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Agência Diap, 4 de
julho de 2009
Boas notícias:
jornada, PEC 270 e demissão imotivada avançam
A semana útil chega
ao fim e os trabalhadores e o movimento sindical têm
muito o que comemorar.
A comissão especial que debateu a redução
da jornada de trabalho (PEC 231/95) de 44 para 40 horas
semanais aprovou o relatório favorável do
deputado Vicentinho (PT/SP).
Mais de mil dirigentes a ativistas sindicais acompanharam
a discussão e votação da matéria
na última terça-feira (30).
Servidor
Na quarta-feira (1ª) foi instalada a comissão especial
que vai apreciar a PEC 270/08, da deputada Andreia Zito (PSDB/RJ) garante
ao servidor que aposentar-se por invalidez permanente o direito aos
proventos integrais com paridade.
O relator escolhido é o deputado Arnaldo Faria
de Sá (PTB/SP) e o presidente dos trabalhos é o
deputado Osvaldo Reis (PMDB/TO).
Convenção 158
A Mesa Diretora da Câmara indeferiu o requerimento do deputado
Júlio Delgado (PSB/MG) que pedia o arquivamento da mensagem
presidencial que aprova a Convenção 158 da OIT. Agora,
a mensagem será examinada pela Comissão de Trabalho.
No Senado, a Comissão de Assuntos Econômicos
aprovou na terça-feira (30), o projeto que prevê a
instituição de piso salarial nacional de
R$ 930 para os Agentes Comunitários de Saúde
e Agentes de Combate a Endemias com formação
profissional em nível médio. Trata-se do
PLS 196/09.
Na Câmara, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar,
por 9 a 4 e uma abstenção, rejeitou o parecer
do relator, Nazareno Fonteles (PT/PI), que pedia a cassação
do deputado Edmar Moreira (sem partido/MG) por denúncias
de quebra de decoro.
Moreira foi acusado de uso indevido da verba indenizatória,
recurso a que cada deputado tem direito, no valor mensal
de R$ 15 mil.
Dr. Pinotti
Morreu na madrugada da última quarta-feira (1º) no Hospital
Sírio-Libanês, em São Paulo, o deputado Dr. Pinotti
(DEM/SP), vítima de complicações de um câncer
de pulmão.
Ele tinha 74 anos, era médico e estava no exercício
do terceiro mandato na Câmara. Em março deste
ano, ele se licenciou do mandato para assumir a Secretaria
Especial da Mulher na Prefeitura de São Paulo.
Afastamento e renuncia
Réu de ação criminal no Supremo Tribunal Federal
(STF) por supostamente tentar subornar e intimidar pessoalmente testemunhas
que o acusam de compra de votos nas eleições de 2006,
o governador de Rondônia, Ivo Cassol (PP), teve decretado seu
afastamento cautelar do cargo por 90 dias, em decisão da Justiça
Federal. Ele se filiou ao PP nesta semana.
O ministro de Assuntos Estratégicos da Presidência,
Roberto Mangabeira Unger renunciou, na terça-feira
(30), ao cargo de ministro de Estado. Em carta, Mangabeira
afirma que tem que retomar sua vida acadêmica e voltar
ao convívio de sua família. O ex-ministro é professor
da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Produção industrial
e recontratações
A produção industrial brasileira avançou 1,3%
na passagem de abril para maio, segundo a Pesquisa Industrial da Produção
Física, formulada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística). De acordo com os números divulgados na última
quinta-feira (2), este foi o quinto resultado positivo consecutivo,
o que levou a uma expansão de 7,8% nos cinco primeiros meses
de 2009.
Empresas que demitiram no auge da crise já começaram
a recontratar funcionários, especialmente no setor
automotivo. A MWM International Motores cortou um dia por
semana com 15% de desconto para os 800 funcionários
da unidade de Canoas de fevereiro a abril, informou o diretor
de recursos humanos, Paulo Borba.
O acordo, que incluiu os 2 mil trabalhadores da fábrica
de São Paulo, fez parte de um programa para reduzir
despesas e evitou demissões na empresa.
Real
No dia 1º de julho, o Plano Real completou 15 anos. Desde então,
o País passou por um processo de maxidesvalorização
da moeda em 1999 e agora enfrenta a maior crise financeira do mundo
desde a Grande Depressão dos anos 1930. No período, os
juros foram o melhor investimento. O CDI, que tem variação
muito próxima à taxa básica de juros (Selic),
subiu mais de 2.000% desde julho de 1994.
50 anos da CSPB
Em sessão dirigida, na terça-feira (30), pelo presidente
do Congresso e do Senado, José Sarney (PMDB/AP), com a presença
do ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, do Advogado-Geral da
União, ministro José Dias Toffoli, do Diretor de Documentação
do DIAP, Antonio Augusto de Queiroz, e de diversas autoridades do Executivo
e de senadores, o Senado realizou sessão especial em comemoração
aos 50 anos da CSPB.
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Agência Brasil, 4
de julho de 2009
Ipea: mapa da exclusão é praticamente
o mesmo há meio século
Em 2000, pesquisadores da Universidade de Campinas
(Unicamp) elaboraram um mapa da exclusão social, "que é praticamente
o mesmo que Josué de Castro lançou na década
de 50 [do século 20]", na opinião economista
Ricardo Amorim, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea).
Ele lembrou que a região Norte-Nordeste continua
sendo a mais pobre e a mais afetada pelas questões
de desigualdade e de pobreza no Brasil, "o que é gravíssimo" porque,
nesse período, é quando o Brasil dá um
salto industrial fantástico.
"Mesmo assim, nós não conseguimos melhorar
a distribuição da riqueza no Brasil inteiro",
disse.
Os reflexos desse quadro podem ser notados nos fluxos
migratórios, na favelização, na concentração
da pobreza nas grandes cidades.
Para que haja uma redução efetiva do número
de pobres no Brasil, o pesquisador do Ipea destacou a necessidade
de serem promovidas reformas civilizadoras do capitalismo, "coisa
que todos os países capitalistas avançados
já fizeram faz tempo".
A primeira medida é a reforma agrária.
"É uma reforma necessária ainda a ser
feita". Outra prioridade é a reforma tributária. "Não é fazer
reforminha de impostos, diminuir um pouquinho a alíquota
aqui, aumentar acolá. Ou então, fazer uma
redistribuição da renda entre as regiões
brasileiras, um pacto federativo. Não se trata disso",
afirmou.
Amorim propôs uma taxação "forte" das
pessoas mais ricas do país, com a desoneração
das pessoas mais pobres e da classe média brasileira.
Avaliou que essa medida, já promovida pelos países
industrializados, deu ao Estado um fôlego de recursos
suficiente para criar o bem estar social europeu.
Os Governos da União Européia taxam fortemente
os mais ricos e redistribuem essa carga sob a forma de
benefícios sociais para a população
como um todo.
Outra medida fundamental diz respeito à reforma
urbana, para evitar que a especulação imobiliária
jogue a população mais carente para as periferias
das cidades, obrigando o Governo a "gastar fortunas" em
urbanização de áreas.
Ele enfatizou que as três reformas redistributivas
devem ser feitas se a meta é construir um país
que tem futuro e que não precise ficar temendo por
suas crianças em relação ao tráfico
de drogas e à criminalidade.
"A pobreza não gera criminalidade, mas a desigualdade
sim", observou o economista.
Ricardo Amorim analisou que em relação à pobreza,
houve um ganho líquido desde o lançamento
do Plano Real, "mas concentrado nos últimos
anos".
Segundo ele, foi uma piora pequena, considerando que o
Brasil já vinha de um quadro de estagnação
desde o começo dos anos 80.
"Mas, em termos numéricos, o aumento da pobreza
e da desigualdade não é tão grande",
disse.
A partir de 1999, a retomada da indústria e das
exportações acabou estabilizando a situação
da sociedade brasileira.
Desde 2004, o ganho foi mais significativo.
Amorim salientou, contudo, que embora tenhamos melhorado
um pouco a distribuição da renda e a pobreza, "nós
muito mal arranhamos a péssima distribuição
brasileira, que tem 500 anos.
Essa distribuição de renda brasileira é muito
mais profunda e mais grave e, com certeza, vai levar décadas
para conseguirmos reverter isso, se tivermos políticas
desde já.
De qualquer forma, a resistência da elite será muito
intensa e é difícil esperar uma mudança
importante para os próximos dez a 15 anos".
Disse que, com crescimento econômico, toda a população
ganhará.
"Ricos e pobres ganharão. Mas a desigualdade
não será vencida", afirmou.
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Vermelho, 4 de julho de
2009
Lula dirá que
G-8 é ultrapassado e limitado diante da crise
Diante das turbulências econômicas mundiais provocadas por
países desenvolvidos, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva classifica que o G8 (grupo das sete economias mais ricas do mundo
mais a Rússia) está "ultrapassado" e não é mais
capaz de tomar decisões de interesse global. O alerta do presidente
será feito na próxima quarta-feira durante a 35ª cúpula
do G-8, na cidade italiana de L'Aquila.
" O presidente considera que o fórum do G8
passa por momento de redefinição de seu papel,
na medida em que o G20 financeiro ocupou espaço
importante no tratamento dos temas da governança
global. G8 e G5 são fórmulas pré-crise,
e a crise mostrou a necessidade de que se evolua no caminho
de novos instrumentos", explicou o porta-voz da Presidência,
Marcelo Baumbach.
"Um foro das economias mais prósperas é pouco
representativo da realidade atual e seus resultados terão
necessariamente o alcance limitado. Não se pode,
portanto, pensar em enfrentamento dos novos problemas mundiais
sem a presença permanente e atuante de países
como o Brasil e China, por exemplo", disse Baumbach.
Proteção social
Apontado como um dos líderes da nova governança
global, o Brasil defenderá, na primeira reunião
da elite financeira mundial após o estouro da crise
econômica, "a importância de que as medidas
anticíclicas de proteção social, os
programas de transferência de renda, de recuperação
financeira e de reforço da infraestrutura não
sejam privilégio de poucos países".
"Os países em desenvolvimento são os
que mais necessitam dos efeitos benéficos daquelas
medidas e precisam contar com o auxílio das economias
mais ricas. No que tange ao tema da segurança alimentar,
o presidente recordará que os mais pobres têm
sido os mais afetados pela atual situação
econômica, que gerou acréscimo de 10% no contingente
de pessoas que passam fome no mundo", ressaltou o
porta-voz.
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Vermelho, 4 de julho de
2009
Crise interrompeu "feminização" do
mercado de trabalho
Houve uma interrupção da feminização do mercado
de trabalho no Brasil, com redução nos postos ocupados
por mulheres de 3,1% contra 1,6% dos homens, e aumento da inatividade
feminina no período de setembro de 2008 a abril de 2009, caracterizado
pela crise econômica. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira
(2) no Boletim Mulher e Trabalho: A crise econômica internacional
e os (possíveis) impactos sobre a vida das mulheres.
Segundo a pesquisa, a atual crise, desencadeada em 2008
nos Estados Unidos, vem fazendo sentir seus efeitos nos últimos
meses no Brasil. Apesar de um contexto interno que reduz
esses efeitos em comparação a outros países,
os movimentos de expansão do emprego e de formalização
que vinham ocorrendo desde o ano de 2004 no mercado de
trabalho foram refreados.
A preocupação do estudo é que os efeitos da crise
não atinjam principalmente as mulheres, comprometendo as vitórias
obtidas no sentido da promoção da igualdade e da diminuição
das injustificáveis discriminações vivenciadas
pelas mulheres brasileiras no mundo do trabalho.
De 2004 para cá, o mercado de trabalho formal passou por um
processo de feminização. As mulheres foram mais empregadas
no comércio (88,8%) e nos serviços (78,3%). No entanto,
os dados demonstram que existe precarização neste setor:
os salários de contratação das mulheres foram
sempre inferiores aos dos homens no período analisado, ou seja,
parece haver substituição de salários mais altos
por mais baixos. Este fenômeno acontece inclusive entre os trabalhadores
de maior escolaridade, com as mulheres sendo admitidas com salários
que equivalem a 65% dos masculinos.
O objetivo do estudo é analisar os dados recentes
sob a perspectiva das relações de gênero.
Se homens e mulheres têm inserções
diferenciadas no mundo do trabalho, serão diferentemente
atingidos pela crise. A hipótese foi confirmada
com o exame dos dados das pesquisas mensais de emprego
e do cadastro de desligamentos e admissões do Ministério
do Trabalho. O processo de feminização do
mercado de trabalho, observado nos últimos anos,
foi refreado.
Precarização como reação
Apesar de os homens terem perdido mais empregos que as
mulheres no setor formal –- 24,1% para os homens
contra 11,2% das mulheres - as mulheres, em geral, se retiraram
mais do mercado de trabalho. O desemprego atingiu mais
os homens por que os setores de atividade econômica
mais atingidos, indústria da transformação
e construção civil, são tradicionalmente
de ocupação masculina.
As informações disponíveis sugerem
que pode estar havendo uma precarização geral
do emprego como reação à crise, que
se manifesta na elevação da inatividade e
também no aumento de mulheres em postos mais precários,
como trabalho sem remuneração e trabalho
sem carteira assinada.
Por outro lado, há evidências de uma “feminização” do
mercado de trabalho formal, o que é positivo, mas
também expressa uma estratégia do empresariado
em contratar de forma mais precária.
Direitos e desenvolvimento
O estudo, feito pelo Observatório Brasil da Igualdade
de Gênero, em parceria entre a Secretaria Especial
de Políticas para as Mulheres (SPM), o Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a
Organização Internacional do Trabalho (OIT),
quer monitorar os impactos da crise econômica sobre
homens e mulheres a partir da análise dos indicadores
de mercado de trabalho no período.
Os estudos internacionais concluem que a igualdade entre
mulheres e homens é um elemento de consolidação
dos direitos da cidadania e de desenvolvimento econômico
e social. “Com vistas a promover a igualdade de gênero, é de
crucial importância a garantia de oportunidades para
o acesso, permanência e ascensão de homens
e mulheres no mundo do trabalho”, avaliam as entidades.
O estudo também destaca “a importância
de compreender os efeitos diferenciados da atual crise
econômica sobre os distintos grupos populacionais,
uma vez que vivemos um cenário em que se colocam
sob risco os avanços – uns mais tímidos,
outros menos – obtidos ao longo dos últimos
anos, no sentido da redução da distância
existente entre homens e mulheres.”
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Congresso em Foco, 4 de
julho de 2009
Estudo afirma que Congresso
brasileiro custa mais do que o americano
Rodolfo Torres
Estudo realizado pela Transparência Brasil afirma
que, para a população, o custo do Congresso
brasileiro é maior do que o dos Estados Unidos,
a maior economia do planeta. O estudo comparou quanto os
congressistas de sete países (Alemanha, Chile, Estados
Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália
e México) custam aos seus cidadãos (com seus
salários e verbas) em comparação com
o Brasil.
Na relação entre os custos para manter os
parlamentares e o Produto Interno Bruto (PIB) - soma das
riquezas produzidas no país no intervalo de um ano – por
pessoa, os congressistas brasileiros “são
os que mais pesam no bolso do contribuinte” (confira
a íntegra do estudo).
“Os custos diretos anuais incorridos por cada senador
brasileiro correspondem a mais de oitenta vezes a riqueza
média produzida por cada habitante do país
ao longo de um ano. Para os deputados, o custo direto é quase
setenta vezes o PIB per capita”, afirma o estudo.
“Um senador brasileiro custa em termos reais mais
de três vezes o que custa um senador chileno para
o contribuinte daquele país e cerca de 8,4 vezes
o que pesa um senador francês no bolso do cidadão
ao qual serve. Cada deputado brasileiro, por sua vez, custa
para o cidadão duas vezes mais do que seu correspondente
norte-americano, 5,5 vezes mais do que um alemão,
seis vezes mais que um francês e 6,5 vezes mais do
que um britânico”, complementa.
O estudo também critica a falta de transparência
nos gastos dos congressistas. “A contratação
de consultores é submetida a filtros mais rigorosos
em outros países. No Brasil, isso se faz contra
a apresentação de notas fiscais que, até recentemente,
eram mantidas em segredo, sem possibilidade de controle
independente.”
Contudo, o levantamento também revela que, em termos
reais, os deputados dos Estados Unidos são os únicos
que ganham mais do que os brasileiros. Entre salário,
verba de representação, viagens e verba de
gabinete, um deputado americano recebe anualmente R$ 2.938.799,46.
Por sua vez, o brasileiro recebe R$ 1.340.077,56.
O estudo também revela que, apenas a verba de representação
dos senadores americanos chega a ser quase 20 maior do
que a dos senadores brasileiros. Enquanto um senador americano
recebe R$ 4.296.691,88 anuais apenas para esse fim, o brasileiro
recebe R$ 288.100,00.
Os valores em moeda brasileira foram convertidos pela
taxa de câmbio do dólar comercial de 23 de
junho de 2009.
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Gazeta do Povo, 4 de julho
de 2009
FMI
América Latina
pode encolher 2%
O Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou
ontem que a América Latina poderá sofrer uma
forte retração em 2009 por causa da crise global.
A avaliação foi feita por Nicolas Eyzaguirre,
diretor do FMI para o Hemisfério Ocidental, durante
uma reunião de ministros de Finanças da região,
realizada no Chile.
“
Em média, a América Latina terá uma
queda possivelmente maior que 2%”, disse. Segundo o
diretor do Fundo, a economia global começou a dar
sinais de que está voltando à normalidade.
Porém, na avaliação de Eyzaguirre, ela
está mais fraca do que o previsto para os dois primeiros
trimestre do ano. “A recuperação começou
a se materializar com mais vigor, de maneira a mudar um pouco
as perspectivas de queda para 2009, e melhorar os prognósticos
para 2010.”
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Gazeta do Povo, 4 de julho
de 2009
Construção civil
Imóvel em Maringá é dos
mais caros
Oferta não acompanha
a demanda por terrenos e preços disparam. Área
de 300 metros quadrados não sai por menos de R$ 37
mil
Maringá - Quem pretende comprar um imóvel
em Maringá deve preparar o bolso. Casas, terrenos,
apartamentos ou salas comerciais estão com o preço
para lá de salgado. Com menos de R$ 37 mil não é possível
encontrar um terreno de 300 metros quadrados na Cidade
Canção. Já em bairros afastados de
outros municípios, como Londrina, Cascavel e até mesmo
Curitiba, é possível adquirir a mesma área
com R$ 10 mil. É o que apontou a Secretaria de Planejamento
de Maringá, na última reunião que
discutiu o Plano Diretor da cidade.
A região de Maringá tem o Custo Unitário
Básico (CUB) da construção mais barato
do estado. O CUB é o principal indicador de preços
do setor da construção, que é o resultado
do cálculo do custo unitário das obras dividido
pelo área a ser construída. O valor do CUB
maringaense, em maio, ficou em R$ 763,78 – menos
do que em Curitiba (R$ 804,38), Londrina (R$ 800,35) e
da região Oeste do estado (R$ 803,13).
Então por que, na hora de comprar uma casa ou
apartamento, se paga tão caro em Maringá?
A resposta do diretor de economia e estatística
do Sindicato da Indústria da Construção
Civil do Paraná (Sinduscon), Cláudio Alcalde é simples: “Por
causa do valor do terreno.” A oferta de áreas
não atende a demanda e faz com que os preços
disparem. “O preço do terreno é fatalmente
incorporado ao custo final da obra e acaba influenciando
na alta” afirma Alcalde.
Com intuito de baixar os valores do mercado imobiliário,
a prefeitura quer liberar áreas de contenção
(sítios e fazendas que estão no perímetro
urbano) para criação de novos lotes residenciais.
A falta de terrenos e a especulação dos investidores
seriam os principais fatores para o alto custo dos imóveis.
“Nossa intenção é abrir novas áreas
para que o preço desses imóveis caia um pouco.
Trata-se de um problema social. Uma pessoa com baixa renda
não pode construir. Com R$ 15 mil é possível
erguer uma casinha, mas onde? Se o terreno for barato,
com estrada de chão e sem infraestrutura, custa
R$ 37 mil”, explica o secretário de Planejamento
de Maringá, Jurandir Guatassara Boeira.
O presidente da Central de Negócios Imobiliários,
Marco Tadeu Barbosa diz que um apartamento, em Maringá,
pode custar 25% a mais do que o mesmo imóvel num
bairro de padrões semelhantes, em Curitiba. Segundo
ele, os apartamentos mais procurados, na Cidade Canção,
são os de dois ou três quartos na faixa de
R$ 80 mil a R$ 180 mil. Quitinetes têm aluguel de
quase R$ 800.
Para Barbosa, outro fator que influencia no preço
dos imóveis é a organização
do município que dispõe de bairros com boa
infraestrutura. Maringá se orgulha de ser uma cidade
onde não existem favelas. “É uma cidade
que nasceu planejada e tem excelente qualidade de vida. É um
polo que oferece empregos, renda em quase todos os setores
e tem grande expectativa de crescimento. Tem excelentes
atrativos para quem pretende morar ou investir”,
disse.
O empresário Renato Muçouçah sabe
bem disso. Ele comprou quase uma dezena de apartamentos
que ainda estão na planta. Muçouçah
justifica que o investimento em imóveis é seguro
e de boa lucratividade. “Nos últimos anos
o imóvel tem dado rendimento superior a muitos investimentos
bancários”, garante.
Explosão
A explosão da construção civil em
Maringá vem ocorrendo desde 2006, segundo os especialistas
do ramo. Prova disso são as grandes obras que estão
sendo erguidas no chamado Novo Centro. Só em 2008
foram construídos 931 mil metros quadrados – 48%
a mais do que em 2007, com 629 mil metros quadrados de
construção.
Plano diretor
Alteração vai
dividir vazios urbanos
Dentre as alterações previstas para o Plano
Diretor de Maringá está a revisão
de ocupação territorial. Os proprietários
de grandes áreas vão ter de dividir os territórios
para transformá-los em lotes para a construção
de residências. Cerca de 130 propriedades já foram
notificadas pela prefeitura e os donos terão um
ano para protocolar o parcelamento compulsório dos
terrenos e mais um ano para terminar de executar a divisão.
As grandes áreas existentes no perímetro urbano de Maringá,
como sítios e fazendas, são chamadas de áreas
de contenção. O secretário de Planejamento, Jurandir
Guatassara Boeira explica que Maringá tem apenas 5,56 quilômetros
quadrados em terrenos acessíveis para construção.
As áreas de contenção, que correspondem a 22,13
quilômetros quadrados seriam usadas para criação
de 32 mil lotes. “Isso ajudaria a promover uma redução
de preços dos terrenos na cidade”, diz. (MPM)
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Folha de S.Paulo, 4 de
julho de 2009
RUMO A 2010
Dilma diz que é estigmatizada
por eleições
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou ontem
que é "estigmatizada" por questões
políticas. "Hoje no Brasil tudo é [chamado
de] eleitoreiro", disse após defender reajustes
para o funcionalismo público federal previstos para
este ano.
No mesmo dia, Dilma confirmou que o governo pretende aumentar o valor
pago pelo Bolsa Família e sinalizou que poderá ser criado
um critério permanente de reajuste.
O programa é a principal vitrine da política social do
governo Lula e deverá ser o carro-chefe da campanha de Dilma à Presidência
da República no ano que vem.
" Não estamos pretendendo fazer uma medida pontual. Pretendemos fazer
um critério, explicitar um critério pelo qual o Bolsa Família
deve ser reajustado", afirmou.
Ela disse, no entanto, que o desenho do reajuste ainda está sendo
feito e que precisaria ainda conversar com o ministro Patrus Ananias
(Desenvolvimento Social).
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Folha de S.Paulo, 4 de
julho de 2009
EXECUTIVO
Lula estreia na terça
coluna em 94 jornais
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Lula estreará, na próxima terça,
uma coluna de perguntas e respostas em 94 jornais do país.
A Secretaria de Imprensa abriu credenciamento para jornais
interessados dia 15 de junho. A coluna "O presidente
responde" deve ser publicada sem nenhuma edição.
A cada semana, Lula responderá a três perguntas
de leitores. Cabe aos jornais coletá-las.
Dos 94 jornais inscritos, 69 têm veiculação diária,
3 são bissemanais e 21 são semanais, quinzenais ou mensais.
Houve cadastramento de veículos de 65 cidades. Na divisão
regional, 43 jornais são do Sudeste, 19 do Nordeste, 18 do Sul,
9 do Norte e 5 do Centro-Oeste.
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Folha de S.Paulo, 4 de
julho de 2009
Reduzir jornada não é garantia
de mais empregos, diz OIT
Diminuição de
44 para 40 horas semanais, aprovada na terça por comissão
da Câmara, reacende debate sobre reforma
Experiência de redução
de jornada em países europeus aponta para a deterioração
das condições de trabalho, afirma especialista
francesa
ANA CAROLINA DANI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE PARIS
A redução da jornada semanal de trabalho
não deve necessariamente levar à criação
de empregos, na opinião de John Messenger, da OIT
(Organização Internacional do Trabalho).
O especialista considera difícil prever os resultados
de políticas que têm o objetivo de reduzir
de maneira permanente o tempo de trabalho e afirma que
as compensações, tanto para empresas quanto
para empregados, dependem da forma como for conduzida.
No Brasil, na terça passada, a redução da jornada
de trabalho de 44 para 40 horas semanais e o aumento do valor da hora
extra trabalhada, de 50% para 75% do valor da hora normal, foram aprovados
por unanimidade por uma comissão especial da Câmara dos
Deputados. A PEC (proposta de emenda constitucional) deve ser votada
no plenário da Câmara e do Senado, antes de ser promulgada.
Na França, um dos exemplos mais contundentes, a jornada semanal
de trabalho foi reduzida de 39 para 35 horas em 1997, e o balanço
da mudança é controverso.
" No caso da França, os números são contraditórios,
mas o exemplo francês parece indicar que o aumento da competitividade foi
bem mais forte do que a criação de empregos", disse Messenger à Folha.
Segundo ele, o risco de perda de competitividade pode ser compensado por medidas
como redução de salários, subvenções do governo
ou reorganização interna da produção.
A redução da jornada de trabalho em países europeus
também não teve o impacto esperado na opinião
da chefe da unidade de análises da Eurofund (Fundação
Europeia para Melhoria das Condições de Vida e Trabalho),
Agnès Parent-Thirion. "Quando a França adotou as
35 horas, a redução da jornada era reivindicação
dos sindicatos europeus para reduzir o desemprego. Só que isso
não aconteceu. As estatísticas não comprovaram
efeito real sobre o emprego."
A redução da jornada também acarretou uma deterioração
das condições de trabalho, afirma Parent-Thirion.
Flexibilização
" As empresas reorganizaram a produção para tentar aumentar
a produtividade individual de cada trabalhador, o que levou a uma degradação
das condições de trabalho, com a supressão das pausas ou
do tempo para café, por exemplo." Na análise da especialista,
o debate sobre a redução da jornada de trabalho na Europa perdeu
terreno com o entrada de novos países no bloco, a partir de 2004. A tendência
atual, segundo ela, não é reduzir a duração legal
do trabalho, mas adotar medidas de flexibilização que permitam,
por exemplo, turnos fora dos horários convencionais, como à noite
ou nos fins de semana.
Cada país da União Europeia é livre para determinar
a duração e a organização do tempo de trabalho,
desde que respeite diretiva que estipula que a média semanal
de horas trabalhadas não deve ultrapassar 48 horas. De acordo
com estatísticas da Eurostat, a jornada média efetiva
semanal para os 27 países do bloco é de 37,8 horas.
O economista Messenger chama atenção para a diferença
entre jornada legal e efetiva. Segundo ele, a jornada francesa semanal
de 35 horas é menor do que a holandesa, mas o número
de horas efetivas trabalhadas na França é maior, já que
os holandeses recorrem muito ao tempo parcial.
"É difícil traçar uma tendência geral na Europa.
Cada país é diferente. Alguns são bem enquadrados pela lei,
como a França. Outros, como Alemanha e Suécia, são mais
orientados por acordos coletivos. E há países, como Irlanda ou
Inglaterra, em que as leis trabalhistas são menos rígidas."
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Folha de S.Paulo, 4 de
julho de 2009
Experiência da
França causa controvérsia
COLABORAÇÃO
PARA A FOLHA, DE PARIS
A França costuma ser apontada como um caso único
na Europa -um dos exemplos mais contundentes de redução
legal da jornada semanal de trabalho. Em 1997, o país
adotou a Lei Aubry, reduzindo a jornada de 39 para 35 horas,
mas, hoje, o balanço da legislação é controverso
e divide classe política, empresários e economistas.
O Medef, o maior sindicato patronal do país, é categórico.
Para ele, a redução da jornada teve efeitos catastróficos.
Segundo balanço do sindicato, a diminuição da
jornada reduziu a capacidade de produção da indústria,
com efeitos negativos para a economia francesa.
Em 2002, o Medef estimava a perda do crescimento ligada às 35
horas em 3% do PIB, o equivalente a cerca de 50 bilhões. Na
mesma época, o custo anual da redução para os
cofres públicos foi avaliado pelo sindicato patronal em 35 mil
por ano e por emprego criado, totalizando 15 bilhões anuais.
O balanço contesta um dos principais argumentos da esquerda
-o de que a Lei Aubry teria criado 400 mil empregos de 1997 a 2000.
Para o sindicato, o número de empregos criados na França é idêntico à média
europeia, o que provaria "a ineficiência das 35 horas".
Segundo o economista Thomas Coutrot, especialista em questões
trabalhistas do Ministério da Economia da França, o argumento
da perda de competitividade não é utilizado pelos dirigentes
de empresas, mas sim pelos representantes das organizações
patronais e pelos partidos de direita. "As empresas negociaram
acordos bastante convenientes, com reorganização e maior
flexibilidade do tempo de trabalho. Poucos empresários hoje
querem jogar por terra as 35 horas", diz.
Competitividade
Para Coutrot, não houve perda de competitividade. "Não
há evidência de que o custo salarial por unidade produzida
tenha aumentado. A redução se fez com ganhos de produtividade.
Houve reorganização do trabalho. Os salários ficaram
praticamente bloqueados por dois anos, o que possibilitou manter os
custos de produção."
Em um estudo comparativo publicado em 2003 sobre as 35 horas na França,
a OCDE (Organização para a Cooperação e
o Desenvolvimento Econômico) notava que a reorganização
interna do trabalho teria levado a ganhos de produtividade por hora
trabalhada. A OCDE afirmava, entretanto, que foram principalmente as
vantagens financeiras oferecidas pelo governo que puderam garantir
o equilíbrio das empresas.
Para os principais sindicatos de trabalhadores franceses, as 35 horas
devem ser preservadas. Em junho do ano passado, quando o governo francês
discutia uma polêmica reforma com o objetivo de flexibilizar
o tempo de trabalho, a CFDT e a CGT, as duas principais centrais sindicais
do país, convocaram manifestação nacional contra
a "desregulamentação do código do trabalho".
Na reforma do governo, a duração legal de trabalho foi
mantida, mas uma série de medidas deu mais autonomia às
empresas para fixar as regras do jogo diretamente com sindicatos ou
empregados. Um dos objetivos do governo era melhor remunerar as horas
extras, para que quem quisesse pudesse "trabalhar mais para ganhar
mais". Uma medida que, segundo Coutrot, não teve efeito.
A média semanal efetiva de horas trabalhadas na França
está em 38 horas. " Estamos na média europeia. Não é justo
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Folha de S.Paulo, 4 de
julho de 2009
Mudança deveria
vir por acordo, diz professor
NATÁLIA PAIVA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A redução da jornada legal de trabalho de
44 para 40 horas semanais nem deve criar vagas nem distribuir
renda no país, diz o professor de relações
do trabalho da USP José Pastore.
É que as empresas, quando têm seus custos elevados, partem para
medidas compensatórias -como automatização ou alta de preços-, "anulando
as intenções" de gerar emprego ou dividir com os trabalhadores
os ganhos com produtividade. O caminho para a redução da quantidade
de horas trabalhadas não está na lei, mas nas negociações
setoriais entre patrões e empregados, afirma o professor, que presta consultoria
para a CNI (Confederação Nacional da Indústria).
FOLHA - Sindicatos dizem que a redução
da jornada estimulará empresas a contratarem.
A CNI diz que ela criará obstáculos para
isso, já que elevará os custos. Quem tem
razão?
JOSÉ PASTORE - Estamos falando
da redução de jornada legal, não
da negociada. A negociada pode criar emprego. Num setor,
os empregados podem negociar com a empresa uma jornada
baixa, porque ela tem alta tecnologia ou boa performance
de mercado, por exemplo. Mas uma empresa pequena -em
que a mão de obra pesa muito nos custos de produção-
não tem condições de arcar com os
custos adicionais da redução e vai perder
mercado. Por isso, os países do mundo inteiro
fixam uma jornada legal alta e jornadas negociadas baixas,
por setor. Assim dá para gerar emprego. Mas numa
imposição legal, para empresas de setores,
regiões e tamanhos diferentes, não há evidência
que mostre geração de emprego.
FOLHA - Em 88, com a redução de
48 para 44 horas, houve alta ou queda de emprego e produtividade?
PASTORE - A lição de 1988 é muito
boa. Não houve geração de emprego
desesperada. A partir dos anos 1990, houve aumento do
desemprego. Por que a conta aritmética não
bate com a realidade? Do ponto de vista da aritmética,
reduz-se de 44 para 40 horas, tem que contratar 2,2 milhões
de empregados. Não bate porque as empresas, quando
têm elevação de custo muito forte,
como é o caso -vai aumentar em 10% o custo do
trabalho e 50% o da hora extra-, as que podem ajustar
até já ajustaram. As que não podem
vão partir para medidas compensatórias:
buscar mais automatização -portanto, não
contratam-; reduzir a produção e se acomodar,
que foi o que ocorreu em 1988 -e não contratam-;
ou contratam, mas passam para o preço. Quando
isso acontece, inflaciona e há capacidade menor
na economia para gerar emprego. As empresas não
são estáticas e anulam as intenções
de gerar emprego por meio da redução.
FOLHA - Argumenta-se que a redução
da jornada elevaria o salário-hora e, como houve
ganho de produtividade nas empresas, nos últimos
anos, elas poderiam pagar mais.
PASTORE - Isso é uma tese geral.
Mas você não consegue, por meio de medida
legal, ajustar isso aos diferentes ganhos de produtividade
que existem nas empresas. Você tem empresas que alocaram
os ganhos em três pontos: aumentos reais aos trabalhadores
-em vários casos, em muitos setores-; uma outra
parte foi para o lucro das empresas, e foi com isso que
puderam investir mais; outra parte foi para o consumidor
-houve uma redução drástica de preços
em cima da produtividade. Uma legislação
imposta não tem condições de equalizar
essa distribuição. O que é bonito
na teoria, na prática, é pelo menos ambíguo.
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Folha de S.Paulo, 4 de
julho de 2009
Keynes previu 15 h de
trabalho por semana
HÉLIO SCHWARTSMAN
DA EQUIPE DE ARTICULISTAS
Em 1931, John Maynard Keynes publicou um curto ensaio
intitulado "Possibilidades Econômicas para Nossos
Netos".
É um texto estranho, no qual o homem que salvou o capitalismo da ruína
chega muito perto de advogar pelo fim do trabalho e dos juros.
O objetivo do opúsculo é combater a vaga de pessimismo
com a perda de postos de trabalho provocada pela crise de 1929.
Keynes espertamente "resolve" o problema lançando-o
para o futuro longínquo.
De acordo com o economista, a combinação de acúmulo
de capitais com desenvolvimento científico-tecnológico,
embora possa produzir numa primeira etapa o chamado desemprego estrutural,
significa também "a solução para o problema
econômico da humanidade".
Keynes prognostica um aumento tão acentuado da produtividade
que, no prazo de cem anos, estaríamos em vias de nos livrar
da necessidade de trabalhar para satisfazer as necessidades básicas.
Para o autor, lá por 2030 não teríamos de trabalhar
mais que 15 horas semanais e dedicaríamos o restante do tempo
ao lazer e à cultura.
Com isso -e é aqui que o texto fica mais intrigante-, ocorreria
uma espécie de emancipação moral do homem: a acumulação
de riquezas deixaria de ser percebida como algo importante e estaríamos
livres para retornar a uma ética mais tradicional que condena
a avareza, a usura e o amor pelo dinheiro.
Pragmático, porém, Keynes alerta: "Este tempo ainda
não chegou. Por pelo mais um século, devemos fingir para
nós mesmos e para os outros que o justo é injusto, e
o injusto, justo; pois o injusto é útil, e o justo, não".
Durante muito tempo, esse texto foi tratado como um simples "divertissement",
uma obra menor.
Mais recentemente, entretanto, alguns economistas começaram
a se perguntar por que o otimismo keynesiano não parece prestes
a se materializar. As respostas que constam do livro "Revisiting
Keynes" variam bastante.
Embora o pensador britânico tenha acertado em relação
ao forte crescimento econômico, ele negligenciou a questão
da distribuição da riqueza. Também parece ter
superestimado o desejo das pessoas de deixar de trabalhar, mesmo quando
podem fazê-lo.
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