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BEM PARANÁ, 23 de julho
de 2009 | Economia
Construção civil
Paralisação segue com maior
adesão na Capital
A greve dos trabalhadores da construção
civil de Curitiba e Região Metropolitana, iniciada nesta terça-feira,
por tempo indeterminado
Ana Ehlert
A greve dos trabalhadores da
construção civil de Curitiba e Região Metropolitana,
iniciada nesta terça-feira, por tempo indeterminado, prossegue
com adesão de cerca de 90% dos trabalhadores, segundo estimativas
do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
Civil, de Olarias, de Cerâmicas para Construção,
de Artefatos de Cimento Armado e de Mármores e Granitos de Curitiba
e Região Metropolitana (Sintracon). “Acredito que mais de
40 empreendimentos tenham ficado totalmente parados hoje (ontem)”,
declarou o José Alexandre dos Santos, secretário- geral
Adjunto do Sintracon.
No primeiro dia do movimento
foram afetados os canteiros de obras das empresas MRV, Doria, Plaenge,
Irmãos Thá, Vanguard e LM. Ontem praticamente todas as
empresas tiveram reflexos da greve dos trabalhadores. Houve ainda adesão
em empreendimentos de São José dos Pinhais, Colombo, e
Campo Largo. Ao todo, o sindicato representa 35 mil trabalhadores, dos
quais entre 20 mil e 25 mil atuam em Curitiba, segundo calculo de Santos.
A próxima rodada
de negociações com os representantes do Sindicato da
Indústria da Construção Civil (Sinduscon) está marcada
para amanhã, às 9h30, na Delegacia Regional do Trabalho
(DRT).
Os trabalhadores querem 14% de reajuste entre outros benefícios. No
entanto, os empresários ofereceram 7% na última negociação. “Na
anterior eles tinham proposto 7,5%”, afirmou Santos.
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Gazeta do Povo, 23 de julho
de 2009
Construção
Operários mantêm paralisação
No segundo dia de greve, os trabalhadores da construção civil
intensificaram ontem a mobilização nos canteiros de obras em
Curitiba e região metropolitana. Os operários realizaram piquetes
na entrada de obras logo no começo da manhã. Depois, os grevistas
se concentraram na Praça 19 de Dezembro, no centro Curitiba.
De acordo com o presidente Sintracon,
sindicato que representa a categoria, Domingos de Oliveira Davide, foram
realizados piquetes em oito locais. “Em uma só obra, em
São José dos Pinhais, conseguimos mobilizar 150 trabalhadores”,
disse. Segundo Davide, a adesão atinge 70% dos 35 mil filiados.
Para o vice-presidente da área
de políticas e relações do trabalho do Sinduscon,
que representa a indústria da construção, Euclésio
Manoel Finatti, a adesão é bem menor. “Esta greve
não chega a atingir 3% do total de trabalhadores”, afirma.
Representantes dos dois sindicatos
vão se reunir, na próxima sexta-feira, na Superintendência
Regional do Trabalho e Emprego no Paraná (SRTE/PR), para tentar
um acordo. O sindicato patronal ofereceu reajuste salarial de 7%, enquanto
os operários pedem pelo menos 10%, entre outros benefícios.
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BEM PARANÁ, 23 de julho de 2009 |
Trabalho & Negócios
Greve
Trabalhadores da construção
civil fazem ato e piquetes em Curitiba
Paralisação da categoria na
capital e região entra no terceiro dia sem
Redação Bem Paraná
Trabalhadores da Construção
Civil não se intimidaram com a chuva e o frio e fizeram nova manifestação
na Praça 19 de Dezembro (do Homem Nu), no Centro de Curitiba,
hoje (23) de manhã.
Cerca de 200 operários
se reuniram na praça, cobrando ações dos patrões
em relação às reinvindicações da categoria,
em greve desde a terça-feira em Curitiba e Região Metropolitana.
Os grevsiats também organizaram piquetes em obras na cidade.
A adesão à paralisação é de
cerca de 90%, segundo estimativas do Sindicato dos Trabalhadores nas
Indústrias da Construção Civil, de Olarias, de Cerâmicas
para Construção, de Artefatos de Cimento Armado e de Mármores
e Granitos de Curitiba e Região Metropolitana (Sintracon).
Ao todo, o sindicato representa
35 mil trabalhadores.
A próxima rodada de negociações
com os representantes do Sindicato da Indústria da Construção
Civil (Sinduscon) está marcada para amanhã (24), às
9h30, na Delegacia Regional do Trabalho (DRT).
Os trabalhadores querem 14% de
reajuste entre outros benefícios. No entanto, os empresários
ofereceram 7% na última negociação. “Na anterior
eles tinham proposto 7,5%”, afirmou Santos.
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O ESTADO DO PARANÁ,
23 de julho de 2009 | Economia
IBGE: trabalho começa a tomar
fôlego após a crise
Agência Estado
O gerente da pesquisa mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo, observou que a taxa de desemprego
apresentou em junho o primeiro ponto de inflexão do ano e a queda na
taxa (de 8,8% em maio para 8,1% em junho) resultou sobretudo do aumento na
geração de empregos e da queda no número de desocupados
de um mês para o outro. "Foi o primeiro momento em que o mercado
de trabalho começou a tomar fôlego após o início
da crise", avalia Azeredo.
Segundo o gerente, "o mercado
de trabalho sem dúvida mostrou um resultado favorável.
Ainda não conseguimos nos equiparar aos avanços de 2008,
o mercado não mostra o aquecimento do ano passado, mas mostrou
recuperação em junho, deu uma arrancada no mês e
agora resta aguardar os resultados dos próximos meses", afirmou.
Um dos pontos de dúvida
para os próximos meses, segundo Azeredo, está na população
não economicamente ativa (sem trabalho e sem procurar emprego),
que aumentou 0,6% em junho ante maio, para um total de 105 mil pessoas.
De acordo com ele, essa alta pode ter relação com uma espera
das pessoas por resposta a uma providência tomada de procura por
emprego, mas também pode ser um sinal de aumento do desalento,
ou seja, desistência da procura por uma vaga.
Rendimento médio real
O rendimento médio real
(descontada a inflação) dos trabalhadores nas seis principais
regiões metropolitanas do País ficou em R$ 1.331,57 no
primeiro semestre de 2009, com alta de 4,1% ante igual semestre do ano
passado, segundo o IBGE. Cimar Azeredo disse que a renda real neste primeiro
semestre foi a maior da série da pesquisa, que teve início
em 2002 mas só dispõe de resultados médios do primeiro
semestre a partir de 2003. De acordo com Azeredo, a alta da renda em
2009 reflete o aumento do salário mínimo, o controle da
inflação e, ainda, o aumento da formalidade no mercado
de trabalho.
A taxa média de
desemprego no primeiro semestre de 2009 ficou em 8,6%, ante 8,3% em
igual semestre do ano passado, segundo dados apresentados por Azeredo.
Em 2007, a taxa média do primeiro semestre havia sido de 9,9%.
Segundo Azeredo, os dados do semestre revelam que "a crise mostrou
efeitos no mercado de trabalho, que perdeu a aceleração
que apresentava no ano passado, mas não chegou a reverter os
ganhos de 2008".
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GAZETA DO POVO, 23 de julho
de 2009 | Economia
Balanço
FGTS teve saldo positivo de R$ 2,33 bilhões
no primeiro semestre
Lupi explicou que a arrecadação
bruta do semestre foi de R$ 27,13 bilhões e os saques ficaram
em R$ 24,83 bilhões
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) teve saldo positivo de
R$ 2,33 bilhões entre janeiro e junho, disse nesta quinta-feira (23)
o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Ele deu a informação durante
a apresentação do balanço do primeiro semestre de 2009
do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do FGTS.
Lupi explicou que a arrecadação
bruta do semestre foi de R$ 27,13 bilhões e os saques ficaram
em R$ 24,83 bilhões, com saldo de R$ 2,3 bilhões. Ao considerarmos
os resquícios dos depósitos feitos após esses registros,
o total de recursos injetados na economia chega a cerca de R$ 32,97 bilhões.
Segundo o ministro, o único
mês que teve saldo negativo foi março (-R$ 440,2 milhões),
em função dos saques realizados em consequência
das enchentes de Santa Catarina. Nos outros meses, a arrecadação
líquida foi positiva, com saldo positivo de R$ 327 9 milhões
em junho, tendo sido a arrecadação bruta de R$ 4,47 bilhões
e os saques R$ 4,146 bilhões.
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O Estado de S.Paulo, 23 de
julho de 2009
2º semestre: crise não
afeta luta por ganho real de salário
De acordo com levantamento do
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), apesar da crise houve melhora nas negociações
coletivas do 1° trimestre deste ano em relação a igual
período de 2008
A crise não desanimou
os trabalhadores com data-base no segundo semestre na reivindicação
de aumento real de salários.
Nesse período se concentram
as campanhas salariais das categorias profissionais mais organizadas
do Brasil, como metalúrgicos, bancários, petroleiros, químicos
e eletricitários.
Bancários e metalúrgicos,
que têm data-base em setembro, se preparam para iniciar as negociações.
Os mais de 465 mil bancários
do País querem reajuste de 10% (inflação mais 5%
de aumento real) nos salários e demais verbas, como vale-refeição
e vale-alimentação.
Além disso, a categoria
reivindica uma Participação nos Lucros ou Resultados (PLR)
dos bancos de três salários acrescidos de R$ 3.850.
Cerca de 220 mil metalúrgicos
do Estado de São Paulo, ligados à Central Única
dos Trabalhadores (CUT), querem a reposição integral da
inflação, além de aumento real do salário,
cujo índice deverá ser definido na mesa de negociações.
Já os metalúrgicos
de São José dos Campos, Campinas, Limeira e Santos, ligados à Coordenação
Nacional de Lutas (Conlutas) reivindicam aumento real de 8,53% mais a
reposição integral da inflação.
De acordo com levantamento do
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), apesar da crise houve melhora nas negociações
coletivas do primeiro trimestre deste ano em relação a
igual período de 2008.
Nada menos que 96% dos acordos
garantiram ao menos a reposição da inflação.
Em 2008, esse número foi
de 89%. E 78% dos acordos deste ano garantiram aumento real nos salários,
ante 77% em 2008.
"Não temos dúvida
de que o setor financeiro brasileiro não foi afetado pela crise
mundial", diz Carlos Cordeiro, presidente da Confederação
Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), entidade ligada à Central Única
dos Trabalhadores (CUT).
"Os números do setor
demonstram que os bancos têm total capacidade de atender às
reivindicações justas dos bancários".
O sindicalista cita que a rentabilidade
líquida sobre o patrimônio dos bancos, no mercado brasileiro,
está na casa dos 30%. Segundo ele, esse índice hoje é de
15% em outros países.
Definida no último fim
de semana, a pauta de reivindicação dos bancários
deverá ser entregue aos representantes dos bancos até o
fim do mês.
Cordeiro diz que a categoria
está mobilizada e disposta a ir à greve caso as negociações
cheguem a um impasse.
O presidente da Federação
Estadual dos Sindicatos Metalúrgicos da CUT (FEM), Valmir Marques
da Silva, conhecido como Biro-Biro, acredita que as negociações
serão as mais difíceis dos últimos anos, mas não
abre mão das reivindicações da categoria.
"O custo da crise já foi
pago no primeiro trimestre, por meio dos acordos para suspensão
temporária do contrato de trabalho e pelas demissões".
A campanha dos metalúrgicos
da CUT será oficialmente lançada hoje, com a entrega da
pauta de reivindicações na sede da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Os sindicalistas vão realizar
um ato em frente ao prédio da entidade, na avenida Paulista. A
expectativa é de reunir entre 1,5 mil a 2 mil pessoas.
Para o presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Vivaldo
Moreira Araújo, apesar de a campanha ocorrer em meio à crise,
a produção em setores como o automobilístico está em
alta.
"As empresas têm garantido
seus lucros à custa do aumento da exploração da
nossa força de trabalho, bem como graças ao repasse pelo
governo federal de dinheiro público por meio de incentivos e isenções
fiscais", diz Araújo.
"Portanto temos todos os
motivos para lutar por nossas reivindicações".
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Gazeta do Povo, 23 de julho
de 2009
Política monetária
Juro básico vai a 8,75% ao ano,
mas BC indica fim dos cortes
Comitê de Política Monetária
reduz a Selic em 0,5 ponto porcentual. Taxa é a mais baixa
da série histórica, iniciada há 13 anos
O Banco Central sinalizou que
o processo de queda dos juros iniciado em janeiro pode ter chegado ao
fim. Por unanimidade, os membros do Comitê de Política Monetária
do BC (Copom) cortaram em 0,5 ponto porcentual a taxa Selic, que a partir
de hoje é de 8,75% ao ano, e afirmaram que o novo nível é consistente
para controlar a inflação e estimular a recuperação
da economia “ao longo do horizonte relevante”. Com essa decisão,
que leva o Brasil de terceiro para quinto no ranking de maiores juros
reais (descontada a inflação) do mundo, os fundos de renda
fixa tendem a ficar ainda menos atraentes do que a poupança, uma
vez que sua rentabilidade está atrelada à Selic (leia mais
no texto abaixo).
De janeiro para cá, a
Selic, que serve de parâmetro para as operações de
curto prazo feitas entre bancos e o BC, foi reduzida em cinco pontos
porcentuais. Desde o mês passado a taxa se encontra no nível
mais baixo desde a criação do Copom, em 1996. O atual índice
melhora a condição do país em captar investimentos
produtivos e recuperar a economia, afetada pela crise econômica
internacional.
A decisão anunciada ontem
já era prevista pela maioria dos economistas. “Apesar de
a inflação estar sob controle no momento e das incertezas
a respeito do cenário adiante, existem fortes evidências
de que a economia brasileira já está em processo de recuperação,
o que pode gerar pressão nos preços no início de
2010”, diz o analista da WinTrade, José Góes. Desse
modo, de acordo com ele, a autoridade monetária deverá manter
a taxa no atual patamar, ou promover no máximo um ajuste fino,
para 8,5%.
A incerteza se explica por uma
série de fatores. De um lado, os indicadores econômicos
conhecidos até agora não permitem que se afirme com certeza
que o país já retomou, de fato, um ritmo de crescimento
sustentável. Apesar dos bons resultados que vêm sendo alcançados
por setores como o de serviços, na indústria a produção
ainda patina, e o emprego permanece estabilizado num nível relativamente
baixo.
De qualquer maneira, a mudança
deve trazer novidades no ponto de vista produtivo e especulativo, segundo
analistas. “Com a taxa de juros mais baixa, fica mais barato para
as empresas investirem em produção, e o financiamento de
bens para pessoas físicas também se torna mais acessível
em médio prazo. Isso tudo proporciona investimentos reais na economia,
que em médio prazo se refletem em mais produção
e incremento do Produto Interno Bruto (PIB)”, diz o professor da
Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite.
O economista sênior da
consultoria Uptrend Thiago Davino raciocina de forma semelhante. “Como
a queda na Selic desmotiva o investidor a buscar aplicações
de renda fixa, ao mesmo tempo contribui diretamente para o desenvolvimento
da bolsa de valores brasileira – tanto pela maior lucratividade
da bolsa quanto pelo maior estímulo que as empresas têm
em entrar no mercado de ações. Isso beneficia o setor produtivo”,
diz.
Nova etapa
Os cortes na taxa básica
realizados nesse ano já tiveram impacto sobre os juros cobrados
pelos bancos para empresas e pessoas físicas. No ano passado,
mesmo com a taxa Selic estável, os juros bancários subiram
devido à falta de recursos para crédito no mercado financeiro
causada pela crise.
O aumento do crédito e
a queda na taxa básica ajudaram, no entanto, a melhorar esse quadro.
Segundo pesquisa do próprio BC, a taxa média do crédito
bancário para o consumidor no país está hoje em
47,3% ao ano. Em novembro do ano passado, chegou a quase 60% ao ano.
No mesmo período, a taxa do cheque especial recuou de quase 175%
para 168% ao ano.
De acordo com a Associação
Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), a queda dos juros
produzirá mais efeitos indiretos do que diretos na economia. Para
a associação, uma taxa mais baixa reduz a rentabilidade
dos bancos em aplicações de títulos públicos.
Isso leva os mesmos a emprestar mais, provocando maior competição
no mercado de crédito e, consequentemente, queda nas taxas.
Próxima reunião
O próximo passo do BC
em relação aos juros será conhecido na primeira
semana de setembro, na próxima reunião do Copom. O comitê se
reúne a cada 45 dias, aproximadamente, em oito encontros anuais.
As reuniões seguintes serão no final de outubro e início
de dezembro.
Repercussão
Entidades pedem queda ainda maior
Folhapress
São Paulo - O corte de
0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros foi considerado insuficiente
por representantes da indústria comércio e dos trabalhadores.
Para o presidente da Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, a taxa básica
precisa chegar ao patamar de 7%. “A Selic de 7% induzirá o
aumento dos investimentos das empresas e o consumo das famílias,
promovendo a retomada do crescimento”, disse Skaf, por meio de
nota.
O presidente da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, avalia que
o corte poderia ter sido maior. “A redução no ritmo
de abrandamento da política monetária é prematura
e equivocada”, afirmou.
A Central Única dos Trabalhadores
(CUT) chamou de “irrisória” a queda na Selic. Já a
Força Sindical qualificou de “tímida” a decisão
do Banco Central.
Febraban
Para a Federação
Brasileira de Bancos (Febraban), a queda na Selic deve levar a uma
continuidade na queda dos juros cobrados do consumidor e das empresas. “No
início deste ano, pesou muito a questão conjuntural.
Diante da crise, as instituições financeiras reagiram às
incertezas sobre o cenário diminuindo a oferta de crédito,
o que significou aumento dos ‘spreads’ [diferença
entre a taxa de captação e a cobrada de clientes]. De
lá pra cá, o panorama foi melhorando e, com isso, os
juros passaram a recuar. Provavelmente, continuarão caindo com
mais força’’, diz Rubens Sardenberg, economista-chefe
da Febraban.
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Gazeta do Povo, 23 de julho
de 2009
Habitação
Mercado de imóveis mais caros
mostra retomada
Mesmo as incorporadoras que não têm
projetos enquadrados no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida
tiveram alta nas vendas durante o último trimestre

Apartamentos de alto padrão em Curitiba: aumento do valor
máximo a ser financiado pelo FGTS impulsionou segmento
São Paulo - Num momento
em que as incorporadoras voltam cada vez mais suas atenções
para o segmento econômico, em decorrência, principalmente,
do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, o mercado começa
a deparar também com o início da retomada da demanda por
imóveis destinados às faixas de renda média e média-alta.
Essa tendência aparece no desempenho, no segundo trimestre, das
vendas contratadas de incorporadoras que não têm foco nas
faixas de renda contempladas no pacote oficial e que já divulgaram
prévias operacionais.
Um dos principais estímulos
para a demanda de unidades pelo segmento médio foi a ampliação
do limite do valor máximo do imóvel a ser financiado com
recursos da poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) de R$ 350 mil para R$ 500 mil. “A velocidade de vendas de
imóveis na faixa de R$ 350 mil a R$ 500 mil aumentou no segundo
trimestre”, afirma Douglas Duarte, diretor comercial da Tecnisa,
que lançou o primeiro empreendimento no Paraná há dois
meses.
A melhora do cenário macroeconômico
contribui para a tomada de decisão de compra pelos consumidores. “As
empresas pararam de demitir e estão percebendo a necessidade de
começar a admitir funcionários de novo”, acrescenta
Duarte. No segundo trimestre, as vendas contratadas da Tecnisa somaram
R$ 298,5 milhões, 10% a menos que no mesmo período do ano
passado, mas 10% acima do valor comercializado no primeiro trimestre.
“A partir das vendas do
segundo trimestre, houve impacto positivo da ampliação
do limite do financiamento do SFH (Sistema Financeiro da Habitação)
e do FGTS. Não temos visto postergação da decisão
de compra”, afirma o diretor-executivo de investimentos da Brookfield
Incorporações, Alessandro Vedrossi. A Brookfield registrou
vendas contratadas de R$ 568,5 milhões no segundo trimestre, 77%
a mais que no mesmo período do ano passado e 86% maiores que as
do primeiro trimestre. Do total, o segmento residencial foi responsável
por R$ 387 milhões, e o de escritórios, por R$ 181 milhões.
No segmento econômico (imóveis
residenciais de até R$ 130 mil), a Brookfield vendeu R$ 13,9 milhões,
37% a menos que no segundo trimestre de 2008. Na faixa de renda média-baixa
(R$ 130 mil a R$ 350 mil), as vendas cresceram 80%, para R$ 188,3 milhões.
No segmento médio (R$ 350 mil a R$ 500 mil), houve expansão
de 17%, para 44,1 milhões. Na classe média-alta (R$ 500
mil a R$ 1 milhão), as vendas caíram 24%, para 54,2 milhões.
Na alta renda (acima de R$ 1 milhão), o aumento foi
de 61%, para 79,3 milhões.
A EZ Tec, que atua em todas as
faixas de renda, com foco em empreendimentos para média e média-alta
renda, vendeu R$ 243,5 milhões no segundo trimestre, 70,6% a mais
que no mesmo período do ano passado. Segundo o vice-presidente
e diretor de Incorporação da EZ Tec, Silvio Zarzur, houve
retomada da demanda por unidades de médio e alto padrão
desde o início do ano.
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Vermelho, 23 de julho de
2009
A falácia do déficit
da Previdência volta à tona
Mais uma vez a questão do déficit
da previdência social volta à imprensa, desta vez o Jornal
Agora de São Paulo publicou hoje (22 de julho) uma matéria
intitulada “Déficit da Previdência aumenta mesmo com
arrecadação maior”.
Por Maurício Oliveira, assessor
Econômico da Confederação Brasileira de Aposentados
e Pensionistas (Cobap)
É preciso esclarecer à população brasileira, e isso é uma
tarefa que a própria imprensa poderia realizar, que a Previdência
Social não é deficitária, pois é parte integrante
do Sistema de Seguridade Social criado pela Constituição de 1988
e está disposto em seus artigos 194 e 195 como um conjunto de ações
destinadas a assegurar o direito relativo à saúde, previdência
e assistência social, sendo financiado por toda a sociedade de forma direta
e indireta por meio de recursos provenientes da União, dos Estados, do
Distrito federal e dos Municípios.
Nesse bojo, foi criado também
o Orçamento da Seguridade Social com fontes plurais de custeio
e programas sociais fins. Dentre esses programas, é importante
dar especial ênfase à Lei de Custeio e Benefícios
da Previdência Social (RGPS), à incorporação
do setor rural aos benefícios previdenciários, à Lei
Orgânica de Assistência Social (LOAS), que garante renda
mínima para idosos e deficientes, e ao Sistema Único de
Saúde (SUS), regionalizado e descentralizado.
Portanto, existem recursos constitucionais
que garante a cobertura dos benefícios sociais independentemente
de contribuição. Apenas em 2008, o superávit da
Seguridade Social foi de R$ 52,3 bilhões, dinheiro desviado para
o superávit primário da União e arcar com o pagamento
dos juros da dívida pública. O total dos desvios de recursos
da Seguridade Social no período de 2000 a 2008 foi de R$ 383,2
bilhões
Esse montante seria suficiente
para revolucionar a saúde pública do país e recuperar
o valor de todas as aposentadorias e pensões da previdência
em quantidade de salários mínimos na época da concessão.
Porém, esse dinheiro foi para o sistema financeiro nacional e
internacional.
O déficit, portanto, é uma
falácia, defendida por aqueles que querem acabar com a previdência
social pública que é a maior política de distribuição
de renda do país. O cálculo do déficit que o governo
divulga é uma fórmula simplista e conceitualmente errada,
pois faz somente a subtração da arrecadação
líquida com o total de todos os benefícios previdenciários,
não levando em conta os repasses do orçamento da seguridade
Social.
O que o governo chama de déficit é,
na verdade, uma política social, principalmente na área
rural, que o próprio presidente Lula já declarou ser prioridade
de governo e que não pode ser entendida apenas como despesas.
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Folha de S.Paulo, 23 de julho
de 2009
País aceita pagar o triplo
por energia de Itaipu
Proposta ao presidente Fernando Lugo prevê a
liberação gradual, para o mercado livre brasileiro,
da energia excedente paraguaia | Liberação começaria
com a menor parte possível, um décimo do excedente;
preço do que for vendido só para a Eletrobrás
triplicaria
ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA DA FOLHA
O governo brasileiro apresentou
ontem ao presidente do Paraguai, Fernando Lugo, uma proposta chamada
em Brasília de "step by step" (degrau por degrau) para
Itaipu: a liberação gradual da energia excedente do Paraguai
para o mercado livre brasileiro, começando com a menor parte possível,
e a triplicação do preço do que continuar sendo
vendido exclusivamente para a Eletrobrás.
Os dois países dividem meio a meio a energia de Itaipu, mas o Paraguai
só consome 5% da sua parte e cede o restante ao Brasil por US$ 2,86
o megawatt, o que soma cerca de US$ 120 milhões por ano. O valor pode
subir para US$ 8,58, caso o acordo chegue a bom termo, mas só somaria
US$ 360 milhões ao ano se parte da cessão não fosse aberta
ao mercado privado.
Na oferta brasileira, US$ 50 milhões da diferença a mais, em
vez de pagos diretamente, poderiam, por exemplo, fazer parte de um fundo para
a construção de dois projetos considerados fundamentais pelo
governo Lugo: a linha de transmissão Itaipu-Assunção e
uma subestação que está prevista desde o contrato de criação
da binacional e nunca foi construída.
A estimativa é que a linha de transmissão fique em US$ 400 milhões,
parte financiada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social) e parte pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), com o
qual o Paraguai tenta obter condições mais camaradas.
Mercado
livre
Na expectativa de Brasília, a maior dificuldade nas negociações
com o Paraguai será justamente para estabelecer a cota inicial de energia
a ser vendida ao mercado privado. Pela oferta preliminar, seria bem pequena
-um décimo do excedente.
Para isso, o Brasil sugere que a venda comece com a irrisória produção
de duas miniusinas paraguaias, a de Acaray e a de Iguazu, mais a pequena cota
inicial da própria Itaipu, até chegar a 100% do excedente em
2023, época da renegociação do Tratado.
Na negociação, o Brasil vai apresentar estudos da Eletrobrás
mostrando que a venda direta ao mercado privado pode não ser um bom
negócio para o próprio Paraguai, porque, com a crise econômica,
a demanda de energia diminuiu e os preços de mercado caíram.
Segundo o estudo, a diferença entre o preço regulado (da Eletrobrás)
e o de mercado livre (de grandes empresas, como a Vale do Rio Doce) pode chegar
a 70%. "Será que eles querem?", perguntou, com ironia, um
técnico brasileiro.
A intenção do governo é não repassar a diferença
para as tarifas, ou seja, para o consumidor brasileiro, deixando o ônus
para o Tesouro Nacional. Há precedentes, contudo, de que esse tipo de
intenção não se confirmou na prática.
Ceder
até certo ponto
Os representantes do Brasil na reunião de ontem com Lugo, em Assunção,
foram o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia,
e o embaixador Ênio Cordeiro, subsecretário-geral do Itamaraty
para a América do Sul. Foi uma preparação do encontro
do presidente paraguaio com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
no próximo sábado.
A orientação de Lula é que o Brasil negocie buscando o
seguinte equilíbrio: ceda no que for possível para garantir o
desenvolvimento econômico e a estabilidade política do governo
Lugo, mas sem causar prejuízos que possam gerar críticas em ano
pré-eleitoral.
Uma das reivindicações do Paraguai, por exemplo, foi descartada
consensualmente pelo governo brasileiro: a de mudança do Tratado de
Itaipu para permitir que parte do excedente da energia fosse vendida a terceiros,
especialmente Argentina e Chile. O Brasil não aceita.
De qualquer forma, a perspectiva é que todo o pacote acabe parando no
Congresso Nacional, abrindo uma nova frente de embate político entre
governo e oposição -que tem reclamado do "excesso de generosidade" do
governo Lula com países pobres como Bolívia, Equador e agora
Paraguai.
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Folha de S.Paulo, 23 de julho
de 2009
Oi dispensa 1.178 após integração
com BrT
Número de postos de trabalho ainda é superior
ao de fevereiro de 2008, como estipulado pela Anatel
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
ONLINE
O processo de integração
da Oi com a BrT (Brasil Telecom) causará a demissão de
1.178 empregados do contingente atual, que hoje conta com 31.238 funcionários,
informou ontem a primeira em nota.
As demissões devem acontecer até o fim deste mês, sendo
que a maior parte (860) acontecerá no setor de operação
e manutenção da unidade interna da companhia. Esses serviços
serão assumidos pela Nokia Siemens, que deve contratar grande parte
dos funcionários demitidos.
O contrato de prestação de serviços acertado com a Nokia
Siemens será de US$ 1,56 bilhão, tem validade para cinco anos
e prevê a contratação de 1.060 pessoas para manutenção
de redes na região 1 e 2, que abrange a área original de atuação
da Oi acrescida do Estado de São Paulo.
As demais demissões devem se concentrar na área comercial da
antiga BrT, que foi comprada pelo Oi em operação aprovada em
janeiro pelas autoridades brasileiras. A maior parte das demissões deve
ser feita por meio de acordo que prevê indenizações e aposentadoria
antecipada.
Na ocasião das negociações para a aquisição,
a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) estipulou
que a empresa resultante deveria manter, por três anos, o mesmo número
de postos de trabalho existentes nas duas companhias em fevereiro do ano passado,
que era de 25.542.
Após as demissões atuais, a empresa ficará com 30.060
funcionários, o que representa adição líquida de
4.518 vagas, destacou a Oi.
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BEM PARANÁ, 23 de julho de 2009 | Trabalho & Negócios
Greve
Repar e trabalhadores tentam acordo para
terminar greve
A expectativa é de realizar acordo,
sem que haja necessidade de uma decisão judicial para a ação
de dissídio coletivo
Redação Bem Paraná
A Justiça do Trabalho
do Paraná realiza nova audiência, nesta quinta-feira, às
9h30, para tentar obter acordo nas negociações entre empresas
e trabalhadores que atuam no projeto de ampliação da Refinaria
Getúlio Vargas (Repar) e da Fosfértil, em Araucária.
A audiência desta quarta-feira ocorreu das 9h30 às 16h,
com apenas uma hora de intervalo para almoço, porém o esforço
de negociação não foi suficiente para a conciliação
dos interesses.
O vice-presidente do TRT, desembargador
Luiz Eduardo Gunther, presidiu as negociações contando
com contribuição do Ministério Público do
Trabalho, reunindo-se reservadamente com representantes dos trabalhadores,
dos empresários e seus advogados, na tentativa de aproximar as
propostas.
A expectativa é de
realizar acordo, sem que haja necessidade de uma decisão judicial
para a ação de dissídio coletivo. "A Justiça
se concretiza quando atinge a paz social e podemos chegar a ela pelos
próprios agentes. São os interlocutores sociais, empregados
e empresas, que melhor conhecem sua realidade, por isso é importante
esgotarmos todas as possibilidades de acordo", lembrou o desembargador
Gunther aos participantes.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
23/07/2009
SDI-1 rejeita embargos de sindicato sobre
cobrança de contribuição
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
manteve decisão que considerou inválida a cobrança
de contribuição assistencial pelo Sindicato dos Trabalhadores
na Indústria do Fumo de São Paulo a todos os membros da
categoria, independentemente de filiação. A SDI-1 rejeitou
embargos do sindicato contra decisão da Justiça do Trabalho
da 2ª Região (SP), que acolheu ação proposta
pelo Ministério Público do Trabalho contra a cobrança.
O sindicato pretendia a declaração
de ilegitimidade do MPT para propor a ação, mas a relatora
dos embargos, ministra Maria Cristina Peduzzi, observou que o objeto
da ação está de acordo com as competências
institucionais do órgão. Ela lembrou que o artigo 83, inciso
IV, da Lei Complementar nº 75/1993, dispõe que o MPT é competente
para “propor as ações cabíveis para declaração
de nulidade de cláusula de contrato, acordo coletivo ou convenção
coletiva que viole as liberdades individuais ou coletivas ou os direitos
individuais indisponíveis dos trabalhadores”.
Ao ajuizar a ação
declaratória de nulidade da cláusula coletiva que estipulava
o desconto assistencial, o MPT sustentou que o sindicato, desconsiderando
o Precedente Normativo nº 119 do TST, redigiu-a de maneira a obrigar,
indistintamente, trabalhadores sindicalizados e não-sindicalizados.
A Justiça do Trabalho da 2ª Região (SP) aceitou a
argumentação do MPT. “A cobrança da contribuição
assistencial, fixada nas normas coletivas, somente pode ser feita em
face dos filiados ao sindicato beneficiado, sob pena de afronta à liberdade
de sindicalização assegurada pela Constituição
Federal”, afirmou o TRT/SP.
Mantida a decisão do Regional
pela Primeira Turma do TST, o sindicato interpôs os embargos à SDI-1
insistindo na preliminar de ilegitimidade do MPT e na validade da contribuição
para toda a categoria, e não apenas aos sindicalizados. A ministra
Cristina Peduzzi afastou a preliminar e, em relação à contribuição,
registrou que a decisão da Primeira Turma está de acordo
com a jurisprudência do TST, que considera ofensiva ao direito
de livre associação e sindicalização as cláusulas
coletivas que estabeleçam contribuição “em
favor de entidade sindical a título de taxa para custeio do sistema
confederativo, assistencial, revigoramento ou fortalecimento sindical
e outras da mesma espécie” a trabalhadores não sindicalizados
(Precedente Normativo nº 119 da SDC). Após o julgamento pela
SDI-1, o sindicato interpôs recurso extraordinário, que
será examinado pela Vice-Presidência do TST e eventualmente
encaminhado ao Supremo Tribunal Federal. ( E-RR-549522/1999.0)
(Carmem Feijó e Lourdes Côrtes)
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Notícias do Tribunal Superior do Trabalho
23/07/2009
Depoimento colhido após atraso
da parte afasta efeitos da confissão ficta
O atraso foi de apenas dois minutos.
Quando o trabalhador entrou na sala de audiências, o representante
(preposto) da Empresa Brasileira de Telecomunicações S/A
(Embratel) já havia requerido ao juiz a aplicação
dos efeitos da confissão ficta ao processo. Quando a confissão
ficta é declarada, são tidos como verdadeiros os fatos
narrados pela parte contrária na contestação à inicial
da ação. Mas o juiz tomou o depoimento do trabalhador,
sem que o preposto registrasse seu inconformismo. A ação
trabalhista foi julgada procedente em parte, a sentença foi mantida
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (GO) e o
caso chegou ao Tribunal Superior do Trabalho, mais precisamente à Oitava
Turma.
Segundo a ministra relatora do
agravo, Maria Cristina Peduzzi, os efeitos da confissão ficta
não persistem quando, apesar do atraso da parte, seu depoimento é colhido
pelo juiz sem que haja protesto da parte contrária. O inconformismo
da parte em relação à decisão supostamente
violadora de direito à prática de ato processual deve ser
alegado na primeira oportunidade em que o interessado tiver para falar
nos autos ou em audiência, sob pena de preclusão. Analisando
o quadro delineado pelo TRT/GO, a relatora constatou que a Embratel não
se opôs à tomada do depoimento do trabalhador em audiência,
nem arguiu a nulidade nas razões finais. “Desse modo, a
matéria ficou superada, em razão da preclusão”,
afirmou Peduzzi.
O caso envolve um emendador (ou
cabista) contratado pela empresa goiana SPF Engenharia Ltda., que, por
sua vez, celebrou contrato de empreitada com a Embratel. A SPF encerrou
suas atividades sem pagar rescisões a seus empregados, e a Embratel
foi condenada a responder pelos débitos de forma subsidiária.
No recurso ao TST, a defesa da empresa argumentou que o preposto que
a representou na audiência na 12ª Vara do Trabalho de Goiânia
(GO) não poderia ter registrado seu inconformismo ou protesto
quando o trabalhador foi ouvido, mesmo tendo chegado atrasado, porque
o pedido de confissão ficta sequer havia sido apreciado pelo juiz.
Como era de se esperar, não havia preposto da SPF Engenharia na
audiência, que sequer foi citada para a audiência por não
ter endereço conhecido.
Ao pedir a declaração
da confissão ficta em virtude do atraso do trabalhador, o preposto
da Embratel pretendia obter a improcedência do pedido de desvio
de função, horas extras e reflexos, e ser responsabilizada
somente por 1/30 do valor da condenação, considerando sua
alegação de que o cabista lhe prestava serviços,
em média, um único dia por mês. O entendimento de
que não se aplica a confissão ficta diante da ausência
de protesto por parte do preposto da Embratel no momento oportuno foi
manifestado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região
(GO), que manteve a sentença.
No recurso ao TST, a defesa da
Embratel sustentou que, em razão do atraso do trabalhador na audiência,
foi requerida a aplicação dos efeitos da confissão
ficta, porém o pedido não foi apreciado pelo juiz. Afirmou
que o fato de o trabalhador ter sido ouvido, sem o registro de nenhum
protesto, não impede a aplicação dos efeitos da
confissão, tendo em vista que constou na ata que o pedido seria
apreciado em momento oportuno pelo juiz. O argumento foi negado por unanimidade
de votos pela Oitava Turma do TST com base no artigo da CLT (artigo 795)
segundo o qual “as nulidades não serão declaradas
senão mediante provocação das partes, as quais deverão
arguí-las à primeira vez em que tiverem de falar em audiência
ou nos autos”. ( AIRR 1.922/2006-012-18-40.4)
(Virginia Pardal)
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23/07/2009
Assédio moral: jornalista receberá indenização
de R$ 260 mil, decide TST
Após comprovar os maus
tratos e agressões sofridas por parte de sua superiora hierárquica,
uma jornalista receberá da Confederação Nacional
da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indenização
de R$ 260 mil por dano moral.
A decisão da Quarta Turma
do Tribunal Superior do Trabalho manteve indenização fixada
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (DF/TO),
correspondente a cem vezes o salário da empregada.
O relator, ministro Ives Gandra
Martins Filho, esclareceu na decisão que "o Regional consignou
que a empregadora permitiu que sua funcionária mantivesse um comportamento
ofensivo em relação aos empregados colocados sob sua orientação,
agredindo-os verbalmente e de forma contínua".
A jornalista foi admitida pela
CNA para trabalhar na assessoria de imprensa, onde permaneceu por oito
anos. Com larga experiência, ela já tinha atuado em veículos
de comunicação consagrados, inclusive como apresentadora
de TV.
Afirmou que, ao longo do tempo,
sofreu constrangimentos por parte da chefe que "minaram suas forças
físicas e morais, a ponto de adoecer".
Contou que era freqüentemente
chamada de "incompetente e irresponsável", o que a levou
a pedir demissão por duas vezes (a segunda concretizada), tamanha
a pressão sofrida por parte da chefe, que normalmente entrava
em contradição.
Em um dos episódios relatados,
a superiora teria determinado o envio de uma matéria para o jornal
Correio Braziliense e depois negado que o tivesse feito, culpando a jornalista
por agir por conta própria.
O tratamento agressivo, aos gritos,
ocorria na frente de todos, por qualquer razão.
A empregada disse que suportou
o quanto pôde, pois tinha sob sua responsabilidade mãe e
filha para sustentar.
Ressaltou que foi a única
a permanecer tanto tempo no local, por onde já passaram vários
colegas, e que, numa ocasião, outra jornalista agredida da mesma
forma levou o fato ao presidente da CNA, que prometeu tomar providências
mas nada fez, mesmo reconhecendo que "a funcionária era uma
pessoa difícil e má".
A Confederação
alegou, na defesa, que não foram provadas as práticas abusivas
por parte da chefe, nem os fatos relatados pela empregada.
A juíza da 20ª Vara
do Trabalho de Brasília reconheceu o dano moral e condenou a CNA
a pagar indenização no valor de três salários
da jornalista, além das verbas rescisórias, entendendo
que "a chefe imediata não agia conforme os padrões
ideais de polidez e educação".
Ambas as partes recorreram ao
TRT/DF, que negou provimento ao recurso ordinário da CNA e reformou
a sentença somente quanto ao valor da indenização.
Segundo a decisão, o valor
arbitrado foi baixo, "em face das circunstâncias que envolvem
o caso: agressões verbais contínuas e na presença
de outros empregados, a idade da vítima (53), a condição
social da empregada, que tinha que manter seus familiares com o salário
que recebia, e a omissão da empresa diante de reiteradas atitudes
abusivas".
O ministro Ives Gandra manteve
a tese regional e negou provimento ao agravo apresentado pela Confederação,
que insistiu na falta de provas, além de considerar o TRT omisso
quanto ao tema.
O relator ressaltou que "o
TRT não se reportou a qual das partes caberia o ônus da
prova, mas concluiu, ao analisar os elementos contidos nos autos, que
eles foram suficientes para amparar o pagamento de indenização
por dano moral".
O ministro explicou que
não houve violação à Constituição,
e ressaltou que a condenação decorreu da comprovação
da conduta lesiva da empregadora, lembrando a vedação
ao TST da análise de fatos e provas, pela Súmula 126.
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