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FOLHA DE SÃO PAULO,
03 de julho de 2009 | Dinheiro
Indústria reage e cresce
1,3% em maio
IBGE e analistas veem recuperação
mais firme; mas, em 12 meses, produção cai 5,1% até maio,
pior marca desde 1991 | Crescimento de 7,8% nos cinco primeiros
meses do ano ainda é insuficiente para compensar a retração
de 20% do fim de 2008
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Aos poucos, a indústria
começa a reagir com mais força à maior crise recente
da sua história e a produção passa a crescer de
modo mais firme e generalizado, embora num nível ainda baixo se
comparado ao bom desempenho registrado em 2007 e em 2008.
Tal retrato surge dos números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística). Pelos dados de maio, a produção da indústria
cresceu 1,3% na comparação livre de influências sazonais
com abril. Foi o quinto crescimento consecutivo e atingiu a maioria dos setores
pesquisados -20 de 27.
Para Isabela Nunes Pereira, economista da coordenação de indústria
do IBGE, o setor industrial vive uma fase "gradual e contínua de
recuperação". Tal tendência, afirma, teve início
em janeiro deste ano e se intensificou agora em maio.
Apesar da melhora, o setor se mantém fragilizado e num patamar de produção
ainda muito distante do de setembro do ano passado, quando bateu no topo histórico.
Desde então, a indústria brasileira desceu ladeira abaixo e alcançou
o fundo do poço em dezembro, quando o patamar produtivo voltou aos níveis
de 2004.
De janeiro a maio, a indústria cresceu 7,8% na taxa com ajuste sazonal
-expansão insuficiente para compensar, porém, a retração
de 20% entre setembro e dezembro de 2008.
Segundo o IBGE, a perda de fôlego desde o fim do ano passado resultou
numa queda de 5,1% no acumulado dos 12 meses encerrados em maio -pior desempenho
da série da pesquisa, iniciada em 1991.
Agora, com o crescimento registrado na margem, o ritmo de produção
das fábricas está no patamar de 2006 -ou seja, a crise jogou
por terra dois anos de expansão do setor.
Em maio, a produção caiu 11,3% na comparação com
igual mês de 2008. Em abril, a queda havia sido maior: 14,9%. Nessa base
de comparação, a indústria registrou a sétima taxa
negativa mensal.
De um lado, estoques menores do que ao final de 2008, crédito mais farto
e com prazos maiores e rendimento intacto -mesmo durante o auge da crise- impulsionam
a melhora da indústria. Nesse rol, está ainda a redução
do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) -que ajudou especialmente
o setor de veículos, mas impulsionou também toda a sua cadeia
de fornecedores.
Do outro lado, as exportações em queda por causa da retração
da demanda global e a freada dos investimentos no Brasil seguram ainda a indústria.
Segundo Nunes Pereira, os dados mostram que o mercado interno proporciona a
maior fonte de dinamismo à indústria, que reage de forma moderada,
mas contínua. "O que é muito importante porque o crescimento é lento,
mas não há interrupção."
Em suas análises, Tendências Consultoria, LCA e Rosenberg & Associados
compartilham da opinião de que os dados de maio indicam que a indústria
vive uma fase de recuperação mais firme, sustentada na melhora
do crédito, no benefício fiscal do IPI e na demanda interna.
Setores
Para Marcela Prada, da Tendências, os veículos são os destaques
desse início de recuperação, beneficiados pela redução
do IPI. De janeiro a maio, acumulam um crescimento de 64,9%. Apesar de expressiva,
tal expansão é ainda insuficiente, porém, para recompor
as perdas do pós-crise. No saldo de setembro a maio, o setor registra
queda de 24,9%, um dos piores desempenhos entre todos os ramos. "O IPI
ajudou e impulsionou a produção de uma série de outros
setores que fornecem para a indústria automotiva", diz ela.
Ainda entre os piores resultados desde o agravamento da crise, em setembro,
estão os de máquinas e equipamentos (-37%), material eletrônico
e de comunicações (-36,1%) e metalurgia (-24,1%).
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O ESTADO DO PARANÁ,
03 de julho de 2009 | Economia
Lupi propõe reduzir juro para
crédito com recurso do FAT
Agência Estado
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, anunciou hoje uma proposta para
que os bancos públicos, que operam empréstimos com recursos do
Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), reduzam em média em 50% os juros
cobrados nas linhas de crédito do Programa de Geração
de Emprego e Renda (Proger). Segundo o ministro, a proposta será submetida
a voto no Conselho Deliberativo do FAT (Codefat), na próxima terça-feira
(dia 7).
"Em o Conselho aprovando
a proposta, os agentes operadores, que são bancos públicos,
terão de cumprir", disse Lupi. A proposta atinge seis linhas
de crédito que beneficiam desde profissionais liberais, micro
e pequenas empresas até cooperativas e associações.
A redução proposta fará com que as taxas de juros
finais caiam do intervalo de 6% a 3% ao ano para entre 2,5% e 1,5% ao
ano.
Segundo Lupi, um grupo técnico
formado há dois meses no ministério identificou que, nessas
linhas do Proger, os bancos estariam embutindo nos juros um porcentual
de inadimplência e de custo com os depósitos compulsórios
(parte dos recursos captados pelos bancos junto aos clientes que têm
de ser recolhidos ao Banco Central). No entanto, de acordo com o ministro,
as linhas do Proger contam com a cobertura de um fundo de aval, formado
por recursos do próprio FAT, que cobre até 80% do valor
do financiamento. "Portanto, não há inadimplência",
disse. Quanto aos compulsórios, os recursos do FAT, segundo o
ministério, estariam livres dos recolhimentos obrigatórios
definidos pelo Banco Central.
De acordo com Lupi, a avaliação
detalhada dos custos desses empréstimos permite a redução
dos spreads (diferença entre os juros que os bancos pagam na captação
de recursos e o que cobrem dos clientes) e, para garantir que os bancos
cumpram a possível resolução do Codefat, o texto
da norma trará a nomenclatura de "taxa final efetiva" que
poderá ser cobrada pelos bancos. Até hoje, segundo o ministro,
a norma em vigor permite aos bancos driblarem a fixação
desse spread porque a nomenclatura usada é "taxa nominal
de juros". Lupi lembrou que essa proposta está em linha com
a orientação do governo de reduzir ao máximo os
spreads bancários.
Emprego formal
O ministro do Trabalho afirmou
ainda que o saldo de empregos formais a ser registrado no Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados (Caged) de junho será positivo e
deverá ser melhor que o de maio, quando o resultado foi de 130
mil novos postos de trabalho.
Lupi disse que a previsão
reflete seu otimismo em relação à recuperação
da economia, já que os dados sobre contratações
e demissões feitas pelas empresas no mês passado começaram
a chegar ao ministério ontem. O prazo legal para as empresas informarem
ao governo as movimentações em sua folha de pagamentos
termina sempre no dia 7.
Segundo o ministro, a informação
divulgada hoje pelo IBGE de que houve um crescimento de 1,3% na produção
industrial nacional em maio ante abril confirma a percepção
de que o setor industrial está se recuperando dos efeitos da
crise. "Todos esses indicadores vão continuar melhorando
com o início do segundo semestre", afirmou. Lupi acrescentou
que mantém sua previsão de que o ano de 2009 registrará abertura
de 1 milhão de novos empregos com carteira assinada.
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AGÊNCIA DIAP, 03 de
julho de 2009
Empresas que demitiram no auge da crise
já começam a recontratar
Empresas que demitiram no auge da crise já começaram
a recontratar funcionários, especialmente no setor automotivo.
A MWM International Motores cortou
um dia por semana com 15% de desconto para os 800 funcionários
da unidade de Canoas de fevereiro a abril, informou o diretor de recursos
humanos, Paulo Borba.
O acordo, que incluiu os 2 mil
trabalhadores da fábrica de São Paulo, fez parte de um
programa para reduzir despesas e evitou demissões na empresa.
"Em Canoas já contratamos
28 pessoas", afirmou.
Segundo o executivo, os descontos
serão devolvidos aos funcionários assim que a produção
das duas fábricas chegar à média mensal de 10,8
mil motores num período de seis meses.
Hoje ela está em pouco
mais de 9 mil unidades por mês, ante a média de 12,5 mil
antes da crise.
A fabricante de silos e equipamentos
para armazenagem de grãos Kepler Weber paralisou a fábrica
de Panambi durante sete dias em março, com desconto de 16% nos
salários, mas em abril demitiu 173 dos quase 1,2 mil empregados
da unidade à época.
"Mas pelo menos o quadro
se estabilizou e agora a produção está aumentando",
disse o secretário-geral do sindicato dos metalúrgicos
local, Olívio da Silva Oliveira.
Segundo o diretor-presidente
da companhia, Anastácio Fernandes Filho, o quadro de pessoal da
unidade está "ajustado" e algumas contratações
poderão ocorrer nos próximos meses.
Entre as montadoras, a Volkswagen
anunciou contratações significativas para a região
do ABC e do interior paulista. No ABC, na semana passada, a Volkswagen
contratou 200 trabalhadores e efetivou outros 600, devendo efetivar mais
600 nos próximos meses.
"Os acordos foram extremamente
importantes para segurar o emprego em um momento de caos. Agora as montadoras
normalizaram a produção e há problemas localizados
nos setores de autopeças e de caminhões, que dependem mais
do mercado externo", diz o presidente do sindicato, Sérgio
Nobre.
Em Taubaté, a montadora
renovou ou contratou em torno de 1 mil trabalhadores, sendo 50 na semana
passada. (Fonte: Valor Econômico)
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O ESTADO DO PARANÁ,
03 de julho de 2009 | Economia
Nível de ocupação
caiu mais entre as mulheres com a crise
Agência Brasil
O estudo A Crise Econômica Internacional e os (Possíveis) Impactos
sobre a Vida das Mulheres, lançado hoje (2) pela Secretaria Especial
de Políticas para as Mulheres do governo federal, mostra que de outubro
de 2008 a abril deste ano houve queda de 1,6% no nível de ocupação
entre os homens e de 3,1% entre as mulheres.
A maior queda na ocupação
feminina ocorreu entre as empregadas sem carteira assinada no setor privado
(-13,53%, contra uma queda de10,1% entre homens na mesma situação).
Entre os trabalhadores com carteira assinada, a taxa de ocupação
caiu 0,6% entre mulheres e cresceu 0,82% entre homens.
Por outro lado, cresceu 8,9%
a ocupação feminina sem remuneração, contra
uma queda de 13,7% nesse tipo de trabalho executado por homens.
"Uma das hipóteses é a
de que as mulheres antes empregadas em outras ocupações,
desempregadas ou inativas tenham tido que se inserir nos empreendimentos
familiares - talvez substituindo trabalhadores que tiveram que ser desligados
- na condição de colaboradoras, que trabalham, mas não
têm renda própria", conclui a pesquisa..
Na análise dos setores
mais atingidos pela crise, a indústria de transformação
teve redução de 7,41% na mão de obra masculina e
de 4,22% na feminina, mas com grandes variações entre os
diferentes segmentos da indústria.
Na construção
civil, houve queda de 3,54% na ocupação masculina e elevação
de 2,96% na ocupação feminina. Na agropecuária,
foi registrada redução de 22,48% nos postos de trabalho
femininos e de 10,71% entre os homens.
Os setores de comércio
e serviços foram aparentemente menos afetados pela crise econômica
internacional, com crescimento do emprego formal, ainda que em menor
ritmo do que nos meses anteriores à crise.
No comércio, entre outubro
de 2008 e abril de 2009 foram criadas 52.278 vagas, contra 247.568 entre
outubro de 2007 e abril de 2008. No setor de serviços, foram abertos
126.839 postos de trabalho, contra 399.394 no ano anterior.
As mulheres ficaram com 88,8%
das novas vagas no comércio e 78,29% dos novos postos de trabalho
em serviços. "Como o estoque de emprego nesses setores é grande,
a "feminização" do emprego formal não
acarretou grande alteração percentual na composição
do emprego segundo sexo", diz o estudo. Na prática, a participação
feminina cresceu 0,36% no comércio e 0,34% no setor de serviços.
Uma das conclusões da
pesquisa é que "parece existir um movimento de freio na feminização
do mercado de trabalho", caracterizado pela retirada das mulheres
do mercado em direção à inatividade, enquanto os
homens seguem buscando emprego, assim contribuindo para a ampliação
das taxas de desemprego masculinas.
"Ademais, reforça-se
a precariedade do trabalho feminino, pois os novos postos gerados no
contexto de crise estão concentrados entre aqueles sem remuneração,
enquanto para os homens este tipo de trabalho mais precário se
reduz no período", diz o texto.
O estudo foi feito em parceria
com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Organização
Internacional do Trabalho (OIT).
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AGÊNCIA DIAP, 03 de
julho de 2009
2007/2008: renda disponível
para consumo das famílias cresceu R$ 99
Agência DIAP
A renda disponível para
consumo das famílias brasileiras aumentou R$ 99 entre 2007 e 2008,
segundo indicou uma pesquisa da Cetelem divulgada nesta quarta-feira
(1º).
No ano passado, as famílias
brasileiras tinham em média R$ 251 disponíveis para o consumo,
contra R$ 152 no ano anterior.
Segundo o vice-presidente da
entidade, Marcos Etchegoyen, essa quantia representa o dinheiro que sobra
no fim do mês, após o pagamento das contas da família.
"É uma oportunidade
de poupança ou de consumo. Mas há mais consumo, porque
muitos não tinham alguns bens ou estão trocando",
explica.
A renda média da família
brasileira, em 2008, foi de R$ 1.162, contra R$ 1.047 um ano antes. A
pesquisa é feita anualmente e, nesta edição, teve
como base 1,5 mil entrevistas domiciliares em 70 cidades.
Classes
sociais
No total, o aumento da renda para consumo foi de 65,13%, porém, o crescimento
não foi igual para todas as classes sociais.
As famílias da "classe
D" apresentaram o maior crescimento, de 213,6%, embora continuem
com uma quantia inferior à registrada nas outras classes. Entre
2007 e 2008, o valor disponível para consumo no final do mês
passou de R$ 22 para R$ 69, sendo que a renda média dessas pessoas
era de R$ 650 no ano passado.
Em relação a 2005,
o aumento na renda disponível foi ainda mais intenso, já que
naquele ano não tinham dinheiro sobrando, mas faltando (- R$ 17).
Entre as famílias da classe
C, com rendimento médio de R$ 1.201 em 2008, o aumento na quantia
disponível no fim do mês foi de 44,22%, o menor entre as
diferentes classes sociais.
Em 2007, essas pessoas tinham
em média R$ 147 para gastar ou guardar no fim do mês, enquanto,
no ano passado, esse valor era de R$ 212.
Já as famílias
da "classe A/B" registraram alta de 64,82%. Com uma renda média
de R$ 2.586, essas pessoas tinham R$ 834 para gastar ou poupar em cada
mês do ano passado.
Regiões
Entre as regiões brasileiras, as famílias do Sul apresentam a
maior renda média disponível, de R$ 358, sendo que o ganho médio
delas é de R$ 1.404.
Já no Norte/Centro-Oeste,
com renda média de R$ 1.408, a quantia disponível é de
R$ 330 no final do mês.
Nos últimos lugares, estão
o Sudeste e o Nordeste, porém, a última região apresenta
um valor significativamente inferior ao das outras localidades.
Enquanto no Sudeste o salário
médio das famílias é de R$ 1.317 e a renda disponível é de
R$ 313, no Nordeste, esses valores são de R$ 706 e R$ 50, respectivamente. (Fonte:
InfoMoney)
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AGÊNCIA DIAP, 03 de
julho de 2009
Redução da jornada
divide aliados e enfrenta dificuldade na Câmara
A redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais deve
enfrentar dificuldades para chegar ao plenário da Câmara, embora
tenha recebido apoio de todos os integrantes da comissão destinada à sua
análise, na terça-feira (30).
A pressão do empresariado é grande,
a proposta é polêmica entre os partidos até na base
governista.
As centrais sindicais e os deputados
da comissão especial pretendiam apresentar pedido de urgência
ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB/SP), para que a proposta
fosse colocada na pauta de votações antes do recesso legislativo,
que começa dia 18 de julho.
Essa possibilidade, no entanto, é descartada
pelos líderes partidários. Muitos deles nem acreditam em
votação este ano.
"O assunto enseja boa discussão,
porque interessa muito à população, mas há controvérsia.
Quem radicalizar perderá", disse o líder do PMDB,
Henrique Eduardo Alves (RN), que prevê dificuldades de consenso
entre os partidos até para incluir a PEC na ordem do dia. O PMDB,
diz, não firmou posição.
O Governo é favorável à redução
da jornada, segundo o líder do Governo, Henrique Fontana (PT/RS).
Para ele, a crise não
deve atrapalhar a votação, já que está sendo
proposta uma "reforma estrutural das relações de trabalho".
Ele minimiza as resistências
e diz que a aprovação unânime na comissão
mostra "o grau de convicção que o Parlamento tem na
matéria".
O líder do PT, Cândido
Vaccarezza (SP), argumenta, a favor da PEC, que em São Paulo,
hoje, a média da jornada de trabalho praticada já é de
40 horas e meia.
"Houve brutal aumento dos
ganhos de produtividade e isso nos permite reduzir a jornada. Esses ganhos
não podem ficar só com as empresas. Têm que ir também
para os trabalhadores. Além disso, a redução da
jornada pode criar milhões de empregos", afirmou.
Avaliações reservadas
no PT preveem dificuldade de aprovação. Argumentam que
setores do Governo não estimulam a aprovação enquanto
durar a crise.
Os deputados recebem pressão
do empresariado, contrários à redução no
texto constitucional. Alegam que o assunto deveria ser tratado em acordos
coletivos, sem amarras legais.
Para o presidente da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, é "ingenuidade" achar
que serão criados empregos.
"Não vejo como é possível
gerar emprego aumentando os custos de produção das empresas
em plena crise, na qual o Brasil está perdendo competitividade",
disse.
Segundo ele, a redução
da jornada e o aumento da hora extra de 50% para 75% da hora trabalhada,
sem ajustes nos salários (também prevista na PEC) vão
aumentar os custos de 10% a 15% nas grandes empresas intensivas de mão-de-obra,
como as indústrias de confecção.
As mais prejudicadas serão
as de pequeno porte, que terão de diminuir a produção
e demitir.
Ele afirma que as exportações
de manufaturados caíram quase 40% e a competição
está ainda mais acirrada.
"Nesta hora, em que é preciso
reduzir os custos das empresas, está sendo decretada elevação
de custos por força de lei", afirmou.
A PEC foi apresentada em 1995
pelo então deputado Inácio Arruda (PCdoB/CE), hoje senador.
Teve lenta tramitação até 2008, quando o então
presidente, Arlindo Chinaglia (PT/SP), a desengavetou e criou comissão
especial para sua análise.
Durante as discussões,
a proposta recebeu apoio de PT, PDT, PSB, PCdoB, PV e PTB.
O deputado Carlos Sampaio (PSDB/SP)
integrou a comissão e votou a favor. Como secretário de
movimentos sindicais do partido, Sampaio disse que defenderá adesão
dos tucanos à proposta, que é reivindicação
das centrais sindicais.
O líder do PSDB,
José Aníbal (SP), no entanto, afirmou que o assunto terá que
ser discutido pela bancada. O líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO),
por sua vez, submeterá à executiva nacional. (Fonte:
Valor Econômico)
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AGÊNCIA DIAP, 03 de
julho de 2009
Marcos Verlaine*: A redução
da jornada e as tarefas dos trabalhadores
Agora é preciso convencer parcela expressiva da sociedade brasileira
sobre a justeza dessa mudança na Constituição. Depois,
será preciso convencer a parcela mais progressista do empresariado nacional
e, por fim, mas não menos importante, o Congresso Nacional
Depois de quase uma geração, finalmente foi possível aprovar
na comissão especial da Câmara a PEC 231/95, que reduz a jornada
de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais, sem redução
de salário.
O dia 30 de junho deve ser lembrado
como data histórica daqui para frente, pois, para chegar até ali,
os trabalhadores e suas entidades tiveram que lutar muito.
Lembro dois fatos recentes e
significativos nesse período - a grande campanha de mais de um
milhão de assinaturas pela aprovação da PEC e, também,
o importante e profundo debate feito em 2008 no plenário da Câmara
(comissão geral) que tratou da redução da jornada.
Mas, como foi dito pelo relator
da proposta, deputado Vicentinho (PT/SP), a aprovação na
comissão especial foi apenas o "primeiro passo". Muitos
passos ainda terão de ser dados para a materialização
dessa proposta do movimento sindical.
Para isso, é preciso convencer
parcela expressiva da sociedade brasileira sobre a justeza dessa mudança
importante na Constituição Federal.
Depois, será preciso convencer
a parcela mais progressista do empresariado nacional e, por fim, mas
não menos importante, o Congresso Nacional.
Representantes
dos trabalhadores
Outra tarefa prioritária do movimento sindical deve ser eleger seus
representantes para o Congresso em 2010, pois, do contrário teremos
mais dificuldades de êxito para viabilizar a agenda dos trabalhadores
na "Casa do Povo".
Nesta legislatura, os empresários
colocaram 219 representantes na Câmara e 27 no Senado. Esses números
são do início das atividades do Congresso (2007).
Certamente esses números
aumentaram de lá para cá.
Ao mesmo tempo que a bancada
empresarial aumentou exponencialmente nesta legislatura, a bancada sindical
ou dos trabalhadores diminuiu e perdeu parlamentares de peso como Sérgio
Miranda (MG) e Jandira Feghali (RJ), por exemplo.
Para enfrentar à altura
essas e outras demandas, o movimento sindical precisa aumentar sua representação
no Congresso.
Assim, numa conjuntura econômica
melhor e com uma correlação de forças mais equilibrada
poderemos fazer avançar a agenda dos trabalhadores no Parlamento.
Tarefas
dos trabalhadores
Para cumprir o estágio sugerido acima não será fácil. É preciso
organização, profissionalismo, recursos financeiros e, sobretudo,
unidade do movimento sindical - das centrais ao mais remoto sindicato no País,
passando pelas confederações e federações.
Tem que ter organização,
pois, sem essa ferramenta que serve à política, não
teremos condições de vencer os obstáculos desta
batalha que se coloca para o movimento sindical.
É preciso recursos financeiros,
porque, sem eles, não teremos condições de organizar
as lutas que certamente ainda temos pela frente.
E aproveito para dizer que não é à toa
que o DEM quer tirar recursos das centrais, com a Adin que questiona
o repassa da contribuição sindical às essas entidades
gerais.
Sem recursos financeiros, as
entidades não terão fôlego para empreender essa e
outras batalhas.
Os patrões sabem muito
bem disso!
E, ainda, é preciso unidade
política, porque assim somos mais fortes e seremos mais capazes
de enfrentar o inimigo que moverá muitos recursos - de toda ordem
- para barrar qualquer possibilidade de aprovação da proposta
no Congresso.
Oposição
Duas notícias demonstram que as forças contrárias à proposta
se movem de maneira vigorosa.
A primeira vem da CNI, que em
tom ameaçador já deu seu recado: "Redução
da jornada de trabalho será obstáculo ao emprego, alerta
CNI".
A segunda vem do Congresso: "Redução
da jornada divide aliados e enfrenta dificuldade na Câmara".
Os empresários não
aceitarão sem resistência o avanço desse debate e,
para isso, vão combater em todas as frentes possíveis,
inclusive elegendo seus representantes para barrar essa matéria
no Parlamento.
(*) Jornalista, analista político
e assessor parlamentar do Diap
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GAZETA DO POVO, 03 de julho
de 2009 | Opinião
Editorial 1
Redução de jornada,
aposta arriscada
A redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais
deu mais um passo, com a aprovação, na Comissão Especial
da Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) que examina o assunto. Trata-se de luta antiga dos sindicatos de trabalhadores,
sob o argumento de que a jornada de 44 horas é pesada e causa redução
da produtividade do trabalho humano.
Junto da redução
da jornada semanal deve ser aprovado também um aumento no porcentual
de acréscimo no valor da hora extra, como forma de desestimular
os empregadores a fazer uso rotineiro do trabalho além da jornada
diária. A proposta prevê que esse acréscimo, hoje
em 50% sobre a remuneração da hora normal, seja elevado
para 75%. A medida torna a hora extra bem mais cara e, se aprovada, certamente
induzirá os empregadores a diminuírem o uso desse recurso.
Para os defensores das mudanças, essa redução da
hora extra abre espaço para o aumento das contratações
e, consequentemente, para a redução do desemprego.
Mas uma questão que precisa
ser levada em consideração é que a redução
da jornada pode produzir efeitos inflacionários, já que
os salários permanecerão os mesmos para uma jornada de
trabalho menor. Se isso ocorrer, o trabalhador será onerado, em
função da redução do poder de compra dos
salários pela elevação do nível geral de
preços. Esse efeito negativo somente não ocorreria se a
economia conseguisse adaptar-se imediatamente, elevando a produtividade
do trabalho. Ainda que a jornada menor estimule as empresas a promover
ganhos de produtividade, o problema reside na sincronização
entre a implantação da nova jornada e as mudanças
tecnológicas necessárias para aumentar a produtividade.
Os custos da redução da jornada serão sentidos de
imediato por toda a cadeia produtiva, enquanto o aumento de produtividade
só ocorre, em geral, de forma gradativa e em proporções
diferentes nos diversos setores da economia.
Além da inflação,
outro risco é a perda de competitividade no mercado global. A
França fez redução mais drástica na jornada,
que ficou em 35 horas semanais, e isso levou o país a se envolver
em polêmica recente diante de reivindicações para
aumentar a jornada semanal máxima. A proposta resultou da constatação
de que estaria havendo perda de competitividade em relação
aos países vizinhos que têm jornada semanal maior. Embora,
no Brasil, a proposta seja de uma modificação menos drástica,
pela redução de quatro horas semanais, não há como
garantir que isso eliminaria efeitos parecidos com os que foram observados
na França.
Lembremos ainda que muitas empresas
privadas e os órgãos públicos já adotam o
limite de 40 horas semanais, por exemplo, não dariam contribuição
para aumento de produtividade porque, para eles, não haveria modificação.
Toda a melhoria de eficiência produtiva necessária para
compensar a redução da jornada no país teria de
vir somente das empresas nas quais o processo produtivo é, atualmente,
feito com jornada semanal de 44 horas.
Todos os aspectos da questão
colocam em dúvida a afirmação de que a redução
da jornada semanal não prejudicaria a economia e ainda levaria à criação
de 2 milhões de empregos. Com a elevação certeira
dos custos de produção para as empresas, pode ocorrer
justamente o oposto. Não existe metodologia capaz de fazer previsão
confiável sobre os efeitos de uma mudança dessa magnitude.
Em momento de crise, quando a produção está em
baixa, modificações legais que onerem ainda mais as unidades
produtivas são desaconselháveis.
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AGÊNCIA DIAP, 03 de
julho de 2009
FST convoca mobilização
para aprovar o PLS 248/06, taxa assistencial
Agência DIAP
A Coordenação Nacional
do Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST) realiza reunião
ordinária no dia 6 de julho, às 14 horas, tendo como pauta
prioritária a "Campanha pela Aprovação do PLS
248/06", que dispõe sobre a contribuição assistencial.
O projeto está em discussão
na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal.
Dirigentes do FST tiveram audiência
com o presidente da CAE, Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN), que atendeu à reivindicação
e designou o senador Inácio Arruda (PCdoB/CE) relator da matéria.
Também se reuniram no último
dia 30 com o relator do projeto, para apresentar sugestões.
"A campanha continua companheiros,
vamos cada um de nós nos empenharmos para alcançar a nossa
vitória!", enfatiza o coordenador nacional do FST, José Augusto.
Na pauta da reunião
está incluída, também, uma breve análise
de conjuntura, por Sérgio Miranda, assessor parlamentar e político
do FST, e discussão e definição da estratégia
de atuação de forma unitária com os senadores
que compõem a CAE.
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FOLHA DE LONDRINA, 03 de
julho de 2009 | Política
Parlamentar brasileiro só ganha
menos que o americano
Estudo mostra que gastos com salários
e verbas de representação e de gabinete de congressistas
superam R$ 1 milhão ao ano
São Paulo - Levantamento da ONG Transparência Brasil indica que
os parlamentares brasileiros são os que mais pesam no bolso dos cidadãos
na comparação com sete outros países: Chile, México,
Estados Unidos, Alemanha, França, Grã-Bretanha e Itália.
O estudo mostra que, no total,
o salário e as verbas -para representação, viagens
e contratação de assessores - a que têm direito os
deputados federais e senadores brasileiros superam R$ 1 milhão
ao ano, colocando os congressistas do Brasil como os mais bem pagos,
excetuando-se os deputados dos Estados Unidos - cerca de R$ 3 milhões.
O levantamento informa que, no
Brasil, deputado e senador recebem mais do que um parlamentar alemão
(R$ 860 mil), francês (R$ 770 mil) ou britânico (R$ 760 mil).
No entanto, segundo a ONG, quando
se faz a correção pelo indicador da renda per capita, os
benefícios do congressista brasileiro ultrapassam os do deputado
norte-americano e chegam ao topo da escala.
Os montantes a que um senador
brasileiro tem direito representam 83 vezes o Produto Interno Bruto (PIB)
per capita do Brasil - isso significa, de acordo com a Transparência
Brasil, que, em média, um único senador se apropria de
uma quantia equivalente à riqueza produzida por 83 brasileiros.
No caso do deputado federal brasileiro, o número é 68.
O deputado dos EUA se apropria
de um montante equivalente a 32 vezes o PIB per capita local.
O estudo indica ainda que, quando
se analisam apenas os salários, os ganhos do deputado federal
e do senador no Brasil são quase treze vezes o PIB per capita.
Nos EUA, esse número não chega a quatro.
Folhapress
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FOLHA DE SÃO PAULO,
03 de julho de 2009 | Brasil
Enquadrado, PT faz defesa de Sarney
por "governabilidade"
Petistas agora dizem que senador não é responsável
por "14 anos de atos secretos" | Após ter pedido
a licença de Sarney, partido recua diante da ameaça
de perder o apoio dos líderes do PMDB no Senado e na eleição
de 2010
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois de ter sido enquadrado
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os senadores do PT
liderados por Aloizio Mercadante (SP) se revezaram por três horas
e meia no plenário para defender que a aliança com o PMDB é fundamental
para garantir a governabilidade, isentar o senador José Sarney
(PMDB-AP) de ser o único responsável por "14 anos
de atos secretos" e dizer que a crise política não
pode se reduzir a uma única pessoa.
" Não há governabilidade sem aliança do PMDB. PSDB
e DEM nunca nos deram espaço e é verdade que também nunca
demos a eles, mas queremos ter aliança e queremos que ela continue",
disse Mercadante.
Anteontem, o partido havia sugerido o afastamento de Sarney do cargo por 30
dias, mas recuou de formalizar o pedido como uma posição de bancada
diante da ameaça do peemedebista de renunciar, o que, para o governo,
representaria perder o apoio dos caciques do PMDB no Senado e na disputa de
2010.
Mercadante, líder do PT, usou no plenário a tática de
jogar para outros senadores a responsabilidade pela crise.
" Disse publicamente e quero repetir da tribuna: não me parece uma
boa atitude a que estamos assistindo, por exemplo, a atitude da bancada do DEM
[de pedir afastamento de Sarney]. Estiveram na Primeira Secretaria durante todo
o período em que estive nesta Casa. Como simplesmente se retirar neste
momento e dizer que a responsabilidade da crise é exclusivamente do presidente?
Isso não ajuda", disse.
Dez senadores apartearam Mercadante, a maioria do PT e no mesmo tom. O senador
Delcídio Amaral (PT-MS), que empregou uma sobrinha de Sarney, foi um
dos que o defendeu.
A bancada petista se reuniria com Lula ontem à noite. Desde o início
da crise, Lula já defendeu Sarney cinco vezes. É a primeira vez
que o presidente recebe a bancada para um jantar no Alvorada neste mandato.
Mercadante tentou em vários momentos explicar que a sugestão
para que Sarney se afastasse não significava uma imposição
e que o partido nunca defendeu a renúncia, mas uma licença. Ressaltou
ainda que é preciso assegurar um clima político favorável
a Sarney pela "importância histórica que ele tem na vida
democrática do país e para esta Casa."
A instituição está mergulhada numa crise política
e administrativa desde fevereiro, quando Sarney assumiu a presidência.
Foram exonerados cinco diretores, entre eles Agaciel Maia, que era diretor-geral
há 14 anos.
O presidente da Casa também passou por outros constrangimentos ao admitir
que recebia auxílio-moradia irregularmente e que emprestou apartamento
funcional a um ex-senador e a uma funcionária do gabinete, algo proibido.
Numa ação articulada, os caciques do PMDB não acompanharam
o discurso. O líder do partido, Renan Calheiros (AL), passou pelo plenário,
concedeu entrevistas e foi embora.
Coube ao senador Wellington Salgado (PMDB-MG) representar o partido. "Surge
um movimento para tirar Sarney e quem vai assumir, o vice, do PSDB? Podemos
reclamar, brigar e discutir, mas a partir desse momento temos de caminhar juntos",
disse. Peemedebistas vêm tratando a defesa pela saída de Sarney
como briga entre governo e oposição.
Considerado ao lado da senadora Marina Silva (PT-AC) a principal resistência
no partido ao apoio a Sarney, o senador Tião Viana (AC) disse que "Lula
terá que dividir com a bancada a responsabilidade" por essa decisão
de manter Sarney no comando do Senado. "Não há dúvida
de que existe esse risco para o governo [de prejudicar a governabilidade]. É esse
o dilema que vive a bancada do PT."
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FOLHA DE SÃO PAULO,
03 de julho de 2009 | Brasil
Lula diz a Sarney que crise é guerra
contra seu governo
Para presidente, situação
no Senado se deve à tentativa da oposição
de desestabilizar aliança entre PMDB e PT em 2010 | Após
conversa com o petista, senador disse que, diante da mudança
no discurso do PT, ficaria "fora de cogitação" deixar
a presidência da Casa
VALDO CRUZ
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois de ameaçar renunciar
ao cargo, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse
ontem ao presidente Lula que o PT precisa assumir sua responsabilidade
política e dar apoio ao PMDB -dando sequência à sua
estratégia para se manter no comando da Casa. Disposto a enquadrar
seu partido, Lula concordou com Sarney e prometeu cobrar dos senadores
petistas respaldo ao peemedebista contra o que classifica de "guerra
política" visando enfraquecer seu governo e desestabilizar
uma aliança entre PMDB e PT para 2010.
Os dois se falaram no final da manhã por telefone, quando Lula avisou
a Sarney que o receberia hoje. O encontro, a princípio agendado para
ontem, foi adiado para que o presidente tivesse tempo de costurar o enquadramento
de seu partido -estava programado um jantar, ainda ontem, entre Lula e a bancada
dos senadores do PT no Palácio da Alvorada.
Segundo a Folha apurou, o presidente fez questão de lembrar a Sarney
que defendeu sua permanência no cargo em duas entrevistas durante sua
viagem à África. O peemedebista agradeceu e ouviu de Lula um
apelo para se manter na presidência. Após conversar com o presidente,
Sarney confidenciou a aliados que, diante da mudança de tom no discurso
petista e caso o partido passe a apoiá-lo, ficaria "fora de cogitação" renunciar.
Nos últimos dias, diante da pressão familiar, ele chegou a cogitar
deixar o cargo. Na conversa, Lula e Sarney fizeram a mesma avaliação
dos últimos lances da crise: a oposição (DEM e PSDB) aproveitou
a revelação de desvios administrativos da Casa para fragilizar
governo e peemedebistas que apoiam o presidente.
O cenário começou a mudar quando Sarney ameaçou renunciar,
fazendo questão de destacar sobretudo a petistas que sua saída
criaria sérias dificuldades para o governo Lula no Senado, além
de pôr em risco o apoio do PMDB à candidatura da ministra Dilma
Rousseff a presidente em 2010. O PT fez um recuo tático e passou a dar
declarações em defesa de sua permanência. Além disso,
senadores de PSDB e DEM começaram a ligar dizendo que estavam do seu
lado.
Nas contas do PMDB, ao menos 7 dos 14 senadores democratas e 5 dos 13 tucanos
não concordam com a posição de seus partidos. Ao todo,
o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), contabiliza 53 ou 54 votos a
favor de Sarney. Ontem, Renan disse que "Sarney botou a bola no chão
e o jogo voltou ao campo da política", tendo a seu lado o apoio
mais importante, de Lula. Ontem, o peemedebista procurou dar um ar de normalidade
em sua agenda.
Esteve na Casa pela manhã. Na chegada e na saída, seguranças
impediram que a imprensa se aproximasse ao instalarem na passagem cordões
de isolamento.
Colaborou KENNEDY ALENCAR,
da Sucursal de Brasília
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FOLHA DE SÃO PAULO,
03 de julho de 2009 | Brasil
ELEIÇÕES
Definição de prévias
para 2010 é "vitória do partido", diz Aécio
DA AGÊNCIA FOLHA,
EM BELO HORIZONTE
O governador de Minas, Aécio
Neves, disse ontem que foi vitória "do partido" a definição
do modelo das prévias para a escolha do candidato do PSDB à Presidência,
caso haja "realmente necessidade da disputa". Aécio
disse que o consenso é possível.
" Mas essa [definição] é uma sinalização
importante, principalmente para as bases", disse Aécio, que disputa
a indicação com o governador de São Paulo, José Serra.
Ele disse ser "óbvio" que há chance de consenso. "Ninguém
sabe ainda qual será o quadro no final do ano. Pode ser que haja entendimento.
Não sei ainda qual será o caminho decidido pelo governador Serra,
o meu próprio dependerá do percurso até o final do ano."
Os dois retomarão viagens para falar às bases. No dia 13, estarão
em Goiás. A viagem seguinte será para o Ceará.
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FOLHA DE LONDRINA, 03 de
julho de 2009 | Política
Comissão divulga ações
para melhorar transparência
Brasília - A Comissão Diretora do Senado emitiu ontem um comunicado
no qual lista as 36 ações adotadas pela atual gestão para
dar maior eficiência e transparência às decisões
administrativas da Casa. O senador Mão Santa (PMDB-PI), ao abrir a sessão
da tarde de ontem, leu o comunicado em plenário.
Entre as ações
listadas, estão: mudanças na regulamentação
das cotas de passagens aéreas dos senadores; nova regulamentação
de uso da verba indenizatória relativa ao fretamento de meios
de locomoção; redução de 10% das despesas
gerais do Senado; redução da taxa de juros dos empréstimos
consignados para o patamar máximo de 1,6% ao mês; redução
da cota de telefones celulares dos diretores; determinação
de levantamento detalhado sobre contratos de prestação
de serviço com execução direta ou indireta do Senado;
extinção de 11 secretarias com exoneração
dos respectivos diretores; designação de comissão
para o levantamento e a averiguação de atos e boletins
administrativos sem publicação; divulgação
das despesas parlamentares com verba indenizatórias na página
do Senado na internet; determinação para normalizar situações
de servidores terceirizados que tenham características de nepotismo
em conformidade com a Súmula do Supremo Tribunal Federal (STF);
inauguração do portal da transparência.
A lista cita ainda a nomeação
de novos diretores, como o diretor-geral e a diretora da Secretaria de
Recursos Humanos. Aponta também a abertura de sindicância
destinada a apurar as responsabilidades pelos atos secretos com acompanhamento
do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Ministério Público
Federal; e a solicitação à Polícia Federal
que investigue todos os empréstimos consignados a servidores da
Casa, além das empresas que os operaram.
Agência Estado
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AGÊNCIA
DIAP, 03 de julho de 2009
Projeto de Manuela D'Ávila pretende
renovação no movimento sindical
Eleições sindicais poderão
contar com o voto dos jovens com idade superior a 16 anos.
A iniciativa é da
deputada Manuela D'Ávila (PCdoB/RS), que apresentou o Projeto
de Lei 5.193/09, que altera o artigo 529 do Decreto-Lei 5.452, de
1º de maio de 1943, e dispõe sobre as condições
para o exercício do direito do voto nas eleições
sindicais, e, ainda, fixa em 16 anos a idade mínima para o
exercício do direito do voto.
A intenção
da deputada, que tem em seu estado uma maioria de eleitores jovens, é atrair
esse eleitorado para o movimento sindical na busca de renovar as
lideranças nesse segmento.
Segundo a deputada, ela sente
essa necessidade na juventude que pretende ingressar na carreira
sindical.
A atual redação
do artigo 529 da CLT impõe como condição para
o exercício do direito do voto e para a investidura em cargo
de administração ou representação econômica
ou profissional que o trabalhador tenha idade superior a 18 anos.
Isso não será alterado
pela proposta em curso, apenas a idade mínima para votar nas
chapas sindicais.
Para ocupar cargos nas entidades,
continuará valendo a idade mínima de 18 anos.
Para a deputada, a alteração
na CLT vem com objetivo de que as eleições sindicais
possam contar com a participação dos jovens para o
fortalecimento dessas entidades.
A matéria está em
discussão na Comissão de Trabalho da Câmara
dos Deputados, anexado ao PL
4.430/08, do ex-deputado pestita Tarcísio Zimmermnn
(RS).
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AGÊNCIA DIAP, 03 de
julho de 2009
Mais de 20 mil processos tratam de
questões trabalhistas no STF
Agência DIAP
Aguardam julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) 20.189 processos que
tratam do Direito do Trabalho e de temas referentes à legislação
processual civil e do trabalho.
São 3.105 temas questionados
junto à Corte, sendo os mais comuns aqueles que tratam de precatórios
alimentares, aposentadoria, verbas rescisórias, multa de 40% do
FGTS, vencimentos, insalubridade, acidente do trabalho, entre outros.
Quando o critério de pesquisa
se refere ao ramo de Processo Civil aplicável ao Direito do Trabalho
- já que não existe um Código de Processo do Trabalho
no Brasil - aparecem 14.969 ações judiciais em andamento
na Corte.
Apenas sobre Direito do
Trabalho, são 5.220 processos em tramitação. (Fonte:
STF)
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AGÊNCIA DIAP, 03 de
julho de 2009
Votação da emenda de
Paim que corrige benefícios do INSS fica para agosto
Em reunião realizada, nesta quarta-feira (1º), com o líder
do Governo na Câmara, Henrique Fontana (PT/RS), as lideranças
nacionais e estaduais dos aposentados resolveram aceitar a proposta do Executivo
de adiar a votação da matéria para agosto
Ficou para o início do
mês de agosto a votação em plenário da emenda
do senador Paulo Paim (PT/RS) ao PL 1/07, do Executivo, que estabelece
a correção das aposentadorias e pensões de acordo
com a política de recuperação e atualização
do salário mínimo.
O PL 1/07 estabelece diretrizes
para uma política de valorização do salário
mínimo de 2008 a 2023. Pelo projeto, negociado com as centrais
sindicais, com base no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).
Numa reunião realizada, nesta quarta-feira (1º), com o líder
do Governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT/RS), as lideranças
nacionais e estaduais dos aposentados resolveram aceitar a proposta do Governo
de adiar a votação da matéria para agosto.
O deputado Darcísio Perondi
(PMDB/RS), que vem liderando as negociações na Câmara,
disse que a reunião foi dura. "O Governo está sentindo
o cutuque e quer acertar com os aposentados", disse.
O Governo pediu um prazo até oito
de agosto para chegar a um acordo com os aposentados. Enquanto isso fica
adiada a votação do veto do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva à extensão do reajuste de 16,67% concedido
ao salário mínimo, em 2006, para todas as aposentadorias
e pensões.
Segundo informou Darcísio
Perondi, foi um recuo tático dos aposentados.
As negociações
vão começar e terão a participação
de ministros e lideranças da categoria, sob a mediação
de Perondi, e do senador Paim.
"Se até dez de agosto
não chegarmos a um entendimento, tenho certeza que o presidente
da Câmara, Michel Temer (PMDB/SP), tomará uma atitude e
colocará o PL 1/07 na pauta para votação. Na minha
avaliação, o Governo não vai ceder e aí a
força dos aposentados vai falar mais alto na votação
em plenário", disse.
Reajuste
dos benefícios e fator
Outros dois projetos importantes para os aposentados tramitam na Câmara,
mas ainda em nível de comissões.
Um é o PL 4.434/08, que
cria um índice de correção previdenciária
para garantir o reajuste dos benefícios da previdência de
acordo com o aumento do valor mínimo pago pelo Regime Geral da
Previdência.
O outro é o PL 3.299/08,
que acaba com o chamado Fator Previdenciário, que calcula o valor
das aposentadorias com base na idade e no tempo de contribuição.
Essa sistemática reduz o valor dos benefícios em até 40%.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
03/07/2009
Trabalhador acidentado em refinaria receberá indenização
e pensão mensal
A Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, em voto relatado pelo ministro Ives Gandra Martins
Filho, manteve a condenação imposta à Montreal Engenharia
S/A e a Petroléo Brasileiro S/A (de forma solidária) em
razão do acidente de trabalho que incapacitou um trabalhador de
forma irreversível, acarretando sua aposentadoria por invalidez
pelo INSS aos 37 anos de idade. O acidente ocorreu na área de
refinaria da Petrobras em Cubatão (SP). O trabalhador exercia
a função de rigger (sinaleiro de guindaste) e atuava sobre
uma estrutura de metal (conhecida como pipe-deck) a uma altura de oito
metros, sinalizando ao operador de guindaste o local em que ele deveria
soltar as peças transportadas. No dia 29/02/97, ao tentar alcançar
o pipe-deck com o auxílio de um andaime, sofreu uma queda quando
o tubo que dava sustentação à estrutura se soltou.
A ação de indenização
por ato ilícito, na qual cobrou pagamento de indenização
por danos morais e materiais da Montreal e da Petrobras, foi ajuizada
na Justiça Comum (Estadual) e migrou para a Justiça do
Trabalho após a reforma do Judiciário (Emenda Constitucional
nº 45/2004). Foi julgada parcialmente procedente pela 3ª Vara
do Trabalho de Cubatão (SP), cuja sentença responsabilizou
a empregadora (Montreal) e a Petrobras (de forma solidária) ao
pagamento de pensão mensal no valor de dois salários mínimos
desde o acidente até a data em que o aposentado completar 65 anos
de idade. Também foi imposta condenação ao pagamento
de indenização por danos morais correspondente a 250 salários
mínimos. A decisão de primeiro grau foi mantida integralmente
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP).
No recurso ao TRT/SP, a Montreal
e a Petrobras confirmaram os fatos ocorridos, mas alegaram que o acidente
foi inesperado, “uma fatalidade”. A Petrobras pediu sua exclusão
do processo alegando que não teve qualquer participação,
responsabilidade, culpa ou dolo no episódio. A sentença
constatou que a Petrobras contratou a Montreal para lhe prestar serviços
nas suas dependências e exercia, de forma muito atuante, a fiscalização
do local de trabalho, mas não atuou com a eficiência necessária
no dia do acidente, já que o andaime utilizado pelo trabalhador
não foi montado de acordo com as especificações
recomendadas e ainda apresentava defeito inadmissível em um dos
tubos que o sustentava. O andaime não tinha guarda-corpo, roda-pé nem
piso antiderrapante, itens obrigatórios de acordo com a norma
regulamentadora do Ministério do Trabalho para evitar quedas.
Quanto à Montreal, a sentença
considerou comprovada a conduta ilícita do empregador que ocasionou
o acidente e o dano físico que levou o trabalhador à aposentadoria
por invalidez, na medida em que a empresa deixou de observar normas de
segurança ao montar o andaime de forma ineficiente. O TRT/SP considerou
não haver dúvida de que ambas as empresas, de alguma forma,
concorreram para o acidente. No recurso ao TST, a defesa da Petrobras
alegou que a responsabilidade pela montagem dos andaimes era da Montreal
e que seria impossível constatar, de longe, o problema que ocasionou
o acidente (braçadeira frouxa no tubo superior do andaime). Para
isso, um funcionário da Petrobras teria de subir no andaime e
experimentar tubo por tubo para ver se estavam firmes. O recurso da Petrobras
não foi conhecido pela Sétima Turma. ( RR 428/2006-253-02-00.7)
(Virginia Pardal)
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