o benefício.
O SDWEB ajudará a acelerar
o processo de requisição do seguro-desemprego, já que
a empresa poderá passar as informações necessárias
para a liberação do benefício ao Ministério
do Trabalho e Emprego no mesmo dia em que a dispensa for efetivada.
O ministro anunciou que o objetivo
do projeto é diminuir o tempo entre o requerimento e o recebimento
do seguro-desemprego. "Esse período, hoje, varia entre 30
e 45 dias, mas com o novo sistema esse tempo passará a ser de
10 dias, em média".
Por meio de um sistema de certificação
digital, que assegura a veracidade das informações prestadas,
o empregador poderá enviar o Requerimento de Seguro-Desemprego
(RSD) pela Internet.
A medida promoverá economia
de tempo e redução de gastos para a empresa, que não
precisará mais adquirir os blocos de formulários RSD nas
papelarias.
O projeto piloto, realizado em
Brasília, vai durar de 60 a 90 dias; em seguida o modelo será estendido
para todo o Brasil.
"Identificaremos as
adequações necessárias para apresentarmos em definitivo
um sistema eficiente. Estamos convidando as empresas a se cadastrarem.
Elas terão certificado digital para garantir a segurança
das informações", explicou Lupi. (Fonte: MTE)
|
Folha de S.Paulo, 28 de maio
de 2009
Incra vai vistoriar cumprimento
de leis ambientais e trabalhistas
Fazendas que não seguirem legislações
serão passíveis de desapropriação
EDUARDO SCOLESE
LETÍCIA SANDER
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo federal anunciou ontem
que técnicos do Incra (Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária) responsáveis pela vistoria de terras
passíveis de desapropriação para a reforma agrária
vão avaliar, além da produtividade da área, se o
fazendeiro cumpre a legislação ambiental e trabalhista
do país.
A medida foi anunciada por um grupo de ministros -entre eles Dilma Rousseff
(Casa Civil)- aos representantes da Contag (Confederação Nacional
dos Trabalhadores na Agricultura), que reuniu nesta semana cerca de 4.000 integrantes
em Brasília para cobrar medidas para a reforma agrária e para
a agricultura familiar.
Essa "norma de execução" do Incra, publicada ontem
do "Diário Oficial", ainda precisa de ajustes no próprio
governo. Por exemplo: uma portaria interministerial (Desenvolvimento Agrário
e Meio Ambiente) vai listar quais serão os crimes ambientais a serem
considerados pelos técnicos.
A questão trabalhista também é passível de regulamentação
interministerial.
" [Essa medida] amplia a possibilidade de desapropriação e
amplia o leque do trabalho do Incra", disse o ministro Guilherme Cassel
(Desenvolvimento Agrário). "A partir de agora os funcionários
do Incra estão autorizados a fazer esta fiscalização",
completou.
Os ruralistas protestaram contra a medida. "É mais um abuso, dando
superpoderes ao Incra", disse Luiz Antonio Nabhan Garcia, da UDR (União
Democrática Ruralista). "Isso está completamente fora de
foco. Vamos reagir", afirmou Cesário Ramalho, da SRB (Sociedade
Rural Brasileira).
O cumprimento da chamada "função social" da terra consta
da Constituição de 1988, mas hoje apenas a produção
da área é levada em conta nas vistorias.
O governo federal também anunciou R$ 15 bilhões em créditos
para a safra 2009/2010 da agricultura familiar.
Dilma à frente
Na tentativa de aproximar Dilma dos movimentos sociais, o governo a incumbiu
ontem de anunciar, em nome de Lula, as benesses à Contag. No final de
abril, quando vieram trazer ao governo suas demandas, os trabalhadores foram
recebidos por Lula, seguindo a tradição.
|
Folha de S.Paulo, 28 de maio
de 2009
STF limita pagamento de dívida
trabalhista
Para ministros, teto de pagamento preferencial é de
até 150 salários mínimos, ou cerca de R$ 70
mil
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O STF (Supremo Tribunal Federal)
negou ontem, por maioria de votos, um pedido do PDT que questionava a
constitucionalidade de duas normas da nova Lei de Falências, editada
pelo governo federal e aprovada pelo Congresso em 2005.
O Supremo legitimou, por exemplo, o entendimento previsto no texto da lei de
que uma empresa que adquire parte ou a totalidade de outra empresa falida não
deve herdar suas dívidas trabalhistas. Esse é o caso da Gol Linhas
Aéreas, que, ao comprar a Varig, teve que responder por ações
propostas por ex-funcionários da companhia aérea falida. A decisão,
portanto, pode ser considerada uma vitória para a Gol.
A outra norma também validada pelo STF limita o pagamento preferencial
das dívidas com os trabalhadores em até 150 salários mínimos,
ou cerca de R$ 70 mil. Os ministros entenderam que o limite é "razoável" e
beneficia os trabalhadores mais necessitados. Esse pagamento preferencial significa
que aqueles que deveriam receber mais do que 150 mínimos terão
a garantia do pagamento relativo ao valor limite. O restante da dívida
continua reconhecido, mas não tem previsão nem necessidade de
ser paga.
" O texto [da lei], tenho que admitir, é plenamente adequado à Constituição
Federal", afirmou o ministro Eros Grau.
O PDT alegava que as duas normas questionadas ferem princípios constitucionais
como o reconhecimento do valor social do trabalho, a proteção
da relação de emprego e a integridade do salário. Os ministros
não acataram os argumentos.
Ao final da sessão, o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, elogiou
a legislação aprovada no Congresso. "Nós estamos
acostumados a fazer críticas ao Congresso, mas esse é um trabalho
digno de nota."
O ministro Menezes Direito não participou do julgamento, pois está em
licença médica.
|
Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
28/05/2009
Camareira em navio estrangeiro é protegida
por lei brasileira
A Costa Cruzeiros Agência
Marítima e Turismo Ltda. terá de pagar pelos serviços
de uma camareira brasileira de acordo com a legislação
trabalhista do Brasil. A Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho
rejeitou (não conheceu) recurso de revista da empresa contra a
condenação imposta pelo Tribunal Regional do Trabalho da
2ª Região (SP).
A camareira era uma estudante
universitária brasileira que se candidatou a uma vaga de emprego
no navio Costa Tropicale, do grupo Costa Cruzeiros, com a intenção
de ganhar algum dinheiro enquanto praticava outras línguas estrangeiras.
Ela foi admitida em 30 de novembro de 2003, para limpar e arrumar as
cabines do navio, com salário de aproximadamente 1.685 euros (fixo
mais gorjetas), algo em torno de R$ 4.770,00.
Mas as condições
de trabalho não agradaram à estudante. Ela recorreu à Justiça
alegando que tinha jornada de trabalho abusiva e desumana: das 7 às
24 horas, todos os dias da semana, com dois intervalos para descanso
e refeição. Também disse que sofreu constrangimentos
e humilhações pela chefia e foi demitida em 30 de janeiro
de 2004, sem registro na carteira de trabalho e pagamentos de FGTS, horas
extras, adicional noturno e descanso semanal remunerado.
A empresa se defendeu com o argumento
de que a contratação ocorreu em território brasileiro,
mas a prestação do serviço no País foi apenas
parcial. Ainda sustentou que os membros da tripulação de
navio estão sujeitos às normas do país ao qual o
navio pertence - no caso, a Itália. Além do mais, a camareira
teria sido admitida com base em contrato coletivo firmado entre sindicatos
italianos.
A juíza da Vara do Trabalho de Santos decidiu condenar a Costa Cruzeiros
a pagar as diferenças salariais pedidas pela empregada depois de considerar
o depoimento de testemunhas e a legislação internacional e nacional
sobre a prestação de serviços em navios. O mesmo entendimento
teve o Tribunal paulista.
No recurso de revista ao TST,
a empresa reforçou a tese de que a trabalhadora foi contratada
pela CSCS International, com sede nas Antilhas Holandesas, para prestar
serviço em navio de bandeira italiana. Por essas razões
não se aplicaria a ela a lei brasileira, mas sim a italiana. Afirmou
ainda que as embarcações são um prolongamento da
bandeira que ostentam, e que os serviços foram prestados apenas
em parte no Brasil. No mais, defendeu que o Direito Internacional consagrou
a chamada lei do pavilhão ou da bandeira, que consiste na aplicação
da legislação do país no qual está matriculada
a embarcação.
Na avaliação da
relatora, ministra Maria Cristina Peduzzi, essa regra não é absoluta.
Segundo a ministra, o Código Bustamante, que regula a questão
referente ao conflito de leis trabalhistas no espaço, estabelece
que “também é territorial a legislação
sobre acidentes do trabalho e proteção social do trabalhador” (artigo
198). Assim, enquanto o trabalho foi prestado em águas nacionais,
a legislação aplicável é a brasileira.
Em relação aos serviços executados em águas internacionais,
para a ministra, vale o princípio do centro de gravidade, chamado no
direito norte-americano de “most significant relationship”. Ou
seja, as regras do Direito Internacional privado podem deixar de ser aplicadas
quando a causa tiver uma ligação muito mais forte com outro direito – no
caso em discussão, o brasileiro. A relatora também concluiu que
o Acordo de Imigração Brasil-Itália de 1974, indicado
pela Costa Cruzeiros para justificar a análise do recurso de revista
pelo TST, não seria compatível com a hipótese, porque
trata de normas de previdência social.
Nessas condições,
todos os ministros da Oitava Turma acompanharam o entendimento da relatora
e decidiram não conhecer do recurso de revista, ficando mantida
a condenação imposta pelo TRT ao Costa Cruzeiros. ( RR – 127/2006-446-02-00.1)
|
28/05/2009
TST nega empreitada e confirma responsabilidade
subsidiária da Petrobras
Por maioria de votos dos ministros
da Seção Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-1), a Petrobras foi responsabilizada pelas verbas trabalhistas não
pagas a um empregado da Northcoat Serviços Industriais e Equipamentos
que prestava serviços de pintura e limpeza industrial nas plataformas
da Bacia de Campos. Os ministros entenderam que o contrato que regia
o negócio entre as duas empresas era de terceirização,
e não de empreitada, como queria a Petrobras.
A empresa havia sido absolvida
da responsabilidade subsidiária pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 1ª Região (RJ), sob o entendimento de que o contrato era
de empreitada, mas a Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho
analisou o apelo do empregado e concluiu que se tratava de terceirização.
Modificou a decisão e manteve a condenação subsidiária
da empresa.
A Petrobras interpôs embargos à SDI-1
e alegou que deveria ter sido aplicada ao caso a Orientação
Jurisprudencial 191 do TST que dispõe sobre os contratos de empreitada
e isenta o empreiteiro da responsabilidade subsidiária. Mas a
SDI-1 confirmou o entendimento de terceirização da Sétima
Turma. Destacou o relator, ministro Horácio Senna Pires, que,
de acordo com o próprio Regional, a Northcoat foi contratada para
realizar “serviços de pintura industrial em equipamentos,
estruturas e tubulações com respectivo apoio de limpeza
industrial e montagem de andaimes”, os quais são “serviços
contínuos de mantença das plataformas de exploração
petrolífera”.
Dessa forma, cabia à Petrobras
escolher uma prestadora de serviços idônea e em condições
de executar integralmente o objeto do contrato, como observa a Lei nº 8.666/1993
(Lei das Licitações), explicou o relator. A empresa não
observou esse preceito legal e agora deverá responder subsidiariamente
pelas verbas trabalhistas do empregado, que não foram pagas pelo
empregador. “Entendimento diverso somente seria possível
mediante o revolvimento de fatos e provas, o que é vedado na presente
fase recursal pela Súmula 126/TST”, concluiu o ministro
Horácio.
Ficaram vencidos, no julgamento,
os ministros Vantuil Abdala e Maria Cristina Peduzzi e o juiz convocado
Douglas Alencar Rodrigues. Para eles, trata-se de contrato de empreitada.
Na opinião do ministro Vantuil, “aqui não se está contratando
serviço de mão-de-obra, mas de obra certa e determinada”.
( E-ED-RR-3627-2000-481-01-00.2)
|