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AGÊNCIA DIAP, 30 de
junho de 2009
Centrais criticam fórmula 85/95.
Defendem fim do fator previdenciário
Agência DIAP
Representantes das principais centrais sindicais reuniram-se, na última
terça-feira (23), em São Paulo, para discutir projetos de lei
em tramitação no Congresso Nacional que afetam os trabalhadores.
Em relação ao fator
previdenciário, os sindicalistas reiteraram o apoio ao projeto
do senador Paulo Paim (PT/RS), que acaba com o redutor das aposentadorias
para quem se torna apto a solicitar o benefício com menos idade,
mas mantiveram as criticas à proposta do relator do projeto, o
deputado federal Pepe Vargas (PT/RS).
"Somos todos contra a chamada
Fórmula 85/95, que prejudica quem começa a trabalhar mais
jovem e também quem trabalha a vida toda para a iniciativa privada",
afirmou o secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores
(CUT), Quintino Severo, que participou do encontro.
A proposta de Vargas prevê que
o trabalhador só tenha direito ao benefício integral quando
a soma do tempo de contribuição com a idade atingir 95
a para os homens e 85 para as mulheres.
Sem registro
em carteira
Quintino explica que, ao contrário do funcionário público,
o trabalhador da iniciativa privada normalmente passa alguns anos sem registro
em carteira, seja por conta do desemprego ou por conta de períodos de
trabalho informal.
"Pessoas nessas condições
têm mais dificuldade para atingir os 85 anos para homens e 95 para
mulheres", diz.
Quanto às pessoas que
começam a trabalhar mais cedo, segundo seu ponto de vista elas
terão que trabalhar bem mais que 35 anos para ter direito à aposentadoria.
"Isso prejudica os mais
necessitados, que precisam ir ao mercado de trabalho muito jovens para
ajudar a sustentar a família", avalia o dirigente sindical.
Dirigentes sindicais estarão
em Brasília hoje (30) para acompanhar na comissão especial
da Câmara dos Deputados a votação sobre a proposta
de redução da jornada sem redução de salário,
cujo relator é o deputado Vicentinho (PT/SP), que pretende gerar
2,2 milhões de postos de trabalho.
As centrais irão organizar
também uma grande mobilização nacional no dia 14
de agosto contra as demissões, pela redução dos
juros, fim do superávit primário em defesa dos investimentos
públicos e dos direitos trabalhistas e sociais.
Os dirigentes sindicais decidiram
ampliar a pressão pela aprovação da lei que formaliza
a política de valorização do salário mínimo
e pela ratificação, pelo Congresso Nacional, da Convenção
158, da OIT, que inibe as demissões imotivadas.
O então presidente FHC
assinou Decreto 2.100/96, por meio do qual informou a retirada do Brasil
do acordo internacional (Convenção 158 da OIT).
As centrais, desde então
lutam na Justiça para derrubar esse decreto.
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GAZETA DO POVO, 30 de junho
de 2009 | Vida Pública
INSS
Câmara volta a discutir o fim
do fator previdenciário
Extinção do cálculo
que retarda a aposentadoria e a equiparação da correção
dos benefícios ao mesmo reajuste do mínimo podem ir à votação
nesta semana
Publicado em 30/06/2009 | Caroline Olinda
Os projetos que preveem o fim do fator previdenciário e a concessão
do mesmo porcentual de reajuste dado ao salário mínimo para aposentadorias
acima do piso podem entrar na pauta de votação da Câmara
Federal desta semana. Os líderes da Casa se reúnem hoje para
discutir a votação das propostas.
O senador Paulo Paim (PT-RS),
autor dos dois projetos, se reúne nesta terça-feira com
o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS),
para tratar do assunto. Na semana passada, o presidente da Câmara,
Michel Temer (PMDB-SP), afirmou a Paim que desejava colocar as propostas
na pauta de votação o quanto antes.
O Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas começou em junho
um movimento para pressionar os deputados a aprovarem os projetos. Eles pretendem
apresentar até o fim deste ano 1 milhão de ações
judiciais para contestar a legalidade do fator previdenciário e buscar
a recuperação do poder de compra das aposentadorias. Só em
São Paulo, o sindicato apresentou 1,5 mil ações contra
o fator, em um mês. Agora, os representantes dos aposentados se organizam
para apresentar processos contra a desvalorização dos benefícios.
O aumento dado às aposentadorias
nos últimos anos não seguiu o do salário mínimo,
que tem recebido reajustes acima da inflação.
A proposta que iguala o aumento
das aposentadoria ao do mínimo é uma emenda ao Projeto
de Lei 01/07, que cria uma política de reajustes para o piso salarial
brasileiro. O projeto garante que todo aumento concedido ao salário
mínimo seja estendido a todos benefícios da Previdência
Social. Foi aprovado pelos senadores no começo do ano passado
sob os protestos do Palácio do Planalto, que argumenta que a Previdência
não teria capacidade para conceder os mesmos reajustes.
A mesma argumentação é apresentada
pelo governo contra o projeto que acaba com o fator previdenciário,
também aprovado no Senado em 2008. As negociações
para a aprovação da proposta só avançaram
depois da apresentação de um novo texto, de autoria do
deputado Pepe Vargas (PT-RS), que cria a fórmula 85/95. Pela nova
proposta, o fator previdenciário seria extinto sempre que a soma
da idade do beneficiário com o tempo de contribuição
dele chegasse a 85 pontos (no caso das mulheres) ou a 95 pontos (homens).
Nesses casos, o cidadão receberia a aposentadoria integral, mesmo
que não tivesse atingido 60 anos (para mulheres) ou 65 (para os
homens).
No projeto original, o
fator é extinto e o benefício volta a ser calculado de
acordo com a média aritmética simples, até o máximo
dos últimos 36 salários de contribuição,
apurados em período não superior a 48 meses. Essa era
a fórmula utilizada antes da criação do fator
previdenciário, no governo Fernando Henrique Cardoso.
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O ESTADO DO PARANÁ,
30 de junho de 2009 | Economia
Miguel Jorge: é difícil
vigiar contrapartida de emprego
Agência Estado
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
Miguel Jorge, admitiu hoje ser "praticamente impossível" o
governo exigir e fiscalizar as indústrias que recebem benefícios
em relação à manutenção dos empregos. De
acordo com ele, os únicos setores em que o governo consegue ter essa
contrapartida garantida são o de motos produzidas em Manaus e o da indústria
automobilística. "Só temos contrapartida dos que já tinham
feito anteriormente. Dos outros setores é difícil fazer o controle",
afirmou, após a cerimônia de anúncio de medidas para a
recuperação da economia, afetada pela crise financeira internacional,
e praticamente todas as medidas embasadas na renúncia fiscal.
Na avaliação de
Miguel Jorge, a contrapartida no caso da linha branca deve ser natural,
já que se espera o aumento das vendas de eletrodomésticos.
Ele citou como exemplo o caso de lavadoras de roupas, cujo incremento
foi de 30% em maio na comparação com o mês anterior. "A
expectativa é de que essas empresas não só mantenham
os empregos em suas unidades, como contratem mais empregados para subir
a demanda", disse.
Logo após o anúncio
das novas desonerações, o ministro Miguel Jorge já adiantou
que outras ações já estão em estudo pelo
governo. "Eu, pessoalmente, defendo mais medidas, mas não
posso adiantá-las", desconversou. De acordo com ele, até agora
o mercado tem mostrado que tem publico para receber as ações
adotadas pelo governo.
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JORNAL UAI/ MINAS GERAIS,
30 de junho de 2009
Construção civil aplaude
alívio tributário
Geórgea Choucair - Estado de Minas
O segmento da construção civil considerou como “sensata” a
prorrogação da redução do IPI de materiais da construção
até dezembro deste ano, além da inclusão de vergalhões
de cobre na lista de produtos desonerados. “Devido ao cronograma da construção,
as compras do nosso setor não são tão imediatas e o resultado
da queda do imposto é a médio prazo”, afirma Ricardo Caus,
presidente da Associação do Comércio de Material de Construção
de Minas Gerais (Acomac).
Em março, o governo anunciou
a redução do IPI para mais de 20 grupos de produtos de
materiais de construção, como revestimentos, tintas e cimento,
entre outros. Em abril, incluiu novos grupos de produtos na lista de
itens com IPI reduzido, como telhas de aço, impermeabilizantes,
revestimentos cerâmicos, cadeados e registros de gavetas.
Desde que as reduções
e desonerações de IPI foram anunciadas, as entidades que
representam a indústria e o varejo do setor defenderam que o prazo
não fosse restrito aos 90 dias inicialmente previstos. Os principais
argumentos para o pedido de ampliação são de que
esse período é incompatível com o ciclo produtivo
do setor de construção e que só com a extensão
desse prazo a produção dos imóveis do a Minha casa,
minha vida poderá se beneficiar das alíquotas menores de
IPI. “Os primeiros meses de desoneração serviram
mais para que os consumidores fossem conferir os preços. Alguns
descontos só começaram a ser praticados em junho, pois
muitos lojistas estavam com estoque antigo”, observa Caus.
Até março, os números
do setor estavam negativos. Com isso, de janeiro a maio, o faturamento
das indústrias de material de construção caiu 16,10%,
em relação ao mesmo período de 2008. A partir de
abril, as vendas começaram a melhor, sem, porém, reverter
o quadro negativo. Em Minas Gerais, a queda no segundo semestre foi de
8%, segundo a Acomac. “O crédito na área ainda é difícil,
com cobrança elevada de juros”, observa Caus.
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CONGRESSO EM FOCO, 30 de
junho de 2009
Apesar da crise, municípios
recebem mais em junho
Rodolfo Torres
A crise financeira internacional
não impediu que os municípios recebessem mais recursos
neste mês em comparação ao mesmo período do
ano passado. Levantamento divulgado pela Confederação Nacional
de Municípios (CNM) revela um aumento de 5,06% em relação
a junho de 2008.
“A Confederação
ressalta que o crescimento, não só de junho, mas também
de maio, deve-se aos repasses extras enviados pela Secretaria do Tesouro
Nacional (STN). Somados os três repasses de junho, o valor bruto,
sem retenção do Fundeb, é de R$ 4,0 milhões
contra R$ 3,8 milhões enviados em 2008”, afirma a CNM.
Ainda segundo a entidade, os
municípios receberão R$ 768,73 milhões, referentes
aos últimos dez dias de junho, do Fundo de Participação
dos Municípios (FPM).
Contudo, a CNM ressalta que os
repasses do FPM no primeiro semestre deste ano foram 2,10% menores em
relação ao mesmo período do ano passado. “Em
2009, os repasses dos meses de janeiro, maio e junho foram maiores, mas
em compensação, fevereiro, março e abril tiveram
diminuição brusca. Portanto, o semestre fechou com resultado
negativo, com um montante de R$ 24,4 bilhões. No ano passado,
nos seis primeiros meses, os Municípios receberam R$ 24,9 bilhões.
A diferença é de R$ 524,06 milhões”, explica
a confederação.
MP na Câmara
Deputados podem analisar nesta
terça-feira (30) a MP 462/09, que autoriza a União a transferir
R$ 1 bilhão ao FPM. O objetivo da medida é assegurar que
o repasse deste ano aos municípios seja igual ao do ano passado,
quando o mundo ainda não estava atolado na crise.
O governo argumenta que
a medida é necessária tendo em vista que a crise econômica “afetou
a arrecadação das receitas tributárias dos entes
federativos”, impactando especialmente os municípios.
“ As transferências da União, bem como as receitas próprias,
vêm se realizando ao longo de 2009 abaixo das expectativas e das projeções
das administrações municipais, trazendo dificuldades para o cumprimento
de compromissos financeiros com fornecedores, prestadores de serviço e
com a folha de pagamento dos servidores”, argumenta o governo.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
30 de junho de 2009 | Dinheiro
Centrais cobram varejo sobre repasse
do IPI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
As centrais sindicais querem
cobrar explicações dos empresários do varejo que
não repassaram integralmente a redução do IPI para
o preço final dos produtos.
Reportagem da Folha publicada ontem mostra que o benefício, em muitos
casos, não chegou ao consumidor na mesma proporção.
O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP),
o Paulinho, afirmou que irá convidar os principais nomes do varejo para
dar explicações na Comissão de Trabalho da Câmara.
Ele afirmou ainda que poderá reunir assinaturas para a convocação
de uma CPI com o objetivo de apurar as razões para o não repasse
integral do IPI reduzido.
Empresários do setor, como Luiza Trajano, presidente da rede varejista
Magazine Luiza, têm defendido que a redução de impostos
foi inteiramente repassada na ponta.
De acordo com o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores),
Artur Henrique, outra questão que será estudada é a manutenção
de emprego. "Precisamos encontrar uma fórmula para isso."
Para Paulinho, não se pode cobrar da indústria de linha branca
a garantia de manutenção de empregos exigida das montadoras. "A
dificuldade é maior porque essas empresas produzem vários tipos
de produto."
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FOLHA DE SÃO PAULO,
30 de junho de 2009 | Mundo
MEDIDA ANTICRISE
Cuba muda lei trabalhista e autoriza
o "pluriemprego"
DA REDAÇÃO
O governo de Raúl Castro
modificou a lei trabalhista de Cuba e autorizou que os cubanos tenham
mais de um emprego, informou ontem a imprensa estatal do país.
O objetivo, diz o governo, é melhorar a renda dos trabalhadores -que
hoje é de US$ 17 por mês em média- e se contrapor à tendência
de envelhecimento da população.
O país vive a crise econômica mais dura desde a queda da União
Soviética. Além de sentir os efeitos da recessão global,
Cuba foi, em 2008, devastada por furacões que comprometeram 10% do PIB
local. Por isso, em maio, o jornal oficial "Granma" pediu que os
cidadãos trabalhassem mais.
Além disso, estima-se que os cubanos com 60 anos ou mais passem dos
atuais 16% da população a quase 25% em 2025.
A lei, aprovada na sexta-feira, além de autorizar o "pluriemprego" -exceto
a profissionais da saúde, professores, cientistas e auditores-, também
facilita a contratação em Havana de moradores de outras Províncias.
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Com agências internacionais
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STJ,
30 de junho de 2009
DECISÃO
Bancos respondem por prejuízos a
terceiros se permite abertura de conta com documento falso
Instituições financeiras devem responder pelos prejuízos
gerados a terceiros por permitir a abertura de conta-corrente mediante a apresentação
de documentos falsos. A conclusão é da Quarta Turma do Superior
Tribunal de Justiça, ao manter indenização por danos morais
e materiais a ser paga pelo Banco do Estado da Bahia (BANEB) à empresa
Enghouse – Engenharia e Arquitetura S/A, em virtude do uso indevido do
CGC da empresa por outra, que abriu conta no banco e emitiu cheques sem fundo
com a falsificação do documento, causando a inscrição
indevida da Enghouse nos cadastros de proteção ao crédito.
Consta dos autos que o representante da Olinto
Construções Ltda. foi até ao banco, onde abriu
conta-corrente utilizando-se de CGC falso, pois a proprietária
era a Enghouse. Posteriormente, a Olinto emitiu seis cheques sem fundos,
cuja devolução deu ensejo à inscrição
do nome da verdadeira portadora do CGC nos cadastros de proteção
ao crédito.
A Enghouse entrou na Justiça contra
o banco, afirmando que fato teria ocasionado o cancelamento de dois
contratos de empreitada já assinados, bem como a impossibilidade
de participar de licitações, por não conseguir
obter atestado de idoneidade financeira.
Segundo a defesa, o banco agiu de forma desidiosa,
não comparando a assinatura dos cheques sem fundos com a das
fichas cadastrais tanto da emitente quanto suas, além de não
ter publicado retratação de modo a atenuar as consequências
danosas da inserção de seu nome entre o dos maus pagadores.
Em primeira instância, a ação
foi julgada procedente. Em apelação para o Tribunal de
Justiça da Bahia (TJBA), o banco alegou incompetência
absoluta e funcional do juiz, pois a privatização do
banco tornaria incompetente a Vara da Fazenda Pública. Protestou,
ainda, contra o que considerou decisão ultra petita, que estaria
caracterizada pelo fato de a sentença ter concedido danos materiais
mais abrangentes do que os pedidos na ação.
O tribunal baiano negou provimento à apelação,
afastando todas as alegações. “Culpa consubstanciada
em omissão e negligência do apelante. “Descumprimento
de normas e exigências do banco central na abertura de contas
correntes”, diz a decisão. Insatisfeito, o banco recorreu
ao STJ, alegando, entre outras coisas, que a conduta do falsário
se constitui em fato de terceiro apto a romper a relação
de causalidade necessária para a configuração
da responsabilidade civil. Ainda segundo a defesa, a sentença
concedeu mais do que o pedido, o que seria ilegal.
A Quarta Turma conheceu parcialmente do recurso e deu provimento apenas para
reduzir a indenização por danos morais. “A falsificação
de documentos para a abertura de conta-corrente não isenta a instituição
financeira da responsabilidade de indenizar, pois constitui risco inerente à atividade
econômica por ela desenvolvida”, considerou o ministro Fernando
Gonçalves, relator do caso, ao manter a decisão por danos materiais,
que serão calculados na liquidação de sentença.
A alegação de incompetência também foi afastada. “A
verificação de eventual maltrato dos artigos 87, 93 e 113 do
Código de Processo Civil depende da anterior análise da Lei de
Organização Judiciária do Estado da Bahia, de modo a constatar
os efeitos da privatização da recorrente na competência
do juízo”, esclareceu. “Nesse passo, o deslinde da controvérsia
pressupõe o exame de direito local, matéria imune ao crivo do
recurso especial, nos termos da súmula 280/STF”, considerou o
relator.
O recurso especial foi provido, no entanto, na parte que pedia a redução
do valor dos danos morais. “Creio que o valor da indenização
realmente se mostra desproporcional à hipótese tratada nos autos,
especialmente porque a utilização de documentação
falsa por terceiro foi decisiva no equívoco perpetrado pela recorrente.
Nessa perspectiva, reduzo o montante fixado a títulos de danos morais
para o valor de R$ 25.000,00”, concluiu Fernando Gonçalves.
Coordenadoria de Editoria e Imprensa/Rosângela
Maria
(61) 3319 8590
Coordenadoria de Editoria e Imprensa
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FOLHA DE SÃO PAULO,
30 de junho de 2009 | Dinheiro
BNDES é sócio de usina
acusada de usar trabalho "escravo"
Participação do banco estatal
chega a 20% da Brenco; instituição injetou R$ 1 bilhão
na empresa
EDUARDO SCOLESE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo federal recorreu à Justiça
para incluir na "lista suja" do trabalho escravo a Brenco,
empresa com 20% de seu capital nas mãos do BNDES (Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social).
Entre o fim de 2008 e o início deste ano, o banco injetou R$ 1 bilhão
na empresa para a implantação de unidades de processamento de
cana e plantação de lavoura em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul
e Goiás. Com isso, ganhou um assento no conselho de administração.
O aporte financeiro ocorreu meses após fiscais terem encontrado trabalhadores
em situação degradante em Goiás e Mato Grosso. Nessa ação,
no início de 2008 e direcionada à Brenco, foram registrados 107
autos de infração por violações à legislação,
segundo o governo, como alojamento precário, falta de equipamentos de
proteção e transporte irregular.
Comandada pelo ex-presidente da Petrobras Henri Philippe Reichstul, a Brenco é uma
empresa brasileira, com investidores norte-americanos. A empresa diz que, até 2015,
investirá R$ 5,5 bilhões na implantação de dez
unidades, o que lhe permitirá uma capacidade de moagem de 44 milhões
de toneladas por safra.
A empresa, que nega as acusações (leia texto ao lado), entrou
na Justiça e conseguiu, no mês passado, uma liminar da 12ª Vara
do Trabalho de Brasília que impede o ministério de incluí-la
no cadastro.
Recurso
Por meio da AGU (Advocacia Geral da União), o governo recorreu. Neste
mês, entrou com um recurso ordinário contra a sentença,
que agora será analisada pela segunda instância da Justiça
trabalhista.
Criada em 2004 pelo Ministério do Trabalho, a "lista suja" dá publicidade
a empresas e pessoas flagradas com trabalhadores em situação
análoga à escravidão. O cadastro é renovado a cada
seis meses, e o ministério quer incluir a Brenco na atualização
do mês que vem.
Entre 1995 e junho deste ano, o grupo móvel de fiscalização,
que reúne auditores do trabalho, procuradores e policiais federais,
resgatou 33.903 trabalhadores em situação análoga à de
escravo, num total de 829 operações e 2.307 fazendas.
O Ministério Público do Trabalho e a empresa ainda negociam a
assinatura de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). Uma reunião
está prevista para meados de julho.
O BNDES, órgão do governo federal que faz propaganda de sua cláusula
social, diz que, antes de fechar qualquer contrato, checa a lista do ministério.
Caso a inclusão no cadastro ocorra em meio à vigência do
financiamento, o banco afirma que pode suspender o desembolso. Sobre a Brenco,
diz que não havia nenhuma sentença definitiva contra a empresa
no momento da assinatura do contrato, em agosto do ano passado, quando aprovou
o financiamento de R$ 1,2 bilhão.
Nos últimos dias, o BNDES passou pelo constrangimento de ter seu nome
incluído em denúncias de desmatamento na Amazônia.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
30 de junho de 2009 | Dinheiro
Outro lado
Para empresa, inclusão em lista "suja" é indevida
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Brenco nega a prática
de trabalho escravo e diz que, por avaliar indevida a acusação
do Ministério do Trabalho, foi à Justiça para impedir
a inclusão de seu nome na "lista suja".
" A sentença confirmou a liminar, determinando que essa inclusão
somente ocorra se, esgotadas todas as possibilidades de discussão dos
autos de infração aplicados, inclusive na esfera judicial, estes
sejam julgados subsistentes", afirma a assessoria de comunicação
da empresa.
Ao negar práticas ilegais, a empresa diz que "se pauta pelas mais
rigorosas práticas de governança corporativa e pela valorização
das pessoas e sempre ofereceu excelentes condições de trabalho".
O BNDES, também por meio de sua assessoria, afirma que, para obterem
financiamento do banco, todas as empresas têm de "observar a legislação
relativa à utilização de recursos públicos, sobretudo
no que diz respeito às questões trabalhistas, ambientais e fiscais".
O banco do governo federal diz ainda que, em agosto do ano passado, quando
foi assinado o contrato de financiamento com a empresa, e, no início
deste ano, quando foi liberada a maior parte dos recursos, "a legislação
foi observada pela beneficiária".
De acordo com o BNDES, o contrato pode ser rescindido caso ocorra uma condenação
definitiva na Justiça.
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FOLHA DE LONDRINA, 30 de
junho de 2009 | Economia
Volvo pode afastar 300 funcionários
Curitiba - Uma reunião realizada ontem entre representantes do Sindicato
dos Metalúrgicos de Curitiba (SMC) e da Volvo tentou negociar suspensões
temporárias de contratos de trabalho previstos para os próximos
dias. Segundo o presidente do sindicato, Sérgio Butka, cerca de 300
funcionários da unidade de Curitiba podem ser afastados de suas atividades
por três meses. Nessa modalidade, eles ficam em casa recebendo remuneração,
sendo uma parte paga pela empresa e o restante pelo governo.
A empresa confirmou, por meio
de sua assessoria de imprensa, a intenção de ''flexibilizar
as relações de trabalho de seus empregados''. O motivo
da medida seria a queda nas vendas tanto no Brasil como na América
Latina em decorrência da crise econômica. A reunião
de ontem não teve um resultado definitivo, mas tanto sindicato
com empresa informaram que esperam chegar a uma decisão em nova
reunião marcada para hoje.
Marcela Rocha Mendes
Equipe da Folha
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O ESTADO DO PARANÁ,
30 de junho de 2009 | Economia
Empregados da Bosch param por 48
horas
Helio Miguel
Uma paralisação de 48 horas foi a resposta dos funcionários
da Bosch às 826 demissões ocorridas na empresa, há duas
semanas. A decisão ocorreu ontem, no início da manhã.
Os cerca de 3 mil empregados,
que estavam sob licença remunerada e deveriam retornar ontem,
pararam imediatamente. Ainda ontem, a Volvo iniciou negociações
com trabalhadores, para tentar suspender temporariamente cerca de 300
contratos de trabalho e adequar sua produção à demanda
atual.
De acordo com o presidente do
Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), Sérgio
Butka, em um ano e quatro meses a Bosch efetuou aproximadamente 1,7 mil
desligamentos de funcionários. “E há boatos de que
haveria mais 250 a 300 demissões por vir, na área administrativa”,
afirmou, ontem, em entrevista coletiva.
O dirigente sindical afirma que
a categoria continua confiando em uma solução para o impasse,
seja no Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR) ou no
Ministério Público do Trabalho (MPT), órgãos
onde o SMC ingressou com processos. Hoje, haverá uma nova audiência
no TRT-PR. Amanhã, será a vez da segunda audiência
no MPT.
A solução que o
sindicato prefere, conforme o presidente da entidade, envolve a readmissão
dos trabalhadores demitidos este mês e a suspensão temporária
dos contratos de trabalho dos empregados, o chamado lay-off.
Sobre a redução
de salários e jornada de trabalho alternativa que a Bosch diz
ter proposto anteriormente, Butka esclareceu que não foi aceita
pelo SMC, já que a empresa não a atrelou à garantia
de manutenção dos empregos.
Sobre a paralisação
iniciada ontem, a Bosch informou, através de sua assessoria de
imprensa, que “adotou os procedimentos legais que garantem o acesso
dos colaboradores que desejarem retornar ao trabalho”, e que está avaliando
as próximas ações.
Volvo
Na mesma avenida da Cidade Industrial
de Curitiba, a cerca de 10 quilômetros de distância da unidade
da Bosch, outra multinacional instalada na capital também negocia
com os trabalhadores para tentar contornar a crise econômica mundial.
Ontem, a direção
da Volvo se reuniu com representantes dos trabalhadores e o SMC para
discutir a suspensão temporária dos contratos de trabalho
de cerca de 300 funcionários.
De acordo com o presidente do
SMC, a proposta da empresa é de que a suspensão dure até três
meses. Durante este período, os trabalhadores receberiam bolsa-qualificação
profissional.
Contatada, a Volvo admitiu
a negociação. A empresa, segundo sua assessoria de imprensa,
precisa ajustar a produção à demanda atual por
caminhões, que não se recuperou nos mercados interno
e externo, em relação ao ano passado.
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AGÊNCIA DIAP, 30 de
junho de 2009
Demissão imotivada: mensagem
presidencial será examinada pelo Trabalho
Agência DIAP
Com decisão da Mesa, agora Mensagem Presidencial será transformada
em projeto de decreto legislativo da Câmara (PDC), que será, inicialmente,
examinado pela Comissão de Trabalho da Câmara
A Mesa Diretora da Câmara indeferiu (rejeitou) o requerimento do deputado
Júlio Delgado (PSB/MG) para arquivar a Mensagem Presidencial 59/08,
que ratifica a Convenção 158, da OIT, que trata da demissão
imotivada.
Delgado foi relator da matéria na Comissão de Relações
Exteriores e Defesa Nacional, que aprovou o parecer contrário à Mensagem
do Governo.
Com a rejeição
da mensagem, Delgado pediu o arquivamento da proposta na Câmara.
O DIAP questionou este encaminhamento,
pois apenas duas comissões na Câmara podem, pelo regimento
interna da Casa, arquivar proposições caso sejam rejeitadas
- a de Constituição, Justiça e Cidadania; e a de
Finanças e Tributação.
Prevaleceu a tese do DIAP.
Ademais, é preciso esclarecer
que mensagem presidencial não pode ser arquivada nas comissões
temáticas.
Independente do resultado, a
mensagem precisa concluir toda tramitação até ser
votada no plenário. Só o plenário - da Câmara
ou do Senado - pode arquivá-la, se for rejeitada.
Próximos
passos
Com a decisão da Mesa, agora a Mensagem Presidencial será transformada
em projeto de decreto legislativo da Câmara (PDC), que será, inicialmente,
examinado pela Comissão de Trabalho.
E depois, pela Comissão
de Constituição e Justiça.
A matéria aguarda designação
de relator na Comissão de Trabalho.
Pressão
sindical
Mas se não houver pressão do movimento sindical, pouco efeito
terá a decisão da Mesa.
É preciso que as entidades
pressionem o presidente da Comissão de Trabalho, deputado Sabino
Castelo Branco (PTB/AM) para que a matéria seja distribuída
para um parlamentar favorável à proposta, a fim de que
produza um parecer favorável e imediatamente paute o projeto para
votação no colegiado.
O movimento sindical perdeu a
primeira batalha, pois a mensagem foi derrotada na primeira comissão
da Câmara, mas venceu a segunda, ao não permitir o arquivamento
da iniciativa do Executivo.
Porém, é preciso
continuar o movimento; do contrário, a tendência é que
Castelo Branco não distribua rapidamente o projeto antes de encerrar
o primeiro semestre.
Pauta
trabalhista
A Convenção 158 faz parte da "Pauta trabalhista", que
as centrais sindicais apresentaram em maio ao presidente da Câmara, Michel
Temer (PMDB/SP).
Além da demissão
imotivada, faz parta da pauta a redução da jornada de
trabalho (PEC 231/95); fator previdenciário (PL 3.299/08); salário
mínimo (PL 1/07); trabalho escravo (PEC 438/01); Convenção
151 (PCD 795/08); e terceirização (PL 4.302/08) mensagem
389/03, que pede o arquivamento do projeto.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
30/06/2009
Sexta Turma mantém hipoteca judiciária
em ação contra Unilever
A hipoteca judiciária, prevista
no Código de Processo Civil (artigo 466), é um direito
do credor, pode ser ordenada de ofício pelo juiz independentemente
de pedido da parte e é efeito da sentença para garantir
o cumprimento da decisão judicial, impedindo o dilapidamento
dos bens do réu, em prejuízo da futura execução.
Apesar de pouco utilizada na Justiça do Trabalho, sua aplicação
tem sido promovida principalmente pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 3ª Região (MG), o que tem levado as empresas atingidas
a contestar o uso do instituto em recursos ao Tribunal Superior do
Trabalho. Recurso recente discutindo o tema envolveu a Unilever Brasil
Ltda. e um ex-empregado de sua unidade de Vespasiano (MG), onde são
fabricados detergentes e sabões em pó.
A ação trabalhista
movida pelo operador de embalagem foi julgada parcialmente procedente
pelo juiz da Vara do Trabalho da Pedro Leopoldo (MG), que reconheceu
o direito do trabalhador a 30 minutos diários de horas de percurso
(horas in itinere), adicional de insalubridade em razão de ruído
e equiparação salarial com um colega que realizava as mesmas
funções e ganhava mais. Empregado e empregador recorreram
ao TRT/MG. O Regional acrescentou à condenação o
pagamento de uma hora extra diária relativa ao intervalo intrajornada
e, julgando o recurso da Unilever, declarou a hipoteca judiciária
sobre bens imóveis do devedor, correspondentes ao valor da condenação,
gerando o direito real de sequela, até seu pagamento.
No recurso ao TST, a defesa da
Unilever qualificou a hipoteca judiciária como “ato teratológico” (monstruoso
e absurdo) do TRT/MG e contestou sua aplicação sem que
tenha havido requerimento do trabalhador. Argumentou ainda que a Unilever é uma
das maiores empresas do País, não se justificando a medida
contra uma indústria de seu porte e liquidez e que, de acordo
com o Código de Processo Civil, a execução deverá fluir
pela forma manos gravosa ao devedor. Relator do recurso, o ministro Aloysio
Corrêa da Veiga, afirmou que, “ao lançar mão
da hipoteca judiciária, o TRT/MG visou à garantia dos créditos
devidos ao trabalhador, sem com isso ofender a ampla defesa e o contraditório,
uma vez que a Unilever deles tem se valido no seu intento de alterar
o desfecho do que foi decidido”.
O acórdão regional,
relatado pelo juiz Antônio Álvares da Silva, defende que, “de
dispositivo morto, a hipoteca judiciária pode se transformar em
realidade e contribuir decisivamente para a execução da
sentença e para a efetiva prestação jurisdicional” enquanto
não houver lei que exija o depósito integral da condenação. “Até que
haja mudanças mais profundas, a hipoteca judiciária pode
ser a solução. Incidindo sobre os bens da executada, a
execução fica garantida e os bens, na quantia devida, indisponíveis.
O caminho é, pois, fácil e lógico. Basta que a jurisprudência
trabalhista adote, para o crédito alimentar, uma medida que é empregada
pelo legislador comum”, registra o acórdão.
Para o TRT/MG, a hipoteca judiciária é um
efeito da sentença, assim como as custas, a correção
monetária, os honorários de perito, os descontos previdenciários
e o imposto de renda. O extenso acórdão trata dos supostos
entraves à utilização do instituto, rejeitando-os
um a um. Caso a sentença seja reformada em instância superior,
a hipoteca automaticamente se desfaz. Caso a hipoteca alcance bem de
família que, por lei, é impenhorável, a parte pode
alegar este fato até mesmo antes de sua constituição.
Como a hipoteca se dá após a sentença de primeiro
grau, ainda não há penhora e muito menos penhora "on
line". “Por isso é que ela exerce, desde logo, seu
salutar efeito para garantir-lhe a execução da sentença,
impedindo que a empresa malbarate seus bens”, concluiu.
Ao acompanhar o relator o ministro
Horácio Senna Pires afirmou que “a hipoteca judiciária é um
instituto que passa desapercebido, não se valendo dele os juízes”.
O ministro Maurício Godinho Delgado ressaltou que a hipoteca judiciária é consequência
da sentença, mas o juiz deve usá-la com moderação.
Segundo ele, pelo fato de a empregadora em questão ser uma grande
empresa multinacional, líder mundial em seu setor, talvez até não
fosse necessária, mas não é algo capaz de gerar
nulidade processual. O recurso da Unilever foi provido no ponto em que
questionou a aplicação de multa administrativa imposta
pelo TRT/MG em razão da condenação ao pagamento
de adicional de insalubridade, já que a Justiça do Trabalho
não tem competência para isso. ( RR 571/2006-092-03-00.0)
(Virginia Pardal)
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30/06/2009
Policiais conseguem reconhecimento
de vínculo com empresa
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
rejeitou embargos da Editora Guanabara Koogan contra o reconhecimento
de vínculo empregatício de dois policiais militares. A
empresa havia embargado decisão da Primeira Turma do TST, que
reconheceu o vínculo ao entendimento de que a atividade de segurança
privada desenvolvida pelos policiais na empresa estava amparada legalmente
nos termos do artigo 3º da CLT.
Em 1999, os policiais reclamaram
na Justiça que trabalhavam como segurança para a editora,
por meio de uma empresa terceirizada, e foram demitidos sem o pagamento
de verbas rescisórias após reclamarem o recebimento de
gratificação natalina. Entre outros itens, pediram o reconhecimento
de vínculo de emprego com a editora. Tanto na primeira instância
quanto no recurso ordinário ao Tribunal Regional do Trabalho da
1ª Região (RJ) o vínculo foi negado. Para aqueles
julgadores, a relação jurídica de subordinação
não poderia existir, porque policiais da ativa tinham horários
determinados pela corporação que não poderiam ser
desrespeitados. Entenderam, assim, que o trabalho na editora era eventual.
Ao contrário das instâncias
anteriores, a Primeira Turma do TST não viu motivo para que o
reconhecimento do vínculo fosse negado, pois se tratava de atividade
lícita, amparada legalmente na CLT. A Turma deu provimento a recurso
do grupo e reformou a sentença, julgando procedentes seus pedidos.
A editora então interpôs os à SDI-1 SDI – o órgão
uniformizador das decisões da Justiça Trabalhista –,
mas não obteve êxito. O relator, ministro Vantuil Abdala,
explicou que, uma vez atendidos os requisitos celetistas, a Súmula
nº 386 do TST legitima o reconhecimento de relação
de emprego entre policial militar e empresa privada, independentemente
das sanções disciplinares a que o policial esteja sujeito
na corporação. ( E-ED-ED-RR-789851-2001.6)
(Mário Correia)
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29/06/2009
Embraer e sindicatos não chegam
a acordo sobre demissões
Terminou sem acordo a tentativa
de conciliação entre a Empresa Brasileira de Aeronáutica
S.A. (Embraer) e os sindicatos que representam as categorias de metalúrgicos
e de trabalhadores nas indústrias de construção
de aeronaves no Tribunal Superior do Trabalho. A reunião foi convocada
pelo ministro Maurício Godinho Delgado, relator do recurso da
Embraer contra decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas/SP), no dissídio coletivo relativo à demissão
de 4.200 empregados da empresa, em fevereiro deste ano.
Vários aspectos do problema
foram apresentados na reunião. O relator sugeriu, em vez da demissão,
a readmissão de parte dos demitidos e a suspensão dos contratos
de trabalho com base no artigo 476-A da CLT, que permite a medida por
um período de dois a cinco meses, para participação
do empregado em curso ou programa de qualificação profissional
oferecido pelo empregador. Discutiu, também, a possibilidade de
criação de um plano de demissões voluntárias
(PDV) que contemplasse os demitidos em bases financeiras mais vantajosas.
Finalmente, formalizou proposta que partia da decisão do TRT/Campinas
e a ampliava para garantir aos demitidos indenização equivalente
a quatro vezes o valor do aviso prévio, limitada ao teto de R$
14 mil.
Os trabalhadores se dispuseram
a levar as propostas às assembléias da categoria, desde
que houvesse sinalização positiva da empresa. Todas as
propostas foram rejeitadas pela Embraer, que afirmou não ter condições
de fazer mais concessões além das já feitas nas
negociações no TRT/Campinas.
O ministro Maurício Godinho
afirmou sua intenção de levar o processo a julgamento na
primeira sessão da SDC no segundo semestre, marcada para o dia
10 de agosto, e explicou que a proposta que apresentou visava exclusivamente à conciliação,
e não tinha nada a ver com o voto que ainda vai elaborar para
o julgamento. “Trata-se de matéria nova para a SDC, e, portanto, é um
mistério qual será o resultado do julgamento”, observou
o relator. “Por isso, é mais fácil que as partes
negociem e que a empresa lide com um resultado previsível, ainda
que com algum custo financeiro.” O ministro insistiu para que as
partes tentem chegar a uma solução negociada para as demissões
antes do julgamento, e pôs-se à disposição
para homologar o acordo, caso as partes consigam obtê-lo.
Entenda o caso
No dia 19 de fevereiro, a Embraer
anunciou a demissão de 4.200 trabalhadores. Os sindicatos instauraram
dissídio coletivo no TRT/Campinas, que, liminarmente, suspendeu
as demissões até a data da primeira audiência de
conciliação, dia 5 de março. Após várias
tentativas de conciliação fracassadas, a Seção
de Dissídios Coletivos do TRT/Campinas, embora não tenha
determinado a reintegração dos demitidos, estendeu o prazo
fixado na liminar, obrigando a Embraer a pagar salários desde
a data da demissão (19/02) até 13/03, dia da última
tentativa de conciliação, como se os contratos ainda estivessem
em vigor.
Em 13 de abril, o presidente
do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Milton de Moura França,
concedeu efeito suspensivo da decisão regional, pedido pela Embraer,
com relação à prorrogação dos contratos
de trabalho até o dia 13 de março. Os efeitos da decisão
ficaram, portanto, suspensos até que o TST julgue o mérito
do recurso ordinário em dissídio coletivo – cujo
relator é o ministro Maurício Godinho Delgado. ( ES-207660/2009-000-00-00.7
)
(Carmem Feijó)
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