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Agência Brasil, 16
de junho de 2009
Precipitação de
alguns setores contribuiu para queda do PIB, diz Lula
" Alguns setores da economia se precipitaram em praticamente acabar com
os seus estoques. (...) a indústria automobilística, [em] dezembro,
praticamente não produziu carros, deu férias coletivas, e isso
tem um significado muito importante na queda do PIB brasileiro", disse
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva disse hoje que medidas tomadas por setores como a indústria
automobilística diante da crise contribuíram para a queda
do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de bens e serviços produzidos
no país.
"Alguns setores da economia
se precipitaram em praticamente acabar com os seus estoques. Eu poderia
pegar, como exemplo, a indústria automobilística, que no
mês de dezembro, praticamente não produziu carros, deu férias
coletivas, e isso tem um significado muito importante na queda do PIB
brasileiro", disse em seu programa de rádio Café com
o Presidente.
Na semana passada, o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou uma queda
de 0,8% no PIB do primeiro trimestre deste ano. Apesar de se dizer "um
pouco triste" com o resultado, o presidente se mostrou otimista.
"O que é importante é que
o pior já passou e a economia brasileira está dando sinais
enormes de recuperação", comentou.
"Nós entramos por último
nessa crise e vamos sair primeiro que todos os países", completou
Lula, acrescentando que os investimentos e o consumo da população "não
permitiram que o Brasil tivesse um efeito mais danoso na queda do seu
PIB".
Lula também comemorou
a queda da taxa Selic, que na semana passada teve redução
de um ponto percentual, passando de 10,25% para 9,25% ao ano.
"Desde que foi criada, é a
primeira vez que ela está abaixo de dois dígitos. É a
primeira vez desde 1986, o que é uma coisa extremamente significativa",
ressaltou.
O presidente voltou a falar da
necessidade da redução do spread bancário (a diferença
entre os juros que o banco paga aos investidores e o que cobra nos empréstimos).
"O spread ainda está muito
alto, o spread ainda está seletivo, e nós vamos manter
todo o esforço para controlar a inflação".
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Agência Brasil, 16
de junho de 2009
OIT pede mobilização
geral para conter a onda de desemprego no mundo
" O mundo não pode deixar a criação
de empregos para depois da recuperação econômica",
declarou Juan Somavia, ao inaugurar uma minicúpula sobre o
emprego, reunindo chefes de Estado e de governo, entre eles os presidentes
do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da França,
Nicolas Sarkozy
Por Alexandra Troubnikoff, da agência
AFP
A Organização Internacional
do Trabalho (OIT) pediu, nesta segunda-feira (15), que os governos se
mobilizem para adotar, sem demora, medidas em favor do emprego.
"O mundo não pode
deixar a criação de empregos para depois da recuperação
econômica", declarou o diretor do secretariado da OIT, Juan
Somavia, ao inaugurar uma minicúpula sobre o emprego, reunindo
chefes de Estado e de governo, entre eles os presidentes do Brasil, Luiz
Inácio Lula da Silva, e da França, Nicolas Sarkozy.
De acordo com a organização,
a crise do desemprego pode durar de quatro a cinco anos a mais que a
crise econômica. Segundo as previsões, haverá 59
milhões de desempregados a mais no fim deste ano em relação
ao fim de 2007.
Para limitar esta tendência, "é preciso
iniciar urgentemente um movimento de maior convergência" entre
os países, afirmou Somavia, expressando a esperança de
que a cúpula "permita mobilizar uma liderança para
derrotar esta crise e traçar um caminho para uma globalização
justa que ofereça oportunidades de trabalho decentes a todos".
O secretariado de Somavia, o
Birô Internacional do Trabalho (BIT), preconiza a instauração
de um "Pacto mundial para o emprego", destinado a colocar as
questões do emprego e da proteção social no centro
dos gigantescos planos de recuperação previstos pelas maiores
economias mundiais.
Lula defendeu na manhã desta
segunda-feira, em Genebra, uma nova ordem econômica mundial, criticando
com veemência os paraísos fiscais e a especulação
financeira.
"Não podemos viver
com paraísos fiscais, não podemos continuar vivendo com
um sistema financeiro que especula, que vende papel sem produzir, sem
criar um único emprego, um único sapato, uma única
gravata", clamou Lula diante dos 183 membros do OIT, recebendo uma
sonora ovação.
Sarkozy, por sua vez, pediu um
reforço do papel da OIT ante as grandes instituições
financeiras, como o FMI, o Bird e a OMC.
"É necessário
que a OIT possa ter o que dizer ante a OMC, o FMI e o Banco Mundial",
afirmou Sarkozy.
O dirigente francês insistiu
na dimensão social da crise, que segundo o BIT ainda não
foi combatida o suficiente.
De fato, os planos de recuperação
dos governos são essencialmente orçamentários, dedicando
apenas 10% a 15% das despesas previstas às medidas sociais.
Em suas previsões mais
sombrias, baseadas na contração da economia mundial de
1,3% prevista pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o escritório
da OIT aposta num número recorde de desempregados este ano, de
210 a 239 milhões de pessoas em todo o planeta, ou seja, uma taxa
de desemprego mundial de 6,8% a 7,4%.
Para o BIT, esta situação
constitui uma verdadeira ameaça, e apresenta "riscos importantes" de
desestabilização política".
"Já constatamos sinais
de tumultos sociais ligados à crise econômica", explicou
recentemente o BIT, defendendo "a solidariedade dentro e entre os
países" com "uma maior atenção à dimensão
humana" para combater os efeitos da crise.
A mini-cúpula sobre o
emprego, que reúne até quarta-feira ministros do Trabalho
e representantes sindicais, é o ponto alto da 98ª Conferência
anual da OIT, que vai até o dia 19 de junho.
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O Outro Lado da Notícia,
16 de junho de 2009
Demitidos um milhão de trabalhadores
na AL, estimam OIT e Cepal
Um milhão de trabalhadores já perderam seus empregos na América
Latina desde o início da crise econômica internacional.
A estimativa é da Comissão
Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e da
Organização Internacional do Trabalho (OIT).
As duas organizações
prevêem que até o final deste ano até 4 milhões
de postos de trabalhos podem ser extintos.
Em 2008, o continente já registrava
15 milhões de desempregados.
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BEM PARANÁ, 16 de
junho de 2009 | Economia
No bolso
Comer fora de casa está 3,62%
mais caro
Dados do IBGE apontam a elevação
do custo de alimentação em Curitiba de janeiro a maio
Ana Ehlert
Comer fora de casa, em Curitiba, está 3,62% mais caro de janeiro a maio
deste ano. A variação ficou acima da média nacional de
3,26% e foi a terceira maior apresentada no período. À frente
estão São Paulo (4,38%) e Belém (3,86%), segundo os dados
apurados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Só em maio, a oscilação do grupo Alimentação
Fora do Domícilio foi de 0,80% em Curitiba — o dobro da variação
apresentada no Brasil de 0,40%. O grupo é composto por Refeição,
Lanche, Café da manhã, Refrigerante e Água Mineral, Cafezinho,
Cerveja, Chopp, Outras Bebidas Alcoólicas e Doces.
O item Refeição
subiu 1,59% só em maio. Essa foi a maior majoração
registrada no País nas 11 capitais onde é realizada a pesquisa
do IPCA. Ele responde por quase a metade da formação do índice
final do grupo Alimentação Fora do Domícilio. No
acumulado do ano, janeiro a maio, o aumento apurado para o item foi de
3,57%. Atrás do custo de São Paulo (5,49%), Belém
(5,45%) e Fortaleza (4,47%).
Marize Faigenblun, especialista em economia doméstica da Secretaria
Municipal de Abastecimento, afirma que a saída para quem quer gastar
menos é se programar e levar as refeições prontas para
o trabalho. “Eu sempre preparo as minhas porções nos finais
de semana e congelo”, afirma.
Ela ressalta que não há como
fugir dos aumentos por questões climáticas e sazonais. “Sempre é mais
barato preparar os alimentos em casa a não ser que seja para apenas
uma única pessoa”, pondera. A afirmação de
Marize tem como base o próprio IPCA que apurou um aumento de 0,41%
em maio para o grupo Alimentação em Casa e de 1,34% de
janeiro a maio.
Café — Outro item que teve elevação do custo pago
pelo curitibano foi o café da manhã fora de casa, que ficou 1,59%
mais caro em maio e 4,75% desde janeiro. Apenas no Distrito Federal o café da
manhã “da padaria” ficou mais caro em maio: +2,42%.
Já quem prefere lanchar
está pagando menos. Segundo o IPCA de maio, o custo pago para
lanchar está 0,40% mais barato. Outros itens que ficaram mais
baratos foram o chopp (-0,74%), outras bebidas alcoólicas (-0,55%)
e os doces (-0,33%).
No acumulado do ano o lanche ficou 3,42% mais caro em Curitiba, Refrigerantes
e água mineral tiveram um aumento de 3,84% nos preços, o cafezinho
subiu 3,69%, outras bebidas alcoólicas 3,17% e os doces 4,75%.
Vale ressaltar que o IPCA Geral
(que mede a inflação) de maio na Capital paranaense ficou
em 0,15% e o nacional, em 0,47%. Por isso, o peso do aumento dos preços
para comer fora de casa foi mais sentido pelos curitibanos devido a grande
elevação do grupo Alimentação Fora do Domícilio —,frente
aos demais grupos.
O IPCA é elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) para medir a evolução dos pecos de mais de 300 produtos
e serviços para as famílias com renda de um (R$ 465) a 40 (R$
18.600) salários mínimos. Os preços são acompanhados
em 11 capitais brasileiras.
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Monitor
Mercantil, 16 de junho de 2009
Economista do BNDES diz que Brasil não é um
país industrializado
O Brasil não é um país industrializado, apenas detém
algumas regiões desenvolvidas, como a Grande São Paulo. A afirmação é do
economista Gustavo Santos, do BNDES. Ao lado de outros quatro autores, Santos
desenvolveu estudo defendendo uma política industrial para implantar no
Nordeste indústrias dos setores eletrônico, metal-mecânico
e químico — características de países desenvolvidos.
Esses setores, que amargaram déficit de US$ 60 bilhões, em 2008,
teriam, ainda, a vantagem de alavancar a renda per capta do Nordeste para níveis
semelhantes aos de Sul, Sudeste e Centro-Oeste. "Sul, Sudeste e Centro-Oeste
têm futuro promissor, pois contam com bom nível industrial e são
cada vez mais competitivos.
O Centro-Oeste está se especializando na produção agrícola,
mas tem população pequena, o que favorece a renda per capta",
comenta Santos, acrescentando que o Nordeste tem renda per capta de um terço
das dessas regiões, sendo que, na comparação com São
Paulo, ela é de um quinto.
" No Sudeste e no Sul, o desenvolvimento começou pela agricultura,
só que o Nordeste não é capaz de produzir grãos.
O início da industrialização naquela região deve
começar a partir de políticas públicas", defende.
Santos considera a "onda da inovação" um dos grandes
erros dos últimos 15 anos.
" Quando não se sabe produzir não há como inovar. Isso
não se inventa num escritório. Há que se dominar todas as
etapas do processo produtivo. Os chineses desconsideraram a questão da
inovação, mas hoje, para eles, inovar é uma brincadeira.
Primeiro é preciso saber copiar, para saber fazer, para depois inovar. É assim
em todas as áreas do conhecimento humano", destacou.
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Gazeta do Povo, 16 de junho
de 2009
Economia global
Brics se reúnem em cúpula
para reafirmar poder diante do G7
Encontro dos chefes de estado de Brasil,
Rússia, Índia e China servirá como contrapeso
político à reunião dos sete países mais
ricos do mundo, em julho
Moscou - Chefes de Estado e de
governo de Brasil, Rússia, Índia e China – que formam
o bloco denominado Bric – realizam hoje, em Ecaterimburgo, na Rússia,
a primeira reunião de cúpula dos grandes emergentes com
dois objetivos precisos. O primeiro é oficial: coordenar ações
em áreas como a reforma do sistema financeiro e da governança
política mundial. O segundo não foi admitido por nenhum
dos líderes reunidos: servir como contrapeso à reunião
dos sete países mais ricos do mundo (G7), prevista para 8 a 11
de julho, em Áquila, na Itália.
A cúpula será aberta
hoje cedo na terceira maior cidade da Rússia, aos pés dos
montes Urais, e terá a presença dos presidentes do Brasil,
Luiz Inácio Lula da Silva, da Rússia, Dmitri Medvedev,
e da China, Hu Jintao, e do primeiro-ministro da Índia, Manmohan
Singh. Será a primeira vez que os líderes dos quatro grandes
emergentes se reúnem, oficializando um grupo político cuja
origem é econômica e conceitual: criado em 2001 pelo banco
americano Goldman Sachs, o acrônimo designa as futuras potências
econômicas mundiais.
E é desta forma que os
quatro líderes pretendem ser vistos hoje. Representante de 15%
do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, de 15% do comércio internacional,
de 40% da população e de 25% das terras habitáveis
do planeta, o grupo deseja pesar mais também no campo político.
Daí o jogo de bastidores com o G7 – o clube de industrializados
que reúne Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha,
França, Reino Unido e Itália – expresso em manifestações
como a feita pelo ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim, na última sexta-feira, em Paris: “O G8 (G7 mais
a Rússia) morreu”, disparou. “Ele não representa
mais nada.”
Fortalecidos pela retomada econômica,
que já se manifesta na China, na Índia e no Brasil, os
Brics desejam mais voz em instituições como o Fundo Monetário
Internacional (FMI) e o Banco Mundial. O argumento foi fortalecido pelas
recentes contribuições anunciadas pela China – US$
50 bilhões –, Rússia e Brasil – US$ 10 bilhões
cada – ao FMI. Em troca, os emergentes desejam ampliar seu peso
político no órgão, antecipando, se possível,
sua reforma, prevista para janeiro de 2011, ampliando seus direitos de
voto.
Outro tema que gera expectativa
internacional são as eventuais discussões sobre a criação
de uma moeda de reserva internacional, que substituiria o dólar
como divisa de referência. Desde a Cúpula de Londres do
G20, em abril, China e Brasil discutem abertamente o tema. Em Ecaterimburgo,
contudo, os debates, se acontecerem, serão velados.
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Gazeta do Povo, 16 de junho
de 2009
Diversificação
Investimento real, de concreto e tijolo
Imóveis ganham preferência de quem
não encontra mais rentabilidade na renda fixa
O mercado de imóveis está decolando,
e a razão está na taxa de juros. Com os rendimentos em
baixa nas aplicações financeiras mais conservadoras, a
perspectiva de obter ganhos com aluguéis e também com a
valorização de uma casa, apartamento ou sala comercial
está ganhando adeptos.
A compra de imóveis por
investimento andou em baixa no Brasil nos últimos anos. “Era
bem mais fácil deixar o dinheiro rendendo juros”, diz o
economista Fábio Tadeu Araújo, da consultoria Brain Bureau
de Inteligência Corporativa. “Com a queda nos juros, o dinheiro
vai do rentismo para o investimento real”, observa.
No mundo dos investimentos, poucos
são tão reais como os imóveis. O investidor pode
visitá-lo, entrar dentro dele, alterar sua aparência por
meio de reformas – opções muito distantes de quem
negocia ações e cotas de fundos pelo computador. Do outro
lado do negócio está uma pessoa de carne e osso, um comprador,
um vendedor ou um locatário. Essas características costumam
dar mais segurança a quem faz a aplicação.
A queda na taxa Selic deu o empurrão
que faltava para esse mercado. Com os juros da renda fixa nas alturas,
ficavam em destaque apenas os atributos negativos do investimento: a
falta de liquidez e o risco de ficar sem renda se o inquilino for embora
e o imóvel demorar demais para ser alugado. “Agora ficou ‘mamão
com açúcar’. Eu não preciso me esforçar
para convencer esse tipo de cliente que o imóvel é um bom
negócio, porque ele já vem sabendo”, diz Roberto
Gonzaga, diretor da Administradora Gonzaga.
Mesmo assim, Gonzaga está bem
armado para argumentar com o possível cliente. Tem em seu computador
planilhas comparando a remuneração e os custos de diversas
aplicações financeiras e também as estimativas de
ganhos de um imóvel. Ele diz que o perfil desse investidor é diferente
daquele que costumava procurá-lo em busca de negócios. “Ele
já chega com o objetivo de comprar um imóvel de determinado
preço – R$ 500 mil, digamos –, para tirar 1% ao mês
com aluguel”, conta. Gonzaga explica que orienta esse tipo de cliente
a montar uma carteira com quatro ou cinco imóveis de menor valor
e de alto giro. Assim, se um imóvel fica vago, ainda restam outros
para garantir renda ao proprietário.
Esses imóveis de alto
giro são, normalmente, apartamentos de dois ou três quartos,
que custam em torno de R$ 100 mil. “Esses têm mercado certo”,
opina Luis Nardelli, diretor da imobiliária Futurama. A localização,
de acordo com ele, é crucial para definir tanto o valor da locação
quanto o potencial de valorização do imóvel. Quais
são os bairros mais visados hoje? “Champagnat, Água
Verde, Vila Izabel, Portão, Cabral e Mercês, entre outros”,
sentencia Nardelli. Ele observa que o mercado está mais focado
no segmento residencial.
Tanto Nardelli quanto Gonzaga
concordam que os investidores passaram a buscar mais fortemente as imobiliárias
há coisa de um ou dois meses. São pessoas que já têm
investimentos importantes (coisa de R$ 1 milhão para cima), e
que querem tirar parte do que está em renda fixa e diversificar. “Antes
nós tínhamos aquele investidor tradicional dos imóveis,
um sujeito mais antigo e conservador, que prefere investir em imóveis,
que sofreu com aplicações financeiras no Plano Collor e
outras crises do passado”, diz Gonzaga.
Esse novo investidor é diferente,
objetivo e bem preparado. “Ele procura muito, compara, pechincha”,
relata Nardelli. E a tarefa dele fica mais fácil com as ferramentas
que o mercado imobiliário tem hoje, como a internet. “É fácil
hoje saber quanto vale o seu imóvel. É só entrar
na internet e visitar alguns sites”, explica ele. “Isso foi
muito positivo para o mercado, porque ele ficou mais sólido, confiável.
Todo mercado oportunista é ruim.”
O economista Lucas Dezordi, professor
do FAE Centro Universitário, observa que os melhores rendimentos
com aluguel devem vir dos imóveis comerciais. “Os residenciais
pagam perto de 0,7% ou 0,8% ao mês”, comenta. “Um bom
imóvel comercial pode dar 1% ao mês ou mais.” Esses
patamares não devem nem mesmo ser alterados com a desaceleração
econômica. “A queda no PIB está afetando mais a indústria,
e esses imóveis são destinados ao setor de comércio
e serviços”, observa.
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FOLHA DE LONDRINA, 16 de
junho de 2009 | Política
Comissão do Senado vota unificação
dos horários no País
Brasília - Os estados brasileiros poderão deixar de ter horários
diferenciados. A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) vota hoje
proposta que unifica a hora legal no território nacional, com base no
horário oficial de Brasília, que está a três horas
de atraso em relação à hora de Greenwich. As informações
são da Agência Senado.
Segundo explica o autor do projeto
de lei, senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), a medida irá eliminar
diferenças de fuso horário, em relação a
Brasília, verificadas no Amazonas, Acre, Mato Grosso, Mato Grosso
do Sul, Rondônia e Roraima. Para ele, as variações
de horário hoje em vigor causam os mais variados transtornos.
O parecer do relator, senador
Gim Argello (PTB-DF), é favorável ao projeto, que ainda
será votado terminativamente na Comissão de Relações
Exteriores e Defesa Nacional (CRE).
Também está na
pauta da CAE proposta que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional para incluir, entre as diretrizes que orientam a ação
da União na organização do sistema de ensino nacional,
a que prevê sua participação no financiamento de
instituições de educação superior mantidas
pelos Estados. O objetivo da proposta, segundo o autor, senador Osmar
Dias (PDT-PR), é ''expandir a oferta de vagas e melhorar a qualidade
dos cursos e dos programas mantidos por essas instituições
de ensino''. A matéria será ainda apreciada pela Comissão
de Educação, Cultura e Esporte, em decisão terminativa.
Folhapress
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ZERO HORA,
16 de junho de 2009 | Economia
RS: Mínimo regional terá reajuste
de 7,1%
Governadora deverá sancionar aumento
na próxima semana, retroativo a 1º de maio
As negociações
foram intensas ontem na Assembleia Legislativa até a aprovação
do reajuste de 7,1% para o salário mínimo regional. Entre
as quatro faixas do piso gaúcho, os valores vão variar
de R$ 511,29 a R$ 556,06. Segundo o chefe da Casa Civil, José Alberto
Wenzel, a governadora Yeda Crusius indicou que irá sancionar o
projeto. A sanção deve ocorrer na próxima semana.
Assim que aprovado, o reajuste terá efeito retroativo a 1º de
maio.
Nas antessalas do parlamento,
empresários lutavam pela manutenção da proposta
do governo, de 5,92%. Sindicalistas reivindicavam reajuste de 12%, semelhante
ao concedido ao mínimo nacional, de 12,68%, que vale R$ 465 desde
1º de fevereiro.
O piso regional é utilizado
como referência de patamar mínimo nas negociações
salariais de trabalhadores que não contam com acordo coletivo
de um sindicato. É o caso de empregados domésticos ou funcionários
de condomínios, que tratam de seus salários diretamente
com os empregadores.
Exemplo da tensa negociação
que durou a tarde inteira no parlamento foi a presença do presidente
da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul
(Fiergs), Paulo Tigre. Ele foi para o corpo a corpo com deputados na
tentativa de evitar que o reajuste superasse as expectativas de empresários.
Pela manhã, parlamentares já haviam elevado o índice
para 7,1%.
– É um pouquinho
acima (da expectativa dos empresários), mas ninguém vai
votar contra. Está dentro da realidade – dizia Tigre antes
da votação.
Mesmo com o acordo da maioria,
a bancada de oposição pressionou para aproximar o reajuste
ao índice do mínimo nacional. Depois de duas horas de negociações,
a oposição conseguiu assinaturas para apresentar emenda
que elevaria o piso em 9,27%. A comitiva de empresários entrou
em ação para evitar nova correção.
– Não podemos
fingir que o mundo está bem – comentou Tigre sobre sua presença
nas negociações, ao lado de Flávio Sabbadini, presidente
da Federação do Comércio de Bens e Serviços
do Estado (Fecomércio-RS).
À tarde, no entanto,
parlamentares que haviam apoiado a nova emenda acabaram mudando de lado
e votando pelos 7,1%. Deputados que trabalharam pelo reajuste se sentiram
traídos.
Sob vaias e gritos de protesto
vindos das galerias, lotadas de trabalhadores, 31 deputados aprovaram
o novo piso – a oposição se absteve para não
votar contra a proposta.
– Lamentamos que estamos
no caminho de extinção do piso regional – disse Celso
Woyciechowski, presidente da Central Única dos Trabalhadores do
Rio Grande do Sul (CUT-RS).
O dirigente se referia à redução
da diferença entre o salário mínimo regional e o
piso nacional, que chegou ao pico de 30% em 2004. Agora, a primeira faixa
do salário regional é 9,95% superior ao mínimo nacional.
Como
fica por faixa
|
FAIXA
1
|
Valores
antigos e os aprovados ontem para cada categoria:
|
Valor antigo R$
477,40
|
VALOR
APROVADO R$ 511,29
|
> Trabalhadores
da agricultura e pecuária, nas indústrias extrativas, em empresas
de pesca, empregados domésticos, turismo e hospitalidade, indústria
da construção civil, instrumentos musicais e brinquedos, estabelecimentos
hípicos, motociclistas no transporte de documentos e de pequenos
volumes (motoboys).
|
FAIXA
2
|
Valor antigo R$
488,40
|
VALOR
APROVADO R$ 523,07
|
> Empregados das
indústrias do vestuário e do calçado, fiação e tecelagem, artefatos
de couro, papel, papelão e cortiça, empresas distribuidoras
e vendedoras de jornais e revistas e empregados de bancas,
vendedores ambulantes de jornais e revistas, empregados da
administração das empresas proprietárias de jornais e revistas,
empregados em estabelecimentos de serviço de saúde e empregados
em serviços de asseio, conservação e limpeza.
|
Obs.: emenda do
deputado João Fischer (PP) incluiu nesta categoria os empregados
em empresas de telecomunicações, de telemarketing, de call
centers, de operadoras de VoIP (voz sobre identificação e protocolo)
e de TV a cabo e similares.
|
FAIXA
3
|
Valor antigo R$
499,40
|
VALOR
APROVADO R$ 534,85
|
> Empregados das
indústrias do mobiliário, químicas, farmacêuticas e cinematográficas,
alimentação, empregados do comércio em geral e empregados de
agentes autônomos do comércio.
|
FAIXA
4
|
Valor antigo R$
519,20
|
VALOR
APROVADO R$ 556,06
|
> Trabalhadores
das indústrias metalúrgicas, mecânicas e de material elétrico,
gráficas, vidros, cristais, espelhos, cerâmica de louças e
porcelana, artefatos de borracha, empresas de seguros privados
e capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de
crédito, de edifícios e condomínios residenciais, comerciais
e similares, indústria de joalheria e lapidação de pedras preciosas
e para auxiliares em administração escolar.
|
Obs.: emenda do
deputado Álvaro Boessio (PMDB) incluiu nesta categoria os empregados
em entidades culturais, recreativas, de assistência social
e de orientação e formação profissional. Outra emenda, do também
peemedebista Nelson Härter, ainda incluiu os marinheiros, cozinheiros
e taifeiros fluviais, além de empregados em escritórios de
agências de navegação, empregados em terminais de contêineres
e mestres e encarregados em estaleiros.
|
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FOLHA DE LONDRINA, 16 de
junho de 2009 | Economia
Pacto pretende acabar com trabalho
escravo
Objetivo é mostrar ao mundo que País
quer garantir condiçõoes mínimas a cortadores
de cana
Brasília - Usinas assinam na semana que vem um acordo com o governo
para garantir condições mínimas de trabalho no setor de
cana-de-açúcar. Ontem, na Organização Internacional
do Trabalho (OIT), Lula anunciou o entendimento, em um sinal para a comunidade
estrangeira de que o setor do etanol está tentando atender às
exigências de importadores. A esperança do Brasil é a de
dar uma demonstração de que começa a lidar com a questão
do trabalho escravo no País, principalmente na produção
de etanol.
Desde a expansão do biocombustível,
o Brasil vem sendo atacado pelas questões sociais envolvidas na
produção da cana. ONGs e governos europeus alertaram que
não aceitariam a importação de etanol que viesse
de trabalho degradante ou escravo. Na Europa, deputados já sugeriram
a criação de cláusulas trabalhistas e sociais para
importar o etanol. O governo brasileiro julga que parte dessa preocupação
com os trabalhadores da cana seja apenas um desculpa para legitimar medidas
protecionistas.
Mas o próprio governo
já admitiu existir o trabalho escravo no setor da cana, e isso é algo
que precisa ser superado. ''Apostamos no diálogo social para humanizar
o trabalho'', disse Lula, em discurso a mais de 3 mil pessoas na Assembleia
Geral da OIT. ''Na próxima semana, vamos assinar - trabalhadores,
empresários e governo - um acordo histórico para aperfeiçoar
as condições e as relações de trabalho na
cana. O trabalho no setor vai se tornar muito mais digno e seguro. E
a produção brasileira de biocombustíveis estará cada
vez mais cercada de garantias trabalhistas, ambientais e de segurança
alimentar'', afirmou Lula.
Segundo a Secretaria-Geral da
Presidência, o acordo foi sugerido a 413 indústrias do setor,
sendo 248 unidades mistas (fabricantes de açúcar e etanol),
15 que produzem açúcar e 150 que produzem etanol. Segundo
o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o acordo estabelecerá 18
critérios que usinas terão de cumprir para empregar seus
trabalhadores no corte.
''Essas exigências incluem
salários decentes, equipamentos de proteção, alimentação
adequada'', disse Lupi. O acordo ainda é voluntário. Mas
as empresas que aderirem vão ganhar um selo de qualidade que vai
credenciar inclusive as eventuais exportações de etanol.
''Isso é para convencer
os europeus de que podem tranquilamente comprar etanol. O que queremos é criar
uma situação para acabar com o trabalho escravo'', disse
Lupi. Segundo ele, será exigida uma média de renda acima
do salário mínimo. O cumprimento da exigência será fiscalizado
pelo Ministério do Trabalho, que vai distribuir o selo de qualidade
e ainda punir empresas.
Jamil Chade
Agência Estado
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
16 de junho de 2009
Transporte de Dinheiro
Funcionário de banco não
consegue indenização por desempenhar funções
a mais
Da Redação
A 7ª Turma do TST (Tribunal Superior do Trabalho) acatou o recurso movido
pelo HSBC Bank Brasil e negou indenização a um bancário
que moveu ação por desvio de função, pois transportava
dinheiro em veículo próprio sem estar habilitado para tanto.
O bancário ingressou com
ação trabalhista na Vara do Trabalho de Wenceslau Braz,
após ser dispensado do cargo em 2006, pedindo indenização
por risco de vida, já que tinha passado três, dos treze
anos que trabalhou no banco, realizando transportes de dinheiro em malotes
por meio do próprio veículo entre as agências de
Tomazina e Wenceslau Braz, no Paraná, sem o acompanhamento da
devida segurança.
O juiz afirmou na decisão
de primeira instância que não havia respaldo suficiente
para que fosse determinada uma reparação, já que
o funcionário não foi vítima de qualquer tipo de
ataque. O pedido ainda foi rejeitado pois a testemunha da empresa não
confirmou ter sido habitual o transporte de valores.
O empregado recorreu ao TRT-PR
(Tribunal Regional do Trabalho do Paraná) reiterando o pedido
e foi atendido, com a determinação de uma indenização
correspondente a 30% do piso salarial de vigilante para cada mês
em que ele transportou os valores. Segundo o acórdão, “condicionar
o pagamento pelo acúmulo de funções à existência
de previsão legal, normativa ou contratual esvaziaria parcela
significativa do intento de proteção que reveste as normas
trabalhistas, de forma geral”.
Porém, a empresa recorreu à decisão
e de acordo com o voto do relator do recurso, ministro Ives Gandra Martins
Filho, a Lei 7.102/83 proíbe o transporte de dinheiro por funcionários
não habilitados para tal fim, contemplando somente sanções
administrativas ao banco em caso de descumprimento.
O ministro destacou que
o recurso do HSBC deveria ser acatado e ainda afirmou que a indenização
não é cabível, sendo devida somente “em
caso de dano concreto causado a outrem”, o que não ocorreu
nesse caso, pois “o reclamante nunca foi vítima de assalto”.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
16/06/2009
SDC mantém exclusão de cláusula
de acordo que impedia greve
O direito à greve é irrenunciável
e não pode ser objeto de negociação sindical coletiva.
Foi por este princípio que a Seção Especializada
em Dissídios Coletivos (SDC) do Tribunal Superior do Trabalho
manteve decisão regional de excluir cláusula de acordo
coletivo que impedia greve dos trabalhadores nas indústrias de
construção, mobiliário e montagem industrial de
São José dos Campos. Para a ministra Kátia Magalhães
Arruda, relatora do processo no TST, a noção de greve do
acordo em questão era totalmente divergente do tratamento dado
pela atual Constituição, pois a cláusula tratava
a greve “como delito, e não como direito, considerando-a
como falta grave e ainda passível de multa”.
O recurso rejeitado pela SDC
foi impetrado pela Ecovap – Engenharia e Construção
Vale do Paraíba Ltda., que, inconformada, insistia em homologar
a cláusula excluída pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 15ª Região (Campinas/SP) quando da homologação
do acordo firmado entre sindicatos representantes dos segmentos profissional
e econômico. Para o Regional, a cláusula terceira implica
renúncia assegurada a terceiros e viola o artigo 9º da Constituição
Federal, que garante o “direito de greve a todos os trabalhadores,
sem qualquer ressalva”.
Pelo teor da cláusula,
o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção,
do Mobiliário e Montagem Industrial de São José dos
Campos se comprometia, por si e por terceiros, incluindo centrais sindicais,
a não realizar reivindicações econômicas,
nem greves ou “operação tartaruga”, “operação
padrão”, “excesso de zelo” e “qualquer
outra que represente redução do regular andamento das obras”.
Além disso, a participação do empregado em algum
desses movimentos seria considerada falta grave, possibilitando a rescisão
do contrato de trabalho por justa causa.
A ministra Kátia Arruda
entendeu que a greve “é direito, e não poderia haver
negativa desse direito através de acordo ou convenção
coletiva”. Segundo a relatora, “essas formas de ajuste não
podem conter cláusulas que violem os direitos indisponíveis
ou os preceitos constitucionais, sob pena de a intenção
do legislador constituinte perder o real sentido, que é o de proteger
os interesses da coletividade e proporcionar o bem-estar social”.
( RODC-833/2008-000-15-00.4)
(Lourdes Tavares)
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16/06/2009
Embargos de declaração
rejeitados interrompem prazo recursal
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho determinou o julgamento do recurso ordinário
da empresa Harnischfeger do Brasil Comércio e Indústria
Ltda. pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG).
Para o TRT, o recurso não poderia ser analisado, porque tinha
sido proposto fora do prazo legal, na medida em que a 27ª Vara do
Trabalho de Belo Horizonte não conheceu de embargos de declaração
da empresa, e, com isso, o prazo para a parte recorrer não fora
interrompido.
Ao contrário do entendimento
do TRT/MG e seguindo o voto da relatora, ministra Rosa Maria Weber, os
ministros da Terceira Turma, por unanimidade, defenderam o exame do recurso.
A relatora esclareceu que o juízo de admissibilidade de um recurso
não se confunde com o de mérito. Portanto, se os embargos
da empresa foram apresentados dentro das condições legais
(ou seja, foram admitidos), não importa o fato de eles terem sido
rejeitados (isso é questão de mérito).
Ainda segundo a ministra, a decisão
do Regional realmente desrespeitou o artigo 538 do CPC, como alegou a
empresa. Essa norma estabelece que ‘os embargos de declaração
interrompem o prazo para a interposição de outros recursos,
por qualquer das partes’, e o TRT, erroneamente, concluiu que essa
regra não se aplicaria quando os embargos de declaração
fossem rejeitados (não conhecidos), como se eles inexistissem
no mundo jurídico.
Desse modo, a partir da decisão
do TST, o Regional julgará o recurso ordinário da indústria
contra a sentença de primeiro grau que a condenou ao pagamento
de horas extras e adicional de periculosidade a ex-empregado. ( RR – 412/2006-106-03-00.3)
(Lilian Fonseca)
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16/06/2009
TST afasta caracterização
de cargo de confiança em área de suporte da CEF
A Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho determinou que a Caixa Econômica Federal (CEF) pague
as horas extras trabalhadas além da sexta diária a uma
funcionária que trabalhou na área de suporte técnico
do banco e lá exerceu as funções de analista júnior
e técnico em microinformática, todos com jornada de trabalho
de oito horas diárias. Embora o Tribunal Regional do Trabalho
da 3ª Região (MG) tenha considerado que todas as funções
eram de confiança, o relator do recurso no TST, ministro Renato
de Lacerda Paiva, chegou a outra conclusão com base no próprio
acórdão regional.
De acordo com o TRT/MG, a escriturária
passou a exercer a “função de confiança de
analista júnior”, com jornada de oito horas, em 17/07/2000,
recebendo como acréscimo o valor de R$ 769,00. Em 02/04/2001,
foi dispensada da função e passou a exercer “a função
de confiança de técnico em microinformática”,
também de oito horas, mediante retribuição de R$
613,00. Por fim, em 01/06/2001, passou a exercer “a função
de confiança de técnico de sistemas”, com gratificação
no valor de R$ 728,00.
“Desta forma, o quadro
fático delimitado pelo Tribunal Regional demonstra que a autora
não exercia cargo de confiança”, explicou o relator. “Vale
esclarecer que dois são os pressupostos básicos configuradores
do enquadramento do bancário na exceção contida
no artigo 224, parágrafo 2º, da Consolidação
das Leis do Trabalho: o exercício de funções de
direção, gerência, fiscalização, chefia
ou equivalentes ou, ainda, o exercício de cargo de confiança
e a percepção de gratificação não
inferior a 1/3 do salário do cargo efetivo”, afirmou em
seu voto.
Renato Paiva acrescentou que,
no caso dos autos, não há como se admitir a realização
da jornada de trabalho diversa da que está prevista no artigo
224 da CLT, ainda que a autora tenha aderido espontaneamente às
regras impostas pela CEF relativamente à jornada de oito horas.
De acordo com o dispositivo, a duração normal do trabalho
dos empregados em bancos, casas bancárias e Caixa Econômica
Federal é de seis horas contínuas por dia. A decisão
da Segunda Turma do TST garantiu à autora da ação
o recebimento das horas extras além da sexta hora diária
no período em que exerceu os três cargos. ( RR 53/2005-134-03-00.2)
(Virginia Pardal)
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