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Agência Brasil, 5 de julho de 2009
Crise faz crescer desembolso do BNDES
e procura por fomento
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
desembolsou R$ 32,7 bilhões nos primeiros cinco meses do ano,
mostrando estabilidade nas liberações de recursos feitas
pela instituição quando comparadas ao mesmo período
do ano anterior.
Em comunicado, o BNDES acrescentou que as consultas para novos investimentos
na instituição cresceram 40% entre janeiro e maio,
totalizando R$ 91,3 bilhões.
A instituição avalia que esse crescimento nas consultas
reflete perspectiva de aumento nos desembolsos.
"A expansão das consultas ocorreu, basicamente, devido às
demandas dos setores de material de transporte, química e
petroquímica, indústria extrativa e serviços
de utilidade pública", disse o banco de fomento.
"O desempenho revela que parte dos novos investimentos está voltada
para o mercado doméstico, em paralelo ao movimento de recuperação
da utilização da capacidade ociosa da indústria",
acrescentou.
Nos últimos 12 meses, o BNDES anunciou crescimento em todos
os itens, com os desembolsos crescendo 17% na comparação
com um ano antes, para R$ 92,2 bilhões.
A diminuição do crédito na rede bancária
privada, como consequência da crise financeira mundial, provocou
um grande aumento na procura por recursos oferecidos pelas agências
de fomento filiadas à Associação Brasileira
de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (Abde).
De acordo com o presidente da Abde, Pedro Falabella, os empresários
descobriram que as agências de fomento de alguma maneira podem
resolver a sua carência por recursos.
"Os empresários descobriram que existem agências
de fomento que, na maioria das vezes, estão prontas a socorrê-los
neste momento de crise, sem tantas exigências, como acontece
com os bancos comerciais", disse.
Segundo ele, só a Agência de Fomento do Estado do Amazonas
(Afeam) registrou 40% a mais de demanda de empresas, inclusive as
de grande porte, que antes só buscavam crédito na rede
bancária.
"A maioria das nossas empresas chegava, no máximo a
porte médio. Hoje, nós já estamos trabalhando
com empresa quase de grande porte, como as de componentes",
disse.
Nos demais Estados, de acordo com Falabella, as informações
indicam que também houve aumento de procura por investimentos
nas agências de fomento, principalmente no eixo Sul/Sudeste.
"O Sul e Sudeste foram as que mais tiveram demanda", informou.
Para capitalizar as agências de fomento, o presidente da Abde
indicou que está buscando uma aproximação mais
estreita com o BNDES, a exemplo do que já ocorreu com o Banco
Central.
"Com o Banco Central, nós sentamos à mesa, discutimos
normas. Muitas sugestões nossas foram aceitas. Com o BNDES,
nós estamos iniciando esse processo, porque as agências
de fomento precisam ser capitalizadas".
Falabella está entusiasmado com a ideia dos estados virem
a criar com o Governo federal um programa de desenvolvimento de agências
de fomento.
"Nenhuma das nossas 12 agências poderá dizer que
vai prescindir desse programa do BNDES. É uma iniciativa louvável.
O BNDES em pouco tempo percebeu que as agências de fomento
poder ser seus parceiros, principalmente na busca de clientes que
estão fora do processo, em especial as micro e pequenas empresas",
disse
A tese sobre a criação de um programa de desenvolvimento
de agências de fomento foi defendida no último dia 19
de junho, no Rio de Janeiro, pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho.
Mas não existe nada, ainda, em estudo, informou a instituição
por meio da assessoria de imprensa.
Porém, confirmou que o BNDES considera importante poder expandir
a sua atuação pelo país, usando a capilaridade
dos bancos públicos e das agências de fomento.
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Agência Brasil, 5 de julho de 2009
Condições de trabalho
para mulher pioram, avalia Secretaria Especial
De uma forma geral, as mulheres brasileiras perderam mais postos de
trabalho que os homens desde a eclosão da crise financeira internacional,
em setembro do ano passado.
No entanto, houve crescimento da participação feminina
no mercado formal de trabalho, mostra o estudo "A Crise Econômica
Internacional e os (Possíveis) Impactos sobre a Vida das Mulheres",
lançado pela Secretaria Especial de Políticas para
as Mulheres (SPM) do Governo Federal.
Mas o que parece ser positivo pode, na verdade, sinalizar a precarização
do trabalho feminino.
Os salários de admissão das mulheres foram sempre
inferiores aos dos homens no período pós-crise.
"Essa feminização que se verifica no mercado
de trabalho formal pode estar associada a uma substituição
de trabalhadores que custam mais por trabalhadores que custam menos",
avalia Luana Pinheiro, gerente de projetos da SPM.
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Vermelho, 5 de julho de 2009
Em Paris, presidente Lula volta a
defender o G-20
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar,
hoje, que o grupo dos sete países mais ricos do mundo, mais
a Rússia - o G-8 - não tem mais legitimidade para
tratar de questões econômicas e financeiras. A declaração
foi feita na sua chegada a Paris, onde receberá, na terça-feira,
prêmio da Unesco.
Lula chegou ao Aeroporto de Le Bourget, nos arredores de Paris,
pouco depois das 15h. Cinco dias antes da abertura do G8, que será realizado
em Áquila, na Itália, Lula reiterou que questões
sobre o sistema financeiro internacional precisam ser tratados com
a participação dos países emergentes, que integram
o G-20. "O G-8, se eles (seus líderes) quiserem que continue,
que continue. Mas para discutir as questões econômicas
e financeiras do mundo, eu acho que o G-20 é o fórum
ideal", disse.
O governo brasileiro tem feito reiteradas declarações
em favor do G-20, em detrimento do G-8, apesar de os chefes de Estado
e de governo do Brasil, da China, da Índia, da África
do Sul, do México e do Egito serem convidados da reunião
na Itália.
Para Lula, não se podem mais tomar decisões globais
sem “a presença atuante de países como Brasil
e China, pela importância que possuem no atual cenário.
Criado por iniciativa do Brasil durante negociações
da Organização Mundial do Comércio (OMC), o
G20 reúne os 20 países industrializados do mundo, incluindo
aqueles em desenvolvimento.
Lula chegou esta tarde a Paris, onde receberá, na terça-feira,
o prêmio Felix Houphouët-Boigny, da Unesco – uma
homenagem a personalidades que se destacam na defesa da paz. O ex-presidente
português Mario Soares, que preside o juri do prêmio,
justificou a escolha de Lula como um reconhecimento de sua “busca
pelo diálogo, a promoção da democracia, da justiça
social e da igualdade de direitos, assim como sua grande contribuição
pela erradicação da pobreza e proteção
dos direitos das minorias”.
Ainda na terça-feira, o presidente se reúne com o
chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy. Na segunda-feira,
ele participa de um jantar com o primeiro-ministro português
José Sócrates. Durante o final de semana, o presidente
Lula não tem compromissos oficiais.
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Agência Brasil, 5 de julho de 2009
Gastos com funcionalismo podem chegar
a 5,2% do PIB
Com impacto previsto de R$ 6 bilhões no segundo semestre, a
manutenção da segunda rodada de reajuste para o serviço
público, confirmada ontem (3) pelo ministro do Planejamento,
Paulo Bernardo, aumentará a proporção entre os
gastos com pessoal e o Produto Interno Bruto (PIB), soma de tudo o
que a economia produz. Se forem considerados os aumentos já concedidos,
o governo chegará ao fim do ano tendo desembolsado quase R$
30 bilhões a mais com o funcionalismo do que em 2008, alta que
equivale a 0,7% do PIB.
Em agosto do ano passado, ao enviar para o Congresso a proposta
para o Orçamento Geral da União de 2009, Paulo Bernardo
havia anunciado que o Executivo pretendia aumentar para 4,93% do
PIB as despesas com o funcionalismo. Os números deste ano,
no entanto, mostram que as estimativas estão sendo superadas.
No ano passado, as despesas com o funcionalismo do Poder Executivo
somaram R$ 130,8 bilhões, equivalente a 4,5% do PIB. Somente
nos cinco primeiros meses de 2009, o pagamento dos servidores totalizou
R$ 60,8 bilhões, cerca de R$ 11 bilhões a mais do que
montante referente ao mesmo período de 2008 e equivalente
a 5,1% do PIB acumulado de janeiro a maio.
Por causa da despesa extra, estimada em R$ 29 bilhões pelo
Ministério do Planejamento, os gastos com pessoal deverão
encerrar o ano aproximadamente em R$ 160 bilhões. Se for levado
em conta o PIB nominal de R$ 3,055 trilhões, informado no
Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas
enviado ao Congresso no final de maio, a folha de pagamento do Executivo
poderá chegar a 5,2% do PIB.
O percentual, na verdade, poderá ser maior, já que
o PIB se baseia na previsão oficial de que a economia crescerá 1%
em 2009. De acordo com a edição mais recente do boletim
Focus, pesquisa com analistas financeiros divulgada toda semana pelo
Banco Central, as instituições apostam em retração
de 0,5%. Um PIB menor aumentaria a proporção entre
os gastos com o funcionalismo e o tamanho da economia do país.
O Orçamento Geral da União autoriza gasto de R$ 167,9
bilhões com pessoal neste ano. No entanto, nem todo esse dinheiro
será revertido em salários. Isso porque parte da verba
está comprometida com o pagamento de sentenças judiciais
e a contribuição para a Previdência do serviço
público.
Ao todo, 1,8 milhão de funcionários públicos
ativos, inativos, civis e militares estão sendo beneficiados
pelos reajustes, concedido em quatro parcelas e com custos financeiros
escalonados até 2010. No próximo ano, o impacto será ainda
maior do que o gasto extra de R$ 29 bilhões deste ano, porque
as altas salariais terão efeitos integrais no orçamento.
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Congresso em Foco, 5 de julho de 2009
Lula defende revisão constitucional
na política
Em jantar com Michel Temer, presidente
perguntou quando será aprovada uma assembléia específica
para fazer reforma. Apoio do Planalto ajuda na tramitação
de duas PECs apresentadas por deputados do PT
Mário Coelho
Deixada de lado pela falta de acordo e por causa da crise institucional
que assola a Câmara, a reforma política ganhou um empurrão
há quase um mês. Em 8 de junho, o presidente Lula participou
de um jantar na residência oficial do presidente da Câmara,
Michel Temer (PMDB-SP). Durante o encontro, o petista abordou o peemedebista
em uma pequena roda de políticos e lançou a pergunta: “Temer,
quando vamos aprovar uma assembleia constituinte?”
A questão levantada por Lula foi entendida como senha para
que a discussão fosse levantada novamente no Congresso. O
presidente deixou claro, segundo parlamentares que presenciaram a
conversa, o interesse em ver deputados e senadores discutindo uma
reforma política dentro de um colegiado específico
para isso. A interpretação é que, dessa maneira,
temas como funcionamento público de campanha, lista fechada
e fidelidade partidária teriam um ambiente mais propício
para discussão.
Tramita na Câmara uma série de propostas sobre o assunto.
Duas delas, encampadas por deputados do PT, ganham força com
o empurrão de Lula. A mais recente foi apresentada na quinta-feira
(1) pelo vice-presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). Com
309 assinaturas, a Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 384/09 convoca uma assembleia constituinte para revisar os
dispositivos da Constituição Federal relativos ao regime
de representação política.
A outra proposta tramita há mais tempo na Casa. Apresentada
pelo deputado José Genoino PT-SP), a PEC 157/03 prevê a
criação de um congresso revisor para fazer uma ampla
reforma política. As duas tratam do mesmo tema, ocorreriam
durante igual período – oito meses – mas têm
uma diferença fundamental. Pela proposta apresentada por Marco
Maia, os brasileiros elegeriam os membros da assembleia constituinte.
Eles seriam exclusivos do colegiado, não podendo se candidatar
também a outro cargo no Legislativo ou Executivo na mesma
eleição.
A revisão constitucional seria promulgada após a aprovação
do texto em dois turnos por maioria absoluta de votos dos membros
da assembleia e por referendo popular realizado até 30 depois
da aprovação pelos parlamentares constituintes. Ela
seria instalada em 15 de janeiro e funcionaria por no máximo
oito meses. As decisões do colegiado entrariam em vigor imediatamente
após a data da publicação, podendo valer, na
teoria, já para o pleito de 2012.
Já pela PEC 157, os membros seriam escolhidos pelo próprio
parlamento entre os que possuírem mandato em 2011. O Congresso
revisor funcionaria paralelamente à Câmara e ao Senado,
nos moldes da Constituinte de 87/88, e com sessões unicamerais
e aprovação das propostas por maioria absoluta. Todos
os temas aprovados só valeriam a partir de 2014, depois de
referendados pela população em 2012.
Discussão
Antes de apresentar a PEC 384, Maia conversou com Genoino. Eles
acharam melhor, por enquanto, deixar as duas propostas tramitando
na Câmara. Agora, elas serão discutidas internamente
pelo PT, que deve orientar qual vai permanecer e qual será retirada. “Não
há contrariedade nas propostas. O partido vai começar
a discutir e aí veremos qual vai ficar”, disse Maia
ao Congresso em Foco.
Para Maia, a discussão sobre o congresso revisor é oportuna.
Ele lembra que havia o compromisso de votar a reforma política
ainda em 2009. Em dezembro do ano passado, a Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) da Câmara chegou a aprovar a admissibilidade
de 62 propostas de emendas constitucionais (PECs) que compõem
o conjunto da reforma política. Entretanto, a discussão
parou aí. “A perspectiva de votar ainda este ano ficou
frustrada. Ouvindo o diálogo na sociedade e as conversas no
partido, vemos que a assembleia é a melhor solução”,
comentou Maia.
Na avaliação de Genoino, a vantagem do congresso revisor é a
mobilização social e política. “A reforma
política só sai caso a população seja
chamada a participar. Até agora, não conseguimos envolver
a sociedade no debate. Por isso eu defendo a idéia de congresso
revisor”, afirmou.
A tramitação das propostas na situação
de revisão é mais célere, explica o deputado
de São Paulo. “Por emenda constitucional com quórum
de três quintos nas duas Casas, duas vezes, com 40 sessões
de comissão especial, qualquer obstrução é fácil
de segurar”, assinala Genoino. “O congresso revisor é uma
maneira de juntar deputado e senador. Tem um debate entre as duas
casas.”
Segundo ele, a revisão concluiria as mudanças iniciadas
com a Constituição Federal de 1988. “A Constituição
se preocupou em revogar o entulho autoritário. Faltou o passo
seguinte que era garantir as conquistas democráticas e avançar
no sentido da representatividade, proporcionalidade, governabilidade
e legitimidade do processo eleitoral e do processo institucional.”
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Gazeta do Povo, 5 de julho de 2009
Corrupção
Pagamento de propina pode fechar
empresas
Brasília - As empresas que cometem crimes contra
a administração pública na tentativa de obter
vantagem poderão passar a ser punidas civil e administrativamente
pelo Estado. Aquelas que se beneficiam do pagamento de propina
a servidores públicos, de fraudes em licitação,
da lavagem de dinheiro e da maquiagem de serviços e produtos
vendidos ao governo poderão ser multadas, impedidas de receber
benefícios fiscais, fechadas temporariamente ou extintas,
a depender da gravidade dos fatos.
A novidade consta do projeto de responsabilização
das pessoas jurídicas, que está em fase de conclusão
na Controladoria-Geral da União (CGU) e no Ministério
da Justiça. O texto será encaminhado ao Congresso ainda
neste mês.
A legislação atual praticamente blinda essas empresas.
Quando se envolvem em escândalos de corrupção,
no máximo são punidas pelo mercado: a marca e a imagem
são deterioradas e os clientes fogem para a concorrência.
Se não houver esse prejuízo simbólico, porém,
a empresa continua a funcionar normalmente. O Estado, hoje, não
pode fazer praticamente nada contra elas.
A Lei das Licitações (8.666/93), por exemplo, é restrita
a atos praticados contra a concorrência e a punição
mais grave restringe-se a declarar que a pessoa jurídica é inidônea
e estará impedida de participar de outras disputas. Não
há possibilidade de aplicação de multa ou de
vedar o acesso dessas empresas a incentivos fiscais ou a empréstimos
de bancos públicos. E atingir o patrimônio das empresas,
o que elas têm de mais sagrado, mesmo estando envolvidas em
casos de corrupção, é praticamente impossível.
Julgador
Com a legislação atual, a punição pela
prática de outros crimes fica restrita ao funcionário, à pessoa
física, como o diretor da empresa. "Tudo o que está previsto
no novo projeto já é crime, mas hoje não temos
a possibilidade de punir a pessoa jurídica", diz o secretário
de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça,
Pedro Abramovay.
O novo texto determina que a empresa, independentemente dos processos
contra seus dirigentes, será julgada pelos atos praticados
por seus funcionários ou representantes, mesmo que ela não
tenha expressamente dado a ordem para que o crime fosse cometido
ou obtido alguma vantagem por conta desse crime. Por ser um julgamento
administrativo, a intenção é garantir o máximo
de celeridade no trâmite dos processos.
Um dos poucos pontos que ainda precisa ser definido é o órgão
que ficará competente para julgar essas empresas. A proposta
mais recente define que empresas que pratiquem atos contra a União
serão julgadas pela CGU. As demais serão punidas por órgãos
específicos dos Estados.
Até o final das discussões, o governo pode deixar
para a Controladoria-Geral da União a atribuição
exclusiva de decidir sobre todos os casos, incluindo aqueles crimes
que envolvam a administração pública estadual
e municipal.
A ideia do governo é que o rito desses processos seja semelhante
ao seguido pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade), órgão vinculado ao Ministério da Justiça,
para julgar empresas acusadas de cartel, por exemplo. O caso seria
decidido em poucas sessões de um órgão colegiado
da CGU, deixando para a pessoa jurídica a possibilidade de
recorrer apenas ao Judiciário.
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Gazeta do Povo, 5 de julho de 2009
Reajuste
Militares terão
até 11,06% de aumento nos salários
São Paulo - O Ministério da Defesa
anunciou na sexta-feira os porcentuais de reajuste de
várias carreiras do serviço militar. Os
aumentos passam a vigorar a partir de julho. De acordo
com a Defesa. os reajustes fazem parte do cronograma
de aumento iniciado em janeiro de 2008, devendo ter continuidade
até julho de 2010.
Pela tabela divulgada, os taifeiros de segunda-classe terão
reajuste de 9,86%. Os taifeiros de primeira-classe terão aumento
de 9%. Os soldos do taifeiro-mor e do cabo engajado subirão
8,9%. O reajuste dos sargentos varia de 10,05% (terceiro-sargento),
9,56% (segundo-sargento), a 9,24% (primeiro-sargento).
O suboficial e o subtenente terão aumento de 8,85%; O maior
aumento será dado ao aspirante-a-oficial (11,06%), seguido
dos reajustes para o segundo-tenente (10,8%) e primeiro-tenente (10,33%).
O capitão-tenente e capitão terão reajuste
de 9,92%. O capitão de corveta e major terão aumento
de 9,86%. Para o capitão de fragata e tenente-coronel, o aumento
será de 9,17%. Para o capitão de mar e guerra e coronel,
de 8,54%. O contra-almirante, general de brigada e brigadeiro terão
aumento de 8,54%. Para vice-almirante, general de divisão
e major-brigadeiro, o soldo será reajustado em 8,14%. O aumento
do almirante de esquadra, general de exército e tenente-brigadeiro,
de 8%.
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Folha de São Paulo, 5 de julho de
2009
Senado gasta R$ 50 mi por
ano com saúde
Valor médio de despesa
médico-hospitalar, do período de 2006 a
2008, equivale a 42% dos gastos totais
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Senado gastou entre 2006 e 2008 uma média de R$ 50 milhões
por ano com atendimento médico-hospitalar, mostram dados oficiais
divulgados pela primeira vez pela Casa. O valor representa 42% de
todos os pagamentos feitos a empresas no período, sendo hoje
o maior peso no orçamento.
O Senado paga as despesas de senadores, ex-senadores, servidores ativos
e inativos, além de seus dependentes. A cobertura abrange cerca
de 23 mil pessoas, quase todas vivendo na capital federal. Foram gastos
em média R$ 2.200 por ano para cada servidor.
A média anual de gastos, de R$ 50 milhões, equivale aos
recursos necessários para manter um hospital de médio
porte. Administrado pela União, o Hospital de Ipanema, no Rio,
por exemplo, custa R$ 39 milhões por ano. A unidade atende a
300 pessoas por dia.
A rede de médicos e hospitais à disposição
dos servidores é conhecida em Brasília como sendo melhor
que a dos demais planos de saúde. Eles também pagam mensalidades,
em média, mais baixas -parte dos custos é subsidiado.
Um funcionário com um dependente gasta cerca de R$ 250 por mês.
Senadores e dependentes não estão presos a um plano:
podem escolher onde se tratar, e têm as despesas restituídas
integralmente, sem limite de valor. Ex-senadores têm limite de
gasto anual de R$ 32.954. Hospitais, laboratórios e consultórios
de especialidades tradicionais são os principais clientes do
Senado. Mas há gastos com terapias alternativas, entre eles
R$ 150 mil em sessões de acupuntura.
O hospital Santa Lúcia, maior unidade privada de Brasília,
lidera a lista de pagamentos, com R$ 22,5 milhões nos três
anos. Grande parte dos lucros da unidade vem do atendimento a servidores
públicos. Segundo levantamento feito pela Folha na base de dados
disponibilizada, o Senado gastou R$ 46 milhões só com
pagamentos a hospitais. Também foram gastos R$ 12 milhões
com exames laboratoriais.
Entre as especialidades mais utilizadas estão neurologia (R$
8,4 milhões), oftalmologia (R$ 7,5 milhões), oncologia
(R$ 7 milhões), ortopedia (R$ 7 milhões), ortopedia (R$
2 milhões), odontologia (R$ 1 milhão) e psicologia (R$
730 mil).
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Folha de São Paulo, 5 de julho de
2009
Proposta reduz Constituição
de atuais 250 artigos para 75
Pelo projeto em tramitação
na Câmara, 20 temas passam a ser regidos por leis
ordinárias
Parecer de petista a favor de mudança afirma
que Carta é instável; emenda precisa ser aprovada por
duas comissões antes de seguir ao plenário
FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Uma proposta em tramitação na Câmara dos Deputados
propõe a mudança mais radical na Constituição
desde sua aprovação há 21 anos. De autoria do
deputado Regis de Oliveira (PSC-SP), com parecer favorável
do deputado Sérgio Barradas Carneiro (PT-BA), a emenda constitucional
enxuga a Carta dos atuais 250 artigos para menos de um terço.
Na proposta original, de Oliveira, restariam 61 artigos. O relator,
em seu parecer apresentado na quinta-feira à Comissão
de Constituição e Justiça, ameniza um pouco a
lipoaspiração. Sobram, por sua versão, 75 artigos.
Pela proposta, são retirados da Carta 20 temas, todos tornados
infraconstitucionais, ou seja, regidos por leis ordinárias.
Entre eles, os capítulos sobre sistema financeiro nacional,
política fundiária, saúde, educação,
previdência social, esporte, ciência e tecnologia, meio
ambiente e família.
Na Constituição ficariam as cláusulas pétreas
(imutáveis), as garantias individuais, o sistema de governo,
o funcionamento do Judiciário e demais questões relativas à Federação.
No parecer, Carneiro argumenta que o documento atual é exageradamente
minucioso, o que o torna instável.
" A Constituição nasceu num momento imediatamente
posterior a uma ditadura. [...] O resultado foi a elaboração
de uma carta política extremamente detalhista onde todos os
segmentos da sociedade procuravam constitucionalizar seus direitos
por receio de vê-los novamente subjugados aos governantes de
plantão", afirma.
Segundo ele, desde 1988 foram alterados, suprimidos ou acrescentados
90 artigos, 312 parágrafos, 309 incisos e 90 alíneas.
Hoje, 1.119 propostas de mudança tramitam na Câmara. A
Casa tornou-se, diz, uma "fábrica de PECs [propostas de
emenda constitucional]".
" A Constituição, entendida como lei fundamental e suprema
de um Estado, deve restringir-se em determinar a estrutura do Estado, o modo
de exercício e da transmissão do poder, além de reconhecer
direitos fundamentais de liberdade dos indivíduos", afirma Carneiro.
Mudanças em temas fora dessas áreas acabam sendo dificultadas
pela exigência de quórum de três quintos dos votos
na Câmara e no Senado, em duas votações. Carneiro
dá o exemplo da emenda que mudou as regras do divórcio,
de sua autoria, que demorou anos para ser votada.
Se transformados em leis ordinárias, os temas podem ser modificados
com maioria simples no Congresso. A proposta deve suscitar oposição
de lobbies de áreas que seriam "desconstitucionalizadas".
Para o ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence, o enxugamento
atende a uma concepção liberal de Estado. "É uma
visão surgida na Revolução Francesa, de um Estado
de mínima intervenção e preocupado apenas com
as regras do jogo. Ao longo do século 20, no entanto, surgiram
Constituições preocupadas em definir um projeto de sociedade",
diz ele, que não esconde a predileção pela visão
mais intervencionista da Carta.
A emenda tem que ser aprovada pela CCJ e depois por uma comissão
especial de mérito, antes de seguir para o plenário da
Câmara. Depois, repete-se o procedimento no Senado.
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Folha de São Paulo, 5 de julho de
2009
Emenda muda data para posse
de presidente
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A proposta de emenda que enxuga a Constituição propõe
também uma mudança na data da posse presidencial, que
passaria de 1º de janeiro para o dia 10 do mês. Se for
aprovada até o final do ano que vem, valerá imediatamente
-ou seja, o mandato do presidente Lula seria ampliado em dez dias.
" Trata-se de um tema pacífico, em que há um consenso geral
dos problemas causados com a adoção do dia 1º de janeiro para
posse do chefe do Poder Executivo no Brasil, já que é uma data
festiva mundial", diz o parecer do deputado Sérgio Barradas Carneiro
(PT-BA).
No final do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), cogitou-se
a mudança na data da posse, com o argumento de que era um complicador
para convidados internacionais. A ideia acabou não prosperando.
O relator afirma que, em seu parecer, apenas manteve o texto original
da "emenda do enxugamento", de autoria do deputado Regis
de Oliveira (PSC-SP).
Segundo Sérgio Carneiro, a data exata da posse e o momento de
sua aplicação poderão ser ainda rediscutidos quando
a matéria for para a comissão especial, que trata do
mérito, etapa posterior à Comissão de Constituição
e Justiça. (FZ)
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Última Instância, 5 de julho
de 2009
contratuais
Ler condições de quebra
contratual evita chateações
Por André Marques
Com advento do Código de Consumidor e as alterações
ocorridas motivadas pelo Código Civil de 2002, atualmente cada
vez mais os fornecedores querem fidelizar consumidores em seus contratos
visando o impedimento da concorrência.
Diversos contratos passaram a ter uma duração maior
que mensalmente ou bimestralmente, trazendo cláusulas de multas
em caso de renúncia. Grande utilização no mundo
comercial dessas formas contratuais são os mercados de telefonia
móvel celular e fixa, incluindo internet nos grandes centros,
academias e empresas aéreas, usando esse artifício
para conceder descontos. Os consumidores, em grande maioria, se veem
desanimados a renunciarem em razão das multas aplicadas na
quebra de contrato.
Os contratos existem para serem cumpridos — este brocardo é tradução
livre do latim pacta sunt servanda. É muito mais que um dito
jurídico, porém, encerra um princípio de Direito,
no ramo das Obrigações Contratuais, sendo o princípio
da força obrigatória, segundo o qual o contrato faz
lei entre as partes, conforme sustentava o saudoso e renomado civilista
Orlando Gomes, citado pelos predisponentes em defesa de seus contratos
de adesão, com cláusulas elaboradas previamente, sem
oportunidade de discuti-las, como no presente caso em discussão
em que as empresas e instituições financeiras são
infinitamente superiores na relação com os clientes.
Por outro lado, importante ressalvar, que o mestre civilista Orlando
Gomes, não poderia vislumbrar a tendência jurisdicional
de hoje, porque morreu em 1988 e, portanto nem chegou a experimentar
as repercussões do Código de Defesa do Consumidor.
Em dias atuais, a realidade é outra, e com toda certeza seu
posicionamento seria outro.
A tendência na doutrina e na jurisprudência é que
os contratos sejam vigiados pelos olhos da justiça, para que
não se afastem da legalidade, isto se dá pela interferência
jurisdicional provocada. Esta proteção é também
legal, pela Lei 8.078/90 (CDC), Lei de Usura e o Código Civil
vigente.
Mesmo sabendo que o contrato é um acordo de vontade, merecendo
destaque onde o arrependimento do fornecedor é restrito, pois
recusando a cumprir determinada oferta poderá responder judicialmente
podendo ser determinado a fazer a obrigação contratada,
sendo que está ocorrência com o consumidor é ampla,
não devendo entender que é desobrigado do contrato
impune — a renúncia justificada poderá ocorrer
sem o pagamento de multa e a injustificada está sujeita a
multa contratual.
É injusto que o consumidor se locuplete injustificadamente,
sendo que a interrupção extemporânea lhe traz
benefícios; sendo que de outro lado o fornecedor perderá um
contrato que já havia celebrado — criando queda na receita.
O princípio da concordância de interesses estabelece
que o consumidor seja punido pela renúncia imotivada e que
o fornecedor seja beneficiado pela quebra contratual antecipada realizada
a pedido do consumidor.
É inadmissível contrato prevendo que em caso de renúncia
o consumidor perca os valores já pagos através de prestações,
pois isso está insculpido no artigo 51 do CDC; também
não sendo admissível multa superior ao restante do
contrato pendente de um valor fixo ou execução, devendo
ser observado que a multa seja proporcional ao tempo de contrato
restante.
Na celebração contratual o consumidor raramente imagina
na renúncia, particularmente recomendo que nunca se perde
verificando as condições de quebra contratual prevendo
assim os futuros aborrecimentos, e na dúvida sempre é necessário
contratar menos, em pequena duração — desta forma
identifique o que é melhor para o consumidor, pois a renúncia
muita das vezes é altíssima.
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