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ÚLTIMO SEGUNDO, 10 de
junho de 2009 | Economia
Construção civil está mais
otimista sobre recuperação
Agência Estado
Os empresários da construção civil estão mais otimistas
com o futuro e com a recuperação da economia neste ano. Depois
de nove meses de intenso pessimismo, pela primeira vez, as expectativas de
desempenho do setor melhoraram, conforme a 39ª Sondagem Nacional da Indústria
da Construção Civil, realizada em maio pelo Sindicato do segmento
(SindusCon-SP) e pela FGV Projetos.
Foram entrevistados 241 empresários
de todo o País, que deram notas de 0 a 100 para questões
sobre desempenho do setor e ambiente macroeconômico. Entre os indicadores,
a melhora mais significativa foi no item "perspectivas de desempenho",
que mostra a visão dos construtores com relação à atividade
futura. A nota melhorou quase 30% comparada à pesquisa feita em
fevereiro.
O número é melhor
quando avaliado apenas o Estado de São Paulo, cujo indicador foi
32,6% maior. Os empresários também relataram ligeira recuperação,
de 10%, no desempenho atual das companhias.
Também houve melhora na
perspectiva de inflação e condução da política
econômica. Ainda assim, a maioria dos empresários não
acredita que o País conseguirá ter algum crescimento neste
ano.
Apesar da melhora, os números
ainda estão bem abaixo do verificado em igual período do
ano passado. "Entretanto, o resultado é positivo, já que
as expectativas futuras melhoraram", destaca o presidente do Sinduscon-SP,
Sérgio Watanabe. Parte do novo ânimo é creditado
ao programa federal "Minha Casa, Minha Vida".
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O ESTADO DO PARANÁ,
10 de junho de 2009 | Economia
CNI/Ibope: 53% acreditam em aumento
do desemprego
Agência Estado
O emprego é o tema que mais preocupa a população, indica
a pesquisa CNI/Ibope de junho, divulgada hoje. Segundo o levantamento, para
53% da população, o desemprego "aumentará" ou "aumentará muito",
enquanto 21% disseram acreditar no aumento da oferta de trabalho nos próximos
seis meses. Contudo, a pesquisa também demonstrou otimismo da população.
Grande parte dos entrevistados, 77%, considera que o ano de 2009 está sendo "muito
bom" ou "bom". Na pesquisa anterior, realizada em março,
o porcentual de pessoas que tinham a mesma opinião era de 74%. De lá para
cá, diminuiu de 25% para 22% o porcentual de entrevistados que acham
que o ano está sendo "ruim ou muito ruim".
A expectativa para todo o ano
de 2009 também é positiva: 84% afirmaram que este ano será "muito
bom" ou "bom". A pesquisa mostrou queda no número
de entrevistados que acreditam na elevação de preços.
Segundo os dados, 51% das pessoas ouvidas afirmaram que a inflação
vai aumentar, contra 32% que disseram que ela se manterá no mesmo
patamar. Para 11%, haverá redução de preços.
Em março, 63% haviam dito que os preços iriam aumentar
nos próximos seis meses.
Houve diminuição
de 37%, em março, para 35% no número de entrevistados que
disseram acreditar que sua renda iria aumentar até o fim do ano.
Na pesquisa mais recente, 46% afirmaram que seus ganhos continuariam
os mesmos e 13% disseram acreditar que vão ganhar menos que recebem
hoje.
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O ESTADO DO PARANÁ,
10 de junho de 2009 | Economia
Serra: política do BC é contra
o crescimento e emprego
Agência Estado
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), afirmou hoje que
o Banco Central atua contra o crescimento do País e a geração
de empregos ao não reduzir mais a taxa básica de juros, a Selic.
O tucano disse que a manutenção da política monetária
deixa dúvidas sobre quando o Produto Interno Bruto (PIB) deixará de
encolher.
A reunião do Comitê de
Política Monetária (Copom) do BC que vai definir a taxa
Selic, atualmente em 10,25% ao ano, começou hoje e termina amanhã.
A expectativa dos analistas de mercado é de que o Copom anuncie
um corte de 0,50 ou 0,75 ponto porcentual, levando os juros básicos
para a faixa de um dígito. Mas, para o governador, esse ritmo é insuficiente.
"O PIB caiu de novo neste
trimestre e está todo mundo comemorando, dizendo que poderia ser
melhor", disse o governador, em discurso durante a troca de comando
da Secretaria de Estado de Assistência Social, na capital paulista. "Não
está claro quando se vai deter isso, em face das orientações
da política econômica do BC, que é contra o crescimento
e evidentemente contra o emprego."
Mais tarde, em evento da Secretaria
de Saúde, o governador voltou a apontar falhas na condução
da economia pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "É uma
política equivocada e que não ajuda a combater a estagnação
econômica", criticou.
Serra se mostrou satisfeito diante
do resultado da pesquisa CNI/Ibope de intenção de voto
para as eleições presidenciais de 2010, divulgada hoje.
O tucano aparece com 38% das intenções de voto, seguido
pela ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT, Dilma
Rousseff (18%). "É bom ter um reconhecimento nacional à minha
vida pública. É sempre muito gratificante", afirmou.
O governador reiterou,
porém, que não tem a intenção de entrar
agora no debate eleitoral. "É muito cedo para simular o
que vai acontecer no ano que vem", disse. "Achar que (a pesquisa)
já é parte de uma corrida eleitoral é precipitado."
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Agência Brasil, 10 de
junho de 2009
Mantega: resultado do PIB foi melhor
do que projeções; queda de 0,8%
O ministro da Fazenda, Guido
Mantega disse, nesta terça-feira (9), que o resultado da economia
no primeiro trimestre deste ano foi melhor do que o mercado estava projetando. "Aliás,
ninguém acertou. Todo mundo estava falando que ia cair 3%, 2,5%,
2% e na verdade a queda foi de 0,8%".
Segundo o ministro, a baixa se
deveu fundamentalmente à queda de investimentos na indústria
de modo geral. Ele lembrou que o consumo das famílias e do Governo
sustentaram o nível de atividade.
Mantega disse também que
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou satisfeito com o
resultado, que mostra a capacidade de recuperação da economia
brasileira.
Hoje, o Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o resultado da economia
no primeiro trimestre, que teve queda de 0,8%, na comparação
com o quarto trimestre de 2008.
Em relação ao primeiro
trimestre de 2008, o Produto Interno Bruto (PIB) - a soma de bens e serviços
produzidos no país - teve queda de 1,8%.
Segundo Mantega, "existem
outras medidas que podem ser tomadas, mas que os senhores conhecerão
a seu tempo". Sem dar detalhes, ele também afirmou que o
governo deve adotar medidas para estimular setores que apresentem dificuldades.
O ministro acrescentou que medida
provisória com as regras de operação do Fundo Garantidor
de Crédito para a Pequenas e Médias Empresas foi assinada
hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deve sair na
edição de amanhã no Diário Oficial da União.
"O BNDES [Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social] já está preparando
as regras para a viabilização desse crédito. Queremos
fazer um aporte do Tesouro e esse fundo de aval criado no BNDES já está saindo".
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Folha de S.Paulo, 10 de junho
de 2009
PIB: Empresas e sindicatos querem
atuação mais forte do governo
DA REPORTAGEM LOCAL
Embora a retração
da economia no primeiro trimestre tenha sido mais branda do que o previsto,
representantes de indústria, comércio e dos trabalhadores
dizem que o momento não é para baixar a guarda.
" Não se sabe exatamente até onde vai a crise. Necessitamos
de providências contínuas para minimizar o seu efeito", disse
o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo), Paulo Skaf.
Para ele, as armas empregadas pelo governo até agora devem ser reforçadas:
os juros têm que cair mais, o acesso das micro, pequenas e médias
empresas ao crédito precisa ser facilitado e as desonerações
da produção de automóveis e de eletrodomésticos
devem ser estendidas a outros setores da manufatura nacional.
" Além disso, é fundamental propor uma agenda positiva de
longo prazo para o país, com investimentos em educação,
tecnologia e inovação, de forma que o Brasil esteja preparado para
a retomada quando o mundo voltar a avançar", defende o presidente
da Fiesp.
Para a Fecomercio SP, foram o setor de serviços e o consumo das famílias
-puxado pelo aumento da renda das famílias- que impediram um resultado
pior. "O que preocupa é que este quadro não pode ficar indefinidamente
inalterado, já que o nível de atividade está em queda,
o que tende a afetar a renda nos próximos meses", diz seu presidente,
Abram Szajman.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva disse que a queda
no PIB deve-se à política de juros "proibitivos".
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Folha de S.Paulo, 10 de junho
de 2009
PIB/ QUEDA GLOBAL
Desempenho é o 8º melhor
entre 36 grandes economias
Enquanto retração brasileira
se abrandou, maioria dos países acentuou recessão |
Indonésia e Coreia do Sul, que tiveram queda igual ou superior à do
Brasil no 4º tri, voltaram a se expandir entre janeiro e março
Á LVARO FAGUNDES
DA REDAÇÃO
Se nos últimos três
meses do ano passado a queda da economia brasileira ficou entre as
maiores do mundo, o resultado do PIB do primeiro trimestre ficou entre
os menos ruins.
Em um levantamento com 36 das 50 maiores economias globais, o desempenho brasileiro
só foi inferior ao registrado por 7 países -sempre na comparação
dos primeiros três meses deste ano com os últimos três de
2008. Somente Indonésia, Austrália, Coreia do Sul, Polônia
(todos esses tiveram crescimento no começo deste ano), Chile, Canadá e
Noruega tiveram um resultado de PIB melhor que a contração brasileira,
de 0,8%. A Suíça teve retração idêntica à brasileira.
Mesmo ampliando a pesquisa (que só não leva em conta países
que não fazem esse tipo de comparação, como a China e
Cingapura, ou que ainda não divulgaram seus dados, casos de Argentina
e Turquia) para incluir seis pequenas economias que fazem parte da União
Europeia, o cenário praticamente não muda: Chipre, que ficou
estagnado no primeiro trimestre, é o único que teve um resultado
melhor que o brasileiro. Hungria e especialmente a Eslováquia e os países
bálticos tiveram retrações dramáticas, a maioria
delas superior a 10%.
Outro ponto que chama a atenção no levantamento é que
a contração brasileira acabou perdendo ritmo entre um trimestre
e outro, na contramão da maioria das grandes economias. No início
do ano, havia a esperança de que a recessão global pudesse se
atenuar já no primeiro trimestre, o que não se confirmou. Por
exemplo, a Alemanha, a maior economia europeia, se retraiu em 3,8% de janeiro
a março (a maior queda desde a reunificação, em 1990),
um recuo 1,6 ponto percentual maior que o dos últimos três meses
do ano passado.
Mas a Coreia do Sul e a Indonésia, que afundaram tão ou mais
rapidamente que o Brasil na onda recessiva detonada a partir de setembro de
2008, com a quebra do banco Lehman Brothers, conseguiram reagir melhor à crise.
O Produto Interno Bruto da Indonésia, que, assim como o do Brasil havia
se retraído em 3,6% no quarto trimestre, avançou 1,6% de janeiro
a março, o maior crescimento entre as principais economias.
O resultado sul-coreano foi mais modesto que o indonésio -o país
mal escapou da recessão, com um crescimento de apenas 0,1%, alavancado
por expressivos gastos do governo-, porém a queda havia sido mais profunda:
5,1%.
Além disso, a economia da Coreia do Sul é muito mais dependente
de exportações, que sofreram queda profunda com os consumidores
e as empresas em todo o mundo cortando gastos. O efeito disso pode ser notado
em outros tradicionais exportadores asiáticos como Japão, Cingapura,
Hong Kong e Taiwan, que estão hoje afundados em forte recessão.
A Austrália, que como o Brasil é um tradicional exportador de
commodities, como minerais, também conseguiu evitar a recessão,
com um crescimento de 0,4% no primeiro trimestre deste ano, graças especialmente
aos gastos do governo e dos consumidores e às exportações.
Ainda assim, o desemprego em abril saltou para 5,4%, ante uma taxa de 3,9%
em fevereiro do ano passado.
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Vermelho, 10 de junho de 2009
Focus indica e Copom deve cortar Selic
em 0,75%
O Comitê de Política
Monetária (Copom) do Banco Central (BC) inicia nesta terça-feira
a quarta reunião do ano para avaliar os rumos da taxa básica
de juros da economia, a Selic, que remunera os títulos públicos
depositados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia.
A decisão deve ser anunciada no começo da noite da quarta-feira
(10).
A taxa de juros está em
10,25% ao ano desde o dia 29 de abril e pode baixar pelo menos mais 0,75
ponto percentual, para 9,5%, de acordo com projeção média
do boletim Focus, do BC, divulgado na segunda-feira (8), com o resultado
de pesquisa feita com aquela meia-dúzia de operadores do mercado
financeiro e que acaba ditando os parâmetros da política
monetária.
A reunião do colegiado
de dirigentes do BC é realizada com intervalo médio de
45 dias e é dividida em duas sessões, sempre no fim da
tarde. A primeira parte, nesta terça-feira, reúne os dirigentes
de departamentos do banco para avaliações estruturais dos
diferentes segmentos da economia. No dia seguinte, participam somente
os diretores com direito a voto.
O Focus indicou uma redução
de 0,75 ponto percentual, Mas o setor produtivo da economia defende uma
redução mais vigorosa, por entender que "a queda da
Selic é condição essencial para o equilíbrio
da dívida pública", como destaca o presidente da Federação
do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), Abram
Szajman. Segundo ele, o Copom deve se preocupar em alinhar as políticas
monetária e fiscal, de modo a criar condições para
investimentos empresariais e a geração de empregos.
A mesma opinião tem o
presidente da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), Armando Monteiro Neto. Ele lembra que apesar de o país
ter hoje o juro mais baixo da história recente, continua sendo
uma das taxas mais altas do mundo, em termos reais (descontada a inflação),
e isso inibe investimentos.
Bens de capital
Mas o BC vai diminuir o ritmo
de afrouxamento monetário, que foi de 1 ponto percentual em janeiro,
1,5 ponto percentual em março e novamente 1 ponto percentual em
abril. O corte será, muito provavelmente, de 0,75%, como indicou
o Focus — o que fará com que a Selic caia de 10,25% ao ano
para 9,5% ao ano, pela primeira vez com um dígito desde o Plano
Real.
A avaliação de
o espaço para o Copom continuar na contramão da queda generalizada
dos juros em todo o mundo vem do fato de que a equipe econômica
já admitiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a possibilidade
de uma retração mais forte da economia no primeiro trimestre.
E isso é temerário. O governo tem tomado medidas acertadas,
mas os dados do desemprego mostram que a crise chegou para valer na indústria.
A queda do segmento de bens de
capital, desde outubro, quase chega a 30%. O governo deu incentivo fiscal,
supriu o crédito, gastou mais. Mas a política de juros
continua, valorizando o real e prejudicando as exportações
de manufaturados, pode travar ainda economia. O IBGE divulgou também
que, de março para abril, a folha de pagamento dos trabalhadores
da indústria recuou 0,2%. E, no confronto com abril do ano passado,
a retração somou 1,8%. As demissões superaram as
contratações em dez dos 14 locais pesquisados na comparação
entre os meses de abril dos dois anos.
Com agências
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Folha de S.Paulo, 10 de junho
de 2009
CRÉDITO
CEF reduz juros e conta com queda da
Selic
DA FOLHA ONLINE
A Caixa Econômica Federal
anunciou ontem que a partir do dia 15 deste mês 18 linhas de crédito
comercial terão redução nos juros. É a sexta
redução neste ano, mas desta vez o banco antecipou a possível
baixa da Selic pelo BC, que divulga a decisão hoje.
A taxa do penhor caiu de 2,10% para 2,08% ao mês. Para o financiamento
de veículos a taxa será a partir de 1,19% ao mês. A taxa
mínima do cheque especial passou de 1,27% para 1,20% ao mês.
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Agência Brasil, 10
de junho de 2009
Brasil ainda tem 680 mil crianças
fora da escola, mostra Unicef
Relatório divulgado, nesta
terça-feira (9), pelo Fundo das Nações Unidas para
a Infância (Unicef) mostra que o Brasil registrou avanços
importantes na educação nos últimos 15 anos.
O estudo Situação
da Infância e da Adolescência Brasileira 2009 - O Direito
de Aprender aponta que os "grandes investimentos" feitos na área
desde a década de 90 permitiram ampliar o número de matrículas.
Cerca de 27 milhões de
estudantes estão nas salas de aula, o que corresponde a 97,6%
das crianças entre 7 e 14 anos. Mas o Unicef chama a atenção
para o fato de que a parcela ainda fora da escola (2,4%) representa 680
mil brasileiros nessa faixa etária.
Segundo o documento, "as
desigualdades presentes na sociedade ainda têm um importante reflexo
no ensino brasileiro". O relatório alerta que são
os grupos mais vulneráveis da população que enfrentam
dificuldades para ter acesso à educação e concluir
os estudos.
Populações
vulneráveis
" As mais atingidas são as [crianças] oriundas de populações
vulneráveis como as negras, indígenas, quilombolas, pobres, sob
risco de violência e exploração, e com deficiência",
cita o estudo.
Segundo dados divulgados pelo
Unicef, do total de crianças que não frequentam a escola,
450 mil são negras e pardas e a maioria vive nas regiões
Norte e Nordeste.
O relatório ressalta que,
enquanto em Santa Catarina 99% das crianças e adolescentes têm
acesso à educação, no Acre esse percentual cai para
91,3%.
Com o acesso à escola
quase universalizado, o desafio para o país, de acordo com o fundo, é garantir
educação de qualidade e, principalmente, reduzir as desigualdades.
Privado
do direito à educação
Na entrevista coletiva para apresentação do relatório,
a representante do Unicef no Brasil, Marrie-Pierre Poirier ressaltou que, mesmo
dentro da sala de aula, o aluno pode estar privado do direito à educação.
"A questão do direito
de aprender não é só acesso, mas a permanência,
a aprendizagem e a conclusão dos estudos na idade certa."
Entre os avanços alcançados
pelo Brasil nas últimas décadas, o estudo destaca a redução
do analfabetismo em consequência do aumento da taxa de escolarização.
O Unicef ressalta que a queda tem sido maior entre os grupos mais jovens.
"A menor taxa de analfabetismo
[segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2007]
ficou com o grupo de 15 a 17 anos, 1,7%", diz o texto.
Os altos índices de repetência
e abandono escolar são um aspecto importante que precisa ser enfrentado,
segundo a organização. A reprovação tem forte
impacto na adequação idade-série, ou seja, o aluno
cursar a série indicada para a sua idade.
Insucesso
Segundo o relatório, apesar de passar em média dez anos na escola,
os estudantes brasileiros completam com sucesso pouco mais de sete séries.
"De acordo com os dados
do Censo Escolar de 2006, a quantidade de concluintes do ensino fundamental
corresponde a 53,7% do número de matrículas na 1ª série
deste nível de ensino no mesmo ano. No ensino médio, a
proporção entre matriculados na 1ª série e
os concluintes é ainda menor: 50,9%", aponta o estudo.
O Unicef destaca que a ampliação
da obrigatoriedade do ensino é fundamental para garantir a todos
o acesso à educação. Hoje apenas o ensino fundamental
(dos 7 aos 14 anos) é obrigatório.
O fundo recomenda que a educação
infantil (para crianças de 4 e 5 anos) e o ensino médio
(dos 15 aos 17 anos) também sejam incluídos. Proposta de
emenda à Constituição que estende a obrigatoriedade
a essas etapas de ensino tramita no Congresso Nacional.
Escolaridade
média
Segundo o relatório, nas nações desenvolvidas a escolaridade
obrigatória varia de dez a 12 anos e engloba o ensino médio.
Em alguns países como a Alemanha, a Bélgica e a Holanda, a escolarização
obrigatória chega a 13 anos.
"Em conjunto com uma educação
de qualidade, cujo pilar é a valorização do trabalho
do professor, a permanência na escola por mais tempo garante aos
estudantes uma aprendizagem mais ampla e consciente, o que coloca esses
países nos lugares mais altos dos rankings dos exames internacionais",
diz o documento. (Fonte: Agência Brasil)
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Gazeta do Povo, 10 de junho
de 2009
Opinião pública
Aprovação a Lula sobe e chega
a 80%
Pesquisa CNI/Ibope revela que os brasileiros
estão mais satisfeitos com medidas adotadas pelo governo federal
em relação à crise
Pesquisa da Confederação
Nacional da Indústria/Ibope divulgada ontem mostra que a aprovação
do governo e a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva subiram entre março e junho deste ano. Segundo o levantamento
da CNI/ Ibope, 68% dos entrevistados consideram o governo “ótimo” ou “bom” contra
64% em março. A aprovação à maneira como
o presidente governa o país subiu de 78% para 80%.
O porcentual dos que consideram
o governo “ruim ou péssimo” caiu de 10% para 8% nos últimos
três meses. Segundo a CNI, o saldo atual de 60 pontos – entre
os que consideram “ótimo” e “bom” e os
que disseram que é “ruim ou péssimo” – é o
terceiro mais alto desde o início da série, em março
de 2003, perdendo apenas para setembro de 2008 (61 pontos de saldo) e
dezembro de 2008 (67 pontos de saldo).

O governo Lula recebeu nota média
de 7,5 dos entrevistados da Pesquisa CNI/Ibope de junho. O resultado
mostra uma pequena elevação em relação à pesquisa
anterior, quando a nota foi de 7,4.
Na comparação entre
o primeiro e o segundo mandato de Lula, 45% disseram que o atual mandato
está sendo melhor do que o anterior (41% em março), enquanto
14% disseram que o segundo mandato está sendo pior (18% em março).
Na avaliação de 40% dos entrevistados, o segundo mandato
está sendo igual ao primeiro. A confiança no petista voltou
a subir: 76%, contra 74% em março. O pico atingido por Lula foi
de 80%, em dezembro de 2008.
População
Em relação à crise
econômica, aumenta a aprovação às ações
adotadas pelo governo para enfrentar o problema. A população
também se mostra menos preocupada com os problemas econômicos
e mais confiante nos resultados da economia nos próximos seis
meses. Houve uma queda acentuada, em relação a março,
na expectativa de aumento do desemprego: 53% acham que o desemprego vai
aumentar nos próximos seis meses, contra 68% da pesquisa anterior.
Em relação à rodada
anterior, não houve alteração significativa quanto à expectativa
da população para o ano de 2009. Permanece bastante elevada
a expectativa de que o restante do ano será positivo: 84% afirmam
que 2009 será um ano “muito bom” ou “bom”.
Serra
lidera com 38%; Dilma tem 18%
Para a disputa presidencial de 2010, de acordo com a pesquisa da CNI/Ibope
divulgada ontem, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB)
se destaca em relação ao seu colega Aécio Neves (Minas
Gerais). Serra garante a liderança, enquanto o governador mineiro é apenas
o terceiro colocado.
José Serra também é o
que tem o menor índice de rejeição entre os possíveis
candidatos: 25% dos entrevistados disseram que não votariam “de
jeito nenhum” nele. Dilma aparece com 34% de rejeição;
Aécio Neves, com 35%; Ciro Gomes, com 32% e Heloísa Helena,
com 40%.
A pesquisa mostra ainda que a
doença de Dilma é mais conhecida entre os entrevistados
que sua pré-candidatura à Presidência da República.
O linfoma da ministra é a terceira notícia mais lembrada
espontaneamente pelos entrevistados, com 10% das citações,
enquanto a pré-candidatura teve 4% das menções.
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O ESTADO DO PARANÁ,
10 de junho de 2009 | País
CNI/Ibope: avaliação
positiva de Lula é maior no Nordeste
Agência Estado
A avaliação do governo Lula, segundo a Pesquisa CNI/Ibope de
junho, continua sendo a mais positiva entre os entrevistados de menor escolaridade
e na região Nordeste. Considerando a avaliação da maneira
como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva administra o País,
a aprovação chega a 92% no Nordeste, acima da média nacional,
que é de 80%.
Entre os entrevistados que cursaram
até a quarta série, 77% disseram que o governo é "ótimo" ou "bom",
caindo para 66% na opinião dos que cursaram entre a quinta e a
oitava série, 64% entre os entrevistados com o ensino médio
completo e 60% entre os que têm nível superior de escolaridade.
No Nordeste, 78% consideram o governo Lula "ótimo" ou "bom",
contra 70% no Norte, 63% no Sudeste e 60% no Sul.
No total nacional, o porcentual
de entrevistados que disseram que o governo Lula é "ótimo" ou "bom" subiu
de 64%, na pesquisa anterior de março, para 68%, em junho. Já o
porcentual dos que consideram o governo "ruim ou péssimo" caiu
de 10% para 8% nos últimos três meses.
Segundo a CNI, o saldo
atual de 60 pontos - entre os que consideram "ótimo" e "bom" e
os que disseram que é ruim ou péssimo - é o terceiro
mais alto desde o início da série, em março de
2003, perdendo apenas para setembro de 2008 (61 pontos de saldo) e
dezembro de 2008 (67 pontos de saldo).
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Folha de S.Paulo, 10 de junho
de 2009
CNJ aprova medida que afasta os titulares
de 5.000 cartórios
Resolução atinge não
concursados e determina seleções públicas a
partir de 90 dias | Tabeliães ficam nos cargos até que
seleção seja feita; resolução pode perder
efeito caso a Câmara aprove PEC que anistia não concursados
FLÁVIO FERREIRA
ANA FLOR
DA REPORTAGEM LOCAL
O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) aprovou ontem por unanimidade uma
resolução que determina a remoção dos titulares
de cartórios civis do país que não passaram por concursos
públicos para o preenchimento dos cargos.
A estimativa do CNJ é que mais de 5.000 tabeliães e oficiais
registradores -cerca de um quarto do total do país- percam os postos
com a medida, que vale para os que assumiram sem concurso após a promulgação
da Carta de 1988.
A resolução também prevê a realização
de seleções públicas para os cargos a partir de 90 dias.
A expectativa do CNJ é a de que todos os novos concursos sejam concluídos
até o final deste ano.
A decisão, entretanto, poderá perder efeito caso a Câmara
aprove a PEC (proposta de emenda à Constituição) 471,
que efetiva titulares de cartórios não concursados que já estejam
há mais de cinco anos no cargo. A PEC está pronta para ser votada
no plenário da Casa.
A atividade dos cartórios tem natureza privada e é realizada
por meio de delegação do poder público. Os cartórios
têm faturamentos que vão de R$ 500 a R$ 2,2 milhões por
mês.
A medida aprovada ontem tem caráter obrigatório porque o CNJ é a
instituição responsável pelo controle administrativo e
disciplinar do Judiciário.
A resolução determina que os atuais titulares dos cartórios
de registro civil, de imóveis, de notas e de protesto continuem nos
postos em situação "precária" e "interinamente" até a
realização dos novos concursos para os cargos.
A proposta inicial da resolução previa que os titulares seriam
imediatamente afastados após a publicação da medida, e
os cargos seriam ocupados provisoriamente pelos funcionários mais antigos
dos cartórios. Porém, a ideia foi afastada na noite de ontem,
porque havia risco de ser considerada ilegal.
O texto da resolução foi elaborado pela equipe da corregedoria
do CNJ, presidida pelo ministro Gilson Dipp. Nos últimos anos, o grupo
realizou inspeções em vários Estados e constatou várias
formas de descumprimento ao artigo 236 da Constituição, que prevê que "o
ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso público
de provas e títulos".
Concurso
Por meio de outra resolução, o CNJ estabeleceu diretrizes para
a uniformização dos concursos para os titulares dos cartórios.
Uma das mudanças é a instituição da obrigatoriedade
de provas objetivas com exames orais, práticos e de títulos.
Muitos Estados não realizavam a prova oral.
A Associação dos Notários e Registradores do Brasil não
quis se manifestar ontem. Recentemente, a entidade havia se posicionado a favor
do concurso, mas pedia uma intervenção do Estado para não
desamparar aqueles que se dedicaram por anos à atividade -não
concursados que, com a decisão do CNJ, perderão o direito à delegação
do cartório.
Outra entidade da área, o Irib (Instituto de Registro Imobiliário
do Brasil), decidiu não se manifestar publicamente antes de analisar
em detalhe a decisão do CNJ.
Procurado pela Folha, o instituto divulgou nota informando apenas que "entende
que o ingresso em cartórios de registro de imóveis por meio de
concurso público é uma forma democrática de as pessoas
terem acesso ao exercício da atividade registral".
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O ESTADO DO PARANÁ,
10 de junho de 2009 | Cidades
Terceirização de serviços
na mira de sindicalistas
Flávio Laginski
Cerca de cem pessoas, participantes
de sindicatos e movimento estudantil, se reuniram ontem pela manhã,
em Curitiba, para protestar contra o Projeto de Lei Complementar 092/07,
que tramita no Congresso Nacional.
Se aprovada, a lei permitirá que
serviços públicos como saúde, educação,
previdência, entre outros, sejam administrados por instituições
privadas. Os sindicalistas acreditam que a lei causaria prejuízos à população,
pois resultaria em cobrança de serviços que são
ofertados gratuitamente e na contratação de profissionais
de maneira precária.
Em passeata, eles saíram
da Praça Santos Andrade e foram até o Hospital de Clínicas
(HC). A coordenadora do sindicato que representa os servidores da saúde
estadual (Sindisaúde-PR), Mari Elaine Rodella, justifica o posicionamento
contrário da entidade ao projeto afirmando que a criação
de fundações estatais de direitos privados provocaria a
terceirização de serviços que são de responsabilidade
do governo.
Rodella informa que as
entidades sindicais estão fazendo pressão nos políticos
para que não haja aprovação do projeto de lei. “Existe
um movimento nacional que pretende impedir a aprovação.
Fazemos vigília em aeroportos para encontrar deputados e senadores,
solicitando que votem contra esse projeto. Vamos realizar ainda uma
campanha com outdoors em locais próximos aos aeroportos de Curitiba,
Maringá e Londrina”, conclui.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
10/06/2009
Organismo internacional não tem
prazo em dobro para recorrer
A Organização das
Nações Unidas (ONU) e os demais organismos internacionais
que a compõem não têm as mesmas prerrogativas processuais
da União, como, por exemplo, o direito ao prazo em dobro para
recorrer de uma decisão judicial. Essa é a conclusão
da Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho ao negar provimento
a agravo de instrumento da Unesco (Organização das Nações
Unidas para a Educação Ciência e Cultura) que tentava
reverter esse entendimento do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região
(MT).
A discussão sobre a extensão
das prerrogativas processuais da União à Unesco começou
quando a organização internacional entrou com um recurso
ordinário no TRT, depois de ter sido condenada pela 7ª Vara
do Trabalho de Cuiabá a pagar diferenças salariais a uma
ex-copeira. Para o Regional, o recurso não podia ser analisado
porque tinha sido proposto depois do prazo legal. Já a Unesco
argumentou que tinha prazo em dobro para recorrer, na medida em que possuía
os mesmos privilégios processuais aplicáveis à União – prova
disso é que sua representação judicial era feita
pela Advocacia-Geral da União.
No agravo de instrumento apresentado
ao TST, a Unesco reafirmou seu inconformismo com o fato de o TRT não
permitir o exame da matéria por meio de um recurso de revista
em instância extraordinária. Disse que não estavam
sendo observadas as garantias constitucionais de livre acesso ao Judiciário
e de ampla defesa e ainda lembrou que existe até uma instrução
normativa do TST (IN nº 03/93) estabelecendo que organizações
como a Unesco não precisam recolher depósito recursal.
Por todas essas razões, defendia a concessão do prazo em
dobro para recorrer na Justiça do Trabalho.
Só que, na opinião
do relator do agravo, ministro Fernando Eizo Ono, a Unesco não
apresentou argumentos suficientes para reformar o entendimento do TRT,
mas apenas fez alegações genéricas. Segundo o relator,
as garantias constitucionais mencionadas não são absolutas
e é necessário observar as regras do processo judicial.
Por unanimidade, os ministros da Quarta Turma concluíram que o
Regional decidira corretamente a questão processual e o agravo
de instrumento não merecia prosperar. ( AIRR – 527/2007-007-23-40.2)
(Lilian Fonseca)
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10/06/2009
Sétima Turma rejeita sobreaviso a
médico que usava celular em plantões
A Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho excluiu de condenação imposta à empresa
HAPVIDA Assistência Médica Ltda. ao pagamento de horas de
sobreaviso para médico que era chamado pelo celular para realizar
plantões. A decisão foi unânime, ao dar provimento
a recurso da empresa.
O médico foi admitido
em janeiro de 2001, na função de auditor. Em julho de 2004,
foi despedido sem receber verbas indenizatórias do período
em que trabalhou diariamente na empresa, cumprindo jornada de 44 horas
semanais. Ele era obrigado, contudo, a portar telefone celular dois sábados
e dois domingos ao mês, bem como em feriados, em turno de 24 horas,
quando realizava plantões de visitas a pacientes e não
podia se ausentar da cidade em que residia.
Após a demissão,
o médico entrou com ação trabalhista na 29ª Vara
do Trabalho de Salvador (BA), em busca das verbas devidas, entre elas
as horas extras de sobreaviso. A sentença lhe foi favorável,
sobretudo no aspecto das horas dos plantões, observando que “restou
provado o sobreaviso em sábados e domingos alternados e em feriados
em regime de escala, uma vez que o estágio tecnológico
da atualidade permite que o trabalhador se ausente da sua residência
durante o sobreaviso, desde que fique acessível aos chamados do
empregador, com restrição á sua liberdade de ir
e vir”.
A empresa recorreu ao Tribunal
Regional do Trabalho da 5ª Região (BA). O TRT decidiu pela
manutenção do direito ao adicional de sobreaviso. “A
doutrina e a jurisprudência majoritárias têm admitido
o cabimento da aplicação desta orientação
de forma analógica a outros casos semelhantes”, afirmou
o Regional. “Observe-se que nesse caso o empregado tem a sua liberdade
de locomoção restringida ao raio do alcance do aparelho,
em lugar que possa atender ao chamado do empregador. E tal situação
foi comprovada pela preposta e pela testemunha ouvida, que corroboraram
que o médico não poderia se ausentar da cidade em dias
de plantão”, destacou o acórdão.
Novamente a HAPVIDA tentou reverter
a decisão do Regional recorrendo ao TST. Diante do caso, o ministro
relator do recurso, Ives Gandra Martins, decidiu pela aplicação
da Orientação Jurisprudencial nº 49 da SDI-1, segundo
a qual “o uso do aparelho bip pelo empregado, por si só,
não caracteriza o regime de sobreaviso, uma vez que o empregado
não permanece em sua residência aguardando, a qualquer momento,
convocação para o serviço.” Segundo o ministro,
o voto segue entendimento da jurisprudência reiterada do Tribunal,
que se inclina no sentido de que o uso do celular ou do bip não
enseja o pagamento de horas de sobreaviso, por não exigir que
o empregado permaneça em casa. ( RR-711/2006-029-05-00.2)
(Alexandre Caxito)
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10/06/2009
Afronta à intimidade de empregado
faz VR Vales pagar R$ 80 mil de indenização
A VR Vales Ltda. – fornecedora
de vales-refeição – foi condenada pela Justiça
do Trabalho a indenizar um ex-empregado por obrigá-lo a se despir
diante dos colegas toda vez que se ausentava de seu local de trabalho.
Depois de conseguir a redução da condenação
inicial de R$ 80 mil para R$ 10 mil, a VR viu a situação
se reverter no Tribunal Superior do Trabalho, com o restabelecimento
da sentença. A Terceira Turma do TST julgou que o valor de R$
10 mil não atende ao princípio da proporcionalidade, considerando-se
o dano causado à intimidade do empregado, que, sem haver presunção
de prática de furto, era obrigado a se despir até mesmo
nas saídas para ir ao banheiro, refeição ou descanso.
Impressionada com a redução
da indenização pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(SP), diante da ofensa a um direito fundamental, a ministra Rosa Maria
Weber, relatora do recurso de revista, propôs o conhecimento do
apelo por violação ao artigo 5º da Constituição,
incisos V e X, e o provimento para restabelecer a condenação
de R$ 80 mil. A relatora, ao manifestar seu voto, disse que se sentia “chocada” com
a revista nas condições descritas e que o procedimento “afronta
o princípio da intimidade, da dignidade, do ser humano”.
A VR Vales declarou que a prática
era usada como forma de impedir o furto de vales-refeições.
Todos os funcionários do departamento que manuseavam os vales
eram submetidos à revista, feita por seguranças do mesmo
sexo do revistado, no vestiário em que ficavam os armários
dos empregados. Segundo a representante da VR, quem estivesse no local
e horário poderia presenciar a realização da revista.
Duas testemunhas do trabalhador informaram, ainda, que em algumas ocasiões
o empregado “deveria baixar a roupa íntima”.
Em sua defesa, a VR sustentou
a legalidade do procedimento, do qual o trabalhador já teria conhecimento
desde sua admissão sem nunca se manifestado contra a situação
durante o contrato de trabalho. Para o TRT da 2ª Região,
ao interpretar o artigo 170 da Constituição, em seu caput
e incisos II e IV, a empregadora tem garantia legal de poder fiscalizar
os funcionários, “não podendo se concluir que todas
as revistas ofendam a dignidade do ser humano”. No entanto, afirma
o Regional, a “fiscalização deve ser de maneira a
não submeter o empregado à violação de sua
intimidade”, concluindo que não foi o caso.
O TRT/SP considerou que , diante
dos constrangimentos sofridos, não poderia haver outra conclusão
além da condenação da empresa. Porém, considerou
o valor de R$80 mil “muito além do razoável para
atender o caráter satisfativo-punitivo da indenização
por danos morais”, e reduziu a condenação. Após
essa decisão, o trabalhador recorreu ao TST, alegando que o valor
arbitrado pelo Regional pelo dano moral era “irrisório”.
A ministra Rosa considerou que
o valor de R$ 10 mil “não contempla a necessária
proporcionalidade” entre dano e reparação. Ela ressaltou
que, entre os elementos adotados para definir o valor da indenização,
estão a compensação pelo dano causado, a punição
do agente e o desestímulo à prática da conduta reprovada – pelas
dimensões pedagógica e repressiva da sanção.
Ao se manifestar, o juiz convocado
Douglas Alencar Rodrigues destacou que os valores de indenização,
se forem desproporcionais, “acaba por esvaziar a própria
cláusula constitucional que protege a intimidade, a honra, a imagem”.
O magistrado considerou que o voto da ministra Rosa “caminha na
construção de uma função técnica e
humanizadora” para o TST, quando aborda valores fundamentais. Trata-se
de “matéria precursora”, segundo ele, “da linha
de construção de um novo perfil de atuação
dessas questões que envolvem direitos fundamentais sensíveis”.
Por unanimidade, a Terceira Turma seguiu o voto da relatora. ( RR –1055/2004-041-02-00.3)
(Lourdes Tavares)
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