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Teletime, 31 de maio de
2009
Decisão sobre terceirização
nas elétricas é comemorada pela Fittel
A Fittel (Federação Interestadual dos Trabalhadores em
Telecomunicações) está comemorando, e muito, a decisão
do Tribunal Superior do Trabalho sobre a terceirização
de algumas atividades das concessionárias de serviço público.
É verdade que, no caso específico do setor
de telecom, a decisão do TST foi ruim para os trabalhadores,
pois o tribunal não conheceu os recursos do Ministério
Público do Trabalho contra decisão que reconheceu
a regularidade da Oi no Rio Grande do Norte. Foi uma decisão
técnica, e a rigor o tribunal não se manifestou
sobre o mérito da questão.
O motivo da comemoração é o julgamento,
este sim no mérito, de outra ação referente
a terceirizações realizada também na
quinta.Trata-se da posição do TST sobre a terceirização
no setor elétrico.Nesse caso, o Tribunal máximo
para causas trabalhistas julgou irregular terceirização
nas Centrais Elétricas de Goiás.
"Esta decisão foi muito importante para nós
porque é um serviço público e essencial
como telecomunicações, uma concessão
pública como telecomunicações e, por
isso, vamos pedir agora ao Tribunal Superior do Trabalho
uma interpretação isonômica para as empresas
de telecomunicações", disse João
de Moura Neto, presidente da Fittel.
Outro fato comemorado pelos sindicalistas de telecomunicações é que
a decisão sobre o setor elétrico perpassou,
em vários momentos, pela análise da legislação
de telecomunicações. A decisão do TST
sobre o setor elétrico proibiu a terceirização
de serviços de construção de rede, manutenção
de emergência, manutenção continuada
e operação.
São justamente os pontos que os sindicalistas de
telecomunicações mais se queixam em relação às
terceirizações das teles. Segundo Moura Neto,
a Fittel vai buscar imediatamente a Justiça do Trabalho
para conseguir uma interpretação sobre as terceirizações
nas concessionárias de telecomunicações
isonômica à que foi dada no setor de energia.
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CUT, 31 de maio de 2009
CUT e FUP convocam ato “Em
Defesa da Petrobrás” em Brasília, dia
3
Integrada à campanha "Por uma nova lei do petróleo,
pela retomada do monopólio estatal e em defesa da Petrobrás
pública e com compromisso social", a Central Única
dos Trabalhadores (CUT), a Federação Única dos Petroleiros
(FUP) e a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) convocam
para a próxima quarta-feira (3), uma "Ocupação
pacífica do Congresso Nacional", data da instalação
oficial da CPI da Petrobrás no Senado.
Para o secretário geral da CUT, Quintino Severo,
mais do que nunca, "neste momento é fundamental
a unidade do movimento sindical e social em defesa da Petrobrás
e do patrimônio público nacional", daí a
importância da atuação conjunta para "ampliar
a defesa do nosso petróleo e do gás contra
os que querem destruir a imagem da Petrobrás, paralisar
os investimentos e, com isto, diminuir o ritmo do desenvolvimento
do país".
Nos últimos dias, foram feitas mobilizações
unitárias vitoriosas que envolveram as Centrais
Sindicais e o conjunto das entidades populares nos estados
do Rio de Janeiro (21) e do Rio Grande do Norte (26).
As próximas manifestações ocorrerão
em Curitiba (2), Brasília (3) e Manaus (11).
"Como a Petrobrás responde por mais de 10%
do PIB nacional e por quase 60% dos investimentos do PAC
(Programa de Aceleração do Crescimento),
a ação orquestrada pelo PSDB e pelo DEM representa
clara sabotagem ao país, uma tentativa desesperada
de paralisar os avanços sociais", declarou
o secretário de Política Sindical da CUT
Nacional, Vagner Freitas, reforçando o significado
do dia 3 de junho.
O coordenador da FUP, João Antonio de Moraes, também
condenou a irresponsabilidade demo-tucana, mas lembrou
que ela faz parte da trajetória neoliberal "dos
mesmos que durante oito anos tentaram sucatear e privatizar
a Petrobrás, propondo, inclusive, mudar o nome da
empresa para Petrobrax".
Moraes lembrou que o objetivo da oposição
de direita é "retardar o máximo possível
a exploração do pré-Sal".
"Por trás da CPI, está também
a intenção de dificultar ou impedir mudanças
na legislação do setor petróleo, beneficiando
o cartel multinacional com as atuais regras que permitem
a continuidade dos leilões das nossas reservas de
petróleo e gás, o que é um crime de
lesa-Pátria", enfatizou Antonio Carlos Spis,
membro da executiva nacional da CUT e líder histórico
dos petroleiros.
Entre as propostas da campanha está a mudança
na Lei do Petróleo, restabelecendo o monopólio
estatal e o fim dos leilões; o fim da exportação
do petróleo cru e investimento na indústria;
fazer a mensuração da riqueza do pré-Sal
com a conclusão do processo exploratório,
com um inventário de onde está qual a quantidade
e quem ganhou nos leilões e a implantação
de um Fundo Social Soberano de Investimento, voltado para
as necessidades do povo brasileiro, como educação,
saúde, trabalho, moradia e reforma agrária.
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Agência Brasil, 31
de maio de 2009
Trabalhadores informais poderão
virar empreendedores individuais
Manicures, costureiras, carpinteiros, pipoqueiros, vendedores ambulantes
e todo tipo de trabalhador autônomo vão poder passar a ser
microempreendedores reconhecidos formalmente, com base na Lei Complementar
128/08.
Um programa lançado, nesta sexta-feira (29), pelo
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas (Sebrae), durante a abertura do seminário
de avaliação da Agenda 2009, vai estimular
os trabalhadores informais a se tornarem empreendedores
individuais.
Nessa categoria, os trabalhadores poderão pagar
menos impostos do que como pessoas físicas, ter
acesso a crédito nos bancos públicos e a
benefícios da Previdência Social, como aposentadoria.
A possibilidade de se tornar Empreendedor Individual foi
criada por uma lei de 2008 que aprimorou a legislação
de pequenas empresas.
"Nosso objetivo não é arrecadar, e
sim incluir essas pessoas na formalidade para que nós
possamos ter mais informações sobre elas",
explicou o ministro da Previdência, José Pimentel.
O programa conta com a parceria da Receita Federal, do
Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio e da Federação Nacional
das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacom).
O primeiro passo para ser um empreendedor individual é se
cadastrar, a partir de 1º de julho, pela internet
no endereço www.portaldoempreendedor.gov.br e, em
seguida, procurar uma empresa de contabilidade que estará no
site para atender gratuitamente esses trabalhadores.
Esse trabalho é uma contrapartida das mais de 20
mil empresas de contabilidade que aderiram ao Simples Nacional
e são obrigadas a prestar orientação
e providenciar todo o processo de formalização
do empreendedor, incluindo criação do Cadastro
Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e inscrição
na Junta Comercial.
"Depois de formalizado, esse empreendedor pode procurar
o Banco do Brasil e abrir uma conta como empreendedor individual.
A partir daí ele terá no mínimo R$
1 mil de crédito que poderá ser dividido
entre o cheque especial e o cartão de crédito.
A fatura do cartão poderá ser dividida em
até 18 vezes com juro mínimo de 2,2% ao mês",
explicou o gerente executivo do Banco do Brasil, Antônio
Sérgio Rocha.
Os empreendedores na área de comércio e
indústria, como vendedores ambulantes e artesãos,
pagarão um valor fixo mensal de 11% do salário
mínimo - hoje R$ 51,15 - como contribuição à Previdência
Social, mais R$ 1 de Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Os prestadores de serviços pagarão também
R$ 51,15 de Previdência, mais R$ 5 de Imposto Sobre
Serviço (ISS). Os que atuam em atividades mistas
(tanto vende produtos quanto presta serviços) pagarão
os três valores de Previdência, ICMS e ISS.
Nenhum empreendedor de qualquer categoria pagará impostos
federais.
"Essas pessoas vão poder vender [seus produtos]
para outras empresas e para as prefeituras, terão
acesso à assistência técnica do Sebrae,
ao sistema bancário público, serão
empreendedores muito mais preparados", avaliou o presidente
do Sebrae, Paulo Okamoto.
O Sebrae vai fazer mutirões para formar empreendedores
individuais. Quem quiser aderir ao programa precisa ter
renda de até R$ 36 mil por ano - em torno de R$
3 mil por mês. Contudo, não pode se formalizar
como Empreendedor Individual quem presta serviços
em profissões regulamentadas por lei.
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Agência Brasil, 31
de maio de 2009
Contribuinte poderá receber
informações sobre restituição
por celular
Em junho, a Receita Federal deve começar a
enviar para os telefones celulares dos contribuintes, via
SMS, comunicados sobre o depósito da restituição,
a partir do exercício 2008. A informação é do
Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco).
O projeto é de responsabilidade da área de
tecnologia da Receita.
Caso o projeto seja aprovado, o contribuinte precisará cadastrar
o CPF e o número do celular na página da
Receita na internet para receber as informações.
Também está em estudos a possibilidade de
adotar o mesmo modelo para transmitir outros tipos de informação
ao contribuinte.No ato do cadastramento, o contribuinte
também deverá pedir para ser informado sobre
a restituição.
As informações disponibilizadas seriam apenas
referentes às declarações de 2008
em diante, quando estiverem disponíveis nos bancos.
Por segurança, no mesmo dia, no celular do contribuinte
seria enviada uma mensagem de texto (SMS) com um código
de ativação, da mesma forma que é feita
pelos bancos. De posse do código, o contribuinte
vai ao site e efetiva o processo de consulta para que o
celular dele seja habilitado para o serviço.
A Receita teria o cuidado de não fornecer nenhuma
outra informação além das que já são
disponibilizadas em sua página na internet, pois
se trata apenas de mais um meio de comunicação,
dessa vez com o conceito de portabilidade. Apenas, um número
de celular poderia ser cadastrado.
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Folha de S.Paulo, 31 de
maio de 2009
Vantagem de Serra sobre Dilma
cai oito pontos, diz Datafolha
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), encurtou consideravelmente
a distância nas pesquisas entre a sua pré-candidatura a
presidente e a do governador de São Paulo, José Serra (PSDB).
A diferença do tucano, ainda líder, para a petista — que
estava em 30 pontos percentuais em março — e agora caiu
para 22 pontos, conforme o mais recente levantamento do Datafolha.
No principal cenário do novo levantamento sobre
a sucessão presidencial de 2010, Dilma tem 16%
das intenções de voto, contra 38% de Serra.
Em relação à pesquisa anterior,
a ministra subiu cinco pontos percentuais, enquanto o
tucano paulista perdeu três. O crescimento levou
Dilma à segunda colocação, empatada
tecnicamente com o deputado federal Ciro Gomes (PSB),
que oscilou de 16% para 15%.
É o melhor resultado de Dilma na série
histórica do levantamento. Em março do
ano passado, no cenário com a presença
de Serra, ela tinha apenas 3% contra os mesmos 38% do
pré-candidato do PSDB. Sem o governador paulista
na disputa, a petista alcança 19%, apenas cinco
pontos atrás de Ciro, líder desse cenário
com 24%.
"Mais uma vez, a pré-candidatura de Dilma é a única
que ganha pontos. Ela está em ascensão",
afirma Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha. Segundo
Paulino, as intenções de voto da ministra
crescem na medida em que o eleitor vai se familiarizando
com seu nome. Em março, 53% afirmavam conhecer
Dilma. O índice agora está em 65%, quatro
pontos a mais que o apresentado por Aécio nesse
quesito.
Nas respostas espontâneas — quando não
são apresentados nomes de candidato ao eleitor —,
Serra tem 5%, Dilma, 4%, Ciro, 1%, e Aécio Neves
(PSDB), governador de Minas Gerais, 2%. A margem de erro
da pesquisa é de dois pontos percentuais para
mais ou para menos.
Disputa tucana
Apesar de ter perdido três pontos, Serra ainda é o
nome eleitoralmente mais forte da oposição
ao presidente Lula. O PSDB estuda escolher seu candidato
a por uma prévia. Aécio fica apenas na
quarta colocação quando é apresentado
como o único pré-candidato do PSDB. Nesse
cenário, o mineiro alcança 14% e está empatado
tecnicamente com Heloísa Helena (PSOL), com 15%.
Aécio perdeu três pontos em relação
ao levantamento anterior no cenário sem seu colega
de partido José Serra. Heloísa oscilou
dois pontos para baixo (de 17% para 15%), enquanto Dilma
subiu de 12% para 19%. Num cenário com a presença
simultânea dos governadores paulista e mineiro,
Serra teria 35%, Ciro, 14%, Dilma, 14%, Heloísa,
10%, e Aécio, 9%.
O melhor desempenho de Serra ocorre quando o ministro
do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, surge como
pré-candidato do PT. O tucano paulista chega a
42%, enquanto o petista fica com 2%.
O Datafolha também apresentou ao eleitor os nomes
do ministro da Educação, Fernando Haddad,
e do deputado federal Antonio Palocci como pré-candidatos
do PT. O primeiro atingiu os mesmos 2% de Patrus, enquanto
o ex-ministro da Fazenda teve 3%. Nos dois cenários
José Serra tem 41%.
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Vermelho, 31 de maio de
2009
Economia dos EUA recuou 5,7%
no 1º trimestre
A economia norte-americana recuou mais 5,7% (taxa anualizada)
durante o primeiro trimestre de 2009. Foi o terceiro trimestre consecutivo
com taxa negativa, segundo relatório do?Departamento de Comércio
divulgado nesta sexta-feira (29).
Os otimistas profissionais do mercado comemoraram o
fato da recessão ter sido menos severa que os
6,1% estimados pelo governo no mês passado. No
entanto, o número superou a expectativa do mercado,
que era de 5,5%.
Comparada com o desastroso quarto trimestre de 2008,
que marcou o início da fase aguda da crise econômica,
houve uma redução de 0,6 ponto na velocidade
da queda (veja o gráfico). O sentido porém
continua a ser de retração da economia
americana.
O Departamento de Comércio divulgou em seu relatório
preliminar que os lucros corporativos depois de impostos
subiram 1,1% no primeiro trimestre. Foi o primeiro avanço
em um ano, após queda de 10,7% no quatro trimestre.
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Gazeta do Povo, 31 de maio
de 2009
Identificação
País muda documentos
e unifica dados do cidadão
Governo estuda alterações
no RG, nas certidões de nascimento e de casamento
e no atestado de óbito. O objetivo é ampliar
a segurança
O governo federal pretende mudar, em breve, alguns dos
principais documentos dos cidadãos: RG e certidões
de nascimento, casamento e óbito. No primeiro caso,
a mudança está prevista desde 1997, quando
a Lei 9.454 foi assinada pelo então presidente Fernando
Henrique Cardoso, determinando a instituição
de um número único de Registro de Identidade
Civil, o RIC, pelo qual todo cidadão brasileiro
seria identificado por organismos governamentais e privados.
Para isso seria preciso criar o Cadastro Nacional de Registro
de Identificação Civil, interligado nacionalmente
e com acesso para órgãos estaduais e municipais.
O cidadão passaria a carregar consigo um cartão
com chip (semelhante aos de banco) com dados pessoais,
como nome, data de nascimento e impressões digitais,
dificultando fraudes. O cartão poderia conter ainda
os números da Carteira de Habilitação,
CPF e Título de Eleitor.
O chefe de gabinete do Instituto Nacional de Identificação,
Paulo Ayran, explica que está em elaboração
um decreto regulamentador para a Lei 9.454, mas não
há ainda previsão de quando ficará pronto. “O
plano inicial era que o RIC entrasse em vigor e que só depois
outros ‘atores’ fossem agregados. Mas o governo
entendeu diferente e agora discute com os ministérios
das Forças Armadas, Saúde, Trabalho, Denatran,
a possibilidade de agregar informações desses órgãos
já desde o início.”
Quanto à parte operacional tudo estaria no caminho
certo. “Hoje um banco de dados de identificação
já existe em cada estado e é consultado a
cada novo passaporte. É preciso agora uma modernização
e interligação nacional desse banco para
que o RIC funcione”, explica Ayran.
Certidões
O Decreto Federal 6.828, assinado pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva em abril deste ano, determina
um processo parecido com o da identidade para as certidões
de nascimento, casamento e óbito – com a padronização
desses documentos em todo o território nacional
e a geração de uma matrícula única
em que fossem concentrados os dados cartoriais do cidadão.
Para isso seria preciso que todos os cartórios do
país estivessem ligados em um sistema informatizado
nacional. Tudo até 1º de janeiro de 2010, data
prevista pelo decreto para que o novo sistema e modelos
de certidões entrem em vigor.
A padronização das certidões e a
criação de um banco de dados de todos os
cartórios do Brasil teriam dois motivos principais:
mais segurança contra a falsificação
e também o controle dos chamados sub-registros de
nascimentos no país – atualmente 12,2% das
crianças nascidas em território nacional
não são registradas. A mudança também
permitiria que o cidadão, de qualquer cartório
do Brasil, pudesse emitir a segunda via de um documento.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já apresentou
modelos para essas novas certidões, que foram contestados
em alguns pontos pela Associação dos Notários
e Registradores do Brasil (Anoreg) e a Associação
dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen). Um dos pontos
seria o não preenchimento do espaço “pai” nos
casos de paternidade não reconhecida. “Esse
espaço em branco poderia gerar constrangimentos
para o cidadão. Atualmente, o que fazemos é colocar
apenas o nome da mãe”, exemplifica o diretor
de Registro Civil da Anoreg-PR, Ricardo Leão.
De acordo com Leão, há também obstáculos
práticos para que a proposta do governo seja posta
em prática. “Em cidades pequenas, os ofícios
fazem de tudo, de registro de imóveis a óbitos,
usando ainda um livro escrito à mão. A disparidade
de estrutura é muito grande e exige uma intervenção
do governo para uma estruturação igualitária,
para a implantação de uma matrícula única”,
avalia. Já o CNJ entende que as carências
estruturais de cartórios poderão ser supridas
pelas próprias entidades associativas da classe.
Segundo Leão, ao contrário de alguns estados
do Norte e Nordeste, o Paraná está no caminho
certo para adoção de uma matrícula única
nacional com os dados dos cidadãos. “Hoje,
em projeto piloto, temos 88% de nossos dados informatizados
e conectados e conseguimos eliminar o sub-registro do estado.
Precisamos ainda zerar os 12% restantes.”
Há temor de invasão
de privacidade
A unificação de dados em um chip, como previsto no cartão
do Registro Identidade Civil, pode parecer prática para o cidadão,
mas, segundo o secretário de Direito Constitucional da Ordem dos
Advogados do Brasil – Seção do Paraná, Egon
Bockmann Moreira, pode caracterizar uma invasão de privacidade, “um
Big Brother institucional”, e gerar constrangimentos para o cidadão,
dependendo de qual será o conteúdo desse chip e como se
dará o acesso às informações.
“O governo teria um grande número de informações
do cidadão. Na hipótese de eu ir até a
Receita Federal, por exemplo, uma dívida no INSS dificultaria
minha relação com a primeira instituição?
Mesmo que alguns dos meus dados pessoais tenham relação
com as instituições públicas eu tenho
o direito de mantê-los privados.”
Segundo o chefe de gabinete do Instituto Nacional de Identificação,
Paulo Ayran, o projeto prevê essa separação
das informações de cada instituição. “O
portador é único, mas o acesso às informações é separado
em fases dentro do chip.”
Outra questão que precisa estar clara quando for lançada
a nova identidade, segundo Moreira, é como se dará a
fiscalização do acesso a essas informações. “Alguém
provavelmente terá acesso a todas as informações
juntas. Quem?”
Sistema já funciona em Portugal
Portugal adotou o “cartão do cidadão” desde
o ano passado. O modelo é quase o mesmo do proposto pelo governo
brasileiro. O cartão português reúne quatro dados:
identificação civil, fiscal, seguridade social e um número
referente aos serviços de saúde. De acordo com as últimas
informações postadas, no dia 11 de maio, no site www.cartaodocidadao.pt,
mais de 1 milhão de cartões já foram entregues
aos cidadãos de Portugal, destes 55% já estão
ativos. Há ainda mais de 186 mil no aguardo de serem buscados
e mais de 75 mil em produção ou em trânsito para
o local de entrega. No país são 375 postos de atendimento
para fazer o pedido do cartão.
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Gazeta do Povo, 31 de maio
de 2009
Comunicações
Correios vão contratar
5 mil pessoas
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
(ECT) prevê a contratação de 5 mil novos
funcionários até o fim do ano. Segundo a assessoria
de imprensa dos Correios, haverá vagas para os cargos
de carteiro e atendente. O edital deve ser publicado em dois
meses.
As vagas devem ser para todos os estados. O salário
para carteiro será de R$ 648,15 mais 30% de adicional
e benefícios como vale-transporte e vale-compras
no valor de R$ 617,50. Os candidatos devem possuir o nível
médio.
A ECT lançou, recentemente, o Programa de Demissão
Voluntária (PDV), que contou com a adesão
de 5.587 empregados, em sua maioria do setor administrativo.
Com a demissão voluntária, o quadro de funcionários
deve passar de 115 mil para pouco mais de 109 mil. A redução
de pessoal permitiria que se contratasse mais 12 mil novos
funcionários. Entretanto, será necessária
uma autorização especial do Planejamento
para que ocorram as contratações.
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Folha de S.Paulo, 31 de
maio de 2009
Hipótese de 3º mandato
de Lula divide eleitorado
Pesquisa Datafolha revela que 47%
apoiam proposta contra 49% de reprovação
Em 2007, ideia era rejeitada por 65%
dos entrevistados; para Mauro Paulino, do Datafolha, mudança
reflete popularidade do presidente
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Objeto de debate no Congresso, a possibilidade de um terceiro
mandato para presidente da República divide o país,
revela o Datafolha. Segundo pesquisa realizada de terça
feira a quinta-feira passada, a emenda que permitiria ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concorrer,
mais uma vez, à Presidência tem hoje apoio
de 47%dos entrevistados contra 49% de desaprovação.
Em novembro de 2007, a proposta era rejeitada por 65% dos brasileiros
e tinha o aval de 31%, números compatíveis, à época,
com as respostas sobre um terceiro mandato para governadores e prefeitos.
Além do caso específico de Lula, o Datafolha perguntou
sobre a hipótese de presidentes concorrerem a um terceiro mandato
no Brasil: 49% disseram ser a favor e 48%, contra. Hoje, um ano e meio
depois, esse índice de apoio a um terceiro mandato para presidentes
-de 49%- é bem maior do que para governadores (38%) e prefeitos
(35%).
Para o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, os números
refletem a popularidade de Lula -também expressa nas intenções
de voto. Garantido o direito a disputar o terceiro mandato, o petista
seria reeleito em primeiro turno se a eleição fosse hoje.
Nessa disputa hipotética, Lula teria 47%dos votos contra 25%
do governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Sem Lula,
Serra lidera todos os cenários da corrida presidencial. A instituição
do terceiro mandato dependeria de aprovação na Câmara
e no Senado.
Como altera a Constituição, requer quórum qualificado:
três quintos dos votos. Na quinta-feira, o deputado Jackson Barreto
(PMDB-SE) protocolou proposta que institui o direito a mais uma reeleição
no país, desde que aprovada num referendo em setembro. Barreto
reuniu 183 assinaturas.
Mas, como democratas e tucanos retiraram apoio à emenda, o número
de signatários caiu para 170, uma menos do que o exigido para
tramitar. Ele pode reapresentar a proposta, caso conquiste um novo
adepto. Nesse caso, a base do governo teria três meses e dez
dias para sua aprovação. Resistência Lula tem resistido à proposta
não só porque fragilizaria a candidatura da ministra
da Casa Civil, Dilma Rousseff mas também porque desgastaria
sua própria imagem.
Para Paulino, o indício de desgaste está na pesquisa,
já que a taxa de aprovação ao governo Lula (69%) é 22
pontos maior que o apoio ao terceiro mandato. Ainda segundo o Datafolha,
37% dos que consideram o governo ótimo/bom se opõem à mudança.
Mais: 30% dos que se dizem eleitores de Lula são contrários à proposta.
" Dos que aprovam o governo, 37% são contra o terceiro mandato. Há resistência
ao terceiro mandato mesmo entre os eleitores de Lula, um indício de que
pode ser desgastante", disse. Entre petistas contrários à proposta,
vigora a avaliação de que,em um ano,Lula seria submetido duas vezes
ao voto: no plebiscito e na eleição.
Entre os apoiadores da emenda, o argumento é que o ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso conquistou seu segundo mandato em primeiro
turno (1998) mesmo com toda a polêmica em torno da aprovação
da reeleição. Segundo o Datafolha, a nova reeleição
de Lula tem a simpatia de 53% dos entrevistados com renda familiar
mensal inferior a dois salários mínimos.
A rejeição à proposta chega a 67% entre aqueles
com renda superior a dez mínimos. Enfrenta a resistência
de 68% dos com nível superior de escolaridade, tendo apoio de
53% dos que têm nível fundamental. No Nordeste, a emenda
tem 60% de apoio. No Sul, é rejeitada por 56%. No Sudeste, 54%
reprovam o terceiro mandato e 43%são favoráveis.Nas regiões
Norte e Centro-Oeste, a proposta enfrenta rejeição de
51% contra 43% de apoio.
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Folha de S.Paulo, 31 de
maio de 2009
Aprovação a Lula
volta a patamar recorde
Governo é avaliado como ótimo/bom
para 69%, índice compatível com fase anterior
ao impacto da crise financeira no país
Performance do presidente na área
econômica tem maior aprovação desde
2004, com 63% apontando como sendo ótima/boa
DA REPORTAGEM LOCAL
Mesmo sob o impacto da crise financeira, o índice
de aprovação do governo Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) voltou ao patamar recorde atingido em
novembro do ano passado, pouco mais de um mês após
o presidente ter afirmado que o "tsunami" da
economia internacional chegaria ao Brasil com a força
de uma "marolinha".
Segundo pesquisa Datafolha realizada entre os dias 26 e 28 de maio,69%dos
entrevistados classificam o governo como ótimo/bom. A administração é regular
para 24% e ruim/péssima para 6%. Em novembro de 2008, a taxa
de aprovação do governo Lula chegou a 70%, mas caiu para
65% em março deste ano, quando a crise já havia afetado
a economia brasileira e o próprio presidente reconhecido sua
gravidade para o país, apesar de atribuí-la a "gente
branca de olhos azuis".
Em comparação à pesquisa realizada entre os dias
16 e 19 de março, os índices de aprovação
ao governo Lula apresentam um crescimento de cinco pontos entre os
entrevistados com renda familiar mensal de até dez salários
mínimos. O presidente teve seu pior desempenho entre aqueles
com renda superior a dez mínimos. Nesse segmento, sofreu uma
queda de sete pontos percentuais, passando de 58% para 51% no mesmo
período.
Segundo a pesquisa,Lula voltou a nota média de 7,6 alcançada
em novembro do ano passado, a maior obtida por ele desde que assumiu
a Presidência, em janeiro de 2003. O diretor-geral do Datafolha,
Mauro Paulino, diz que "a queda anterior era o efeito direto da
crise". Mas que, "com a população mais confiante
quanto ao desempenho do governo frente à crise, o governo recuperou
o nível de aprovação".
Ainda segundo o Datafolha, 63% dos entrevistados apontam como ótima/boa
a performance do governo Lula na área econômica, a melhor
avaliação desde 2004. O desempenho do governo é regular,
nesse quesito, para 29%dos entrevistados, sendo ruim/péssimo
para 7%.
Economia
A pesquisa mostra ainda que, em comparação a março,
o brasileiro está mais otimista. Para 40% dos entrevistados,
a situação econômica do país vai melhorar
nos próximos meses. Na opinião de 15%, vai piorar. Para
41%, fica como está. Segundo o Datafolha, 43% acreditam que
a taxa de desemprego vai aumentar no país.Em março, porém,
esse índice chegou a 59% dos entrevistados.
Hoje, 24% acreditam que o desemprego vai cair e 29% afirmam que ficará como
está. De 2008 até março, 48% dos entrevistados
apostavam no aumento da inflação. Hoje esse risco existe
para 36%. Para 43% dos entrevistados, a inflação "vai
ficar como está", enquanto 14% acreditam numa redução.
A aposta na manutenção da inflação nos
mesmos patamares é maior entre os entrevistados com nível
de escolaridade superior (52%) e renda familiar mensal de mais de dez
salários mínimos (57%).
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Consultor Jurídico,
31 de maio de 2009
Cultura conciliatória
Empregados e patrões ainda resistem
a acordos
Por Lilian Matsuura e Gabriela Galvêz
O Supremo Tribunal Federal julgou, na semana passada, que a Justiça
do Trabalho não tem competência para interferir no processo
de recuperação de empresas em dificuldade, mesmo nos casos
em que estas dificuldades estejam atreladas a dividas trabalhistas. Dias
antes, o Tribunal Superior do Tabalho, contrariando decisão de
segunda instância, confirmou sob determinadas condições
a demissão de 4.200 trabalhadores da Embraer, uma das maiores
fabricantes de aviões do mundo.
Trata-se de decisões definitórias, num cenário
de aceleradas transformações no campo das relações
de trabalho. O entendimento do Supremo é de que o
mais importante no caso da recuperação judicial, é a
preservação da empresa, para se psosa também
preservar a fonte de empregos.
O desembargador Decio Sebastião Daidone, que desde
setembro passado preside o Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região, que abrange a região metropolitana
de São Paulo e a Baixada Santista, também entende
que não é recomendável que a Justiça
do Trabalho intervenha de alguma forma na administração
das empresas. Até mesmo razões de ordem prática,
desaconselham a intervenção do judiciário. "Não
temos estrutura para fazer isso", diz ele.
Como contrapartida, o TRT-2, o mesmo que suspendeu as demissões
na Embraer, oferece às empresas em dificuldade o Programa
Juízo Auxiliar de Conciliação em Execução,
no qual peritos da Justiça analisam a situação
das empresas que aderem ao plano e avaliam se elas têm
condições de pagar as dívidas e de superar
as dificuldades. A partir disso, buscam um acordo entre a
empresa e os empregados em litígio. O resultado para
as partes é sempre melhor do que uma greve ou do que
um corte de vagas. “O ideal é manter a empresa
em atividade, para que os credores recebam, mesmo que aos
poucos”, defende.
O apreço do TRT-2 pela conciliação
ficou claro pelos resultados obtidos na Semana de Conciliação,
em dezembro passado. No período, foram feitos 11.194
acordos, cujos valores atingiram a cifra de R$ 162 milhões,
o que deixou o TRT-2 entre os 56 tribunais de todo o país
e de todas os ramos da Justiça que participaram da
Semana. Apesar do sucesso da conciliação, o
desembargador conta que, muitas vezes, as partes continuam
resistentes ao acordo. “Tem reclamante que quer ver
o patrão condenado e tem patrão que promete
levar até o fim o processo porque não quer
pagar o ex-funcionário”, diz.
O TRT-2 tem dado lições também nos
campo da informatização e da sistematização
dos processos. Em 2002, o TRT implantou o sistema de numeração única
de processos, que indicava a data em que a ação
foi ajuizada, o tipo de ação, além de
que vara e instância tramita. Só no início
de 2009, o Conselho Nacional de Justiça aprovou resolução
que fixou a numeração única a nível
nacional, abrangendo todos os ramos da Justiça. Alertado
pela experiência exitosa já implantada na Justiça
Trabalhista de São Paulo, o CNJ prometeu estudar uma
forma de o novo sistema aproveitar o que já estava
sendo feito.
Formado pela Universidade do Vale do Paraíba na turma
de 1967, o presidente do TRT-2 queria, inicialmente, atuar
na área criminal. Ingressou na Justiça do Trabalho
em 1979. Atuou como juiz trabalhista no Paraná, Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul e em diversas cidades do interior
de São Paulo. Mas, mas não esconde sua preferência
pela capital paulista.
Leia a entrevista:
ConJur — A atuação do TRT de
Campinas no caso da demissão de 4.200 funcionários
da Embraer, levantou uma questão: até onde
a Justiça do Trabalho pode interferir na administração
de uma empresa?
Décio Daidone — A Justiça
não pode interferir na administração
da empresa. A unica exceção admitida, é no
caso de empresas que não pagaram seus devedores.
Nesse caso, a Justiça pode chegar lá e dizer
que eles estão escondendo dinheiro: 'Então,
saiam vocês e nós vamos nomear um interventor'.
Isso a justiça pode fazer, embora eu não
aconselhe.
ConJur — Por que o senhor não aconselha?
Décio Daidone — Porque não
temos um plano adequado para fazer isso. Podemos ajudar
através do Programa Juízo Auxiliar de Conciliação
em Execução, no qual as empresas são
analisadas para constatar se têm condições
de pagar suas dívidas. Feito isso, juízes
auxiliares de conciliação estabelecem o acordo.
O objetivo é manter a empresa em atividade, para
que os credores recebam, mesmo que aos poucos.
ConJur — E o empregador não tem limites
para dispensar o empregado?
Décio Daidone — O empregador
tem todo direito de dispensar seu empregado. Mas, é diferente
dispensar um empregado e dispensar 400 funcionários,
ou 4 mil, como no caso da Embraer. As demissões
vão causar impactos na sociedade: se colocarmos
uma média de três pessoas atrás de
cada trabalhador, são 16 mil afetados pelas demissões.
Nesses casos, a própria Constituição
dá margem para que a Justiça do Trabalho
intervenha. O Código Civil é construído
em cima da visão social do contrato. Em muitos casos,
determinamos ao empregador: 'Os senhores podem dispensar,
desde que seja uma dispensa programada, com o acompanhamento
do sindicato. Em vez de fazer a dispensa hoje, faça
em trinta dias, para que os funcionários preparem
o espírito e pensem no que vão fazer daí para
frente'. Porque não é só o dinheiro
que traz a felicidade. Para muita gente, o que traz a felicidade é o
próprio trabalho.
ConJur — A ministra Ellen Gracie, do STF,
entende que órgãos internacionais não
estão submetidos à CLT. O TST tem posição
divergente. Qual sua opinião?
Décio Daidone — A competência
de julgar é da Justiça do Trabalho: prestou
serviços aqui, aplica-se a CLT. Houve o caso de
um brasileiro que estava trabalhando no Consulado Americano,
foi demitido e o órgão não pagou seus
dieitos. Julgamos, condenamos e mandamos notificar o Consulado.
Se não pagam, o que podemos fazer? Vou mandar invadir
o Consulado ou prender quem se opõe à determinação?
A questão vai para o Itamaraty, que manda a cobrança.
Em muitos casos que julgamos e executamos, os orgnaismos
pagaram espontaneamente. Quando há recusa em pagar,
a cobrança vai para o Itamaraty.
ConJur — A crise econômica mundial trouxe
mudanças na demanda do TRT-2?
Décio Daidone — Eu mandei
fazer um levantamento dos dissídios individuais
e coletivos, comparando o último trimestre de 2008
e o primeiro de 2009. Quanto aos dissídios individuais,
no último trimestre, recebemos 74 mil e, de janeiro
a março, 84 mil. Os números de dissídios
coletivos também aumentaram de 45 mil, no último
trimestre de 2008, para 56 mil no primeiro trimestre desse
ano.
ConJur — As empresas usaram a desculpa da
crise para demitir?
Décio Daidone — Muitas
usaram. Segundo os dados do aumento de demanda na Justiça
do Trabalho, posso dizer que a maioria das ações é de
empresas médias e grandes. A Embraer, por exemplo,
logo depois do julgamento, ganhou licitação
de aviões e está produzindo até hoje.
ConJur — Súmula vinculante, repercussão
geral, lei dos recursos repetitivos. Na Justiça
do Trabalho, esses instrumentos trouxeram algum impacto?
Décio Daidone — Evidentemente,
na primeira instância, as medidas têm grande
impacto, em razão do direito de peticionar. A nossa
cultura ainda está ligada à jurisprudência
antiga, à súmula antiga que não era
vinculante. Quando eu estava na primeira instância,
muitas vezes julguei sem atentar para a Súmula.
E, muitos juízes da primeira instância ainda
pensam assim. Quando passei pela segunda instância
e pelo TST, percebi que era bobagem julgar assim, porque
quando o processo chega na instância superior, a
Súmula é aplicada. Essa demanda ainda não
foi refreada na primeira instância. Já da
primeira instância, para a segunda, muitos juízes
se conscientizaram e estão julgando de acordo com
a súmula.
ConJur — O senhor está há 8
meses na presidência do tribunal. Quais foram as
principais mudanças de sua gestão?
Décio Daidone — Houve muitas
mudanças, como o atendimento aos assessores. Como
o prédio do TRT-2 não comporta mais a parte
administrativa, que está agora no Fórum Ruy
Barbosa, na Barra Funda, eu reservo um horário de
atendimento para despachar processos administrativos. Também
trato da vida do Fórum em si, como férias,
licença-saúde de servidores, a reforma do
Fórum e designação de juízes
substitutos. Atendo também advogados e juízes
que me procuram para esclarecimentos sobre seus casos.
Estou tentando voltar com a cultura da conciliação
entre as partes, que considero estar um pouco esquecida.
Também tenho participação ativa no
Colégio de Presidentes, visto que sou vice-coordenador.
ConJur — Quais as principais questões
levantadas pelo Colégio de Presidentes? Êxistem
problemas ou soluções que permeiam todos
os tribunais?
Décio Daidone — Lá,
levantamos muitos problemas comuns. O último, da
numeração única de processos, foi
levantado por mim. O TRT-2 implantou, em 2003, a numeração única
nos processos. Antigamente era usado um número para
a primeira instância, um número para a segunda.
Hoje, ao ver o número do processo, tem como saber
a data em que foi ajuizado, o tipo de ação
e em que vara e instância ela tramita. Surgiu um
problema, no início do ano: o Conselho Nacional
de Justiça instituiu uma outra numeração única
para todo Brasil e esqueceu o sistema já implantado
pelo TRT, que está funcionando bem. A Justiça
do Trabalho já fez esse trabalho de casa. Percebemos
que a implantação da numeração única
na Justiça demandaria muito tempo, dinheiro e servidores.
Só aqui no TRT, teríamos que mexer em 6.580
pontos de informática, o que custaria por volta
de um R$ 1,7 milhão de reais.
ConJur — Depois do problema ser levado ao
Colégio de Presidentes, qual foi a atitude do CNJ?
Décio Daidone — Eles fizeram
mea-culpa. “Poxa, nós fizemos e não
pensamos nem consultamos a Justiça do Trabalho.
Em seguida, eles suspenderam o trabalho da numeração única
para nos consultar. Mandamos nossas informações
para eles e talvez se ajustem com a numeração
daqui, para acabar com a disparidade.
ConJur — Quais foram os resultados da semana
de conciliação, realizada em dezembro do
ano passado?
Décio Daidone — Aqui na 2ª Região,
fizemos um evento monstruoso e o resultado foi muito bom.
Posso dizer que salvamos 2008 com a Semana da conciliação.
Se continuássemos naquele patamar de julgamentos – naquela
estatística de 1% a mais, 1% a menos – não
teríamos o número de acordos realizados durante
só uma semana, que elevou a nossa produção.
A conciliação é melhor para as partes:
o empregador sabe que não vai mais precisar aparecer
na Justiça, e o empregado termina o processo, pega
seu dinheirinho, vai embora e acabou. O resultado foi satisfatório,
tanto que vamos fazer uma outra Semana de Conciliação
em junho.
ConJur — Quantas audiências foram realizadas
na última Semana de Conciliação?
Décio Daidone — O TRT de
São Paulo ficou em primeiro lugar, com 33% de todo
o movimento nacional de audiências realizadas. Ficamos
também em primeiro lugar em acordos realizados,
com 27,85%. Sem contar contribuição previdenciária
e imposto de renda, nós entregamos R$ 162 milhões
para os reclamantes naquela semana. Enquanto isso, todo
o Judiciário nacional, 56 tribunais, entregou R$
974 milhões.
ConJur — O que é o SUAP e quando será implantado?
Décio Daidone — É o
Sistema Unificado de Administração de Processos
informatizado, a implantação do processo
virtual. Nasceu em São Paulo, tanto que nós
já temos uma parte dos nossos processos informatizados,
mas ele é informatizado até ser distribuído,
pois, a partir daí, vira papel. Com o SUAP, o processo
vai caminhar informatizado até o fim. Através
do sistema Precad, onde o advogado faz um pré-cadastramento
da ação que ele vai propor na Justiça
do Trabalho, ele poderá acessar o sistema, scannear
e mandar os documentos, e tudo isso ficará informatizado.
A partir daí, ele vai saber para que vara seu processo
foi distribuído, além do horário,
data e local da audiência. Está previsto para
começar a funcionar em agosto, provavelmente em
São Caetano do Sul, que é a nossa primeira
cidade e que tem uma comarca maior.
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