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Agência Câmara,
27 de junho de 2009
Projeto determina fidelidade
partidária para presidente e senadores
A Câmara analisa o Projeto de Lei Complementar 455/09, do deputado
Osmar Serraglio (PMDB-PR), que estende a fidelidade partidária
para agentes políticos eleitos pelo sistema majoritário,
como é o caso do presidente da República e dos senadores.
A proposta, que sistematiza o processo eleitoral e altera
normas eleitorais, proíbe ainda a coligação
em qualquer nível nas eleições proporcionais. "O
objetivo é, basicamente, adotar ritos processuais ágeis
e seguros para os processos eleitorais não-criminais
e trazer solução para impasses que hoje só são
resolvidos pela jurisprudência", disse Serraglio.
Fidelidade partidária
Em 2007 o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já havia definido
que os mandatos obtidos em eleições proporcionais, em
que se escolhem deputados e vereadores, seriam dos partidos. Por isso,
em caso de desligamento do parlamentar da legenda, seu mandato seria
transferido para o suplente.
O infiel só seria mantido no cargo, segundo a nova
jurisprudência do TSE, se comprovasse que sofria perseguição
política no partido ou que a agremiação
se desviara de seu programa estatutário.
De acordo com o projeto, além destas, haverá outras
hipóteses de que o político que trocar de partido
poderá manter o mandato:
- incorporação ou fusão
do partido político;
- criação de novo partido político;
- desvio reiterado do programa ou do estatuto partidário;
- discriminação pessoal por preconceito de origem, raça,
sexo, cor, idade ou qualquer outra forma;
- preterição, humilhação ou ofensa pessoal;
- grave descrédito, desabono ou desprestígio; e
- imputação infundada de qualquer crime ou infração
extrapenal.
Se o cargo do prefeito, do governador ou do presidente da
República for retomado pelo partido por causa de infidelidade,
assumirá o vice ou o sucessor legal, conforme as atuais
regras. No caso dos senadores, a vaga será ocupada
pelos suplentes ou, sucessivamente, pelos candidatos mais
votados nas eleições vencidas pelo infiel.
Infrações e punições
O réu condenado definitivamente em ação de impugnação
de pedido de registro de candidatura, ou em ação por
corrupção ou abuso eleitoral, terá o registro
ou o diploma indeferido ou cassado, ficará inelegível
por oito anos, e os votos que receber serão cancelados.
O projeto prevê, porém, que o tribunal eleitoral
poderá suspender a posse em liminar ou determinar
o afastamento de réu que já foi condenado em
duas instâncias em processo de cassação
de registo ou de diploma em uma mesma eleição.
Se a ação se iniciar diretamente no tribunal,
a decisão liminar dos desembargadores ou ministros
terá que ser unânime.
O réu, em regra, poderá continuar em campanha
eleitoral até decisão definitiva contra o registro
de sua candidatura, norma que já é aplicada
pelos tribunais, embora não prevista em lei. Outro
ponto importante é que a proposta determina que as
condições de elegibilidade e as causas de inelegibilidade
verificadas antes da posse serão desconsideradas se
não persistirem nesta ocasião.
Nos termos da proposta, atos de corrupção
eleitoral são, entre outros, a captação
de recursos financeiros para campanhas de fontes ilegais
e a compra de voto. Já os abusos eleitorais incluem,
por exemplo, o abuso do poder econômico e o abuso do
poder político.
As multas a que estarão sujeitos os que praticarem
as infrações descritas no projeto podem variar
entre R$ 2 mil e R$ 50 mil, valores que a Justiça
Eleitoral poderá quadruplicar em caso de reincidência.
O projeto prevê punições até mesmo
para o Ministério Público Eleitoral. A sentença
definitiva que considerar temerária a ação
proposta ou que a parte incorreu em litigância de má-fé imporá ao
responsável multa de no mínimo R$ 25 mil.
Tramitação
O projeto será analisado pela Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania e, em seguida, pelo Plenário,
onde terá de ser aprovado em dois turnos pela maioria absoluta
dos deputados.
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Agência Câmara,
27 de junho de 2009
Trabalhador rural poderá ser
incluído na Lei do Trabalho Temporário
Proposta permite a renovação do contrato
por três meses e assegura ao trabalhador temporário
rural os mesmos direitos do profissional urbano, como férias
proporcionais.
A Câmara analisa o Projeto de Lei 4939/09, do deputado
Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES), que aplica a Lei do
Trabalho Temporário (6.019/74) aos trabalhadores
rurais. Atualmente, a legislação aplica-se
apenas ao trabalho temporário nas empresas urbanas.
A proposta de Lucas define a empresa de trabalho temporário
como a firma urbana ou rural que coloque à disposição
de outras empresas ou de empregador rural profissionais
por ela assistidos.
O parlamentar lembra que a legislação em
vigor foi editada em 1974. "Naquela época havia
um movimento constante e fomentado pelo Estado onde a mão-de-obra
do campo migrava para a cidade. No entanto, atualmente,
isso não mais corresponde à realidade do
mercado de trabalho pois a terceirização é um
fenômeno que não mais se limita ao âmbito
urbano."
O projeto também substitui a expressão "trabalhadores
devidamente qualificados" - usada pela legislação
atual - por "capacitados e identificados". "Acrescentamos
o termo 'identificados', para garantir um maior controle,
facilitando a fiscalização", explica
o parlamentar.
Prazo
A proposta altera ainda o prazo de vigência desse contratos.
Hoje, o prazo máximo do contrato temporário é de
três meses. O projeto inova ao permitir a ampliação
por mais três meses por meio de acordo ou convenção
coletiva da categoria.
O texto ainda assegura ao trabalhador temporário
rural os mesmos direitos do profissional urbano, como jornada
de 8 horas e férias proporcionais. A ressalva diz
respeito ao adicional por trabalho noturno, quando deverão
ser respeitadas as diferenças entre trabalhadores
urbanos e rurais.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado
pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento
e Desenvolvimento Rural; de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; e de Constituição e
Justiça e de Cidadania.
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Agência Diap, 27
de junho de 2009
Crise mundial reanima
agenda do trabalho decente em nível federal
Maurício Hashizume,
no Repórter Brasil
Passados seis anos do primeiro memorando de entendimento
assinado entre o governo federal e a Organização
Internacional do Trabalho (OIT), ações coordenadas
de promoção do trabalho decente no Brasil
começam finalmente a ganhar forma.
O primeiro compromisso, firmado em junho de 2003 pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo diretor-geral
da OIT, Juan Somavia, delineava um programa especial de
cooperação técnica, destacava a centralidade
de determinadas políticas públicas e previa
a criação de um comitê executivo responsável
pela execução das propostas.
Somente no último dia 4 de junho, o decreto que
cria o Comitê Executivo Interministerial, previsto
no memorando de 2003, foi publicado. Fazem parte do grupo
18 ministérios (incluindo cinco Secretarias Especiais)
- inclusive o da Fazenda e a Secretaria-Geral, confirmadas
pelo ato presidencial.
Representantes do governo federal, do setor patronal e
dos trabalhadores têm mantido encontros para negociar
responsabilidades e metas finais do Plano Nacional de Trabalho
Decente (PNTD), que buscará efetivar a Agenda Nacional
do Trabalho Decente, consolidada ainda em 2006.
As três prioridades eleitas pela articulação
tripartite apareceram na Declaração da Delegação
Brasileira presente à 98ª Conferência
Internacional do Trabalho, divulgada em Genebra, na Suíça,
em 15 de junho: gerar mais e melhores empregos, com igualdade
de oportunidades e de tratamento; erradicar o trabalho
escravo e o trabalho infantil, especialmente nas suas piores
formas; e fortalecer o diálogo social como instrumento
de governabilidade democrática.
A ameaça aos postos de trabalho, agravada pela
crise internacional, explica em grande medida esse "reaquecimento" da
agenda do trabalho decente.
"No atual momento, marcado pelos impactos da crise
econômica internacional sobre as economias e os mercados
de trabalho de todos os países, o Presidente Luiz
Inácio Lula da Silva e o Diretor Geral Juan Somavia
concordam que a promoção do emprego de qualidade
para homens e mulheres, a extensão da proteção
social, o respeito aos princípios e direitos fundamentais
do trabalho e o diálogo social, no marco do Programa
de Trabalho Decente da OIT, constituem um conjunto eficaz
de políticas para responder à crise econômica
atual", coloca a declaração assinada
pelas autoridades, também divulgada no bojo da 98ª Conferência,
que comemorou os 90 anos da OIT.
Nos anexos da mesma declaração conjunta,
há uma previsão de que o PNTD seja apresentado à sociedade
em 180 dias. Por ora, 12 resultados já foram pactuados.
Uma dessas resoluções diz respeito a investimentos
públicos e privados, incluindo estímulos
fiscais, a alguns setores estratégicos (intensivos
em mão-de-obra e ligados ao desenvolvimento sustentável)
com o intuito de "gerar mais e melhores empregos".
Empreendimentos para a melhoria e conservação
da qualidade ambiental, micro e pequenas empresas, iniciativas
de economia solidária e agricultura familiar estão
entre os setores escolhidos.
No tocante ao combate à escravidão contemporânea
e o trabalho infantil, o PNTD reforça a necessidade
de implementar, monitorar e avaliar o 2º Plano Nacional
de Erradicação do Trabalho Escravo, assim
como o cumprimento de outros dois planos nacionais (de
Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, e de Enfrentamento à Violência
Sexual contra Crianças e Adolescentes).
Iniciativa singular no mundo, o Plano Nacional de Trabalho
Decente assumirá metas e prazos para dois marcos:
2011, quando se encerra o Plano Plurianual (2008-2011),
e 2015, ano-referência da Agenda Hemisférica
do Trabalho Decente nas Américas (que também
define metas mais genéricas para 23 países
da região).
Estão sendo estudadas, por exemplo, a fixação
de porcentagens para o aumento de investimentos na geração
de empregos - 20% para 2011 e 50% para 2015, bem como formas
de contabilizar o cálculo relativo do volume de
investimentos para empregos efetivamente gerados.
Empregos verdes
O PNTD fez parte da apresentação da representante da
OIT no Brasil, Janine Berg, durante a Conferência Internacional
Ethos 2009, realizada na semana passada na capital paulista. Mesmo
antes da crise, advertiu Janine, os trabalhadores já sofriam
com o "desemprego estrutural". Ela lembrou, porém,
que a estimativa mais pessimista prevê o desaparecimento de até 50
milhões de empregos em função da crise econômica.
Preocupada com esse quadro temeroso, a OIT lançou
o Pacto Mundial pelo Emprego, que enfatiza a necessidade
de proteção dos postos de trabalho e foi
apoiado substancialmente pelo governo brasileiro em Genebra.
De acordo com levantamentos preliminares, apenas 9,2%
do valor total dos pacotes de socorro financeiro emergencial
tratam diretamente da assistência direta aos trabalhadores
desempregados e tão somente 1,8% se refere à criação
direta de empregos. "A crise não pode ser desculpa
para enfraquecer os direitos dos trabalhadores", completou
Janine Berg.
A redução da jornada (que pode facilitar
a ampliação de vagas) e as políticas
de seguro-desemprego também foram defendidas pela
representante da OIT. Estudos mostraram que o Produto Interno
Bruto (PIB) do Estados Unidos seria 15% menor se não
fosse o seguro-desemprego, instrumento relevante para que
o país pudesse enfrentar as cinco recessões
ocorridas de 1969 a 1993. Além da desaceleração
econômica, mais de 130 mil postos se perderiam não
fosse a proteção social. O Brasil é um
dos cinco países da América Latina que mantém
políticas de seguro-desemprego.
Janine reforçou ainda, com um outro exemplo dos
EUA, a importância dos chamados "empregos verdes" (green
jobs) - conectados a setores, padrões e cadeias
ambientalmente mais sustentáveis.
Durante o New Deal (1933-1942) - plano de intervenção
estatal para recuperação econômica
após a quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929 e
o consequente período, a partir de 1930, conhecido
como Grande Depressão - o governo norte-americano
apostou no Corpo de Conservação Civil, que
mobilizou recursos e pessoas em grande escala para a construção
de áreas verdes, para a consolidação
de unidades de conservação ambiental em diferentes
níveis e para o combate à erosão.
Lançado em setembro do ano passado, o relatório
mundial da OIT e do Programa das Nações Unidas
para o Meio Ambiente (Pnuma) sobre os "empregos verdes" destaca,
por exemplo, o alcance e o potencial dos catadores e de
projetos de reciclagem de lixo urbano no Brasil.
Momento de reflexão
Para Artur Henrique da Silva Santos, presidente nacional da Central Única
dos Trabalhadores (CUT) que também esteve na mesa sobre trabalho
decente da Conferência Ethos 2009, a crise proporcionou um "momento
de reflexão", que trouxe questões novas e recolocou
temas antigos em discussão.
Nesse sentido, ele interpretou a crise como "oportunidade" para
superar dogmas (como a de que "o mercado vai resolver
tudo") e para repensar os modelos de produção
e consumo. "Digo isso inclusive para os meus colegas
metalúrgicos: não dá para continuar
produzindo 3,5 milhões de carros por ano",
declarou o presidente da maior central sindical com atuação
no país.
Os impactos econômicos, ambientais e sociais das
atividades econômicas não podem mais ser menosprezados,
analisa Artur. O dirigente sindical enfatizou que o diálogo
social entre governo, empregadores e empregados é essencial
não só para manter os postos de trabalho
já existentes, mas para criar novos empregos que
causem menos impactos.
A responsabilidade social empresarial era vista com desconfiança
pelos sindicatos, admitiu Artur. O tema era entendido como "problema
interno", como pura ação de marketing
para promoção comercial ou como meio politicamente
correto de confundir e desmobilizar o trabalho das lideranças.
Hoje, garantiu o presidente da CUT, a questão se
tornou um instrumento de ação sindical. Segundo
ele, a relação da empresa com a sociedade
como um todo é um ponto-chave e deve ser entendido
de modo amplo. "Quando estava tudo bem com a economia
e havia mais espaço para esses temas, muitos se
disseram interessados com a responsabilidade social empresarial.
Agora, com a crise, vamos ver quem realmente está comprometido".
Houve empresas, denunciou o sindicalista, que vinham muito
bem nos últimos anos e aproveitaram a crise para
fazer ajustes estruturais e, logo no primeiro momento,
demitiram sumariamente trabalhadores. Até por conta
de casos como esses, Artur defendeu mudanças na
legislação - como a adesão à Convenção
158 da OIT, referente a demissões imotivadas.
Em 2008, 16,5 milhões de pessoas foram contratadas
e 15,2 milhões, demitidas. O saldo anual (1,3 milhão
de novos postos de trabalho) não deixa de ser significativo,
mas a taxa de rotatividade no Brasil atinge níveis
altíssimos: 62% dos demitidos em 2008 tinham menos
de um ano de serviço.
"O Estado não existe apenas para salvar bancos
e empresas", criticou Artur. Ele propôs o acerto
de "contrapartidas" sociais (como garantia de
empregos de qualidade e adoção de padrões
mais sustentáveis) para operações
com recursos públicos como os financiamentos concedidos
pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES).
Na opinião do presidente da CUT, o momento é importante
para debater inclusive a própria atuação
do movimento sindical.
Ele sugeriu medidas no sentido da descentralização
- como o reconhecimento das comissões de fábricas,
para aproximar ainda mais o movimento com a base, intensificar
a fiscalização, a transparência e o
controle social - com vistas a diminuir o volume do passivo
trabalhista. São 2,3 milhões de processos
na Justiça do Trabalho, cerca de 80% relativos à jornada
de trabalho e às horas extras.
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Em Questão, 27 de
junho de 2009
Programas sociais retiraram
14 milhões de pessoas da extrema pobreza
A ampliação do Bolsa Família para mais 1,3 milhão
de beneficiários até outubro e a contribuição
dos programas sociais para a redução da pobreza no Brasil
foi um dos temas abordados pelo ministro Patrus Ananias, do Ministério
do Desenvolvimentos Social (MDS) durante entrevista ao Bom Dia Ministro,
na manhã desta quinta-feira (25). O programa é produzido
e coordenado pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República
e transmitido ao vivo, via satélite, para emissoras de todo o
País. Leia abaixo os principais trechos.
Recadastramento - "Temos um processo permanente
de controle do Bolsa Família, com ação integrada
com as prefeituras. Utilizamos o cadastro único, cada
vez mais eficaz e transparente. O que há de novo agora
nesse processo do recadastramento é que o presidente Lula
assinou um decreto, que está sendo regulamentado. Em dois
anos, os beneficiários devem ser recadastrados. Assim,
além de termos maior controle do Programa, aperfeiçoando
cada vez mais os mecanismos de fiscalização, de
acompanhamento das famílias beneficiárias, pretendemos
também dar um tempo para que elas possam buscar emprego,
fazer cursos de capacitação sem ter a preocupação
de perder o benefício, por dois anos. Ao final deste período,
avaliaremos se aquela família rompeu as barreiras da pobreza
e conseguiu um trabalho estável. Aí, vamos avaliar à luz
da lei se a família deverá ou não ser desligada
do Programa."
Classe média - "Quatorze milhões
de pessoas, desde 2003, saíram da pobreza extrema para melhores
e mais dignas condições de vida. A classe média
no Brasil está crescendo. Temos, agora, o que os pesquisadores
chamam de uma classe média nova, emergente. É importante
lembrar sempre a presença do Bolsa Família na economia
porque as pessoas pobres recebendo dinheiro estão comprando
e isso tem um impacto positivo nas economias locais, regionais, no
comércio. O dono da vendinha, de repente, é dono de um
supermercado. A indústria também se desenvolve, e isso
gera empregos, estimula a economia. As pesquisas agora estão
mostrando que nossos programas sociais estão tendo um impacto
altamente positivo contra a crise. Os pobres estão comprando."
Outros programas - "O Bolsa Família
não é um programa isolado. Está inserido numa
grande rede nacional de proteção e promoção
social. Por exemplo: temos o programa de atenção integral
as famílias, que se materializa através dos Centros de
Referências da Assistência Social (Creas), com mais de
quatro mil equipamentos implantados nas comunidades mais pobres. Os
Creas têm assistentes sociais e psicólogos. Além
de desenvolver um trabalho de acolhimento das famílias, desenvolve
também atividades de alfabetização, de inclusão
produtiva, de conhecimentos técnicos de informática,
de tecnologia, geração de trabalho, apoio ao cooperativismo,
formação de empreendedores. Temos parcerias com várias
universidades que desenvolvem projetos de incubadoras de pequenas empresas
com as famílias do Bolsa Família. Com nossos programas
de segurança alimentar e nutricional, estamos implantando restaurantes
populares, cozinhas comunitárias que atendem também as
famílias vinculadas ao Bolsa Família. Temos o programa
de cisternas, captação d’água da chuva na
região do semi-árido, garantindo água potável
ao lado das casas de famílias que moram na roça em pequenas
comunidades. Integramos também outras ações do
governo, como, por exemplo, o Programa Luz para Todos, que é fundamental
para o desenvolvimento das famílias e das comunidades mais carentes."
Qualificação profissional - "A
qualificação e políticas de geração
de trabalho, emprego e renda é o que chamamos políticas
e ações emancipatórias, que possibilitam que as
famílias atendidas ganhem cada vez mais sua autonomia e possam
caminhar com suas próprias pernas. Estamos desenvolvendo planos
setoriais de qualificação do Bolsa Família. O
Bolsa Família PAC está capacitando beneficiários
para as oportunidades de trabalho e emprego que estão surgindo
em todo Brasil com as obras do Programa de Aceleração
do Crescimento. Nossa meta numa ação integrada com o
Ministério do Trabalho e Emprego, com a coordenação
também da Casa Civil e a participação dos empresários, é qualificar
185 mil beneficiários para as oportunidades de emprego e trabalho
das obras de construção civil e de infraestrutura do
PAC. Também estamos desenvolvendo o Planseq (Plano Setorial
de Qualificação) Bolsa Família Turismo, qualificando
beneficiários do Programa para as oportunidades de trabalho
e emprego que estão surgindo no País com o desenvolvimento
do turismo. O Bolsa Família não acomoda. Pelo contrário.
Estimula as pessoas a progredirem na vida. O que acomoda as pessoas é a
fome e a desnutrição, que inclusive matam."
Porta de saída – "Primeiro, não
concordo que os programas sejam assistencialistas. O que tínhamos
de assistencialismo estamos superando hoje, virando a página
do clientelismo, dos pobres de cada um, do ‘quem indica’.
As pessoas entram e saem dos nossos programas, especialmente do Bolsa
Família, segundo critérios legais e objetivos. Não é o
ministro nem presidente que decidem. É a lei. Não discriminamos
ninguém. Pesquisas mostram também que é muito
importante o impacto altamente positivo nas economias locais e regionais
de nossos programas, especialmente o Bolsa Família. Mas também
dos recursos repassados à agricultura familiar. O benefício
de prestação continuada que assegura um salário
mínimo às pessoas idosas, com mais de 65 anos, e as pessoas
com deficiência incapacitadas para o trabalho e que sejam pobres.
Esses programas têm tido impacto positivo porque os pobres estão
entrando também no mercado de consumo. Estamos criando no Brasil
um grande mercado popular de consumo. Os pobres estão comprando.
Eles não guardam dinheiro. Eles compram e com isso vêm
estimulando o comércio, a indústria, nas mais variadas
regiões do Brasil e também gerando empregos."
Condicionalidades – "O Bolsa Família,
além de assegurar o direito à alimentação,
trabalha também com condicionalidades. Estamos acompanhando
se as famílias mantêm crianças e adolescentes nas
escolas e têm os cuidados básicos com a saúde.
Sabemos que uma família sem renda ou com uma renda muito baixa,
aquém de suas necessidades, corre sério risco de se desconstituir.
E aí, as crianças não vão para a escola
como nós queremos. Vão para a rua, com conseqüências
previsíveis. Estamos com o Bolsa Família e com a nossa
rede de proteção e promoção social preservando
valores familiares, garantindo direito à família. Da
mesma forma que estamos agora também, é importante dizer
isso, investindo com muita firmeza nos programas de capacitação
profissional, de qualificação. Queremos que cada pessoa
possa ganhar sua vida, com seu trabalho. Ele é um bem, um valor
fundamental para a pessoa, para a família e para a comunidade.
Sabemos também que a fome não pode esperar. Enquanto
a pessoa não consegue um trabalho ou melhore as condições
de vida, ela tem o apoio do Estado. Isso acontece com todo o mundo
e em todos os países mais adiantados do ponto de vista social."
Critérios - "O Bolsa Família
trabalha em dois níveis: famílias muito pobres, que são
aquelas famílias que têm renda mensal por pessoa de até R$
69,00 e que recebem o benefício fixo independente do número
de crianças; e famílias pobres, que são aquelas
que têm uma renda mensal por pessoa de até R$ 137,00.
Essas famílias recebem o benefício variável, relacionado
com a presença das crianças e adolescentes na escola.
Então, nossa meta, com a participação também
da sociedade, de ação integrada com as prefeituras, é garantir
o benefício para quem estiver dentro dos critérios da
lei, aperfeiçoar o Programa, integrando com programas de capacitação,
de qualificação profissional, visando assegurar a essas
famílias a sua autonomia e a sua independência econômico-financeira."
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Agência Brasil, 27
de junho de 2009
Dieese: 96% das negociações
salariais repuseram perdas
De 100 negociações salariais ocorridas nos primeiros cinco
meses do ano, 96% asseguraram a recomposição das perdas
ocorridas ao longo de 2009. No ano passado, o percentual foi de 89%.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (26) pelo Departamento Intersindical
de Estatísticas e Estudos Sócioeconômicos (Dieese).
As negociações que tiveram reajuste menor
do que o INPC (Índice Nacional de Preços
ao Consumidor), medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística), passaram de 11% em
2008 para 4% em 2009. Já as negociações
que garantiram reajuste acima do índice passaram
de 77% para 78%.
Entre os setores, a indústria apresentou 83%,
ante os 86% do ano passado, dos reajustes acima da inflação,
11% igual ao INPC contra os 8% do ano passado. Na indústria,
os reajustes que só recompuseram as perdas da inflação
subiram de 28% para 58%.
No setor de serviços, as categorias que tiveram
perdas salariais passaram de 14% para 4%, as que tiveram
aumento passaram de 71% para 78% e os reajustes iguais à inflação
passaram de 14%, em 2008, para 18% em 2009.
Segundo o coordenador de Relações Sindicais
do Dieese, José Silvestre, a inflação
mais baixa ajuda a obter os reajustes mesmo que eles sejam
mais baixos do que seriam com a inflação
mais alta.
“ O resultado das negociações está influenciado
pela inflação e não pela crise econômica
global, já que os ajustes nesse sentido se deram
muito mais via emprego de que pelo salário. Muitas
empresas demitiram antecipadamente em função
da crise e quem permaneceu empregado teve o reajuste igual
ou superior à inflação”, disse.
A expectativa, de acordo com Silvestre, são as
negociações que ainda devem ocorrer ainda
no primeiro semestre e que, no segundo, elas sejam melhores,
porque há sinais de que o pior momento da crise
já tenha passado. “Já há expectativa
de que o Produto Interno Bruto [PIB] do país cresça
mesmo que não o suficiente para anular o que foi
negativo no primeiro semestre. E há também
expectativa de que a economia volte a crescer em 2010.”
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Congresso em Foco, 27 de
junho de 2009
Lula diz que, se oposição
vencer, pode voltar em 2014
O presidente Lula afirmou que, se a oposição
vencer as eleições em 2010, pode ser candidato
na disputa seguinte, em 2014. Com a popularidade em alta,
o petista nega a hipótese de concorrer a um terceiro
mandato no ano que vem caso uma emenda constitucional lhe
permita isso. Em vez disso, apóia a ministra da Casa
Civil, Dilma Rousseff, para concorrer contra os tucanos,
que devem escolher José Serra ou Aécio Neves
como seus candidatos.
“Se for um adversário que ganhar a eleição,
aí sim pode estar previsto em 2014 eu voltar”,
afirmou Lula, em entrevista publicada nesta sexta-feira
(26) pelo jornal Zero Hora. “Depende. Ficar aqui é muito
difícil. Acho que governar é fácil.
Cuidar dos pobres é a coisa mais extraordinária
do mundo. Custa barato cuidar dos pobres, muito barato.”
Porém, Lula garantiu que trabalha para eleger Dilma
no ano que vem e, se possível, reelegê-la
em 2014. “Ora, qual é o meu papel? É trabalhar
para que ela faça o máximo possível",
afirmou ele ao jornal gaúcho. "E ela tem o
direito de querer ser candidata à reeleição.
Se eu não tiver essa consciência de que ela
tem de fazer mais e fazer melhor, fazer o governo dela
sem tutela e patrulhamento de ninguém, sem saudosismos,
você tira a possibilidade de uma grande mulher fazer
um grande governo neste país.”
O presidente afirmou que, no ano que vem o PT tem que
fazer concessões nos estados para garantir uma aliança
com outros partidos, como PMDB, PDT, PTB e PCdoB. “Não
temos o direito de não fazer sacrifício e
permitir que o desejo pessoal de alguém prevaleça
sobre os interesses coletivos de um partido, seja estadual
ou nacional.”
Para Lula, seria importante ter o PMDB como vice de Dilma,
devido ao tamanho do partido. Entretanto, ele ressaltou
que é necessário também que o vice
tenha afinidade ideológica com o PT.
O presidente afirmou que os ministros que deixarem o cargo
para assumir as campanhas eleitorais serão substituídos
pelos secretários-executivos. Lula não negou
nem confirmou que irá colocar o ex-ministro da Fazenda
Antônio Palocci no lugar de Dilma quando ela sair
candidata. “Eu não posso discutir agora o
que vou fazer. Mas não pretendo colocar nenhum ministro
novo.”
“Denuncismo desvairado”
O presidente condenou a cobertura da imprensa sobre a
crise no Senado, seu governo e a Petrobrás. Reclamou
que os jornais preferem destacar o emprego irregular de
parentes de senadores a valorizar o aumento dos empregos
em todo o país.
Para ele, há um “denuncismo desvairado” na
imprensa. Lula disse temer que a disputa política
sobre a CPI da Petrobrás atrapalhe os negócios
da empresa. O presidente defendeu uma investigação
feita pelo Ministério Público e Tribunal
de Contas da União.
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Folha de S.Paulo, 27 de
junho de 2009
Redução
atual de IPI valerá por mais 3 meses
A partir de outubro, imposto
sobre veículos vai subir gradualmente; benefício
para eletrodomésticos também terá prazo
ampliado
Governo convidou empresas e sindicalistas
para anunciar, na segunda-feira, pacote de ajuda a setores
afetados pela crise, como o de máquinas
ADRIANO CEOLIN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu
prorrogar a redução de impostos na compra
de carros para os próximos três meses. Em
outubro, porém, o imposto subirá gradualmente,
retornando aos percentuais originais no fim do ano. O governo
prepara cerimônia no Palácio do Itamaraty
na segunda-feira para anunciar novas medidas de estímulo
a setores afetados pela crise. Empresários, entidades
de classe e sindicatos estão sendo chamados a Brasília.
No evento, será anunciada também a prorrogação
do prazo de redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)
dos eletrodomésticos. No caso dos veículos, os benefícios
se estenderão a caminhões. Além disso, será divulgado
um pacote de ajuda ao setor de máquinas e equipamentos.
Essa será a terceira prorrogação do benefício
fiscal que o governo deu em janeiro para a compra de automóveis.
Originalmente, a redução no imposto deveria ter acabado
em março. Foi prorrogada até junho e agora até,
ao menos, setembro. O impacto da crise econômica, que fez a produção
de veículos cair no fim do ano passado, foi a principal justificativa
para as medidas. Com a queda no IPI, a indústria conseguiu recuperar
as vendas a níveis anteriores à crise econômica,
o que explica as sucessivas prorrogações adotadas pelo
governo.
Em maio, foram fabricados 270 mil veículos -6,7% a mais do que
em abril e 7,7% a menos do que no mesmo mês de 2008. A produção
acumulada entre janeiro e maio ainda está 14,2% abaixo da comparação
com o mesmo período do ano passado, mas vem se recuperando.
Nos primeiros cinco meses do ano, a redução no IPI custou
quase R$ 1,8 bilhão ao governo. A nova prorrogação
deverá custar R$ 1 bilhão a menos nos cofres públicos
no segundo semestre. Já a desoneração dos eletrodomésticos,
que começou a valer em abril, custou R$ 30 milhões em
maio, segundo dados da Receita Federal.
O corte nos impostos sobre automóveis foi maior para os veículos
com motor até 1.0, para os quais a alíquota caiu de 7%
para zero. No caso dos automóveis mais potentes, o corte na
tributação foi de 50%. O benefício fiscal aos
eletrodomésticos contribuiu para elevar em 20% as vendas do
setor em maio em relação a abril, segundo a associação
do setor. O governo fez cortes diferenciados de imposto no caso da
linha branca. Fogões tiveram o IPI zerado, já as geladeiras
tiveram redução de 15% para 5%.
Colaboraram LEANDRA PERES e VALDO
CRUZ, da Sucursal de Brasília
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Folha de S.Paulo, 27 de
junho de 2009
Crise limita ganho real
em reajuste salarial
Aumentos nos acordos negociados
até maio se concentram na faixa de até 0,5%
acima do INPC, ante intervalo de 1% a 1,5% em 2008
Nos 5 primeiros meses deste ano, 96%
das negociações conseguiram zerar as perdas
com a inflação ou ter reajuste maior; em
2008, foram 89%
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
A instabilidade econômica causada pela crise internacional
não afetou os reajustes nos salários de trabalhadores
que negociaram acordos entre janeiro e maio deste ano.
Mas teve impacto no "tamanho" do ganho real conquistado.
Entre os acordos salariais que obtiveram ganhos acima da inflação,
o aumento se concentrou na faixa até 0,5% acima do INPC -o índice
mais usado pelos sindicatos para correção dos salários.
No ano passado, os aumentos estavam no intervalo de 1% a 1,5% acima
do INPC.
Os resultados são apontados em estudo do Dieese ao comparar
o desempenho de cem negociações firmadas de janeiro a
maio deste ano com as feitas em igual período de 2008. O número
de trabalhadores da mostra não foi informado.
Nos cinco primeiros meses deste ano, 96% das negociações
conseguiram zerar as perdas com a inflação ou ter reajuste
maior. Em 2008, foram 89%.
" O ajuste das empresas em resposta à crise ocorreu pela demissão,
principalmente no setor industrial, e não pelos reajustes", diz José Silvestre
de Oliveira, coordenador de relações sindicais do Dieese. Somente
entre novembro de 2008 a janeiro foram fechados no país 797,5 mil empregos,
segundo o Ministério do Trabalho. Apesar de o mercado de trabalho ter
reagido, as 282 mil vagas criadas de fevereiro a maio foram insuficientes para
repor os empregos eliminados.
" Quem sobreviveu às demissões conseguiu repor as perdas nos
salários porque a inflação se manteve em queda durante o
ano e em patamar menor do que em 2008, o que facilita as negociações",
diz Silvestre de Oliveira. O INPC acumulado nos últimos 12 meses encerrados
em dezembro chegou a 7,20%. No acumulado de janeiro a maio deste ano, 5,83%.
O setor industrial, o mais atingido pela crise, foi o único
em que a proporção de acordos com reajustes acima da
inflação recuou: passou de 86% em 2008 para 83% neste
ano. Neste ano, 11% conseguiram zerar a inflação e 5,6%
tiveram reajustes inferiores ao INPC.
Metalúrgicos da Paraíba e químicos de São
Gonçalo e região (RJ) são categorias que não
conseguiram, por exemplo, recuperar as perdas. Já os operários
da construção civil de São Paulo negociaram reajuste
escalonado por faixa salarial.
Os aumentos reais neste ano também foram mais contidos na indústria.
Um em cada três acordos firmados teve ganho real de até 0,5%
acima da inflação. Em 2008, um terço das negociações
teve ganho entre 1,01% e 1,5% superior ao INPC.
Medidas como a redução do IPI para o setor automotivo
e para produtos da linha branca (geladeira, fogão) contribuíram
não só para que a indústria se recuperasse mas
também para o desempenho positivo das negociações
salariais no comércio e no setor de prestação
de serviços, segundo economistas.
A tendência para o próximo semestre é de melhoria
nas negociações e nos aumentos reais. "Campanhas
salariais serão antecipadas e negociadas por setor de forma
conjunta entre as centrais", diz João Carlos Gonçalves,
da Força Sindical. As centrais defendem jornada de 40 horas
semanais e proibição de demissões imotivadas para
proteger o emprego e poder concentrar as negociações
na melhoria dos salários, diz Ricardo Patah, da UGT.
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Folha de S.Paulo, 27 de junho
de 2009
Novo cálculo "reduz" déficit
habitacional
Metodologia adotada por ministério
aponta agora necessidade de construção de 6,3
milhões de moradias; antes, seriam 7,3 milhões
Principal mudança está na contabilização
de membros de famílias que moram no mesmo domicílio por
opção; especialista elogia mudança
ANTÔNIO GOIS, DA SUCURSAL DO RIO
NATÁLIA PAIVA, COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O Ministério das Cidades divulgou ontem, para especialistas
em São Paulo, sua nova metodologia de cálculo do déficit
habitacional, que reduziu de 7,3 milhões para 6,3 milhões
o número estimado de moradias a serem construídas para
eliminar as habitações precárias ou aquelas divididas
(devido a dificuldades financeiras) por duas ou mais famílias.
A principal mudança no cálculo, feito pela Fundação
João Pinheiro, é a exclusão de famílias que
coabitam no mesmo domicílio por opção, e não
por necessidade. Isso só foi possível porque, em 2007,
o IBGE incluiu em sua Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios)
uma pergunta sobre a vontade ou não dessas famílias de
terem outra residência. Inês Magalhães, secretária
Nacional de Habitação, diz que com a pergunta foi possível
identificar que 40% das famílias que coabitavam o faziam por opção.
O novo número, considerado mais preciso por especialistas, não
pode ser comparado às séries históricas antigas.
Em 2006, a estimativa do déficit, segundo a metodologia de antes,
era de 7,9 milhões. Considerando a mesma forma de cálculo,
a redução em 2007 foi de cerca de 600 mil domicílios.
O primeiro recuo significativo do déficit em 15 anos ocorreu devido
ao crescimento da economia e à melhora na renda.
Entre 2006 e 2007, o componente do déficit que ganhou mais expressividade
foi o que mede a quantidade de domicílios cujo aluguel compromete
mais de 30% da renda da família: foi de 23,52% para 32,16%.
Se, por um lado, a alta se deve à nova metodologia, por outro
ela revela "um estrangulamento das formas tradicionais de acesso à terra" -como
ocupação e compra de lote irregular- e a "expansão
do mercado de aluguel", afirma Adauto Cardoso, do Instituto de Pesquisa
e Planejamento Urbano da UFRJ. "Não dá mais para expandir
a favela via ocupação de novas áreas; para entrar, é comprando
ou alugando quarto."
Nabil Bonduki, urbanista da USP, diz que o dado indica a necessidade
de uma política habitacional específica para o segmento. "A
mera produção de unidades novas não o impacta. É preciso
que a renda dele caiba no custo da moradia. Uma forma seria uma espécie
de Bolsa Aluguel; outra, um programa de financiamento para quem paga
aluguel, subsídio para aquisição do usado."
Para Bonduki, a nova metodologia de cálculo do déficit
traz o número para "mais próximo da realidade" e,
para aperfeiçoá-la, sugere que o número de famílias
que vivem em coabitação seja cruzado com o nível
de adensamento do domicílio (muitas pessoas dividindo um mesmo
cômodo).
A situação de uma jovem que acaba de ter um filho e decide
continuar morando com os pais é vista pelo IBGE como coabitação,
por exemplo. Para José Eustáquio Alves, demógrafo
do IBGE, a nova metodologia retrata mais fielmente a real necessidade
habitacional do país, mas, ainda assim, o número de famílias
que necessitam de outro domicílio pode continuar superestimado.
" Duas gerações podem estar convivendo na mesma casa sem graves
problemas, mas, se chega alguém do IBGE e pergunta se gostariam de outra
casa, muitos dizem que sim." Ele lembra que qualquer política habitacional
não pode ignorar o fato de que muitos domicílios vagos poderiam
ser usados para abrigar as famílias que compõem o déficit.
Se, em 2006, eram 6,6 milhões vagos, em 2007 foram 7,05 milhões.
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Folha de S.Paulo, 27 de
junho de 2009
Previdência mira informais
a partir de julho
Programa do Empreendedor Individual é destinado
a quem tem faturamento de até R$ 36 mil por ano
TATIANA RESENDE
DA REDAÇÃO
Com a ambiciosa meta de formalizar 11 milhões de
trabalhadores, dos quais 1 milhão já no primeiro
ano, o Ministério da Previdência Social concentra
esforços a partir de quarta-feira para conquistar
a contribuição de quem tem faturamento anual
de até R$ 36 mil.
Camelôs, manicures, barbeiros e costureiras são alguns
dos profissionais que poderão conseguir cobertura previdenciária
pagando R$ 57,15 por mês, além de ter acesso a linhas
de crédito com juros menores e cursos de qualificação.
Os autônomos que hoje pagam R$ 93 e se enquadrarem nas novas
regras poderão migrar para o programa, mas não poderão
se aposentar por tempo de contribuição. A formalização
será possível com a criação da figura jurídica
do empreendedor individual e a inclusão no Simples Nacional.
Os chamados contribuintes individuais, que incluem os autônomos,
somavam 5,4 milhões em 2007, último dado disponível,
representando apenas 15% do total.
No acumulado do ano até maio, a Previdência registrou
déficit de R$ 18,1 bilhões, sendo R$ 15,5 bilhões
devido à área rural. Segundo o ministro José Pimentel
(Previdência), o objetivo não é aumentar a arrecadação,
e sim assegurar a cobertura previdenciária para mais trabalhadores. "O
que eles vão contribuir não será suficiente para
garantir a cobertura integral do benefício", diz. Se a
economia crescer 3% em 2010, calcula, a previdência urbana voltará a
ser superavitária, o que ocorreu pela última vez em 1985.
Como destaca Luís Eduardo Afonso, professor da FEA-USP, uma
política de inclusão como essa pode apresentar "efeitos
distintos" sobre as contas da Previdência ao longo do tempo. "Em
um primeiro momento, as contribuições devem registrar
aumento, ainda que não tão expressivo. À medida
que os anos passem, os novos contribuintes vão começar
a se aposentar, o que implicará mais despesas, ainda que não
sejam tão altas."
Desconfiança
Para o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, responsável
pelo indicador da FGV (Fundação Getulio Vargas) que mede
a economia subterrânea no país, o ritmo de adesões
pode ficar prejudicado pela desconfiança dos trabalhadores informais. "É um
conjunto de fatores que os fazem operar dessa forma", afirma,
citando a burocracia e o medo de que o novo programa seja apenas uma "isca" do
governo para descobrir outras ilegalidades.
No ano passado, o crescimento da economia informal foi 27% maior do
que o medido pelo PIB no comparativo com 2007. "A economia subterrânea
não foi tão afetada pela crise porque não depende
da concessão de crédito", afirma.
Na opinião do presidente do Sebrae (Serviço Brasileiro
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Paulo Okamotto, é preciso "inverter
a equação". "Temos de construir um ambiente
em que seja mais vantajoso ser formal." A partir da próxima
semana, o Sebrae iniciará uma campanha de conscientização
do público-alvo do empreendedor individual, indo às ruas
explicar as vantagens do programa para ganhar sua confiança. "Muitas
dessas pessoas que hoje estão na informalidade já foram
perseguidas."
Maria das Graças e Silva, 48, é uma delas. Divorciada
e com uma filha para sustentar, virou camelô desde que os clientes
sumiram do mercado de decoração de flores com o agravamento
da crise, no fim do ano passado. Ela conta que tem o ensino médio
completo, mas não trabalhou mais do que sete anos com carteira
assinada, único período em que contribuiu para o INSS.
Para garantir renda mensal de R$ 1.000, menos da metade do que conseguia
antes, tem se aventurado como ambulante na região da 25 de Março,
em São Paulo, correndo o risco de ter a mercadoria apreendida.
Mais do que garantir o direito à aposentadoria por idade, sua
motivação para procurar informações sobre
o novo programa é muito mais imediatista: se ficar doente, ter
como pagar as contas no fim do mês.
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Folha de S.Paulo, 27 de
junho de 2009
Pagamento do PIS termina nesta
terça
Abono de R$ 465 ainda não
foi recebido por 527 mil pessoas no país, sendo 56,7
mil no Estado de SP
DA REPORTAGEM LOCAL
Termina na próxima terça-feira, dia 30 deste
mês, o prazo para os saques do abono e dos rendimentos
do PIS (Programa de Integração Social) referentes
ao exercício de 2008/2009. No dia 16 deste mês
-último balanço divulgado pela Caixa Econômica
Federal-, cerca de 527 mil trabalhadores em todo o país
ainda não tinham sacado o abono, no valor de R$
465 (equivalente a um salário mínimo). Até aquela
data, a Caixa já havia liberado mais de R$ 5,17
bilhões para 12,7 milhões de trabalhadores
em todo o país.
Segundo o balanço da Caixa, 56,7 mil trabalhadores ainda não
sacaram o abono no Estado de São Paulo, no valor de R$ 26,3
milhões. No Estado, a Caixa já pagou R$ 1,24 bilhão
para 3,068 milhões de pessoas. Têm direito ao abono quem
se cadastrou no PIS até 2003 e trabalhou pelo menos 30 dias,
consecutivos ou não, em 2007 com carteira assinada por empresa
contribuinte do PIS.
Além disso, é preciso que a pessoa tenha recebido, em
média, até dois salários mínimos mensais
e ter os dados informados corretamente pela empresa na Rais do exercício
de 2008 (ano-base de 2007). Os empregados domésticos não
têm direito ao abono.
Se o abono não for sacado, o dinheiro será devolvido
ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Nesse caso, o trabalhador
não poderá receber o benefício em outra ocasião.
Rendimentos
Tem direito ao saque anual dos rendimentos o trabalhador cadastrado
no PIS até 4 de outubro de 1988 e que tenha saldo em sua conta.
Diferentemente do abono, o benefício não sacado é incorporado
ao saldo da conta do trabalhador. Assim, ele poderá sacá-lo
quando começarem os pagamentos referentes ao exercício
de 2009/10.
Há trabalhadores que também podem sacar o saldo total
do PIS. Mas isso só é possível nos casos de aposentadoria,
invalidez permanente, reforma militar, transferência para a reserva
remunerada, Aids ou câncer do titular ou de seus dependentes,
morte do titular, benefício assistencial à pessoa portadora
de deficiência e ao idoso e participante com idade igual ou superior
a 70 anos.
Dúvidas são esclarecidas pelo telefone 0800-726-0101
ou no site www.caixa.gov.br.
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Gazeta do Povo, 27 de junho
de 2009
Relatório do BC
Dívida consome
35% da renda do brasileiro
Apesar de o crédito
ser importante para a economia, o consumo descompassado pode
gerar bolhas. Dados atuais mostram que é preciso cuidar
para que não surja um “mar de endividados” no
país
O consumidor brasileiro já compromete 34,8% da
sua renda anual com dívidas, de acordo com cálculos
divulgados ontem pelo Banco Central. Há dois anos,
o valor médio dos empréstimos contraídos
correspondia a 26,7% da renda das famílias. A pesquisa
do BC retrata a situação das famílias
em março, mas os indicadores mais recentes mostram
uma tendência de piora desse quadro. De um lado,
maio mostrou a quarta queda consecutiva na renda média
do brasileiro, segundo o IBGE, baseado nas seis principais
regiões metropolitanas brasileiras. Ao mesmo tempo,
a taxa de desemprego se mantém relativamente alta – 8,9%,
a segunda pior da série histórica em um mês
de maio – e o número de criação
de empregos (0,2%) não acompanha o de desocupados,
que cresceu 13% no período, maior índice
desde agosto de 2006.
Do outro lado, o consumo do varejo já se recuperou
do tropeço sofrido em dezembro, com o estouro da
crise e das demissões, e, graças à recuperação
do crédito e à baixa de juros, retomou um
ciclo positivo de vendas. No acumulado dos quatro primeiros
meses do ano, as taxas do varejo se estabeleceram em 4,5%
para o volume de vendas e em 10,6% para a receita nominal.
Algumas grandes redes varejistas, como Colombo e Ponto
Frio, anunciam atualmente um faturamento entre 20% e 30%
superior ao do ano passado.
Taxa mais cara
Cartão é entrada
para insolvência
Todos os especialistas de finanças pessoais orientam
para que as pessoas tomem bastante cuidado com o uso de
cartões de crédito. Porém nem sempre
recorrer a um empréstimo para quitar a dívida é uma
boa ideia: os juros médios das financeiras, por
exemplo, conseguem ser ainda mais altos do que os do cartão:
11,16% contra 10,60%, segundo a Anefac. Portanto, só vale
quitar uma dívida se conseguir oferta com uma taxa
menor. A aposentada Maria Norimar, de 54 anos, se mostrou
preocupada em como sair das dívidas que acumulou
no cartão de crédito. Após realizar
o pagamento mínimo durante seis meses, ela viu sua
dívida crescer de forma insustentável.
Para sair do sufoco, fez um empréstimo pessoal na financeira
Cacique, mas o alívio não durou muito. Ontem à tarde,
ela recorreu à Fininvest para tentar um novo financiamento. “Estou
tentando pegar mais um empréstimo, mas o rapaz [da financeira]
diz que já atingi minha margem consignável”, lamentou.
A estudante Isadora Andrade, de 24 anos, também se diz vítima
da oferta ampla de crédito. Com renda mensal de R$ 1,2 mil,
ela aceitou a oferta de dois cartões de crédito quando
fez compras na loja C&A, que trabalha com o banco Ibi. Somados,
os cartões lhe deram crédito superior à renda – e
em alguns meses sua dívida somava R$ 2,5 mil, o que rendeu ficha
no Serasa. “Admito que usei demais o crédito, mas mesmo
depois de negociar a dívida os juros continuaram muito altos”,
diz.
“ Na prática, o que se enxerga é que
a sociedade brasileira está se encaminhando para
um superendividamento”, diz o presidente do Instituto
Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações
de Consumo (Ibedec), José Geraldo Tardin. Para ele,
os dados do Banco Central somados ao aumento dos índices
de inadimplência mostram um sinal de alerta para
os consumidores que frequentemente parcelam suas dívidas
e comprometem demais sua renda em médio prazo.
Segundo Tardin, o perigo está na falta de educação
financeira do consumidor para lidar com os tempos atuais
da economia.
“Há cerca de quatro anos, os bancos mudaram
sua estratégia de propaganda – antes eram
voltadas basicamente para a credibilidade e a solidez da
instituição, hoje são excessivamente
mercantilistas, literalmente vendendo seus produtos”,
diz. Uma decorrência disso é a facilitação
de consumo descompassado com a renda, que em casos mais
graves pode gerar “insolvência”, ou seja,
sem solução. Tardin diz que seu escritório
já atendeu um trabalhador com renda de R$ 2,4 mil,
que após um período de consumo descontrolado
já está devendo dinheiro para 16 financeiras,
acumulando um passivo de aproximadamente R$ 40 mil.
O professor da Sustentare Escola de Negócios Otto
Nogami lembra que o aumento do endividamento das famílias
não é decorrente da crise, e sim do período
mais dinâmico que a economia viveu nos últimos
anos. “Como o brasileiro herdou uma característica
muito consumista, típica do norte-americano, até o
ano passado ele aproveitou as facilidades do crédito
para comprar em parcelas e comprometendo a renda futura”,
diz.
Como essa mesma renda está encolhendo com a crise,
ele avalia que existe a tendência de aumentar a inadimplência
e, em um passo seguinte, de redução da demanda – o
que ameaçaria a estratégia do governo federal
em combater a crise por meio do fomento ao consumo. “Certamente é um
problema bastante dinâmico. Ao estimular o consumo
nessas condições, o governo pode estar criando
problemas futuros”, avalia Nogami.
Paradigma
Já o economista do Dieese, Cid Cordeiro, alerta
que é importante diferenciar o descontrole do orçamento
familiar da oferta de crédito. “Países
de economia desenvolvida como Estados Unidos e outros europeus
têm nível de endividamento da renda superior
a 120%”, diz, lembrando que concessão de crédito é importante
ao desenvolvimento de uma nação. “Um
dos grandes desafios do Brasil foi baixar a sua inflação,
e outra está sendo a redução dos juros – e
o crédito consignado não é um vilão,
ele tem um papel importante na redução do
preço dos juros ao consumidor. Ampliar o crédito é diferente
de ampliar o consumo descontrolado: não é porque
há promoção de arroz que você precisa
entupir a despensa com arroz”, exemplifica.
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Gazeta do Povo, 27 de junho
de 2009
Trabalho
Taxa de desemprego deve
subir e atingir pico de 9,8% em julho, diz BC
Entretanto, deve recuar
depois e fechar ano em 7,6%, acrescenta. Média de
2009 deve ficar em 8,8%, acima dos 7,9% do ano passado
A taxa de desemprego, medida pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), que somou 8,8%
em maio deste ano, deve avançar para o pico de
9,8% em julho de 2009, segundo projeções
divulgadas nesta sexta-feira (26) pelo diretor de Política
Econômica do Banco Central, Mário Mesquita.
Entretanto, segundo o diretor, a taxa de desemprego
deve recuar no segundo semestre deste ano, fechando 2009
em 7,6% - acima dos 6,8% registrados em dezembro de 2008,
o menor da história.
"O pico [de 9,8% projetado para julho] é inferior
a taxas observadas em anos anteriores. O desemprego sobe
até meados de cada ano e depois tende a declinar",
avaliou Mesquita. Na média de 2009, a expectativa
do BC é que a taxa de desemprego fique em 8,8%,
acima dos 7,9% registrados em 2008, mas abaixo dos 9,3%
verificados em 2007.
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Gazeta do Povo, 27 de junho
de 2009
Produção
Indústria do
PR cresceu 21% entre 2003 e 2007
Estado detém o quarto maior PIB
do setor no país, atrás de São Paulo, Minas Gerais
e Rio de Janeiro. Alimentos, petróleo e automóveis são
os maiores segmentos
A indústria paranaense registrou um ciclo de expansão
na produção e no emprego acima da média nacional
entre os anos de 2003 e 2007. A Pesquisa Industrial Anual, divulgada
ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
mostra que o Paraná registrou nestes cinco anos um aumento de
21,4% no número de novas empresas instaladas no estado. No mesmo
período, a média de crescimento da indústria nacional
foi de 17,9%. Já o total de trabalhadores ocupados no setor
cresceu 28% no Paraná, frente a evolução de 23,7%
no cenário nacional.
De acordo com o estudo, a indústria gerou 127.548 vagas no
Paraná, número que corresponde a 9,1% do total de empregos
criados pelo setor em todo o Brasil no período. Já o
valor de transformação industrial, índice que
mostra as riquezas produzidas pelo setor, saltou de R$ 27,6 bilhões
para R$ 44,8 bilhões no Paraná, com crescimento de 62%
em cinco anos. Este índice coloca o estado na quarta posição
do ranking nacional do PIB industrial das unidades da federação.
lJá a média de trabalhadores ocupados na indústria
paranaense passou de 34 para 36 empregados por empresa. O resultado
nacional aponta para um crescimento médio de 43 para 44 pessoas.
A pesquisa indica que, em 2007, a atividade industrial mais importante
no Paraná foi o segmento de alimentos e bebidas, com participação
de 20,6% na formação da riqueza industrial e por cerca
de 25% do total dos empregos industriais no estado.
Logo em seguida aparecem os setores de refino de petróleo e
produção de álcool com participação
de 20,4% e utilização de apenas 2,3% da mão de
obra, seguido pela indústria de veículos automotores,
que detinha a fatia de 12,6% na produção paranaense utilizando
6,1% do pessoal ocupado.
“Em termos setoriais, o segmento que mais ganhou nas diversas
variáveis foi a indústria de alimentos. Isso foi impulsionado,
em grande parte, pelos subsetores de abate e processamento de carnes
e de refino de açúcar, atividades então influenciadas
pela acentuada demanda do mercado externo”, explica o economista
do IBGE e coordenador da pesquisa, André Macedo.
Para o coordenador do departamento econômico da Federação
das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher,
a expansão desses setores tiveram relação com
a chamada “vocação natural” do estado. “A
estrutura produtiva paranaense favorece a indústria de alimentos
e atrai esse tipo de investimento. E os números do setor industrial
têm uma correlação importante com o resultado da
produção agrícola e, consequentemente, com o resultado
do PIB estadual”, avalia Zurcher.
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