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O ESTADO DO PARANÁ,
04 de junho de 2009 | Economia
Lula reafirma que País será o
primeiro a sair da crise
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a dizer hoje que o Brasil
foi o último país a entrar na crise e que está sendo o
primeiro a sair. Em entrevista na capital costarriquenha, depois de ouvir elogios
do presidente Oscar Arias que disse que o Brasil será um dos países
industrializados do primeiro mundo e o agradeceu pela liderança dentro
do G-20, Lula falou sobre a situação do país neste momento.
Segundo ele, hoje tem menos gente torcendo para o Brasil não dar certo.
Lula salientou que não
vacilou em nenhum momento de tomar decisões para combater a crise
e emendou: "está tudo do jeito que Deus gosta". O presidente
lembrou que os juros estão caindo e a inflação está sob
controle e disse que tudo isso é uma conquista importante do povo
brasileiro.
Os comentários do presidente
sobre a situação da economia brasileira também foram
dados em resposta a uma pergunta da imprensa costarriquenha que pediu
uma avaliação do primeiro e segundo mandatos dele. Antes
de responder, Lula brincou que a imprensa brasileira ia dizer que ele
estava fazendo campanha. "Eu não estou fazendo campanha",
enfatizou, respondendo que o primeiro mandato foi para consolidar as
políticas sociais e o segundo para aperfeiçoar as políticas
sociais e passar a investir em infraestrutura.
Lula criticou o fato de
que, durante muitos anos, não houve investimento em infraestrutura
no país. Segundo ele, o último presidente a investir
no setor foi Ernesto Geisel. Ele comentou ainda que quem fiscaliza
hoje ganha o dobro do que quem faz as obras e, por isso, as pessoas
preferem fazer um concurso para fiscalizar. "Isso é da
vida".
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Valor Online, 4 de junho
de 2009
Para economistas, Brasil vai sair
da crise global em posição vantajosa
O seminário "Comércio e Finanças: os Desafios da
Crise Mundial", promovido pela Fundação Getúlio Vargas
(FGV) e Banco Mundial, com o apoio do Valor e da Federação das
Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), mostrou economistas
ainda divididos quanto aos rumos da crise mundial, embora a maioria concorde
que o Brasil está em posição vantajosa.
Na abertura, o economista Carlos
Geraldo Langoni, coordenador do evento, deixou no ar a pergunta se aquele
era o último seminário da crise e o primeiro do pós-crise.
Não houve concordância
entre brasileiros e estrangeiros que participaram do encontro, mas o
lado brasileiro, começando pelo próprio Langoni, revelou-se
mais otimista. "Nos últimos 60 dias a percepção
mudou muito", disse o ex-presidente do Banco Central (1980-1983),
citando a evolução favorável dos indicadores de
confiança nos Estados Unidos, Europa e até no mais combalido
Japão.
'Lenta
recuperação'
" A verdade é que a economia mundial dá sinais de uma lenta
recuperação", disse Langoni, para quem os últimos sinais
desmentem a chamada teoria do "L", segundo a qual após a queda
provocada pela crise a economia marcharia em linha horizontal, sem retomar o
crescimento por muito tempo. Ele agora enxerga um movimento mais próximo
do clássico "U", ainda que possa ser um "U" assimétrico,
com a perna da retomada não alcançando a mesma altura do lado da
queda.
O economista da FGV foi ainda
mais otimista quanto ao Brasil. "O Brasil passou muito bem pelo
teste de estresse da economia mundial", disse, ressaltando as diferenças
em relação a crises passadas: "Não houve crise
cambial, não houve fuga de capitais. Foi o teste definitivo para
o regime de câmbio flutuante e foi o primeiro choque externo que
não empurrou o Brasil para uma espiral inflacionária",
relacionou.
Langoni disse que o Brasil operou
bem até na parte fiscal, agindo para compensar os desinvestimentos
privados, mesmo considerando que este é um aspecto que preocupa
para o futuro.
O economista Sebastian Edwards,
da Universidade da Califórnia (Ucla) mostrou expectativa oposta,
ao menos no tocante à situação mundial.
Crise
ainda está presente
"É o primeiro seminário pós-crise? Eu gostaria que
fosse verdade, mas não acho, acho que a crise ainda está conosco
e que ainda estaremos no fundo do poço por algum tempo", disse. Para
Edwards, o máximo que pode estar ocorrendo é "o crescimento
de algumas plantinhas em meio a ervas daninhas".
O máximo que o economista
da Ucla aceita é que a economia mundial parou de cair. Mas ele
avalia que ainda há muita coisa ruim, gerando risco de contaminação.
Ele citou o caso da Espanha, país que, segundo ele, pode vir a
precisar de uma deflação de até 30% para se reestruturar.
Falou também da possibilidade
de os Estados Unidos enfrentarem uma inflação, fruto da
explosão monetária para cobrir o socorro do Estado à economia.
Há ainda, no cenário
de Edwards, a hipótese de os Estados Unidos terem uma segunda
recessão, como ocorreu em 1937 após a primeira fase de
recuperação pós-depressão de 1929.
Nova
recessão
O risco de nova recessão agora seria representado pela possibilidade
de o Governo do presidente Barack Obama ter que aumentar impostos em busca
de equilíbrio fiscal para realizar seus programas na área social.
O economista admite que a América
Latina, especialmente o Brasil, reagiu melhor à crise do que no
passado, mas adverte que no após-crise, a recuperação
do atraso segue por fazer, desde o combate à pobreza até o
esforço educacional, "uma vergonha na América Latina".
Defendeu mais foco em inovação,
produtividade e competitividade na região. A ênfase na educação
e na competitividade foram também as receitas para a região
e para o Brasil dadas por Makhtar Diop, diretor do Bird para o Brasil,
que encerrou o evento.
O economista-chefe do banco UBS
Pactual, Eduardo Loyo, ex-diretor do Banco Central, preferiu concentrar
sua análise no caso brasileiro. Para ele, o Brasil está,
ao mesmo tempo, experimentando uma situação de crise e
de pós-crise. "Estamos, de fato, experimentando um pouquinho
de um amanhecer, seja ele verdadeiro ou não", disse Loyo.
Investir
no Brasil
Ele contou que em recente viagem à Ásia viu expostas em várias
lojas de varejo de produtos financeiros de Tóquio ofertas de opções
para investir no Brasil, ao mesmo tempo que o Governo americano ia à China
tranquilizar quanto ao seu compromisso com a manutenção do dólar
forte. "Eu me senti em uma situação inversa (ao representante
americano)", contou.
Segundo Loyo, embora boa parte
da recente apreciação do real possa ser explicada como
contrapartida ao aumento dos preços das commodities, mas, como
a apreciação da moeda brasileira é maior do que
a alta dos produtos, resta uma diferença que, para Loyo, só pode
ser explicada pela melhora de humor em relação aos ativos
brasileiros.
Na parte do seminário
que discutiu o comércio mundial, a tônica dos palestrantes
foi de advertências quanto aos riscos de um recrudescimento protecionista
e quanto à necessidade de retomada das negociações
comerciais, especialmente da conclusão da Rodada de Doha de negociações
da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Gary Hufbauer, do Peterson Institute
for International Economics, disse que a conclusão de Doha poderia
render ao Brasil mais US$ 2 bilhões em exportações.
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Agência Câmara,
4 de junho de 2009
Câmara reduz tributos de construtoras
do ‘Minha Casa, Minha Vida’
O plenário da Câmara aprovou, nesta terça-feira (2), a
Medida Provisória 460/09, que reduz tributos para as construtoras de
imóveis no âmbito do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida
e sobre as motocicletas, nacionais ou importadas.
Essa renúncia fiscal será compensada,
em parte, pelo aumento de tributos sobre os cigarros. Os deputados precisam
concluir a votação dos destaques apresentados ao texto,
o que pode acontecer nesta quarta-feira (3).
De acordo com o projeto de lei
de conversão aprovado, do deputado Andre Vargas (PT/PR), outros
produtos também ganham isenção tributária. É o
caso das cadeiras de rodas, próteses, almofadas para prevenir
escaras (usadas em hospitais) e plataformas elevatórias (para
facilitar o acesso de cadeiras de rodas).
Em caso de venda no mercado interno,
incidirá sobre esses produtos a alíquota zero da Cofins
e do PIS/Pasep; e não haverá pagamento do PIS/Pasep-importação
e da Cofins-importação se eles forem produzidos no exterior.
Já os portadores de deficiência
auditiva, com perda mínima de 41 decibéis nos dois ouvidos,
poderão comprar carro novo com isenção do IPI. Esse
benefício já existe para portadores de deficiência
física, visual ou mental, autistas e taxistas.
Pagamento único
Em relação às construções direcionadas ao
programa habitacional, Vargas estendeu os benefícios previstos na MP às
obras contratadas a partir de 31 de março deste ano. No texto original,
eram beneficiadas apenas as obras já iniciadas desta data em diante.
A MP permite que as construtoras
optem pelo pagamento de 1% sobre a receita mensal conseguida com o contrato
de construção, a título de alíquota unificada.
Nesse pagamento único, estão contemplados o Imposto de
Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), o PIS/Pasep, a Cofins e a
CSLL.
Entretanto, o recolhimento será considerado
definitivo e não poderá ser compensado com o que for apurado
pela construtora, nem gerar direito a restituição.
A empresa fica proibida também
de usar as receitas, custos e despesas próprias da construção
tributada em 1% na apuração da base de cálculo desses
mesmos tributos, quando incidentes sobre outras atividades empresariais.
O benefício vale até 31
de dezembro de 2013 e se restringe a imóveis com valor máximo
de R$ 60 mil. O relator também concedeu mais dez dias para as
empresas pagarem o imposto - o prazo é estendido do 10º ao
20º dia do mês seguinte ao fato gerador.
Outra novidade do texto aprovado é a
necessidade de divulgação do percentual de unidades habitacionais
construídas para pessoas com deficiência.
Incorporadoras
As incorporações de imóveis do Minha Casa, Minha Vida
também terão regime especial de tributação quando
as unidades valerem até R$ 60 mil.
A alíquota única
de 7% já existia para projetos de incorporação em
andamento antes da MP. Agora, ela é reduzida para 1% no caso dos
projetos vinculados ao programa.
O benefício vale até 31
de dezembro de 2013 e a construção deve ter sido iniciada
ou contratada a partir de 31 de março de 2009.
No caso das incorporações
que não fazem parte do programa, a alíquota cai de 7% para
6%, mas não há limites de datas para usufruir da redução
ou iniciar as obras.
Motos
Com o objetivo de estimular o setor e evitar demissões, a MP também
prevê a redução de 3% para zero da alíquota da Cofins
incidente sobre a receita bruta de venda das motocicletas de até 150
cilindradas.
O incentivo abrange as nacionais
e as importadas e tem validade para os meses de abril a junho de 2009.
Susep
O deputado Vignatti (PT/SC) fez mudanças no texto da MP que havia sido
apresentado por Andre Vargas (substituído da relatoria, na sessão
de hoje, devido ao falecimento do avô).
Vignatti incorporou à MP
dois projetos do Executivo (PLs 3452/08 e 3962/08) que criam cargos para
a Superintendência de Seguros Privados (Susep): são abertas
200 vagas de analista técnico e 50 de agente executivo, de provimento
efetivo. Outros 34 cargos de Direção e Assessoramento Superiores
(DAS) também são criados.
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O ESTADO DO PARANÁ,
04 de junho de 2009 | Economia
PAC ajuda a sustentar crescimento
do Brasil
Agência Estado
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje que o Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) tem ajudado a sustentar a expansão do Brasil. Durante
apresentação do balanço do programa de janeiro a abril
deste ano, Mantega disse que o PAC foi o primeiro projeto de desenvolvimento
implantado no País após três décadas sem programa
de crescimento.
Mantega afirmou que o Brasil
manteve o crescimento econômico por 21 trimestres consecutivos
até que a crise internacional se agravasse, no último trimestre
de 2008. Ele disse que, entre 2003 e 2008, pelos dados da Fundação
Getúlio Vargas (FGV), o crescimento acumulado do Produto Interno
Bruto (PIB) foi de 29%. "O PAC é uma ferramenta fundamental
para este resultado bastante expressivo", disse o ministro.
Segundo ele, a crise interrompeu
esse ciclo provisoriamente. Para Mantega, o PAC é um instrumento
anticíclico recessivo. Ele lembrou que alguns países tentaram
implementar programas semelhantes de investimento após setembro
do ano passado. No Brasil, destacou o ministro, o PAC começou
dois anos antes e, por isso, o programa já estava caminhando para
um amadurecimento quando a crise se agravou.
O ministro disse que o governo
adotou uma série de medidas para combater os efeitos da crise,
que representam um aprofundamento do PAC, como o aumento do investimento
público, o incentivo ao crédito e a redução
de tributação. Segundo ele, o aumento do crédito
e a redução de tributos foram instrumentos importantes
introduzidos no PAC, no seu anúncio, para estimular a economia
e os investimentos. "Na crise, estamos fazendo mais do mesmo",
afirmou.
Mantega disse que, em função
das medidas adotadas pelo governo e da melhora tênue do quadro
internacional, já há sinais de recuperação
da economia brasileira. Ele voltou a repetir que o Brasil será uma
das primeiras economias a sair rapidamente da crise, pelas condições
da economia e pelo PAC. Ele lembrou que a formação bruta
de capital fixo (referente aos investimentos) atingiu 19% do PIB em 2008
e que os investimentos do governo federal devem chegar a 1,2% do PIB
em 2009. Em 2007, ano em que o PAC foi criado, os investimentos do governo
federal representavam 0,7% do PIB.
Mantega disse que os investimentos
da Petrobras devem passar de 0,9% em 2007 para 1,7% do PIB em 2009. Segundo
ele, um resultado de quase 3% do PIB em investimentos públicos
este ano é bastante expressivo, sem considerar os investimentos
privados que também foram estimulados pelo PAC. Ele disse que
os investimentos da Petrobras cresceram 41% no primeiro trimestre de
2009, ante o primeiro trimestre de 2008.
"A Petrobras está mantendo
o seu programa de investimento, apesar da crise e ajudando o crescimento
do País. Acho que a Petrobras é a empresa de petróleo
no mundo que mais investe", destacou.
Mantega lembrou que a previsão
do governo de crescimento do PIB para este ano é em torno de
1%, com uma recuperação rápida em 2010, quando
a economia já deve ter um crescimento entre 3% e 4%.
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FOLHA DE LONDRINA, 04 de
junho de 2009 | Economia
Lupi alerta trabalhadores para o
abono salarial
Brasília - O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, reforçou
ontem o alerta aos trabalhadores de todo o País que têm direito
a receber o abono salarial e que ainda não sacaram o benefício.
Foram identificados 15.560.402 trabalhadores, no ano base 2008/2009, com direito
ao benefício, dos quais 14.820.757 (95,25%) já receberam. Portanto,
faltam ainda 739.645 pessoas com direito ao abono que ainda não buscaram
o benefício.
De acordo com nota divulgada
pelo ministério do Trabalho, o ministro telefonou na manhã desta
quarta-feira para alguns trabalhadores que têm direito ao abono
e que ainda não efetuaram o saque. A ideia é alertar os
trabalhadores que ainda não sacaram os recursos, já que
o calendário de pagamento do ano-base 2008/2009 se encerra no
próximo dia 30.
Ainda estão disponíveis
para saques R$ 343 milhões. O abono salarial consiste no pagamento
anual de um salário mínimo - atualmente em R$ 465,00 -
ao trabalhador que está cadastrado no PIS/Pasep há pelo
menos cinco anos, que trabalhou com carteira assinada durante pelo menos
30 dias no ano-base e tenha recebido em média até dois
salários mínimos de remuneração mensal durante
o período trabalhado.
Para sacar o ano, o trabalhador
deve ir até uma agência da Caixa Econômica Federal,
no caso do PIS, ou do Banco do Brasil, no caso do Pasep, e apresentar
um comprovante da inscrição do PIS/Pasep, carteira de identidade
ou o cartão do cidadão.
Sandra Manfrini
Agência Estado
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Jornal El País, 4
de junho de 2009
Obama teria sugerido nome de Lula
para presidir Banco Mundial
O presidente norte-americano Barack Obama está interessado em que o
Banco Mundial, depois da crise financeira atual, tenha uma estrutura mais focada às
políticas sociais e mais preocupada com os países mais pobres
do planeta. Para isso, Obama teria proposto para a presidência da instituição
o nome do presidente brasileiro, o ex-metalúrgico Luiz Inácio
Lula da Silva, a quem define como "o político mais popular do mundo".
A notícia chegou à imprensa
no número que acaba de chegar às bancas da revista "Exame",
do grupo Abril. Assinada pelo colunista semanal, Marcelo Onaga, a informação
não foi confirmada nem desmentida pelo governo, nem pelos setores
da diplomacia. Questionado por "El País", o chefe do
gabinete de imprensa de Lula, o diplomata Marclo Baumbach, respondeu: "Para
a Presidência da República o assunto deve ser tratado como
rumor, sobre o qual não cabe fazer comentários".
Em sua coluna, Onaga escreve: "Representantes
do presidente americano teriam consultado informalmente pessoas próximas
a Lula para saber qual seria a reação do presidente brasileiro
ao convite [para presidir o Banco Mundial]. Ouviram que, no mínimo,
Lula se sentiria honrado". Consultado por telefone, o jornalista
de "Exame", confirmou que sua fonte foi o Departamento de Estado
norte-americano, ainda que a notícia não seja ainda oficial.
A pessoa próxima a Lula consultada pelos assessores de Obama seria
alguém de total confiança do presidente, segundo Onaga,
que pediu a este jornal para não ter o nome da fonte publicada.
Lula é conhecido como
um político latino-americano que soube conciliar - como ressaltou
ontem (1º) em seu discurso de posse como presidente de El Salvador,
Maurício Funes - "uma política econômica severa
com políticas sociais de grande alcance". Entre outros mandatários
presentes no ato, estavam Lula e a secretária de Estado norte-americana,
Hillary Clinton. Ela se mostrou de acordo com as palavras de Funes. O
novo presidente salvadorenho afirmou em seu discurso que ele se inspirou
na política de dois presidentes atuais: Obama e Lula.
Se confirmado a presidência
de Lula no Banco Mundial, seria a primeira vez em 65 anos que à frente
da instituição estaria um não norte-americano. O
mandato do atual presidente, Robert Zoellick, termina em 2011 e Lula
deverá deixar o seu cargo exatamente em janeiro de 2011.
Lula, que não fala inglês,
seria uma figura simbólica no Banco Mundial, que representaria
uma alma nova na instituição, uma alma de aspecto social,
e faria com que Obama oferecesse ao mundo uma espécie de redenção
de uma instituição acusada tantas vezes de fazer uma política
voltada aos mais ricos do planeta. O presidente brasileiro tem criticado
várias vezes ao longo da crise econômica a política
elitista do Banco Mundial.
Fonte: El Pais
Tradução: Edilson Saçashima
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Gazeta do Povo, 4 de junho
de 2009
Especulação
Lula é cotado para assumir Banco
Mundial, diz revista
São Paulo - Representantes do presidente dos Estados Unidos, Barack
Obama, sondaram pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula
da Silva para saber como ele reagiria a um convite para ser o novo presidente
do Banco Mundial, segundo reportagem da última edição
da revista Exame. De acordo com a revista, a resposta para o questionamento é que
Lula se sentiria, no mínimo, honrado com o convite.
Desde a sua criação,
há 65 anos, o Banco Mundial é comandado por um americano,
em um acordo tácito com os europeus, que em contrapartida indicam
sempre o presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI). O
atual presidente do Banco Mundial é Robert Zoellick, que deixa
o cargo em 2011.
Segundo a Exame, Obama pretende
mudar o perfil do Banco Mundial, apoiando mais o desenvolvimento social.
Lula se encaixaria nesse perfil devido à sua trajetória
de vida.
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Vermelho, 4 de junho de 2009
Concordata da GM: as 'estátuas'
do capitalismo estão caindo
Ainda ontem, segunda-feira, 1º de junho,
conversava com um colega, aqui na sede da UJS (União da Juventude
Socialista), que nesses anos inaugurais do século 21 já podemos
ver alguns acontecimentos históricos que fariam estribuchar de
inveja qualquer Matusalem. Poderia estar me referindo aos ataques de
11 de setembro, à guerra do Iraque, à morte do papa João
Paulo ou à eleição de Obama, mas não é o
caso. Falo sobre isso, já adianto, em razão do pedido de
concordata feito pela gigante automobilística americana, General
Motors (GM).
Por Fernando Borgonovi*
Do ponto de vista simbólico é, sem dúvida alguma, um golpe
terrível no combalido sistema capitalista e uma pedra a estilhaçar
a sua grande vitrine: o modo de vida e de consumo dos Estados Unidos.
Fundada em 1908, a GM foi líder
mundial na produção de veículos por nada menos que
77 anos consecutivos, tendo perdidos o posto apenas em 2007. Foram suas
propriedades marcas como Cadillac, Oldsmobile, Pontiac e a Chevrolet,
bem conhecida nossa aqui no Brasil.
A GM foi, durante todo um longo
período, um ícone do país que "dá certo",
do capitalismo como sistema inquebrantável, da sociedade da liberdade
e do consumo, da supremacia e infalibilidade da livre concorrência
e da supremacia das leis de mercado. Pois bem, nem completamos uma década
de século 21 e a crise do sistema capitalista faz o símbolo
virar pó.
A companhia foi à lona
com 82 bilhões de dólares em ativos e mais de 173 bilhões
em dívidas. Até outro dia, falar em intervenções
do governo no mercado era uma blasfêmia. Agora, a GM tem como seu
principal proprietário - a bem dizer seu salvador - o governo
dos EUA, com mais de 60% de seu controle acionário.
Eu fico imaginando: vai entrar
na cabeça de meu tio, hoje taxista, admirador dos carros e da
marca Chevrolet desde sempre, que essa empresa, ícone de um tempo,
está de joelhos? Pensando bem, vai sim. É só explicar
que é a vingança das estátuas derrubadas no leste
europeu, há poucos anos atrás, numa comemoração
precipitada da vitória do capitalismo.
* Fernando Borgonovi é jornalista
e diretor de Comunicação da UJS.
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Congresso em Foco, 4 de junho
de 2009
Prognósticos para a sucessão
presidencial
Daqui a exatamente um ano – em
junho do ano que vem – serão realizadas as convenções
partidárias que lançarão oficialmente os candidatos
ao Palácio do Planalto nas eleições gerais de
outubro de 2010.
Essa será a sexta eleição presidencial consecutiva desde
a redemocratização do país. E essa será também
a primeira vez em mais de vinte anos em que Luiz Inácio Lula da Silva
não será um dos presidenciáveis em disputa.
Apesar do longo tempo que ainda
resta para o início efetivo da campanha eleitoral, e das incertezas
que continuam cercando a definição dos principais candidatos
(do governo e da oposição), já é possível
apontar algumas tendências quase irreversíveis dessa eleição.
A primeira delas é que
as próximas eleições presidenciais têm tudo
para repetir a já tradicional bipolarização entre
petistas e tucanos. O PT e o PSDB foram os únicos partidos que
lançaram candidatos próprios em todas as cinco eleições
presidenciais anteriores. E essas duas siglas chegaram em primeiro ou
em segundo lugar nas quatro eleições mais recentes – com
duas vitórias para cada lado.
De fato, as pesquisas de intenção
de voto divulgadas de uma semana para cá confirmam uma precoce – mas
não surpreendente - bipolarização do cenário
sucessório presidencial. O espaço para candidatos alternativos
viáveis tende a reduzir-se ainda mais nos próximos meses.
As expectativas são de consolidação dos pólos
ocupados respectivamente pela ministra Dilma Rousseff (PT) e pelo governador
José Serra (PSDB).
No entanto - e essa é uma
tendência menos intuitiva do cenário pré-eleitoral
corrente -, a sucessão do presidente Lula não deve ser
definida no primeiro turno. Não tanto pelo que já foi observado
nas eleições passadas, mas em decorrência da combinação
de alguns fatores conjunturais.
Dos três presidentes eleitos
pelo voto popular após o fim do regime militar, apenas FHC conseguiu
a proeza de vencer no primeiro turno. Tanto Collor quanto Lula precisaram
disputar o segundo turno. Em outros termos, houve segundo turno em três
das cinco eleições presidenciais pós-redemocratização
(inclusive nas duas últimas).
Mas o meu principal motivo para
crer que haverá de novo dois turnos na eleição do
ano que vem é a provável abundância de candidatos
alternativos - cujos votos reunidos devem ser numerosos o suficiente
para impedir que PT ou PSDB obtenham maioria absoluta no primeiro turno.
Essa expectativa pela multiplicação
de “azarões” decorre de dois fortes incentivos para
que muitos partidos lancem candidatos próprios ao Planalto em
2010. O primeiro deles é o fato de que não haverá um
presidente buscando a reeleição. O segundo é o fim
da verticalização das coligações eleitorais,
uma polêmica regra que vigorou nas duas últimas eleições.
Em síntese, a minha “aposta” é que
Serra e Dilma (ou quem venham a ser os candidatos de seus respectivos
partidos) disputarão voto a voto o segundo turno em 31 de outubro
de 2010. Podem me cobrar depois. Só não me arrisco agora
a dizer quem será o vencedor.
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O ESTADO DO PARANÁ,
04 de junho de 2009 | Política
Dilma evita comentar pesquisa sobre
intenção de voto
Agência Estado
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, evitou comentar o resultado da pesquisa
CNT/Sensus que indica a redução da distância entre ela
e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), na corrida pela
sucessão presidencial de 2010. "Gostei muito da parte que disse
da aprovação do governo em 69%. Como estou falando hoje do PAC
(Programa de Aceleração do Crescimento) essa parte me interessa
muito", disse a ministra, no final do 7º balanço do PAC.
Segundo ela, esse porcentual
revela a forma como a população recebe o governo e seus
projetos. "Acho que a população reconhece o esforço
do governo, tanto no que se refere ao PAC, quanto aos programa como
o Minha Casa, Minha Vida", disse a ministra, acrescentando que é natural
que esse porcentual oscile ao longo do tempo.
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FOLHA DE LONDRINA, 04 de
junho de 2009 | Política
Senado aprova lei que barra 'ficha
suja'
Brasília - A Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) do Senado aprovou ontem projeto de lei que exige ''idoneidade moral e
reputação ilibada'' aos candidatos que disputam as eleições.
De autoria do senador Pedro Simon (PMDB-RS), o texto altera o Código
Eleitoral na tentativa de impedir que candidatos com ''ficha suja'' concorram
a cargos eletivos.
Na justificativa do projeto,
Simon afirma que a legislação eleitoral apenas torna inelegíveis
candidatos condenados em definitivo por diversos crimes - mas não
prevê a idoneidade moral como prerrogativa necessária na
disputa.
''As disposições
da referida lei viabilizaram, assim, a candidatura daqueles que lançam
mão de inúmeros recursos legais para postergar indefinidamente
o trânsito em julgado de eventuais condenações criminais.
E propiciou o aumento da corrupção e da irresponsabilidade
nos Poderes Legislativo e Executivo'', diz o senador. Segundo Simon,
a reputação ilibada dos candidatos deve ser exigida não
apenas para aqueles que disputam uma vaga no Poder Legislativo, mas também
aos futuros ocupantes de cargos no Executivo.
''Desse modo, dá-se ao
cidadão a oportunidade de escolher seu candidato entre aqueles
com conduta moral compatível com as responsabilidades do cargo
eletivo disputado'', argumenta o senador.
O senador Demóstenes Torres
(DEM-GO), relator do projeto na CCJ, disse que o texto se sustenta juridicamente,
uma vez que a ''moralidade dos agentes públicos e candidatos se
impõe como exigência constitucional''.
Na opinião do democrata,
''os requisitos de idoneidade moral e reputação ilibada,
que são exigidos de diversos agentes públicos, não
podem ser ignorados para os cargos eletivos''.
Como o projeto tem caráter
terminativo (não precisa ser aprovado no plenário do Senado),
segue para análise da Câmara dos Deputados.
Crimes
A CCJ ainda aprovou projeto que
também altera o Código Eleitoral para permitir a prisão
de eleitores acusados de crime hediondo ou de crime doloso contra a vida,
tanto nos cinco dias que antecedem, quanto nos dois dias posteriores às
eleições.
Gabriela
Guerreiro
Folhapress
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O Estado de S.Paulo, 4 de junho de 2009
Sindicatos denunciam dívida
brasileira com precatórios à OIT
Valor devido chegaria a R$ 100
bilhões; em São Paulo, 80 mil pessoas teriam morrido sem
receber o dinheiro. Proposta (PEC 351/09) está em discussão
na Comissão de Constituição e Justiça da
Câmara, cujo relator é o deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ)
Sindicatos entregam, nesta quarta-feira
(3), à Organização Internacional do Trabalho (OIT)
denúncia alertando que as dívidas de Estados e municípios
com precatórios chegaria a R$ 100 bilhões no Brasil.
No próximo dia 15, sindicatos
vão ainda aproveitar a visita de Luiz Inácio Lula da Silva à OIT
em Genebra para entregar a denúncia ao Presidente.
A entrega do documento será feita
oficialmente pelo presidente do Sintergs (Sindicato dos Técnicos
Científicos do Rio Grande do Sul), Cezar Pacheco Chagas.
A Associação Nacional
dos Servidores Públicos (ANSP) também é uma das
que apoia a iniciativa.
Os sindicatos esperam que a OIT
avalie a situação no Brasil e cobre uma solução
para os trabalhadores. "Queremos criar uma pressão internacional
para que essa situação seja resolvida", disse Chagas.
"O Governo Federal precisa
assumir essa situação e dar uma resposta. O que vemos é que,
por anos, Governos estaduais e municipais vêm adiando o pagamento
de precatórios.
Só no estado de São
Paulo, 80 mil pessoas já morreram sem nunca ter recebido o dinheiro
que o Governo lhes devia", disse.
Segundo o sindicato, 30% das
pessoas na fila dos precatórios morrem sem receber seus recursos.
A denúncia é focada
na situação dos trabalhadores, mas alertará a OIT
para outros aspectos, como a insegurança jurídica e o abalo à democracia
causado pela sobreposição de poderes.
Os sindicatos alertam que isso
estaria ocorrendo todas as vezes em que o Poder Executivo desrespeita
as decisões do Judiciário e não paga os precatórios.
Outro ponto que os sindicatos
prometem abordar é a PEC 351/09, que já foi aprovada pelo
Senado (PEC 12/06) e agora está em discussão na Câmara
dos Deputados.
"É a chamada PEC
do Calote, que institucionalizaria o calote dos Governos", alertou
Chagas.
A denúncia incorpora resultado
do Fórum Nacional de Precatórios, realizado no Rio Grande
do Sul no início do ano.
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Jornal de Brasília,
4 de junho de 2009
DF: aposentadoria especial para
médicos sindicalizados, decide STF
Os médicos da União
que trabalham no Distrito Federal, que exerçam atividade insalubre,
terão direito à aposentadoria especial.
A ministra Ellen Gracie, do Supremo
Tribunal Federal (STF), concedeu o benefício aos médicos
sindicalizados.
Gracie julgou procedente mandado
de injunção impetrado pelo Sindicato dos Médicos
do Distrito Federal (SindMédico/DF) no qual pleiteava o benefício.
Tecnicamente cabe recurso, mas
como o STF já pacificou a decisão, dificilmente ela será modificada.
No mês passado, o STF decidiu
permitir que os pedidos de aposentadoria de servidores públicos
que trabalham em condições insalubres e de periculosidade
sejam concedidas de acordo com as regras do artigo 57 da Lei 8.213/91,
que regulamenta a aposentadoria especial de celetistas.
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FOLHA DE LONDRINA, 04 de
junho de 2009 | Cidades
Jornada de trabalho aumenta no INSS
Categoria não concorda com a resolução
federal e pode deflagar greve
A ampliação da jornada de trabalho dos servidores do Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS), que passou de seis para oito horas diárias
no início desta semana, pode levar a categoria a deflagrar uma greve
nacional na segunda quinzena de junho. Uma resolução do INSS
publicada no final de maio deste ano determinou o funcionamento de todas as
agências da previdência das 7 às 19 horas e o atendimento
ao público das 8 às 18 horas. O texto também estabelece
jornada de 40 horas semanais para os servidores.
No último sábado,
uma assembleia realizada pelo Sindicato dos Servidores Públicos
Federais em Saúde, Trabalho, Previdência Social e Ação
Social do Paraná (SindPrevsPR) decidiu paralisar as atividades
por tempo indeterminado a partir do dia 15 de junho. A proposta será discutida
no próximo sábado em Brasília, durante plenária
da Federação Nacional dos Servidores do INSS, do Ministério
da Saúde, da Funasa, da DRT e da Anvisa (PRP). Segundo a diretora
do SindiPrevsPR em Curitiba, Jaqueline Mendes de Gusmão, é provável
que nesta reunião sejá definida apenas a data da paralisação,
já que é a maioria dos estados já optou pela greve.
A principal reivindicação
dos trabalhadores previdenciários é que a jornada de trabalho
seja composta por dois turnos de seis horas diárias. A resolução
do INSS prevê a possibilidade de jornadas semanais de 30 horas,
mas os servidores que optarem por essa situação terão
o salário reduzido proporcionalmente. Para o diretor paranaense
do SindPrevsPR, Moacir Lopes a medida é "absurda", pois
existem cidades, como Dois Vizinhos (46 km ao norte de Francisco Beltrão)
onde existe apenas um servidor. "Ele vai ficar 12 horas por dia?",
questiona.
O problema por trás desta
resolução, segundo Lopes, é a falta de funcionários
na previdência. Apesar de terem sido feitos concursos para essa área
no início de 2009, até o momento ninguém teria sido
contratado. Lopes afirma que enquanto a decisão sobre a greve
não for acertada a orientação do sindicato é que
os servidores não cumpram a nova jornada. Ele argumenta ainda
que existe um decreto presidencial de 2003 que estabelece um limite de
30 horas semanais para o setor público.
De acordo com o gerente do INSS
em Curitiba, Altamir da Silva Cardoso, a resolução federal
não trouxe muitas mudanças concretas nas agências
de Curitiba. Segundo ele, o funcionamento das 7 às 19 horas já era
realizado na Capital através de 2 turnos de seis horas. A diferença
apontada por Cardoso é que antes eram seis horas sem horário
de almoço e agora serão oito horas com direito a almoço.
Para Cardoso os meses de junho e julho serão um período "de
adaptação", onde serão ajustados os horários
de trabalho. Ele afirma ainda que haverá compensação
salarial pela extensão da jornada.
Serviços
A discussão sobre as mudanças
na jornada de trabalho passou desapercebida pela aposentada Maria de
Lourdes Borges, 78 anos, que esteve ontem na agência do INSS no
Centro de Curitiba. Para ela, a situação de hoje é bem
melhor daquela encontrada por ela há anos atrás, quando
era preciso entrar na fila ainda de madrugada para ser atendida. "Às
14 horas acabava tudo", lembra ela. O metalúrgico Elias da
Silva Freitas, que precisou dos serviços previdenciários
pela primeira vez, considerou o atendimento rápido. Ele demorou
uma hora e dez minutos para agendar uma perícia médica.
O sistema de atendimento da previdência
vem mudando desde 2006. Entre outras alterações, as filas
foram reduzidas com a possibilidade de agendamento dos atendimentos pelo
telefone 135 ou pela internet.
André Amorim
Equipe da Folha
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Folha de S.Paulo, 4 de junho
de 2009
SENADO
Projeto que regulamenta motoboys passa
em comissão
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois de três adiamentos,
a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça)
do Senado aprovou ontem projeto que regulamenta as profissões
de motoboy, mototaxista e moto-frete. O texto define que só poderá exercer
a profissão quem tem mais de 21 anos e possui habilitação
por, ao menos, dois anos.
Segundo o Ministério do Trabalho, há 2,5 milhões de profissionais
que trabalham na informalidade pela falta de regulamentação.
O relator do projeto, senador Expedito Filho (PR-RO), disse que o texto apenas
formaliza a profissão e que caberá às câmaras de
vereadores definir se o município poderá ou não ter mototáxi,
por exemplo, para transporte de passageiros. De acordo com ele, o estabelecimento
de idade mínima visa evitar que pessoas sem experiência exerçam
a profissão.
A partir da sanção da lei, o motoqueiro só poderá trabalhar
se for aprovado em curso especializado do Contran (Conselho Nacional de Trânsito).
O órgão também será responsável por definir
punições para esses profissionais. O projeto ainda precisa ser
aprovado em mais uma comissão do Senado para ser convertido em lei.
Os taxistas que trabalham com transporte remunerado de mercadoria (moto-frete)
terão que instalar na motocicleta protetor de motor mata-cachorro, fixado
no chassi do veículo, destinado a proteger a perna em caso de tombamento.
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Folha de S.Paulo, 4 de junho
de 2009
Câmara aprova restrição
maior para demissão de gestante
Dispensa por justa causa precisará de
autorização da Justiça; projeto de lei segue
agora para o Senado
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Projeto de lei aprovado ontem
por unanimidade ontem na CCJ (Comissão de Constituição
e Justiça) da Câmara dá mais estabilidade de trabalho
para as gestantes. De acordo com a proposta, a demissão das grávidas
por justa causa só será possível após a apuração
de falta grave por meio de inquérito judicial.
Durante a tramitação do inquérito, a funcionária
continuará a ser remunerada. O projeto segue para o Senado. Se aprovado
pelos senadores, a proposta irá a sanção do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
Atualmente, explica o relator do projeto na Câmara, deputado Flávio
Dino (PC do B-MA), as gestantes podem ser demitidas apenas com justa causa,
mas elas não têm garantias de estabilidade e têm que recorrer à Justiça
caso se sintam prejudicadas, ficando sem receber durante o período.
" Agora, com esse projeto, caso o empregador considere que a empregada cometeu
uma falta grave durante o período da gestação, ele deverá procurar
a Justiça para obter a decisão que autoriza a demissão,
e não o contrário", explicou Dino.
Para os deputados, a proposta dá proteção não apenas à funcionária,
mas principalmente ao bebê.
" Sem o inquérito, a empregada gestante demitida por justa causa
fica sem emprego e sem salário em momento bastante delicado, durante o
qual dificilmente conseguirá um outro trabalho", ressalta Flávio
Dino, lembrando que o trânsito em julgado da ação judicial
pode levar anos.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
04/06/2009
Primeira Turma rejeita cobrança
de honorários de profissional autônomo
Está fora da competência
da Justiça do Trabalho resolver questões de cobrança
de honorários de advogado e de profissionais autônomos da
engenharia, arquitetura e medicina, quando a relação é de
igualdade entre as partes, e não de subordinação.
A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho aplicou esse entendimento
ao negar provimento a recurso de um advogado que prestou serviços
para a Administradora e Construtora Soma Ltda.
A decisão da Primeira
Turma mantém, assim, a sentença de origem. Segundo o advogado,
que pretendia ver sua relação contratual discutida pela
JT, a ampliação da competência da Justiça
do Trabalho, ocorrida com a Emenda Constitucional nº 45, abrange
a relação de trabalho entre advogado e cliente. Em minuciosa
análise da questão, o ministro Lelio Bentes Corrêa,
relator do recurso de revista, afirma que “a inserção,
na competência da Justiça do Trabalho, da prestação
de serviços no âmbito de relações de consumo
talvez seja o ponto mais controvertido da alteração constitucional
até o momento”.
O relator esclarece que as situações
de trabalho autônomo que podem ser submetidas à jurisdição
trabalhista são aquelas em que o prestador de serviços
se encontre “em condição de inferioridade na relação
jurídica, seja pelo critério da subordinação,
seja pela dependência econômica”. Quando não é “visível” a
desigualdade, a condição do prestador de serviços
seria semelhante à do empresário - “é o caso
dos trabalhadores genuinamente autônomos, como os profissionais
liberais”, conclui o ministro Lelio. A competência nestes
casos, então, ainda seria da Justiça Comum.
Ao citar como exemplo os profissionais
da engenharia, advocacia, arquitetura e medicina, o magistrado ressalta
serem aqueles “que exercem seu trabalho de forma autônoma,
utilizando meios próprios e em seu próprio favor”,
que se colocam em patamar de igualdade, ou até de vantagem, em
relação àquele que o contrata. Diferente é a
situação de quando se trata de prestação
de serviços de caráter autônomo, mas com “inserção
em processo produtivo, agregando valor à atividade econômica
de terceiro (por exemplo, médico que presta serviços em
caráter autônomo em hospital)”. Aqui, a competência
da Justiça do Trabalho pode ser justificada, pois visa aqui a “dirimir
os litígios havidos entre o prestador dos serviços (o médico)
e aquele que deles se apropria (o hospital)”.
Em seu voto, o ministro Lelio
Bentes descreve o quadro atual, no qual “o trabalho subordinado
cedeu lugar a novas formas de prestação de serviços,
de caráter pretensamente autônomo”, e em que mais
de 50% da força de trabalho atua no mercado informal, “prestando
serviços sem vínculo contratual com um empregador e sem
gozar de proteção legal”. Segundo a avaliação
do relator, é essa parcela do “público-alvo original”,
que estava fora da relação de emprego formal, que a ampliação
da competência da Justiça do Trabalho busca alcançar.
A inserção abrange, assim, o trabalho autônomo equiparável
ao de operário ou artífice e aquele prestado por trabalhador
com “autonomia meramente nominal”, tais como prestadores
de serviços eventuais em domicílio e “chapas” de
caminhões. A decisão segue o entendimento da Súmula
nº 363 do Superior Tribunal de Justiça. ( RR –1110/2007-075-02-00.5)
(Lourdes
Tavares)
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04/06/2009
Distribuidora farmacêutica pagará R$
50 mil por revistar empregado
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho restabeleceu sentença que condenou a Distribuidora
Farmacêutica Panarello Ltda., de Bebedouro (SP), a pagar indenização
por danos morais no valor de R$ 50 mil a um ex-empregado por submetê-lo
a constrangimento durante revista corporal com o objetivo de evitar o
furto de remédios do setor de estoque. Em voto relatado pelo ministro
Alberto Bresciani, a Turma do TST acolheu o recurso do trabalhador e
reformou a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas/SP) por considerar que a prática contrariou o artigo
da Constituição segundo o qual são invioláveis
a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas (artigo
5º, inciso X).
Segundo o ministro relator, não
se pode negar o direito objetivo do empregador de controlar, vigiar e
fiscalizar seus empregados, de forma a, entre outros fins, proteger o
patrimônio da empresa. Contudo, esse poder encontra limites também
legalmente traçados, não se tolerando a prática
de atos que violem os direitos da personalidade do empregado. Segundo
Bresciani, ainda que a distribuidora de medicamentos tenha o dever legal
de fiscalização rígida e permanente, em razão
do seu ramo de atividade – que envolve medicamentos tóxicos
e psicotrópicos –, não se pode esquecer que, efetivamente,
há limites no ordenamento jurídico brasileiro que vedam
a prática desenvolvida pela Panarello.
O ministro Bresciani lembrou
que, além dos dispositivos constitucionais que tutelam a privacidade,
a honra e a imagem e vedam práticas que lesionem a dignidade da
pessoa humana, a CLT (artigo 373-A, inciso VI) proíbe expressamente
a revista íntima feita pelo empregador. Segundo ele, embora o
dispositivo seja dirigido às mulheres, é passível
de aplicação aos empregados em geral, em razão do
princípio da igualdade também assegurado pela Constituição. “Concluiu-se,
assim, que a realização de revistas, nas quais os trabalhadores
tenham sua intimidade exposta, com exigência de desnudamente frente
a terceiros, é conduta ilícita que ofende irremediavelmente
o mandamento legal e constitucional”, afirmou em seu voto.
O acórdão regional
revela, com base em testemunha indicada pela própria empresa,
que a “vistoria” era feita em um vestiário separado
por divisória, onde entravam de quatro a cinco funcionários
de cada vez. Ao contrário do que disse a testemunha indicada pelo
empregado, a testemunha da empresa afirmou que não eram permitidos
contatos físicos ou brincadeiras no momento da vistoria e que
o empregado tinha o direito de ser revistado em separado, se desejasse.
Com base no depoimento desta testemunha, o TRT concluiu que a revista
era feita com seriedade, dentro dos limites do bom senso e com dignidade.
Mas, segundo depoimento da testemunha do trabalhador, os empregados tinham
suas cuecas puxadas para baixo e para cima, fotos eram tiradas e muitos
eram apalpados, o que provocava brigas.
O TRT considerou “exagerado
e surreal” o depoimento da testemunha indicada pelo trabalhador.
Segundo o Regional, o depoente “carregou nas tintas” ao descrever
a prática de revista, induzindo o juiz a pensar que a vistoria
corporal era realizada em um clima de horror, humilhação
e constrangimento típico de uma penitenciária ou de campo
de concentração nazista, nunca de uma empresa deste porte. “O
modo como descreve a vistoria nos leva a imaginar um sem número
de empregados nus e seminus, sendo fiscalizados por um bando de sádicos
e incompetentes, tendo que aguentar os mais diversos tipos de brincadeiras
de mau gosto, gracejos desagradáveis e humilhantes. Ou seja: uma
verdadeira baderna”, diz o acórdão, agora reformado
pela Terceira Turma do TST por unanimidade de votos. (RR 630/2005-058-15-00.2)
(Virginia Pardal)
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04/06/2009
TST garante promoção por merecimento
a funcionária do Município de Ilhéus
A Oitava Turma do Tribunal Superior
do Trabalho concedeu diferenças salariais referentes a promoção
por merecimento a uma funcionária do Município de Ilhéus,
na Bahia. Os ministros, por maioria de votos, deram provimento ao recurso
de revista da empregada e reformaram a decisão do Tribunal Regional
do Trabalho da 5ª Região (BA) que garantia apenas o direito à promoção
por antiguidade.
Na 1ª Vara do Trabalho de
Ilhéus, a empregada alegou que era recepcionista no município
desde maio de 1984. Regida pela CLT, ela não teria recebido as
promoções horizontais (por antiguidade e merecimento) previstas
no Plano de Classificação de Cargos e Salários (PCCS)
dos servidores, aprovado em outubro de 1988. No caso específico
das promoções por merecimento, isso ocorreu porque o município
não teria instituído a “Comissão de Avaliação
de Maturidade” dos servidores, conforme estabelecia o Plano. Contou
ainda que estava na mesma classe 2, nível 8, do cargo desde julho
de 1990, e que, na prática, exercia a função de
secretária. O Município de Ilhéus defendeu que a
empregada deveria ter esgotado o pedido de instalação da
referida comissão no âmbito administrativo. Além
disso, ela não era servidora estável, e a implantação
do plano de cargos decorreria de ato discricionário do empregador.
A juíza que analisou o
processo considerou a ação improcedente, tendo em vista
que a funcionária foi admitida sem concurso público e,
portanto, o contrato era nulo. Por essas razões, segundo a juíza,
ela não poderia pleitear promoções ou reclassificação
na carreira. Já no TRT/BA, a funcionária conseguiu ser
reclassificada como assistente administrativo (uma vez que o cargo de
recepcionista deixou de existir no novo PCCS) e garantiu a promoção
por antiguidade a cada quatro anos. Mas o Regional não concedeu
a promoção por merecimento, por entender que não
cabia ao Poder Judiciário decidir sobre a oportunidade e a conveniência
da administração pública em proceder à avaliação
por merecimento.
No julgamento de novo recurso,
agora pelo TST, a relatora do processo,ministra Maria Cristina Peduzzi,
presidente da Oitava Turma, entendeu que o recurso da empregada sequer
deveria ser conhecido (analisado) pelo TST. A relatora concordou com
o Regional de que o Judiciário não poderia realizar a avaliação
para promover a empregada, e observou que não houve má-fé por
parte do município ao deixar de criar a comissão de avaliação.
Mas a ministra Dora Costa chamou
a atenção para o fato de que compete ao município,
responsável pela implantação do PCCS, fazer a avaliação.
Por isso, não era possível aceitar o entendimento do TRT
de que a empregada simplesmente “não cumpriu com os pressupostos
indispensáveis de avaliação pela Comissão
de Maturidade”, na medida em que o município não
instituiu a referida comissão.
A ministra Dora também
destacou que o TRT não esclareceu quais seriam os critérios
de avaliação para se conceder a promoção
por merecimento, como, por exemplo, assiduidade, produtividade ou disciplina.
Por outro lado, esse fato não poderia desautorizar a concessão
do benefício, já que cabia ao município provar que
a empregada não preenchia os requisitos necessários para
conquistar a promoção – o que não ocorreu.
Para a ministra, portanto, as condições para a concessão
da promoção por merecimento deveriam ser consideradas atendidas.
O mesmo entendimento sobre o
caso teve o ministro Márcio Eurico Amaro. Dessa forma, a Oitava
Turma do TST, por maioria de votos, concluiu que são devidas à empregada
as diferenças salariais decorrentes das promoções
bienais por merecimento previstas no Plano de Cargos do Município
de Ilhéus, ficando vencida a relatora, ministra Maria Cristina
Peduzzi. ( RR – 159/2006-491-05-00.5)
(Lilian Fonseca)
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