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Agência Diap, 20 de junho de 2009
Comissão especial da jornada
agenda votação para 30 de junho
Senado não instala CPI da Petrobras;
parlamentares criam frente contra a 'investigação'
A comissão especial que debate a redução da jornada
de trabalho, sem redução de salário, agendou,
na última terça-feira (16), para o dia 30 de junho a
votação do parecer favorável do relator, deputado
Vicentinho (PT/SP).
O movimento sindical promete lotar a auditório Nereu Ramos
da Câmara para acompanhar esta importante discussão e
votação.
Esta semana foi criada uma frente parlamentar em defesa da Petrobras.
A frente é uma reação de vários setores
do Congresso e da sociedade contra a CPI da Petrobras, que aguarda
instalação no Senado Federal.
Sob o slogan "O Congresso faz parte da sua história",
os presidentes das duas casas legislativas - Câmara e Senado
- lançaram a campanha sobre a importância do Poder Legislativo.
Querem mostrar para sociedade as mudanças que o Legislativo
tem aprovado em benefício do País.
O plenário da Câmara aprovou a urgência para o
projeto de lei que recria a Previc (Superintendência Nacional
de Previdência Complementar). O projeto poderá ser votado
na próxima semana.
O relator da comissão especial sobre os efeitos da crise global
nos empregos, deputado Vicentinho (PT/SP), sugeriu na última
quarta-feira (17), na conclusão dos trabalhos, a ampliação
dos direitos dos trabalhadores.
No Senado, a Casa aprovou e enviou para sanção presidencial,
a MP 'Minha Casa, Minha Vida'.
O objetivo do programa é criar mecanismos de incentivo à produção
e aquisição de um milhão de novas moradias pelas
famílias com renda mensal de até dez salários
mínimos (R$ 4.650) que residam em qualquer município
do País.
Judiciário
Dois fatos merecem destaque no Poder Judiciário. O primeiro diz
respeito à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que,
por ampla maioria - 8 votos a 1 - decidiu que não é mais
necessário diploma de nível superior para exercer a profissão
de jornalista. A categoria em nível nacional deplorou a votação.
O dilema já se arrastava por nove anos.
O segundo foi a decisão do Superior Tribunal Eleitoral (TSE),
que cassou o mandato do senador Expedito Júnior (PT/RO), acusado
de corrupção eleitoral. Consta que ele, na campanha de
2006, teria comprado votos.
Greve: começo e fim
Servidores do INSS iniciaram esta semana uma greve. Os previdenciários
reivindicam a manutenção das 30 horas sem redução
de salário e incorporação da GDASS (Gratificação
de desempenho de Atividade da Seguridade Social) ao salário.
Nesta quinta-feira (18), a Caixa Econômica Federal (CEF) conseguiu
chegar a um acordo com seus empregados de carreira - advogados, arquitetos
e engenheiros - e encerrar a greve que já durava 50 dias.
Efeitos da crise
Segundo o Inec (Índice Nacional de Expectativa do Consumidor)
divulgado nesta quinta-feira (18), a confiança do consumidor subiu
3,7%, de 106,3 pontos no primeiro trimestre para 110,3 pontos no segundo.
Poupança
A proposta do Ministério da Fazenda de alterar as regras de tributação
da caderneta de poupança, anunciada há pouco mais de um
mês, pode ser engavetada.
A complexidade do modelo de tributação - proposto pelo
secretário especial Bernard Appy e que prevê cobrar IR
nos rendimentos de depósitos na poupança acima de R$
50 mil - a falta de cacife político do Governo e a expectativa
para os juros em 2009 são os principais motivos para o provável
recuo.
Desemprego
Um milhão de trabalhadores perderam seus empregos na América
Latina desde o início da crise econômica internacional.
A estimativa é da Comissão Econômica para a América
Latina e o Caribe (Cepal) e da Organização Internacional
do Trabalho (OIT).
Bancos públicos x privados
O primeiro trimestre consolidou na liderança do mercado financeiro
os bancos Itaú, Banco do Brasil (BB), Bradesco, Santander e Caixa
Econômica Federal. Os maiores bancos brasileiros mantêm o
lugar de destaque no ranking internacional, apesar da queda de 39% do
lucro líquido em comparação com o primeiro trimestre
de 2008.
Captação da poupança
A caderneta de poupança registrou na primeira semana de junho
a maior captação líquida do ano. Dados da Associação
Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança
(Abecip) mostram que o saldo dos depósitos menos os saques ficou
positivo em R$ 3,044 bilhões, 12% superior ao verificado na primeira
semana de maio, quando a captação líquida foi de
R$ 2,716 bilhões.
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BBC Brasil, 20 de junho de 2009
Fome vai atingir recorde de 1 bilhão
de pessoas em 2009, diz FAO
Órgão da ONU afirma que
crise deve empurrar 100 milhões para baixo da linha
da pobreza.
O número de pessoas que passam fome no mundo chegará neste
ano ao recorde histórico de 1 bilhão, segundo a projeção
mais atualizada da FAO, o braço da ONU para a agricultura e
alimentação, divulgada nesta sexta-feira (19).
A situação, que a organização descreve
como "uma combinação perigosa de desaceleração
econômica e preços de alimentos que insistem em se manter
alto em muitos países", deve fazer com que 100 milhões
de pessoas sejam empurradas para baixo da linha da pobreza.
"Embora importante progresso tenha sido obtido para reduzir a
fome crônica na década de 1980 e na primeira metade de
1990, a fome aumentou inexoravelmente durante a última década",
diz a organização.
"O número de famintos aumentou entre 1995-97 e 2004-06
em todas as regiões do mundo, exceto na América Latina
e no Caribe", acrescenta a FAO.
"Mas inclusive nesta região os progressos históricos
na redução da fome foram anulados como consequência
da alta dos preços dos alimentos e da atual crise econômica".
Segundo o relatório, "a crise econômica se produz
como continuação da crise alimentar e energética
de 2006-08".
"Em termos reais, os preços têm permanecido em média
24% acima dos de 2006", acrescenta a entidade.
"Para os consumidores pobres, que gastam até 60% de sua
renda em alimentos básicos, isso significa efetivamente uma
forte redução de seu poder aquisitivo".
Emergentes
A organização ressalta que os países pobres e em
desenvolvimento são, de longe, os que mais abrigam desnutridos.
E eles são também os mais vulneráveis à crise
global: os investimentos direcionados a eles devem cair 32% neste ano
(segundo o FMI), assim como o volume de remessas de estrangeiros (entre
5% e 8%, de acordo com o Banco Mundial).
O relatório diz que soma-se a isso uma queda no volume do comércio
mundial (entre 5% e 9%, segundo o FMI e a OMC) e a redução
no volume de ajuda internacional.
"Não podemos ficar indiferentes à situação
atual de insegurança alimentar no mundo", alertou o diretor-geral
da FAO, Jacques Diouf.
Ele também pediu mais mecanismos para elevar a produtividade
agrícola dos países pobres.
"Esta crise silenciosa da fome, que afeta um em cada seis seres
humanos, representa um sério risco para a paz e a segurança
mundiais", acrescentou.
Segundo a FAO, muitos dos que passam fome vivem no campo - mas serão
os pobres da cidade que, afetados duramente pela piora da situação
econômica e pelo aumento do desemprego, terão dificuldades
de fazer frente à recessão mundial.
A FAO estima que 642 milhões de pessoas passem fome na região
da Ásia e Pacífico. A África Subsaariana possui
265 milhões de pessoas com fome.
Em seguida, vêm a América Latina e Caribe (53 milhões), África
do Norte e Oriente Médio (42 milhões) e os países
desenvolvidos (15 milhões).
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InfoMoney, 20 de junho de 2009
Casa própria: apenas 1 de 9
bancos financia valor total do imóvel
Quem planeja adquirir a casa própria, mas não dispõe
de nenhum recurso próprio, vai encontrar poucas opções
de financiamento do valor total do imóvel.
De acordo com pesquisa realizada pelo Creci-SP (Conselho Regional
de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo) com
nove bancos, apenas um declara que pode cobrir o valor integral do
bem: a Caixa Econômica Federal, na modalidade Imóvel na
planta/ Construção-FGTS-Hipoteca.
Condições
No ‘modalidade', o crédito de 100% do valor da casa ou apartamento é destinado
ao comprador que opta pelo prazo de amortização de até 240
meses (20 anos).
Quanto às demais condições, o candidato ao financiamento
deve ter renda de até R$ 4.900 e o imóvel custar até 130
mil. Para este plano, a taxa de juros é de 9,01% por ano.
A CEF também é a única instituição
a financiar 90% do valor do imóvel, sendo que esta opção
está disponível para oito modalidades de financiamento
do banco.
Demais bancos e outros dados
Em relação às demais instituições
avaliadas - Banco do Brasil, Real, Santander, Bradesco, HSBC, Itaú,
Nossa Caixa e Unibanco -, todas emprestam até 80% do valor do
imóvel a ser adquirido.
De forma geral, os dados, levantados pelo Creci-SP nos sites de nove
instituições e confirmados por suas assessorias de imprensa,
apontam que em sete delas o prazo máximo financiado é de
30 anos e o que o limite de comprometimento da renda (individual ou
familiar) com as prestações atinge 30%.
No Itaú e Unibanco, o limite é de 35%, no Real e Santander,
27%, e na Nossa Caixa, 25%.
A tabela SAC (Sistema de Amortização Constante) predomina
entre os tipos de amortização dos empréstimos
e quase todos os bancos declararam que adotam a TR (Taxa Referencial)
como fator de correção das prestações.
As exceções ficam por conta do Bradesco, que usa o índice
da poupança para atualizar esses valores, e a Caixa, que adota
a poupança e o FGTS.
As taxas anuais de juros dos bancos pesquisados variam de 5% a 13%,
sendo que a menor é cobrada pela Caixa Econômica, e as
maiores pelos bancos Real e Santander.
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Agestado, 20 de junho de 2009
Venda de material de construção
sobe pela 1ª vez no ano
As vendas de materiais de construção no Brasil subiram
em maio pela primeira vez no ano em relação ao mês
anterior, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (19), pela Associação
Brasileira da Indústria de Materiais de Construção
(Abramat). O faturamento total deflacionado das vendas de materiais de
construção no mercado interno apresentou no mês passado
expansão de 5,42% ante abril. Na comparação com
o mesmo mês de 2008, porém, houve queda de 15,05%.
A associação ressaltou que em maio de 2008 as vendas
apresentavam "um acelerado ritmo de crescimento", que foi
interrompido em outubro pela crise econômica.
" Com os resultados, a previsão da Abramat para o desempenho
para a indústria de materiais de construção em
2009 continua sendo de crescimento de 3% em relação a
2008, pois há expectativa de que o segundo semestre deste ano
apresente resultados bem superiores aos registrados até o mês
de maio", informou a associação.
Nos últimos 12 meses até maio, conforme a Abramat,
houve crescimento de 0,78% das vendas de materiais de construção,
enquanto no acumulado de janeiro a maio houve retração
de 16,10% em relação ao mesmo período do ano passado.
Efeito 'Minha Casa"
" As expectativas do setor são otimistas para os próximos
meses, considerando o aumento sazonal da demanda no segundo semestre,
associado ao programa 'Minha Casa, Minha Vida', e os efeitos positivos
da desoneração de IPI dos materiais de construção",
disse a associação.
O presidente da Abramat, Melvyn Fox, acredita que na próxima
semana se tenha a "ampliação do prazo de vigência
do IPI reduzido para materiais, mantendo o estímulo ao consumo
de materiais e aumentando a demanda por eles já em junho".
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Vermelho, 20 de junho de 2009
Os Bric se recuperam mesmo sem os ricos,
diz a 'Economist'
Os Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), já demontram
sinais de recuperação econômica mesmo enquanto
os países ricos permanecem em recessão, afirma uma
reportagem publicada na revista The Economist, que chega às
bancas nesta sexta-feira (19). Isto ''se reflete numa crescente autoconfiança'',
diz a revista britânica, que está longe de alimentar
simpatias terceiromundistas.
A reportagem analisa a cúpula dos Bric, realizada no início
da semana em Ecaterimburgo, na Rússia. E dá os números:
a fatia dos quatro países no PIB mundial saltou de 16% para
22% entre 2000 e o ano passado. Já o mundo duperdesenvolvido
recuou de 63% para 55%.
''Os maiores mercados emergentes estão se recuperando rapidamente
e começando a acreditar que a recessão pode marcar mais
um momento da mudança global que vê o Ocidente perdendo
poder econômico'', diz o texto.
A revista lembra que a China e a Índia tiveram desempenho
econômico melhor do que o esperado no primeiro trimestre. No
Brasil, apesar da pequena queda no período, o crescimento é maior
do que a média da América Latina ''e a maioria dos economistas
acredita que o crescimento vai retornar aos níveis de antes
da crise já no ano que vem'', diz a Economist.
A Rússia, cuja economia encolheu 9,5% no primeiro trimestre
derrubada pela queda no preço do petróleo, seria a única
exceção do grupo.
''Descolamento'' tem sentido?
Para a Economist, a teoria do ''descolamento'' - segundo a qual,
por crescer a um ritmo diferente, os países emergentes estariam
mais protegidos da crise financeira global que as grandes economias
- pode, afinal, ter sentido.
''Quando este estudo (que explicava o descolamento) veio à tona
em meados de 2008, a queda na economia mundial pareceu torná-lo
instantaneamente obsoleto. Mas a enormidade do desaquecimento pode,
temporariamente, ter escondido tendências mais profundas que
agora voltam a se mostrar, passado o choque inicial'', afirma a análise.
''Quase 60% de todo o crescimento econômico mundial entre 2000
e 2008 ocorreu nos países em desenvolvimento; metade só nos
países do BRIC'', afirma a Economist. Se o padrão de
crescimento se confirmar, diz a reportagem, é uma boa notícia,
pois significaria que quase metade da economia mundial estaria se recuperando.
Os benefícios da recuperação dos Bric também
seriam sentidos por outros países em desenvolvimento.
Mas, diz a revista, a recuperação da China, Índia
e Brasil não pode compensar o estado medonho do resto da economia
mundial. ''Enquanto os três gigantes se recuperam, os países
em desenvolvimento, como um todo, são vistos em recessão.
Os gigantes parecem estar se descolando não apenas do Ocidente,
mas também de seus irmãos emergentes menores.''
A explicação, segundo a Economist, é que os
países do grupo dependem menos das exportações
do que outros emergentes. No caso brasileiro, as exportações
correspondem a menos de 15% do PIB.
''Os Bric foram cautelosos em liberar seus sistemas financeiros,
então, foram menos afetados pelo ataque cardíaco financeiro
ocidental do que a Europa do Leste, por exemplo. E suas recuperações
foram impulsionadas pelos governos, que relaxaram dramaticamente sua
política monetária e aumentaram os gastos estatais.''
Outra explicação para o sucesso dos Bric em meio aos
emergentes seria seu tamanho, já que esses países podem
recorrer ao seu mercado doméstico na falta de um mercado estrangeiro.
Setor público garantiu dinamismo
A Economist, que seguiu o pensamento único neoliberal e sofre
com seu colapso advindo com a crise econômica, admite que ''os
Bric foram cautelosos na liberalização de seus sistemas
financeiros, e por isso foram menos afetados que, por exemplo, a Europa
Oriental, quando veio o ataque cardíaco no Ocidente''.
O artigo mostra que diante da crise os governos dos Bric reagiram
com programas estatais antirrecessivos. Destaca o pacote de estímulo
aprovado pela China e diz que ''o Brasil e a Índia vêm
a seguir, mais modestamente''.
''Não está claro até que ponto, a longo prazo,
os Bric serão afetados pela aumento do governo e de grandes
empresas estatais. Mas este aumento provavelmente é inevitável'',
admite a contragosto a revista britânica.
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Congresso em Foco, 20 de junho de 2009
O aumento do risco do calote
habitacional
Osvaldo Martins Rizzo *
Para aquecer o nível da atividade econômica, combatendo
a longevidade da recessão, o governo federal elegeu setores
empresariais como merecedores de incentivos fiscais. Um deles foi o
da indústria da construção civil, que aproveita
para conseguir mais benefícios, alguns retrógrados.
Ajudados pela desoneração tributária, os empresários
recorrem ao rançoso argumento de que as dificuldades na obtenção
de crédito para financiar a construção e a venda
de habitações, providos pelos agentes financeiros, é o único
entrave para o desenvolvimento do setor. Não é verdade.
De forma matreira, omitem o atraso tecnológico das próprias
empresas, que reduz a qualidade e encarece os preços das moradias
ofertadas à população, afastando o comprador.
Pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia aponta
que as poucas famílias que conseguem comprar uma habitação
popular gastam até 6,8% de sua renda mensal em reparos e manutenções
gerados pelos vícios e falhas na construção. Adicionada à prestação
do financiamento, tal despesa suga os orçamentos familiares
contribuindo para elevar a inadimplência das carteiras de crédito
imobiliário.
Todavia, mal assessorado, o governo cede às pressões
empresariais sem negociar contrapartidas e, em recente decisão,
o Conselho Monetário Nacional (CMN) aboliu a exigência
da adoção do regime do patrimônio de afetação
para que a Caixa Econômica Federal (CEF) financie o capital de
giro das empresas, aumentando o risco do comprador da casa própria
levar um calote da construtora.
Implantado em 2004, o patrimônio de afetação representou
um considerável avanço ao reduzir muito o risco do comprador
da moradia em construção ser caloteado, permitindo que
cada empreendimento tenha a limitação de bens - diferentes
dos que compõem os ativos da construtora ou incorporadora -,
para evitar a contaminação caso a empresa responsável
pela edificação do imóvel venha a falir.
A introdução do patrimônio de afetação
foi, em boa parte, motivada pela dramática bancarrota da construtora
Encol na década passada, a maior falência já vista
em toda a América Latina, mensurada em cerca de US$ 1,2 bilhão.
Ela caloteou quase 50 mil famílias esperançosas em realizar
o sonho da casa própria e que ainda lutam nos tribunais, pois
pagaram por imóveis que não receberam.
Com o efêmero boom imobiliário pré-crise, várias
construtoras se endividaram comprando terrenos caros que agora, com
a recessão, perderam valor, tornando essas dívidas impagáveis.
O declínio das vendas eleva o risco do calote com a paralisação
de obras em andamento, e algumas empresas já estão em
situação financeira muito difícil.
Em todo mundo, recessões longas costumam vitimar muitas companhias.
Os seis anos seguidos de recessão, completados em 2002, vividos
pelo setor da construção na Alemanha, por exemplo, derrubou
até mesmo a segunda maior construtora alemã, a Philipp
Holzmann, que se declarou insolvente sufocada por uma dívida
de quase US$ 2 bilhões.
Em períodos recessivos os ativos das construtoras perdem qualidade,
desvalorizados pelo barateamento dos preços praticados devido
ao excesso de oferta que derruba a lucratividade, tornando-se menores
que os passivos numa típica situação de pré-falência.
Insensatamente, algumas delas se endividam para crescer em um mercado
em contração. Tentam se tornar exceção à regra
empírica de que nenhuma empresa tem um desempenho consistentemente
melhor que a média do seu mercado por muito tempo.
Para não falirem, decerto, as empresas terão de compensar
a queda de ativos com a proporcional redução de passivos,
inclusive os trabalhistas. Estudo do Departamento Intersindical de
Estatísticas e Estudos Socieconômicos (Dieese) revela
que as construtoras podem reduzir em até 67% a mão-de-obra
empregada usando modernos métodos construtivos disponíveis
no mercado e que o uso de novas tecnologias continua restrito a um
pequeno número de empresas voltadas, sobretudo, para os empreendimentos
corporativos, nos quais a rapidez da obra é exigida por reduzir
o prazo de retorno dos investimentos.
A absorção de tecnologia nesse setor está ocorrendo
lentamente, e de maneira heterogênea. Processos e materiais usados
em países desenvolvidos há décadas somente agora
começam a ser empregados no Brasil e, mesmo assim, timidamente.
Em trabalho encomendado pelo Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, o Departamento de Construção
Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
apontou como um dos pontos críticos do problema a falta de conhecimentos
sobre tecnologias que reduzem os custos e prazos de execução
das obras por parte da indústria da construção.
* Osvaldo Martins Rizzo é engenheiro e ex-conselheiro
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
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Gazeta do Povo, 20 de junho de 2009
Trabalho
Sindicato tenta reverter as 900 demissões
da Bosch
Pedido feito ao Ministério Público
do Trabalho é para abrir um canal de negociação.
Empresa afirma que tentava implantar redução
de jornada e salários desde o fim do ano passado
Na tentativa de reverter a demissão, ocorrida na última
quinta-feira, de 900 pessoas que trabalhavam na Bosch, o Sindicato
dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) protocolou um pedido
de mediação junto ao Ministério Público
do Trabalho. Com isso, a categoria pretende abrir um canal de negociação
com a empresa. Paralelamente, o sindicato também diz ter ingressado
com uma liminar no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) pedindo a suspensão
dos desligamentos.
O presidente do SMC, Sérgio Butka, diz que as medidas são
importantes porque a empresa se recusou a conversar com o sindicato
antes e após as demissões, alegando que elas são
definitivas. O Ministério Público confirmou o recebimento
do pedido de mediação, que ainda está sendo analisado.
Segundo a assessoria de imprensa do órgão, outro pedido
semelhante, aberto em janeiro, já estava tramitando. Nesse processo,
o SMC acusava a Bosch de “fazer terrorismo” com seus funcionários.
A promotoria avalia a possibilidade de juntar os dois requerimentos.
Resposta
Em resposta às acusações do sindicato, a Bosch,
por meio de nota, reforçou que todas as ações
de demissão foram tomadas dentro da legalidade. Ela alega que,
antes de tomar a decisão, realizou várias ações
para minimizar os impactos econômicos negativos sofridos desde
o último trimestre de 2008. Entre essas medidas, estaria inclusive
uma proposta de redução de jornada acompanhada de redução
de salário. Em entrevista na quinta-feira, o vice-presidente
de sistemas a diesel da Bosch, Daniel Korioth, disse que todas as suas
ações “respeitam a estrutura empresa, sindicato
e pessoas.”
O diretor do SMC Jurandir Ferreira, o “Alicate”, funcionário
da Bosch, rechaçou a posição da empresa. “Eles
alegam que o sindicato rejeitou a proposta, mas na verdade 90% dos
funcionários não concordaram em ter redução
de salário sem ter garantia de emprego. Se eles aceitassem diminuir
20% do salário com garantias de emprego, ou qualquer outro plano
alternativo como PDV [programa de demissão voluntária]
ou PDI [Pedido de Demissão Indicada], talvez o resultado tivesse
sido diferente”, defende o sindicalista.
Readequação
A demissão de 900 funcionários da Bosch significa um
corte de aproximadamente 25% na sua capacidade produtiva. Isso está sendo
encarado pela presidência como uma readequação
aos novos patamares do mercado mundial, em crise desde setembro do
ano passado. Com produção 60% baseada em exportações,
a Bosch acumula no ano queda de 55% nas vendas externas, o que refletiu
em diminuição de 40% no faturamento, segundo o vice-presidente
Daniel Korioth.
Embraer
Episódio semelhante aconteceu em fevereiro com a fabricante
de aeronaves Embraer, que cortou 4,2 mil trabalhadores de uma só vez,
o equivalente a 20% do quadro de funcionários. Assim como a
Bosch, a empresa sofria financeiramente com a queda nas exportações
e também foi acusada de demitir sem negociação
prévia. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos
Campos (SP) entrou com ação no TRT afim de impedir as
demissões, mas a Justiça negou o pedido – apenas
impôs pagamentos extra de aviso prévio e prorrogação
do plano de assistência médica. O sindicato prometeu encaminhar
o caso ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).
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Gazeta do Povo, 20 de junho de 2009
Trabalho
Decisão surpreendeu funcionários
antigos
Os trabalhadores foram pegos de surpresa com as demissões
repentinas da Bosch na tarde da última quinta-feira. “Eu
senti o teto desabar já na portaria”, diz o técnico
em segurança e ex-funcionário da Bosch, João
Batista Costa. Escalado no turno da tarde, ele diz que ao tentar
entrar na empresa – logo depois de a equipe da manhã ter
sido demitida – seu crachá já estava bloqueado. “Ali
já deu pra entender tudo. O clima estava esquisito, cheio
de seguranças, as pessoas se olhavam diferente”, conta. “Tudo
bem que a crise está aí e que isso provavelmente iria
acontecer, mas acho que não precisava ter sido desse jeito”,
lamenta.
Já Vanderlei Santos, 42 anos, faria 20 anos de empresa no próximo
dia 3. Foi um dos primeiros a saber do corte de funcionários,
na turma do primeiro turno, e recebeu a notícia da dispensa
quinze minutos antes do fim do expediente. “Que o mundo está em
crise, todo mundo sabe, está no jornal todo dia. Mas a gente
fica chateado com a forma como foi feito. Naquela hora, nós
não fomos demitidos, nós fomos expulsos”, disse,
se referindo ao efetivo extraordinário de seguranças
contratado para evitar tumultos no dia das demissões.
“ Aquilo parecia um quartel”, lembra outro operador de
máquina, que preferiu não se identificar porque ainda
tem parentes no quadro da empresa. Funcionário da Bosch há 15
anos, ele diz que aos 50 de idade sua recolocação no
mercado de trabalho será bem difícil. “A idade é um
problema, mesmo tendo uma empresa como essa no currículo”,
disse.
Sem perspectiva
Os funcionários da Bosch engrossaram um saldo de mais de 26
mil pessoas que foram demitidas das indústrias da região
metropolitana desde o início da crise (dados de outubro a abril).
Apenas as cinco maiores empresas do setor de automóveis e peças
na região metropolitana (Volvo, Volkswagen, CNH, Renault e Bosch)
dispensaram 2,8 mil, em números atualizados.
Para onde estão indo essas pessoas? Na avaliação
do diretor do SMC Jurandir Ferreira, muitos que perderam emprego continuam
desocupados. “O período de baixa não é só da
Bosch, é do setor todo”, diz. Segundo a coordenadora da
escola sindical do SMC, Eliude Vieira, desde o início da crise
a procura por qualificação no setor caiu mais de 50%. “Quando
o mercado estava aquecido, tínhamos duas turmas por turno, seis
por dia. Hoje mal e mal se completa três turmas, e a evasão
também está bem alta”, relata.
O secretário municipal de Trabalho e Emprego em Curitiba, Jorge
Bernardi, diz que – após aproveitar o período de
seguro-desemprego – uma parte dos demitidos nas indústrias
está migrando para o setor de serviços. “As indústrias
são bem vistas no mercado porque têm horários fixos
e contratam dentro da lei”, completa.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, aceita a hipótese
de migração, mas com ressalvas. “O setor de serviços
tende a ser mais especializado, como nos segmentos de saúde,
ensino ou de serviço financeiro”, alerta. Para ele, um
nicho em que os empregados com formação técnica
teriam mais facilidade de encontrar recolocação profissional
seria no transporte, manutenção de hotéis e restaurantes,
ou ainda os “outros serviços”, como classifica o
Caged, que inclui trabalho em empresas de segurança e limpeza.
(AL)
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Gazeta do Povo, 20 de junho de 2009
Justiça
FGTS pode ser partilhado em divórcio
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou ontem que casais
sob regime de comunhão universal de bens têm de partilhar,
em caso de divórcio, os valores recebidos em Planos de Demissão
Voluntária (PDV) e também o Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço (FGTS). A partilha só não é válida
quando o recebimento do FGTS ou de recursos do PDV é bem anterior
ao divórcio do casal.
Os ministros do STJ tomaram a resolução no julgamento de
caso em que um ex-marido foi à Justiça para ficar com parte
do valor recebido pela mulher por meio do FGTS e da adesão ao
PDV da empresa em que ela trabalhava. Sem vitórias em primeira
ou segunda instâncias do Judiciário, o ex-marido apelou
no começo deste ano ao STJ.
Quando rejeitou a ação, o Tribunal de Justiça do
Rio Grande do Sul (TJ-RS) argumentou que eram “incomunicáveis
os frutos civis do trabalho ou da indústria de cada cônjuge”.
A esposa recebeu os recursos em outubro de 1996 e se divorciou em novembro
do mesmo ano.
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Folha de S.Paulo, 20 de junho de 2009
Entidades corrigem contribuições
sindicais
Valor cobrado das empresas é reajustado
todo os anos pela inflação; segundo ministério,
correção não está prevista em lei
Confederações patronais se amparam
em decisões da Justiça para reajustar anualmente os valores
cobrados das empresas
CLAUDIA ROLLI
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
A contribuição sindical compulsória paga pelas
empresas rendeu R$ 363,8 milhões neste ano para confederações,
federações e sindicatos patronais. Quinze dessas entidades
que representam empresários do comércio, da indústria
e do setor de serviços receberam, juntas, R$ 107 milhões
-cerca de 30% do total arrecadado.
Esses recursos -que equivalem ao financiamento que a Casas Bahia faz
todo mês a seus clientes- podem ser usados pelas entidades patronais
sem fiscalização. É que a Constituição
de 1988 estabeleceu que o Estado não deve interferir nas entidades
sindicais.
Federações, confederações e sindicatos patronais
informam que o dinheiro da contribuição é usado
na prestação de serviços às empresas (associadas
ou não), na aquisições de imóveis, em aplicações
financeiras e em eventos de interesse dos sócios -como feiras
e exposições.
Informam ainda que a prestação de contas dos recursos sindicais
-e de outras fontes- é feita a conselhos fiscais e de representantes.
Algumas fazem auditorias externas e internas em suas contas. A contribuição,
recolhida em janeiro, representa de 2% a 70% da receita total daquelas
entidades.
A Folha apurou que os recursos que essas entidades recebem são
altos porque as confederações atualizam todo ano, com base
em índices que medem a inflação, os valores que
as empresas devem pagar. A correção não é prevista
em lei. Desde 1943, a CLT prevê que a contribuição
patronal a ser paga depende do porte da empresa -a alíquota varia
de 0,02% a 0,80% sobre o capital social da empresa.
Em 2005, o Ministério do Trabalho editou uma nota técnica
e atualizou a tabela de contribuição sindical que deveria
servir de orientação para as entidades patronais. Os valores
que deveriam ser cobrados variam de R$ 11,40 a R$ 5.367,95. Nas tabelas
corrigidas pelas confederações, esses valores são
superiores -em alguns setores chegam a variar de R$ 132,93 a R$ 62.565,72.
André Grandizoli, secretário-adjunto de Relações
do Trabalho, do MTE, diz que as tabelas não podem ser corrigidas
pelas entidades patronais. "O valor do contribuição
sindical tem de ser definido em lei [e a nota técnica editada
pelo MTE é uma interpretação da lei] porque é um
tributo, no entendimento dos tribunais. E o valor de qualquer tributo
só pode ser estabelecido em lei."
A correção feita pelas confederações é polêmica,
segundo consultores e advogados. A legislação trabalhista
não prevê a correção. Mas as entidades patronais
informam que a Constituição prevê a liberdade sindical
-assim, o Estado não poderia fixar valores para a contribuição
sindical, porque isso seria uma interferência.
Liberdade sindical
Laerte Augusto Galizia, advogado especializado em entidades patronais,
entende que a tabela editada pelo MTE em 2005 deve ser seguida como referência
para a cobrança. " O que as entidades fazem é reajustar
a tabela pela inflação do período, com fundamento
no princípio da liberdade sindical. Não há dispositivo
legal que permita tal reajuste."
Para o advogado Luís Carlos Moro, "infelizmente" as
entidades patronais têm competência para definir os valores
da contribuição. "Podem até ter correção
diária, desde que seja aprovada em assembleia. Os limites dados
por estatutos, assembleias e Constituição têm de
ser respeitados."
A Confederação Nacional do Comércio, que recebeu
R$ 17,7 milhões de contribuição sindical neste ano,
informa que corrige os valores com base no IPCA. "Temos uma decisão
da Justiça do Trabalho de Minas Gerais que dá respaldo à correção",
diz Luiz Gil Siuffo, vice-presidente financeiro da CNC. A contribuição
corresponde a 10% da receita da entidade. "Não vivemos só disso.
A confederação tem receita própria."
A CNI (Confederação Nacional da Indústria), que
recebeu R$ 9,6 milhões de contribuição sindical
neste ano, informa que o reajuste é necessário porque acabaram
os índices de correção que vigoraram no país.
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Folha de S.Paulo, 20 de junho de 2009
outro lado
Dinheiro "volta" aos
associados, dizem entidades
DA REPORTAGEM LOCAL
Os recursos da contribuição sindical são usados
na prestação de serviços jurídico, contábil
e previdenciário aos associados, além de custear a manutenção
e a administração das entidades patronais consultadas.
Onze confederações, federações e sindicatos
da indústria, do comércio e do setor de serviços
informam prestar contas dos valores da contribuição recebidos
e dos gastos a conselhos fiscais.
Os gastos são submetidos a auditorias externas e internas e balanços
são publicados anualmente, segundo algumas dessas entidades. Na
CNC (comércio), parte do dinheiro da contribuição
também foi usada, ao longo dos últimos anos, para incrementar
o patrimônio. "Em Brasília, alugamos salas de três
edifícios que pertencem à confederação, o
que também nos gera receita", diz Luiz Gil Siuffo, vice-presidente
financeiro da CNC.
Os R$ 9,6 milhões recebidos pela CNI serão usados principalmente
em ações para o fortalecimento de sindicatos patronais.
Em 2008 e neste ano, a CNI pretende preparar 800 líderes sindicais,
ajudar no lançamento de sites de 450 sindicatos, no planejamento
estratégico de 380 sindicatos e na informatização
de 280.
José Maria Chapina Alcazar, presidente do Sescon-SP (serviços
contábeis), diz que os R$ 15 milhões da contribuição
recebidos representam 70% da receita da entidade e são "devolvidos
em forma de serviços" aos sócios. "O problema é que
existem entidades que são montadas com uma ou duas pessoas, conseguem
a carta sindical e usam o imposto com outra finalidade. Não prestam
nenhum serviço e mancham o meio sindical."
Natan Schiper, diretor da Fecomercio-Rio, com 62 sindicatos filiados,
diz que os R$ 3 milhões recebidos serão aplicados em projetos
de desenvolvimento sindical e na prestação de serviços
-como acompanhar 400 projetos de lei no Legislativo que afetam o setor. "Por
força do estatuto, prestamos conta desses recursos e outros [a
receita total é da ordem de R$ 15 milhões] ao conselho
de representantes."
No setor financeiro, os valores da contribuição sindical
são mínimos na receita da Fenaban (federação
dos bancos) e da Consif (confederação nacional do setor)
-cerca de 2%, segundo Magnus Apostólico, superintendente trabalhista
das duas entidades patronais. "Nossas ações são
custeadas pela mensalidade voluntária dos sócios. No nosso
setor, não há sindicalistas de carreira bancados pela contribuição
sindical compulsória." (CR e FF)
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Consultor Jurídico, 20 de junho de
2009
Questão sumulada
Ao não julgar, STF legalizou
assinatura básica
Por Filipe Coutinho
A cobrança de assinatura básica de telefone fixo é legal.
A conclusão se desprende dos acontecimentos da última semana.
O Supremo Tribunal Federal decidiu na quinta-feira (18/6) que os recursos
contra a cobrança da tarifa são de foro infraconstitucional.
Na prática, o STF ordenou que os processos voltem aos tribunais
ou turmas recursais de origem. Assim, a palavra final sobre a legalidade
da cobrança da assinatura telefônica cabe ao Superior Tribunal
de Justiça, instancia máxima para ações infraconstitucionais.
E o STJ já tem a decisão definitiva: a cobrança é legal.
O entendimento do STJ já está, inclusive, sumulado.
O que faltava era justamente o Supremo decidir se a questão
era realmente infraconstitucional. Nesse meio tempo, a súmula
tinha validade, mas ainda existia a possibilidade de o Supremo resolver
julgar a questão e mudar o entendimento do STJ. Com a decisão
da última quinta, a Súmula do STJ passa a ser o entendimento
definitivo sobre o tema.
Publicada no dia 8 de setembro de 2008, a Súmula 356 é incisiva: “É legítima
a cobrança da tarifa básica pelo uso dos serviços
de telefonia fixa”. O verbete, no entanto, não tem efeito
vinculante. Com isso, o texto é apenas uma orientação
aos ministros do STJ e aos juízes de instâncias inferiores,
o que significa dizer que os processos ainda podem se arrastar por
anos até chegar ao STJ, quando o tribunal se valerá da
Súmula 356 para justificar a legitimidade das cobranças.
O verbete foi editado a partir de cinco precedentes da 1ª Seção
do STJ (clique aqui para ter acesso aos acórdãos). No
Recurso Especial 911.802, por exemplo, o ministro José Delgado,
relator, reconheceu a legalidade da cobrança da assinatura básica
mensal por considerar que a tarifação tem amparo na legislação.
Para o ministro, a cobrança tem origem contratual, além
de ser destinada à manutenção da infra-estrutura
do sistema.
Histórico
A discussão judicial do Resp 911.802, um dos precedentes da Súmula
356 do STJ, teve início com a ação movida por uma
consumidora do estado do Rio Grande do Sul. A defesa da usuária
do serviço de telefonia fixa contestou a cobrança da assinatura
básica mensal e solicitou a devolução dos valores
pagos à Brasil Telecom.
O pedido da consumidora foi rejeitado em primeira instância,
mas a sentença foi modificada pelo Tribunal de Justiça
gaúcho. O TJ-RS acolheu o pedido da usuária por considerar
abusiva a exigência do pagamento por um serviço não
prestado, além de não existir, de acordo com o tribunal,
previsão legal para a cobrança. O TJ-RS destacou, ainda,
a necessidade de aplicação do Código de Defesa
do Consumidor ao caso.
A Brasil Telecom recorreu ao STJ afirmando que os direitos previstos
no Código de Defesa do Consumidor não excluem os decorrentes
da Lei Geral das Telecomunicações. Segundo a defesa da
empresa, a tarifa mensal não é voltada apenas à cessão
de linha ou de terminal telefônico, mas também à infra-estrutura
fornecida. A Brasil Telecom ressaltou que está autorizada pela
Anatel a cobrar a assinatura básica.
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Última Instância, 20 de junho
de 2009
BANCOS X POUPADORES
Idec lança blog
sobre perdas da poupança com mundanças de planos
econômicos
O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) lançou um
blog para manifestação e informação de consumidores
sobre as perdas da poupança com as mudanças nos planos
econômicos.
Os internautas que acessarem a página “Bancos X Poupadores” (http://www.planoverao.idec.org.br/)
saberão tudo que se relacione com o atual debate em torno do
ressarcimento das perdas da poupança. Com um cadastro, os interessados
receberão periodicamente boletins com as últimas notícias
sobre o tema.
De acordo com o Idec, o blog dispõe de espaços para
que o internauta-consumidor comente os últimos posts e notícias
veiculadas na mídia, bem como para apoiar as ações
empreendidas pelo Idec no assunto.
Lançado essa semana, o blog já conta com mais de 100
comentários de visitantes. O primeiro post do blog é justamente
uma carta aberta ao presidente Lula encaminhada pelo Idec, em que o
instituto o convoca a rever a posição do governo e do
Banco Central em apoio aos bancos no STF (Supremo Tribunal Federal).
A necessidade do blog surgiu em decorrência da última
ofensiva dos bancos, que, para o Idec, ao recorrerem ao Supremo tentam
barrar todas as ações judiciais em curso que buscam reaver
os valores perdidos pelos poupadores, sobretudo nos planos Verão
e Bresser.
Outro espaço da nova página destina-se a que o poupador
que foi prejudicado em algum plano econômico relate sua experiência.
A finalidade deste espaço é dar "cara, nome e história" aos
dramas reais vividos pelos poupadores e sua saga por recuperar os valores
perdidos. Até então, inúmeros relatos chegavam
ao Idec sobre as perdas na poupança, e não havia ainda
um espaço para publicá-los.
Além do blog, o internauta que tiver interesse no assunto e
se cadastrar passará a receber periodicamente o boletim Bancos
X Poupadores - Notícias, com as últimas novidades e ações
empreendidas pelo Idec.
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