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O ESTADO DO PARANÁ,
29 de junho de 2009 | Economia
Países já gastaram
5% do PIB para enfrentar crise
Agência Estado
O mundo já gastou 5% do seu PIB para enfrentar a pior crise nos últimos
60 anos. Mas as autoridades alertam: os pacotes de recuperação
não estão dando resultados esperados, não se sabe quando
a recuperação ocorrerá e governos estão sendo lentos
na reforma do sistema bancário. Nove meses depois da eclosão
da crise, os mesmos reguladores que deveriam ter fiscalizado o mercado continuam
perplexos e reconhecem que não entendem como é que o sistema
financeiro que "parecia perfeito" entrou em colapso.
Esses são alguns dos
resultados do relatório anual do Banco de Compensações
Internacionais (BIS), que amanhã conclui sua assembleia anual
com todos os BCs do mundo, apelando para que o trabalho de corrigir as
falhas no sistema seja acelerado. O BIS quer que governos e bancos centrais
deem sinais claros de que estão comprometidos com essa reforma.
Seu recado é claro: os pacotes de resgate estão mal elaborados,
incrementam os riscos, os governos estão demorando para limpar
os bancos e não existe ainda uma estratégia de saída.
A mensagem do BIS é de
que nada adianta trilhões de dólares para manter a economia
em funcionamento se o sistema financeiro não for reformado. "A
habilidade dos pacotes de gerar uma recuperação sustentável é ainda
uma questão aberta", diz o BIS. "As ações
políticas tem sido insuficientes em restaurar a saúde
do sistema bancário", alerta.
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O ESTADO DO PARANÁ,
29 de junho de 2009 | Economia
Crise econômica afeta os mais
ricos e classe C já reage
Agência Estado
A crise econômica global atingiu em cheio o bolso dos brasileiros mais
ricos. De janeiro a abril deste ano, a renda média (individual) das
pessoas das classes A e B nas seis principais regiões metropolitanas
caiu 8,7% em termos reais (descontada a inflação), ante igual
período de 2008, de R$ 2.637 para R$ 2.407. Em 2008, a renda das classes
A e B já havia caído 7,01% ante 2007. Na visão do economista
Marcelo Neri, que calculou esses números, a queda em 2008 deve ter sido
influenciada pelos meses após a crise global, iniciada em setembro do
ano passado.
A boa notícia, nesse
levantamento feito por Neri, que chefia o Centro de Política Social
(CPS) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é que
a classe C, muito atingida em janeiro, se recuperou. Um estudo anterior
de Neri mostrava que, apenas em janeiro, a classe C tinha perdido para
as classes D e E 11% de todo o seu crescimento em tamanho no governo
Lula.
Os novos números fazem
parte de um estudo de natureza diferente, que revela o salário
médio por classe, e não o tamanho de cada uma. O cálculo
do novo estudo também toma por base a Pesquisa Mensal de Emprego
(PME) nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro,
Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e Recife.
O trabalho mostra que a
renda média das pessoas de classe C cresceu 3,9% de janeiro
a abril deste ano, comparada com os mesmos meses de 2008, subindo de
R$ 625 para R$ 649. Em 2008, já havia aumentado 6,12%. Coerentemente
com esse resultado, a classe C já representava, na última
semana de abril, 53,6% da população das seis regiões
metropolitanas, após ter caído de 53,81% para 52,64%
apenas em janeiro.As classes A e B correspondiam a 13,3% da população
metropolitana na última semana de abril.
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O GLOBO, 29 de junho de 2009
| Economia
Governo anuncia novas medidas de estímulo
hoje
BRASÍLIA - O governo vai aproveitar o evento marcado para hoje com os
setores de bens de capital (indústria de máquinas e equipamentos
e a de bens de capital para infraestrutura) para confirmar a prorrogação
da desoneração do IPI para automóveis, produtos da linha
branca e construção civil, cuja desoneração terminaria
em 30 de junho.
O Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI) incidente sobre os carros será mantido no patamar atual
por mais três meses. Em outubro, a alíquota será elevada
gradativamente até dezembro. O impacto para o governo será de
cerca de R$ 2 bilhões no segundo semestre, no que se refere aos
carros. O governo também anunciará a prorrogação
por três meses da menor tributação para a linha branca
e itens ligados à construção civil.
A Associação Brasileira
da Indústria de Máquinas (Abimaq) e a Associação
Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) estão
confirmadas no evento marcado para às 11h30 de hoje, descrito
na agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como " cerimônia
de anúncio de medidas de estímulo à economia " .
Para estes setores, as medidas são concentradas na redução
das taxas de juros e no aumento dos prazo para financiamentos.
As presenças dos representantes
das montadoras (Jackson Schneider, presidente da Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos-Anfavea), linha branca (Lourival
Kiçula, presidente da Associação Nacional de Fabricantes
de Produtos Eletroeletrônicos-Eletros) e construção
civil (Melvyn Fox, presidente da Associação Brasileira
da Indústria de Materiais de Construção-Abramat)
são esperadas, mas não foram confirmadas.
(Valor Econômico)
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O Outro Lado da Notícia,
29 de junho de 2009
Trabalhadores com mais estudo lideram
perda de renda, revela IBGE
Os trabalhadores com mais anos
de estudos tiveram em maio uma perda de rendimento acima da média
da população ocupada brasileira.
Uma queda maior tanto em valor
quanto em termos percentuais, mostra a Pesquisa Mensal de Emprego (PME)
divulgada na última quinta-feira (26) pelo IBGE.
Segundo Cimar Azeredo, gerente
da pesquisa mensal de emprego do IBGE, o rendimento das pessoas ocupadas
com, pelo menos, o ensino médio completo caiu 1,5% frente a abril,
um recuo R$ 1.781,22 para R$ 1.753,80.
Essa redução foi
acima do estimado pelo IBGE para a população ocupada como
um todo.
O rendimento médio real
dos trabalhadores recuou 1,1% em maio na comparação a abril,
para R$ 1.311,70, mostram os dados.
Uma queda maior do rendimento
também ocorreu para a população ocupada com o ensino
fundamental completo. O rendimento médio desse trabalhador caiu
1,2% em maio, de R$ 779,17 para R$ 769,70.
"Os trabalhadores dos grupos
de intermediação financeira e de serviços para empresas
apresentaram uma queda maior do rendimento. São setores que tiveram
maiores perdas com a crise e que não têm mais como sustentar
pessoas com salários muito elevados", avalia o economista.
Já o rendimento da população
ocupada com apenas os primeiros anos do ensino fundamental completos
aumentou em maio: 0,8%.
O rendimento passou de R$ 683,12
em abril para R$ 688,60 no mês passado.
Por grupamento, os trabalhadores
com carteira de trabalho assinada perceberam uma baixa de 0,2% no rendimento,
para R$ 1.260,10. Já a renda dos empregados sem carteira de trabalho
assinada subiu 5,5%, para R$ 883,90.
A renda dos conta própria
ficou quase estável: -0,1%, em R$ 1.094,40.
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O ESTADO DO PARANÁ, 29 de junho de 2009
| Economia
Reciclagem reduz custo de obra em até 35%
Newton Almeida
Daniel Caron

Quase tudo que já foi usado em uma construção pode ser
usado de novo.
O reaproveitamento de materiais de construção pode significar
uma economia de até 35% em reformas ou novas construções.
Segundo profissionais de arquitetura, o uso de materiais e equipamentos reaproveitáveis
pode representar custos menores inclusive na decoração dos ambientes.
Um exemplo de que é possível
aliar a economia da reutilização de materiais alternativos à decoração
de alto nível está no espaço da Churrasqueira, na
exposição Casa Cor Paraná 2009.
A arquiteta Jucy Passalacqua,
uma das responsáveis pelo espaço, conta que a cobertura
de vidro, que eventualmente pode passar despercebida para quem visita
o ambiente, é resultado de sobras de vidraçarias. Já a
bela bancada, decorada com peças de requinte, foi revestida com
pastilhas que restaram de outra obra.
“Se a ideia é economizar,
além de usar muita criatividade, a melhor opção é procurar
materiais alternativos”, afirma Jucy. Segundo ela, é possível
encontrar materiais de qualidade em locais, muitas vezes considerados
como lojas de segunda linha. “Existem cemitérios de vidros
e azulejos, onde existem materiais que permitem uma decoração
diferenciada”, afirma.
Segundo Jucy, o valor pago pelos
vidros usados na composição do ambiente foi 30% menor do
que custaria se o material fosse encomendado. “Também abrimos
mão do granito e do mármore para aproveitarmos as pastilhas
que sobraram de outra reforma. Nesse caso, sequer houve custos”,
conta.
Jucy explica que, ao contrário
de uma obra convencional, existe a necessidade de adaptar os espaços
aos materiais disponíveis. “No espaço da Churrasqueira,
especificamente, foi preciso fechar uma parede para adaptar o encaixe
dos vidros.” Mesmo assim, a arquiteta conta que o custo da obra
significou uma economia de 30% a 35% em relação ao que
se pagaria com materiais novos.
Materiais
Se a alta decoração
se adapta à possibilidade do reaproveitamento de elementos da
construção, há também quem se especialize
no comércio de materiais alternativos, como é o caso do
empresário Henrique Rodbard.
Há três anos, ele
presta serviços de demolição. Neste tempo, Rodbard
também passou a renegociar os produtos de habitações
demolidas que poderiam ser reutilizados.
Rodbard conta que oferece descontos
para o cliente, quando existem materiais que podem ser renegociados. “Em
alguns casos chegamos até a pagar pelo material, se ele agregar
uma boa qualidade”, afirma.
O empresário conta que
revende desde telhas até tijolos maciços. “Temos
materiais que são vendidos por metade do preço, mas com
a mesma qualidade de produtos novos.”
Rodbard usa uma porta de madeira
maciça como exemplo. “É muito difícil achar
para comprar um material resistente como esse. Nesse caso, o preço é um
pouco mais caro em relação a uma porta comum, mas quem
conhece sabe que vale a pena”, conta.
Serviço:
A Casa Cor Paraná 2009
está aberta para visitação no Asilo São
Vicente (Rua Barão dos Campos Gerais, 970 - Juvevê. Curitiba-PR),
das 13h às 21h (terça a sábado), e das 11h às
19h (domingo).
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Folha de S.Paulo, 29 de junho
de 2009
Lula decide manter meta de inflação
em 4,5% para 2011
Presidente quer aliviar pressão no
BC para elevar taxa de juros em ano de eleição | Equipe
econômica via condições técnicas para
reduzir meta de inflação para 4%, mas o BC poderia
ter de elevar juro em 2010
KENNEDY ALENCAR
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Para aliviar a pressão
sobre o Banco Central no ano eleitoral de 2010, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva decidiu fixar em 4,5% a meta de inflação
para 2011. Segundo apurou a Folha, Lula deseja evitar eventual alta dos
juros no último ano de governo, quando tentará eleger a
ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), como sucessora.
Tecnicamente, o Banco Central e o Ministério da Fazenda julgavam que
havia condição de reduzir a meta de inflação anual
para 4%, sempre segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor
Amplo). O IPCA é o indicador oficial do sistema de metas de inflação.
Mas Lula avaliou que a redução poderia obrigar o BC a ter mais
rigor na política monetária justamente no ano eleitoral. Trocando
em miúdos: subir os juros básicos da economia (Selic) em 2010
para obter uma inflação menor em 2011.
Elevações e quedas das taxas de juros demoram meses para surtir
efeito. Grosso modo, as elevações da Selic procuram desestimular
o consumo, a fim de que a inflação caia. As reduções
de juros objetivam esquentar a economia, o que pode gerar pressões inflacionárias.
Hoje, a Selic está em 9,25% ao ano. O governo considera que o processo
de redução dos juros está se aproximando do fim e que
dificilmente o atual governo terá uma Selic menor do que 8% ou 8,5%.
Como Lula deseja terminar o mandato com a menor taxa básica real de
juros, ele discutiu com a equipe econômica a manutenção
da meta de 4,5% ao ano. Esse número tem sido mantido desde 2005. Serão,
portanto, sete anos de meta de 4,5%, contando 2011.
Oficialmente, o CMN (Conselho Monetário Nacional) fixa a meta de inflação.
Mas é Lula quem dá a última palavra aos três integrantes
do CMN: o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e os ministros Guido
Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento).
Lula já deixou claro que sua prioridade em 2010 continuará sendo
aquecer a economia. Para isso, uma meta de inflação de 4,5% pode
acomodar imprevistos melhor do que uma meta de 4%. Ele decidiu manter o intervalo
de variação em relação ao centro da meta em dois
pontos percentuais para mais ou para menos. Ou seja, um banda de 2,5% a 6,5%
ao ano.
Outra razão para o alívio sobre o BC: risco de instabilidade
no processo eleitoral provocar elevação nas expectativas de alta
inflacionária, o que exigiria aumento dos juros.
Um auxiliar de Lula diz que, numa campanha eleitoral, é natural que
possam acontecer turbulências no mercado, como ocorreu na primeira eleição
do petista em 2002 -quando a inflação subiu. Com meta de 4,5%,
o BC teria margem de manobra maior para evitar uma subida dos juros ou promover
uma elevação mais controlada da taxa.
Segundo técnicos do governo, a retração da economia gerou
um nível de capacidade ociosa na indústria brasileira que permite
sustentar um crescimento econômico entre 3,5% e 4% sem gerar pressões
inflacionárias. Isso desde que não haja alta exagerada no preço
das commodities -produtos cujos valores obedecem ao mercado internacional.
Só que, além do fator eleitoral, outro deve pesar na decisão,
sempre lembrado pelo presidente Lula nas discussões internas. Seu governo
está em final de mandato e esse é um tema que deve ser deixado
para o próximo presidente, já que será ele o responsável
pela condução da política monetária em 2011. O
sucessor do presidente Lula poderá mudar a meta.
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Agência Diap, 29 de
junho de 2009
Senado: redução de
tributos para construção de casas populares
A medida provisória (MP)
que concede benefícios fiscais para construtoras de imóveis
do programa 'Minha Casa, Minha Vida' tranca a pauta do plenário
e tem prioridade nas votações da sessão deliberativa
desta terça-feira (30), às 14h.
Trata-se da mesma pauta da semana
passada, pois a Casa não a deliberou em razão da noiva
crise que abate o Senado.
A MP também reduz tributos
para a fabricação e importação de motocicletas.
Transformada no Projeto de Lei
de Conversão (PLV) 12/09, a Medida Provisória (MP) 460/09
aumenta a tributação sobre o cigarro, com objetivo não
só de combater o tabagismo, mas também de compensar a renúncia
fiscal decorrente da redução de impostos contida na medida.
Obras
iniciadas
Aprovada com várias modificações pela Câmara, a
MP foi relatada naquela Casa pelo deputado André Vargas (PT/PR).
Uma das mudanças contidas
no PLV estendeu os benefícios tributários destinados ao
Programa 'Minha Casa, Minha Vida' às obras contratadas a partir
de 31 de março de 2009. Pela MP, seriam beneficiadas somente obras
iniciadas naquela data.
Esse benefício é destinado
a construções de até R$ 60 mil - conforme prevê a
MP 459/09, que dispõe sobre o programa - e vale até 31
de dezembro de 2013.
Incorporação
Para cada incorporação submetida ao regime especial de tributação,
a incorporadora ficará sujeita ao pagamento equivalente a 6% da receita
mensal recebida, que corresponderá ao pagamento mensal unificado dos
impostos e contribuições.
O percentual correspondente ao
pagamento unificado dos tributos para os projetos de incorporação
de imóveis residenciais do programa Minha Casa, Minha Vida será equivalente
a 1% da receita mensal recebida.
Nesse pagamento único,
estão incluídos o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas
(IRPJ), PIS/Pasep, Cofins e Contribuição Social sobre o
Lucro Líquido (CSLL).
O relator concedeu também
mais dez dias para as empresas pagarem o imposto. Pelo PLV, o pagamento
unificado de impostos deve ser feito até o 20º dia do mês
subseqüente àquele em que houver sido auferida a receita.
O pagamento dos impostos será considerado
definitivo, não gerando, em qualquer hipótese, direito à restituição
ou à compensação com o que for apurado pela construtora.
Motos
e cigarros
Com objetivo de incentivar a fabricação e importação
de motocicletas, a MP reduz de 3% para zero a alíquota da Cofins incidente
sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de motocicletas de cilindrada
inferior ou igual a 150cm³.
Esse benefício - que valerá para
os meses de abril a junho de 2009 - não se aplica às receitas
auferidas pela empresa revendedora, na revenda de mercadorias em relação às
quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora,
na condição de substituta tributária.
O único aumento de tributos
recai sobre o cigarro, cujo índice a ser aplicado pelos fabricantes
sobre o preço de varejo para encontrar a base de cálculo
da Cofins passa de 169% para 291,69%.
Para a base de cálculo
da Contribuição para o PIS/Pasep, o coeficiente multiplicador
passa de 1,98 para 3,42, o que representa aumento de 72%. Esses novos
tributos para o cigarro valem a partir de 1º de julho de 2009.
Pessoa
com deficiência
A medida provisória também concede às pessoas com deficiência
isenção do PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento
da Seguridade Social (Cofins) na compra de bens como cadeira de rodas, próteses,
entre outros.
No mesmo sentido, os portadores
de deficiência auditiva com perda mínima de 41 decibéis
nos dois ouvidos também poderão comprar carro novo com
isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI),
cujo benefício já existe para portadores de deficiência
física, visual e mental.
A MP concede ainda à Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel) competência
para atuar sobre tributação e arrecadação
da contribuição para fomento da radiodifusão pública.
Enchentes
Segundo item da agenda do Plenário, a MP 461/09 abre crédito
extraordinário para o Ministério da Integração
Nacional, no valor de R$ 300 milhões, para socorro e assistência às
pessoas atingidas pelas chuvas e enchentes ocorridas entre outubro de 2008
e março de 2009 em vários estados.
Os recursos pretendidos pelo
governo, conforme a MP, também serão usados para atender
a operação "carro-pipa" em municípios
do semi-árido que, ao contrário dos locais inundados, padecem
da falta de água para o consumo humano.
Do total de recursos, R$ 220
milhões serão destinados à assistência às
vítimas das enchentes e ao abastecimento de água em regiões
afetadas pela estiagem, e os demais R$ 80 milhões serão
aplicados na recuperação da infraestrutura danificada pelas
cheias.
Os recursos para a abertura do
crédito decorrem, segundo o Governo, de superávit financeiro
no balanço patrimonial da União do exercício de
2008, relativo a recursos ordinários.
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Agência Estado, 29 de
junho de 2009
Acordo trabalhista reduz críticas
ao etanol, diz Lula ao assinar acordo
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva disse que o termo de compromisso assinado entre trabalhadores
da cana-de-açúcar, usineiros e Governo, para melhorar as
condições de trabalho do setor, vai ajudar a diminuir as
críticas que são feitas no exterior à produção
brasileira de etanol.
Segundo o presidente, o acordo
tem entre outros objetivos, "resolver essas coisas que eram motivos
usados contra nós no exterior".
Ele contou que até trabalhadores
do setor de cana-de-açúcar chegaram a ser levados para
outros países para criticar o setor sucroalcooleiro.
Lula contou que, certa vez, recebeu
uma autoridade estrangeira que disse que o trabalho de corte da cana
era muito penoso.
"Eu respondi que sabia que
era um trabalho duro, mas melhor que o trabalho em uma mina de carvão,
que foi o que transformou o país dele (da autoridade estrangeira)
em uma potência", disse.
Lula, que se autodefiniu como "garoto
propaganda" do etanol no mundo, disse que, há décadas
atrás, os trabalhadores e os donos das usinas eram "inimigos
de classe, sem sequer se conhecer".
Ele ressaltou que, nos últimos
anos, começou a haver uma aproximação entre sindicalistas,
o PT e os usineiros e deu como exemplo o mandato do atual deputado Antonio
Palocci como prefeito de Ribeirão Preto (SP), que ajudou nesse
diálogo.
O presidente comparou os usineiros
aos evangélicos, afirmando que todos os políticos querem
os votos de ambos, mas têm vergonha disso.
Segundo o presidente da União
da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Única),
Marcos Jank, o compromisso assinado hoje prevê a adoção
de "50 práticas empresariais exemplares" no tratamento
dos operários.
Um dos principais compromissos
assumidos pelas 303 usinas que assinaram o acordo foi a adoção
da contratação direta dos trabalhadores que atuam no plantio
e no corte da cana, eliminando assim a figura do intermediário,
conhecido como "gato".
Jank também reconheceu
que esse compromisso de melhores práticas "ajudará a
aprovar a sustentabilidade do etanol brasileiro".
A assinatura do acordo, realizada
no Palácio do Buriti, em Brasília, foi marcado por momentos
de bom humor.
O presidente Lula recebeu um
facão de cortar cana de presente de trabalhadores e, ao posar
para a foto com o objeto, disse, sorridente, que aquilo não poderia
ser interpretado como um objeto de violência, mas de paz e trabalho.
Depois, Lula recebeu uma cesta
com alguns produtos fabricados a partir da cana.
Ele retirou da cesta o pacote
de rapadura, mostrou-o aos repórteres e disse: "Isso é rapadura, é doce,
mas não é mole".
Ao fim do evento, Lula ainda
recebeu um bilhete das mãos do lavrador Antônio Carlos,
no qual o operário dizia ao presidente que também era boxeador
e campeão do Pontal do Paranapanema.
O "pugilista" aproveitou
a deixa para pedir patrocínio do Governo.
Lula disse que ia passar o contato
dele para o ministério dos Esportes e perguntou se ele era campeão
do Pontal por ter vencido o líder sem-terra José Rainha.
"Que é bem pequeno",
brincou Lula.
O presidente ainda brincou que
já foi treinador de boxe, mas que deixou a atividade porque achava
aquilo "excessivamente violento".
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O
ESTADO DO PARANÁ, 29 de junho de 2009 | Economia
Autônomos querem sair da informalidade
Helio Miguel
A poucos dias de entrar em vigor,
as novas regras para o microempreendedor individual (instituídas
pela Lei Complementar número 128/2008) estão gerando
boas expectativas entre especialistas e entidades de apoio a empresários.
No Paraná, as previsões são
de que pelo menos 10% dos profissionais autônomos que atuam
na informalidade - que são 565 mil no total - busquem se
enquadrar na nova categoria. Em todo o País, o número
de novos microempreendedores pode chegar a 1 milhão.
Para o coordenador de Políticas
Públicas do Serviço Brasileiro de Apoio às
Micros e Pequenas Empresas do Paraná (Sebrae-PR), Cesar
Risette, a expectativa no Estado é baseada na procura que
o órgão já vem tendo por interessados no assunto,
desde que as novas regras foram anunciadas. “Recebemos várias
ligações de pessoas querendo saber o que é,
e como se tornar microempreendedor individual”, informa.
Além disso, a boa quantidade de
benefícios, a um custo baixo, deve ajudar a manter a demanda
pela legalização elevada. Entre os benefícios
ao custo de pouco menos de R$ 60 por mês, no máximo,
estão oito tipos de cobertura previdenciária, como
aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade.
“Também será melhor
a negociação com fornecedores, pois (os microempreendedores)
poderão emitir nota fiscal. Eles também poderão
participar de licitações públicas, por exemplo”,
destaca Risette.
O presidente da Federação
Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das
Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações
e Pesquisas (Fenacon), Valdir Pietrobon, também está confiante
no sucesso das novas regras.
“Acredito que este é o maior
projeto de inclusão social já feito no País,
pois tira as pessoas da informalidade. Os benefícios serão
muito maiores que os custos”, opina, lembrando que os microempreendedores
terão acesso mais fácil a crédito em bancos
como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil.
O presidente da Fenacon lembra, ainda,
que os escritórios de contabilidade optantes do SuperSimples,
que são cerca de 1,8 mil no Paraná e 20 mil no Brasil,
são obrigados, pela lei, a orientar gratuitamente os microempresários,
legalizando sua situação e até fazendo a sua
primeira declaração de imposto de renda. Caso não
o façam, os escritórios podem ser retirados do regime
tributário do Simples.
Quem desejar formalizar seu negócio
deverá acessar o Portal do Empreendedor (www.portaldoempreendedor.gov.br),
que entra no ar no dia 1.º de julho. Nele, será possível
obter o registro no CNPJ, as inscrições na Previdência
Social e na Junta Comercial e alvará provisório para
funcionamento.
Empreendedores da indústria, comércio
e serviços exceto locação de mão-de-obra
e profissões regulamentadas por lei com receita bruta anual
de até R$ 36 mil poderão se enquadrar nas regras,
desde que tenham, também, no máximo um funcionário
com renda de até um salário mínimo mensal
ou piso da categorial profissional (ver quadro).
Amanhã, às 19h30, no auditório
do Sebrae-PR, em Curitiba, representantes de vários órgãos
públicos e entidades de apoio ao setor irão apresentar à sociedade
a nova regra. Até a última sexta-feira (26), mais
de 300 participantes já haviam confirmado presença
no evento.


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Valor Online, 29 de junho de
2009
Trabalhador poderá aplicar
FGTS em 'infra', com regulamentação
A Comissão de Valores
Mobiliários (CVM) deve regulamentar em breve a aplicação
de parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) das pessoas
físicas em um fundo de investimento em cotas (FIC) direcionado
a projetos de infraestrutura.
A informação é do
gerente nacional de fundos especiais da Caixa Economica Federal, Roberto
Madoglio, que participou hoje de seminário promovido pela agência
de classificação de risco Fitch Ratings.
Segundo gerente da Caixa, o FIC
será diretamente atrelado ao FI-FGTS, fundo que tem hoje cerca
de R$ 12 bilhões aplicados em projetos de infraestrutura, a maioria
deles (cerca de 70%) de energia elétrica, entre os quais a usina
hidrelétrica de Santo Antonio, no rio Madeira (RO).
Ele explicou o FGTS das pessoas
físicas será direcionado para o FI-FGTS, lançado
em julho de 2008, e que é composto atualmente apenas com recursos
do patrimônio líquido do FGTS - a parte que excede o valor
depositado na conta dos trabalhadores.
A participação
voluntária das pessoas físicas, no entanto, será limitada
a 10% do saldo aplicado no FGTS.
A expectativa é de que
o novo fundo atraia recursos da ordem de R$ 3 bilhões a R$ 6 bilhões.
Ocorre que, por lei, o FI-FGTS
tem seu investimento limitado a R$ 17,1 bilhões, montante que,
segundo Madoglio, deve ser atingido durante o primeiro semestre de 2010.
Ele explicou que uma nova lei
terá que ser editada para aumentar esse limite.
Os recursos aplicados na conta
tradicional do FGTS rendem TR mais 3% ao ano.
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TRIBUNA CATARINENSE, 29 de
junho de 2009
SC: Construção civil
continua contratando
Ramo da construção civil
está entre os setores que exibiram maior crescimento no contingente
de carteiras assinadas durante 2009
O Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged) de Santa Catarina emitiu nesta semana dados sobre
o desemprego no Estado. Durante o mês de maio, 2.072 postos de
trabalho foram desativados. Os dados comprovam uma retração
de 0,13% em relação ao mês de abril. Este foi o segundo
pior resultado para o mês de maio nos últimos dez anos.
O Sine/SC informa que o emprego com carteira assinada atingiu a marca de 36.283
novos postos durante o ano de 2009, completados em maio. No mesmo período
de 2008 os empregos totalizaram 88.343, ou seja, uma retração
de 58,9% para os empregos formais de 2009.
Dentre os ramos que mais cresceram proporcionalmente em 2009 estão a
construção civil e os serviços de administração
pública. A construção civil registra durante os meses
de janeiro a maio de 2009 um total de 32.980 contratações, contra
29.520 desligamentos. Os dados revelam um saldo positivo de 3.460 empregos.
No mesmo período do ano passado foram criadas 6.563 novas vagas.
Dentre os 36 maiores municípios de Santa Catarina com mais de 30 mil
habitantes, oranking de maior geração de empregos formais no
mês passado é liderado por Florianópolis, com 408 vagas,
seguido por Blumenau com 255 vagas e Brusque com 244 contratações.
Entre os municípios que maior demitiram estão: Chapecó com
682 demissões, Fraiburgo com 627 postos e Joinville com 311 desligamentos.
* Ricardo Zanon
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W News, 29 de junho de 2009
Trabalhadores temem dispensas com
suspensão da venda do Speedy
Os sindicatos dos trabalhadores
ligados à Telefônica divulgaram uma nota, na última
quinta-feira (25), dizendo que estão "assustados" e
temem a possibilidade de demissão em massa com a suspensão
da venda do serviço Speedy, determinada pela Anatel na segunda-feira
(22) da semana passada.
De acordo com a nota, as empresas
terceirizadas que prestam serviço na área do Speedy empregam,
atualmente, cinco mil funcionários.
Ainda segundo os sindicatos,
estas possíveis demissões podem causar uma perda e dispersão
da mão de obra qualificada na área de serviços de
banda larga e até prejuízos ao consumidor final, já que
existem áreas de São Paulo que são atendidas somente
pela Telefônica.
A Anatel suspendeu a comercialização
do Speedy na última segunda-feira por causa das seguidas falhas
no serviço desde o final do último ano.
A Telefônica tem 30 dias
para apresentar um plano de melhoras para poder voltar a vender o serviço.
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O ESTADO DO PARANÁ,
29 de junho de 2009 | Economia
Bosch aumenta indenização
para demissão
Helio Miguel
A Bosch aumentou discretamente as indenizações que tinha oferecido
aos trabalhadores demitidos da empresa na semana passada, em troca do encerramento
dos processos movidos, em decorrência dos desligamentos, pelo Sindicato
dos Metalúrgicos da Grande Curitiba.
A nova proposta surgiu na audiência
realizada ontem na sede do Ministério Público do Trabalho
(MPT) do Paraná, em Curitiba. A intenção dos empregados é de
que a indústria suspenda as demissões.
Da mesma forma que ocorreu na
audiência realizada anteontem, no Tribunal Regional do Trabalho
do Paraná, quando o desembargador que conduziu a audiência
de conciliação sugeriu que a empresa suspendesse as demissões,
o MPT também propôs uma solução amigável
ao problema.
No caso, a sugestão foi
de conversão dos desligamentos em um acordo coletivo para redução
de jornada e remuneração, ou em um acordo para regular
a suspensão dos contratos para requalificação profissional.
Também foi sugerido que,
se a Bosch suspendesse as demissões, poderia iniciar um procedimento
negociado de dispensas, com a participação do sindicato
e do MPT.
Apesar de não aceitar
as sugestões do MPT e do Sindicato, a Bosch aumentou um pouco
a proposta de indenização que tinha feito no TRT. Agora,
os funcionários com até 15 anos de empresa receberiam 1,5
do salário-base; com 15 a 20 anos, dois salários; e, com
mais de 20 anos, 2,5 salários.
A empresa comunicou que
a proposta está de acordo com o limite de suas possibilidades.
A questão, agora, deverá ser analisada pelos funcionários,
em uma assembleia na próxima segunda-feira.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
29/06/2009
TST concede justiça gratuita, mas
não pode determinar devolução de custas
A Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho reconheceu o direito de empregado que perdeu causa
trabalhista ao benefício da justiça gratuita. No entanto,
os ministros concordaram com a opinião do relator e presidente
da Turma, ministro Lelio Bentes, de que a devolução dos
valores recolhidos pelo trabalhador a título de custas processuais
não pode ser determinada pelo TST nessa fase processual. No caso,
o empregado deve obter a restituição por via administrativa
ou, se negada, propor ação específica.
O empregado entrou com reclamação
na Justiça do Trabalho contra a Ripasa S.A. – Celulose e
Papel. Como a sentença julgou improcedente a ação,
ao recorrer ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(SP), para reformar a decisão, o trabalhador pediu o benefício
da justiça gratuita. Mas o TRT não só manteve a
sentença como negou o benefício. O argumento foi de que
o trabalhador já tinha recolhido as custas processuais, demonstrando
que o pagamento não afetara a subsistência dele ou da família,
e, portanto, não cabia mais discussão sobre o assunto.
Restou ao empregado recorrer
mais uma vez do resultado, agora ao TST. Em relação ao
benefício da justiça gratuita, alegou que era garantia
constitucional do Estado prestar assistência jurídica integral
e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos (artigo
5º, inciso LXXIV, da Constituição Federal). Além
do mais, a Lei nº 1.060/1950 estabelece que, para conseguir a justiça
gratuita, basta simples declaração da parte. Por fim, o
trabalhador requereu a expedição de ofício ao órgão
arrecadador (Receita Federal) com o objetivo de reaver o valor pago.
O relator, ministro Lelio Bentes,
esclareceu que o benefício da justiça gratuita pode ser
requerido em qualquer tempo ou grau de jurisdição, e, se
ocorrer na fase recursal, é preciso apenas que o pedido seja formulado
no prazo legal para interposição do recurso. De acordo
com o relator, a concessão ou não da justiça gratuita
depende da situação econômica da parte. A necessidade
do benefício pode ser comprovada com o recebimento de salário
inferior ao dobro do mínimo ou declaração do interessado.
Segundo o relator, como no caso
havia declaração do empregado atestando a carência
de recursos com pedido expresso de concessão do benefício,
o Regional desrespeitou a Constituição ao negar a gratuidade
judiciária ao trabalhador. Daí a importância do reconhecimento
pelo TST do direito do empregado ao benefício e conseqüente
expedição de certidão nesse sentido. Entretanto,
para o relator, o Tribunal não pode determinar a devolução
das custas processuais recolhidas aos cofres da União: o empregado
deverá propor ação de repetição de
indébito para reaver os valores.
Essa interpretação
foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais ministros da Primeira
Turma. O ministro Vieira de Mello Filho ainda chamou a atenção
para o fato de que “agora, com esta decisão, se extrai uma
certidão de que o empregado fora isento das custas, e ele pode
obter administrativamente a devolução”. Se houver
dificuldade, aí sim a parte deve entrar com ação
judicial, afirmou o ministro. ( RR – 1000/2003-251-02-40.0)
(Lilian Fonseca)
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29/06/2009
TST mantém vínculo de
vigilante de prestadora clandestina com Multibank
A Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, em voto relatado pelo ministro Ives Gandra Martins
Filho, manteve a decisão regional que declarou o vínculo
de emprego de um vigilante bancário diretamente com o Multibank
S/A após constatar a forma fraudulenta como foi criada a empresa
de vigilância e sua inidoneidade econômica. Ficou comprovado
nos autos que as agências franqueadas do Multibank formaram uma
associação – a Aspambank – que, por sua vez,
contratou a empresa de vigilância Equipe Escolta de Apoio Ltda.
para suprir a necessidade de segurança das numerosas agências.
Ocorre que a suposta empresa de vigilância foi criada pelo então
coordenador de segurança das franqueadas com o intuito de mascarar
a formação de vínculo de emprego diretamente com
as agências.
A Equipe Escolta de Apoio Ltda.
assumiu as responsabilidades trabalhistas dos vigilantes contratados
sem possuir idoneidade econômica para tanto, segundo o Tribunal
Regional do Trabalho da 13ª Região (PB). O TRT/PB também
constatou que o Multibank era o responsável pelo pagamento dos
salários de todos os vigias que trabalhavam em suas agências
e, quando havia qualquer problema, eles se dirigiam à sede do
Multibank para falar com uma pessoa responsável pela contratação
destes empregados: o próprio coordenador de segurança que
criou a Equipe Escolta de Apoio. O vigilante que ajuizou a ação
trabalhista trabalhou para o Multibank durante vários anos e foi
subordinado a este coordenador, que, apesar de formalmente ser o dono
da empresa de vigilância, na verdade era empregado do Multibank.
Para o TRT/PB, houve desvirtuamento no sistema de franquia.
No recurso ao TST, a defesa do
banco afirmou que, apesar de o TRT/PB reconhecer o contrato de franquia
para prestação de seus serviços de correspondente
bancário, reconheceu o vínculo diretamente entre ele e
o autor da ação trabalhista, que era empregado da empresa
de vigilância que prestava serviços para as franqueadas.
A defesa contestou a imputação ao Multibank da responsabilidade
direta pelo contrato de trabalho, pois, de acordo com a lei que conceitua
a franquia (Lei nº 8.955/94), o franqueador não pode ser
responsabilizado pelo cumprimento das obrigações trabalhistas
assumidas pelos franqueados.
Segundo o ministro Ives Gandra
Filho, a defesa do Multibank não conseguiu comprovar a divergência
jurisprudencial, uma vez que o acórdão utilizado para confrontar
a decisão regional não trata da matéria sob o enfoque
da clandestinidade da prestadora dos serviços, da contribuição
da franqueadora para pagamento dos empregados da empresa de vigilância
e da existência de ilicitude contratual. No TST, foi alegada ainda
a ocorrência de cerceamento de defesa porque foi negado o pedido
relativo ao chamamento ao processo da “real empregadora” do
autor da ação trabalhista, segundo a defesa, ou seja, a
Associação de Proprietários de Agências de
Multibank (Aspambank).
O ministro Ives Gandra Filho
rejeitou a alegação de cerceamento de defesa. O Código
de Processo Civil (artigo 77) estabelece que é admissível
o chamamento ao processo do devedor, na ação em que o fiador
for réu; dos outros devedores, quando para a ação
for citado apenas um deles; e de todos os devedores solidários,
quando o credor exigir de um ou de alguns deles, aprcial ou totalmente,
a dívida comum. “Nesse contexto, tendo o Regional identificado
a clandestinidade da empresa prestadora de serviços, desvirtuamento
no sistema de franquia e conseqüente ilicitude do contrato, verifica-se
que o alegado cerceamento de defesa não se mostra caracterizado,
pois a hipótese não se enquadra nos permissivos do artigo
77 do CPC, que trata do chamamento ao processo. ( RR 400/2007-022-13-00.6)
(Virginia Pardal)
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