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Valor Econômico, 12 de
agosto de 2009
Reajuste salarial deve ser maior
no 2º semestre, avalia Dieese
"Existe cenário melhor
para negociação salarial no 2º semestre do que houve
no 1º", afirma coordenador de Relações Sindicais
do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), José Silvestre Prado de Oliveira
As categorias profissionais que
têm data-base no segundo semestre poderão obter ganhos mais
expressivos do que as que fizeram as negociações salariais
na primeira metade do ano.
A recuperação mais
expressiva da economia e a inflação mais baixa propiciam
um cenário mais favorável à negociação
de reajustes salariais acima da inflação.
"Existe um cenário
melhor para a negociação salarial no segundo semestre do
que houve no primeiro", afirma o coordenador de Relações
Sindicais do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese), José Silvestre Prado de Oliveira.
De acordo com levantamento do
Dieese, 78% dos acordos salariais realizados entre janeiro e maio foram
fechados com ganhos acima da inflação, diante de 77% do
total em 2008.
O percentual de negociações
com reajuste inferior à inflação foi de 4%, ante
11% no ano passado.
Oliveira associa a melhora das
negociações à inflação mais baixa
que no ano passado (4,57% nos 12 meses até junho ante 7,28% em
igual intervalo encerrado em junho de 2008) e aos sinais claros de recuperação
da economia brasileira, sobretudo na produção industrial.
"A redução
do IPI para veículos e eletrodomésticos de linha branca
fez com que esses segmentos voltassem a produzir em patamares muito próximos
aos do ano passado. E há um consenso de que o pior da crise já passou.
Por isso, as negociações devem ser mais tranquilas que
no ano passado, quando ainda não se sabia o quanto a crise iria
afetar a economia brasileira", avalia.
Exportações
Para Oliveira, apenas os setores voltados à exportação
devem demorar mais a fechar os acordos de reajuste salarial.
O economista-chefe da MB Associados,
Sérgio Vale, observa que o setor industrial foi o mais afetado
pela crise econômica, com queda de 13,4% na produção
e de 5,1% no emprego no primeiro semestre.
"A produtividade já voltou
a subir, mas o custo unitário do trabalho caiu pouco. O ajuste
na indústria talvez não tenha acabado e por isso pode ser
mais difícil obter reajuste com ganho real no segundo semestre",
afirma Vale, que espera reajustes acima da inflação para
categorias do comércio e da área de serviços.
Expansão
da renda
Apesar do quadro menos favorável para os trabalhadores da indústria,
o economista projeta para o ano expansão da renda real em 2,3%, com
elevação de 0,4% no total da população ocupada
e incremento de 1,8% na massa real de salários.
No primeiro semestre, segundo
Vale, o reajuste de 12,05% do salário mínimo (com ganho
real de 5,7% ante 4% no ano passado) e as negociações dos
sindicatos com ganhos acima da inflação ajudaram a sustentar
a economia doméstica.
Para o segundo semestre, ele
prevê incremento da massa real de rendimentos com o reajuste de
10% do Bolsa Família e das categorias do funcionalismo público
- que juntos injetarão na economia R$ 19,1 bilhões no ano,
além dos R$ 8,6 bilhões vindos do reajuste do mínimo.
Dessa forma, o aumento na massa
real chegará a R$ 27,2 bilhões, número não
tão distante dos R$ 30 bilhões injetados na economia no
ano passado.
"Amortecedores"
" Já havia uma expectativa de que o rendimento iria desacelerar,
mas alguns "amortecedores" mitigaram esse processo", avalia o
economista da LCA Consultores Fábio Romão, que projeta crescimento
de 3,1% na massa de rendimentos, após 6,1% no ano passado, com expansão
de 1,9% no rendimento real do trabalho (ante 2,8% no ano passado) e de 1,2% no
total de ocupados (em 2008 a alta foi de 3,3%).
Incluindo a Previdência,
a expansão será de 3,8%, ante alta de 5,4% em 2008, com
expansão de 2% na renda e de 1,7% no estoque de pessoas. Romão
cita como "amortecedores" o ganho real do salário mínimo
superior ao do ano passado (que possibilitou o avanço nos ganhos
da Previdência) e a inflação mais baixa.
O economista observa que, nos
12 meses até outubro de 2008, o INPC acumulava alta de 7,3%. Nos
12 meses até junho, a inflação acumulada foi de
4,5%.
De acordo com os dados do Dieese,
no período de janeiro a maio, 41% dos acordos tiveram ganho de
até 1 ponto percentual acima da inflação, diante
de 33% no mesmo período do ano passado.
Os sindicatos que têm data-base
no segundo semestre pretendem obter ganhos mais expressivos. Alguns acordos
já foram fechados com ganho real próximo a 1,5%.
O Sindicato dos Padeiros de São
Paulo, que representa 50 mil trabalhadores da região, negociou
o reajuste de 6,2%, com ganho real de 1,63 ponto percentual para a categoria.
"Fechar acordos é sempre
difícil porque o setor é muito pulverizado. Mas a crise
não trouxe impacto sobre o setor, o que permitiu que a categoria
fechasse o acordo com ganho superior a 1,5%", afirma o presidente
do sindicato, Francisco Pereira dos Santos.
Acima
da inflação
O Sindicato das Costureiras de Osasco também fechou acordo com ganho
acima da inflação. O reajuste acertado foi de 6,5%, com ganho
real de 1,56 ponto acima da inflação.
Para o piso, o aumento foi de
7%, com aumento real de 2,06 ponto percentual sobre a inflação
de 4,94% apurada em 12 meses até julho.
No fim de julho, o Sindicato
dos Trabalhadores Energéticos do estado de São Paulo (Sinergia-CUT)
fechou acordo salarial para os funcionários da CPFL, que prevê reajuste
de 6,4% e ganho real de 1,46 ponto percentual.
Até quarta-feira, fecha
acordo semelhante para os trabalhadores da Elektro.
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Agência Brasil, 12
de agosto de 2009
Média salarial real do brasileiro
teve aumento de 3,5% em 2008
A média dos rendimentos
reais do trabalhador brasileiro subiu entre 2007 e 2008, apesar da crise
financeira. De acordo com números do Relatório Anual de
Informações Sociais (Rais), apresentado nesta qunita-feira
pelo ministro do trabalho, Carlos Lupi, o crescimento da média
salarial no ano passado foi de 3,52% acima da inflação.
Em 2007, ano em que a economia
brasileira mais cresceu, o aumento da média salarial foi de 0,68%.
Para Lupi, a explicação está na demissão
das pessoas com menor escolaridade e na manutenção dos
empregos de quem tem nível de formação mais alto
- e consequentemente, maiores salários.
O Rais aponta queda no número
de empregos nos grupos que incluem desde os trabalhadores analfabetos
até os que têm o ensino fundamental completo. A partir do
ensino médio, contudo, o número de postos de trabalho volta
a apresentar crescimento, que acompanha todas as faixas de escolaridade
até o nível superior completo.
Entre os analfabetos, por exemplo,
a quantidade de postos de trabalho diminuiu 3,91%. Já entre os
trabalhadores com ensino superior completo, houve crescimento de 7,37%
no número de empregos. "Na crise, eles preferem sempre quem
tem mais instrução, mais formação. Esse quadro
mostra isso claramente", afirmou o ministro. Segundo Lupi, os trabalhadores
devem ficar atentos a essa dinâmica do mercado e procurar ter o
máximo de estudo possível. "É mais um alerta
para que todos continuem estudando. É importante a qualificação",
completou.
O relatório também
mostra o quadro do mercado de trabalho quanto a gênero, raça,
faixa etária e condição física dos trabalhadores.
As mulheres são maioria entre os trabalhadores com escolaridade
superior incompleta e superior completa — existem 3,6 milhões
de mulheres formadas trabalhando formalmente, contra 2,5 milhões
de homens. Apesar disso, elas ainda ganham o equivalente a 82,8% do salário
deles.
Deficiência
A diferença salarial é mais
marcante quando se trata dos trabalhadores negros. Eles ganham, em média,
50% menos que os brancos. Na autodeclaração, 62,32% dos
trabalhadores se dizem brancos, 27,31% se apresentam como pardos e 5,26%,
como pretos ou negros. A geração de emprego entre as faixas
etárias mais jovens e mais velhas foi mais alta. As faixas de
16 a 17 anos e de 50 a 64 anos tiveram crescimento nos postos de trabalho
de 9,75% e 8,17%, respectivamente.
Lupi observou que o crescimento
no emprego para esses dois pólos da economia já tinha aparecido
nos números do Rais de 2007. "Tanto no Rais de 2007, quanto
no do ano passado, observou-se que essas faixas vêm crescendo mais.
Isso mostra um novo comportamento da economia," disse o ministro.
Apesar disso, essas duas ainda são as faixas com menos empregados.
O mesmo não se observa
quanto ao emprego para trabalhadores com deficiência. Eles ocupam
apenas 1% do mercado de trabalho, o que demonstra que as empresas não
estão cumprindo a lei que determina que eles devem ocupar de 2%
a 5% dos postos de trabalho. Lupi ressaltou que a fiscalização
tem falhado. "A gente não tem capacidade fiscalizar. Possuo
apenas três mil fiscais em todo o Brasil", reconheceu.
A informação é da
Agência Brasil
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FOLHA DE LONDRINA, 12 de
agosto de 2009 | Economia
Oferta de empregos sinaliza fim da
crise
Indústria começa a contratar
focada na produção para o Natal; ano pode fechar com
5 mil vagas na RMC
Curitiba - A crise financeira começa a dar os primeiros sinais de enfraquecimento
com o início das contratações na indústria. O setor
deve criar novas vagas no segundo semestre. Isso porque há uma concentração
da produção entre os meses de julho e outubro com foco no Natal.
Os segmentos que mais devem abrir postos de trabalho são o automotivo,
a construção civil e a de bens duráveis como máquinas
e equipamentos.
O supervisor técnico do
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), Cid Cordeiro, estima a criação de cerca de 5
mil vagas em 2009, garantido que o ano feche com saldo positivo, mas
em patamar bem abaixo do ano passado. Em 2008, a indústria gerou
21.797 empregos. ''Se ficar nisso, é um bom patamar'', afirmou
ele. O setores apontados com prováveis geradores de vagas, na
avaliação do técnico do Dieese, estão sendo
privilegiados com financiamentos e redução do Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI).
Na semana passada, a montadora
Renault, localizada em São José dos Pinhais, na Região
Metropolitana de Curitiba, por exemplo, anunciou a contratação
de 600 novos funcionários. Segundo o presidente do Sindicato dos
Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka, o bom momento
do setor é refletido nas horas extras que os metalúrgicos
começaram a fazer e nas novas contratações. ''A
Volkswagen comprou todos os sábados dos trabalhadores até o
final de novembro'', destacou o sindicalista.
Os fornecedores das montadoras
e o setor metalmecânico tiveram diminuição das demissões
depois de cortar 5.550 funcionários em Curitiba e Região
Metropolitana desde o início da crise em setembro do ano passado.
''No primeiro semestre deste ano pararam as demissões'', disse
o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas,
Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Paraná (Sindimetal),
Roberto Karam.
Para o segundo semestre, ele
prevê estabilização na produção e nos
empregos, mas acredita em uma retomada mais consistente a partir de março
de 2010. A sua estimativa é que o setor gere 2 mil empregos neste
ano em Curitiba e Região. Segundo Karam, a retomada também
está muito entrelaçada com a recuperação
dos países da chamada ''Zona do Euro'', dos Estados Unidos e do
Japão.
Dados do Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
mostram que no primeiro semestre deste ano a indústria do Paraná abriu
5.281 vagas, o que representou um crescimento de 0,88%. Estes números
ainda estão abaixo do mesmo período do ano passado quando
foram criados 38.689 empregos na indústria com elevação
do nível de emprego de +6,80% . No entanto, ele comemora o indicador
positivo de 2009.
No primeiro semestre, o setor
industrial que mais contratou foi alimentação e bebidas
com 12 mil vagas. As demissões ocorreram principalmente nos segmentos
de madeira e mobiliário (-2.427 vagas), material de transporte
(-1.652 vagas), metalúrgica (-990 vagas), material eletroeletrônico
(-866 vagas) e mecânica (-658 vagas).
No ano passado, foram geradas
um total de 110.903 empregos no Paraná em todos os setores. No
primeiro semestre de 2009 foram 40.511 vagas e o ano deve fechar com
40 mil a 50 mil novos postos de trabalho, segundo previsão do
Dieese.
Os setores que mais contrataram
no primeiro semestre do ano foram serviços com crescimento de
2,77% e 20.762 vagas, construção civil com elevação
de 4,63% e 5.019 vagas, agricultura com percentual de 3,16% e 3.717 vagas
e o comércio que teve um aumento do nível de emprego de
0,86% com a geração de 4.333 postos. ''Para um cenário
de crise, o Paraná está com bom desempenho'', disse Cordeiro.
Otimismo
Cerca de 23,2% das 1.115 indústrias
consultadas pela Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação
da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em julho pretende
ampliar as contratações até setembro, enquanto 15,3%
delas planejam demitir. Em dezembro, no auge da crise, a situação
era inversa: 32,5% planejavam cortes e 15,5%, contratações.
ENTENDA O ECONOMÊS
Bens duráveis - Categoria
de bens que têm utilidade durante um grande período de tempo,
abrangendo, portanto, os bens de consumo duráveis e os bens de
capital. As indústrias que produzem bens duráveis são
muito mais afetadas pelas crises econômicas do que as que se dedicam
aos bens não-duráveis. Sua expansão é de
tal modo condicionada pela expansão do consumo – conforme
princípio da aceleração – que qualquer queda
ou simples nivelamento na procura dos bens não-duráveis
implica violenta queda na produção de bens de capital e
de bens de consumo duráveis.
Andréa Bertoldi
Equipe da Folha
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O ESTADO DO PARANÁ,
12 de agosto de 2009 | Economia
Burocracia agrava déficit habitacional
no Brasil
Agência Estado
Não é falta de programas e o orçamento escasso que impedem
uma redução mais significativa do déficit habitacional,
que chega a sete milhões de moradias no Brasil. Programas e dinheiro,
mesmo que insuficientes, existem. O problema é que os governos federal,
estadual e municipal não conseguem fugir da burocracia - como falta
de terrenos e de projetos - para liberar com maior agilidade os recursos disponíveis.
Para contornar a situação,
o presidente Lula lançou, recentemente, o programa "Minha
Casa, Minha Vida". A ideia é construir um milhão de
casas e o subsídio do governo vai variar conforme a renda. Atualmente,
quatro fundos financiam a habitação para a baixa renda.
São eles: Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS),
Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS),
Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) e o Fundo de Desenvolvimento
Social (FDS). Levantamento mostra que o FNHIS e FAR fecharam 2008 sem
liberar grande parte do orçamento previsto - o que se mantém
neste ano. Por outro lado, o FGTS funciona a todo o vapor, porque é o
mutuário quem solicita a liberação de recursos.
No FNHIS, o orçamento
para 2007 e 2008 era de R$ 1,952 bilhão, porém, apenas
R$ 405,477 milhões foram contratados. No Programa de Arrendamento
Residencial (PAR), que é financiado pelo FAR, de R$ 1 bilhão
previstos no orçamento deste ano, apenas R$ 300 milhões
foram liberados. A secretária nacional de Habitação
do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, afirmou
que o PAR terá de passar por reformulações para
deslanchar. Parte dos recursos será direcionado ao "Minha
Casa", que opera de maneira parecida. "Talvez tenhamos que
focar o PAR na recuperação dos grandes centros', explicou
Inês.
Para o presidente da Câmara
Brasileira da Indústria da Construção (CBIC),
Paulo Safady Simão, o funcionamento de programas como o FNHIS
esbarra na burocracia dos governos. Na avaliação dele,
o grande mérito do "Minha Casa" é a dependência
de 100% do setor privado. "Mas os outros programas continuarão
sendo tocados", disse. As informações são
do jornal O Estado de S. Paulo.
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Agência Diap, 12 de agosto
de 2009
País reduziu pobreza e desigualdade
mesmo durante a crise, diz Ipea
O Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) apresentou na última terça-feira (4), o
Comunicado da Presidência 25, Desigualdade e Pobreza no Brasil
Metropolitano Durante a Crise Internacional: Primeiros Resultados.
O estudo revela que, ao contrário
de outros períodos de grave manifestação de crise
econômica no Brasil (1982-1983, 1989-1990 e 1998-1999), que causaram
mais pobreza nas regiões metropolitanas, desta vez houve diminuição
do empobrecimento no país desde o último trimestre de 2008.
A melhora é considerada
histórica.
O Comunicado da Presidência
foi divulgado às 14h, na sede do Ipea (SBS, Q. 1, Ed. BNDES),
pelo presidente do Instituto, Marcio Pochmann.
Houve transmissão on-line
pelo site www.ipea.gov.br, e jornalistas interessados em fazer comentários
ou perguntas puderam participar pelo e-mail coletiva@ipea.gov.br.
Em junho, o índice de
Gini alcançou nas seis principais regiões metropolitanas
do Brasil seu menor patamar (0,493), em conformidade com a Pesquisa Mensal
de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
O índice é usado
para medir desigualdade e varia de 0 a 1 (quanto mais próximo
de 1, mais desigual é a sociedade).
As regiões analisadas
foram as de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São
Paulo e Porto Alegre.
Entre dezembro de 2002 (considerado
o mês de mais alta medida de desigualdade no País) e junho
de 2009, o índice caiu 9,5%. Desde janeiro deste ano, a queda
foi de 4,1% - a mais alta desde 2002, quando o IBGE introduziu nova metodologia à PME.
De acordo com o Comunicado da
Presidência, a redução do índice de Gini "pode
estar relacionada tanto à perda de valor real das maiores rendas
do trabalho como à proteção do conjunto dos rendimentos
na base da pirâmide ocupacional nas regiões metropolitanas".
Pochmann mencionou alguns fatos
que explicam essa diminuição da desigualdade no País.
"De um lado, a crise se
manifestou de forma mais concentrada no setor industrial, que geralmente
paga os melhores salários.
De outro lado, temos a proteção
da renda na base da pirâmide social brasileira, com aumento do
salário mínimo e políticas de transferência
de renda previdenciárias e assistenciais", afirmou o presidente
do Ipea.
No entanto, ele acrescentou que
a melhora continua sendo insuficiente.
"Um índice de Gini
acima de 0,4 ainda representaria péssima distribuição
de renda. Há uma tendência de queda, mas ainda estamos longe
de chegar a algo comparável a países mais avançados".
O estudo também destaca
a redução na taxa de pobreza nas regiões metropolitanas
e conclui que a velocidade de queda foi diferente em cada uma: São
Paulo, Salvador e Recife tiveram desempenho pior que Belo Horizonte,
Porto Alegre e Rio de Janeiro.
Entre março de 2002 e
junho de 2009, a taxa de pobreza caiu 26,8% nessas regiões metropolitanas,
passando de 42,5% para 31,1%.
Em termos absolutos, nesse período
de pouco mais de sete anos, 4 milhões de brasileiros deixaram
de ser pobres.
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Agência Câmara
agosto de 2009
Empresários pedem a Temer
para adiar debate da redução de jornada
O presidente da Câmara,
Michel Temer (PMDB/SP) recebeu, nesta terça-feira (11), empresários
de vários setores que pediram o adiamento do debate sobre a Proposta
de Emenda à Constituição (PEC) 231/95.
A proposta, já aprovada
pela comissão especial da Jornada Máxima de Trabalho, reduz
a jornada de 44 para 40 horas semanais sem o correspondente ajuste nos
salários, e aumenta o adicional da hora extra de 50% para 75%
sobre o valor da hora trabalhada.
O debate do tema está previsto
para o dia 18 próximo, em comissão geral do plenário.
Impacto
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
deputado Armando Monteiro (PTB/PE), se disse preocupado com a discussão
do tema neste momento.
"É inoportuno o debate
de uma questão tão delicada em meio a uma crise econômica",
afirmou.
A medida, na avaliação
dele, exige um debate mais cuidadoso, "porque é muito sensível
devido ao forte impacto que gera nos custos, tanto para o comércio
como para a indústria".
Pode haver ainda, acrescentou
o dirigente, consequências negativas para o próprio emprego,
como o estímulo à informalidade, no caso da pequena empresa,
ou um aumento significativo e rápido da substituição
de mão de obra por máquinas e equipamentos.
A PEC 231/95 precisa ser votada
em dois turnos pelo Plenário da Câmara, com 2/3 dos votos
para ser aprovada. O mesmo procedimento será exigido no Senado.
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Folha de S.Paulo, 12 de agosto
de 2009
RETRAÇÃO
PIB russo cai 10,9% no 2º tri e país
entra em recessão
DA REDAÇÃO
A economia russa se contraiu
em 10,9% de abril a junho deste ano em relação ao mesmo
período de 2008, na maior queda em mais de uma década do
PIB do país. Nos primeiros três meses deste ano, o PIB russo
recuou 9,8%. Com isso, o país entrou oficialmente em recessão,
o que não ocorria desde 1999.
A Rússia vem sendo afetada principalmente pela alta dependência
da sua economia de commodities como petróleo, cujos preços despencaram
com a menor demanda global.
A saída dos investidores dos mercados emergentes (a Bolsa russa já subiu
85% neste ano, mas o seu patamar atual é metade do recorde atingido
no ano passado) e os efeitos na economia local do aperto do crédito
global também prejudicaram o resultado do segundo trimestre.
Em relação aos primeiros três meses deste ano, o PIB russo
teve alta de 7,5%.
O presidente Dmitri Medvedev afirmou que a economia russa "desmoronou" com
o colapso nos preços de commodities como petróleo, gás
natural e minerais.
De acordo com ele, o país não pode continuar com essa dependência
e é preciso mudar a estrutura da economia.
Para o economista Chris Weafer, do banco de investimento Uralsib, a queda no
segundo trimestre foi ainda maior que a esperada. Ele afirmou que a economia
deve mostrar sinais de melhora no segundo semestre, mas isso vai ocorrer devido
aos fracos resultados dos primeiros seis meses deste ano, e não porque
ela está realmente se reaquecendo.
O ministro das Finanças, Alexei Kudrin, disse que o PIB russo deve avançar
1% em 2010 e que vai levar de quatro a cinco anos para que o país consiga
retomar o ritmo de crescimento anterior. Nos últimos anos, a economia
vinha se expandindo a uma média superior a 6%.
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Agora, 12 de agosto de 2009
Fim do fator previdenciário
(PL 3.299/08) depende de amplo acordo
Se houver acordo com trabalhadores
e aposentados, a aprovação das mudanças na regra
do fator deverá ocorrer ainda em agosto.
O Governo quer implantar a
regra do fator 85/95.
Por essa regra, para ter direito
ao valor integral do benefício, a soma da idade e do tempo de
contribuição teria que ser 85, para as mulheres, ou 95,
para os homens.
Quem não atingir essa
soma, mas completar o tempo mínimo de contribuição
(35 anos, homem, e 30 anos, mulher), terá o fator previdenciário
aplicado no cálculo, e a perda, de acordo com a idade do segurado,
pode ser de até 40% do benefício.
As centrais e os aposentados
aceitam discutir a regra do 85/95, mas querem alterar a regra do cálculo
da média de contribuições.
Atualmente, essa média
leva em conta as 80% melhores contribuições desde julho
de 2004.
As centrais sindicais admitem
que podem fechar acordo em uma média das 70% melhores contribuições.
"De início, nós
pedimos as 60% melhores contribuições, mas é possível
aceitar outro índice", disse o presidente da Força
Sindical e deputado federal (PDT/SP), Paulo Pereira da Silva.
A central reivindica também
que o Governo limite, em no máximo 20%, a perda do segurado
que completar o tempo mínimo de contribuição,
mas não atingir a soma do fator 85/95.
Para a Cobap, se o Governo
rejeitar a proposta, o caminho será lutar pela extinção
do fator no Congresso.
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Agência Brasil, 12 de
agosto de 2009
Comissão de Justiça
aprova direito de sindicato mover ação civil pública
A Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou, nesta terça-feira
(11), o PL 2.422/07, do deputado Efraim Morais (DEM/PB), que acrescenta
e altera a redação de dispositivos da Lei 7.347/85, com
relação ao cabimento da ação civil pública
para tutela de direitos e interesses transindividuais dos trabalhadores
e especifica normas para o seu processamento na Justiça do Trabalho.
A Lei 7.347/85 disciplina a ação
civil pública de responsabilidade por danos causados ao meio-ambiente,
ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, histórico,
turístico e paisagístico.
Segundo o autor do projeto, o
objetivo é possibilitar a promoção da ação
civil pública pelas entidades sindicais, para a defesa dos direitos
e interesses transindividuais dos trabalhadores.
O parecer do relator, deputado
Regis de Oliveira (PSC/SP), foi pela aprovação com emenda.
A proposta, que tramita em caráter
conclusivo, já havia sido aprovada na Comissão de Trabalho,
agora segue para votação em plenário.
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Agência Senado, 12
de agosto de 2009
Imposto de Renda devido poderá ser
pago em até nove parcelas, sem juros e correção
O contribuinte poderá optar por parcelar o saldo do Imposto de Renda
a pagar em até nove quotas iguais, mensais e sucessivas, sem a incidência
de juros ou correção sobre cada prestação. É o
que prevê projeto (PLS
59/09) de autoria do senador Raimundo Colombo (DEM-SC) aprovado pela Comissão
de Assuntos Econômicos (CAE), nesta terça-feira (11). A legislação
em vigor prevê o parcelamento em até oito vezes, com juros e correção
a depender do valor a ser pago.
Na votação, pelo
placar de 11 votos favoráveis e 4 contrários, foi derrubada
emenda do senador João Tenório (PSDB-AL) que se destinava
a manter os juros e a correção atualmente aplicados. Na
avaliação do senador, a eliminação dos encargos
produziria impacto negativo sobre a arrecadação federal.
Além disso, observou que se tratava de uma questão de isonomia,
já que o governo está sujeito aos mesmos juros na restituição
do imposto pago a maior.
A emenda foi sugerida por João
Tenório no relatório que preparou sobre a matéria,
na função de relator inicialmente designado. No entanto,
como estava ausente, ele foi substituído por Osmar Dias (PDT-PR),
que optou por recomendar a aprovação do texto no mesmo
formato previsto pelo autor. Assim, a emenda foi examinada à parte,
depois que os senadores aprovaram a versão inicial do projeto.
A senadora Ideli Salvatti (PT-SC),
líder do bloco de apoio ao governo, esforçou-se para convencer
os colegas a recepcionarem no texto a emenda de João Tenório.
Para isso, invocou principalmente o argumento da isonomia de tratamento
entre governo e contribuintes.
- A Receita corrige as parcelas
que ela nos deve. Sobre o que nós devemos à Receita, se
iria ser pago em oito vezes e agora será em nove, porque não
haverá correção? Isso não tem cabimento.
Se o que a gente recebe corrigido é, o que a gente paga corrigido
tem que ser - apelou.
O senador Raimundo Colombo observou,
no entanto, que o aumento do número de parcelas não era
o mais importante. Segundo ele, o objetivo principal de seu projeto era
diminuição a prestação do complemento do
imposto depois da declaração anual de ajuste, segundo ele
um sacrifício que recai basicamente sobre os assalariados.
- Não é justo tirar
poder de compra do assalariado, o que prejudica a própria economia
- defendeu.
Como observado pelo autor, hoje
já estão isentos de juros e correção os contribuintes
que tem imposto a pagar no valor de até R$ 1.430,00. A partir
dessa faixa, até R$ 2.150,00, são cobrados juros. Acima
desse valor, há a incidência de juros e correção
sobre as parcelas.
Em seu relatório, João
Tenório argumentou que, por definição, o governo
não cria, mas apenas arrecada e redistribui recursos. Assim, a
hipótese de não-cobrança de juros no parcelamento
significaria subvencionar os que optaram pelo parcelamento com recursos
tomados dos que pagaram em dia, seja ao longo do ano-base, seja em uma única
prestação após a declaração de ajuste
ou mesmo levar o governo a tomar recursos no mercado para cobrir suas
despesas por falta de caixa.
O projeto foi aprovado em decisão
terminativa.
Programação monetária
Na reunião, foram também
aprovadas duas mensagens presidenciais (MSF
51 e 109/2009)
contendo a programação monetária aprovadas pelo
Conselho Monetário Nacional (CMN) para o segundo e terceiro trimestres
deste ano. Conforme o relator, senador Romero Jucá (PMDB-RR),
os documentos foram elaborados considerando o cenário econômico
mundial dos últimos meses, que se caracterizou pela intensificação
dos impactos da crise financeira global. De acordo com o diagnóstico
do Banco Central, nesse ambiente, a trajetória de desaceleração
das atividades econômicas registradas nas principais economias
deverá persistir em 2009.
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Valor Econômico, 12
de agosto de 2009
Bancário quer aumento de
10% e metalúrgico, jornada de 40 horas
Nesta semana, algumas categorias de grande peso avançam nas campanhas
salariais, que têm data-base em setembro.
A Confederação
Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), que representa
os trabalhadores do setor financeiro, negocia com bancos e outras instituições
do setor reajuste de 10%, com ganho real de 5%, entre outros benefícios.
A proposta foi entregue hoje à Federação
Nacional dos Bancos (Fenaban).
Em 2008, o setor obteve reajuste
de 10%, com ganho real de 2,5%.
"Os bancos tiveram lucro
de R$ 7 bilhões e estão com rentabilidade na casa dos 30%.
Na Europa, a rentabilidade não chega a 15%. Além disso
as tarifas cobradas chegam a cobrir duas vezes os gastos com folha de
pessoal. Os bancos passaram ao largo da crise e têm condições
de atender às reivindicações", afirma o presidente
da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.
Na quarta-feira (12), é a
vez do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Osasco.
"A ideia é conseguir
um ganho semelhante ao que foi no ano passado. Também vamos lutar
pela redução da jornada de 44 para 40 horas independente
do projeto ser aprovado no Senado", diz o presidente do sindicato,
Miguel Torres.
Em 2008, os acordos foram negociados
no momento mais crítico da crise.
Devido à dificuldade de
negociar com toda a categoria, os sindicatos de São Paulo e do
ABC optaram por fazer os acordos por empresa. Em novembro, a categoria
metalúrgica concluiu a negociação, com reajuste
de 11,1% e ganho real próximo a 3%.
A Federação dos
Metalúrgicos de São Paulo (FEM-CUT) iniciou no fim de julho
as negociações com o setor patronal, com pedido de reposição
integral da inflação e aumento real de salário.
O pedido foi entregue à Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) no dia 23
de julho.
O presidente da federação,
Valmir Marques (o Biro Biro), acredita que a negociação
será difícil porque as empresas estão com lucro
menor e uma perspectiva de recuperação lenta.
Ele considera, porém,
que a inflação mais baixa facilitará o fechamento
de acordos com ganho real. "As empresas estão às vésperas
de uma recuperação mais forte. É um momento em que
as empresas precisam manter os empregados trabalhando", acrescenta.
De acordo com levantamento feito
pela FEM-CUT a pedido do Valor, nas fábricas de autopeças
de Sorocaba (SP), as horas extras aumentaram 10% ao mês neste ano.
Em Taubaté, as montadoras
(Ford e Volkswagen) aumentaram a carga dos trabalhadores em 30% ao mês.
No ABC, a Volkswagen é a única
empresa que mantém os empregados fazendo horas extras aos sábados.
A federação representa 221 mil trabalhadores metalúrgicos
em todo o estado.
"O cenário ainda é bastante
heterogêneo, mas a recuperação ocorrida no primeiro
semestre deveu-se ao aumento da massa salarial. Para sair da crise de
vez é importante que haja aumento real de salário no segundo
semestre", defende o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC, Sérgio Nobre.
O Sindicato dos Metalúrgicos
de São José dos Campos é o que negocia o maior pedido
de reajuste, de 15,89%, com ganho real de 9,7%.
"As montadoras estão
batendo recordes de produção. A previsão já é produzir
mais que no ano passado, não há razão para essa
choradeira", diz o presidente do sindicato, Vivaldo Moreira Araújo,
que entregou a proposta à Fiesp em 21 de julho.
Procurada, a Fiesp informou não
ter porta-voz disponível para falar sobre as negociações.
Nem todas as negociações,
porém, têm sido tranquilas. Em Camaçari (BA), cerca
de 4,5 mil metalúrgicos da Ford e outras empresas do município,
como Thyssenkrupp, Cian, Resil e IMBE fizeram paralisação
de protesto na quarta-feira passada.
O Sindicato dos Metalúrgicos
local pede 11% de reajuste, mas as empresas oferecem aumento de 2,5%,
inferior à inflação acumulada em 12 meses até agosto,
de 4,94%, pelo IPCA.
A negociação foi
suspensa pelas empresas e será conduzida agora sob mediação
da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego.
A Vale, que normalmente negocia
o acordo de reajuste de seus funcionários a partir de julho, ainda
não iniciou as tratativas com os sindicatos, segundo informações
da assessoria de imprensa.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
12/08/2009
Empregada que engravida durante aviso prévio
tem estabilidade
A concepção durante
aviso prévio indenizado permite que a trabalhadora usufrua da
garantia de estabilidade de gestante. Esse foi o entendimento da maioria
da Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, ao julgar recurso de
revista das empresas Solução de Gestão de Pessoal
Ltda. e Datasul S.A. com pretensão de reformar decisão
que determinou o pagamento da indenização a uma ex-funcionária.
O relator do recurso de revista,
ministro Aloysio Corrêa da Veiga, que propunha excluir a indenização
da condenação, foi vencido, tendo sido então designado
redator do acórdão, que nega provimento ao apelo patronal,
o ministro Horácio de Senna Pires. O ministro Maurício
Godinho Delgado acompanhou o divergência, mantendo o direito a
indenização.
A ação foi proposta
por uma programadora contratada pela empresa Solução para
prestar serviços exclusivamente nas dependências da Datasul.
Dispensada em 01/09/04, a trabalhadora informou que exames laboratoriais
comprovaram a gravidez em 05/09/04, ou seja, no decorrer do período
do aviso prévio indenizado. Ela teria, então, direito à estabilidade,
pois, de acordo com o ministro Horácio Pires, “a extinção
do contrato torna-se efetiva somente após a expiração
do aviso prévio”.
O contrato de trabalho da programadora
encerrou-se em 01/10/04, segundo o ministro redator, baseando-se, inclusive,
na Orientação Jurisprudencial nº 83, de 1997, que
indica que a data de saída a ser anotada na carteira de trabalho
deve ser a mesma da do término do prazo do aviso prévio,
ainda que indenizado. O ministro Horácio Pires esclareceu que
o artigo 10, II, “b”, do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias (ADCT) exige, para haver estabilidade
da gestante, que “a empregada esteja grávida na data de
sua imotivada dispensa do emprego”.
Calcada em dispositivos
constitucionais, infraconstitucionais e convenções internacionais
que justificam a especial proteção à mãe
e ao filho, a fundamentação do Tribunal Regional do Trabalho
da 12ª Região (SC) foi relevante para a conclusão
do ministro Horácio Pires: “O fato de a gravidez ter ocorrido
durante o aviso prévio indenizado não é suficiente
para afastar o direito pretendido, pois, sendo de iniciativa do empregador
a dispensa do cumprimento do aviso, a liberalidade patronal não
pode servir como óbice ao pleito”. (RR-171/2005-004-12-00.1)
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12/08/2009
Natureza de gratificação
de caixa bancário permite sua supressão
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
restabeleceu, por maioria de votos, em voto relatado pela ministra Maria
de Assis Calsing, a decisão regional que considerou válida
a supressão da “gratificação de caixa” paga
ao longo de cinco anos a um funcionário do Banco de Brasília
S/A (BRB), que retornou à função de escriturário.
O entendimento majoritário
da seção responsável pela uniformização
da jurisprudência trabalhista é o de que a gratificação
paga ao caixa bancário é um salário sob condição,
cujo recebimento se dá se e enquanto perdurar o desempenho da
função de maior responsabilidade. Por isso, quando o empregado
deixa de desempenhar a função, está posta a condição
que autoriza a supressão da gratificação, situação
similar à que ocorre com o pagamento dos adicionais de insalubridade
e noturno, por exemplo.
Com a decisão da SDI-1,
está reformada decisão anterior, da Sexta Turma do TST
em voto relatado pelo ministro Aloysio Corrêa da Veiga, que havia
acolhido recurso do bancário por considerar que a supressão
da gratificação significou alteração contratual
unilateral prejudicial a ele. Segundo a jurisprudência do TST (Súmula
102, inciso VI), o caixa bancário não exerce função
de confiança e o pagamento da gratificação tem o
objetivo de remunerar a maior responsabilidade da atividade.
Para os ministros que divergiram
do voto da ministra Calsing e ficaram vencidos - Horácio Senna
Pires, Aloysio Corrêa da Veiga e Rosa Maria Weber – exatamente
por não se tratar de cargo de confiança é que
o bancário guindado à função de caixa não
pode ser destituído ou rebaixado, salvo se designado para exercer
cargo com remuneração superior. O ministro Luiz Philippe
Vieira de Mello Filho também divergiu, mas sob o fundamento
de que os embargos à SDI-1 não reuniam condições
de ter seu mérito julgado. (E-ED-ED-ED-RR 337/2005-003-10-00.4).
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12/08/2009
Transação extrajudicial
de verbas trabalhistas não caracteriza renúncia de direitos
Não caracteriza renúncia
de direitos a transação extrajudicial em que o empregado
passa quitação de verbas trabalhistas ao empregador. Esse
foi o fundamento da decisão da Quarta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho, ao acolher recurso de um engenheiro contra a Eletropaulo – Metropolitana
Eletricidade de São Paulo.
O empregado foi contratado pela
empresa para a função de engenheiro eletricista em novembro
de 1982. Durante o período contratual, trabalhou próximo
a linhas energizadas de 220 volts a 34.000 volts, fiscalizando, supervisionando,
instalando equipamentos elétricos e mecânicos e também
transformadores.
Em janeiro de 1998, aderiu a
um programa de desligamento por aposentadoria incentivada, em que recebeu
somente algumas verbas trabalhistas, restando, como exemplo, o direito
ao adicional de periculosidade.
Ingressou com ação
trabalhista para reaver direitos como aviso prévio, férias
mais um terço, 13º salário, multa do FGTS e adicional
de periculosidade, este com os respectivos reflexos. A sentença
de primeiro grau concedeu somente o direito ao adicional, no período
de março de 1996 a janeiro de 1998.
A Eletropaulo recorreu da decisão
ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP). O Regional
extinguiu o processo sem julgamento de mérito por considerar válida
a transação extrajudicial oriunda do programa e pela quitação
ter cumprido as exigências legais, gerando efeitos de coisa julgada
e impossibilitando o trabalhador buscar novo direito no contrato de trabalho.
“No caso em tela, o reclamante
manifestamente aderiu a proposta empresarial e, na condição
de sujeito de direito, aceitou-a. Tal ato deve produzir os efeitos almejados,
eis que não há nada que justifique seja desconsiderado
o quanto foi convencionado entra as partes”, registrou o acórdão
do TRT/SP.
Inconformado com a decisão
do TRT/SP, o engenheiro eletricista recorreu ao TST para reverter o julgamento.
O ministro relator do processo, Fernando Eizo Ono, destacou em seu voto
o sentido da Súmula nº 330, que se aplica diretamente ao
caso. A Súmula diz que a quitação passada pelo empregado
tem eficácia liberatória em relação às
parcelas expressamente consignadas no recibo, salvo se aposta ressalva
expressa e especificada ao valor dado à parcela ou parcelas impugnadas,
fato ocorrido com o engenheiro. Por unanimidade, a Turma restabeleceu
a sentença que condenou a Eletropaulo ao pagamento de verbas não
consignadas no recibo, como o adicional de periculosidade. (RR-49719/2002-900-02-00.1)
(http://ext02.tst.jus.br/pls/ap01/ap_red100novo.resumo?num_int=62621&ano_int=2002&qtd_acesso=1105913)
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12/08/2009
Justiça do Trabalho exerce controle
sobre princípio da unicidade sindical
Por unanimidade de votos, a Sétima
Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou embargos do Sindiaeroespacial
(Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção
de Aeronaves, Equipamentos Gerais Aeroespacial, Aeropeças, Montagem
e Reparação de Aeronaves e Instrumentos Aeroespacial do
Estado de São Paulo). O julgamento significou a manutenção
da decisão que apontou o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias
Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos
de São José dos Campos e Região como o legítimo
representante da categoria profissional dos metalúrgicos na localidade.
Na tramitação desse
processo, coube ao Judiciário trabalhista o exercício do
controle do princípio da unicidade sindical. O Ministério
do Trabalho e Emprego concedeu o registro ao novo sindicato (Sindiaeroespacial)
e não dirimiu o impasse entre as duas entidades. Se por um lado
a Constituição Federal proíbe a ingerência
do Estado na organização dos sindicatos, por outro impõe
a criação de uma entidade por categoria numa mesma base
territorial. Enquanto o Congresso Nacional não aprovar a reforma
do setor, permitindo a pluralidade sindical, deve ser respeitado o modelo
do sindicato único como estabelece o texto constitucional.
E foi exatamente o que ocorreu no caso, de acordo com o relator, ministro Pedro
Manus. Como o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas
conseguiu que o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas/SP)
o reconhecesse como legítimo representante dos metalúrgicos
no município, o Sindiaeroespacial vem tentando modificar esse entendimento.
O TRT observou que não havia diferenças de ocupação
entre os trabalhadores que justificassem a criação de uma nova
entidade e considerou que o Sindicato dos Metalúrgicos foi fundado
há mais de cinquenta anos na área, reunindo aproximadamente
quarenta mil profissionais, inclusive os do setor aéreo.
No TST, o Sindiaeroespacial alegou
a ocorrência de duas omissões. Faltariam esclarecimentos
sobre a supressão de instância - por isso pedia o retorno
dos autos à 3ª Vara do Trabalho de Campinas para o julgamento
do conflito, já que, inicialmente, o juiz extinguiu o processo,
sem análise do mérito, com o argumento de que havia mandado
de segurança sobre o destino da contribuição sindical
em outro juízo. E também caberiam esclarecimentos sobre
a possibilidade de desmembramento da categoria profissional, uma vez
que as atividades exercidas pelos profissionais envolvidos seriam distintas.
Para o Sindiaeroespacial, houve violação do artigo 515, § 3º,
do CPC, segundo o qual “nos casos de extinção do
processo sem julgamento do mérito (art. 267), o tribunal pode
julgar desde logo a lide, se a causa versar questão exclusivamente
de direito e estiver em condições de imediato julgamento".
Inicialmente o ministro Guilherme
Caputo Bastos divergiu do relator, considerando que o TRT não
aproveitara as informações das diligências feitas
sobre as diferenças ocupacionais dos trabalhadores, por isso o
assunto merecia ser mais bem analisado. No entanto, o relator, ministro
Pedro Paulo Manus, defendeu que a Turma respondeu especificamente sobre
a supressão de instância e a possibilidade de desmembramento
e criação de novo sindicato. Da mesma forma o Regional,
que tem ampla liberdade para analisar todas as questões intrínsecas
ao tema, e reafirmou o princípio da unicidade sindical. Ainda
segundo o relator, havia obstáculo de natureza processual para
admitir os embargos, na medida em que a parte indicou a existência
de omissão (que comprovadamente não houve) e não
de contradição (que talvez tivesse ocorrido).
Por fim, o ministro Manus
lamentou que um assunto dessa importância fosse decidido por
argumento de natureza processual, impedindo a discussão do direito
material. No entender do relator, o ideal seria a solução
da divergência autonomamente, sem necessidade de decisão
judicial. Mas, quando o tema fosse analisado pela Justiça do
Trabalho, deveria ser da competência originária da Seção
de Dissídios Coletivos (SDC) do TST, que daria interpretação
unânime e uniforme à questão. O presidente da Sétima
Turma do TST, ministro Ives Gandra Filho, explicou que a única
alternativa da parte era recorrer à SDI-1 (Seção
Especializada em Dissídios Individuais), pois era impossível
a rediscussão da matéria na Turma por meio de embargos
de declaração como pretendia a parte. (ED-RR – 668/2006-083-15-00.6)
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12/08/2009
Supermercado consegue reduzir dano
moral por revista em empregado
O Wms Supermercados do Brasil,
do Paraná, conseguiu modificar a condenação que
o obrigava a pagar indenização de R$ 20 mil por dano moral
a um ex-empregado que reclamou na Justiça que diariamente era
submetido a situação constrangedora de ser revistado à saída
do trabalho. O relator do recurso da empresa na Segunda Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, ministro Renato de Lacerda Paiva, considerou excessivo
o valor determinado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região
(PR) e fixou o novo valor em R$ 6 mil.
Inicialmente a indenização
foi fixada pelo juiz da primeira instância em R$ 3 mil reais. O
TRT/PR majorou o valor considerando que a quantia era modesta para o
dano sofrido pelo empregado, uma vez que a conduta do empregador de inspecionar
as bolsas e mochilas do trabalhador, bem como o obrigar a levantar as
barras das calças, a camisa, e arregaçar as mangas do casaco à saída
do trabalho, o submetia a situação constrangedora de sempre
ter de comprovar que não era desonesto. O empregado trabalhou
no supermercado por cerca de seis anos nessas condições.
O ministro Renato de Lacerda
Paiva informou que a indenização deve ser fixada seguindo-se
os critérios do bom-senso, evitando-se a fixação
de valores extremos, ínfimos ou vultosos. O valor da condenação
tem o duplo caráter de ser satisfativo e punitivo, esclareceu
Renato de Lacerda Paiva. “Satisfativo, porque visa a compensar
o sofrimento da vítima, e punitivo, porque visa a desestimular
a prática de atos lesivos à honra, à imagem das
pessoas”, explicou. O relator decidiu pela redução
do valor da indenização com base no artigo 944, parágrafo único,
do Código Civil Brasileiro. (RR-16614-2005-651-09-40.3)
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