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Jornal Agora, 19 de julho
de 2009
Governo quer regra nova
para o reajuste dos benefícios do INSS
Lula disse, na última terça-feira (14), que os técnicos
da área econômica estão concluindo os cálculos
da proposta que será negociada com as centrais sindicais e as
entidades de aposentados e pensionistas. O objetivo da proposta é conceder
aumento real para este dois segmentos
O Governo quer elaborar um projeto de lei com uma nova
regra para o índice de reajuste dos aposentados
que recebem acima do piso do INSS.
A ideia é criar uma política de reajuste
que tenha o aval das centrais sindicais e das entidades
de aposentados e pensionistas, segundo fontes do Governo
ouvidas pelo Agora.
Atualmente, os aposentados que recebem o piso do INSS
têm o mesmo índice de reajuste do salário
mínimo. Os demais benefícios são reajustados
de acordo com a inflação - sem aumento real.
As negociações sobre a nova política
de reajuste, segundo fontes do Governo, deve começar
após o acordo, também com as centrais e com
os aposentados, sobre o índice de aumento que será dado
em 2010.
O ministro da Secretaria Geral da Presidência da
República, Luiz Dulci, disse que, no dia 3 de agosto,
será apresentada a proposta do Governo para o aumento.
O presidente Lula disse, na última terça-feira
(14), que os técnicos da área econômica
estão concluindo os cálculos da proposta
que será negociada com as centrais sindicais e as
entidades de aposentados.
O presidente afirmou que o índice será acima
da inflação, cerca de 3,64%, segundo previsão
do Governo. Se não houver acordo, a Câmara
dos Deputados deverá votar no dia 11 o projeto que
prevê o mesmo reajuste do mínimo para todos
os benefícios.
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Agência Diap, 19
de julho de 2009
Recém-admitidos
recebem salários 12% menores, mostram dados do MTE
Levantamento feito pelo Ministério do Trabalho mostra que, apesar
da expansão do emprego que tem sido observada nos últimos
anos, as novas vagas oferecem salários inferiores àqueles
recebidos pelos demitidos.
E neste ano, marcado pelo agravamento da crise, a diferença
entre essas duas cifras subiu.
Os números se referem aos trabalhadores com carteira
assinada. No primeiro semestre deste ano, o salário
médio das pessoas contratadas foi de R$ 754,79,
enquanto as pessoas demitidas no período recebiam
R$ 858,58.
Ou seja, os novos empregados recebiam, quando admitidos,
12% menos do que aqueles que perderam o emprego na mesma época.
No primeiro semestre do ano passado, essa diferença
estava em 6%.
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) diz que, normalmente,
as empresas demitem pessoas com mais tempo de casa -e,
consequentemente, com maiores vencimentos- e as substituem
por trabalhadores que ganham menos, e isso explica a diferença
nos números.
Ao divulgar o levantamento, Lupi ressaltou que, independentemente
do fenômeno, os salários pagos às pessoas
admitidas no primeiro semestre deste ano são maiores
do que a média observada entre janeiro e junho do
ano passado.
A alta ocorrida no período ficou 0,57% acima da
inflação medida pelo INPC (Índice
Nacional de Preços ao Consumidor).
A pesquisa do ministério mostra ainda que os salários
pagos para os homens contratados com carteira assinada
são maiores do que os das mulheres -média
nacional de R$ 776,78 e de R$ 687,58, respectivamente.
Já na distribuição geográfica,
São Paulo e Rio de Janeiro são os Estados
que aparecem como aqueles em que as empresas pagam os maiores
salários aos empregados recém-admitidos:
R$ 862,07 no caso paulista, e R$ 843,96, em média,
no Rio.
Não há, porém, o predomínio
de uma região específica do país nessa
lista. Atrás de São Paulo e Rio, ficaram
Distrito Federal (R$ 801,79), Acre (R$ 748,25) e Rondônia
(R$ 723,47).
Já os salários mais baixos foram pagos no
Piauí (R$ 568,98), na Paraíba (R$ 577,04)
e no Rio Grande do Norte (R$ 587,42).
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O Estado de S.Paulo, 19
de julho de 2009
Com forte impulso do
consumo, PIB deixa recessão para trás no 2º tri
O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2009
confirmará que a recessão ficou para trás, com um
crescimento que pode superar 2% em relação ao trimestre
anterior, feito o ajuste sazonal, segundo as previsões mais otimistas.
Divulgados na segunda-feira (13), os números de
vendas no varejo de maio reforçaram a avaliação
de que o consumo das famílias - o principal motor
da demanda - avança a um ritmo razoável,
impulsionado pela massa salarial, que nos 12 meses até maio
ainda cresceu 6,6%, descontada a inflação.
A possibilidade de que o PIB tenha uma variação
ligeiramente positiva no ano aumentou, embora vários
analistas ainda apostem em contração em 2009.
No quarto trimestre de 2008, o PIB recuou 3,6% sobre terceiro,
devido ao impacto da crise global. No primeiro trimestre
deste ano, houve nova queda, de 0,8%, caracterizando um
quadro de "recessão técnica", marcado
por duas retrações trimestrais seguidas do
PIB.
O economista-chefe do Banco Safra de Investimento, Cristiano
Oliveira, diz que, desde o começo de abril, a economia
brasileira indica que o pior momento para a atividade ficou
para trás.
Segundo ele, o grande destaque é o consumo das
famílias, que continua a exibir "uma robustez
bastante relevante".
A queda dos juros, a política fiscal expansionista,
a redução de impostos em setores como o automotivo
e a desaceleração apenas moderada do ritmo
de expansão da massa salarial explicam esse desempenho,
diz Oliveira.
Esses fatores impulsionam as vendas no varejo, que em
maio cresceram 0,8% em relação a abril, feito
o ajuste sazonal. Nesse cenário, Oliveira projeta
preliminarmente uma alta de 2,3% para o PIB no segundo
trimestre, na comparação com o primeiro.
No começo do mês, ele revisou a sua estimativa
para o resultado do ano de crescimento zero para um avanço
de 0,3%.
"Outro ponto importante é que o impacto máximo
do afrouxamento da política monetária deve
ocorrer no quarto trimestre deste ano", afirma Oliveira.
O estrategista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz,
elevou ontem a sua projeção para a alta do
PIB no segundo trimestre de 1,1% para 1,4%.
A revisão foi motivada pelo desempenho favorável
das vendas no varejo. Ele esperava estabilidade em relação
a abril, mas houve uma expansão de 0,8%. Para o
segundo trimestre, Lintz projeta crescimento de 1,6% do
consumo das famílias.
Com isso, Lintz também mudou a sua estimativa para
o PIB no ano. Em vez de uma queda de 1,2%, ele passou a
projetar retração de 0,9%. Um dos problemas é que
a "herança estatística" (o carry
over) que 2008 deixou para 2009 é muito negativa,
de 1,5%.
Isso significa que, se a economia se mantivesse no nível
do fim do ano passado, o PIB encolheria 1,5% neste ano.
Mas há outros motivos para a cautela de Lintz:
a massa salarial vai perder fôlego ao longo do ano
e o setor automotivo terá um quarto trimestre mais
fraco do que os anteriores, já que a alíquota
do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de veículos
vai aumentar gradualmente a partir de outubro.
Além disso, o impacto da redução
do esforço fiscal do governo tende a ser menor daqui
para frente.
A economista Silvia Ludmer, do Banco Fator, estima uma
alta de 1,5% para o PIB no segundo trimestre.
Segundo ela, o consumo mostrou um resultado mais positivo
no semestre, enquanto a produção industrial
teve um comportamento fraco, ainda influenciado pelo processo
de redução de estoques. Para o PIB do ano,
ela espera uma retração de 0,1%.
"Se houver alguma revisão, ela tende a ser
para cima".
Silva acha que o consumo deve reservar menos surpresas
positivas daqui para frente, dada a perspectiva menos favorável
para a massa salarial. Na indústria, pode haver
alguma recuperação mais expressiva nos próximos
meses, encerrada a desova de inventários.
Os economistas do Bradesco, por sua vez, apostam numa
alta de 2,2% para o PIB no segundo trimestre.
"Há uma perspectiva de continuidade do crescimento
do setor de serviços, pelo lado da oferta",
apontam os analistas do banco, ressaltando os bons resultados
do comércio varejista e os sinais de que o setor
de intermediação financeira também
foi bem, graças à recuperação
do crédito, especialmente para a pessoa física.
Para o ano, o Bradesco projeta queda do PIB de 0,5%, em
grande parte devido ao efeito estatístico negativo.
A economista Marcela Prada, da Tendências Consultoria,
estima crescimento no segundo trimestre de 0,5% em relação
ao primeiro, mas diz que o número pode ser revisado
para cima, com a incorporação dos resultados
do varejo.
Já a situação na indústria é mais
complicada, observa ela. De janeiro a maio, houve recuperação
em relação aos meses imediatamente anteriores,
mas o nível de produção ficou bem
abaixo do registrado nos mesmos períodos de 2008.
Para junho, estimativas com base na produção de automóveis,
consumo de energia e fluxo de veículos pesados apontam um resultado
menos favorável à produção industrial.
O BNP Paribas projeta queda de 0,3% em relação a maio
e de 11,3% sobre junho de 2008.
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Gazeta do Povo, 19 de julho
de 2009
Macroeconomia
Eleição
de 2010 já causa apreensão nos mercados
São Paulo - Apesar de ainda faltar mais de
um ano para as eleições de 2010, a disputa
política já começa a afetar a economia.
O risco político sobre o que acontecerá após
o ano que vem, quando um novo presidente tomará posse,
já afeta as expectativas para os juros no mercado
financeiro.
Esse risco se subdivide em dois. Uma parte está relacionada à sucessão
presidencial em 2010, uma vez que os dois principais candidatos,
a governista Dilma Rousseff (PT) e o oposicionista José Serra
(PSDB), são considerados “heterodoxos” demais
pelos investidores. Ou seja, ambos tenderiam a ser menos
conservadores na condução das políticas
fiscal e monetária.
“Seja Serra ou seja Dilma, o fato é que o
ministro da Fazenda será Luciano Coutinho (atual
presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social)”, diz um economista, em tom jocoso. “O
(atual ministro Guido) Mantega também é heterodoxo,
mas tem uma diferença importante em relação
a Coutinho: por ser maleável, segue a linha pragmática
de Lula. Coutinho implementaria na prática o que
pensa.”
Outro especialista, bastante respeitado pelos seus pares
de mercado, centra fogo em Serra. “O governador diz,
não é de hoje, que os juros deveriam ser
mais baixos e o dólar, mais valorizado. Ora, todos
os países que adotaram essa política tiveram
um resultado: inflação.”
A outra parte do risco está ligada à indefinição
sobre as ambições eleitorais do presidente
do BC, Henrique Meirelles. Várias perguntas estão
hoje na cabeça dos investidores: Meirelles será ou
não candidato ao governo de Goiás? Se sim,
quando deixará o BC? Se deixar, quem será o
substituto? Esse substituto terá força para
aumentar os juros, caso necessário, levando-se em
conta que 2010 é um ano eleitoral? Procurado pela
reportagem, o presidente do BC não se manifestou.
O próprio Meirelles atraiu os holofotes para a
divergência com o mercado ao dizer, na terça-feira,
que “a curva de juros embute prêmios de risco
em relação às projeções
de inflação do BC, por exemplo, que talvez
não sejam adequados à situação
do Brasil”. Em linguagem mais clara, significa que
as taxas expressas nas operações do mercado
futuro não condizem com as expectativas para a inflação.
O BC já havia feito uma referência ao tema
na ata da reunião do Copom de 28 e 29 de abril.
Dizia o texto, em seu parágrafo 23: “O Comitê entende
que a melhora do cenário prospectivo para a inflação
em 2009 e em 2010 não foi, até o momento,
incorporada na estrutura a termo da taxa de juros”.
A frase foi retirada da ata da última reunião.
Apesar dos temores de mudanças na condução
da economia, outro especialista consultado pela reportagem
avalia que o mercado está fazendo muito barulho
por nada – e lembra que muitos operadores aproveitam
esse tipo de situação para tentar lucrar. “Não
há chance de o Brasil passar em 2010 o que viveu
em 2002 (ano da primeira eleição de Lula,
quando o dólar e os juros subiram muito diante do
medo de que o petista mudasse os rumos econômicos
da era FHC). Os fundamentos são muito mais sólidos,
a começar pelas reservas de quase US$ 210 bilhões,
que reduzem a quase zero o risco de uma disparada do dólar.”
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Folha de S.Paulo, 19 de
julho de 2009
Governo Lula vai perder em
abril ao menos 17 ministros
Presidente estimula
candidaturas de seus auxiliares para ampliar as bancadas
do PT
Para o lugar de Dilma, Lula tenta convencer
Paulo Bernardo a assumir a Casa Civil na tentativa de evitar
a desaceleração do PAC
SIMONE IGLESIAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Pelo menos 17 ministros devem deixar o governo em abril
para disputar eleições e alguns darão
lugar aos seus secretários-executivos, encarregados
de impedir a descontinuidade e proibidos de inventar novos
programas -duas exigências do presidente Lula para
liberar seus auxiliares.
Além dos ministros candidatos, José Múcio Monteiro
(Relações Institucionais) sairá nas próximas
semanas para assumir como ministro do TCU (Tribunal de Contas da União).
Das 18 vagas que abrirão entre agosto deste ano e abril de 2010,
12 serão preenchidas automaticamente. Lula avisou na última
reunião ministerial, na semana passada, que não gostaria
de levar ninguém novo para o governo porque não quer
se comprometer com as ideias de quem estará chegando.
Alguns secretários estão nos ministérios há mais
tempo que seus chefes: Luiz Paulo Barreto (Justiça); Carlos
Eduardo Gabas (Previdência); Márcio Zimermann (Minas e
Energia); Fernando Lopes de Oliveira (Comunicações);
e Paulo Sérgio Passos (Transportes).
Barreto foi para a Justiça com Márcio Thomaz Bastos.
Gabas ajudou a fazer o programa de governo da reeleição
de Lula na área previdenciária. Zimermann foi para Minas
e Energia com Dilma Rousseff e já foi titular da pasta quando
Silas Rondeau deixou o cargo. Passos era substituto do ex-ministro
dos Transportes Anderson Adauto e foi titular em 2006 quando Alfredo
Nascimento deixou o cargo para concorrer a prefeito de Manaus.
Mas em seis ministérios há problemas e Lula terá de
colocar gente nova ou fazer remanejamentos. Geddel Vieira Lima (Integração
Nacional) ficou sem secretário-executivo depois que Luiz Antônio
Eira pediu demissão por conflito com Dilma. A substituta de
Patrus Ananias no Ministério de Desenvolvimento Social, Arlete
Sampaio, deve disputar eleição. Mas os dois cargos que
mais tiram o sono de Lula são Relações Institucionais
e Casa Civil.
Dilma
No caso de Dilma, interlocutores do presidente afirmam que ele deve
optar por um nome de mais peso que sua substituta natural, Erenice
Guerra. A Folha apurou que Lula tenta convencer o ministro do Planejamento,
Paulo Bernardo, a não se candidatar para assumir a Casa Civil.
Ele conhece o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)
tão bem como Dilma e pode evitar que as obras parem num ano
eleitoral.
O presidente está interessado em estimular candidaturas de seus
principais auxiliares por dois motivos: 1) Ele sabe que Dilma não
tem experiência política e vai precisar, caso eleita,
da ajuda do Congresso; 2) Quer sair do poder garantindo o recorde de
eleger pela primeira vez as maiores bancadas na Câmara e Senado
do PT.
Para isso, Lula ainda tenta convencer ministros petistas não
muito afeitos a campanhas a disputarem vagas no Congresso, caso de
Fernando Haddad (Educação). Cotado para concorrer ao
governo de São Paulo, Haddad viu sua candidatura esfriar com
a possibilidade de o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ter o apoio do PT.
O ministro José Pimentel (Previdência) concorreria a novo
mandato de deputado, mas já foi convencido pelo presidente a
disputar o Senado.
Alguns ministros ainda têm dúvidas se continuarão
no governo até o fim e dizem depender de pedido de Lula, caso
de Altemir Gregolin (Pesca). Dos 17 ministros que devem concorrer,
oito são do PT: Dilma (Presidência), Tarso Genro (governo
gaúcho), Pimentel (Senado), Gregolin, Haddad e Edson Santos
(Câmara dos Deputados), Patrus (Senado ou governo mineiro) e
Carlos Minc (Assembleia Legislativa).
Do PMDB, concorrerão quatro ministros: Geddel (governo baiano),
Reinold Stephanes (Câmara dos Deputados), Hélio Costa
(Senado ou governo mineiro) e Edison Lobão, que deve trocar
a candidatura ao Senado pelo governo do Maranhão a pedido de
José Sarney.
O ministro dos Esportes, Orlando Silva (PC do B), deve concorrer a
deputado federal pela Bahia. Carlos Lupi (PDT), do Trabalho, pensa
em disputar algum cargo no Rio. O ministro dos Transportes, Alfredo
Nascimento (PR) concorrerá ao governo do Amazonas. Pedro Brito
(PSB), dos Portos, é candidato a deputado federal pelo Ceará.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deve se filiar ao
PP para disputar o Senado ou o governo de Goiás.
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Folha de S.Paulo, 19 de
julho de 2009
Brasil será superpotência,
diz especialista
Crise serviu para mostrar
que emergentes não estão descolados dos EUA
e que Brasil está bem mais resiliente
JANAINA LAGE
DE NOVA YORK
O Brasil deverá se tornar um dos motores da recuperação
da economia global, afirma Leonardo Martinez-Diaz, especialista
do Instituto Brookings e um dos organizadores do livro "O
Brasil como uma superpotência? Entendendo a mudança
do papel do Brasil na economia global" (título
em tradução livre), recém lançado
nos EUA.
Para Martinez-Diaz, o Brasil está posicionado de modo a colher
os benefícios da retomada do crescimento mundial, que deverá começar
pela Ásia. Confira trechos da entrevista que ele concedeu à Folha.
FOLHA - No livro, diz-se que muitos especialistas
avaliam que o Brasil será um dos indutores da
recuperação da economia global. O senhor
está entre eles?
LEONARDO MARTINEZ-DIAZ - O Brasil é uma
das dez maiores economias do mundo. Ele tem os ingredientes
certos para isso, mas terá de manter as políticas
adotadas, especialmente no nível macroeconômico.
Considerando que continuem, estou confiante que o Brasil
será um dos motores da recuperação.
FOLHA - Como o senhor define hoje uma superpotência?
MARTINEZ-DIAZ - Há duas maneiras
de avaliar isso. A primeira é a tradicional, com
base apenas em números e, neste caso, o Brasil
seria a nona ou décima economia mundial. Em escala,
ainda há um grande caminho a percorrer até chegar
entre as quatro maiores.
O Goldman Sachs estima que o país precisaria crescer a 4% ao
ano até a metade do século para atingir o tamanho de
uma superpotência.
A segunda maneira é olhar se o Brasil tem influência para
afetar as regras da economia global. E, desse ponto de vista, você pode
chamar o Brasil de uma potência em ascensão, muito próximo
de uma superpotência, pois ocupa um papel muito importante em
mercados de commodities, tem um papel expressivo na OMC [Organização
Mundial do Comércio], no G20, um papel em expansão no
FMI e no debate sobre mudança climática.
FOLHA - Como a crise está alterando a percepção
sobre o país?
MARTINEZ-DIAZ - A crise teve dois efeitos.
O primeiro foi mostrar que o Brasil e outros emergentes
não estão descolados, independentes dos EUA.
Mas o segundo ponto é que o Brasil é muito
resiliente, muito mais resistente à crise do que
no passado. Além disso, tem uma poderosa base de
crescimento dentro do país.
FOLHA - O último ciclo de crescimento foi
impulsionado pela demanda de países como China
e Índia. Com a mudança de cenário,
ainda há espaço para o país crescer?
MARTINEZ-DIAZ - Vivemos um período
de condições extraordinárias e raras
nos últimos dez anos, entre a crise asiática
e a crise atual, com alto crescimento, estabilidade, altos
preços de commodities e demanda aquecida. Não
vamos voltar a esse período tão cedo.
Agora, avalio que a base de exportações do Brasil é diversificada
e não depende apenas dos EUA e da Europa, mas também
da demanda da Ásia, da América Latina e de algumas partes
da África e do Oriente Médio. A recuperação
deve começar primeiro na Ásia. O Brasil está posicionado
de modo a tirar vantagens disso. As taxas de crescimento serão
menores do que antes, mas haverá crescimento.
FOLHA - Como o senhor analisa a política
externa adotada nos últimos anos?
MARTINEZ-DIAZ - A política econômica
externa brasileira é resultado de interesses e ideias
conflitantes do governo e da sociedade. De um lado você tem
políticas que são guiadas em prol de interesses
econômicos, com uma pressão muito forte pela
abertura de mercados agrícolas. De outro, você tem
muita ênfase em acordos no eixo Sul-Sul que não
trazem benefícios significativos para o país,
não fazem sentido economicamente, mas ajudam a apoiar
a visão de que o Brasil tem um papel de liderança
entre os países em desenvolvimento.
FOLHA - Politicamente não é uma
boa estratégia buscar uma liderança no
eixo Sul-Sul?
MARTINEZ-DIAZ - Se isso puder ser traduzido
em capacidade de avançar nas negociações
de interesse próprio do país, sim. Em alguns
casos não está claro que isso esteja acontecendo.
No Mercosul, o Brasil exagerou na descrição dos benefícios
do bloco, mas não atacou os problemas. E há insatisfação
de países como Uruguai e Paraguai. Há na região
alguma suspeita sobre as ambições regionais e globais
do Brasil. Podemos ver isso nas recentes tensões com Equador
e Bolívia.
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Última Instância,
19 de julho de 2009
DE 250 PARA 75
Proposta que diminui
número de artigos da Constituição tem
parecer favorável
A PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que reduz os atuais 250 artigos
da Constituição Federal para 75 recebeu parecer favorável
do deputado federal Sérgio Barradas Carneiro nesta terça-feira
(14/7), na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça
e de Cidadania) da Câmara.
De autoria do deputado federal Regis de Oliveira (PSC-SP), a proposta
modifica os dispositivos constitucionais retirando da Carta Magna
tudo o que não é matéria constitucional com
o objetivo de torná-la mais eficaz.
A proposta prevê que 20 temas sejam retirados da Constituição
e sejam regidos por leis ordinárias, entre eles saúde,
educação, previdência social, esporte e meio
ambiente. “Precisamos limpar a Constituição,
deixando apenas o que é matéria constitucional. Outras
matérias ficariam a cargos de leis ordinárias. Com
isso, devolveremos ao Congresso Nacional seu papel primordial,
que é o de legislar”, defende o deputado Regis de
Oliveira.
Com a mudança, segundo informa a assessoria do deputado
Regis de Oliveira, ficariam na Constituição as cláusulas
pétreas (imutáveis), as garantias individuais, o
sistema de governo, o funcionamento do Judiciário e demais
questões relativas à Federação.
“Após tantas emendas, a Constituição
já não é aquela idealizada pelos constituintes.
E a proposta do deputado Regis é uma resposta a essa demanda.
O projeto é bem fundamentado, não pretende suprimir
direitos e conquistas dos brasileiros e ainda aponta a falta de
necessidade de se ter todas as matérias tratadas na Carta
Magna”, avalia Carneiro.
O deputado Regis de Oliveira lembra que a atual Carta foi feita
após um longo período político de instabilidade —os
20 anos do regime militar no Brasil. “Depois do período
de ditadura foi natural que a Assembléia Constituinte colocasse
todos os direitos da sociedade na Constituição, por
receio de vê-los suplantados novamente. Hoje, no entanto,
vivemos um momento de estabilidade política, com o amadurecimento
das instituições e da Democracia. Não faz
sentido mantermos nossa Constituição como está.
Há absurdos, como mostrou o relator, como emendas para incluir
o termo moradia em um artigo ou emendas que tratam dos territórios,
sendo que o país não possui mais territórios”,
sustenta Oliveira.
As questões que deixariam de ser tratadas na Carta Magna
são: saúde, educação, previdência
social, esporte, meio ambiente, sistema financeiro nacional, política
fundiária, ciência, tecnologia, família, servidores
públicos, Ministério Público, segurança
pública, população indígena, cultura,
comunicações, política urbana e sistema tributário.
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Consultor Jurídico,
19 de julho de 2009
Paternalismo sindical
Greve organizada sem
aval de trabalhadores é ilegal
Por Alessandro Cristo
Um sindicato de trabalhadores foi punido pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região, em São Paulo, por fazer greve sem autorização
dos filiados. O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas,
Mecânicas e de Material Elétrico de São Paulo, Mogi
das Cruzes e Região não comprovou ao tribunal que a paralisação
inciada no dia 24 de março foi aprovada em assembleia geral pelos
próprios empregados. Os participantes do movimento terão
de compensar os dias não trabalhados.
A ação de Dissídio Coletivo de Greve
foi movida pelo sindicato contra a Etelbrás Eletrônica
Telecomunicações, para que fosse declarada
a legitimidade da paralisação. Segundo a
Seção Especializada em Dissídios Coletivos
do TRT-2, o direito de greve previsto na Lei 7.783/89 não
dá aos sindicatos o direito de violar outras previsões
da mesma lei. Para a relatora do processo, desembargadora
Anelia Li Chum, “deve ser declarada abusividade do
movimento grevista em exame, eis que constitui abuso do
direito de greve a inobservância das normas contidas
na supra referida lei de greve, a teor do que prescreve
o seu artigo 14”. A decisão é de 17
de junho e foi publicada nessa terça-feira (14/7)
no Diário Oficial Eletrônico do TRT-SP.
O artigo 14 da Lei 7.783/89 classifica como abuso do direito
de greve qualquer “inobservância das normas
contidas na presente lei”, tais como a necessária
convocação de assembleia geral “que
definirá as reivindicações da categoria
e deliberará sobre a paralisação coletiva
da prestação dos serviços”,
conforme o artigo 4º. Por isso, os juízes da
Seção decidiram, por maioria, extinguir o
Dissídio Coletivo de Greve, movido pelo sindicato,
sem avaliar o mérito da questão. Por unanimidade,
porém, eles julgaram a greve abusiva e determinaram
a compensação dos dias não trabalhados
pelos empregados que aderiram ao movimento.
A greve questionada foi a segunda consecutiva organizada
pelo sindicato. Quando a primeira ocorreu, a empresa ofereceu
prêmio aos trabalhadores que não aderissem à paralisação,
o que motivou a entidade a exigir o pagamento do mesmo
bônus a todos, pelo princípio da isonomia
e pelas regras da Organização do Trabalho
e Organização Sindical. Esse foi um dos motivos
que levaram à segunda mobilização.
O sindicato também alegou haver assédio
moral e perseguição contra membros da comissão
da fábrica, como dispensas, punições
e intimidações sem motivo. Também
pediu o pagamento de vale-transporte e vale-refeição
referentes aos dias parados da primeira greve, o fim da
terceirização dos serviços e o pagamento
de adicional de insalubridade. Alegou que a greve não
era abusiva e pediu a estabilidade dos grevistas no trabalho
por seis meses.
Em audiência de instrução ocorrida
em 31 de março, o desembargador Nelson Nazar propôs
que os trabalhadores voltassem ao serviço, desde
que a empresa mantivesse abertas as negociações.
A empresa, então, demitiu seis funcionários — um
deles por justa causa —, o que foi entendito pelo
sindicato como retaliação. A paralisação
foi retomada em 9 de abril.
A empresa alegou que, a partir dessa data, foram organizados
piquetes em frente à fábrica. “Membros
do sindicato impediram acesso aos empregados que queriam
trabalhar, persistindo ao longo de toda a manhã,
inclusive com chutes e outras agressões físicas
e verbais desferidas contra os trabalhadores por parte
dos que se diziam vinculados ao sindicato”, argumentaram
os advogados da Etelbrás ao pedirem o interdito
proibitório.
A empresa ainda afirmou que “não houve assembleia,
tanto que o sindicato não junta aos autos a correspondente
ata, tampouco listagem de presença de funcionários
que aderiam o movimento”, o que esvazia as razões
do sindicato, diz. Ou seja, o direito de greve cabe aos
trabalhadores e não aos sindicatos. A defesa da
empresa foi feita pelo advogado Renato Serafim, do escritório
Ilario Serafim Advogados.
Com a declaração de ilegalidade da grave
feita pela Seção de Dissídios Coletivos
do TRT-2, o pedido de interdito proibitório feito
pela empresa para proteção do prédio
de sua sede foi extinto, sem julgamento de mérito.
Clique aqui para
ler o acórdão.
Processo TRT/SP SDC 20071.2009.000.02.00-4
Processo TRT/SP 20089.2009.000.02.00-6 – Interdito
Proibitório
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