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Monitor Mercantil, 14 de julho
de 2009
Economista do Dieese: salário
menor para ampliar lucro, com prejuízo para assalariado
Indústria mantém
demissões mesmo com recuperação da demanda. Setor
aproveita-se da crise para promover um ajuste nos custos salariais e
para rever margens de lucro
Demissões na indústria
automobilística e de bens de capital em São Paulo e Minas
Gerais contribuíram para a redução do nível
de emprego em maio, que caiu 0,5% em relação a abril (oitava
queda consecutiva) e 6% na comparação com mesmo mês
do ano passado.
Em 2009, o emprego na indústria
acumula queda de 4,7% e, em 12 meses, redução de 1,1%.
Para o economista Jardel Leal,
do Dieese, a indústria está se aproveitando da crise para
promover um ajuste nos custos salariais e para rever margens de lucro.
"A crise oferece oportunidade
para essa rearrumação, que deve alterar a relação
capital-trabalho, em função da demanda e da adoção
de novas tecnologias. A indústria está aproveitando a crise
para fazer recomposição. Para manter as margens de lucro,
usam a questão da ameaça do desemprego", critica,
lembrando que normalmente os empresários brasileiros se apropriam
dos ganhos de produtividade, o que também pode estar provocando
efeitos agora.
Segundo Leal, a indústria,
sobretudo a exportadora, "puxou o freio de mão" e deve
ficar assim até que as coisas se arrumem.
"Uma parcela da atividade
industrial é fornecedora de insumos a exportadores e, com a crise,
acaba usando as melhores condições de uso da força
de trabalho. Agora mesmo dizem que a redução da jornada
de trabalho vai aumentar custos".
Para o economista do Dieese,
existe sempre um estoque e uma capacidade ociosa planejados.
"Quando o estoque baixa
a tendência é que haja uma reposição. Em algum
momento vão repor estoques, mas a capacidade ociosa permanecerá se
não houver demanda. Tudo vai depender, também, da capacidade
de reconversão da produção do mercado externo para
o interno", resumiu.
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BEM PARANÁ, 14 de
julho de 2009 | Trabalho & Negócios
Construção civil e limpeza
Segmentos lideram número
de vagas
Servente de obras, faxineiro e auxiliar
de escritório foram as ocupações com maior
números de vagas de emprego criadas em Curitiba
Servente de obras, faxineiro e auxiliar de escritório foram as ocupações
com maior números de vagas de emprego criadas em Curitiba, nos cinco
primeiros meses de 2009. De 20 ocupações que mais se destacaram
na geração de oportunidades de emprego com carteira assinada,
o saldo foi de 1.431 vagas para faxineiro; 1.036 para servente de obras e 770
para auxiliar de escritório.
Os dados são do Mapa de Oportunidade de Emprego, do Observatório
do Trabalho de Curitiba. O Observatório funciona por convênio
entre a Secretaria Municipal do Trabalho e Emprego e o Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Nas mesma 20 ocupações
pesquisadas, comparando os cinco primeiros meses de 2008 ao mesmo período
de 2009, o maior crescimento de oportunidades de emprego ficou com o
agente de saúde, que passou de 56 vagas para 357 vagas (537,50%),
seguido por operador de linha de montagem, que subiu de 140 vagas para
658 vagas (370%), e de vendedor em domicílio, cujo saldo foi de
133 vagas em 2009.
“ A classificação das ocupações pelo salário
médio de admissão é outro indicador importante produzido
pelo Observatório do Trabalho”, diz o secretário municipal
do Trabalho e Emprego, Jorge Bernardi.
Das 20 ocupações
que mais geraram empregos em 2009, classificadas por salário médio
de admissão, o maior rendimento foi recebido pelo assistente administrativo
(R$ 936,83), seguido do auxiliar de contabilidade (R$ 917,87) e do vigilante
(R$ 850,51).
Em relação à evolução do salário
médio de admissão de janeiro a maio de 2008 e de janeiro a maio
de 2009, vendedor em domicílio foi a ocupação que apresentou
a maior variação salarial (26,77%); depois, embalador a mão
(16,25%) e trabalhador de manutenção de edificações
(15,51%). As 20 ocupações com os maiores salários médios
de admissão registraram rendimento médio superior a R$ 5,9 mil.
As 10 primeiras oferecem salários superiores a R$ 8 mil.
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Folha de S.Paulo, 14 de julho
de 2009
TRABALHO
Desemprego volta a crescer nos países
ricos
DA REDAÇÃO
O desemprego nos países
da OCDE (grupo formado por 30 das maiores economias mundiais) cresceu
em maio pelo oitavo mês seguido, passando de 8% para 8,3%, a maior
taxa em mais de 20 anos.
A maior taxa continua a ser a da Espanha, com desemprego de 18,7%, seguida
pelas de Irlanda (11,7%) e Eslováquia (11,1%). O menor índice
de desemprego foi registrado pela Holanda: 3,2%.
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de julho de 2009 | Economia
Lula prevê alta do PIB maior
que a projetada
Agência Estado
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, relatou no início da noite,
após reunião ministerial, que o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva disse estar "muito otimista" com a economia brasileira
e até brincou que esse otimismo supera o da equipe econômica. "Ele
acha que vamos ter crescimento acima do que tem sido projetado", disse
Bernardo, sem especificar qual seria o porcentual de crescimento que o presidente
espera.
Bernardo relatou que apesar do
otimismo, Lula determinou que os ministros sigam "estritamente" os
limites de gastos que foram definidos tanto para este ano quanto para
2010. Segundo o ministro, Lula comparou a situação econômica
ao orçamento familiar. "Se tem menos salário, menos
renda, tem que gastar menos. É a mesma coisa no governo. Se tem
menos receita, temos que fazer adaptações e gastar menos",
disse.
Projeções
Durante a reunião ministerial
realizada hoje na Granja do Torto, em Brasília, o presidente do
Banco Central, Henrique Meirelles, apresentou uma série de previsões
que apontam para a recuperação da economia no próximo
ano. Ao todo, foram apresentadas sete estimativas ao presidente Lula.
A mais otimista - a de que o Brasil pode crescer até 5% - foi
feita por Jim O'Neill, economista-chefe do Goldman Sachs e criador da
expressão BRIC, sigla de quatro países emergentes: Brasil,
Rússia, Índia e China.
De acordo com a apresentação
feita por Meirelles, a estimativa mais conservadora é compartilhada
pelo Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI). Ambas
entidades preveem expansão de 2,50% para a economia brasileira
no próximo ano.
Entre as previsões intermediárias
estão as do Itaú Unibanco, que espera 4,1%; Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE),
com estimativa de 4%; a pesquisa semanal Focus, que cita 3,5%; e a Federação
Brasileira de Bancos (Febraban), com 3,4%.
A exibição
de 27 slides feita por Meirelles tem como base apresentações
realizadas recentemente pelo presidente do Banco Central. Muitas das
telas mostradas na reunião ministerial já foram apresentadas
em outras ocasiões. Entre os novos dados apresentados, Meirelles
comparou a média de novas concessões de crédito
em maio com o período que antecedeu o agravamento da crise no
fim do ano passado. Em maio de 2009, a média de novos empréstimos
ficou em R$ 7 bilhões, praticamente a média registrada
entre janeiro e setembro de 2008, quando o valor ficou em R$ 7,1 bilhões.
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Gazeta do Povo, 14 de julho de 2009
Previsões
BC apresenta estimativa de crescimento de
5% em 2010
Brasília - Durante a reunião ministerial realizada ontem, o presidente
do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, apresentou uma série de previsões
que apontam para a recuperação da economia no próximo ano.
Ao todo, foram apresentadas sete estimativas.
A mais otimista – de que o Brasil pode
crescer até 5% em 2010 – foi feita por Jim O’Neill,
economista-chefe do Goldman Sachs e criador da expressão Bric,
sigla dos quatro grandes países emergentes: Brasil, Rússia, Índia
e China.
De acordo com a apresentação, a
estimativa mais conservadora é compartilhada pelo Banco Mundial
e Fundo Monetário Internacional (FMI). Ambos preveem expansão
de 2,5% para a economia brasileira no próximo ano.
Intermediárias, estão as previsões
do Itaú-Unibanco, que espera 4,1%; Organização para
a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE),
que cita 4%; a pesquisa Focus, com 3,5%; e a Federação
Brasileira de Bancos (Febraban), com 3,4%.
Entre os novos dados apresentados, Meirelles
apresentou a média de novas concessões de crédito.
Em maio de 2009, a média de novos empréstimos ficou em
R$ 7 bilhões, praticamente a mesma quantia registrada no período
pré-crise, entre janeiro e setembro de 2008, quando o valor ficou
em R$ 7,1 bilhões.
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de julho de 2009 | Economia
Planejamento é fundamental
para economizar
Mara Andrich
Planejar como e onde gastar o dinheiro. Esta é uma tarefa nada fácil
para a maioria dos brasileiros, que não tem a cultura da educação
financeira. Em geral, as pessoas adquirem bens e produtos por meio de prestações
e, na maior parte das vezes, só pensam no valor de cada parcela, esquecendo
dos juros que podem estar embutidos no preço. Alguns até mesmo
acabam pagando as parcelas com o cheque especial e, quando se dão conta,
já estão “afogados” em dívidas.
Para situações
como esta a única maneira de salvar as finanças é o
planejamento. Seja colocando no papel o quanto de dinheiro tem para gastar
e no que precisa gastar, seja utilizando a calculadora ou mesmo um programa
de internet.
Para tentar ajudar quem não
sabe por onde começar, o engenheiro Marcelo Kimura, da empresa
M-Econ, criou o site www.minhaseconomias.com.br. Neste endereço
as pessoas podem, gratuitamente, fazer o controle de suas finanças,
a curto, médio e longo prazo.
Segundo Kimura, a ideia é não
só auxiliar nos cálculos, mas acima de tudo criar a cultura
do planejamento financeiro, independentemente da classe social. “Trata-se
de uma mudança de comportamento. A maioria das pessoas perde o
controle da onde está indo seu dinheiro porque não tem
a cultura de planejar, que é mais simples e mais seguro. Dá para
comparar com um problema grave de saúde. Quando a pessoa está bem
mal, ela se obriga a mudar alguns hábitos”, analisou. O
site está funcionando gratuitamente há duas semanas, e
não solicita muitos dados do usuário para o cadastro.
Na opinião do economista
e diretor de Negócios da Partner Consulting, Rui Rocha, para iniciar
o planejamento é preciso ter em mente quatro pontos fundamentais:
definir prioridades, ter disciplina para aplicar o dinheiro somente nelas,
fugir dos juros abusivos e, por último, ser prudente. E tudo isso
pode ser feito com uma caneta e um papel para fazer os cálculos.
Para ele, é muito mais vantajoso planejar do que consumir com
prestações.
“Muitos brasileiros trabalham
em função da dívida, para pagar a parcela da prestação,
quando deveriam planejar, guardar o dinheiro e só depois consumir.
Quem poupa explora melhor na hora da compra e tem mais satisfação.
Podemos e devemos consumir, só que de forma planejada. O brasileiro
não tem a cultura do planejamento financeiro, infelizmente”,
afirmou.
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Folha de S.Paulo, 14 de julho
de 2009
Governo confirma estatal para o
pré-sal
Nova empresa vai gerenciar exploração
nas áreas descobertas e dividir o óleo extraído
com as ganhadoras das licitações | Marco regulatório
a ser submetido ao Congresso prevê ainda criação
de um fundo social com os recursos obtidos no setor de petróleo
SIMONE IGLESIAS
JULIANA ROCHA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo confirmou oficialmente
que vai criar uma empresa estatal para cuidar exclusivamente das reservas
de petróleo da camada do pré-sal, conforme a Folha antecipou
em agosto de 2008. Os ministros Edson Lobão (Minas e Energia)
e Dilma Rousseff (Casa Civil), que estudavam desde 18 de julho do ano
passado como a União irá gerenciar o pré-sal, expuseram
ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva suas principais conclusões.
Na proposta, há também a criação de um fundo social,
sugestão de Lula, e a adoção de sistema de partilha de
produção na exploração. Nesse sistema, o óleo
extraído será dividido entra a futura estatal e as empresas que
forem escolhidas, por meio de licitação, para desenvolver os
campos.
No pré-sal, além disso, não será cobrada a participação
especial (espécie de tributo) nem haverá divisão dos lucros
com os Estados e os municípios -que só deverão ter acesso
ao dinheiro do pré-sal por meio do fundo social a ser gerenciado pelo
Ministério da Fazenda.
Segundo Lobão, o sistema de partilha valerá só para o
petróleo do pré-sal e outras áreas consideradas estratégicas.
Quanto à exploração de demais áreas, o governo
manterá a fórmula atual, de concessão a empresas. "Para
toda a região do pré-sal e outras regiões estratégicas
estamos imaginando criar o sistema de partilha e propondo a criação
de uma empresa específica para o setor."
As regiões estratégicas, segundo o ministro, são as que
se revelarem como "grandes reservas de petróleo".
O governo decidiu também que a Petrobras terá uma parceria privilegiada
com a futura estatal. O formato dessa parceria ainda não está definido.
Há a possibilidade de que a Petrobras seja escolhida sem licitação
para ser operadora de alguns campos do pré-sal.
A proposta divulgada ontem acabou sendo apresentada nos moldes já previstos
pelo presidente. Em agosto de 2008, logo que a comissão interministerial
começou a estudar a mudança de marco regulatório, Lula
pediu que os lucros do petróleo fossem usados para "eliminar a
miséria".
Por isso, a criação do fundo garantirá recursos para saúde,
educação e questões sociais. E poderá ser a forma
encontrada pelo governo de perpetuar o Bolsa Família. "Será um
fundo trabalhista", afirmou Lobão.
As propostas, discutidas com Lula durante reunião ministerial, deverão
ser encaminhadas ao Congresso na volta do recesso, em agosto. Segundo Lobão,
o presidente disse que conversará com algumas pessoas para bater o martelo
no modelo proposto pela comissão.
" O presidente vai fazer algumas consultas e decidir sobre o assunto. Prometemos
a ele que, dentro de 15 dias, tudo isso estará pronto para que, em seguida,
se encaminhe ao Congresso", disse Lobão. O texto irá com recomendação
de urgência. O governo pretende aprovar o novo marco regulatório
no Congresso neste ano. Lobão disse ainda que na proposta encaminhada
a Lula não há definição de percentuais da partilha
de produtos e receita entre União e empresas.
O anúncio da proposta, ontem à noite, foi uma maneira encontrada
pelo governo de enfraquecer a CPI da Petrobras, que será instalada hoje.
A conclusão das medidas está atrasada há pelo menos dez
meses. Ocorreria em setembro passado, mas o governo decidiu adiar, primeiro
afirmando que não poderia tomar decisões complexas com pressa
e, depois, por causa da crise global.
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Vermelho, 14 de julho de
2009
Dúvida cruel tucana: Serra
ou Aécio?
" Política é como nuvem. Você olha
e ela esta de um jeito. Olha de novo e ela já mudou", ensinava
o ex-governador Magalhães Pinto, raposa mineira da UDN, também
banqueiro e líder paisano do golpe militar de 1964. A escolha
do candidato presidencial tucano em 2010, anteontem, anunciava uma feroz
luta interna; ontem, dava a impressão de que José Serra
estaria triturando Aécio Neves; mas hoje emite sinais encorajando
o mineiro...
Por Bernardo Joffily

Aécio (e.) e Serra, em evento no Recife
Uma nuvem carregada no cenário
sucessório era o câncer que acometeu Dilma Rousseff (PT),
candidata do presidente Lula. Mas ao que dizem os médicos dissipou-se,
deixando até, como saldo, uma imagem mais humana e emotiva da
ministra, que continua a subir nas pesquisas.
A nuvem da crise econômica
permanece, nos céus do mundo e do Brasil. Mas não parece
capaz de fulminar os planos de Lula, como chegaram a sonhar os seus adversários.
Nesta segunda-feira (13), anunciou-se que a demanda por crédito
subiu em junho pelo quarto mês consecutivo, aproximando-se do cenário
pré-crise e puxada pelos brasileiros de baixa renda.
Sinais de possível revisão
de planos
Como as nuvens da política
não só se modificam mas também se intercomunicam
incessantemente, essas metamorfoses foram rebater no quartel-general
do governador de São Paulo e presidenciável tucano. Há sinais
de que, depois de ter dobrado seu rival Aécio, antes mesmo de
baterem chama nas prévias do PSDB anunciadas para fevereiro, Serra
pode estar revendo seus planos para 2010.
" O quadro continua favorável
a Aécio, com José Serra pensando em disputar o governo
de São Paulo, bem avaliado que está e preocupado com o
crescimento de Dilma nas pesquisas", diz o jornalista Luís
Carlos Bernardes na sua coluna de hoje em O Tempo, um dos poucos jornais
mineiros rebeldes à cooptação por Aécio.
Em outro quadrante, Ricardo
Noblat, em seu blog no Globo Online, confirma que há algo no ar
além dos aviões de carreira, provavelmente uma nuvem magalhaniana
em mutação. O blog reproduz o "raciocínio esperto" de
um "amigo":
" Há mais de 20 anos
que São Paulo vota preferencialmente no PSDB. Ou contra o PT se
preferir.
Em 2002 e 2006, Lula teve votações
expressivas em Minas Gerais.
Se Aécio Neves for candidato
a presidente, terá os votos de São Paulo. E os de Minas,
fechada com ele segundo todas as pesquisas.
Se o candidato for José Serra,
São Paulo votará fechado com ele, mas Minas não.
A não ser que Aécio ceda aos apelos e aceite ser vice de
Serra.
Então?
Então Aécio é melhor
candidato do que Serra, que se reelegeria facilmente governador de São
Paulo.
Aécio não pode
ser candidato à reeleição. Pode disputar uma vaga
no Senado. Logo onde: na Casa dos Escândalos."
O amigo de Noblat, cuja filiação
partidária se adivinha nas entrelinhas, parece a um passo de entrar
em campanha. No palanque Aécio presidente-Serra governador.
Cenários na retaguarda paulista
Se Serra disputasse a Presidência,
o bloco demo-tucano lançaria em São Paulo um de três
nomes: o ex-governador Geraldo Alckmin, com forte recall, mas relações
estremecidas com o atual governador; ou o secretário Aloísio
Nunes Ferreira, que, ao contrário, é fiel mas ainda não
mostrou ser bom de voto; ou ainda o prefeito paulistano, Gilberto Kassab,
que corre por fora, contrariando uma promessa de sua campanha em 2008.
Com Dilma curade e subindo nas
pesquisas, o atual ocupante do Palácio dos Bandeirantes – o
segundo mais poderoso depois do Planalto – indaga-se se vale a
pena trocar o (ao que dizem) certo pelo duvidoso: deixar o Bandeirantes
para um desafeto, ou um adversário, e disputar o Planalto com
uma Dilma em ascenso.
Se tudo der certo, o vencedor
leva as batatas, como sentenciaria Quincas Borba. Mas, e se der errado?
Ser vencido na eleição presidecial já seria ruim;
mas perder também a retaguarda paulista configuraria um desastre.
A nuvem de Ciro
Em outra interconexão
das nuvens da política, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) acompanha
as mutações nos cumulus pré-2010 para escolher o
seu projeto: disputar a Presidência, ser vice na chapa de Dilma
ou concorrer ao governo paulista.
Com Serra presidenciável,
o papel nacional de Ciro em São Paulo cresceria. Ele seria como
um comandante guerrilheiro a incursionar por trás das linhas do
inimigo, tirando-lhe a paz, e o máximo de votos. Com o governador
buscando a reeleição, a menor influência nacional
seria compensada pela satisfação de enfrentar diretamente
Serra, com quem tem antigas contas por ajustar.
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Gazeta do Povo, 14 de julho
de 2009
Crise parlamentar
Sarney anula atos secretos, mas efeito é nulo
Grande parte dos 663 documentos terá de
ser convalidada nos próximos 30 dias para evitar que o Senado
tenha problemas jurídicos
Brasília - Acuado politicamente,
o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), decidiu anular
os 663 atos administrativos secretos. O anúncio de ontem não
representará, porém, o cancelamento imediato de todas essas
medidas. A decisão de Sarney foi muito mais política do
que prática. Técnicos do Senado avisaram ao senador que
grande parte dos atos secretos terá de ser convalidada nos próximos
30 dias para evitar problemas jurídicos.
Sarney divulgou sua decisão
menos de um mês depois de garantir que esses boletins não
existiam. “Eu não sei o que é ato secreto. Aqui,
ninguém sabe o que é ato secreto”, disse, da tribuna,
no dia 16 de junho. A existência desses documentos foi revelada
em 10 de junho. Inicialmente, uma comissão avaliaria cada boletim
sigiloso e a perspectiva de anulação do seu conteúdo.
A estratégia de Sarney foi inverter o processo: cancelou todos
os atos e a equipe de trabalho decidirá em 30 dias qual será convalidado.
Uma tática de maior impacto externo, embora de pouco resultado
prático do ponto de vista interno. Ao anunciar a medida, o presidente
do Senado tenta diminuir a pressão causada por denúncias
de irregularidades administrativas na Casa, nepotismo e desvio de verbas
da Petrobras pela Fundação José Sarney.
O primeiro-secretário,
Heráclito Fortes (DEM-PI) demonstrou descontentamento com a decisão
do peemedebista. “No meu entendimento, teria que passar pela Mesa.
Eu quero crer, inclusive, que não seja conveniente para o presidente
Sarney tomar uma decisão solitária”, afirmou Heráclito.
De acordo com a Advocacia-Geral
do Senado, no entanto, Sarney tem respaldo legal para tomar a decisão
isoladamente porque atos secretos teriam um vício na origem, ficando
comprometidos porque foram mantidos em sigilo.
O simples cancelamento das exonerações
secretas criaria uma situação inusitada: tais funcionários
voltariam aos quadros do Senado, que ficaria devendo salários
a esses servidores – um deles seria Maurício Requião,
irmão do governador Roberto Requião. Por isso, a interpretação
da cúpula administrativa é que essas medidas – embora
sob sigilo por vários anos – devem ser mantidas para evitar
problemas desse tipo.
Diante do impasse sobre a anulação
de fato dos atos secretos, a solução mais provável é o
cancelamento dos boletins que tratam de criação de cargos
dos gabinetes de parlamentares e da diretoria-geral, além das
medidas referentes a benesses a servidores e senadores que tenham efeitos
presentes e futuros. Sarney também determinou que a diretoria-geral
avalie o ressarcimento aos cofres públicos do que foi pago indevidamente.
A missão é considerada quase impossível pelo departamento
jurídico do Senado.
A iniciativa de Sarney segue
uma recomendação do Ministério Público Federal
(MPF), que pediu a nulidade dos atos. O órgão e a Polícia
Federal já abriram investigações em torno do caso.
Já a procuradora Anna
Carolina Resende deve apresentar até o começo de agosto
uma ação por improbidade administrativa contra os ex-diretores
Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi, acusados de comandar o esquema
de atos secretos dentro do Senado.
Repercussão
Para muitos senadores, o cancelamento
dos atos secretos não alivia a pressão contra Sarney. Para
o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o peemedebista corrigiu um erro,
mas ainda não conseguiu dar explicações convincentes
sobre as acusações que o envolvem diretamente. “O
cancelamento dos atos não explica as denúncias que o envolvem
diretamente, como o nepotismo pessoal, o dinheiro da Petrobras, a mentira
sobre a responsabilidade administrativa da fundação, entre
outras acusações’’, disse.
Na avaliação
do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), o presidente
do Senado demorou para tomar a decisão. O líder do DEM,
José Agripino (RN), tem opinião semelhante: “Se
está sendo feito agora, é sinal de que já poderia
ter sido feito antes”. Para aliados, Sarney mostra que está agindo
para tentar recuperar a credibilidade do Senado. “Isso é José Sarney.
Doa a quem doer, ele tomou a decisão, como tem feito sempre
que surge qualquer suspeita’’, afirmou o líder do
PTB, Gim Argello (DF).

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O Outro Lado da Notícia,
14 de julho de 2009
Relator expõe alternativa
ao fim do fator previdenciário em audiência pública
Governo concorda com a mudança,
mas avisou que não aceita simplesmente o fim do fator e que se
o projeto original do Senado for aprovado pela Câmara dos Deputados
será vetado
O fator previdenciário
vem sendo tema das palestras do deputado federal Pepe Vargas (PT/RS).
Na noite do último dia
10 de julho ele palestrou na Associação Comercial e Industrial
de Nova Petrópolis (Acinp) para cerca de 100 pessoas.
Vargas é responsável
por preparar um substitutivo ao projeto do do senador Paulo Paim (PT/RS),
já aprovado pelo Senado, e que extingue o fator previdenciário.
A audiência pública,
promovida pela vereadora Simone Michaelsen, contou com as presenças
do vereador Pasqual Grims, do presidente do Sindicato dos Trabalhadores
Rurais de Nova Petrópolis, Ari Boelter e do presidente da Cooperativa
Piá, Vitor Grims.
Vargas destacou que o fator previdenciário
foi criado em 1999, no Governo do então presidente Fernando Henrique
Cardoso (PSDB), com o objetivo de fazer os trabalhadores adiarem a aposentadoria.
Ele explicou que o fator incide
sobre as aposentadorias por tempos de contribuição.
"Para se ter uma idéia
de como o fator pesa sobre o cálculo da aposentadoria, basta ver
a incidência sobre o benefício de um homem de 51 anos de
idade e 35 anos de contribuição. Ele chega a perder 37%
do benefício a que teria direito", exemplificou.
Hoje o Governo Lula reconhece
que ele achata muito o valor do benefício e, como exige muitos
anos de trabalho, não está funcionado como um incentivo à postergação
do direito.
Por isso, o Governo concorda
com a mudança, mas avisou que não aceita simplesmente o
fim do fator e que se o projeto original do Senado for aprovado pela
Câmara dos Deputados será vetado.
"O Governo aceita discutir
uma alternativa que dê ganhos aos trabalhadores", salienta
Pepe.
O deputado informou que tem como
estratégia negociar uma alternativa que se aproxime ao máximo
da proposta do senador Paulo Paim (PT/RS).
O parlamentar propõe que
o fator previdenciário deixe de pesar toda vez que, no caso homem,
o tempo de contribuição somado à idade resultar
no número 95.
Para a mulher, o fator deixará de
pesar quando a soma da idade com o tempo de contribuição
chegar a 85.
No exemplo citado pelo deputado,
com a fórmula 95/85, bastaria o segurado trabalhar até os
55 anos, quatro anos a menos do que com o fator, para chegar a 100% do
seu salário.
Além da aplicação
da fórmula 95/85 o deputado ressaltou que pretende, em sua proposta,
manter uma média de cálculo longa dos 70 melhores salários
de contribuição e propor o congelamento da expectativa
de sobrevida quando o segurado atingir 35 anos de contribuição,
se homem e 30, se mulher.
Ele também sugere a definição
em lei de uma forma de apresentação dos resultados do Regime
Geral da Previdência, dando transparência às suas
fontes de financiamentos e de despesas.
Pepe lembrou que é relator
da proposta na Comissão de Finanças e Tributação,
e a matéria necessita adequação orçamentária,
por isso precisa provar que o orçamento comporta a sua aplicação.
E hoje, segundo o parlamentar,
a Previdência Social não é deficitária, mas
ao longo prazo vai haver uma necessidade de revisão do sistema,
devido ao envelhecimento acelerado da população brasileira.
"Em 2029 vamos ter menos
gente contribuindo, pois hoje a média de filho por mulher é de
1,85%".
Pepe disse que diferente do que
na década de 90, quando instituído o fator previdenciário,
hoje é possível construir uma proposta com ganhos efetivos
para classe trabalhadora, pois existe no Brasil um governo que está disposto
a discutir uma alternativa.
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Agência Estadual de Notícias,
14 de julho de 2009
PR: governo assina Convenção
Coletiva do Trabalho Doméstico terça (14)
Durante a reunião da Escola
de Governo desta terça-feira (14) será assinada a Convenção
Coletiva do Trabalho Doméstico, uma parceria entre a Secretaria
de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Ministério
da Previdência Social e Superintendência do Trabalho e Emprego
no Paraná.
O objetivo é garantir
a regulamentação da atividade e os direitos dos empregados
na categoria.
A convenção vale
para trabalhadores de Curitiba e Região Metropolitana.
Esta é uma iniciativa
inédita do governo do Estado e da gerência executiva do
INSS em Curitiba.
O Paraná será o
primeiro estado brasileiro a ter direitos reconhecidos em convenção
coletiva de trabalho, seguindo orientação da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), que sugere que todos os países
regulamentem a categoria até 2010.
Para o secretário do Trabalho,
Emprego e Promoção Social, Nelson Garcia, a convenção é resultado
de uma união de forças única no país.
"Seguimos as determinações
do governador Roberto Requião, que defende que as ações
da Secretaria sejam baseadas no diálogo e na colaboração",
diz.
"A ideia foi amplamente
discutida entre os sindicatos de trabalhadores e de empregadores",
completa.
Sem acordo coletivo de classe,
os empregados domésticos não recebem o Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço (FGTS), salário-família, horas
extras e o adicional noturno.
A legislação brasileira
assegura às empregadas domésticas, registradas formalmente,
direito ao 13° salário, aposentadoria, auxílio doença,
férias de 30 dias, folgas semanais e nos feriados, 120 dias de
licença maternidade e cinco meses de estabilidade no emprego após
o parto.
A lei impede ainda que o empregador
desconte nos salários a alimentação, material de
higiene e moradia e obriga o pagamento de vale-transporte quando necessário.
De acordo com os dados da última
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad - 2007), das
392.329 empregadas domésticas do Paraná, apenas 103.610
trabalham com carteira assinada.
Ou seja, 74% das trabalhadoras
na atividade são informais.
No Brasil, a Federação
Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad) estima que, de
um total de oito milhões de empregadas, 90% atuem na informalidade.
A presidente do Sindicato dos
Empregados Domésticos do Paraná (Sindidom), Carolina Michelisa
Stachera, acredita que a regulamentação vai pressionar
para que todos os direitos sejam cumpridos e deve amenizar os altos níveis
de informalidade na atividade.
O Sindidom responde por trabalhadoras
da região de Curitiba, então a convenção
valerá para alguns municípios.
São eles: Araucária,
Curitiba, São José dos Pinhais, Colombo, Campo Largo, Mandirituba,
Fazenda Rio Grande, Almirante Tamandaré, Rio Branco do Sul, Quatro
Barras, Adrianópolis, Agudos do Sul, Lapa, Contenda, Antonio Olinto,
Campo do Tenente, Cerro Azul, Piên, Pinhais, Rio Negro, São
Mateus do Sul, Campina Grande do Sul, Antonina, Morretes, Pontal do Paraná,
Matinhos, Guaratuba, Guaraqueçaba, Paranaguá, Balsa Nova,
Palmeira e Quitandinha.
Apesar disso, o secretário
Nelson Garcia adianta que já é analisada a realização
do mesmo processo no Norte Pioneiro.
Segundo ele, o sindicato patronal
abrange todo o Paraná, mas ainda é preciso estruturar os
sindicatos laborais.
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BEM PARANÁ, 14 de
julho de 2009
Microeempreendedor individual - Obrigações
previdenciárias e Trabalhistas
Elaine da Silveira Assis Matos *
De conformidade com a Lei Complementar 123/06, parágrafo 1º do
artigo 18-A, o empresário individual com renda bruta até R$ 36.000,00
no ano anterior poderá optar pelo Sistema de Recolhimento em Valores
Fixos Mensais dos Tributos abrangidos pelo Simples Nacional, produzindo efeitos
a partir de 01 de julho de 2.009.
A opção pelo SIMEI
importa na opção simultânea pelo recolhimento da
contribuição para a Seguridade Social, na qualidade de
contribuinte individual, gerando o recolhimento previdenciário
de 11% (na forma prevista no § 2º do artigo 21 da Lei 8.212/91),
calculado sobre o limite mínimo mensal do salário-de-contribuição,
a ser pago juntamente com outras parcelas no DAS (Documento de Arrecadação
Nacional)
O recolhimento na forma acima,
assegura ao contribuinte individual a aposentadoria por idade, exceto
se optar por complementar a sua contribuição previdenciária
com 9% ( § 3º do artigo 21 da Lei 8.212/91), recolhimento esse
que ainda será disciplinado pela Secretaria da Receita Federal
(RFB)., caso em que, fará jus à aposentadoria por tempo
de contribuição.
Ao MEI é permitida a contratação
de apenas 1 empregado que receba exclusivamente 1 (um) salário
mínimo ou o piso salarial da categoria profissional, cabendo ao
empregador reter e recolher a contribuição previdenciária
a cargo do trabalhador, atualmente 8% (considerando um salário
mínimo), conforme Tabela de Contribuição vigente
instituída pela Portaria Interministerial MPS/MF de nº 48/09.Sobre
esta contratação caberá a Contribuição
Patronal Previdenciária (CPP) à alíquota de 3% calculada
sobre o salário-de-contribuição.
Ao MEI não é permitida
a cessão ou locação de mão-de-obra, exceto
para a prestação de serviços de hidráulica,
eletricidade, pintura, alvenaria e de manutenção ou reparo
de veículos. À empresa Contratante desses serviços,
inclusive se prestados mediante empreitada por intermédio do MEI,
incumbirá o desconto da contribuição de 11% na qualidade
de segurado contribuinte individual a seu serviço, recolhendo-a
juntamente com a Contribuição Previdenciária Patronal,
informando-o em GFIP.
Muito embora a legislação
acima citada seja omissa quanto ao recolhimento de FGTS do empregado
contratado pelo MEI ( obrigação inserida no “caput” do
artigo 15 da Lei 8.036/90) deve o empregador enviar a GFIP e recolher
o FGTS até o dia 7 do mês subseqüente à remuneração
paga ou devida ao trabalhador, à alíquota de 8%, bem como,
direito às férias, 13º salário , aviso prévio,
dentre outros.
A Guia de Recolhimento do Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência
Social – GFIP, é dispensada para o MEI no que se refere à remuneração
paga ou creditada decorrente do seu trabalho.
Tratando-se, porém, de
informações relativas a empregado a seu serviço,
deve enviar a GFIP com antecedência mínima de dois dias úteis
da data do recolhimento, transmitindo-a pelo Conectividade Social até o
dia 7 do mês subseqüente ao pagamento da remuneração.
Códigos específicos ainda não foram divulgados a
respeito dessa informação.
A figura jurídica do Microempreendedor
Individual tira da informalidade diversos trabalhadores, possibilitando
aos mesmos o direito aos benefícios previdenciários da
aposentadoria por idade, por invalidez, auxílio-doença
e salário-maternidade e para os dependentes, pensão por
morte e auxílio-reclusão.
* Elaine
da Silveira Assis Matos é advogada e consultora CENOFISCO das áreas
de Direito Trabalhista e Previdenciário.
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FOLHA DE LONDRINA, 14 de julho de 2009 | Economia
CUT recebe ameaça de explosão
em refinaria
Curitiba - A Central Única
dos Trabalhadores do Paraná (CUT-PR) recebeu ontem uma denúncia
anônima por telefone de que algumas empresas das obras de ampliação
e manutenção da Refinaria Presidente Getúlio Vargas
(Repar) e Fosfértil estariam pagando pessoas para entrarem no
local com o objetivo de provocar uma pequena explosão. O objetivo,
segundo a denúncia, seria responsabilizar o movimento grevista.
A CUT-PR informou que registrou
o boletim de ocorrência na Delegacia de Araucária e teria
informado a gerência geral da Repar sobre a possibilidade do atentado.
A reportagem procurou a delegacia, mas não conseguiu retorno até o
fechamento desta edição.
Os sindicatos que representam
os trabalhadores esclareceram que o movimento é pacífico.
Cerca de 10 mil funcionários terceirizados das obras dos dois
parques industriais estão em greve há uma semana. Entre
as reivindicações estão piso salarial, cesta-básica
e crédito alimentação.
A Petrobras informou que ainda
não há um representante das empreiteiras que possa se manifestar
sobre o assunto. Hoje, acontece uma nova reunião de negociação
para discutir as reivindicações e tentar chegar a um acordo.
Andréa Bertoldi
Equipe da Folha
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Folha de S.Paulo, 14 de julho
de 2009
Foco
Trabalhadores demitidos na França
ameaçam explodir fábrica de peças
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Cerca de 360 trabalhadores demitidos
da fabricante de autopeças New Fabris, em Chatellerault, na França,
fechada em junho, ocuparam ontem a empresa e ameaçaram explodir
o local. Eles exigem das montadoras Renault e PSA Peugeot Citroën,
principais clientes da New Fabris, indenização de 30 mil
euros (US$ 42 mil) para cada um pela demissão.
O delegado da CGT (Confederação Geral do Trabalho), Guy Eyermann,
disse à emissora France Info que botijões de gás ligados
entre si serão explodidos se não houver acordo até o próximo
dia 31.
Segundo os trabalhadores, cilindros ligados com um cordão inflamável
foram instalados há cerca de dez dias na parte externa da fábrica.
" Se Renault e PSA se recusarem a nos dar a indenização, isso
poderá explodir", disse Eyermann.
Os trabalhadores foram demitidos após a liquidação judicial
da empresa, que esteve sob o controle do grupo italiano Zen por seis meses.
No próximo dia 20, eles devem reunir-se com o ministro da Indústria
do país.
Ainda ontem, porém, o risco foi descartado pela assessora do governo
local de Chatellerault (305 km a sudoeste de Paris), Anne Frackowiak. Ela afirmou
que o diretor da fábrica havia confirmado que os botijões estavam
vazios.
As montadoras Renault e PSA Peugeot Citroën disseram que não cabe
a elas o pagamento de eventual indenização, e sim aos acionistas
e à administração judicial.
O episódio em Chatellerault segue uma série de atos de violência
deflagrados na França desde o agravamento da crise global. Neste ano,
executivos de empresas como Sony, Caterpillar e Molex foram feitos reféns
na França por trabalhadores demitidos em razão da crise.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
14/07/2009
JT nega a empregados da Terracap equiparação
salarial sobre adiantamento
Um grupo de nove empregados da
Companhia Imobiliária de Brasília – Terracap – teve
seu recurso rejeitado pela Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho,
que seguiu voto da relatora, ministra Dora Maria da Costa. No recurso,
eles pretendiam obter direito à incorporação de
um adiantamento salarial concedido pela empresa, no percentual de noventa
por cento dos salários em vigor naquela época.
O adiantamento se deu por meio
de acordo coletivo de trabalho entre a companhia e a Associação
dos Servidores da Terracap - Aster -, em novembro de 1985, e seria feito
em parcelas sucessivas, entre março e agosto de 1986. O acordo
foi aprovado pelo governo do Distrito Federal e o adiantamento foi formalizando,
com o objetivo de minimizar os efeitos da defasagem constatada pela empresa
nos salários de seus empregados.
A Terracap, porém, não
cumpriu o que foi ajustado, e foi alvo de condenações judiciais
ao pagamento devido. Em fevereiro de 2003, a empresa incorporou o adiantamento
nos salários dos beneficiários dessas decisões transitadas
em julgado. Mas a incorporação beneficiou somente aqueles
que haviam ingressado com ação, o que gerou níveis
salariais distintos no âmbito da empresa para empregados ocupantes
do mesmo cargo.
Sob o argumento de contrariedade à isonomia,
o grupo de funcionários requereu a incorporação/integração
dos 90% aos seus salários, tal como procedido nos salários
de seus colegas, a partir de fevereiro de 2003. O pedido foi julgado
improcedente pela 19ª Vara do Trabalho de Brasília, e o entendimento
foi mantido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região
(DF/TO). O acórdão do TRT esclareceu que a distinção
de salários tinha origem em ação judicial que concedia
vantagem de caráter individual, pessoal, ao empregado. “A
situação seria diferente se a vantagem possuísse
caráter coletivo, mas este não é o caso. As ações
que obtiveram êxito foram ajuizadas no interesse particular de
cada trabalhador, criando direitos para estes e não para terceiros.” O
Regional concluiu que a decisão judicial faz lei apenas entre
as partes, e não pode ser estendida, em tese, a pessoas estranhas à relação
processual.
Ao recorrer ao TST, os empregados
alegaram que houve “tratamento discriminatório e anti-isonômico” da
empresa, e que a questão ia além da mera equiparação
salarial, violando os artigos 5º (que trata do princípio
da igualdade) e 7º da Constituição Federal, que garante
a isonomia. Para a ministra Dora Costa, a decisão do Regional
está de acordo com a jurisprudência do TST, e, para se chegar
a conclusão diversa, seria necessário o exame das provas
dos autos, o que é vedado nesta instância recursal pela
Súmula 126 do TST. O grupo ainda interpôs embargos declaratórios à decisão
da Oitava Turma, igualmente rejeitados. ( RR-200/2004-019-10-00.4 )
(Lourdes Côrtes)
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