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O ESTADO DO PARANÁ,
19 de junho de 2009 | Economia
Construções executadas
cresceram 11% em 2007
Agência Estado
As empresas do setor de construção civil realizaram, em 2007,
obras e serviços no valor de R$ 128 bilhões, o que representa
um aumento real (descontado a inflação) de 10,9% nas construções
executadas em relação a 2006, segundo dados da Pesquisa Anual
da Indústria da Construção (Paic), divulgada hoje pelo
IBGE.
O setor público respondeu
por 40,1% do total das construções executadas em 2007,
porcentual abaixo do ano anterior, quando foi de 42,5%. Naquele ano,
de acordo com a pesquisa, 110 mil empresas do segmento empresarial da
indústria da construção ocupavam mais de 1,8 milhão
de pessoas e tiveram gastos totais com o pessoal ocupado de R$ 30,6 bilhões,
dos quais R$ 20,7 bilhões foram em salários, retiradas
e outras remunerações, o que significou uma média
mensal de 2,3 salários mínimos.
Segundo os técnicos do
IBGE, "a expansão do setor da construção em
2007 foi coerente com o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro
(5,7%), com o desempenho da atividade da construção no
PIB (5%) e com a formação bruta de capital fixo (FBCF,
referente aos investimentos), que avançou 13,5%, assinalando o
maior acréscimo desde o início da série histórica
(1996)", afirmam, no documento de divulgação da pesquisa.
Ainda de acordo com o levantamento,
os investimentos brutos da indústria da construção
em ativos imobilizados totalizaram aproximadamente R$ 5,1 bilhões
em 2007. A aquisição de máquinas e equipamentos
(bens de capital) foi o principal investimento e representou 44,2% do
total. Em seguida, vieram os gastos com meios de transporte (23,1% do
valor investido); as compras de terrenos e edificações
(21,3%); e outras aquisições (móveis, microcomputadores
e ferramentas), que representaram 11,4% do total.
O principal material de
construção adquirido foi o cimento, que representou 27,4%
do valor dos produtos pesquisados na atividade, seguido pelo asfalto
(20,6%), concreto usinado (20,5%), vergalhões (20,4%) e tijolos
(11,1%).
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Agência Diap, 22 de junho
de 2009
Redução de tributos
para construção de casas populares na pauta
A medida provisória (MP)
que concede benefícios fiscais para construtoras de imóveis
do programa 'Minha Casa, Minha Vida' tranca a pauta do plenário
e tem prioridade nas votações da sessão deliberativa
desta terça-feira (23), às 14h.
A MP também reduz tributos
para a fabricação e importação de motocicletas.
Transformada no Projeto de Lei
de Conversão (PLV) 12/09, a Medida Provisória (MP) 460/09
aumenta a tributação sobre o cigarro, com objetivo não
só de combater o tabagismo, mas também de compensar a renúncia
fiscal decorrente da redução de impostos contida na medida.
Obras
iniciadas
Aprovada com várias modificações pela Câmara, a
MP foi relatada naquela Casa pelo deputado André Vargas (PT/PR).
Uma das mudanças contidas
no PLV estendeu os benefícios tributários destinados ao
Programa 'Minha Casa, Minha Vida' às obras contratadas a partir
de 31 de março de 2009. Pela MP, seriam beneficiadas somente obras
iniciadas naquela data.
Esse benefício é destinado
a construções de até R$ 60 mil - conforme prevê a
MP 459/09, que dispõe sobre o programa - e vale até 31
de dezembro de 2013.
Incorporação
Para cada incorporação submetida ao regime especial de tributação,
a incorporadora ficará sujeita ao pagamento equivalente a 6% da receita
mensal recebida, que corresponderá ao pagamento mensal unificado dos
impostos e contribuições.
O percentual correspondente ao
pagamento unificado dos tributos para os projetos de incorporação
de imóveis residenciais do programa Minha Casa, Minha Vida será equivalente
a 1% da receita mensal recebida.
Nesse pagamento único,
estão incluídos o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas
(IRPJ), PIS/Pasep, Cofins e Contribuição Social sobre o
Lucro Líquido (CSLL).
O relator concedeu também
mais dez dias para as empresas pagarem o imposto. Pelo PLV, o pagamento
unificado de impostos deve ser feito até o 20º dia do mês
subseqüente àquele em que houver sido auferida a receita.
O pagamento dos impostos será considerado
definitivo, não gerando, em qualquer hipótese, direito à restituição
ou à compensação com o que for apurado pela construtora.
Motos
e cigarros
Com objetivo de incentivar a fabricação e importação
de motocicletas, a MP reduz de 3% para zero a alíquota da Cofins incidente
sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de motocicletas de cilindrada
inferior ou igual a 150cm³.
Esse benefício - que valerá para
os meses de abril a junho de 2009 - não se aplica às receitas
auferidas pela empresa revendedora, na revenda de mercadorias em relação às
quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora,
na condição de substituta tributária.
O único aumento de tributos
recai sobre o cigarro, cujo índice a ser aplicado pelos fabricantes
sobre o preço de varejo para encontrar a base de cálculo
da Cofins passa de 169% para 291,69%.
Para a base de cálculo
da Contribuição para o PIS/Pasep, o coeficiente multiplicador
passa de 1,98 para 3,42, o que representa aumento de 72%. Esses novos
tributos para o cigarro valem a partir de 1º de julho de 2009.
Pessoa
com deficiência
A medida provisória também concede às pessoas com deficiência
isenção do PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento
da Seguridade Social (Cofins) na compra de bens como cadeira de rodas, próteses,
entre outros.
No mesmo sentido, os portadores
de deficiência auditiva com perda mínima de 41 decibéis
nos dois ouvidos também poderão comprar carro novo com
isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI),
cujo benefício já existe para portadores de deficiência
física, visual e mental.
A MP concede ainda à Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel) competência
para atuar sobre tributação e arrecadação
da contribuição para fomento da radiodifusão pública.
Enchentes
Segundo item da agenda do Plenário, a MP 461/09 abre crédito
extraordinário para o Ministério da Integração
Nacional, no valor de R$ 300 milhões, para socorro e assistência às
pessoas atingidas pelas chuvas e enchentes ocorridas entre outubro de 2008
e março de 2009 em vários estados.
Os recursos pretendidos pelo
governo, conforme a MP, também serão usados para atender
a operação "carro-pipa" em municípios
do semi-árido que, ao contrário dos locais inundados, padecem
da falta de água para o consumo humano.
Do total de recursos, R$ 220
milhões serão destinados à assistência às
vítimas das enchentes e ao abastecimento de água em regiões
afetadas pela estiagem, e os demais R$ 80 milhões serão
aplicados na recuperação da infraestrutura danificada pelas
cheias.
Os recursos para a abertura do
crédito decorrem, segundo o governo, de superávit financeiro
no balanço patrimonial da União do exercício de
2008, relativo a recursos ordinários.
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Agência Diap, 22 de
junho de 2009
Agenda Política: STF pode
votar Adin do DEM contra contribuição sindical às
centrais
Nesta quarta-feira (24), está prevista
votação da Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade)
4067, do DEM-PFL, que questiona o repasse da contribuição
sindical às centrais sindicais. A ação está na
pauta do Supremo. Instalação da CPI da Petrobras está agendada
para 30 de junho
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva cumpre agenda em cinco estados nesta semana.
Inicia pelo Paraná, onde,
com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, lança nesta
segunda-feira (22), o Plano Agrícola e Pecuário 2009/2010,
em Londrina.
Lula e Stephanes anunciam detalhes
do destino dos R$ 93 bilhões que serão alocados para crédito,
custeio e comercialização da próxima safra.
Na semana, Lula ainda lança
projeto de revitalização da zona portuária do Rio
de Janeiro, uma das obras do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC).
Crise
no Senado
A expectativa no Congresso Nacional é para os desdobramentos de escândalos
em que o Senado Federal vem sendo envolvido desde a posse de José Sarney
(PMDB/AP) para presidente da Casa, em fevereiro.
Segundo as denúncias,
parentes de Sarney foram contratados por publicação de
atos secretos feitos pela administração da Casa, que também
serviram para outras decisões da Casa.
Sarney anunciou uma comissão
de sindicância para averiguar os atos secretos, prometeu divulgar
os dados do Senado em site oficial na Internet, além de pretender
contratar auditoria externa para averiguar a folha de pagamentos dos
servidores da Casa.
CPI da
Petrobras
Ainda no Senado, a instalação da Comissão Parlamentar
de Inquérito (CPI) da Petrobras para investigar supostas irregularidades
cometidas pela estatal deve ficar para 30 de junho, conforme acordo entre os
integrantes da CPI.
Senadores consideram que na semana
quem, em função das festas juninas no Nordeste, parlamentares
estarão ausentes de Brasília. A instalação
já foi adiada três vezes.
Veja a seguir os principais acontecimentos
políticos desta semana:
Segunda-feira
(22)
- Em Congoinhas (PR), Lula participa da cerimônia de comemoração
de 2 milhões de ligações pelo programa Luz Para Todos
e, em seguida, inaugura uma biblioteca do Programa Biblioteca Cidadã.
Lula depois parte para Londrina, onde lança o Plano Agrícola
e Pecuário 2009/2010 junto ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.
- Lula também vai ao Rio
de Janeiro, onde participa da homenagem ao casal Renée e Apolônio
de Carvalho no consulado da França. Apolônio (1912-2005),
militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi fundador do PT.
- Em São Paulo, o ministro
do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, participa de um almoço-debate
promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), onde faz
uma exposição com o tema "A Justiça, o Homem
e a Lei".
- O PT/SP faz reunião
ampliada da executiva para debater o impacto da candidatura do deputado
federal Ciro Gomes (PSB/CE) ao governo de São Paulo. O PT tem
seis postulantes ao cargo, mas nenhum suficientemente forte para combater
o PSDB, há 14 anos no cargo.
- Estudantes de Jornalismo de
diversas cidades do País organizam novas manifestações
de desagravo à decisão do STF que aboliu a obrigatoriedade
da formação universitária para a profissão
de jornalista.
- O presidente do Banco Central,
Henrique Meirelles, participa de reuniões de trabalho em Paris
(França).
- O Ministério do Trabalho
divulga o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de junho.
Terça-feira
(23)
- Pela manhã, Lula lança projeto de revitalização
da zona portuária do Rio de Janeiro, uma das obras do PAC. Depois, o
presidente parte para São Paulo onde inaugura o novo prédio do
Hospital Israelita Albert Einstein e, mais tarde, visita a sede do time do
São Paulo Futebol Clube.
- O ministro da Fazenda, Guido
Mantega, e a senadora Kátia Abreu (DEM/TO) são convidados
da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara
dos Deputados para discutir a nova governança da cafeicultura
brasileira.
- Os ministros Reinhold Stephanes
(Agricultura) e Carlos Minc (Meio Ambiente) são expositores da
apresentação de dados ambientais na Comissão de
Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos
Deputados.
- O líder do Governo na
Câmara, deputado Henrique Fontana (PT/RS), o presidente da comissão
especial que discute a reforma tributária, Antonio Palocci (PT/SP),
e o relator da matéria, Sandro Mabel (PR/GO), se reúnem
com líderes da oposição para tentar um acordo sobre
o tema. O objetivo do Governo é tentar votar a proposta no plenário
nas próximas semanas.
- Henrique Meirelles profere
palestra em almoço da Câmara de Comércio Brasileira,
em Paris.
- A Comissão de Ciência
e Tecnologia da Câmara realiza audiência pública sobre
a prestação de serviços de telecomunicações
para o governo e empresas públicas e estatais com os ministros
Hélio Costa (Comunicações e Paulo Bernardo (Planejamento),
o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, e outros.
- A Comissão de Viação
e Transportes da Câmara realiza audiência pública
sobre o preços dos combustíveis praticados no Brasil com
o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e outros.
- A Comissão de Assuntos
Econômicos realiza audiência pública sobre regulamentação
de cartões de crédito com o José Antonio Marciano,
Chefe do Departamento de Operações Bancárias e de
Sistema de Pagamentos, e outros.
- A Comissão de Agricultura
da Câmara realiza audiência pública sobre nova governança
da cafeicultura brasileira com o ministro Guido Mantega e outros.
- Comissão de Sindicância
do Senado destinada a apurar os atos secretos da Casa pode divulgar seu
relatório.
Quarta-feira
(24)
- Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) 4067, do DEM-PFL,
que questiona o repasse da contribuição sindical às centrais
sindicais está na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF).
- A Comissão de Desenvolvimento
Econômico, Indústria e Comércio audiência pública
com a finalidade de debater "Reforma Tributária - matéria
objeto da PEC 31/07". A sessão será às 11h,
plenário 5.
- De volta a Brasília,
Lula faz reunião de coordenação política
e recebe a visita da presidente das Filipinas, Gloria Macapagal Arroyo,
e do presidente eleito do Panamá, Ricardo Martinelli.
- O ministro Carlos Minc é convocado
pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados para
dar explicações aos parlamentares sobre o pronunciamento
feito no final de maio em que chamou os produtores rurais de vigaristas
e acusou deputados de chantagear o governo para liberar recursos ao setor
ruralista.
- O secretário extraordinário
de Reformas Econômico-Fiscal do Ministério da Fazenda, Bernard
Appy, é convidado da Comissão de Desenvolvimento Econômico,
Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados para
discutir a reforma tributária que está parada na Casa.
- Henrique Meirelles participa,
até sexta-feira (26), da 8ª Conferência Anual do Banco
de Compensações Internacionais (BIS), em Basileia, na Suíça
- A Comissão de Finanças
e Tributação tem reunião reservada com a secretária
da Receita Federal, Lina Maria Vieira, sobre a arrecadação
de maio.
- A Comissão de Minas
e Energia da Câmara realiza audiência pública para
discutir supostas irregularidades no pagamento de saldo remanescente
da "conta petróleo " com o diretor-geral da Agência
Nacional do Petróleo, Haroldo Rodrigues, e o procurador da República
no Distrito Federal José Alfredo de Paula.
- O Supremo Tribunal Federal
julga: 1) recurso extraordinário contra acórdão
que reconheceu ser indevida a cobrança da alíquota de 0,38%
da CPMF nos noventa dias posteriores à publicação
da EC 42/03; e 2) recurso extraordinário em face de decisão
do TJSP, que entendeu ser legítima a extensão do pagamento
da Gratificação por Atividade de Magistério (GAM),
instituída pela Lei Complementar Estadual 977/05, àqueles
que se aposentaram até a data da publicação da EC
41/03.
- O Banco Central divulga Investimento
Estrangeiro Direto em maio.
- O FED (banco central americano)
anuncia decisão sobre taxa de juros.
Quinta-feira
(25)
- Lula recebe deputados da bancada federal evangélica em Brasília.
Depois participa do anúncio do acordo da cana-de-açúcar
que estabelece novas condições trabalhistas nos canaviais e recebe
o ministro do Turismo, Luiz Barretto, seguido do representante da Unesco no
Brasil. À noite, abre a 2ª Conferência Nacional de Promoção
da Igualdade Racial, no Centro de Convenções.
- Reunião do Conselho
Monetário Nacional discute meta de inflação para
2011.
- Último dia para o presidente
Lula sancionar Medida Provisória 458, que autoriza a legalização
de terras da União de até 1,5 mil hectares ocupadas na
Amazônia Legal.
- O IBGE divulga desemprego em
maio.
- Programa nacional do PSDB,
em cadeia de rádio e TV, com duração de 10 minutos.
Sexta-feira
(26)
- Na cidade de Itajaí (SC), Lula sanciona lei que cria o Ministério
da Pesca e Aquicultura. Em seguida, Lula vai a Porto Alegre (RS), onde participa
da cerimônia de inauguração do programa Território
de Paz. Participa ainda do 10º Fórum Internacional do Softwere
Livre. No fim da tarde, o presidente inaugura novo parque gráfico do
Grupo RBS.
- O Tesouro Nacional divulga
resultado do Governo Central em maio.
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Folha de S.Paulo, 22 de junho
de 2009
Recessão do crédito persiste
para as pequenas empresas
Pesquisa aponta que 63% das micro e pequenas
ainda são afetadas pela crise | Queda na demanda e dificuldade
para conseguir empréstimo são principais problemas;
impacto é maior na indústria e no agronegócio
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Quatro em cada dez micro e pequenas
empresas do país reclamam que ainda não há melhora
na oferta de crédito oferecido pelos bancos, apesar das várias
medidas anunciadas pelos governos federal e estaduais para incrementar
os financiamentos e aliviar o caixa dos empreendimentos, atingidos pela
crise financeira mundial.
É o que mostra levantamento feito, a pedido da Folha, pelo Sebrae-SP com
4.200 micro e pequenas empresas (MPEs) de todos os Estados e distribuídas
pela indústria, pelo comércio e pelo setor de serviços.
A pesquisa, feita entre 16 de março e 15 de maio, é a primeira
de âmbito nacional com o objetivo de avaliar os reflexos da crise nesse
segmento empresarial.
A crise não apenas afetou, mas ainda afeta os negócios de 63%
dessas empresas. Queda na demanda e dificuldade para obter crédito -que,
além de mais disputado, passou a ser mais caro- são os principais
impactos sentidos pelas MPEs.
Os efeitos são piores para empresas do setor industrial e do agronegócio,
cujas atividades são mais voltadas para exportação. Ou
naquelas que fabricam produtos para o mercado interno com alto valor unitário
e que dependem da concessão de crédito para vender ao consumidor
-caso de eletroeletrônicos e móveis.
Entre os empresários do comércio e dos serviços, setores
mais dependentes da renda do consumidor, os impactos são menores. Nesse
caso, a queda da demanda ocorre porque o consumidor teme a incerteza da economia
e, por isso, adia as compras de longo prazo.
Enquanto 42% das empresas reclamam que persiste a dificuldade para conseguir
empréstimos, 28% nem sequer sabem responder a questão. Só 30%
notaram melhora.
Em setembro do ano passado, antes de as turbulências internacionais afetarem
o Brasil, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social,
um dos poucos canais das empresas para conseguirem empréstimos com juros
menores e prazos maiores) havia emprestado R$ 1,159 bilhão às
micro e pequenas que buscaram financiamento nas linhas de crédito disponíveis
para esse segmento. Esse valor representava 14,3% do total emprestado para
empresas de todos os portes, ou R$ 8,128 bilhões.
Em abril deste ano, o segmento das MPEs conseguiu financiamentos que, somados,
chegaram a R$ 818 milhões -10,6% do total emprestado pelo BNDES a todas
as empresas (R$ 7,721 bilhões). O valor emprestado é 30% menor
do que o de setembro de 2008.
" O problema do crédito continua presente. Burocracia, exigências
exageradas para que a empresa dê garantias reais de que vai cumprir as
regras do empréstimo e desinformação ainda são problemas
constantes no dia a dia desse perfil de empreendedor. Com a crise, as exigências
se acentuam", diz Ricardo Tortorella, diretor-superintendente do Sebrae-SP.
Desinformação
Tatiana Tichauer, proprietária da Doctor Clean, indústria de
produtos antissépticos, diz que a expansão da empresa e a contratação
de mais empregados esbarram no jogo de empurra-empurra e desinformação
dos próprios bancos.
" Com a questão da gripe suína, as nossas vendas aumentaram.
Preciso de empréstimo para promover ações em pontos de venda
e não tenho conseguido crédito para capital de giro. Não
quero comprar máquinas, como oferecem algumas poucas linhas existentes."
A empresária passou os últimos 60 dias esperando uma resposta
de um banco que a havia informado, equivocadamente, de que conseguiria o financiamento
no BNDES. "Agora, a informação é outra. A linha que
buscava não existe."
A justificativa do setor financeiro para aumentar as exigências e selecionar
ainda mais os clientes é o risco de inadimplência -que, segundo
dados do Banco Central, cresceu tanto para pessoas físicas como para
empresas. Em abril, os calotes representavam 5,2% dos empréstimos comerciais
(crédito pessoal, cheque especial e empréstimos de capital de
giro às empresas). O nível foi o mais alto desde outubro de 2000.
Erros
e acertos
Para Fábio Pina, economista da Fecomercio SP, o governo acerta ao forçar
os bancos públicos a baixar os juros para empréstimos a empresas
e a fomentar a criação de fundos para estimular a ampliação
dos financiamentos, mas o maior problema é a demora na implementação
das medidas. "Até os recursos, que estão mais escassos,
caros e disputados, chegarem à praça demora muito."
Há duas semanas, o governo editou medida provisória que libera
R$ 4 bilhões da União para criar dois fundos que visam garantir
operações de crédito para micro, pequenas e médias
empresas e para trabalhadores autônomos. A expectativa é dar cobertura
para que R$ 48 bilhões sejam concedidos em empréstimos a partir
de julho.
O governo pretende, com a medida, estimular o mercado financeiro a voltar a
emprestar para as pequenas e a reduzir o "spread" (diferença
entre os juros pagos pelos bancos ao captar recursos no mercado e a taxa cobrada
dos clientes) nos financiamentos às empresas.
" O "spread" foi reduzido para crédito consignado, financiamento
de automóveis e grandes empresas, mas não para as médias
e pequenas", afirma Milton Bógus, diretor titular do Departamento
da Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp (federação
das indústrias paulistas). "Quando a taxa Selic cai um ponto percentual,
os juros para linhas de capital de giro baixam de 32,7% para 32,5% ao ano. Ou
seja, nada."
A falta de crédito pode até afetar o abastecimento, segundo avalia,
em alguns segmentos que se beneficiam do consumo direto, caso de alimentos,
confecções e calçados. "Em junho, notamos melhora
gradativa no emprego e na demanda. Mas, sem crédito, as empresas não
conseguem capital para comprar matéria-prima e fazer a produção
girar. Se a demanda não é atendida, o abastecimento pode ser
prejudicado."
Expectativa
A disponibilidade do crédito só deve melhorar, na avaliação
de Fabio Silveira, economista da RC Consultores, a partir do último
trimestre deste ano. "Mas isso deve ocorrer apenas se não houver
novas turbulências externas, o que não está totalmente
descartado."
Para o Sebrae-SP, as expectativas para o segundo semestre são positivas. "Quase
metade dos entrevistados prevê que o faturamento vai aumentar, o que é até esperado,
já que deve ocorrer a reposição das perdas. E 66% acreditam
que o nível de emprego deva se manter. O empresário já vê mais
que uma luz no fim do túnel, começa a soltar o freio", diz
Tortorella.
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Folha de S.Paulo, 22 de junho
de 2009
Juros em queda levam a fuga recorde
dos fundos DI
Participação da categoria no
total da indústria de fundos é a menor da história
| Investimento acompanha de perto a variação dos juros
básicos; altas taxas de administração também
pesam na aplicação
FABRICIO VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Com os juros pagos no país
cada vez em níveis mais baixos, os brasileiros começam
a rever suas opções de investimento. Nesse processo, os
maiores prejudicados têm sido os fundos DI, categoria que acompanha
mais de perto as oscilações dos juros. Nenhum outro tipo
de fundo tem sofrido uma sangria tão grande quanto os DIs.
Nas primeiras duas semanas de junho, já saiu dos fundos DI o equivalente
aos resgates de todo o mês de maio. Se o ritmo for mantido, este será o
pior mês desde dezembro passado. Parte dos recursos migra para a poupança
(leia texto abaixo).
A captação líquida (diferença entre as aplicações
e os resgates) nesses fundos ficou negativa em R$ 1,63 bilhão até o
dia 15 deste mês. Nos últimos 30 dias, a saída líquida
alcança os R$ 4,15 bilhões.
No ano, a categoria lidera os saques, com a fuga de R$ 6,4 bilhões,
segundo levantamento da Anbid (Associação Nacional dos Bancos
de Investimento).
" O investidor está atento à queda da taxa e seu impacto no
retorno dos fundos. O que estamos presenciando é uma mudança de
paradigma nos investimentos dos brasileiros. Não dá mais para sonhar
em ganhar 20% no ano sem esforço, como era comum há não
muito tempo", afirma o professor e educador financeiro Mauro Calil.
A carteira dos fundos DI é formada em grande parte por títulos
atrelados às oscilações da taxa básica Selic, que
vem sendo reduzida de forma expressiva nos últimos meses. Dessa forma,
o retorno da categoria tem sido achatado, o que motiva muitos investidores
a trocar de aplicação.
Os fundos são uma comunhão de recursos de vários investidores.
Esses recursos servem para os gestores adquirirem títulos públicos
e privados (como debêntures, vendidos pelas empresas) que serão
os responsáveis pela rentabilidade oferecida pelo fundo.
A saída de capital que se intensificou nas últimas semanas fez
a participação do DI no patrimônio total da indústria
de fundos recuar para seu menor percentual da história. O mais recente
levantamento da Anbid mostrou que os fundos DI respondem no momento por 14,99%
do total do mercado. Em 2005, o percentual superava 20% e no final da década
de 90 chegou a ser de mais de 33%.
Custos
altos
"É um momento complicado para a categoria. Uma expressiva redução
da taxa de administração poderia ser um caminho para elevar a atratividade
dos fundos DI. O mercado de fundos deve se reorganizar, ou o DI pode acabar por
desaparecer no futuro", afirma Calil.
Com a redução das taxas de juros, que afetou os fundos DI mais
do que qualquer outra categoria, o custo da taxa de administração é outro
problema que tem minado a aplicação.
Com a taxa básica Selic em 9,25% anuais, apenas fundos com taxa de administração
de 1% ou menos conseguem ser mais atrativos do que a poupança. E poucos
fundos, especialmente no varejo -segmento destinado àqueles que têm
menos recursos para aplicar-, cobram taxa tão baixa. Ou seja, para a
fuga do DI perder fôlego, os bancos teriam de abrir mão de parte
dos ganhos que têm com as taxas de administração.
Presente em todos os fundos, a taxa de administração engole parte
dos ganhos das aplicações. No caso dos fundos dirigidos ao varejo,
costuma oscilar entre 2% e 3% ao ano. Com a Selic no atual patamar, uma taxa
de administração de 3% é proporcionalmente muito alta
-representa quase um terço do ganho anual da aplicação.
Os fundos DI vão pagar em torno de 10% brutos neste ano. Desse percentual,
o investidor ainda terá de abrir mão dos custos da taxa de administração,
além da cobrança de IR.
" Para conseguir ganhos maiores, o investidor vai ter de arriscar mais",
diz o administrador de investimentos Fábio Colombo.
No caso da Bolsa, há a possibilidade de conquistar um retorno bem maior.
No ano, por exemplo, o índice Ibovespa (das 65 ações mais
negociadas) tem alta de 36,8%. Mas o investimento é mais arriscado,
pois a Bolsa pode cair e causar prejuízo ao aplicador.
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Folha de S.Paulo, 22 de junho
de 2009
Taxa básica pode ter chegado
perto de seu piso
DA REPORTAGEM LOCAL
Depois de ser reduzida para 9,25%
anuais, a taxa básica Selic pode estar perto de seu piso. Ao menos é o
que projetam analistas e investidores, que contam com, no máximo,
mais uma redução neste ano, que levaria a taxa básica
da economia para 9%.
O próprio Copom (Comitê de Política Monetária),
na ata de sua mais recente reunião, afirma que o espaço existente
hoje para novos cortes é "residual".
Como consequência, a rentabilidade das aplicações que acompanham
a oscilação dos juros, especialmente os fundos DI, pode não
ter muito mais o que encolher.
" Não sabemos ainda se os juros reais vão cair muito. Isso
depende também do rumo da inflação", afirma o administrador
de investimentos Fábio Colombo.
Se a inflação voltar a ser uma ameaça no ano que vem,
o Banco Central poderá reverter o atual processo e elevar os juros.
Neste momento, o mercado projeta que a taxa básica de juros estará no
mesmo patamar que o atual em 2010. Isso demonstra que os pouco mais de 9% atuais
têm se firmado como piso.
Mas os cenários para a inflação e os juros podem trazer
surpresas, como o ano passado demonstrou.
Apesar da crescente saída dos investidores dos fundos que pagam juros,
ainda há uma considerável soma de dinheiro aplicada neles.
Os fundos DI têm patrimônio líquido de R$ 186,69 bilhões.
O mercado brasileiro de fundos como um todo -ações, DI, renda
fixa, previdência privada e outros- apresenta patrimônio de R$
1,22 trilhão, em seus maiores níveis históricos.
A poupança apresenta saldo de R$ 280,61 bilhões.
" Mesmo que os juros descessem mais, não acho que as aplicações
de renda fixa desapareceriam. Basta ver o exemplo de países como os EUA,
que têm juros baixíssimos e ainda têm aplicações
de renda fixa", diz Colombo. Os juros básicos americanos estão
atualmente entre zero e 0,25% ao ano. (FV)
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Folha de S.Paulo, 22 de junho
de 2009
Com rendimento líquido de
6%, poupança atrai mais recursos
DA REPORTAGEM LOCAL
A poupança é um
dos destinos dos recursos que têm saído dos fundos DI. Neste
mês, até o dia 15, a poupança recebeu líquido
R$ 1,08 bilhão. No mês passado, outro R$ 1,88 bilhão
já havia sido dirigido para a conservadora aplicação.
Os dados são do Banco Central.
Em meio ao processo de redução da taxa básica Selic -referência
para os juros praticados no mercado-, a poupança voltou a se destacar
e ser encarada por muita gente como uma opção de investimento.
O que deu alento à poupança foi o fato de não cobrar taxa
de administração nem IR, como ocorre com os fundos.
No ano, a poupança vai ter uma rentabilidade líquida de pouco
mais de 6%. Descontando um IR de 20%, apenas um fundo DI que cobrasse uma taxa
de administração de 1% ou menos conseguiria ser mais atraente
que a poupança.
Atento ao risco de migração em massa dos fundos, o governo apresentou
mudanças no mês passado para a poupança. A ideia é que
a partir de janeiro de 2010 as cadernetas com saldo superior a R$ 50 mil passem
a sofrer incidência de IR.
Para o governo federal, uma fuga dos fundos para a poupança não
interessa.
Isso porque os fundos são grandes compradores de títulos públicos,
necessários para o governo rolar sua dívida. (FV)
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Agência Diap, 22 de junho
de 2009
Comissões: na CCJ, projeto
que trata de execuções trabalhistas
A Comissão de Seguridade
Social e Família pode votar nesta semana o PL 2.295/00 (PLS 161/99),
do ex-senador Lúcio Alcântara, que dispõe sobre a
jornada de trabalho de 30 horas para os enfermeiros, técnicos
e auxiliares de enfermagem
A Comissão de Constituição
e Justiça da Câmara dos Deputados pode votar, nesta semana,
o PL 5.140/05, do ex-deputado Marcelo Barbieri (PMDB/SP), que modifica
a CLT para dispor sobre a execução trabalhista e a aplicação
do princípio da desconsideração da personalidade
jurídica.
O projeto trata sobre a penhora
'online' nas execuções trabalhistas.
O relator da matéria,
deputado Zenaldo Coutinho (PSDB/PA) ofereceu parecer favorável à proposição
e, no mérito, pela aprovação do projeto.
Dirigente
sindical
Também consta na pauta do colegiado, o PL 5.710/01, do deputado Fernando
Ferro (PT/PE), que acrescenta parágrafo ao artigo 543 da CLT, dispondo
sobre a indenização em caso de rescisão do contrato de
empregado eleito para cargo de dirigente sindical ou suplente.
O relator, deputado Zenaldo Coutinho
(PSDB/PA) ofereceu parecer favorável ao texto, que se aprovado
e não houver recurso contrário à decisão
do colegiado, segue para o Senado Federal.
Taxas
para emprego
O PL 6.246/05, da deputada Sandra Rosado (PSB/RN), também consta na
pauta da CCJ. O projeto proíbe a cobrança de taxas, pelas empresas
privadas, para fins de preenchimento de vagas em seu quadro de pessoal.
O parecer do relator, deputado
Colbert Martins (PMDB/BA), é pela constitucionalidade da matéria.
Periculosidade
Faz parte ainda da pauta da CCJ, o PL 7.378/06 do senador Paulo Paim (PT/RS)
(no Senado PLS 170/05), que modifica o artigo 193 da CLT para conceder adicional
de periculosidade aos eletricitários. O relator, deputado Pastor Manoel
Ferreira (PTB/RJ) ofereceu parecer pela constitucionalidade.
O colegiado se reúne,
nesta terça-feira (23), às 14h, no plenário 1.
Jornada
do aprendiz
A Comissão de Trabalho da Câmara se reúne, nesta quarta-feira
(24) para deliberar sobre sua pauta ordinária. Entre os projetos, destaca-se
o PL 2.898/04, da deputada Ann Pontes (PMDB/PA), que reduz para 4 horas a jornada
de trabalho do aprendiz.
A relatora, deputada Andréa
Zito (PSDB/RJ) apresentou parecer favorável à matéria.
O objetivo da proposição é garantir
aos aprendizes a conclusão do ensino médio tendo uma jornada
reduzida.
Piso
dos professores
Outra proposta em pauta no colegiado é o PL 3.133/08 (no Senado PLS
433/07), do senador Cristovam Buarque (PDT/DF), que estabelece que os profissionais
da educação básica terão vencimento inicial igual
ou superior ao Piso Salarial Profissional Nacional, e a cada sete anos de trabalho
a licença das atividades normais, com duração mínima
de um ano.
A relatora, deputada Andréia
Zito (PSDB/RJ) apresentou voto favorável, com complementação.
Participação
na gestão
Já o projeto do Executivo, PL 3.407/08 dispõe sobre a participação
de empregados nos conselhos de administração das empresas públicas
e sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas e demais
empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria
do capital social com direito a voto, também consta na pauta do colegiado.
O relator, deputado Pedro Henry
(PP/MS) é favorável ao projeto e apresentou parecer pela
aprovação da matéria.
Terceirizado
A Comissão de Trabalho realiza, nesta quarta-feira (24), às 11h,
audiência pública sobre o contrato firmado entre a Câmara
dos Deputados e a Capital Empresa Prestadora de Serviços Gerais.
Foram convidados para o debate
o diretor do Departamento de Material e Patrimônio da Câmara,
Eugênio Amaro; e representantes da empresa.
Indústria
do fumo
Nesta quinta-feira, às 9h30, o colegiado continua com a agenda de audiência
pública.
O colegiado debate a situação
da indústria do fumo no Brasil e suas consequências na área
do trabalho e da produção.
Foram convidados para o debate
o procurador-geral da República, Antônio Fernando Barros;
a secretária da Receita Federal, Lina Vieira; e o presidente da
Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco, Romeu Schneider.
As reuniões do colegiado
acontecem no plenário 12.
Jornada
dos enfermeiros
A Comissão de Seguridade Social e Família se reúne, nesta
quarta-feira (24), para deliberar sobre sua pauta ordinária. A Comissão
poderá apreciar o PL 2.295/00 (PLS 161/99), do ex-senador Lúcio
Alcântara, que dispõe sobre a jornada de trabalho de 30 horas
para os enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem.
O relator, deputado Arnaldo Faria
de Sá (PTB/SP) apresentou parecer favorável à proposta.
Outra matéria na pauta
do colegiado é o PL 1.892/07, do deputado Mauro Nazif (PSB/RO),
que acrescenta dispositivo à Lei 6.684, de 3 de setembro de 1979,
para dispor sobre a duração do trabalho do Biomédico.
A proposta fixa a duração
do trabalho em 30 horas semanais.
O relator, deputado Ribamar Alves
(PSB/MA) apresentou parecer pela aprovação.
Motoristas
O colegiado poderá ainda analisar o PL 2.895/08, do ex-deputado Barbosa
Neto (PDT/PR), que dispõe sobre a obrigatoriedade de exames médicos
periódicos para motoristas profissionais autônomos de caminhão.
O relator, deputado Neilton Mulim
(PR/RJ) apresentou parecer pela aprovação do projeto. O
colegiado se reúne no plenário 6, às 9h.
Saúde
do trabalhador
Nesta terça-feira (23), às 14h, a Comissão de Desenvolvimento
Econômico, Indústria e Comércio realiza audiência
pública para discutir a saúde do trabalhador odontólogo.
A reunião ainda não tem plenário definido.
Foram convidados para o debate,
o cirurgião dentista Arsênio Peres; o professor da Fundação
para Pesquisa e Desenvolvimento da Odontologia Luiz Mazzilli; e o presidente
da Confederação Nacional do Comércio, de Bens, Serviços
e Turismo, Antônio Santos.
Educação
As comissões de Seguridade Social e Família; e de Educação
e Cultura realizam audiência pública para debater sobre os diplomas
expedidos por instituições estrangeiras de ensino. A reunião
será, nesta terça-feira (23), às 14h30, no plenário
7.
Foram convidados para o debate
o presidente do Conselho Federal de Medicina, Edson de Oliveira; o presidente
da Associação Médica Brasileira, José Luiz
do Amaral; e o presidente da Associação Brasileira de Educação
Médica, Mourad Ibrahim.
Reforma
universitária
A comissão especial da Reforma Universitária realiza, nesta terça-feira
(23), audiência pública e votação de requerimentos.
O colegiado se reunirá às 14h30, no plenário 3.
Foram convidados para do debate
a presidente da Frente Parlamentar das Universidades Comunitárias,
deputada Maria do Rosário (PT/RS); o presidente da Associação
Brasileira das Universidades Comunitárias, Gilberto Gonçalves;
e o presidente da Associação Brasileira dos Reitores das
Universidades Estaduais e Municipais, João Carlos Gomes.
Reforma
política
Nesta quinta-feira (25), a Frente Parlamentar pela Reforma Política
e a Central Única dos Trabalhadores realizam "Seminário
sobre a Reforma Política no Brasil e as Mulheres". O evento será no
Auditório Freitas Nobre (Plenarinho), no anexo IV.
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O ESTADO DO PARANÁ,
22 de junho de 2009 | Economia
Debate sobre a nova lei do estágio
Redação
A nova lei de estágio será pauta de discussão promovida
pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Paraná (SRTE/PR)
e pelo Centro de Estudos do Ministério Público do Trabalho (MPT)
na próxima segunda-feira (dia 22), às 9h, no auditório
da Procuradoria do Trabalho 9.ª Região (Av. Vicente Machado, 84).
O evento contará com a presença de auditores fiscais do Trabalho
e procuradores do trabalho.
Para o superintendente
do Trabalho e Emprego no Paraná, João Graça, o
simpósio será de extrema importância tendo em vista
que deverá sanar muitas dúvidas referentes à contratação
da mão-de-obra estagiária.
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O ESTADO DO PARANÁ,
22 de junho de 2009 | Economia
Entrevista: Superintendente Regional
do Ministério do Trabalho
Helio Miguel
Daniel Caron
Reduzir a prática dos
trabalhos infantil e degradante estão entre as principais metas
da Superintendência Regional do Ministério do Trabalho e
Emprego no Paraná (SRT-PR). O maior desafio, porém, está em
diminuir as ocorrências de acidentes de trabalho, que estão
prestes a levar o Estado ao terceiro lugar no ranking nacional. Recém-chegado
de Genebra, na Suíça, onde participou da última
conferência da Organização Internacional do Trabalho
(OIT), o superintendente do órgão, João Graça,
esteve na sexta-feira na Redação de O Estado, onde falou
das ações preventivas e repressivas que vêm sendo
tomadas. Ele comentou, ainda, sobre os efeitos da crise sobre o emprego
que culminaram, esta semana, na demissão de 900 funcionários
na unidade da Bosch em Curitiba.
O Estado: A SRT-PR lançou,
recentemente, versões em outros idiomas das cartilhas sobre
o trabalho infantil. Como ela surgiu, e como foi parar no resto do
País e, agora, na Europa?
João Graça - O Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE) tem uma função repressiva, que é a fiscalização,
mas não tinha nenhum papel educativo. Então vi a necessidade
de idealizar alguma coisa nesse sentido. Lançamos a cartilha em novembro,
e começamos a desenvolver no Brasil inteiro. Também sugeri ao
ministro [do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi] para a gente lançá-la
na OIT, e fui convidado por ele para seguir com a delegação para
Genebra. Traduzimos para inglês e espanhol e, no dia 12 de junho (Dia
Mundial de Combate ao Trabalho Infantil), quando começaram os debates,
a cartilha ficou no hall de entrada da assembleia.
O Estado: O senhor trouxe
novidades de Genebra sobre avanços nas relações
de trabalho?
JG - Foi o Brasil quem levou as novidades. O discurso do presidente
Lula estava em sintonia com o que o ministro Lupi vem dizendo, sobre a importância
do envolvimento da OIT nas discussões da globalização
e do reflexo que a crise tem na empregabilidade. O Brasil tem, de maneira muito
oportuna, se envolvido nisso, com políticas públicas de emprego.
As primeiras ações que tivemos na questão econômica
foi o aumento do seguro desemprego, de cinco para sete meses, as políticas
de qualificação para os jovens. Na flexibilização
que ocorreu aqui, como no caso da Renault, com a suspensão dos contratos
de trabalho, os trabalhadores receberam bolsa qualificação. Essas
políticas públicas proporcionaram uma distinção
muito grande para nós.
O Estado - Como está a
situação do Paraná em relação aos
trabalhos infantil e degradante?
JG - O trabalho considerado degradante ainda existe em alguns segmentos,
como de extração de madeira, corte da cana, no fumo, na erva-mate.
Com relação ao trabalho infantil, agora temos o Programa de Erradicação
do Trabalho Infantil (Peti), no qual temos 38 mil crianças. Elas recebem
uma ajuda do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), para não
trabalharem. Estamos, agora, chamando os gestores municipais e dizendo que
eles têm que aderir ao programa, para que recebam a verba que é dada às
crianças. Temos 399 municípios, e só 211 aderiram ao programa.
O Estado - Qual o motivo
disso?
JG - É porque eles têm que dar uma contrapartida. No
programa, o MDS dá a verba, mas o município precisa dar o complemento
educacional, o programa sócio-educativo.
O Estado - E quanto aos
acidentes de trabalho, que estão aumentando no Estado? De onde
veio esse aumento?
JG - Os casos aumentaram de 37 mil para 51 mil, na última estatística
do Paraná. É o quarto, quase chegando ao terceiro lugar do País,
o Rio de Janeiro, que tem 54 mil casos. Foi muito preocupante quando chegaram
as estatísticas. E os números são muito maiores do que
isso. Não só os nossos, mas de todos os outros estados, pela
falta de comunicação do acidente de trabalho. O aumento veio
de segmentos, como o da madeira, desde a extração até a
transformação, a construção civil, a indústria
metal-mecânica e o hospitalar.
O Estado - O que está sendo
feito para reverter a situação?
JG - Temos um projeto de boas práticas de saúde e segurança
do trabalho, que traz para o diálogo trabalhadores e empregadores. Temos
a ação repressiva e a educativa. Incentivamos as empresas a aderirem,
as avaliamos durante um ano, e as certificamos. É um objetivo a médio
e longo prazo. E tem outra realidade, agora: o adicional previdenciário
modifica conforme os índices acidentários. E a Previdência
está entrando com mais ações regressivas contra as empresas.
Isso está fazendo com que elas comecem a ter outros olhos em relação
a isso.
O Estado - Como o senhor
vê as perspectivas do emprego no Paraná e no Brasil, em
um futuro próximo?
JG - Tenho uma visão otimista, embora tenha havido essa demissão
de 900 funcionários na Bosch. O nosso país está voltando
a ter um crescimento adequado à sua realidade. Agora, tudo que está voltado
ao mercado internacional vai refletir a realidade econômica de lá.
Mesmo assim, haverá um ganho na nossa geração de emprego
formal. A perspectiva é chegarmos ao final do ano com 1 milhão
de novos empregos no País.
O Estado - E como vê a
flexibilização das relações de trabalho?
JG - Lá fora, a visão é de flexibilizar. Não é a
visão que temos no Brasil, por ora. A nossa é combater o trabalho
degradante, o infantil. Não podemos flexibilizar, porque ainda temos
muitas relações de trabalho irregulares. Lá fora, eles
vão ter que mudar. Mas nossa realidade não é essa. Não
temos hoje um trabalhador que ganha o mesmo que o de lá. Nossos trabalhadores
não viajam como os da Europa, pelo mundo inteiro. As realidades são
muito distintas.
O Estado - Os acordos
de redução de jornada com diminuição de
salários podem ser vistos como tendências em direção à flexibilização,
ou são coisas pontuais?
JG - Com certeza são uma forma de flexibilização.
Em alguns estados, como São Paulo, onde as convenções
são mais avançadas, encontramos exemplos. Mas hoje, o que mais
está se discutindo são as cláusulas sociais, como cesta
básica, creche para crianças, e outras. São cláusulas
que têm repercussão econômica e que podem vir a ser rediscutidas.
No Paraná, o que tem se discutido muito e eu fui convocado algumas vezes
pelo setor industrial para discussões é o salário mínimo
regional.
O Estado - Qual é a
questão?
JG - Eles demonstraram o prejuízo. Mas o MTE não tem
o que opinar nesse sentido. É uma realidade que o setor tem que aceitar.
Havendo convenção coletiva o que impera é a convenção,
e não havendo, o que impera é o salário mínimo
regional. Não podemos discutir o que o governo fez. Isso tem que ser
discutido antecipadamente, e não depois que a lei foi aprovada.
O Estado - Demissões
em massa, como da Bosch, podem gerar punição à empresa?
JG - Não. O MTE só lastima, porque é uma mão-de-obra
qualificada. Mas não existe dispositivo legal nenhum que aponte uma
punição. O que o ministro [Lupi] tem deixado muito claro, e que
nós concordamos, é que não vemos com bons olhos nenhuma
empresa - não é o caso da Bosch - que busque benefício
público e, ao mesmo tempo, deixe de gerar empregos. Essa é a ótica
singela que a gente tem trabalhado. É o mesmo no trabalho degradante.
Uma empresa pega com trabalho degradante é impossibilitada de tomar
qualquer empréstimo público.
O Estado - Recentemente,
alguns blogs anunciaram que o senhor estaria de saída da SRTE-PR.
A notícia é verdadeira?
JG - Estou em
um processo de tratamento de saúde. Então, se meu médico
falar que tenho que sair, vou sair. Mas não tenho intenção
nenhuma de sair, nem ninguém de me tirar.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
22/06/2009
Declaração de pobreza não
precisa de formalismos, diz TST
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho concedeu o benefício da justiça gratuita
a empregado que fez declaração de pobreza sem constar a
expressão “sob as penas da lei”. Por unanimidade,
os ministros aceitaram o recurso de revista do trabalhador e reformaram
decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(SP), que havia negado o benefício.
A discussão desse assunto
na Justiça do Trabalho começou depois que um ex-empregado
da Ultrafértil S.A., demitido sem justa causa, requereu correção
monetária dos planos econômicos Verão (janeiro/1989)
e Collor I (abril/1990) sobre a multa de 40% do FGTS depositada pela
empresa. O ex-ajudante de operador afirmou que o Supremo Tribunal Federal
reconheceu o direito à reposição desses expurgos
inflacionários no ano de 2000 e, portanto, tinha direito a receber
as diferenças pedidas. Como o empregado foi dispensado em novembro
de 1992, a empresa sustentou, entre outros pontos, que o direito estava
prescrito, já que a lei complementar que trata da matéria
(LC nº 110) é de 30/06/2001, e o trabalhador só entrou
com a ação na justiça em 24/09/2003, ou seja, mais
de dois anos depois da entrada em vigor da lei.
Na 5ª Vara do Trabalho de
Cubatão (SP), a empresa foi condenada a pagar ao empregado as
correções inflacionárias dos planos econômicos,
porque a prescrição teria ocorrido somente após
cinco anos da publicação da lei complementar. Já o
Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP) considerou
que o direito de fato estava prescrito. Só que, além disso,
o Regional também indeferiu o benefício da justiça
gratuita ao empregado, com a justificativa de que a declaração
de pobreza assinada por ele seria deficiente, porque não trazia
a expressão “sob as penas da lei”, o que impediria
que o declarante ficasse sujeito às sanções legais
em caso de se comprovar a falsidade da declaração.
No TST, o empregado não
rebateu mais a questão da prescrição, mas sim o
seu direito à justiça gratuita. Afirmou que a concessão
do benefício não estava condicionada à utilização
de “palavras sacramentais”, do contrário haveria desrespeito à Constituição,
que garante assistência jurídica integral e gratuita, patrocinada
pelo Estado, aos que comprovarem insuficiência de recursos (artigo
5º, inciso LXXIV). Também destacou que as leis que tratam
da obtenção dos benefícios da assistência
judiciária (Leis nº 1.060/50 e nº 10.537/2002) não
exigem esse formalismo exagerado, incompatível com a natureza
da demanda trabalhista.
O relator do processo, juiz convocado Douglas Alencar Rodrigues, explicou que
a discussão, no caso, era saber se é necessário, na declaração
de pobreza, constar a expressão “sob as penas da lei”. Ele
lembrou que é facultado aos órgãos julgadores conceder
o benefício da justiça gratuita àqueles que declararem
que não estão em condições de pagar as custas processuais
sem prejuízo do próprio sustento ou da família (artigo
790, parágrafo 3º, da CLT). Além do mais, segundo a jurisprudência
do TST, basta a simples afirmação do declarante (ou advogado)
para se aceitar como verdadeira a situação econômica de
hipossuficiência (falta de recursos financeiros) e conquistar a justiça
gratuita (Orientação Jurisprudencial nº 304 da SDI-1).
Para o juiz, portanto, o uso
da expressão “sob as penas da lei” na declaração
de pobreza do empregado era dispensável e não deveria impedir
a concessão do benefício da justiça gratuita. Na
mesma linha de entendimento, seguiram os demais ministros da Terceira
Turma do TST, reformando a decisão do TRT paulista que havia negado
o benefício. ( RR 924/2003-255-02-00.0)
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22/06/2009
Auxiliar de enfermagem não consegue
equiparação a enfermeiro
A Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho reformou decisão regional que concedia equiparação
salarial entre auxiliar de enfermagem e enfermeiro, ao aceitar recurso
do Hospital e Pronto Socorro Comunitário de Vila Iolanda Ltda.
O trabalhador foi contratado como atendente de enfermagem em fevereiro
de 1990 e dispensado em outubro de 1997. A Turma aplicou, por analogia,
a jurisprudência do TST que proíbe a equiparação
entre atendentes de enfermagem e auxiliares de enfermagem, que têm
de ser habilitados por Conselhos Regionais de Enfermagem.
O atendente relatou que, no período
em que trabalhou no hospital, exerceu as mesmas atividades de um enfermeiro.
Ao ingressar com ação trabalhista em 1998, requereu equiparação
alegando afronta ao princípio da igualdade salarial, estabelecido
no artigo 461 da CLT, e as diferenças salariais mensais decorrentes,
como reflexos em 13º salário, férias, aviso prévio
e multa de FGTS.
A decisão da primeira
instância foi a favor da equiparação, pois o trabalhador
comprovou a identidade de funções por meio de testemunha,
e o hospital havia não mostrado o contrário. Insatisfeita
com a sentença, a empresa recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região (SP), sustentando impossibilidade na legislação
e nos fatos para que o trabalhador exercesse a função de
enfermeiro. O hospital observou que o empregado fora admitido como atendente
de enfermagem e, após curso técnico, foi promovido a auxiliar
de enfermagem. Outro ponto levantado pela empresa foi o fato de que a
Lei nº 7.498/86 proíbe o exercício da enfermagem por
pessoas que não possuam diploma de nível superior conferido
por instituição de ensino.
O Regional manteve a sentença,
por entender que o fato de o empregado não possuir curso superior
não impediria a aplicação do artigo 461 da CLT,
que determina igualdade salarial para funções equivalentes.
Inconformado, o hospital recorreu ao TST. Diante do caso, o relator do
recurso, ministro Lelio Bentes Corrêa, aplicou analogicamente a
Orientação Jurisprudencial nº 296 da Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-I), que proíbe
a equiparação salarial entre atendente de enfermagem e
auxiliar de enfermagem. A Primeira Turma, por unanimidade, seguiu o voto
e excluiu da condenação as diferenças da igualdade
salarial. “Afastada a isonomia entre o técnico e o auxiliar
de enfermagem – que, para o desempenho de suas atividades encontra-se
submetido à exigência de curso técnico-profissionalizante
-, com maior razão deve-se rechaçar a equiparação
entre auxiliar de enfermagem e enfermeiro, para o qual a lei exige curso
superior”, disse o voto. (RR-74387/2003-900-02-00.4)
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22/06/2009
LER: bancário obrigado a fazer
hora extra receberá R$ 100 mil
A exigência de que um empregado
prestasse habitualmente serviço em horário extraordinário,
aliada à não-observância de normas de medicina e
segurança do trabalho, resultou em condenação a
uma indenização de R$ 100 mil. Esse é o valor que
o Banco ABN AMRO Real S.A. terá que pagar a um gerente operacional
de agência em Recife (PE), afastado do trabalho por sofrer lesão
por esforço repetitivo – LER. Em agravo de instrumento ao
Tribunal Superior do Trabalho, o banco pretendia obter a redução
da indenização, mas a Sétima Turma rejeitou o apelo
patronal e negou provimento ao agravo.
O gerente trabalhou para o banco
por mais de 25 anos. Segundo afirmou, em dias normais sua jornada de
trabalho era das 7h30 às 20h, com intervalo de até 30 minutos
para almoço. Nos dias de maior movimento - entre os dias 25 de
um mês ao dia 10 do mês seguinte -, a jornada em média
ia até as 21h, com o mesmo intervalo. Ele não era submetido
a controle de ponto, mas apresentou testemunha que confirmou a informação
e disse não haver flexibilidade na jornada do gerente geral de
serviços (antigo gerente operacional). Ao contrário, a
testemunha da empresa não soube elucidar nada a respeito.
A partir de setembro de 1994,
o bancário passou a receber o benefício previdenciário,
após vários laudos periciais, inclusive do INSS, que atestaram
a a doença. Ele ajuizou, então, ação em que
pedia indenização por danos morais pela doença profissional,
entre outros pedidos, como horas extras. A 17ª Vara do Trabalho
de Recife (PE) estipulou a indenização em R$ 100 mil.
Trabalhador e empresa recorreram
da sentença. Enquanto o trabalhador buscou a majoração
da indenização para R$ 500 mil, conforme pedido inicial,
o banco queria a redução para um valor entre 10 e 20 salários
mínimos, sob a alegação de que o juízo de
primeira instância “fugiu aos princípios da razoabilidade
e proporcionalidade, fixando montante que representa enriquecimento sem
causa do autor”.
O Tribunal Regional do Trabalho
da 6ª Região (PE) manteve a sentença. Considerando
que a incapacidade para o trabalho tem reflexos de ordem psicológica,
o Regional entendeu que o valor era razoável. O Regional concluiu
que o banco “deixou de observar as normas sobre medicina e segurança
do trabalho e de propiciar ao trabalhador condições adequadas”,
chegando a exigir a prestação rotineira de horas extras.
Com o recurso de revista
barrado pelo TRT, a empresa interpôs agravo de instrumento ao
TST. Para o ministro Ives Gandra Martins Filho, relator do apelo, o
Regional demonstrou a culpa do empregador, e não havia, no acórdão
regional, a violação às disposições
legais e constitucionais alegadas pelo banco. (AIRR –2427/2006-017-06-40.0)
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