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Folha de S.Paulo, 27 de julho
de 2009
Salário inicial cai em São
Paulo, Rio e DF
Crise trava ciclo de alta salarial para recém-admitidos
no país; valor cresceu só 0,57% no 1º semestre,
contra 3,92% em 2008 | Valor pago aos contratados no primeiro semestre
em SP caiu de R$ 871 em 2008 para R$ 862, mas Estado mantém
maior média de todo o país
VERENA FORNETTI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A crise interrompeu, no primeiro
semestre, o aumento do salário inicial médio dos trabalhadores
nas três unidades da federação que pagam os maiores
rendimentos no país: São Paulo, Rio e Distrito Federal.
No total, o salário médio dos contratados, descontada a
inflação, caiu em 6 das 27 unidades federativas. Nos outros
21 Estados, o rendimento subiu.
Os dados são do Ministério do Trabalho, que contabiliza os salários
pagos a todos os trabalhadores contratados com carteira assinada no país.
Desde que o país retomou a trajetória de crescimento, em 2004,
no governo Lula, não houve queda em igual número de Estados.
De janeiro a junho deste ano, o salário médio avançou
0,57%. Nos primeiros seis meses de 2008, o avanço havia sido de 3,92%
ante o ano anterior e, no mesmo período de 2007, houve alta de 4,62%.
A maior queda no primeiro semestre foi registrada no Maranhão, com retração
de 2,49%. O maior incremento foi verificado em Rondônia (24,68%).
Amazonas e Espírito Santo também tiveram queda no valor médio
do salário inicial.
Apesar da queda nas seis unidades federativas, especialistas em mercado de
trabalho afirmam que o recuo dos salários no primeiro semestre foi ameno
e que não indica deterioração dos rendimentos no país.
" Com o desempenho ruim da indústria e essa crise brutal, o normal
era que o salário caísse. A surpresa é que caiu pouco",
afirma Claudio Leopoldo Salm, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Salm diz que, se as empresas demorarem a reagir mais acentuadamente à crise
e não retomarem os investimentos e o nível de atividade, é possível
que os aumentos dos salários demorem a se acelerar de novo. De 2003
a 2009, a variação do salário médio real dos admitidos
foi superior a 30% em 15 Estados. No Acre, o rendimento avançou 64%
nesse período.
A economista da Universidade de São Paulo Maria Cristina Cacciamali
destaca que a tendência de crescimento do salário inicial dos
trabalhadores diminuiu mesmo onde o salário médio continuou subindo. "A
queda ainda não é significativa, mas indica que a evolução
positiva estancou", afirma.
José Dari Krein, presidente da Associação de Estudos do
Trabalho, acrescenta que, com a alta rotatividade de mão de obra no
país, a tendência durante a crise é que as empresas substituam
trabalhadores por outros com salários menores nos cargos em que o custo
de substituição é baixo. Ele ressalta, porém, que,
comparada à queda do PIB, a desaceleração dos salários
foi pequena.
Recuperação
Rodolfo Torelly, diretor do Departamento de Emprego e Salário do Ministério
do Trabalho, discorda das previsões negativas e diz que a tendência é que
o mercado de trabalho se recupere no segundo semestre.
Ele avalia que, embora os aumentos dos salários não sejam tão
positivos quanto nos anos anteriores, a situação do Brasil é "muito
boa" se comparada à de outros países, onde o mercado de
trabalhou sofreu mais.
Torelly afirma que a política de valorização do salário
mínimo protegeu os rendimentos. "O salário médio
dos admitidos leva em conta os maiores e os menores salários iniciais.
Se você sobe o piso, sobe a média também", destaca
o diretor.
De abril de 2003 a fevereiro de 2009, o salário mínimo teve aumento
real de 45%.
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O ESTADO DO PARANÁ,
27 de julho de 2009 | Economia
Custo de obras do PAC sobe até 100%
Agência Estado
Não bastasse a lentidão na execução dos projetos,
agora o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - peça-chave
do segundo mandato do governo Lula - enfrenta um forte encarecimento no custo
das obras. Quase metade dos projetos incluídos no pacote federal passou
por revisão no volume de investimentos nos últimos dois anos,
desde o lançamento do PAC, em janeiro de 2007. Há casos em que
o valor da construção subiu 100%, como é o caso do Gasoduto
Urucu-Coari-Manaus, da Petrobrás.
Os dados constam de levantamento
feito pelo jornal O Estado de S. Paulo com 122 empreendimentos de logística,
energia, saneamento, urbanismo e transporte urbano. Desse total, 55 tiveram
aumento no custo das obras - o que pode mascarar o valor real do programa
e dificultar a obtenção de crédito. O resultado
foi obtido com base na comparação entre o último
balanço do PAC (abril de 2009) e os relatórios anteriores.
Só ficaram de fora obras incluídas recentemente no programa
ou que tiveram mudanças na descrição do projeto.
Alguns empreendimentos
estão na mira do Tribunal de Contas da União (TCU), com
indícios de irregularidades graves. Outros já passaram
pelo crivo do órgão e foram liberados, com ressalvas
para adequação de contratos. Há ainda casos em
que as suspeitas de irregularidades não foram esclarecidas,
mas a Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos
e Fiscalização do Congresso Nacional optou por liberar
a obra por causa do estágio avançado da construção.
Segundo os responsáveis pelas obras, as revisões decorrem
de fatores como reajustes anuais dos contratos, mudança nas
tecnologias e inclusão de obras não previstas no desenho
original.
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Gazeta do Povo, 27 de julho
de 2009
Financiamento imobiliário
A Tabela Price está de volta
Caixa Econômica voltará a oferecer
sistema de prestações fixas, alvo de milhares de processos
na Justiça. Medida facilita acesso ao crédito, mas exige
atenção do mutuário
A próxima quarta-feira
será de festa para o comerciário curitibano José Mauri
Dal Negro e sua esposa, Célia Maria. Nesse dia, eles vão
quitar a casa onde moram, no Jardim das Américas, 22 anos depois
de assinar o contrato com a Caixa Econômica Federal. Um sonho realizado à custa
de uma prolongada negociação judicial e incontáveis
noites de insônia: Célia e José estão entre
os milhares de brasileiros que parcelaram seus imóveis pela Tabela
Price e um dia perceberam que, sem recorrer à Justiça,
jamais conseguiriam pagar suas dívidas.
Também conhecida como
Sistema de Amortização Francês,
a Price gerou tantos calotes e processos que a Caixa parou de usá-la
em 2003 – desde então, a tabela é exclusividade
de instituições privadas. Mas o banco público, responsável
por 70% dos financiamentos habitacionais do país, mudou de ideia.
Embora não comente o assunto,
por ainda não ter definido as condições da modalidade,
a Caixa confirma que voltará a oferecer financiamentos corrigidos
pelo sistema. O empurrão para a “volta” da Price foi
dado por uma mudança no Sistema Financeiro da Habitação
(SFH), que agora permite aos bancos financiar imóveis com base
nessa tabela. Com a nova legislação, as instituições
tendem a ficar mais protegidas de questionamentos judiciais.
À primeira vista, a novidade – incluída
no programa Minha Casa, Minha Vida e aplaudida por bancos e construtoras – é boa
para o mutuário. Entre os sistemas
de amortização usados no país, a Price é o
que tem a menor parcela inicial. Portanto, mais
gente conseguirá se enquadrar: cerca de 7,6 milhões de
pessoas com renda de até dois salários mínimos poderão
pegar empréstimos de R$ 40 mil, segundo o governo
federal. Além disso, em tempos de estabilidade monetária,
o risco de que os empréstimos se tornem impagáveis, como
ocorria nas décadas de 1980 e 1990, diminui consideravelmente.
Por outro lado, no sistema francês
o saldo devedor diminui a passo de tartaruga, o desembolso com juros é maior
e é mais difícil quitar a dívida antecipadamente.
Além disso, uma eventual deterioração da economia
brasileira complicaria a vida dos mutuários – e a Tabela
Price voltaria a ser sinônimo de pesadelo. Não por acaso,
sua retomada é vista com desconfiança por entidades de
defesa do consumidor e alguns economistas.
Ponta do lápis
As fórmulas usadas hoje
pela Caixa – o Sistema de Amortização Constante
(SAC) e o Sistema de Amortização Crescente (Sacre) – preveem
prestações descrescentes, embora haja correção
monetária pela Taxa de Referência (TR). Na Price, o valor
da parcela é sempre o mesmo – ao menos na planiha, uma vez
que sua correção também é feita pela TR.
Em uma economia estável, com inflação e TR comportadas,
as prestações da Price tendem a crescer suavemente ao longo
do tempo. O que não é ruim, desde que o salário
do mutuário acompanhe a inflação.
Pela Price, quem comprar um apartamento
de R$ 150 mil, dando entrada de 20% e financiando o restante em 20 anos
a juros de 1% ao mês, pagará 240 prestações
de R$ 1.321,30, segundo simulação feita pelo professor
Jackson Ciro Sandrini, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Considerando-se um comprometimento de um terço da renda,
uma família que ganhe pouco menos de R$ 4 mil mensais conseguirá ter
seu financiamento aprovado – o foco do programa Minha Casa, Minha
Vida são famílias com ganhos de até dez salários
mínimos (R$ 4.650).
No SAC e no Sacre, a primeira
prestação do mesmo imóvel seria de R$ 1,7 mil, valor
acessível apenas a quem ganha pelo menos R$ 5,1 mil por mês.
A contrapartida é que o saldo devedor, sobre o qual incidem os
juros, é abatido mais rapidamente. Após 20 anos, o mutuário
desembolsaria pouco mais de R$ 260 mil para pagar sua casa, ao passo
que, pela Tabela Price, o gasto seria pelo menos 20% maior, de R$ 317
mil (veja quadro acima).
Por isso, boa parte dos especialistas
indica os sistemas de prestação decrescente. “Não
diria que [o estímulo do governo ao uso da Price] é legítimo
ou não. Diria que ele se alinha à cultura da maioria das
pessoas, principalmente as das classes mais baixas da pirâmide
social, de observar apenas se a prestação cabe no ganho
mensal”, diz Antônio Carlos Béllio, professor de matemática
financeira da Estação Business School.
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Gazeta do Povo, 27 de julho
de 2009
Comparação
Situação econômica
do país dita o risco para o mutuário
Sistema com parcelas fixas é positivo
em tempos de estabilidade. O difícil é prever o que
vai acontecer durante um financiamento de até 30 anos
Ao menos na teoria, a Tabela
Price não é tão venenosa quanto parece. Em termos
nominais, o mutuário de fato gastará mais para comprar
seu imóvel, mas por um bom tempo vai pagar prestações
menores que nos outros sistemas – o que não deixa de ser
uma forma de inclusão social. Em um empréstimo de 20 anos,
por exemplo, a parcela da Price será inferior à do SAC
e à do Sacre durante os seis primeiros anos.
“A Price é o sistema
mais usado no mundo inteiro, por uma questão simples: todo mês
você paga a mesma coisa. Para efeito de administração
de caixa, é mais simples para quem empresta e para quem pega emprestado”,
explica Jackson Ciro Sandrini, professor da UFPR.
O “porém” do
sistema francês é a lentidão com que o saldo devedor
diminui. Nos primeiros seis anos, ele cai pouco mais de 10%, frente a
pelo menos 30% nos outros sistemas. A sensação de estar
pagando um imóvel “impagável” começa – mas
não termina – por aí.
Em qualquer dos três sistemas,
não apenas os juros incidem sobre o saldo devedor, mas também
a correção monetária. Caso a inflação
e a renda do mutuário continuem estáveis, não há problema.
Mas, se a situação econômica degringolar, o aperto
será maior para quem financiou pela Price.
“Estamos falando de contratos
muito longos, que podem chegar a 30 anos. Não há como prever
o que vai ocorrer com o país ou a vida de uma pessoa nesse período”,
alerta a economista Ione Amorim, do Instituto Brasileiro de Defesa do
Consumidor (Idec). “Todos os sistemas de amortização
têm prós e contras. Mas, em caso de problemas econômicos,
quem adere à Price tende a ser mais afetado. Principalmente pessoas
de baixa renda.”
Pesadelo
O imbróglio da Price surgiu
do descompasso entre os mecanismos de correção aplicados
a partir da época da superinflação. O saldo devedor
era corrigido mensalmente pela TR, mas a prestação, não.
Ela ficava congelada por meses, subindo apenas quando o salário
do mutuário era reajustado – e era comum que os reajustes
não acompanhassem a inflação. A parcela, defasada,
já não abatia os juros, e o saldo devedor só crescia.
“Se você corrigir
o saldo e a prestação pela TR, não tem erro: o saldo
vai zerar no fim do financiamento. Agora, se corrigir só o saldo,
ou corrigir saldo e prestação por indexadores diferentes,
aí não zera mesmo”, explica Sandrini, da UFPR.
“Quando mais eu pagava,
mais a dívida aumentava”, lembra o comerciário José Mauri
Dal Negro, que entrou na Justiça em 2002 e conseguiu entrar em
acordo com a Caixa Econômica em novembro passado. “O saldo
devedor estava em R$ 83 mil, e consegui fechar por R$ 31 mil. Paguei
metade com o FGTS e o restante em sete parcelas. A última eu pago
neste mês.”
“As distorções
foram causadas por inflação alta e pela reposição
apenas parcial da inflação nos salários. Se, no
futuro, as reposições salariais acompanharem a inflação,
no mínimo teremos menos problemas”, avalia Antônio
Carlos Béllio, professor da Estação Business School.
(FJ)
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Gazeta do Povo, 27 de julho
de 2009
Financiamento imobiliário
Nova lei pode ser alvo de questionamentos
As exorbitâncias dos financiamentos habitacionais foram causadas, quase
sempre, por descasamentos entre os índices de correção
aplicados à prestação e ao saldo devedor. Mas, na grande
maioria dos casos que chegaram à Justiça, o mote usado para pedir
revisão contratual foi que a Tabela Price é um mecanismo de juro
composto ou capitalizado, o famoso “juro sobre juro” – que,
em tese, é proibido no Brasil. A questão é controversa,
tanto que o Judiciário nunca chegou a um consenso sobre sua proibição
ou não.
Sancionada no início de
julho, a lei 11.977 – que regulamenta o programa
Minha Casa, Minha Vida – não apenas permite a capitalização
de juros, como cita expressamente a Price entre os sistemas de amortização
possíveis. Mas, para a advogada Suzana Timm, do escritório
Moreira e Giandon, “a partir de agora a discussão só vai
aumentar”.
“Existe, sim, a possibilidade
de se questionar a nova lei na Justiça. Ela pode até mesmo
ser objeto de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade
[Adin]”, avalia Suzana. “Foi a insegurança jurídica
que fez a Caixa recuar, anos atrás, e essa insegurança
tende a continuar. Os bancos podem se beneficiar muito da Price, mas
podem perder muito, também.”
Controvérsia
Um decreto de 1933 determinou
que “é proibido contar juros dos juros”, o que foi
ratificado pela súmula 121 do Supremo Tribunal Federal (STF),
em 1963. Entretanto, em 1976, outra súmula do mesmo tribunal (a
596) estabeleceu que as disposições do antigo decreto não
se aplicam às taxas cobradas por instituições do
sistema financeiro nacional. Em 2002, o novo Código Civil também
permitiu a capitalização de juros.
Com tantas disposições
divergentes, as decisões sobre o assunto têm variado conforme
o juiz e o tribunal, embora a maioria tenha sido favorável aos
mutuários.
Apenas a Associação
Nacional dos Mutuários (ANM), uma das inúmeras criadas
nas últimas décadas para enfrentar os bancos na Justiça,
tem 4 mil associados no Paraná. “Pelo menos 90% deles tiveram
problemas com a Price, e o questionamento quase sempre é sobre
o juro capitalizado”, diz Luiz Alberto Copetti, presidente da ANM
no estado. (FJ)
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Gazeta do Povo, 27 de julho
de 2009
Matemática
“Todos cobram juro sobre juro”
A discussão sobre a legalidade (e a legitimidade) do juro composto parece
não ter data para terminar. Mas, para o professor Jackson Ciro Sandrini,
da UFPR, ao menos uma questão já deveria ter sido superada: o
mito de que a Tabela Price é a vilã da história, por cobrar
juros sobre juros. Segundo ele, todos os sistemas de amortização
usados no Brasil, e não apenas a Price, se valem desse expediente.
Em sua dissertação
de mestrado em contabilidade, defendida na UFPR em 2007, Sandrini fez
quatro comprovações matemáticas dos sistemas Price,
SAC e Sacre – e concluiu que todos se baseiam na famigerada capitalização. “São
tomadas decisões jurídicas controversas, embora a matemática
financeira, como ciência exata, não admita interpretação
diversa”, diz. “Nos três sistemas, o juro é cobrado
sobre o saldo devedor. Por isso, é necessariamente composto, e
não simples”, afirma.
A pedido da Gazeta do Povo, Sandrini
simulou como seria um financiamento de R$ 120 mil parcelado em 20 anos,
a juro simples de 1% ao mês. O resultado: 240 parcelas iguais de
R$ 983,40, com desembolso total de R$ 236 mil. Menos, portanto, que o
gasto com o SAC (R$ 260,6 mil), o Sacre (R$ 260,6 mil) e a Price (R$
317,1 mil). (FJ)
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de julho
de 2009 | Política
Pesquisa atesta benefício eleitoral
do Bolsa Família
São Paulo - O programa
Bolsa Família foi responsável por um aumento de cerca de
três pontos percentuais na votação do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições
presidenciais de 2006, segundo estudo do pesquisador Maurício
Canêdo Pinheiro, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação
Getúlio Vargas (FGV).
Na ocasião, Lula obteve
60,83% dos votos, ou seja, mais de 58,2 milhões. O tucano Geraldo
Alckmin ficou em segundo lugar, com 39,17% dos votos. O levantamento
indica ainda que o impacto do programa nas eleições foi
maior que o gerado pelo desempenho da economia.
Segundo a pesquisa, em 2002,
Lula foi particularmente bem em regiões mais urbanizadas e desenvolvidas
do país. Já em 2006, ocorreu uma migração
da base eleitoral para regiões menos desenvolvidas - mais dependentes
do Estado e mais beneficiadas pelo programa.
''Nos municípios mais
ricos, possivelmente, uma das causas na piora do desempenho eleitoral
de Lula é a frustração de seu eleitorado habitual
com os escândalos ocorridos em seu primeiro mandato. Nos municípios
mais pobres, o aumento da votação de Lula pode ser resultado
do fato - identificado por alguns cientistas políticos - de que
seus eleitores, por habitarem localidades mais dependentes do Estado,
seriam mais propensos a votar no candidato do governo'', afirmou Pinheiro.
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Gazeta
do Povo, 27 de julho de 2009
Pesquisa
Bolsa Família garantiu 3% dos votos
a Lula em 2006
Levantamento da FGV indica que o impacto do programa
na reeleição do presidente foi maior que o gerado pelo
desempenho da economia
O programa Bolsa Família
foi responsável por um aumento de cerca de três pontos
porcentuais na votação do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva no segundo turno das eleição presidencial
de 2006, segundo estudo do pesquisador Maurício Canêdo
Pinheiro, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação
Getúlio Vargas (FGV).
Na ocasião, Lula obteve
60,83% dos votos, ou seja, mais de 58,2 milhões. O tucano Geraldo
Alckmin ficou em segundo lugar, com 39,17% dos votos.
O levantamento indica ainda
que o impacto do programa na eleição foi maior que o
gerado pelo desempenho da economia.
Segundo a pesquisa, em 2002,
Lula foi particularmente bem sucedido em regiões mais urbanizadas
e desenvolvidas do país. Já em 2006, ocorreu uma migração
da base eleitoral para regiões menos desenvolvidas – mais
dependentes do Estado e mais beneficiadas pelo programa.
“Nos municípios
mais ricos, possivelmente, uma das causas na piora do desempenho eleitoral
de Lula é a frustração de seu eleitorado habitual
com os escândalos ocorridos em seu primeiro mandato. Nos municípios
mais pobres, o aumento da votação de Lula pode ser resultado
do fato – identificado por alguns cientistas políticos – de
que seus eleitores, por habitarem localidades mais dependentes do Estado,
seriam mais propensos a votar no candidato do governo”, afirmou
Pinheiro.
O Bolsa Família foi
criado pelo governo em 2004 e atende mais de 11 milhões de famílias
em todos os municípios brasileiros.
Segundo o estudo, o aumento
de um ponto porcentual no número de beneficiários do
programa elevou em 0,55 ponto porcentual a votação de
Lula em 2006, enquanto que a mesma variação na taxa de
crescimento econômico incrementou a votação em
apenas 0,21 ponto porcentual.
O efeito eleitoral do Bolsa
Família nos estados das regiões Norte e Nordeste foi
superior ao dos demais estados do país. Em Alagoas, por exemplo,
o programa aumentou em 8,17 pontos porcentuais a votação
de Lula, enquanto que no Rio de Janeiro e São Paulo o incremento
foi de 1,12 e 1,89 pontos porcentuais, respectivamente.
Pelos números pesquisados,
Alagoas foi o estado onde o efeito do Bolsa Família mais contribuiu
para a votação de Lula, seguido de Roraima (6,85%) e
Acre (6,53%).
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Gazeta do Povo, 27 de julho
de 2009
Serviços
Se não pediu, não precisa
pagar
Débitos não autorizados pelo
consumidor devem ser restituídos em dobro pela empresa que
fez a cobrança
Um direito básico do consumidor é pagar
apenas por produtos e serviços que de fato foram solicitados e
usados. Por isso a cobrança de valores indevidos ou não
autorizados incluídos na fatura de serviços dá direito à restituição
do valor em dobro e corrigido.
A consumidora Marialice Avelar
e Silva percebeu em sua conta telefônica da operadora Oi [ex-Brasil
Telecom] a cobrança de R$ 5 referente a “débitos
diversos de outras empresas”, classificado como “arrecadação
de terceiros”, tendo como beneficiária uma empresa chamada “Lassala”.
Como não encontrou justificativa para a cobrança nem para
o nome da empresa, a consumidora ligou para o serviço de atendimento
da operadora pedindo informações. Na ocasião, segundo
relata, foi informada de que a Oi não teria qualquer responsabilidade
sobre aquele débito e sugeriu que tratasse da questão diretamente
com a “Lassala”.
“Eu não conheço
essa empresa, não sei do que se trata. Sou cliente da Oi e a cobrança
veio na conta deles. Mesmo assim eles não tiveram a mínima
atenção diante do problema”, reclama. Na avaliação
da Procuradoria Estadual de Defesa do Consumidor (Procon-PR), essa não
deveria ser a postura da operadora. “O fato de o débito
pelo suposto serviço ter vindo na fatura telefônica comprova
que essa empresa é parceira da Oi. Neste caso, a operadora tem,
sim, responsabilidade objetiva sobre essa cobrança”, avalia
a advogada do Procon-Pr, Marta Favreto Paim.
Ela explica que a cobrança
de outras empresas nas contas de água, luz ou telefone é válida,
desde que haja a concordância do consumidor e que a empresa parceira
informe exatamente o que está sendo cobrado na conta e a credora
demonstre isso através de um contrato.
“Caso o cliente perceba
a cobrança de valores indevidos, por serviços não
autorizados, ele não deve pagar a fatura”, recomenda. O
caminho é procurar a operadora e pedir para que o erro seja corrigido”.
Mas, e se o valor indevido só for percebido após o pagamento
da fatura, como no caso de Marialice? “Aí o consumidor tem
o direito de exigir a devolução em dobro do valor lançado
indevidamente na fatura”, explica a advogada.
“Terceirização”
Quando ligou para o número
indicado pela Oi, Marialice descobriu que a Lassala é uma empresa
com sede em Curitiba que presta serviços à Oi/BrT, terceirizando
a venda dos produtos BR Turbo e dos chips de celular pelo sistema de
televendas com desconto na fatura telefônica. A funcionária
garante que o débito na fatura só é autorizado quando
o cliente fornece o nome do titular, número do RG e número
do telefone. Questionada se tem conhecimento de outros casos semelhantes,
de clientes que tiveram valores debitados na conta sem a devida autorização,
a funcionária afirma que esse tipo de situação “não é rara”.
De acordo com ela, essa situação ocorre geralmente devido
a erros de digitação no número do telefone. “Nestes
casos, o cliente liga e registra a queixa e fazemos o reembolso dos valores
pagos em até 30 dias”, garante.
No mês de julho, após
pedir o cancelamento do débito, Marialice recebeu a conta com
o estorno de R$ 10, referentes às faturas de maio e junho, já pagas.
Mas lá estava novamente o desconto de R$ 5 pelo serviço
da “Lassala”, que a cliente não solicitou. Nenhum
porta-voz da empresa foi localizado para se manifestar oficialmente sobre
o caso.
A Oi/Brasil Telecom informou,
através de sua assessoria de imprensa, que a despesa citada foi
cancelada, conforme solicitação da cliente.
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O ESTADO DO PARANÁ,
27 de julho de 2009 | Economia
SP: Sindicato reforça campanha
contra acidente em obras
Agência Estado
O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São
Paulo (Sintracon-SP) anunciou que intensificará campanha por melhores
condições de segurança para o trabalhador da construção
civil. Em nota, a entidade também lamentou a 11ª morte de um trabalhador
em canteiro de obra na capital paulista desde o início do ano. O acidente
ocorreu ontem, quando um pedreiro foi atingido por uma caixa d'água
de concreto e soterrado em seguida por escombros de um prédio que estava
sendo demolido no bairro Jaraguá, zona oeste da cidade.
O presidente do Sintracon, Antonio
de Sousa Ramalho, afirmou estar indignado e triste com mais uma morte
em canteiro de obra. "Diretores de base do nosso Sindicato estiveram
no local, mas o acesso foi negado. Assim está a coisa no nosso
setor. Além de falta de responsabilidade, o patrão esconde
fatos pensando em lucrar com a impunidade", disse Ramalho.
O sindicato vai lançar
no próximo dia 5, na sede da entidade, uma pesquisa com o perfil
do trabalhador da construção civil e as principais causas
dos acidentes. "A partir desse lançamento, daremos um prazo
de 60 dias para as construtoras adequarem suas instalações às
normas regulamentadoras. Em outubro, diante de qualquer tipo de acidente
nos canteiros de obras, nosso sindicato responderá com greve
por tempo indeterminado em todas as obras da empresa responsável
pelo canteiro de obra onde ocorrer o acidente. Queremos uma política
nacional de Segurança e Saúde do Trabalho com dados idôneos,
e não maquiada", disse.
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BEM PARANÁ, 27 de
julho de 2009 | Economia
Definições sobre acidentes
de trabalho
26/07/09 às 18:40
Acidente típico
acidente decorrente da característica da atividade profissional desempenhada
pelo acidentado;
Acidente de trajeto
acidente ocorrido no trajeto entre a residência e o local de trabalho
do segurado, e vice-versa;
Doença profissional
ou do trabalho
entende-se por doença profissional aquela produzida ou desencadeada
pelo exercício do trabalho peculiar a determinado ramo de atividade
constante do Anexo II do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado
pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999; e por doença do trabalho,
aquela adquirida ou desencadeada em função de condições
especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente,
desde que constante do Anexo citado anteriormente.
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BEM PARANÁ, 27 de julho
de 2009 | Trabalho & Negócios
24 horas
Servidores do Ministério do Trabalho
planejam paralisação
Funcionários do Paraná também
devem parar amanhã
26/07/09 às 16:51 | Agência
Brasil
Os servidores Ministério do Trabalho planejam realizar amanhã (27)
uma paralisação das atividades por 24 horas, em todo o país.
De acordo com nota divulgada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Serviço
Público Federal do Estado de São Paulo, órgão que
lidera o movimento, a paralisação é pela aprovação
do plano de carreira do setor e pela jornada de 30 horas semanais, sem redução
de salários.
A nota informa que em São
Paulo as manifestações terão início a partir
das 8 h, em frente ao prédio da Superintendência Regional
do Trabalho e do Emprego, no centro da capital paulista. “Os servidores
farão o trabalho de convencimento no horário da entrada
e será distribuída uma carta aberta à população
explicando os motivos da paralisação”, diz a nota.
A carta aberta à população,
divulgada pelo sindicato indica que o movimento tem a adesão de
23 estados - Paraíba, Maranhão, Amapá, Espírito
Santo, Ceará, Rio Grande do Sul, Bahia, Goiás, São
Paulo, Minas Gerais, Amazonas, Alagoas, Paraná, Tocantins, Mato
Grosso, Pernambuco, Santa Catarina, Rondônia, Sergipe, Rio de Janeiro,
Acre, Mato Grosso do Sul e Piauí - e o Distrito Federal .
A decisão de paralisar
as atividades por 24 horas foi tomada no último dia 22, em São
Paulo, na assembléia estadual do setor. De acordo com o sindicato,
cidades do interior do estado - Presidente Prudente, Pirassununga, Araraquara,
São José do Rio Preto, Mogi das Cruzes e São Carlos
- confirmaram também que vão parar.
De acordo com a nota, a proposta
do plano de carreira vinha sendo discutida com o próprio ministro
do Trabalho, Carlos Lupi, nos últimos meses. “Entretanto,
em reuniões recentes com a Condsef (Confederação
dos Trabalhadores no Serviço Público Federal), o ministério
do Planejamento informou que não debaterá mais os planos
específicos e que a ordem é cortar gastos”, diz a
nota.
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