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FOLHA DE LONDRINA, 16 de julho
de 2009 | Economia
País mostra reação
no emprego formal
Em junho foram criadas 136 mil vagas e semestre
deve somar 316 mil novos postos de trabalho
São Paulo - O mercado
de trabalho brasileiro no primeiro semestre deste ano deve contabilizar
a abertura de cerca de 316 mil novos postos. Segundo informou o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, foram criadas 136 mil vagas em junho,
no quinto mês consecutivo de recuperação, após
um período de aumento das demissões devido aos efeitos
da crise econômica.
''No mês passado tivemos
136 mil empregos de carteira assinada. Nos Estados Unidos foram quase
700 mil pessoas que ficaram desempregadas no mês de junho. Este
mês vamos crescer outra vez, e quando chegar o mês que vem,
para a desgraça de quem não quer que o Brasil dê certo,
a nossa economia vai crescer acima de 4% e a gente vai voltar a gerar
a quantidade de riqueza que este país precisa'', disse ontem,
em Maceió, Lula.
Os dados do Cadastro Geral de
Emprego (Caged) devem ser divulgados hoje. Caso se confirmem os dados
de junho, a geração de postos de trabalho nos primeiros
meses deste ano ficou abaixo do que esperava o ministro Carlos Lupi.
No mês passado, ele estimou fechar o semestre com 350 mil a 400
mil novos empregos.
Para tanto, em junho, o país
precisava criar cerca de 200 mil vagas formais, acima do patamar de 131
mil vagas abertas em maio - quando o acumulado do ano contabilizava resultado
positivo de 180.011 novas vagas.
Melhor resultado desde setembro
do ano passado (com 282,8 mil vagas), o saldo de maio representou a diferença
entre 1,348 milhão de contratações e 1,217 milhão
de demissões no período. Pela primeira vez no ano, houve
aumento do emprego em todos os setores e todas as regiões do país.
A previsão de Lupi aponta
para a geração de mais de 1 milhão de novos empregos
com carteira (contra 1,4 milhão em 2008) e de que a economia irá crescer
mais de 2%.
Folhapress
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O ESTADO DO PARANÁ,
16 de julho de 2009 | Economia
Indústria paulista fechou 54.500
vagas no 1º semestre
Agência Estado
O nível de emprego na indústria paulista caiu 0,42% em junho,
na comparação com maio, no cálculo com ajuste sazonal.
Esse foi o nono mês consecutivo de queda, segundo dados divulgados hoje
pela Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp).
No resultado sem ajuste sazonal,
o recuo foi de 0,36% em junho, também na comparação
com maio. No mês passado, 8 mil postos de trabalho foram fechados.
Ambas as quedas (de 0,42% e 0,36%) são os piores resultados para
o mês de junho desde o início da série histórica
da Fiesp, em 2006.
No primeiro semestre, o emprego
na indústria paulista acumulou queda de 2,41% em relação
ao primeiro semestre de 2008, com o fechamento de 54.500 vagas. É a
primeira vez na série histórica que o nível de emprego
acumula queda nos primeiros seis meses do ano. Na comparação
com junho de 2008, o indicador de emprego diminuiu 7,95%, registrando
o fechamento de 191 mil vagas. Também neste caso, é a primeira
vez desde o início da série que se registra queda.
Dos 22 setores monitorados pela
Fiesp, 14 demitiram e oito contrataram trabalhadores em junho. Os que
mais contrataram foram os setores de bebidas (328 trabalhadores), impressão
e reprodução de gravações (372) e produtos
de borracha e material plástico (787). Já os que mais demitiram
foram os setores de metalurgia (1.128 trabalhadores), produtos de metal
(2.289) e fabricação de coque, derivados de petróleo
e biocombustíveis (827).
Já a confiança
dos empresários da indústria paulista melhorou na primeira
quinzena de julho, segundo a Fiesp. O Sensor subiu a 54,6 pontos ante
52,4 pontos na segunda quinzena de junho. É o melhor resultado
do índice desde setembro, quando estava em 54,8 pontos(até outubro
do ano passado, a Fiesp contabilizava o índice por mês e
não por quinzena, processo iniciado em novembro).
No caso do Sensor, resultados
em torno de 50 pontos indicam estabilidade; acima, otimismo; abaixo,
pessimismo. Apenas um item, estoque, permanece no terreno negativo,
com 41,4 pontos ante 40,6 pontos na quinzena anterior.
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O ESTADO DO PARANÁ,
16 de julho de 2009 | Economia
Para Fiesp, emprego tem o pior semestre
'em décadas'
Agência Estado
A crise financeira internacional teve impacto pesado na indústria paulista,
que registrou o pior semestre de sua história em termos de geração
de empregos. Dados da Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (Fiesp) mostram que o saldo de postos de trabalho nos seis
primeiros meses do ano caiu 2,41% na comparação com o mesmo período
de 2008, com o fechamento de 54,5 mil vagas. Foi a primeira vez na nova série
histórica, iniciada em julho de 2005, que o setor registrou queda no
nível de emprego no primeiro semestre. Desde outubro do ano passado,
mês em que a crise começou a afetar a indústria paulista,
206 mil empregos já foram perdidos.
"Certamente é o pior
semestre em décadas, mas isso não nos surpreende",
disse o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos
da Fiesp, Paulo Francini. Não fosse a indústria sucroalcooleira,
o resultado seria ainda mais fraco. O setor acumula 55.668 empregos gerados
de janeiro a junho, enquanto todos os demais segmentos indústria
do Estado registram 110.168 demissões no mesmo período.
Até mesmo o mês
de junho, que costuma ter contratações, apresentou queda
na comparação com maio. Foram 8 mil demissões, diminuição
de 0,36% no cálculo sem ajuste sazonal. No resultado com ajuste
sazonal, a redução foi de 0,42% e ocorreu pelo nono mês
consecutivo.
Embora a Fiesp endosse a tese
de que os efeitos mais negativos da crise já ficaram para trás,
alguns dos setores mais afetados continuam a demitir trabalhadores. É o
caso de produtos de metal, o recordista de junho, que dispensou 2.289
empregados no mês, veículos automotores, que inclui autopeças
e demitiu 1.641, e metalurgia, que dispensou 1.128. Segundo Francini,
são setores que ainda estão fazendo ajustes em razão
da redução da demanda interna e externa. "As medidas
tributárias do governo deram resultado, é claro. Não
se sabe o quanto perderíamos em empregos se não fossem
essas medidas", afirmou.
Apesar do resultado fraco no
semestre, a Fiesp prevê que o emprego deve fechar com estabilidade
no mês de julho. Para o segundo semestre, a entidade acredita que
deve haver saldo positivo - desde que a indústria sucroalcooleira
seja excluída do cálculo, uma vez que os últimos
três meses do ano são marcados pelo fim da safra e demissões
em massa no setor. "O segundo semestre será melhor que o
primeiro", reiterou Francini. É o que mostra o Sensor, indicador
que mede a confiança dos industriais e subiu para 54,6 pontos
na primeira quinzena de julho. O item emprego está com 52,1 pontos
e confirma a tendência.
Segundo ele, parte das medidas
do governo para conter a crise, principalmente as relacionadas ao crédito,
ainda não foi sentida, como a redução da Taxa de
Juros de Longo Prazo (TJLP) e a queda da Selic. Outras ainda estão
em fase de implementação, como o fundo de aval e o fundo
garantidor. "Isso tudo pode trazer uma reativação
dos investimentos e o restabelecimento do crédito para pequenas
e médias empresas, com consequências positivas para o emprego",
afirmou Francini.
Como exemplo, o executivo ressaltou
que Selic média do primeiro semestre foi de 12,5% ao ano, quatro
pontos porcentuais acima dos 8,5% previstos pela Fiesp para a segunda
metade do ano. Os setores industriais que devem puxar os empregos para
cima até o final deste ano são os mais ligados ao mercado
doméstico, como veículos, confecções, calçados,
alimentos e bebidas.
Francini destacou, porém,
que dificilmente o nível de emprego voltará ao patamar
registrado antes da crise. "A tendência é de redução
nos empregos da indústria no mundo todo, mesmo que se recupere
o nível de atividade pré-crise. Uma das consequências
dessa crise é o ganho de produtividade das companhias, ou seja,
menos empregos", ponderou.
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O ESTADO DO PARANÁ,
16 de julho de 2009 | Economia
Em 10 anos, País pode ser a
5.ª maior economia
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, em reunião
com executivos da General Motors (GM) do Brasil, que se o País mantiver
seu ritmo de crescimento chegará em 10 anos ao posto de quinta maior
economia do mundo. "Se a gente continuar nesse ritmo eu não tenho
dúvidas de que nos próximos 10 anos o Brasil será a quinta
maior economia do mundo", disse o presidente. A reunião de Lula
com a GM foi fechada para a imprensa, mas o áudio do discurso do presidente
foi disponibilizado no site da Presidência da República.
Lula ponderou que o Brasil ainda
não superou totalmente a crise. "Não vamos ser ufanistas
e achar que resolvemos tudo. O crédito ainda tem pendências
e o spread ainda está alto." Lula também ressaltou
o papel dos bancos públicos brasileiros como instrumento de fomento
do crédito nos momentos mais agudos da crise, quando o crédito
nas entidades internacionais secou. "Ficou provado que banco público
não é ruim, como alguns diziam, é que se bem gerenciado é uma
obra-prima na hora em que falta dinheiro no mercado", disse. Para
Lula, o fato de o Brasil ter bancos públicos sólidos, como
o BNDES, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, foi uma
vantagem comparativa do País durante a crise, somado ainda à situação
saudável dos bancos privados nacionais, que não estavam
envolvidos com o crédito de risco "subprime".
Lula disse que, em conversa que
teve com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse a ele que
o problema dos EUA é que o país não tinha um sistema
financeiro sólido "com alguns bancos públicos importantes".
Para Lula, a crise no fim do ano passado foi gerada em parte por certo
temor na sociedade. Segundo ele, a falta de crédito no mercado
foi tão grave que até a Petrobras teve de recorrer a bancos
públicos para ter crédito, disputando espaço com
pequenas e médias empresas que têm preferência nessas
instituições.
No discurso a executivos da GM
do Brasil, o presidente Lula disse que "é incomensurável
o orgulho de ser brasileiro em um momento em que percebemos que as empresas
no Brasil estão melhores do que suas matrizes nos países
desenvolvidos". A GM brasileira anunciou hoje investimentos de R$
2 bilhões na fábrica de Gravataí (RS). A matriz
norte-americana, por sua vez, concluiu recentemente um complexo programa
de reestruturação.
Lula afirmou que tanto Obama,
quanto o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em conversas com
ele, ficaram "boquiabertos" com os resultados da indústria
automotiva brasileira. Lula citou dados do setor e disse que a expectativa
de vendas de automóveis no mercado doméstico este ano é de
aproximadamente 2,7 milhões de unidades, o que representa um crescimento
de 4,2% em relação ao ano passado. "Quando uma empresa
anuncia uma crise, começa a mandar trabalhadores embora, mas depois
de três meses começa a convocar hora extra significa que
ela está acreditando no futuro e que foi precipitada no mês
de dezembro", afirmou, arrancando risadas da plateia, formada principalmente
por executivos da montadora.
Lula também fez brincadeiras
ao afirmar que o carro continua sendo "depois da mulher, ou depois
do homem, a paixão do ser humano". Ao recordar das medidas
tomadas pelo governo para estimular a venda de automóveis, como
a redução do IPI, ele lembrou que o governo também
desonerou produtos eletrodomésticos da linha branca, como a máquina
de lavar. "E as vendas da máquina de lavar cresceram 30%.
E por quê? Porque a máquina de lavar é um dos itens
da independência da mulher e é um dos jeitos que se têm
de fazer os homens lavar roupa. É só pegar a roupa e jogar
na máquina", afirmou o presidente, arrancando mais gargalhadas
dos empresários.
Lula também fez
um apelo para que as empresas apostem em mercados como o do continente
africano. Ele lembra que os EUA não deverão voltar a
consumir como antes. "O Obama me disse que os EUA não devem
voltar a ter o consumo que tinham porque o povo está muito endividado".
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O ESTADO DO PARANÁ,
16 de julho de 2009 | Economia
Meirelles destaca PIB de até 5%
em 2010
Agência Estado
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, apresentou hoje, durante
reunião ministerial realizada na Granja do Torto, em Brasília,
projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro
em 2010 de até 5%. A informação foi divulgada pelo ministro
das Relações Institucionais, José Múcio, que fez
um resumo à imprensa da primeira parte do encontro.
De acordo com ele, as projeções
apresentadas pelo presidente do BC vão de 2,5% a 5%, com teto
previsto por "um escritório americano". Múcio
relatou também que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, traçou
o atual cenário econômico, que tem a crise financeira internacional
como pano de fundo, e, segundo Múcio, "os dados são
confortáveis". O ministro das Relações Institucionais
citou que o crescimento do PIB brasileiro este ano ficará acima
da média mundial, que há a geração de postos
de trabalho e que a indústria já voltou a contratar.
Na primeira parte da reunião,
o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, ressaltou o desempenho
das exportações brasileiras no primeiro semestre, com destaque
para os países da Ásia, que passaram a ser grandes compradores
dos produtos brasileiros. "Os números do primeiro semestre
estão melhores do que os de 2008", constatou Múcio
com base na explanação de Stephanes.
Com relação a notícias
de que a secretária da Receita Federal, Lina Vieira, teria sido
demitida pelo ministro Guido Mantega, Múcio não confirmou
a informação e disse que esse é um assunto do Ministério
da Fazenda e, portanto, não foi tratado na reunião ministerial.
Ação anticíclica
Mantega fez uma apresentação
em que ressaltou que o governo tem feito uma política anticíclica
de combate à crise internacional com responsabilidade fiscal.
No documento da apresentação na reunião divulgado
pelo ministério, Mantega destaca que a dívida pública
está controlada.
Na apresentação,
Mantega classificou a política fiscal adotada de "ativa" e
destacou a expansão dos investimentos do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) e dos programas sociais. O ministro também
de ressaltou o programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida" e
as desonerações tributárias para estimular o crescimento
econômico. Mantega afirmou que houve aumento nas vendas de geladeiras
(26%), fogões (5%), máquina de lavar (30%) e material de
construção (10%). Também ressaltou a melhora da
produção industrial e a redução do custo
financeiro, como a queda da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 6,25%
para 6% ao ano.
Em balanço das medidas
adotadas até agora para enfrentar a crise, Mantega afirmou que
o crédito foi restabelecido em parte, mas juros e spread ainda
estão altos. O mercado interno, segundo ele, mantém a demanda
com a recuperação do nível de emprego na maioria
dos setores. Para o ministro, também tem havido recomposição
da confiança. Ele avaliou, na reunião, que o ciclo de ajuste
de estoques da indústria completou-se e previu que o setor deve
voltar a crescer no segundo semestre. Para Mantega, as medidas adotadas
no Brasil foram mais eficientes do que na maioria dos países.
Ele previu crescimento do PIB do Brasil de 4,5% em 2010 e de 5% em 2011.
O ministro ressaltou na reunião
que o País deve aproveitar a crise como oportunidade: "sair
na frente, ocupar mercados e comprar empresas no exterior". Durante
a apresentação, o ministro avaliou que os bancos públicos
sustentaram o crescimento do crédito após a crise. Segundo
ele, desde o agravamento da crise em setembro de 2008, as operações
de crédito dos bancos públicos cresceram 19,5%, enquanto
as operações dos bancos privados tiveram aumento de apenas
2,5%. A participação dos bancos públicos no total
do crédito livre, nos dados apresentados por Mantega, atingiu
37,7%, crescimento de 3,5 pontos porcentuais desde setembro.
Ele também destacou
que as reservas internacionais mantêm-se elevadas, em US$ 208,8
bilhões (posição do dia 3 de julho). Segundo ele,
também houve redução dos depósitos compulsórios
dos bancos em R$ 100 bilhões, queda dos juros básicos
e repasse de R$ 100 bilhões do Tesouro ao Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para ele, a crise
colocou à prova a economia do País, que passou pelo teste
de estresse. Ele afirma que crise "amainou mais não acabou".
Na sua avaliação tem havido maior confiança nos
EUA, mas mercados continuam fracos e o desemprego oscila.
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Gazeta do Povo, 16 de julho
de 2009
Estímulo
Empresas terão linha com juros de
4,5% para comprar máquinas
BRDE corta taxa em crédito para aquisição
de bens de capital e espera contratação de R$ 2 bilhões
em 2009
Pequenas, médias e microempresas
terão acesso a juros mais baratos para a compra de máquinas
e equipamentos. O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE)
anunciou a redução de juros de 11% para 4,5% ao ano para
a aquisição de bens de capital com recursos do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O objetivo é dar
fôlego para o investimento por parte das empresas e estimular o
crescimento econômico em 2010.
Além de juros menores,
os empresários terão o dobro do prazo para pagar o financiamento – até 120
meses – incluindo até dois anos de carência. Os juros
para a compra de veículos, como caminhões, também
caíram, de 11,25% para 7% ao ano.
A medida é uma das armas
do governo para estimular dois setores que foram fortemente afetados
pela crise. O de bens de capital sentiu o freio nos investimentos, já que
muitas empresas de grande porte engavetaram projetos de ampliação
de produção. O setor de caminhões, que já foi
beneficiado pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI), por sua vez, sofreu com a redução da atividade econômica
e o consequente movimento menor no transporte de mercadorias.
Segundo Rosicler Roeder Voos,
gerente de planejamento da agência do BRDE em Curitiba, a instituição – que
atua nos três estados do Sul e mais o Mato Grosso do Sul – deve
fechar o ano com cerca de R$ 2 bilhões em contratações.
A procura por financiamentos no BRDE surpreendeu no primeiro semestre,
impulsionada também pela busca, por parte dos empresários,
de taxas mais baixas do que as dos bancos privados. Somente no Paraná foram
R$ 652 milhões em contratações, contra R$ 629 milhões
em todo o ano passado. “As empresas, apesar da crise econômica,
continuam a investir”, afirma.
Ampliação
É o caso do empresário
Agostinho Blasius, dono da Massa Fina Alimentos, de Colombo, na região
metropolitana de Curitiba. A sua empresa aguarda a aprovação
no BRDE de um pedido de empréstimo de R$ 100 mil, que serão
usados para a compra de equipamentos e como capital de giro. Com uma
produção de 10 mil salgados congelados por dia, a Massa
Fina deve ampliar em 20% a produção com a compra de mais
duas máquinas.
“Uma delas vai possibilitar
a produção própria de pães de queijo, que
hoje é terceirizada”, conta. A fábrica, que ocupava
200 metros quadrados, acabou de ganhar novas instalações,
com mil metros quadrados, neste mês. “A obra atrasou e acabou
saindo o dobro do valor inicialmente orçado, o que fez com que
tivéssemos que apelar para o cheque especial. A redução
dos juros para compra de máquinas veio em boa hora”, diz.
Quem já está com
o pedido de empréstimo sob análise da instituição,
como o dono da Massa Fina, poderá se beneficiar da nova taxa de
juros. Segundo Rosicler, o corte foi possível, dentre outros fatores,
porque o BNDES retirou a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) do índice
de correção, o que fazia com que a taxa chegasse a 11%
ao ano.
“O BNDES vem fazendo essa
redução em algumas linhas desde 2007 para estimular setores
específicos e e essa medida de agora promete aumentar bastante
a demanda para esse tipo de produto”, diz ela, sem, no entanto,
falar em expectativa de volumes. Nessa linha, os financiamentos são
a partir de R$ 50 mil e, de acordo com Rosicler, não há limite
para repasses. O prazo de contratação vai até 31
de dezembro.
Na prática
Custo baixo facilita acesso de empresas
Adriano Ribeiro, especial para a Gazeta do
Povo
As altas taxas de juros ainda
são o principal entrave ao investimento na opinião das
empresas. Luiz Carlos de Souza, que é presidente da curitibana
Autosiste, fabricante de visores de chamas e que fornece para a Petrobras,
diz que neste mês já aplicou R$ 100 mil em novos equipamentos.
Mas grande parte desse dinheiro teve de sair do seu próprio bolso
por causa do custo do crédito.
“Esses recursos poderiam
ser usados para outros fins, como a compra de matéria-prima para
o meu negócio”, acrescenta. Segundo ele, a maioria das linhas
de crédito vem de bancos privados que cobram juros elevados, o
que torna arriscado o investimento. Souza quer começar a exportar
os produtos e pretende investir mais R$ 700 mil na modernização
de equipamentos e na aquisição de uma sede própria.
Na opinião dele, a redução
da taxa de juros de 11% para 4,5% ao ano para compra de máquinas
e equipamentos, em linhas de recursos do BNDES repassados pelo BRDE,
vai incentivar a expansão das micro e pequenas empresas. “A
taxa ficou muito boa para os empresários. Não estamos acostumados
com porcentuais tão baixos como esse”, afirma.

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Folha de S.Paulo, 16 de julho
de 2009
Sindicatos tentam asfixiar regime golpista
Movimentos pró-Zelaya prometem fechar
fronteiras de Honduras para aumentar pressão econômica
sobre governo interino | Na Nicarágua, presidente deposto
tem recebido auxílio de chanceler de Chávez no planejamento
de seus próximos passos
Moises Castillo/Associated Press

O presidente hondurenho, Manuel Zelaya (de chapéu), é recebido
na Guatemala pelo colega Álvaro Colom; vizinhos respondem por 17% das
importações de Honduras
FABIANO MAISONNAVE
ENVIADO ESPECIAL A MANÁGUA (NICARÁGUA)
Sem ver avanços nas negociações
intermediadas pela Costa Rica, o presidente deposto de Honduras, Manuel
Zelaya, parece apostar agora na pressão econômica dos países
vizinhos para voltar ao poder.
Sindicatos e outros grupos de esquerda dentro de Honduras anunciaram o bloqueio
de vias de acesso ao país por 48 horas a partir de hoje. O país
faz fronteira com Guatemala, El Salvador e Nicarágua, os dois últimos
governados por presidentes de esquerda.
" Fecharemos as vias de acesso para El Salvador e Nicarágua; com
a Guatemala não houve comunicação", disse ontem à Folha
Israel Salinas, secretário-geral da Confederação Unitária
de Trabalhadores de Honduras (CUTH). "Também haverá ocupações
nas cidades de Tegucigalpa, San Pedro Sula e La Ceiba, entre outras."
Salinas, integrante da comitiva que acompanhou Zelaya à Costa Rica na
semana passada, disse que o fechamento temporário das fronteiras será feito
em coordenação com organizações sociais salvadorenhas
e nicaraguenses.
Em Manágua, começou ontem um congresso de movimentos sociais
da região para discutir, entre outros temas, o fechamento permanente
das fronteiras com Honduras.
Zelaya passou os últimos três dias na Guatemala e na Nicarágua,
país governado pelo aliado Daniel Ortega. Em Manágua, o presidente
deposto montou seu escritório num hotel ao lado do aeroporto internacional.
Nos últimos dois dias, teve a companhia do chanceler venezuelano, Nicolás
Maduro, e de outros funcionários de Hugo Chávez. A estreita ligação
de Zelaya com Chávez foi um dos estopins para o golpe de Estado que
o derrubou no dia 28.
Até ontem, não havia sido confirmada a segunda rodada de negociações
entre representantes de Zelaya e Micheletti para este sábado, como quer
o mediador das negociações, o presidente costa-riquenho, Óscar
Arias. Na segunda, Zelaya afirmou que, se não houver um acordo para
a sua reintegração nesta semana, ele abandonará as negociações.
Apesar da intensa pressão diplomática internacional, Honduras
até agora não vem tendo problemas de desabastecimento. Mesmo
nos dias mais tensos, o comércio abriu as portas. Apesar dos rumores
de que poderia haver falta de combustível, os postos vêm funcionando
normalmente.
As fronteiras de Honduras são bastante povoadas e têm um tráfego
intenso de pessoas e de produtos. Vinte e dois por cento das importações
do país e 17% de suas exportações são feitas com
os vizinhos.
Ontem, Micheletti admitiu a possibilidade de renunciar ao seu cargo como solução
para a crise, mas apenas se isso não significar a volta de Zelaya ao
poder. "Para que haja paz e tranquilidade no país, sem o retorno,
que fique bem claro, sem o retorno do ex-presidente Zelaya, estou disposto
a fazê-lo [renunciar]", disse.
Números de uma pesquisa Gallup, divulgada ontem pela Associated Press,
mostram que Zelaya é mais popular no país do que Micheletti.
Segundo o levantamento, 46% apoiam o presidente deposto, contra 30% para o
interino.
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O GLOBO, 16 de julho de 2009
| Economia
Trabalhadores da construção
civil da África do Sul concordam em terminar com greve
Reuters
JOHANESBURGO - Operários
da construção civil da África do Sul concordaram
em terminar a greve que interrompeu os trabalhos em estádios para
a Copa do Mundo de 2010, informou nesta quarta-feira o principal sindicato
envolvido no movimento.
- Temos um acordo, que
será assinado nesta quarta-feira. A greve será cancelada
imediatamente após a assinatura e os operários deverão
voltar ao trabalho na quinta - disse Thamsanqa Matosa, vice-presidente
do Sindicato Nacional de Trabalhadores em Minas, que inclui os operários
da construção civil.
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Força Sindical, 16 de
julho de 2009
Sindicato reage à ação
do MPT contra cobrança das taxas assistencial e sindical
Agência DIAP
" (...) limitar as atribuições
do Ministério Público do Trabalho em relação
aos sindicatos para que não volte a mesma prática do Ministério
do Trabalho, na época do regime de exceção, que
praticava intervenção nos sindicatos"
O Sindicato dos Frentistas de
Osasco reagiu contra a ação do Ministério Público
do Trabalho (MTP), que sistematicamente tem atuado para impedir os sindicatos
de cobrar as contribuições assistencial e sindical.
O sindicato entrou com ação
na Justiça contra o Ministério Público do Trabalho
para anular o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) feito entre o presidente
da entidade e o Ministério Público do Trabalho.
Esta anulação foi
baseada no resultado da assembléia da categoria que foi contra
a assinatura do TAC.
O advogado Marcio Pucu explicou
que o Ministério Público chamou o presidente do sindicato,
João Guimarães Farias, e comunicou que ele não poderia
cobrar as contribuições assistencial e sindical e mandou
que ele assinasse o TAC.
"Ele assinou o TAC sem a
autorização da assembléia de trabalhadores e o Ministério
Público não observou este formalismo, que é necessário.
Se prevalecesse este TAC o sindicato deixaria de existir por completa
falta de recursos e os trabalhadores não teriam seus representantes
legais", disse Pucu.
O Sindicato dos Frentistas entrou
com ação na 3ª Vara do Trabalho de Osasco e a juíza
Sandra dos Santos Brasil resolveu extinguir o processo, sem analisar
o mérito.
Mérito
Entretanto, o Sindicato recorreu ao TRT/SP (Tribunal Regional do Trabalho),
da 2ª Região, para uma nova apreciação da questão.
O recurso ordinário já está tramitando
na 2ª instância aguardando inclusão pauta para julgamento,
ou seja, para ser apreciado o mérito.
"A questão",
declarou Pucu, "é limitar as atribuições do
Ministério Público do Trabalho em relação
aos sindicatos para que não volte a mesma prática do Ministério
do Trabalho, na época do regime de exceção, que
praticava intervenção nos sindicatos".
João Carlos Gonçalves
(Juruna), secretário-geral da Força Sindical, destacou
que a ação do sindicato contra o Ministério Público
mostra que é possível reagir contra o autoritarismo.
"Os sindicatos devem ficar
atentos porque qualquer assinatura do TAC prescinde de autorização
da assembleia de trabalhadores. Alguns integrantes do Ministério
Público do Trabalho perderam o foco de sua atuação
quando se voltam contra os sindicatos em vez de atuar com as entidades
sindicais para combater o trabalho precário que ainda existe no
País", observou Juruna.
Representação
da categoria
O presidente da Federação dos Frentistas do estado de São
Paulo, Luis Arraes, observou que o sindicato não representa apenas os
sócios, mas toda a categoria e negocia a convenção coletiva
para todos os trabalhadores.
"Existem pareceres dos ministros
Sepúlveda Pertence e Marco Aurélio, entre outros, argumentando
que se o trabalhador que recebe os benefícios não quer
que sejam descontadas as contribuições, na verdade, só quer
ganhar sem espírito associativo, ou seja, apenas usufrui sem participar
da luta reivindicatória de melhores salários e direitos
sociais e, pior, goza dos benefícios, cujos custos foram pagos
pelos seus companheiros", afirmou Arraes.
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PB Agora, 16 de julho de
2009
Justiça do Trabalho manda
Unibanco pagar indenização de R$ 1 mi
Agência DIAP
O juiz do Trabalho, Carlos Hindemburg de Figueiredo, da 9ª Vara do Trabalho
de João Pessoa, condenou o Unibanco a um ex-empregado seu indenização
por danos morais no custo de um milhão de reais.
O caso em análise versava
sobre assédio moral decorrente de excessiva jornada, o que teria
causado esgotamento físico e mental no bancário que, ao
final, postulou o reconhecimento da rescisão indireta do seu contrato
de trabalho em reclamação trabalhista anterior.
O autor da ação
postulou, além da indenização pela inobservância às
normas de limitação de jornada, o reconhecimento da responsabilidade
civil do seu ex-empregador pela inclusão do seu nome em "lista
negra", dificultando-lhe a obtenção de novo posto
de trabalho.
Em sua decisão, o Juiz
Carlos Hindemburg explicou que o assédio moral é "também
conhecido como mobbing (nos países de língua escandinava
e de língua germânica) e bullying (nos países de
língua inglesa)", caracterizando-se como "comportamento
reprovável que, como dito, gera penosas conseqüências à vítima.
A doutrina que lida com o tema é categórica
ao destacar os efeitos que podem decorrer do assédio moral: O/A
trabalhador/a humilhado/a ou constrangido/a passa a vivenciar depressão,
angústia, distúrbios do sono, conflitos internos e sentimentos
confusos que reafirmam o sentimento de fracasso e inutilidade".
Na oportunidade, o magistrado
ressaltou ainda que "as consequências do assédio moral
não se restringem apenas ao âmbito individual da vítima.
Espalha-se pela esfera que inclui aqueles que com ela (vítima)
convivem mais intimamente, gerando potencial desgaste, alimentado de
moto próprio".
Em seu julgado, rejeitou a tese
de que o pagamento de horas extras eliminaria o dano imposto pela excessiva
jornada laboral, na medida em que "As conseqüências jurídicas
decorrentes de um fato de origem comum são diversas, possibilitando
o requerimento de títulos diversos".
O Juiz constatou, segundo a prova
dos autos, inclusive documento de avaliação de médico
vinculado ao banco, que o reclamante chegou quase a ter esgotamento físico/mental,
também conhecido como síndrome de burn out.
"É dever do empregador
proporcionar ao empregado um meio ambiente laboral sadio, o que inclui
a obrigação de não violar o direito à saúde
do trabalhador".
De acordo com o juiz Carlos Hindemburg,
casos de indenização por danos morais não são
novidades no Poder Judiciário Trabalhista.
No entanto, a decisão
traz um certo grau de ineditismo na medida em que aprecia e defere pedido
de indenização que envolve violação do direito
fundamental ao lazer (Constituição Federal, artigo 6º),
matéria rara de ser vista no âmbito da Justiça do
Trabalho.
Em sua conclusão, o magistrado
levou em conta elementos como a permanência temporal do sofrimento,
a extensão do fato lamentado, a gravidade do ato doloso e a situação
econômica do ofensor, salientando ainda o caráter pedagógico
da pena para fixar a indenização por danos morais em um
milhão de reais, distribuídos da seguinte forma:
1) R$ 400 mil decorrentes do
assédio moral sofrido;
2) R$ 400 mil decorrentes da
obstaculação ao emprego, e
3) R$ 200 mil decorrentes da
violação ao direito fundamental ao lazer.
À decisão cabe
recurso.
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NCST, 16 de julho de 2009
Terceirização não
se confunde com contrato de facção
A 5ª Turma do TRT-MG descaracterizou
um contrato de facção celebrado entre três empresas,
que foram, todas, responsabilizadas solidariamente pelas verbas trabalhistas
devidas ao reclamante. Isso porque ficou comprovado que a primeira reclamada
era, na verdade, uma extensão das duas tomadoras do serviço.
Em seu voto, o relator do recurso,
juiz convocado Rogério Valle Ferreira, ensinou: “Entende-se
por contrato de facção aquele contrato de natureza civil,
em que a indústria contrata empresa para o fornecimento de produtos
prontos e acabados, sem qualquer ingerência na produção,
não tendo como objetivo, portanto, o fornecimento de mão-de-obra
mediante a intermediação de empresa prestadora de serviços”.
No caso, a reclamante, que é costureira,
foi contratada pela primeira ré para prestar serviços para
a segunda e terceira reclamadas, desempenhando funções
diretamente ligadas à atividade-fim destas. Os depoimentos dos
prepostos das empresas confirmaram que as tomadoras de serviço
enviavam os tecidos já cortados para que a primeira reclamada
os costurasse, com prazo determinado para entrega. A alegação
de existência de um contrato de facção entre a segunda
e a terceira reclamadas foi rejeitada pelo relator, por considerar ele
que esse tipo de contrato não se aplica ao caso. No entender do
juiz, o que ocorreu foi o fornecimento de mão-de-obra, com intermediação
de empresa prestadora de serviços.
Na análise dos fatos,
o relator entendeu que ficou evidenciada a terceirização
de atividade-fim, o que é expressamente vedado pela ordem jurídica,
na medida em que a celebração de contratos de prestação
de serviços entre os reclamados objetivou burlar a legislação
trabalhista e obter mão-de-obra barata. Assim, foi mantida a responsabilidade
solidária imposta às tomadoras do serviço pela quitação
do acordo celebrado com a primeira reclamada, que não pagou as
verbas devidas à reclamante.
(RO
nº 01702-2008-075-03-00-2)
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
16/07/2009
Direito a horas in itinere não alcança
petroleiros
A jurisprudência do Tribunal
Superior do Trabalho segundo a qual o tempo despendido pelo empregado,
em condução fornecida pelo empregador, até o local
de trabalho de difícil acesso ou não servido por transporte
público regular é computável na jornada de trabalho
(Súmula 90) não se aplica aos trabalhadores regidos pela
Lei nº 5.811/72, que regulamenta o trabalho nas atividades de exploração,
perfuração, produção e refinação
de petróleo, industrialização do xisto, indústria
petroquímica e transporte de petróleo e seus derivados
por meio de dutos. Isso porque a lei atribuiu a esses profissionais vantagens
próprias decorrentes das condições específicas
de trabalho, como o repouso de 24 horas após o trabalho em turnos
de 12 horas. Além disso, o fornecimento gratuito do transporte
para o local de trabalho é obrigação legal da empresa,
o que torna sem importância o fato de o trabalhador, regido pela
lei, trabalhar ou não em plataforma de petróleo (local
de difícil acesso): mesmo que o local seja de fácil acesso,
ainda assim a empresa é obrigada a fornecer o transporte.
Com base neste entendimento,
a Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em voto relatado pela
ministra Dora Maria da Costa, acolheu parcialmente recurso da empresa
Braskem S/A (atual controladora da Ipiranga Petroquímica S/A),
com atuação no Pólo Petroquímico do Sul,
no município de Triunfo (RS), contra decisão regional que
havia garantido o direito a horas de percurso (ou horas in itinere) a
um ex-empregado da Ipiranga, que trabalhava em turnos ininterruptos de
revezamento, quando sua jornada se iniciava e terminava à meia-noite.
O trabalhador pediu o pagamento do tempo destinado para o deslocamento
porque, nesse horário, tanto na entrada como na saída,
não havia transporte coletivo regular.
O Tribunal Regional do Trabalho
da 4ª Região (RS) acolheu o pedido por considerar que a obrigatoriedade
patronal de fornecer o transporte não afasta a discussão
acerca da natureza das horas em que o trabalhador é transportado
quando não existe transporte público disponível.
No recurso ao TST, a defesa da Braskem alegou que o trabalhador não
faz jus às horas in itinere, seja em razão da incompatibilidade
de horários ou insuficiência de transporte, seja porque é regido
pela Lei 5.811/72. A ministra Dora Costa acolheu o recurso da empresa
neste particular.
“A jurisprudência
do TST firma-se no sentido de não reconhecer o direito a horas
itinerantes para tais trabalhadores, pois, se o fornecimento gratuito
do transporte para o local de trabalho decorre de imposição
legal, cessa a importância que se dá ao fato de o trabalhador,
regido pela referida lei, se ativar ou não em plataforma de petróleo,
supostamente de difícil acesso. Nesse contexto, é impertinente
a Súmula 90 do TST”, afirmou Dora Costa em seu voto. A decisão
foi unânime. ( RR 132.358/2004-900-04-00.5)
(Virginia Pardal)
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16/07/2009
Engenheiro argentino tem direito à jurisdição
brasileira
Se o trabalhador estrangeiro
prestou serviços em território brasileiro, não há porque
negar-se a jurisdição nacional. Esse entendimento foi definido
pela Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho ao aceitar recurso
de empregado argentino que trabalhou a grupo econômico Macri.
O empregado foi admitido pelo grupo em 15/11/1978 como encarregado, e ficou
subordinado a cinco empresas até sua despedida, em 30/09/2001. O grupo é composto
de empresas da área de engenharia de telecomunicações
com filiais no Brasil. O engenheiro realizava análise de projetos de
telefonia nos países do Mercosul. Nas segundas e sextas-feiras, ele
ficava na Argentina, e o restante dos dias no Brasil. Após sua dispensa,
ingressou com ação trabalhista na 9ª Vara do Trabalho de
Curitiba (PR) - local de uma das sedes das empresas do grupo -, buscando a
declaração de vínculo empregatício e direitos decorrentes,
como férias, aviso prévio e complementações salariais.
Na primeira instância, as empresas alegaram a incompetência da
Justiça do Trabalho brasileira para julgar a ação, sustentando,
entre outras questões, que o engenheiro nunca havia residido no Brasil,
e que o contrato de trabalho fora firmado e rescindido na Argentina. O juiz
considerou a Justiça argentina mais apta a julgar o caso.
Insatisfeito com a decisão,
o engenheiro recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região
(PR) buscando a reforma do julgado. O Regional manteve a sentença,
observando que qualquer decisão dependeria de julgamento sobre
as verbas integrantes do salário no período em que atuara
também na Argentina. “Isto porque a vida profissional do
autor não foi desenvolvida do Brasil (ainda que neste trabalhasse
alguns dias da semana), não era aqui o ‘seu habitat’,
seu ‘meio social’, aquele ‘em que o trabalhador está situado
e ao qual se liga pelos laços da coexistência’, não
servindo a instrução e julgamento da demanda neste país
para ‘simplificar o esclarecimento dos fatos’ que fundamentam
a demanda”, acrescenta o acórdão.
No TST, o recurso de revista
do autor teve diferente interpretação. O relator, ministro
Alberto Bresciani, destacou a possibilidade de exercício da jurisdição
pelas regras brasileiras, ainda que o caso envolvesse pretensões
que se prendem ao direito interno argentino. “O preceito do artigo
651 da CLT – que define a competência das Varas do Trabalho
pela localidade onde o empregado presta serviço ao empregador,
ainda que tenha sido contratado noutro local ou no estrangeiro -, ao
aludir ao contato do pacto laboral com ambiente estrangeiro, lança
sua influência para a competência interna e internacional,
consagrando o critério definidor do lugar da prestação
de serviços (lex loci executionis). Para o período em que
houve simultaneidade na prestação de serviços (e
em que predominava, ao que se tem, a vinculação ao Brasil),
será pleno o exercício da jurisdição”,
explicou.
Com essa decisão, a Terceira Turma determinou, por unanimidade, o retorno
do processo à Vara do Trabalho de origem, para a continuidade da instrução
e julgamento da reclamação trabalhista. ( RR-3859/2003-009-09-00.0)
(Alexandre Caxito)
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