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FOLHA DE LONDRINA, 15 de
junho de 2009 | Economia
Construção civil tem
projetos de R$ 300 bilhões
A aposta é que o Minha Casa Minha
Vida e as obras de infraestrutura para a Copa do Mundo tenham reflexos
positivos a partir deste ano
São Paulo - A construção civil promete ser um grande motor
da economia brasileira nos próximos cinco anos. De olho nas obras da
Copa do Mundo, no programa habitacional Minha Casa Minha Vida e num ambicioso
plano de investimento das estatais (Eletrobrás e Petrobrás),
o setor já faz planos para iniciar um novo ciclo de crescimento, interrompido
pela crise mundial no segundo semestre de 2008. O otimismo está baseado
nos números bilionários dos projetos - mais de R$ 300 bilhões.
A confiança dos empresários
começa a ser renovada com a volta do crédito, embora com
taxas ainda salgadas. Entre o quarto trimestre de 2008 e o primeiro deste
ano, as empresas foram sufocadas pela falta de dinheiro disponível
para levantar lançamentos do passado. Outro ponto foi o cancelamento
de projetos de expansão da indústria. Tudo isso contribuiu
para uma queda de 9,8% da construção civil no primeiro
trimestre.
Com a volta dos IPOs (oferta
pública inicial) e do crédito no mercado internacional,
o setor acredita em dias melhores a partir de agora. A aposta é que
o programa habitacional e as obras de infraestrutura priorizadas pelo
governo para amenizar os efeitos da crise tenham reflexos positivos a
partir deste ano, já que 2010 é ano eleitoral.
No caso do programa habitacional
Minha Casa Minha Vida, lançado em março e que prevê subsídio
do governo federal, a expectativa é aprovar projetos de 600 mil
unidades até julho do ano que vem, num total de R$ 45 bilhões,
segundo projeção do presidente da Câmara Brasileira
da Indústria da Construção (Cbic), Paulo Safady.
Até o início do mês, a Caixa já havia recebido
das incorporadoras 385 projetos imobiliários (65 mil unidades),
mas apenas 40 deles já haviam sido aprovados.
Se o governo cumprir o compromisso
de reduzir os prazos do processo, o programa poderá alavancar
de forma significativa as atividades da construção civil.
''Muitas construtoras, que não estavam nesse mercado, já se
interessaram pela demanda potencial. Afinal o déficit habitacional
do País é de 7,2 milhões de unidades'',disse o presidente
do Sindicato da Indústria da Construção Civil do
Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Sérgio Watanabe. Segundo
ele, o programa poderá suprir o mercado de classe média
se o reaquecimento da economia demorar a ocorrer.
A definição das
12 cidades que vão receber os jogos da Copa do Mundo também
animou o setor. Embora ainda não haja uma estatística oficial
sobre o volume de investimentos, os números que circulam apontam
para cifras que vão de R$ 60 bilhões a R$ 100 bilhões.
Em paralelo, o governo federal
precisará definir todas as obras de infraestrutura exigidas para
receber o evento. Só em transporte serão necessários
mais de R$ 30 bilhões (sem contar o trem-bala que custará US$
14 bilhões), afirma o professor da Fundação Dom
Cabral, Paulo Resende. Boa parte dos recursos vai para alternativas para
melhorar a mobilidade urbana, como a construção de linhas
de metrô, corredores de ônibus e estacionamentos.
Outras áreas, como aeroportos,
energia elétrica e telecomunicações, terão
de ter seus serviços reforçados para evitar um colapso
durante o evento. Isso sem contar a ampliação da rede hoteleira.O
presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção
Pesada (Sinicon), Luiz Fernando dos Santos Reis, destaca que para atender
as exigências da Fifa, o governo deverá eleger obras prioritárias
para acompanhar e acelerar o processo. ''Nem tudo vai sair do papel.
Por isso é importante definir projetos essenciais.''
De qualquer forma, a expectativa é que
a Copa impulsione o Produto Interno Bruto (PIB) do País nos próximos
anos, como ocorreu em países que já receberam o evento.
Na Alemanha, cujos investimentos ficaram em torno de US$ 10 bilhões,
o impacto no PIB foi da ordem de 0,5 ponto porcentual. No Brasil, a expectativa é que
as obras promovam maior aquecimento da economia, já que as necessidades
são bem mais latentes.
Outro dado importante é que,
para cada R$ 1 milhão de investimento na construção
civil, cria-se 33 empregos diretos e 25, indiretos. ''Esse é um
tipo de emprego que se reverte quase que 100% em consumo, não
em poupança. Além disso, a construção civil
tem um efeito de arrasto bem maior do que outros setores da economia'',
diz Paulo Resende.
Os especialistas destacam ainda
que as estatais foram autorizadas pelo governo federal a ampliar seus
investimentos, para combater os efeitos da crise. A Eletrobrás
anunciou investimentos de R$ 30 bilhões para o período
entre 2009 e 2012 e a Petrobras, R$ 174 bilhões para 2009-2013.
No caso da holding de energia
elétrica, os planos incluem a construção de, pelo
menos, seis hidrelétricas e da usina nuclear de Angra 3. É preciso
ponderar, porém, que as obras nesse setor normalmente sofrem inúmeros
atrasos por questões ambientais e disputas judiciais.
A Hidrelétrica de Belo
Monte, por exemplo, está no plano de investimento da Eletrobrás,
mas não consegue nem ter seu estudo de viabilidade concluído
por causa de pressões de ambientalistas. Já a metade dos
recursos da Petrobrás vai para produção e exploração
de petróleo.
Na avaliação dos
representantes e especialistas do setor, a construção civil
deverá ganhar maior participação no PIB a partir
do ano que vem - até 2008, a indústria da construção
representava 5,1% das riquezas do País.
Renée Pereira
Agência Estado
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Gazeta do Povo, 15 de junho
de 2009
Habitação
A era da casa econômica
Construtoras dão prioridade a projetos
com foco em famílias cuja renda não ultrapassa 10 salários
mínimos – uma virada que altera completamente o mercado
O setor da construção
civil passa por um momento de adaptação a uma nova divisão
de forças entre consumidores. Com a renda reforçada e maior
facilidade para ter acesso a crédito, famílias com renda
de até 10 salários mínimos por mês (R$ 4.650)
viraram prioridade nos planos de expansão das construtoras. Os
sinais desta virada estão nas marcas criadas por grandes incorporadoras
para atender esse segmento e na velocidade com que os lançamentos
do setor são vendidos.
O segmento da construção
que atende essa faixa de renda tem sido chamado de “econômico” – uma
forma de se evitar o termo “popular” associado a velhos programas
públicos de habitação. Esse filão engloba
desde projetos de casas contratados por governos até condomínios
com apartamentos compactos de três quartos que não custam
mais do que R$ 150 mil.
Segundo levantamento da Brain
Consultoria, os apartamentos de dois quartos representavam apenas 5%
da oferta na região de Curitiba em 2003. Hoje, ocupam 32% do mercado. “Em
geral, esse é o produto mais comum no segmento econômico.
Eles são complementados por apartamentos de três dormitórios
com área de até 65 metros quadrados”, explica o economista
Fábio Tadeu Araújo, da Brain. Além disso, as unidades
com dois quartos somaram 45% dos lançamentos feitos em 2009.
A tendência de concentrar
esforços nesse segmento começou a ganhar corpo em 2006.
Foi quando construtoras como MRV e Tenda, especializadas no segmento
econômico, passaram a ter expansão mais rápida. Desde
então, outras grandes empresas do setor investiram nessa área.
A Gafisa lançou a marca Fit, que tem um condomínio sendo
implementado em Curitiba, e depois incorporou a Tenda a seus negócios.
A Queiroz Galvão lançou a linha Slim, enquanto a Cyrela
criou o selo Living para os projetos de baixo custo. Há poucos
dias, a paulista Rossi divulgou que vai aumentar os investimentos na
linha Ideal, que deve representar 70% de seus lançamentos neste
ano.
“Não tenho dúvidas
de que o segmento econômico é o que mais cresce neste momento.
Há uma demanda reprimida muito grande no país e só agora
as taxas de juros e os prazos estão adequados para essa faixa
de renda”, diz Daniela Ferrari, diretora regional da Tenda. Ela
conta que todas as unidades do Fit Palladium, construído em parceria
com a curitibana Monarca no bairro curitibano da Vila Guaíra,
foram vendidas em apenas três meses. A construtora prepara o lançamento
de mais um projeto da linha Fit em Curitiba para o segundo semestre.
A rapidez da comercialização é outro
sinal da força desse mercado. Daniel Galiano, diretor de vendas
da imobiliária Apolar, conta que os lançamentos da mineira
MRV na cidade, que ele comercializa, têm velocidade de vendas de
22% por mês – ou seja, de um estoque de 100 unidades, são
vendidas 22 por mês. A média do mercado é hoje de
8% e chegou a 10% nos melhores dias de 2008. “Temos uma equipe
exclusiva para atender a MRV porque o ritmo de lançamentos acompanha
essa demanda”, afirma Galiano.
Pacote
Mesmo construtoras com experiência
no mercado econômico de Curitiba dizem que o momento é mais
do que uma febre provocada por lançamentos pontuais de grandes
incorporadoras. “Pela primeira vez vemos que há condições
estruturais para reduzirmos o déficit habitacional no Brasil”,
diz Normando Baú, vice-presidente do Sinduscon-PR, sindicato do
setor da construção, e sócio da Baú Construtora.
Ele ressalta que 95% do déficit de 7,2 milhões de moradias
no país se concentra em famílias com renda de até cinco
salários mínimos, que precisam de juros baixos e prazos
longos para comprar um imóvel.
Parte do trabalho de incluir
a classe C no mercado imobiliário foi feito pela redução
na taxa básica de juros e pela expansão da renda nos últimos
anos. Assim, a demanda por financiamentos já estava em alta quando
o governo federal lançou o programa Minha Casa, Minha Vida, que
dá subsídios e juros mais baixos para imóveis até R$
100 mil em cidades com mais de 500 mil habitantes (abaixo disso, o limite é R$
80 mil). Somente os financiamentos da Caixa Econômica Federal no
Paraná cresceram 90% no primeiro trimestre, antes, portanto, de
o Minha Casa ser lançado.
Desde abril, os projetos que
se encaixam no programa federal passaram a compor uma nova área
no segmento econômico. Com as facilidades oferecidas – juros
mais baixos, subsídio, seguro mais barato e menor burocracia para
o início das obras – o Minha Casa, Minha Vida deve acelerar
lançamentos na faixa de preços que atende. “A velocidade
de comercialização aumentou. Temos um condomínio
horizontal em Ponta Grossa em que vendemos as 80 unidades do segundo
módulo em 90 dias”, conta Normando Baú. O preço
dos imóveis, na faixa de R$ 60 mil, qualificou o empreendimento
para ter o primeiro contrato dentro do programa federal assinado nos
Campos Gerais.
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Gazeta do Povo, 15 de junho
de 2009
Habitação
Moradia popular ganha ares de classe
média
Grandes espaços e um número
elevado de unidades permitem colocar em imóveis econômicos
uma estrutura antes disponível apenas em lançamentos
de alto padrão
Além do impulso dado
pelos fatores crédito e renda, o segmento econômico da
construção civil é empurrado pelo aperfeiçoamento
dos produtos vendidos e pela redução nos custos obtida
pelas empresas. As construtoras têm reservado áreas grandes,
onde podem erguer conjuntos amplos, com até 400 unidades, para
ter escala em seus empreendimentos. O espaço é aproveitado
para oferecer áreas de lazer e paisagismo típicos de
condomínios de classe média e que são uma peça
e tanto de marketing.
“As áreas precisam
ter infraestrutura e ser perto da cidade. E atrativos como paisagismo
e lazer já fazem parte do conceito de condomínio para
o consumidor”, afirma Marlus Doria, diretor de incorporação
da Doria Goldsztein Cyrela, que pretende lançar 240 unidades
no segmento econômico em Curitiba neste ano. “Com o programa
federal, estamos procurando novas áreas para acelerar os lançamentos
no ano que vem”, conta.
Um exemplo de como funciona
o modelo econômico é o Residencial Village Trieste, da
construtora Andrade Ribeiro. Em uma área de 20 mil metros quadrados
no bairro Santa Cândida, em Curitiba, serão erguidos 240
apartamentos. O condomínio será fechado, terá sistema
de segurança, playground e espaço para prática
de esportes. As vagas de garagem, apesar de não serem fechadas,
são cobertas. O preço varia de R$ 75 mil, para unidades
com dois dormitórios, até R$ 95 mil para as de três
dormitórios – dentro do que permite o Minha Casa, Minha
Vida.
“A empresa era focada
em alto padrão, mas decidimos diversificar há dois anos”,
lembra Erlon Rotta Ribeiro, diretor comercial da construtora. “Existe
uma classe C emergente, formada por gente que tem salário na
faixa de R$ 1,3 mil e que tem plenas condições de assumir
uma prestação na faixa de R$ 300”, completa. Hoje,
60% da produção da companhia está no segmento
econômico.
Mas para se dar bem nesse nicho,
a construtora teve de se adaptar. Ela investiu para adotar a tecnologia
certa de construção. Ao invés de vigas de concreto
armado e blocos de argila, os edifícios são erguidos
com blocos estruturais de concreto. “Também usamos mais
máquinas do que em obras convencionais”, explica Ribeiro.
Com isso, o número de horas de trabalho cai à metade
e o tempo de construção cai de dois para um ano. Ribeiro
conta que esse ganho de produtividade chegou até a causar uma
confusão com o INSS. O órgão público desconfiou
do valor recolhido pela empresa, imaginando que houve uma subdeclaração
no número de funcionários. “Não foi nada
disso. Nós temos tecnologia para reduzir o custo com mão
de obra.”
A margem baixa é, aliás,
o grande desafio para quem entra no segmento. “O custo de construção
no econômico varia de 65% a 70% do VGV [valor geral de venda]
do imóvel. No alto padrão é de 50%”, compara
Seme Raad Filho, diretor da Incorporadora Monarca, que entrou nesse
filão através de uma parceria com a Fit, marca da paulista
Gafisa. Ele diz que a empresa vai ficar no segmento – no momento,
está participando do lançamento do Fit em Londrina e
tem projetos em fase de aprovação em Curitiba – mas
sem descuidar do alto padrão. “Lançamos um empreendimento
de alto padrão neste ano com um ritmo muito bom
Os
caminhos
Veja algumas linhas de financiamento habitacional oferecidas no Brasil.
Caixa
Minha Casa
Financia imóveis novos
com valores de até R$ 100 mil. É direcionado a famílias
com renda de até dez salários mínimos (R$ 4.650)
e tem taxas nominais de 5% a 8,16% ao ano. Tem vantagens como uma redução
no custo do seguro e financia até 100% do valor (em linhas até 240
meses).
Poupança
A linha dentro do Sistema Financeiro
da Habitação (SFH) e é direcionada a imóveis
de até R$ 500 mil, com taxas de juros pós ou pré-fixadas
que hoje vão de 9,4% a 12% ao ano.
FGTS
Pessoas com contas do FGTS
têm acesso a uma linha de até R$ 500 mil. Os juros são
de 9% ao ano.
Nossa Caixa
Pós-fixados
Pelo SFH, a taxa é de
8,9% ao ano para imóveis até R$ 120 mil e de 10% ao ano
para até R$ 500 mil. Fora do SFH, a taxa está em 12%
ao ano e vale para qualquer valor. São corrigidos pela TR.
Pré-fixados
Pelo SFH, para imóveis
até R$ 500 mil, os juros são de 12,8% ao ano, enquanto
fora do sistema estão em 15% ao ano.
Bradesco
Pós-fixados
Taxa de 8,9% ao ano para imóveis
até R$ 120 mil e, acima disso, de 10,9% ao ano, dentro do SFH.
Fora do SFH, a taxa atual é de 11,9% ao ano, até R$ 3
milhões. São corrigidos pela TR.
Pré-fixados
Taxa de 12,85% ao ano, vale
para imóveis dentro do SFH (até R$ 500 mil).
Santander
Pós-fixados
Até R$ 120 mil, taxa
de 7,95% ao ano até o terceiro ano e, depois, de 11,5% ao ano
(até 25 anos; para 30 anos, a taxa é de 9% ao ano). Imóveis
de R$ 120 mil a R$ 500 mil, juros de 10,95% nos primeiros dez anos
e, depois, de 8,95%. Acima de R$ 500 mil, taxa de 11,95% ao ano. São
corrigidos pela TR.
Pré-fixados
Até R$ 500 mil, juros
de 12,8% ao ano. Acima desse valor, taxa de 13,3% ao ano.
Itaú
Pós-fixados
Para imóveis até R$
500 mil, taxa de 11,5% ao ano. Acima disso, de 12% ao ano. São
corrigidos pela TR
HSBC
Pós-fixados
Pelo SFH, imóveis de
R$ 50 mil a R$ 150 mil, taxas de 7,98% ao ano nos primeiros três
anos e, depois, de 10,98%, ou de 10% ao ano durante o período.
Acima de R$ 150 mil, taxa de 11% ao ano. Os juros sobem se houver inadimplência.
São corrigidos pela TR.
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Gazeta do Povo, 15 de junho
de 2009
Habitação
Construção para o governo
ajuda a dar escala
Parte das construtoras que atuam no segmento econômico também
constrói moradias populares em parceria com órgãos governamentais.
A Doria, por exemplo, fechou recentemente contratos com a Companhia de Habitação
do Paraná (Cohapar) para erguer 490 casas em Campo Magro e Colombo,
na região metropolitana de Curitiba. “Esse é um reforço
para dar mais giro ao negócio e reforçar nossa colocação
no mercado”, define Marlus Doria, diretor de incorporação
da empresa.
Fabiano Belich, diretor da
construtora Cobec conta que as parcerias com órgãos municipais
trazem vantagens como redução de tributos e de taxas
sobre as obras. “Onde há convênio com a Cohab em
Curitiba, conseguimos permissão para construções
diferentes do que diz o zoneamento”, conta. “Em alguns
lugares, a permissão passa de dois para quatro pavimentos.” No
momento, Belich prepara um novo lançamento e avalia se procurará um
convênio com a Cohab.
Há dois modelos de negócios
envolvendo os órgãos públicos. Em um deles, as
empresas participam de uma licitação em que vence o menor
preço de construção. São pacotes prontos,
em que a empresa não precisa se preocupar nem com o terreno.
Em outro modelo, a construtora faz uma parceria em que o órgão
público oferece parte dos imóveis para as pessoas inscritas
na fila da casa própria por um preço pré-acordado.
Outra parte dos imóveis é vendida livremente pela empresa.
A construtora curitibana Conceito & Moradia,
por exemplo, tem na Cidade Industrial um projeto com 168 lotes, dos
quais 50 estão sendo construídos com apoio da Cohab.
No mesmo local, ela vai fazer 50 sobrados no valor de R$ 80 mil para
venda direta. “É uma forma de viabilizar projetos maiores”,
diz Newton Borges dos Reis, sócio da construtora. Além
disso, a Conceito & Moradia tem outros dois condomínios
em andamento, um com apartamentos a partir de R$ 75 mil e outro a partir
de R$ 80 mil. “Entregamos 50 unidades em 2008 e temos 300 para
entregar entre 2009 e o começo de 2011.” (GO)
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O ESTADO DO PARANÁ,
15 de junho de 2009 | Mundo
Lula pedirá que G-20 considere
interesse do trabalhador
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai defender amanhã, em
Genebra, que os interesses dos trabalhadores sejam incorporados nas decisões
do G-20, alegando que eles são as principais "vítimas" da
recessão. Lula será um dos destaques da reunião promovida
a partir de amanhã pela Organização Internacional do Trabalho
(OIT) que alertará que o mundo pode precisar de quase uma década
para retornar às mesmas taxas de desemprego dos meses antes da crise
financeira.
O encontro, que está sendo
chamado de Cúpula contra o Desemprego, debaterá medidas
para superar o risco de demissões em massa. Segundo os dados da
OIT, entre 39 milhões e 59 milhões de pessoas podem perder
seus empregos entre 2007 e final de 2009.
O discurso de Lula, na comemoração
dos 90 anos da OIT, defenderá os direitos dos trabalhadores e
insistirá que não é o momento de empresas adotarem
qualquer tentativa de flexibilização das condições
e benefícios do trabalho. Segundo o assessor de Assuntos Internacionais
da presidência, Marco Aurélio Garcia, Lula e a presidente
da Argentina, Cristina Kirchner, ainda irão convidar a OIT para
que faça parte do G-20.
Para Juan Somavia, diretor
da OIT, está na hora de as políticas governamentais de
socorro aos setores mais afetados pela crise serem "reposicionadas
para gerar empregos". "Depois da reunião do G-20,
em abril, agora temos um encontro para falar sobre a economia real.
Precisamos ter uma solução produtiva para essa crise",
disse.
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O ESTADO DO PARANÁ,
15 de junho de 2009 | Economia
Conferência discute impacto
da crise no emprego
Agência Brasil
Cerca de 4 mil representantes de governo, de trabalhadores e de empresários
estão reunidos em Genebra, na Suíça, em busca de respostas
para o impacto da crise financeira sobre a empregabilidade. A 98ª Conferência
Internacional do Trabalho - que começou no último dia 3 - tem
como finalidade discutir os meios para proteger trabalhadores, famílias
e empresas afetadas pela instabilidade econômica.
A própria Organização
Internacional do Trabalho (OIT) aumentou as projeções sobre
desemprego para este ano, e a estimativa é de que entre 210 milhões
e 239 milhões de pessoas estejam sem trabalho em todo o mundo
- o que corresponde a taxas de desemprego que podem chegar a 7,4%.
O relatório Atualização
das Tendências Mundiais de Emprego, publicado em maio pela organização,
mostra um aumento de até 59 milhões de desempregados em
relação a 2007 como o cenário mais provável. "A
cifra final dependerá da efetividade dos gastos fiscais dos governos
e do funcionamento do setor financeiro", diz o documento.
Já as projeções
mais atualizadas sobre pobreza global, de acordo com a OIT, alertam que
200 milhões de trabalhadores correm o risco de passar a fazer
parte do segmento de pessoas que vivem com menos de US$ 2 por dia.
De acordo com o Ministério
das Relações Exteriores, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva chega amanhã (14) à cidade suíça.
Na segunda-feira (15), ele participa da conferência por meio de
uma cúpula sobre a crise mundial do emprego - momento de maior
destaque do encontro. A previsão é de que pelo menos dez
chefes de Estado participem da reunião.
Haverá ainda um painel
integrado por vice-presidentes, ministros do Trabalho e líderes
de empregadores e de sindicatos dos 183 países membros da OIT.
A conferência discute também
a igualdade de gênero no universo do trabalho, com destaque às
boas práticas necessárias para superar o déficit
relacionado ao acesso a direitos, oportunidades de trabalho, proteção
social e diálogo social.
Outra abordagem trata do tema
HIV/aids, para elaborar uma recomendação específica
sobre o assunto. As sugestões propostas pela OIT ao final da conferência
não implicam nenhuma obrigação legal e servem apenas
como guia para a ação política e legislativa, mas
todos os países membros têm a responsabilidade de enviar
relatórios sobre sua aplicação.
Durante a abertura do encontro,
o diretor-geral da OIT, Juan Somavia, avaliou que a crise do emprego
e da proteção social provocada pela queda na atividade
econômica poderá durar entre seis e oito anos e cobrou dos
delegados um "pacto mundial para o emprego".
Ele lembrou que a economia
mundial deveria gerar 300 milhões de postos de trabalho até 2015,
mas que o planeta avança "na direção contrária",
com estimativas de que o desemprego continuará aumentando até o
final de 2010 ou mesmo até 2011.
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Folha de S.Paulo, 15 de junho
de 2009
Regras do pré-sal se estenderão
a novos campos de petróleo
Ideia é evitar que, a cada descoberta
de baixo risco e alto retorno, seja necessário um marco regulatório
diferente | Governo terá participação direta
nos campos ainda não leiloados, por meio de uma estatal cujo
estoque será vendido pela Petrobras
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As mesmas regras criadas para
o pré-sal vão valer para novas descobertas de campos de
petróleo no país, desde que apresentem o mesmo baixo risco
de exploração e elevado potencial de lucratividade.
Esse mecanismo está sendo proposto para evitar que, a cada descoberta
importante, nova discussão sobre a legislação do setor
seja feita.
Na camada do pré-sal, a proposta do governo é adotar o sistema
de partilha de produção. Nele, o petróleo explorado é repartido
entre os sócios. Ganha o leilão quem oferecer à União
a maior parte da produção.
Fora os campos já leiloados, nos demais o governo federal terá participação
direta por meio da futura estatal que administrará a riqueza do pré-sal.
Como a empresa terá estrutura pequena, o governo vai definir que a Petrobras
será a comercializadora do petróleo do pré-sal que pertencer à nova
estatal. O governo justifica a opção com o argumento de que ela
foi adotada em outros países nos quais foram feitas descobertas importantes.
Nesse modelo, o governo fica com parte da produção, podendo usá-la
como instrumento de política industrial e moeda nas negociações
com outros países. O Brasil levaria vantagem extra na questão
geopolítica, por ser um país sem instabilidades, diferentemente
dos mais tradicionais produtores de petróleo.
Em outras palavras, o Brasil pode tanto usar petróleo para incentivar
a indústria local, com a construção de refinarias, ou
negociar a exportação do óleo cru com outros países
em troca de vantagens comerciais.
Na semana passada, o presidente Lula recebeu de sua equipe a minuta do novo
modelo. Na reunião, orientou os ministros a evitar o tema com a imprensa.
Lula quer usar o anúncio das novas regras como munição
para enfraquecer o debate sobre a CPI da Petrobras.
O presidente deseja mostrar o potencial das reservas do pré-sal, que
podem chegar a 90 bilhões de barris de petróleo de boa qualidade.
Um assessor do presidente lembra que, ao preço médio de US$ 60
o barril, essas reservas valeriam cerca de US$ 4,8 trilhões -que não
podem ser materializados no curto prazo, já que os investimentos são
de longa duração. Na última sexta, o barril encerrou a
US$ 72,04 em Nova York.
Atualmente, sete blocos do pré-sal -equivalentes a 38% dos 112 mil quilômetros
quadrados de toda a área descoberta- já foram leiloados. Em seis
deles a Petrobras é a operadora.
Anúncio
Lula quer aprovar o novo marco regulatório assim que voltar da viagem à Europa
e à Ásia, devendo encaminhá-lo ao Congresso em agosto.
O modelo final não deve ser muito diferente do que vinha sendo divulgado.
Além de partilha de produção nas áreas ainda não
licitadas, será mantido o sistema de concessão nas já leiloadas.
Nele, o petróleo é da empresa vencedora do leilão.
Nos campos em que a Petrobras for escolhida parceira preferencial da futura
estatal, não haveria leilão. Seria uma forma de recompensar a
empresa por ter descoberto o pré-sal.
Será criado também o Fundo de Responsabilidade Social, dentro
do discurso de que é preciso garantir ao país a maior parte possível
da receita a ser obtida com sua exploração.
O capital do fundo será formado pela receita que a futura estatal tiver
com a exploração dos campos do pré-sal. Ele poderá ser
aplicado, no Brasil e no exterior, em títulos públicos, em ações
de empresas e em projetos de infraestrutura. Os rendimentos, depois de um período
de carência, seriam aplicados na área social -educação,
saúde e combate à pobreza.
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Folha de S.Paulo, 15 de junho
de 2009
Crise "amena" no Brasil é prova
de estabilidade, diz pesquisadora
Para a brasileira Marcelle Chauvet, da Universidade
da Califórnia e relatora de comitê da FGV que avalia
recessões, recuperação substancial vem no 2º semestre
DENYSE GODOY
DA REPORTAGEM LOCAL
Para a pesquisadora Marcelle
Chauvet, o fato de o Brasil estar atravessando a atual crise mais suavemente
do que outras nações é mais uma prova da sua estabilidade.
Segundo os seus cálculos, a recuperação está em
curso e já no segundo semestre o país pode voltar a crescer.
Leia abaixo trechos da entrevista que ela concedeu à Folha por
e-mail e por telefone da casa da sua família, em Brasília,
na semana passada.
FOLHA - O Brasil entrou oficialmente em recessão no
primeiro trimestre do ano. O que os índices já dizem
sobre a economia do país no segundo trimestre?
MARCELLE CHAUVET - Os indicadores de atividade apontam
para uma recuperação já a partir de março.
Os dados de abril são ainda melhores, indicando uma recuperação
econômica contínua. Essa retomada ainda é incipiente
e relativamente frágil: precisa se sustentar nos próximos
meses para definir o fim da recessão.
FOLHA - Quais os dados
que mostram melhora e quais estão fracos?
CHAUVET - Normalmente, o emprego é a variável
que demora mais a indicar a recessão, pois as empresas tendem
a segurar os seus funcionários tanto quanto possível.
Reduzem a jornada, dão férias, para só depois
demitir mesmo. Da mesma maneira, os empregos só serão
retomados quando a expansão se estabilizar mais. Em março,
esse é um dos índices mais fracos. Já nos
dados relativos a produção e vendas da indústria,
começa a haver uma recuperação.
FOLHA - É correto
aplicar o termo recessão ao que aconteceu no Brasil? Quando
os especialistas falam em recessão técnica e frisam o
termo "técnica", tem-se a impressão de que
o fenômeno se encaixa na definição teórica
sem ocupá-la com propriedade.
CHAUVET - O conceito mais tradicional de recessão é aquele
baseado na análise do NBER (National Bureau of Economic Research),
dos EUA, desde os anos 1940. Por essa definição, recessão é uma
queda generalizada e substancial de vários setores da economia
por um período de pelo menos cinco a seis meses. Afeta não
só a produção mas também a renda pessoal,
o emprego, as vendas do comércio e da indústria. Usar
o conceito de queda do PIB [Produto Interno Bruto] por dois trimestres é uma
forma mais popular e acessível. Essa definição
pode ser problemática porque não reflete diretamente
as condições do mercado de trabalho e também
não incorpora nuances importantes da volatilidade econômica
durante períodos recessivos. Por exemplo, suponha que a economia
estivesse apresentando um crescimento forte, de 5%, e um choque interno
ou externo fizesse com que a atividade recuasse 3% em um trimestre
e avançasse 0,1% no seguinte. O conceito simplificado não
indicaria esse período como de recessão. No entanto,
o emprego, a renda, os lucros, as vendas etc. podem ter caído
substancialmente, e diversos setores e agentes teriam sido afetados.
Pela definição do NBER, esse período seria de
recessão.
FOLHA - Essa foi mais
ou menos a situação do Brasil. Ainda assim, alguns setores
não experimentaram toda essa contração.
CHAUVET - As quedas mais bruscas se deram no setor
industrial, então as pessoas próximas a ele, tanto
empregadores como empregados, perceberam. Quem não sentiu
foi o setor de serviços. Porém a desaceleração
atingiu profundamente o país. As recessões enfrentadas
pelo Brasil na última década foram muito curtas, bateram
e foram embora muito rápido, não chegaram a afetar
demais o emprego. Isso mostra que a economia do país está realmente
mais estabilizada.
FOLHA - Quanto tempo
vai levar para que o Brasil volte a crescer?
CHAUVET - Se não houver outro choque externo
significativo, a economia brasileira deve se recuperar substancialmente
neste ano já a partir do segundo semestre. A queda da produção
no último trimestre de 2008 foi brusca, porém os modelos
indicam que essa queda foi temporária e que já está havendo
uma recuperação. O Brasil entrou em recessão bem
depois dos EUA e deve sair dessa antes.
FOLHA - E as previsões
de que a recessão nos EUA vai passar entre o final deste ano
e começo do próximo são factíveis, pelo
modelo?
CHAUVET - Sim, as probabilidades de recessão
para os EUA vêm caindo lenta mas continuamente. No entanto
janeiro e fevereiro foram meses muito ruins ainda, com probabilidades
de recessão por volta de 90%. A economia americana começou
a mostrar sinais de recuperação a partir de março
e os dados de abril confirmam isso. A economia americana pode sair
da recessão já no terceiro trimestre deste ano. O modelo
apresenta probabilidades inferiores a 50% no outono [do hemisfério
Norte].
O fim da recessão, o vale, na verdade representa o fundo do poço
e um movimento ascendente das séries. Os economistas dizem que a recuperação
vai ser lenta, mas ainda não é possível saber. A renda
dos consumidores não caiu tanto, e pode ser que em certo momento eles
não tenham conseguido comprar porque não havia produtos -com
medo, os comerciantes reduziram drasticamente seus estoques. Quando a produção
volta ao normal, se as pessoas estão com dinheiro e não muito
temerosas em relação ao futuro, a tendência é que
voltem a gastar.
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Agência Diap, 15 de
junho de 2009
Agenda Política: salário
mínimo, jornada e trabalho escravo na pauta
A Câmara poderá votar emenda ao PL 1/07, que reajusta os benefícios
previdenciários segundo a política de recuperação
e atualização do mínimo. O projeto é resultado
de acordo entre Governo e centrais. Aprovada ou rejeitada a emenda do senador
Paulo Paim (PT/RS), o projeto vai à sanção
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva participa, nesta terça-feira (16), da primeira reunião
formal do grupo Bric - Brasil, Rússia, Índia e China -
em que os líderes das principais nações emergentes
do mundo terão oportunidade de discutir os reflexos e as soluções
para a pior crise econômica das últimas décadas.
Na pauta da reunião, discussões
sobre a possível reforma de instituições multilaterais
ao redor do mundo, o comércio bilateral em moeda local e, sobretudo,
a forma de fincar o grupo numa posição de mais destaque
no cenário internacional.
Os Brics detêm 15%, US$
60,7 trilhões, da economia mundial.
Na semana, Lula também
se encontrará com o presidente da França, Nicolas Sarkozy,
onde devem conversar sobre o desastre aéreo com o voo AF 447,
que fazia a rota Rio de Janeiro-Paris, em 31 de maio. Já foram
encontrados no oceano Atlântico 44 corpos do total de 228 pessoas
que estavam a bordo.
A Câmara poderá votar
a emenda ao PL 1/07, do Executivo, que reajusta os benefícios
previdenciários segundo a política de recuperação
e atualização do salário mínimo. O projeto é resultado
de acordo entre o Governo a as centrais sindicais.
Aprovada ou rejeitada e emenda
do senador Paulo Paim (PT/RS), o projeto vai à sanção.
No Senado, a expectativa é pela
instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito
(CPI) da Petrobras, adiada por divergências na base aliada e também
por problemas na CPI das ONGs.
Servidores
públicos
A partir desta segunda-feira (15), a Condsef e suas filiadas realizam atividades
importantes em defesa da pauta de reivindicações dos servidores
de sua base.
Na terça-feira (16), o
Conselho Deliberativo de Entidades (CDE) se reúne para fazer um
balanço do processo de negociações e discutir a
agenda de mobilizações do próximo período.
Na quarta-feira (17), a Esplanada
dos Ministérios será palco de mais uma grande manifestação
que deve reunir servidores de todo o Brasil. As filiadas à Condsef
devem participar em massa trazendo caravanas dos estados.
O objetivo é pressionar
o Governo pelo cumprimento dos acordos já firmados. Em julho está programada
mais uma parcela de reajustes para uma série de categorias.
Está prevista também
passagem pelo Congresso Nacional, onde os servidores farão corpo
a corpo com parlamentares solicitando apoio à pauta da categoria.
3º mandato
O deputado José Genoino (PT/SP) apresenta, na Comissão de Constituição
e Justiça, seu parecer sobre a proposta de emenda à Constituição
(PEC) que abre caminho para que o presidente Lula dispute um terceiro mandato.
Trata-se da PEC 373/09, do deputado
Jackson Barreto (PMDB/SE), que permite um terceiro mandato consecutivo
para presidentes da República, governadores e prefeitos.
Veja, a seguir, os principais eventos
políticos desta semana:
Segunda-feira (15)
- Em Genebra, Lula faz pronunciamento perante o Conselho de Direitos Humanos
das Nações Unidas. Após a reunião, o presidente
tem encontro com sindicalistas. Em seguida, Lula participa da 98ª Conferência
Internacional do Trabalho, onde faz um pronunciamento e assina acordo de cooperação.
Depois, almoça com o presidente da França, Nicolas Sarkozy. Lula
vai à sede da União Internacional de Telecomunicações
para receber o prêmio World Telecommunications and Information Society
Award.
- O deputado Ricardo Barros (PP/PR),
relator do PL 3.337/04, do Executivo, sobre agências reguladoras
na Câmara, entrega seu parecer aos líderes partidários.
Terça-feira (16)
- A comissão especial que examina a PEC 231/95, dos ex-deputados e atuais
senadores Inácio Arruda (PCdoB/CE) e Paulo Paim (PT/RS), que trata da
redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais,
sem redução de salário poderá votar o parecer favorável
do relator, deputado Vicentinho (PT/SP). A sessão está prevista
para começar às 14h30, no plenário 15.
- Ipea (Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada) lança o Sensor de maio, às 10h,
no auditório do Instituto, no Setor Bancário Sul, em Brasília.
- CTB realiza seminário
os "Desafios para o Movimento Sindical numa conjuntura de Crise".
O evento acontece entre os dias 16 e 17 de junho, no Hotel Excelsior,
na Ipiranga, 770, Centro (SP).
- Em Yekaterimburgo, na Federação
da Rússia, Lula participa de reunião reservada da Cúpula
do grupo Bric, a qual será seguida de reunião plenária
e cerimônia de assinatura de atos. À noite, Lula participa
de jantar de trabalho oferecido pelo Presidente da Federação
Russa, Dmitri Medvedev.
- No Brasil, a Câmara dos
Deputados realiza seminário com o tema "Pré-sal, inovação
tecnológica e sustentabilidade", que deve contar com a presença
o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.
- O ministro do Meio Ambiente,
Carlos Minc, deve dar explicações à Comissão
de Segurança Pública da Câmara dos Deputados sobre
a sua participação na "Marcha da Maconha" em
maio deste ano na cidade do Rio de Janeiro.
- Na Comissão de Relações
Exteriores da Câmara dos Deputados, seminário sobre a crise
econômica mundial e seus impactos sobre o Brasil. Foram convidados
o diretor do Banco Mundial (Bird), Makhtar Diope, com o diretor executivo
do BIRD, Rogério Studart e com o representante do Fundo Monetário
Internacional (FMI) no Brasil, Paulo Medeas.
- O presidente do Banco Central
(BC), Henrique Meirelles , participa até quinta-feira, na Suíça,
das apresentações do Comitê Olímpico Brasileiro
(COB) em defesa da candidatura do Rio de Janeiro a ser a sede das Olimpíadas
de 2016.
- A bancada do PSDB no Senado
se reúne para discutir as CPIs da Petrobras e das ONGs.
- Ricardo Barros discute seu
parecer sobre agências reguladoras com os lideres partidários
na Câmara.
- A Comissão de Ciência
e Tecnologia da Câmara promove seminário sobre "Pré-sal,
Inovação Tecnológica e Sustentabilidade" com
a participação do presidente da Casa, Michel Temer, os
ministros Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia) e Edson
Lobão (Minas e Energia), o presidente da Petrobras, Sérgio
Gabrielli, entre outros.
- A Comissão Mista de
Orçamento realiza audiência pública com o secretário
do Tesouro Nacional, Arno Augustin, sobre a avaliação do
cumprimento das metas fiscais do exercício de 2008.
- A Receita Federal divulga o
resultado da arrecadação de tributos federais e das contribuições
previdenciárias referente ao mês de maio de 2009.
- O IBGE divulga resultado das
vendas no varejo em abril.
Quarta-feira (17)
- O Supremo Tribunal Federal poderá julgar o Recurso Extraordinário
511961, que trata da obrigatoriedade ou não do diploma de graduação
em jornalismo para o exercício da profissão.
- Em Astana, no Cazaquistão,
o presidente Lula participa de cerimônia oficial de chegada ao
país e, em seguida, se encontra com o presidente Nursultan Nazarbayev.
Depois, participa de almoço oferecido pelo presidente do Cazaquistão. À tarde,
Lula encontra com o primeiro-ministro Karim Masimov.
- Em Brasília, o ministro
do Planejamento, Paulo Bernardo, presidirá a abertura da entrega
do 4º Prêmio Dest/Ministério do Planejamento de monografias.
O evento também contará com a presença de dirigentes
da Petrobras, do BNDES, da Eletrobrás e da Caixa.
- O ministro do Meio Ambiente,
Carlos Minc, deve dar explicações à Comissão
de Agricultura da Câmara dos Deputados sobre o pronunciamento feito
no final de maio em que chamou produtores rurais de "vigaristas" e
acusou deputados de chantagear o Governo para liberar recursos para o
setor ruralista.
- O Comitê Estadual de
Defesa do Petróleo Pela Soberania Nacional, dando continuidade à Campanha "O
Petróleo tem que ser Nosso" realiza Plenária Geral, às
18h30, no auditório da OAB Subseção Santos - Praça
José Bonifácio 55, Centro, Santos (SP).
- O ministro da Fazenda, Guido
Mantega, se reúne com líderes partidários da base
e da oposição para discutir Reforma Tributária.
- A Comissão de Minas
e Energia da Câmara realiza audiência pública sobre
o Encargo Setorial da Conta de Consumo de Combustíveis como ministro
de Minas e Energia, Edson Lobão, o ministro do TCU Marcos Vilaça,
entre outros.
- A Comissão de Defesa
do Consumidor da Câmara realiza audiência pública
para discutir regulamentação do setor de cartões
de crédito com Marcelo Ramos, Coordenador-Geral de Comunicação
e Mídia da Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério
da Fazenda, e José Antônio Marciano, Chefe de Operações
Bancárias e de Sistema de Pagamentos do Banco Central, e outros.
- O Conselho de Ética
da Câmara discute o parecer do relator, deputado Nazareno Fonteles
(PT/PI), referente ao processo sobre o deputado Edmar Moreira (MG).
- O PSB promove seminário "Petrobras:
Patrimônio do Povo Brasileiro", quando será lançada
Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobras.
- A Comissão de Ciência,
Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática
do Senado realiza, às 8h30, audiência pública para
debater o tema "Propriedade Intelectual e Inovação".
- Seminário Internacional
de Estrutura Tarifária na Aneel nesta quarta e quinta-feira.
- O Supremo Tribunal Federal
julga recurso contra decisão da Turma Recursal dos Juizados Especiais
Cíveis do Estado da Bahia, que reconheceu a ilegalidade da cobrança
da "tarifa básica de assinatura" do serviço de
telefonia fixa.
- O economista João Rezende
assume o cargo de conselheiro da Anatel, às 16h. Ele assume a
vaga para um mandato de cinco anos, a contar de novembro do ano passado,
quando terminou o mandado do ex-conselheiro Pedro Jaime Ziller.
- Funcionários da Embrapa
entram em greve. Representantes do Sindicato da Empresa e dirigentes
tentam acordo a respeito de reajuste salarial e valor do pagamento de
adicional de insalubridade, entre outros pontos.
Quinta-feira (18)
- De volta a Brasília, Lula faz balanço do Programa Mais Alimentos.
Em seguida se reúne com o governador do Amazonas, Eduardo Braga e, mais
tarde, faz reunião sobre o programa Luz Para Todos.
- A Comissão de Minas
e Energia da Câmara realiza audiência pública sobre
os impactos ambientais, sociais e econômicos da implantação
da Usina Hidrelétrica de Estreito, no Maranhão, com o ministro
de Minas e Energia, Edson Lobão, o prefeito de Estreito (MA),
José Coelho, e o prefeito de Aguiarnópolis (TO), José Cabral.
- O Banco Central divulga ata
da última reunião do Copom.
- Reunião da Câmara
de Comércio Exterior (Camex).
- Divulgação do
IGP-10 de junho.
Sexta-feira (19)
- O presidente Lula viaja para o Mato Grosso.
Sábado (20)
- Lula parte para o Rio de Janeiro onde faz visita ao navio polar Almirante
Maximiliano.
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Agência Diap, 15 de junho
de 2009
Câmara poderá votar
vinculação dos benefícios do INSS ao mínimo
Também estão na
pauta MPs que liberam recursos para socorro a municípios, recuperação
de estados atingidos por enchentes e combate à nova gripe.
Os deputados podem votar, nesta
semana, a emenda do senador Paulo Paim (PT/RS), que vincula todos os
benefícios da Previdência Social ao índice de reajuste
do salário mínimo.
Hoje, o mínimo é reajustado
anualmente de acordo com o Índice Nacional de Preços ao
Consumidor (INPC) mais a variação do PIB no penúltimo
ano.
Os benefícios pagos pelo
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) iguais a um salário
mínimo seguem essas mesmas regras, mas os superiores são
reajustados apenas pelo INPC.
O Projeto de Lei 1/07, do Executivo,
que normatiza o reajuste do salário mínimo, já foi
aprovado por comissão especial na Câmara em junho do ano
passado. No Senado, a proposta foi aprovada, mas com a emenda que garante
a vinculação.
Aprova ou rejeita a emenda, o
projeto irá à sanção presidencial.
Trabalho
escravo
A Casa poderá votar ainda, em segundo turno, a PEC 438/01, do ex-senador
Ademir Andrade (PSB/PA), que trata da expropriação de terras
nas quais forem constatadas a prática de trabalho escravo.
DRU
Também está em pauta a continuação da votação
do texto principal da PEC 277/08, do Senado, que acaba gradualmente com a incidência
da Desvinculação de Receitas da União (DRU) sobre o orçamento
da Educação.
A DRU é um mecanismo que
permite ao governo federal retirar 20% de qualquer arrecadação
para distribuir os recursos do Orçamento entre os programas que
julgar prioritários.
Municípios
Duas medidas provisórias também estão na pauta do plenário.
A MP 462/09 repassa R$ 1 bilhão, por meio do Fundo de Participação
dos Municípios (FPM), a prefeituras que estão em dificuldades
financeiras.
E a MP 463/09 libera R$ 1,2 bilhão
para obras de recuperação dos estados afetados por enchentes
e ações contra a nova gripe (provocada pelo vírus
H1N1). Nenhuma delas tranca a pauta.
Por causa da queda da arrecadação
do IPI e do Imposto de Renda (IR) - que são compartilhados pela
União com estados e municípios via Fundo de Participação
dos Estados (FPE) e FPM - prefeituras que dependem dos repasses federais
para funcionar ameaçavam paralisar a prestação de
serviços públicos por falta de dinheiro.
Pressionado, o Governo editou
a MP 462/09, que assegura que o FPM de 2009 seja pelo menos igual ao
de 2008.
Para manter essa equivalência,
a União colocou R$ 1 bilhão no fundo.
Enchentes
e gripe
A MP 463/09 socorre estados afetados por enchentes nos últimos meses,
especialmente nas regiões Nordeste e Norte.
O Ministério da Integração
Nacional vai gerir R$ 880 milhões dos recursos previstos, dos
quais R$ 670 milhões vão para a recuperação
de infraestrutrura e recomposição de danos; R$ 60 milhões
para socorro e assistência; e R$ 150 milhões para obras
preventivas.
Além disso, há cerca
de R$ 130 milhões para prevenir e combater a nova gripe.
Do total de recursos, que serão
administrados pelo Ministério da Saúde, R$ 102,4 milhões
custearão a compra de equipamentos de proteção individual
(máscaras, luvas, capotes, gorros e aventais); atividades em portos,
aeroportos e fronteiras; publicidade; kits para diagnóstico laboratorial;
e insumos para a produção de medicamentos; entre outros.
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O ESTADO DO PARANÁ,
15 de junho de 2009 | Política
Demitidos por greve podem reaver emprego
Elizabete Castro
Servidores públicos estaduais demitidos por motivos políticos
ou participação em greves entre 1983 e 1990 poderão requerer
seus empregos de volta. O benefício está previsto na lei aprovada
ontem, 10, em segunda discussão pela Assembleia Legislativa.
De iniciativa do governo do Estado,
a lei foi alterada pelos deputados estaduais, que criaram uma comissão
para analisar os pedidos de anistia que forem apresentados pelos servidores
e estenderam em um ano o período em que a regra terá efeito.
A palavra final sobre o retorno dos funcionários ao serviço
público será do governador do Estado.
Os deputados incluíram
no texto a obrigatoriedade de divulgação dos nomes dos
anistiados nos veículos oficiais e a comunicação
prévia à Assembleia Legislativa. Não há informações
oficiais sobre o número de pessoas que poderão ser reintegradas,
mas uma lista informal aponta doze ex-servidores, que teriam sido injustamente
afastados de seus cargos por questões políticas. Entre
eles, estão o atual secretário da Agricultura, Valter Bianchini,
e o presidente da Emater (Empresa de Assistência Técnica
e Extensão Rural), Arnaldo Bandeira.
Outros ex-funcionários
da Emater também estariam entre os possíveis beneficiados.
Eles integram um grupo de funcionários que foram demitidos na
década de 80, por terem participado de uma paralisação
das atividades da empresa.
O movimento grevista durou noventa
dias e, além de questões salariais, os servidores protestavam
contra a transformação da Emater em instituto. Oitenta
foram demitidos, a maioria de engenheiros agrônomos e veterinários.
Vários, entretanto, já foram readmitidos depois de recorrer à Justiça.
A partir da promulgação
da lei, os ex-funcionários terão sessenta dias para apresentar
o pedido de reintegração e os demais documentos que possam
comprovar que perderam o emprego de forma injustificada.
Outra mudança feita pela
Assembleia incluiu entre os anistiados os servidores que prestavam assessoria
a organizações de produtores rurais ou ligados a outras
entidades do movimento social que desenvolveram alguma atividade relacionada
ao Plano Nacional de Reforma Agrária.
Os deputados excluíram
do texto a parte em que obrigava a apresentação de certidão
negativa para comprovar que não tiveram ação judicial
rejeitada para voltar ao cargo.
O relator do texto foi o líder
do governo, Luiz Claudio Romanelli (PMDB). Ele disse que a lei resgata
um direito de servidores, que foram penalizados por terem se mobilizado
por melhores condições de trabalho.
A lei prevê que, após
o parecer favorável da comissão e o sinal verde do governador
do Estado, o funcionário será chamado a reassumir o cargo
que ocupava anteriormente.
Caso o cargo tenha sido transformado,
o servidor poderá ocupar a nova função. A lei não
permite o pagamento de indenizações pelo período
em que o funcionário ficou afastado. O artigo 8.º estabeleceu
que a lei somente produzirá efeitos financeiros a partir do retorno
do servidor à antiga função.
A comissão especial
será vinculada à Secretaria Estadual de Administração
e será integrada por representantes indicados do Ministério
Público Estadual, Procuradoria Geral do Estado, Casa Civil,
Secretaria de Administração e Previdência e da
Ordem dos Advogados do Brasil.
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FOLHA DE LONDRINA, 15 de
junho de 2009 | Opinião
30% dos trabalhadores têm depressão
A competitividade do mercado de trabalho faz com que as cobranças aumentem. É preciso
cumprir metas, gerar resultados e superar as expectativas do empregador. Essas
exigências podem explicar o índice da Organização
Mundial de Saúde (OMS), no qual pelo menos 30% dos trabalhadores do
mundo têm sintoma de depressão, transtorno de ansiedade ou estresse.
Pesquisa realizada pela Associação
Internacional de Gerenciamento de Estresse (ISMA, na sigla em inglês)
revelou que no nível de estresse do trabalhador, o Brasil ocupou
o segundo lugar ficando atrás do Japão. O país supera
China, Estados Unidos e Alemanha.
O bancário E.S. (que prefere
não ser identificado) é exemplo desses dados. Aos 38 anos,
está aposentado por invalidez. Conta que durante 16 anos trabalhou
em uma agência bancária em constante pressão. ''Fazia
hora extra todos os dias. A jornada de trabalho era realmente excessiva'',
conta.
Segundo ele, os resultados tinham
que ser visíveis. ''Não conseguia relaxar nem fora do trabalho'',
desabafa, ressaltando que, para piorar, não fazia atividade física
nem tinha muitos momentos de lazer. Além de afetar o psicológico,
a função trouxe problemas físicos - sofre de problemas
no tórax e tendões atrofiados. ''Não posso dirigir.
O trabalho tirou parte da minha liberdade'', lamenta.
Para evitar casos tão
extremos, especialistas sugerem planejamento, prática de exercício
físico e até refeições mais tranquilas
(leia mais no quadro ao lado). (P.C.B.)
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FOLHA DE LONDRINA, 15 de
junho de 2009 | Opinião
Metas bem definidas ajudam a reduzir
pressões no trabalho
Pessoas resilientes ficam mais fortes
durante as crises, pois buscam conhecimento para enfrentá-las,
afirma especialista
Não há dúvida de que todo ambiente de trabalho exige e
cria expectativa diante do funcionário. Uns em maior, outros em menor
escala. Para se manter na vaga ou conseguir uma promoção, o colaborador
precisa administrar boas doses de ousadia, criatividade, dedicação
e iniciativa, e, principalmente, trazer bons resultados à empresa. Além
disso, é preciso driblar a pressão do dia a dia.
Tais exigências e cobranças
dão boas recompensas, como o reconhecimento profissional. Mas
podem ser altamente prejudiciais quando desencadeia elevados níveis
de estresse e até depressão. ''Atualmente as pessoas
estão se quebrando emocionalmente por causa do estresse e da
adversidade do trabalho'', afirma Ricardo Piovan, que ministra cursos
sobre Liderança e Comportamento Humano e é autor do livro
''Resiliência - Como Superar Pressões e Adversidades no
Trabalho''.
De acordo com ele, pressão
excessiva pode causar medo, tristeza ou raiva. ''Medo e tristeza não
permitem uma atitude pró-ativa. Já a raiva faz o funcionário
tomar decisões inadequadas'', explica Piovan, ressaltando que
algumas pessoas conseguem lidar melhor com as cobranças e adversidades.
''Há quem use o estresse para gerar resultados. As pessoas resilientes
ficam mais fortes depois das crises, pois buscam conhecimento para
enfrentá-las.''
Maria Cristina Stravolo Orcelli,
psicóloga comportamental e especialista em gestão de
pessoas, explica que os problemas relacionados ao ambiente de trabalho
são diagnosticados como Síndrome de Burnout - caracterizada
por um tipo de estresse ocupacional, no qual a pessoa consome-se física
e emocionalmente.
''Atualmente os consultórios
médicos e psicológicos registram um constante aumento
de pacientes com relatos de sintomas típicos, como taquicardia,
sudorese e irritação'', fala.
Inúmeras pessoas sofrem
no fim da noite de domingo, pois lembram que terão uma semana
de trabalho pela frente. ''Nessa expectativa, muitos sequer conseguem
dormir direito'', garante Maria Cristina.
Para evitar tal sensação,
o colaborador deve ''aprender a lidar com as suas necessidades, verificar
suas habilidades, conhecimentos e comparar com as exigências
do seu cargo, a fim de analisar o que realmente precisa''. De acordo
com ela, é necessário traçar metas e também
ter atitude.
Além disso, Maria Cristina
afirma que é de extrema importância que o funcionário
esteja bem na área pessoal com seus relacionamentos, saúde
física e espiritual.
Paula Costa Bonini
Reportagem Local
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
15/06/2009
SDC mantém cláusula tida como
conquista histórica dos metalúrgicos
A Seção Especializada
em Dissídios Coletivos (SDC) do Tribunal Superior do Trabalho
rejeitou recurso do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes
para Veículos Automotores (Sindipeças) e manteve a decisão
regional que concedeu garantia de emprego aos trabalhadores portadores
de doença profissional ou ocupacional. A estabilidade foi a única
cláusula sobre a qual não houve acordo no dissídio
coletivo relativo à data-base de 2004. O TRT da 15ª Região
(Campinas/SP) manteve o direito por considerá-lo “uma conquista
histórica da categoria”.
Ao manter a decisão e
rejeitar o pedido patronal de exclusão da cláusula, o relator
do recurso do Sindipeças, ministro Walmir Oliveira da Costa, afirmou
que sua manutenção é plausível, do ponto
de vista social e jurídico, sobretudo quando se constata que nenhuma
razão de cunho econômico, social ou mesmo operacional que
inviabilize a manutenção do direito foi apresentada pelo
Sindipeças. Embora tenha reconhecido que, por se tratar de benefício
previsto em lei, não se pode ampliar a sua abrangência sem
a devida concordância de todos os interessados, o relator afirmou
que não se pode deixar de manter a cláusula na forma em
que tem sido fixada por todos estes anos.
“A garantia de emprego
ao trabalhador portador de doença profissional ou ocupacional
constitui direito reconhecido à categoria profissional, conquistado
há décadas e renovado desde então a cada norma coletiva,
conforme revela a prova produzida nos autos”, observou. “Apenas
no período em exame, referente à data-base 2004, a cláusula
não foi objeto de acordo, e foi o único tema em que permaneceu
o pleito das partes para o exercício do poder normativo da Justiça
do Trabalho”, afirmou o relator em seu voto.
Walmir Oliveira lembrou que no
julgamento do dissídio coletivo de 2003/2004, a SDC manteve cláusula
de idêntico teor, ao fundamento de que se mostrava “justa
e razoável a manutenção de garantia de emprego ao
portador de doença profissional ou ocupacional até a aposentadoria,
com base em cláusula prevista em convenção coletiva
celebrada anteriormente pelas mesmas partes”. O entendimento do
TRT de Campinas foi o mesmo, ao ressaltar que a garantia é um
direito já reconhecido à categoria, conquistado há décadas
e renovado desde então a cada norma coletiva, não se tratando,
portanto, de “nenhuma novidade pleiteada pela categoria profissional”.
A novidade, segundo o Regional,
está no fato de o Sindipeças querer sua exclusão
sem apresentar qualquer razão de cunho econômico, social
ou mesmo operacional que inviabilize a manutenção do direito,
tanto para as grandes empresas quanto para as pequenas. Segundo o TRT,
a experiência tem mostrado que a prática é possível
e benéfica e não gera a “imobilização
funcional das empresas” alegada pelo sindicato patronal. Isso porque
nem sempre o empregado portador de doença profissional está incapacitado
de prestar qualquer serviço. Há sempre a possibilidade
de readaptação, o que diminui em muito o encargo a ser
suportado pela empresa.
No recurso ao TST, a defesa
do Sindipeças pediu a exclusão da cláusula sob
alegação de que a matéria, regulada pela Lei nº 8.213/91,
se sujeita apenas à livre negociação coletiva
e que a reivindicação não constitui conquista
da categoria. O sindicato argumentou que as numerosas doenças
listadas no Decreto nº 3.048/99 constituem “um cardápio
a ser facilmente invocado pelo trabalhador”, acrescentando que
o excesso de protecionismo torna a aposentadoria mais vantajosa que
a manutenção do emprego. ( RODC 1865/2004-000-15-00.3)
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15/06/2009
Notificação na JT não
precisa ser pessoal, exceto na execução
No processo trabalhista, a regra é que
a notificação das partes seja feita pelo correio, bastando
a entrega do documento no endereço correto. Com este entendimento,
os ministros da Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, por unanimidade,
rejeitaram (não conheceram) o recurso de revista da Brasil Telecom
S.A. que contestava a validade de uma citação por registro
postal.
A relatora do processo, ministra
Maria de Assis Calsing, destacou que a notificação das
partes por registro postal é reflexo do princípio da simplicidade
- um dos pilares do Direito Processual Trabalhista, diferentemente do
formalismo do processo civil. Segundo a ministra, ainda que a notificação
para comparecimento à audiência seja feita pelo oficial
de justiça, ela não precisa ser pessoal, exceto na fase
de execução.
Quando foi notificada da sentença
da 25ª Vara do Trabalho de Porto Alegre (RS), que a condenou ao
pagamento de diferenças salariais a empregado afastado em gozo
de auxílio-doença, a empresa recorreu ao Tribunal Regional
do Trabalho da 4ª Região (RS), sustentando que a ausência
na audiência inicial se devia ao fato de não ter sido citada
pessoalmente, nem por meio dos seus prepostos. Disse que a pessoa que
recebeu a notificação não pertencia ao quadro de
funcionários da operadora.
Para o TRT, a citação
foi regular: via postal, mediante AR (aviso de recebimento), recebido
pelo porteiro da empresa, no mesmo local em que a Brasil Telecom fora
intimada da sentença. O TRT concluiu que, de acordo com a jurisprudência
do TST, não há previsão legal de pessoalidade na
entrega da comunicação, nem impedimento de que o porteiro,
mesmo sendo funcionário terceirizado da empresa, venha a receber
a notificação. Além do mais, presume-se a entrega
do documento 48 (quarenta e oito) horas depois da postagem, salvo prova
em contrário.
No TST, a operadora insistiu
na tese de que a notificação foi entregue no endereço
correto, mas a pessoa estranha aos quadros da empresa. Alegou ofensa
ao seu direito constitucional do contraditório e da ampla defesa
(artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal)
e ainda juntou decisões para comprovar a tese defendida. No
entanto, a relatora observou que os exemplos juntados no recurso de
revista não tratavam da mesma situação dos autos,
permanecendo a validade da regra da notificação das partes
por registro postal. ( RR- 870/2006-025-04-00.7)
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