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Vermelho, 17 de julho de 2009
Brasil ganha 119 mil empregos no
5º mês seguido de avanço
A economia brasileira abriu 119.495
postos de trabalho com carteira assinada em junho, no quinto mês
seguido de aumento de vagas, mostraram dados do Ministério do
Trabalho divulgados nesta quinta-feira. Foram admitidos 1.356.349 e demitidos
1.236.854 de trabalhadores formais no mês.
De acordo com o Cadastro Geral
de Emprego (Caged), no primeiro semestre o saldo líquido ficou
em 299.506 vagas criadas. Em 12 meses, o número de vagas abertas
acima das demissões foi de 390.322. No entanto, o saldo da geração
de empregos formais no país em junho ficou abaixo do registrado
em maio (131.557 vagas), mas acima do resultado de abril (106.205).
Enquanto o Brasil ainda consegue
manter o saldo positivo no emprego, grandes economias mundiais apresentam
fechamento de vagas. Nos Estados Unidos, os empregadores eliminaram 467
mil postos de trabalho em junho. Na zona do euro, 273 mil pessoas perderam
seus empregos em maio. Nos últimos 12 meses, a Espanha registrou
corte de 1.174.465 de vagas de trabalho, o que fez o desemprego subir
49%.
Com agências
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FOLHA DE LONDRINA, 17 de julho
de 2009 | Economia
País deixa de criar 1 mi de
vagas no semestre
Brasília - O número
de empregos criados no país no primeiro semestre deste ano ficou
1,06 milhão abaixo do que foi registrado no mesmo período
do ano passado. Entre janeiro e junho, foram gerados 300 mil postos de
trabalho com carteira assinada, contra 1,36 milhão nos primeiros
seis meses de 2008. A queda, de 78%, foi puxada pela piora no desempenho
da indústria e fez com que o saldo apurado na primeira metade
deste ano fosse o mais baixo desde 1999, quando começam as estatísticas
apuradas pelo Ministério do Trabalho.
Os números fazem parte
do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), sistema pelo
qual as empresas informam o governo sobre o número de pessoas
demitidas e admitidas a cada mês. Em junho, o total de admissões
superou as demissões em 119,5 mil. Embora tenha sido o quinto
mês seguido de saldo positivo nesse indicador, o desempenho do
mercado de trabalho formal ficou abaixo do observado em maio, quando
foram criadas 131,6 mil vagas.
A queda ocorrida no mês
passado surpreendeu o governo, que esperava a continuidade da melhora.
Para o ministro Carlos Lupi (Trabalho), o recuo foi consequência
de um resultado mais fraco da indústria, segmento mais afetado
pela crise. ''O setor industrial é o que mais demora a se recuperar
porque tem um foco muito forte no mercado externo'', diz, numa referência
aos resultados melhores nas empresas focadas no mercado doméstico.
No mês passado foram abertas
2.001 vagas com carteira assinada na indústria. Com isso, o saldo
acumulado no semestre ficou negativo em 144,5 mil. Em compensação,
no setor de serviços a criação de empregos ficou
em 235,4 mil nos primeiros seis meses do ano.
Folhapress
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Folha de S.Paulo, 17 de julho
de 2009
Setores desonerados não ampliam
empregos
VERENA FORNETTI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Os setores da indústria
que receberam incentivos fiscais da União não ampliaram
as contratações em junho. Dados da Fiesp (Federação
da Indústria do Estado de São Paulo) e do Ministério
do Trabalho mostram que a indústria automotiva mais demitiu que
contratou e que o emprego no segmento que reúne fabricantes de
material de construção ficou estável.
Segundo o Caged, indústrias de materiais de transporte -categoria que
inclui fabricantes de autopeças e montadoras- tiveram saldo negativo
de 0,55% em junho, resultado pior que os de maio e de abril.
Os dados da Anfavea (associação das montadoras) indicam que o
emprego no setor voltou ao nível de novembro de 2007. Em junho, a produção
cresceu 8,4% em relação ao mês anterior, mas as exportações
no primeiro semestre caíram 48% em número de unidades ante igual
período de 2008.
Luiz Aubert Neto, presidente da associação que representa os
fabricantes de máquinas, um dos últimos segmentos desonerados
pelo governo, diz que pode haver mais demissões. Ele revela que o nível
de faturamento das indústrias retrocedeu ao patamar de março
de 2007, quando o setor empregava 210 mil pessoas. Atualmente, são cerca
de 230 mil.
" Se as empresas se ajustarem a esse faturamento de 2007, ainda são
quase 22 mil empregos que a gente está com risco de perder", diz
Aubert Neto. O presidente da associação ressalva que, se as medidas
anunciadas pelo governo encorajarem os empresários a investirem e comprarem
máquinas, as indústrias podem reconsiderar o ajuste do quadro de
pessoal.
Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Fiesp,
destaca que há um descompasso estimado entre três e quatro meses
entre a melhora da atividade econômica, conseguida após as ações
do governo, e a retomada das contratações. "Gato escaldado
tem medo de água fria."
Francini ressalta que, sem incentivos tributários, a queda no emprego
nas indústrias poderia ter sido maior. Francisco Pessoa, economista
da consultoria LCA, afirma que os benefícios anunciados pelo governo
não atingem só os setores eleitos nas desonerações. "O
cálculo da geração de emprego não deve ser feito
só olhando montadoras, e sim na cadeia toda. Há pessoas trabalhando
nas concessionárias, por exemplo, que se beneficiaram com o aumento
da venda de veículos."
A Eletros, associação das indústrias de eletrodomésticos,
favorecidas com redução de IPI, diz que há ampliação
de vagas nas fábricas e que, em maio, as contratações
subiram cerca de 10% ante o número de março, antes da queda do
tributo.
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Folha de S.Paulo, 17 de julho
de 2009
ANÁLISE
Desaceleração preocupa
FERNANDO SAMPAIO
ESPECIAL PARA A FOLHA
A recuperação do
emprego formal perdeu velocidade em junho. O saldo entre as admissões
e as demissões de trabalhadores com carteira de trabalho foi um
pouco menor do que em maio e, constatação importante, esse
recuo não se deveu a oscilações típicas de
cada mês.
Os dados com ajustamento sazonal (feito pela LCA) também mostram pequeno
recuo da abertura líquida de empregos formais de maio para junho. Esses
dados ajustados sugerem, além disso, que a criação de
vagas seguiu bastante fraca -passando da faixa de 43 mil, em maio, para 31
mil em junho.
Em termos setoriais, o grande "culpado" pela debilidade do emprego
formal segue sendo a indústria. Em junho ela abriu apenas 2.800 vagas.
Foi o terceiro mês consecutivo em que o setor abriu um número
irrisório (depois de cinco meses de fechamento significativo).
Quando se analisam essas informações depois de filtrar as flutuações
sazonais, o retrato fica mais feio: junho foi o nono mês seguido em que
o emprego formal na indústria apresentou queda. Embora essa queda venha
ocorrendo a um ritmo cada vez menos intenso, ela reforça a sinalização
de que a retomada da atividade industrial, depois do tombo histórico
do quarto trimestre, segue tímida.
Dentro da indústria, que emprega perto de 25% dos trabalhadores com
vínculo formal no país, ainda se destacam negativamente os segmentos
bastante dependentes do investimento e/ou de exportações, como
o metalúrgico, o mecânico e o de material elétrico, de
comunicações e de transportes. Nos demais setores da economia,
o emprego formal apresentou em junho desempenho similar ao de maio, exceção
feita ao setor de serviços. Neste que é o setor com maior peso
no emprego formal (respondendo por cerca de 40% das vagas), houve uma diminuição,
também incômoda, da abertura líquida de postos de trabalho.
Ainda assim, o desempenho recente do emprego em serviços e na construção
civil pode ser considerado razoável e é o grande responsável
pela avaliação -que mantemos, apesar do tropeço de junho-
de que o pior momento do mercado de trabalho ficou para trás.
Essa avaliação será posta à prova de novo nas próximas
semanas, quando saírem as pesquisas relativas ao desempenho do mercado
de trabalho metropolitano em junho. Esperamos que esses levantamentos -que
abarcam também o emprego informal, mas não cobrem todo o país-
mostrem desocupação similar à de maio.
Pode-se dizer que o mercado de trabalho como um todo (formal e informal) parou
de piorar. Mas uma melhora mais nítida deverá demandar mais estímulos
de política econômica. Que parecem estar a caminho.
FERNANDO SAMPAIO, economista, é sócio-diretor
da LCA Consultores.
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Brasil de Fato, 17 de julho
de 2009
Mulheres perderam mais com a crise,
revela estudo da Secretaria Especial
Um estudo da Secretaria Especial
de Políticas para as Mulheres revelou que as mulheres perderam
mais postos de trabalho do que os homens com a crise econômica
mundial.
Apesar disso, cresceu o número
de trabalhadoras com carteira assinada.
Segundo a pesquisa, o aumento
da mulher no mercado formal é reflexo dos baixos salários
recebidos pelo gênero feminino.
A pesquisa intitulada "A
Crise Econômica Internacional e os (Possíveis) Impactos
sobre a Vida das Mulheres" desmistifica ainda a ideia de que a qualidade
das condições de trabalho está garantida com a criação
de empregos.
A pesquisa mostrou ainda que,
em setores como comércio, por exemplo, as mulheres chegaram a
ocupar quase 90% das mais de 50 mil vagas criadas.
No setor de serviços,
o índice chegou a quase 80% dos mais de 125 mil postos de trabalho.
Os setores são conhecidos
pelos baixos salários e pelas jornadas extensas de horas de trabalho.
Dados como esses, serão
coletados a cada dois meses pela Secretaria Especial de Políticas,
por meio do Observatório Brasil da Igualdade de Gênero.
Os resultados embasarão
políticas públicas voltadas à mulher.
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Blog do Emir, 17 de julho de
2009
Emir Sader: Os riscos da volta da
direita
Não subestimar a oposição.
Pode ser fatal e facilitar o retorno da direita. Contam com toda a mídia,
direção ideológica da direita brasileira. Contam
com um candidato que, até agora, mantém a dianteira – e
não basta dizer que é recall, porque é muito constante
sua votação, o Ciro é recall e despencou nas pesquisas.
Contam com a grana, antes de
tudo do grande empresariado paulista. Contam com os votos de São
Paulo, que se tornou um estado conservador, egoísta, dominado
pela ideologia elitista de 1932, de que são o estado do trabalho
e o resto são vagões que a locomotiva tem que carregar.
Contam com a despolitização destes anos todos, em que se
apóia ao governo Lula, mas uma parte importante prefere, pelo
menos até agora, o Serra. Contam com a retração
na organização e na mobilização popular.
Contam com a imagem de Serra, desvinculada do governo FHC, em que, no
entanto, foi ministro econômico durante muito tempo, co-responsável
portanto, do Plano Real, das privatizações, da corrupção,
das 3 quebras da economia e as correspondentes idas ao FMI, da recessão
que se prolongou por vários anos, como decorrência da política
imposta pelo FMI e aceita pelo governo.
Conta também com erros
do governo, seja na política de comunicação – alimentando
as publicidades nos órgãos abertamente opositores, enquanto
apóia em proporções muito pequenas os órgãos
alternativos, seja estatais ou não. Erros de política de
juros alta até bem entrada a crise, atrasando a recuperação
da economia. Erros na política de apoio e promoção
do agronegócios, em detrimento da reforma agrária, da economia
familiar, da auto-suficiência alimentar.
É certo que a oposição
não tem discurso que sensibilize ao povo, tanto assim que batem
o tempo todo, com seus espaços monopólicos na mídia,
mas só conseguem 5% de rejeição ao governo, que
tem 80% de apoio. Mas também é certo que o estilo marqueteiro
que ganharam todas as campanhas, despolitizam o debate, se Serra se mantiver
na liderança das pesquisas, não precisa apresentar propostas,
só as imagens maquiadas das “maravilhas” que estaria
fazendo em São Paulo, assim como o tom de Aécio de que
não é anti Lula, mas pós-Lula, dizendo – como
disse e não cumpriu em São Paulo, que manteria os CEUS
e outros programas sociais do PT – que vai deixar o que está bom – sempre
atribuído ao casalsinho Cardoso.
A direita pode ganhar e se reapropriar
do Estado. O governo Lula terá sido um parêntesis, dissonante
em muitos aspectos essenciais dos governos das elites dominantes, que
retornarão. Ou pode ser uma ponte para sair definitivamente do
modelo neoliberal, superar as heranças negativas que sobrevivem,
consolidar o que de novo o governo construiu e avançar na construção
de um Brasil para todos.
Fonte: Blog do Emir
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Gazeta do Povo, 17 de julho
de 2009
Impostos
Receita arrecada R$ 24 bi a menos
Com o valor que o governo deixou de recolher no primeiro semestre, seria possível
financiar dois anos de Bolsa Família. Crise é a principal causa
da queda
Brasília - A arrecadação
federal caiu mais uma vez em junho, puxada pela crise e pelas desonerações
concedidas pelo governo. Foi a oitava queda seguida, na comparação
com o mesmo mês do ano anterior. Também é a primeira
vez em seis anos que a receita com tributos encolhe no primeiro semestre.
De janeiro a junho, a arrecadação
recuou 7%, já descontada a inflação do período.
Só no mês passado, o pagamento de tributos foi 7,51% menor
que no mesmo mês de 2008. Com o recuo na arrecadação,
deixaram de entrar nos cofres públicos neste ano R$ 24,5 bilhões,
valor que daria para arcar com o programa Bolsa Família por mais
de dois anos.
A Receita Federal justifica que
deixou de recolher R$ 13 bilhões com as desonerações
fiscais. Estão nessa conta a redução do IPI para
automóveis e para os setores de eletrodomésticos e construção
civil, além da mudança na tabela do Imposto de Renda e
a redução de alíquotas de IOF para operações
de crédito de pessoa física.
Apesar do otimismo do governo
em torno da recuperação da economia, o resultado da arrecadação
no primeiro semestre ainda não comprova melhora na atividade econômica.
Isso porque o setor que mais sofre com a crise hoje é a indústria,
responsável por 30% dos impostos federais pagos no país.
A equipe da Receita Federal,
que por enquanto continua a mesma depois da demissão da secretária
Lina Maria Vieira, mostrou otimismo com a possibilidade de recuperação
da arrecadação de julho a dezembro. “Os indicadores
econômicos têm mostrado que o fundo do poço já passou. É uma
sinalização de que, no segundo semestre, teremos um patamar
melhor [de arrecadação]”, disse o coordenador-geral
de estudos, previsão e análise, Marcelo Lettieri.
Pessimismo
Gilberto Braga, professor de
finanças do Ibmec está mais pessimista. Para ele, o segundo
semestre será de recuperação econômica, mas
não o suficiente para compensar a queda de arrecadação
nos seis primeiros meses do ano. O especialista alerta, ainda, para a
deterioração das contas públicas com a receita menor. “Enquanto
a arrecadação cai, o governo aumenta os gastos de qualidade
duvidosa, como o com funcionalismo’’, afirmou Braga.
O representante da Receita explicou
que os números de junho estão piores do que a realidade
econômica mostra por causa de fatores considerados atípicos.
Segundo Lettieri, em junho do ano passado uma grande empresa pagou R$
1,3 bilhão em impostos atrasados. Se excluído esse valor
que inflou a arrecadação do ano passado, a queda deste
ano teria sido de 5%, e não de 7,5%.
Também por causa de “fatores
atípicos’’, Lettieri acredita que em julho a arrecadação
será maior que a do mesmo mês do ano passado. Se a expectativa
se confirmar, será o primeiro crescimento real de arrecadação
nos últimos nove meses. Isso porque a Receita deve arrecadar cerca
de R$ 2 bilhões neste mês e no próximo com a venda
das ações da Visanet.
O Fisco espera, ainda, que uma
empresa pague R$ 500 milhões em julho, depois de perder uma ação
que se arrastou por quase três décadas na Justiça.
No acumulado do ano, as receitas
com IPI e a Cide são as que mais caíram: 28,48% e 68,75%,
respectivamente. Os dois tiveram redução de alíquotas
por causa da crise e, no caso da Cide, tratou-se de uma medida do governo
para reduzir o preço dos combustíveis. A perda com Imposto
de Renda foi de 5,05% no acumulado do ano.
Pressão
Vazamento de dados preocupa o governo
A disputa política interna
na Receita Federal, revelada no episódio de demissão da
secretária Lina Maria Vieira, começa a preocupar o governo
pelos aspectos pouco ortodoxos que podem orientar a ação
dos superintendentes do órgão, todos fiéis à chamada
linha sindicalista. O vazamento da informação de que a
ex-secretária aplicara multas bilionárias a empresas de
grande porte como a Ford e o banco Santander acendeu o sinal de alerta
na Fazenda. A informação, de caráter sigiloso, foi
uma confirmação para uma notícia que chegara ao
ministro da Fazenda, Guido Mantega, no início da semana, segundo
a qual um grupo de superintendentes regionais da Receita reagiria à demissão
de Lina e estaria disposto a “amar uma grande confusão” para
influir na sua sucessão.
Assessores do ministro continuavam
preocupados com a possibilidade de vazamento de novas informações
a respeito de investigações em curso na Receita. A leitura
da Fazenda é de que há uma pressão velada da corporação
para que a sucessão de Lina não signifique um recuo na
ruptura com a estrutura anterior. Por isso, tentam vincular a demissão
de Lina às pressões dessas grandes companhias. “Essa é uma
versão. Mas o fato é que Lina deixa o posto na Receita
por uma conjunção de fatores”, disse uma fonte do
Planalto.
Sem saída no curto prazo
e com férias iniciadas ontem, a opção do ministro
foi manter o Otacílio Cartaxo – o segundo na hierarquia
da Receita na gestão Lina – no comando do órgão “até a
poeira baixar”. A aposta, no momento, é a de que Cartaxo é habilidoso,
tem uma postura conciliadora e, portanto, é o nome capaz de executar
a tarefa de “unir todo mundo”.

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Gazeta do Povo, 17 de julho
de 2009
Regulação
Em português, por favor!
Publicitários questionam projeto de lei
que proíbe palavras estrangeiras na propaganda e temem que o estado
perca anunciantes
A discussão sobre o uso
de termos em outras línguas na publicidade voltou à tona
nesta semana no Paraná. No apagar das luzes para o recesso da
Assembleia Legislativa, os deputados aprovaram um projeto de lei apresentado
pelo Executivo que obriga a tradução de palavras estrangeiras
em propagandas veiculadas no estado. À espera da sanção
do governador, o projeto já provocou gritaria no mercado publicitário,
que considera a medida um retrocesso e de aplicação inviável.
“As línguas são
vivas. As palavras surgem e desaparecem, e quem manda nisso é o
povo. É preciso avisar isso a esses ‘parlapatões’,
para usar um exemplo de palavra em desuso. Essa lei é ideologia
barata aplicada à cultura”, diz o presidente do Clube de
Criação do Paraná (CCPR), Marcos Pamplona. “Eu
gosto da língua portuguesa e acredito que ela tem de ser valorizada.
Mas, tenho medo de gente que quer legislar sobre a nossa voz.”
Pamplona reconhece que há abusos
em alguns casos, mas não vê na lei uma forma de evitá-los.
Para o publicitário, é preciso promover a discussão
entre as pessoas para que se valorize mais a cultura local. “Quanto
mais frágil é uma cultura, mais ela assimila comportamentos
externos. Os franceses evitam os estrangeirismos porque isso está na
cabeça das pessoas, não em uma lei.”
O presidente do Sindicato das
Agências de Propaganda do Paraná (Sinapro), Kal Gelbecke,
reforça o coro: diz que a lei é ruim e de aplicação
extremamente complicada, principalmente se não tiver uma regulamentação
muito bem feita. Gelbecke aponta ainda para o custo financeiro de uma
medida como essa. “O governo faz leis para estimular o pequeno
empresário e, ao mesmo tempo, cria um projeto como esse que só vai
criar despesas. Os grandes anunciantes terão que fazer adaptações
de anúncios para o estado”, diz. “Mas os pequenos
também serão prejudicados. O governo vai multar um dono
de carrinho de cachorro-quente que tem ‘hot dog’ na sua marca?”
Para o presidente do Sinapro,
a medida pode provocar a saída de anunciantes do mercado paranaense
por não estarem dispostos a arcar com os custos de traduções
ou adaptações específicas para veiculação
regional. O diretor de criação da agência Getz, Ricardo
Mercer, também vê prejuízos para o mercado local. “Estamos
lutando para aumentar nossa competitividade, buscando clientes de fora
do estado, e isso se torna um grande empecilho.”
Bom senso
Mercer diz que o uso ou não
de palavras estrangeiras é uma questão de bom senso, e
que há uma preocupação por parte das agências
em usar palavras que sejam compreendidas pelo público. “Do
contrário, o maior prejudicado seria o próprio anunciante”,
diz Gelbecke, do Sinapro.
Para o vice-presidente de planejamento
e atendimento da Master Comunicação, Marcelo Romaniewicz,
a medida vai na contramão da tendência mundial já que
o inglês, em especial, está presente em qualquer atividade
das pessoas. O publicitário questiona ainda o porquê de
limitar a lei apenas à publicidade. “Para ser coerente,
uma medida como essa deveria valer para tudo: manuais de produtos, sites,
jornais, publicações do próprio governo. Se não,
soa como demagogia.”
Valorização
Segundo o governo do estado,
a medida tem como objetivo o reconhecimento e a valorização
da “língua pátria”, além de facilitar
a compreensão da população que não domina
outros idiomas. De acordo com o projeto, a tradução deve
ter o mesmo tamanho da palavra em língua estrangeira. Quem descumprir
a lei será multado em R$ 5 mil.
Opinião
Se há abuso, o bom senso que dê conta
Cinthia Scheffer, repórter de Economia
Li ontem uma entrevista na qual
o diretor de assuntos corporativos de uma grande multinacional explicava
como uma campanha publicitária institucional pode “agregar
awareness” à marca. A publicidade e o marketing estão
tomados por termos estrangeiros não só nos anúncios,
mas em todo trabalho. A grande maioria das agências faz “jobs” para
passar o “briefing” do cliente para a equipe de criação – que
depois vai fazer um “brainstorm” para definir o “layout” das
peças. Todas estão de olho no “market share” dos
produtos dos seus clientes.
Nós, jornalistas, começamos
as matérias com um lead, às vezes ouvimos fontes “em
off” e corremos contra o tempo para vencer o “deadline”.
Aliás, todos os grupos profissionais têm seus termos específicos,
muitas vezes “importados” e, fora deles, todo mundo usa mouse
para trabalhar, muitos comem croissant no café da manhã e
outros tantos têm ao lado da cama um abat-jour (que virou abajur
no Brasil).
É bem verdade que há uma
boa dose de abuso. Poderíamos ter prazos e fazer pedidos de trabalho,
assim como seria possível simplesmente avaliar a percepção
do cliente. Mas, é difícil imaginar que vamos acabar com
as referências estrangeiras da nossa língua com uma assinatura.
O bom senso me parece bem mais eficiente.
Em tempo: “awareness” é o
termo em inglês que indica a medição de percepção
do consumidor e identifica as marcas conhecidas por ele.
Sindicato
vai entrar com ação contra projeto
O Sindicato das Empresas de Publicidade Externa do Paraná (Sepex) está preparando
uma ação judicial para questionar a constitucionalidade do projeto
de lei aprovado no Paraná. A entidade reclama que não há detalhes
sobre a fiscalização e adianta que será muito difícil
delimitar quais palavras estão ou não incorporadas ao cotidiano
dos brasileiros.
O advogado Eduardo Munhoz da
Cunha, especialista em direito empresarial, também considera a
medida inconstitucional. Além de ir contra o princípio
da liberdade de expressão, ele diz que só cabe à União
legislar sobre a propaganda comercial. Cunha lembra ainda que o consumidor
já está protegido de abusos pelo Código de Defesa
do Consumidor, que determina que as informações sobre os
produtos devem ser apresentadas sempre em português, de forma clara
e correta.
Segundo o governo do estado,
a base para a lei está na Constituição Federal,
que coloca a soberania com um dos fundamentos da República Federativa
do Brasil e estabelece que a língua oficial é o português.
Aprovação
A proposta foi aprovada com pareceres
favoráveis das comissões de Constituição
de Justiça (CCJ) e de Educação, Cultura, Esportes,
Ciência e Tecnologia. O deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB),
líder do governo, diz que a fiscalização deve ser
feita pelo Procon, mas reconhece que será difícil estabelecer
a lista de palavras ainda não incorporadas ao vocabulário
da população.
Outras medidas
Uma lei semelhante chegou a ser
aprovada pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. No entanto, a
Federação do Comércio do estado conseguiu uma liminar
na Justiça suspendendo temporariamente a lei – considerada
inconstitucional por restringir a liberdade de manifestação
de pensamento. No âmbito nacional, tramita na Câmara dos
Deputados um projeto semelhante, apresentado em 2004 pelo deputado Carlos
Nader (PFL/RJ). (CS)
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O ESTADO DO PARANÁ,
17 de julho de 2009 | País
Procurador do Paraná é o
primeiro juiz cego do Brasil
Agência Estado
Único integrante cego do Ministério
Público no País, o procurador Ricardo Tadeu da Fonseca,
de 50 anos, é também o primeiro juiz deficiente visual
do Brasil. O "Diário Oficial" publicou hoje a nomeação
dele como desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região,
em Curitiba, assinada pelo presidente da República, Luiz Inácio
Lula da Silva, após escolha em lista tríplice apresentada
pelo Tribunal. "Estou realizando um sonho", declarou. Há 18
anos, ele estava no Ministério Público do Trabalho,
atuando em Campinas (SP) e em Curitiba.
Fonseca aprendeu a linguagem
Braile, mas no trabalho utiliza muito a tecnologia. Como desembargador,
acredita que poderá se valer de assessores que leiam processos
ou descrevam fatos. "Vou ter como fazer um juízo de valor",
acentuou. "Minha situação é a mesma de um juiz
que se serve do tradutor juramentado." Ele foi um dos que redigiram
a Convenção Internacional sobre Direitos de Pessoas com
Deficiência, aprovada pela Organização das Nações
Unidas (ONU) em dezembro de 2006.
Uma paralisia cerebral
no nascimento provocou perda parcial de visão em Fonseca que,
mesmo assim, conseguiu estudar em escola regular. Com 23 anos, quando
estava no terceiro ano da faculdade de Direito, perdeu totalmente a
visão. Com o apoio dos colegas, que gravavam o conteúdo
de livros e das aulas, formou-se.
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Vermelho com CNTE, 17 de julho
de 2009
Um ano depois, professores cobram
efetivação da Lei do Piso Nacional
A lei que criou o piso nacional
para professores da educação básica completa um
ano, nesta quinta-feira (16), mas a Confederação Nacional
dos Trabalhadores em Educação (CNTE) diz que ainda não
dá para comemorar.
Segundo a entidade, falta vontade
política para fazer valer a lei.
Roberto Franklin Leão,
presidente da CNTE, convocou a categoria a fazer nova mobilização,
dia 16 de setembro, com atos em todo País.
"Os governadores e prefeitos
pagam o piso como querem, desrespeitando o profissional de educação",
denuncia Leão.
"A lei foi aprovada no Congresso
Nacional por unanimidade. Os gestores não podem ser contra isso".
Com a aprovação
da lei, cerca de 1,5 milhão de professores da rede pública
passaram a ter direito a receber um piso equivalente, na época,
a R$ 950 (hoje, R$ 1.132,40).
A maioria dos estados e municípios,
porém, ignora a legislação, em vigor desde 1ª de
janeiro de 2009.
A implantação do
novo salário foi questionada na Justiça por cinco governadores,
que alegavam falta de recursos para arcar com as despesas.
Leia abaixo o informe da CTE sobre
a Lei do Piso:
Lei do Piso: tem que valer!
A festa de comemoração
de um ano da Lei do Piso terá que ser adiada. De 16 de julho
de 2008 até agora, as reclamações dos sindicatos
e dos professores que não recebem o piso de acordo com a Lei
11.738/08 são maiores do que o total de estados e municípios
que pagam o piso integralmente. Este desrespeito tem provocado uma
série de paralisações de educadores que lutam
por seus direitos.
Queremos enfatizar que mesmo
com o veto provisório de dois artigos da lei pelo Supremo Tribunal
Federal (STF), os demais pontos são constitucionais e estão
valendo desde o dia 1º de janeiro deste ano.
Quanto aos impactos do piso
nos planos de carreira do magistério, observamos que o PSPN
serve de referência para os vencimentos iniciais de carreira
que podem ser pagos como remuneração até o julgamento
do mérito da Adin 4167 movida pelos governadores inimigos da
educação. Já a incorporação de vantagens
pessoais deve ser compatível com o tempo de serviço e
promoções por mérito. É ilegal a sua vinculação à composição
do piso.
Outro ponto é que
o piso está vinculado aos profissionais que cursaram o Normal.
Quem tem nível superior deve receber com base nos atuais planos
de carreira. Muitos gestores usam o valor de referência do piso
nacional como teto salarial tanto para educadores de nível médio
como para os de formação superior, o que é incorreto.
Apesar de o percentual de
um terço para a hora-atividade estar suspenso pelo Supremo,
lembramos que esse requisito pode ser contemplado nos planos de carreira
como forma de contribuir para o bom desempenho do educador.
A Lei do Piso completa um
ano.
Infelizmente, percebemos
que falta vontade política para fazer valer a lei. Enquanto
isso não acontece, vamos continuar lutando porque a nossa mobilização é permanente.
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Em Questão, 17 de julho
de 2009
Cortadores de cana ganham medidas
para melhorar condições de trabalho
Em entrevista realizada, nesta
quinta-feira (16), nos estúdios da EBC Serviços, o ministro-chefe
da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulci,
falou sobre o compromisso nacional para aperfeiçoar o trabalho
na cana-de-açúcar, firmado entre Governo, empresários
e trabalhadores.
Dulci participou do Bom Dia Ministro,
programa produzido e coordenado pela Secretaria de Imprensa da Presidência
da República e transmitido ao vivo, via satélite, para
emissoras de rádio de todo País.
Leia abaixo os principais
trechos.
Cana-de-açúcar
O Brasil é o maior produtor de cana e o segundo maior exportador de
etanol, combustível oriundo da cana, do mundo. À frente, só os
Estados Unidos que produzem etanol de milho, mais caro.
O setor da cana emprega a indústria
sucroalcooleira, no seu conjunto, com 1,2 milhão de trabalhadores.
No corte manual da cana, mais de 500 mil trabalhadores em todo o País.
Então, possui uma importância social e humana enorme.
É fundamental que o Brasil
dê uma demonstração de que somos capazes de resolver
problemas sociais.
Quando havia aqui uma denúncia
localizada de trabalho degradante, nesta ou naquela usina, nossos concorrentes
em vários países do mundo, às vezes aproveitavam
um fato isolado, e passavam a idéia de que no Brasil toda a produção
de cana-de-açúcar era feita com trabalho degradante, ou
com trabalho escravo.
Condições
de trabalho
Negociamos durante 11 meses. O presidente Lula resolveu constituir esta mesa
em junho do ano passado. É algo inédito. Na história das
relações trabalhistas brasileiras nunca houve uma negociação
entre empresários, trabalhadores e Governo, de caráter nacional
e válida para o conjunto de um setor econômico, que neste caso é chamado
de sucroalcooleiro.
São 18 compromissos. Quase
todos acima do que a lei já prevê. Já existem órgãos
encarregados de fiscalizar o cumprimento da lei pelos empresários.
Então, por exemplo, vai acabar a terceirização de
mão-de-obra. Aquele chamado gato, uma pessoa que contratava os
trabalhadores e levava para trabalhar nas empresas.
Agora, as empresas vão
contratar diretamente, com carteira assinada, com todos os direitos.
Ou, então, as empresas contratarão através do Sine
(Sistema Público de Emprego). A medição do que o
trabalhador produzir por dia, a medição obrigatoriamente
será feita na frente dele.
Havia muita desconfiança
do trabalhador. Cortava-se a cana e depois ia para outro lugar medir,
sem que ele soubesse. Agora não. O preço a ser pago por
aquilo que for produzido também será combinado antes.
As empresas vão fornecer
hidratação gratuita. Um trabalho que é feito ao
ar livre, no sol, é muito penoso. Não estava previsto na
lei. As empresas também vão fornecer soro gratuito, todo
dia.
Outra coisa importantíssima é a
pausa, não só a do almoço. Haverá intervalo
de manhã, no meio da jornada, e à tarde.
Equipamentos
de proteção
Os trabalhadores vão receber gratuitamente equipamentos de proteção
individual. O transporte, antes feito em caminhões, levando os chamados
bóias-frias, terá que ser realizado em condições
adequadas, fiscalizadas pelos órgãos do Governo.
Haverá tempo para fazer
ginástica laboral, uma vez que o trabalho no corte de cana é tão
penoso que pode até trazer problemas musculares. Tudo isso pago
e garantido pelas empresas.
Trabalho
infantil, escravo ou degradante
Felizmente, no setor sucroalcooleiro o trabalho infantil não existe
mais. Ele é residual.
No último período,
há aproximadamente um ano, não foi encontrada pela fiscalização
do Ministério do Trabalho, ou do próprio Ministério
Público do Trabalho, nenhum caso de trabalho infantil no setor.
Mas, o chamado trabalho degradante
que a legislação brasileira considera análogo ao
trabalho escravo, ainda tem encontrado alguns exemplos no setor. É sempre
bom dizer que são exemplos localizados.
A maioria das empresas nunca
teve problemas de trabalho escravo. Mas outras, sim. E a repercussão
que dá é como se todo o setor tivesse esse tipo de problema.
Então, ele precisa ser eliminado. E não é só por
causa da imagem da nossa produção no exterior.
Ela será melhor se a realidade
melhorar. Não havendo nenhum caso de trabalho escravo no setor,
ninguém poderá fazer propaganda negativa contra nossos
produtos.
Requalificação
dos trabalhadores
De fato, com o avanço da mecanização, a previsão é de
que muitos trabalhadores nesse setor venha a perder seu emprego. Por exemplo,
cada máquina colheitadeira que é adotada por uma empresa gera
a perda de emprego de 80 trabalhadores.
Mas nesse momento da vida brasileira,
como tem havido muita expansão da produção de etanol,
não há desemprego. Ao contrário, há expansão.
Eram 450 mil, passaram para 500 mil nesse último período.
A previsão é que
haverá perda e já estamos nos preparando pra isso.
Tanto o Governo quanto as empresas
pretendem requalificar os trabalhadores. Parte deles será aproveitada
na própria indústria suco-alcooleira como operador de trator,
mecânico, eletricista etc.
O pessoal que não conseguir
ficar no setor, daremos qualificação profissional para
que possam ser reaproveitados em outros setores, agrícola ou industrial.
Trabalhar com reflorestamento, com horticultura, ou também na
construção civil, no artesanato etc.
Vinte e cinco por cento desses
trabalhadores continuarão nas próprias usinas em outras
funções. Outros terão que ser reaproveitados no
meio rural ou urbano. Parte será aproveitada via Governo para
apoiar a agricultura familiar.
Mas nem todos os trabalhadores
que perderem o emprego no setor poderão ser aproveitados na própria área
agrícola. Alguns preferem ir para as cidades.
Temos que oferecer também
profissões urbanas pra eles, para que possam aproveitar essa criação
de empregos que o Brasil tem realizado no ultimo período.
Aumento
para aposentados e pensionistas
Estamos conversando com as centrais sindicais, com as entidades representativas
dos aposentados, em especial a Cobap, que é a maior organização
de defesa dos direitos dos aposentados no País.
Também com o Congresso
Nacional, porque os projetos estão tramitando lá.
Nosso objetivo é estabelecer
um acordo de tal maneira que possa haver uma mudança no chamado
fator previdenciário, para beneficiar trabalhadores que ainda
irão se aposentar.
Garanto que ainda não
tem percentual decidido.
Em janeiro do ano que vem, junto
com o reajuste do salário mínimo, que é outro benefício
que os trabalhadores brasileiros conquistaram, mesmo aqueles aposentados
que não ganham o salário mínimo, que ganham acima
do salário mínimo, terão algum tipo de reajuste
real acima da inflação, superior à inflação.
Durante o Governo do presidente
Lula negociamos com as centrais sindicais e não só demos
aumento real todos os anos - o salário mínimo nesses anos
já teve um reajuste de 60% acima da inflação - mas
também fomos recuando ano a ano.
Era maio, passou para abril,
depois para março, fevereiro, e no próximo ano o reajuste
do mínimo já será em janeiro. Isso faz parte da
nossa negociação. Mas o acordo será fechado em agosto.
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FOLHA DE LONDRINA, 17 de julho
dee 2009 | Economia
Greve em Araucária: TRT vai mediar
negociações
Curitiba - O Tribunal Regional
do Trabalho do Paraná (TRT-PR) vai mediar as negociações
entre os representantes das empresas contratadas para ampliação
da Refinaria Getúlio Vargas (Repar) e da Fosfértil, em
Araucária, e dos trabalhadores que estão em greve desde
o dia 7 de julho. A audiência de conciliação acontece
hoje à tarde, no plenário do TRT, em Curitiba.
A reunião é resultado
do dissídio coletivo de greve protocolado pelo Sindicato das Empresas
de Engenharia de Montagem e Manutenção Industrial do Estado
do Paraná contra o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de
Montagem e Manutenção e Prestação de Serviço
nas Áreas Industriais do Estado do Paraná.
O vice-presidente do TRT-PR,
desembargador Luiz Eduardo Gunther, presidirá a audiência
de conciliação. Na ação, o sindicato das
empresas requer ''declaração de ilegalidade da greve, com
imediata determinação de retorno ao trabalho''.
O presidente da Central Única
dos Trabalhadores (CUT-PR), Roni Anderson Barbosa, disse que as empresas
ainda não apresentaram nenhuma nova proposta de negociação
com os trabalhadores.
Entre as reivindicações
dos trabalhadores estão piso salarial, cesta-básica e adicional
de periculosidade.
Andréa Bertoldi
Equipe da Folha
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
17/07/2009
Carrefour se isenta de indenização
por propaganda no uniforme
O Carrefour Comércio e
Indústria Ltda. conseguiu mudar decisão que o condenou
a pagar indenização por fazer empregada usar camiseta com
logotipos de produtos e serviços comercializados pelo supermercado.
Ao julgar o caso, a Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho considerou
que não é devida qualquer indenização, pois
não foi constatado uso indevido da imagem da funcionária.
A ação foi ajuizada
por uma assistente de caixa, admitida em 1988 e dispensada em 2005. Ela
pediu indenização pelo uso indevido de sua imagem por ter
sido obrigada pelo empregador - sem ser objeto do contrato de trabalho
- a usar a camiseta com propaganda, mesmo após sua recusa. Em
primeira instância, seu pedido foi indeferido.
No entanto, ao apreciar o recurso
da trabalhadora, o Tribunal Regional da 1ª Região (RJ) entendeu
que houve uso arbitrário da imagem da empregada, sem sua expressa
permissão, caracterizando violação ao direito de
imagem. O Regional condenou o Carrefour a pagar indenização
equivalente a uma remuneração para cada ano completo de
contrato ou fração superior a seis meses. O último
salário da assistente de caixa foi de R$ 523,65, em outubro de
2005.
O supermercado recorreu ao TST,
e a Sexta Turma reformou a decisão regional. Segundo o relator
do recurso de revista, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, não
houve abuso do poder diretivo nem ato ilícito por parte da empresa.
Ele esclareceu que faz parte do poder diretivo do empregador, quando
não há evidências de abuso, que o uniforme entregue
aos empregados contenha propaganda, “como método de comunicação
com o consumidor, com o fim de influir na venda de seus produtos, enquanto
internamente e no horário de trabalho”.
Ao analisar o recurso do Carrefour,
o ministro Corrêa da Veiga constatou que a indenização
foi concedida em razão apenas da ausência de autorização
da empregada. De acordo com o relator, porém, para haver dano
e indenização seria necessário prova contundente
do prejuízo sofrido. “É preciso que o prejuízo
seja demonstrado, e que a utilização da imagem seja realmente
evidenciada”, o que não ocorreu, segundo o ministro da Sexta
Turma. ( RR-657/2006-001-01-00.1 )
(Lourdes Tavares)
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17/07/2009
Mostrar lingerie resulta em dano moral
Em julgamento realizado pela
Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ex- empregada
da empresa Atacado Liderança de Tecidos e Confecções
que sofreu revista íntima no trabalho garantiu o direito a indenização
de R$ 2 mil por dano moral. Para evitar furtos de peça de lingerie,
a empresa fazia revistas nas funcionárias, obrigando-as a mostrar
sutiã, calcinha e meia. O procedimento era feito em lugar reservado,
por outra funcionária, e somente quando se constatava a ocorrência
de furto na empresa. Mesmo assim, a Terceira Turma entendeu que a revista é ilegal.
De acordo com o juiz convocado
Douglas Alencar Rodrigues, relator do processo, ao expor a roupa íntima
da ex-empregada, a empresa atuou “à margem dos parâmetros
razoáveis, invadindo esfera indevassável de intimidade
e incidindo em abuso que deve ser reparado”. Assim, teria havido
violação à Constituição Federal, no
artigo 5º, que coloca como “invioláveis a intimidade
a vida privada, a honra e a imagem das pessoas”. Embora a empresa
tenha direito à adoção de medidas para a proteção
do seu patrimônio, não pode haver “invasão
ilegítima da esfera jurídica da intimidade” dos empregados,
como teria ocorrido no caso.
A ex-empregasa ganhou, em julgamento
na 1ª Vara do Trabalho de Cascavel (PR), o direito a indenização
de R$ 2 mil. Essa decisão foi alterada pelo Tribunal Regional
do Trabalho da 9ª Região (PR), que entendeu não ter
havido violação da intimidade dela, Agora, a Terceira Turma
restabeleceu a sentença da Vara. ( RR-1069/2006-071-09-00.2)
(Augusto Fontenele)
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