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Agência Brasil, 12 de julho de 2009
BNDES divulga dados sobre seu papel na
recuperação econômica
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES, Luciano Coutinho, informou também que o crescimento
do emprego formal a partir de abril e maio deste ano, dando suporte
real à massa salarial, além das medidas de estímulo
ao setor de bens de capital, anunciadas na semana passada pelo Governo,
fortalecendo o mercado interno diante da crise internacional, são
duas condições que mostram que o pior já passou.
Ele destacou que a produção industrial, área
mais afetada pela crise, além do investimento, já está
sustentando uma "recuperação lenta, mas consistente".
De acordo com ele, as recentes medidas devem ter um efeito positivo
sobre o setor empresarial ao longo do segundo semestre, dando às
empresas confiança para a antecipação de compras
e investimentos.
"Uma das coisas que podem ajudar nesse processo macroeconômico
é estimular a formação de capital, que é
investimento e é poupança. Quanto mais cresce o investimento,
mais cresce a poupança. E nós vamos ajudar a sustentar
um crescimento mais saudável", afirmou.
Coutinho disse que as consultas para investimentos e aprovações
pelo BNDES voltaram a crescer, o que é uma indicação
de que a economia está ultrapassando a crise. Salientou, contudo,
que esse processo "ainda não se consolidou".
Ele manifestou também convicção de que a economia
brasileira vai crescer em 2010 em torno de 4%, "ou até
um pouco mais", e não ocorrerá descontinuidade
no crescimento.
"O incentivo para antecipar investimento é válido
porque quanto mais cedo o setor empresarial volta a investir, mais
fácil fica controlar a inflação", assegurou
Coutinho.
Na avaliação do presidente do BNDES, a retomada do
processo de investimento facilitará que a taxa de juros básica
fique no patamar de um dígito. "E que, em termos reais,
a gente fique com um patamar de juros real sub 5 (abaixo de 5%)".
Coutinho esclareceu que a consolidação desse patamar
é um processo de médio prazo.
"Eu estou falando dos próximos três a quatro anos.
Então, nós temos que pensar em criar condições
para que a economia brasileira poupe e invista mais. Porque a economia
que vai poupar e investir mais pode assegurar um patamar de juros
mais baixo no médio prazo".
Micro e pequenas empresas
O presidente do BNDES disse ainda que a liberação de
recursos para as micro e pequenas empresas cresceram 40% nos 12 meses
até junho, em comparação a igual período
anterior. Para as grandes empresas, os desembolsos aumentaram 22%.
E para as médias empresas, a expansão foi de 7%.
Na análise apenas do primeiro semestre deste ano, os números
mostram crescimento de 22% nas liberações de recursos
para as micro e pequenas companhias, contra 14% para as empresas de
grande porte. Já as médias empresas apresentaram retração
de 23%. "Uma queda que a gente espera reverter nos próximos
meses", afirmou.
Coutinho atribuiu boa parte do aumento de recursos para as micro
e pequenas empresas ao cartão de crédito do banco para
compras pela internet, cujos desembolsos revelaram crescimento de
393% entre janeiro de 2008 e junho deste ano.
"Esse esforço tem decorrido, principalmente, do fortíssimo
crescimento dos desembolsos por meio do Cartão BNDES. Está
muito claro aqui que as decisões tomadas no fim do ano passado
foram muito eficazes com relação à questão
do Cartão BNDES", disse.
O banco ampliou o limite máximo de crédito do cartão
de R$ 250 mil para R$ 500 mil por banco emissor. O prazo de pagamento
também foi ampliado de 36 para 48 meses, com juros fixos.
Coutinho disse que a procura pelo Cartão BNDES é crescente
e o banco tem vem conversando com a rede bancária credenciada
para ampliar o atendimento ao setor das MPEs.
Ele espera ter mais um parceiro importante em São Paulo, a
Nossa Caixa, para repassar o cartão.
O superintendente da área de Operações Indiretas
do BNDES, Cláudio Bernardo Moraes, disse que se a taxa de juros
voltar a cair, os juros cobrados pelo BNDES no cartão, hoje
de 1% ao mês, também cairão, com a taxa devendo
para 0,97% este mês.
Cadeia produtiva da Petrobras
O BNDEs também está trabalhando em parceria com a Petrobras
para fortalecer a cadeia produtiva de petróleo e gás
no país, informou o presidente do banco.
"Nós estamos apoiando a construção de estaleiros,
apoiando diretamente, ou via Fundo de Marinha Mercante, a construção
de embarcações no Brasil. Tudo isso está crescendo",
disse Cotinho.
Segundo ele, o BNDES está trabalhando também em conjunto
com o setor de bens de capital e serviços de engenharia com
o mesmo objetivo.
"A gente sabe que o Brasil não pode apenas ambicionar
ser uma economia petroleira que importa tudo, como é a maioria
dos casos das economias petroleiras. O Brasil tem uma base manufatureira,
uma base de serviços e de competência em engenharia que
lhe permitem, além de ser um grande produtor de petróleo,
também ser um grande exportador de serviços e equipamentos
para a cadeia produtiva do petróleo", afirmou.
Coutinho afirmou que esse trabalho terá um efeito dinamizador
sobre a estrutura manufatureira do País. "E nós
temos que nos empenhar muito nisso. É um processo que realimenta
a economia e cria novas oportunidades", disse. Coutinho.
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Agência Brasil, 12
de julho de 2009
Ibre: pior da crise passou, diz carta
Conjuntura Econômica da FGV
A carta Conjuntura Econômica, divulgada pelo Instituto Brasileiro
de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV),
enfatiza a existência de sinais de que "o pior momento (dos
efeitos da crise financeira) ficou para trás", e estima
que a economia tenha crescido em torno de 0,7% no trimestre abril-junho,
com a possibilidade de melhora mais acentuada ainda na segunda metade
do ano.
Os economistas do Ibre acreditam, porém, que em virtude da
queda de 0,8% do PIB, no trimestre janeiro-março, a economia
nacional teria que se expandir a um ritmo médio de 2,7% nos
dois últimos trimestres de 2009 para que o PIB não caia
no ano.
Eles admitem, no entanto, que "este não é, evidentemente,
um cenário provável". Razão porque apostam
em queda efetiva do PIB anual.
A carta do Ibre ressalva que mais importante do que o resultado de
2009, é avaliar agora o vigor da recuperação
já iniciada, com o setor de serviços mantendo um ritmo
até certo ponto surpreendente.
A prestação de serviços teve uma ligeira queda
de 0,4 no quarto trimestre de 2008, mas cresceu 0,8% no primeiro trimestre
deste ano, enquanto a agropecuária e a indústria caíram
0,5% 3,1% respectivamente, de janeiro a março.
Mercado de trabalho
Os economistas do Ibre constataram ainda que a crise mundial afetou
o Brasil de forma peculiar, com reflexos fortes na indústria,
pela lado da oferta, e nas exportações e investimentos,
pelo flanco da demanda.
Eles acreditam que "a força da recuperação
da economia nacional depende tanto da perspectiva de retomada da demanda
externa, que tem forte impacto na indústria, quanto da continuidade
da resistência demonstrada pelo consumo interno".
Mas é no mercado de trabalho, sem dúvida, que a solidez
da recuperação será em boa parte determinada,
segundo a carta Conjuntura Econômica, que acrescenta:
"Como é do consumo e dos serviços que vêm
os sinais de vitalidade da economia neste momento, é fundamental
saber se o bom desempenho do emprego e da renda será mantido".
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério
do Trabalho e Emprego, revela que de janeiro a maio tanto a massa
salarial quanto a população ocupada aumentaram, embora
com um crescimento cada vez menor ante os mesmos meses de 2008.
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Congresso em Foco, 12 de
julho de 2009
O Brasil e a crise econômica
Didático, Luiz Gonzaga Belluzzo confirma
que, sim, o país está saindo da crise, mas por razões
diferentes das indicadas tanto por críticos quanto por defensores
do governo Lula
Sylvio Costa
Ao falar na manhã de hoje no 4º Congresso Internacional
de Jornalismo Investigativo, realizado em São Paulo pela Associação
Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o economista Luiz
Gonzaga Belluzzo descartou as duas visões – uma pró,
outra anti-Lula – que hoje polarizam o debate sobre a conjuntura
econômica e as medidas adotadas pelo governo federal para enfrentar
a crise global.
Para ele, é falso o argumento dos críticos da administração
petista de que o Estado brasileiro enveredou, sob o comando do PT,
numa situação de descontrole fiscal, ou seja, elevou
os seus gastos muito além da sua capacidade de gerar receitas
para sustentá-los.
“O Brasil fez uma política fiscal que, a despeito das
críticas, gerou superávit. A maioria dos países
entrou na crise com déficit. É engraçado isso,
mas o Brasil foi beneficiado pelo conservadorismo do governo Lula.
O Lula é assim, não quer correr riscos, é um
cara prudente”.
Mas o economista também faz restrições ao otimismo
militante dos entusiastas do governo federal para os quais estamos
saindo da crise mais rapidamente do que a maior parte das nações
por causa da suposta excelência da política econômica
seguida desde 2003, ano em que Lula tomou posse.
Belluzzo concorda que o Brasil está retomando o crescimento
com mais agilidade do que a maior parte dos países, mas nem
atribui tal fato ao eventual brilhantismo de nossos gestores econômicos
nem entende que tenhamos chegado a uma situação que
permita comemorações efusivas.
“A queda é grande”
Ele prevê que o crescimento da economia brasileira em 2009
ficará entre -0,5% e +0,5%. “A queda é grande”,
destacou. Segundo o IBGE, até ser atingido pela crise mundial,
no último trimestre de 2008, o Brasil vinha crescendo acima
de 6% ao ano. De mais a mais, Belluzzo fala que o país foi
beneficiado, “sem que tenha feito nada para isso”, pela
elevação dos preços das matérias-primas,
as chamadas commodities (produtos agrícolas e minerais, sobretudo),
que formam parcela fundamental das exportações nacionais
e tiveram grande peso na obtenção dos recursos utilizados
pelo Banco Central brasileiro para acumular mais de US$ 200 bilhões
em reservas.
Esse processo, de acordo com a sua análise, está relacionado
com as peculiaridades do último ciclo de crescimento capitalista
mundial: “Nesse ciclo, em que os americanos consumiam e os chineses
e asiáticos produziam e investiam, o Brasil ficou numa posição
muito boa, nessa nova divisão internacional do trabalho. Os
economistas acham que foi a política de metas de inflação,
eu acho que foi a mais-valia dos chineses que nos beneficiou. Os chineses
produzem muito barato, e foram os baixos preços dos produtos
industriais, possibilitados pela mais-valia dos trabalhadores da China,
que deram impulso às commodities”.
O economista enfatiza outro ponto que contou pontos em favor do Brasil,
a força do nosso sistema bancário, mas numa linha bem
diferente daquela encontrada em manifestações de analistas
de perfil liberal. “O nosso sistema financeiro entrou na crise
com relativa solidez pelos seus vícios, porque não gosta
de emprestar para ninguém”, afirmou.
Por fim, ele diz que o governo Lula não contou apenas com
a sorte. Fez o seu papel quando a crise mostrou a sua cara, por meio
de medidas como a redução de impostos: “Aí
também se saiu bem, houve uma reação, a economia
se recuperou”.
De qualquer maneira, prosseguiu, “de todos os países
emergentes, o que vai sair antes da crise é a China”.
Isso ocorrerá porque “o sistema bancário deles
é um sistema de papai-mamãe, o banco é do Estado,
não tem o sistema financeiro ocidental, que oferece muito mais
riscos”. Assim, se um banco entra em dificuldades, o governo
intervém botando dinheiro e eliminando o problema. “Todo
mundo dizia: os bancos chineses vão quebrar. Isso é
uma bobagem porque o Estado vai lá e capitaliza o banco”,
completou.
“Ciência da inexatidão”
Um dos mais respeitados economistas brasileiros, Luiz Gonzaga Belluzzo
é também um homem de variada trajetória pessoal
e profissional. Formado em Direito, pela Universidade de São
Paulo (USP), doutorou-se depois em Economia pela Universidade Estadual
de Campinas (Unicamp), instituição da qual se tornou
professor.
Foi chefe da Secretaria Especial de Assuntos Econômicos do
Ministério da Fazenda (governo Sarney, 1985 a 1987) e secretário
de Ciência e Tecnologia do estado de São Paulo (governo
Quércia, 1988 a 1990). Depois disso, sem deixar a atividade
acadêmica, tornou-se consultor da revista Carta Capital; presidente
do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação
(EBC), que mantém a TV Brasil; e, mais recentemente, presidente
do Palmeiras; além de fazer as vezes de consultor eventual
do presidente Lula para assuntos econômicos.
No congresso promovido pela Abraji, aberto na quinta-feira e que
termina hoje (na Universidade Anhembi Morumbi), ele dividiu uma mesa
de debates com o veterano jornalista Celso Ming, colunista do jornal
O Estado de S. Paulo, sobre “A cobertura da crise econômica”.
Ambos defenderam a necessidade de o jornalista de economia desconfiar
de versões apresentadas pelas fontes de informação,
aprofundarem o seu conhecimento econômico e lutarem permanentemente
contra as certezas prévias e a arrogância.
“Como diz o Celso, e preciso desconfiar. O saber econômico
não é uma coisa constituída, está sempre
sujeita a novas hipóteses”, ponderou Belluzzo, dando
como exemplo a própria crise global, gerada pela “pirâmide”
de operações financeiras sem lastro que vinham sendo
feitas de modo incessante, baseadas na “hipótese frágil
de que os imóveis [nos Estados Unidos] iam se valorizar continuamente
a curtíssimo prazo, uma fragilidade que já era visível
desde 2004” – quando, explica ele, um estudo do Fundo
Monetário Internacional (FMI) já claramente apontava
os riscos de curto-circuito.
“Os jornalistas compraram as ideias mais absurdas que foram
vendidas sobre o capitalismo, que não é simplesmente
economia de mercado, mas um complexo conjunto de relações
entre Estado, mercado e sistema financeiro, o sistema que representa
a alma do capitalismo atual. Venderam essa historia de que o mercado
poderia se autorregular, e muita gente comprou”, acrescentou
o economista.
Lições finais do professor: “A gente precisa
desconfiar sempre do saber convencional, inclusive o nosso, e ser
um pouco menos arrogante. A certeza que vejo de alguns colunistas
econômicos... eles, e elas, não têm nenhuma dúvida
sobre suas certezas! E a economia é uma ciência da inexatidão.
Quando você transmite essa ideia para o leitor, de que não
pode haver dúvidas sobre a sua certeza, você transmite
uma ideia equivocada. Você tem que conceder ao leitor o direito
de duvidar daquilo que você está escrevendo. Eu estudo
essa porcaria há anos, estudo isso todo dia, três a quatro
horas por dia, e sempre sou cheio de dúvidas”.
Celso Ming arrematou, dizendo que a presente realidade oferece grande
oportunidade para o exercício do saudável direito jornalístico
a desconfiança: os vultosos recursos queimados pelos governos
para enfrentar a crise econômica, se por um lado irão
possibilitar superá-la em curto e médio prazos, trazem
efeitos danosos para um amanhã que tende a trazer consigo novos
motivos para temores. “O momento é muito bom para o jornalismo
econômico. E como um médico. Quando toda a população
está sadia, ele não tem o que fazer. Mas quando está
todo mundo doente, tem muito trabalho. E o que está acontecendo
hoje para os jornalistas de economia”, ensinou Ming.
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O Estado de S.Paulo, 12
de julho de 2009
Ciro já admite mudar título
eleitoral para São Paulo
O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) admitiu pela primeira vez, em visita
ao Guarujá, litoral paulista, a mudança de seu domicílio
eleitoral para São Paulo, onde poderia ser o candidato ao governo
por uma coligação contra 12 anos de domínio tucano.
"Se eu tiver de fazer a transferência do título,
não quer dizer que seja candidato a governador. Posso ser candidato
a presidente tendo domicílio eleitoral em São Paulo",
ponderou.
Ciro foi saudado como "governador" durante a palestra
que apresentou nesta quinta-feira (9). Além do PSB paulista,
a possibilidade tem adeptos no PCdoB e setores do PT. Ele próprio
não fecha as portas para nenhuma de suas três possíveis
opções em 2010: as outras duas são candidatar-se
à Presidência em nome de uma "terceira via"
e sair como vice na chapa de Dilma Rousseff (PT).
Apartamento em Higienópolis
No Guarujá a alternativa paulista pareceu estar em alta.
"Há um punhado de pessoas com quem trabalho que tem me
pedido para refletir sobre isso. Considero uma responsabilidade muito
honrosa, muito grave. Se eu tiver de fazer a transferência do
título, não quer dizer, só este ato, que eu seja
candidato a governador. Posso ser candidato a presidente tendo domicílio
eleitoral em São Paulo", disse Ciro.
Por exigência da Lei, Ciro Gomes só pode concorrer
ao Palácio dos Bandeirantes caso se registre como eleitor no
estado até o final de setembro. Nascido em Pindamonhangaba,
há 52 anos, ele mudou-se aos sete para o Ceará, onde
foi deputado estadual, prefeito, governador e hoje deputado federal.
Dias antes, Ciro Gomes revelou que pantém um domicílio
na capital paulista – o que atende às exigências
da lei eleitoral e pode facilitar sua candidatura ao governo. O apartamento,
em Higienópolis, foi a moradia de sua filha Lívia, que
estudou na faculdade Santa Marcelina. Lívia Gomes já
se formou e se mudou neste ano para o Ceará. Ciro, no entanto,
manteve o apartamento. "Tem 12 anos que vou pelo menos uma vez
por semana a SP", disse.
Opiniões sobre alianças em SP
Ciro chegou a falar à imprensa no Guarujá como um
quase candidato paulista. Fazendo reflexões sobre o arco de
alianças no estado, foi duro com o PMDB de Orestes Quércia,
hoje engalado no projeto presidencial tucano de José Serra,
mas não descartou o PP do deputado Paulo Maluf e até
admitiu ter mantido conversas com o ex-prefeito sobre 2010.
"O que pega é catapora, conversar com as pessoas não
faz mal nenhum", declarou Ciro, procurando lidar com a alta rejeição
a Maluf em setores do eleitorado paulista. Disse que tem uma relação
de "cordialidade" com Maluf e argumentou. "Faço
aliança até com Satanás se for para fazer a obra
de Deus".
Citação de Gramsci
Ciro citou o pensador comunista italiano Antonio Gramsci (1891-1937)
para criticar alianças políticas em que há "perda
de hegemonia moral e intelectual". Embora guardando distância
da inclinação conservadora do PP, disse que a questão
"depende da hegemonia moral e intelectual que se estabeleça,
porque o PP não tem hoje tamanho para alterar o centro de uma
hegemonia moral e intelectual boa".
Mas o deputado descartou uma composição com o PMDB
de Orestes Quércia. "Não vou para uma aliança
com o Quércia. Não vou. Ponto final", afirmou.
Embora o PSB e o próprio Ciro mantenham a candidatura presidencial
como primeira opção, o deputado voltou a defender a
pré-candidata petista Dilma Rousseff. Os dois têm boas
relações desde quando estiveram juntos no ministério,
no primeiro governo Lula.
Ciro disse que estão colocando "a faca no pescoço"
de Dilma ao fazerem com que ela defenda o presidente do Senado, José
Sarney (PMDB-AP). "Obrigar a Dilma a defender o Sarney? Que isso?
O Lula, na Presidência da República, que se obrigue a
essa tarefa institucional, eu entendo. E a Dilma, que é uma
persona política em formação, pessoa de valor
extraordinário? É uma exigência de faca no pescoço",
avaliou.
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Portal Mundo do Trabalho,
12 de julho de 2009
Protestos dizem não à privatização
de aeroportos da Infraero
A idéia de passar a concessão dos aeroportos Galeão,
no Rio de Janeiro, e o de Campinas, em São Paulo, para a iniciativa
privada não agradou nem um pouco os trabalhadores da Infraero.
A proposta já foi defendida algumas vezes pela Anac (Agência
Nacional de Aviação Civil) e pelo ministro da defesa,
Nelson Jobim, mas sofre a repressão da categoria e dos movimentos
sociais. Durante aquinta-feira (9), cerca de 1,2 mil pessoas vindas
de vários estados do Brasil realizam ato no aeroporto de Brasília
para defender a soberania nacional e a Infraero.
Protesto levou faixas ao aeroporto de Brasília Apitos, cartazes,
panfletagem e falações em carro de som compõem
o ato que teve início às 7 horas e seguiu até
às 20 horas. Também participaram alguns parlamentares
que fazem parte da frente parlamentar em defesa da Infraero, criada
em junho e que conta com quase 90 integrantes.
O funcionário da Infraero Júlio César dos Santos,
do Rio de Janeiro, viajou durante 20 horas em um ônibus para
compor o ato. Para ele, com a privatização dos aeroportos,
perdem o usuário e o trabalhador. A única que sai ganhando
é a empresa que recebe a concessão. "Eles querem
apanhar a melhor parte, mas, depois, quem vai sustentar os aeroportos
deficitários?", questionou.
Hoje, a Infraero é responsável por 67 dos 2,5 mil aeroportos
do Brasil. Dos aeroportos de concessão da empresa, apenas 12
são superavitários. Os aeroportos de Campinas e o Galeão
correspondem a mais de 30% da receita da Infraero.
Para o Sina (Sindicato Nacional dos Aeroportuários), a perda
da concessão desses aeroportos reflete imediatamente na precarização
dos aeroportos que geram pouca renda e, principalmente, na precarização
dos trabalhadores do setor.
"A gente sabe que quando há crise os primeiros atingidos
são os trabalhadores, que perdem com a redução
de salário, redução de direitos que, inclusive,
já estão bem precários", alertou o diretor
do Sindicato, Francisco Barros.
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Gazeta do Povo, 12 de julho
de 2009
Documentos desaparecidos
Sem Diários Oficiais, atos secretos
viram regra na Assembleia
Documentos anteriores a 2008 foram encaminhados
há quase um ano para encadernação e até
agora não foram devolvidos; exemplares de 2009 também
não são encontrados na Casa
Os atos secretos do Senado ganharam as manchetes dos jornais de todo
o país nas últimas semanas, mas não é
só em Brasília que medidas oficiais ficam escondidas
da população. Na Assembleia Legislativa do Paraná,
um mistério acerca do paradeiro dos Diários Oficiais,
inacessíveis aos cidadãos desde agosto de 2008, transforma
todos os atos da Casa em segredo.
Há 11 meses, todos os documentos de 2008 e anteriores a esse
ano foram retirados da biblioteca da Assembleia e encaminhados para
encadernação. Desde então, estão inacessíveis
à população, junto com todas as decisões
gerenciais e políticas da Casa.
A direção da Assembleia não informa onde estão
os Diários – apenas que “foram encaminhados a uma
gráfica terceirizada”.
Os Diários Oficiais referentes a 2009, que continuam a ser
impressos na gráfica da própria Assembleia, também
não são encontrados na biblioteca da Casa. E nem em
qualquer grande biblioteca do estado ou de outro órgão
público.
As informações sobre o paradeiro dos documentos são
desencontradas. Segundo funcionários da gráfica da Assembleia,
situada no subsolo do prédio do plenário, são
impressos apenas 200 exemplares por edição. A circulação
é restrita aos gabinetes dos deputados e uma parte da tiragem
seria colocada na portaria da Assembleia para distribuição
aos cidadãos que tiverem interesse. Numa das portarias, no
entanto, foi informado à reportagem que existem apenas 54 exemplares
de cada edição – um para cada deputado estadual.
Na entrada principal, a informação é de que os
documentos não ficam ali para distribuição.
Raridade nos gabinetes
Nos gabinete dos deputados, os Diários Oficiais também
são raridade. Segundo informações de funcionários,
os deputados Luiz Fernandes Litro (PSDB) e Rosane (PV) têm o
costume de “levar para casa”. No escritório do
deputado Tadeu Veneri (PT), os exemplares são arquivados, mas
descartados na virada de um ano para outro. Já os assessores
dos deputados Fabio Camargo (PTB) e Elton Welter (PT) informaram que
os documentos não são guardados.
Legalidade questionada
A dificuldade de acesso aos Diários Oficiais e a inexistência
de arquivos destes documentos em locais públicos – como
a Biblioteca do Estado e a da própria Casa – dificulta
o controle público sobre o Legislativo e levanta dúvidas
sobre a licitude da administração da Assembleia.
Sem acesso aos documentos, não é possível saber,
por exemplo, quem foi contratado ou exonerado pela Casa nos últimos
anos. Nem saber se há casos de nepotismo, concessão
de gratificações ilegais a servidores ou regalias a
deputados.
Além disso, a prática da Assembleia desrespeitaria
o artigo 37 da Constituição Federal, segundo o qual
a “administração pública obedecerá
aos princípios de publicidade”.
O advogado Rodrigo Pironti de Castro, presidente da Comissão
de Gestão Pública da OAB-PR, acredita que a conduta
da Assembleia no caso dos Diários Oficiais não está
de acordo com as boas formas de atuação do poder público.
O advogado entende que os fatos poderiam resultar em denúncia
ao Ministério Público: “A partir do momento em
que se comprove uma lesão ao interesse público, o MP
pode atuar para que os princípios constitucionais sejam respeitados”.
O Ministério Público informou que está ciente
da situação e que vem cobrando a Assembleia para que
normalize o acesso aos Diários Entretanto, não existe
um processo específico sobre o caso. “Dentro de alguns
procedimentos que não são especificamente para isso,
mas em que nos deparamos com essa situação, nós
estamos cobrando a divulgação. Para as situações
futuras, nós estamos no aguardo do Portal da Transparência
(da Assembleia), que é prometido para agosto”, afirma
o procurador Moacir Gonçalves Nogueira Neto, coordenador do
centro de apoio das promotorias de proteção ao patrimônio
público.
No projeto do Portal da Transparência, aprovado pelos deputados
no começo deste ano e que deverá começar a funcionar
em agosto, não há previsão da publicação
eletrônica dos Diários Oficiais.
Também não há qualquer menção
a respeito da circulação ou arquivamento dos documentos
impressos.
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Folha de S.Paulo, 12 de
julho de 2009
Senadores inflam gabinetes com seus afilhados
políticos
De cada 10 funcionários dos gabinetes,
8 são servidores comissionados -sem concurso
Ao menos dois integrantes da Mesa, Marconi Perillo
(PSDB-GO) e Mão Santa (PMDB-PI), acomodaram aliados nos seus
Estados
ALAN GRIPP
FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
De cada 10 funcionários dos gabinetes do Senado, 8 são
indicações políticas sem concurso público.
Fazem parte desta legião ex-prefeitos, deputados e vereadores
que não se reelegeram, candidatos derrotados e integrantes
das máquinas partidárias. Rejeitados nas urnas, são
transformados em assessores parlamentares.
Os servidores comissionados (sem concurso público), muitos
com perfil político, representam 83% dos funcionários
lotados em gabinetes, aponta levantamento feito pela Folha com base
em dados do Senado na internet. Eles são hoje a principal explicação
para o inchaço na folha de pagamento.
O aparelhamento inclui a Mesa Diretora, órgão que dirige
a Casa. E inclui funcionários que dão expediente fora
de Brasília, embora não haja qualquer atividade da Mesa
que não seja na capital, e isso vá contra a orientação
da área jurídica do próprio Senado Federal.
Pelo menos dois integrantes da Mesa acomodaram aliados nos Estados:
o primeiro-vice-presidente, Marconi Perillo (PSDB-GO), e o terceiro-secretário,
Mão Santa (PMDB-PI).
O Senado tem hoje 6.272 servidores, além de 3.512 funcionários
terceirizados. Pouco mais da metade (54,23%) ingressou por meio de
concurso público. O restante tem cargo comissionado. Isso inclui
toda a Casa: gabinetes de senadores, áreas técnicas,
órgãos de assessoria, gráfica e o Instituto Legislativo
Brasileiro, espécie de "universidade" do Senado.
Fazendo o recorte só dos órgãos diretamente ligados
a senadores, ocorre o oposto. São 2.673 assessores comissionados
em gabinetes, lideranças, comissões e na Mesa Diretora,
ou 83,11% do total. Apenas 543 concursados trabalham subordinados
a senadores.
Nas comissões permanentes, responsáveis por discutir
e votar projetos antes que eles cheguem ao plenário, todos
os 61 assessores são comissionados. Não há nenhum
concursado.
Senadores de praticamente todos os partidos aproveitam para preencher
seus gabinetes com aliados políticos. Perillo colocou ao menos
cinco ex-secretários de seu período como governador
de Goiás (1999-2006) na estrutura da Primeira Vice- Presidência.
Todos batem ponto em Goiânia, no escritório político
do tucano.
Ele afirma que nunca houve impedimento para a nomeação
de assessores nos Estados em cargos na Mesa Diretora. Diz que pediu
a alteração dos ex-secretários para o seu gabinete
parlamentar na última quinta, após reunião do
órgão que dirige a Casa. Até o final da semana
passada, no entanto, as alterações não haviam
ocorrido. A área jurídica do Senado afirma que já
existe a minuta de um ato que proíbe expressamente que funcionários
da Mesa Diretora trabalhem fora de Brasília. Deve ser votada
na próxima reunião do órgão.
"Não há norma que vede [a contratação
de funcionários nos Estados], mas, nas poucas vezes em que
a advocacia do Senado foi consultada, sugeriu pela não contratação.
Os servidores têm que trabalhar para a Mesa, que fica em Brasília",
disse o advogado-geral do Senado, Luiz Bandeira de Mello.
Mão Santa emprega entre os assessores da Terceira Secretaria
três ex-prefeitos aliados no Piauí. O senador admite
que os aliados têm funções políticas -atuam
com prefeitos e vereadores no Estado-, mas afirma que eles também
vão a Brasília ocasionalmente.
A Folha identificou casos de aparelhamento político em gabinetes
de senadores de seis partidos: PT, PSDB, PMDB, DEM, PTB e PDT.
Reforma
A nomeação de assessores políticos para gabinetes
é estimulada pelas próprias regras do Senado. Um gabinete
pode ter até 79 assessores comissionados, dependendo da subdivisão
que o senador adotar para as vagas disponíveis. Já as
vagas para os efetivos são apenas nove por gabinete. Mas alguns
senadores nem as preenchem. Gilvam Borges (PMDB-AP), por exemplo,
emprega apenas quatro concursados, mas 34 comissionados.
Na semana passada, a Fundação Getulio Vargas divulgou
estudo contratado pelo Senado propondo uma redução no
número de cargos comissionados nos gabinetes de 40%.
Se isso ocorrer, serão cerca de mil assessores demitidos. Ainda
assim, os senadores terão algo como 1.600 cargos de confiança
à disposição, três vezes o total de concursados.
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Folha de S.Paulo, 12 de
julho de 2009
403 "chefes" do Senado têm
extra de R$ 1.615
110 são os únicos funcionários
lotados nas suas chefias; alguns cuidam de terceirizados
Servidores que recebem gratificação
são responsáveis por elevadores, telefonia celular,
assistência elétrica, vistos e entrega de pacotes
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As então 181 diretorias no Senado causaram espanto há
quatro meses, mas passou despercebida a existência dos 403 "chefes
de serviço", recebendo gratificações especiais
de R$ 1.615 para cuidar de elevadores, telefonia celular, assistência
elétrica, concessão de vistos e passaportes e entrega
de pacotes, entre outros.
Destes, 110 (27%) são os únicos funcionários
lotados nas suas próprias chefias. A Folha identificou dois
casos de "chefes de si mesmo", que não têm
a quem comandar. Outros são responsáveis por chefiar
funcionários terceirizados. O setor de entregas é ocupado
só pelo chefe, responsável por uma espécie de
serviço de delivery personalizado. De carro, Luiz Gilson Santos
Lima leva documentos e pacotes do Senado a ministérios, autarquias
e órgãos do Judiciário.
A reportagem não localizou Lima, que está de licença
médica. Segundo informações de um colega, ele
tem que ir pessoalmente porque também é o responsável
por protocolar os documentos, coisa que um motoboy não poderia
fazer. Ex-diretor da gráfica do Senado, Mário César
Pinheiro Maia chefia o "serviço de controle e permissões
de utilização de espaço". Trabalha com apenas
uma secretária -que não aparece no site do Senado como
subordinada dele.
"O serviço é fundamental. Cuidamos dos espaços
físicos do Senado que são utilizados por órgãos
de fora da Casa, como assessorias parlamentares de ministérios.
Mas o trabalho não é de grande monta. Uma pessoa com
uma secretária é suficiente", afirma.
Numa garagem perto do prédio principal do Senado, funciona
o "serviço de manutenção de veículos",
que faz reparos na frota da Casa -204 veículos, entre carros
para uso dos senadores e veículos de transporte de material.
O chefe também é a única pessoa lotada em sua
seção. Trabalha com oito mecânicos terceirizados
na oficina do Senado.
A situação se repete em várias áreas.
Só a biblioteca do Senado tem três chefes de serviços
solitários: um responsável por "empréstimo
e devolução de materiais bibliográficos",
outro para "recuperação de informações
bibliográficas" e um terceiro de "biblioteca digital".
Segundo a assessoria do Senado, os chefes de serviço recebem
a gratificação de R$ 1.651,21 independentemente do salário
que recebem. Isso não se aplica a alguns servidores cujos cargos
já têm a gratificação incorporada ao salário,
como os analistas da área de comunicação e de
informática. (FÁBIO ZANINI
E ALAN GRIPP)
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Folha de S.Paulo, 12 de
julho de 2009
Com a crise, déficit no petróleo
diminui
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O déficit da balança comercial do petróleo,
no primeiro semestre, foi o menor desde 2003. Esse é mais um
resultado positivo que a crise econômica produziu nas contas
externas.
Da alta do superávit comercial do país no primeiro semestre
-US$ 2,7 bilhões em relação a igual período
de 2008-, a balança de petróleo e derivados explicou
quase 80% dessa mehora -US$ 2,128 bilhões.
A melhora da balança comercial de petróleo (sem contar
derivados) foi possível porque as importações
caíram mais do que as exportações de janeiro
a junho ante o mesmo período de 2008. Ambas tiveram quedas
expressivas, de 50,8% nas vendas e de 54,7% nas compras.
Historicamente, o Brasil importa mais petróleo do que exporta,
tendo como referência os valores em dólares. Desde 2006,
quando foi proclamada a "autossuficiência", o saldo
é positivo se consideradas apenas as quantidades vendidas e
compradas.
Mas, nas contas da balança comercial, a lógica se inverte
por causa dos preços. Embora as cotações do petróleo
leve e pesado variem quase na mesma proporção, o produto
importado pelo Brasil é mais caro do que aquele que o país
exporta.
No primeiro semestre, os embarques somaram 11,6 milhões de
toneladas e as importações, 9,5 milhões de toneladas.
Em valores, as vendas foram de US$ 2,695 bilhões, enquanto
as compras chegaram a US$ 3,658 bilhões. Para o governo, a
melhora nas contas do petróleo é motivo de comemoração.
"A situação é muito mais confortável
do que nos últimos anos. O Brasil só não é
superavitário por causa do tipo de petróleo que importa.
Podemos até conseguir um superávit se exportarmos mais",
afirmou o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral.
Especialistas na área de energia alertam para o fato de que
o número positivo é resultado do fraco desempenho da
economia brasileira.
"A queda na importação é reflexo da redução
da atividade econômica. Um país que produz menos importa
menos insumos", disse David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da
ANP (Agência Nacional do Petróleo) e consultor na área
de energia.
No segundo semestre do ano passado, as importações de
petróleo foram maiores do que nos seis primeiros meses do ano.
Mas as compras voltaram a cair em novembro e em dezembro, quando o
Brasil foi mais fortemente atingido pelo agravamento da crise financeira
internacional. Questionada, a Petrobras não respondeu se há
uma estratégia de aumentar as compras do combustível
fóssil no segundo semestre deste ano.
Derivados
A melhora na balança comercial do setor chegou também
aos derivados de petróleo. No primeiro semestre, o Brasil voltou
a ter saldo positivo de US$ 98 milhões entre as exportações
e importações desses produtos. O histórico da
balança comercial de derivados de petróleo é
de sucessivos superávits. Mas no primeiro semestre de 2008
houve déficit, de US$ 397 milhões. O ano passado também
fechou com saldo negativo, de US$ 6,4 bilhões.
Nos seis primeiros meses de 2009, as vendas de derivados caíram
56,7%, para US$ 2,158 bilhões. E as importações
tiveram redução de 61,7%, para US$ 2,060 bilhões.
"A importação de derivados está muito relacionada
à atividade industrial. Por isso houve queda no ano",
diz Walter de Vitto, analista de energia e petróleo da consultoria
Tendências. Adriano Pires, também consultor na área
de energia, lembra que, no ano passado, as importações
de óleo subiram porque o produto foi usado para ligar usinas
térmicas. (JR)
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Folha de S.Paulo, 12 de
julho de 2009
Amianto dribla proibições
e prospera em mina goiana
Restrições não diminuem
a demanda pelo mineral, considerado cancerígeno
Minaçu, onde fica a única mina do
material na América Latina, luta para manter o uso da fibra
proibida em vários países
ANNA CAROLINA CARDOSO
ESTELITA HASS CARAZZAI
ENVIADAS ESPECIAIS A MINAÇU (GO)
Em Minaçu (GO), os vizinhos da única mina de amianto
da América Latina podem ouvir os caminhões da mineradora
Sama, subsidiária do grupo Eternit, trabalhando 24 horas por
dia. A exploração do mineral, usado principalmente em
telhas e caixas d'água, domina a economia da cidade. Na contramão
da discussão sobre o banimento do mineral, classificado como
cancerígeno pela OMS (Organização Mundial da
Saúde), a empresa opera em capacidade máxima e deve
bater recorde de produção neste ano. A Sama, responsável
por 70% da arrecadação municipal e maior doadora privada
de campanhas políticas no Estado, segundo valores declarados
ao TSE, coleciona simpatizantes na cidade, apesar de seu produto ser
proibido em cerca de 50 países.
Na Europa, todos os tipos de amianto estão banidos desde 2005,
inclusive a variedade crisotila, explorada em Minaçu. O amianto
beneficiado na cidade segue, principalmente, para o exterior: 59%
da produção da mina, a terceira maior do mundo, é
exportada para países em desenvolvimento, como a Índia.
No Brasil, o Paraná é maior consumidor. Em Minaçu,
a produção de 25 mil toneladas por mês -o suficiente
para cerca de 3 milhões de caixas d'água- emprega diretamente
899 pessoas. Em 2008, gerou R$ 247 milhões de receita e R$
71,5 milhões em impostos -cerca de R$ 30 milhões ficaram
no município, segundo a prefeitura.
A mina tem papel central no desenvolvimento da cidade, criada em torno
da extração do amianto. Até 1986, a Sama foi
a única geradora de luz para o município. A estrada
que liga a cidade à BR-153, principal acesso a Brasília
e Goiânia, também foi feita pela empresa. Goiás
também é um grande beneficiário e defensor do
mineral, terceiro principal produto de exportação do
Estado.
Na bancada goiana no Congresso, dos 21 deputados, apenas um se manifestou
contra a fibra. Todos os senadores do Estado defendem o uso controlado
do minério, regulamentado por uma lei federal de 1995. Dizendo-se
seguros de que o uso da fibra não oferece riscos à saúde,
os políticos de Goiás e a indústria têm
se dedicado a convencer a opinião pública de que seu
banimento teria grande impacto econômico negativo no país.
Segundo um estudo da FGV (Fundação Getulio Vargas),
divulgado em janeiro deste ano, a cadeia produtiva do amianto gerou
60 mil empregos e acrescentou R$ 1,1 bilhão ao PIB brasileiro
em 2007 -o equivalente a 0,4% do total. Colaborou MARCELO SOARES
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Folha de S.Paulo, 12 de
julho de 2009
Medo de que mina feche paralisa os investimentos
DAS ENVIADAS ESPECIAIS A MINAÇU
O temor dos minaçuenses de que a mina de amianto seja fechada
já fez com que um empreendimento imobiliário de R$ 20
milhões na cidade fosse cancelado antes mesmo de começar.
Quando surge uma polêmica em torno do amianto, corre o boato
de que a mineração pode ser proibida, e os investimentos
desaparecem.
O empresário goiano Nildemar Franco Amaral Júnior, 40,
pretendia construir um condomínio com 374 lotes na cidade.
O projeto foi abortado quando uma sondagem com potenciais compradores
revelou que poucos estavam dispostos a investir em imóveis.
"Os próprios trabalhadores da empresa têm medo de
perder o emprego."
Desde o início do ano, quando rumores sobre o fechamento da
mina voltaram a circular pela cidade e se somaram à crise global,
os preços dos lotes à beira do lago Cana Brava, principal
área de lazer da cidade, caíram pela metade.
Inseguros, muitos moradores evitam qualquer tipo de investimento.
Há 15 anos em Minaçu, os comerciantes Aurora Duarte,
43, e Maurissane Duarte, 52, chegaram quando a cidade vivia dias promissores.
Ela e o marido não pensaram duas vezes na hora de construir
a casa e a loja na avenida Maranhão, a principal da cidade.
Hoje, não querem mais construir o andar de cima. Preferem apostar
num ponto em Palmas (TO), onde o filho vai estudar. A exemplo de Aurora
e Maurissane, toda Minaçu depende do dinheiro movimentado pela
mina. Se a Sama fechar, Minaçu acabará, dizem os moradores.
Foi o que aconteceu a Bom Jesus da Serra, na Bahia. A mina de amianto
local foi explorada de 1940 até o descobrimento da jazida goiana,
em 1962. Hoje, sem outra atividade, a economia da cidade está
estagnada.
Em Minaçu, praticamente todo o comércio local defende
a exploração do amianto. Em abril, 83 ônibus,
pagos pela prefeitura e pela Sama, saíram da cidade para protestar
a favor do uso do amianto em Brasília. Um deles foi ocupado
apenas por funcionários da loja de roupas Goianinha, do comerciante
Luiz Marques, 47.
Segundo os defensores do amianto, toda a polêmica a respeito
do seu banimento é provocada por interesses comerciais de quem
desenvolve e comercializa fibras alternativas. "Por trás
disso, com certeza tem alguma outra firma, que faz caixa d'água
de plástico", diz a manicure Keila Costa, 29.
A crença de que não haveria outra forma de a cidade
sobreviver é alimentada, também, pelo fracasso de outras
atividades econômicas. O cultivo de alho, abacaxi, mandioca
e banana já foi estimulado pela prefeitura, mas não
houve resultados significativos. A pecuária é restrita
a pequenos produtores.
"Escoar a produção é o problema", afirma
o secretário de Administração do município,
Alberto de Oliveira. No extremo norte de Goiás, Minaçu
está fora da rota das principais rodovias que cortam o Estado.
O isolamento eleva o custo para escoar a produção. (ACC
e EHC)
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Folha de S.Paulo, 12 de
julho de 2009
Não há números oficiais
sobre doentes
DAS ENVIADAS ESPECIAIS A MINAÇU
Pelas ruas de Minaçu, a professora Lúcia Marques, 42,
é conhecida como "a louca". Ela tenta, desde o ano
passado, provar na Justiça que a morte do pai, ex-trabalhador
da Sama, foi provocada pelo amianto e criar uma associação
de apoio às vítimas do mineral. Casos como o de Lúcia
são exceção na cidade, onde a maioria diz desconhecer
quem tenha adoecido por causa do trabalho na mina. "Tudo o que
se fala contra o amianto é mentira. Até hoje não
se prova que houve sequer uma pessoa doente aqui. Isso é tudo
fantasia", diz o prefeito Cícero Romão (PSDB).
O risco à saúde dos trabalhadores -se inalado, o amianto
pode provocar fibrose pulmonar e câncer- é o principal
argumento de quem apoia a proibição do minério.
A Sama afirma que depois de 1980 não houve nenhum caso de trabalhadores
doentes na cidade. Nessa época, foram adotados equipamentos
de segurança e instalados filtros nas usinas da mineradora,
que acabaram com a "nuvem de amianto" que invadia as casas.
Hoje, a empresa reitera que a manipulação do amianto
é totalmente segura. Apesar das declarações da
mineradora, não há dados oficiais sobre a saúde
de quem trabalha com o amianto. Um grupo de 17 empresas do setor,
entre elas a Sama, conseguiu uma liminar para não cumprir uma
portaria que exigia que informações sobre os trabalhadores
fossem enviadas ao Ministério da Saúde. O argumento
é que a portaria inibe a atividade e "constitui privilégio
à indústria de fibras alternativas", que não
foi obrigada a fazer o mesmo.
Laudos divergentes
A Sama diz monitorar a saúde de cerca de 11 mil funcionários
e ex-trabalhadores anualmente. Entre todos, ela reconhece aproximadamente
cem doentes. O número é considerado subestimado pela
Abrea (Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto)
e por trabalhadores que discordam dos laudos da Sama. É o caso
de Ilton Cascalho, 56, e sua mulher, Joana Cascalho, 50. Na década
de 1970 eles trabalharam na Sama por 10 e 12 anos, respectivamente.
Os dois têm nódulos no pulmão e questionam a avaliação
da empresa, que não relaciona a alteração à
exposição ao amianto, como um segundo médico
diagnosticou. A Sama, por sua vez, contesta a aptidão do profissional
para avaliar o caso.
Para o sindicato dos mineradores, muitos ex-trabalhadores querem estar
doentes para receber, por meio de acordo extrajudicial, o plano de
saúde e a indenização que são pagos quando
diagnosticadas doenças relacionadas ao amianto. O instrumento
prevê indenizações entre R$ 11 mil e R$ 34 mil.
Já existem 3.500 desses acordos, assinados antes do diagnóstico.
A Sama não divulga quantas dessas pessoas estão de fato
doentes. (ACC e EHC)
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Agência Brasil, 12
de julho de 2009
Brasileiro compromete menos horas trabalhadas
para comprar cesta básica, diz Dieese
Stênio Ribeiro
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O trabalhador brasileiro que ganha salário
mínimo comprometeu 98 horas e 58 minutos da jornada mensal
de serviço, em média, no mês de junho, para adquirir
os 13 itens da cesta básica de alimentos: arroz, feijão,
carne bovina, tomate, banana, açúcar, óleo de
soja, café, pão francês, batata, leite integral,
manteiga e farinha de mandioca.
O cálculo é do Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que constatou barateamento
da cesta básica em 13 das 17 capitais pesquisadas nos últimos
12 meses. Houve aumento de preços só em três capitais
– Salvador, Vitória e Goiânia. Manaus, que entrou
na pesquisa há pouco tempo, não tem base de equivalência
anual.
Mesmo nas capitais em que a cesta básica aumentou em relação
a junho do ano passado, houve redução do número
de horas necessárias para a compra dos alimentos, explicada,
principalmente, por causa do aumento do poder de compra do trabalhador
de baixa renda, que teve o salário mínimo reajustado
em mais que o dobro da inflação.
O melhor comportamento de preços foi registrado em Aracaju,
onde a cesta básica tem o menor custo (R$ 176,35) do país,
com redução de 8,03% em relação a junho
de 2008, e corresponde a 83 horas e 26 minutos trabalhados. Porto
Alegre tem a cesta básica mais cara (R$ 243,66) mesmo tendo
ficado 1,24% menor na comparação anual. Na capital gaúcha,
o trabalhador compromete 115 horas e 17 minutos de seu trabalho mensal
para adquirir a cesta básica de alimentos.
De acordo com o levantamento do Dieese, só o comércio
de Salvador, Vitória e Goiânia elevou os preços
em, respectivamente, 7,27%, 3,10% e 0,51%. Em compensação,
além de Aracaju, houve quedas significativas nos preços
praticados em Florianópolis (-8,69%), Belo Horizonte (-7,56%),
São Paulo (-6,99%), Rio de Janeiro (-6,76%), Brasília
(-6,61%) e Curitiba (-6,18%).
A pesquisa verificou ainda que a redução anual dos
preços da cesta básica só não foi mais
acentuada porque alguns produtos tiveram alta nos últimos meses.
Um exemplo foi o leite, que ficou mais caro em 15 capitais, na comparação
com o mês de maio, com reajustes acima de 12% no Rio de Janeiro,
São Paulo, Vitória, Brasília, Florianópolis
e Curitiba.
Em ritmo menor, a pesquisa constatou aumentos também do óleo
de soja em 13 das cidades pesquisadas, na comparação
com maio deste ano, mas, quando a equivalência é com
junho do ano passado, constata-se que o produto ficou mais barato
em todas elas. Outros itens que também tiveram aumento foram
batata, carne, pão francês, café e açúcar.
O arroz e o feijão, que compõem a base da cozinha brasileira,
tiveram queda generalizada de preço em todo o país,
devido às boas safras agrícolas dos dois últimos
anos.
Tomando por base o comércio do Distrito Federal, o Dieese
verificou variações negativas também nos preços
de farinha, tomate, banana e manteiga.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
12/07/2009
Vale garante pagamento de insalubridade com
base no salário mínimo
No Tribunal Superior do Trabalho, a Companhia Vale do Rio Doce conseguiu
reformar decisão transitada em julgado que estabelecia como base
de cálculo do adicional de insalubridade a remuneração
do trabalhador. Agora, a empresa pagará o adicional a ex-empregado
tendo como referência o salário mínimo. Por unanimidade,
a Seção Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-2) acompanhou o entendimento do relator, ministro Renato de Lacerda
Paiva, para dar provimento ao recurso ordinário em ação
rescisória da empresa.
A questão central da ação rescisória proposta
pela Vale era a desconstituição da decisão que
determinou a remuneração do empregado como base de cálculo
do adicional de insalubridade. A empresa foi condenada a pagar a parcela
ao ex-técnico mecânico que prestou serviços por
18 anos à empresa e provou na Justiça ter direito ao recebimento
do adicional em grau máximo. Pela condenação, o
índice de 40% incidiria sobre a remuneração do
empregado, e não sobre o salário mínimo, como pretendia
a empresa.
Para o Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (ES),
a Vale alegou que a base de cálculo do adicional deveria ser
o salário mínimo, nos termos do artigo 192 da CLT. Mas
o TRT rejeitou a pretensão, aplicando as Súmulas nº
83 do TST e 343 do Supremo Tribunal Federal, que dispõem, basicamente,
não caber ação rescisória por violação
literal de lei quando a decisão a ser rescindida estiver baseada
em texto infraconstitucional, de interpretação controvertida.
No recurso ordinário apresentado ao TST, esse obstáculo
foi superado. O relator, ministro Renato de Lacerda Paiva, acolheu o
argumento da empresa de que, na época da decisão (29/9/2004),
a questão não era controvertida; inclusive a Orientação
Jurisprudencial nº 2 da SDI-2 sobre o assunto já tinha sido
editada. Em relação ao mérito do processo, o ministro
concluiu que a Vale tinha razão em pedir o cálculo com
base no salário mínimo.
O relator explicou que a 4ª Vara do Trabalho de Vitória
(ES) aplicou ao caso a Súmula Vinculante nº 4 do STF, que
proíbe o uso do salário mínimo como indexador de
base de cálculo de vantagem devida a empregado (previsão
do artigo 7º, inciso IV, da Constituição). Também
serviu como referência a Súmula nº 228 do TST que
estabelecia a aplicação do salário básico
para o cálculo a partir de 9 de maio de 2008 (data da publicação
da Súmula nº 4 do STF), salvo critério mais vantajoso
para o trabalhador fixado em convenção coletiva.
Só que a Confederação Nacional da Indústria
(CNI) conseguiu liminarmente, no STF, suspender a aplicação
da nova redação da Súmula 228 do TST, na parte
que trata da utilização do salário básico
como base de cálculo do adicional. Portanto, segundo o relator,
até que haja norma regulamentando a situação, o
salário mínimo continua sendo aplicável no cálculo
da insalubridade.
No voto, o relator citou ainda dois julgados do STF que confirmam o
impedimento do Judiciário (no caso específico, do TST)
de alterar a base de cálculo: um da ministra Carmen Lúcia
(Rcl 6830/PR-MC) e outro do ministro Menezes Direito (Rcl 6873/SP).
Nessas condições, a SDI-2 deu razão à Vale
e determinou o uso do salário mínimo como base para o
cálculo do adicional. (ROAR 273/2006-000-17-00.5)
(Lilian Fonseca)
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