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Agência
Diap, 11 de junho de 2009
Oi compra Brasil Telecom e gera demissões
em massa no País
Com atuação em dez estados brasileiros e um total de 5,7
mil trabalhadores diretos, mais terceirizados, a BrT poderá demitir
até 1,9 mil com a incorporação, o que poderá significar
uma queda de receita na capital federal de R$ 170 milhões por ano.
A estimativa é do Sinttel/DF
A fusão entre as empresa de telecomunicações
Brasil Telecom e Oi está causando impactos econômicos
e sociais em todo País, principalmente no Distrito Federal.
Com atuação em dez estados brasileiros e um total
de 5,7 mil trabalhadores diretos, mais terceirizados, a Brasil
Telecom poderá demitir até 1,9 mil trabalhadores
com a incorporação, o que poderá significar
uma queda de receita na capital federal de R$ 170 milhões
por ano.
A estimativa é do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações
(Sinttel/DF).
Já a Federação Interestadual dos Trabalhadores
em Telecomunicações (Fittel) prevê que até 8
mil pessoas possam ser demitidas em todo o país, incluindo
Acre, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul,
Goiás, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul,
além do Distrito Federal.
Zilma Maria de Queiroz, ex-funcionária da Brasil Telecom
em Brasília, faz parte dessa realidade. Formada em engenharia
elétrica com pós-graduação em teleinformática,
ela possuía quase 20 anos de experiência na empresa
e atuava como gerente de cadastro.
Segundo Zilma, os cargos oferecidos para que ela continuasse na
empresa não eram compatíveis com seu nível
de atuação e remuneração mensal. "Quando
voltei de férias, já estava definido que a diretoria
que eu atuava seria deslocada para o Rio de Janeiro. Por questões
familiares, essa não era essa a minha opção".
A engenheira ainda afirma que a disputa se tornou desleal, já que
a concorrência se dava com candidatos muito mais jovens e
com pouca experiência de mercado.
"Obviamente que eu acredita que eu poderia ser aproveitada
em função da experiência de 20 anos e por já ter
trabalhado em diversas áreas dentro da empresa".
E acrescenta: "Pela minha visão processual e holística
da empresa, eu acreditava que tinha muito a contribuir. Mas infelizmente
os critérios usados eram incompatíveis com o meu
perfil", diz Zilma. Hoje, ela ainda conta com a esperança
de conseguir uma recolocação no mercado de trabalho.
Além dela, já foram dispensados desde a fusão
outros 350 funcionários da empresa e mais 460 terceirizados,
segundo o Sinttel/DF. Foram cortados os cargos de gerência
e comando, com salários mais altos, e também aqueles
da base da empresa, com pagamentos mensais mais baixos.
Segundo Brígido Ramos, presidente da entidade, a troca
de funcionários gabaritados e experientes por outros com
menor experiência na empresa acarretará uma queda
considerável na qualidade dos serviços prestados
pela empresa.
"O que a gente imaginava é que seria uma catástrofe
em Brasília. Hoje a gente pode dizer que a catástrofe é geral
na área de atendimento da Brasil Telecom. Essa troca representa
para o cliente um prejuízo geral no atendimento", diz
Brígido.
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Valor
Econômico, 11 de junho de 2009
Lula criticará flexibilização
da CLT em reunião da OIT, em Genebra
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá criticar demandas
de flexibilização nas regras trabalhistas, no meio da pior
crise econômica dos últimos tempos, em discurso que fará na
Organização Internacional do Trabalho (OIT), na próxima
semana.
Lula sublinhará a posição, enquanto prossegue
o confronto entre sindicatos de trabalhadores e associações
patronais sobre se o Brasil volta a ratificar ou não uma
convenção da OIT que dificulta demissões
de empregados.
O Brasil ratificou a Convenção 158, de 1982, mas
em 1997 o então presidente Fernando Henrique Cardoso informou
que o documento deixaria de ser cumprido no País.
O Governo Lula decidiu por nova ratificação, mas
as pressões são fortes para que o Congresso não
a aprove, segundo assessores brasileiros.
A convenção proíbe a demissão de
um trabalhador, "a menos que exista para isso uma causa
justificada, relacionada com sua capacidade ou seu comportamento,
ou baseada nas necessidades de funcionamento da empresa, estabelecimento
ou serviço".
Ainda assim, a relação trabalhista não
pode ser encerrada até que o trabalhador possa se defender
das acusações formuladas contra ele.
Nos casos de demissões consideradas justificadas por
motivos "econômicos, tecnológicos, estruturais
e análogos", a regra da OIT determina o respeito
de critérios que vão desde a necessidade de comprovação,
por parte do empregador, da "justificativa" da dispensa,
até o aviso em tempo hábil, fornecimento de informações
pertinentes, abertura de canais de negociação com
os representantes dos trabalhadores e notificação
prévia à autoridade competente.
A perda de empregos se multiplica em ritmo forte e uma recessão
social é iminente, com grandes riscos para a estabilidade
política dos países, vem alertando a OIT.
O presidente se comprometerá a erradicar o trabalho infantil
e o trabalho escravo até 2015 no Brasil, numa declaração
que assinará com o diretor-geral da OIT, Juan Somavia.
Lula termina o mandato no ano que vem, mas a declaração
dá uma reafirmação política de que
o país respeita os compromissos assumidos em convenções
da OIT que preveem a erradicação desse tipo de
trabalho.
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Agência
Estado, 11 de junho de 2009
País tem 233,9 mil menores
chefes de família, divulga Pnad
O Brasil tem hoje 233.908 jovens com menos
de 18 anos e com a responsabilidade de chefiar uma família.
Os dados, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(Pnad), foram destacados pelo relatório Situação
da Infância Brasileira 2009, do Fundo das Nações
Unidas para a Infância (Unicef), como um exemplo de crianças
e adolescentes em situação de extrema vulnerabilidade.
"É um número muito grande de adolescentes
que estão assumindo uma responsabilidade, de geração
de renda, de perspectiva de futuro, que não é coerente
com seu ciclo de vida", avalia Maria de Salete Silva, oficial
de projetos de Educação do Unicef e coordenadora
do relatório.
"É uma situação extremamente preocupante".
A Pnad de 2006 mostrava 254.970 adolescentes nessa situação.
Ainda assim, quatro famílias brasileiras em cada mil são
chefiadas por adolescentes.
Normalmente, famílias desse tipo são fruto de
algum problema social que já impõe uma carga de
dificuldades extras, como gravidez precoce ou perda dos pais.
"Essa situação traz uma carga que chamamos
de multipobreza. Uma pobreza leva à outra e torna mais
difícil sair desse ciclo", resume Salete. A situação é mais
comum nos Estados do Norte.
Em Roraima, Rondônia, Acre, Amazonas e Amapá, mais
de dez em cada mil famílias são chefiadas por adolescentes.
No Maranhão, nove em cada mil. Em números absolutos,
são 33.556 em São Paulo, 20.504 na Bahia e 18.675
no Rio.
Há dois anos, o Brasil ultrapassou a barreira do 0,800
no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e entrou para
o grupo dos países de alto desenvolvimento. Mas, no Índice
de Desenvolvimento Infantil, criado pelo Unicef, a média
ainda está em 0,733.
Desde o primeiro cálculo, relativo a 1999, o País
teve avanços, passando de 0,609 para os atuais 0,733.
Neste ano, nenhum estado tem menos de 0,500 e três - São
Paulo, Santa Catarina e Rio - ultrapassaram o 0,800.
Mas, dez Estados ainda apresentam taxas de mortalidade até 5
anos superiores a 30 por mil nascidos vivos.
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Vermelho,
11 de junho de 2009
Queda do PIB não configura
recessão, diz IBGE
Embora dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) mostrem a segunda queda consecutiva
do Produto Interno Bruto (PIB), o órgão não considera
que o país passe por um quadro recessivo. O coordenador de Contas
Nacionais do IBGE, Roberto Olinto questionou a o conceito de recessão
técnica baseado em quedas consecutivas do PIB e disse que essa definição é uma
forma “simplista” e “reducionista” de analisar
a economia.
“ O conceito de recessão técnica por
dois trimestres de queda ninguém sabe de onde veio”,
afirmou. Segundo ele, como o IBGE não trabalha com esse
tipo de metodologia (de recessão técnica) não
tem competência para discutir isso. “O que podemos
dizer é que medimos dois trimestres de queda”.
Olinto explicou que o IBGE só adota conceitos conhecidos,
de órgãos estatísticos oficiais para caracterizar
uma recessão, levando em conta vários indicadores
econômicos.
“O conceito de recessão é queda no emprego,
na renda, na produção etc.”, explicou,
advertindo que quando se define recessão “tem
que olhar a economia com um todo. Um ciclo”. O PIB do
primeiro trimestre divulgado hoje teve redução
de 0,8% em relação ao último trimestre
de 2008, quando o indicador registrou queda de 3,6%, em relação
aos três meses imediatamente anteriores.
Com agências
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Gazeta
do Povo, 11 de junho de 2009
Selic
BC surpreende com corte de 1 ponto
Redução definida ontem
pelo Comitê de Política Monetária do Banco
Central coloca os juros básicos do país pela primeira
vez abaixo dos 10% ao ano. Crise e inflação mais
fraca motivaram decisão
Brasília - Numa decisão surpreendente, o Banco
Central reduziu os juros em um ponto porcentual, com a taxa
Selic passando de 10,25% ao ano para 9,25%, mas indicou que
a queda de ontem pode ter sido a última do processo
de alívio monetário iniciado em janeiro. No mercado
financeiro, a maioria dos analistas apostava num corte de 0,75
ponto e outro de 0,5 ponto na próxima reunião
do Comitê de Política Monetária (Copom)
do BC, marcada para o mês que vem.
Segundo o BC, o corte foi motivado pela expectativa de inflação
menor do que o centro da meta para este ano e 2010. “Tendo
em vista as perspectivas para a inflação em relação à trajetória
de metas, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 9,25%,
sem viés”, disse nota do BC no início da
noite, após a decisão por 6 a 2 (que votaram
por corte de 0,75 ponto).
O mercado espera inflação (medida pelo IPCA)
de 4,33% neste ano e de 4,30% em 2010, abaixo, portanto, do
centro da meta, de 4,5%. Juros menores tendem a elevar a inflação.
O BC ressaltou ainda que “mudanças na taxa básica
de juros têm efeitos sobre a atividade econômica
e sobre a dinâmica inflacionária que se acumulam
ao longo do tempo”, uma maneira de lembrar que a queda
na Selic neste ano ainda vai levar alguns meses para fazer
efeito sobre a economia.
Por esse raciocínio, pode ser recomendável aguardar
mais um tempo até ficar mais claro qual será o
efeito dos recentes cortes nos juros sobre a inflação
e o nível de atividade. O argumento é reforçado
por outro trecho do comunicado do BC, que afirma que “qualquer
flexibilização monetária adicional deverá ser
implementada de maneira mais parcimoniosa”.
Taxa de um dígito
Foi o quarto corte neste ano, e desta vez a redução
foi suficiente para fazer com que a taxa ficasse abaixo de
10% pela primeira vez desde a criação do Copom,
em 1996. Antes da existência do comitê, a Selic
variava diariamente, dependendo da atuação do
BC no mercado de títulos públicos. Entre o final
dos anos 80 e o início dos 90, essa flexibilidade era
especialmente útil para conter a hiperinflação:
em dezembro de 1989, por exemplo, a inflação
medida pelo IPCA ficou em 51,5%, o que equivalia a uma alta
anual de 14.500%. No mesmo mês, a taxa Selic foi de 51.600%
ao ano.
Com a estabilização dos preços trazida
pelo Plano Real, esse sistema começou a ser aperfeiçoado.
Em 1996, com a criação do Copom, a Selic passou
a seguir parâmetros fixados mensalmente. De lá para
cá, a Selic bateu recorde de alta em dois momentos:
em setembro de 1997 – no auge da crise asiática – e
em janeiro de 1999 – logo após a maxidesvalorização
do real –, com taxa de 45%.
Motivos
Agora, vários fatores explicam o juro de um dígito.
Por um lado, famílias, investidores, empresas e governo
já estão mais habituados com a estabilidade de
preços, o que facilita o controle da inflação.
Já o maior equilíbrio das contas externas faz
com que o país não precise de juros tão
altos para atrair capital externo, embora isso ainda aconteça
em escala menor.
A estabilidade da política fiscal também faz
com que o governo não precise pagar taxas tão
elevadas para convencer o mercado a financiar sua dívida.
O último empurrão veio com a crise global, que
obrigou países do mundo inteiro a reduzir juros para
tentar normalizar a oferta de crédito e estimular a
economia. Embora não tenha seguido casos extremos como
o dos Estados Unidos, com taxa próxima de zero, o BC
também cortou juros de forma mais agressiva.
Taxas dos bancos caem mais para o
consumidor
Brasília - A queda na taxa Selic desde janeiro tem se refletido
de formas diferentes no custo do crédito. Na média, o maior
impacto ocorreu nos financiamentos para pessoas físicas, segmento
em que os juros cobrados pelos bancos caíram numa velocidade superior à dos
cortes do BC.
Neste ano, até a primeira quinzena de maio, a taxa
Selic recuou em 3,5 pontos. No período, a taxa média
para pessoas físicas recuou 10 pontos porcentuais, de
57,9% ao ano para 47,9%, segundo o BC.
No primeiro quadrimestre, a taxa do crediário, por
exemplo, caiu de 73,8% ao ano para 60,4%. No crédito
pessoal, foi de 60,4% para 48,8%. Como é dos grandes
bancos que vem a maior parte do crédito para pessoas
físicas, a concorrência ficou um pouco mais acirrada:
com clientes mais receosos em se endividar por causa da crise,
eles optaram por cortar juros e aumentar prazos.
Para empresas, o cenário é diferente. Nesse
segmento, boa parte dos financiamentos é oferecido por
bancos menores, mais atingidos pela crise. Assim, os juros
médios para as empresas têm caído pouco.
Até a primeira metade de maio, passaram de 30,7% para
28,8%.
Na noite de ontem, após o corte de 1 ponto na Selic,
vários bancos anunciaram cortes nas suas taxas de juros,
algo que a Caixa Econômica Federal já tinha feito
na terça-feira.
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Gazeta
do Povo, 11 de junho de 2009
Reservas internacionais
Brasil vai emprestar US$ 10 bi ao
FMI
Pela primeira vez, país ajuda o
Fundo Monetário Internacional a socorrer economias em dificuldade.
Posição de credor do órgão, abandonada
há 27 anos, foi retomada em abril
O Brasil usará dinheiro das reservas internacionais para
emprestar US$ 10 bilhões ao Fundo Monetário Internacional
(FMI). É a primeira vez que o país ajuda o Fundo
a socorrer economias em dificuldade.
Em abril, o Brasil voltou à lista de credores do FMI,
ao adquirir cotas equivalentes a US$ 4,7 bilhões. Mas
as cotas funcionam como um cheque especial: o país entra
na instituição na condição de credor
e só empresta o dinheiro se for solicitado. Já o
empréstimo anunciado ontem ficará disponível
no caixa do FMI.
“[O empréstimo] ajuda a encurtar a crise internacional,
para que os países em dificuldades possam voltar ao comércio
mundial, possam voltar a importar e a investir. Isso acaba ajudando
os países mais sólidos, como o Brasil, a exportar
mais”, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Em nota, Dominique Strauss-Kahn, diretor-gerente do FMI, elogiou
a iniciativa do país de “investir” no Fundo: “As
autoridades brasileiras mostraram grande liderança e compromisso
com todo o processo de reforma do FMI e o aumento da nossa fonte
de financiamento”.
O Brasil já havia participado do clube dos países
credores do Fundo, mas deixou a posição há 27
anos. A história recente do país era de devedor
do FMI. Em 1998, durante a crise da Rússia, o governo
brasileiro recorreu ao empréstimo do Fundo. Para isso,
teve que se submeter a uma série de metas econômicas.
Foi assim que começou a fazer economia para pagar os juros
da dívida, o chamado superávit primário.
Em 2005, o país zerou os compromissos com o FMI.
Reservas intactas
Mantega disse que o empréstimo não reduzirá as
reservas internacionais, porque a operação será feita
com a compra de títulos emitidos pelo Fundo. Na prática,
o Banco Central – que administra as reservas – vai
tirar o dinheiro de alguma aplicação, como dos
títulos do Tesouro americano, e aplicar nos títulos
do FMI. As reservas internacionais estão hoje em US$ 205,3
bilhões.
O ministro disse que a decisão sobre de quais títulos
o governo vai se desfazer é do BC, mas afirmou que provavelmente
o governo vai vender “os que estão rendendo menos”.
Em seguida, Mantega admitiu que os títulos do FMI não
deverão ter rentabilidade alta, porque isso tornaria o
empréstimo aos países socorridos muito caro.
Ele não deu detalhes sobre as características
dos títulos emitidos pelo FMI. Segundo o ministro, a diretoria
do Fundo ainda trabalha na emissão, que não tem
data para ser feita.
Na última reunião do G20, em abril, em Londres,
os países membros concordaram em colocar US$ 250 bilhões à disposição
do Fundo. Com isso, subiria para US$ 500 bilhões a disponibilidade
de empréstimo do FMI para socorrer os países em
dificuldades.
Mantega ressaltou que a China já anunciou empréstimo
de US$ 50 bilhões ao Fundo, e a Rússia, de US$
10 bilhões.
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Folha
de S.Paulo, 11 de junho de 2009
Poucos fundos agora superam a poupança
Com nova Selic, só aplicações
em DI que cobram no varejo taxa de administração
inferior a 1,25% têm rendimento maior que caderneta
Consumidor deve negociar com o gerente do
banco adesão a fundos de investimento com taxas menores,
dizem analistas
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
Com a nova redução nos juros, os tradicionais
fundos DI com taxas de administração de mais 1,25%
já rendem menos do que a poupança, em qualquer
dos cenários de tributação hoje em vigor,
segundo simulação da Fipecafi (Fundação
Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras).
Nas simulações feitas a pedido da Folha, os fundos DI com
taxa de administração de 1,25% tinham rendimento líquido
de 6,8% no ano, considerando uma alíquota de IR de 15% para saques
acima de dois anos. No caso de retiradas de menos de seis meses, que
têm IR de 22,5%, esse retorno cai para 6,2% ao ano. No último
dia 8, a poupança rendeu 6,95%.
O problema é que quase nenhum dos grandes bancos trabalham no
varejo tradicional com taxas de administração de menos
de 1,5% para fundos DI, segundo consultores de finanças pessoais.
Taxas compatíveis são oferecidas para clientes de alta
renda, para aplicações acima de R$ 50 mil.
" O varejo não tem essas taxas. Para o investidor com menos de R$
50 mil, a poupança ficou imbatível. A única ressalva em
favor dos fundos é que a poupança não tem liquidez diária.
Se o poupador retira um dia antes do aniversário, perde o rendimento inteiro
de um mês. Para o aplicador que não precisa de liquidez diária,
a poupança é a melhor opção", disse a consultora
de investimentos Marcia Dessen, da BankRisk.
Para Liao Yu Chieh, professor de finanças do Insper, o investidor
que tem taxa acima de 1,25% não deve sacar o dinheiro do fundo
e levá-lo para a poupança sem verificar o efeito da tributação.
Ele lembra que o governo prometeu reduzir a tributação
dos fundos e que a questão ficou ainda mais urgente com a redução
dos juros para 9,25%. "Não vejo uma grande migração
dos fundos para a poupança. Vejo as novas aplicações
irem para a poupança. Dependendo da faixa de tributação,
pode não justificar. E o governo ainda pode diminuir a tributação
dos fundos", disse. Para 2010, o governo pretende tributar aplicações
de mais de R$ 50 mil na poupança.
Segundo Marcia Dessen, o investidor com taxa alta deve procurar o gerente
do banco e negociar a adesão em fundos com custos menores, oferecidos
para clientes de maior renda, ou levar o dinheiro para gestores independentes,
que tenham taxas menores.
" Opção tem, mas dá trabalho. Tem de pesquisar e tomar
decisão. O consumidor faz isso quando compra carro, roupa e celular. Por
que não faz quando contrata um serviço financeiro? Não faz
porque o custo está embutido, não é explícito e é pouco
transparente. O gerente não fala, o cliente não pergunta. O consumidor
precisa fazer mais perguntas e dizer: "Esse valor eu não pago".
Enquanto os bancos puderem, não vão ceder nas taxas de administração",
disse Marcia Dessen.
Com a concorrência da poupança, bancos como Bradesco diminuíram
o valor inicial de aplicação para fundos com taxas de administração
mais competitivas, que só eram oferecidos a grandes aplicadores.
Segundo Eduardo Paiva, professor da Fipecafi, os investidores terão
de assumir mais risco e diversificar as aplicações para
elevarem seus rendimentos. Paiva vê o governo pressionando os gestores
de fundos para reduzir as taxas de administração. "As
pessoas estão muito acostumadas a ganhar bastante dinheiro com
o governo. Isso tende a acabar. Algum risco você terá de
correr. Senão, fica na poupança. E os fundos terão
de reduzir um pouco essas taxas [de administração]",
disse.
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Folha
de S.Paulo, 11 de junho de 2009
Lula prorrogará novamente
redução do IPI de carros
Para evitar que compras sejam adiadas,
medida só será anunciada no fim do mês
Governo estuda medidas de incentivo ao consumo
para impedir que o PIB deste ano seja negativo, o que daria força à oposição
em 2010
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já decidiu
prorrogar novamente a redução do IPI (Imposto sobre
Produtos Industrializados) para a compra de veículos,
segundo apurou a Folha. No entanto, o governo deverá aguardar
o final deste mês para revalidar a medida.
Como o objetivo é estimular as vendas dando caráter de "promoção
temporária" à redução do IPI, uma confirmação
oficial agora poderia levar consumidores a adiar a compra. E o presidente
deseja aquecer a economia para tentar minimizar os efeitos da crise.
Ontem, em entrevista à Reuters, Lula deu um sinal do que fará.
Defendeu uma política permanente de redução do IPI
para a indústria automotiva até que a crise financeira
internacional seja superada.
" A minha posição é que nós precisamos transformar
isso em uma política permanente até você ter sinais totais
de que a crise está debelada", afirmou o presidente à agência.
Lula disse ainda que não tinha conversado sobre o assunto com
o ministro Guido Mantega (Fazenda). Mas a Folha apurou que Lula e Mantega
já conversaram e acertaram que a estratégia de informações
desencontradas gera uma insegurança sobre a prorrogação
do benefício que seria positiva para as vendas de veículos.
A posição do ministro da Fazenda era mesmo contrária à prorrogação.
Mantega disse que renovações reiteradas do benefício
poderiam ter efeito cada vez menor. Lula, porém, disse que efeito
menor seria melhor do que não ter efeito. E fez uma pergunta a
um auxiliar em conversa reservada: se o carro voltar a custar mais, será mais
fácil vendê-lo do que se for concedida a renovação
do IPI? Diante da resposta óbvia, Lula disse que não faria
mal prorrogar, mas concordou com a estratégia de que o anúncio
não deveria ser feito antecipadamente.
Assessores de Mantega consultados pela Folha informaram que o ministro
ficou surpreso com as declarações do presidente Lula. E
repetiram a versão oficial: não havia uma decisão
do governo sobre o assunto. O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge,
também já se manifestou oficialmente contra prorrogar o
corte no IPI para veículos.
A equipe econômica não coloca a arrecadação
como principal motivo para retomar a tributação do IPI,
mas é um dos fatores considerados. Entre dezembro e junho, período
em que terão vigorado as alíquotas reduzidas sobre carros,
a perda de receita é estimada em R$ 2,5 bilhões.
O presidente está preocupado em aquecer a economia neste ano e
em obter uma taxa positiva sobre o PIB (Produto Interno Bruto) em 2009.
Por isso, pediu à equipe econômica novas medidas de incentivo
ao consumo. Lula considera questão de honra evitar uma taxa negativa.
Avalia que daria discurso à oposição em 2010, ano
de eleições. O presidente já disse publicamente
que deseja fazer o sucessor. No caso, a sucessora. Lula tem reafirmado
o apoio à eventual candidatura presidencial da ministra da Casa
Civil, Dilma Rousseff.
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Folha
de S.Paulo, 11 de junho de 2009
Apesar da ajuda, montadoras cortam
5.500 vagas
FÁBIO AMATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
A indústria automotiva brasileira continuou demitindo
nos primeiros cinco meses de 2009, apesar da ajuda dada pelo
governo ao setor por meio da redução do IPI (Imposto
sobre Produtos Industrializados). De acordo com a Anfavea (Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), as
montadoras cortaram 5.500 empregos entre janeiro e maio. Desde
o agravamento da crise financeira internacional, já são
11,3 mil dispensas no setor. Em outubro, a indústria automotiva
empregava 131,7 mil pessoas. Hoje, são 120,4 mil -nível
semelhante ao registrado em dezembro de 2007.
A Anfavea não soube informar quantos dos demitidos eram funcionários
contratados por prazo determinado, cujos contratos foram rescindidos
ou deixaram de ser renovados. A Folha apurou em sindicatos que eles são
pelo menos 2.900. O governo anunciou a redução do IPI no
início de dezembro. A medida, que levou as montadoras a baixar
os preços dos veículos, tinha como objetivo reaquecer a
demanda por veículos depois da queda nas vendas provocada pela
dificuldade dos consumidores em conseguir financiamentos -reflexo da
crise financeira.
Embora as montadoras não tenham ficado impedidas de demitir, a
expectativa anunciada pelo governo com a ajuda era preservar empregos
no setor. Com a redução do IPI, o governo federal deixará de
recolher R$ 1,08 bilhão em 2009. Além disso, o governo
injetou, por meio do Banco do Brasil, R$ 4 bilhões nos bancos
das montadoras para impulsionar o financiamento de veículos.
As medidas tiveram impacto imediato nas vendas de veículos no
mercado interno. Entre janeiro e maio, foi licenciado 1,15 milhão
de veículos (automóveis, comerciais leves, caminhões
e ônibus), resultado 0,1% inferior ao verificado em 2008. Em março,
o setor registrou o melhor resultado, com a venda de 271,49 mil veículos,
17% mais que em igual período de 2008. O primeiro trimestre também
foi o melhor da história para o setor, com o emplacamento de 668,3
mil veículos.
Mas a produção acumulada entre janeiro e maio é 14,2%
menor que a de igual período de 2008. No entanto os números
mostram expansão ao longo desses cinco meses: em janeiro foram
produzidos 185 mil veículos; em maio, 270,2 mil.
Em nota, a Anfavea diz que a redução do IPI contribuiu
para a recuperação das vendas, mas que o incentivo não
foi suficiente para aquecer a procura por caminhões e ônibus.
Segundo a entidade, esse é um dos fatores que levaram à manutenção
das demissões. O outro é a queda nas exportações.
" O segmento de veículos comerciais [caminhões e ônibus]
continua fortemente afetado por quedas de vendas internas, não se apresentando
até o momento perspectivas de retomada a curto prazo. O mercado interno
de caminhões caiu cerca de 20% no período de janeiro a maio. De
outra parte, há queda acentuada também nas exportações
automotivas, com redução de cerca de 50% no período",
diz a nota da Anfavea.
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Folha
de S.Paulo, 11 de junho de 2009
Demissões em rede de frigoríficos
já chegam a 7.700
Em recuperação judicial,
Independência anunciou fechamento de 3 unidades e 1.100 cortes
ontem
RODRIGO VARGAS
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CUIABÁ
A rede de frigoríficos Independência anunciou ontem
o fechamento definitivo de três unidades em Mato Grosso
e o fim das atividades de abate, desossa e logística na
unidade de Nova Andradina, em Mato Grosso do Sul. Segundo a empresa,
1.100 trabalhadores destas unidades serão demitidos. " Cada
unidade permanecerá com um mínimo de colaboradores
necessário para segurança e manutenção
do ativo", diz comunicado ao mercado.
Em fevereiro, a empresa -uma das maiores exportadoras de carne bovina
do Brasil- anunciou a suspensão dos abates em suas dez unidades
no país, em razão de "falta de fluxo de caixa".
No início de março, ingressou na Justiça com um
pedido de recuperação judicial.
À ocasião, a empresa justificou a medida como forma de preservar
o caixa necessário para dar continuidade às suas operações,
diante das mudanças nos mercados global e brasileiro de carne bovina.
Fundada em 1977 no município de Santana do Parnaíba (SP)
por Antônio Russo Netto, a rede Independência alcançou
em 2008 a capacidade de abater 10.800 cabeças por dia, com plantas
de abate e desossa em sete Estados e no Paraguai. O grupo ainda abrange
curtumes, fábricas de charque e unidades de produção
de biodiesel.
Os fechamentos anunciados ontem, afirma a empresa, são parte de
um programa de "ajuste das operações à realidade
do mercado atual".
Das dez unidades fechadas em fevereiro, apenas as plantas de Janaúba
(MG) e Rolim de Moura (RO) reabriram as portas. Contabilizando os desligamentos
anunciados ontem, a empresa já demitiu 7.700 trabalhadores desde
janeiro -em dezembro de 2008, o total de contratados era superior a 11
mil. Foi uma das empresas brasileiras que mais demitiu desde o início
da crise internacional.
Crise
Dados da balança comercial do agronegócio, divulgados pelo
Ministério da Agricultura, mostram que a crise afetou duramente
o mercado de carnes para exportação no país.
De janeiro a maio deste ano, a receita das exportações
do segmento atingiu US$ 4,41 bilhões -ante US$ 5,65 bilhões
no mesmo período em 2008, queda de 21%. No caso das carnes in
natura, a queda foi de 32,1%.
À queda na demanda dos principais clientes seguiu-se o excesso de oferta
e a consequente queda dos preços no mercado. A falta de capital de giro
teve efeitos no campo: animais na escala de abate foram devolvidos e pecuaristas
sofreram calote da indústria.
Mário Cândia, presidente da Acrimat (Associação
dos Criadores de Mato Grosso), disse lamentar o fechamento das unidades
do Independência, mas que a "preocupação é com
o produtor". "As plantas já estavam paradas e não
vamos deixar nenhuma indústria voltar a funcionar sem antes quitar
as dívidas com os produtores."
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Consultor
Jurídico, 11 de junho de 2009
Garantia de legitimidade
Sindicato pode atuar como substituto
processual
Os sindicatos têm legitimidade para atuar como substitutos processuais
de seus filiados na fase executiva do processo. O entendimento foi aplicado
pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça no julgamento
de um recurso ajuizado pela União com o objetivo de resolver a divergência
existente sobre a matéria entre colegiados distintos do tribunal.
No recurso, a União demonstrou a divergência com
a apresentação de resumos de decisões da
6ª e da 1ª Turma do STJ. Nas decisões tinham
duas teses sobre a questão. A primeira apontava que as
entidades sindicais poderiam representar afiliados em processos
do interesse destes últimos, mas em regime de representação
processual. A segunda concluía que os sindicatos poderiam
representar suas bases em juízo na fase executiva desde
que na condição de substitutos processuais.
A substituição processual ocorre quando uma pessoa
pede, em nome próprio, direito de terceiro. Trata-se de
uma legitimação extraordinária que dispensa
a autorização do representado. Diferentemente,
a representação processual impõe a existência
de uma autorização expressa daquele que será representado
no processo. Essa autorização é feita por
procuração, documento que comprova o mandato.
Com base em precedente recente do Supremo Tribunal Federal (RE
193.503) e jurisprudência do próprio STJ o relator
do recurso, ministro Fernando Gonçalves, votou favoravelmente à possibilidade
de substituição processual na execução. “[...]
mesmo na fase de liquidação e execução
de sentença, o sindicato atua na qualidade de substituto
processual e não de representante, sendo desnecessária
a autorização dos substituídos”, resumiu
o ministro no voto apresentado no julgamento.
Com esse entendimento, a Corte Especial acolheu, por unanimidade,
o recurso (Embargos de Divergência) ajuizado pela União.
Manteve, portanto, a decisão da 6ª Turma que já havia
reconhecido a legitimidade do Sindicato dos Servidores Federais
do Rio Grande do Sul (Sindserf/RS) para atuar como substituto
processual de seus afiliados na fase executiva do processo. Com
informações da Assessoria de Imprensa do Superior
Tribunal de Justiça. REsp 107.967-1
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
11/06/2009
Ex-vendedora do Baú da Felicidade
será indenizada por danos causados pelo sol
Uma ex-vendedora de carnês do “Baú da Felicidade” -
título de capitalização comercializado pelo Grupo
Sílvio Santos cujo resgate é feito mediante a entrega
de mercadorias – receberá indenização correspondente
a um ano de salário, acrescida de férias e décimo
terceiro, em razão de ter sido reconhecido judicialmente seu
direito à estabilidade provisória no emprego em virtude
de doença ocupacional. A vendedora desenvolveu manchas na pele
do rosto por trabalhar o dia inteiro exposta à radiação
solar no estande do Baú montado em frente a um hospital de Porto
Alegre (RS).
O relator do recurso, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho,
manteve o direito à conversão do período de estabilidade
provisória em indenização, mas acolheu o recurso
da empresa BF Utilidades Domésticas Ltda. quanto à condenação
relativa ao pagamento de honorários advocatícios da parte
contrária. Segundo ele, a decisão do Tribunal Regional
do Trabalho da 4ª Região (RS) que impôs a condenação à empresa
apenas com base no princípio da sucumbência violou a jurisprudência
do TST que exige, para a condenação ao pagamento de honorários
advocatícios na Justiça do Trabalho, que a parte esteja
assistida por sindicato, que comprove receber salário inferior
ao dobro do mínimo legal ou esteja em situação
econômica que não lhe permita demandar sem prejuízo
de seu sustento ou de sua família.
Fotografias juntadas aos autos demonstram que ao ingressar no setor
de vendas do Baú da Felicidade, em 8 de setembro de 2003, a
moça não tinha manchas no rosto. A perícia concluiu
que o escurecimento da pele (melasma) teve relação direta
com o trabalho executado, pois a vendedora passava o dia inteiro sob
o sol no estande montado em frente ao Hospital Conceição.
Na ação, ela informou que a empresa não fornecia
protetor solar, embora fosse uma de suas reivindicações.
Além disso, exigia que ela usasse maquiagem, o que teria agravado
o problema. A moça afirmou que seu salário mensal (R$
650,00) não comportava despesas com protetor solar.
A sentença da 30ª Vara do Trabalho de Porto Alegre reconheceu
o direito à estabilidade provisória prevista na Lei 8.213/91,
que assegura a manutenção do contrato de trabalho pelo
prazo mínimo de 12 meses ao empregado vítima de acidente
de trabalho ou de doença a este equiparada. O pedido de indenização
por danos materiais foi negado porque a vendedora não juntou
aos autos comprovantes dos valores que teria despendido em decorrência
da patologia, como tratamentos dermatológicos para a cura da
lesão. A alegação da empresa de que não
se trata de doença que produza incapacidade para o trabalho
e que não foram observados os requisitos legais para se deferir
estabilidade (afastamento do trabalho e concessão de benefício
previdenciário) foi rejeitada em primeiro grau.
O TRT/RS manteve a sentença sob o argumento de que, para que
seja equiparada a acidente de trabalho, a doença deve ter relação
de causa e efeito com a atividade desenvolvida, o que foi demonstrado
pelo laudo pericial. O Regional acrescentou ainda que o fato de não
ter recebido o auxílio-doença-acidentário pelo
INSS não pode prejudicar o trabalhador. No recurso ao TST, a
defesa da empresa insurgiu-se contra a condenação aos
honorários advocatícios e contra a indenização
correspondente ao período estabilitário. Afirmou que
o direito foi concedido em contrariedade à Súmula 378
do TST. O item II da súmula dispõe que são pressupostos
para a concessão da estabilidade o afastamento superior a 15
dias e a consequente percepção do auxílio-doença
acidentário, salvo se constatada, após a despedida, doença
profissional que guarde relação de causalidade com a
execução do contrato de emprego.
Segundo o ministro Vieira de Mello Filho, a decisão regional
está correta e, ao contrário do alegado pela parte, está em
perfeita sintonia com a jurisprudência do TST. “Conforme
se observa, a decisão regional fundamenta-se na premissa de
que, reconhecido o nexo causal entre a moléstia e o trabalho
realizado, conforme atestado pela perícia, enquadra-se a reclamante
na previsão do art. 20 da Lei nº 8.213/91. Ademais, o TST
já sedimentou jurisprudência no sentido de que, uma vez
reconhecida a doença profissional por meio de constatação
do nexo de causalidade, desnecessário que o reclamante encontre-se
em gozo de auxílio-doença e/ou esteja afastado por período
superior a 15 dias”, concluiu. ( RR 116/2007-030-04-00.3)
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