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O ESTADO DO PARANÁ,
02 de julho de 2009 | Economia
Desemprego entre jovens é 3,2
vezes maior ao de adulto
Agência Estado
A taxa de desemprego entre jovens no Brasil é 3,2 vezes superior à registrada
entre adultos, apontou hoje o relatório "Trabalho Decente e Juventude
no Brasil", organizado pela Organização Internacional do
Trabalho (OIT) em parceria com o Conselho Nacional de Juventude (Conjuve).
Por meio da análise de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) de 2006 e atualizados em 2008, o levantamento constatou
que o índice de desemprego entre brasileiros de 15 a 24 anos é de
17,8% em relação aos 22,2 milhões de jovens economicamente
ativos, ou seja, ocupados ou que procuram por uma oportunidade profissional.
A taxa é mais do que o
triplo da constatada entre adultos de 25 anos ou mais, de 5,6%. Outro
dado também registrado pela pesquisa é que a porcentagem
de jovens desempregados responde por quase metade da população
economicamente ativa que procura por emprego: 3,9 milhões (ou
49,1%) dos 8 milhões de desocupados.
Em relação a dados
anteriores do IBGE, colhidos desde 1992, a taxa de desemprego tem apresentado
elevação entre os jovens de 15 a 24 anos. De 1992 a 2008,
a desocupação saltou de 11,9% para 17,8%, com pico de 19,6%
em 2005. No mesmo período de análise, também houve
aumento, ainda que menor, do desemprego entre adultos, que passou de
4,3% para 5,6%.
O relatório observa que
a taxa de desemprego entre os jovens é agravada por variáveis
como sexo e raça. Entre as mulheres, a desocupação
chega a 23%, porcentagem superior aos 13,8% observados entre os homens.
Já entre os homens que se reconhecem como brancos, a taxa é de
18,7%, inferior à observada entre os que se dizem negros (23%).
Quando sobrepostos esses dois
fatores, a desigualdade é ainda maior. A porcentagem de desemprego
entre homens brancos chega a 12,6%, quase a metade da observada entre
mulheres negras (24,7%). Os pesquisadores da OIT apontam que o maior
déficit de emprego entre essa população é justificado
pela discriminação social de que as mulheres e os negros
são vítimas.
Os analistas ainda observam que
as maiores taxas de desocupação entre jovens estão
nas Regiões Sudeste (20,3%), Centro-Oeste (17,7%) e Nordeste (16,7%).
Quando levadas em conta as unidades da Federação, o desemprego
juvenil é mais elevado no Rio de Janeiro (26%) e no Distrito Federal
(25,6%). As menores taxas foram registradas no Piauí (8,6%) e
em Santa Catarina (11,3%).
Além da maior incidência
de desemprego entre os jovens, o relatório da OIT constatou que
quase um terço dos profissionais da faixa etária entre
15 e 24 anos não têm carteira de trabalho assinada (31,4%).
A informalidade entre a mão de obra jovem é mais de duas
vezes superior à registrada entre os adultos (14,1%). De acordo
com o estudo, a maior frequência de emprego sem carteira assinada
entre os jovens se deve ao fato da maior parte estar empregada em micro
e pequenas empresas, onde é maior a parcela de informalidade.
Causas e soluções
Para a OIT, a maior incidência
de desemprego entre os jovens se deve às transformações
econômicas e sociais pelas quais o País passou nas décadas
de 1980 e 1990, como o baixo ritmo de crescimento econômico e a
desestruturação do mercado de trabalho.
O relatório ainda observou
que a tendência à demissão é mais comum entre
os jovens pelo hábito da faixa etária de deixar seus postos
de trabalho com mais frequência do que os adultos, uma vez que
costumam ter menos responsabilidades a cumprir com família e agregados.
Ele ainda mostra que, embora o crescimento econômico seja uma condição
necessária para a redução do desemprego juvenil,
não é condição suficiente. São necessárias
também políticas específicas voltadas para melhorar
o padrão de inserção dos jovens no mundo do trabalho.
O estudo propõe
como solução para o problema maior investimento na escolarização
e qualificação dos jovens por meio de programas governamentais.
Ele cita como exemplo o ProJovem Urbano e o ProJovem Trabalhador, ambos
do governo federal.
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Agência Diap, 2 de
julho de 2009
Visão patronal sobre redução
da jornada de trabalho (PEC 231/95)
Nesta terça-feira (30), a comissão especial sobre a PEC 231/95
aprovou por unanimidade a proposta que reduz a jornada de trabalho d 44 para
40 horas semanais, sem redução de salário e com aumenta
do valor da hora extra de 50% para, no mínimo, 75% do valor da hora
normal.
A decisão repercutiu de
modo muito positivo no mundo do trabalho. Mas no mundo empresarial, a
decisão não foi bem recebida.
Mesmo com todo debate e vários
estudos mostrando que a redução da jornada poderá gerar
cerca de 2 milhões de novos postos de trabalhos e ainda produzir
benefícios sociais tanto para o trabalho quanto para o capital,
os patrões ainda estão aferrados à teses que não
encontram respaldo na realidade.
Num tom ameaçador, a CNI
(Confederação Nacional da Indústria) repercutiu
a aprovação da proposta na Câmara:
"Redução
da jornada de trabalho será obstáculo ao emprego, alerta
CNI
A Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 231/95, que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais,
sem o correspondente ajuste nos salários, e aumenta o adicional
da hora extra de 50% para 75% sobre o valor da hora trabalhada não
estimulará a criação de empregos.
APEC aprovada pela comissão
especial da Câmara dos Deputados elevará os custos da
produção indistintamente em todas as empresas, atividades
e regiões do País.
Consequentemente, a proposta
representará mais um obstáculo às contratações,
ressalta a Confederação Nacional da Indústria
(CNI).
A criação de
emprego depende de diversos fatores, principalmente de investimentos
na produção, de aumento do consumo, de crescimento sustentado
e educação de boa qualidade.
Leis não criam empregos.
Especialmente neste momento
em que a economia brasileira enfrenta os efeitos nefastos da recessão
mundial, a redução na jornada de trabalho, sem o ajuste
correspondente nos salários, comprometerá a competitividade
das empresas.
‘Estamos especialmente
preocupados com o impacto da medida nas micros e pequenas empresas,
que não terão condições de absorver ou
repassar os custos provocados pela medida', afirma o presidente da
CNI, Armando Monteiro Neto.
A Constituição
Federal estabelece o limite máximo da jornada em 44 horas semanais
e assegura acordos ou convenções coletivas que fixam
expedientes menores.
Portanto, empregados e empregadores
têm liberdade para ajustar a duração do trabalho às
suas reais possibilidades.
Acordos coletivos negociados
entre as partes já garantem a várias categorias profissionais
jornadas inferiores a 44 horas semanais.
A CNI entende que a livre
negociação é o caminho possível e sustentável
para a redução da jornada de trabalho e a resposta mais
adequada à questão do emprego.
Regras trabalhistas mais
modernas e flexíveis desestimularão a informalidade,
garantindo direitos básicos a milhões de trabalhadores
e segurança às empresas."
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Gazeta
do Povo, 2 de julho de 2009
Relações trabalhistas
Redução de jornada opõe
sindicalistas e empresários
CNI fala em aumento do custo de produção
de até 15% com a medida. Entidade sindical, por outro lado, prevê a
criação de 2,2 milhões de empregos – 120 mil só no
Paraná
A avaliação sobre
os possíveis efeitos da proposta de redução da jornada
de trabalho de 44 para 40 horas semanais – aprovada na segunda-feira
pela comissão especial da Câmara dos Deputados –, colocou
em campos opostos trabalhadores e empresários. Enquanto as centrais
sindicais destacam a medida como parte da solução para a
crise, entidades patronais avaliam que a proposta deve encarecer o custo
da produção, causando ainda mais demissões.
Segundo estimativa da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), a redução da jornada
deverá causar um aumento entre 10% e 15% nos custos dos setores
intensivos de mão de obra. Já um estudo do Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) considera
que esse impacto será de 2%, com um potencial de geração
de até 2,2 milhões de empregos em todo o país num
prazo de três anos após a implantação da medida.
No Paraná, a estimativa do Dieese aponta para a abertura de até 120
mil postos de trabalho.
O vice-presidente da Federação
das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Helio Bampi, diz
que a entidade recebeu com “grande pesar” a aprovação
da medida. “A aprovação por unanimidade [na comissão]
mostra uma certa vontade do Congresso em aprovar a medida em plenário.
Para o setor produtivo, essa será uma segunda ‘pancada’,
logo depois da crise”, avalia.
Para a Fiep, o cálculo de
que a redução da jornada de trabalho sem a redução
de salário criaria novas vagas é distorcido. “[A medida]
deve levar à diminuição da produtividade e à perda
de competitividade da indústria brasileira, que ainda é intensiva
em mão de obra e muito dependente do mercado externo”, garante.
Bampi acredita que, num primeiro
momento, cada setor tentará compensar esse custo de alguma forma. “Mas,
dentro de três ou quatro anos, a perda de competitividade vai significar
a diminuição de postos de trabalho”, afirma.
O secretário-geral nacional
da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo, contesta
a alegação, e diz que a indústria brasileira aumentou
sua produtividade em 150% nos últimos 15 anos, tendo assim capacidade
para absorver a redução na carga horária sem sofrer
um “grande impacto”.
“Isso vai aumentar o poder
de compra dos trabalhadores, injetando mais recursos na economia e fortalecendo
o mercado interno, dando início a um ciclo virtuoso de crescimento,
que também vai beneficiar as empresas”, considera o sindicalista.
O economista do Dieese-PR Cid Cordeiro
argumenta que a redução deve se limitar a aproximadamente
60% do mercado de trabalho brasileiro. “Estimamos que 40% dos trabalhadores
já trabalhem no regime de 40 horas semanais. O funcionalismo público,
grande parte do setor de serviços e algumas categorias profissionais,
como os bancários, por exemplo, não seriam impactados”,
diz.
Cordeiro compara a atual
resistência dos empresários à proposta ao debate
que ocorreu durante a discussão das políticas de valorização
do salário mínimo. “Na época, os empresários
argumentavam que o aumento do mínimo elevaria o custo das empresas
e promoveria demissões. Hoje é unânime a opinião
de que essa valorização distribuiu renda e fortaleceu o
consumo interno e a economia como um todo”, afirma.

Mais caro
Número de horas extras pode dimuir
A última redução na
jornada de trabalho foi garantida pela Constituição de 1988,
que reduziu de 48 para 44 o número de horas trabalhadas pelos brasileiros
por semana. À época, a medida não teve o impacto esperado
na geração de novas vagas, em grande parte porque as empresas
tentaram compensar a diminuição da carga horária com o
pagamento de horas extras.
Desta vez, para evitar que a medida
tenha o mesmo efeito, o projeto prevê um acréscimo de 50%
para 75% no valor da hora extra, tornando-a mais cara para obrigar as empresas
a contratar novos funcionários.
Para a advogada e consultora trabalhista
e previdenciária do Centro de Orientação Fiscal (Cenofisco),
Andreia Antonacci, isso gera o potencial de aumentar em até 30%
a demanda por mão de obra nos setores empregatícios. “Ao
mesmo tempo em que o trabalhador ganhará o mesmo salário
trabalhando menos, ele deve estar ciente de que terá reduzido o
número de horas extras que recebe, já que outra pessoa será contratada
para compensar a redução”, explica.
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Gazeta do Povo, 2 de julho
de 2009
Mobilidade social
Classe C para de crescer
A crise econômica mundial interrompeu a mobilidade social no país.
No final de 2008, a distribuição da população brasileira
se manteve praticamente a mesma contabilizada no ano anterior, após
a ascensão social registrada até então. A classe C, principal
grupo do país, passou de 36% para 46% da população de
2006 para 2007, e ficou estagnada em 45% no ano passado. Os dados foram divulgados
ontem pela Cetelem, do grupo BNP Paribas, e se referem à pesquisa feita
no final de dezembro com 1,5 mil pessoas com 16 anos ou mais em 70 cidades.
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O ESTADO DO PARANÁ,
02 de julho de 2009 | Economia
Lula diz que G-8 não decide
mais nada sobre a crise
Agência Estado
O G-8 não morreu, mas não tem mais poder de decisão sobre
a crise do sistema financeiro internacional. A análise foi feita hoje,
em Sirte, na Líbia, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
e revigora o esforço que o governo brasileiro está fazendo para
manter vivo o principal grupo do qual participa, o G-20. Segundo Lula, a reunião
dos sete países mais ricos do mundo, mais a Rússia (grupo dos
oito, G-8), na Itália, marca a continuidade do G-8, mas "sem importância".
O G-8 se reunirá na próxima
semana, entre 8 e 11 de julho, em Áquila, na Itália. O
Brasil é convidado apenas para o segundo dia, quando às
potências industrializadas se unirão os países emergentes.
Há cerca de um mês, o governo tem se debatido para reduzir
o peso internacional do G-8, lutando pela sobrevivência do G-20.
Parte desse esforço foi realizado na Cúpula dos BRIC (Brasil,
Rússia, Índia e China), realizada em Ecaterimburgo, na
Rússia, há 15 dias.
As declarações
de Lula marcaram ligeira falta de sintonia com ministro das Relações
Exteriores, Celso Amorim. Há 20 dias, em Paris, o chanceler havia
afirmado que o G-8 - grupo formado por Estados Unidos, Canadá,
Japão, Alemanha, França, Reino Unido e Itália, além
da Rússia - "estava morto" desde a Cúpula de
Londres do G-20, em abril. Hoje, Lula se disse menos pessimista do que
seu ministro, mas menosprezou a reunião das maiores potências. "Do
ponto de vista da representação política, para discutir
a crise, o G-8 já não vale mais. Esse não vale mais",
reiterou.
Lula disse não acreditar
no futuro de um grupo que não conta com a participação
de países emergentes como China, Índia e Brasil. "O
G-20 vai continuar, o G-8 vai continuar sem importância, porque
não tem sentido: o mundo hoje não depende somente dos países
ricos. Os países emergentes têm uma importância e
uma ascendência na economia mais importante que os países
ricos", sustentou. Descontraído, Amorim o interrompeu para
afirmar: "Salvou meu emprego, presidente".
Sobre sua participação
em Áquila, Lula disse que deve voltar a insistir na importância
da conclusão do acordo da Rodada Doha, demonstrando satisfação
pelo avanço da posição norte-americana sobre as
negociações comerciais. "Me parece que agora o Obama
(Barack Obama, presidente dos EUA) já admite conversar. Os interlocutores
norte-americanos já estão estabelecendo uma conversa
e eu espero que a gente avance", sintetizou.
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Folha
de S.Paulo, 2 de julho de 2009
Sarney ameaça renunciar e provoca
recuo de petistas
Presidente do Senado indica ao PT que sua saída
será um problema para Lula | Além de perder apoio de boa
parte do PMDB no Senado, governo colocaria em risco aliança com
sigla em favor da candidatura Dilma em 2010
VALDO CRUZ
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Após ter seu afastamento por 30 dias
defendido pelo PT no Senado, o presidente da Casa, José Sarney
(PMDB-AP), ameaçou ontem renunciar ao cargo e forçou
os petistas a recuarem da posição inicial.
Ao final de uma reunião de emergência com Sarney na noite de ontem,
os petistas mudaram o tom do discurso da manhã e se mostraram inclinados
a defender a permanência do presidente do Senado. Funcionou a estratégia
de Sarney de transferir ao PT a responsabilidade por sua permanência
no cargo.
O governo perderia o apoio de boa parte do PMDB nas votações
do Senado, e a sigla seria estimulada a abandonar a aliança visando
a eleição presidencial, trocando a candidatura da petista Dilma
Rousseff pela do tucano José Serra.
O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), reconheceu na saída
da casa de Sarney a tendência de o partido recuar e passar a defender
a permanência do peemedebista. "É o mais provável.
Vamos falar com o presidente Lula, mas é o Sarney quem vai decidir."
" Não acredito que possa prosperar [a proposta inicial petista]",
acrescentando que a decisão da bancada será tomada hoje após
encontro com Lula -o presidente ligou para Ideli Salvatti (SC) durante a reunião
para marcar a conversa. Mercadante disse ainda que a decisão do PT depende
de Sarney aceitar a reforma administrativa "ampla e geral", com atuação
do colégio de líderes.
Dos dez senadores petistas que estiveram reunidos com Sarney, apenas dois mantiveram
a posição de defender a licença do peemedebista: Marina
Silva (AC) e Eduardo Suplicy (SP). Tião Viana (AC) e Flávio Arns
(PR) não compareceram.
O peemedebista rejeitou o argumento da licença, afirmando que não
teria condições de voltar. E insistiu que, sem o apoio do PT,
teria de renunciar.
A preocupação do governo com o risco de saída de Sarney
já era clara anteontem, quando Dilma Rousseff (Casa Civil) ligou para
o peemedebista e pediu um encontro com ele.
Dilma transmitiu um recado de Lula a Sarney -que ele aguardasse o retorno do
presidente da viagem antes de tomar qualquer decisão. A reunião
poderia ocorrer ontem à noite.
Pela manhã, os líderes do governo no Congresso -Ideli- e do PT
-Mercadante- haviam se reunido com Sarney para sugerir que se afastasse por
30 dias e criasse a comissão para tocar a reforma administrativa.
Na reunião, Sarney fez a ameaça de renunciar ao cargo.
Ele disse que, depois de perder o apoio do DEM no dia anterior, se ficasse
sem o suporte do PT não teria condições "aritméticas" de
ficar no cargo.
Lembrou a Ideli e Mercadante que só teria apoio de PMDB, PTB, PR e PRB,
que juntos somam no máximo 30 dos 81 votos da Casa -já contabilizadas
as defecções em seu partido.
Disse ainda aos petistas que iria informar Lula sua decisão de renunciar
ao cargo diante da posição petista de pedir seu afastamento do
cargo.
Depois disso, Mercadante reuniu novamente a bancada, quando foi decidido que
voltariam a se reunir com Sarney.
Para justificar a mudança de rumo, Mercadante disse: "Percebemos
o quanto essa aliança é importante e a influência de Sarney
no PMDB".
O petista disse que a renúncia de Sarney só interessa aos partidos
da oposição.
Sarney enfrenta uma crise no Senado desde sua posse, em fevereiro. Em março,
seu protegido Agaciel Maia caiu da Direção Geral por ter omitido
a posse de uma casa de R$ 5 milhões. Uma sucessão de denúncias
se seguiu, culminando na revelação de que havia atos secretos.
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FOLHA DE LONDRINA, 02 de
julho de 2009 | Política
Senadores já se apresentam para
ocupar presidência do Senado
A tendência é que o comando
da Casa permaneça nas mãos do PMDB
Brasília - Diante da perspectiva de o presidente do Senado, José Sarney
(PMDB-AP), renunciar ao cargo, os candidatos a sua sucessão começaram
a se movimentar. Um dos nomes mais cotados era o do senador Garibaldi Alves
(PMDB-RN) que, há dois anos, também assumiu a presidência
do Senado, depois da renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL) ao cargo.
Na terça-feira, Garibaldi foi um dos três senadores do PMDB que
defendeu publicamente que Sarney se licencie do comando da Casa. Ao mesmo tempo,
mas com pouquíssimas chances, o DEM trabalha para viabilizar o nome
de Marco Maciel (DEM-PE) à presidência do Senado.
Com a eventual saída de
Sarney, a tendência é que o comando da Casa permaneça
nas mãos do PMDB. Terá de haver uma nova eleição
para escolha de um novo presidente. A avaliação entre os
peemedebistas é a de que não há nomes viáveis
e de consenso na bancada de 19 senadores em condições de
suceder Sarney, sem entrar em confronto com o Palácio do Planalto.
As pretensões de Garibaldi de vir novamente a ocupar a presidência
do Senado só se tornarão realidade em uma negociação
de consenso entre todos os partidos. Afinal, lembram interlocutores de
Sarney, a Constituição proíbe a reeleição
de presidentes do Congresso na mesma legislatura. Garibaldi comandou
o Senado entre dezembro de 2007 e fevereiro de 2009 e, por isso, não
pode concorrer à reeleição no início deste
ano. Agora, mesmo com a eleição de Sarney em fevereiro último,
Garibaldi não poderia disputar uma novamente a cadeira de presidente
do Senado porque está na mesma legislatura. ''Não tem nenhuma
vaga desocupada, não tem porque se falar nisso'', desconversou
hoje Garibaldi sobre sua eventual candidatura à sucessão
de Sarney.
Sem nomes de peso no PMDB para
substituir Sarney, o DEM trabalha para tentar emplacar o senador Marco
Maciel (PE). Ex-vice presidente da República, católico
praticante e na vida pública há mais de quatro décadas,
Maciel é tido como um ''magistrado'' capaz de administrar os ânimos
exaltados do Senado. Mas apesar das qualidades elencadas até mesmo
por seus adversários, o nome de Maciel dificilmente tem chances
de emplacar: o PMDB jamais vai perdoar a ''traição'' do
DEM, que decidiu pedir o afastamento de Sarney da presidência do
Senado.
Ao mesmo tempo em que a corrida à sucessão
de Sarney foi deslanchada, o PMDB deu sinais de que está preparado
para entrar em guerra com a oposição. O primeiro alvo dos
peemedebistas deverá ser o líder do PSDB, senador Arthur
Virgílio Neto (AM). O PMDB estuda fazer uma representação
no Conselho de Ética do Senado contra o tucano por falta de decoro
parlamentar. Em discurso na tribuna do Senado, Virgílio admitiu
ter pego emprestado 3,3 mil euros para pagar despesas de viagem ao exterior
com o ex-diretor do Senado Agaciel Maia. Confirmou ainda que continuou
a pagar o salário de um servidor de seu gabinete enquanto ele
fazia mestrado em Barcelona.
Ciente da estratégia do
PMDB de tentar levá-lo ao Conselho de Ética, Virgílio
subiu ontem à tribuna do Senado para avisar que venderá imóveis
da família para ressarcir os cofres públicos dos salários
pagos por mais de um ano a ex-servidor de seu gabinete, liberado pelo
tucano para estudar no exterior e continuar recebendo do Senado. ''Fui
líder do governo Fernando Henrique, ministro do governo Fernando
Henrique. Mandava na Petrobras, mandava nos outros ministros. Só não
fiquei rico porque não quis'', disse Virgílio. Ele também
pediu a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal
de Agaciel Maia.
Eugênia Lopes, ChristianeSamarco
e Denise Madueño
Agência Estado
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Folha de S.Paulo, 2 de julho
de 2009
ELEIÇÃO 1
TSE marca 1º turno para 3 de outubro
de 2010
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
aprovou ontem, na última sessão do semestre, o calendário
das eleições de 2010. O primeiro turno acontecerá no
dia 3 de outubro e o segundo, no dia 31, primeiro e último domingos
do mês.
Quem quiser se candidatar deverá se filiar ao partido até o dia
3 de outubro deste ano. Os partidos, por sua vez, têm até o dia
5 de julho de 2010 para registrar seus candidatos.
A partir de 1º de janeiro, todas as pesquisas que tenham relação
com as eleições devem ser registradas na Justiça Eleitoral.
A propaganda eleitoral será permitida a partir de 6 de julho de 2010.
A veiculação da propaganda gratuita no rádio e na televisão
será de 17 de agosto a 30 de setembro e, em caso de segundo turno, retomada
no dia 16 de outubro.
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Agência Senado, 2 de
julho de 2009
CPF, identidade, passaporte, habilitação
e carteira de trabalho poderão ter o mesmo número
A Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou nesta quarta-feira (01) projeto
que prevê a unificação da numeração
do Cadastro de Pessoa Física (CPF), da Carteira de Trabalho e
Previdência Social, da Carteira Nacional de Habilitação,
do passaporte e de quaisquer outros documentos necessários ao
cidadão, para que todos passem a ter o mesmo número do
Registro da Identidade Civil, à medida que forem sendo expedidos.
De autoria do deputado Celso
Russomano (PP-SP), o projeto (PLC 46/03) também exige que a carteira
de identidade contenha o tipo e o fator sanguíneo do titular.
Pela proposta, também poderá constar no documento, a pedido
do titular, carimbo comprobatório de deficiência física,
desde que esta seja atestada por autoridade de saúde competente.
O relator, senador Almeida Lima
(PMDB-SE), apresentou voto pela aprovação do projeto. No
relatório, o senador afirma que a medida dificultará a
ocorrência de fraudes e propiciará o aperfeiçoamento
do sistema de identificação civil.
Almeida Lima afirma também
que a informação sobre o tipo e o fator sanguíneo
na carteira de identidade pode facilitar o atendimento médico
emergencial. Já a declaração de deficiência
física, segundo o senador, poderá criar facilidades ao
titular do documento e evitar transtornos, especialmente na utilização
do transporte público, "pois determinadas deficiências,
como a auditiva ou a visual, podem não ser constatadas de maneira
tão clara como outras mais evidentes".
O relator manifestou-se contra
emenda apresentada por Lúcia Vânia (PSDB-GO) e Tasso Jereissati
(PSDB-CE) determinando que o Registro de Identidade Civil também
passasse a conter expressamente o seu órgão expedidor,
com o respectivo endereço, a fim de facilitar a devolução
em caso de perda. Para Almeida Lima, esses dados não são
imprescindíveis para a recuperação de documentos
perdidos. Além disso, afirma ele, poderia haver o risco de tornar
os documentos desatualizados em razão da mudança de endereço
dos órgãos expedidores. A matéria será ainda
votada pelo Plenário.
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O ESTADO DO PARANÁ,
02 de julho de 2009 | Economia
Adesão à formalização
de autônomos é restrita
Agência Estado
O início do processo de formalização de trabalhadores
autônomos de todo o País, alardeado pelo governo para hoje, ficou
restrito ao Distrito Federal. Um congestionamento de acessos no teste da página
eletrônica (www.portaldoempreendedor.gov.br), realizado na véspera,
levou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior (MDIC) a suspender temporariamente a possibilidade de adesão
ao programa dos trabalhadores que têm pequenos negócios em outros
Estados.
Em nota, o MDIC informou que
a integração da rede nacional, que permitirá a obtenção
do número no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ)
e a inscrição na Junta Comercial e na Previdência
Social, só estará concluída em 90 dias. As dificuldades
levaram o ministério a estabelecer um cronograma para integração
dos Estados, prevendo a habilitação de dois a cada semana.
Segundo o secretário de Comércio e Serviços do MDIC,
Edson Lupatini Júnior, "os ajustes necessários ao
total funcionamento do sistema estão sendo realizados".
A tentativa do governo federal,
com a criação da categoria de empreendedor individual, é formalizar
profissionais como ambulantes, manicures, costureiras, artesãos
e camelôs. Para isso, esses trabalhadores devem faturar até R$
36 mil por ano e desenvolver suas atividades sozinhos ou com apenas um
funcionário. A meta é tirar da informalidade este ano pelo
menos um milhão de autônomos. No total, segundo os dados
do IBGE, existem no País cerca de 11 milhões de pessoas
que trabalham por conta própria sem qualquer registro.
O novo regime permitirá isenção
de tributos federais, pagamento reduzido de impostos estaduais e municipais
e uma contribuição à Previdência Social.
No total, o custo mensal do novo empreendedor será de R$ 60.
Em troca, além do registro no CNPJ, os empreendedores individuais
terão direitos a benefícios previdenciários como
pensão, auxílios e aposentadoria por idade.
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CONSULTOR JURÍDICO,
02 de julho de 2009
Caráter salarial
Cuidados na concessão
de prêmios aos funcionários
Por Eurivaldo Neves Bezerra
A legislação trabalhista brasileira é uma das mais protetivas
do mundo. Com o ideal de conferir ampla proteção ao trabalho,
assim como diversos benefícios aos empregados, tendo como princípio
básico de que lucro é pecado, a CLT foi organizada e passou a
regulamentar as obrigações dos empregadores, sem muitas obrigações
dos empregados.
Com a criação de
centenas de dispositivos para proteção ao empregado, a
CLT acabou por dificultar qualquer tipo de bonificação,
incentivo ou premiação ao bom funcionário. Dessa
forma, caso o empregado mereça, por força da lei que o
protege, o empregador por vezes não o premia por conta do impacto
tributário que pode chegar a mais de 100% do valor.
A obrigatoriedade de integração
de qualquer vantagem ao funcionário em seu salário, somada
a uma carga tributária exorbitante, faz com que milhares de empregadores
deixem de premiar seus funcionários.
Recentemente o Tribunal Superior
do Trabalho (TST) caminhou novamente neste sentido, condenando uma empresa à integralização
destes prêmios concedidos à sua equipe de vendas.
A 2ª Turma do TST negou
provimento a recurso da empresa de produtos alimentícios Fleischmann
e Royal Ltda. e confirmou a decisão que declarou a natureza salarial
da parcela top premium, paga habitualmente em razão do alcance
de metas de produtividade por seus empregados. Nesse recurso, os empregados
recebiam determinado valor por atingirem metas de vendas determinadas
pela empresa.
Segundo o relator do recurso,
ministro Renato de Lacerda Paiva, a bonificação paga ao
empregado como prêmio pela sua produtividade não lhe retira
o caráter salarial, pois, para o Direito Trabalhista, é irrelevante
a nomenclatura que é dada à parcela ou a intenção
do empregador. “O que importa para caracterizar a sua natureza
salarial e a sua repercussão em outras verbas é o fato
de ter sido instituída em razão do contrato de trabalho
e a habitualidade do seu pagamento”, afirmou o relator em seu voto.
Renato Paiva acrescentou que,
apesar do uso da expressão “prêmio” como forma
de remuneração, em dinheiro ou não, com o objetivo
de recompensar o empregado pelo cumprimento de determinada meta instituída
pelo empregador, a natureza remuneratória desta parcela deve ser
reconhecida, desde que não tenha caráter eventual. O TRT-RS
determinou a integração da parcela, pela média,
em férias mais um terço, 13º salário, aviso
prévio, repousos semanais, feriados e FGTS mais 40% (RR 95.013/2003-900-04-00.1).
Ocorre que a premiação é viável
e deve ser utilizada pelos empregadores, desde que devidamente criados
os mecanismos legais para que não ocorra o entendimento acima.
Nossa expertise em administração
de contencioso empresarial permite a criação individual
para este tipo de premiação, nos exatos moldes da legislação
vigente, sobretudo com respeito à Lei 10.101/2000. Nos termos
do artigo 3º e seus parágrafos da Lei 10.101/2000, os valores
pagos com base nessa legislação, na periodicidade máxima
ali prevista, uma vez a cada semestre ou duas vezes no mesmo ano civil,
não substitui ou complementa a remuneração devida
a qualquer empregado, nem pode se constituir de base de incidência
de quaisquer encargos sociais (INSS, FGTS, etc...), não se lhe
aplicando o princípio da habitualidade.
Todavia, nos termos do artigo
2º, parágrafo 2º, da mesma Lei, o acordo sobre participação
nos lucros e resultados, para ter validade legal, deve obrigatoriamente — ser
arquivado na entidade sindical correspondente, sob pena de sua descaracterização
como tal, passando a ser considerado parcela salarial, incorporando a
remuneração do empregado, com as incidências dos
encargos sociais de praxe.
Dessa forma, após
a criação do referido instrumento, implementamos com
segurança esta forma de incentivo à equipe e maior motivação
financeira, viabilizando o objetivo da sociedade para a legalização
do pagamento pretendido, sem o perverso impacto da legislação
trabalhista.
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