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MSN, 04 de agosto de 2009
Construção civil abre 94.580
vagas no primeiro semestre deste ano
De acordo com pesquisa mensal do SindusCon
e da FGV Projetos, o resultado não supera demissões do
fim de 2008
SÃO PAULO - O emprego
na construção civil do País fechou o semestre com
saldo positivo. De acordo com a pesquisa mensal do SindusCon-SP (Sindicato
da Indústria da Construção Civil do Estado de São
Paulo) e da FGV Projetos, foram criadas 94.580 vagas para trabalhadores
com carteira assinada nos primeiros seis meses do ano. Apesar disso,
o resultado não consegue superar os 109.086 postos de trabalho
fechados nos dois últimos meses do ano passado.
" Se, por um lado, os números confirmaram que as construtoras seguem
com ritmo de atividades elevado em 2009, por outro lado, uma leitura mais atenta
mostra mudanças importantes em relação a 2008, especialmente
no ritmo e na dinâmica do crescimento. No que diz respeito ao ritmo, houve
uma sensível desaceleração" diz o presidente do SindusCon-SP,
Sergio Watanabe.
Ainda segundo Watanabe, "no primeiro semestre de 2009, os 94,6 mil novos
empregados representaram um crescimento de 8,4% em ritmo decrescente. No mesmo
período de 2008, o ritmo de crescimento do emprego formal era quase
o dobro: o número de trabalhadores contratados passava de 185 mil, e
a taxa acumulada do ano até junho era de 16% e vinha em ritmo crescente".
Análise semestral
Ainda segundo o presidente do SindusCon-SP, nos últimos meses do ano
passado e nos primeiros de 2009, houve uma parada no mercado imobiliário
provocada pela queda acentuada nas vendas. Com isso, os lançamentos
também caíram. Para se ter uma ideia, entre janeiro e junho,
o número de lançamentos realizados na região metropolitana
de São Paulo foi 55% menor que no mesmo período do ano passado. "O
efeito dessa retração sobre o emprego deverá ser percebido
com mais intensidade a partir do segundo semestre", alerta.
Outra mudança importante neste semestre, segundo o presidente do SindusCon-SP,
ocorreu na dinâmica do crescimento: as obras de infraestrutura passaram
a gerar mais empregos.
" Em 2008, 45% das vagas geradas no primeiro semestre ocorreram da área
imobiliária e apenas 22% foram geradas na área de infraestrutura.
Em 2009, essa relação quase se inverte: 29% das vagas, o que representam
27,6 mil empregos, foram criadas na área imobiliária e 32% ou 30,7
mil, no segmento de infraestrutura. Nos dois últimos meses, o início
das obras de Jirau fez o emprego na região Norte aumentar 6%".
Brasil
O levantamento também revela que, em junho, o nível de emprego
no setor da construção cresceu 0,94% com relação
a maio, com a abertura de 20.372 vagas.
Todas as regiões do País apresentaram alta no nível de
emprego no sexto mês do ano, sendo que o Norte registrou a maior variação
positiva, de 3,75%, com a contratação de 3.637 trabalhadores,
conforme a tabela abaixo:
Fonte: Sinduscon-SP
Região
|
Variação
Mensal
|
Número
de Vagas
|
Norte
|
3,75%
|
3.637
|
Nordeste
|
1,35%
|
5.137
|
Sudeste
|
0,51%
|
6.188
|
Sul
|
0,76%
|
2.283
|
Centro-Oeste
|
1,92%
|
3.127
|
Brasil
(Total)
|
0,94%
|
20.372
|
Em São Paulo
O estado de São Paulo registrou, em junho, alta de 0,56% no nível
de emprego na construção civil, em relação ao mês
anterior, com a abertura de 3.472 vagas. No fim do semestre, o total de empregados
contratados na construção paulista foi de 28.803. Com isso, foram
superadas as 17.950 demissões ocorridas em novembro e dezembro de 2008.
A capital empregou 2.442 trabalhadores em junho no setor da construção
civil, o que representa crescimento de 0,82% ante maio.
Já entre as regiões do estado de SP, São José dos
Campos registrou o maior aumento no nível de emprego da construção
civil, com a criação de 930 vagas. Por outro lado, Santos reduziu
298 postos de trabalho.
Fonte: Sinduscon-SP
Região
|
Variação
Mensal
|
Número
de Vagas
|
São
Paulo
|
0,82%
|
2.442
|
Santo
André
|
-0,77%
|
-222
|
Campinas
|
-0,19%
|
-114
|
Ribeirão
Preto
|
-0,24%
|
-83
|
Santos
|
-1,24%
|
-298
|
Sorocaba
|
0,83%
|
543
|
São
José dos Campos
|
1,61%
|
930
|
Bauru
|
0,33%
|
75
|
São
José do Rio Preto
|
1,34%
|
213
|
Presidente
Prudente
|
-0,18%
|
-14
|
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O ESTADO DO PARANÁ,
04 de agosto de 2009 | Economia
Construção civil recupera
vagas fechadas na crise em São Paulo
Agência Estado
A construção civil do Estado de São Paulo conseguiu no
primeiro semestre deste ano recuperar plenamente as vagas fechadas por conta
da crise, e a construção brasileira está próxima
dessa recuperação. É o que mostra a pesquisa mensal de
emprego do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção
Civil do Estado de São Paulo) feita em parceria com a FGV Projetos.
Em junho, a construção
paulista abriu 3.472 vagas com carteira assinada (alta de 0,56% em relação
a maio), totalizando a abertura de 28.803 novos empregos no primeiro
semestre. Com isso, superou as 17.950 demissões ocorridas em novembro
e dezembro de 2008. Este desempenho foi mais acentuado no município
de São Paulo, onde foram fechados 6.875 empregos na construção
em novembro e dezembro de 2008, mas abertos 15.829 de janeiro a junho
de 2009; destes, 2.442 foram criados no mês de junho (alta de 0,82%
em relação a maio).
Já a construção
civil brasileira abriu em junho mais 20.372 empregos (crescimento de
0,94% em relação a maio), totalizando 94.580 no primeiro
semestre. Segundo nota do SindusCon, falta pouco para recuperar os 109.086
postos de trabalho fechados nos dois últimos meses de 2008.
O presidente do SindusCon-SP,
Sergio Watanabe, diz em nota que "se por um lado os números
confirmam que as construtoras seguem com um ritmo de atividades elevado
em 2009, por outro, uma leitura mais atenta mostra mudanças importantes
em relação a 2008, especialmente no ritmo e na dinâmica
do crescimento". No que diz respeito ao ritmo, houve uma sensível
desaceleração. No primeiro semestre de 2009, os 94,6 mil
novos empregados representaram um crescimento de 8,4%. No mesmo período
de 2008, o ritmo de crescimento do emprego formal era quase o dobro:
o número de trabalhadores contratados passava de 185 mil, a taxa
acumulada no ano até junho era de 16% e vinha em ritmo crescente.
Watanabe lembra que nos últimos
meses de 2008 e nos primeiros de 2009 houve uma parada nos mercados imobiliários
provocada pela queda drástica das vendas. Em decorrência,
os lançamentos também caíram. De janeiro a junho,
o número de lançamentos realizados na região metropolitana
de São Paulo foi 55% menor que o do mesmo período de 2008. "O
efeito dessa retração sobre o emprego deverá ser
percebido com mais intensidade a partir do segundo semestre", afirma.
Outra mudança importante
nesse semestre ocorreu na dinâmica do crescimento: as obras de
infraestrutura passaram a gerar mais empregos, segundo o presidente do
SindusCon-SP. "Em 2008, 45% das vagas geradas no primeiro semestre
ocorreram na área imobiliária e apenas 22% foram geradas
na área de infraestrutura. Em 2009, essa relação
quase se inverte: 29% das vagas, o que representa 27,6 mil empregos,
foram criadas na área imobiliária, e 32%, ou 30,7 mil,
no segmento de infraestrutura. Nos dois últimos meses, o início
das obras de Jirau fez o emprego na região Norte aumentar 6%."
O presidente do SindusCon-SP
destaca que a desaceleração esperada da área imobiliária
pode ser revertida com o início das obras do Programa Minha
Casa, Minha Vida. "Mas isso dependerá da velocidade de
aprovação dos projetos e do início das obras",
completa.
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INFONET, 04 de agosto de
2009
Financiamento imobiliário estimula
crescimento da construção civil em Sergipe
Dados do Dieese indicam que maior parte do
montante financiado entre junho de 2008 e maio de 2009, foram para
construção, material de construção, reforma
e ampliação
Dados do Dieese sobre o financiamento imobiliário em Sergipe, no período
de junho de 2008 a maio de 2009, trazem uma boa notícia para o setor
da construção civil: em meio à ameaça de crise,
a indústria desse segmento apresentou crescimento. Isto porque, entre
as estatísticas que apontam o montante de R$ 255,9 milhões financiados,
56,7%, ou R$ 145,1 milhões de reais, foram voltados a construção,
material de construção, reforma ou ampliação.
A outra parte, R$ 110,8 milhões,
foram para imóveis prontos. Nos últimos doze meses 3.338
unidades foram financiadas, sendo 1.335 para aquisição
(40,02% do total), e 2.002 unidades para construção, reforma
ou ampliação (59,98% do total).
“
Em Aracaju há um crescimento visível dessa indústria
não só em habitações, mas também
em obras comerciais, que não entram nesses dados”, diz
o economista do órgão, Luiz Moura. Ele acrescenta que é justamente
a oferta de crédito que proporciona o desenvolvimento do setor. “No
início do ano houve um corte no crédito, sem grande impacto
para as empresas. Agora espera-se uma recuperação”,
explana.
Ainda de acordo com o economista,
dados anteriores não servem de comparação porque
os números de imóveis financiados dependem não só da
condição dos compradores, como de algum tipo de feirão.
Até maio deste ano, 622 unidades residenciais foram financiadas.
Em meses de feirão, como junho de 2008, o número chegou
a 1.437.
Mercado
aquecido não reduz preços
Não só programas de incentivo à habitação
do Governo, como o 'Minha Casa Minha Vida', são responsáveis
pelos números expressivos. Luiz Moura acrescenta que a recuperação
da renda dos brasileiros e a poupança do sergipano, que gira em torno
de R$ 2 bilhões, são responsáveis pelo cenário
atual.
“O ruim desse aquecimento
do mercado é que, mesmo vendendo mais, o preço dos imóveis
não sofre redução. O material de construção
teve o preço reduzido, mas o imóvel não, principalmente
os que estão localizados na Zona de Expansão”, explica
Luiz Moura.
A situação não é melhor, segundo o economista,
por conta do medo da crise. “O comprador fica com medo de não
honrar as prestações ao longo dos anos e perder o imóvel”,
indica Moura.
O barateamendo dos aluguéis é apontado
como um tipo de transação que sofre reflexo direto da maior
oferta de imóveis e o estímulo à comercialização. “As
pessoas estão deixando o aluguel e comprando o imóvel próprio.
Há prédios, inclusive, em que o aluguel está mais
barato do que a taxa de condomínio”, conta.
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BEM PARANÁ, 04 de agosto
de 2009 | Economia
PIB
Lupi espera crescimento do PIB de até 2,8%
no 2º trimestre
O ministro ponderou que o emprego terá uma
recuperação mais lenta na indústria, mas deve
crescer com força no comércio e na agricultura
Agência Estado
O ministro do Trabalho e Emprego,
Carlos Lupi, afirmou hoje (04) que espera um crescimento de 2,5% a 2,8%
do Produto Interno Bruto (PIB) do País nesse segundo trimestre.
O ministro reiterou sua previsão, feita no início do ano,
de que o Brasil crescerá 2% em 2009 e gerará 1 milhão
de empregos. "Insisto em 2%. O ano não terminou", disse,
após participar do Fórum Estadual de Aprendizagem, no Memorial
da América Latina, na Barra Funda, zona oeste da capital. "Aos
pessimistas cabe apenas lamentar. Aos otimistas, achar que o amanhã será melhor."
O ministro ponderou que o emprego
terá uma recuperação mais lenta na indústria,
mas deve crescer com força no comércio e na agricultura.
Adiantou que os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) de julho virão "melhores" que os de junho. O
ministro descartou novas medidas para prorrogar o tempo de pagamento
de seguro-desemprego. "Não há necessidade", justificou.
Questionado se via a crise econômica como uma "marolinha",
a exemplo do que disse o presidente da República, Luiz Inácio
Lula da Silva, ele respondeu com outra metáfora. "Sou pescador.
Costumo dizer que toda onda acaba na areia."
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Gazeta do Povo, 4 de agosto
de 2009
Produção
Semestre foi de queda histórica
na indústria
Setor registrou recuo de 13,4% nos seis primeiros
meses do ano, o pior da série histórica do IBGE, iniciada
em 1975
O tombo sofrido pela indústria
brasileira devido à crise internacional fez com que ela registrasse
um recorde histórico: seu desempenho no primeiro semestre deste
ano foi o pior da série iniciada pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) em 1975 para os seis primeiros
meses de um ano. A produção industrial caiu 13,4% na comparação
com o mesmo período de 2008, em grande medida puxada pela retração
do setor automotivo e outros segmentos exportadores. Nos últimos
12 meses a queda foi de 6,5%.
Apesar de assustador, o dado
divulgado ontem pelo IBGE foi amenizado por uma melhora na produção
nos últimos meses. Em junho, o desempenho da indústria
foi 0,2% superior ao de maio – e 10,9% menor do que o registrado
no mesmo mês de 2008, porcentual que é menor do que a média
do semestre e indica uma recuperação bastante lenta.
O abismo entre os resultados
de 2008 e 2009 está fazendo com que muitas empresas passem a comparar
os números deste ano com os de 2007 na hora de fazer o planejamento. É o
caso da Volvo, montadora de caminhões instalada em Curitiba. “É difícil
comparar a produção industrial tendo de um lado um ano
de crise econômica e de outro o melhor ano da história do
Brasil”, diz o gerente da linha F de caminhões da Volvo,
Bernardo Fedalto. Sua matemática é fácil de entender:
as vendas da empresa estão 30% inferiores às do ano passado,
mas 6,6% acima do que se vendeu em 2007.
E 2007 não foi ruim, pelo
contrário: as vendas da Volvo cresceram quase 50% ante 2005 e
2006, puxando um novo patamar de mercado. “Na verdade os números
de hoje estão nos deixando animados. Se eu me balizar por picos
de mercado, ficarei iludido por patamares que não são reais”,
diz Fedalto.
O executivo credita parte da
retomada da demanda do mercado interno às medidas de fomento ao
crédito executadas pelo governo federal, opinião que é compartilhada
pelo coordenador do departamento econômico da Federação
das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Maurílio
Schmitt. Para ele, a recuperação do crédito é ferramenta
indispensável ao consumo e ao aquecimento da demanda, bem como
a massa de rendimentos da população, que se mantém
relativamente estável.
“O industrial paranaense
já vislumbra para este ano uma economia em velocidade de cruzeiro,
um período para reconquistar as condições adequadas
para o crescimento econômico”, diz Schmitt. Na semana passada,
a Fiep divulgou a pesquisa de clima empresarial, que mostrou uma reversão
no ciclo de pessimismo após ficar nove meses abaixo da média.
A projeção também
já foi pior na avaliação do presidente do Sindicato
das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material
Elétrico do Estado (Sindimetal-PR), Roberto Karam. Após
o pico e o vale na atividade produtiva, o setor já “superou
o decréscimo” ocorrido na crise e restabeleceu os níveis
de atividade de 2006 e 2007. A perspectiva, de acordo com ele, é manter
o crescimento normal do setor no estado – entre 1% e 2% ao mês – para
retomar um processo mais sólido de expansão apenas a partir
de março de 2010.
“As empresas aprenderam
a lição. Após tomar uma pancada forte, estão
investindo em automação e produtividade, e ficaram mais
cautelosas nas admissões nesse momento. A tendência é não
contratar prevendo vendas futuras – vão primeiro começar
a vender, para depois aumentar o número de funcionários.”
Exportações
O mercado externo, por sua vez,
ainda traz muitas dúvidas. A unidade da Bosch em Curitiba, que
fabrica peças de veículos comerciais e de motores a diesel,
mandava para os mercados europeu e asiático cerca de 60% da produção.
Após a derrubada da demanda pela metade provocada pela crise,
cortou em junho 25% da sua produção e está revendo
seu planejamento estratégico. O diretor de Engenharia e Vendas
da Divisão Diesel System, Mário Massagardi, diz que 2010
ainda é uma incógnita, e que a tendência é direcionar
a produção para a América Latina e Brasil.
“É claro que
não vamos parar de exportar para os mercados distantes, não
vamos desperdiçar oportunidades. Mas estamos entendendo que,
depois da crise, os países vão focar mais em criar empregos
internos antes de importar produtos de longe. Essa pode ser a nova
prática mundial daqui para a frente, então estamos nos
voltando para os países vizinhos”, conta.

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Gazeta do Povo, 4 de agosto
de 2009
Produção
Setor de máquinas vê receita
cair 19%
São Paulo - O faturamento da indústria de máquinas e equipamentos
caiu 19,4% no primeiro semestre de 2009, somando R$ 29,31 bilhões. Descontando
a inflação, a queda chega a 23,6%, segundo a Associação
Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
Apesar do resultado fraco no semestre, o setor percebeu uma pequena melhora
em junho, quando o faturamento cresceu 10,6% em relação a maio,
para R$ 5,58 bilhões. O valor é 17,2% inferior ao vendido no
mesmo mês de 2008.
A retração nas
exportações teve um peso grande no resultado do setor no
semestre. As vendas para outros países foram de US$ 3,797 bilhões,
29,2% a menos do que no mesmo período de 2008. O consumo interno
caiu 6,3% no semestre.
Em junho deste ano, o setor de
máquinas e equipamentos atuou com o uso de capacidade instalada
de 80,4%, um crescimento de 0,6% sobre o mês anterior, mas um declínio
de 7,2% em relação a junho de 2008. Desde outubro de 2008,
período de intensificação da crise internacional,
o emprego no setor caiu 7,4%, com a extinção de 18,6 mil
postos de trabalho.
No semestre, o setor que apresentou
queda mais acentuada no faturamento foi o de máquinas e equipamentos
para madeira, com recuo de 68,5%, na comparação com o mesmo
semestre de 2008. Nesse setor, houve um aumento de 98% nas importações,
enquanto as exportações caíram 70%. “Nossos
clientes já estão importando diretamente dos fornecedores
de fora do país. Está havendo um processo critico e muito
pesado de desindustrialização do nosso setor”, afirmou
Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq.
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Folha de S.Paulo, 4 de agosto
de 2009
Indústria sai lentamente
da recessão
Primeiro semestre de 2009 foi o pior da história
do setor, segundo o IBGE, mas dados dos últimos meses mostram
retomada | Medidas de desoneração tributária, consumo
interno e melhora nas exportações impulsionam setores como
linha branca e construção
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Abalada pela crise, a produção
da indústria brasileira caiu 13,4% no primeiro semestre deste
ano, o pior índice da série histórica do IBGE iniciada
em 1976. Mas o setor já sinaliza uma recuperação
nos dados mensais mais recentes, sob impacto da desoneração
tributária, do consumo doméstico aquecido e de uma pequena
melhora nas exportações.
Após dois trimestres em queda, a indústria cresceu 3,4% de abril
a junho na comparação livre de influências sazonais com
o primeiro trimestre de 2009. O dado, dizem especialistas, mostra que o setor
saiu da recessão.
De maio para junho, também na taxa sem influências sazonais, houve
expansão de 0,2% -menos do que o 1,2% de maio. Foi o sexto mês
consecutivo de crescimento nessa base de comparação, segundo
o IBGE. Em relação a junho de 2008, a queda ficou em 10,9%.
A melhora no trimestre não compensa a queda causada pela crise. Desde
o colapso em setembro de 2008 até junho de 2009, a produção
acumula perda de 13,6% -o tombo foi de 20% em dezembro.
Para Isabela Nunes, gerente do IBGE, a indústria vive uma fase "lenta
e gradual" de recuperação, embora opere num ritmo de produção
bem mais moderado do que em 2008. Com a crise, a produção voltou
aos níveis de 2006.
" Há uma retomada, mas o nível de atividade não decolou
ainda", diz Leonardo Melo, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada).
De um lado, avalia Melo, o consumo doméstico cresce na esteira da renda
mais elevada, de estoques mais baixos e da pequena reação das
exportações -especialmente para a China. Para Sérgio Vale,
da MB Associados, os investimentos não respondem à melhora da
expectativa de empresários e demoram a reagir porque o parque industrial
ainda está com capacidade ociosa.
Com isso, a produção de bens de capital (máquinas e equipamentos)
caiu 24,4% no primeiro semestre, o pior resultado dentre as categorias. De
maio para junho, cresceu 2,1%.
Para Nunes, do IBGE, o dado de junho sinaliza um início de reação
dos investimentos, centrada em máquinas para energia elétrica,
informática, caminhões e construção civil -neste último
caso, já um reflexo da redução da cobrança de IPI
(Imposto sobre Produtos Industrializados) no setor.
A desoneração tributária também impulsionou direta
ou indiretamente o desempenho, de maio para junho, de veículos (alta
de 2,6%) e siderurgia (2%) -fornecedora do setor automobilístico. Fez
ainda o subsetor de eletrodomésticos de linha branca -como geladeiras
e fogões- ser um dos poucos a crescer em junho frente junho.
As quedas de maior impacto na produção industrial no primeiro
semestre ficaram com os ramos de veículos (-23,6%), máquinas
e equipamentos (-29%) e siderurgia (27,9%).
Apesar da perspectiva melhor para o segundo semestre, só em 2010 a indústria
voltará a produzir no ritmo pré-crise, diz Marcela Prada, da
Tendências.
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Agência Diap, 4 de
agosto de 2009
Como o Governo Lula pretende resolver
o problema da habitação no País
Por Pedro Fiori Arantes* e
Mariana Fix**, no Brasil de Fato
O pacote habitacional "Minha
casa, minha vida", lançado em abril de 2009, com a meta de
construção de um milhão de moradias, tem sido apresentado
como uma das principais ações do Governo Lula em reação à crise
econômica internacional - ao estimular a criação
de empregos e de investimentos no setor da construção -,
e também como uma política social em grande escala.
O volume de subsídios
que mobiliza é de R$ 34 bilhões (o equivalente a três
anos de Bolsa-Família), para atender a população
de 0 a 10 salários mínimos de rendimento familiar.
Por isso, o Governo Lula tem
destacado que o investimento, apesar de focado na geração
de empregos e no efeito econômico anti-cíclico, tem um perfil
distributivista, ao contrário do que provavelmente faria a oposição
- um conjunto de obras diretamente de interesse do capital.
O objetivo declarado do Governo
federal é dirigir o setor imobiliário para atender à demanda
habitacional de baixa renda, que o mercado por si só não
alcança.
Ou seja, é fazer o mercado
habitacional, restrito no Brasil a uma parcela minoritária da
população, finalmente incorporar setores que até então
não tiveram como adquirir a mercadoria moradia de modo regular
e formal.
Se as "classes C e D" foram
descobertas como "mercado" por quase todas as empresas nos últimos
anos, ainda havia limites, numa sociedade extremamente desigual e de
baixos salários, para a expansão no acesso a mercadorias
caras e complexas, como a moradia e a terra urbanizada.
Com o pacote habitacional e o
novo padrão de financiamento que ele pretende instaurar, esses
limites pretendem ser, se não superados, alargados por meio do
apoio decisivo dos fundos públicos e semi-públicos, de
modo que a imensa demanda por moradia comece a ser regularmente atendida.
Para os mais pobres, o subsídio é alto
(entre 60% a 90% do valor do imóvel) e o despejo, no caso de inadimplência, é improvável.
Para os demais, que entram em financiamentos convencionais, mas também
subsidiados, o Governo estabeleceu um "fundo garantidor" para
cobrir prestações em atraso e preservar o sistema.
O pacote é generoso com
todos os que conseguirem nele entrar. Para as construtoras, a promessa é que "haverá para
todos, grandes e pequenos", como se manifestou um empresário
da construção recentemente.
Entretanto, para os sem-teto,
o atendimento previsto é para apenas 14% da demanda habitacional
reprimida, do nosso déficit habitacional de ao menos 7,2 milhões
de casas.
A seguir pretendemos apresentar
uma discussão preliminar do pacote, a partir das informações,
medidas e instruções normativas que foram divulgadas até o
momento (julho de 2009), por meio de algumas questões que nos
auxiliam a compreendê-lo.
1) Qual é o modelo
de provisão habitacional que o pacote favorece?
97% do subsídio público disponibilizado pelo pacote habitacional,
com recursos da União e do FGTS, são destinados à oferta
e produção direta por construtoras privadas, e apenas 3% a entidades
sem fins lucrativos, cooperativas e movimentos sociais, para produção
de habitação urbana e rural por autogestão. O pacote não
contempla a promoção estatal (projetos e licitações
comandados por órgãos públicos), que deve seguir pleiteando
recursos através das linhas existentes, com fundos menores, muito mais
concorridos, e restrições de modalidades de acesso e de nível
de endividamento.
Esse perfil de investimento já indica
qual o modelo claramente dominante e a aposta na iniciativa privada como
agente motora do processo. A justificativa é a dificuldade do
poder público (sobretudo municipal) na aplicação
de recursos induzindo o Governo federal a optar por uma produção
diretamente de mercado. Desse modo, ao invés de atuar para reverter
o quadro de entraves à gestão pública, fortalecendo-a,
assume a premissa de que a eficiência está mesmo do lado
das empresas privadas.
A produção por
construtoras, para a faixa de mais baixa renda, entre 0 e 3 salários
mínimos por família (até 1.394 reais), é por
oferta privada ao poder público, com valores entre 41 e 52 mil
reais por unidade, dependendo do tipo de município e da modalidade
de provisão (casas ou apartamentos). Uma produção "por
oferta" significa que a construtora define o terreno e o projeto,
aprova junto aos órgãos competentes e vende integralmente
o que produzir para a Caixa Econômica Federal, sem gastos de incorporação
imobiliária e comercialização, sem risco de inadimplência
dos compradores ou vacância das unidades. O acesso às unidades é definido
a partir de listas cadastradas pelas prefeituras. Nas faixas imediatamente
superiores, de 3 a 10 salários por família, ou de "mercado
popular", são previstas 600 mil unidades. Nesse caso a comercialização é feita
diretamente pelas empresas e o interessado vai diretamente aos estandes
de vendas ou aos cada vez mais concorridos "feirões da casa
própria" patrocinados pela Caixa.
2) O pacote irá mesmo
beneficiar as famílias que mais precisam?
A história do subsídio habitacional no Brasil é conhecida
pela constante captura da subvenção pelas classes médias
e agentes privados, ao invés de atender, na escala necessária,
os trabalhadores que mais precisam. Embora essa tendência deva novamente
prevalecer, há que se considerar o interesse político e eleitoral
do Governo em atingir a base da pirâmide.
De um lado, o Governo quer que
o subsídio favoreça o deslocamento do mercado imobiliário
para faixas de baixa renda, onde obtém maiores dividendos políticos,
enquanto o mercado quer aproveitar o pacote para subsidiar a produção
para classe média e média-baixa, onde obtém maiores
ganhos econômicos. Em ambos os casos, o mercado depende do Governo
para expandir a oferta e não do sistema privado de crédito,
como nos países centrais. Ou seja, é um mercado que não é plenamente
capitalista e acaba alimentado pelos fundos públicos. De outro
lado, o Governo depende do mercado para implementar uma política
social, pois o sucateamento dos órgãos públicos,
das secretarias de habitação e das Cohabs, além
de questões ideológicas, impedem uma ação
dirigida predominantemente pelo Estado.
O perfil de atendimento previsto
pelo pacote revela, porém, o enorme poder do setor imobiliário
em dirigir os recursos para a faixa que mais lhe interessa. O déficit
habitacional urbano de famílias entre 3 e 10 salários mínimos
corresponde a apenas 15,2% do total, mas receberá 60% das unidades
e 53% do subsídio público. Essa faixa poderá ser
atendida em 70% do seu déficit, satisfazendo o mercado imobiliário,
que a considera mais lucrativa. Enquanto isso, 82,5% do déficit
habitacional urbano concentra-se abaixo dos 3 salários mínimos,
mas receberá apenas 35% das unidades do pacote, o que corresponde
a 8% do total do déficit para esta faixa. No caso do déficit
rural, a porcentagem é pífia, 3% do total. Tais dados evidenciam
que o atendimento aos que mais necessitam se restringirá, sobretudo,
ao marketing e à mobilização do imaginário
popular.
3) Como o pacote mobiliza
a ideologia da "casa própria"?
O pacote habitacional e sua imensa operação de marketing retomam
a "ideologia da casa própria" que foi estrategicamente difundida
no Brasil durante o regime militar, como compensação em relação à perda
de direitos políticos e ao arrocho salarial. A promessa de casa própria,
como marco da chamada "integração" social, já se
viu, pode ser utilizada como substitutiva da emergência histórica
do trabalhador como sujeito que controla a mudança social (seu sentido
e alcance). Seja por coerção, cooptação ou consentimento,
a promessa da casa própria pode promover um contexto de apaziguamento
das lutas sociais e de conformismo em relação às estruturas
do sistema.
Evidentemente que não
se trata apenas de um fenômeno ideológico. A casa própria é percebida
e vivida pelas camadas populares como bastião da sobrevivência
familiar, ainda mais em tempos de crise e de instabilidade crescente
no mundo do trabalho. Ela cumpre um papel de amortecimento diante da
incompletude dos sistemas de proteção social e da ausência
de uma industrialização com pleno emprego. Para os políticos,
esta operação de marketing se faz necessária para
amplificar os dividendos eleitorais, pois grande parte do pacote ocorre
no plano do imaginário, dada a disparidade entre a promessa e
o atendimento previsto. E, para o capital imobiliário, ela também é um
excelente negócio.
4) O pacote favorece
a desmercantilização da habitação, enquanto
política de bem-estar social?
O volume de recursos públicos ou do FGTS destinados a subsidiar a operação
dá a entender que se trata de uma imensa operação de distribuição
de renda e de "salário indireto". A taxa de subsídio é alta
para a faixa de 0 a 3 salários, que deve pagar 10% de seu rendimento
ou o mínimo de R$ 50 por mês, com juros zero, por um período
de 10 anos. Mesmo que o desenho da transferência de renda seja positivo, é preciso
compreender quais as intermediações sobre o recurso e seu resultado
qualitativo, pois não se trata de uma transferência direta, como
no caso do cartão Bolsa-Família. Enquanto o trabalhador recebe
uma casa com apenas 32 m2 de área útil (modelo proposto pela
Caixa), provavelmente nas periferias extremas, a empreiteira pode receber por
essa casa-mercadoria até R$ 48 mil, ou R$ 1,4 mil por m2.
Tal como é desenhado pelo
pacote, o subsídio, neste caso, tem a família sem-teto
como "álibi social" para que o Estado favoreça,
na partição da riqueza social, uma fração
do capital, a do circuito imobiliário (construtoras, incorporadoras
e proprietários de terra). Na verdade, o subsídio está sendo
dirigido ao setor imobiliário tendo como justificativa a "chancela
social" da habitação popular.
5) O pacote colabora
para a qualificação arquitetônica e a sustentabilidade
ambiental dos projetos de habitação popular?
Mesmo não superando a condição da forma-mercadoria, o
pacote poderia pretender qualificar minimamente os projetos de habitação
popular, inclusive obtendo os dividendos eleitorais de casas mais funcionais,
bonitas e sustentáveis. Para tanto deveria mobilizar agremiações
profissionais e universidades, avaliar referências internacionais e nacionais,
favorecer critérios de sustentabilidade ambiental etc. Do ponto de vista
do processo produtivo, poderia favorecer iniciativas sérias de pré-fabricação,
já aproveitando o conhecimento acumulado, por exemplo, pelas fábricas
públicas de edificações (como as coordenadas por João
Figueiras Lima).
Mas não há preocupação
com a qualidade do produto e seu impacto ambiental, a não ser
a que é posta pelo próprio capital da construção
e suas pífias certificações de qualidade, que garantem
na verdade sua viabilidade como mercadoria, ou seja, a ratificação
da prevalência do valor de troca sobre o valor de uso. As condições
materiais e simbólicas de conjuntos habitacionais desse tipo,
como se sabe, promovem a segregação dos trabalhadores e
a falta de qualidades mínimas de vida urbana e serviços
públicos. Quem mora ou visita conjuntos habitacionais assim reconhece
neles o mesmo arquétipo dos presídios.
6) O pacote favorece
a gestão democrática das cidades e o fortalecimento das
administrações municipais?
Os projetos não são formulados a partir do poder público
ou da demanda organizada, não são licitados, não são
definidos como parte da estratégia municipal de desenvolvimento urbano
e podem inclusive contrariá-la. São estritamente concebidos como
mercadorias, rentáveis a seus proponentes. Os municípios não
têm um papel ativo no processo a não ser na exigência de
que se cumpra a legislação local, quando muito. Não são
fortalecidas as estruturas municipais de gestão, projetos e controle
do uso do solo.
É provável ainda
que os municípios sejam pressionados a alterar a legislação
de uso do solo, os coeficientes de aproveitamento e mesmo o perímetro
urbano, para viabilizar economicamente os projetos. As companhias habitacionais
e secretarias de habitação devem estar preparadas para
se tornar um balcão de "aprovações" e
para doar terrenos à iniciativa privada.
7) O pacote favorece
a reforma urbana e a função social da propriedade?
Na ânsia de poder viabilizar o maior número de empreendimentos,
o poder local ficará refém de uma forma predatória e fragmentada
de expansão da cidade. O "nó da terra" permanecerá intocado
e seu acesso se dará pela compra de terrenos por valores de mercado
(ou ainda acima destes). O modelo de provisão mercantil e desregulada
da moradia irá sempre procurar a maximização dos ganhos
por meio de operações especulativas.
Não há nada no
pacote, por exemplo, que estimule a ocupação de imóveis
construídos vagos (que totalizam 6 milhões de unidades,
ou 83% do déficit), colaborando assim para o cumprimento da função
social da propriedade. A existência desse imenso estoque de edificações
vazias é mais um peso para toda a sociedade, pois são em
sua maioria unidades habitacionais providas de infra-estrutura urbana
completa, muitas delas inadimplentes em relação a impostos.
Não há dúvida
que o pacote irá estimular o crescimento do preço da terra,
favorecendo ainda mais a especulação imobiliária
articulada à segregação espacial e à captura
privada de investimentos públicos. Assim, a política habitacional
de interesse social se tornará cada vez mais inviável,
a menos que o Governo siga dirigindo subsídios aos proprietários
de terra.
8) Por que o pacote desconsidera
os avanços institucionais recentes em política urbana
no Brasil?
O pacote foi elaborado pela Casa Civil e pelo Ministério da Fazenda,
em diálogo direto com os setores imobiliários e da construção,
desconsiderando diversos avanços institucionais na área de desenvolvimento
urbano bem como a interlocução com o restante da sociedade civil.
O Ministério das Cidades (mesmo entregue em 2005 ao PP) foi posto de
lado na concepção do programa, o Plano Nacional de Habitação
foi ignorado em sua quase totalidade, o Estatuto da Cidade não foi tomado
como um elemento definidor dos investimentos, o Conselho das Cidades sequer
foi consultado, o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social
(FNHIS), bem como seu Conselho, foram dispensados. O decreto do pacote ainda
define um comitê de acompanhamento formado exclusivamente por integrantes
do Governo.
9) O pacote habitacional é uma
política anti-cíclica acertada?
Ele é anunciado como uma política anti-cíclica com objetivos
sociais - que, em última instância, o justificam e parece desobrigar
seus propositores de demonstrar seu impacto nas cadeias produtivas. Mesmo que
a indústria da construção tenha um efeito multiplicador
positivo, no caso da habitação popular, que se reduz praticamente à base
dos produtos (cimento, tijolo, areia, madeira etc), o poder multiplicador é muito
menor.
Do ponto de vista da quantidade
dos empregos gerados, não há dúvida de que, pela
sua baixa composição orgânica (poucas máquinas),
a construção civil é uma empregadora maciça.
Mas qual a qualidade deste trabalho? O pacote não faz nenhuma
exigência em relação às condições
de trabalho nos canteiros (sabidamente precárias e cheias de riscos)
e não há medidas para fortalecer a legislação
e órgãos de fiscalização. A negociação
entre Governo e construtoras para definir o menor custo viável
por unidade deverá redundar, ainda por cima, em um aumento da
exploração dos trabalhadores.
O tempo lento dos investimentos
habitacionais e a preocupação com a rentabilidade privada
descaracterizam o pacote como política anti-cíclica keynesiana.
Uma opção teria sido a criação de frentes
de trabalho diretamente mobilizadas pelos Governos, com gastos dissociados
do rentismo imobiliário. Além disso, é preciso lembrar
que o Governo mantém o superávit primário, mesmo
que em menor proporção, quando a base da política
anti-cíclica é a criação de déficit
público.
Se considerarmos que o pacote
não é, na verdade, a melhor política anti-cíclica,
o "emergencial" e o "quantitativo" devem deixar de
ser razões absolutas para ser condicionados por determinações
mais substantivas, de modo a que prevaleçam critérios urbanos,
sociais e ambientais mais adequados para se avaliar e implementar uma
política habitacional.
10) O pacote fortalece
os movimentos populares?
Os movimentos sociais urbanos e seus apoiadores lutam há décadas
por subsídios massivos para a habitação popular. A conquista
do subsídio em grande escala, como vemos, pode ser capitaneada pelo
capital da construção ao invés de fortalecer as organizações
populares. Da perspectiva dos trabalhadores, a luta por quantidades (de recursos,
de unidades habitacionais, de famílias atendidas) não pode estar
desvinculada das qualidades - isto é, das relações de
produção, da concepção dos projetos, das condições
de trabalho nos canteiros, do valor de uso das edificações, da
forma urbana resultante, enfim, das qualidades de todo o processo social envolvido.
Os recursos disponibilizados
para a política gerida por entidades sem fins lucrativos, isto é,
pelas organizações populares, correspondem a apenas 3%
do total do subsídio e é restrita à faixa de 0 a
3 salários mínimos, justamente a que menos interessa às
empresas. O recurso limitado também pode promover uma disputa
entre os movimentos, que passariam a se digladiar ao invés de
questionar a desproporcionalidade de valores em favor das empreiteiras
e o modelo geral do pacote.
11) O pacote garante
a isonomia entre campo e cidade no atendimento à moradia?
O pacote prevê 500 milhões de reais para o Programa de Habitação
Rural. Os valores são irrisórios: menos de 2% do total de subsídio
do programa e com teto de 10,6 mil reais por unidade habitacional, o que é claramente
inviável para uma construção digna. Do ponto de vista
quantitativo são propostas 50 mil unidades habitacionais, o que corresponde
a apenas 2,5% do déficit rural, de 1,75 milhões de unidades.
Tais recursos não poderão, ainda, ser utilizados em assentamentos
de reforma agrária, que deverão contar, daqui em diante, exclusivamente
com recursos do Incra. Na verdade, a habitação rural, devido às
dificuldades logísticas, distâncias entre lotes e limites para
o ganho de escala, não despertou interesse das construtoras.
A precarização
da política de habitação rural exprime uma incoerência
da política habitacional com a de desenvolvimento regional no
país, pois favorece o êxodo rural e o crescimento das precárias
periferias urbanas.
A maior quantidade individual
de subsídios destinados à habitação urbana
(cerca de 9 vezes maior ao subsídio do Incra) corrobora a divisão
cada vez maior entre os padrões de cidadania no campo e na cidade
e, por fim, fragiliza a reforma agrária, incentiva a migração
e a inviabilidade crescente das próprias cidades.
Considerações
finais
O problema da moradia é real e talvez seja um dos mais importantes no
Brasil. Contudo o "Minha Casa, Minha Vida" não o formula a
partir das características intrínsecas ao problema, mas sim das
necessidades impostas pelas estratégias de poder, dos negócios
e das ideologias dominantes.
Ou seja, o pacote alçou
a habitação a um "problema nacional" de primeira
ordem, mas o definiu segundo critérios do capital, ou da fração
do capital representada pelo circuito imobiliário, e do poder,
mais especificamente, da máquina política eleitoral.
Programas de reforma urbana sensatos
já foram formulados no Brasil nos últimos 50 anos mas,
a despeito dos esforços de movimentos populares e de técnicos
progressistas, pouco se tornaram efetivos.
Essa impossibilidade da reforma
urbana no Brasil só pode ser entendida num contexto mais amplo,
descrito por Florestan Fernandes como a "impossibilidade de um programa
de reformas" em nosso país.
No caso das cidades, contudo,
um programa socialista nunca foi formulado no Brasil, dado o atraso,
o idealismo ou o pragmatismo das discussões nesse campo.
É preciso, no entanto,
que ele seja imaginado coletivamente pelas forças de esquerda,
sob pena de assimilarmos novas derrotas e acumularmos resignações,
sem uma perspectiva clara do que fazer e pelo que lutar.
A versão integral do texto
encontra-se disponível no site do Correio da Cidadania.
(*) Arquiteto
(**) Urbanista
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CONTAS ABERTAS, 04 de agosto
de 2009
PAC: Após dois anos e três
meses, apenas 7% das obras foram concluídas
Novo levantamento realizado pelo Contas Abertas (CA), a partir dos relatórios
estaduais apresentados pelo comitê gestor do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), revela que 827 projetos foram concluídos após
dois anos e três meses do lançamento do programa - incluindo os
três eixos: infraestruturas logística, energética e social-urbana.
O número representa 7% de um total de 11.990 empreendimentos previstos
nos 27 livretos estaduais do PAC para o período 2007-2010 e pós
2010. Cerca de 64%, que equivalem a 7.721 projetos, ainda não saíram
do papel, ou seja, estão em fase de “contratação”, “ação
preparatória” (estudo e licenciamento) ou “licitação” (desde
o edital até o início do projeto). Outras 3.442 ações
(29%) estão em andamento. Em 19 estados, o percentual de obras concluídas
não ultrapassa o índice de 10%. As informações,
divulgadas na semana passada pelo comitê gestor do PAC, englobam os investimentos
previstos pela União, empresas estatais e iniciativa privada, atualizados
até abril deste ano.
Se excluídas do cálculo
as 10.744 obras de saneamento e habitação, que representam
90% da quantidade total de projetos listados no PAC, o percentual de
obras concluídas sobe para 21%. A metodologia de divulgação
dos números usada pela Casa Civil nas cerimônias de balanço
oficial realizadas quadrimestralmente exclui as duas áreas desde
o primeiro anúncio, apesar de estarem previstas no orçamento
do programa. Ainda excluindo as duas áreas, cerca de 34%, que
representam 428 projetos, estão em fase de contratação,
ação preparatória ou licitação. Outros
552 (44%) empreendimentos estão em andamento.
Entre as principais obras em
andamento no país estão a recuperação e revitalização
da infraestrutura do sistema de pistas e pátio do Aeroporto Galeão,
no Rio de Janeiro, a expansão da Linha 1 do metrô também
do Rio, e o sistema de trens urbanos de Porto Alegre, no Rio Grande do
Sul, com a implantação do trecho São Leopoldino-Novo
Hamburgo. Já entre as obras que ainda não saíram
do papel estão o projeto do novo aeroporto de Ilhéus, na
Bahia, ainda em estágio de ação preparatória,
a dragagem de aprofundamento do acesso aquaviário do porto de
Fortaleza, no Ceará, que está em processo licitatório,
e o projeto de construção da segunda pista de pouso do
Aeroporto de Viracopos, em Campinas, São Paulo.
Conforme já divulgado
pelo CA, até dezembro do ano passado, 319 projetos haviam sido
concluídos, o que representava, à época, 3% do total
de empreendimentos previstos em todo o país nos três eixos
do programa – infraestruturas logística, energética
e social-urbana. Isso significa que, de dezembro a abril, o governo federal
inaugurou pelo menos 508 obras do programa. A maior parte das ações
finalizadas, no total de 86 projetos, ocorreu em Minas Gerais, estado
onde nasceu a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, intitulada
pelo presidente Lula como a “mãe do PAC”.
Também estão previstos
para Minas Gerais – unidade da federação com a maior
malha rodoviária e a terceira mais rica do país - a maioria
dos projetos exclusivos listados pelo governo federal para um estado,
ou seja, aqueles que beneficiam exclusivamente a unidade federativa.
Ao todo, são 974 empreendimentos para serem inaugurados no estado.
Desses, em 137 as obras estão em andamento. Desde o lançamento
do PAC, em janeiro de 2007, 111 projetos foram concluídos, o que
representa 11% do total de empreendimentos exclusivos previstos para
Minas Gerais. Até dezembro do ano passado, as obras finalizadas
atingiam o número de 25.
Entre os principais projetos
já finalizados em Minas estão a pavimentação
da BR-265, no trecho Jacuí/São Sebastião do Paraíso,
a implantação da Linha de Transmissão Nova Ponte/Estreito
e a duplicação da BR-050, entre Uberaba e Uberlândia.
Já entre os projetos em andamento, estão a ampliação
do estacionamento de veículos e alteração de acessos
internos do Aeroporto de Confins e a implantação do perímetro
de irrigação Jaíba.
No entanto, o estado mineiro é a
unidade da federação que concentra a maior quantidade de
projetos que ainda não estão em andamento. Em Minas Gerais,
726 projetos exclusivos divididos nos três eixos do programa não
saíram do papel. O percentual de projetos nas fases anteriores
ao início efetivo das obras é da ordem de 75%.
Mas em termos percentuais, a
maior dificuldade de finalização das obras é encontrada
na Paraíba. No estado, 421 projetos estão em fase de contratação,
estudo e licenciamento ou em processo licitatório. Significa que
79% dos 536 empreendimentos previstos ainda não se encontram em
andamento. A Paraíba também detém um dos índices
mais baixos de projetos em execução; são 98 obras
iniciadas, o equivalente a 18% do total. O índice deixa o estado
em antepenúltimo lugar em uma lista classificatória de
localidades em que os projetos do PAC estão em andamento.
De dezembro do ano passado a
abril de 2009, foram inaugurados 12 projetos no estado. Com isto, subiu
para 3% o número de projetos concluídos que beneficiam,
exclusivamente, a Paraíba, entre os quais merecem destaque à duplicação
da BR-230, no trecho João Pessoa/Campina Grande, e a reforma e
ampliação do terminal de passageiros do Aeroporto João
Pessoa, além do reforço da pista de pouso.
O estado do Piauí tem
a segunda pior colocação entre as unidades federativas
no que diz respeito às obras que não saíram do papel.
São 316 projetos, ou 77%, ainda nos estágios iniciais de
implantação, sem a execução efetiva. Lá,
apenas 1%, de um total de 409 empreendimentos, foi finalizado, no qual
se encontra a instalação do Parque Eólico da Pedra
do Sal, em Parnaíba. O percentual de ações concluídas
deixa o estado em último lugar na lista de classificação
de unidades federativas por projetos exclusivos concluídos.
No estado, são apenas
87 projetos em andamento, deixando o estado entre os cinco com pior desempenho
na execução das obras. Entre dezembro de 2008 e abril deste
ano, o Piauí também foi o que menos inaugurou projetos;
apenas um. Clique aqui para ver quadro com informações
sobre a quantidade de obras e seus respectivos estágios em todo
o país.
Estados mais bem contemplados
Na outra ponta, entre os estados
que tiveram melhor desempenho em tirar as obras do papel, está Roraima.
Cerca de 70% das obras no estado estão concluídas ou em
andamento, o que equivale ao número de 107. Dos 153 projetos exclusivos
previstos para a unidade da federação, 13% foram concluídos
e mais da metade está em andamento, um conjunto de 57% dos empreendimentos
listados, ou 87 projetos. De dezembro a abril deste ano, foram inauguradas
pelo menos 14 obras no estado, entre as quais encontram-se a reforma
e ampliação do terminal de passageiros do Aeroporto de
Boa Vista. No entanto, o estado ainda conta com 46 ações
em fases anteriores a execução efetiva das obras.
O Mato Grosso do Sul ocupa o
segundo lugar na lista de estados onde se verifica uma melhor execução
dos projetos. Lá, 61% das obras saíram do papel. Mas 155
empreendimentos de um total de 396 vislumbrados para o estado ainda não
estão em andamento. O montante de 83 projetos concluídos,
em números absolutos, é o segundo maior de empreendimentos
finalizados, após Minas Gerais. Estas obras prontas representam
21% do total de investimentos previstos para a região. Entre as
ações concluídas está a construção
da Pequena Central Hidrelétrica Porto das Pedra, no Rio Sucuriú,
em Chapadão do Sul.
O Acre, por sua vez, está em
terceiro lugar na lista dos estados onde os projetos do PAC mais foram
executados. A unidade federativa tem 52% de obras que já saíram
do papel e um quadro de 98 projetos ainda não iniciados. De um
total de 204 empreendimentos exclusivos destinados ao estado, 77 (38%)
estão em andamento e 29 (14%) foram concluídos. Entre dezembro
do ano passado e abril de 2009, foram finalizadas 24 obras na região.
Até o ano passado, o estado contava com apenas cinco projetos
concluídos. Entre as obras finalizadas destaca-se o asfaltamento
da BR-364 no trecho Tarauacá/Rio Liberdade.
“PAC foi superestimado”
O economista Paulo Brasil, especialista
em finanças públicas e vice-presidente do Sindicato dos
Economistas do Estado de São Paulo, confessa ter a impressão
de que “houve um plano de ação superestimado para
o período e, por outro lado, subestimou-se o tempo médio
de conclusão de licitações de relativa complexidade”.
Segundo ele, diante das informações de que apenas 7% das
obras foram concluídas, “é pouco provável
que o PAC venha a atingir a meta de 100% das obras inicialmente previstas”.
O especialista em finanças
públicas lembra que a aplicação de recursos públicos
está sujeita a um processo burocrático, o que pode atrasar
o andamento de projetos. “Em razão dos procedimentos necessários
e exigidos no que diz respeito ao uso de recursos públicos, os
processos licitatórios são menos ágeis do que aqueles
adotados na iniciativa privada por estarem sujeitos a obediência
de diversos princípios constitucionais e burocráticos”,
atesta.
Paulo Brasil destaca ainda que
o planejamento estratégico público deve ser constantemente
avaliado e reavaliado para que se adotem ajustes necessários ao
plano inicialmente proposto e, assim, buscar a maximização
de resultados. “Creio que este acompanhamento não foi realizado
a contento, a ponto de poder evitar constantes atrasos nas metas a serem
alcançadas”, diz. “Não se pode, todavia, desconsiderar
que o ambiente econômico se alterou, e que houve, efetivamente,
uma interferência dos sinais da crise mundial no comportamento
da economia e da arrecadação e, consequentemente, uma execução
da despesa mais restrita”, completa.
O economista reconhece, no entanto,
que o PAC tem contribuído para melhorar a infraestutura do país,
mas afirma que ainda é pouco diante da necessidade. “Muito
ainda há de ser feito, até porque os valores destinados
a investimentos ainda são muito tímidos diante das necessidades
do país, que busca e caminha para ser uma das grandes potências
econômicas mundiais”, argumenta. “Porém, mantenho
ainda acesa a chama da esperança de que caminhamos, ainda que
timidamente, para um lugar de destaque na economia mundial”, conclui.
O Contas Abertas entrou em contato
com a Casa Civil, por e-mail e por telefone, solicitando que o órgão “comentasse
os dados consolidados dos relatórios estaduais do PAC”.
No entanto, até o fechamento da matéria, a assessoria de
imprensa limitou-se a afirmar que “os cadernos regionais já estão
acessíveis com todos os dados no site www.brasil.gov.br”.
Amanda Costa e Milton Júnior
Do Contas Abertas
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Agência Diap, 4 de
agosto de 2009
Braskem: demissões, dinheiro
público e ataques aos trabalhadores
Por Michelle Amaral da Silva, no Brasil
de Fato
Centenas de cruzes fincadas no
canteiro central da BR 386 (Rodovia Tabaí/Canoas) mostraram a
indignação dos trabalhadores petroquímicos contra
as mais de 400 demissões que já foram realizadas pela Braskem
desde a incorporação da Copesul e Ipiranga Petroquímica,
em 2007.
A essas demissões, se
somam outras que serão realizadas durante agosto na Petroquímica
Triunfo, recentemente incorporada pela Braskem, que, por sua vez, é controlada
pela Odebrecht.
As cruzes foram colocadas no
local durante uma manifestação realizada pela categoria
na manhã do dia 23 de julho.
Esse ato foi mais um dos vários
realizados pelos trabalhadores desde que iniciaram, em 2005, as tratativas
de troca de ativos da Petrobras e Braskem envolvendo o Pólo gaúcho.
Segundo o presidente do Sindicato
dos Trabalhadores das Indústrias Petroquímicas de Triunfo/RS
(Sindipolo), Carlos Eitor Machado Rodrigues, a manifestação
teve o objetivo de chamar a atenção da sociedade para as
demissões sistemáticas promovidas pela Braskem no Pólo
e pressionar o Governo federal a agir para que não sejam feitas
mais demissões.
"Essa empresa foi altamente
beneficiada pelo Governo, via Petrobras, ficando com 75% da petroquímica
brasileira. Por isso, o Governo também deve ser responsabilizado
pelas demissões que vêm ocorrendo", diz o sindicalista.
A ação da Braskem
no Rio Grande do Sul é a mesma que foi adotada pela empresa quando
assumiu o Pólo de Camaçari, na Bahia. Lá, a empresa
demitiu cerca de dois mil trabalhadores e vem atacando diversos direitos
dos trabalhadores.
Gestão
perversa
" As demissões são só uma das faces dos graves problemas
que chegam junto com a gestão Braskem", diz Rodrigues, reforçando
que essa é a marca da gestão da empreiteira Odebrecht.
Segundo ele, a categoria também
está indignada com os sucessivos ataques dessa empresa a direitos
consolidados e a precarização da segurança e do
trabalho em geral nas plantas.
"Ela não consegue
ver que está colocando em risco a vida dos trabalhadores, das
próprias plantas e até as comunidades circunvizinhas. As
pessoas estão trabalhando no seu limite. Falta pessoal para atender
emergências operacionais ou ambientais".
Entre os demitidos, estão
muitos trabalhadores que atuavam nesses setores.
Entre os ataques a direitos,
Rodrigues destaca o anúncio já feito pela Braskem de liquidação
do patrocínio ao Plano Petros de Previdência Complementar
da antiga Copesul.
"Os trabalhadores estão
há 20, 30 anos pagando um Plano de Previdência e agora,
como já fez na Bahia, quer unilateralmente acabar com o Plano".
Nesse sentido, Rodrigues informa
que já existem diversas ações na Justiça,
tanto de grupos de trabalhadores como do próprio sindicato, tentando
garantir que a empresa não possa retirar a sua parte do patrocínio.
Rasgando
o acordo
Recentemente, o sindicato também teve que entrar na Justiça para
garantir o cumprimento de cláusulas do acordo coletivo, que está em
plena vigência. Pela Braskem, diz o sindicalista, o acordo seria rasgado.
"Foi preciso que a Justiça
determinasse o cumprimento do acordo para que os trabalhadores tivessem
seus direitos garantidos", lembra.
Também há resistências
da Braskem em pagar horas extras, excessos de casos de assédio
moral, alterações na assistência médica, entre
outras questões.
Omissão
do Governo
Os trabalhadores também responsabilizam o Governo Federal pelas demissões.
"A ministra Dilma Rousseff,
além de Chefe da Casa Civil, também é presidente
do Conselho de Administração da Petrobras, que é dona
de 30% da Braskem, e entendemos que o Governo tem obrigação
de evitar as demissões. Mas o que vimos até agora é a
conivência com as atitudes da Braskem", acusa Rodrigues.
Ele lembra que a ministra esteve
no Rio Grande do Sul, quando a Braskem lançou a pedra fundamental
da planta de "eteno verde", atendendo a um convite da empresa,
mas nunca recebeu os trabalhadores, apesar dos insistentes pedidos de
audiência.
"Isso mostra o descaso do
Governo com os trabalhadores e, até prova em contrário,
o seu aval para essas demissões", criticou o sindicalista.
Mentiras
deslavadas
Quando foi anunciada a compra do Grupo Ipiranga, quando a Braskem ficou com
o controle da Copesul e da Ipiranga Petroquímica, os presidentes da
Braskem, à época José Carlos Grubisich, e da Petrobras,
José Sérgio Gabrielli, garantiram na imprensa e, mais tarde,
em diversas audiências públicas na Assembléia Legislativa
do Rio Grande do Sul e na Câmara Federal e no Senado, que não
ocorreriam demissões.
Seriam feitos investimentos da
ordem de bilhões e haveria geração de novos empregos. "Uma
mentira deslavada, que está gravada no legislativo estadual e
no Congresso. Até agora, o único anúncio foi da
planta de ‘eteno verde', que será construída com
recursos públicos e cujos empregos serão temporários,
uma vez que se darão somente durante a obra", critica Rodrigues.
Os petroquímicos pretendem
levar a situação das demissões no Pólo aos
poderes legislativo estadual e nacional em novas audiências públicas.
Também irão denunciar à sociedade,
através da imprensa e outros mecanismos, as demissões e
a situação dos trabalhadores do Pólo.
Além disso, estão
articulando para que a compra da Copesul e Ipiranga e, mais recentemente,
da Petroquímica Triunfo pela Braskem sejam tratadas dentro da
CPI da Petrobras.
"Já que o Cade [Conselho
Administrativo de Defesa Econômica] entendeu que 75% de um setor
nas mãos de uma única empresa não é concentração,
queremos saber se os benefícios que foram dados pela Petrobras
ao Grupo Odebrecht não configuram privilégios", diz
o presidente do Sindicato.
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Dieese, 4 de agosto de 2009
Pochmann defende nova Conferência
da Classe Trabalhadora (Conclat)
Durante debate no Encontro Estadual da CTB gaúcha, na última
quinta-feira (30), o presidente do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas
Aplicada), Márcio Pochmann, se revelou partidário de uma nova
Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), reunindo todas
as centrais e organizações sindicais, independentemente das posições
políticas e ideológicas, para debater os rumos do Brasil.
"É uma proposta oportuna",
avaliou. "É necessário aproveitar o momento de crise
para construir uma resposta da classe trabalhadora".
Na opinião do economista,
a nação demanda uma nova maioria política e o movimento
sindical pode ter uma contribuição decisiva para alcançar
este objetivo.
Opinião
da CTB
Na tese apresentada ao debate do 2º Congresso, a direção
nacional da CTB também aponta a necessidade de construção
de uma nova maioria política, cuja base social seria a classe trabalhadora
do campo e da cidade, jovens estudantes, intelectualidade progressista, setores
do empresariado e outros segmentos cujos interesses estão em choque
com o imperialismo e o neoliberalismo.
Na opinião da CTB, a nova
Conclat pode ser um passo fundamental para elevar o protagonismo da classe
trabalhadora na luta política nacional e construir uma nova maioria
política capaz de avançar com maior ousadia na direção
de um novo projeto nacional de desenvolvimento, fundado na soberania
e na valorização do trabalho.
Pochmann também criticou
a fragmentação do sindicalismo, que é particularmente
nefasto no campo da comunicação. Em termos de material
impresso, segundo ele, a mídia sindical produz uma quantidade
maior do que a mídia capitalista.
A qualidade e o conteúdo,
todavia...
"Abrimos um jornal ou uma
revista das entidades sindicais e vemos lá oito ou nove fotos
do presidente".
O encontro dos sindicalistas
classistas gaúchos foi um encontro altamente representativo, segundo
os sindicalistas, que destacaram a participação das mulheres
(30%).
Inscreveram-se 311 delegados,
provenientes de 51 municípios e representando 95 entidades de
31 categorias.
História
da Conclat
A primeira Conclat (Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras) foi
realizada na Praia Grande entre 21 e 23 de agosto de 1981. Na ocasião,
as centrais sindicais que conhecemos estavam na fase embrionária.
O sindicalismo, que havia sido
dizimado pelo golpe militar brasileiro iniciado em 1964, começa
a ser retomado ainda sob as barbas dos militares, no fim da década
de 1970, fortalecido pela indignação da massa trabalhadora
que, além da repressão política e do arrocho salarial,
era enganada de forma descarada, como se verificou na manipulação
dos índices da inflação de 1973 pelo Governo Federal
denunciada pelo Dieese em 1977.
Esta retomada foi marcada por
um período de muitas greves, pelo surgimento de lideranças
entre os trabalhadores e pela proliferação de ideologias
e bandeiras.
O movimento que crescia precisava
de direção e logo em janeiro de 1980 a Comissão
Nacional da Unidade Sindical, representando sindicalistas de todo o Brasil,
reuniu-se no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e
decidiu que os trabalhadores deveriam lutar por um salário mínimo
real e unificado, garantia no emprego, reforma agrária e combate à carestia.
Para isso, foram programados
o 1º de Maio nacional unificado e a realização do
1º Congresso das Classes Trabalhadoras com a denominação
de Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras.
Os representantes sindicais diziam
que a realização da Conclat era uma aspiração
legítima - uma vez que o Governo permitia a realização
de evento semelhante pelos empresários, o Congresso das Classes
trabalhadoras (Conclap).
Proposta lançada por Hugo
Perez no encontro com dirigentes sindicais com Ernesto Geisel, presidente
da república na época.
Foi a primeira grande reunião
intersindical realizada no Brasil desde 1964, com representações
de várias facções do sindicalismo brasileiro (confederações,
federações, associações pré-sindicais,
associações de funcionários públicos e sindicatos)
e cerca de cinco mil trabalhadores, entre eles o Lula, que já era
uma das grandes lideranças, o Joaquim dos Santos Andrade, Joaquinzão
que foi presidente dos Metalúrgicos de São Paulo, Antonio
Rogerio Magri, presidente do Sindicato dos Eletricitários de São
Paulo e Arnaldo Santos, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
de Santos e o José Francisco que era presidente da Contag.
Na pauta constavam assuntos como:
direito ao trabalho, saúde e previdência social, política
econômica e salarial, problemas nacionais etc.
Além disso, havia o projeto
de criação de centrais sindicais que atendessem as demandas
daquele momento da classe trabalhadora no Brasil.
No plano de ação
foi aprovado a convocação de um dia nacional de luta em
1º de Outubro e a indicação de uma greve geral.
O Congresso girou em torno da
idéia da unificação, mas, o embate de dois projetos
dividiu o movimento entre a CUT em 1983 e a CGT em 1986.
Na Conclat, deliberou-se a formação
da Comissão Nacional Pró-CUT, os militantes do PCdoB foram
contra, por ser uma proposta muito vinculada ao PT e passaram a atuar
na Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), até 1991.
Devido a opção
clara desta central pelo "sindicalismo de resultados" e o respaldo
político dado ao Governo Fernando Collor - inclusive indicando
o ministro do Trabalho, Rogério Magri - a CSC rompeu com a central
e aderiu à CUT.
Um setor da CGT, aparelhada pelo
Governo Collor, sai da entidade e funda outra CGT, enquanto lideranças
mais afinadas com a colaboração de classes fundam a Força
Sindical.
Durante os Governos Sarney, Collor,
Itamar e Fernando Henrique, as centrais permaneceram bastante divididas,
com projetos próprios.
Somente após o primeiro
mandato do presidente Lula começou-se a buscar uma unidade maior
entre as centrais, que foram recentemente reconhecidas pelo Governo como
instância legal do movimento sindical.
Desde então é crescente
a participação das centrais sindicais no debate nacional.
Atualmente elas participam do
Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), Conselho
Deliberativo do Fundo de Amparo do Trabalhador (Codefat), Conselho de
Segurança Alimentar (Consea), entre outros órgãos.
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Gazeta do Povo, 4 de agosto
de 2009
Crédito
13.º chega antes, com juros de
2% a 4%
Economistas aconselham usar a antecipação
apenas em casos especiais, para substituir dívidas mais caras
O 13º salário pode
chegar mais cedo. Com taxas de juros que variam entre
2,06% e 3,99% ao mês, todos os grandes bancos oferecem a opção
de antecipação do benefício para seus correntistas.
Por ter pagamento garantido, esse tipo de financiamento oferece taxas
mais atraentes que outras modalidades de empréstimos e, por
isso, pode ser uma boa opção para quem tem dívidas
mais caras.
“Para consumo, é uma
opção totalmente descartada. Mas a antecipação
do 13º pode ser interessante para se livrar de dívidas antigas,
com juros mais altos”, sugere o professor de Economia da Universidade
Federal do Paraná (UFPR), José Guilherme Silva Vieira. É o
caso, por exemplo, de quem vem pagando taxas de juros do cheque especial
ou do cartão de crédito – que chegam a até 10%
ao mês. “Eu recomento esse tipo de empréstimo para
quem tem problemas financeiros. A grande vantagem é trocar dívidas
mais caras. Mas só para isso”, concorda o consultor financeiro
Erasmo Vieira. “Até porque, para comprar algum bem, é bem
provável que a pessoa consiga um parcelamento mais vantajoso na
própria loja.”
Em geral, o empréstimo
só pode ser feito no banco onde a pessoa recebe seu salário – e,
portanto, o 13º. De qualquer maneira, o professor orienta que o
ideal é que o correntista converse com seu gerente e estude qual
a melhor opção de financiamento. “Há alguns
meses, a antecipação do Imposto de Renda e do 13º eram,
com certeza, as melhores opções. Hoje, com a queda dos
juros, é preciso estudar caso a caso.”
Mais do que isso, o professor
José Guilherme Vieira diz que o momento de contrato de um empréstimo
como esse deve ser também de reflexão: “Tem gente
que faz essa antecipação todo ano. Por quê? É preciso
pensar, porque em algum momento, ele pode ser pego de surpresa com um
gasto extra ou ficar sem emprego.”
Agências
A antecipação do
13º salário pode ser feito nas agências bancárias
e, em alguns casos, até pela internet. Mas a sócia da Trade
Contabilidade, Simone Domingues, lembra ainda que o cliente deve conferir,
no momento da assinatura do contrato, o juro e as taxas acertadas com
o banco. “Isso é importante para evitar que depois ele não
seja pego de surpresa”, diz.
É preciso considerar também
as taxas de contratação de crédito. “Se ela
for muito alta, não compensa nem mesmo com o juro baixo”,
alerta Erasmo Vieira. “O benefício pode ser ilusório.”
Só na Caixa Econômica
Federal, mais de 17 mil trabalhadores fizeram o empréstimo no
ano passado – 45% a mais do que o registrado em 2007. Para este
ano, a expectativa do banco é aumentar em mais 45% o número
de em pessoas atendidas, em 55% o valor dos empréstimos.
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Folha de S.Paulo, 4 de agosto
de 2009
Impasse adia decisão sobre monopólio
dos Correios
Julgamento de ação no Supremo
termina empatado
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O STF (Supremo Tribunal Federal)
terminou ontem de julgar uma ação que contesta o monopólio
da Empresa de Correios e Telégrafos, mas a proclamação
do resultado teve de ser adiada por conta de um impasse entre os ministros.
Eles decidiram esperar a presença do ministro Cezar Peluso, que não
compareceu ontem ao julgamento e, apesar de já ter votado pela constitucionalidade
do monopólio, em tese ainda pode mudar de posição.
A tendência é que, no final, os ministros decidam pela abertura
do mercado para algumas das atividades dos Correios, o que só ficará claro
quando o tema voltar ao plenário, ainda sem data para ocorrer.
Dez ministros votaram, e o décimo primeiro, Carlos Alberto Menezes Direito,
declarou-se suspeito para analisar a questão e não votará.
O problema é que o julgamento terminou empatado.
O relator da ação, Marco Aurélio Mello, votou pela inconstitucionalidade
do monopólio, ao entender que fere o princípio da livre concorrência.
Carlos Ayres Britto, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello, por
sua vez, apresentaram votos diversos entre si, mas propondo a manutenção
do monopólio para alguns serviços, como as correspondências
tradicionais e privadas, e a derrubada para outras, como encomendas.
Além de Peluso, os ministros Cármen Lúcia, Eros Grau,
Joaquim Barbosa e Ellen Gracie votaram pela improcedência do pedido,
declarando ser constitucional a forma como hoje funciona os Correios.
Ou seja, são cinco ministros que votaram pela constitucionalidade da
concentração das funções dos Correios e outros
cinco que encontraram algum tipo de inconstitucionalidade. Como não
houve maioria absoluta, ou seja, seis votos em um mesmo sentido, os ministros
entenderam que deverão elaborar um "voto médio", que
englobe aspectos comuns na posição de todos os ministros.
Mas, se o impasse prevalecer, os ministros podem convocar um magistrado do
STJ (Superior Tribunal de Justiça) para desempatar, o que só ocorreu
no julgamento de um mandado de segurança que questionou o impeachement
do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
Ou poderão decidir aprovar uma emenda ao regimento, cujo texto já está em
análise no tribunal, que confere ao presidente do STF o poder de proferir
o voto de desempate.
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Folha de S.Paulo, 4 de agosto
de 2009
PETRÓLEO 1
Governo deve anunciar regra para o pré-sal
até o dia 18
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo finaliza amanhã o
novo marco regulatório do pré-sal e anuncia todas as medidas
em reunião ministerial no dia 17 ou 18, data ainda a ser definida.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva montou um cronograma com sua
equipe. Ele receberá amanhã dos ministros Edison Lobão
(Minas e Energia) e Dilma Rousseff (Casa Civil) as conclusões do trabalho
e quer uma semana para mudar eventuais pontos do marco regulatório para
convocar uma reunião ministerial e apresentá-lo.
Em meio à agenda negativa no Senado por conta de denúncias relacionadas
ao presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), Lula deseja que o petróleo
da camada pré-sal se torne a prioridade dos debates.
Segundo o ministro José Múcio Monteiro (Relações
Institucionais), imediatamente depois da reunião, os projetos serão
encaminhados ao Congresso em regime de urgência para votação.
" Ele [o presidente] está fazendo muita questão que nos próximos
15 dias tudo esteja pronto", afirmou Múcio.
O governo também apresentará as propostas ao Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social.(SIMONE IGLESIAS)
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Folha de S.Paulo, 4 de agosto
de 2009
CÂMARA
Dois deputados são acusados de reter
salários de assessores
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O relatório final da comissão
de sindicância da Câmara dos Deputados sobre a "farra" das
passagens aéreas acusa dois deputados federais de reter parte
dos salários de seus assessores.
O relatório, sigiloso, também menciona a contratação
de servidores fantasmas e fraudes na verba indenizatória. Os deputados
citados são Paulo Roberto (PTB-RS) e Eugênio Rabelo (PP-CE).
Segundo a Folha apurou, Roberto foi denunciado por seu ex-chefe de gabinete
Luiz Nogueira. O parlamentar atribuiu a acusação a uma vingança
de seu ex-funcionário, exonerado por ele em 2008. "Se alguém
ficou com salário de assessor, foi ele." O ex-servidor não
foi localizado pela Folha.
Contra Rabelo pesaria uma acusação de fraude em notas fiscais
para compra de combustíveis com a verba mensal de R$ 15 mil, destinada à manutenção
de escritórios. Rabelo foi procurado, mas não foi localizado
para confirmar se é acusado.
As acusações apareceram durante a investigação
sobre a venda de passagens da cota dos deputados: créditos não
usados eram vendidos por assessores a agências de turismo de Brasília,
e depois comercializados no mercado. Uma das passagens acabou sendo comprada
inadvertidamente pelo presidente do STF, Gilmar Mendes.
O relatório lista 44 funcionários e ex-funcionários como
participantes de uma organização que comercializava as passagens.
(FÁBIO ZANINI e MARIA CLARA CABRAL)
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Agência Diap, 4 de agosto
de 2009
Estabilidade do dirigente sindical
em discussão na Comissão de Justiça
Consta da pauta da Comissão
de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara,
o PL 5.710/01, do deputado Fernando Ferro (PT/PE), que acrescenta parágrafo
ao artigo 543 da CLT, dispondo sobre a indenização em caso
de rescisão do contrato de empregado eleito para cargo de dirigente
sindical ou suplente.
O relator, deputado Zenaldo Coutinho
(PSDB/PA) ofereceu parecer favorável ao texto, que se aprovado
e não houver recurso contrário à decisão
do colegiado, segue para o Senado Federal.
Taxas
para emprego
O PL 6.246/05, da deputada Sandra Rosado (PSB/RN), também consta na
pauta da CCJ. O projeto proíbe a cobrança de taxas, pelas empresas
privadas, para fins de preenchimento de vagas em seu quadro de pessoal.
O parecer do relator, deputado
Colbert Martins (PMDB/BA), é pela constitucionalidade da matéria.
Periculosidade
Faz parte ainda da pauta da CCJ, o PL 7.378/06 do senador Paulo Paim (PT/RS)
(no Senado PLS 170/05), que modifica o artigo 193 da CLT para conceder adicional
de periculosidade aos eletricitários. O relator, deputado Pastor Manoel
Ferreira (PTB/RJ) ofereceu parecer pela constitucionalidade.
O colegiado se reúne no
plenário 1, nesta terça-feira (4) às 14h. E se reúne
ainda na quarta e quinta-feira (6), a partir das 10h.
Justiça
do Trabalho
Está ainda na pauta do colegiado o PL 1.502/07, do deputado Edgar Moury
(PMDB/PE), que altera a redação do artigo 844 da CLT para dispor
sobre a revelia em casos de não comparecimento do reclamado à audiência.
A relatora, deputada Gorete Pereira
(PR/CE) é favorável ao projeto e apresentou um substitutivo.
O deputado Nelson Pellegrino (PT/BA) pediu vistas da matéria e
apresentou voto em separado contrário à matéria,
com pedido de arquivamento.
A Associação Nacional
dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) apresentou suas
considerações em nota e também sugere que a proposta
seja arquivada.
Participação
na gestão
Já o projeto do Executivo, PL 3.407/08 dispõe sobre a participação
de empregados nos conselhos de administração das empresas públicas
e sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas e demais
empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria
do capital social com direito a voto, também consta na pauta do colegiado.
O relator, deputado Pedro Henry
(PP/MS) é favorável ao projeto e apresentou parecer pela
aprovação da matéria. A Comissão se reúne,
nesta quarta-feira (5), às 10h, no plenário 12.
Assentamentos
rurais
A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento
Rural realiza, nesta terça-feira (4), audiência pública
para esclarecimentos sobre os projetos de assentamento do Ministério
do Desenvolvimento Agrário (Incra) sobre conflitos agrários no
País e, especialmente, no Pará.
Foram convidados para o debate
o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel; e o presidente
do Incra, Rolf Hackbard. A reunião será no plenário
6, às 14h30.
Trem
de Alta Veolocidade
Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados
realiza audiência pública para debater o projeto de implementação
do Trem de Alta Velocidade. A reunião será no plenário
11, às 10h, desta quarta-feira (5).
Foram convidados a ministra-chefe
da Casa Civil, Dilma Rousseff; o secretário-executivo do Ministério
dos Transportes, Paulo Sérgio de Oliveira Passos; e o diretor-geral
da Agência Nacional de Transportes Terrestres, Bernardo Figueiredo.
Tarifas
bancárias
A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio
realiza audiência pública sobre tarifas bancárias. Foram
convidados o assessor técnico da Febraban, Ademiro Vian; e o presidente
do Banco Central, Henrique Meirelles. A audiência será, nesta
quarta-feira (5), no plenário 5, às 11h.
Amamentação
A bancada feminina realiza a Semana Mundial do Aleitamento Materno. A ação
começa no plenário da Câmara e, em seguida, a bancada seguirá em
direção ao Hall da Taquigrafia. O evento terá início às
14h desta quarta-feira (5).
Transporte
urbano
Comissão Especial de Transporte Coletivo e Urbano realiza, nesta quarta-feira
(5), às 14h, audiência pública sobre o planejamento de
transporte e mobilidade urbana.
Foram convidados o secretário
nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana do Ministério das
Cidades, Luiz Carlos Bueno; o secretário de Política Nacional
de Transportes do Ministério dos Transportes, Marcelo Perrupato
e Silva; o coordenador nacional do Projeto Pensar o Brasil - Construir
o Futuro da Nação, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura
e Agronomia, José Carlos Xavier; e o presidente da Urbanização
de Curitiba S/A, Marcos Valente Isfer. O local da audiência ainda
não foi definido.
Poupança
A Comissão de Defesa do Consumidor realiza audiência pública
para debater o direito dos poupadores em reaver as perdas ocasionadas pela
aplicação inadequada que os bancos deram ao Plano Bresser e Verão.
Foram convidados o presidente
do Banco Central, Henrique Meirelles; o ministro da Fazenda, Guido Mantega;
e o presidente da Confederação Nacional do Sistema Financeiro,
Fábio Colletti Barbosa. Ainda sem plenário definido, reunião
será às 14h30.
IPTU
Comissões de Finanças e Tributação; e de Desenvolvimento
Econômico, Indústria e Comércio realizam audiência
pública para analisar a produção técnica do Ipea
relacionada ao IPTU.
Foram convidados o presidente
do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), Márcio
Pochmann; e o prefeito de Vitória (ES) e presidente da Frente
Nacional dos Prefeitos, João Coser (PT). O plenário ainda
não foi definido, a reunião será às 10h.
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CONTAS ABERTAS, 04 de agosto
de 2009
Governo gastou 27% dos recursos de combate
ao trabalho escravo em 7 meses
Erradicar o trabalho escravo
e degradante, por meio de ações fiscais coordenadas pela
Secretaria de Inspeção do Trabalho, nos focos previamente
mapeados?. Este é o objetivo do Ministério do Trabalho
e Emprego (MTE) com políticas voltadas para o setor. No entanto,
os recursos do "programa de erradicação do trabalho
escravo" parecem não estar sendo utilizados em ritmo acelerado
pela pasta este ano. Isso porque dos R$ 18 milhões autorizados
em orçamento para uso em 2009, apenas R$ 4,8 milhões foram
desembolsados até a última terça-feira. O montante
representa 27% do total previsto. A fiscalização do trabalho
visa regularizar os vínculos empregatícios dos trabalhadores
encontrados e libertá-los da condição de escravidão.
No mesmo período do ano
passado (janeiro a julho), o ritmo de execução orçamentária
do programa foi melhor; a União já havia desembolsado R$
7,4 milhões de uma verba prevista de R$ 11,5 milhões para
o exercício, o que representava 64% do total. Nos sete primeiros
meses de 2007, a mesma situação: 53% (R$ 6 milhões)
dos recursos autorizados tinham sido gastos, dos R$ 11,3 milhões
autorizados (veja
tabela).
Com a ação específica
de ?fiscalização para erradicação do trabalho
escravo?, por exemplo, que compõe o programa, foram gastos R$
2,1 milhões este ano de uma dotação prevista de
R$ 5,6 milhões para 2009, ou seja, 37% (veja
tabela). O objetivo do MTE com a rubrica é erradicar o trabalho
escravo contemporâneo por meio de trabalhos dos grupos especiais
de fiscalização móvel nacional e regional, ?garantindo
a preservação dos direitos humanos, de acordo com os princípios
constitucionais?. Segundo cadastro de ações governamentais
divulgado pelo Ministério do Planejamento, a ação
?constitui a principal ferramenta para a erradicação do
trabalho escravo no âmbito da União?.
Equipes do grupo especial de
fiscalização móvel nacional ou regional, compostas
por auditores fiscais do trabalho, procuradores do trabalho e agentes
e delegados de polícia atendem a denúncias ou realizam
planejamento estratégico. Durante a ação, as equipes
visam regularizar os vínculos trabalhistas dos trabalhadores encontrados
em condição análoga a de escravos, ?fazendo cumprir
a legislação trabalhista por parte dos empregadores, assistindo
e garantindo a segurança dos trabalhadores, emitindo Carteiras
de Trabalho e Previdência Social - CTPS, providenciando rescisões
indiretas dos contratos de trabalho e emitindo e entregando guias de
seguro-desemprego para os trabalhadores resgatados, dentre outras providências?.
A estratégia do governo
foi criada a partir do Plano Nacional para a Erradicação
do Trabalho Escravo, elaborado pela Comissão Especial do Conselho
de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) em 2003, que reúne
entidades e autoridades nacionais ligadas ao tema.
O Ministério do Trabalho é responsável
ainda pela assistência emergencial aos trabalhadores: alimentação,
hospedagem e transporte para o local de origem - quando o empregador
não cumpre essas obrigações no decorrer das investigações
- e pelas três parcelas do seguro desemprego especial a que têm
direito. No entanto, dos R$ 263 mil previstos para custear ?assistência
emergencial a trabalhadores vítimas de trabalho escravo? este
ano, apenas R$ 21 mil foram gastos até o momento.
Outros R$ 2,3 milhões
foram pagos a título de seguro-desemprego. Os recursos são
do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Os R$ 11,8 milhões previstos
para o pagamento do benefício este ano já estão
empenhados (reservado em orçamento). Com isso, no total R$ 14,7
milhões do programa de erradicação do trabalho escravo
estão empenhados, ou seja, 82% do autorizado para 2009, índice
muito superior ao valor efetivamente pago.
Para o professor da Universidade
de Brasília Alexandre Bernardino, militante dos direitos humanos,
as políticas públicas voltadas para a erradicação
do trabalho escravo melhoraram significativamente no Brasil nos últimos
anos. No entanto, segundo ele, a situação ainda não é a
ideal diante da realidade brasileira, que até hoje apresenta trabalhadores
em condições de escravidão em todas as regiões
do país. ?A situação de escravidão é um
absurdo. É óbvio que, como militante dos direitos humanos,
vou considerar que as políticas públicas não são
suficientes. A baixa execução orçamentária é um
dos problemas. Mas as ações melhoraram bastante nos últimos
anos?, afirma.
De acordo com Bernardino, a criminalização
de forma mais agressiva ? hoje são raros os casos de condenação
de proprietários de terra flagrados com trabalhadores em condições
de escravidão ? seria mais eficiente para o combate ao trabalho
escravo no Brasil. Segundo ele, tem de ?mexer no bolso? das pessoas que
cometem esses crimes. ?Seria muito eficiente que o fazendeiro flagrado
perdesse a propriedade. Tem de haver corte de recursos. Nós temos
de ter políticas públicas e uma nova legislação
para que isso aconteça. A expropriação de terra,
assim como a publicidade em torno de ações que acabem com
esses absurdos, são muito importantes?, conclui.
O especialista refere-se à PEC
438/2001, que prevê o confisco de terras onde for constatado trabalho
escravo. A proposta ainda aguarda votação no Congresso
Nacional. O Contas Abertas entrou em contato com o Ministério
do Trabalho para apurar o porquê da execução orçamentária
de apenas 27% do programa de erradicação do trabalho escravo
este ano. No entanto, até o fechamento da matéria, a assessoria
de imprensa do órgão não se manifestou.
Lista suja
Uma importante ferramenta de
combate ao trabalho escravo é o cadastro de empregadores, conhecido
como lista suja, que identifica os responsáveis pela exploração
de trabalho escravo. A inclusão do nome do infrator no cadastro
ocorre após o fim do processo administrativo decorrente dos autos
de infração realizados pelos auditores fiscais do trabalho.
Quem for incluído na lista perde o acesso a incentivos fiscais
e linhas de crédito de instituições oficiais.
A exclusão da lista, criada
em 2004, só acontece depois de monitoramento permanente de dois
anos. Se durante esse período não houver qualquer reincidência
e forem pagas todas as multas impostas pela fiscalização
e quitados os débitos trabalhistas e previdenciários, o
nome é retirado. O cadastro de empregadores é formado por
pessoas físicas e jurídicas e é atualizado a cada
seis meses.
Trabalho escravo
A origem imediata da prática
do trabalho escravo é o endividamento e a imobilização
física de trabalhadores em fazendas, até que terminem de
saldar as ?dívidas? a que ficaram submetidos por meio de fraude
e pelas próprias condições da contratação
do trabalho. São geralmente aliciados por intermediários
e, por meio de acertos verbais, são transportados, freqüentemente,
para centenas de quilômetros de distância, onde ficam completamente
isolados e submetidos a condições de trabalho perigosas
e sem qualquer garantia de respeito a seus direitos.
Na maioria dos casos, os trabalhadores
sobrevivem em condições precárias, sem abrigo adequado,
alimentação deficiente e acesso restrito, ou mesmo vedado, à água
potável. Eles desconhecem os cálculos dos encargos debitados
em seu nome e não recebem remuneração em espécie.
Com isso, a ?dívida? adquirida com os patrões cresce sem
parar. Em geral, esses trabalhadores não podem se demitir e só são
libertados quando flagrados pela fiscalização do trabalho.
Muitos deles morrem durante o
cativeiro e não existe qualquer registro de que tenham estado
em determinada fazenda. Os documentos pessoais, quando existem, como
carteira de identidade ou profissional, frequentemente ficam retidos
pelos empregadores. As informações fazem parte de publicação
especial recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
sobre políticas sociais. Entre as causas do problema apontados
pelo livro estão ?a impunidade, a lentidão do Judiciário
e a forma como o Estado se comporta na fronteira agrícola, não
conseguindo comandar o processo de ocupação econômica?.
Números
O Ministério do Trabalho
reconhece que ainda hoje, em pleno século XXI, há trabalhadores
no campo em condições de escravidão, que sofrem
abusos por meio de violência física e moral. O conjunto
das ações articulado para erradicação do
trabalho escravo no Brasil é articulado e monitorado pela Comissão
Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae),
constituída por diversos ministérios e representantes de
entidades não governamentais do setor.
Segundo relatórios específicos
de fiscalização para erradicação do trabalho
escravo, atualizado até o último dia 6, entre 1995 e 2009,
ocorreram 842 operações em 2.342 fazendas, sendo resgatados
34,3 mil trabalhadores em condição análoga a de
escravidão. Mais de R$ 50 milhões foram desembolsados com
pagamento de indenização. Segundo o MTE, entre 2003 e 2006,
o grupo especial, composto de auditores fiscais do trabalho, delegados
e agentes da Polícia Federal e procuradores do Ministério
Público do Trabalho, ?realizou 325 operações, 80%
a mais do que o numero de ações feitas desde a criação
do colegiado, em 1995?.
Leandro Kleber
Do Contas Abertas
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JusBrasil, 4 de agosto de
2009
Construtora terá que regularizar
registro de funcionários
O Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul, representado
pela Procuradora do Trabalho Sheila Ferreira Delpino, firmou em julho um Termo
de Compromisso de Ajustamento de Conduta com a empresa Copromat Construções,
Projetos e Materiais Ltda., localizada em Porto Alegre. A companhia se comprometeu
a registrar corretamente o trabalho dos empregados, além de oferecer
as devidas condições de saúde e segurança no meio-ambiente
de trabalho.
O TAC determina que a construtora
anote os horários trabalhados por seus funcionários na
carteira de trabalho de cada um. Além disso, a empresa deverá pagar
os salários até o quinto dia útil do mês,
caso o pagamento seja feito mensalmente. Todos os empregados deverão
ter um repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos.
Os trabalhadores não poderão
ser coagidos a assinarem documentos com os quais não concordam,
ou que estejam em branco. A empresa deverá fornecer aos funcionários
os equipamentos de proteção individual e coletiva necessários
para o desempenho de suas funções.
Em caso de descumprimento do
acordo, incidirá sobre a construtora multas que variam de R$ 1
mil a R$ 1,5 mil por dia. Os valores serão revertidos ao Fundo
de Amparo ao Trabalhador (FAT).
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BEM PARANÁ, 04 de
agosto de 2009 | Cenofisco Informa
A importância dos exames médicos
durante o contrato de trabalho
* Anara Valéria Terbeck
A preocupação com a saúde é uma constante na vida
moderna. Muito se fala em cuidados com a alimentação, prática
de exercícios físicos, e outros tantos alertas que tem a finalidade
de trazer qualidade de vida satisfatória.
A legislação trabalhista,
através do PCMSO – Programa de Controle Médico de
Saúde Ocupacional estabeleceu parâmetros e diretrizes aos
empregadores em relação à saúde de seus colaboradores.
Assim, ocorre a necessidade dos exames médicos conforme determinação
da Norma Regulamentadora nº. 7 (NR – 7):
à admissional: o empregado
deverá fazê-lo antes de iniciar as atividades laborativas;
à periódicos: que
serão realizados nos intervalos mínimos de acordo com o
disposto no item 7.4.3.2 da NR – 7:
“a) para trabalhadores
expostos a riscos ou a situações de trabalho que impliquem
o desencadeamento ou agravamento de doença ocupacional, ou, ainda,
para aqueles que sejam portadores de doenças crônicas, os
exames deverão ser repetidos:
a.1) a cada ano ou a intervalos
menores, a critério do médico encarregado, ou se notificado
pelo médico agente da inspeção do trabalho, ou,
ainda, como resultado de negociação coletiva de trabalho;
a.2) de acordo com à periodicidade
especificada no Anexo n.º 6 da NR 15, para os trabalhadores expostos
a condições hiperbáricas;
b) para os demais trabalhadores:
b.1) anual, quando menores de
18 (dezoito) anos e maiores de 45 (quarenta e cinco) anos de idade;
b.2) a cada dois anos, para os
trabalhadores entre 18 (dezoito) anos e 45 (quarenta e cinco) anos de
idade.”
à retorno ao trabalho:
quando do retorno do empregado as suas funções, quando
afastado por motivo de doença (ocupacional ou não) por
mais de 30 dias ou parto;
à mudança de função:
deverá ser realizado antes de alterar a função do
empregado;
à demissional: devendo
ser realizado até a data da homologação da rescisão
do contrato de trabalho, observado o prazo do último exame médico
ocupacional:
- 135 (centro e trinta e cinco)
dias para as empresas de grau de risco 1 e 2;
- 90 (noventa) dias para as empresas
de grau de risco 3 e 4.
O empregado terá direito
a cópia de todos os exames médicos realizados durante o
contrato de trabalho. O documento, expedido pelo médico do trabalho,
deverá mencionar a real situação da saúde
do trabalhador.
O empregador estará sujeito
a penalidade prevista no artigo 201 da CLT quando não cumprir
as determinações ligadas a área de medicina do trabalho.
O valor atualizado varia entre R$ 402,53 a R$ 4.025,33.
Convém ressaltar que o
empregador, quando cumpre as designações acima mencionadas,
poderá verificar a necessidade de prévio tratamento aos
colaboradores, evitando, além da penalidade administrativa, o
agravamento de doenças em virtude da atividade desenvolvida durante
a rotina laboral e a majoração da contribuição
das empresas ao Seguro de Acidente de Trabalho (SAT), quando ocorrer
sua alteração em virtude do FAP (Fator Acidentário
de Prevenção).
Finalizando o presente estudo,
a preocupação com a saúde dos trabalhadores é a
melhor saída para o empregador, pois assim, além de preservar
um direito constitucional do empregado, evitará futuro passivo
trabalhista.
* Anara
Valéria Terbeck é advogada e consultora Trabalhista e
Previdenciária do CENOFISCO – Centro de Orientação
Fiscal;
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MIDIA MAIS, 04 de agosto
de 2009
SC: Setor empresarial mostra impacto
do mínimo regional a deputados
Reunidos na Federação das Indústrias (Fiesc) nesta segunda-feira
(3), empresários de todos os setores apresentaram aos deputados catarinenses
os impactos que o mínimo regional terá na economia catarinense,
se for aprovado pela Assembléia Legislativa. A principal mensagem foi
a de que a melhor forma de definir os valores dos salários é a
negociação entre as partes diretamente envolvidas: os trabalhadores
e os empregadores.
No Rio Grande do Sul, onde o
piso foi implantado em 2001, as decorrentes dificuldades de negociação
resultaram em migração de empresas e demissões,
alertou o executivo do Conselho de Relações do Trabalho
e Previdência da Federação das Indústrias
do Rio Grande do Sul, André Barcellos. "O aumento de custos
provoca realocação de fatores produtivos. A medida só afeta
o poder de compra de quem tem o emprego preservado", afirmou. Barcellos
explicou que na última negociação as centrais sindicais
reivindicavam reajuste de 24% no piso, desconsiderando a conjuntura de
crise, que afetou principalmente o setor exportador.
Para presidente da Fiesc, Alcantaro
Corrêa, a existência do piso passa a ser mais um fator a
ser avaliado por quem planeja realizar investimentos no estado. O deputado
Renato Henning defendeu o amadurecimento da questão e, citando
os postos de combustíveis como exemplo, destacou que a iniciativa
pode estimular a busca pela automatização de processos,
provocando desemprego. "É uma questão polêmica.
O projeto precisa ser aprimorado, pois se for aprovado como está,
o que parece um ganho para os trabalhadores pode se refletir em perda",
disse.
No encontro que contou com a
participação das federações integrantes do
Conselho das Federações Empresariais, o Cofem (Fecomércio,
Facisc, Faesc, Fetrancesc, FCDL, Fampesc, além da Fiesc), o presidente
da Assembléia, deputado Jorginho Mello, disse que o projeto "merece
e carece de discussão" porque os deputados têm compromisso
com o crescimento e o desenvolvimento de Santa Catarina. "O projeto
vai impactar a economia e a geração de empregos",
afirmou, acrescentando que a Assembléia "vai contribuir,
pois não é cartório".
Destacando as diferentes realidades
de cada região do estado, o presidente da Fecomércio, Bruno
Breithaupt, falou sobre os impactos para o comércio, destacando
que há locais do estado onde o salário negociado entre
trabalhadores e empregadores supera o previsto no projeto. "Mas
há locais onde o valor proposto pelo projeto significaria impacto
de 40%", disse. O presidente da Federação do Transporte
(Fetrancesc), Pedro Lopes, destacou as dificuldades vividas pelo setor
e chamou atenção para os esforços feitos pelas empresas
para evitar demissões.
Participaram do encontro na Fiesc,
além do presidente da Assembléia e do deputado Renato Henning,
os deputados Elizeu Matos, líder do governo, Silvio Dreveck e
Moacir Sopelsa. Também estiveram presentes representantes de deputados
que não puderam comparecer ao evento.
Fonte: Elmar Meurer / Assessoria
de Imprensa do Sistema FIESC
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A VOZ DA CIDADE, 04 de agosto de 2009
RJ/ Mármores e Granitos:
Sindicato fecha Acordo Coletivo
Acordo é para o setor de mármore
e granito com reajustes de 7% a 7, 87%
VOLTA REDONDA
A diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil
do Sul Fluminense acaba de fechar o Acordo Coletivo para os funcionários
do setor de mármore e granito para 2009 e 2010. Para o presidente da
entidade, Dejair Martins, os benefícios conquistados durante a campanha
salarial não são os esperados, mas em época que a maioria
dos patronais vem alegando crise econômica, o resultado da campanha pode
ser considerado positivo. Para se ter uma ideia, os reajustes conquistados
para a categoria variam entre 7% e 7,87%.
Segundo declarou o presidente do sindicato, Dejair Martins, o resultado positivo
das negociações é prova do trabalho transparente da entidade
e da confiança dos trabalhadores. O sindicalista disse ainda que no
momento em que muitos alegam a falsa crise, as negociações tendem
ficar mais complicadas. “Por causa da lamentação constante
dos patrões, a maioria faz questão de lamentar a situação
e sendo assim, infelizmente os trabalhadores acabam perdendo a queda de braços
com os patrões, cada vez mais gananciosos que a cada dia exigem o máximo
dos trabalhadores pagando sempre menos”, criticou o sindicalista, ressaltando
que o sindicato vive uma experiência inversa. “Devido ao trabalho
sério desenvolvido em prol dos trabalhadores, as empresas têm
procurado a nossa entidade solicitando mão de obra qualificada para
vários contratos na região”, completou o sindicalista.
OUTRAS QUESTÕES
Dejair informou que, além das negociações salariais, o
sindicato vem trabalhando em outras questões buscando benefícios
diversos para os trabalhadores. Um exemplo é a ideia de construir um
Centro de Ensino Profissionalizante para a qualificação e preparação
dos novos trabalhadores que estão entrando no mercado. “A nossa
diretoria tem trabalhado junto aos sindicatos patronais e ao poder público
da base territorial com o objetivo de oferecer benefícios aos empregados.
O sindicalista lembrou também que essa conduta sempre em defesa dos
direitos e em busca de melhorias para as categorias vinculadas a sua base territorial
tem feito com que o sindicato, desde a implementação do Plano
Real, talvez seja o único no Brasil que nunca fechou um acordo ou convenção
coletiva sem ganho real para os trabalhadores. Para Dejair Martins, não
foi diferente com os trabalhadores do setor de mármore e granito ligados
ao Sindicato da Construção Civil. Ele lembrou que mesmo quando
a inflação do período chegou a 5,83%, a entidade conseguiu
fechar uma convenção coletiva com reajustes variáveis
de 7% a 7,87%, garantindo assim um aumento real acima da inflação
a todos os trabalhadores do setor. Ainda de acordo com o sindicalista, durante
as negociações ficou definido também que todas as marmorarias
irão conceder café da manhã a todos os seus funcionários. “Depois
de mais essa conquista fazemos questão de parabenizar a organização
e a confiança dos trabalhadores do setor na nossa diretoria. Juntos
podemos ir longe”, concluiu Martins.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
04/08/2009
Investigação em conta de
empregado não caracteriza dano moral
A Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho
manteve a decisão regional que considerou não ofensiva à honra
do empregado a conduta do Bradesco de investigar internamente a movimentação
financeira de seus empregados que fazem empréstimos junto à instituição
na qualidade de clientes. Em voto relatado pela ministra Dora Maria da
Costa, a Turma rejeitou recurso de um ex-gerente de uma das agências
do banco em Florianópolis (SC), que pleiteava pagamento de indenização
por danos morais em razão da investigação de suas
contas- correntes pessoais e de sua esposa em decorrência de uma
renegociação de dívida a ela concedida e, posteriormente
cancelada, por se tratar de operação de risco.
A Oitava Turma do TST manteve o acórdão
do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (SC), segundo
o qual não houve quebra de sigilo bancário, mas sim mero
procedimento interno e previsível em decorrência da atividade
mercantil desenvolvida pelo empregador. O recurso do bancário
foi acolhido somente na parte relativa ao pagamento de adicional de transferência.
Na ação trabalhista em que pediu, entre vários itens,
indenização por danos morais em valor correspondente a
cem vezes o seu último salário (de R$ 8.360,00), por se
tratar o empregador do “maior banco privado da América Latina”,
o ex-gerente afirmou que o banco vasculhou a sua intimidade e vida privada
através da análise indevida de sua conta-corrente, assim
como de sua esposa. A demissão sem justa causa ocorreu dias depois
da investigação.
A defesa do banco sustentou que não houve
violação à vida privada ou investigação
a qualquer conta particular, "não significando quebra de
sigilo o mero acompanhamento dos negócios realizados, visto trata-se
de um dever determinado pelo Banco Central". O banco apresentou,
em defesa, a norma interna que prevê a padronização
de procedimentos relativamente à manutenção de conta-corrente
pelos empregados do Bradesco, o que seria exercício legítimo
conferido ao empregador de instituir normas internas e determinações
necessárias à segurança, preservação
patrimonial e ao bom andamento do trabalho.
A defesa do Bradesco sustentou que o banco agiu
em conformidade com os preceitos legais, visto não ter divulgado
qualquer informação sigilosa, o que de fato importaria
violação à intimidade e à vida privada do
cidadão, e por si só, configuraria dano moral. O banco
também sustentou que o próprio autor da ação
tinha acesso às contas dos clientes e dos demais empregados também
na condição de clientes, sem que isso implicasse em violação
de direitos constitucionalmente garantidos.
Em seu voto, a ministra Dora Maria da Costa afirmou
que o TRT/SC concluiu que, em decorrência da atividade que exerce,
o Bradesco tem acesso à movimentação financeira
de seus correntistas, devendo guardar sigilo dessas informações,
como forma de resguardar a intimidade e a vida privada e que, no presente
caso, agiu em conformidade com dispositivos legais. O Regional acrescentou
que não houve atitude excessiva por parte do banco, mas sim procedimento
justificável de investigação em processo de renegociação
de dívida, não havendo falar em danos morais. O pedido
já havia sido negado em primeiro grau.
"Com efeito, do contexto fático probatório
delineado pelo Regional, verifica-se que não houve dano ou constrangimento
ao reclamante, tampouco ilicitude na conduta do reclamado que apenas
realizou procedimento de renegociação de dívida
contraída pela esposa do reclamante. Destaque-se que não
houve prova de que a demissão tenha ocorrido em razão do
monitoramente", afirmou a ministra Dora Costa. A decisão
da Oitava Turma do TST foi unânime. (RR 1310/2003-035-12-00.0)
(Virginia Pardal)
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04/08/2009
SDI-1 rejeita recurso assinado digitalmente
por advogado sem mandato
A discrepância entre as
assinaturas de petições levou a Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
a rejeitar embargos em recurso de revista da Cecrisa Revestimentos Cerâmicos,
de Santa Catarina, condenada a pagar adicional de insalubridade a um
ceramista.
O processo chegou ao TST por
meio de recurso de revista do empregado contra decisão do Tribunal
Regional do Trabalho da 12ª Região (SC) que reformou a sentença
do primeiro grau que havia concedido a insalubridade com base no salário
profissional. A Oitava Turma do TST restabeleceu integralmente a sentença
original, motivo pelo qual a Cecrisa embargou da decisão, mas
não conseguiu revertê-la.
O relator do recurso da empresa
na SDI-1, juiz convocado Douglas Alencar Rodrigues, explicou que os embargos
foram interpostos no prazo, primeiramente por fax e posteriormente confirmado
por petição eletrônica assinada digitalmente pelo
Sistema e-Doc da Justiça do Trabalho, como permite a Lei nº 11.419/2006.
Mas não puderam ser aceitos por uma “situação
peculiar”: as petições não eram idênticas.
A primeira, enviada por fax, foi assinada por dois advogados, sendo que
apenas um tinha mandato. A outra foi assinada digitalmente por outro
advogado, sem legitimidade”. (E-RR-1884-2005-027-12-00.6)
(Mário Correia)
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04/08/2009
Economiário não incorpora
gratificação recebida de forma descontínua
Por concluir que o exercício
da função gratificada ocorreu em períodos descontínuos,
ainda que por mais de dez anos, não atendendo assim à jurisprudência
do Tribunal Superior do Trabalho, a Sétima Turma do TST deu provimento
a recurso de revista da Fundação dos Economiários
Federais – Funcef – e excluiu da condenação
diferenças salariais decorrentes da incorporação
da gratificação pela função exercida por
economiário. A Funcef recorreu ao TST para reformar decisão
do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG), que determinou
a incorporação da gratificação de função
e sua repercussão na complementação de aposentadoria.
A ação foi ajuizada
pelo trabalhador em junho de 2007, visando incorporar à sua remuneração
o valor integral da gratificação de função
de confiança, a partir de janeiro de 2001 até a data da
aposentadoria, em novembro de 2006. Admitido em março de 1979
como escriturário, ele afirmou que, a partir de janeiro de 1983,
passou a receber gratificação pelas funções
comissionadas exercidas, ininterruptamente, por mais de dezoito anos,
de caixa executivo até gerente de negócios. Em janeiro
de 2001, devido a reestruturação e apostilamento obrigatório
feitos pela CEF, passou a receber um adicional, denominado de “adicional
compensatório pela perda da função de confiança”,
no percentual de 61,66%. Esse valor foi incorporado ao seu salário,
em face do princípio da estabilidade econômica e da garantia
da irredutibilidade salarial, mas, segundo ele, fazia jus a 100%. Além
da incorporação do valor integral da gratificação,
requereu as diferenças corrigidas, com reflexos em todas as verbas
trabalhistas, e o recolhimento das contribuições à Funcef
com o acréscimo das diferenças.
O juiz da 22ª Vara do Trabalho
de Belo Horizonte (MG) acolheu a prescrição total do direito
de ação alegada pela CEF e extinguiu a ação
com resolução do mérito. Julgou improcedente o pedido
em relação à Funcef, e, concluindo pela prescrição
total, decidiu nada ser devido ao economiário. Porém, o
Regional determinou a incorporação da gratificação
de função e sua repercussão na complementação
de aposentadoria. Afirmou que ela integra a remuneração
do trabalhador para todos os fins, nos termos do artigo 457 da CLT, e
não pode ser suprimida se foi paga por mais de dez anos (Súmula
372 do TST).
Diferentemente da decisão
do Regional, o ministro Ives Gandra Martins Filho, relator do processo
na Sétima Turma concluiu que o quadro fático delineado
nos autos não se encaixava no critério objetivo da Súmula
372, inciso I, do TST. “A descontinuidade na percepção
da gratificação é sinal certo de flutuação
salarial, que demonstra a inexistência de estabilidade econômica
a ser preservada”, explicou. (RR-744/2007.022.03.00-0)
(Lourdes Côrtes)
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