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BEM PARANÁ, 20 de
julho de 2009 | Economia
Construção civil
Trabalhadores entram em greve
A greve, por tempo indeterminado, foi aprovada
pela classe em assembleia
19/07/09 às 18:52
Cerca de 35 mil trabalhadores da construção civil de Curitiba
e Região Metropolitana de Curitiba (RMC) cruzam os braços partir
de amanhã. A greve, por tempo indeterminado, foi aprovada pela classe
em assembleia realizada no início da noite da última quinta-feira,
na Praça 19 de Dezembro. As informações são do
vice-presidente, Laureno Grunevald, do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias
da Construção Civil, de Olarias, de Cerâmicas para Construção,
de Artefatos de Cimento Armado e de Mármores e Granitos de Curitiba
e Região Metropolitana (Sintracon).
Na sexta reunião de negociações
entre os sindicatos de patrões e de trabalhadores, que aconteceu
na última quarta-feira, o empresariado apresentou a seguinte proposta
para o fechamento da Convenção Coletiva de Trabalho 2009/2010:
7% de reajuste salarial, que representa a inflação acumulada
de 1 de junho de 2008 a 31 de maio de 2009 (5,44%) mais 1,56% de aumento
real, e o mesmo índice para a recomposição do vale-compras,
atualmente em R$ 105,00.
A proposta foi rejeitada pelos
trabalhadores na assembleia. A categoria reivindica a reposição
da inflação mais 14% a título de ganho real, referente
ao crescimento industrial da construção civil do Paraná no
período de 2001 a 2008 e que não repassado aos vencimentos
da categoria, e a correção de 20% do vale-alimentação,
bem como sua integração no salário.
Na pauta dos trabalhadores também
consta o fornecimento de todas as refeições no local de
trabalho, com vistas a acabar com a marmita, e da cesta-básica.
A categoria dos trabalhadores nas indústrias da construção
civil de Curitiba e Região Metropolitana é composta por aproximadamente
35 mil operários que atuam em 23 municípios, segundo Grunevald.
(AE)
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Valor Econômico, 20 de
julho de 2009
País já recuperou
50% dos postos de trabalho fechados durante a crise
O setor de serviços foi
o que apresentou maior geração de postos nesse período,
com saldo positivo de 157,7 mil novas vagas, seguido pelo comércio
(com geração de 29,8 mil postos) e serviços industriais
de utilidade pública (1,7 mil postos)
O mercado formal de trabalho
encerrou junho com recuperação de metade das vagas fechadas
entre novembro e janeiro, quando foram cortados no país 797,5
mil postos com carteira assinada - a fase mais crítica para o
mercado de trabalho a partir do agravamento da crise externa.
No período de fevereiro
a junho foram criados 401,3 mil novas vagas no país, garantindo
a recuperação de 50,3% do total de postos fechados na virada
de 2008 para 2009.
Economistas preveem recuperação
mais significativa do emprego no terceiro trimestre, período em
que indústria e varejo iniciam os preparativos para o Natal.
Mas ainda há dúvidas
se essa melhora será suficiente para recompor as perdas remanescentes
da crise.
No acumulado de novembro a junho,
o saldo ficou negativo em 396,3 mil vagas, de acordo com dados do Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho
e Emprego.
Nesse intervalo, apenas três
setores registram recuperação total dos postos de trabalho.
O setor de serviços foi
o que apresentou maior geração de postos nesse período,
com saldo positivo de 157,7 mil novas vagas, seguido pelo comércio
(com geração de 29,8 mil postos) e serviços industriais
de utilidade pública (1,7 mil postos).
Os setores de construção
e agropecuário apresentaram recuperação parcial
das perdas, enquanto a indústria da transformação
e a indústria extrativa tiveram o quadro de demissões agravado.
O pior resultado foi da indústria
de transformação, que chegou em junho com 498,5 mil vagas
fechadas - no período de novembro a janeiro, o fechamento de vagas
era menor, de 409,2 mil postos.
Dos 12 subsetores que compõem
a indústria de transformação, apenas três
apresentaram uma recuperação parcial das perdas - alimentos,
bebidas e álcool etílico, com recuperação
de 24,5% das perdas totais; calçados, com reabertura de 17,6%
dos postos fechados; e borracha, fumo e couros, com recuperação
de 38,6% das vagas fechadas entre novembro e janeiro.
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GAZETA DO POVO, 20 de julho
de 2009 | Economia
Classes sociais
Ricos perdem renda com a crise
Rendimento médio do indivíduo
das classes A e B caiu 8,7%, para R$ 2.407. Os mais pobres, por sua
vez, foram afetados pelo aumento no desemprego
Publicado em 20/07/2009 | Cristina Rios
Em dez meses, a turbulência
econômica já provocou mudanças na renda e nos hábitos
de consumo dos brasileiros. A classe C, que nos últimos anos se
tornou a grande estrela da economia nacional com a ascensão social
dos mais pobres, parou de crescer. As classes A e B, por outro lado,
foram as que mais perderam renda desde que a crise estourou, em setembro
do ano passado.
De janeiro a abril deste ano,
a renda média individual das pessoas das classes A e B nas seis
principais regiões metropolitanas do país caiu 8,7% em
termos reais (descontada a inflação) na comparação
com mesmo período do ano passado, segundo estudo do Centro de
Pesquisas Sociais (CPS) da Fundação Getúlio Vargas
(FGV). O rendimento médio individual entre os mais ricos passou
de R$ 2.637 para R$ 2.407.
“As classes A e B perderam
muito dinheiro no mercado financeiro, com a queda na bolsa de valores,
além de estarem mais vinculadas a atividades que vêm sofrendo
mais com a crise, como o setor industrial e o comércio exterior”,
explica o economista Marcelo Cortes Neri, responsável pelo estudo.
A FGV considera classes A e B as famílias com renda acima de R$
4.807; classe C aquelas com faturamento entre R$ 1.115 e R$ 4.807; classe
D, entre R$ 804 e R$ 1.115; e E, de até R$ 804.
Depois de crescer 35% entre 2003
e setembro de 2008, a participação das classes A e B já caiu
6,8% segundo a FGV, para 14,38% da população em abril. “Ainda
assim elas concentram 55% da renda do país”, diz.
Enquanto isso, a classe C, na
mesma base de comparação, teve aumento de 3,9% na renda
média individual, subindo de R$ 625 para R$ 649. De acordo com
Neri, parte desse ganho vem do reajuste do salário mínimo. “É muito
comum em famílias de classe média que um dos membros tenha
rendimento vinculado a ele”, afirma.
A classe média chegou
a levar um tombo no início do ano – com redução
de participação no bolo da população brasileira –,
mas vem se recuperando. No acumulado entre setembro do ano passado e
abril, a classe média está estável, com aumento
de 0,8%. No total da população continua a representar a
maioria, com 52,72%. “O problema é que a crise interrompe
justamente o fluxo de ascensão social, com menos gente da D migrando
para a C. Em termos de tamanho, a classe média se mantém
em termos de participação porque mais pessoas vão
cair da B para C”, afirma.
O estudo da FGV também
mostra que já há uma migração de pessoas
da classe C para as camadas C e D, que cresceram em tamanho da crise,
passando a representar, respectivamente, 13,97% e 18,92% da população.
Segundo o professor Marcio Cruz,
do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR),
os extremos da pirâmide – as classes A/B e D/E – ficaram
mais vulneráveis na crise. As primeiras porque tiveram perda de
renda, com prejuízos em aplicações financeiras.
E as últimas porque são as mais atingidas pelo desemprego,
principalmente na indústria de transformação.
Mas ricos e pobres reagem de
maneira diferente diante das perdas provocadas pela turbulência
econômica. “As classes de maior poder aquisitivo têm
mais gordura para queimar, portanto não reduzem o consumo imediatamente
quando perdem renda. Já os mais pobres são obrigados a
cortar gastos, porque não têm poupança”, acrescenta.
Para o consultor em finanças
Raphael Cordeiro, a percepção de “perda de patrimônio” entre
os mais ricos, no entanto, provoca cautela e adiamento de compras. “O
consumo está ligado à confiança no futuro e à sensação
de riqueza”.

* * * *
Construtoras e concessionárias
sentem mudança
A mudança no ânimo
das classes A e B já se fez sentir em alguns setores, como o da
construção civil, de veículos e lojas de luxo. Na
construtora Andrade Ribeiro, especializada em imóveis para a alta
renda, já houve uma queda na velocidade de comercialização
de empreendimentos voltados para esse público em cerca de 30%. “A
retração ocorreu principalmente em imóveis com preço
acima de R$ 1 milhão. Alguns clientes, diante da crise, adiaram
o projeto de comprar um novo imóvel”, diz Erlon Rotta Ribeiro,
diretor comercial.
A construtora vai inaugurar em
2010 um empreendimento de duas torres com apartamentos de 560 metros
quadrados e preço de R$ 1,2 milhão na região do
Ecoville, em Curitiba. O diretor comercial diz que sentiu uma mudança
no ritmo de vendas. “Vendemos 100% da primeira torre antes da crise.
A segunda está 50% vendida. Sabemos que há renda e demanda.
A questão é que a decisão de compra foi adiada”,
afirma. Por conta desse cenário, a construtora preferiu mudar
o perfil de um edifício de alto padrão que seria lançado
no bairro Cabral. “Decidimos transformar o projeto em imóveis
comerciais até que o mercado de alta renda volte ao ritmo normal”,
afirma.
Na concessionária Audi
Munich, que comercializa carros com preços de R$ 98 mil a R$ 620
mil, as vendas estão 6% abaixo do esperado – que era de
15 veículos por mês –, segundo o gerente geral, Sandro
Amaro Maestrelli. Ele diz que houve um esforço maior para vendas
esse ano. “Além de lançamentos e promoções,
tivemos a ajuda da redução do IPI”, acrescenta. “Foi
um semestre bom, mas esperamos uma melhora” diz.
Para Andréa El Omeiri,
uma das sócias da Bazaar Fashion, loja multimarca de grifes voltada
para a classe A, a consumidora da alta renda não deixou de comprar,
mas mudou o perfil. “A cliente passou a parcelar mais a compra
e pedir desconto para a compra à vista.” De acordo com Irit
Czerny, proprietária da Lafort, a crise gerou uma espécie
de “medo moral de gastar” por parte do consumidor de maior
poder aquisitivo. “Tivemos que apelar para promoções,
liquidações antecipadas e para redução de
preços e margens”, conclui. (CR)
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REVISTA ISTO É, 20
de julho de 2009 | Comportamento
Mulher para toda obra
Ao colocar a mão na massa, elas rompem
a última barreira que as separava dos homens no mercado de trabalho
Claudia Jordão

BATOM NA LAJE Kelly Romena é uma das sete
carpinteiras de uma obra no Rio. No detalhe, pedreiras constroem o
Hospital da Mulher de Fortaleza
No histórico ano de 1968, feministas fervorosas se reuniam em praça
pública para queimar sutiãs e exigir a igualdade entre os sexos.
Elas já haviam conquistado o direito ao voto e ao trabalho, mas muito
ainda estaria por vir. Agora, 40 anos depois, as mulheres parecem ter rompido
a última barreira que as separava dos homens, pelo menos em âmbito
profissional. O estudo "Boletim Mulher e Trabalho", da Secretaria
Especial de Políticas para as Mulheres, mostra que o sexo feminino fincou
bandeira em território tradicionalmente masculino, o da construção
civil.
De setembro de 2007 a abril de 2008, a mão de obra feminina cresceu
15% no setor, enquanto a masculina foi reduzida em 6%. "Do total
de brasileiras na formalidade, 0,7% está na construção
civil", diz Luana Pinheiro, subsecretária de planejamento da secretaria. "São
cerca de 69 mil mulheres nas seis principais regiões metropolitanas
do País." O outrora sexo frágil agora pega pesado como pedreiras,
carpinteiras, azulegistas, pintoras, encanadoras e eletricistas.
A rotina na obra do empreendimento
O2 Corporate, um prédio de apartamentos na Barra da Tijuca, no
Rio de Janeiro, por exemplo, incorporou flagrantes da delicadeza feminina
ao tradicional entra e sai de caminhões, às pilhas de plantas
e ao barulho constante. Dos 135 funcionários, sete se destacam
pelas unhas feitas, brincos e cabelos longos presos em coques debaixo
do capacete. São as carpinteiras de fôrma, responsáveis
por fazer e instalar moldes de madeira para concreto e pela segurança
dos funcionários. A presença de mulheres em território
marcado pela testosterona, no entanto, ocorre muito mais por necessidade
do que por opção. Aos 44 anos, casada e mãe de uma
adolescente, a carioca Lecticia Cordeiro é carpinteira há quatro
meses. Por nove anos trabalhou em uma rede de farmácias e, em
três deles, foi gerente. Perdeu o emprego e não conseguiu
recolocação. Chegou a trabalhar como doméstica,
mas se sentiu insatisfeita com o salário mínimo que recebia
e com a rotina que levava. "Tenho orgulho de ser pioneira em meu
trabalho", diz ela. "As mulheres eram criadas para cuidar da
família e da casa, mas elas são boas em se reinventar,
especialmente nas adversidades." A maior dificuldade que enfrentou
foi a dureza da lida. Sua vida é carregar madeira, serrar, pregar,
andar em terreno instável e subir e descer escadas. "Chego
em casa quebrada", diz. "O lado bom é que os músculos
das minhas pernas estão definidos." Ela, porém, não
abre mão de seu lado feminino. "Esses dias martelei o dedo
e dei um chilique."
As mulheres estão longe
de ser realidade em toda obra. Ao mesmo tempo que sua presença é frequente
em cidades como Rio de Janeiro, Canoas (RS) e Fortaleza (CE) - onde há projetos
sociais que lhes dão treinamento profissional -, é praticamente
nula em São Paulo. Mas como aconteceu em outros bastiões
da masculinidade, como a carreira militar ou a aviação
civil, a tendência não tem volta e é questão
de tempo para que elas se tornem cada vez mais constantes. Quem defende
o argumento é a engenheira carioca Deise Gravina, 52 anos. Ela é a
idealizadora do Projeto Mão na Massa, que desde 2007 já formou
143 encanadoras, pintoras, carpinteiras e pedreiras, em parceria com
o Senai. "Dessas, 70% estão empregadas com carteira assinada",
orgulha-se. Para ela, que há 30 anos pisa em canteiros de obras,
a revolução feminina na construção civil
acontece na melhor hora, pelo menos no Rio. "O mercado está aquecido,
especialmente por causa das obras do PAC - Programa de Aceleração
do Crescimento - e da Copa do Mundo", diz.
A modernização
de maquinários e materiais também foi fundamental para
que a brecha para a entrada do sexo feminino fosse aberta. "Atualmente,
a força física não é tão necessária",
diz Deise. "Antes, era preciso misturar cimento, areia e brita
para fazer o concreto, um esforço enorme. Hoje, geralmente,
ele chega pronto na obra", explica. A construtora Cofix é entusiasta
do trabalho das mulheres: são 15 carpinteiras em quatro obras. "Elas
são mais detalhistas, organizadas e limpas e isso influencia,
inclusive, os homens", diz Denise Rodrigues, diretora administrativa
da Cofix. Há empresas que descobriram como tirar o melhor de
cada sexo. A saída foi organizá-los em duplas de trabalho.
Por exemplo, o homem lixa e a mulher pinta. "Enquanto eles ficam
com o trabalho pesado, elas se dedicam ao acabamento final", diz
o químico Fabrício Zanotta, assistente de contas da PPG
Tintas, que colabora no projeto Mulheres em Construção,
que desde 2006 já capacitou 240 moças de Canoas (RS)
para a construção civil.

Até pouco tempo atrás, os
peões estavam acostumados a ver mulheres apenas do lado de fora
do canteiro de obras, de onde eram saudadas com gracejos descorteses.
Talvez por isso a adaptação da operária Kelly
Romena tenha sido tão complicada. "No início, assoviavam
e mexiam comigo", conta. "Vira e mexe o mestre de obras tinha
de intervir e pedir respeito." Aos 25 anos, a ex-recepcionista
aprendeu a se impor. "Hoje me respeitam, mas nem todos entendem
minha escolha", diz. "Falam que eu deveria ser modelo." Feminina,
ela deixa a vaidade de lado no trabalho. Mas, para não embrutecer,
faz aulas de dança do ventre uma vez por semana. Porém,
após saltar a barreira da profissão, elas esbarraram
noutra velha distorção. Segundo a pesquisa, as mulheres
ganham 80% do salário inicial dos homens. Uma injustiça
que pune a ousadia.
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G1, 20 de julho de 2009
Juízes preveem enxurrada
de ações se STF restringir demissões no País
Uma ação em tramitação no Supremo Tribunal Federal
(STF) pode fazer vigorar novamente uma convenção da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) que gera polêmica no direito trabalhista:
determina que as empresas percam o direito de demitir sem motivo.
Atualmente, as empresas têm
liberdade para dispensar os empregados sem motivo aparente desde que
paguem uma indenização, que é a multa de 40% sobre
o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) do empregado.
A outra possibilidade para demissão é a
justa causa; nessas circunstâncias, o trabalhador perde quase todos
os direitos da rescisão.
A Convenção 158
da OIT estabelece que as empresas só podem demitir por justa causa
e quando houver dificuldade financeira, mudanças tecnológicas
ou comprovação de que o trabalhador não está executando
adequadamente a função.
A convenção visa
proibir demissões por questões pessoais ou por rebaixamento
de salário, por exemplo.
Em janeiro de 1996, a Convenção
158 entrou em vigor no Brasil após aprovação do
Congresso Nacional.
No fim do mesmo ano, o presidente
Fernando Henrique Cardoso "denunciou a convenção" por
meio de um decreto presidencial, o que significou, na linguagem jurídica,
que o governo brasileiro não mais adotaria a medida.
No ano seguinte, centrais sindicais
protocolaram a Ação Direta de Insconstitucionalidade (Adin)
1625 contra a atitude do presidente FHC.
As entidades argumentaram que,
uma vez que o Congresso aprovou a adoção da medida, deveria
também aprovar a saída do país do acordo.
Desde então, o caso tramita
no Supremo Tribunal Federal sendo paralisado algumas vezes por pedido
de vista, ou seja, para análise do processo.
No fim do mês passado,
o caso voltou a ser discutido no plenário do STF. O ministro Joaquim
Barbosa apresentou voto para que fosse declarado inconstitucional o decreto
presidencial e a convenção voltasse a vigorar.
Houve novo pedido de vista, e
não há prazo para o julgamento ser retomado.
Na avaliação de
magistrados e advogados, a retomada da convenção é positiva,
mas pode provocar uma enxurrada de processos trabalhistas, uma vez que
todas as justificativas das demissões podem ser questionadas na
Justiça.
Outro ponto é se a decisão
do STF vai considerar legítimas as demissões sem motivo
no período em que a convenção deixou de vigorar.
Divergência
O desembargador José Antonio Pancotti, do Tribunal Regional do Trabalho
da 15ª Região, em Campinas (SP), afirma que os juízes estão
voltando a considerar na análise de processos trabalhistas que o ato
que derrubou a convenção da OIT foi inconstitucional, mesmo antes
de o STF tomar uma decisão.
"O entendimento está começando
a surgir e está sendo muito debatido. Eu não tive a ousadia
de utilizá-lo porque acho que não está pacificado",
afirmou.
Para Pancotti, a convenção
deveria ser aplicada no país. "Acho que a dispensa sem justa
causa é um ato de violência contra o trabalhador".
Segundo o desembargador, porém,
a discussão não pode ser uma disputa política "entre
a esquerda e a direita".
"Tem que ser conduzida uma
discussão transparente e não ideológica".
O juiz Cláudio Antônio
Freitas Delli Zotti, de Belo Horizonte, considera "inegável" que,
se a convenção for retomada, vai aumentar a quantidade
de processos trabalhistas para questionar o motivo das demissões.
"Acredito que durante algum
tempo o número de ações na Justiça do trabalho
poderá crescer".
Delli Zotti concorda com a retomada
da convenção, mas defende um prazo para que as empresas
se adaptem.
O juiz do Distrito Federal Rogério
Neiva afirmou que a grande dificuldade com a retomada da convenção
seriam os casos retroativos.
Ele avalia que se o Supremo analisar
o caso, deve também indicar o que fará com os casos entre
a renúncia da convenção e a eventual retomada.
"Na verdade eu acho que
vamos ter problemas daqui para frente e daqui para trás. É preciso
analisar que a decisão judicial trará uma consequência.
(...) O que me preocupa são os efeitos jurídicos dessa
conversa principalmente sobre o que já aconteceu, o que preocupa é a
segurança jurídica".
Já o advogado trabalhista
Sérgio Batalha considera o texto da convenção "genérico" e
diz não crer em grandes mudanças. Para ele, a legislação
brasileira já coíbe a demissão arbitrária
com a aplicação da multa de 40% sobre o FGTS.
No entanto, Batalha destaca que
a multa de 40% é uma medida transitória da Constituição
e que carece de regulamentação. "Regulamentar é uma
discussão muito mais interessante do que voltar a aderir à convenção".
O Tribunal Superior do Trabalho
informou que não pode se posicionar sobre a convenção
da OIT, uma vez que a caso está "sub judice" no Supremo.
Além disso, informou a
assessoria de imprensa, o tribunal vai analisar o processo sobre as mais
de 4 mil demissões na Embraer, no qual o TRT considerou a Convenção
158 ao cancelar liminarmente as demissões.
Em decisão final, o tribunal
decidiu depois manter as demissões, mas as julgou "arbitrárias" e
estipulou indenização superior aos 40% do FGTS. O caso
vai a análise do TST no próximo dia 10 de agosto.
Contra
a convenção
Diversas entidades empresariais se posicionaram contra a volta da convenção.
Para a Federação
do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), as regras
da convenção "afrontam os princípios da livre
iniciativa"
"Constituem-se como um mecanismo
de ingerência na administração das empresas e representando,
ainda, obstáculo ao investimento estrangeiro no País".
A Confederação
Nacional da Indústria (CNI) considera ainda a convenção
como "motivo de preocupação".
"A Convenção
158 da OIT, que trata do término da relação de trabalho
por iniciativa do empregador, a chamada demissão imotivada, é motivo
de preocupação no meio empresarial por causa dos prejuízos
que a adoção dessas normas acarretará às
empresas brasileiras, à competitividade do país e também,
aos trabalhadores em geral", diz a confederação.
Economia
Especialista na Convenção 158, Carlindo Rodrigues, técnico
do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), a retomada do acordo pode favorecer a economia brasileira.
"A adoção
da convenção seria um mecanismo eficiente para reduzir
a rotatividade da mão de obra e, com isso, evitar a contenção
da massa salarial, uma vez que os empresários demitem para contratar
novos trabalhadores com menores salários. Além do aspecto
da dignidade ao trabalhador, para que tenha mais segurança no
emprego", afirma.
Congresso
No ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou ao
Congresso uma proposta para retomada da convenção.
O texto foi rejeitado pela Comissão
de Relações Exteriores e Defesa Nacional e agora será examinado
pelas comissões de Trabalho; e de Constituição e
Justiça e também pelo plenário.
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Dieese, 20 de julho de 2009
Dieese cria Rede de Apoio à Negociação
(RAN) para subsidiar negociações
Com o objetivo de produzir e difundir conhecimento sobre negociação
coletiva e subsidiar as direções sindicais e os trabalhadores
nesses processos, o Dieese criou a Rede de Apoio à Negociação
ou RAN.
Acessível pela internet, a Rede está disponível às
entidades sindicais associadas ao Dieese e possibilita conhecer em tempo
real as negociações praticadas, os principais temas tratados
e os resultados alcançados.
Essas informações são registradas
por técnicos do Dieese e dirigentes sindicais a cada atividade
realizada durante o processo de negociação de diversas
categorias profissionais.
São rodadas de negociação,
elaboração da pauta de reivindicações, preparação
da mesa, reuniões internas, assembléias e fechamento do
acordo coletivo de trabalho ou convenção coletiva de trabalho,
entre outras.
É importante observar que os dados aqui
relacionados têm valor indicativo e não podem ser extrapolados
para o universo das negociações coletivas.
Este segundo número do Boletim RAN de
2009 traz as informações sobre negociações
coletivas registradas na Rede de Apoio à Negociação
(RAN) no período de abril a junho.
Foram 61 registros referentes a 51 unidades de
negociação.
Destas, 26 foram finalizadas e 24 ainda estão
em andamento. Um dos registros refere-se à negociação
de programa de Participação nos Resultados.
Quanto à data-base, um dos acordos fechados
foi relativo a janeiro, três a março, três a abril,
dezessete a maio, um a junho e um a agosto.
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O ESTADO DO PARANÁ,
20 de julho de 2009 | Economia
Brasil vai propor o uso de mais moedas
locais entre os países do Mercosul
Agência Brasil
O governo brasileiro pretende aprovar, no âmbito do Mercosul, a ampliação
do sistema de pagamentos de moedas locais que já mantém com a
Argentina. A decisão será submetida ao Conselho do Mercado Comum
- instância máxima decisória do bloco - no próximo
dia 23 , em Assunção, às vésperas da Cúpula
de Chefes de Estado do Mercosul.
O atual sistema, em vigor desde
o ano passado, engloba o pagamento, em moedas locais, de comércio
de bens. "Queremos expandir para permitir que outros pagamentos
sejam feitos através dele como pagamentos previdenciários
e exportações de serviços", antecipou o diretor
do Departamento do Mercosul do Itamaraty, ministro Bruno Bath, em entrevista
exclusiva à Agência Brasil.
O uso de moedas locais no comércio
entre os países do Mercosul permite que sejam economizadas reservas
internacionais em dólares e euros, que se tornam mais escassas
em períodos de crise internacional. Estas moedas são consideradas
fortes para as principais transações mundiais (comércio
exterior, investimentos, empréstimos). O Brasil, por exemplo,
tem reservas internacionais de US$ 209 bilhões.
A intenção do
governo brasileiro é adotar o mesmo sistema com os demais parceiros
do Mercosul - Uruguai e Paraguai. As conversas entre os bancos centrais
já começaram.. "Esses contatos ainda estão
em fase inicial, pois é um trabalho técnico bastante complexo,
mas estamos avançando bem. Há muita vontade dos países
em avançar", afirma o diplomata brasileiro.
Os acordos com Uruguai e Paraguai,
quando fechados, já incluirão a ampliação
que está sendo proposta pelo Brasil. "Eles não precisariam
passar pela primeira etapa, só cobrindo comércio de bens",
explica Bath.
Seminário sobre
o tema foi realizado no dia 22 de abril,. em Montevidéu, com
representantes de bancos centrais e ministérios de Economia
dos países-membros da Associação Latino-Americana
de Integração (Aladi).
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BEM PARANÁ, 20 de
julho de 2009 | Economia
Perfil das demandas para o crescimento
econômico
Apesar da retórica otimista reinante nos meios oficiais, é inegável
que a conjugação entre o elevado grau de endividamento primário
da população, os ainda exorbitantes juros cobrados nas operações
de consumo, giro e investimentos, a apreciável participação
dos itens financeiros nas despesas públicas, e o encolhimento da procura
externa, provocado pela crise, vem enfraquecendo os motores da demanda agregada
e dificultando a restauração das funções keynesianas
do Estado brasileiro, mesmo com a ampliação dos beneficiários
do Programa Bolsa Família de 11,0 milhões para 12,3 milhões
de famílias.
A macroeconomia do país carece de encaixe estrutural a um paradigma
de crescimento mais atrelado ao mercado doméstico e às exportações
com maior densidade tecnológica, o que, por seu turno, exigiria a intensificação
dos incentivos à capacitação de mão-de-obra e às
inversões em ciência e tecnologia das organizações
privadas e públicas.
Igualmente relevante seria a priorização de investimentos públicos
em infra-estrutura, em substituição ao setor privado, com reflexos
multiplicadores sobre as cadeias produtivas articuladas à construção
civil. Cálculos da Associação Brasileira da Infra-estrutura
e da Indústria de base (Abdib) identificam necessidades de aplicações
anuais superiores a R$ 100,0 bilhões para a restauração
da competitividade da infra-estrutura do país.
Tanto é assim que, pesquisa realizada no último quadrimestre
de 2008, pela Associação de Investidores Estrangeiros em Imóveis
(Afire), entidade americana que congrega agentes atuantes no mercado imobiliário,
identificou o Brasil como a 2ª preferência para aplicação
dos capitais do setor, desbancando a China em relação ao levantamento
de 2007. O abrupto declínio dos preços dos imóveis, acoplado à crise,
preservou o 1º posto, ocupado pelos EUA, e fez a Grã-Bretanha saltar
do 9º para o 4º lugar.
O estoque de capital disponível pelo governo Lula para a promoção
de alterações mais radicais na gestão econômica
pode ser considerado adequado, pois a popularidade do governo e do Presidente
da República mantém-se em patamares bastante elevados. Conforme
sondagens realizadas pela Confederação Nacional dos Transportes
(CNT)/Sensus, pelo Ibope e pelo Instituto Datafolha, a avaliação
positiva da gestão Lula teria superado inclusive os recordes registrados
pela administração Sarney, em 1986, vinculados ao êxito
inicial do Plano Cruzado.
Gilmar Mendes Lourenço é Economista,
Coordenador do Curso de Ciências Econômicas e Editor da Revista “Vitrine
da Conjuntura” da FAE Centro Universitário, e Conselheiro
do CORECON-PR. Ele escreve às Quartas-Feiras neste espaço.
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Agência Estado, 20 de julho de 2009
Salários na esfera federal
devem aumentar cerca de R$ 16 bilhões em 2010
No ano que vem, a folha de salários do
Governo Federal deverá ter um aumento da ordem de R$ 16 bilhões,
segundo dados que circulam na área técnica do Governo.
O salto é resultado dos reajustes negociados
em anos anteriores, a serem pagos em etapas, e das contratações
de aprovados em concursos públicos.
A cifra deverá constar do projeto de lei
para o Orçamento de 2010, a ser encaminhado ao Congresso no final
de agosto.
A mesma proposta prevê um salto de R$ 27
bilhões nas chamadas despesas discricionárias (que não
são obrigatórias) do Governo.
Desse montante, a maior parte são investimentos
- principalmente os do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC), que deverá somar R$ 22,5 bilhões em 2010, segundo
consta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Também de acordo com essa lei, as despesas
com benefícios previdenciários deverão ter um incremento
de R$ 22,2 bilhões.
Outras despesas também deverão
crescer em 2010.
O programa Minha Casa Minha Vida, que este ano
tem reservados R$ 6 bilhões para subsídios, deverá demandar
mais recursos em 2010.
Também está em discussão
um reajuste dos benefícios do programa Bolsa-Família, cujo
impacto é estimado em R$ 2 bilhões - mas tudo depende do
critério de reajuste a ser definido pelo Governo.
Já a área de Educação
deverá receber cerca de R$ 3,5 bilhões para o Plano de
Desenvolvimento da Educação (PDE).
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Folha de S.Paulo, 20 de julho
de 2009
Mesmo com lei do SAC, atendimento
piora
Acesso de consumidores a atendentes cresce, mas
qualidade do serviço cai, aponta pesquisa com empresas de seis
setores | Consultoria Everis, autora do estudo, diz que dados sugerem
que empresas "só contrataram", em vez de melhorarem
seus serviços
Eduardo Knapp/Folha Imagem

Reinaldo Buri, que teve problemas com o SAC da Telefônica
JULIO WIZIACK
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Meses após sua implantação,
em dezembro do ano passado, a Lei do SAC (Serviço de Atendimento
ao Consumidor) ainda está longe de surtir o efeito necessário
para os consumidores que dependem dos call centers na hora de fazerem
valer seus direitos pela qualidade de produtos e serviços.
É o que revela pesquisa feita pela consultoria Everis, que testou o call
center de 69 companhias no país em seis setores (telefonias fixa e móvel,
empresas de transporte de passageiros, planos de saúde, instituições
financeiras e seguradoras). A pesquisa foi feita em dois períodos deste
ano: em janeiro, um mês após a lei entrar em vigor, e em abril.
Entre janeiro e abril, as empresas melhoraram, em média, em 44% o acesso
dos consumidores ao SAC, mas a qualidade do atendimento caiu. O acompanhamento
dos pedidos, por exemplo, registrou queda de 12% na qualidade. O envio de e-mails
confirmando a solução das demandas caiu 55%.
Esses números variaram por setor. Na telefonia móvel, a qualidade
do atendimento caiu praticamente pela metade, segundo a Everis. "Nenhuma
das operadoras enviou e-mail ao término da resolução dos
chamados," afirma Rodrigo Gonsales, sócio da Everis.
Apesar de a amostragem ser pequena, as empresas foram escolhidas por terem
bases de clientes expressivas capazes de representar os setores em que atuam,
segundo a Everis.
Para Teodoro Lopez, vice-presidente da consultoria, a pesquisa revela que a
melhoria no acesso aos SACs indica que as companhias investiram pesado só na
contratação de funcionários. "Elas incharam seus
call centers só para atender a lei. Resolver o problema do cliente depende
da empresa, não de um SAC. Se os produtos ou os serviços são
ruins, não adianta investir no SAC, pois os problemas vão continuar."
É o que considera Reinaldo Buri, dono do bufê Chef em Casa. "Quanto
mais você tem de ligar para um call center, pior é a qualidade do
serviço dessa empresa. Acho que a boa empresa não recebe chamada
pelo SAC, porque presta um bom serviço ou tem bons produtos."
Buri passou os últimos dois meses tentando cancelar seu Speedy, serviço
de acesso à internet da Telefônica. "Eu esperava demais,
os atendentes não localizavam meu protocolo e as informações
dadas por um funcionário eram desmentidas depois por outros."
Buri pensou estar preso à cláusula de fidelidade que o impedia
de encerrar o contrato com o Speedy. Obteve o cancelamento, após 60
dias, quando uma atendente verificou no sistema a inexistência da cláusula.
Diferentemente de Buri, 5.560 brasileiros não tiveram seus problemas
resolvidos pelos SACs e tiveram de recorrer aos Procons.
Entre dezembro de 2008 e abril, a telefonia fixa respondeu por quase 30% dessas
reclamações, segundo o DPDC (Departamento de Proteção
e Defesa do Consumidor), do Ministério da Justiça. Somando com
os protestos contra as teles móveis, que centralizaram 27,45% das reclamações,
a telefonia ficou com metade das demandas.
Além da telefonia, os setores com mais reclamações contra
os SACs foram o das instituições financeiras, com 28,56% das
reclamações; o de TVs por assinatura (5,11%), o de planos de
saúde (2,95%) e o de companhias elétricas (2,88%).
Segundo levantamento do DPDC, foram aplicadas 431 autuações em
15 Estados entre dezembro do ano passado e abril deste ano.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
20/07/2009
Funcionário da CEF da Paraíba
não consegue isonomia salarial
A Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho não aceitou recurso de um empregado da Caixa
Econômica Federal em João Pessoa (PB) que pleiteava diferenças
salariais decorrentes do princípio da isonomia salarial. Desde
a primeira instância, o economiário vinha insistindo, em
vão, em receber a remuneração maior dos colegas
de outras localidade do País que realizam o mesmo trabalho. Só que
a diferença salarial não decorreu de redução
de salário, mas de classificação de porte de agências,
informou o relator, ministro Ives Gandra Martins Filho.
A queixa do empregado começou
quando a CEF instituiu norma interna e classificou as agências
de acordo com o volume de negócios, custos e competitividade do
mercado local. Em 2007, o empregado recorreu à Justiça
alegando-se prejudicado porque trabalhava em uma agência menor,
em Pombal (PB), e somente por isso ganhava menos. O juiz verificou que
não havia nada a reparar: os critérios diferenciados de
remuneração instituídos pela Caixa eram legítimos
e justificavam que o salário menor decorria de quantidade também
menor de trabalho. Da mesma forma o Tribunal Regional da 13ª Região
julgou o recurso do empregado e informou que a empresa tem quadro de
carreira organizado, com promoções obedecendo a critérios
preestabelecidos, sendo “inviável a concessão de
diferença salarial fundamentada no princípio da isonomia
salarial”.
Ao debater o assunto na sessão
de julgamento da Sétima Turma no TST, o relator disse que o tamanho
da agência bancária “justifica efetivamente uma diferenciação
salarial”. O ministro Pedro Paulo Manos acrescentou que se tratava
de “benefício salarial para aquele que vai trabalhar em
uma localidade em que o serviço é maior ou mais custoso”.
O ministro Ives Gandra concluiu
que o critério geográfico estabelecido pela CEF, que definiu
os valores salariais dos seus empregados, “não configura
discriminação atentatória à isonomia, porque
sedimentado em justificativa racional, sem ranhuras ao texto constitucional”,
além de que ficou comprovado que não acarretou prejuízo
ao trabalhador, uma vez que não houve redução salarial.
A Turma decidiu unanimemente. ( RR-775-2007-004-13-00.4 )
(Mário Correia)
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AGÊNCIA ESTADO, 20
de julho de 2009
Funcionários da construção
civil fazem passeata em SP
Agência Estado
Por Solange Spigliatti
São Paulo - Cerca de três
mil funcionários da construção civil, segundo informações
do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São
Paulo (Sintracon), estão concentrados na sede do sindicato, no
centro da capital paulista, para realizar uma passeata na manhã de
hoje. A passeata, segundo o presidente do sindicato, Antonio de Sousa
Ramalho, tem como destino a superintendência do Ministério
do Trabalho em São Paulo.
O objetivo do protesto, de acordo
com Ramalho, é o de reivindicar melhor segurança nas obras
e evitar novos casos de mortes de trabalhadores. Um documento com outras
oito reivindicações do sindicato também será entregue
ao superintendente, José Roberto de Melo. Ramalho explica que
a manifestação tem a intenção de criar uma
política de respeito à vida e à prevenção
a acidentes.
"Queremos que o governo
dê maior atenção à vida. Não são
só os trabalhadores que correm riscos durante uma obra. Um pedestre
que passa pela rua e mesmo os vizinhos da obra também podem
ser vítimas da falta de segurança", afirma. Os funcionários
aguardavam no início da manhã autorização
da Polícia Militar, que programa o roteiro da passeata para
evitar congestionamentos. São esperados cerca de oito mil trabalhadores,
de acordo com Ramalho.
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AFP, 20 de julho de 2009
EUA: o pior já teria passado para
a construção civil
WASHINGTON — A retomada
da construção civil e o aumento das licenças com
esse fim nos Estados Unidos confirmaram, em junho, a recuperação
em relação ao mês anterior, o que parece indicar
que o pior já teria passado, embora o setor ainda esteja longe
de uma verdadeira reativação.
O número de pedidos de
licenças para a construção e as obras em andamento
nos Estados Unidos subiram mais que o previsto em junho, em 3,6% e 8,7%
respectivamente, segundo cifras oficiais corrigidas pelas variações
sazonais publicadas nesta sexta-feira pelo Departamento de Comércio,
em relação ao mês de maio.
Foram concedidas 563.000 licenças,
em nível anual, quando os analistas esperavam, apenas, 524.000.
A abertura de obras para a construção
de casas aumentou, por sua vez, 3,6% em junho, alcançando 582.000
em nível anual, o mais alto desde novembro de 2008. Esta cifra
também surpreendeu os analistas, que trablhavam com um número
de 530.000.
Esses dois indicadores - da tendência
do setor de construção civil nos próximos meses
e de seu estado atual - haviam caído em abril ao patamar mais
baixo em meio século.
"O mercado imobiliário
finalmente poderá dar a volta à página", arrisca
o economista independente Joel Naroff, recordando que o baixo investimento
no setor havia contribuído para a queda de um ponto no crescimento
do país tanto em 2007 quanto em 2008.
"Isto reforça a convicção
de que a recessão está chegando ao fim", acrescentou.
Segundo Patrick Newport, do gabinete
IHS Global Insight, os dados "são os melhores em vários
anos".
As dificuldades do mercado da
construção começaram antes da explosão da
bolha dos créditos imobiliários de risco ("subprime"),
em agosto de 2007.
Os investimentos das famílias
na compra da casa própria estão em baixa desde o começo
de 2006. Desde então, o setor perdeu 20% de seus empregos, segundo
dados do departamento de Trabalho.
O setor da construção civil e, em particular o da habitação, é considerado
muito importante nos Estados Unidos, onde duas em cada três famílias
são proprietárias de imóveis. Sua recuperação é,
em consequência, considerada indispensável para permitir um crescimento
durável depois da reativação esperada para até o
final do ano.
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