 |
Agência Diap, 7 de agosto
de 2009
Centrais sindicais furam a ‘crise’ e
pautam redução da jornada na Câmara
Deputado Carlos Sampaio (PSBD/SP)
concorda com o debate e rebateu uma tentativa de tirar a matéria
da pauta, pois aqueles que são contra ou vacilam em torno desse
debate argumentam que a matéria é polêmica. "É porque
a matéria é 'polêmica' que deve ser debatida",
disse
Trabalho das centrais na Câmara
pela redução da jornada de trabalho surte primeiro efeito.
No dia 19 de agosto, numa quarta-feira, o plenário da Casa realizará mais
uma comissão geral, a fim de debater a PEC 231/95, que já foi
aprovada na comissão especial, em 30 de junho.
A comissão geral terá início às
9h30 e devem participar do debate acerca da redução da
jornada entidades como o DIAP, Dieese, Ipea, Ministério do Trabalho,
CNI, Febraban, Fiesp e as centrais sindicais.
O deputado Carlos Sampaio (PSBD/SP)
concorda com o debate e rebateu uma tentativa de tirar a matéria
da pauta, pois aqueles que são contra ou vacilam em torno desse
debate argumentam que a matéria é polêmica.
"É porque a matéria é 'polêmica'
que deve ser debatida", disse Sampaio, que é membro da comissão
especial da PEC 231/95 e votou favorável à redução
da jornada, no dia 30 de junho quando a matéria foi aprovada no
colegiado.
O presidente da Casa, Michel
Temer (PMDB/SP) disse que existe a possibilidade de a proposta entrar
na pauta do plenário. Mas isso dependerá o trabalho de
pressão e conversar que os líderes das centrais estão
empreendendo entre os líderes partidários.
A ideia das centrais é realizar
mais este debate em comissão geral e depois colocar a matéria
em pauta para votação. A intenção dos dirigentes
sindicais é viabilizar a votação da PEC na primeira
ou na segunda semana de setembro.
Comissão geral é uma
sessão plenária da Câmara para debater assunto relevante
ou projeto de iniciativa popular ou para ouvir ministro de Estado. Na
comissão geral, a palavra é aberta a convidados, diferente
do que ocorre nas sessões, nas quais apenas deputados podem usar
a palavra.
No dia 14 de agosto, as centrais
vão promover manifestações em todas as capitais
pela aprovação da PEC. As ações ainda incluirão
reuniões com líderes para negociar apoio das bancadas para
a inclusão da matéria na pauta do plenário.
Decisão
e ação concreta
Depois de importante decisão do 6º Congresso da Força Sindical,
em Praia Grande (SP), entre os dias 29 a 31 de julho, de se mobilizar na Câmara,
a fim de debater e votar a redução da jornada de trabalho pra
40 horas semanais, as centrais iniciaram esta semana trabalho na Câmara
pela aprovação da PEC 231/95.
O trabalho das centrais - CGTB,
CTB, CUT, Força Sindical, Nova Central e UGT - consiste num corpo
a corpo com os deputados.
Para isto, as entidades mobilizaram
o mobilizarão dirigentes sindicais que virão a Brasília
até o final do ano para fazer este trabalho.
As centrais preparam um cartaz
com o nome do deputado ou deputa que opoiam a PEC 231, que trata da redução
da jornada.
Assim, nas visitas aos gabinetes
dos parlamentares - tanto na Câmara, quanto no Senado - aquele
que concordar com a matéria terá o cartaz afixado na porta
do gabinete.
|
Vermelho, 7 de agosto de
2009
Temer recebe centrais: luta pela
redução da jornada avança
Os presidentes das centrais sindicais se reuniram nesta quinta-feira (6) com
o presidente da Câmara Federal, deputado Michel Temer (PMDB-SP), para
discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 231/95 — que,
se aprovada, reduzirá a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais,
sem a redução de salários. Ficou acertado que a Câmara
convocará uma Comissão Geral no próximo dia 18 para discutir
a medida.
A comissão é, na
verdade, uma sessão plenária especial da Câmara para
debater assunto relevante ou projeto de iniciativa popular. Nesse tipo
de sessão plenária a palavra é aberta a convidados,
diferentemente do que ocorre nas sessões, nas quais apenas deputados
podem usar a palavra. No dia 18, farão uso da palavra empresários
e lideranças sindicais.
Além disso, será convocada
uma reunião do colégio de líderes com o intuito
de levar a votação da proposta em plenário durante
o mês de setembro. A PEC 231/95 também eleva o adicional
da hora extra de 50% para 75% do valor da hora trabalhada. Em junho,
o texto foi aprovado por unanimidade na comissão especial que
analisou o tema.
Ao lado de lideranças
da Força Sindical, CUT, NCST, CGTB e UGT, o presidente da CTB
(Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Wagner Gomes,
avaliou que o resultado da reunião foi positivo, já que
atendeu às principais expectativas das centrais. Além da
reunião com o presidente da Câmara, os sindicalistas farão
reuniões com os líderes das bancadas para negociar apoio
dos partidos para a inclusão da matéria na pauta do plenário
em setembro.
Segundo Wagner, outra importante
iniciativa do movimento sindical é a manifestações
programada pelas centrais para o dia 14 de agosto. Nesta data, ocorrerão
atos públicos em todas as capitais em defesa da redução
da jornada e outras reivindicações de interesse dos trabalhadores.
Para o presidente da CTB, a unidade
das centrais e dos movimentos sociais é fundamental para a aprovação
da PEC e combater os efeitos da crise econômica internacional. “Somente
com a unidade do movimento será possível enfrentar a crise.
resistir aos ataques e conquistar direitos”, afirma Wagner.
“A CTB defende com toda
convicção essa unidade das centrais e defende também
a convocação unitária de uma nova Conclat (Conferência
das Classes Trabalhadoras) para debater a conjuntura e aprovar bandeiras
unitárias e uma plataforma da classe trabalhadora para 2010”,
agrega o presidente da CTB. “Seria uma pacto de ação.
Esta é a proposta da CTB e estamos trabalhando para que isso aconteça.”
|
O ESTADO DO PARANÁ,
07 de agosto de 2009 | Economia
Média salarial real do brasileiro
teve aumento de 3,5%
Agência Brasil
A média dos rendimentos reais do trabalhador brasileiro subiu entre
2007 e 2008, apesar da crise financeira. De acordo com números do Relatório
Anual de Informações Sociais (Rais), apresentado hoje (6) pelo
ministro do trabalho, Carlos Lupi, o crescimento da média salarial no
ano passado foi de 3,52% acima da inflação.
Em 2007, ano em que a economia
brasileira mais cresceu, o aumento da média salarial foi de 0,68%.
Para Lupi, a explicação
está na demissão das pessoas com menor escolaridade e na
manutenção dos empregos de quem tem nível de formação
mais alto - e consequentemente, maiores salários.
O Rais aponta queda no número
de empregos nos grupos que incluem desde os trabalhadores analfabetos
até os que têm o ensino fundamental completo. A partir do
ensino médio, contudo, o número de postos de trabalho volta
a apresentar crescimento, que acompanha todas as faixas de escolaridade
até o nível superior completo.
Entre os analfabetos, por exemplo,
a quantidade de postos de trabalho diminuiu 3,91%. Já entre os
trabalhadores com ensino superior completo, houve crescimento de 7,37%
no número de empregos.
"Na crise, eles preferem
sempre quem tem mais instrução, mais formação.
Esse quadro mostra isso claramente", afirmou o ministro. Segundo
Lupi, os trabalhadores devem ficar atentos a essa dinâmica do mercado
e procurar ter o máximo de estudo possível. "É mais
um alerta para que todos continuem estudando. É importante a qualificação",
completou.
O relatório também
mostra o quadro do mercado de trabalho quanto a gênero, raça,
faixa etária e condição física dos trabalhadores.
As mulheres são maioria entre os trabalhadores com escolaridade
superior incompleta e superior completa - existem 3,6 milhões
de mulheres formadas trabalhando formalmente, contra 2,5 milhões
de homens. Apesar disso, elas ainda ganham o equivalente a 82,8% do salário
deles.
A diferença salarial é mais
marcante quando se trata dos trabalhadores negros. Eles ganham, em média,
50% menos que os brancos. Na autodeclaração, 62,32% dos
trabalhadores se dizem brancos, 27,31% se apresentam como pardos e 5,26%,
como pretos ou negros.
A geração de emprego
entre as faixas etárias mais jovens e mais velhas foi mais alta.
As faixas de 16 a 17 anos e de 50 a 64 anos tiveram crescimento nos postos
de trabalho de 9,75% e 8,17%, respectivamente.
Lupi observou que o crescimento
no emprego para esses dois pólos da economia já tinha aparecido
nos números do Rais de 2007. "Tanto no Rais de 2007, quanto
no do ano passado, observou-se que essas faixas vêm crescendo mais.
Isso mostra um novo comportamento da economia," disse o ministro.
Apesar disso, essas duas ainda são as faixas com menos empregados.
O mesmo não se observa
quanto ao emprego para trabalhadores com deficiência. Eles ocupam
apenas 1% do mercado de trabalho, o que demonstra que as empresas não
estão cumprindo a lei que determina que eles devem ocupar de
2% a 5% dos postos de trabalho. Lupi admitiu que a fiscalização
tem falhado. "A gente não tem capacidade fiscalizar. Possuo
apenas três mil fiscais em todo o Brasil", reconheceu.
|
Agência Brasil, 7 de
agosto de 2009
Ipea: achatamento da “classe
média” reduz desigualdade no Brasil
A deterioração
do mercado de trabalho, com alta do desemprego nos setores mais qualificados
e o aumento da informalidade, produziram um efeito colateral aparentemente
contraditório: a diminuição do número de
pobres no País.
Na verdade, com o achatamento
da "classe média" e a melhora do salário mínimo,
ao lado dos programas assistenciais, houve um nivelamento por baixo do
mercado de trabalho brasileiro.
A conclusão é de
estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), segundo
o qual, apesar da recessão, 503 mil pessoas deixaram a condição
de pobreza nas seis principais regiões metropolitanas, mantendo
o ritmo que, entre 2002 e 2009, fez com que quatro milhões de
brasileiros superassem a miséria.
Entre janeiro (0,514) e junho
de 2009, o Ipea detectou também que o índice de Gini, que
mede a desigualdade de renda, caiu 4,1%, a maior queda desde 2002. De
março de 2002 (0,534) até junho de 2009, o índice
caiu 7,6%.
O próprio presidente do
Ipea, Márcio Pochmann, disse que a redução da desigualdade
se deu apenas entre os trabalhadores.
E que, além dos aumentos
do mínimo e das políticas de transferência de renda,
houve deterioração do emprego nos segmentos que pagam mais.
"De um lado, a crise se
manifestou de forma mais concentrada no setor industrial, que geralmente
paga os melhores salários. De outro, temos a proteção
da renda na base da pirâmide social brasileira, com aumento do
salário mínimo e políticas de transferência
de renda previdenciárias e assistenciais", afirmou o presidente
do Ipea.
Pochmann destacou ainda que a
melhora ainda é insuficiente.
"Um índice de Gini
acima de 0,4 ainda representaria péssima distribuição
de renda. Há uma tendência de queda, mas ainda estamos longe
de chegar a algo comparável a países mais avançados",
afirmou.
Diferentemente do que aconteceu
nos períodos de crise considerados no estudo - 1982 a 1983; 1989
a 1990; e 1998 a 1999, quando a inflexão econômica implicou
aumento da pobreza nas regiões metropolitanas nacionais - não
se observou crescimento na taxa de pobreza nem mesmo após o último
trimestre de 2008, período em que os efeitos da crise internacional
começaram a atingir o País.
Depois de ter aumentado entre
agosto de 2002 e abril de 2003, a taxa de pobreza do Brasil metropolitano
apresentou tendência de queda.
Em março de 2002, 18,5
milhões de brasileiros estavam em situação de pobreza.
Em junho de 2009 esse número
havia baixado para 14,4 milhões.
A diferença, de 4 milhões
de pessoas, configura queda de 26,8% da taxa de pobreza, que passou de
42,5% para 31,1% no período.
Entre março de 2002 e
junho de 2009, a região metropolitana que registrou maior queda
no número de pobres (1,4 milhão) foi a do Rio de Janeiro,
seguida por São Paulo (1,3 milhão) e Belo Horizonte (600
mil pessoas).
Recife e de Salvador, que detêm
as maiores taxas, retiraram da condição de pobreza 100
mil e 200 mil pessoas, respectivamente.
As regiões metropolitanas
que diminuíram mais rapidamente a taxa de pobreza foram Belo Horizonte
(35,5%), Porto Alegre (33,6%) e Rio de Janeiro (31,2%).
Quedas menos intensas do que
as da média nacional no período (26,8%) foram registradas
em São Paulo (25,2%), Salvador (23,9%) e Recife (14,1%).
Recife, por sinal, foi a região
metropolitana com a mais alta taxa de pobreza em junho de 2009 (51,1%).
Na outra ponta, está Porto Alegre, com a menor taxa (25,7%).
No conjunto das regiões
analisadas, a taxa de pobreza caiu 2,8%, passando de 31,9% para 31%,
na comparação entre outubro de 2007 a junho de 2008 e outubro
de 2008 a junho de 2009.
A maior queda ocorreu na região
metropolitana de São Paulo (-3,9%), e a menor, na do Rio de Janeiro
(-1,3%).Recife teve queda de 1,9%, Salvador e Porto Alegre, de 3,3%,
e Belo Horizonte, de 3,5%.
Segundo o Ipea, as trajetórias
convergentes de redução da desigualdade também não
foram interrompidas nesse período, para o conjunto das seis regiões
metropolitanas antes e durante a crise internacional.
Se for feita uma comparação
da média da desigualdade no período de outubro de 2007
a junho de 2008 com o de outubro de 2008 a junho de 2009, o índice
de Gini (que mede o grau de distribuição da renda) apresentou
queda de 0,4%, passando de 0,5044 para 0,5026.
O índice é adotado
pelo Ipea e varia de zero a 1, indicando maior desigualdade à medida
que o valor se aproxima de 1.
Em junho de 2009, o índice
de Gini ficou em 0,493, com o menor patamar nas seis regiões metropolitanas.
Entre janeiro (0,514) e junho de 2009, o índice de Gini caiu 4,1%,
a mais alta queda registrada desde o ano de 2002.
Se o período analisado
for de março de 2002 (0,534) até junho de 2009, a queda
foi de 7,6%. Se for considerado o mês de mais alta medida de desigualdade,
que foi dezembro de 2002 (0,545), a queda do índice até junho
de 2009 foi de 9,5%.
|
Dieese, 7 de agosto de 2009
Aumento da eletricidade eleva custo
de vida, calculado mensalmente
A elevação no preço
da energia elétrica foi determinante para que o ICV-Dieese, calculado
mensalmente para o município de São Paulo registrasse,
em julho, aumento de 0,49%.
Esta taxa é 0,44 ponto
percentual (pp) superior à variação de 0,05% apurado
em junho.
A maior alta - de 1,62% - ocorreu
no grupo Habitação, devido à elevação
no custo da energia elétrica (9,80%), que sozinha contribuiu com
0,29 pp para o índice do mês.
As despesas com Transporte subiram
0,51%, e a Alimentação teve aumento de 0,42%. Dois grupos
apresentaram forte retração em julho: Equipamento Doméstico,
que registrou queda de 0,59%, e Vestuário com variação
de -0,75%.
Índice por estrato
Além do índice geral, o Dieese calcula ainda mais três
indicadores de inflação, segundo tercis da renda das famílias
paulistanas.
Em julho, as taxas por estrato
de renda foram: 0,74% para o 1º estrato; 0,54%, para o 2º e
0,39%, para o 3º.
O estrato 1 corresponde à estrutura
de gastos de 1/3 das famílias mais pobres (renda média
= R$ 377,49); o estrato 2 contempla os gastos das famílias com
nível intermediário de rendimento (renda média =
R$ 934,17*) e o 3º estrato reúne aquelas de maior poder aquisitivo
(renda média = R$ 2.792,90*).
Inflação
acumulada
Nos últimos 12 meses - entre agosto de 2008 e julho de 2009 - o ICV-Dieese
acumula alta de 3,78%.
Ao se considerar os diferentes
estratos, as taxas são distintas: estrato 1, 3,11%; estrato 2,
3,22% e estrato 3, 4,20%. Neste ano, entre janeiro e julho, a inflação
medida pelo Dieese é de 2,22%.
A maior variação
(2,34%) foi detectada para o 3º estrato, enquanto para os dois outros
estratos foram registradas taxas menores: 1,93% para o 2º e 2,22%,
para o 1º.
|
Gazeta do Povo, 7 de agosto
de 2009
Emprego
Crise afetou mais quem estudou menos
Brasília - A crise financeira global atingiu mais os trabalhadores com
baixa escolaridade e com salários menores. Em 2008, o mercado formal
de trabalho fechou vagas para quem tinha até a oitava série,
segmento que registrou saldo negativo (diferença entre contratações
e demissões) de 147.764 postos, afetando mais quem tinha apenas quatro
anos de estudo. Os empregos criados no ano passado foram destinados a quem
tinha oito anos ou mais, principalmente as pessoas que concluíram ensino
médio e curso superior.
Devido a esse movimento, a renda
média dos assalariados subiu 3,52%, saindo de R$ 1.443,77 para
R$ 1.494,66 – segundo a Relação Anual de Informações
Sociais (Rais), divulgada ontem pelo Ministério do Trabalho.
Segundo o cadastro, o país
fechou 2008 com saldo positivo de 1,834 milhão de postos, acima
dos 1,454 milhão de empregos apontados pelo Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados (Caged), do mesmo ministério. Porém,
o resultado da Rais ficou abaixo do registrado em 2007, que foi de 2,452
milhões de vagas.
Menos qualificação
“A Rais mostra que a crise
atingiu mais os trabalhadores com menos qualificação e
que recebem salários mais baixos”, afirmou o ministro do
Trabalho, Carlos Lupi. A Rais, segundo o ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, é mais completa porque abrange empregos formais, temporários
e avulsos, servidores públicos, além de informações
prestadas pelas empresas com atraso. Ao todo foram coletados dados de
7,143 milhões e empresas em todo o país. De acordo com
o cadastro, o universo de trabalhadores com carteira assinada em 2008
atingiu 39,442 milhões e a aposta de Lupi é que 2009 vai
superar os 40 milhões, apesar da redução do nível
de atividade econômica e da demora da recuperação
na indústria.
|
Gazeta do Povo, 7 de agosto
de 2009
Pesquisa
Rais: crise atingiu trabalhadores com menos
instrução
"Quem mais perdeu emprego foi quem ganhava menos e tinha menos
instrução. E isso explica muito porque a média
salarial cresceu", explicou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
A crise mundial que atingiu em
cheio o mercado formal de trabalho brasileiro, no final do ano passado,
levou a um aumento nas demissões de trabalhadores com menos instrução
e menores salários, segundo os dados da Relação
Anual de Informações Sociais (Rais) de 2008, divulgados
nesta quinta (6) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Com isso,
houve um aumento real (descontada a inflação) de 3,52%
na renda dos trabalhadores empregados no ano passado. "Quem mais
perdeu emprego foi quem ganhava menos e tinha menos instrução.
E isso explica muito porque a média salarial cresceu", explicou
o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
De acordo com a Rais, entre os
trabalhadores com ensino médio completo houve uma ampliação
de 9,8% no total de empregados em 2008, em relação a 2007.
Na mesma comparação, houve queda de 3,2% no estoque de
empregados cuja instrução é até a quarta
série. Pelo segundo ano consecutivo, a Rais também revelou
que abriram-se oportunidades de emprego para jovens, com idades entre
16 e 17 anos, e para trabalhadores mais velhos, com mais de 50 anos. "Isso
reflete um novo comportamento da economia brasileira", afirmou Lupi.
Segundo a Rais, no ano passado
o Brasil alcançou a marca de 39,442 milhões de empregos
formais, entre celetistas e estatutários, o que representa um
aumento de 4,88% em relação a 2007, quando foram registrados
37,607 milhões de trabalhadores com vínculos formais no
País. "Em 2009 chegaremos à marca de 40 milhões
de empregos formais no Brasil", disse Lupi.
A Rais é um diagnóstico
anual sobre o mercado formal de trabalho. Ela registra todas as contratações
e demissões de empregados regidos pela Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT), pelo regime estatutário, dos servidores
públicos, além dos trabalhadores temporários e avulsos.
Declararam a Rais 7,143 milhões de estabelecimentos, sendo 3,085
milhões com empregados e 4,058 milhões sem empregados contratados,
o que representa um crescimento de 3,7% no total de estabelecimentos
em relação a 2007.
|
Gazeta do Povo, 7 de agosto
de 2009
Empregos
Lupi prevê que trabalhadores formais
somem 40 milhões em 2009
Segundo a Rais, empregos formais totalizaram 39,4 milhões em 2008. Neste
ano, uma em cada cinco pessoas deverão ter trabalho formal
O ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, previu nesta quinta-feira (6), ao anunciar os números da
Relação Anual de Informações Sociais (Rais)
de 2008, que os trabalhadores formais atingirão a marca de 40
milhões neste ano.
"Em 2009, chegaremos à marca
de 40 milhões de empregos formais no Brasil. Só no governo
Lula, foram gerados 10,7 milhões de empregos formais gerados no
país. Tivemos o quarto melhor resultado em 20 anos", afirmou
ele.
No fim de 2008, o Brasil alcançou
a marca de 39,44 milhões de empregos formais, entre celetistas
e estatutários, o que representa um aumento de 1,83 milhão
(4,88%) em relação ao fechamento de 2007, quando foram
registrados 37,60 milhões de trabalhadores com vículos
formais no país, segundo os dados da Rais.
De acordo com informações
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população
brasileira é estimada em 191 milhões de pessoas. Deste
modo, um em cada cinco pessoas do Brasil deverão ter, segundo
o ministro Lupi, empregos formais neste ano.
Rais
Além dos empregos celetistas
(com carteira assinada), os dados da Rais englobam ainda os trabalhos
formais referentes a estatutários, avulsos, temporários
e por prazo determinado, entre outros.
Do total de 1,834 milhão
de empregos gerados no ano passado, informou o Ministério do Trabalho,
1,69 milhão foram com carteira assinada (celetistas), e 135,9
mil de vínculos empregatícios estatutários (servidores
públicos).
O crescimento do emprego contribuiu,
segundo informou o Ministério do Trabalho, para o ganho real de
3,52% do rendimento médio dos trabalhadores formais em 2008, passando
de R$ 1.443,77 em dezembro de 2007 para R$ 1.494,66 no fim do ano passado.
A Rais é o instrumento
do governo federal utilizado para identificar os trabalhadores com direito
ao recebimento do benefício do abono salarial. Em 2008, foram
identificados 16,90 milhões de trabalhadores com direito ao benefício,
contra 15,56 milhões em 2007.
|
Folha de S.Paulo, 7 de agosto
de 2009
Poupança tem maior captação
desde 94
Entrada líquida na caderneta em julho
chega a R$ 6,67 bi, no terceiro mês seguido de captação
positiva da categoria | Queda nos juros torna a poupança mais
atraente a investidor; fundos também têm captação
positiva, de R$ 1,4 bi
NEY HAYASHI DA CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Oferecendo uma rentabilidade
cada vez mais atraente aos investidores, a poupança bateu recorde
de captação de recursos no mês passado, segundo dados
do Banco Central. Em julho, os depósitos feitos na caderneta superaram
os saques em R$ 6,67 bilhões, valor mais alto desde dezembro de
2007.
Excluídos os meses de dezembro da série estatística -nessa época
os depósitos costumam subir por causa do 13º salário-, o
resultado do mês passado é o mais alto desde a implantação
do Plano Real, em julho de 1994.
Foi o terceiro mês seguido de captação positiva da poupança,
que sofreu com aumento nos saques entre março e abril diante das dúvidas
sobre as mudanças que o governo planejava para o seu rendimento.
Embora indiquem aumento no interesse pela caderneta, porém, os números
ainda não mostram migração dos fundos de investimento
para a poupança. Também em julho, segundo a Anbid (Associação
Nacional dos Bancos de Investimento), os fundos DI e de renda fixa tiveram,
juntos, captação positiva de R$ 1,47 bilhão.
É possível que parte das aplicações na caderneta
venha de recursos que estavam parados em contas correntes. Segundo dados do BC
no último dia 28, o saldo total dessas contas caiu em R$ 7,53 bilhões
em julho.
No começo do ano, era crescente a preocupação da equipe
econômica com uma possível perda de recursos dos fundos para a
poupança. Isso porque, com a taxa de juros Selic em queda, os fundos
de renda fixa ficam cada vez menos rentáveis. Já a caderneta
tem rendimento fixo de 0,5% ao mês -é menos afetada pela Selic.
A situação se agravava porque os fundos, ao contrário
da poupança, estão sujeitos à cobrança de Imposto
de Renda e taxas de administração, o que diminui ainda mais os
ganhos.
A solução encontrada pelo governo foi anunciar, em maio, a intenção
de cobrar imposto das cadernetas com saldo superior a R$ 50 mil e reduzir as
alíquotas que incidem sobre as aplicações de renda fixa.
Não foram fixados prazos para a implantação das medidas,
e até agora nenhuma entrou em vigor. Desde a sua divulgação,
os saques na caderneta perderam força. Após um pico de R$ 91,41
bilhões alcançado em abril, as retiradas somaram R$ 83,26 bilhões
no mês passado.
Os depósitos, por sua vez, chegaram a R$ 89,94 bilhões em julho,
valor mais elevado em quatro meses.
Mesmo com captação maior, o total aplicado na caderneta continua
abaixo dos fundos. Segundo o BC, os recursos na poupança somavam R$
290 bilhões no final de julho. Já a Anbid apontava R$ 1,291 trilhão
direcionados à indústria de fundos-R$ 545 bilhões em fundos
DI e renda fixa.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
07 de agosto de 2009 | Economia
Bancos privados predominam em leilão
da folha do INSS
Agência Estado
Depois dos bancos privados abocanharem a maioria dos lotes vendidos no primeiro
dia do leilão da folha de pagamento dos novos benefícios do Instituto
Nacional de Seguro Social (INSS), a Caixa Econômica Federal reagiu hoje,
mas acabou pagando caro por áreas consideradas menos rentáveis.
O Banco do Brasil conseguiu arrematar apenas um lote para pagamento de aposentadoria
no Rio Grande do Norte.
O leilão da folha do INSS,
realizado ontem e hoje, foi dividido em 26 lotes, dos quais 19 ficaram
com os bancos privados. O contrato para a prestação do
serviço será de 20 anos, a partir de 2010, mas a cada cinco
anos serão realizados pregões para ofertar o direito ao
pagamento dos benefícios concedidos no período seguinte.
Com a venda da folha do INSS,
quem se aposentar a partir do ano que vem só poderá receber
os benefícios nos bancos que participaram do leilão (Bradesco,
Itaú Unibanco, Mercantil, Santander, Banrisul, Banco da Amazônia,
Caixa, Banco do Brasil, Banco Cooperativo Sicredi e Banco Cooperativo
do Brasil). Se quiser movimentar o dinheiro em outra instituição,
o aposentado terá de fazer a transferência dos recursos.
Segundo o INSS, essa transferência, via DOC ou TED, não
terá ônus para o aposentado. Atualmente, os benefícios
são pagos por 21 instituições financeiras.
Pelo levantamento feito pela
reportagem, comparando valor médio da aposentadoria, estimativa
de quantidade de benefícios que serão pagos e o valor oferecido
pelos participantes do leilão, a Caixa investiu alto em locais
que não eram atrativos para iniciativa privada. Hoje, por exemplo,
a Caixa venceu a disputa com o Santander ao oferecer R$ 2,45 por benefício,
em cidades de Pernambuco. Segundo estimativa do INSS, deverão
ser pagos 16.206 novos benefícios por mês no local, com
o valor médio da aposentadoria de R$ 527,97.
Ontem, o Banco Mercantil do Brasil
venceu o lote 8, que abrange a Grande São Paulo, dando um lance
de R$ 2,41 por benefício para repassar algo em torno de 27.354
benefícios. Além disso, o valor médio é bem
superior (R$ 908,98). Analistas avaliam que em locais onde a população
tem maior renda, a possibilidade de venda de serviços bancários é maior.
No Piauí, a Caixa vai
pagar R$ 1,51 por benefício. A expectativa é de que, ao
mês, o banco repasse 6.391 aposentadorias. O valor médio
do benefício é de R$ 521,65. O Itaú Unibanco pagará bem
menos (R$ 1,31 por benefício) para atuar em Goiás e Distrito
Federal, onde os benefícios médios são de R$ 650,99
e R$ 841,30, respectivamente. A previsão é de que sejam
pagos 13.116 benefícios.
O vice-presidente de Finanças
da Caixa, Marcio Percival, discorda dessa avaliação. Segundo
ele, a Caixa venceu em estados onde tem condições e pretende
crescer mais. "Levamos em conta a nossa capacidade de crescimento
no local. Temos muita capilaridade em Pernambuco, por exemplo",
afirmou. Para Percival, os bancos privados foram mais agressivos no primeiro
dia. "Entramos para ganhar, mas não deu."
Pelo resultado do leilão,
o governo vai receber cerca de R$ 636 mil por mês das instituições
financeiras que compraram os lotes. Até 2007, a União desembolsava
R$ 250 milhões para fazer o pagamento das aposentadorias.
O Bradesco foi o que mais
arrematou áreas - foram oito. Segundo o diretor executivo do
banco, Ademir Cossiello, a compra de oito lotes da folha de pagamento
do INSS vai ajudar no aumento da clientela. A instituição
vai investir alto para convencer o aposentado a movimentar seu benefício
no Bradesco. "As margens dos bancos estão cada vez mais
apertadas com a limitação das tarifas e queda dos juros",
afirmou Cossiello, salientando que a compra da folha de pagamento pode
contribuir para expansão dos negócios.
|
Folha de S.Paulo, 7 de agosto
de 2009
Codefat: Ministro ataca senadora e
faz crítica a confederações
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro Carlos Lupi (Trabalho)
criticou as confederações empresariais que se retiraram
do Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador).
" Eu lamento a renúncia das quatro confederações, que
foram lideradas pela senadora de oposição do DEM. A senadora [Kátia
Abreu, presidente da CNA] queria fazer dentro do Codefat um "Senadinho de
oposição". Ela é uma andarilha do ódio. Está acostumada
a lidar com boi no pasto e acha que todo mundo é assim", afirmou.
Em nota, a senadora disse lamentar o "teor das declarações
e o estilo usado por um ministro de Estado".
Anteontem, as quatro confederações oficializaram a saída
do Codefat entregando uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A retirada foi uma resposta à interferência do ministro Lupi no
processo de sucessão da presidência do conselho.
Embora os empresários tivessem selado um acordo para a escolha do novo
presidente -que seria um representante da CNA-, Lupi lançou outro candidato
patronal, o que rachou o conselho.
Foi eleito presidente o candidato de Lupi, Luigi Nese, da recém-criada
CNS (entidade patronal do setor de serviços). CNI, CNA, CNIF e CNC deixaram
o conselho.
Ontem, Lupi declarou que não teme ser fiscalizado. Segundo ele, o Tribunal
de Contas da União acompanha todas as contas do FAT.
Nesta semana, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça)
do Senado aprovou requerimento ao TCU para fiscalizar os convênios com
recursos do FAT desde 2007.
De acordo com Lupi, o presidente Lula deverá chamá-lo para conversar,
mas escolher um novo presidente não seria uma prática "republicana
e democrática".
Ontem, a Fiesp (Federação das Indústrias de São
Paulo) e o grupo Ação Empresarial, coordenado pelo empresário
Jorge Gerdau, manifestaram solidariedade às confederações.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
07 de agosto de 2009 | Economia
Lupi: DEM queria um 'Senadinho da oposição'
no Codefat
Agência Estado
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, reagiu hoje, com palavras duras, à formalização
da saída do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador
(Codefat), de entidades empresariais que renunciaram à participação
após a eleição do novo presidente do conselho. Ontem,
a Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Agricultura
e Pecuária (CNA), do Comércio (CNC) e do Sistema Financeiro (Consif)
protocolaram no Palácio do Planalto uma carta pedindo ao presidente
da República a retirada formal dessas entidades do Codefat.
"Lamento que as entidades
tenham saído lideradas pela senadora de oposição
e do DEM (Kátia Abreu, que também preside a CNA) que queria
transformar o Codefat num Senadinho da oposição",
afirmou Lupi, em entrevista à imprensa em que anunciou os resultados
da Relação Anual de Informações Sociais (Rais)
de 2008. "Esperava mais independência das entidades, porque
a senadora é uma andarilha do ódio, mas eu esperava que
isso não contaminasse os demais", completou.
Lupi comentou ainda que a senadora "está acostumada
a lidar com boi no pasto e acha que todo mundo é assim" e
voltou a negar que tenha interferido de qualquer forma no processo de
sucessão na presidência do Codefat, ocorrido na semana passada.
A renúncia das entidades aos assentos no Codefat, que existe há 19
anos, foi uma reação ao que as entidades denominaram de
interferência de Lupi no processo de rodízio entre as representações
para a presidência do conselho, responsável pela gestão
de um patrimônio de quase R$ 160 bilhões do Fundo de Amparo
ao Trabalhador (FAT). Lupi, segundo as entidades, teria pressionado os
conselheiros a apoiarem o presidente da recém-criada Confederação
Nacional de Serviços (CNS), Luigi Nese, para derrotar o candidato
indicado pela CNA.
O ministro atribuiu a derrota
das entidades à falta de articulação da CNA com
as demais entidades representativas dos empresários no conselho
e também a algumas ações anteriores da senadora
do DEM, que teriam irritado as centrais sindicais de trabalhadores.
Segundo o ministro, assim que
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva receber a carta das entidades,
provavelmente, ele o chamará para que se discuta o que fazer com
relação às vagas abertas no conselho. Ele afirmou
que "estão sendo feitos estudos técnicos" para
avaliar se será possível indicar outras entidades empresariais,
como a CNT (Confederação Nacional dos Transportes) e a
CNS (Confederação Nacional da Saúde), que estão
interessadas em assumir as vagas deixadas no Codefat.
Quanto aos possíveis
pedidos de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) nos
convênios recentes assinados pelo Codefat, Lupi foi irônico. "As
pessoas deviam se informar melhor antes porque o TCU já fiscaliza
todas as contas do FAT e já fizemos, inclusive, um convite para
que o tribunal tenha assento permanente no conselho como observador",
afirmou. "Além disso, o orçamento de despesas do
FAT é votado todos os anos pela Câmara e pelo Senado,
se alguns não leem antes de votar, não é culpa
minha", completou.
|
Folha de S.Paulo, 7 de agosto
de 2009
Com Sarney blindado, PMDB e oposição
se atacam no Senado
Bate-boca de mais de três horas teve ápice
com troca de ofensas entre Tasso e Renan | PMDB cumpre ameaça
e faz representação contra líder tucano no Conselho
de Ética, que deve engavetar outras 7 acusações
contra Sarney
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Com José Sarney (PMDB-AP)
blindado no Conselho de Ética, a tropa de choque do PMDB partiu
ontem para cima da oposição em plenário, o que resultou
no dia mais tenso da crise política até agora.
Por mais de três horas, um bate-boca envolvendo senadores de vários
partidos incluiu acusações irônicas, ofensas, xingamento
e a promessa de mais um processo por quebra de decoro parlamentar.
Hoje, o grupo pró-Sarney dará novo passo para salvar o presidente
do Senado, arquivando mais sete processos contra ele no Conselho de Ética.
Os pareceres para isso estão prontos. Anteontem, o conselho engavetou
quatro denúncias. Ao mesmo tempo, para tentar acuar a oposição,
a tropa do peemedebista encomendou parecer favorável à abertura
de processo por quebra de decoro parlamentar contra o líder do PSDB,
senador Arthur Virgílio (AM).
A justificativa será que as denúncias contra Sarney são
baseadas em reportagens de jornal, enquanto Virgílio é "réu
confesso". O tucano admitiu em plenário que manteve por mais de
um ano funcionário fantasma no seu gabinete.
O ápice da tensão ontem foi um bate-boca entre o líder
do PMDB, Renan Calheiros (AL), e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), ambos
muito nervosos. No momento, Sarney presidia a sessão.
" Senador Renan, não aponte esse dedo sujo para cima de mim. Estou
cansado das suas ameaças", disse Tasso, após discurso do peemedebista
em que ele atacou Virgílio.
" O dedo sujo, infelizmente, é o de V. Exa. São os dedos dos
jatinhos que o Senado pagou", respondeu Renan, referindo-se ao fretamento
de jatos pelo tucano, utilizando sua cota de passagens aéreas, conforme
revelou a Folha em abril.
" Pelo menos era com o meu dinheiro. O jato é meu. Não é o
que o sr. anda, o dos seus empreiteiros", retrucou o tucano.
Fora do microfone, Renan chamou Tasso de "seu coronel de merda, você é um
merda". O PSDB requisitou a gravação e, com base nela, promete
entrar com processo de quebra de decoro contra o líder do PMDB.
Pouco antes, Renan havia usado o microfone da tribuna por quase uma hora para
ler a representação contra Virgílio.
" O senador Arthur Virgílio elevou às culminâncias do
absurdo a prática do clientelismo, do patrimonialismo e do tráfico
de influência, exacerbando o uso das prerrogativas parlamentares",
afirmou Renan, dizendo-se "constrangido" e "cumprindo dever de
ofício".
Também foi para cima de Cristovam Buarque (PDT-DF), um dos articuladores
da nota de ontem pedindo a saída de Sarney do cargo. "Ética,
senador, não é retórica, é prática. Ninguém é dono
da ética. Talvez tenha alguma coisa relacionada a isso quando V. Exa.
saiu novamente candidato por Brasília e tenha [tido] apenas um reduzido
percentual da sua votação anterior." A referência
foi à pequena votação obtida por Cristovam quando candidato
a presidente, em 2006.
Virgílio, após ouvir Renan calado, pediu a palavra para responder.
Numa fala recheada de ironias, e observado a poucos metros pelo peemedebista,
o líder tucano leu dezenas de reportagens da imprensa, desde 2007, com
acusações contra Renan. "Estamos vendo que quem precisa
de psiquiatria não sou eu", disse Virgílio.
Lembrou ainda que o líder peemedebista foi acusado, quando presidia
o Senado, de ter contas pagas por um lobista. "V. Exa. não tem
razão para ser mais rico do que eu. A não ser que tenha se desvirtuado
do caminho que o vi traçar."
Na fase final da sessão, aliados de Renan classificaram os ataques dele
ao tucano como erro de estratégia, o qual fez voltar o clima de guerra
e subir o tom das críticas a Sarney.
Os líderes governistas haviam tentado demover Renan da decisão.
Mas ele insistiu que era questão de reciprocidade, já que os
tucanos haviam lido a representação contra Sarney.
A tensão chegou aos corredores da Casa. Um manifestante foi detido por
chamar Sarney de "ladrão", mas depois foi liberado. (FÁBIO
ZANINI, ANDREZA MATAIS, ADRIANO CEOLIN E VALDO CRUZ)
|
O ESTADO DO PARANÁ,
07 de agosto de 2009 | Economia
Governo negocia reajuste maior para
aposentados
Agência Estado
O líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS),
confirmou que o Palácio do Planalto está propondo conceder um
reajuste maior do que a inflação para os aposentados da Previdência
Social que recebem benefícios acima do salário mínimo,
a partir de 2010, em troca de acabar com os projetos que favorecem os aposentados à espera
de votação na Câmara. Além de aceitar dar um ganho
real para esses benefícios, o governo também concorda em mudar
a regra do chamado fator previdenciário.
O fator previdenciário é um
mecanismo de cálculo que induz os trabalhadores a retardar a aposentadoria
para poder receber o valor máximo a que têm direito. Quem
se aposenta obedecendo somente o prazo legal de 30 ou 35 anos de contribuição,
perde dinheiro. Pela alternativa em discussão, o trabalhador poderia
se aposentar recebendo 100% da média de suas contribuições
quando a soma do tempo de contribuição com a sua idade
atingisse 85, no caso das mulheres, e 95 anos, para os homens.
"O presidente Lula deu sinal
positivo para abrir a negociação", afirmou Fontana,
depois de participar hoje de reunião com o ministro da Secretaria
Geral da Presidência, Luiz Dulci, representantes de entidades de
aposentados e de centrais sindicais, e com a líder do governo
no Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT-SC).
"Vamos construir um acordo
para superar os projetos que estão na Câmara. A ideia é fazer
um relatório que contenha o reajuste e altere o fator previdenciário",
continuou. Fontana evitou citar índice de reajuste para os benefícios,
mas afirmou: "Um aumentão seria uma ilusão".
Nos bastidores, o governo fala em 1,5% de aumento real e as centrais
sindicais citam 2,5% de ganho real, acima da inflação. "Queremos
chegar a uma negociação que possa ser colocada em prática
a partir do ano que vem", disse Fontana. "Passo a passo, vamos
começar a recuperar as aposentadorias", completou.
Com risco de perder na
votação, o governo está tentando evitar que entrem
na pauta os projetos no Legislativo que beneficiam os aposentados com
o argumento do impacto nos cofres da Previdência Social. Além
do projeto que acaba com o fator previdenciário no cálculo
das aposentadorias, há um projeto que trata da recomposição
dos valores pagos, outro que prevê reajustes iguais ao concedido
ao salário mínimo para todas as aposentadorias e há ainda
o veto do presidente Lula à correção dos benefícios
concedidos no ano passado, à espera de votação
em sessão conjunta do Congresso.
|
Folha
de S.Paulo, 7 de agosto de 2009
Renault anuncia contratação
de 600 funcionários no Paraná
DIMITRI DO VALLE
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA
A direção da Renault no Brasil
anunciou ontem a contratação de mais 600 funcionários
para a unidade da montadora em São José dos Pinhais,
na região metropolitana de Curitiba.
Os novos empregados irão atuar na produção de veículos
de passeio e utilitários do grupo Renault/Nissan. Segundo nota da empresa,
o objetivo é atender a demanda do mercado brasileiro de automóveis,
que registra reaquecimento.
Em comunicado oficial, a Renault informou estar confiante no desempenho do
mercado brasileiro. "É o momento de reforçar nosso compromisso
com o Brasil, gerando mais empregos e contribuindo para a solidez da economia
e da indústria nacional", afirmou o diretor de Relações
Institucionais da empresa, Antonio Calcagnotto.
Os novos contratados vão ampliar o segundo turno da unidade de veículos
de passeio e inaugurar o segundo turno da fábrica de utilitários.
Para este ano, a estimativa de produção da unidade de São
José dos Pinhais é de cerca de 137 mil unidades das duas marcas
do grupo. O volume total de 2008 foi de 129 mil veículos.
Mais contratações
A fábrica também estuda reforçar o número de trabalhadores
em sua unidade de produção de motores. Ela tem capacidade de
produzir cerca de 400 mil peças ao ano.
O coordenador da delegação do Sindicato dos Metalúrgicos
da Grande Curitiba na Renault, Robson Jamaica, afirmou que as contratações
seguem uma tendência de normalização do mercado automotivo
nacional, incentivado pelas reduções de tributos federais.
Entre o fim do ano passado e o início de 2009, o setor foi afetado pela
crise global, o que provocou a suspensão por cinco meses do contrato
de trabalho de mil metalúrgicos da Renault do Brasil. Todos já foram
chamados de volta.
|
Gazeta do Povo, 7 de agosto
de 2009
Artigo
A responsabilidade dos sócios na
execução trabalhista
Atualmente, na Justiça do Trabalho, pouco importa se o sócio é majoritário
ou minoritário: quando os bens da sociedade são insuficientes
para o pagamento da dívida, o patrimônio pessoal do sócio
passa a ser alvo das execuções trabalhistas. “O fato é que
não se pode permitir que o autor da ação trabalhista seja
penalizado pela falta de recursos da empresa, enquanto existem bens,
no patrimônio dos sócios, capazes de satisfazer seu crédito”,
afirma decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 9.º Região/Paraná (TRT-PR),
aplicando a desconsideração da personalidade jurídica
da empresa e direcionando a execução aos sócios – Acórdão
n.° 35.907/2008, publicado em 14 de outubro de 2008.
Outra decisão do TRT-PR
deixa clara essa responsabilização ilimitada dos sócios
até mesmo na sociedade limitada. Segundo o acórdão,
a desconsideração da pessoa jurídica “submete
inclusive o sócio minoritário de sociedade limitada. A única
condição objetiva para essa responsabilização é o
inadimplemento de dívidas trabalhistas” – Acórdão
n° 27.174/2005, publicado em 21de outubro de 2005. Essa mesma decisão
presume a fraude (a qual, diga-se, deve ser provada para a aplicação
desse instituto) e fortalece a insegurança das relações
jurídicas, ao afirmar que: “A proporção irrisória
da cota-parte do sócio não é empecilho e, muitas
vezes, figura para iludir os credores, ocultando-se sob o véu
da pessoa jurídica, e dentro dos muros da responsabilidade limitada”.
De fato, o artigo 50 do Código
Civil retira o escudo da pessoa jurídica e atinge diretamente
o patrimônio do sócio. Esse é o dispositivo que traz
a tão temida desconsideração da personalidade da
empresa. Entretanto, a norma é clara ao declarar que será utilizada
apenas nos casos do efetivo abuso da personalidade jurídica. Na
prática, contudo, a desconsideração vem assombrando
os sócios de empresas, principalmente na esfera trabalhista, pois
na maioria das vezes, independentemente da participação
do sócio na sociedade, a execução atinge até aqueles
que possuem quotas ínfimas.
Não se quer aqui discutir
a legalidade do presente instituto, essa é inquestionável.
Mas sua aplicação é que vem sendo desmedidamente
ilegal. Posturas radicais, tendentes a ingressar com a responsabilização
imediata dos bens do sócio, quando insuficientes os bens da empresa,
são sustentadas na maior parte das decisões, tornando-se
a regra na Justiça do Trabalho.
Contudo, não são
todos que pensam dessa maneira. Ainda existe esperança de mudança,
a exemplo do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Dr. Ives
Gandra da Silva Martins Filho, que, infelizmente, ainda é voto
vencido no TST. O ministro chegou a publicar seu entendimento na edição
n.° 15 (agosto de 2000) da Revista Jurídica Virtual, do Centro
de Estudos da Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil
da Presidência da República. “Constata-se que na Justiça
do Trabalho ocorre uma inversão dos fatos, ou seja, a fraude é presumida”,
declara em seu artigo.
O ministro ainda demonstra a
instabilidade que essa corrente gera para o empresariado. “Esse
entendimento traz o risco de se desestimular o crescimento econômico
do país. Os sócios que têm seus bens atingidos muitas
vezes são micro e pequenos empresários, frutos do insucesso
e da concorrência desleal no mundo dos negócios. Na maioria
das vezes, sequer contratam advogados para defendê-los, acabando
por ter seus bens penhorados, e muitas vezes nem mesmo o bem de família é respeitado”,
explica.
Sem sombra de dúvidas,
o maior percalço do empresariado está efetivamente em seu
quadro de funcionários. Por esse motivo, a empresa deve utilizar-se
de estratégias jurídicas preventivas nas relações
trabalhistas, sendo necessário obedecer minuciosamente toda a
legislação do trabalho e atentar-se para as exceções
de cada categoria profissional. Não se admitem erros, pois qualquer
deslize pode destruir o patrimônio de todos.
Thaissa Taques e Renata Bueno, advogadas da Bueno Taques Consultoria Jurídica – www.btconsultoria.com
|
Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
07/08/2009
Empregado com estabilidade provisória não
pode aderir a PDV
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
concluiu que empregado portador de estabilidade provisória, decorrente
de doença profissional ou acidente de trabalho, não pode
aderir a plano de demissão voluntária (PDV). No caso analisado,
os ministros rejeitaram (não conheceram) o recurso de embargos
do Banespa (Banco do Estado de São Paulo S.A.) e mantiveram a
reintegração de ex-funcionária da empresa com moléstia
profissional.
Segundo o relator do processo,
ministro Horácio de Senna Pires, a Sétima Turma do TST
decidiu corretamente quando negou provimento ao recurso do Banespa e
confirmou a decisão regional com a tese de que a escriturária
possuía estabilidade provisória decorrente de doença
profissional e, por isso, não poderia aderir ao PDV do banco,
que, inclusive, expressamente, impedia a adesão de trabalhadores
nessas condições. A Turma também observou que a
doença profissional da trabalhadora foi diagnosticada antes da
implantação do plano e reforçada pelos exames demissionais.
Portanto, o banco deveria ter interrompido o processo de dispensa e encaminhado
a empregada ao INSS para tratamento, o que não foi feito.
O Banespa argumentou que o requerimento
de adesão da empregada ao PDV foi válido porque não
houve coação ou vício de consentimento que comprometesse
o ato, e apresentou exemplos de trabalhadores que renunciaram à estabilidade
ao aderirem ao PDV. No entanto, para o relator dos embargos, o banco
não atacou as razões em que se baseou o entendimento da
7ª Turma, nos termos da Súmula nº 296 do TST, ou seja,
o fato de a empregada ser detentora de estabilidade decorrente de doença
profissional e o PDV impedir a adesão de empregados portadores
de moléstia laboral ou de acidentados no trabalho. Assim, por
unanimidade, os ministros da SDI-1 seguiram o voto do relator e rejeitaram
os embargos da empresa.
Histórico do caso
A empregada tinha perdido a causa
na primeira instância, mas o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(SP) julgou procedente, em parte, o recurso ordinário da escriturária,
declarando nula a rescisão contratual. A trabalhadora foi diagnosticada
com LER (Lesão por Esforço Repetitivo) no braço
direito em novembro de 1994, tendo ficado um mês de licença
médica. Em março de 1997, o banco instituiu o PDV e a empregada
requereu a adesão.
Naquele momento, os exames de
demissão confirmaram a existência de doença profissional,
isto é, que havia relação entre a doença
adquirida pela trabalhadora e as atividades de digitação
desenvolvidas por ela na empresa; contudo, o processo de adesão
ao PDV não foi interrompido. O Banespa, além de condenado
a reintegrar a trabalhadora, terá que pagar todas as vantagens
salariais devidas no período em que ela esteve afastada do quadro
de pessoal do banco. (ERR- 37428/2002-902-02-40)
(Lilian Fonseca)
|
07/08/2009
Terceirizada chamada de burra será indenizada
A Vivo S.A. foi condenada, juntamente
com a Plano Marketing Promocional S/C Ltda., a pagar R$ 15 mil de indenização
a uma trabalhadora terceirizada humilhada por um gerente da empresa de
telefonia por não alcançar as metas estipuladas. Ao recorrer
ao Tribunal Superior do Trabalho, as duas empresas pretendiam a redução
do valor da condenação, tendo a Plano alegado, inclusive,
que o dano moral não chegou a provocar na trabalhadora prejuízos
psicológicos definitivos. Os argumentos não convenceram
a Segunda Turma do TST, que rejeitou os recursos quanto ao tema.
A reclamação foi
ajuizada por uma promotora de vendas da cidade de Ponta Grossa (PR).
Contratada pela Plano, em agosto de 2002, para prestar serviços à Global
Telecom S.A. – hoje denominada Vivo S.A. - e dispensada em setembro
de 2004, ela propôs a ação pedindo, entre outras
coisas, indenização por danos morais. A trabalhadora conta
que o gerente da Vivo chamava-a, diante de seus colegas, de “incompetente
e burra”, além de afirmar que as metas atingidas por ela
eram as mesmas que “qualquer idiota atingiria”, e que não
era necessário ter muito discernimento para fazer “o péssimo
serviço” que a promotora fazia.
A 1ª Vara do Trabalho de
Ponta Grossa julgou improcedente o pedido de danos morais por entender,
com base em depoimento de uma testemunha, que, embora houvesse a prática
de desabonar a conduta funcional dos empregados, a autora da ação
não teria sofrido essa espécie de ataque porque sempre
atingiu as metas. A trabalhadora recorreu da sentença e obteve
a indenização no Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região
(PR), que constatou que a testemunha da autora confirmou que ela foi
vítima da humilhação. O TRT/PR observou que “a
testemunha não disse que a autora sempre atingia as metas, mas
que com frequência o fazia”.
Para o relator do recurso no
TST, ministro Renato de Lacerda Paiva, a concessão da indenização
e o valor estipulado pelo TRT da 9ª Região deveriam ser mantidos.
Sobre a condenação à indenização,
o ministro considerou que a decisão regional está em consonância
com o que dispõe a Constituição e o Código
Civil, ao destacar que o TRT verificou a ocorrência de uma das
formas possíveis de assédio moral, “a prática
abusiva, por parte da empregadora, que utilizava método desvirtuado
de ‘incentivo’ à produtividade”.
Quanto ao valor, o relator entendeu
que a importância foi fixada por “critério razoável”,
atendendo a elementos indispensáveis. Entre os aspectos observados
pelo Regional, o relator cita a intensidade da ofensa, a gravidade da
repercussão da ofensa no meio social da trabalhadora e os efeitos
na sua vida prática. A Segunda Turma seguiu o voto do relator
e não conheceu dos recursos das duas empresas em relação à condenação
a pagamento de indenização por danos morais e ao valor
estipulado.
A Vivo foi condenada subsidiariamente,
ou seja, deverá efetuar o pagamento caso a Plano Marketing Promocional
S/C Ltda. não o faça - devido à terceirização,
porque, como tomadora de serviços, foi considerada responsável
pelo pagamento no caso de inadimplemento das obrigações
trabalhistas por parte da empregadora. (RR 2063/2004-024-09-00.3)
(Lourdes Tavares)
|
07/08/2009
Oitava Turma mantém condenação
ao banco GM por fraude em contratação
O trabalho temporário,
regulado pela Lei nº 6.019/74, é uma modalidade excepcional
de contratação para atender a situações emergenciais
das empresas. Por isso, a lei pressupõe que o prazo máximo
de contratação seja de 90 dias, tempo suficiente para que
o empregador supra necessidade transitória de substituição
do pessoal permanente ou suporte um acréscimo extraordinário
de serviços, por exemplo. Por ter ultrapassado os limites legais,
o banco General Motors S/A foi condenado por fraude à legislação
trabalhista e responderá pelas verbas típicas da relação
de emprego devidas a uma operadora de telemarketing que prestou serviços
ao banco por meio de três contratos temporários sucessivos.
A Oitava Turma do Tribunal Superior
do Trabalho manteve a decisão regional que condenou o banco, em
voto relatado pela ministra Dora Maria da Costa. De acordo como o Tribunal
Regional do Trabalho da 2ª Região (SP), por intermédio
de duas empresas interpostas – New Work Station Telemarketing Ltda.
e Sprinter Recursos Humanos Ltda. – a atendente trabalhou para
o banco General Motors S/A no período de 26/07/1999 a 19/04/2000,
celebrando três contratos sucessivos. O trabalho foi prestado no
mesmo local (central de atendimento do banco) e a moça exerceu
as mesmas funções nos três períodos, ou seja,
serviços de telemarketing e suporte aos clientes do banco.
A defesa do banco General Motors
informou que formalizou com a empresa EDS – Eletronic Data Systems
do Brasil Ltda. contrato de prestação de serviços
e esta acabou contratando a Sprinter Recursos Humanos Ltda. para fornecimento
de mão-de-obra temporária. A atendente trabalhou dois períodos
contratada pela Sprinter. No terceiro período, ela foi contratada
pela New Work. O banco alega não ter nenhuma relação
contratual com a New Work, alegando que quem contratou a empresa foi
o Consórcio Nacional General Motors Ltda..O argumento não
convenceu as instâncias ordinárias nem a relatora do recurso
no TST.
Para o TRT/SP, não há justificativas
para a contratação temporária de alguém por
quase sete meses, em razão de “inauguração
de loja”, como informou a defesa. Encerrado o primeiro contrato,
e constatada a necessidade de número maior de pessoal permanente
no serviço, a relação deveria ter sido transformada
em contratação por prazo indeterminado, conforme autoriza
o parágrafo único do art. 11 da Lei nº 6.019/74. O
Regional manteve a sentença que reconheceu a existência
de vínculo empregatício diretamente com o banco em razão
da evidência da fraude nos termos do art.9º da CLT.
Em seu voto, a ministra Dora
Maria da Costa manteve a eficácia da decisão. “Como
se verifica da fundamentação do Regional, a reclamante
trabalhou para o reclamado no período de 26/07/99 a 19/04/00,
ultrapassando em muito o prazo de 90 dias para a contratação
sob a égide da Lei nº 6.019/74, que, portanto, foi corretamente
descaracterizada pelo Regional, ante a existência de fraude à legislação
trabalhista, ensejando o reconhecimento de vínculo de emprego
diretamente com o ora recorrente. Intactos, nesse contexto, os artigos
2º e 3º da CLT”, concluiu a ministra Dora Maria da Costa.
Foi mantida ainda a determinação
judicial de remessa de ofícios aos órgãos de fiscalização
(INSS, CEF e DRT), contestada pela defesa do banco no recurso ao TST.
O TRT/SP afirmou que a Justiça do Trabalho, assim como toda entidade
que se defronta com irregularidades administrativas, tem a obrigação
de comunicar o fato ao órgão fiscalizador competente para
que sejam tomadas as providências cabíveis. (RR 834/2002-025-02-40.5)
(Virginia Pardal)
|
07/08/2009
Empregado da Usp não consegue
equiparação salarial
A Universidade de São
Paulo (Usp) foi desobrigada de pagar diferenças salariais a um
empregado da área de serviços gerais que pleiteava equiparação
salarial ao de uma colega que executava os mesmos serviços e ganhava
mais. O empregado havia embargado a decisão desfavorável
da Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho, mas a Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do TST rejeitou
os embargos (não conheceu) e a decisão ficou mantida.
O descontentamento do servente
começou quando a universidade contratou, cerca de um ano após
a sua admissão, em 1987, uma funcionária para fazer o mesmo
trabalho que o dele, mas com salário maior. Embora tenha reclamado
que eram “diferença gritantes”, o juiz verificou que
havia um quadro de carreira funcional da instituição que
se sobrepunha ao critério da antiguidade. Assim também
entendeu o Ministério Público, informando que a Usp, por
ser uma autarquia estadual, estava dispensada das formalidades de estar
o quadro de carreira homologado ou não.
Mas o Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região (SP) concedeu as diferenças ao empregado.
A Usp recorreu à instância superior e conseguiu, na Segunda
Turma do TST, o restabelecimento da sentença. A Turma entendeu
que a Orientação Jurisprudencial 297 da SBI-1 estabelece,
de forma já pacificada, que o artigo 37, XIII, da Constituição “veda
a equiparação de qualquer natureza para o efeito de remuneração
do pessoal do serviço público, sendo juridicamente impossível
a aplicação da norma infraconstitucional prevista no artigo
461 da CLT quando se pleiteia equiparação salarial entre
servidores públicos, independentemente de terem sido contratados
pela CLT”.
O empregado embargou a decisão,
mas a SDI, tendo como relatora a ministra Maria Cristina Peduzzi, rejeitou
os embargos (não conheceu), porque eles não satisfizeram
as exigências legais para serem admitidos, ou seja, não
apresentaram nenhuma divergência entre decisões de Turmas
do TST ou entre o acórdão embargado e a decisão
da SDI. Ademais, a decisão da Segunda Turma está de acordo
com a mencionada OJ 297, “incidindo o óbice da parte final
do inciso II do artigo 894 da CLT”, informou a relatora. A decisão
foi por unanimidade. (E-RR-1130-2002-064-02-00.8)
(Mário Correia)
|
07/08/2009
Em ação de execução,
equiparação não pode adotar novo paradigma
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho determinou, em uma ação de execução,
que o modelo adotado para equiparação salarial na sentença
original não pode ser alterado. A decisão restabeleceu
a sentença de origem de uma reclamação de uma empregada
da empresa União de Bancos Brasileiros S.A. (Unibanco), e, consequentemente,
indicou a exclusão, na liquidação, da referência
a salários de uma terceira funcionária.
Segundo o ministro Alberto Bresciani,
relator do recurso do Unibanco, houve violação do artigo
5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal, na decisão
proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região
(MG), que estabelecia a apuração da equiparação,
considerando o cálculo das diferenças as vantagens obtidas
pela paradigma em outra ação judicial também de
equiparação salarial e já transitada em julgado
- situação em que já está esgotado o prazo
para interpor recurso contra a decisão judicial.
Para o relator, “este fato
jurídico não foi objeto de controvérsia, não
foi submetido ao contraditório e, portanto, não foi decidido
na fase apropriada”. O ministro Alberto Bresciani destacou que
o nome da terceira empregada, que seria o novo paradigma, nunca foi lembrado
na fase de conhecimento e que o Regional extrapolou os limites da coisa
julgada, acrescentando aspectos.
Para melhor esclarecer: uma empregada
do Unibanco (aqui chamada A) obteve judicialmente equiparação
salarial com outra (chamada B). Na hora de calcular o novo salário,
não podem ser utilizados os aumentos salariais conseguidos por
B também em decisão judicial transitada em julgado na qual
resultou equiparação de remuneração com uma
terceira funcionária (C) , pois ocorreria a equiparação
de A com C, o que não chegou a ser apreciado pela sentença
original. (RR 168/2004-070-01-00.3)
(Lourdes Tavares)
|
DEPACOM, 07 de agosto de
2009
SC: Cerca de 130 Trabalhadores da Rohden
Artefatos de Madeira são
demitidos
Em assembléia realizada no dia 4 de agosto de 2009, na Empresa
ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA S/A. no município de Salete/SC fechou
mais uma empresa que já teve em outras épocas 700 trabalhadores
e hoje funcionava com cerca de
130, e fechou as portas.
Demitiu todos e ninguém recebeu nada, o FGTS e o INSS esta a
mais de 6 anos sem ser depositado e os salários com 4 meses de
atraso.
A FETICOMSC juntamente com o Siticom de
Salete/SC e a NCST/SC com seu setor jurídico começou a fazer as petições
em favor dos trabalhadores para buscar na justiça os direitos
trabalhistas de todos e também segurar o parque industrial e os
bens da empresa e de seus donos para o pagamento das dividas trabalhistas.
|
DEPACOM, 07 de agosto de
2009
SC: Salário Mínimo Regional será votado na terça-feira
(11/08)
Na terça feira dia 11 de agosto de 2009, na assembléia
legislativa de Santa Catarina, será votado na Comissão
de Constituição e Justiça o projeto do Piso Regional
de Salário de Santa Catarina.
O projeto já esta com o relator
o Deputado Romildo Titon.
Em reunião com as Centrais Sindicais no dia 05 de agosto de 2009,
o Deputado deu o seu parecer favorável a sua aprovação.
|