 |
Gazeta do Povo, 31 de julho
de 2009
Tudo pelo social
Governo pedirá mais dinheiro para
reajustar Bolsa Família
Brasília - Para garantir
o reajuste de 10% no benefício Bolsa Família, o governo
terá que fazer um reforço no Orçamento deste ano.
O reajuste, que será anunciado hoje pelo presidente Lula e terá validade
a partir de setembro, custará mais R$ 400 milhões em 2009.
Mas o pedido de suplementação orçamentária,
que será encaminhada ao Congresso, será maior. No fim de
janeiro, o Ministério do Desenvolvimento Social aumentou de R$
120,00 para R$ 137,00 a renda máxima per capita da família
para ter direito ao benefício. Com isso mais famílias
passaram a receber os recursos do programa.
O ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo, afirmou ontem que o governo ainda está calculando o
valor que será necessário para cobrir essas duas mudanças.
Ele explicou que a ampliação do número de famílias
com direito ao benefício não foi imediata porque as prefeituras
tiveram que atualizar seus cadastros. Por isso o reforço orçamentário
só será necessário no fim do ano. “Nós
vamos ter uma defasagem no orçamento. Estamos calculando o valor.
Depois, vamos mandar (um projeto de suplementação) para
o Congresso até o fim do ano”, afirmou. A previsão
orçamentária para 2009 é de R$ 11,9 bilhões.
Apesar do aumento dos gastos
públicos, que têm reduzido a economia do governo para pagamento
de juros da dívida pública, Bernardo defendeu o reajuste
do valor do benefício, que atualmente varia de R$ 20 a R$ 182.
Ele disse que o Bolsa Família tem um valor relativamente pequeno
no Orçamento, considerando o tamanho das contas federais. Ele
também destacou a importância do programa para elevar o
poder aquisitivo das camadas mais pobres da população.
O anúncio do reajuste
do programa colocou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em uma saia-justa.
Na terça-feira, o secretário do Tesouro Nacional, Arno
Augustin, deixou escapar que o reajuste seria de 10% quando o porcentual
só seria anunciado hoje por Lula, em Belo Horizonte.
Constrangido, Mantega teve de explicar a trapalhada ao presidente.
|
Gazeta do Povo, 31 de julho
de 2009
PIB
Ipea reduz previsão de crescimento
O Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) reduziu a previsão de crescimento da economia
neste ano de 2% para uma faixa entre 0,2% e 1,2%. De acordo com estudo
publicado pelo órgão, ligado ao governo federal, a revisão
se deve à surpresa com o PIB do primeiro trimestre. “A motivação
para a mudança foi o resultado inesperado, para nós, do
PIB do primeiro trimestre de 2009. Esperávamos que a economia
crescesse 0,1% ou ficasse estagnada, mas houve uma queda, relativa ao
trimestre anterior, de 0,8%”, disse João Sicsú, diretor
do Ipea. Para os últimos três trimestres do ano, o instituto
prevê uma expansão de, respectivamente, 2%, 2,3% e 2,4%.
A previsão de crescimento de apenas 0,2% – no cenário
mais pessimista – é a mais baixa feita por um órgão
público.
|
Gazeta do Povo, 31 de julho
de 2009
Política monetária
BC indica o fim no corte de juros e preocupação
com preços
Na última reunião, alguns
membros do Copom cogitaram não reduzir a taxa Selic
Brasília - O ciclo de
cortes na taxa de juros chegou ao fim e o Banco Central passa agora a
ficar mais atento ao comportamento dos preços. Esses são
dois indicativos tirados da ata da última reunião do Comitê de
Política Monetária do Banco Central (Copom), divulgada
ontem. O documento informa que parte da diretoria do chegou a cogitar
a possibilidade de interromper na semana passada o processo de redução
de juros iniciado em janeiro.
No dia 23, o BC reduziu a taxa
básica de juros (Selic) de 9,25% ao ano para 8,75% ao ano. No
início do ano, estava em 13,75% ao ano. Apesar de alguns diretores
defenderem que haveria argumentos técnicos para manter a Selic
inalterada, os integrantes do Copom acabaram sendo unânimes na
decisão pelo corte, designado como “residual”.
“Apesar de alguns membros
do Comitê entenderem que haveria respaldo para a possibilidade
de manter inalterada a taxa básica de juros já nesta reunião,
houve consenso de que o balanço dos riscos para a trajetória
da inflação ainda justificaria estímulo monetário
residual”, diz o documento.
Na ata, a instituição
também diz que deve adotar agora uma política mais “cautelosa” em
relação à taxa básica de juros para assegurar
que a inflação permaneça dentro da meta. As previsões
para 2009 subiram em relação aos números do início
de junho. A instituição não divulga suas projeções,
mas diz que elas estão “ao redor” da meta de 4,5%.
Os diretores do BC também
chamaram atenção para o fato de que o governo lançou
estímulos fiscais que começam a ter efeito sobre a economia
real e que pesam na decisão de acabar com os cortes na Selic. “Os
efeitos desses estímulos devem ser cuidadosamente monitorados”,
diz a ata.
Energia
No relatório da última
reunião, o Copom aumentou a previsão de reajuste das tarifas
de energia elétrica para 2009 de 4,7% para 5%. Em relação
a outras tarifas, o BC manteve inalteradas as previsões de reajuste
da gasolina e do gás (0%) e da telefonia fixa (5%).
Apesar de ter aumentado as previsões
de inflação para o IPCA (índice oficial que é utilizado
como meta para o BC), o Copom reduziu a previsão de reajuste das
tarifas neste ano.
A projeção para
os preços administrados caiu de 4,8% para 4,5% em 2009 e de 4,5%
para 4,3% em 2010.
Retomada
Para os diretores do BC, a oscilação
do mercado financeiro verificada nas últimas semanas mostra que
a recuperação da economia mundial ainda é permanece “frágil” e
sujeita a “reversões”. “Nesse ambiente, seguem
sendo registrados sinais de redução na aversão ao
risco, mas o retorno da confiança permanece frágil e sujeito
a reversões”, diz o Copom na ata.
|
O Estado de S.Paulo, 31 de
julho de 2009
Nova estatal será sócia
de todo pré-sal
O governo vai criar a nova estatal que administrará os contratos da
camada de pré-sal como sócia do grupo de empresas selecionadas
para explorar as reservas de petróleo. Inspirado no sistema norueguês,
o modelo tem o objetivo de controlar o custo de extração do pré-sal.
Na prática, além
de ter a Petrobrás como operadora única, com direito de
ser contratada diretamente nos campos mais produtivos, o governo quer
uma espécie de “olheiro” para fiscalizar os negócios,
controlar gastos e não ser enganado. O plano é pôr
a nova empresa pública nos consórcios para evitar desvios
da produção e superfaturamentos. O Planalto explica que é para
apertar o cerco do Estado no setor. Se a companhia contratada para explorar
os reservatórios achar petróleo, o custo será abatido
na partilha da produção.
O objeto dessa partilha é o
excedente de óleo e as petroleiras serão remuneradas por
um porcentual fixo. Chamada informalmente no governo de Petrosal, a estatal
não só participará das decisões como integrante
dos consórcios como terá parcela nos lucros, ainda que
pequena, na faixa de 1%. Para fazer frente aos investimentos, a Petrobrás
também será capitalizada, mas a comissão interministerial
encarregada de propor o marco regulatório do pré-sal ainda
estuda o melhor modelo.
Blocos inteiros
A Petrobrás quer aumentar
o capital por meio da apropriação dos campos vizinhos da
camada pré-sal, que são reservatórios não
licitados. Se essa fórmula for adotada, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva poderá capitalizar a companhia por meio de decreto,
além dos outros três projetos de lei que enviará ao
Congresso, em agosto, definindo as regras de exploração
do pré-sal.
A ministra-chefe da Casa Civil,
Dilma Rousseff, disse, na semana passada, que a Petrobrás poderá deter
blocos inteiros do pré-sal. As sócias da estatal que administrará os
contratos serão escolhidas por leilão. Haverá um
artigo específico, num dos projetos de lei, para deixar claro
que a União não vai arcar com eventuais prejuízos
do setor privado na exploração das reservas.
|
Folha de S.Paulo, 31 de julho
de 2009
Receita do pré-sal irá para
países vizinhos
Além de destinar recursos à área
social, plano do governo Lula é investir em países
da América Latina, da África e da Ásia | Estratégia
busca evitar uma enxurrada de dólares no Brasil, ampliar mercados
para produtos brasileiros e a projeção geopolítica
do país
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Além de investir os recursos
da exploração do petróleo do pré-sal na área
social, o governo Lula planeja destinar o dinheiro do futuro Fundo de
Desenvolvimento Social a dois outros objetivos: reduzir o volume de dólares
no país e fazer investimentos estratégicos em países
da América do Sul, da África e da Ásia.
Segundo relato de um assessor presidencial, o fundo terá não
só a finalidade de "combater nossas eternas carências sociais",
mas também criar "nossos próprios mercados" e "neutralizar
a chamada "doença holandesa'" -valorização excessiva
da moeda local, causada pela forte entrada de dólares devido a elevadas
exportações de determinados produtos, como petróleo e
gás, que acabam minando outros setores da economia nacional.
O uso dos recursos do fundo terá uma fase de carência, provavelmente
de três anos. Durante esse período, ele ficaria sendo capitalizado
com a renda do pré-sal para, só depois, ser utilizado em investimentos
no país e no exterior.
O fundo brasileiro será diferente do da Noruega, país usado como
modelo para a definição das novas regras de exploração
de petróleo.
Enquanto no país nórdico atualmente se gasta apenas os rendimentos
do fundo, no Brasil a ideia é gastar também parte do capital
do fundo na área social e em inovação tecnológica.
Um dos responsáveis pelo novo marco regulatório defende essa
ideia das futuras críticas com dois argumentos: o Brasil é diferente
da Noruega, onde não há desigualdade social como aqui, e o fundo
terá regras garantindo sua sustentabilidade.
Isso significa que o uso do capital do fundo petroleiro para gastos sem retorno
financeiro, como na área social, não poderá comprometer
a sua existência.
Caso isso acontecesse, frisa esse assessor presidencial, o país correria
o risco de ser atacado pela "doença holandesa" -que tem esse
nome em referência ao período de forte valorização
da moeda da Holanda depois que aquele país achou grandes reservas de
gás em 1959.
O governo brasileiro trabalha com a expectativa de forte entrada de dólares
no país a partir da exploração comercial em larga escala
do pré-sal -por conta, inicialmente, da vinda de investidores estrangeiros
e, depois, da receita com a exportação do petróleo e de
seus derivados.
Confirmada essa previsão, o real poderia sofrer uma valorização
artificial em relação ao dólar e outras moedas, tirando
a competitividade de outros setores da indústria brasileira. Em outros
países, isso levou a uma grande dependência da exportação
de um único produto, desmantelando o parque industrial.
Com a aplicação dos recursos do fundo no exterior, o governo
teria condições de tentar equilibrar a entrada de moeda estrangeira
no país. A ideia é investir em ações, títulos
públicos e projetos de infraestrutura de retorno garantido.
Geopolítica
A escolha da América do Sul, da África e da Ásia, de acordo
com um dos membros da comissão interministerial que elabora o novo modelo,
tem caráter geopolítico e comercial -ampliar a influência
brasileira no mundo e reduzir cada vez mais a dependência dos mercados
tradicionais.
" Queremos criar nossos próprios mercados e neutralizar a "doença
holandesa'", sintetizou o assessor de Lula.
Pelos cálculos do governo e de especialistas, o fundo será abastecido
com a renda do pré-sal por pelo menos 30 anos, período mínimo
em que essas reservas de petróleo estarão sendo exploradas.
Seu uso de fato no país, com investimentos na área social, não
vai ocorrer antes do final do mandato do sucessor de Lula. Afinal, a exploração
comercial do pré-sal deve começar somente depois de 2015.
Na última versão do novo marco regulatório do setor de
petróleo, ele vem sendo chamado de Fundo de Desenvolvimento Social.
O nome, porém, ainda não é o definitivo e pode ser alterado
porque atualmente já existe um com nomenclatura similar. A criação
do fundo, além disso, depende de aprovação do Congresso.
|
Folha de S.Paulo, 31 de julho
de 2009
Dívida vai superar PIB de
país rico, diz FMI
Fundo calcula aumento de 40 pontos percentuais
no endividamento bruto de nações mais ricas até 2014
FERNANDO CANZIAN
DE NOVA YORK
As medidas de combate à maior
crise desde os anos 1930 devem levar a um aumento no endividamento bruto
dos países ricos de 40 pontos percentuais, o maior desde a Segunda
Guerra. Entre os emergentes, o efeito negativo será bem menor,
de 4 pontos.
Como proporção do PIB (Produto Interno Bruto), a dívida
pública bruta dos países mais avançados deve crescer de
74,8% para 119,7% até 2014. No caso dos EUA, epicentro da crise, o aumento
será de 63,4% para cerca de 112% (neste ano já atingirá 89%).
As projeções foram apresentadas ontem pelo FMI (Fundo Monetário
Internacional), que alertou para a necessidade de os países que estão
enfrentando a crise com mais gastos públicos começarem a apresentar
uma "estratégia de enxugamento" da dívida.
O risco, diz o Fundo, é a dívida crescer descontroladamente e
arruinar a percepção entre investidores de que os países
podem se manter solventes.
Nesse caso, exigiriam juros maiores para financiar os débitos dos governos,
que seriam obrigados a elevar a remuneração de suas dívidas.
Além de juros maiores contribuírem para um aumento ainda mais
rápido do endividamento, eles tendem a deprimir a atividade econômica,
fazendo exatamente o contrário do que os pacotes de gastos estão
tentando realizar.
O FMI calcula que, na média, o déficit público dos 41
países analisados no trabalho subirá em 2009 e 2010.
Dois pontos percentuais de aumento equivalem somente a medidas fiscais tomadas
para tentar amortecer os efeitos da atual crise.
O endividamento e o déficit de um país são calculados
como proporção de seu PIB porque o tamanho e o crescimento geral
de sua economia geram as receitas para que os governos possam assumir gastos
e controlar dívidas.
O FMI considera como seguro um endividamento bruto na casa de 60% do PIB. Ou
seja: os países ricos estão na direção de atingir
o dobro disso daqui a cinco anos. No caso dos emergentes, a média ficaria
bem abaixo, em 36,4% -62,2% no Brasil (leia texto ao lado).
O FMI também calculou quanto cada um dos países integrantes do
G20 teria de poupar nas próximas duas décadas por meio de superávits
primários (economia para abater dívidas) para baixar seu nível
de endividamento para cerca de 60% do PIB.
No caso dos EUA, a recomendação é de uma economia equivalente
a 4,3% do PIB, aproximadamente a que o Brasil vinha fazendo nos últimos
anos.
|
Folha de S.Paulo, 31 de julho
de 2009
Brasil ficará em 3º no
ranking de emergentes
DE NOVA YORK
Segundo os cálculos do
FMI, o Brasil entrou e sairá da crise global com um dos maiores
níveis de endividamento entre os emergentes.
O Fundo projeta relação dívida bruta/PIB de 70% para o
Brasil ao fim de 2009. Embora ela tenda ao patamar de 62% em 2014, o país
só estará melhor que a Índia (77,4%) e a Hungria (67%)
entre 19 emergentes.
Na média desses 19 países, o endividamento bruto deve fechar
2009 em 38,8% do PIB, ante os 70% do Brasil. Entre todos, o Chile é o
menos endividado, com relação dívida/PIB de apenas 5,1%.
Enquanto o FMI considera que os países avançados precisam manter
uma relação dívida pública bruta/PIB de 60%, ela
seria de apenas 40% no caso dos emergentes. Mesmo quando atingem esse patamar,
os emergentes tendem a pagar mais a investidores para financiar débitos.
Nos EUA, o Departamento do Tesouro paga hoje aos investidores menos de 3% ao
ano. No Brasil, apesar de o país ter uma dívida proporcionalmente
menor do que a americana, o BC precisa remunerar seus papéis a um custo
quase três vezes maior para atrair investidores.
O alerta que o FMI faz é que essa situação de financiamento
barato da dívida dos países ricos tende a mudar. À medida
que a economia global se recupere, os aplicadores terão outras opções
de investimento além dos títulos públicos, hoje considerados
muito seguros.
|
FOLHA DE LONDRINA, 31 de julho
de 2009 | Política
Paralisia do Senado pode criar problemas
ao País, diz Lula
São Paulo - O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a paralisia do Senado,
ocasionada pelas denúncias quase que diárias envolvendo
o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), pode trazer problemas
para o País. Lula lembrou que o Senado e a Câmara têm
autonomia em relação ao poder Executivo, mas disse esperar
que o Legislativo resolva seus problemas, uma vez que o Executivo depende
de suas ações. ''Todo o mundo sabe que a paralisia do Legislativo
pode criar problemas para o País'', reforçou durante entrevista
coletiva, concedida ao lado da presidente do Chile, Michelle Bachelet,
na sede da Fiesp.
Lula disse esperar que o recesso
parlamentar sirva para ''esfriar a cabeça'' dos senadores e que,
na volta, eles ''decidam normalizar a atuação do Senado''.
''As pessoas têm compreensão do momento que o Brasil vive
e que há medidas que mandamos para combater a crise econômica
que ainda precisam ser votadas. Portanto, nós não podemos
perder tempo'', declarou.
O presidente negou que Sarney
tenha pedido para conversar sobre o problema. Ele destacou que as solicitações
de Sarney e do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), sempre
serão atendidas. ''É de boa política o presidente
da República atender os presidentes dos Poderes'', completou.
Ele disse ainda que a eventual
saída de Sarney do cargo ''não é problema meu''.
''Eu não votei para eleger o presidente do Senado'', disse ao
ressaltar que, como eleitor, também não votou nele para
o Senado já que vota em candidatos que se elegem por São
Paulo. ''Quem tem que decidir se Sarney continua presidente do Senado é o
Senado. Somente o Senado, que o elegeu, é que pode dizer se ele
vai ficar ou não. Não sou eu'', reiterou.
Lula não fez comentários
sobre a articulação de alguns senadores do PT para que
Sarney se licencie do cargo. ''Como vocês acham que eu posso falar
sobre o destino da bancada do PT se eles estão de férias
e só voltam segunda-feira?'', questionou. ''Não posso dizer
absolutamente nada. Liguem para os líderes do PT na Câmara
e no Congresso.''
Anne Warth
Agência Estado
|
O ESTADO DO PARANÁ,
30 de julho de 2009 | Política
Dilma perde para Serra na preferência
dos paranaenses
Elizabete Castro
Agência Brasil
O jornal Folha de S.Paulo divulgou ontem, 30, o resultado de pesquisa de intenções
de votos realizada no Paraná mostrando uma larga vantagem do governador
de São Paulo, José Serra (PSDB), sobre a ministra da Casa Civil,
Dilma Rousseff (PT), na disputa presidencial do próximo ano. Na sondagem,
encomendada pelo diretório nacional do PSDB, Serra tem 41%, Dilma obtém
17% e Ciro Gomes (PSB) alcança 13%.
A pesquisa foi realizada entre
os dias 12 e 18 deste mês, pelo Instituto Vox Populi com 850 entrevistados
em 49 municípios do Estado. Se o candidato tucano é o governador
de Minas Gerais, Aécio Neves, a liderança da pesquisa no
estado fica com Ciro Gomes, com 21%.
Em segundo lugar, está a
ministra do presidente Lula com 20%, seguida por Aécio com 16%.
Sem Ciro Gomes na disputa, Dilma chega a 23% e Aécio alcança
20%. Quando o candidato do PSDB é Serra e Ciro Gomes não é candidato,
o governador paulista detém 46% das intenções de
votos e a ministra faz 18%.
O presidente do diretório
estadual do PSDB, Valdir Rossoni, disse que, independente, de quem venha
a ser indicado candidato a presidente, a situação do PSDB é muito
confortável no Paraná. “Mesmo o Aécio não
está mal no nosso estado. Se você observar, ele fica ali,
embolado com a ministra”, comentou.
Reforço
O diretório estadual do
PT está programando um roteiro de visitas da pré-candidata
do PT ao Paraná. A presidente estadual do partido, Gleisi Hoffmann,
informou que a intenção é levar Dilma a várias
cidades do estado no segundo semestre deste ano.
Uma das atividades previstas
de Dilma como ministra no Paraná ainda este ano é a reavaliação
das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Gleisi disse que na próxima semana, dia 5, vai a Brasília,
para saber como está a agenda oficial da ministra.
Como pré-candidata, a
ministra vai ter que fazer os contatos políticos à noite
e nos finais de semana. A presidente do PT do Paraná quer achar
essas brechas na agenda para trazer a ministra ao Paraná. “Nós
queremos fazer um calendário de visitas até 2010”,
disse.
O PT estadual vai prosseguir
também na próxima semana os contatos com os partidos da
base aliada do presidente Lula para montar o palanque das eleições
do próximo ano, em que o projeto é ter uma candidatura
forte ao governo para ajudar a alavancar a candidatura da ministra.
Gleisi quer marcar conversas
com o PR, PSC e PTB, cujas direções estaduais ainda não
se reuniram com o PT. Por enquanto, o PT fez contatos com o PDT e PP
e, mais recentemente, com o PMDB, para discutir sobre alianças.
A ordem da direção
nacional é reproduzir no estado a aliança de Lula no
Congresso Nacional. Mas as conversas com o PDT e PMDB emperraram, já que
no Paraná, as maiores lideranças dos dois partidos, o
senador Osmar Dias e o governador Roberto Requião, estão
de relações cortadas desde a eleição de
2006.
|
Folha de S.Paulo, 31 de julho
de 2009
Foco
Dilma encontra Bachelet e diz que Brasil
já é maduro para ter "uma presidenta"
FLÁVIA MARREIRO
DA REPORTAGEM LOCAL
A mãe do PAC (Programa
de Aceleração do Crescimento) e candidata do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva à sua sucessão, Dilma
Rousseff, teve uma boa oportunidade para defender a participação
das mulheres em cargos públicos, incluindo a Presidência,
ontem em São Paulo.
Aconteceu depois que a ministra da Casa Civil tomou café da manhã com
a primeira mulher presidente do Chile, Michelle Bachelet. O encontro serviu,
contou Bachelet, para que ela convidasse a ministra para um evento no Chile
em setembro, justamente para falar do PAC.
Mas, como o temário incluiu a "troca de experiências" sobre
como é ser mulher no comando no ainda masculino e sexista mundo político,
foi a chance para Dilma elogiar o modelo pós-feminista de Bachelet (por
essa corrente entenda-se a que não rejeita como preconceito o elogio
de algumas características consideradas femininas, incluindo os atributos
da maternidade).
Foi a chance também para, por que não?, sugerir a comparação
de suas biografias.
" Hoje em dia o Brasil pode ter tudo, já teve um presidente metalúrgico,
pode ter um presidente negro, pode ter uma presidenta. A sociedade brasileira é madura
o suficiente para saber que a sua multiplicidade pode ser representada de todas
as formas", disse Dilma, que repetiu o "nem amarrada" quando instada
a falar sobre 2010.
Dilma lembrou a trajetória da colega, sem citar as semelhanças.
Mas tanto a ministra como Bachelet foram presas e torturadas durante as respectivas
ditaduras. Bachelet foi para o exílio, mas não escapou na campanha
de acusações de que havia atuado no planejamento de atentados
nos anos 80. Ambas passaram por áreas não tão comuns para
mulheres na região: a brasileira, em energia, a chilena, na Defesa.
As duas são solteiras.
Nenhuma delas rejeita a projeção do papel de "mãe".
O termo foi usado pelo sociólogo chileno Patrício Navia em entrevista à Folha
para dizer que Bachelet preferia ser "mãe" dos chilenos a
lutar para valer no jogo político.
Bachelet defendeu seu estilo "dialogante". A mãe do PAC, questionada,
ampliou o argumento: "Uma presidente que é mãe dos chilenos
cumpre as duas obrigações de um governante: cuidar de seu povo
e dirigir sua casa, seu país. Ser mãe é um fator positivo".
A semelhança dos processos políticos, talvez, se mostre maior
no futuro do que o Planalto gostaria. Nunca na história do Chile redemocratizado
-desde 1990- houve uma presidente tão popular (aprovação
lulista de 74%). Mas Bachelet tem dificuldades de transmiti-la a seu candidato
nas eleições de dezembro.
|
Agência Câmara,
31 de julho de 2009
Prazo de filiação
partidária pode ser reduzido para seis meses
Laycer Tomaz
Tramita na Câmara o Projeto de Lei 5238/09, do deputado Eduardo Cunha
(PMDB-RJ), que reduz para seis meses antes do pleito o prazo de filiação
partidária e de obtenção do domicílio eleitoral.
A proposta altera a Lei das Eleições (9.504/97).
Atualmente a lei determina que
a filiação e o domicílio, ambos obrigatórios
para concorrer às eleições, devem ocorrer no prazo
de um ano antes do pleito - ou seja, até outubro do ano anterior.
Prazo
irreal
O deputado Eduardo Cunha avalia que esse prazo está descolado da realidade
política. De acordo com ele, é difícil para um candidato
conhecer o quadro político da sua base eleitoral um ano antes das eleições,
período sujeito a mudanças na orientação partidária,
na configuração dos demais candidatos e das coligações.
Ao tornar o prazo de filiação
mais próximo da eleição, o político terá mais
informações para decidir o partido por meio do qual vai
enfrentar o pleito, argumenta Cunha.
Tramitação
O projeto tramita em regime de prioridade apensado
ao PL
2211/07, do deputado Rogerio Lisboa (DEM-RJ). Antes de ser votado pelo
Plenário, ambos serão analisados pela Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
-
PL-5238/2009
|
Agência Câmara, 31 de julho de
2009
Projeto incentiva empresas
lucrativas a contratarem mais
A Câmara analisa o Projeto
de Lei 5124/09, do deputado Jefferson Campos (PTB-SP), que obriga as
empresas sujeitas ao regime tributário do lucro real que tiverem
ganhos líquidos superiores a R$ 5 milhões a pagarem mais
tributos.
Quanto maior o lucro por trabalhador,
maior será a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoas
Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o
Lucro Líquido (CSLL). "Uma
empresa que obtenha altos lucros deve ser incentivada a contratar um
maior número de funcionários", avalia Campos.
O projeto reduz o direito de
as empresas optantes pelo lucro real somar às despesas ou custos
para apuração do lucro, a título de despesa operacional,
a depreciação de itens de seu ativo imobilizado.
Abater
custos
Uma companhia que adquira tornos poderá abater os custos de aquisição
ao longo da vida útil dessas máquinas de acordo com regras definidas
pela Receita Federal do Brasil.
Nesse caso específico,
poderá ser abatido 10% do preço por ano por um período
igual a 10 anos. Computadores têm uma taxa de depreciação
maior. Seu preço pode ser abatido como despesa operacional à taxa
de 20% ao ano ao longo de cinco anos.
As empresas sujeitas ao regime
de apuração de IRPJ e CSLL computam todas as suas despesas
e custos de um lado e todas as suas receitas do outro e chegam, assim,
ao lucro, sobre o qual vai incidir a alíquota de ambos os tributos.
Assim, quanto maior forem as despesas, menores serão os recolhimentos
ao Fisco.
Fórmula
de cálculo
Pelo projeto, se o lucro da empresa dividido pelo número de empregados
der um resultado acima de R$ 150 mil, esta empresa terá que somar ao
lucro líquido 30% do montante que tem direito a acrescer às despesas
como depreciação.
Se o resultado der mais de R$
100 mil, mas não ultrapassar R$ 150 mil, o acréscimo será de
20%. Se a conta resultar em um valor entre R$ 50 mil e R$ 100 mil, esse
percentual cairá para 10%. A ideia é tributar mais as empresas
que contratam menos de maneira a obrigá-las a aumentar seu quadro
de pessoal.
A proposta autoriza o Poder Executivo
a definir quocientes diferentes para setores econômicos específicos,
desde que não sejam 25% maiores aos estabelecidos.
Tramitação
O projeto tramita em caráter
conclusivo e será analisado pelas comissões de Finanças
e Tributação; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
-
PL-5124/2009
|
Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
31/07/2009
Controle de ponto garante horas extras a
gerente bancário
Controle de jornada. Este fator
foi predominante para que um bancário que se declarou autoridade
máxima na agência onde trabalhava conseguisse horas extras
além da oitava diária. A Seção Especializada
em Dissídios Individuais 1 (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
rejeitou recurso de embargos do Banco Nossa Caixa S.A., que procurava
reverter a decisão que mandou pagar ao gerente15 horas extras
por mês, com adicional de 50%.
O trabalhador iniciou seu contrato
com o banco em outubro de 1973 e se aposentou em dezembro de 1997, exercendo
as funções de gerente, na época com o salário
de R$ 5 mil. Em dezembro de 1999, ajuizou a reclamação
trabalhista alegando que sempre trabalhara além da jornada especial
de seis horas. Pleiteou, então, o pagamento como extraordinárias
das horas trabalhadas diariamente além da sexta.
Ao julgar a ação,
a 1ª Vara do Trabalho de Ribeirão Preto (SP) verificou que
o autor recebia gratificação de função por
ser gerente geral, autoridade máxima da agência. Porém,
seu horário era controlado por cartões de ponto, apesar
de registrar apenas jornadas contratuais. Em audiência, testemunhas,
inclusive da própria empresa, confirmaram que o gerente, em cerca
de dez dias por mês (período de pico) ultrapassava os limites
de jornada – oito horas - em mais de uma hora e meia. Baseada na
prova oral e havendo o controle de cartões de ponto, a 1ª Vara
deferiu as horas extras.
O recurso interposto pelo banco
foi rejeitado pelo Tribunal Regional da 15ª Região (SP) e,
posteriormente, pela Oitava Turma. Em mais uma tentativa, o banco, por
meio de embargos, buscou mudar a decisão e, para isso, alegou
contrariedade à Súmula nº 287 do TST e divergência
de jurisprudência. O argumento principal foi o de que o trabalhador
declarou ter sido autoridade máxima na agência, e isso seria
suficiente, segundo a Nossa Caixa, para enquadrá-lo no disposto
no artigo 62, inciso II, da CLT, que exclui do controle de jornada os
ocupantes de cargos de gestão.
O ministro Vantuil Abdala, relator
dos embargos, entendeu que não se verificou a contrariedade citada
pelo banco. “A Súmula nº 287 do TST afirma que, quanto
ao gerente geral, presume-se o exercício do cargo de gestão,
hipótese afastada pela Turma ao afirmar que a presunção
do cargo de gestão fora obstada pela existência do controle
de jornada”, explicou. Ao adotar o voto do relator, a SDI-1, por
maioria, não conheceu dos embargos. (E-RR-2102/1999-004-15-00.7)
|
31/07/2009
SDI-1 manda julgar conflito que não
passou por conciliação prévia
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
pôs fim à discussão sobre a necessidade de o empregado
levar a demanda trabalhista primeiro à comissão de conciliação
prévia, antes de entrar com ação na Justiça.
Por maioria de votos, venceu a tese do relator do caso, ministro Aloysio
Corrêa, de que a submissão da lide à comissão é facultativa.
Como esclareceu o relator, ainda
que o artigo 625-D da CLT obrigue a submissão do empregado à comissão
(quando houver uma no local da prestação dos serviços)
e condicione a ação à juntada de certidão
do fracasso da conciliação, isso não pode ser entendido
como condição da ação para impedir o acesso à Justiça.
A ausência de documento proveniente da comissão equivale à inexistência
de conciliação. Portanto, concluiu o ministro, não
se pode extinguir o processo, sem julgamento de mérito, só pelo
fato de a parte não ter levado o assunto primeiro à comissão,
sob pena de violar os princípios formadores do processo do trabalho.
O relator ainda chamou atenção
para recente decisão (de 22/5/2009), em caráter liminar
(provisório), do Supremo Tribunal Federal, ao examinar a constitucionalidade
desse dispositivo da CLT, no sentido de que as ações trabalhistas
podem ser ajuizadas sem prévia submissão às comissões
de conciliação. Do contrário, haveria desrespeito
ao direito universal de acesso à Justiça e à liberdade
de escolha do cidadão.
O debate sobre o tema se deu
em processo em que um analista de sistemas requereu diferenças
salariais depois de ter prestado serviços para Pointer do Brasil
S.A. e Pernambuco S.A., de março de 1992 a novembro de 2003, mas
só teve a carteira de trabalho assinada em fevereiro de 2003.
A 9ª Vara do Trabalho de Recife (PE) reconheceu o vínculo
de emprego e concedeu, em parte, os pedidos do empregado.
Nesse momento, as empresas entraram
com recurso ordinário no Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região
(PE), alegando que o assunto não tinha passado pela comissão
de conciliação e, por isso, o processo deveria ser extinto,
sem julgamento do mérito, nos termos do artigo 625-D da CLT. Mas,
de acordo com o Regional, nada disso importava, porque as partes não
sofreram prejuízo, e o acordo era possível em qualquer
fase processual. Além do mais, o trabalhador podia optar pela
via extrajudicial, sem condicionar o seu direito de ação à passagem
pela comissão.
Já no recurso de revista
das empresas, analisado pela Terceira Turma do TST, o argumento foi aceito.
Os ministros decidiram extinguir o processo, sem julgamento do mérito,
com a justificativa de que passar a demanda pela comissão era
condição da ação na Justiça, conforme
o artigo 267 do CPC. Desta vez, foi o trabalhador que não se conformou
com o resultado do julgamento e interpôs embargos à SDI-1.
Disse que a ausência da comissão não podia ser um
obstáculo para o acesso à Justiça, caso contrário,
haveria ofensa ao seu direito constitucional de peticionar e de ter uma
resposta do Judiciário (artigo 5º, incisos XXXIV e XXXV,
da Constituição Federal).
Para o relator, ministro Aloysio
Corrêa, o objetivo da norma celetista é estimular a conciliação
entre as partes e proporcionar mais agilidade na solução
dos conflitos. Também segundo o ministro, o instituto da conciliação
vem sendo bastante utilizado no País e contribui para diminuir
o número de ações no Judiciário, mas não
pode servir de impedimento para a apreciação de questões
trabalhistas pela Justiça. Na prática, a SDI-1 determinou
que o recurso de revista do empregado fosse devolvido à Terceira
Turma do TST para o exame dos pedidos de trabalhistas formulados. (E-RR-
28/2004-009-06-00.3)
|
Agência Brasil, 30
de julho de 2009
Dieese-Seade: desemprego cai na maioria
das regiões metropolitanas
Os dados fazem parte da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) para a Região
Metropolitana de São Paulo e para o conjunto de regiões acompanhadas
pelo Sistema PED
A taxa de desemprego em cinco
regiões metropolitanas e no Distrito Federal caiu em junho, passando
de 15,3% para 14,8% da População Economicamente Ativa,
depois de cinco meses sem redução.
Isso significou 112 mil pessoas
a menos no contingente de desempregados, estimado em 2,984 milhões
de trabalhadores.
O nível de ocupação
apresentou variação positiva pelo terceiro mês seguido,
com 0,4%, o que representa a criação de 75 mil postos de
trabalho.
No mesmo período, 38 mil
pessoas desistiram de procurar emprego.
À exceção
de Belo Horizonte, que manteve a taxa estável em 11%, houve queda
em todas as demais regiões pesquisas, com maior diminuição
em Recife, que passou de 20,4% em maio para 19,4% em junho.
Em Porto Alegre a taxa passou
de 12,6% para 12%, em Recife, de 17% para 16,4%, em Salvador, de 21,6%
para 21,3 e em São Paulo, de 14,8% para 14,2%.
O comércio liderou na
oferta de vagas, com a 80 mil postos de trabalho, o que significou aumento
de 3%. O segmento de serviços foi o segundo, com 22 mil vagas,
ou 0,2% acima de maio.
A indústria cortou 25
mil ocupações, o que representou queda de 1% do total e
a construção civil demitiu 9 mil trabalhadores, queda de
0,9%.
O rendimento médio dos
trabalhadores em maio caiu 1,2%, passando para R$ 1.276 para os assalariados
e R$ 1.199 para o conjunto de trabalhadores ocupados, ou seja com ou
sem carteira assinada.
Os dados fazem parte da Pesquisa
de Emprego e Desemprego (PED) para a Região Metropolitana de São
Paulo e para o conjunto de regiões acompanhadas pelo Sistema PED
- Distrito Federal, Salvador, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte e
São Paulo - divulgada nesta quarta-feia (29) pelo Departamento
Intersindical e Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
(Dieese) e Fundação Seade.
|
Agência Brasil, 30
de julho de 2009
Em 20 anos, brasileiro teve jornada
de trabalho reduzida em 10%
O Ipea comparou o quanto os trabalhadores ocupados trabalhavam em 1988, quando
a CF reduziu a jornada de 48 para 44 horas, com a carga de trabalho medida
em 2007
Em 20 anos, o brasileiro reduziu
a sua jornada de trabalho em 10,7%, passando a trabalhar cinco horas
a menos por semana.
Parece algo estranho para quem
vive às voltas com a correria do trabalho, mas é o que
aponta um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea), fundação pública federal vinculada à Secretaria
de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.
O Ipea comparou o quanto os trabalhadores
ocupados trabalhavam em 1988, quando a Constituição Federal
reduziu a jornada máxima nacional de 48 para 44 horas semanais,
com a carga de trabalho medida em 2007.
Em 1988, um trabalhador brasileiro
ocupado (formal ou informal) tinha uma jornada de 44.1 horas, ante as
39,4 horas semanais apuradas 20 anos depois.
A base de dados do estudo é a
Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílios (Pnad) do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A redução de 10,7%
foi registrada para a média de todos os trabalhadores brasileiros.
Se for levado em conta, por exemplo,
o estado em que eles atuam, Rondônia teve a maior redução
da jornada de trabalho, com uma queda de 21,7%.
No Piauí ocorreu a segunda
maior redução de jornada no período apurado pelo
Ipea: 21%, seguido do Maranhão, com redução de 20,6%.
Em contrapartida, o estado do
Amapá verificou a menor queda na jornada, 3,2%. Em seguida aparecem
Rio de janeiro e Distrito Federal (4,6%) e São Paulo (6,2%).
Informalidade
A queda na jornada pode ter sido ocasionada por um motivo positivo, segundo
o Ipea, que é a melhora na relação entre empregados e
empregadores.
Mas segundo o Instituto, também
pode estar relacionada à baixa intensidade no crescimento da economia
no período apurado, com Produto Interno Bruto (PIB) subindo pouco
mais de 2% na média anual.
Há também a influência
negativa da informalidade, que cresceu após 1988 atingindo mais
da metade da população em idade produtiva.
Os trabalhadores informais costumam
ter jornadas irregulares e, frequentemente, abaixo das 44 horas máximas,
muitas vezes somente para garantir a sobrevivência.
|
Agência Brasil, 30 de
julho de 2009
Trabalhador com mais escolaridade
teve maior carga horária semanal
O estudo Carga Horária
de Trabalho: Evolução e Principais Mudanças no Brasil,
divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
mostrou que há desigualdade na carga horária quando o universo
analisado envolve o tempo de estudo.
Segundo o estudo, quanto maior
foi a escolaridade, menor foi a redução no tempo de trabalho.
A Constituição
promulgada em 1988 fixou a jornada máxima do trabalhador brasileiro
em 44 horas semanais.
No caso dos ocupados com 11 anos
ou mais de estudos, a redução foi de -1,2%.
Os trabalhadores com menor escolaridade
acabaram sendo os mais beneficiados, com queda de 18,1%.
Em 2007, a menor jornada de trabalho
estava entre os trabalhadores com até um ano de estudo (36,2 horas),
enquanto a maior jornada média de trabalho era exercida pelos
trabalhadores de nível médio, com 8 a 10 anos de escolaridade.
Há também comportamentos
bastante distintos nos casos em que o critério analisado foi a
atividade econômica.
Em atividades de cunho social
como educação, saúde houve, no período, aumento
de 3,2% nas horas médias semanais tradicionalmente trabalhadas
no Brasil.
O setor agrícola teve
a maior diminuição registrada no tempo de trabalho, com
26,3%, e acabou registrando, em 2007, a menor jornada média trabalhada
por semana no país: 33,6 horas.
A maior ficou com o setor de
transporte (46,2 horas), seguido do setor de serviços industriais
(44,7 horas).
Na comparação da
jornada média de trabalho semanal por estados da federação,
os estados com menor presença de ocupação formal
são os de menor carga horária de trabalho.
Piauí, com 9,6%, e Maranhão,
com 11,8% possuíam, em 2007, as menores presenças relativas
de ocupados privados formais.
E isso acabou se refletindo numa
maior parcela de trabalhadores com postos de trabalho com até 29
horas semanais.
Em contrapartida, São
Paulo (42,5%) e Santa Catarina (39,6%) foram, no mesmo ano, os estados
com maior presença relativa de ocupações privadas
formais.
Nesse mesmo sentido, apresentaram
também as menores parcelas de ocupados com tempo de trabalho mínimo
e parcial, salvo a situação do Distrito Federal.
O Ipea ressalta que menos de
50% do total de trabalhadores estavam ocupados formalmente em 2007.
|
Gazeta
do Povo, 30 de julho de 2009
Trabalho
Jornada média é de
39,4 horas
Brasília - A jornada de trabalho média
no Brasil apresentou redução de 10,7% em um período
de 20 anos e já se encontra abaixo de 40 horas semanais. Em
apenas seis unidades da federação, a carga horária
média ainda é superior a esse patamar, sendo São
Paulo o campeão (41,9).
Estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, entre 1988 e 2007,
a jornada de trabalho caiu de 44,1 horas para 39,4. Em 1988, a Constituição
fixou a jornada máxima em 44 horas. As centrais sindicais
agora reivindicam a redução para 40 horas, apesar de
a carga média do brasileiro já estar abaixo desse patamar.
Os dados consolidados pelo Ipea revelam,
porém, que é crescente o porcentual de trabalhadores
ocupados no Brasil que cumprem jornada acima de 44 horas, com a realização
de horas extras. Esse percentual era de 30,6%, em 1988, e pulou para
43,6%, em 2007.
“A jornada de trabalho média
foi fortemente influenciada pelo aumento do tempo mínimo de
trabalho. Mas houve também aumento da jornada extra. O Brasil
não só reparte mal sua riqueza, mas também seu
tempo de trabalho”, declarou o presidente do Ipea, Márcio
Pochmann.
Para ele, a proposta das centrais de reduzir
a jornada como mecanismo para elevar a oferta de emprego não
leva em conta fatores como nível de atividade econômica
e excesso de horas extras. Mas declarou que, em condições
favoráveis da economia e do mercado de trabalho, uma redução
para 37 horas poderia acomodar mais trabalhadores.
|
Agência Brasil, 30 de julho de 2009
Pochmann defende corte da jornada para
37 horas semanais
O presidente do Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, disse nesta
quarta-feira (29) que, se a carga horária oficial de trabalho
fosse reduzida das atuais 44 horas semanais para 37 horas, o país
teria condições de dar ocupação para toda
a população. Mas ele ressaltou que isso só seria
possível caso fossem mantidos os investimentos, a produção
e aumentada a capacidade produtiva.
A afirmação foi
feita durante o lançamento do estudo Carga Horária de Trabalho:
Evolução e Principais Mudanças no Brasil. “Com
a redução oficial da jornada para 37 horas, daríamos
condições de termos todos ocupados, desde que mantida a
produção e os investimentos, e a capacidade produtiva do
país fosse ampliada”, disse Pochmann.
Segundo o economista, mais fácil
seria alterar a distribuição do tempo de trabalho no Brasil,
uma vez que o estudo registrou que o país tem uma grande parcela
de trabalhadores com carga horária bastante reduzida, de um lado,
e, do outro, quase a metade de seus trabalhadores com jornadas acima
de 44 horas semanais. “Uma melhor redistribuição
dessa jornada permitiria mais pessoas ocupadas do que a simples redução
da jornada oficial”.
Dados recentes mostram, segundo
o presidente do Ipea, que o país teve desde 1988 aumento de desemprego
e crescimento da informalidade. “Mostram também tendência
de rotatividade, que é a demissão de pessoas com os maiores
salários, seguida da contratação de pessoas por
salários menores”, disse. “Esse ambiente faz um desfavor
ao mercado de trabalho e pouco ajuda a reduzir as diferenças”,
acrescentou.
“É necessário
que o Brasil volte a crescer de forma bastante acelerada, ocupando a
capacidade ociosa existente, e retornem sobretudo os investimentos, porque é com
mais investimentos que o país conseguirá recuperar seus
postos de trabalho, tanto em maior quantidade como em melhor qualidade”,
argumentou.
Pochmann lembrou que, para gerar
empregos, o Brasil precisa crescer mais do que 4% ao ano. “Teríamos
condições de reduzir mais rapidamente a jornada de trabalho
e termos mais trabalhadores ocupados, caso o Brasil tivesse crescido
de forma mais veloz, como ocorreu dos anos 1950 até os 1980, quando
o crescimento da economia foi próximo de 7%”, disse.
“ Mas, de 1988 para cá,
o crescimento do PIB [Produto Interno Bruto] foi abaixo de 3%. E toda
vez que o Brasil cresce menos de 4% ao ano, não consegue gerar
postos de trabalho, e os ganhos de produtividade tendem então
a serem menores, assim como a evolução dos salários.
Isso, de certa maneira, pode resultar também em uma precarização
dos postos de trabalho existentes”, completou Marcio Pochmann.
Veja
aqui a íntegra do estudo do Ipea, em pdf.
|
Folha de S.Paulo, 30 de julho
de 2009
Jornada de trabalho média fica
abaixo de 40 horas, afirma Ipea
Centrais reivindicam redução
para esse patamar; Constituição fixa limite em 44
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A jornada de trabalho média
no Brasil apresentou redução de 10,7% em um período
de 20 anos e já se encontra abaixo de 40 horas semanais. Em apenas
seis unidades da federação, a carga horária média
ainda é superior a esse patamar, sendo São Paulo o campeão
(41,9).
Estudo elaborado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada)
mostra que, entre 1988 e 2007, a jornada de trabalho caiu de 44,1 horas para
39,4. Em 1988, a Constituição fixou a jornada máxima em
44 horas. As centrais sindicais agora reivindicam a redução para
40 horas, apesar de a carga média do brasileiro já estar abaixo
desse patamar.
Os dados consolidados pelo Ipea revelam, porém, que é crescente
o percentual de trabalhadores ocupados no Brasil que cumprem jornada acima
de 44 horas, com a realização de horas extras. Esse percentual
era de 30,6%, em 1988, e pulou para 43,6%, em 2007.
O aumento na parcela dos trabalhadores que fazem horas extras, no entanto,
ficou bem abaixo do crescimento de 166% no número de trabalhadores que
têm jornada reduzida (até 19 horas semanais).
" A jornada de trabalho média foi fortemente influenciada pelo aumento
do tempo mínimo de trabalho. Mas houve também aumento da jornada
extra. O Brasil não só reparte mal sua riqueza mas também
seu tempo de trabalho. A nossa jornada de trabalho é mal distribuída",
declarou o presidente do Ipea, Marcio Pochmann.
Para ele, a proposta das centrais de reduzir a jornada como mecanismo para
elevar a oferta de emprego não leva em conta fatores como nível
de atividade econômica e excesso de horas extras. Pochmann argumentou
ainda que a redução da jornada nos últimos anos não
conseguiu conter o aumento de desempregados. Mas declarou que, em condições
favoráveis da economia e do mercado de trabalho, uma redução
para 37 horas poderia acomodar mais trabalhadores.
Para o Ipea, o fraco desempenho da economia no período elevou o grau
de informalidade, o que explica a redução de 10,7% da jornada,
pois as cargas horárias reduzidas são exercidas, em geral, por
informais.
|
Gazeta do Povo, 30 de julho de 2009
Trabalho
Para técnico, Codefat está “manco”
A decisão de quatro entidades
de abandonar o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador
(Codefat) deixou os técnicos do conselho perdidos. A dúvida
principal é com relação à representatividade
do conselho. “Obviamente, o conselho agora ficou manco”,
comentou um assessor. Na terça-feira, representantes CNI, CNC,
CNA e Consif renunciaram por entender que o ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, apoiou o candidato da CNS, Luigi Nese.
|
Folha de S.Paulo, 30 de julho
de 2009
Manobra no Codefat partiu do Planalto,
dizem empresários
Entidades apontam quebra de acordo
para eleição de presidente do órgão |
Candidato foi eleito após intervenção de Lupi,
mas empresário diz que "é difícil imaginar
que farsa foi orquestrada só por ministro"
MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
MARCIO AITH
DA REPORTAGEM LOCAL
Entidades de empresários
atribuem ao Palácio do Planalto o rompimento do acordo que previa
a presidência rotativa do Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo
de Amparo ao Trabalhador), o conselho tripartite que administra os R$
158 bilhões de patrimônio do FAT (Fundo do Amparo ao Trabalhador).
Na terça-feira passada, as quatro maiores confederações
de empresários do país -CNI, CNA, CNC e CNIF- abandonaram o Codefat
em repúdio à manobra promovida pelo ministro Carlos Lupi (Trabalho)
para controlar o conselho em 2010, ano eleitoral.
Por um acordo de cavalheiros que vigora há quase duas décadas,
a presidência do Codefat é alternada entre as três bancadas
que compõe o conselho: trabalhadores, empresários e governo.
Segundo esse acordo, a presidência para o próximo biênio
deveria ser definida pela bancada empresarial. As entidades de empregadores
tinham até definido o próximo candidato -no caso, Fernando Antônio
Rodriguez, indicado pela senadora Katia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA (Confederação
Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil).
No entanto, por uma manobra, Lupi forjou nos bastidores a candidatura dissidente
de Luigi Nese, presidente da inexpressiva CNS (Confederação Nacional
de Serviços).
Luigi acabou sendo eleito com o voto das entidades de trabalhadores.
A CNS é uma entidade só reconhecida oficialmente em dezembro
passado. Sua existência deve-se a uma portaria de Lupi de abril do ano
passado.
" O ministro Carlos Lupi tem um cargo de confiança. Seu chefe é o
presidente da República. Só posso concluir, portanto, que o governo
está por trás disso", disse à Folha a senadora Kátia
Abreu.
Roberto Nogueira Ferreira, representante da Confederação Nacional
do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, disse que outros dois
ministros, além de Lupi, já sabiam que havia uma armação
em curso contra os empregadores no Codefat. "Por uma questão de
lógica, fica difícil imaginar que essa farsa foi apenas orquestrada
pelo ministro."
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo) divulgou nota em que repudia a ação de Lupi, mas evita
especular sobre uma eventual autorização do governo.
Patrono
Lupi nega ter orquestrado a manobra. Mas sobram indícios da ligação
entre ele e o novo presidente do Codefat. Luigi Nese entregou pessoalmente
ao ministro o título de "patrono" da CNS. A cena é registrada
no site da entidade.
O endereço eletrônico da CNS dá destaque à homenagem
a Lupi. A entrega do título de patrono foi feita por Nese ao ministro
em almoço para 200 convidados.
Lupi e Nese posaram para fotos, convidados aparecem aplaudindo. A Confederação
Nacional de Serviços tem entre seus associados uma federação
a menos, a Fenac (Federação Nacional de Cultura), que pediu desligamento
em março.
Restaram supostamente cinco federações, que representariam cerca
de 60 sindicatos, de representantes comerciais autônomos, empresas de
informática e estabelecimentos hípicos e de cultura física.
A principal delas, a Federação de Serviços do Estado de
São Paulo, fundada também por Luigi, só recebeu registro
sindical no ano passado. Sua existência é contestada pela Fecomercio. "Essa
Fesesp surgiu ao arrepio da lei. É uma entidade sem legitimidade",
disse Luis Antonio Flora, diretor jurídico da Fecomercio SP.
No STF
O registro sindical da CNS também é contestado. No caso, por
três ações que tramitam no Supremo Tribunal Federal. As
ações de inconstitucionalidade foram apresentadas por 13 confederações
de trabalhadores e duas confederações patronais.
Ontem, CNI, CNA e CONSIF, que representam respectivamente a indústria,
a agricultura e o sistema financeiro, analisavam juntar-se à causa.
Também foi um ato de Lupi a escolha da CNS para integrar o Codefat,
no lugar, por exemplo, da CNT (Confederação Nacional dos Transportes),
fundada em 1954 e que tem 29 federações, 2 sindicatos nacionais
e 16 associações nacionais.
A CNS (Confederação
Nacional de Saúde), que representa 8 federações,
86 sindicatos e todos os estabelecimentos do setor, também reivindicou
vaga no Codefat, mas se sentiu contemplada por Lupi com assento no Conselho
Curador do FGTS.
|
Agência Câmara,
30 de julho de 2009
Validade de eleição
pode ser vinculada ao número de eleitores
Gilberto Nascimento
A Câmara analisa o Projeto de Lei 5180/09, do deputado Joaquim Beltrão
(PMDB-AL), que condiciona a validade de uma eleição ao comparecimento às
urnas de pelo menos metade dos eleitores registrados.
Segundo a proposta, a Justiça
Eleitoral deverá providenciar novas eleições em
um prazo de 20 a 40 dias, caso um pleito seja anulado por falta de eleitores.
O projeto acrescenta a medida à Lei das Eleições
(9.504/97).
Representatividade
Na opinião de Beltrão, só há garantia de representatividade
política em uma democracia quando realmente a maioria dos eleitores
vota.
"A legitimidade de uma eleição
na qual o número de ausências supera o de comparecimento é posta
em xeque pelo senso comum: que representatividade terão os eleitos
quando os votos recebidos representarem a vontade de uma minoria?",
questiona o parlamentar.
Tramitação
A proposta será analisada pela Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania e votada pelo Plenário.
Íntegra
da proposta:
-
PL-5180/2009
|
Agência Brasil, 30
de julho de 2009
Projeto flexibiliza publicação
de edital de imposto sindical
J. Batista
A Câmara analisa o Projeto de Lei 5239/09, do deputado Carlos Bezerra
(PMDB-MT), que autoriza a publicação de lançamento do
imposto sindical no Diário Oficial da União, no Diário
Oficial do estado, em jornal de grande circulação no local, em
meio impresso ou na internet.
A Consolidação
da Leis do Trabalho (CLT) exige que essa publicação seja
feita nos jornais de maior circulação local durante três
dias, no mínimo dez dias antes da data fixada para o pagamento.
Sem essa formalidade, o recolhimento
do imposto sindical de trabalhadores e empresas pode ser anulada na Justiça
do Trabalho. Os tribunais consideram que a cobrança é um
tributo, e como tal, só se torna exigível após a
notificação ao contribuinte.
O deputado Carlos Bezerra propôs
a flexibilização da regra e a publicação
do edital uma única vez a, pelo menos, dez dias do vencimento.
Para ele, a norma da CLT "está superada e não condiz
mais com a dinâmica das relações sindicais e com
a evolução dos meios de comunicação".
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter
conclusivo, será analisado pelas comissões de Trabalho, de
Administração e Serviço Público; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
-
PL-5239/2009
|
Observatório Processual,
30 de julho de 2009
Campanha: não dar importância
ao assédio moral é banalizar a violência
O depoimento é de uma trabalhadora que participou, na última
quinta-feira (23), da palestra de Ângelo Soares, doutor em sociologia
do trabalho, pesquisador sobre assédio moral, emoções
e saúde mental no trabalho e professor da Universidade do Quebec, em
Montreal (Canadá).
O desabafo da mulher está relacionado
a outros casos expostos pelo professor durante a palestra Assédio
moral: quando o trabalho é indecente, promovido pelo Observatório
Social e realizado na sede do Sindicato dos Bancários, em São
Paulo.
O combate à prática é uma
das reivindicações permanentes dos bancários para
a área de saúde e um dos eixos prioritários dos
trabalhadores na Campanha Nacional 2009.
Ângelo relatou algumas
experiências no campo da pesquisa, em que entrevistou trabalhadores
que convivem em ambientes estressantes de trabalho no Brasil e no Canadá e
os casos de assédio moral que se tornam cada vez mais frequentes.
O professor falou sobre o perfil
dos assediadores e ressaltou que em diversos casos nem sempre o supervisor é o
assediador.
Os bancários, por exemplo,
estão sujeitos a sofrer assédio moral praticado pelos gestores
e ainda pelos colegas de profissão e pelos clientes.
O professor Ângelo Soares
deixou seu recado: "ninguém é invulnerável
ao assédio moral, pode acontecer com qualquer trabalhador" e
disse ainda que "quem nega uma situação desta está banalizando
a violência".
Para Ângelo, alguns especialistas
em saúde mental devem conhecer melhor a gestão organizacional
das empresas para reconhecer que muitas doenças são causadas
pela prática abusiva de pressão por metas, humilhações,
pressões e constrangimentos.
"Uma administração
sem respeito é assédio, é um ataque à dignidade
da pessoa", concluiu o professor.
Campanha
O Sindicato conseguiu um avanço no debate do tema na última campanha
nacional, em 2008.
O assunto foi discutido com os
banqueiros, mas houve um entrave quando os patrões barraram a
inclusão de uma cláusula de combate ao assédio na
convenção coletiva.
Neste ano o debate sobre o assunto
começou com força.
Em maio foi lançada a
campanha Saia do Isolamento, para mostrar aos bancários que o
Sindicato está junto com a categoria nesta luta, para receber
denúncias, resolver questões de casos de assédio
moral e, se for preciso, orientar as vítimas a procurar a Justiça
para punir os responsáveis pelos casos.
"Essa luta toma um fôlego
ainda maior com o início da Campanha 2009", diz o secretário
de Saúde do Sindicato Walcir Previtale, que alerta: os casos de
situações vexatórias, constrangedoras contra o trabalhador
ou qualquer colega de trabalho devem ser denunciados imediatamente ao
sindicato.
"Muitas vezes não é com
você, mas é com um colega, e é preciso fazer a denúncia.
Não é necessário se identificar, o Sindicato vai
apurar o caso e tomar as providências", alerta Walcir.
|
STJ, 30 de julho de 2009
Dano moral: indenização
não incide em imposto de renda, segundo STJ
Valores recebidos a título de indenização
por danos morais ou materiais não são passíveis
de incidência de imposto de renda.
Segundo a Segunda Turma do Superior
Tribunal de Justiça (STJ), a efetiva geração de
riqueza por meio de atividade laboral ou aplicação de capital é o
fato gerador do imposto.
A indenização, porém, não aumenta o patrimônio
do lesado, mas o recompõe - no caso do dano moral, por meio de substituição
monetária.
A ministra Eliana Calmon ressaltou
que não se trata de reconhecer isenção do imposto
sobre indenizações.
" A geração de riqueza é a tônica de qualquer
modelo capitalista. Ninguém dirá que é, efetivamente, uma
atividade importante no mercado a geração de riquezas por meio
de danos morais ou materiais. Eles são uma reparação a uma
lesão ilegal ao patrimônio jurídico da vítima, seja
material ou imaterial", explicou a relatora.
"Não vejo como chegar à conclusão
de que dano moral e material não ocasiona indenização.
E se é indenização, não pode ser objeto de
imposto de renda. Se fosse possível reparar o dano de outra forma,
não haveria a indenização em valores pecuniários",
acrescentou.
No processo, a Fazenda tentava
alterar julgamento do Tribunal Regional Federal da 5ª Região,
sustentando que a decisão violava, entre outras normas, o Código
Tributário Nacional, ao extinguir imposto sem previsão
legal e negar a incidência do tributo sobre acréscimo patrimonial.
|
Boletim Guia Trabalhista, 30
de julho de 2009
Cópia não autenticada
serve de prova em processo trabalhista
No processo trabalhista caberá ao
preposto, ou a quem o empregador indicar, o levantamento dos documentos
que serão necessários apresentar (juntar ao processo) para
comprovação das alegações (defesa) feita
pela empresa.
Os documentos poderão
variar dependendo do que o reclamante está pleiteando, dentre
os quais citamos alguns:
- livro ou ficha de registro
de empregado;
- contrato de trabalho;
- aditivos contratuais (transferência
de local, transferência de horário de trabalho, promoções
e etc.);
- termo de rescisão de
contrato de trabalho e entrega do Seguro Desemprego (se for o caso);
- aviso prévio;
- acordos e convenção
coletiva de trabalho da categoria;
- recibos de pagamento de todo
período reclamado, inclusive 1ª e 2ª parcela do 13º salário;
- aviso e recibos de férias
pagos;
- cartão ponto de todo
o período;
- comprovantes de comunicação
(registrado via correio) no caso de Abandono de Emprego, entre outros.
O fato é que a empresa,
ao fazer sua defesa, deveria juntar os documentos originais ou autenticá-los
para fazer provas documentais perante a Justiça do Trabalho.
Com a publicação
da Lei 11.925/09, que alterou os artigos 830 e 895 da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT), a empresa ficou desobrigada de apresentar
os originais e tampouco de autenticá-los.
Com a nova lei que, embora tenha
sido publicada em 17 de abril de 2009, passou a vigorar a partir da segunda
quinzena de julho de 2009, a empresa poderá fazer prova documental
apenas juntando cópia simples dos comprovantes que alegar na defesa,
bastando, para tanto, que o advogado os declare como autênticos.
Esta alteração
irá trazer celeridade processual e economia para as empresas,
dado o curto prazo que a empresa possui para o levantamento dos documentos
e considerando o número volume de processos envolvidos, economia
com custo de autenticação.
Importante salientar que o final
da redação do art. 830 da CLT atribui responsabilidade
pessoal ao advogado quanto à declaração de autenticidade
dos documentos apresentados.
No entanto, ainda que haja a
declaração de autenticidade por parte do advogado, se a
parte contrária impugnar (total ou parcialmente) as cópias
simples apresentadas, a parte que as produziu será intimada para
apresentar cópias devidamente autenticadas ou o original.
No que se refere a alteração
do artigo 895 da CLT, a redação que a nova lei trouxe possibilita
a interposição de recursos em face das decisões
terminativas (as que extinguem o processo, mas não resolvem o
mérito).
É o caso, por exemplo,
do juiz que recebe a ação trabalhista e remete os autos
a outra comarca, devido a declaração de exceção
de incompetência.
Neste caso, considerando a redação
anterior do artigo 895 da CLT, a parte deveria aguardar a sentença
final do juiz que recebeu os autos, para só então alegar,
em Recurso Ordinário, eventual prejuízo sofrido pela alteração
da competência.
Com a nova redação,
a parte poderá, de imediato, interpor Recurso Ordinário
no prazo de oito dias, o qual será objeto de apreciação
do Tribunal para se confirmar ou não a declaração
de incompetência declarada pelo primeiro juiz.
Como a nova redação
do dispositivo não faz qualquer menção sobre as
decisões interlocutórias (das que resolvem um incidente
processual sem impedir a continuação do feito), estas ainda
continuam inatingíveis através de recurso de imediato,
salvo as condições previstas na Súmula 214 do TST.
|