 |
Valor Online, 14 de junho de 2009
Lupi: Brasil gerou mais de 106 mil vagas
de emprego formal em maio
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, disse que o Brasil criou
em maio mais de 106 mil vagas formais de trabalho em termos líquidos
(acima do número de demissões), o que confirmaria uma
reversão na tendência de queda no mercado de empregos.
"Vamos gerar mais de 1 milhão de empregos, o PIB vai crescer
mais de 2% este ano, pode apostar e cobrar depois", afirmou Lupi,
ao chegar a Genebra para participar da Conferência Mundial do
Trabalho.
Em abril, o país também gerou 106.205 postos de trabalho
com carteira assinada em abril, número que representou o melhor
saldo desde setembro desde setembro de 2008.
A projeção de geração de empregos este
ano no país está 30% abaixo do 1,450 milhão de
vagas novas criadas em 2008. Para Lupi, o resultado é satisfatório
diante dos estragos causados pela recessão na economia mundial.
Por sua vez, a Organização Internacional do Trabalho
(OIT) e a Comissão Econômica da ONU para a América
Latina (Cepal) divulgaram relatório mostrando que o desemprego
aumentou em mais de 1 milhão de pessoas no primeiro trimestre
na região. A taxa anual pode chegar a 9,1% - em 2008, atingiu
7,5%.
Isso significa que entre 2,8 milhões e 3,3 milhões de
pessoas podem se somar aos 15,9 milhões de desempregados nas
zonas urbanas no ano passado.
A maioria dos países da região registrou queda de emprego
- queda moderada no Brasil e na Colômbia, e mais acentuada no
México, Chile e Equador. Somente Uruguai, Venezuela e Argentina
aumentaram o emprego em relação ao ano passado.
Com relação ao incremento médio dos salários,
foi de 4,5% no Brasil e 6,1% no Uruguai, enquanto a Venezuela registrou
a maior queda, de 5,4%.
No caso do Brasil, OIT e Cepal preveem alta 8,4% para 8,6% na taxa
de desemprego este ano, mas Lupi acha que "as pessoas estão
olhando pelo retrovisor".
Argumenta que, até janeiro, houve forte queda no mercado de
trabalho, estagnação em abril, mas a situação
em maio já foi melhor.
Ele espera mais sinais positivos, baseado em projeção
de expansão do PIB entre 1,2% e 1,5% no segundo trimestre.
Segundo o ministro, todos os setores dão sinais de recuperação
do emprego, começando pelos serviços, além de a
construção civil estar reagindo bem e a agricultura estar
particularmente forte em Minas e São Paulo.
Até a indústria, "que vinha ladeira abaixo",
voltou a empregar em maio. Lupi prevê que, do segundo semestre
em diante, "vai ter emprego muito forte na indústria".
Nesta sexta-feira, na conferência, o ministro dirá que
o Brasil é o único país do G-20 que está
gerando emprego formal, considerando que China e Índia não
têm sistemas de carteira assinada.
O ministro espera deslanchar no mês que vem um programa de microcrédito,
com recursos do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT).
A ideia é fornecer empréstimos de até R$ 5 mil,
com taxa de juro de 0,7% ao mês, em convênio com BNB, Banco
do Brasil e Caixa Econômica Federal.
|
Rede Brasil Atual, 14 de junho de 2009
Contra demissões, trabalhadores
de alimentação querem Cade social
As entidades filiadas à Confederação Nacional dos
Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação consideram
que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão
ligado ao Ministério da Justiça, leva em conta apenas
os aspectos financeiros envolvidos, como a concentração
de mercado, na hora de avaliar fusões.
O encontro em Curitiba foi motivado pela união de Perdigão
e Sadia na Brasil Foods, ação que na avaliação
da CNTA pode gerar a perda de 10 mil empregos diretos e outros 30 mil
indiretos.
Além disso, os sindicatos do setor de alimentação
consideram que os consumidores serão prejudicados pela falta
de concorrência entre os frigoríficos.
O presidente da CNTA, Artur Bueno de Camargo, afirmou à Rede
Brasil Atual que é preciso "defender uma proposta para que
seja criado um órgão tripartite para que, sempre que houver
uma fusão ou a aquisição de empresas, esse órgão
possa proteger os trabalhadores".
A entidade quer articular encontros com deputados e senadores e pretende
realizar um debate em um auditório da Câmara em duas semanas.
No caso da Brasil Foods, os sindicatos avaliam que deve haver fechamento
de vagas nos pontos em que há frigoríficos das duas empresas
próximos geograficamente, como no Rio Grande do Sul e no Mato
Grosso.
Outro ponto em que a CNTA estima a perda de postos é o setor
logístico. Já que a criação do novo órgão,
se houver, vai levar algum tempo, Artur Bueno de Camargo espera ser
recebido pelos integrantes do Cade para discutir a fusão.
Em Toledo, no Paraná, os trabalhadores da fábrica da
Sadia já vinham perdendo o emprego - foram mais de mil vagas
fechadas desde dezembro do ano passado.
|
Jornal A Tarde, 14 de junho de 2009
Juros bancários ao consumidor
chegam a 246% aa; Selic é 9,25%
João Pedro Pitombo, no jornal A Tarde
Um verdadeiro abismo ainda separa os juros básicos da economia,
estipulado pelo Governo Federal por meio da taxa referencial do Sistema
Especial de Liquidação e Custódia (Selic), das
taxas cobradas pelas instituições financeiras ao consumidor.
Mesmo com a redução da taxa Selic para 9,25% ao ano,
nível mais baixo desde sua criação em 1986, os
bancos ainda cobram às pessoas físicas juros que podem
chegar 246,24% ao ano.
Principal responsável por esta diferença entre a taxa
Selic e os juros cobrados, o spred bancário (diferença
entre a Selic e os juros bancários) teve uma redução
de somente 2,5% entre janeiro e abril de 2009.
Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban),
a estimativa é que a taxa de juros tenha caído num percentual
de 4,7% neste período, sendo 9,1% para as pessoas físicas
e 1,9% para as pessoas jurídicas.
Segundo os especialistas em finanças, a redução
nos juros cobrados pelos bancos é insuficiente e ainda não
faz uma diferença efetiva no bolso do consumidor brasileiro.
De qualquer forma, já há o que comemorar: a avaliação
é que os recentes cortes na taxa básica dos juros não
são conjunturais.
E nos próximos anos deverão chegar ao crédito
ao consumidor final.
De acordo com Andrew Storfer, diretor de economia e finanças
da Associação Nacional dos Executivos de Finanças,
Administração e Contabilidade (Anefac), o rompimento da
barreira dos dois dígitos da taxa Selic representa um ganho para
todos os setores da economia.
"É uma medida que beneficia o Governo, que despenderá
menos no pagamento dos juros da dívida pública; o consumidor,
que ganha com a redução paulatina do spread bancário;
e as empresas, que terão acesso a melhores condições
de financiamento e empréstimos", explica ele.
No entanto, o professor de finanças da Fundação
Getúlio Vargas, Carlos Alexandre Sá, ressalta que existem
entraves que ainda mantém Brasil com o terceiro maior juro real
do mundo.
Ele cita a oferta e procura intensa por crédito como um dos
principais fatores que sustentam o spred no patamar atual.
"Mesmo com juros altos, o brasileiro continua tomando crédito
na praça e se endividando", explica.
O empréstimo contingenciado também é considerado
um complicador: "Todo banco é obrigado a conceder crédito
para setores como a agricultura com taxas subsidiadas. Com isso, quem
paga a diferença são os outros tomadores de empréstimo".
Com os cortes na Selic, a tendência é de ampliação
dos prazos de pagamento e redução dos juros cobrados ao
consumidor.
Os financiamentos de longo prazo, como o do crédito imobiliário
e de bens duráveis, deverão ser os primeiros a sentir
os efeitos.
"A compra de veículos, imóveis e o crédito
consignado deverão ter uma redução mais significante.
Estes são créditos seguros e dão rentabilidade
aos bancos", explica Andrew Storfer, da Anefac.
Já para o consumidor que usa o cheque especial ou toma empréstimos
para pagamento num prazo curto, a queda na Selic é insignificante.
"Em que interfere uma queda de um ponto percentual para quem paga
mais de 100% de juros ao ano?", questiona o professor Carlos Alexandre
Sá.
Para Carlos Amaral, presidente da Federação do Comércio
do estado da Bahia (Fecomércio), o setor deverá ser um
dos principais beneficiados com redução da Selic, que
deve repercutir nas taxas do crediário e no crédito direto
ao consumidor.
"É um estímulo ao setor. Se compararmos com o patamar
de alguns anos atrás, é uma redução considerável.
Pode não ser o desejável, mas dá mais conforto
ao consumidor que compra a prazo".
De acordo com o professor Alcides Leite, quem sai ganhando é
a economia produtiva do País.
"As pessoas que terão mais acesso ao crédito, e
empresas, mais recursos disponíveis para fazer negócios",
afirmou.
|
O Outro Lado da Notícia, 14 de junho
de 2009
Ministro Mantega diz que Brasil será
5ª maior economia em 2050
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou em entrevista ao
canal GloboNews que a crise financeira ainda será sentida pelos
países desenvolvidos por alguns anos e que a economia brasileira
estará entre as cinco maiores do mundo em cerca de 40 anos.
"A crise mundial não acabou. Os países avançados
continuarão digerindo os problemas da crise por alguns anos e
terão crescimento pífio. (...) Até 2050 o Brasil
vai estar entre os cinco maiores PIBs (Produto Interno Bruto) do mundo".
E completa: "Seguindo essa trajetória, China será
1ª, Estados Unidos passarão para 2º, Índia em
3º, Rússia em 4º e o Brasil em 5º", afirmou.
Segundo Mantega, os investimentos no país devem continuar crescendo
neste ano, embora o setor privado tenha diminuído o ritmo com
a crise global. "Neste ano só o Governo vai investir R$
30 bilhões.
No setor privado não teremos bom nível de investimento,
é uma pausa", disse.
No entanto, o chefe da Fazenda adiantou que o Governo estuda mais medidas
para incentivar os gastos das indústrias em máquinas e
equipamentos.
"Vamos tomar medidas para baratear os investimentos no País.
Uma delas é depreciação acelerada", colocou
Mantega.
Por meio deste incentivo, empresas que investirem em modernização
pagariam menos tributos.
De acordo com a GloboNews, o ministério da Fazenda já
decidiu pela manutenção da desoneração do
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para materiais de construção
e também para carros, no entanto, com algumas modificações.
As duas medidas valem oficialmente até 30 de junho.
|
Congresso em Foco, 14 de junho de 2009
“Estamos fazendo um governo elogiado
pelo mundo inteiro”, avalia Lula
Rodolfo Torres
Deixando a modéstia de lado, o presidente Lula alfinetou a oposição
durante a cerimônia de criação do campus de Saúde
da Universidade Federal de Sergipe. De acordo com o petista, seu governo
é elogiado pelo mundo inteiro, o que provocaria a irritação
dos oposicionistas.
“Eu não sei se vocês viram o programa de televisão
do adversário nosso ontem, antes de ontem. Olhem, a verdade é
esta, a verdade é esta, gente: eles ficam nervosos porque um
homem que, do ponto de vista da sociologia, não estava escrito
que podia chegar ao poder, chega ao poder. E com muita competência
de formar a equipe, e com muita competência de manter a amizade
com o povo brasileiro, nós estamos fazendo um governo elogiado
pelo mundo inteiro, pelo mundo inteiro”, afirmou Lula.
O petista ainda destacou a eventual auto-estima elevada do brasileiro
e o empréstimo de US$ 10 bilhões que o Brasil fez ao Fundo
Monetário Internacional (FMI). Essa é a primeira vez que
o país vira credor da instituição financeira.
“Antigamente, as pessoas ficavam de joelhos para o FMI. Vocês
viram que engraçado: esta semana eu emprestei US$ 10 bilhões
para o FMI.”
Pesquisa CNI/Ibope divulgada no início da semana aponta que
a aprovação ao governo Lula e ao presidente da República
cresceram. Em março deste ano, 64% aprovavam o governo federal.
Atualmente, 68% dos brasileiros o aprovam.
Já a aprovação à forma de o presidente
governar cresceu dentro da margem de erro, passando de 78% em março
para 80% em junho.
|
Gazeta do Povo, 14 de junho de 2009
Trabalho
Crise pressiona negociação
salarial
Retração da economia deve dificultar
reajustes acima da inflação para os trabalhadores em 2009
A retração da atividade econômica tornou mais duras
as negociações salariais em 2009 e promete esquentar a
briga nesse segundo semestre, quando categorias de peso – como
bancários, metalúrgicos, químicos e petroleiros
– têm data-base no Paraná. Mas, apesar da crise,
os trabalhadores que já realizaram convenções têm
conseguido garantir a reposição da inflação
e aumento real de salário.
A diferença, agora, está nos ganhos. Em vez de se concentrarem
na faixa entre 2% e 3% acima da inflação – no ano
passado algumas categorias chegaram a conseguir aumento real de 6% –
eles têm ficado, em sua maioria, entre 0,5% e 2%.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Paraná calcula
que cerca de 350 mil trabalhadores já fizeram – por meio
de seus representantes sindicais – suas convenções
coletivas esse ano, incluindo os servidores públicos de Curitiba
e do governo estadual. No segundo semestre, as principais categorias
que terão data-base representam outros 500 mil trabalhadores.
“É um ano mais difícil, não resta a menor
dúvida. Mas ainda assim estamos conseguindo negociar aumentos
reais”, afirma.
Mas os acordos estão demorando mais para serem fechados neste
ano. Segundo a Federação das Indústrias do Paraná
(Fiep), pelo menos oito setores estão com as negociações
travadas por falta de consenso entre patrões e empregados. Entre
eles estão grandes empregadores, como o segmento madeireiro,
de vestuário e têxtil.
O principal impasse está na resistência dos representantes
patronais em corrigir os salários acima da inflação.
Foi o que ocorreu nas negociações na indústria
gráfica, por exemplo. “Por conta crise, o sindicato que
representa as empresas queria apenas zerar a inflação.
Mas estávamos discutindo os ganhos acumulados pelo setor ao longo
de todo o ano de 2008 e não só as perdas a partir de setembro”,
diz Leonel Souza Ramos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da
Indústria Gráfica do Paraná, que representa 10
mil empregados. Os trabalhadores terminaram a negociação
em fevereiro, com aumento real de 1,43%. Os vigilantes, por sua vez,
tiveram que apelar para uma greve para conseguir convencer as empresas
do setor a conceder um aumento de 7% (0,54%, descontada a inflação).
“De maneira geral não deveremos ter um porcentual tão
grande de categorias com aumentos reais como nos últimos anos”,
afirma o economista do Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva.
O número de trabalhadores que teve reajuste igual ou acima da
inflação vinha crescendo nos últimos anos e passou
de 80,9%, em 2004, para 96% em 2007. Em 2008, o índice caiu para
88,1%, de acordo com o Dieese. Para Silva, a perda de fôlego da
inflação também pressiona para baixo os ganhos
reais. Em meados do ano passado, as negociações estavam
ocorrendo em meio a um cenário de crescimento econômico
e de inflação em alta. Havia, na época, uma preocupação
com a perda do poder de compra dos salários com a subida dos
preços, principalmente dos alimentos. “Hoje, além
de não haver uma pressão inflacionária significativa,
o mercado de trabalho ainda sofre os efeitos da recessão, com
pressão sobre os níveis de emprego e sobre produtividade
das empresas”, acrescenta Marcio Cruz, professor do departamento
de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O desenrolar das negociações, no entanto, varia de setor
para setor. De maneira geral, segmentos menos afetados pela crise têm
conseguido desempenho melhor – o que anima, por exemplo, os trabalhadores
da construção civil, cuja convenção coletiva
é neste mês. “O setor vai bem, estimulado pelo Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC) e pelo programa de
habitação popular Minha Casa, Minha Vida. Além
disso, há falta de mão de obra. Não acredito que
vamos ter dificuldade em garantir ganho real”, afirma Domingos
Oliveira Davide, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil (Sintracon), que representa 35 mil empregados em Curitiba e região.
No ano passado, o sindicato conseguiu um reajuste real de 2,83%.
Algumas categorias que vão começar a discutir o salário
nos próximos meses, como os bancários, já começaram
a se mobilizar. Otávio Dias, presidente do Sindicato dos Bancários
da Grande Curitiba – que representa 17 mil trabalhadores –,
diz que a crise não será aceita como desculpa para barrar
os aumentos reais. “Os bancos ainda continuam com lucros astronômicos.
Nos últimos cinco anos conseguimos ganhos acima da inflação.
Esperamos manter nesse perfil esse ano.”
|
Gazeta do Povo, 14 de junho de 2009
Trabalho
Recessão afeta cenário para
segundo semestre
A confirmação de que o Brasil está em recessão
deve jogar contra os acordos salariais no segundo semestre deste ano.
Para especialistas, a ameaça de crescimento do desemprego e pressões
por aumento de produtividade nas empresas devem contribuir para endurecer
ainda mais o tom na mesa de negociação.
Para Luiz Alberto Esteves, professor do departamento de Economia da
Universidade Federal do Paraná (UFPR), não há sinais
claros de que o ajuste sobre o emprego, principalmente por parte da
indústria, já terminou. “Quando olhamos a produção
de bens de capital (máquinas e equipamentos), que é um
indicador importante de como andam os investimentos, vemos que ela continua
muito menor do que no ano passado. Isso significa que não teremos,
tão cedo, projetos de aumento de capacidade de produção
das empresas e ampliação do nível de emprego”,
diz.
Segundo o professor Marcio Cruz, também do departamento de Economia
da UFPR, o emprego industrial é o mais pressionado pela queda
na produção, mas também é onde estão
os sindicatos mais organizados. “É nesse setor que as empresas
estão pisando mais no freio e onde temos um maior jogo de forças.”
No segundo semestre, além de negociações de categorias
de peso, como metalúrgicos, bancários e petroleiros, devem
acontecer os acordos com as montadoras instaladas no estado e empresas
como Kraft Foods, Companhia Paranaense de Energia (Copel), Itaipu, Itambé
e Rio Branco. Apesar deste cenário, o presidente da Central Única
dos Trabalhadores (CUT) no Paraná, Roni Anderson Barbosa, acredita
que a redução da taxa básica de juros (Selic) e
a esperada recuperação econômica nos últimos
meses do ano devam amenizar o quadro negativo. (CR)
|
Gazeta do Povo, 14 de junho de 2009
Trabalho
Para a indústria, mínimo
regional dificulta os acordos
Segundo a Fiep, salário estadual está
pressionando a negociação de categorias com piso menor
Além da crise econômica, o aumento de 15% no salário
mínimo regional do Paraná – que passou a variar
de R$ 605,52 a R$ 629,65 – também tem dificultado as negociações
salariais entre patrões e empregados em 2009, segundo Amilton
Stival, coordenador do conselho temático de relações
de trabalho da Federação das Indústrias do Estado
do Paraná (Fiep). “Várias categorias já vêm
para a mesa de negociação querendo um reajuste equivalente
ou a equiparação do piso salarial com o estipulado pelo
governo. As empresas não têm como bancar esse aumento”,
afirma Stival.
De acordo com Stival, neste ano, mais do que nos anteriores, o salário
regional está pressionando as negociações principalmente
de categorias em que o piso é menor do que o estadual. “É
um absurdo o governo dar um aumento de 15% para o salário regional,
que não tem impacto nos seus cofres, e de apenas 6% para o servidores
estaduais”, critica.
No caso da indústria, o efeito do salário mínimo
estadual é indireto, já que ele vale apenas para atividades
que não têm acordo coletivo de trabalho, como empregados
domésticos, trabalhadores rurais, cortadores de cana, zeladores
e faxineiros. Atualmente ele é 35,2% maior do que o salário
mínimo nacional, que teve reajuste de 12% e hoje vale R$ 465.
“Mas ele influencia as negociações”, reforça.
A situação está especialmente complicada em setores
como madeira, móveis, vestuário e confecções.
“Se o bolso do governo está raso, o das empresas está
ainda mais”, acrescenta. Na indústria, ao contrário
de outros segmentos, os poucos reajustes fechados até agora –
técnicos em segurança, vendedores e desenhistas –
têm se limitado a corrigir a inflação, uma vez que
a produção e o emprego no setor estão em queda,
segundo Stival.
Em abril, as indústrias do Paraná reduziram a produção
em 2,8% em relação ao mesmo período do ano passado,
segundo dados divulgados na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE). Nove dos 14 segmentos pesquisados
registraram queda, com destaque para veículos automotores (-32,4%),
máquinas e equipamentos (-26%), madeira (23,8%).
A indústria brasileira também teve em abril o pior cenário
para o mercado de trabalho em oito anos. O emprego no setor caiu 0,7%
ante março, a sétima taxa negativa consecutiva na comparação
com o mês anterior. Em relação a abril do ano passado,
houve recuo de 5,6% no número de ocupados, o pior resultado desde
o início da série histórica da pesquisa do IBGE,
em 2001. Com 96 sindicatos filiados, a Fiep tem pela frente mais 12
negociações no segundo semestre, entre eles as do setor
de alimentos e de metalurgia.
|
Folha de S.Paulo, 14 de junho de 2009
Pré-sal e PAC formam base do projeto
Dilma
DA REPORTAGEM LOCAL
A tese da corrente CNB (Construindo um Novo Brasil) é tratada
no PT como o primeiro esboço do programa de governo de Dilma
Rousseff. Por conta disso, o documento dá amplo destaque ao PAC
(Programa de Aceleração do Crescimento) e às "riquezas
energéticas".
"O PAC, implementado desde 2007, é mais do que um programa
de obras. Será cada vez mais, a partir de 2011, uma estratégia
de desenvolvimento", afirma o texto petista.
Ministra da Casa Civil, Dilma é chamada pelo próprio presidente
Lula de mãe do PAC. Até 2005, no entanto, ela estava à
frente da pasta de Minas e Energia, e a CNB não deixa de avistar
no setor um manancial para as futuras promessas de campanha da pré-candidata.
"O boom petroleiro e gasífero que o pré-sal vai produzir
terá forte efeito irradiador sobre amplos setores da indústria
brasileira, sobretudo o naval. Ele assegurará uma forte expansão
do PIB e crescimento do emprego. Permitirá igualmente o fortalecimento
da integração da América do Sul, na medida em que
outros país da região forem convocados para esse processo",
diz.
Oposição
Sobre a disputa política, a CNB avalia que ela será "uma
das mais radicais e intensas que o país já viveu desde
a redemocratização" e cita a CPI da Petrobras, instalada
no Senado, "como uma prova disso".
O texto, dividido em 95 tópicos, faz críticas ao governo
FHC (1995-2002): "O Brasil experimentou a estagnação,
a desnacionalização da economia, o aumento da dependência
externa, a degradação da infraestrutura".
Há uma única referência ao mensalão, escândalo
de transferência de recursos a congressistas sob o governo Lula,
ainda que o termo não seja citado diretamente. "Nosso partido
reduziu o peso de opinião dos movimentos sociais em sua vida
interna, viu sua democracia e capacidade de elaboração
e formulação política perderem força em
face do peso do poder econômico e dos projetos particulares de
poder. Esse quadro nos ajuda a compreender a natureza da crise que vivemos
em 2005, já que ela foi resultado de novos padrões de
financiamento da nossa atividade partidária." (JAB)
|
Folha de S.Paulo, 14 de junho de 2009
G8 aceita planejar fim da crise, mas "racha"
sobre bancos
Países ricos vão formular saídas
para retomar o equilíbrio fiscal perdido com sucessivos pacotes
para conter a crise
EUA e Canadá defendem auditorias em bancos
na Europa, mas ministros da zona do euro temem efeitos adversos com
resultados
DA REDAÇÃO DA "BLOOMBERG"
Os países ricos concordaram ontem que já é hora
de começar a planejar o pós-crise e, em especial, a redução
dos déficits fiscais, que fugiram do controle com os bilionários
pacotes de estímulos lançados desde o fim de 2008 contra
a recessão.
Essa foi uma das principais mensagens da declaração final
do encontro dos ministros de Finanças do G8 (grupo que reúne
oito das maiores economias do mundo) em Lecce, na Itália, que
destacou "sinais de estabilização na economia",
embora ainda existam incertezas.
O temor é o de que o endividamento excessivo dos países
ricos não seja sustentável e leve a uma espiral inflacionária
que ameace a recuperação.
Medidas concretas, porém, ainda estão longe de serem tomadas.
Os países do G8 pediram ajuda do FMI para avaliar as decisões
mais adequadas, e o governo dos os EUA, representado pelo secretário
do Tesouro, Tim Geithner, alertou que ainda é "muito cedo
para adotar políticas restritivas".
O encontro também mostrou que ainda existem divisões em
questões centrais. Os ministros não chegaram a um consenso
quanto à realização de novas auditorias nos bancos
europeus e à publicação dos resultados, a exemplo
do ocorrido nos EUA neste início de ano.
Os chamados "testes de estresse" são defendidos por
governos como o dos EUA e do Canadá porque, segundo eles, permitem
dissipar as dúvidas que existem sobre a saúde financeira
dos bancos, o que facilitaria a tais instituições levantar
capital no mercado.
"Nós queremos os "testes de estresse", mas para
o sistema [financeiro], não para cada banco", disse o ministro
de Finanças da Alemanha, Peer Steinbrueck. "O setor bancário
europeu, e o alemão em particular, é muito mais heterogêneo
do que o americano."
O mesmo argumento foi utilizado pela ministra de Finanças da
França, Christine Lagarde, para quem os bancos europeus são
muitos diferentes para serem avaliados por parâmetros unificados.
Segundo ela, divulgar os resultados de testes conduzidos dessa forma
poderia reacender a crise.
Testes foram realizados isoladamente por alguns países europeus,
mas há divergência no bloco quanto à divulgação.
Os testes adotam uma série de premissas para a economia nos próximos
anos e, a partir dos cenários, os governos calculam quanto cada
banco precisará de reforço no caixa.
Sanear o sistema financeiro, de modo que os bancos possam voltar a emprestar
para empresas e consumidores, é apontado por imprescindível
para o crescimento sustentável. Segundo estimativa do FMI, porém,
o total de ativos "tóxicos" (de difícil recuperação)
nos bancos de todo o mundo chega a US$ 4 trilhões, rombo que
deve ser coberto para que os bancos tenham novamente condições
de emprestar.
|
Última Instância, 14 de junho
de 2009
PEDE A INCONSTITUCIONALIDADE
Confederação Nacional
do Turismo questiona lei Antifumo no Supremo
A CNTUR (Confederação Nacional do Turismo) ajuizou no
STF (Supremo Tribunal Federal) a ADIN (Ação Direta de
Inconstitucionalidade) requerendo em caráter liminar suspender
a Lei Antifumo promulgada pelo governador de São Paulo, José
Serra.
A lei proíbe o consumo de cigarros e derivados de fumo em geral
em ambientes de uso coletivo, públicos ou privados, naquele estado,
sem admitir áreas especiais para fumantes. A CNTUR pede a declaração
de inconstitucionalidade da Lei 13.541/2009.
A CNTUR alega que a lei ofende os artigos 1º, inciso IV; 5º,
incisos I, II e XXXVI; 24, parágrafos 1º, 3º e 4º,
incisos V, VIII e XII e, ainda, o artigo 170, caput e inciso VIII, todos
eles da Constituição Federal.
Segundo ela, “trata-se de texto normativo que, em clara usurpação
de competência e ferindo de morte princípios fundamentais
consagrados em nosso Estado Democrático de Direito – tais
como os da liberdade, da livre iniciativa e da proporcionalidade, dentre
muitos outros –, cria norma cogente proibitiva que possui o condão
de, muito além do que suplementar (o que seria lícito),
derrogar uma legislação federal”.
A instituição alega, também, que as pesadas penas
impostas pela lei atingirão diretamente a todas as categorias
a ela filiadas (hotéis, bares, restaurantes e outros), que constituem
não apenas postos de venda dos cigarros e de outros derivados
de fumo, mas especialmente também locais onde se faz largo uso
dessas substâncias.
Segundo a CNTUR, a pena máxima de fechamento do estabelecimento
infrator pelo prazo de 30 dias “significa, fatalmente, o encerramento
de suas atividades para sempre”.
A confederação alega que o uso de cigarros e similares
é regulamentado pela Lei Federal 9.294/1996, que, entretanto,
o autoriza “em área destinada exclusivamente a esse fim,
devidamente isolada e com arejamento conveniente”.
Além disso, segundo ela, a mencionada lei é regulamentada
pelo Decreto 2.018/96, que especifica a característica das áreas
isoladas para fumantes. Já a lei paulista, ao não prever
tais áreas, conflita com a legislação federal e
com o artigo 24 da Constituição Federal, que não
permite a lei estadual ou municipal divergir da legislação
federal em matéria sobre a qual possa legislar concorrentemente.
A entidade cita vários precedentes do STF em apoio a sua alegação.
Entre elas estão as ADIs 3645, relatado pela ministra Ellen Gracie,
envolvendo uma lei do Paraná sobre organismos geneticamente modificados,
e 2667, relatada pelo ministro Celso de Mello, envolvendo lei do Distrito
Federal em matéria de ensino.
O relator da ADIN 4249 é o ministro Celso de Mello.
De acordo com a norma atacada, a expressão “recintos de
uso coletivo” compreende, dentre outros, os ambientes de trabalho,
de estudo, de cultura, de culto religioso, de lazer, de esporte ou de
entretenimento, áreas comuns de condomínios, casas de
espetáculos, teatros cinemas, bares, lanchonetes, boates, restaurantes,
praças de alimentação, hotéis, pousadas,
centros comerciais, bancos e similares e uma série de outros
estabelecimentos.
|