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Agência Diap, 13 de junho de 2009
Trabalho aprova projeto de lei sobre
gratificação por tempo de serviço
Na última quarta-feira (10), a Comissão de Trabalho aprovou
o PL 440/07, da deputada Sandra Rosado (PSB/RN), que dispõe sobre
gratificação por tempo de serviço. Para a autora,
a iniciativa favorece as duas partes na relação "capital
x trabalho".
Segundo o projeto, o empregado terá um estímulo a mais
para "vestir a camisa" da empresa e não se sentirá tão
tentado a trocar de emprego por qualquer diferença salarial ínfima.
O empresário, a seu turno, poderá contar com profissionais
mais dedicados.
A medida representará custos ínfimos para os empregadores
e por certo serão cobertos com os lucros proporcionados com
a experiência dos trabalhadores adquirida com os "anos de
casa".
O relator, deputado Daniel Almeida (PCdoB/BA) teve seu parecer favorável
aprovado por unanimidade no colegiado.
Aprendiz
Outro projeto aprovado pelo colegiado foi PL 2.898/04, da ex-deputada
Ann Pontes (PMDB/PA), que reduz para quatro horas a jornada de trabalho
do aprendiz.
A relatora da matéria foi a deputada Andréa Zito (PSDB/RJ)
e seu parecer garantiu a aprovação do projeto na Comissão.
O objetivo da proposição é proporcionar aos aprendizes
a conclusão do ensino médio tendo uma jornada reduzida.
A proposta, que também já foi aprovada na Comissão
de Educação segue para CCJ da Casa antes de ser apreciada
pelo plenário.
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O Outro Lado da Notícia, 13 de junho
de 2009
IR: trabalhador que vendeu
férias pode cair na malha fina da Receita
É o que pode ocorrer com os trabalhadores que venderam dez dias de férias
no ano passado e abateram esse valor de sua renda tributável.
É que, dependendo de como a empresa, a fonte pagadora, declarou
essa renda à Receita Federal, podem ocorrer divergências.
A melhor maneira de verificar é observando o informe de rendimento
enviado pela empresa.
Se o patrão já declarou o dinheiro da renda das férias
como isento, o contribuinte não precisa abater esse valor do
total de sua renda tributável, pois a empresa já fez
isso.
Caso as férias já tenham sido abatidas, o valor recebido
pelos dias vendidos estará no campo Abono Pecuniário
sem Incidência de IRPF.
Se o trabalhador abateu esse valor e a empresa também, há risco
de a declaração já ter caído na malha fina.
O motivo é que a fonte pagadora informou um valor diferente
daquele declarado pelo contribuinte.
A forma de resolver isso é o envio de uma declaração
retificadora.
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Agência Diap, 13 de junho de 2009
Vale-transporte: flexibiliza pagamento
do benefício para servidor
Na última quarta-feira (10), a Comissão de Trabalho da
Câmara dos Deputados se reuniu para apreciar várias proposições
de sua pauta ordinária. Antes, um acordo permitiu a inclusão,
extra-pauta, do PL 5.393/05, do deputado Mário Negromonte (PP/BA).
O projeto de lei inclui como beneficiários do vale-transporte
os servidores estaduais e municipais e proibe o empregador de substituir
o fornecimento do vale-transporte por dinheiro, tipificando como estelionato
a fabricação, a venda, ou qualquer outro meio de fraude
do vale-transporte.
A tendência é flexibilizar o pagamento do "VT" apenas
para servidores públicos estaduais e municipais, mas sempre
com o respaldo do sindicato que deverá orientar os trabalhadores
a colocar essa questão em acordo coletivo.
O projeto recebeu parecer favorável na Comissão de Trabalho,
cujo relator é o deputado Milton Monte (PR/SP).
Na pauta
Outra matéria em debate na Comissão e que também
trata do vale-transporte é o PL 267/07, do deputado licenciado
José Pimentel (PT/CE).
Este projeto possibilita a flexibilização do pagamento
do auxilio transporte em dinheiro para todos os trabalhadores.
A relatora do projeto é a deputada Manuela D'ávila (PCdoB/RS),
que apresentou parecer contrário à matéria.
A matéria chegou a entrar em pauta no colegiado este ano, mas
não foi apreciada.
Voto em separado
O deputado Pedro Henry (PP/MT) apresentou voto em separado no colegiado
em que pede a aprovação do projeto de lei.
Para o deputado, a rejeição da matéria seria
um retrocesso na legislação trabalhista.
Ambos os projetos estão na pauta da Comissão para próxima
semana.
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Agência Câmara, 13 de junho de
2009
Finanças proíbe juros
sobre pagamentos vencidos no fim de semana
A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara
aprovou, na última terça-feira (9), o Projeto de Lei 2.347/07,
do deputado licenciado Augusto Carvalho (PPS/DF), que proíbe a
cobrança de multa por atraso nos boletos bancários que
vencerem em fim de semana ou feriados, desde que sejam quitados no primeiro
dia útil subseqüente.
O projeto altera a Lei 7.089/83, que já proíbe a cobrança
de juros de mora em títulos de qualquer natureza cujo vencimento
ocorra em sábado, domingo ou feriado.
A proposta também veda a cobrança nos casos em que o
documento seja entregue ao destinatário com atraso, em razão
de greves nos Correios, ou por impossibilidade de pagamento, em razão
de paralisações da rede bancária.
Esse dispositivo, porém, foi vetado por emenda do relator na
comissão, deputado Armando Monteiro (PTB/PE).
Atualmente, como a legislação não incluiu a proibição
da cobrança de multas, os bancos podem deixar de incluir no
cálculo os juros, sem, no entanto, dispensar a multa, o que
pode prejudicar o consumidor. A multa por atraso é de 0,33%
ao dia, até o limite de 20% do valor do título devido.
Lacuna
Armando Monteiro apresentou parecer favorável ao projeto porque,
em sua avaliação, além de não ter repercussão
direta no Orçamento da União, preenche uma lacuna deixada
pela lei de 1983.
Ele discorda, no entanto, da proibição de multas e moras
quando o boleto bancário não chegar por causa de greves
e outras anomalias no serviço bancário.
Segundo Monteiro, a ausência do título ou documento de
pagamento devido a greve de empregados dos Correios, por exemplo, não
altera a obrigação do consumidor.
"Cabe ao devedor contatar o credor para quitar o pagamento devido,
seja a domicílio, seja por algum outro meio, como depósito
bancário ou emissão de segunda via pela internet",
defende.
O relator acredita que esse benefício pode estimular a inadimplência
e favorecer aproveitadores.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, já havia
sido aprovado pela Comissão de Defesa do Consumidor e segue agora
para análise da Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
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Agência Brasil, 13 de junho de 2009
Condição feminina no
mercado; não há igualdade com homens, diz OIT
Estudo divulgado, nesta quinta-feira (11), pela Organização
Internacional do Trabalho (OIT) e o Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) revela que, mesmo com avanços
obtidos nos últimos anos, a condição feminina no
mercado de trabalho "está longe" da igualdade em relação
aos homens.
O relatório O Desafio do Equilíbrio entre Trabalho,
Família e Vida Pessoal mostra que a maior participação
feminina no mercado de trabalho gera o desafio de se criar condições
para que as mulheres possam concorrer de forma mais justa com os homens
pelos postos de trabalho.
Elaborado em parceria com a Secretaria Especial de Política
para as Mulheres, o documento aponta que, dentre os fatores que contribuem
para o quadro de desigualdade, está a maior dificuldade para
as mulheres de conciliar trabalho e família.
Isso porque, conforme observa o estudo, há uma mudança
em ritmo muito lento da divisão sexual do trabalho doméstico.
"O modelo homem-provedor e mulher-cuidadora ainda vigente permite
que a mulher continue arcando em forma unilateral, quando não
exclusiva, com as atividades de cuidado e assistência aos membros
da família e seu engajamento no mercado de trabalho permanece
marcado por esse papel", diz trecho da conclusão do estudo.
Para a OIT, essa característica "se evidencia tanto através
do exame das carreiras que são tipicamente femininas, quanto
pelas dificuldades de conciliar maternidade e profissão".
Para mudança desse quadro, a OIT sugere, por exemplo, a ampliação
de políticas públicas voltadas para as mulheres, como
a construção de creches públicas e pré-escolas.
"Os serviços públicos de cuidado com crianças,
como é o caso de creches e pré-escolas, são fundamentais
neste aspecto, dada sua possibilidade de também atuar como mecanismos
de diminuição do peso e da quantidade de atividades de
cuidado realizadas pela família", diz o relatório.
"Como são as mulheres as protagonistas principais dessas
atividades, a existência e a ampliação desses serviços
também para os homens podem ajudar a reorganizar o modelo homem-provedor
e mulher-cuidadora, na medida em que ampliam o tempo que as mulheres
podem dedicar ao trabalho remunerado e/ou à sua vida pessoal."
O relatório sugere ainda que as políticas de equilíbrio
entre trabalho, família e vida pessoal devem compatibilizar
os trabalhos não remunerados com os remunerados, por meio de
ações que tornem o exercício do trabalho mais
compatível com as responsabilidades familiares, e reconhecer
tanto o papel econômico e produtivo das mulheres, quanto o papel
dos homens como cuidadores.
O estudo compreende as relações de trabalho na América
Latina e no Caribe, onde há mais de 100 milhões de mulheres
inseridas no mercado de trabalho.
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Agência Brasil, 13 de junho de 2009
Temer quer votar reforma eleitoral
antes do recesso
O presidente da Câmara, Michel Temer, afirmou que quer
incluir a reforma eleitoral na pauta do Plenário antes do
início do recesso parlamentar, em 18 de julho. Na semana passada,
os líderes partidários criaram uma comissão
para elaborar um projeto sobre financiamento de campanha e propaganda
eleitoral. O texto vai reunir propostas do deputado Flávio
Dino (PCdoB-MA) e sugestões dos integrantes da comissão.
Sobre a votação da reforma tributária, Temer
acha isso possível na próxima semana quando haverá um
quórum mais elevado. Os líderes da base do governo estiveram
com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para discutir um acordo para
viabilizar a votação das propostas de emenda à Constituição
que mudam o sistema tributário.
Temer acredita que as festas juninas não prejudicarão
o quórum para deliberações no plenário.
Questionado sobre o esvaziamento da Câmara neste período,
ele disse que, mesmo com a redução do número de
parlamentares, é possível assegurar o quorum mínimo
para a votação de propostas consensuais.
O presidente da Câmara citou, como exemplo, a aprovação
na terça (9) de substitutivo do Senado ao Projeto de Lei 687/95,
que define os objetivos para a formulação da Política
Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura e da
Pesca e estabelece regras e proibições para o setor.
O texto aprovado enquadra os aquicultores e pescadores como produtores
rurais, tornando-os aptos a acessarem o crédito rural.
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Prensa Latina, 13 de junho de 2009
Cepal prevê recessão de
1,7% na América Latina em 2009
Depois de seis anos consecutivos de crescimento econômico, a América
Latina terá sua primeira recessão em 2009, de 1,7%, de
acordo com projeções da Cepal (Comissão Econômica
para a América Latina e o Caribe). A região fechou 2008
com um aumento de 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB), mas o ciclo chegou
ao fim, como resultado do impacto da crise global iniciada há mais
de um ano nos Estados Unidos.
A estimativa anunciada pela Cepal nesta quarta-feira (10) é de
uma queda mais profunda do que os 0,3% estimados no final de março
pelo mesmo organismo das Nações Unidas.
O golpe da crise sobre a América Latina é o mais profundo
em pelo menos duas décadas, expressando-se em um declínio
dramático nas suas trocas comerciais e das remessas.
O grave declínio na demanda, tanto interna como externa, no
quarto trimestre de 2008 e no primeiro trimestre de 2009, foi um sinal
claro do impacto negativo da crise na região, mais grave que
o inicialmente previsto.
Isto se traduz em uma redução significativa dos fluxos
comerciais internacionais, deterioração dos termos de
troca e diminuição de remessas para estimular o crescimento
da área.
As nações latino-americanas também sofreram uma
grande incerteza sobre a evolução da crise e uma deterioração
das expectativas de recuperação, mesmo que a região
esteja relativamente mais bem preparada que outras para enfrentar a
crise.
O chileno Guillermo Garcia-Huidobro, consultor da Cepal em questões
de Estatística do Trabalho e projeções económicas,
assegurou à imprensa que algumas economias latino-americanas
felizmente tiveram um amadurecimento institucional bastante positivo.
Há neste sentido uma melhor institucionalidade, mais experiência
e um grande esforço em políticas anticrise, centradas
no mercado de trabalho, disse Huidobro.
Ao contrário das crises anteriores, as economias latino-americanas
estão menos endividadas e têm mais de reservas internacionais,
enquanto os sistemas financeiros regionais têm um grau de exposição
externa relativamente baixo.
''Desta vez não são os problemas financeiros que afetaram
a região de forma mais rápida e mais profunda'', disse
a agência das Nações Unidas.
A área, de resto, não foi capaz de eliminar os efeitos
negativos da disseminação do vírus da gripe suína,
que tem especial impacto sobre setores como o turismo, já afetado
pela redução de fluxo de viajantes provenientes de países
desenvolvidos .
Agências internacionais e regionais, como o Banco Interamericano
de Desenvolvimento, avaliam à luz destes e de outros fatores
que talvez esta a América Latina seja a primeira região
a sair da crise.
A Cepal mostra-se otimista, considerando que a recuperação
das economias da região pode começar já no segundo
semestre de 2009, embora a partir de níveis bem inferiores aos
do primeiro semestre de 2008.
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Congresso em Foco, 13 de junho de 2009
Lula: por que não uma mulher
na Presidência da República?
Rodolfo Torres
Reafirmando que não concorda com a idéia de um terceiro
mandato consecutivo, o presidente Lula voltou a destacar nesta sexta-feira
(12) que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, é a sua candidata
para as eleições presidenciais de 2010.
“As mulheres de hoje não são subservientes como
há 30 anos. As mulheres, agora, querem estudar, fazer política
e chegar ao poder. E por que não à Presidência
da República”, questionou o petista durante inauguração
de obras em Laranjeiras (SE).
Lula prometeu entregar, em 31 de dezembro de 2010, ao próximo
presidente um relatório detalhado, registrado em cartório,
contendo todas as obras de seu governo.
“Acabou o tempo em que presidente da República não
tinha que dizer o que fez... Cada ministro vai ter que preparar com
cada centavo que investiu e terá que ir a um cartório
registrar para que eu possa entregar a todos os reitores das universidades
do Brasil, para todos os presidente de sindicatos, para cada parlamentar
brasileiro, governador e, sobretudo, para o sucessor ou sucessora,
talvez.”
Dividiram palanque com o presidente os ministros Fernando Haddad (Educação)
e Juca Ferreira (Cultura), o governador de Sergipe, Marcelo Déda
(PT), além de parlamentares e prefeitos.
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Gazeta do Povo, 13 de junho de 2009
Habitação
Crédito farto faz entrega de
imóveis crescer
Parte do aumento de 61% na conclusão
de casas e prédios em Curitiba se deve, no entanto, à bolha
especulativa que se formava antes da crise. No Paraná,
Caixa já teve elevação de 82% em financiamento
habitacionais
O processo de queda dos juros brasileiros, e mais especificamente
do Sistema Financeiro de Habitação, está ampliando
as perspectivas positivas da construção civil. Em Curitiba,
ainda que o volume de obras novas esteja 8% inferior na comparação
do primeiro quadrimestre do ano com o mesmo período de 2008 – reflexo
direto da desaceleração econômica no último
trimestre –, o número de construções finalizadas
no mesmo período foi 61% superior.
A perspectiva é de continuidade de números positivos,
de acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção
Civil no Paraná (Sinduscon-PR), Hamilton Franck. Ele estima
fechar dezembro de 2009 com crescimento de pelo menos 10% sobre o ano
passado, que, mesmo com a crise, já foi bastante positivo. Parte
desse otimismo é consequência de várias condições
favoráveis, como os incentivos fiscais do governo federal, o
aumento dos prazos e a simplificação dos contratos de
financiamento para a casa própria.
Dados da Caixa Econômica Federal apontam que, em todo o estado
do Paraná, o número de contratações de
financiamento habitacional cresceu 82% em volume e 93% em pessoas beneficiadas,
considerando números de janeiro a maio. No total de 2009, já se
computou 20.430 unidades habitacionais no valor de R$ 858 milhões.
Apenas o programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, prevê criar
até o fim do ano mais de 44 mil unidades, com alocação
de R$ 1,72 bilhão para o Paraná. Com isso, o gerente
regional da Caixa, Gueber Roberto Laux, estima ultrapassar R$ 2 bilhões
em crédito habitacional no estado.
Bolha
O salto de 61% de obras concluídas em Curitiba é resultado
do grande número de construções lançadas
em 2008, uma “bolha” do setor. “Estávamos
crescendo de forma exponencial, atribuída em parte pelo excesso
de euforia do consumidor e também pelo otimismo das incorporadoras”,
diz. Ainda que pareça estranho, Franck diz que a desacelerada
por que o setor passou em dezembro, com a crise, foi benéfica.
De acordo com ele, estima-se que 50% dos compradores de imóveis
naquele período estavam contaminados pela especulação. “Muitos
estavam adquirindo imóveis na planta, com perspectiva de revender
com lucro no lançamento. Ou seja, praticamente metade do investimento
voltaria ao mercado em curto prazo, de forma desordenada”, conta.
Insumos
O diretor da Nakid Construções Civis, Nelson Elias Nakid,
concorda que o crescimento do ano passado estava em níveis insustentáveis,
com alterações negativas para a cadeia. “Foi um
período de demanda completamente fora da curva: o mercado já estava
sofrendo com falta de mão de obra e alta nos materiais. Durante
o aquecimento, chegamos a pagar R$ 15,50 pelo quilo de alumínio.
Hoje ele voltou ao preço normal, de R$ 10”, conta. O aumento
nos insumos foi generalizado, sendo visto também em concreto
e fios. “As encomendas de aço demoravam 90 dias para chegar,
quando em períodos de normalidade chegam na semana seguinte.
Ou seja, estávamos em um ritmo absolutamente fora do normal”,
afirma.
Outro efeito colateral negativo do período passado diz respeito
a obras públicas, que prevêem contrato de no mínimo
12 meses para execução. Com os preços muito instáveis,
Nakid diz que os contratos ficam comprometidos. “De um lado as
empresas não podem repassar as margens porque as licitações
são muito competitivas, do outro a instabilidade acaba gerando
rescisões de contratos e – em casos mais extremos – quebra
de empresas”, conta.
Deflação
A retomada do mercado em crescimento, porém dentro de padrões
de normalidade, também pode ser constatado avaliando os resultados
do índice de preços da construção civil,
o CUB. Considerando os últimos três meses, os dois primeiros
tiveram índice negativo, com deflação, e o resultado
de maio ficou em 0,03%. Junho deve ter acréscimo porque é data-base
de reajuste salarial da mão de obra setorial, no entanto – segundo
sua avaliação – os encargos com a folha não
devem aumentar muito além de 2% no índice. “Certamente
hoje estamos trabalhando mais dentro da realidade, com um cenário
de otimismo mais sólido, completa Nakid.
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Gazeta do Povo, 13 de junho de 2009
habitação
Juros do financiamentro imobiliário
devem cair mais
Entrevista com Miguel José Ribeiro
de Oliveira,vice-presidente da Anefac.
O consumidor interessado em comprar um imóvel financiado deve
esperar por pelo menos mais dois meses, na opinião do vice-presidente
da Associação Nacional de Executivos de Finanças
Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro
de Oliveira. Segundo ele, as taxas de juros, que já estão
sendo reduzidas pelos bancos, devem cair ainda mais, com a percepção
de melhora na economia e com as reduções da taxa básica
de juros, a Selic.
Na última semana, o Banco do Brasil e a Caixa anunciaram redução
de juros, com condições diferenciadas de acordo com a
forma de pagamento das prestações, ou se o interessado é correntista,
por exemplo. Bancos privados, como o Bradesco, também estão
de olho no mercado. Em maio, a instituição anunciou a
ampliação do prazo de financiamento da casa própria
de 25 para 30 anos em todas as modalidades previstas no Sistema Financeiro
da Habitação (SFH) e anunciou redução de
taxas.
As condições para a compra de imóveis
estão melhorando?
Atualmente, há uma competição maior nesse segmento,
o que possibilita aos consumidores melhores condições.
Entretanto, essas condições tenderão a ficar ainda
melhores. Mas é importante aquele consumidor que não
pode esperar ficar atento para não comprometer demais a renda,
e preferencialmente escolher o sistema Sacre [Sistema de Amortização
Crescente] que possibilita pagar a um custo menor. Claro que tem uma
desvantagem porque as parcelas iniciais são maiores. Mas a dívida é amortizada
de forma mais rápida. O consumidor deve prestar atenção
também que quando vai comprar o imóvel, além dos
juros, tem seguros e a Taxa Referencial (TR).
Quanto tempo mais aqueles que querem financiar um imóvel
devem esperar?
As condições de crédito no segundo semestre vão
estar melhores. Daqui a dois ou três meses, haverá uma
quantidade maior de bancos oferecendo condições melhores,
o que possibilita uma competição maior e beneficia os
consumidores.
Os efeitos da crise no financiamento imobiliário estão
passando?
Tenho a convicção de que o pior da crise já passou,
o que se reflete na própria atitude dos bancos. Se os bancos
acreditassem que a situação estaria complicada, não
fariam o que estão fazendo agora. Agregado a isso, temos a Selic
sendo reduzida, o que possibilita aos bancos continuar reduzindo as
taxas de juros.
Qual é o feito da Selic nas taxas de juros de financiamento
de imóveis?
A Selic é uma taxa de juros que referencia todas as demais.
Quando a Selic sobe, todas as taxas de juros sobem. Por se tratar de
financiamento de longo prazo e de alto valor, um ponto porcentual de
redução da Selic traz uma enorme efeito no custo do financiamento
de imóveis.
Qual a diferença entre os sistemas de amortização
Price (Sistema Francês de Amortização), Sacre
e SAC (Sistema de Amortização Constante)?
Quando você faz um financiamento, paga sempre os juros sobre
o saldo devedor. Entretanto, tem alguns tipos de sistema que definem
como vai ser amortizada a dívida. Tem o sistema Price, que é o
mais conhecido pelos brasileiros, em que você paga parcelas iguais
durante o financiamento. Tem o sistema Sacre, adotado pela Caixa, em
que as prestações iniciais são maiores e vão
sendo reduzidas a cada 12 meses. O SAC, usado tanto pela Caixa quanto
por bancos privados, é muito parecido com o Sacre. Com esses
dois sistemas, você amortiza mais no início do financiamento.
Para se ter uma idéia, no caso de um financiamento de dez anos,
o consumidor que optar pelo sistema Price vai pagar 10% a mais do que
pagaria nos outros dois sistemas.
Para quem não tem disciplina para juntar dinheiro,
o financiamento pode ser uma boa opção, uma vez que
a pessoa terá que reservar os recursos para pagar as prestações?
Em qualquer hipótese é melhor juntar dinheiro para comprar à vista
ou para financiar uma parcela menor do valor do imóvel. Assim,
o consumidor economiza com juros. Mas para aquele consumidor que não é muito
regrado, a melhor indicação é o sistema de consórcio,
porque vai ter a obrigatoriedade de pagar todo o mês.
E o financiamento é melhor opção do que
pagar aluguel?
Hoje em dia, eu diria que sim. As condições de crédito
melhoraram, o que possibilita pagar o mesmo valor de um aluguel. Atualmente,
os juros de financiamento estão, em média, entre 0,90%
e 1% ao mês. O aluguel corresponde em geral de 0,80% a 1% do
preço do imóvel.
Quais são as dicas na hora de pesquisar nos bancos?
Estamos falando que as taxas de juros estão caindo. Mas isso
não quer dizer que todas as taxas estejam iguais e que todos
os bancos reduziram. Nem sempre que os bancos dizem que reduziram os
juros, a redução foi para todas as categorias. Às
vezes, caíram para financiamento de dez anos, por exemplo, ou
em uma situação em que o consumidor ofereça uma
boa entrada. A melhor alternativa é pesquisar muito. O consumidor
deve procurar o seu banco e os demais para saber quais são a
taxa de juros e os demais encargos. Ele só vai saber onde é mais
barato, se fizer uma comparação de custos.
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Gazeta do Povo, 13 de junho de 2009
Trabalho
Regras para domésticas viram
projeto
O governo vai apresentar um projeto de lei no segundo semestre
para regulamentar a situação de cerca de 6 milhões
de empregadas domésticas no país que trabalham sem
carteira assinada. O debate em torno de um projeto já vem
ocorrendo desde 2006. Segundo o Ministério do Trabalho, existem
cerca de 7 milhões de empregadas domésticas no Brasil
hoje. Dessas, apenas um milhão estão em situação
regularizada.
No fim do ano passado, o governo se debruçava sobre a criação
de um projeto que tornaria obrigatório o recolhimento de 8% como
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) sobre o salário
de empregados domésticos. A ideia era criar mecanismos para incentivar
famílias a registrar empregadas, pagando contribuições
sociais e outros benefícios. Já a resistência ao
projeto alerta que a pressão por uma formalização
do trabalho doméstico poderia ter um impacto inverso, já que
um maior custo poderia significar um maior número de demissões.
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Gazeta do Povo, 13 de junho de 2009
Conferência
Diretor da OIT defende flexibilização
nas relações de emprego
Genebra - Governos não devem ter uma posição “ideológica” sobre
a questão da flexibilidade no mercado de trabalho. A avaliação é do
diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho
(OIT), Juan Somavia, que argumenta que o mundo poderá levar
até oito anos apenas para recuperar as mesmas taxas de emprego
que existiam antes da recessão. “Não podemos
declarar vitória muito cedo apenas porque alguns dados mostram
um pequeno crescimento.”
Na segunda-feira, a OIT abre sua conferência internacional sobre
a crise no trabalho, com a presença do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. A delegação brasileira revelou que o discurso
de Lula será o de defesa dos direitos dos trabalhadores e contra
qualquer tentativa de flexibilização das condições
e benefícios do trabalho.
O governo avalia até mesmo ratificar uma convenção
da OIT que dificultaria demissões. “Não há condições
sequer de falar em redução dos direitos dos trabalhadores”,
afirmou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Somavia alerta que a decisão
de adotar ou rejeitar medidas de flexibilização no trabalho
não deve ser um “objetivo ideológico”. “A
flexibilização é um instrumento. Depende do país
e do setor”, disse.
O diretor da OIT lembra que os países nórdicos estão
entre os principais defensores de medidas de flexibilização
no mundo do trabalho. “Quando olhamos para quais são os
países mais competitivos do mundo, vemos que são os países
nórdicos. Se a flexibilização fosse ruim, não
seriam os mais competitivos”, disse. “Mas cada país
deve adotar esse instrumento se achar que pode funcionar”, disse.
Ele não nega que, em uma crise, adaptações sejam
necessárias.
Somavia admite que o governo de Lula no Brasil “teria sido de
crescimento, em condições normais”. “O maior
problema dessa crise é que países que estavam funcionando
bem, de repente, foram afetados”, disse. O diretor da OIT ainda
lembrou que países que basearam seu crescimento apenas na exportação
viram que isso não funcionaria. “Precisa haver um equilíbrio
entre o crescimento doméstico e as exportações”,
disse.
Ele acredita que o Brasil deve escolher entre uma série de
políticas para poder superar a recessão. Mas insistiu
que, em qualquer delas, seria necessário o diálogo social.
Outro alerta de Somavia é quanto a tendência do mercado
de “começar a abrir champanhe” diante da estabilização
relativa dos mercados. “Para muitos, a economia pode até ter
chegado ao fundo do poço. Mas para vários outros, a questão é que
não há como sair de lá”, alertou.
Otimismo
Lupi, em discurso na OIT, insistiu ontem que “o Brasil foi o
primeiro país a sair da crise”. “No atual trimestre,
vamos crescer em 1%”, disse. Além de Lula, o evento contará com
presidentes da Argentina, França, Moçambique, Noruega
e outros. “Mesmo que tenhamos identificado algum sinal de recuperação
na economia, precisamos nos lembrar que o período para a criação
de empregos tente a vir só depois”, alertou o diretor
da OIT. “Há um grande risco agora de que se esqueça
dos trabalhadores, de que os dados do desemprego sejam ignorados. Essa
seria a pior resposta.”
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