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InfoMoney,
08 de agosto de 2009
IBGE: emprego industrial fecha
o semestre com recuo de 5,1%
A taxa de emprego na indústria brasileira recuou 5,1% no primeiro
semestre. Em junho o recuo foi maior, de 6,6%, frente ao mesmo mês
de 2008, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário.
Segundo os dados divulgados nesta sexta-feira (7) pelo IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística), na comparação
com maio, sem ajustes sazonais, houve queda de 0,1% no emprego
industrial, a nona consecutiva na comparação mês
a mês.
O acumulado dos últimos 12 meses também apresentou
queda, de 1,9%, mantendo a trajetória descendentes iniciada
em agosto do ano anterior, quando a variação foi
de 3%.
Análise regional e setorial
Para a queda de 5,1% no semestre, as indústrias com as maiores
contribuições foram: vestuário (-9,1%), calçados
e artigos de couro (-10,6%), produtos de metal (-8,3%) e meios de transporte
(-7,6%).
Já com relação às regiões,
as 14 localidades contribuíram para a queda no acumulado
do ano. Novamente os estados de São Paulo (-3,9%), Minas
Gerais (-6,7%), as regiões Norte e Centro Oeste (-8,3%)
e Rio Grande do Sul (-6,8%) foram os que mais contribuíram
para o índice negativo.
Em junho, na comparação com o mesmo mês do
ano passado, as 14 localidades pesquisadas diminuíram seu
contingente de trabalhadores, com destaque para as regiões
Norte e Centro-Oeste (-10,6%), São Paulo (-4,6%), Minas
Gerais (-11%) e Rio Grande do Sul (-8,9%).
Entre os setores, 16 dos 18 tiveram resultados negativos na comparação
com o mesmo período de 2008, com destaque para vestuário
meios de transporte (-11,6%), produtos de metal (-11,2%), máquinas
e equipamentos (-10,6%) e calçados e artigos de couro (-11,7%).
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Valor
Econômico, 08 de agosto de 2009
Juiz livra 10 mi de trabalhadores
de desconto de INSS sobre aviso prévio
Uma sentença da Justiça Federal no Distrito Federal manteve
uma decisão da primeira instância que livra os dez milhões
de trabalhadores do comércio do país de terem descontados
os 8% de contribuição previdenciária sobre o aviso
prévio indenizado.
Outras decisões de mérito da primeira e da segunda
instância já foram proferidas sobre o tema, mas
essa é a de maior impacto. A ação beneficia
todos os trabalhadores associados a entidades filiadas à Confederação
Nacional dos Trabalhadores do Comércio (CNTC).
A decisão foi dada pelo juiz federal Nóvely Vilanova
da Silva Reis, da 7ª Vara do Distrito Federal.
Na sentença, o magistrado declara que o tributo não
pode ser exigido em decorrência da revogação,
pelo Decreto 6.727, de janeiro deste ano, de um dispositivo do
Decreto 3.048, de 1999, que vedava a cobrança.
A medida, de autoria do Governo federal, foi publicada em meio às
demissões em massa decorrentes da crise econômica
atual.
O benefício aos trabalhadores foi obtido pelo advogado
Fabio Zanão, da banca Fortunato, Cunha, Zanão e
Poliszezuk Advogados, que faz parte do corpo jurídico
que assessora a CNTC.
Sua principal argumentação foi a de que o aviso
prévio tem caráter indenizatório e, por
isso, sobre ele não pode incidir a contribuição
ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Isso porque, segundo Lei 8.212, de 1991, a base de cálculo
da contribuição previdenciária é formada
por verbas remuneratórias.
O mesmo argumento vale para as empresas que entram na Justiça
para não ter que recolher a contribuição
sobre o aviso prévio ao INSS.
Outras decisões de mérito já foram proferidas
no mesmo sentido.
Em maio, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região
confirmou a liberação das 18 mil empresas associadas
ao Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista) e
das 30 associadas ao Sindicato das Empresas de Segurança
Privada (Sindesp) do Distrito Federal de recolherem a contribuição
previdenciária.
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Valor
Online, 08 de agosto de 2009
Governo negocia aumento real para
aposentados em 2010
Acordo buscado prevê que Pepe Vargas
faça parecer prevendo que o fator não seja aplicado
para calcular aposentadoria do trabalhador que atinja 85 anos (mulher)
e 95 anos (homem) na soma da idade com o tempo de contribuição.
Estes receberiam aposentadoria integral
O Governo pretende conceder no início de 2010, ano da sucessão
presidencial, reajuste acima da inflação a aposentadorias
e pensões da Previdência Social superiores ao valor do salário
mínimo.
Além do aumento real a essa faixa de benefício, o Governo
começou ontem a negociar com a Confederação Brasileira
de Aposentados e Pensionistas (Cobap) a concessão de aposentadoria
integral ao trabalhador cuja soma da idade e tempo de contribuição
totalize 85 anos, para a mulher, e 95 anos, para o homem.
Segundo o líder do Governo na Câmara dos Deputados,
Henrique Fontana (PT/RS), a ideia é buscar um acordo entre
Governo, Legislativo e representantes de trabalhadores e aposentados
que permita a substituição dessas duas medidas
pelas propostas legislativas do senador Paulo Paim (PT/RS) em
tramitação - o que extingue o fator previdenciário
como critério de cálculo de todas as aposentadorias
e dois que tratam de reajuste das aposentadorias e pensões
pagas pela Previdência Social.
A primeira reunião foi realizada ontem no Centro Cultural
Banco do Brasil (CCBB), sede provisória do Governo durante
reforma do Palácio do Planalto.
Além de Fontana, participaram o ministro Luiz Dulci (chefe
da Secretaria-Geral da Presidência da República),
o relator do projeto do fator previdenciário, deputado
Pepe Vargas (PT/RS), a líder do Governo no Congresso,
senadora Ideli Salvatti (PT/SC), o secretário-executivo
do Ministério da Previdência, Carlos Gabbas, e o
presidente da Cobap, Varley Gonçalles. Na próxima
semana, haverá reunião com centrais sindicais.
Segundo Fontana, não está definida a alíquota
do reajuste a ser dado em 2010 às pensões e aposentadorias
maiores que o salário mínimo. Disse que a equipe
econômica tem resistido à proposta, por causa do
impacto financeiro que pode representar.
"Mas estamos procurando encontrar um equilíbrio
que garanta contas da Previdência com saúde e, ao
mesmo tempo, o início da recuperação para
os aposentados que ganham mais que o salário mínimo,
que estão há mais de 15 anos sem ganho acima da
inflação no seu reajuste", disse o líder.
O acordo buscado prevê que o deputado Pepe Vargas faça
um parecer prevendo que o fator previdenciário não
seja aplicado para calcular a aposentadoria do trabalhador que
atinja 85 anos (mulher) e 95 anos (homem) na soma da idade com
o tempo de contribuição. Estes receberiam aposentadoria
integral.
O fator previdenciário é um critério de
cálculo de benefício aprovado em 1999, como parte
da reforma da Previdência iniciada em 1998, no Governo
Fernando Henrique Cardoso.
É definido considerando a idade, a expectativa de sobrevida
e o tempo de contribuição do segurado ao se aposentar.
Por esse critério, atualmente o trabalhador pode perder
de 10 a 15% do seu salário ao se aposentar, segundo Henrique
Fontana.
As propostas de Paim são as seguintes: emenda ao projeto
do salário mínimo mandando aplicar o reajuste desse
piso a todos os benefícios da Previdência, projeto
acabando com o fator previdenciário e adotando novamente
a média dos últimos 36 salários de contribuição
para cálculo das aposentadorias e projeto mandando recalcular
os benefícios em vigor, para que seja equivalentes ao
número de salários mínimos do valor concedido
no início da aposentadoria.
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Comunique-se,
08 de agosto de 2009
Sindicato diz que jornal do Paraná pode
fechar por 'chantagem' da direção
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais
do Paraná (Sindijor/PR) divulgou uma nota oficial, nesta
sexta-feira (7), em que afirma que Paulo Pimentel, dono do grupo
responsável pelos jornais O Estado do Paraná e Tribuna
do Paraná, está disposto a fechar um dos diários,
caso uma ação, movida pelo sindicato em novembro
de 2008, que exige pagamento de horas extras aos jornalistas, não
seja retirada. A empresa nega as acusações.
Segundo o Sindijor/PR, o Grupo Paulo Pimentel (GPP) marcou uma
reunião com a entidade para discutir soluções
para o caso, mas a empresa não chegou a nenhum acordo
e, na mesma reunião, o empresário Paulo Pimentel
teria dito que fecharia um dos jornais por dificuldades financeiras.
"Depois que afirmou que fecharia o jornal, a empresa avisou
aos jornalistas que, caso a ação não fosse
retirada, fecharia um dos jornais. Mas isso eles não disseram
para o sindicato", afirmou Aniela Almeida, diretora financeira
do Sindijor/PR.
De acordo com Aniela, depois que souberam da declaração
da empresa, a entidade procurou Pimentel, que confirmou que a
ação deveria ser retirada para que o jornal continuasse
existindo.
Ação está em fase
inicial
O sindicato alega e contesta que a ação nunca prejudicaria
a empresa nesse sentido.
"O processo está em fase inicial de tramitação,
sem sequer ter havido a audiência de instrução
ou muito menos uma sentença de primeira instância.
Trata-se de um caso pior que um simples assédio moral.
Beira a chantagem, a extorsão mesmo", afirmou Fernando
César Oliveira, diretor do Sindijor/PR.
Aniela afirmou que a entidade está disposta a negociar.
"Se a empresa não estiver em condições,
vamos nos entender, podemos negociar. Estamos abertos para isso,
mas o Paulo Pimentel não se mostrou disposto a negociar
conosco".
O sindicato alega também que empresa cometia assédio
moral, por falta e limitação de recursos para reportagens,
como "ausência de telefones para fazer ligações
para fora da Região Metropolitana de Curitiba, ausência
de carros para levar os repórteres para coberturas corriqueiras,
demissão dos funcionários mais antigos e transformação
dos colunistas em pessoas jurídicas, entre outros despautérios",
diz a nota do sindicato, que denunciou o caso ao Ministério
do Trabalho.
Grupo nega acusações
De acordo com Pimentel, as acusações do sindicato não
passam de um "blefe".
"A notícia do sindicato não procede. Os nossos
funcionários não concordam com a ação
movida pelo sindicato. E não temos expectativa de fechar
o jornal, essa história é um blefe", afirmou.
Apesar de negar que fecharia um dos jornais, Pimentel informou
que o grupo estuda a possibilidade de fundir os dois jornais.
"Não é fechar, seria uma fusão, sem
nenhuma relação com a ação trabalhista
do sindicato, nada condicionado. Mas isso é uma coisa
que ainda estamos estudando", declarou.
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Agência
Diap, 08 de agosto de 2009
PLS 248/06: contribuição
assistencial está na pauta da CAE, no Senado
O PLS 248/06, do senador Paulo Paim (PT/RS), que acrescenta Capítulo
III-A ao Título V da Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT), para dispor sobre a contribuição assistencial está na
pauta da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
Este é um dos projetos prioritários na agenda dos
trabalhadores para o segundo semestre de 2009.
O projeto de lei regulamenta a taxa assistencial, cobrada em razão
das negociações coletivas de trabalho.
O relator do texto na CAE é o senador Inácio Arruda
(PCdoB/CE), que apresentou parecer favorável à matéria.
O projeto já foi aprovado na Comissão de Assuntos
Sociais, e caso seja também aprovado na CAE e não
haja recurso contrário à decisão deste colegiado,
o texto segue para apreciação da Câmara dos
Deputados, Casa revisora.
A reunião na CAE será realizada na próxima
terça-feira (11), às 10h, no plenário 19,
ala Alexandre Costa.
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Portal
Terra, 08 de agosto de 2009
Lula: sucessor terá 'vida
curta' no governo se fizer menos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a atacar nesta sexta-feira
seus antecessores que, segundo ele, não investiram em políticas
de educação ou programas sociais e de bem-estar. E mandou
um recado ao seu potencial sucessor: "(Meu sucessor) Terá que
olhar e contar até dez porque tem que fazer mais. Se fizer menos,
vai ter uma vida muito curta no governo".
De acordo com o presidente, que participou do encerramento do Simpósio
Internacional sobre Desenvolvimento Social, sua gestão atualmente
investe "uma fortuna" para retirar o atraso de políticas
de outros governantes feitas com base na "irresponsabilidade".
Ao comentar as perspectivas para o fim de seu mandato, em dezembro de 2010,
afirmou que pretende registrar cada conquista feita nos últimos
oito anos.
" Quando chegar o dia 31 de dezembro de 2010, cada ministro
já está avisado que quero registrado em cartório
tudo que fizeram no período do meu governo, cada centavo
aplicado, cada coisa feita no governo. A fotografia será registrada
em cartório porque quero entregar para o próximo
governo, para as universidades, os movimentos sociais, as instituições
nacionais, como OAB, CNBB, centrais sindicais, as instituições
multilaterais, OIT, UNESCO e Nações Unidas, porque
uma coisa que acho que é importante deixar como legado é um
novo paradigma", destacou.
" Grande parte do que estamos fazendo aqui não é resultante
da nossa cabeça. é resultante da nossa história,
da convivência com os movimentos sociais brasileiros,
das greves, passeatas, quantidades enormes de seminários
ao longo de dez, 20 anos. A agora decidimos consagrar todas
essas políticas em uma lei para que não possa
nenhum engraçadinho tentar destruir isso", salientou
o presidente.
" Temos muita coisa que vai começar a produzir
grandes efeitos na sociedade agora. Veja no caso das favelas.
Se (os investimentos em moradia) tivessem sido feitos há 20
anos, (não haveria tantas favelas). Hoje estamos investindo
uma fortuna para fazer uma reparação na irresponsabilidade
dos governantes que governaram esse País há 40
anos. Favela era bonito, era poético. Quantas músicas
fizeram sucesso com isso? Hoje são mais de 2 milhões
de paulistas que moram em favelas em situações
mais degradantes, e não poético, e sim violento",
criticou Lula. "Quantas periferias foram criadas pela
incompetência dos governantes, por incompetência
da política econômica?", questionou.
" Não estamos fazendo muito, mas nunca antes
na história desse País alguém investiu
tanto em saneamento básico, por exemplo. Duvido que
qualquer prefeito do PFL (atual DEM), do PSDB ou do PPS teve
do governo federal 10% do tratamento que damos a eles. Temos
uma relação e isso resulta em políticas
sociais. Não adianta a União estar forte se os
Estados e municípios não conseguirem fazer nada",
destacou.
Ao comentar a evolução das políticas
sociais no Brasil, mais uma vez Lula recordou as críticas
que sofreu o programa Bolsa Família, que concede benefícios
em dinheiro a famílias carentes. "Tivemos uma briga
de meses quando resolvemos criar o Bolsa Família. Houve
muitas polêmicas, gente nossa machucada. Vencemos a primeira
barreira fazendo que prefeituras e Estados, sem perguntar a
que partido pertenciam, se transformassem em parceiros. É por
isso que temos tido um sucesso nas políticas públicas",
observou o presidente.
" Quantas vezes nossas políticas públicas
foram negadas, de forma às vezes mentirosa. No final
do primeiro mandato, descobriram a grande obra: o Bolsa Família
era para ajudar o Lula no segundo mandato. Só quando
descobriram que tinha dado certo é que enveredaram para
o viés político", ironizou Lula.
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Agência
Brasil, 08 de agosto de 2009
Média salarial real do brasileiro
teve aumento de 3,5% em 2008
A média dos rendimentos reais do trabalhador brasileiro subiu entre
2007 e 2008, apesar da crise financeira. De acordo com números do
Relatório Anual de Informações Sociais (Rais), apresentado
nesta qunita-feira pelo ministro do trabalho, Carlos Lupi, o crescimento
da média salarial no ano passado foi de 3,52% acima da inflação.
Em 2007, ano em que a economia brasileira mais cresceu, o aumento da média
salarial foi de 0,68%. Para Lupi, a explicação está na
demissão das pessoas com menor escolaridade e na manutenção
dos empregos de quem tem nível de formação mais alto
- e consequentemente, maiores salários.
O Rais aponta queda no número de empregos nos grupos que incluem
desde os trabalhadores analfabetos até os que têm o ensino
fundamental completo. A partir do ensino médio, contudo, o número
de postos de trabalho volta a apresentar crescimento, que acompanha todas
as faixas de escolaridade até o nível superior completo.
Entre os analfabetos, por exemplo, a quantidade de postos de trabalho diminuiu
3,91%. Já entre os trabalhadores com ensino superior completo, houve
crescimento de 7,37% no número de empregos. "Na crise, eles
preferem sempre quem tem mais instrução, mais formação.
Esse quadro mostra isso claramente", afirmou o ministro. Segundo Lupi,
os trabalhadores devem ficar atentos a essa dinâmica do mercado e
procurar ter o máximo de estudo possível. "É mais
um alerta para que todos continuem estudando. É importante a qualificação",
completou.
O relatório também mostra o quadro do mercado
de trabalho quanto a gênero, raça, faixa etária
e condição física dos trabalhadores. As
mulheres são maioria entre os trabalhadores com escolaridade
superior incompleta e superior completa — existem 3,6
milhões de mulheres formadas trabalhando formalmente,
contra 2,5 milhões de homens. Apesar disso, elas ainda
ganham o equivalente a 82,8% do salário deles.
Deficiência
A diferença salarial é mais marcante quando
se trata dos trabalhadores negros. Eles ganham, em média,
50% menos que os brancos. Na autodeclaração,
62,32% dos trabalhadores se dizem brancos, 27,31% se apresentam
como pardos e 5,26%, como pretos ou negros. A geração
de emprego entre as faixas etárias mais jovens e mais
velhas foi mais alta. As faixas de 16 a 17 anos e de 50 a 64
anos tiveram crescimento nos postos de trabalho de 9,75% e
8,17%, respectivamente.
Lupi observou que o crescimento no emprego para esses dois
pólos da economia já tinha aparecido nos números
do Rais de 2007. "Tanto no Rais de 2007, quanto no do
ano passado, observou-se que essas faixas vêm crescendo
mais. Isso mostra um novo comportamento da economia," disse
o ministro. Apesar disso, essas duas ainda são as faixas
com menos empregados.
O mesmo não se observa quanto ao emprego para trabalhadores
com deficiência. Eles ocupam apenas 1% do mercado de
trabalho, o que demonstra que as empresas não estão
cumprindo a lei que determina que eles devem ocupar de 2% a
5% dos postos de trabalho. Lupi ressaltou que a fiscalização
tem falhado. "A gente não tem capacidade fiscalizar.
Possuo apenas três mil fiscais em todo o Brasil",
reconheceu.
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Gazeta
do Povo, 08 de agosto de 2009
Senado
Conselho de Ética termina
de assar a pizza
Paulo Duque decidiu arquivar mais sete
acusações contra José Sarney
BRASÍLIA - O presidente do Conselho de Ética
do Senado, Paulo Duque (PMDB-RJ), arquivou ontem mais sete
acusações contra o presidente da Casa, José Sarney
(PMDB-AP), acusado por tráfico de influência,
ocultação de informações à Justiça
Eleitoral e responsabilidade pelos atos secretos.
As representações e denúncias contra
o peemedebista foram apresentadas pelo PSDB,
PSol e pelos senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Cristovam
Buarque (PDT-DF).
Como não teve reunião do conselho ontem, Duque
encaminhou à Secretaria da Mesa do Senado sua decisão
por escrito, porque o prazo para análise das acusações
terminava nesta sexta-feira.
Em duas representações, o PSDB pedia que o conselho
investigasse Sarney por supostamente favorecer a nomeação
de parentes por meio de atos secretos na Casa, além
da acusação de que teria beneficiado a empresa
de seu neto, que operava empréstimos consignados na
Casa.
Numa terceira representação encaminhada ao conselho,
o PSDB também pedia que o colegiado investigasse suspeitas
de desvio de recursos públicos da Fundação
José Sarney, no Maranhão, da qual o senador é presidente
vitalício. No mesmo texto, os tucanos pediam que o conselho
investigasse se Sarney mentiu ao afirmar que não possui
responsabilidade administrativa sobre a fundação.
O PSol, por sua vez, pedia em uma quarta representação
que o conselho apurasse as denúncias de que Sarney teria
omitido da Justiça a posse de um imóvel no valor
de R$ 4 milhões. O partido também acusa o peemedebista
de manter conta secreta no exterior, e ainda pede investigações
sobre os supostos desvios na Fundação Sarney.
Além das quatro representações, Duque
apresentou sua decisão sobre três denúncias
encaminhadas ao conselho – duas assinadas por Virgílio
e Cristovam, e outra de autoria apenas do líder do PSDB
no Senado. O tucano acusa Sarney, na denúncia, de negociar
a contratação do ex-namorado de sua neta na Casa.
Na denúncia assinada pelos dois senadores, eles pediam
a investigação da denúncia de que Sarney
teria vendido terras não registradas em seu nome para
escapar do pagamento de impostos sobre as propriedades.
Na outra denúncia, Cristovam e Virgílio pediam
explicações sobre a acusação de
que Sarney teria sido beneficiado pela Polícia Federal
com informações privilegiadas sobre o inquérito
que investiga o seu filho, Fernando Sarney.
Engavetamento
Apesar de a oposição argumentar que há elementos
que justifiquem a abertura de processos contra Sarney, Duque
arquivou sumariamente todas as denúncias e representações
sustentando que todas foram baseadas em notícias de
jornais.
O presidente do Conselho de Ética usou a mesma justificativa
para arquivar, esta semana, outras quatro acusações
contra Sarney.
Duque nega que tenha agido sob a orientação
do PMDB para blindar Sarney no conselho. O senador afirmou
que o Supremo Tribunal Federal (STF) já emitiu jurisprudência
que proíbe a abertura de processos com base em notícias
veiculadas pela imprensa, mas a oposição acusa
o peemedebista de reproduzir a orientação do
partido.
Pelo regimento do conselho, Duque tem a prerrogativa de arquivar
sumariamente as representações e denúncias
se avaliar que não há motivos para as investigações.
A decisão, no entanto, permite recurso. A oposição
tem até segunda-feira para apresentar o recurso ao plenário
do conselho, que terá que decidir conjuntamente sobre
o possível arquivamento dos processos contra Sarney.
Como os governistas têm 10 das 15 cadeiras no Conselho
de Ética, a expectativa é que todas as acusações
contra o presidente do Senado sejam efetivamente arquivadas.
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Gazeta do Povo, 08 de agosto de 2009
Veja quais são as acusações
contra Sarney
Representações
Atos secretos - O PSol cobra a responsabilização
de Sarney pela edição dos atos secretos no Senado.
Crédito consignado - Tucanos pedem investigações
sobre supostas irregularidades em operações de crédito
consignado para servidores do Senado. José Adriano Cordeiro
Sarney, neto de Sarney, estaria envolvido.
Fundação José Sarney - PSDB
cobra apuração do repasse de R$ 1,3 milhão em
patrocínio da Petrobras para a Fundação José Sarney.
Nomeação - O PSDB pede esclarecimentos
sobre o pedido de nomeação do namorado de uma neta do
peemedebista, flagrado em escutas telefônicas da PF.
Mansão - PSol quer apuração
sobre uma suposta mansão de R$ 4 milhões em Brasília.
Imóvel seria de Sarney, mas não teria sido declarado à Justiça
Eleitoral.
Denúncias
Neto favorecido - O senador tucano
Arthur Virgílio (AM) pede investigação sobre o
favorecimento da empresa do neto de Sarney para operar crédito
consignado para servidores do Senado.
Petrobras - Virgílio denuncia José Sarney
e cobra investigação sobre recursos da Petrobras destinados à Fundação
José Sarney.
Ligação - O senador tucano quer apuração
do relacionamento do presidente do Senado com a Fundação
José Sarney.
Nomeação - Arthur Virgílio cobra
investigação da nomeação de parentes de
Sarney para cargos no Senado.
Informações privilegiadas - Virgílio
e Cristovam Buarque (PDT-DF) pedem apuração sobre assessor
de José Sarney que é suspeito de repassar informações
privilegiadas para Fernando Sarney.
Terras - Os dois senadores querem investigação
sobre uma transação de terras que Sarney não
teria declarado à Justiça Eleitoral.
Duque manda arquivar ação
contra ele
Brasília - Agência Estado
Além de pedir o arquivamento de todas as ações
contra o presidente do Senado, José Sarney, que foram registradas
no Conselho de Ética, o senador Paulo Duque também pediu
ontem que seja engavetada uma ação contra ele mesmo.
A ação – chamada regimentalmente de arguição
de suspeição –, apresentada pelo PSol, questionava
a isenção de Paulo Duque na condução das
ações contra José Sarney.
Na representação, o PSol alega que Paulo Duque desrespeitou
o partido, dizendo que ele era “pequeno, que ainda não
existe”. A legenda também critica a declaração
feita por Paulo Duque à imprensa de que a edição
de atos secretos no Senado era “uma bobagem”.
Duque, entretanto, usou da prerrogativa de presidente do Conselho
de Ética e pediu o arquivamento sumário da ação,
sem levar a decisão para conhecimento dos demais conselheiros.
No seu despacho, o senador peemedebista cita um artigo do Código
Penal no qual é prevista a suspeição de um juiz
apenas se o mesmo tiver relações de amizade íntima
ou inimizade com as pessoas envolvidas no processo.
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Gazeta
do Povo, 08 de agosto de 2009
Trabalho
Após tombo, emprego da indústria
ensaia recuperação
Fechamento de vagas foi menor na passagem
de maio para junho. Ainda assim, as demissões do setor
produtivo foram as maiores dos últimos 7 anos
Rio de Janeiro - O emprego industrial fechou o primeiro semestre
de 2009 com queda de 5,1% em relação ao mesmo
período do ano passado – a maior da série
histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), iniciada em 2002. O recuo de 0,1% entre maio e junho,
porém, foi o menor em oito meses. Para analistas, pode
ser um sinal de que as demissões no setor estejam chegando
ao fim.
A economista Denise Cordovil, da coordenação
de indústria do IBGE, afirma que o resultado de junho
reflete a recuperação da atividade industrial,
que há seis meses apresenta crescimento sob impacto
da desoneração tributária, do consumo
doméstico aquecido e de uma pequena melhora nas exportações.
Em junho, segundo informações divulgadas pelo
IBGE na segunda-feira, a alta na produção foi
de 0,2%.
Denise destaca ainda que o número de horas pagas pelo
setor também cresceu no período, o que é outro
fator positivo revelado pela pesquisa apresentada ontem. “Quando
o ambiente está mais favorável, os empresários
primeiro começam a pagar horas extras para depois efetuarem
contratações”, diz ela. O crescimento das
horas pagas, de 0,5% em junho, interrompeu uma trajetória
de oito meses de queda.
Na avaliação do Instituto de Estudos para o
Desenvolvimento Industrial (Iedi), o resultado abre a perspectiva
de aumento do emprego industrial no segundo semestre. “Isso
não significa dizer que veremos, ainda neste ano, um
forte crescimento do emprego na indústria capaz de reverter
os impactos negativos da crise internacional”, afirma
o instituto em relatório.
Na comparação com junho do ano passado, quando
a indústria ainda vivia um período de expansão,
tiveram redução tanto o nível de emprego
(6,6%) como o número de horas pagas (6,9%) e a folha
de pagamento real (2%).
No caso do pessoal ocupado, as maiores quedas ocorreram na
indústria de meios de transporte (-11,6%), máquinas
e equipamentos (-10,6%), produtos de metal (-11,2%) e calçados
e artigos de couro (-11,7%). São Paulo (-4,6%) e Minas
Gerais (-11%), que juntos respondem por 47% da ocupação
na indústria, foram os estados mais afetados.
Para a analista Ariadne Vitoriano, da Tendências
Consultoria, o processo de recuperação da atividade
econômica deve ter continuidade. “Há indícios
de que o ajuste de estoques já se esgotou”, diz.
Ela destaca, porém, que a recuperação
da folha de pagamento deve ser mais lenta. “A renda sempre
responde com defasagem maior ao cenário da atividade.
A reversão, nesse caso, deve acontecer mais para o final
do ano.”
O economista José Marcio Camargo, da Opus Gestão
de Recursos e professor da Pontifícia Universidade Católica
do Rio de Janeiro (PUC-Rio), diz que apesar de fraco, o emprego
industrial pode esboçar uma recuperação
nos próximos meses. “O sintoma é que a
queda está perdendo intensidade”, afirma.
Demanda cresce e CSN contrata 700
pessoas
Agência Estado
Rio de Janeiro - Os sinais de reaquecimento na demanda por
produtos siderúrgicos levaram a Companhia Siderúrgica
Nacional (CSN) a contratar 700 pessoas e outras 200 vagas devem
ser abertas até outubro. A informação
foi dada ontem pelo diretor comercial da empresa, Luís
Fernando Martinez, que traçou um cenário favorável
para a recuperação do setor no segundo semestre.
A CSN chegou a demitir cerca de mil trabalhadores entre o
final do ano passado e início de 2009 para se ajustar
ao cenário de forte retração na demanda
mundial por produtos siderúrgicos após o agravamento
da crise financeira. Em julho, a empresa começou a recontratar
trabalhadores. Ao todo, 411 já voltaram à usina
de Volta Redonda.
Segundo Martinez, a CSN já voltou a trabalhar a plena
capacidade com a entrada em operação em junho
do alto-forno 2, parado para reforma entre maio e abril. Apesar
das dúvidas em torno da manutenção pelo
governo da isenção ou redução do
IPI, o executivo acredita que a demanda deve continuar forte
no segmento automobilístico e de linha branca. “Estamos
em uma situação privilegiada”, afirmou
o diretor ao explicar que, com a volta do alto-forno 2, a empresa
poderá aproveitar essa recuperação do
mercado interno.
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Gazeta
do Povo, 08 de agosto de 2009
Codefat
Disputa preocupa empresários
A disputa política em que se transformou a troca de
comando do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador
(Codefat) deixou em alerta empresários e trabalhadores
devido à situação financeira delicada
do FAT. A Ação Empresarial afirma, em nota em
que expressou apoio às quatro confederações
patronais que deixaram o conselho, que o caixa do fundo deve
fechar este ano com déficit operacional de R$ 3,7 bilhões,
o primeiro de sua história.
A briga política começou porque o ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, apoiou a eleição do empresário Luigi
Nese para a presidência do Codefat, rompendo acordo de rodízio
no posto.
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Conjur,
08 de agosto de 2009
Controle eletrônico
Repassar senha pessoal de computador
dá demissão
A demissão de servidor que cede sua senha pessoal a terceiro com
o objetivo de burlar o controle eletrônico de ponto não é desproporcional
nem irrazoável. A conclusão é da Corte Especial do
Superior Tribunal de Justiça, que manteve a sanção
imposta a técnico judiciário do próprio tribunal.
A Defensoria Pública da União (DPU) sustentou
que o processo administrativo seria nulo em razão da presença
de servidores não estáveis na comissão de
sindicância, da falta de diligência do procedimento,
da presença de testemunhos questionáveis e na falta
de conhecimento pelo colegiado administrativo do teor do voto
do relator originário.
Alegou, ainda, que a chefia do servidor avaliava seu desempenho
de forma positiva quanto ao zelo na manutenção
do sigilo das informações a que tinha acesso. Já o
Ministério Público Federal opinou pela substituição
da pena de demissão pela de suspensão por 30 dias,
já que a senha não permitiria o acesso a dados
sigilosos.
O ministro João Otávio de Noronha apoiou o parecer
parcialmente para afastar as alegações da DPU.
O parecer registra que não há prova, nem houve
questionamento durante o processo disciplinar, de que os membros
da comissão de sindicância seriam ocupantes única
e exclusivamente de cargos em comissão, o que seria vedado
pela ausência do requisito da estabilidade.
Tampouco haveria prova, afirma o MPF, de que os ministros integrantes
do Conselho de Administração do STJ não
teriam tomado conhecimento do voto do relator — mais favorável
ao ex-servidor. Conforme o MPF, além de dois pedidos de
vista sucessivos, a matéria foi discutida por ao menos
três sessões distintas, não podendo, por
isso, alegar-se desconhecimento dos fatos e votos.
Quanto às testemunhas, o MPF também afirma que
eventual inimizade ou suspeição não foram,
em nenhum momento, alegadas pela defesa, que acompanhou a tomada
de todos os depoimentos, nem mesmo contraditadas. Além
disso, afirma ainda o parecer, que a comissão processante
se baseou em outras provas, técnicas, como o controle
de ponto e de catracas, para formar sua convicção.
O relator acrescentou que, em relação ao excesso
na pena aplicada, ele não existiria. O ministro Noronha
afirmou que a pena proposta pelo MPF — suspensão
de 30 dias — seria cabível ao servidor que, após
ingressar no tribunal e registrar no ponto eletrônico sua
entrada, se ausentasse, deixando de trabalhar as horas lançadas.
Mas, no caso, a situação fora mais grave: o repasse
a terceiros da senha que dá acesso ao sistema eletrônico
expõe a riscos as informações do tribunal,
atualmente armazenadas, em sua maioria, em meios digitais.
Assim, o ministro destacou que cabe demissão pelo fato
de o fato amoldar-se perfeitamente ao estabelecido nas disposições
do artigo 132, IX, da Lei 8.112/90 ( que institui o regime jurídico
dos servidores civis da União, Autarquias e Fundações
Públicas Federais)
Como esse dispositivo prevê de forma específica
a pena de demissão e dispensa a comprovação
de dano efetivo — não importaria a amplitude do
acesso ao sistema garantida pela senha ou o efetivo acesso a
dados sigilosos —, não seria possível a aplicação
do princípio da proporcionalidade. “O princípio
da proporcionalidade serve para dosar a pena a ser aplicada,
mas não para descaracterizar o tipo a que os fatos se
subsumem”, concluiu o relator. Com informações
da Assessoria de Imprensa do Superior Tribunal de Justiça.
MS 13.677
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Folha
de S.Paulo, 08 de agosto de 2009
Empresas veem novo monopólio
no pré-sal
Petrolíferas estrangeiras se reúnem
no Rio para analisar propostas de exploração e criticam
privilégios à Petrobras
Para elas, planos do governo afastarão
os investidores externos e apontam para volta do monopólio
extinto pelo governo FHC em 1997
VALDO CRUZ
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em reunião emergencial, representantes de petrolíferas
estrangeiras avaliaram que o governo Lula quer criar uma nova
versão do monopólio do petróleo no país,
segundo as propostas de mudança na legislação
do setor divulgadas até o momento. As principais críticas
das empresas se concentram na decisão tomada pelo governo
nessa reta final dos estudos -de tornar a Petrobras a operadora única
e exclusiva de todos os campos do pré-sal.
A Folha falou com dois participantes da reunião ocorrida anteontem,
que aceitaram conversar sob a condição de não serem
identificados. Um deles disse que fazer da estatal a operadora única
dos campos é o mesmo que "criar uma nova versão petista
do monopólio" no Brasil. Os representantes das petrolíferas
criticam ainda a ideia de entregar todos os campos mais rentáveis
do pré-sal diretamente à Petrobras, sem licitação.
" Nesse caso, é praticamente a volta completa do monopólio
do setor, o que vai desestimular o investimento no Brasil", afirmou um dos
participantes da reunião. O encontro contou com a presença de empresas
estrangeiras como Exxon, Chevron, Shell, Repsol, BG e Devon, além de brasileiras
como a mineradora Vale.
A Petrobras, maior beneficiária das novas regras, não estava
presente no encontro. Foi realizada na sede do IBP (Instituto Brasileiro
de Petróleo e Gás), no Rio, em caráter extraordinário
e emergencial da comissão de exploração e produção
do órgão. Oficialmente, o IBP não quis falar do
encontro, limitando-se a dizer que não comenta a posição
específica de seus integrantes e que está à disposição
do governo para contribuir nas discussões do novo modelo.
Segundo a Folha apurou, as empresas defendem que a proposta de nova Lei
do Petróleo seja colocada em consulta pública antes de
ser enviada ao Congresso. Um dos participantes lembrou que o governo
já fez isso em outras ocasiões e deveria repetir o mecanismo.
O monopólio do petróleo no Brasil foi quebrado no governo
FHC, quando foi aprovada emenda constitucional tirando do Estado a exclusividade
da pesquisa, da prospecção e do refino do produto -exercida
até então pela Petrobras. Em 1997, com a aprovação
da Lei do Petróleo, foi oficializada a permissão para que
empresas privadas estrangeiras e nacionais entrarem no setor.
Simples investidores
Agora, segundo as petrolíferas com atuação no Brasil,
o governo Lula quer "praticamente voltar com o monopólio" e
transformar as empresas em "simples investidores". Isso, segundo
elas, não é o melhor caminho e pode desestimular o investimento
no setor.
No jargão do petróleo, a operadora de um campo é a
empresa que faz o projeto, aluga os equipamentos, fura os poços
e retira o petróleo. Os demais sócios entram com dinheiro
e dividem os lucros, não participando diretamente da exploração
do óleo e do gás.
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) já vinha se antecipando
a futuras críticas, dizendo que o importante é que as empresas
possam ter acesso às reservas, mesmo sem operar, para contabilizar
a sua parte do óleo nos balanços e aumentar o valor do
patrimônio.
As petrolíferas não concordam com esse argumento. Dizem
que as empresas não querem ficar "reféns" de
uma única operadora no Brasil. O ideal, segundo elas, é que
mais empresas operem os campos do pré-sal no Brasil, para aumentar
a concorrência e baixar custos.
Além disso, destacam a questão tecnológica. Eles
reconhecem que a Petrobras detém tecnologia sofisticada e avançada
para explorar o pré-sal, mas outras petrolíferas estrangeiras
também dispõem de suas tecnologias e gostariam de desenvolvê-las
ainda mais na exploração dessas reservas.
Na opinião de um dos participantes da reunião do Rio, o
novo modelo revela "o pensamento estatizante" de parte do governo
Lula. Ele não quis dizer a quem se referia. As empresas querem
evitar expor publicamente suas críticas, já que desejam
participar das negociações, pelo menos no Congresso, onde
as novas regras terão de ser aprovadas.
O próprio governo, durante suas reuniões para discutir
o tema, já havia manifestado preocupação com as
críticas de que o presidente Lula vai criar uma nova versão
de monopólio do petróleo no país. Assessores de
Lula chegaram a dizer que o setor privado poderia criticá-los
por inventar o "monopólio 2.0", uma versão modificada
da que vigorou no Brasil entre os anos de 1953 e 1997.
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