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FOLHA DE LONDRINA, 03 de
junho de 2009 | Economia
Salário e benefícios
garantem renda maior
Rio de Janeiro - Os aumentos do salário mínimo, do funcionalismo
público e dos benefícios do programa Bolsa Família deverão
garantir, sozinhos, 62% - ou R$ 26,5 bilhões - do acréscimo total
de R$ 42,9 bilhões previstos na massa real de renda no Brasil em 2009,
em relação ao ano passado. Esse reforço vai evitar um
desempenho pior do Produto Interno Bruto (PIB) este ano.
Estudo realizado pelo economista-chefe
da MB Associados, Sérgio Vale, mostra também que esse aumento
de renda estará concentrado, sobretudo, nas camadas de renda mais
baixa da população, marcando o fim da farra da classe média
dos dois últimos anos.
A situação é bem
diversa da apresentada no ano passado. Em 2008, segundo o levantamento
da MB, do aumento equivalente a R$ 83,5 bilhões na massa real
de renda ante o ano anterior, apenas 17% vieram da renda gerada diretamente
por decisões governamentais.
Dos R$ 26,5 bilhões de
aumento, em relação a 2008, da massa real de renda a serem
garantidos pelo governo este ano, R$ 500 milhões virão
do Bolsa Família, R$ 8,6 bilhões do salário mínimo
e R$ 17,47 bilhões do reajuste do funcionalismo público.
Segundo Vale, o aumento de renda
impulsionado pelo governo vai garantir uma expansão de, pelo menos,
1,2% no consumo das famílias em 2009. Este segmento representa
60% do PIB pela demanda, que inclui também a Formação
Bruta de Capital Fixo e o consumo do governo.
O economista é um dos
que preveem variação perto de zero para o desempenho econômico
este ano. Segundo o último relatório Focus, o PIB em 2009
terá queda de 0,73%. A estimativa do governo é de aumento
de 1%.
Os efeitos do consumo sobre
a economia serão mais acentuados no segundo semestre, já que ‘‘o
grosso do aumento’’ do funcionalismo está programado
para junho e o Bolsa Família vai incorporar 500 mil famílias
em agosto e mais 500 mil em outubro, além de ter aumentado o valor
do benefício.
‘‘Por isso a MB
tem uma expectativa de estagnação do PIB e não de
quedas muito fortes, pois os estímulos de renda devem dar suporte
razoável ao consumo das famílias’’, disse Vale.
Ele explica que a estimativa de aumento de 1,2% no consumo familiar é ‘‘um
piso’’, já que foi projetada levando-se em consideração
apenas os aumentos do salário mínimo do funcionalismo e
do Bolsa Família. De acordo com o economista-chefe da MB, o segundo
semestre mostrará o início do processo de recuperação
da economia, que ocorrerá via demanda doméstica.
Jacqueline Farid
Agência Estado
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O ESTADO DO PARANÁ,
03 de junho de 2009 | Economia
Falhas das empresas prejudicam trabalhador
Flávio Laginski
Dar uma assistência financeira ao trabalhador após perder o emprego é o
papel exercido pelo seguro-desemprego, um benefício que foi regulamentado
pela Lei 7.998 de 11 de janeiro de 1990.
Para receber esse salário
enquanto está desempregado, o trabalhador precisa obrigatoriamente
ter sido demitido sem justa causa ou com rescisão contratual indireta.
De acordo com a suporte operacional
da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção
Social (Setp), Viviane de Oliveira, o servidor tem um prazo para requerer
o seguro-desemprego.
“O trabalhador tem de sete
a 120 dias corridos para reivindicar esse direito. Ele deve ficar atento
aos prazos para não perder esse benefício, pois ele só poderá receber
as parcelas se entrar com recurso junto ao Ministério do Trabalho
e apresentar uma justificativa”, explica.
A quantidade de parcelas e do
valor a ser recebido variam de acordo com o tempo que o trabalhador tem
na empresa e do salário que o servidor recebia. A suporte operacional
informa que o período varia de três a cinco meses e a quantidade
mínima a receber é de R$ 465 e a máxima é de
R$ 870,20.
Ela diz também que o trabalhador
tem que levar toda a documentação que recebeu após
a demissão para dar entrada junto a Delegacia Regional do Trabalho
(DRT).
“É importante que
o trabalhador fique atento a tudo isso para poder pedir o seguro-desemprego”,
informa. Contudo, como no caso do estagiário Eduardo Iensen Guimarães,
estar alerta acabou não sendo suficiente para evitar uma dor de
cabeça. “Em 2005, fui demitido de um emprego e recebi o
benefício. Das quatro parcelas a que tinha direito, acabei não
recebendo a última, por causa de um erro da empresa em que trabalhei.
Não dei atenção, pois logo em seguida estava trabalhando.
Agora que fui demitido novamente, descobri que essa pendência do
passado está impedindo que receba o seguro-desemprego”,
reclama. Para evitar esses transtornos, a Setp orienta que o trabalhador
entre em contato imediatamente com o empregador a fim de resolver todas
as pendências.
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BEM PARANÁ, 03 de
junho de 2009 | Economia
Habitação
Programa Minha Casa, Minha Vida já tem
385 propostas de empreendimentos imobiliários
Desses projetos, 94 estão com documentação
completa para análise e 40 já foram contratados
02/06/09 às 16:08 | Agência Brasil
A Caixa Econômica Federal recebeu, até ontem (1º), 385 propostas
de empreendimentos imobiliários para o programa Minha Casa Minha (1º).
Desses projetos, 94 estão com documentação completa para
análise e 40 já foram contratados.
No caso de pessoas físicas,
até o dia 31 de maio, foram financiadas 3.347 unidades, o que
corresponde a R$ 152 milhões.
Quanto aos municípios
que aderiram ao programa, a presidente da Caixa, Maria Fernanda Coelho,
informou que, pelos números mais recente, são 339. “Mas
esse número muda todo dia por causa dos processos de adesão”,
destacou Maria Fernanda.
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Gazeta do Povo, 3 de junho
de 2009
Mercado financeiro
Dólar cai pela 8.ª vez seguida,
para R$ 1,92
Bolsa de Valores de São Paulo dá sinais
de ajuste de preços após forte valorização
dos últimos três meses e índice Ibovespa registra
queda de 0,89%
São Paulo - A taxa de
câmbio encerrou o dia em queda pelo oitavo dia consecutivo. O movimento
de baixa é explicado pelo fato de o Banco Central despontar como
praticamente o único comprador da moeda na praça. Nas últimas
operações de ontem, o dólar comercial foi negociado
por R$ 1,924, em um declínio de 1,48% em relação
ao fechamento da segunda-feira. Nas casas de câmbio, o dólar
turismo era cotado por R$ 2,040.
As ações brasileiras,
por sua vez, se desvalorizaram na conclusão dos negócios,
após três jornadas de ganhos na Bolsa de Valores de São
Paulo (Bovespa). O mercado seguiu o roteiro previsto de realização
de lucros (venda de papéis mais “caros”), previsto
principalmente por conta da alta de 45% nos últimos cinco meses.
O Ibovespa, principal índice de ações da bolsa paulista,
retrocedeu 0,89% no fechamento, aos 53.999 pontos. O giro financeiro
foi de R$ 6,25 bilhões. Nos Estados Unidos, a Bolsa de Nova Iorque
fechou em alta de 0,22%.
Análise
Profissionais do mercado financeiro
insistem que, por enquanto, o movimento do dólar é apenas
uma reação ao forte ingresso diário de recursos
externos. “É um fluxo que vem para investir na bolsa de
valores, é um fluxo que vem pela balança comercial, é um
fluxo de recursos que entra no país para aproveitar um dos maiores
juros do mundo”, comenta Mário Paiva, analista da corretora
Liquidez, lembrando que o fato do país ser credor em dólar
eleva a segurança dos agentes financeiros que trazem dinheiro
para o mercado doméstico.
Analistas também têm
reforçado a crença de que a Bovespa pode passar por uma
fase de ajuste nos preços, principalmente após os três
meses de “euforia”. Embora concorde com a opinião
corrente de que a pior fase da crise mundial já passou, a equipe
da corretora Spinelli avalia que “a retomada das condições
macroeconômicas necessárias para o crescimento das empresas
ainda está distante”, e que veem “com cautela a atual
onda de euforia e os caminhos da bolsa no curto prazo”.
As blue chips (ações
mais negociadas) devolveram parte dos ganhos das sessões anteriores,
influenciadas pelo recuo das commodities no mercado externo. Na Bolsa
Mercantil de Nova Iorque, o contrato do petróleo para julho terminou
com ligeiro recuo, de 0,04%, a US$ 68,55 o barril. Com isso, Petrobras
ON caiu 2,93% e PN se desvalorizou 1,96%. A Vale ON fechou em queda de
3,41% e PNA, em retração de 2,49%.
A construção civil
foi destaque de baixa, por causa das notícias de emissão
de ações por parte de construtoras. Gafisa ON foi a maior
queda do Ibovespa, com -6,71%. A construtora anunciou que pretende realizar
uma oferta pública primária de ações, com
captação de R$ 600 milhões a R$ 700 milhões.
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O ESTADO DO PARANÁ,
03 de junho de 2009 | Economia
Setor de material de construção
zera perdas em 2009
Agência Estado
O faturamento do setor de material de construção cresceu 4,5%
em maio na comparação com o mesmo mês do ano passado, informou
hoje a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção
(Anamaco). Com esse resultado, o setor zerou as perdas acumuladas em 2009.
Nos cinco primeiros meses deste ano, o faturamento ficou estável.
A associação informou
que as vendas específicas dos 30 itens que receberam isenção
de cobrança de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) subiram
10% na comparação entre maio de 2009 e o mesmo mês
de 2008. "Foi necessário vender fisicamente maior quantidade
para alcançarmos este faturamento", explica, em nota, o presidente
da Anamaco, Cláudio Conz.
Para ele, esses números
são importantes se for levado em conta que o setor começou
o ano com queda de 12% nas vendas (acumulado de janeiro e fevereiro). "Em
março, abril e maio tivemos crescimento constante e isto nos permite
ter segurança em afirmar que poderemos fechar 2009 com crescimento
total de 5% sobre 2008", prevê Conz. Para junho, a previsão é de
vendas até 8% maiores que no mesmo mês do ano passado.
A Anamaco, que representa
138 mil lojas de material de construção, informou estar "tomando
medidas" objetivando a prorrogação do prazo de desoneração
de IPI para o material de construção, uma vez que os
efeitos do plano de habitação "Minha Casa, Minha
Vida" do governo federal só começarão a serem
sentidos no próximo semestre deste ano. "Já nos
manifestamos no Grupo de Acompanhamento da Crise e em outras frentes.
No entanto, até o momento, esta redução temporária
valerá apenas até 30 de junho", afirma Conz.
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Folha de S.Paulo, 3 de junho
de 2009
Lula rejeita 3º mandato, mas se
diz feliz com apoio
Presidente defende Chávez e Uribe,
mas diz que "Brasil não deve ter o 3º mandato" |
Petista volta a dizer que não "brinca com a democracia",
mas sugere na Guatemala que mudança feita de forma democrática "é assimilável"
EDUARDO SCOLESE
ENVIADO ESPECIAL À GUATEMALA
Dois dias após a divulgação
de uma pesquisa Datafolha que aponta a divisão no eleitorado sobre
o terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou
ontem a rejeitar essa possibilidade, mas se disse "muito feliz" com
o apoio de tantos eleitores à sua reeleição.
As declarações do petista ocorreram em sua visita oficial à Cidade
da Guatemala. Ao criticar a cobertura da imprensa sobre o tema, Lula disse: "E
isso [a nova reeleição], se for feito democraticamente, ainda é assimilável.
Porque é muito engraçado que as críticas que fazem aos
presidentes da América Latina que querem um terceiro mandato não
se fazem aos primeiros-ministros na Europa que ficam 16 anos ou 18 anos".
Ele defendeu o debate na Venezuela e na Colômbia: "O [Hugo] Chávez
quer o terceiro mandato. Ele vai se submeter às eleições.
Uma hora o povo pode querer, outra, o povo pode não querer. O [Álvaro]
Uribe está querendo o terceiro mandato. Tem de passar por um referendo.
Ele pode querer, e o povo pode elegê-lo ou pode não elegê-lo.
Eu não vejo nisso nenhum mal. O que acho importante é que todo
resultado seja um exercício da democracia".
Pesquisa Datafolha revela que a emenda para que Lula possa disputar de novo é apoiada
por 47% dos eleitores e rejeitada por 49%. "Fico muito feliz quando as
pesquisas começam a demonstrar que uma grande parcela do povo começa
a querer. Mas não existe hipótese de terceiro mandato",
disse. "Volto a repetir o que eu já disse: eu não brinco
com a democracia. Foi muito difícil a gente conquistá-la, e o
que vale para mim vale para os outros. Alguém que quer o terceiro mandato
pode querer o quarto, pode querer o quinto, pode querer o sexto".
" Acho que o Brasil não deve ter o terceiro mandato", disse.
Aliados de Lula querem votar uma emenda constitucional permitindo duas reeleições
seguidas até setembro. O deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) protocolou
uma proposta prevendo um referendo para decidir se Lula pode ou não concorrer,
mas não foi aceita porque deputados do DEM e do PSDB retiraram as assinaturas.
Lula criticou a mídia: "A verdade é que não teríamos
democracia sem a imprensa, mas a verdade também é que a imprensa
fortalecerá muito mais a democracia quando ela se contentar em informar
os fatos, e não criar os fatos. E não se transformar em porta-voz
de um pensamento político".
A convite do Planalto, os jornalistas
EDUARDO SCOLESE e JORGE ARAÚJO foram de El Salvador à Cidade
da Guatemala em avião da FAB.
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Reuters, 3 de junho de
2009
Lupi diz que PDT pode apoiar Aécio
para presidente em 2010
Apesar de ocupar há mais de dois anos um cargo no primeiro escalão
governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do Trabalho
e Emprego, Carlos Lupi, afirmou que seu partido, o PDT, sinalizou apoio ao
governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB) na sucessão presidencial
de 2010.
Lupi, que presidiu o PDT, esteve
com Aécio nesta terça-feira (2).
"Tenho que primeiro aguardar
a decisão do partido do qual o governador Aécio faz parte. É claro
que, amanhã o PSDB decidindo pelo nome do governador Aécio,
muda todo o quadro eleitoral nacional. Nós temos de avaliar
esse novo quadro", afirmou o ministro.
O governador mineiro disputa
com o colega paulista, José Serra, a indicação
do PSDB para concorrer à Presidência.
Lupi disse que o fato de ser
ministro não atrela o partido a um candidato apoiado por Lula.
"Uma coisa não
tem necessariamente nada a ver com a outra. Nós, quando assumimos
o Governo e aceitamos a honrosa missão que o presidente Lula
nos deu, aceitamos com o compromisso de base de apoio do governo",
declarou.
"Em nenhum momento nós
discutimos a sucessão à Presidência", completou.
Em março, o também
ministro Hélio Costa (PMDB), das Comunicações,
já havia declarado apoio a Aécio Neves.
Mineiro, Costa disse na época: "Entendo
que Minas, tendo a opção de ter uma candidatura viável,
acho patriótico apoiar uma candidatura mineira. Eu pessoalmente
estou trabalhando no sentido de que o PMDB tenha em aberto a opção
de estar com o governador Aécio Neves".
Pesquisa
Aécio comentou o resultado da pesquisa Datafolha divulgada no fim de
semana que aponta que o PSDB só conquistaria a Presidência caso
Serra fosse o candidato.
"O que existe de consistente
nessas pesquisas é o crescimento da ministra Dilma, seja pela
exposição que tem, seja pelo piso que uma candidatura
do PT certamente apresentará", avaliou Aécio.
Ele acredita que uma candidatura
do PT apoiada pelo presidente Lula terá um piso de largada em
torno de 30%. "A partir daí, é o candidato, são
suas qualidades, a capacidade do candidato se comunicar e de convencer
o eleitor", disse.
O Datafolha apontou derrota
do PSDB numa disputa entre o governador mineiro e a ministra-chefe
da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Pela sondagem, Aécio
teria 14% dos votos, ante 19% da ministra Dilma Rousseff, pré-candidata
do governo, enquanto o deputado federal Ciro Gomes (PSB) teria 25%.
Em outro cenário, sem Aécio, Serra bate Dilma.
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Agência Brasil, 3 de
junho de 2009
Contribuinte poderá verificar
pendências com IR pela internet
A partir desta terça-feira (2), o contribuinte poderá verificar,
com mais facilidade, as pendências na declaração do Imposto
de Renda.
A Receita Federal apresentou
o novo extrato do Imposto de Renda da Pessoa Física 2009, que
também permite que o contribuinte possa acompanhar o pagamento
das cotas e até alterar o número de parcelas.
O serviço está disponível
na página do órgão na internet (www.receita.fazenda.gov.br).
Para ter acesso à novidade,
no entanto, o contribuinte precisará obter o código de
acesso para o Centro de Atendimento Virtual da Receita (e-CAC), atualmente
já usado para consultar a situação fiscal de cada
CPF.
Também será possível
acessar a novidade por meio de certificado digital.
De acordo com o órgão,
a medida aumentará o número de contribuintes que regularizam
a situação na Receita por conta própria.
A expectativa é de que,
com o acesso facilitado às pendências, 70% dos contribuintes
que caírem na malha fina neste ano retifiquem as declarações
pela internet. No ano passado, essa proporção era de 50%.
Até agora, o contribuinte
na malha fina era apenas informado de que a declaração
apresentava pendências, mas a Receita não fornecia esclarecimentos
sobre as divergências.
Com o novo extrato, o contribuinte
será informado das pendências em detalhes, com orientações
sobre os procedimentos a serem seguidos.
Na maioria dos casos, segundo
o órgão, o contribuinte terá de preencher os dados
com as informações corretas e enviar a declaração
retificadora.
Por meio do novo extrato, o sistema
trará acesso ao demonstrativo de pagamento das cotas do imposto
a pagar.
Além de conferir as parcelas
liquidadas e as prestações a vencer, o contribuinte poderá alterar
o número de cotas e parcelar os débitos em atraso.
A partir de 1º de julho,
será possível imprimir o Documento de Arrecadação
da Receita Federal (Darf) na própria página.
O serviço também
permitirá que o contribuinte passe a pagar as cotas por meio de
débito automático.
Quem não fez a opção
no momento da declaração poderá cadastrar uma conta
corrente a qualquer momento. Será possível ainda cancelar
o débito das parcelas.
De acordo com a coordenadora
de Atendimento e Educação Fiscal da Receita, Maria Helena
Cotta Cardozo, o novo serviço é importante para tornar
mais ágil e transparente o atendimento da Receita.
"Uma vez que o contribuinte
tem clareza sobre as pendências, ele pode se autorregularizar via
declaração retificadora. Antes, ele tinha uma informação
muito restrita e ficava ansioso querendo resolver a pendência",
disse.
Para as pendências referentes
a anos anteriores, o contribuinte terá de acessar o extrato das
declarações antigas, uma por uma, e conferir as informações
da Receita.
A verificação detalhada
das pendências está disponível desde as declarações
do exercício de 2004.
Os demais serviços, demonstrativo
de débitos e débito automático, só estão
disponíveis para as declarações deste ano.
"Nossa intenção é implementar
esses serviços aos poucos para as declarações de
outros anos", informou Frederico Faber, chefe substituto da Coordenação
de Arrecadação e Cobrança da Receita Federal.
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FOLHA DE LONDRINA, 03 de
junho de 2009 | Geral
Políticos são presos
por crime ambiental
Prefeito, vice-prefeito e presidente da
Câmara de cidades do Paraná foram presas acusadas de
desmatamento ilegal
Curitiba - Seis pessoas foram presas, ontem, acusados de crime ambiental, entre
elas o prefeito de General Carneiro, Ivanor Dacheri (PSB), o presidente da
Câmara de Vereadores, José Cláudio Barbieri (PSB), e o
vice-prefeito de Coronel Domingos Soares, Volnei Barbieri (PSDB).
Outras três pessoas, proprietárias
de uma empresa, foram detidas em São Paulo. A Polícia Federal
(PF) procura o prefeito de Bituruna, Remi Ranssolin (PTB). Todos são
acusados de desmatamento ilegal para venda de madeira na região
Centro-Sul do Estado e devem cumprir cinco dias de prisão temporária.
A PF ainda interditou 16 empresas suspeitas. Uma das empresas lacradas é da
família do deputado federal Luciano Pizzatto (DEM).
A ação que desencadeou
a prisão faz parte da Operação Angusti-folia, deflagrada
no dia 25 de maio. Segundo o delegado da unidade de combate a crimes
ambientais da PF, Rubens Lopes da Silva, os proprietários dessas
empresas deixaram apenas 0,8% da área de mata nativa na região.
Para o superintendente do Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(Ibama), José Álvaro Carneiro, de cerca de 7 milhões
de hectares que existia há cem anos restaram apenas aproximadamente
70 mil hectares de mata nativa.
Silva e Carneiro acusam as mesmas
famílias citadas nessa operação de estarem cometendo
o desmate há um século. Diante de tanto tempo de desmate,
o secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz
Fernando Delazari, acedita que não há punição
administrativa que os faça parar. ‘‘Em dez anos foram
aplicadas R$ 1 bilhão em multas pela fiscalização
do Ibama e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o que reforça
a importância da atividade policial’’, ressalta, lembrando
que as sansões administrativas não têm resultado.
No ano passado foram aplicados R$ 25 milhões em multas e, apenas
durante a Operação Angusti-folia, passaram dos R$ 4 milhões.
As prisões foram decretadas
pelo desembargador, Amaury Chaves de Athayde, do Tribunal Regional Federal
da 4ªRegião.
De acordo com a PF, os suspeitos
utilizavam uma gráfica para produzir notas fiscais falsas, com
o objetivo de enganar fiscais nas estradas, enquanto carregavam madeira
cortada ilegalmente.
A defesa dos prefeitos Ivanor
Dacheri e de Volnei Barbeiri preferiu não se pronunciar enquanto
não tiver acesso a toda investigação. O deputado
Pizzatto disse que a ação pode ser uma retaliação
a uma investigação sobre supostas irregularidades no Ministério
do Meio Ambiente que ele faz na Câmara Federal.
Diego Ribeiro
Equipe da Folha
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BEM PARANÁ, 03 de
junho de 2009 | Paraná
Meio ambiente
Operação contra o desmatamento
vem com 100 anos de atraso
Remanescentes de matas com Araucária
ocupam apenas 0,8% da área original no Paraná
02/06/09 às 21:36 | Da Redação
com agências
Diz a velha máxima “antes tarde do que nunca”. Ela vale
perfeitamente para a Operação Angusti-Folia, desencadeada no
fim de maio por uma força tarefa que reuniu o Instituto Brasileiro de
Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Ambiental
do Paraná (IAP), Polícia Federal, Força Verde e Ministério
Público do Trabalho, entre outros, e que ontem culminou com a prisão
temporária de seis pessoas, acusadas de desmatar ilegalmente áreas
de florestas nativas de araucária na região Centro-Sul do Paraná.
Dezesseis madeireiras foram interditadas por ordem judicial do Tribunal Regional
Federal da 4ª Região (TRF-4). Esta é considerada a maior
operação contra a derrubada desenfreada de araucárias
jamais feita no Estado.
Entre os presos ontem, o prefeito
de General Carneiro, Ivanor Dacheri, o presidente da Câmara do
mesmo município, José Cláudio Maciel e o vice-prefeito
de Coronel Domingos, Volnei Barbieri. Um quarto político também
tinha mandado de temporária, o prefeito de Bituruna, Remi Ranssolin,
mas ele não foi encontrado. As outras prisões aconteceram
em São Paulo, envolvendo pai e dois filhos que têm negócios
na região do Paraná.
Conforme consenso, o desmatamento
de araucária começou no começo do século
passado. Hoje, sabe-se que restam menos de 0,8% de remanescentes originais
do que foi a floresta de araucária no Paraná. Ou seja,
são aí 100 anos de atraso para conter o desmatamento. Hoje
a araucária é uma espécie em risco no Paraná.
A Operação Angusti-Folia
nasceu há cerca de dois meses e meio, quando o Ibama procurou
a Polícia Federal para atuar juntos contra o desmatamteno na região
Centro-Sul, onde, segundo apontamentos do instituto, ocorreria o maior
destamento ilegal no Paraná.
A partir disso, foi montado a força conjunta entre Estado e União. “Era
uma tragédia ambiental em curso na região”, contou o delegado
federal responsável pela operação, Rubens Lopes da Silva,
chefe da Delegacia de Crimes Ambientais da PF.
Os empresários são acusadas ou suspeitas de crime ambiental,
em pelo menos 15 delitos previstos na Lei Ambiental, Código Penal e
na Lei de Crimes Financeiros. Além das prisões, a Justiça
decretou a interdição, por 15 dias, das instalações
madeireiras de 16 empresas, situadas nos municípios de General Carneiro,
Bituruna, Coronel Domingos Soares, União da Vitória, Cruz Machado
e Palmas, no Paraná, e em São Paulo.
Impunidade — Ontem, em
entrevista coletiva para falar sobre a operação, os representantes
da força conjunta reconheceram que o estágio atual das
florestas de araucária no Paraná só chegou neste
ponto por causa da impunidade. “Existia um sentimento de impunidade
e hipocrisia. A Operação acontecia desde o fim do mês
passado com fiscalização, mas mesmo sabendo que haviam
200 homens trabalhando no Estado, eles continuaram”, contou o superintendente
do Ibama no Paraná, José Álvaro Carneiro.
“Espero que essas prisões,
que nunca aconteceram antes, tenham o poder de mudar alguma coisa”,
disse o superintendente. Considerada a maior operação de
fiscalização já realizada no Brasil, a Angusti-Folia
tem como objetivo a repressão de crimes ambientais que ocorrem
de maneira sistemática naquela região do Estado, que possui
32 madeireiras e mais de mil fornos de carvão. De acordo com superintendente
do Ibama, a derrubada de florestas nativas de araucária, espécie
símbolo do estado, é assustadora. “Ali estão
os últimos remanescentes da floresta araucária do Paraná.
Se não a fiscalizarmos, teremos que mudar o símbolo da
nossa bandeira”.
“Essa, porém,
não será a única operação. Vamos
mantê-la permanentemente”, explicou o superintendente da
PF no Paraná, Maurício Valeixo. “É uma operação
que veio para ficar”, concordou o secretário de Estado
de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari. Não
se pode dizer que veio tarde demais. Mas é importante que tenha
vindo.
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O ESTADO DO PARANÁ,
03 de junho de 2009 | Economia
Servidores do INSS anunciam greve
Helio Miguel
A mudança da jornada de trabalho de seis para oito horas diárias
foi o principal motivo alegado pelos servidores do Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS) do Paraná, para decidir em favor de um indicativo de greve,
por tempo indeterminado, a partir da segunda quinzena do mês.
A assembleia aconteceu no último
sábado (30 de maio), dois dias antes dos trabalhadores iniciarem
os trabalhos no novo horário. Hoje, uma reunião em Brasília,
entre dirigentes da Previdência e dos sindicatos regionais, poderá definir
o futuro da greve.
Conforme a presidente do Sindicato
dos Servidores Públicos Federais em Saúde, Trabalho, Previdência
Social e Ação Social do Paraná (SindPrevsPR), Jaqueline
Mendes de Gusmão, “ninguém aguenta” mais duas
horas de atendimento ininterrupto.
A orientação da
entidade é para os servidores não cumprirem a nova jornada,
nem assinarem documentos concordando com redução de salário.
Porém, a dirigente admite que nem todos atendem ao pedido. “Alguns
resistem, porque estão com receio de terem desconto no salário”,
afirma.
Segundo Gusmão, os sindicatos
regionais estão sugerindo que o INSS abra as agências por
12 horas seguidas. “Assim, dividiríamos os poucos servidores
em dois turnos de seis horas. Não queremos prejudicar a população,
de jeito nenhum”, ressalta.
A dirigente sindical reclama,
ainda, das cobranças exageradas por produtividade. Ela alega que
os trabalhadores da Previdência estão “no limite físico
e psicológico”.
O INSS ainda não se manifestou oficialmente sobre a possível
greve. Sobre o aumento da jornada, o Instituto afirma que foi determinado para
cumprir a legislação, que obriga aos servidores federais o cumprimento
de 40 horas semanais.
No entanto, o Sindicato rebate
o argumento, alegando que, nos casos de atendimentos em turnos ininterruptos,
há normas que permitem a adoção de 30 horas de trabalho
por semana.
Caixa
A paralisação dos
advogados, engenheiros e arquitetos da Caixa Econômica Federal
entrou ontem em seu 36.º dia. Segundo o advogado Jayme de Azevedo
Lima, representante da Associação Nacional dos Advogados
da Caixa em Curitiba, a greve está gerando impacto no programa
Minha Casa, Minha Vida e em obras do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC).
“Todas as contratações
e medições estão paradas”, conta Lima. Esta
semana, segundo ele, uma audiência no Tribunal Superior do Trabalho
(TST), em Brasília, deverá definir a questão:
ou termina em acordo, ou o caso irá a julgamento.
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Jornal do Comercio, 3 de
junho de 2009
Assédio moral: praga corporativa
do Século 21
As vítimas, de acordo com estudos,
são mulheres, estrangeiros, pessoas que sofrem alguma incapacidade,
idosos, negros, homossexuais, funcionários com estabilidade temporária
(como cipeiros ou dirigentes sindicais), afastados por doença,
portadores de HIV e obesos
Por Cristine Pires
O nome é fictício,
mas a história não. Toda vez que Mariana Pereira relembra
o que aconteceu, cai em um choro profundo. Em meio a pedidos de desculpa,
não consegue conter as lágrimas ao relatar o que passou
há seis anos no banco em que trabalhava. Às vezes, perde
a linha de raciocínio em meio ao relato.
"Culpa dos remédios",
diz ela, que depende de nove comprimidos por dia, o equivalente a uma
conta de R$ 200 por mês. A confusão mental é apenas
um dos muitos sintomas de quem sofre assédio moral, prática
que vitima não só os trabalhadores, mas a própria
empresa, a sociedade e o Poder Público.
Tudo é ainda muito incipiente.
Tanto que o depoimento da bancária, o nome da empresa em que atuava
e de seu agressor precisaram ser mantidos em sigilo pela reportagem.
A expectativa é de uma mudança de cenário, uma vez
que o assunto, ainda um tabu para as organizações, começa
a ganhar espaço graças ao crescimento do número
de denúncias.
Os casos de adoecimento psíquico
são cada vez mais frequentes no Sindicato dos Bancários
de Porto Alegre e Região (SindBancários). Na grande maioria
das vezes, estão relacionados ao assédio.
"A pressão pelo cumprimento
de metas chegou a um nível insuportável e essa cobrança
de objetivos inatingíveis leva a uma competição
predatória entre os próprios colegas", afirma o presidente
do SindBancários, Juberlei Baes Bacelo. Sem contar o fantasma
do desemprego.
"Para não correr
o risco de ir para a rua, as pessoas trabalham de forma alucinada",
relata.
Mariana deixou de almoçar
por medo de perder a comissão dos negócios prospectados
com clientes por telefone. Fazia as ligações de casa, à noite,
já que era rechaçada na agência por se empenhar no
cumprimento das metas.
A colega, que exercia a mesma
atividade e que via em Mariana uma potencial concorrente ao cargo de
gerência, passou a persegui-la e atendia quem a procurava no intervalo,
contabilizando para si as vendas de produtos. Ali, desenvolveu uma anemia
e também adquiriu gastrite nervosa.
Hoje, a assediadora é gerente
de uma agência. Mariana está sem receber desde janeiro,
porque o Instituto Nacional de Seguridade Social não reconhece
sua doença. O marido foi demitido em fevereiro.
"Tenho certeza de que foi
por minha causa, pois muitas vezes ele saiu do trabalho para me atender
em casa e também me visitar na clínica em que fiquei internada
para tratamento", lamenta ela, hoje portadora da síndrome
do pânico.
A ajuda financeira tem vindo
da família e ajuda a custear também os remédios
e o tratamento psiquiátrico. A esperança é de que
os processos que move na Justiça se desenrolem logo.
"Eu era uma pessoa alegre,
sabe? Tinha gosto pela vida. Agora tenho medo de sair na rua, não
confio nas pessoas porque levei muita rasteira. Não penso mais
em me matar, mas para mim chega. Estou cansada de lutar, de provar que
não estou mentindo e que estou doente."
A luta do Ministério Público
do Trabalho é para mudar histórias como essa. A Coordenadoria
Nacional de Defesa de Promoção da Igualdade, que atua contra
qualquer forma de discriminação e assédio moral,
deve finalizar um manual com todas as informações necessárias
sobre o tema e apresentá-la ainda neste mês.
"O documento vai ajudar
a identificar a prática, quem são os sujeitos que exercem
a pressão, o perfil do agressor e, assim, auxiliar as empresas
a prevenir o problema", resume José de Lima Ramos Pereira,
procurador regional do Trabalho da 21ª Região (Rio Grande
do Norte), que integra a equipe responsável pela elaboração.
Especialista no assunto, Pereira
diz que os prejuízos ao mundo corporativo têm sido assustadores.
As vítimas de assédio moral apresentam queda na produtividade.
E mais: o ambiente conturbado e de desequilíbrio atinge toda a
equipe.
O resultado se reflete na perda
de lucro, pois falta estímulo para a produção. "Além
disso, deixa-se de contar com mão de obra qualificada, pois as
vítimas acabam se ausentando ou até mesmo saindo em licença",
diz o procurador.
Quando isso acontece, surgem
mais gastos pela necessidade de treinar outro funcionário para
a função. Isso sem contar a pior de todas as perdas: o
desgaste da imagem da organização.
Lei federal
poderá regular o tema
O manual sobre assédio moral do Ministério Público do
Trabalho (MPT) vai ajudar não só a definir uma estratégia
de atuação para os procuradores como também servirá de
base para um objetivo mais ambicioso.
A ideia é apresentar proposta
de projeto de lei ao Senado Federal e à Câmara de Deputados
para que se tenha uma regulamentação nacional a respeito
do assunto.
Com todos esses mecanismos, o
MPT pretende ampliar a discussão sobre o tema, responsabilizar
os assediadores e prevenir novos casos. Uma campanha publicitária
em Natal (RN) mostrou que o acesso às informações
são cruciais para combater a prática.
"Houve um aumento de 60%
na demanda do Rio Grande do Norte a partir dessa medida", comemora
José de Lima Ramos Pereira, procurador regional do Trabalho da
21ª Região.
É que, na prática,
as pessoas têm vergonha de dizer que sofrem assédio. "Hoje
há mais esclarecimento, mas falta uma lei que ajude a enquadrar
e a criminalizar esses atos", destaca Pereira. Atualmente, o MPT
tem averiguado casos de constrangimento no ambiente de trabalho em todas
as esferas.
O mais comum é o chamado
assédio do superior para o subalterno, mas há também
casos de assédio contra as chefias, entre colegas e até mesmo
com fornecedores.
"Não depende do nível
de hierarquia, mas do vínculo de trabalho", esclarece o procurador.
Normalmente, está atrelado ao abuso de poder. Entre as características
do agressor, estão a arrogância, necessidade de ser admirado,
inveja, ignorância, orgulho e ironia.
O difícil é identificar
a prática, já que muitas vezes ela acontece sem que o agressor
perca a postura nem seja violento.
As vítimas preferidas,
de acordo com estudos, são mulheres, estrangeiros, pessoas que
sofrem alguma incapacidade, idosos, negros, homossexuais, funcionários
com estabilidade temporária (como membros da Cipa ou dirigentes
sindicais), afastados por doença, portadores de HIV e obesos.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
03/06/2009
Conversão de férias em abono
precisa de autorização do trabalhador
As férias convertidas
em abono pecuniário, sem autorização do trabalhador,
devem ser pagas em dobro. Com base nesse entendimento, a Primeira Turma
do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou (não conheceu) o recurso
de revista da Box Print Fábrica de Embalagens e manteve condenação
imposta pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS).
O empregado recorreu à Justiça
afirmando que prestou serviços à empresa na função
de “corte e revisão”, de fevereiro de 1983 a maio
de 1997, quando foi demitido sem justa causa. Entre as irregularidades
cometidas pela fábrica, durante a relação de emprego,
estaria o pagamento em dinheiro de parte das férias a que teria
direito, sem a sua expressa autorização.
Apesar de a Box Print ter sustentado
que a falta do pedido de abono pecuniário pelo empregado seria
uma exigência burocrática, punível apenas com infração
administrativa, o juiz da Vara do Trabalho de Sapiranga (RS) condenou
a empresa a pagar em dobro o período das férias de 1992,
1993 e 1994, com o adicional de um terço (permitida a compensação
dos valores pagos a título de abono e de adicional). O juiz concluiu
que os afastamentos concedidos deveriam ser entendidos como meras licenças
remuneradas, uma vez que a redução do período de
férias e a conversão de parte em dinheiro exigem prova
do interesse do autor - o que não ocorreu no caso. A decisão
foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(RS).
No recurso de revista apresentado
ao TST, a empresa reforçou a tese de que a conversão de
dez dias de férias em abono pecuniário, sem a autorização
expressa do empregado, não significava que as férias não
tinham sido concedidas. Também argumentou que a condenação
em dobro só se justificaria na hipótese de não-concessão
das férias na época própria – situação
diferente da que estava sendo discutida.
No entanto, o relator do processo,
ministro Vieira de Mello Filho, defendeu que o direito dos trabalhadores às
férias é irrenunciável. O empregador tem a obrigação
de conceder as férias e fiscalizar o seu cumprimento, e não
pode criar obstáculos. Para o relator, a conversão de parte
das férias do empregado em abono pecuniário, sem a sua
autorização expressa (conforme verificado pela Vara do
Trabalho e pelo Regional), é ilegal. Portanto, completou o ministro,
a consequência para tal ilegalidade é o pagamento em dobro
do período de férias (artigo 137 da CLT).
O voto do relator foi acompanhado
pelos demais ministros da Primeira Turma do Tribunal. ( RR – 37913/2002-900-04-00.3)
(Lilian Fonseca)
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03/06/2009
Segunda Turma afasta exigência
de recolhimento duplo de custas
A Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho determinou que o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(RS) julgue recurso das empresas Quero-Quero S/A e Consórcio Quero-Quero
Ltda., cuja análise havia sido rejeitada por suposta falta de
pagamento das custas processuais (deserção). As duas empresas
recorreram juntas ao TRT/RS, mas fizeram apenas um recolhimento de custas
processuais. O recurso ordinário foi declarado deserto, e a questão
chegou ao TST por meio de recurso de revista.
Segundo o relator do caso, ministro
José Simpliciano Fernandes, se houve condenação
solidária, pouco importa qual dos liticonsortes pagou as custas
fixadas na sentença, ainda que no TRT se esteja pleiteando a exclusão
de um deles do processo. O relator lembrou que a finalidade das custas
não se confunde com a do depósito recursal. “No caso
dos autos, não há dúvidas de que as custas foram
pagas integralmente e que se referem ao presente processo. Por isso,
a exigência do TRT foi descabida e cerceou o direito de defesa
dos recorrentes”, disse o relator.
O TRT/RS rejeitou (não
conheceu) o recurso em peça única em razão da deserção,
tendo em vista que a sentença reconheceu a responsabilidade solidária
entre as empresas, que têm CGC e objeto social diversos. Além
disso, seus interesses são conflitantes, já que o Consórcio
Quero-quero busca sua exclusão da lide diante da prescrição
aplicável ao alegado primeiro contrato. Segundo o TRT/RS, como
as empresas apresentaram apenas um recolhimento, não foi possível
verificar qual das duas cumpriu o requisito do preparo, o que levou à rejeição
do apelo em relação às duas empresas.
No TST, as empresas argumentaram
que a apresentação de apenas uma guia de recolhimento de
custas não deve acarretar deserção, uma vez que
as custas foram pagas em sua integralidade, em total observância
ao valor fixado na sentença, tendo alcançado seu objetivo.
O recurso foi acolhido com base no dispositivo constitucional segundo
o qual “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo,
e aos acusados em geral são assegurados o contraditório
e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. De
acordo com o relator, “o princípio consubstanciado no artigo
5º, LV, da Constituição compreende a defesa mais abrangente
e ampla possível, cujo cerceamento infundado é inaceitável”.
( RR 239/2005-751-04-00.0)
(Virginia Pardal)
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03/06/2009
Inscrição de estagiária
na OAB, como advogada, valida atos no processo
A habilitação de
profissional na OAB na condição de advogado, ocorrida entre
o substabelecimento e a interposição de recurso, torna
válidos os atos praticados no processo quando o profissional ainda
figurava como estagiário. Esse entendimento, expresso na Orientação
Jurisprudencial nº 319 do Tribunal Superior do Trabalho, foi aplicado
pela Seção Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-1) do TST para reformar decisão do Tribunal Regional do Trabalho
da 15ª Região (Campinas/(SP), que não aceitou recurso
de funcionária de call center da Companhia Paulista de Força
e Luz – CPFL.
Ao julgar recurso ordinário,
o TRT de Campinas considerou irregular a condição da advogada
que representava a trabalhadora e não aceitou o apelo. O acórdão
observou que, quando o recurso fora interposto, em março de 2003,
a representante não estava regularmente constituída como
advogada do sindicato assistente. O primeiro substabelecimento a figurava
como estagiária, e a procuração como advogada, com
número de inscrição na OAB, foi juntada somente
em maio, cerca de dois meses depois.
A trabalhadora, então,
recorreu ao TST visando ao reconhecimento da regularidade da representação
da advogada, que havia alçado à condição
exigida pela legislação antes da interposição
do recurso, questão já definida na OJ nº 319 do Tribunal.
A Quinta Turma do TST rejeitou o recurso, o que originou os embargos à SBDI-1.
Para o relator do processo,
o ministro Guilherme Caputo Bastos, o caso tratava justamente da hipótese
da OJ nº 319. “Aplicando-se a diretriz ali prescrita, tem-se
por desnecessária a apresentação de novo mandato,
e por regular, conseqüentemente, a representação
processual”, afirmou. O relator citou precedentes para concluir
que, contrariamente ao entendimento da Quinta Turma, a “habilitação” a
que se refere a OJ 319 não significa a juntada de novo mandato
nos autos, mas a mera inscrição do profissional na OAB.
Ao acolher os embargos, a SDI determinou o retorno dos autos ao TRT
para que este prossiga no exame do recurso ordinário. ( E-RR-593/2002-092-15-00.0)
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